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Revista Trimestral

Casado Médico IMPRESSO

Ano 18 | n.63 | Junho 2016

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA | ARARAQUARA

Leia também

Médicos inovam tratamento de tuberculose mais resistente Dicas do Doutor levam informação à população

Informação médica na web

Google, Facebook e WhatsApp são cada vez mais usados para difundir, comentar e opinar sobre temas médicos. Mas como diferenciar informação confiável e evitar os riscos do autodiagnóstico e da automedicação? Saiba como médicos lidam com o tema

Eventos

Cinema, Conversa e Psicanálise tem nova programação


editorial

Quando a internet faz mal ARARAQUARA A revista Casa do Médico é uma publicação trimestral editada pela Associação Paulista de Medicina (APM) Secção Araraquara. Dr. Renato Chediek Presidente Dr. João Orávio de Freitas Jr. Vice-presidente Dra. Ticiane Corina Ribas 1a Secretária Dra. Fabiane A. Alves Madureira 2a Secretária Dr. Marcus Vinicius Platzer Amaral 1º Tesoureiro Dr. Fernando Linares 2º Tesoureiro Dr. Luis Henrique B. Falcão Diretor Def. Profissional Dr. Helio Paulo Primiano Junior Diretor Social Produção: Editora Casa da Árvore Reportagem: Vitor Prado Impressão: Gráfica Art Point Tiragem: 1.000 exemplares Distribuição Gratuita. Rua Voluntários da Pátria, 1478 Centro, Araraquara, SP

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As informações disponíveis na internet nem sempre são confiáveis e, quando o assunto é saúde, o cuidado deve ser redobrado, pois uma informação falsa ou fora de contexto pode gerar diagnósticos errados e sérios danos à saúde do paciente. Nesta edição da revista Casa do Médico, descubra como médicos da cidade lidam com pacientes que recorrem à rede para entender sobre suas doenças e opções de tratamento e como evitar os riscos do autodiagnóstico e da automedicação. Na seção História da Medicina, confira mais um relato do historiador Rodolpho Telarolli sobre a história da medicina e dos médicos de Araraquara. Entenda também como uma pesquisa científica realizada por médicos que atuam no Hospital Nestor Goulart Reis, em Américo Brasiliense, levou à descoberta de um método eficaz para o tratamento da tuberculose extensivamente resistente. Não deixe de ver a programação da nova temporada do projeto “Cinema, Conversa e Psicanálise”, que já reuniu mais de cem pessoas no dia 9 de junho na sede social da APM. E, ainda nesta edição, na seção Receita Médica, descubra com o chef e sommelier Chico Olivi o que é e como é feito o vinho do tipo Rosé. Boa leitura! g

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história da medicina

Poder municipal e saúde: império e coronelismo No império, o médico pagava um impresso tipográfico. alto imposto municipal. Segundo o O apelo partia de autonomia código de posturas que a Assembleia conquistada pelos municípios após Providencial de São Paulo impôs em a Proclamação da República e a pri1871 à Vila de Araraquara (como de meira Lei Orgânica Municipal. resto certamente a todas as vilas das Sobre a reorganização do serviço cidades), de um consultório médico sanitário, lembrava o Governo do seria cobrado o imposto de 20$000. Estado que a atribuição em questão Bem maior do que o de advogados, cabia às câmaras municipais, devenpor exemplo, que pagavam 5$000. do o Estado apenas intervir na tarefa Um dentista, retratista ou relojoeiro de auxiliá-las com ”casos extraordiestava sujeito a um nários de calaimposto de atividamidades.” des anual de 10$000. A diretoria Havia nesse códo serviço saO coronel mandante digo uma curiosa nitário estava local ia de caneca instrução. Cada caem condições beça de gado que de oferecer em punho esmolar saísse do município, vacina animal verbas para pequenas vendida, pagaria a contra a vaobras, como o muro seu dono 300 réis e ríola. Quem a pessoa que denunassinava era o do cemitério que ruiu. ciasse a venda seria poDessa modo, tornava- conhecido gratificada com a lítico Alfredo se ele credor da gratidão Pujol. metade do valor. Essa quesdos moradores locais Na barganha do tão, já coe, nas eleições, dava coronelismo, era mentada, não o apoio que mantinha necessário manter correspondia o município pobre. à realidade vios mandatários tanto Comentou-se, em vida. A tal auna esfera local outro trecho, as exitonomia mucomo na estadual gências que, não nicipal, muito raro, o poder estadebatida na dual fazia das admiconstituinnistrações municite de 1891, e pais, especialmente constante em no tocante aos cuidados com a higie- leis, regulamentos e decretos estane urbana, sujerindo medidas como duais, era apenas figura de retórica. encanamento de esgoto e água, que O município continuou anêmico de eram trabalhos muito onerosos. recursos face a uma distribuição de Em um ofício datado de 31 de rendas tributárias perversa, que desagosto de 1895 (plena epidemia de tinava parte do leão para a União e febre amarela), a Secretaria de Esta- os Estados. Isso não aconteceia por do dos Negócios do Interior, oficia- acaso. Era um mecanismo do pacto va em circular a Câmara Municipal do coronelismo: município pobre de Araraquara, o que fazia para ou- é dependente e assim fica à mercê, tros municípios, já que se tratava de sempre, dos recursos do Estado. E Ano 18 | n.63 | Junho 2016

