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Revista Trimestral

Ano 15 | n.55 | Julho 2013

A S S O C I A Ç Ã O PA U L I S TA D E M E D I C I N A

Casa do

Médico

Importação de médicos: uma nova ilusão Em artigo, o médico araraquarense Marco Caetano critica a proposta do governo de trazer cubanos para exercer a medicina no Brasil

Leia também

Pneumologia e Ginecologia são temas de eventos científicos Os sepultados vivos da gripe espanhola em Araraquara O aneurisma cerebral que mudou a vida de um médico

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ARARAQUARA


APM Araraquara Associação Paulista de Medicina Secção Araraquara

A revista Casa do Médico é uma publicação trimestral editada pela Associação Paulista de Medicina (APM) Secção Araraquara.

Dr. Renato Chediek Presidente Dr. João Orávio de Freitas Jr. Vice-presidente Dr. Daniel Barcelos Felício 1º Secretário Dr. Jorge Hudari Neto 2º Secretário Dr. Marcus Vinicius Platzer Amaral 1º Tesoureiro Dr. Reinaldo Bonfá 2º Tesoureiro Dr. Sérgio Delort Diretor de Defesa Profissional Dr. Hélio Paulo Primiano Jr. Diretor Cult. e Cient. Dr. Willer Madureira Diretor Social Produção: Editora Casa da Árvore Impressão: Gráfica Bolsoni Tiragem: 1.000 exemplares Distribuição Gratuita. Rua Voluntários da Pátria, 1478 Centro, Araraquara, SP Fone: (16) 3332.2076

EDITORIAL

Boa leitura! Nesta edição, a revista Casa do Médico, publicação trimestral da APM Araraquara, destaca artigo do médico nefrologista Marco Antônio Caetano sobre a polêmica proposta do governo federal de importar médicos de países como Cuba para suprir a falta de profissionais em algumas regiões do país. Traz também notícias sobre eventos científicos que reuniram profissionais de ginecologia e pneumologia para conhecer e debater tendências dessas áreas de especialidade, sob a coordenação de médicos de Araraquara. Na seção História da Medicina, trecho da obra de Rodolpho Telarolli lembra “causos” do imaginário local sobre enfermos que teriam sido sepultados vivos na cidade durante a epidemia de gripe espanhola. E a seção Quando o médico se torno o paciente conta como o ginecologista Abdala Jorge Lauand Neto superou um aneurisma roto no cérebro, experiência que renovou sua paixão pela medicina.  ACOMPANHE A APM ARARAQUARA NO FACEBOOK http://www.facebook.com/casadomedico.araraquara

Novos associados

Saiba quem são os médicos que ingressaram na APM DR. MATHEUS FERNANDO MANZOLLI BALLESTERO Especialidade: Neurocirurgia Inscrito na APM: 22/03/2013 Cidade: Araraquara CRM: 130151 Fone: (16) 3331.7839 DRA. MARIA LIVIA MARIOTTINI DE LIMA REINA Especialidade: Psiquiatria Inscrita na APM: 09/04/2013 Cidade: Araraquara CRM: 141460 Fone: (16) 3461.1445

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DRA. FERNANDA BORGES RIBEIRO Especialidade: Hematologia e Hemoterapia Inscrita na APM: 17/4/2013 Cidade: Araraquara CRM: 125536 Fone: (16) 3335.1668 DR. JORGE AUGUSTO LEITE ZBEIDI Especialidade: Angiologia e Cirurgia Vascular Inscrito na APM: 17/04/2013 Cidade: Américo Brasiliense CRM: 134184 Fone: (16) 3392.1257

Informe-se sobre os benefícios oferecidos pela APM e associe-se!

