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Revista Trimestral

Ano 15 | n.56 | Novembro 2013

IMPRESSO

A S S O C I A Ç Ã O PA U L I S TA D E M E D I C I N A

Casa do

Médico

|

ARARAQUARA

Nesta edição

A origem do médico de família, em texto de Rodolpho Telarolli O ortopedista que vivenciou sua especialidade numa lesão Médicos são homenageados pela Câmara Municipal Marcos Nogueira lança livro sobre uso de psicofármacos Dia do Médico comemorado com festa na sede de campo

Ser médico é... Dois profissionais e professores da área abordam o tema em depoimentos que apontam para a transformação da medicina, seus desafios e limites

Secretário: “não é só o salário do médico que é ruim, mas o de todos os profissionais da área de saúde” Em entrevista exclusiva, o novo secretário municipal de Saúde, Wilson Chediek, defende gestão pública mais participativa, comenta os problemas da área em Araraquara e critica a insuficiência de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS)


EDITORIAL

APM Araraquara

Parabéns pelo Dia do Médico!

Associação Paulista de Medicina Secção Araraquara

Esta edição da revista Casa do Médico chega a suas mãos com conteúdos produzidos em torno deste dia especial, comemorado em 18 de outubro. A ocasião foi celebrada pela APM Araraquara com uma festa em sua sede de campo (veja fotos na página 13). Como destaque, trazemos também uma entrevista exclusiva com o novo secretário municipal de Saúde, Wilson Chediek, o depoimento do ortopedista Silvio Cardoso sobre quando se tornou paciente de sua própria especialidade, reportagem sobre homenagens recebidas por profissionais da medicina no município, entre outras matérias especiais. Boa leitura! 

A revista Casa do Médico é uma publicação trimestral editada pela Associação Paulista de Medicina (APM) Secção Araraquara.

Dr. Renato Chediek Presidente Dr. João Orávio de Freitas Jr. Vice-presidente Dr. Daniel Barcelos Felício 1º Secretário Dr. Jorge Hudari Neto 2º Secretário Dr. Marcus Vinicius Platzer Amaral 1º Tesoureiro Dr. Reinaldo Bonfá 2º Tesoureiro Dr. Sérgio Delort Diretor de Defesa Profissional Dr. Hélio Paulo Primiano Jr. Diretor Cult. e Cient. Dr. Willer Madureira Diretor Social Produção: Editora Casa da Árvore Impressão: Gráfica Bolsoni Tiragem: 1.000 exemplares Distribuição Gratuita. Rua Voluntários da Pátria, 1478 Centro, Araraquara, SP Fone: (16) 3332.2076

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Ano 15 | n.55 | Julho 2013


HOMENAGEM

Câmara Municipal reconhece trajetória profissional de médicos em Araraquara Fotos: Câmara Municipal

Os doutores Longo, Fiorani e Camargo recebem placas, na Casa do Médico; Dr. Itokagi (acima) é cidadão benemérito A Câmara Municipal prestou homenagens a quatro médicos que se destacam pelos serviços prestados à comunidade durante suas trajetórias profissionais em Araraquara. No dia 17 de outubro, em sessão solene realizada na Casa do Médico, receberam honrarias os médicos Carlos Fernando Camargo (Cidadão Benemérito), Segundo Fiorani (Cidadão Araraquarense) e Antônio Ângelo Longo (Honra ao Mérito). No mês anterior, o médico Marco Antonio Itokagi também recebeu o título de Cidadão Benemérito. Carlos Fernando Camargo iniciou suas atividades em cirurgia pediátrica em janeiro de 1982, em três hospitais da cidade. “Na minha especialidade, sempre respeitei os pacientes de forma igual, nunca neguei um atendimento. Talvez por isso estejam fazendo essa homenagem, que me traz felicidade plena”, avaliou Camargo. Segundo Fiorani, natural de Moçambo, em Minas Gerais, fundou o serviço de urologia da Santa Casa em 1967 e, seis anos depois, defendeu tese de doutorado na Unicamp, onde trabalhou como professor assistente até 1977. “Araraquara me acolheu muito bem, me deu muitas oportunidades e até hoje continua me empolgando. De alguma

maneira, eu tinha que retribuir esse carinho. Essa homenagem é muito importante e me deixa realizado”, declarou o novo Cidadão Araraquarense. Homenageado com o diploma de Honra ao Mérito do Legislativo Municipal, o médico Antônio Ângelo Longo implantou, em 1987, a Unidade de Diálise na Santa Casa. No ano seguinte, abriu a Unidade de Tratamento Dialítico de Araraquara, que realiza mais de 3 mil sessões de diálise por mês, além de atender a todas as Unidades de Terapia Intensiva locais. “Talvez o centro de diálise seja minha grande obra, pois sou pioneiro em nefrologia na cidade”, lembrou. Marco Antonio Itokagi recebeu o título de Cidadão Benemérito em sessão realizada no dia 18 de setembro, no salão de festas da igreja de São Judas Tadeu, no Cecap. Ele trabalha na Unidade de Pronto Atendimento em Santa Lúcia e desde 2003 também presta serviços como Clínico Geral no Posto de Saúde do Cecap. “Quando recebi meu diploma, meu pai disse que eu teria dois caminhos para escolher, o do bem ou o do mal. E que, por tantas amizades que fiz, sabia que eu tinha escolhido o caminho certo”, declarou Itokagi. 