Esta seção publica trechos selecionados da obra “A História da Medicina e dos Médicos de Araraquara”, de

Rodolpho Telarolli

era o coronel mandante local quem ia de caneca em punho esmolar verbas para pequenas obras, como o muro do cemitério que ruiu. Desse modo, tornava-se ele credor da gratidão dos moradores locais e, nas eleições, dava o apoio que mantinha os mesmos mandatários tanto na esfera local como na estadual. g 3


reportagem de capa

Quando a internet faz o papel de ‘doutor’

Ao difundir informação especializada, mas de credibilidade muitas vezes duvidosa, a internet cumpre, cada vez mais, um papel até então reservado apenas aos médicos e profissionais da saúde. Saiba como os médicos lidam com o problema e como podem orientar seus pacientes e evitar os riscos do autodiagnóstico e da automedicação A relação entre médicos e pacientes sofre alterações com o avanço da internet e o aumento expressivo da quantidade de informações relacionadas à saúde e temas médicos disponíveis em milhões de página na rede, por meio de sites, blogs, redes sociais, fóruns e grupos fechados. Atualmente, diante das primeiras suspeitas de sinais e sintomas de uma possível doença, muitos pacientes apressam-se a pesquisar no Google, consultar blogs de saúde, ler comentários em redes sociais, respostas no Yahoo, além de consultar amigos e familiares por meio de grupos no WhatsApp. Tudo isso ainda antes de consultar um médico e ter certeza sobre o diagnóstico. Médicos e profissionais da saúde possuem o conhecimento necessário para distinguir quais são os sites confiáveis e quais contém informações duvidosas. Geralmente, acom4

panham sites especializados e publi- palmente quando a pesquisa parte cações científicas, como a Scientific de um sintoma isolado. Electronic Library Online (SciELO), entre outras fontes de pesquisa. Riscos. “Na internet temos que ter A maioria dos cuidado com as pacientes, porém, informações e “Na internet tudo pode sempre consultem dificuldade para compreender tar mais de uma acabar em câncer”, textos publicados fonte”, consideironiza Telarolli. em linguagem técnira a pneumolo“O paciente curioso ca e tampouco posgista Renata Fersui o conhecimento lin Arbex, que vai relacionando os necessário para dischama a atensintomas e buscando tinguir as melhores ção para os risfontes de consulta e cos da consulta informações e pode as informações mais prévia na web. muitas vezes relevantes para cada “Procuro semencontrar relações caso e situação. pre explicar com Além disso, as calma quais são que não são reais.” informações obtidas as implicações e de fontes não esperiscos do autocializadas na internet costumam ser diagnóstico e automedicação”, diz. genéricas e podem gerar preocupa- Em seu consultório, a maior preocuções e confundir o paciente, princi- pação é com nódulos: “ alguns acreAno 18 | n.63 | Junho 2016