DR. PAULO CÉSAR CORSI FERREIRA Especialidade: Cardiologia Inscrito na APM: 25/04/2013 Cidade: Araraquara CRM: 124529 Fone: (16) 3397.3587 DRA. RENATA SERRA CASSANO FERREIRA Especialidade: Geriatria Inscrita na APM: 25/04/2013 Cidade: Araraquara CRM: 124541 Fone: (16) 3397.3587

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ASSESSORIA

EM

C O N TA B I L I D A D E

Evento da APM orienta médicos sobre planejamento contábil, fiscal e financeiro A Associação Paulista de Medicina (APM) – Regional de Araraquara promoveu, no dia 16 de maio, o 1º Fórum de Planejamento e Economia de Impostos, coordenado por Luis Carlos Grossi, presidente da AGLContabilidade, escritório de São Paulo que atua há mais de 20 anos no setor. Por iniciativa da APM de São Paulo, que desde 2006 mantém parceria com a AGL Contabilidade, Rossi vem levando a dezenas de regionais do estado informações específicas para a classe médica nas áreas contábil, fiscal, trabalhista, administrativa e financeira. “Abordamos assuntos como o impacto na declaração do imposto de renda ao se optar por pessoa física ou pessoa jurídica, ganho de capital na alienação de bens e terceirização em atividades na área de saúde”, disse Rossi.

sas e também cirurgião dentista. Isso facilita o diálogo com profissionais da saúde sobre planejamento na área contábil, para que não tenham prejuízo financeiro”, acrescentou o palestrante.

no dia a dia. “Temos assessorias em escritórios contábeis, mas não em forma de palestras específicas para os médicos, onde os assuntos são abordados de forma mais profunda”, avaliou.

Além de trabalhar junto aos médicos de São Paulo, a AGL Contabilidade presta serviços desde 2000 para a Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD). “Sou contador, administrador de empre-

Para o médico Renato Chediek, presidente da APM Araraquara, o evento foi muito importante para esclarecer dúvidas sobre assuntos com os quais os profissionais não têm intimidade, mas são obrigados a encarar

Além da palestra no dia 16, Rossi ficou à disposição dos médicos na manhã do dia seguinte, também na Casa do Médico, para atendimento personalizado aos profissionais associados da APM Araraquara. 

Fórum de Planejamento e Economia de Impostos, coordenado por Luis Carlos Grossi

Confira as empresas conveniadas na cidade e os benefícios oferecidos

ATÉ 10% DE DESCONTO New Look Salão de beleza. Corte unissex, estética corporal e facial, manicure, pedicure e Dia da Noiva. www.clinicanewloo k.com.br Av. Duque de Caxias, 958 Fone: 3301.1746

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CONSULTORIA Leoni Advogados Assistência Jurídica para associados da APM Araraquara. Advogado Guilherme Loria Leoni. Rua Major Carvalho Filho, 1013. Fone: 3336.9091

ENTREGA GRATUITA Escritório São Geraldo de Despachos. Serviços de escritório com desconto. Licenciamento, transferência de veículos, revalidação da CNH, atestado e identidade. Rua Itália, 1132. Fone: 3322.4155

Entre para o Clube de Benefícios da APM Araraquara. Ligue e informe-se sobre os planos de adesão: (16) 3332.2076

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CINEMA

E

PSICANÁLISE

Grupo analisa amor, vingança e tradições de família com o filme Abril despedaçado Seguem as edições do ciclo de eventos "Cinema, Conversa e Psicanálise", organizado em parceria pelo Grupo de Estudos de Psicanálise de Araraquara (Grepa) e a APM Araraquara. Em maio, o evento recebeu o psicólogo e psicanalista João Paulo do Prado Rodrigues, professor do Curso de Teorias e Técnicas Psicanalíticas no Instituto de Estudos Psicanalítico de Ribeirão Preto (IEPRP), para mediar um debate sobre o filme "Abril Despedaçado” (2011), dirigido por Walter Salles. O filme é inspirado em romance do escritor albanês Ismail Kadaré que narra a historia de regras de vin-