Salas disponíveis para médicos(as) ★ Despesas compartilhadas ★ Boa infra-estrutura RUA: CARLOS GOMES, 2647 | SÃO GERALDO - ARARAQUARA FONE: (16) 3336.5284 | (16) 3336.9102


LENTES

DA

SAÚDE

Envie imagens para esta seção. São publicadas fotos sobre temas relacionados à medicina e à saúde. As imagens enviadas devem ser acompanhadas de um breve texto explicativo e do nome do autor das fotografias. Email: apmaqa@uol.com.br Fotos: Joice Garcia

Fantástico Corpo Humano A exposição “O Fantástico Corpo Humano”, um sucesso internacional de divulgação da medicina, está em Ribeirão Preto desde o dia 30 de setembro no Shopping Iguatemi. São corpos humanos reais preservados para fins educativos por um processo chamado de plastinação. Eles estão em exibição pelo mundo desde 2007. Há diversos corpos completos, dispostos em poses do cotidiano, ilustrando os sistemas numa forma dinâmica e familiar ao público, inclusive infantil. Também estão em exposição órgãos isolados ou partes de sistemas orgânicos humanos que ajudam os visitantes a entenderem mais sobre as estruturas do corpo. Durante o percurso, são fornecidas informações por meio de textos que acompanham o mostruário dos corpos e por meio de consultas e orientações prestadas por estudantes de Medicina. SERVIÇO Exposição "O Fantástico Corpo Humano" Curta Temporada Informações: (16) 3602-7400 Site: www.fantasticocorpohumano.com.br Local: Shopping Iguatemi, Ribeirão Preto Horários de funcionamento: De segunda a sábado: das 14 às 21 horas Domingos e feriados: das 12 às 19 horas Ingressos: De segunda a Sexta feira: R$20,00 (Meia Entrada) / R$40,00 (Inteira) Sábado, domingo e feriados: R$25,00 (Meia Entrada) / R$ 50,00 (Inteira) Consulte sobre pacotes de família e recepção para turmas escolares de no mínimo 30 pessoas.

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Ano 15 | n.56 | Novembro 2013


HISTÓRIA

DA

MEDICINA

Realização e idealização do médico de família “Vamos entrando, compadre Cami- almoço da Páscoa. Ainda mais que o lo!”, convidou hospitaleiro como sem- capadete não teria muito mais do que pre o doutor Pitombo. Quando viu as duas arrobas, carne tenrinha, sem palmas vindas da rua, o afável médico igual. baiano, já mais de 30 anos trabalhando Essa cena se repetia algumas vezes em Araraquara, abrindo a porta da no ano, e não passava mês sem que sala para ver quem era, deparou com a Camilo Biffi, não levasse em seu carrofigura do bonachão italiano. ção de 4 rodas dois balaios repletos de Camilo Biffi era um homem sim- frutas, raízes de mandioca, verdura ples e um amigo muito querido. Os macia, que cultivava em seu sítio pelos cabelos embranquecendo, o vasto bi- lados do rio do Ouro, como quem saía godão com as marpela Vila Xavier. Numa cas do sarro do cilata, uma vez era o Doces de cidra, garro de fumo de doce de cidra, outra era abóbora, marmelo, corda embrulhado o de abóbora, de marna palha do milho. goiaba. Não mimo- melo, de goiaba... “Providencia um Não mimoseava o mécafezinho bem ao seava o médico baia- dico baiano como uma gosto do compadre, forma de pagamento, no como forma de Donana”, pediu o mas para satisfazer um pagamento, mas médico para sua veprazer próprio, sempre lha cozinheira. Enpara satisfazer um dizendo que o que quanto isso, com a dava era muito pouco prazer próprio, cesta em uma das perto do que recebia. mãos e o chapéu na De fato, Camilo e sua sempre dizendo outra, Camilo se mulher, Joana, sentiamque o que dava era acomodava já dentro se seguros, ainda mais muito pouco perto da cozinha, como recordando outros pessoa da casa que tempos, logo que se do que recebia era. E foi dizendo ao casaram, quando só por colocar a cesta sobre um milagre perderam a mesa. apenas um dos 11 filhos que tiveram, 6 “Bem do jeito que o compadre e a meninos e 5 meninas. Não fazia muito comadre gostam! Eu trouxe um pernil tempo fora a caçula das meninas, e o lombo de um capadinho que matei Carmem, com seus 8 anos, quem dera hoje mesmo, bem antes do nascer do um grande susto. sol,” falava do mimo com brilho nos O bom compadre médico resolveu olhos e com a alegria sincera de uma num sopro. Subindo no pessegueiro, a criança. E para mostrar para a comadre menina travessa apanhou o pêssego que entrava naquele momento na co- mais amarelinho e graúdo lá no galho zinha, o italiano descobriu a carne ro- mais alto. E na primeira mordida, ensada, retirando o pano alvo, de algo- quanto ainda descia, a casca aveludada dão, com as manchas de sangue claro. grudou-se na garganta, não indo nem Eram as duas partes mais apreciadas para a frente, nem para trás. ameaçando porco, especiais para o assado no do-a de sufocamento. Foi uma correria

Ano 15 | n.56 | Novembro 2013

A seção “História da Medicina”, da revista Casa do Médico, publica trechos selecionados da obra “A História da Medicina e dos Médicos de Araraquara”, do historiador

Rodolpho Telarolli

no trole do vizinho Bibiano até o consultório do médico no centro da cidade. A amizade vinha de longe e foi se fortalecendo aos poucos, até que veio o convite para o casal ilustre batizar uma das filhas do italiano. No domingo, depois da cerimônia na igreja, Joana ajudada pela filha Serafina, a mais velha, pôs o mesão no terreiro à porta da cozinha, à sombra frondosa da jaqueira. A carne assada rescendia desde a manhãzinha, vindo o aroma do forno de lenha no canto da entrada da horta. Rizoto, macarronada e dois litrões de vinho de pipa comprados no armazém do Zaniolo completavam a mesa farta. E não esqueceram o ralador com o generoso pedaço de parmesão, que cada um, insistia Camilo, deveria ralar na hora, no prato fumegante. As relações entre o médico e o sitiante na Araraquara dos vinte anos, são recordações de Carmem Biffi e sua irmã Ana, relatados com indisfarçável sentimento de nostalgia dos “bons velhos tempos”. 