ditam que pode se tratar de um câncer e isso pode desesperar a pessoa”. Prós e contras. O professor de medicina e especialista em saúde pública Rodolpho Telarolli Junior explica que existem prós e contras nessa consulta prévia realizada pelos pacientes na internet. Segundo ele, o ponto negativo é que muitas vezes o paciente chega ao consultório exigindo diversos exames que nem sempre são necessários e munido de informações que geralmente não levam em consideração o quadro clínico e histórico de cada um. “Fico muito irritado quando isso acontece, pois faço medicina à moda antiga, com consultas mais dedicadas ao paciente e com foco no histórico clínico e na conversa”, enfatiza o médico, acupunturista e clínico geral. Ele considera que quando o paciente chega ao consultório com uma hipótese diagnóstica baseada geralmente em uma queixa ou sintoma e requisitando exames, ele acaba desautorizando o médico. Segundo Telarolli, isso pode prejudicar todo o sistema de saúde, encarecendo os procedimentos e gerando outras consultas e retornos por conta do grande volume de exames. Para Telarolli, nesses casos, cabe ao médico conversar com o paciente e explicar a situação, esclarecendo os fatos e mostrando que não se pode generalizar o diagnóstico e muito menos observar uma palavra

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ou sintoma fora de contexto. “Na internet, tudo pode acabar em câncer”, ironiza, “o paciente curioso vai relacionando os sintomas e buscando informações e pode muitas vezes encontrar relações que não são reais”. Já o lado positivo é que o paciente está mais bem informado e passa a ser uma figura ativa na consulta. Telarolli explica que é saudável questionar e ter dúvidas em relação ao diagnóstico e tratamento indicado pelo médico, mas a discussão deve ser baseada em fatos e não em suposições. Para ele, cabe ao médico convencer o paciente que a consulta é muito mais completa que a pesquisa na web e o conhecimento do médico não pode ser descartado — mas, para isso, deve haver o exame clínico e dedicação exclusiva do médico ao paciente. A infectologista e professora universitária Estela Maura Cirino Cattelani ressalta que “a internet é boa quando utilizada com bom senso”, mas reforça o alerta: “o paciente costuma ficar ansioso quando faz buscas na internet, pois sempre encontram informações que remetem a doenças mais graves.” “As vezes os pacientes entendem nossas preocupações com uma conversa, mas de vez em quando é preciso mostrar o site, artigo ou fonte de consulta para convencer os pacientes mais teimosos”, diz ela. (Leia os depoimentos dos médicos consultados pela reportagem na próxima página). g

Google lança serviço de busca específica sobre saúde Pensando na grande quantidade de informações disponíveis na internet, um grupo de engenheiros do escritório do Google em Belo Horizonte desenvolveu a ideia que foi inicialmente lançada nos EUA e há pouco tempo chegou ao Brasil. A ferramenta é mais uma das aplicações que integram o Knowledge Graph do buscador, que pode ser traduzido como “Painel do Conhecimento” e sempre aparece ao lado direito dos resultados de busca, e pode conter diversas informações compiladas sobre algum tema específico. O projeto conta com a parceria de uma equipe do Hospital Israelita Albert Einstein, que checa todas as informações compiladas sobre os sintomas ou doença específica de sites confiáveis, como o site do Ministério da Saúde, entre outros. As informações aparecem para o paciente em um box azul, ao lado do campo de pesquisa (imagem ao lado, abaixo). Como funciona. Quando uma pesquisa é feita, por exemplo, pela palavra “gripe”, ao lado direito da busca é possível ver um quadro que traz informações referentes à doença, como seus principais sintomas, modos de transmissão, tempo de incubação do vírus, diagnóstico, tratamento e informações gerais sobre a doença. Na busca sobre a gripe, também é possível ver um alerta de saúde pública do Ministério da Saúde sobre o vírus H1N1 que representa um grande risco à saúde pública mundial. Também é possível encontrar informações sobre a incidência na população e um pequeno texto explicativo da doença e principais sintomas. Mas sempre deve ser feita uma ressalva para que o paciente procure um médico para orientações específicas sobre seu caso. g 5


reportagem de capa

O papel do médico diante da internet Veja como alguns médicos de Araraquara costumam lidar com pacientes que se informam pela internet, em fontes nem sempre confiáveis, sobre problemas de saúde