LENTES

DA

Juliana, João Paulo e Ana Carolina, durante o evento

gança que regem a vida de clãs de montanheses. Temas como agressividade e amor, vida e morte, destino,

tradição familiar e quebra de padrões estão presentes na obra e foram analisados e debatidos pelo público presente. Na edição seguinte, realizada dia 28 de junho, o filme escolhido foi “O violonista que veio do mar”, que retrata o cotidiano de moradores da Cornualha, no Reino Unido, antes da Segunda Guerra. Para o debate, foi convidada a psiquiatra Beatriz Trocon Busatto, de Ribeirão Preto. O programa é coordenada pelas psicanalistas Juliana Salgado Aere e Ana Carolina Malheiro, de Araraquara. Para infomações sobre as próximas edições, ligue: (16) 3332.2076 

SAÚDE

Envie imagens para esta seção, revelando flagrantes fotográficos de situações relacionadas à saúde e às condições de trabalho dos profissionais de medicina na cidade, na região ou no país. Email: apmaqa@uol.com.br

Protesto Cerca de 50 médicos e estudantes de medicina fizeram uma passeata por ruas de Araraquara, no dia 3 de julho, para reivindicar melhorias na saúde, como condições mais adequadas de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), além de protestar contra a importação de médicos de Cuba, medida anunciada no mês passado e que, agora, está sendo revista pelo governo federal. A categoria reivindica também a aprovação da PEC 454, que trata do plano de carreira dos profissionais do setor. O ato foi acompanhado por agentes de trânsito e não prejudicou o fluxo de veículos.

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HISTÓRIA

DA

MEDICINA

Vivos foram sepultados durante a gripe espanhola? No imaginário coletivo popular do Na pressa de livrar-se do defunto araraquarense, ficaram memórias flui- pestilento, os parentes não esperaram das de casos e histórias que tanto po- mais de três horas depois que o médidem ser realidade quanto frutos da co confirmasse o óbito. E o morto-vivo, imaginação fantasiosa. Fatos criados segundo contaram durante muitos pela pródiga imaginação do povo, o anos os moradores da cidade, que até o que é bastante possível, apropriados nome do homem viviam repetindo, como locais mesmo noticiados pelos teve ainda uma longa e ditosa vida. O jornais de outros lugares. jovem médico que atestara o óbito e O que maior pavor infundia no ara- estava na cidade fazia menos de um raquarense era o temor de que se repe- mês, logo tratou de procurar outros tisse um acontecirumos e seu nome nem mento que teria ficou gravado na lemCoveiros e parentes ocorrido com uma brança dos moradores. vítima da “espanhoesfregaram os olhos O que é mais provável la”. Levada ao cemié   que esse fato tenha tério para o sepul- para ver: a tampa do sido uma invencionice tamento, o caixão caixão foi-se abrindo criada a partir de um fechado foi deixado jornal de São Paulo e e o defunto, mais à beira da vala pornoticiada com grande que os poucos paassustado do que os alarde. Um italiano, rentes que acompapedreiro, perdendo a acompanhantes, nhavam o féretro, mulher, atacada pela assim como dois cosentou-se no caixão febre, decaiu nos exaveiros, tiveram de geros da aguardente. correr para se abriNum sábado de muita gar num jazigo em forma de capela em chuva deixou o serviço, embriagandovirtude de um violento temporal com se, após o que desfaleceu, em plena a queda de granizo que desabou no rua. E foi recolhido pelo serviço funefinal da tarde quente de novembro de rário, tido como morto. Um outro caso 1918. semelhante ocorrera numa cidade do Antes que o temporal amainasse, interior e fora muito comentado em há menos de 30 metros de distância, toda a parte. O fato, tido como ocorriassustados como quem visse alma do do em Araraquara, bem pode ter sido outro mundo, coveiros e parentes es- não mais que uma invencionice popufregaram os olhos para melhor enxer- lar, que começaram a contar essa histógarem o que acontecia, através da cor- ria, anos depois da gripe, com base no tina de pedrinhas de gelo e água: a ocorrido em outros lugares. E com tampa do caixão foi-se abrindo e o de- muita imaginação, pois os que contafunto mais assustado do que os acom- vam o caso davam mesmo o nome do panhantes sentou-se no caixão. E ao morto-vivo, Giovani Petrarco, um solientender o que estava se passando saiu tário pedreiro que morava numa casiem desabalada carreira rumo ao portão nha de duas águas, atrás da capelinha de saída do cemitério São Bento, na de Nossa Senhora Aparecida, na Vila avenida Portugal. Xavier. 