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QUANDO

O

MÉDICO

SE

TORNA

O

PACIENTE

Ortopedista revive sua especialidade como paciente ao romper um tendão ONIPOTÊNCIA E ACIDENTE Em janeiro de 2013, dois dias após ter passado por uma pequena cirurgia nos olhos, onipotente, fui dirigindo de São Paulo a Campinas, apesar dos protestos da família. À noite, já na fazenda, chovendo, me recusei a fazer o trajeto de carro da sede aos quartos. "Quero enfrentar a chuva leve!”, pensei. E lá fui eu. Ao subir uma escada de apenas cinco degraus, não vi o último. Apenas um degrau não percebido e uma experiência inesquecível.

Antônio Carlos Rodrigues, de Campinas, que prontamente me atendeu, confirmou o diagnóstico e me operou no dia seguinte.

Dr. Silvio Garcia Cardoso Ortopedista formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Fez residência médica na própria Santa Casa de São Paulo.É membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Em Araraquara desde 1980, atua no Hospital São Paulo e em sua clínica particular.

diante de tal problema. Mas compreendi a dificuldade ao vivenciar. Atos simples como colocar uma calça, calçar um sapato, tomar um banho, tomar injeções e comprimidos, fazer compressas e curativos se tornariam complicados.

DEPENDÊNCIA E INATIVIDADE Não dormi durante a noite que precedeu a cirurgia. Como daria conta de tudo? Compromissos REABILITAÇÃO E profissionais e finanA dor me deixou no LOGÍSTICA ceiros. Workaholic Três meses de afaschão. O diagnóstico convicto, tive a imtamento, repouso e pressão de que enlouclínico era de minha fisioterapia seriam queceria sem trabanecessários para me especialidade: MÉDICO E PACIENTE lhar. Só me tranquilirecuperar. Isso, se A dor me deixou no chão. Acredito zei quando consegui ruptura completa do tudo corresse bem! que a realidade dos limites do meu me organizar menOnde ficar? Em Aracorpo também. Caiu o homem, caiu a talmente. O que faria tendão do quadríceps raquara, poderia cononipotência. Me apavorei com o dia- e de que maneira agitar com minha filha gnóstico clínico que minha especiali- ria nos próximos meFernanda e o meu dade me permitiu fazer: ruptura com- ses. Financeiramente, tinha alguns genro Milton, com seus quatro filhos e pleta do tendão do quadríceps. Minha seguros por incapacidade temporária. ocupadíssimos. Ou ficar na casa do família tentou me consolar. Mas nada, Da Unimed, continuaria a participar, amigo Durante, gentilmente oferecida. nem a dor, me impemesmo à distância, Resolvi ficar em São Paulo, na casa de diu de tomar as devicom a utilização da minha mulher. Ela também é médica e Parecia fácil dizer das providências. Eu internet e a compre- colega de Faculdade. Lá me sentiria aos meus pacientes ensão e colaboração mais a vontade e seguro. Enfrentamos sabia exatamente o que fazer. Era minha juntos este difícil momento e meus como agir diante de dos amigos. especialidade! Minha filhos se sentiram tranquilos com essa tal problema. Mas enteada resumiu o COMPREENSÃO decisão. assunto: “Silvio, não compreendi a dificul- Havia impossibilidadá para te consolar. de de dirigir e total RECUPERAÇÃO dade ao vivenciar Você já sabe o que incapacidade para Após a cirurgia veio o período mais aconteceu.” realizar atos simples. difícil. Dores e risco de trombose veAté mesmo para a nosa. Agradeço a minha filha FernanDIAGNÓSTICO E CIRURGIA higiene pessoal. Virei realmente um da e meu amigo Dadão, que nessa fase De fato, quis o destino que eu, orto- paciente! Com muletas, dores e an- me visitaram em São Paulo e cuidapedista, tivesse uma lesão grave e de gústias. Confesso que me queixava de ram de mim. Então, veio a rotina de fácil diagnóstico clínico. De imediato, tudo. Parecia tudo tão fácil ao orientar compressas, injeções, curativos e a lembrei-me do amigo Cacá, ou Dr. e dizer aos meus pacientes como agir dependência total. E as muitas visitas

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Ruptura do tendão do quadríceps O tendão do quadríceps é responsável pela conexão de um conjunto de músculos na região anterior da coxa ao osso da patela (joelho). Ele atua na transmissão da força dos músculos à patela nos movimentos de extensão do joelho. A ruptura do quadríceps leva à total incapacidade física, impossibilitando a extensão completa do joelho. A ruptura total de um tendão geralmente resulta de múltiplas microrupturas. Praticantes de esporte estão mais sujeitos a esse tipo de problema. Essas microlesões decorrem da degeneração sofrida pelo tendão com as cargas impostas pelas atividades físicas. Essas rupturas do tendão do quadríceps são relativamente raras e atingem principalmente indivíduos com mais de 40 anos. Pessoas sedendárias também podem sofrer rupturas nos tendões, geralmente em situações acidentais, como quedas. Ela causa dor súbita, impossibilidade de estender o joelho, dificuldade para ficar em pé e caminhar. Dr. Silvio Cardoso, em seu consultório: agradecimento a familiares, amigos e colegas que prestaram apoio e o ajudaram em seu período de recuperação

ao Cacá, em Campinas. June era enfermeira, motorista, analista e mulher. EU, O PACIENTE Dei-me conta da inerente fragilidade do ser humano e dos limites do nosso corpo. Percebi que estava mais próximo dos pacientes. Afinal, "companheiros de destino, nascemos, vivemos e morremos”. Médicos e pacientes. Como ajudar a eles? Como ajudar a mim mesmo?