DRA. ESTELA MAURA CIRINO CATTELANI Infectologista e professora universitária “Antigamente era muito difícil ter acesso a informações médicas. Hoje, a internet facilita a disseminação de conteúdo e proporciona facilidades tanto para o médico quanto para o paciente. O paciente costuma ficar ansioso quando faz buscas na internet, pois sempre encontram informações que remetem a doenças mais graves. É importante ler as informações com muito critério, pois na maioria das vezes elas são genéricas e nem sempre fazem sentido. Devemos tratar o assunto com muito tato e explicar para o paciente que a internet é boa quando utilizada com bom senso. As pessoas e organismos não são iguais e nem sempre um mesmo medicamento é indicado para todos os pacientes, sendo assim, é perigoso generalizar o uso de um determinado medicamento e tratamento. Já tive pacientes que tomaram o medicamento receitado para outros e isso pode causar sérios danos, por exemplo, existem medicamentos que podem ser nocivos para pacientes com HIV. As vezes os pacientes entendem nossas preocupações com uma conversa, mas de vez em quando é preciso mostrar o site, artigo ou fonte de consulta para convencer os pacientes mais teimosos.” g 6

DRA. RENATA FERLIN ARBEX Pneumologista “Procuro sempre explicar com calma para o paciente quais são as implicações e riscos do autodiagnóstico e automedicação. A maior preocupação dos meus pacientes é com nódulos, pois alguns acreditam que pode se tratar de um câncer e isso pode desesperar a pessoa. Também costumo receber perguntas sobre a tuberculose, pois é muito comum que o organismo combata a doença com formações de cálcio que também podem gerar nódulos e causar preocupações. Também me perguntam muito sobre os medicamentos injetáveis, pois uma série de critérios deve ser levado em consideração para realizar um diagnóstico, cada caso é um caso. Em casos de tosse também é muito frequente a automedicação, principalmente por ser um sintoma básico. A mesma coisa acontece com as dores no peito, que podem ser confundidas com dores musculares. Na internet temos que ter cuidado com as informações e sempre consultar mais de uma fonte.” g

DR. RODOLPHO TELAROLLI JUNIOR Acupunturista, clínico geral e professor universitário “Não é comum encontrar pacientes teimosos, mas eles existem. Procuro sempre orientar sobre a fonte de pesquisa, dizendo quais sites são confiáveis e quais não devem ser consultados. Geralmente, na internet, a informação está fora de contexto e não leva em consideração o aqui e agora, a consulta e o exame clínico. Não adianta querer impor a opinião para o paciente: o médico deve esclarecer e tentar passar as informações mastigadas. Pacientes geralmente pesquisam uma palavra ou sintoma genérico que muitas vezes pode estar relacionado de alguma forma a algum câncer e confundir o paciente, que fica desesperado. Quando o conselho vem de círculos de amigos, familiares e grupos no WhatsApp, o problema pode ser mais sério, pois, quando o grupo possui preceitos muito radicais, isso pode virar uma militância e quem não adere a prática é visto com maus olhos pelo grupo e isso pode ser perigoso.” g

PARTICIPE DAS REPORTAGENS DA REVISTA CASA DO MÉDICO g Se você é médico atuante em Araraquara e região, participe da APM e colabore com nossas reportagens, sugerindo uma pauta ou dando sua entrevista sobre um tema de saúde. Entre em contato por email, apmaqa@uol.com.br, ou pelo telefone: (16) 3322-3698.