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A seção “História da Medicina”, da revista Casa do Médico, publica trechos selecionados da obra “A História da Medicina e dos Médicos de Araraquara”, do historiador Rodolpho Telarolli

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QUANDO

O

MÉDICO

SE

TORNA

O

PACIENTE

O aneurisma cerebral que fez o médico ginecologista renascer Dr. Abdala Jorge Lauand Neto Ginecologista e obstetra, 51 anos, formou-se em 1987 pela PUC-Campinas e fez residência na Maternidade de Campinas e na Unicamp. Atua há vinte e três anos como médico concursado na Unesp e também em seu consultório e no Hospital São Paulo, em Araraquara. DESCOBERTA DA DOENÇA No dia 13 de novembro de 2004, eu estava hospedado em um hotel em São Paulo, onde participava de uma edição do Congresso Brasileiro de Reprodução Humana. Como sempre gostei muito de esporte, resolvi ir até a academia do hotel para correr na esteira. Durante o exercício senti uma forte dor de cabeça e quase desmaiei. Mas pensei que era um sintoma relacionado ao estresse, pois minha saúde, até aquele momento, era espetacular. Resolvi tomar apenas um analgésico e antecipei minha volta para Araraquara, retornando, então, ao meu ritmo normal de trabalho. Em dezembro, numa manhã de domingo, após fazer um parto no Hospital São Paulo, decidi ir à academia do clube correr na esteira. Novamente senti uma dor de cabeça fortíssima. Desmaiei. Era um aneurisma que havia rompido dentro do meu cérebro.

anjos da guarda. Eles me encaminha- técnica nova, por embolização, que ram para Ribeirão Preto, onde fiz um estava começando no Brasil. Em vez de exame de angio-ressonância que mos- clampear, ou clipar o aneurisma, essa trou um aneurisma roto na artéria ce- técnica consistiria em cateterizar a artérebral média direita, provocado por má ria femural através da perna, passando formação congênita. A letalidade desse pelo tronco, pela carótida e chegando problema é de aproaté dentro do aneuximadamente 76%. risma para embolizáDos pacientes que se Fui correr na esteira. lo com uma prótese salvam, cerca de 13% helicoidal dentro da Senti uma dor de ficam com seqüelas e artéria rota. Mas o pós cabeça fortíssima. apenas uns 3% se cuoperatório exige que o ram. paciente fique cinco Desmaiei. Era um dias na UTI sem se aneurisma que havia mexer até estabilizar a PRIMEIRA REAÇÃO Eu sabia da gravidade. rompido no cérebro prótese. Depois, retiSabia exatamente o ram o cateter e a próque estava acontecentese e te mandam do comigo. Fiquei desesperado. Tenho para o quarto. Ficamos entre esses dois um filho e uma filha. Na época esta- métodos e optamos por fazer a embolivam com 16 e 14 anos. Era uma incóg- zação, por ser um método menos nita. A chance de eu vir a ter seqüela agressivo (leia quadro na página ao lado). era muito grande e, na minha área, é O procedimento foi feito pelo neurocifundamental manter a destreza cirúrgi- rurgião Dr. Ronie Leo Piske, que havia DIAGNÓSTICO ca. Como médico, mi- chegado do King’s College, de LonFiquei dois dias "fora nha profissão depen- dres. E deu certo. do ar". Minha pressão Depois da operação, dia da minha integrihavia subido muito, dade física e emocio- EFEITOS até 21 por 17. Com o fiquei com um grande nal. Estava numa fa- Depois da operação, fiquei com um rompimento do aneumosa "sinuca de bico". grande edema cerebral. Não conseguia edema cerebral. risma, meu ventrículo Mas não tem outro ler nem falar direito. Foi muito difícil. Não conseguia ler chegou a se dilatar, o jeito a não ser encarar Fiz todo um trabalho de recuperação que é muito grave. o problema. pós-cirúrgica, que envolveu Fonoteranem falar direito. Minha sorte foi que a pia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. Foi muito difícil. artéria se contraiu por TRATAMENTO Foram 40 dias de luta até conseguir causa de uma irritação O Dr. Capelari me en- reduzir o edema cerebral. Só então puna meninge, e isso fez com que o san- caminhou para São Paulo para realizar demos ver o que tinha sobrado dessa gramento estancasse. As pessoas que uma cirurgia para clampear o aneu- coisa. Foi muita sorte. Deu tudo certo e mais me ajudaram nesse momento fo- risma. Retira-se uma tampa da cabeça, hoje não tenho mais nada, nenhuma ram o neurologista Dr. João Augusto levanta a base do crânio e vai até o in- restrição. Não uso medicação crônica. Capelari e o cardiologista Dr. João terior do cérebro fazer esse procedi- Nada. Realmente, aquela ainda não era Orávio de Freitas Junior. Foram meus mento. Outra alternativa seria uma a minha hora.