Fonte: Site do médico Cristiano Laurino, especialista em ortopedia e lesões do esporte

de ler um bom livro, de tomar um bom vinho e de assistir a uma peça de teatro. Cuidar de minha saúde física e psíquica, como nunca cuidei antes!

BOA SURPRESA A reabilitação da minha lesão decorria dentro do esperado, mas a surpresa maior foram os outros resultados. Emagreci dez quilos. Passei a dormir bem, deixando de usar tranquilizantes que usava há anos. Aprendi a valorizar Minha pressão arterial se Aos poucos, a alimentação sau- normalizou. deixei de usar antihipertendável, os exercícios sivo e diurético.

SAÚDE FÍSICA E PSÍQUICA Resolvi cuidar da saúde. Após o período necessário de físicos e também a repouso, passei a AMIGOS E COLEGAS me dedicar inteaproveitar alguns Não posso deixar de comengralmente à reabilitar que valorizei ainda mais prazeres da vida tação, embora conos amigos e os colegas do tinuasse a me queitrabalho. A eles, meus agraxar da inatividade. decimentos pela solidariedade prestada Manhãs e tardes de fisioterapia e acae pelo incentivo, telefonemas, cada pademia. Dedicação exclusiva. Era a única lavra dada e cada visita feita. Todos eles maneira de colaborar: me tornar um colaboraram bastante para a minha reabom paciente! Aprendi a valorizar a bilitação. E também agradeço aos pacialimentação saudável, os exercícios físientes, que compreenderam a minha cos, o prazer de assistir a um bom filme, ausência e se solidarizaram comigo.  Ano 15 | n.56 | Novembro 2013

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G O V E R N O M U N I C I PA L

Novo secretário defende gestão humanizada e participativa na saúde Foto: Prefeitura Municipal

O senhor possui atuação em várias entidades da odontologia, como APCD, sindicato e conselho (CROSP), além de ter sido coordenador de saúde bucal da Prefeitura. Como essa experiência poderá ajudá-lo no trabalho à frente da Secretaria Municipal de Saúde e na relação com as entidades médicas? Wilson Chediek: Eu milito em entidades odontológicas desde que me formei, na década de 80. Fundei o Sindicato de Odontologia de Araraquara e região, sou conselheiro do Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo e presidente da Comissão de Ética. Essa participação me deu uma visão global das entidades, pois sempre trabalhamos junto a outras agremiações, como a Associação Paulista de O secretário de Saúde de Araraquara, Wilson Chediek (centro), recebe o ministro Medicina, o Conselho Regional de MeAlexandre Padilha (direita), acompanhado do secretário de Governo, Nino Mengatti dicina e o Conselho Regional de Enfermagem. Isso proporcionou também uma visão ampla da saúde pública e dicado por um desses auxiliares. É saúde, como existe hoje no judiciário. O privada, uma maneira de olhar a pro- como na Fórmula 1, onde o piloto pode promotor, o juiz, o delegado, o oficial fissão em todos os aspectos, seja ético, perder a corrida se o mecânico que tro- de justiça, todos têm plano de carreira. científico ou sob o ponto de vista do ca o pneu demorar muito, por mais que Não adianta tapar o sol com a peneira, aprimoramento e das necessidades do tenha feito tudo certinho. como acontecia no serviço público, mercado. São vivências que nos levam onde um fingia que pagava e o profisa entender que saúde não se faz nem só Recentemente ocorreu a implantação sional fingia que trabalhava. Essa situacom dinheiro, nem só com médico e de ponto eletrônico para os médicos ção se estabeleceu no Brasil e passou a sim com equipe. Cada setor é impor- municipais, havendo uma tentativa de ser regra. Aí ninguém acha mais absurtante, pois se não acerto salarial. O se- do uma pessoa contratada por quatro funciona sem dentisnhor acha que o salá- horas por dia cumprir somente meia ta ou médico, com A discussão precisa rio e as condições de hora. É como na política, onde alguns eles também não ser ampliada: não é trabalho oferecidas justificam superfaturamento de obra funciona se todo pela Prefeitura são porque vão usar o dinheiro na campasó o salário do mundo não ajudar. condizentes com a nha política, dizendo que isso não é Temos de nos consciresponsabilidade da roubo. Como gestor, se estou contramédico que é ruim, entizar que todos têm profissão? tando alguém por determinado númemas o de todos que Wilson Chediek: Essa ro de horas e o funcionário não cumimportância, desde aquele funcionário trabalham na saúde discussão precisa ser pre, não posso prevaricar com dinheiro que trabalha na porampliada, porque não é público. Se não está bom, vamos discutaria, na recepção ou só o salário do médico tir, ver como podemos avançar nessa na limpeza. Não adianta o médico fa- que está ruim, mas de todo mundo que discussão. Toda vez que se implanta zer tudo certo se quem esteriliza não trabalha na área da saúde. Temos proje- um projeto, tem aqueles que estarão faz direito, por exemplo. Por mais per- to no Congresso Nacional de implanta- com você e os que não vão se enquafeito que seja o trabalho, ele será preju- ção de um plano de carreira na área da drar, isso é natural. Mas o valor é ruim Ano 15 | n.56 | Novembro 2013