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eventos

Confira como foi a entrega de carteirinhas do Cremesp, na Casa do Médico, além da feijoada na sede de campo da APM

Acima, médicos participam de cerimônia que marcou a entrega das carteirinhas do Cremesp, na Casa do Médico, sede social da APM Araraquara

Associados, amigos e familiares na feijoada na sede de campo da APM, com música ao vivo, chopp artesanal e brinquedos ao ar livre para as crianças

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dicas de doutor

Especialistas da APM orientam a população sobre problemas de saúde Câncer no colo do útero: realize exames de rotina

Redução do estômago: cuidados e orientações

Caxumba e catapora: perigosas em adultos

LEONARDO CUNHA Ginecologista “O câncer no colo do útero é algo que se pode prevenir, e pode ser facilmente identificado por meio do exame papanicolau. É muito importante que o câncer seja identificado no inicio de sua evolução, assim as chances de cura são maiores.” g

JORGE HAGE ZBEIDI Gastroenterologista “Para realizar a cirurgia com segurança o paciente deve ter muita disciplina no pré e pós-operatório imediato e tardio. As regras devem ser seguidas criteriosamente, com acompanhamento periódico durante o tratamento.” g

REGINA CARDOSO Pediatra “A doença costuma ser mais perigosa em jovens e adultos. A melhor dica é vacinar novamente os jovens e adolescentes com a tetra ou tríplice viral, que também imuniza contra rubéola. Isso é importante tanto para os homens quanto para as mulheres.” g

Hepatite: a prevenção ainda é o melhor remédio

Hemorróida: uma doença séria que exige cuidados

Mal de Alzheimer: uma doença que afeta milhões

EDUARDO HONAIN Hepatologista “Quanto antes a doença for descoberta, melhor. Realize exames de rotina e fique atento aos sintomas. Feito o diagnóstico, procure o sistema de saúde de sua cidade e, em Araraquara, o Sistema Especial de Saúde (Sesa).” g

JOSÉ CARLOS BEDRAN Proctologista “A principal dica é procurar um médico especialista e de sua confiança quando surgirem os primeiros sintomas e realizar todos os exames necessários para chegar a um diagnóstico correto.” g

FRANCISCO MORETTI DUCH Geriatra “Quem está chegando perto dos 60 anos não deve descuidar dos esquecimentos, porque essa doença muitas vezes pode ser silenciosa e, com o passar do tempo, fica mais difícil realizar qualquer tipo de tratamento.” g

PARTICIPE DA SEÇÃO DICAS DO DOUTOR, VEICULADA SEMANALMENTE NO JORNAL TRIBUNA E NA RÁDIO JOVEM PAN Para colaborar, escreva para jornalismo@editoracasadaarvore.com.br ou ligue (16) 3322-3698

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radar médico

Trabalho publicado na revista científica Nature mostrou como infecção pelo vírus afeta formação do sistema nervoso central de embriões

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

Pesquisadores da USP comprovam que Zika causa má formação em fetos

Pesquisadora em laboratório: vírus é capaz de passar a barreira placentária, atingir o feto e seu sistema nervoso

Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) comprovou, experimentalmente, a capacidade do vírus Zika de atravessar a placenta e infectar bebês no útero da mãe. O trabalho, publicado em maio na revista Nature, também mostrou como a infecção afeta a formação do sistema nervoso central dos embriões. “Esse é o primeiro modelo experimental comprovado que mostra que o vírus é capaz de passar a barreira placentária, atingir o feto, ser albergado no sistema nervoso e, a partir de então, todas as outras repercussões foram observadas”, enfatizou o professor do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Jean Pierre Schatzmann Peron. Para os experimentos foram usados camundongos e os chamados minicérebros, modelos do órgão humano elaborados a partir de culturas de células-tronco. Com os animais foi possível observar o comportamento do Zika em relação à, gestante e o filho. A partir dos minicérebros, a ação sobre as células que vão formar o sistema nervoso e até contra neurônios maduros. Entre as conclusões, foi identificado que, ao infectar o embrião, o vírus Zika tem preferência por atacar as células que formam o cérebro e o sistema nervoso. Essa ação, que mata as células antes que os tecidos se desenvolvam, causa más formações nesses órgãos, como a microcefalia. Ano 18 | n.63 | Junho 2016