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Aneurisma cerebral Um aneurisma cerebral é uma anormalidade focal que ocorre na parede de uma artéria e conduz à formação de protuberâncias em vasos sanguíneos no interior do cérebro. Geralmente ocorrem ao nível das bifurcações arteriais. Quando se rompem, provocam hemorragias que podem ser fatais. O tamanho do aneurisma pode variar entre pequenos, com menos de 4 mm de diâmetro, médios, com até 1 cm de diâmetro, e grandes e gigantes. A incidência de aneurismas na população é incerta, mas estima-se que eles podem afetar de 1% a 5% das pessoas. Fonte: Medcyclopaedia, GE Healthcare

Opções de tratamento

Dr. Abdala, em seu consultório: apoio de colegas e da família ajudaram o médico a vencer a doença, experiência que renovou sua paixão pela medicina

Atualmente, existem duas opções de tratamento para aneurismas cerebrais: clipagem cirúrgica ou embolização. Normalmente, ambas são realizadas nas primeiras 24 horas após o sangramento, para oclusão do aneurisma roto e reduzir o risco de ressangramento. A clipagem cirúrgica foi introduzido por Walter Dandy do Johns Hopkins Hospital, em 1937. Consiste em realizar uma craniotomia, expondo o aneurisma, e fechar a base do aneurisma com um clipe. A embolização foi introduzido por Guido Guglielmi na UCLA em 1991. Consiste na passagem de um cateter na artéria femoral na virilha, através da aorta, nas artérias do cérebro e finalmente para o aneurisma em si. Bobinas são liberadas e iniciam uma reação de coagulação ou trombose dentro do aneurisma que, se bem sucedida, irá eliminá-lo. Este procedimento requer uma pequena incisão, através da qual o cateter é inserido. Fonte: Wikipedia