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para todo mundo, se comparamos com esses convênios porcarias, que indu- Wilson Chediek: Quando se fala em outras profissões, e falta um plano de zem o profissional a fazer falcatrua no humanizar o atendimento não é só culcarreira bem definido. Claro que o mé- procedimento para tentar cobrir seu pa do médico, porque antes de chegar dico tem risco maior, mas isso será so- custo, nem é pra ganhar mais. É o “me nele o paciente passou por pelo menos lucionado com projetos na área de saú- engana que eu gosto”, que induz o pro- dois funcionários. A humanização faz de, que vão definir os valores e de onde fissional a mentir. E tem de ter respeito parte de um contexto, desde a entrada virão os recursos. Não adianta dizer ao paciente, pois a família vem, solicita do paciente numa unidade de saúde, que vai pagar R$ 20 mil, tem que falar ajuda, estamos lidando com pessoas e seja UPA, UBS, PSF ou hospital. No de onde vem o dinheiro. O SUS é ma- não com objetos. Se o mecânico disser serviço público, se faltava um docuravilhoso, mas o cobertor é pequeno que não vai trocar a peça do carro nin- mento, o funcionário mandava voltar para o tamanho da cama. Não existe guém vai morrer por causa disso. Mas, pra casa, lidava com o público como se uma Secretaria da Saquando lidamos com estivesse fazendo um favor. E não é úde ou Santa Casa pessoas, a dificuldade favor nenhum, pois esse público paga o Inventaram o SUS que esteja bem finanvai além do que as seu salário. O funcionário tem que para ser de graça pra ceiramente. O SUS é pessoas imaginam. atender melhor do que no consultório, um sistema que inTemos muitas solicita- porque esse pessoal vem muito mais todo mundo, mas ventaram para ser de ções, pois a Constitui- carente e precisa muito mais de atenção não inventaram graça pra todo munção manda dar todo psicológica do que aquele que tem dido, mas não inventaainda a maquininha tipo de ajuda. Os pe- nheiro para uma consulta particular. ram ainda a maquinididos chegam aos Não podemos achar que o dentista ou nha de fazer dinheiro de fazer dinheiro pra montes, para interna- médico trata apenas da doença. Existe pra pagar essa conta. ção de idosos e de- todo um aspecto psicológico e ele tem pagar essa conta Não se cobra nada de pendentes químicos que atender da melhor forma possível. ninguém, não existe em instituição particu- Não se pode atender todo mundo em diferença por faixa de renda, todo lar, transporte de pacientes e muitos meia hora pra ficar nas outras três homundo vai lá. Mas quem paga a conta? outros. E a Prefeitura tem que pagar ras sem fazer nada. Eu continuo com a sem ter previsão orçamentária. Se o filosofia de humanizar o atendimento e Há necessidade de contratação de no- paciente entra na justiça por uma pró- isso é responsabilidade de todo mundo, vos médicos pela Prefeitura, seja para tese que custa R$ 10 mil, o juiz manda não só do médico. Por isso temos que a atenção básica ou especialistas? comprar. É um saco sem fundo. Esta- treinar esse pessoal pra saber como Qual é a dimensão dessa necessidade? mos pedindo mais verba na saúde, mas lidar com o público, com todo tipo de É possível quantificá-la? é preciso melhorar a gestão. Não existe pessoa. Humanização é isso, não fazer Wilson Chediek: Estamos tomando pé um controle como é uma paciente idosa ainda da situação, porque diariamente feito na Receita Fedevoltar lá para o Selmi É preciso investir temos médicos saindo por um motivo ral, que serve de Dei 4 por causa de ou por outro. Parece que o secretário exemplo para o muntambém em recursos qualquer coisa. Temos anterior havia pedido em torno de 60 do inteiro. Não se inque tentar resolver humanos. Não médicos ao programa Mais Médicos, veste na gestão da aqui. O paciente deve porque estamos com necessidade de saúde, no controle da adianta só dinheiro ser atendido como se mais profissionais em Araraquara, por aplicação dos recurfosse a mãe ou o filho para exames se falta do funcionário. mais que tenha melhorado o salário. sos. Estão tentando Também estamos fazendo outro con- melhorar, mas tem investimento em curso para suprir essa necessidade. que investir também A Secretaria de Saúde quem cuida disso em recursos humasolicitou a vinda de Até que ponto a falta de investimento nos. Não adianta só médicos estrangeiros no SUS é responsável pela dificulda- dinheiro para exames se falta investi- dentro do programa Mais Médicos, do de enfrentada pelas prefeituras para mento em quem cuida disso. governo federal? Por quê? O senhor melhorar a assistência à população? acredita que a vinda desses profissioWilson Chediek: A partir do momento O último secretário de Saúde aponta- nais ao Brasil, sem revalidação de diem que a saúde foi municipalizada, os va o médico como grande responsável ploma, resolverá a carência de atenrecursos vêm a conta-gotas e a deman- pela falta de qualidade do atendimen- dimento médico para a população? da é muito grande. Uma coisa é conse- to na saúde pública municipal, dizen- Wilson Chediek: Não, eu não acredito. quência da outra. Se você paga mal, o do ainda que buscaria "humanizar" Mas acredito que o governo lançou profissional fica insatisfeito. Ele faz o esse atendimento. O senhor concorda mão disso numa situação emergencial e procedimento e não recebe o suficiente com essa avaliação? o assunto foi muito mal conduzido, não nem para pagar o custo disso. É como só pelas entidades médicas como pelo