Agressividade. A variedade que cir- desenvolvimento devido ao zika, incula no Brasil causou muito mais da- clusive, problemas de má formação nos do que o tipo africano, que havia no cérebro mais discretos do que a sido estudado anteriormente. “Nós microcefalia, que pode ser observada observamos que o vírus que está cir- pelo tamanho do crânio. culando aqui é muito mais agressiA extensão dos danos aos embriões vo do que a cepa isolada em 1947 na está ligada, de acordo com os pesquiÁfrica”, enfatizou a sadores, ao estáprofessora doutora gio da gestação Segundo a pesquisa, da Escola de Artes, em que houve a Ciências e Humaniapesar de a infecção. Quanto dades da USP Patrimais cedo houmicrocefalia ser cia Cristina Baleeiro ver o ataque pelo Beltrão Braga sobre o efeito mais difundido vírus, mais drástios efeitos nos fetos cos são os efeitos da infecção em bebês ainda no útero. sobre a criança. ainda não nascidos, Apesar de a microcefalia ser o efeio vírus também ataca Vacina. Os reto mais difundido sultados dos da infecção em be- outros órgãos, afetando experimentos bês ainda não nascio desenvolvimento de com camundondos, Patrícia destaca diversas partes gos mostraram, que o vírus também entretanto, que do corpo ataca outros órgãos, uma linhagem afetando o desende animais tem volvimento de diresistência aos efeitos do vírus sobre versas partes do corpo: “O que nós temos visto é que existe uma síndro- os fetos. “O que a gente especula é me congênita da infecção pelo Zika que a resposta imune que ele tem seja suficiente para conter o vírus e, pelo vírus”. O coordenador da Rede Zika Ví- menos, impedir que a replicação viral rus e professor do Departamento de aconteça em níveis muito elevados, e Microbiologia da USP, Paolo Zanotto, impedir que ele passe a placenta”, exexemplifica: “Tem crianças que cres- plica Peron. Essa descoberta abre espaço, secem com má formação de membros, têm sobreposição de dedos no pé e gundo o cientista, para pesquisas que nas mãos”. Segundo Zanotto, estão permitam a elaboração de uma vacina sendo acompanhados diversos casos contra o vírus. (Daniel Mello, da Agênde crianças que tiveram alterações no cia Brasil) g 11


divulgação científica

Médicos inovam no tratamento de tipo mais resistente de tuberculose Estudo feito em Américo Brasiliense representa o primeiro relato de casos de cura da tuberculose extensivamente resistente com a administração conjunta dos medicamentos imipenem e linezolida Os pneumologistas Marcos Abdo Arbex (esq.) e Eduardo Henrique Bonini (dir.) integram a equipe que relatou três casos de sucesso no tratamento da tuberculose extensivamente resistente

Em estudo publicado pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia (JBP), uma equipe de médicos do Hospital Nestor Goulart Reis, em Américo Brasiliense, relata ter obtido sucesso na cura clínica e bacteriológica de três pacientes de Tuberculose Extensivamente Resistente (XDR-TB), além de melhora radiológica significativa. O hospital é referência no tratamento da tuberculose multirresistente no estado de São Paulo. O estudo relatou a evolução clínica, radiológica e laboratorial dos pacientes pelo período de um ano. A XDR-TB é uma evolução da tuberculose altamente resistente e seu tratamento é feito com o apoio de cinco grupos de medicamentos, que são mais dispendiosos e exigem um tempo mais prolongado para a conclusão do tratamento e recuperação do paciente. O médico pneumologista Marcos Abdo Arbex, um dos autores da pesquisa, explica que esse foi o primeiro relato de casos de cura, na América do Sul e o segundo a nível mundial, com utilização do medicamento imipenem como parte do tratamento. Ainda segundo o médico, os resultados obtidos em Américo Brasiliense também são globalmente inéditos se conside12