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próprio governo. Acho que poderia ter partido até das entidades médicas uma proposta. Esse problema não é de hoje, então, essas entidades poderiam ter elaborado uma proposta para o governo para solucionar essa questão, que é inversamente proporcional ao que acontece com a minha categoria. Hoje existe uma superoferta de profissionais da saúde bucal, também por falha das nossas entidades, que não trabalharam melhor a questão com o governo. Não podemos colocar no mercado muito mais profissionais do que o necessário e nem muito menos. Também não podemos distribuir de forma desigual e a má distribuição ocorre justamente porque falta renda. Como não existe um plano de carreira, quem vai trabalhar lá longe? O juiz que trabalha em Araraquara ganha o mesmo que o juiz que trabalha em São Paulo ou lá na ponta do estado. Tem um processo de remoção, reposição da carreira e tudo mais. O Mais Médicos tem falhas, mas como gestor não consigo ver como solucionar hoje o problema da falta de médicos. As pessoas dizem que a UPA está muito bem equipada, mas que há espera de três horas, pois não tem médico para atender. Mas a prefeitura está contratando, abrindo concursos. Esse problema não é de Araraquara. Se fosse de Araraquara o governo não traria 10 mil médicos de fora do Brasil. Falta diálogo entre entidades médicas, universidades e governo. A medida emergencial pode ser ineficaz, gerar conflito e isso não é bom pra ninguém. Mas como vamos atender essa população que mora longe? E tem a questão dos recursos. Se eu contratar um médico e não tiver equipamento, fica difícil também. Tem que ter dinheiro para custeio também. É muito bom o governo dar dinheiro para construir unidade de saúde, mas quem paga o recurso humano, como faz para custear? É um problema sério desde a origem. Em relação a dois hospitais públicos da cidade, Gota de Leite e Santa Casa, qual sua opinião sobre os modelos de administração em cada um deles e a necessidade dos repasses financeiros de recursos públicos para mantê-los?

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esse tipo de funcionário. Para a população é muito mais eficiente, temos mais condições de cobrar o atendimento às pessoas. Mas estou me inteirando ainda sobre o modelo de gestão da Gota. Na Santa Casa são abnegados que trabalham para que não feche as portas, mas é problema de recursos, como em todas as entidades. Ela é uma entidade filantrópica e tem de atender todo mundo, mas a conta não fecha.

Convidei a categoria a escolher dois representantes. Participando da gestão, os médicos vão entender melhor onde podemos gastar Wilson Chediek: Na Gota de Leite, acho que o modelo de administração deve ser esse mesmo, uma fundação ou uma Organização Social de Saúde, porque fica difícil gerenciar a saúde no modelo de funcionalismo público, que é muito lento. Eu não tenho agilidade para contratar funcionários para reposição, tenho que esperar licitação, edital de convocação. São três ou quatro meses com tudo parado e a população reclama. A falta de um plano de carreira dificulta até a gestão, fica difícil até para fazer compras ou trocar o pessoal que não esteja produzindo, pois todos os processos são lentos. Se em alguns lugares aconteceram problemas com esse modelo, isso não o invalida. Em qualquer setor público ou privado pode ter malandro. O modelo bem administrado funciona muito bem em muitos lugares que eu conheço, pois tem mais dinâmica. Quem não gosta de trabalhar não gosta desse modelo, porque sem ele fica mais difícil encontrar

Quais seus planos à frente da Secretaria Municipal de Saúde? Wilson Chediek: Já fiz uma reunião informal com os médicos e convidei a categoria a escolher dois representantes para participarem da gestão, um das UBS e outro dos PSFs. Não posso tirar médicos de lá para vir aqui o tempo todo, porque estamos com falta de profissionais, mas os convidei para que venham participar pelo menos duas vezes por semana, para dar sugestões, buscar informações sobre o que pode ou não ser feito. Participando da gestão, os médicos vão entender melhor onde podemos gastar e temos que ter essas pessoas participando do processo de humanização. Não se pode fazer isso à distância. Tenho que ter médico, dentista, enfermeiro e técnicos participando do processo decisório, para sabermos onde agir. Todo mundo acha que o problema dele é o maior do mundo, quer resolver o problema de sua área, por isso, é bom que todos participem para ver o que podemos atender primeiro. É como o paciente na UPA, que acha que porque está lá há muito tempo tem que ser atendido antes do outro. Na verdade temos que atender primeiro o que tem mais necessidade. Não vamos largar um paciente com hemorragia porque chegou agora e atender o outro que está há mais tempo com um pouco de dor nas costas. Temos de ter esse conceito e, para isso, precisamos ter essas pessoas ouvidas e envolvidas com o processo de atendimento da população em geral e não apenas com aquilo que é melhor para ele. Não tenho propostas mirabolantes, ainda mais com poucos recursos. Vamos sentir as necessidades e avaliar os recursos para saber qual modelo seguiremos. Mas quero a participação de todas as pessoas, um trabalho em equipe. Não conheço outra forma de gestão.  11


PUBLICAÇÃO

Psiquiatra araraquarense Marcos Nogueira lança guia ilustrado de uso de psicofármacos O médico psiquiatra Marcos de Jesus Nogueira lançou no dia 25 de outubro o seu terceiro livro, “O Uso de Psicofármacos”, um guia completo e ricamente ilustrado com gráficos, tabelas e até mesmo histórias em quadrinhos, que permite aos profissionais da área consultas rápidas e precisas sobre todos os medicamentos psiquiátricos do mercado e até mesmo os indisponíveis para venda. “O conteúdo desse livro pode até existir em outras publicações, mas não com essa apresentação e facilitação pedagógica. Medicar vai ficar mais gostoso”, comenta Nogueira. Direcionado aos médicos, a publicação traz em suas 600 páginas informações como abreviaturas e símbolos, classificação dos medicamentos por ordem alfabética e por categorias e inclusive o nome comercial dos remédios, ao lado de sua respectiva nomenclatura química. Além disso, o guia mostra os mecanismos de ação de cada produto, interações medicamentosas, efeitos adversos, o que fazer em casos de superdosagem, apresentação, similares, adjuvantes, posologia, usos indesejáveis, usos em

esse material para fazer meus livros. Desde a minha primeira publicação, percebi que existia uma lacuna em relação a guias de fácil consulta”, avalia Nogueira, que contou com o trabalho do ilustrador Camilo Riani na arte gráfica.

situações especiais, casos de solução difícil e curiosidades sobre cada psicofármaco. Entre os tópicos abordados em capítulos especiais estão os princípios básicos da farmacologia, o resumo da farmacocinética e a farmacodinâmica. Cada tema é acompanhado por suas respectivas ilustrações, que proporcionam uma leitura leve e dinâmica. “Eu sempre gostei de estudar fazendo diagramas e acabei organizando

Nogueira traz cada detalhe sobre medicamentos indicados para cada tipo de doença psiquiátrica, desde transtorno obsessivo compulsivo (TOC), tiques, déficit de atenção, soluços resistentes e distúrbios do sono e do sexo até mal de alzheimer, amnésia, esquizofrenia, mania, acidentes vasculares, neuroses, retardo mental e depressão, passando por doenças causadas por fatores exógenos como estresse e uso de drogas. Todos os assuntos são separados por capítulos de acordo com suas causas e fases da vida de maior incidência. Lançado durante o 31º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, no Expotrade Convention Center, em Curitiba, o livro pode ser encontrado em livrarias de universidades, escolas médicas e no site da editora Atheneu (www.atheneu.com.br). 

Quem é o autor Médico graduado em 1973 na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, Marcos de Jesus Nogueira também se formou em psicanálise no Instituto Saedes Sapientiae e Psicoterapia Fenomenológica Existencial, além de ter feito especializações em psicodrama e ter promovido diversos cursos de especialização em terapia corporal nas cidades em que clinicou, como Rio Claro e Araraquara. Nos últimos 10 anos tem se dedicado a escrever livros para estudantes e profissionais de saúde e áreas afins. Seu primeiro livro, “Diagnóstico Psiquiátrico”, foi publicado em 2001. Em 2008 lançou o guia “Exame das Funções Mentais”.

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Dr. Bruno Abade

Cirurgião Oncológico

Av. Napoleão Selmi Dei, 778 Vila Harmonia, Araraquara Fone: (16) 3114.1038 www.centrocardiovascular.com.br

Ano 15 | n.56 | Novembro 2013


F E S TA

DOS

MÉDICOS

Fotos: Roberto Schiavon

O Dia do Médico, comemorado em 18 de outubro, foi marcado por uma festa realizada pela APM Araraquara, que reuniu cerca de 100 profissionais da medicina, familiares e amigos na sede de campo da Casa do Médico, na Vila Xavier. No cardápio, dois carneiros no rolete e muito chope, além de uma grande variedade de clássicos do samba interpretados pelo grupo Expedito e Amigos, ingrediente que tornou o encontro inesquecível. Confira as imagens!

Rua Carlos Gomes, 1925, Centro Araraquara/SP (16) 3335-3505


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Risotto de linguiça e açafrão com salsa de cogumelos Muito bom estar aqui novamente, principalmente nesta edição do Dia do Médico. Certa vez fui indagado por um colega sommelier durante uma degustação às cegas (que é aquela em que não temos informação nenhuma sobre o que está na taça) sobre o porquê de haver tantos médicos dentre os associados e sobre nossa habilidade em encontrar as nuances de cada vinho com tanta habilidade. Minha resposta foi rápida e curta em tom de brincadeira: "Colega, isso é muito óbvio. O vinho foi um dos primeiros remédios a serem usados na Antiguidade!". Depois da descontração e boas risadas, expliquei-lhe que o médico, para chegar ao diagnóstico preciso de uma enfermidade, precisa analisar o ser humano como um todo, desde sua história familiar e pregressa, sinais e sintomas clínicos. Depois, durante o exame clínico, que é minucioso, passamos por várias etapas, como inspeção visual, ausculta e palpação, para depois traçarmos assim nossas hipóteses diagnósticas. De certa forma, ao analisar um vinho organolepticamente (visual, olfato, gustativo e ausculta), transferimos nossa experiência médica aos balcões de degustação, explicando nosso “dom”. E vou mais adiante, concluindo que este mesmo modo de pensar explica também a razão de termos tantos médicos “chefs de cozinha e consultório”, que nos seus poucos momentos de folga proporcionam a seus familiares e amigos refeições inesquecíveis. Mas qual seria o segredo, esse tempero mágico que transferimos de nossas mãos para as panelas? Digo a vocês, colegas, que é parte do amor e dedicação que dispensamos na nossa vida profissional, nos momentos em que estamos longe de nossas famílias. Para esta edição da revista Casa do Médico, escolhi para vocês uma receita de minha inspiração, fácil de fazer e muito saborosa, aproveitando que o risoto está em alta nas mesas brasileiras.  14