rada “a associação dos medicamentos Sobre a doença imipenem e linezolida”. A tuberculose é uma das doenças O consultor Giovanni Battista mais antigas da humanidade e até Migliori, da Organização Mundial hoje representa um grave problema de Saúde (OMS), considera que o para saúde pública. É considerada a tratamento obtido no hospital da principal causa de morbidade no plaregião foi um dos mais eficientes do neta e está entre as dez maiores cauplaneta, tornando-se uma referên- sas de mortalidade, segundo a OMS, cia que deve ser seguida e replicada que desde 1993 considera a doença internacionalmencomo uma emerte. Para divulgar a gência médica pesquisa foi publiglobal. cado um artigo no No mundo, a Segundo consultor JBP, além da partituberculose atinda OMS, tratamento cipação dos pneuge quase dez mimologistas Marlhões de novos obtido no hospital cos Abdo Arbex e pacientes todos da região foi um dos Eduardo Henrique os anos e quase mais eficientes do Bonini em estu1,5 milhão deles dos multicêntricos, não resistem à planeta e tornou-se com a colaboração doença. No Brareferência que deve ser sil, a cada ano de vários centros de referência interobserva-se cerca seguida e replicada nacional, abrindo de 70 mil novos internacionalmente a possibilidade de casos da doendisseminar e repliça, sendo aprocar em outros paíximadamente 5 ses o conhecimento mil deles fatais. adquirido no Brasil, além de incen- Por causa deste alto índice de mortivar que outros hospitais utilizem talidade diversos estudos estão em esse método de tratamento e che- desenvolvimento pelo mundo com guem, possivelmente, às mesmas objetivo de descobrir a cura para a conclusões e resultados de cura. doença. Ano 18 | n.63 | Junho 2016


Conheça os vários tipos de tuberculose e tratamentos Porque a doença é perigosa? Existem diversos aspectos que tornam a tuberculose mais perigosa a cada ano e cada vez mais frequente. O vírus HIV é um fator que facilita o surgimento da doença, pois fragiliza o sistema imunológico do paciente, assim como a idade mais avançada da população e problemas sociais e sanitários, pois quanto mais pobre a população, mais aumenta a incidência da doença. Outro fator é a globalização, pois hoje é muito mais fácil se deslocar pelo mundo e, consequentemente, levar a doença para outros países. Além desses aspectos, outro ponto que preocupa os profissionais da área é que a tuberculose está cada vez mais resistente a diferentes medicamentos e métodos de tratamento. Isso pode ser observado no aumento dos casos que envolvem as tuberculoses MDR e XDR, que são mais resistentes e aumentam o índice de mortes causadas pela doença e dificultam a sua erradicação. g

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Uma em cada três pessoas no mundo está infectada com a bactéria da tuberculose, mas em estado dormente. É preciso que a bactéria se torne ativa para que a pessoa adoeça, o que pode ocorrer por conta de qualquer fator que enfraqueça o sistema imunitário. A tuberculose (TB), geralmente, é tratada com quatro drogas antituberculosas, chamadas de drogas de primeira linha. Caso essas drogas sejam mal prescritas ou administradas, podem dar origem à Tuberculose Multirresistente (MDR-TB). MDR-TB. A Tuberculose Multirresistente (MDR-TB) leva mais tempo para ser tratada, sendo necessária a prescrição de drogas de segunda linha, que são muito mais caras e causam mais efeitos secundá-

rios. Quando essas drogas de segunda linha não são prescritas de forma correta ou em casos em que o tempo estabelecido para o tratamento não seja rigorosamente cumprido, podem tornar-se ineficazes, desenvolvendo a XDR-TB. XDR-TB. A XDR-TB é resistente, tanto às drogas de primeira como às de segunda linha, com isso as possibilidades de tratamento ficam seriamente limitadas exigindo associações de diversas drogas, situação que aumenta a possibilidade de efeitos adversos. O tempo médio de tratamento é de 24 meses, o que a torna extremamente dispendiosa para o poder público. Por essas razões é vital que as atividades de controle da tuberculose sejam conduzidas corretamente desde o início. g

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Cinema, conversa e psicanálise O GRUPO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE DE ARARAQUARA (GREPA) E A ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA (APM) convidam você para as noites de cinema que serão realizadas na sede social da APM, a Casa do Médico. Confira a programação da temporada de 2016.