Dr. Roberto Marino Cirurgião plástico em Araraquara

Ingredientes (para 6 pessoas) 1 litro de caldo de carne 2 colheres de sopa de cebola picada finamente Azeite de oliva extra virgem 350 gramas de linguiça de porco fresca picada à ponta de faca 1 colher de sopa de manteiga 200 ml de vinho branco seco 4 mãos (2 xícaras cheias) de arroz arbóreo ou carnaroli. Pimenta-do-reino preta moída na hora 3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado na hora 300 gramas de cogumelo frescos fatiados, como Shitake ou Paris Risotto serviço com ramo de alecrim 30 gramas de fungui secchi 1 dente de alho picado 2 pacotes de açafrão italiano em pó ou meia colher de chá de estigmas. Sal, se necessário, e ramos de alecrim para decorar

Modo de preparo: 1. Coloque a panela do caldo cozinhando em fogo baixo, lado a lado, e vamos para a base ou sofritto. 2. Aquecer o azeite na panela e refogar a cebola até que suba seu aroma e fique transparente. Acrescente os pedaços de linguiça picadas até que fiquem dourados e coloque todo o arroz. 3. Refogue até que os aromas se misturem, corrija de sal e pimenta e acrescente o açafrão e o vinho branco mexendo sempre para que todo o álcool se evapore e tempere os grãos. 4. Agora, podemos acrescentar ao nosso sofritto o caldo de carne em porções suficientes para que cubra todo o arroz e comece a mexer sempre com uma colher de pau limpando bem as laterais e o fundo da panela. Dessa forma o risotto não queima e tem um cozimento homogêneo. 5. Vá acrescentando constantemente caldo ao risotto sempre que a panela estiver seca. 6. Nesse meio tempo, refogue os cogumelos frescos com manteiga, alho, sal e pimenta até que fiquem macios. Introduza os cogumelos secos previamente hidratados em 50 ml de vinho branco e refogue até que o álcool se evapore e reserve. Finalize quando o risotto estiver quase pronto com algumas colheres da água de cozimento rica em amido para engrossá-lo. 7. A partir de 20 minutos de cozimento, experimente o ponto do arroz até atingir a textura desejada. Há os que prefiram bem “al dente”, quase cru no interior, porém nunca mole demais. 8. Atingido o ponto desejado, desligue a chama e deixe apenas um pouco do caldo que não evaporou para que fique úmido. 9. Agora vamos para a “mantecatura” do risotto, que é feito para deixá-lo brilhante e cremoso. Colocamos o queijo parmesão ralado e a manteiga e começamos a amalgamar bem devagarzinho, acariciando grão a grão para que toda a cremosidade e aromas do queijo e da manteiga se fundam ao arroz tornando-o brilhante e macio. 10.Deixe a panela tampada por alguns minutos para que tudo se estabilize e sirva em pratos individuais, coberto com o molho de cogumelos frescos. Decore com ramas de alecrim e salpique pimenta preta por cima. Ano 15 | n.56 | Novembro 2013


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MÉDICO

O que é ser médico no Brasil de hoje? “Ser médico hoje no Brasil é reconhecer que acima da ciência ilimitada e sem fronteira está o limite do corpo. E que acima das relações ilimitadas entre os homens está o limite da moral.” Profa. Dra. Cibele Repele Duch (CRM 105703), coordenadora do Internato Médico do Curso de Medicina Uniara "Ser médico não é pra qualquer um!". Muitos ouvem isso frequentemente e logo imaginam com que arrogância se diz tal frase. Deixemos essa história sobre arrogância de lado para enxergarmos o seu verdadeiro significado. Médico é aquele que ama a vida, respeita o ser humano, tem bom caráter e preocupa-se com o próximo. Ser médico é um dom nato! Mas, no

Brasil, não é o que vemos. O número de egressos das faculdades de medicina que visam apenas a estabilidade financeira que a profissão pode oferecer, ou que foram "incentivados" por seus pais devido ao "status" que um "doutor" tem, é cada vez maior e... assustador! Nosso país e nossa profissão passam por um processo de transformação que confunde as reais deficiências no setor da saúde com a verdadeira vocação médica. A realidade social é muito distante da realidade tecnológica que a medicina alcançou nas últimas décadas. Cabe ao médico não só a obrigação de cuidar de seu semelhante com respeito e ética, mas também zelar pela estrutura (e infra-estrutura) de todo o processo de atenção à saúde, desde o princípio básico, até o mais complexo método diagnóstico ou terapêutico especializado. É obrigação do médico não só trabalhar

para cuidar do seu semelhante, mas também preocupar-se com a formação de novos profissionais, visto a política atual do governo, que importa médicos, muitas vezes de formação duvidosa (até porque não são avaliados pelos métodos convencionais), em detrimento apenas da imagem do médico. É nosso dever lutar por condições adequadas de trabalho e atendimento. O Brasil precisa de médicos mais humanos! Médicos de verdade!“ Prof. Dr. Dario Baldo Jr. (CRM 90930), neurologista, professor da disciplina de Neurologia do Curso de Medicina da Uniara e supervisor/preceptor do Programa de Residência Médica da Clínica Médica da Uniara e Santa Casa de Araraquara


Profile for Editora Casa da Árvore

Revista Casa do Médico (Novembro 2013)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

Revista Casa do Médico (Novembro 2013)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

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