Primeiro evento, dia 9 de junho, teve mais de cem pessoas na Casa do Médico, com o filme Divertidamente e o psicólogo Paulo do Prado Rodrigues, do Ambulatório de Saúde Mental de Araraquara e do Instituto de Estudos Psicanalíticos (IEP) de Ribeirão Preto.

DIA 12 DE AGOSTO – 19H30 Filme: CINDERELA Comentários: Andréa Dias, psicóloga, psicanalista, mestre em saúde pública, doutora em educação escolar e coordenadora dos Seminários Psicanalíticos em Araraquara. g

DIA 9 DE SETEMBRO – 19H30 Filme: O SHOW DE TRUMAN O SHOW DA VIDA Comentários: Suad Haddad de Andrade, psicóloga clínica, membro da SBPSP, sócia-fundadora do Núcleo de Psicanalistas e coordenadora do Curso de Extensão em Psicoterapia de orientação psicanalítica, em Ribeirão Preto.

DIA 14 DE OUTUBRO – 19H30 Filme: BELEZA AMERICANA Comentários: Rafael Teubner da Silva Monteiro, médico psiquiatra, atuação em clínica particular e rede pública por vários anos e psicoterapeuta na abordagem Junguiana. g

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DIA 04 DE NOVEMBRO – 19H30 Filme: CIÚME - O INFERNO DO AMOR POSSESSIVO Comentários: Ana Rita Nuti Pontes, analista didata da SBPRP, membro do Comitê de Extensão para a Comunidade (IPA) e coordenadora da Comissão de Convidados Estrangeiros da SBPRP. g

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RECEITA MÉDICA

Você sabe o que é um vinho Rosé? CHICO OLIVI, chef de cozinha e sommelier

Para alguns apreciadores de vinho, uma pergunta frequente é: de quais uvas são feitas os vinhos Rosé? Muitos pensam que a cor do vinho esta relacionada diretamente com a cor da uva, mas em alguns casos isso não acontece. Os Rosés são feitos a partir de uvas tintas que passam por um processo de vinificação um pouco diferente do normal, resultando em um vinho de coloração rosada ou, como dizemos, acobreada. Antes de dar início ao processo de fermentação do suco das uvas, são separadas as partes sólidas do líquido, as cascas dos bagos, onde estão concentrados todos os pigmentos que dão cor à bebida. Assim, não tendo nenhum ou pouco contato com as cascas, o mosto que se tornará vinho não ganha a coloração tinta como de costume. Os Rosés mais famosos do mundo são provenientes do sul da França, mais especificamente de Provance, região famosa pelos aromas de seus perfumes e sabores dos temperos, azeites

de onde as parreiras são plantadas, sua coloração rosa fica mais acentuada devido às temperaturas elevadas, que fazem com que a pigmentação das cascas seja maior. Podemos até identificar vinhos provenientes de climas mais quentes apenas olhando sua coloração rosada mais acentuada.

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e, é claro, dos vinhos. Também são comuns em outras regiões da Europa e Novo Mundo, onde ganharam elogios dos críticos por sua qualidade. O interessante é que, dependendo das condições climáticas

Curiosidades. Um outro fato interessante é que o espumante mais famoso do mundo, o Champagne, por sua legislação regulamentadora, é elaborado a partir de três castas diferentes de uvas, duas tintas e uma branca. Os vinhos rosés, por se tratarem de vinhos feitos a partir de uvas tintas e servidos a temperaturas entre 8 e 12 graus, como os vinhos brancos, são considerados um coringa na harmonização do vinho com a comida. Eles acompanham tanto os pratos de carnes vermelhas mais leves, como por exemplo o rosbife, quanto os de carnes brancas mais encorpadas, como o salmão, atum e carnes de caça. g

Paulo Leonardi Filho

Ano 18 | n.63 | Junho 2016

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Ano 18 | n.63 | Junho 2016

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Revista Casa do Médico (Junho 2016)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

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