SUPORTE E RECUPERAÇÃO mais velho se forma médico agora em Tive um imenso suporte familiar, um julho e a minha filha, no ano que vem. amparo fenomenal. De meus filhos, Então, agora a morte pode vir que não minha esposa, minha mãe e também tenho mais medo. do meu pai, que é medico. Isso é o mais importante. Eu FÉ E SENSIBILIDADE tinha que voltar a Também sempre fui um Após a doença, trabalhar logo. Foi homem de fé inabalátudo muito rápido. vel. Não um religioso me tornei mais Fiz a cirurgia no dia muito praticamente. sensível e aberto; 10 dezembro e no Mas tenho muita fé em dia 21 de janeiro já mais “vira-lata”. Deus. Prometi a Santo voltei a trabalhar. Só que ia pagar Não dou muita bola Antônio depois de um tempo meu peso em pão. Infepara picuinhas consegui falar sobre lizmente, ele está espeisso. No começo, os rando até hoje. Mas eu meus pacientes perestou engordando e o, guntavam como eu estava. E eu brin- no final, santo vai sair ganhando. Acho cava dizendo que só enxergava branco que a mente humana é muito obtusa e preto. para os desígnios de Deus. Não existe um porquê das coisas. Não adianta MEDO DA MORTE tentar entender. Por causa da doença, Não tive medo da morte por mim eu me tornei mais sensível e aberto, mesmo. Tive medo pelos outros. Eu fiquei mais “vira-lata”. Não dou muita vejo a morte como um balsamo, um bola para certas coisa, para picuinhas. descanso, um presente de Deus. É mui- Quando você passa por um problema to mais difícil agüentar o tranco aqui de saúde como o meu, os parâmetros em baixo do que lá em cima. Mas con- mudam. Você fica em outro patamar. fesso que fiquei desesperado pelos meus filhos e minha esposa. Meu filho RELAÇÃO COM A MEDICINA

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Ser médico ajuda a lidar com o problema quando temos uma situação grave de saúde. Você tem mais noção do que está acontecendo. Como médico, eu sabia que havia rompido alguma coisa na minha cabeça naquele dia. Eu sabia uma que dor de cabeça lancinante e sincopal, como eu estava sentindo, era um sintoma grave. Já era apaixonado pela minha profissão. Agora fiquei ficcionado. Meu grande sonho na vida era ser médico. E naquele momento de transição, entre o diagnóstico e o procedimento, fiquei com muito medo de não conseguir mais exercer a medicina. Depois disso eu fiquei tarado pela medicina. VISÃO DE MUNDO Sem dúvida, o aspecto emocional e atitudes positivas ajudam muito nesse tipo de adversidade. É como na física: tudo depende do referencial. É a maneira como você enxerga a vida. Isso aqui é uma passagem. Tem que ser feliz, olhar para frente e fazer o bem para os outros. O retorno vem com uma naturalidade que até emociona. Eu acredito nisso veementemente: que as coisa estão traçadas. 

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INFORME PUBLICITÁRIO

Hospital São Paulo – Unimed de Araraquara é certificado pela ONA O Hospital São Paulo conquistou a certificação da ONA, que comprova a qualidade da gestão e dos serviços oferecidos pela instituição, fazendo com que este selo seja mais um reconhecimento público da constante preocupação da Cooperativa em oferecer serviços com qualidade aos seus clientes. Para conseguir esse certificado, o hospital adequou alguns de seus processos de acordo com as melhores práticas indicadas no Manual Brasileiro de Acreditação. Foi avaliado pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, ligada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que verificou detalhadamente todos esses processos e recomendou a certificação para ONA. Após checar esta indicação, a Organização Nacional de Acreditação atestou que o Hospital São Paulo oferece segurança nos procedimentos e qualidade na assistência e na gestão.  “É a confirmação da qualidade dos nossos serviços que fortalece uma marca que já é referência na cidade, a Unimed, junto com o Hospital São Paulo”, explica Dr. Luís Roberto de Moura Neves, presidente da Unimed de Araraquara. “É uma conquista emocionante e de dimensão inimaginável, que envolveu médicos e funcionários, enfim, contamos com o comprometimento de todos. Hoje nós somos acreditados pela ONA e, da entrada do hospital até sua saída, nosso paciente sabe que pode contar com total segurança e qualidade no atendimento”, destaca Dr. Antonio Carlos Durante, diretor hospitalar. E para comemorar esta importante conquista, o Hospital São Paulo - Unimed de Araraquara realizou, em maio, um jantar comemorativo junto aos seus cooperados, funcionários, autoridades, convidados e diretores de diversas singulares e federações do sistema Unimed.

Diretoria Unimed de Araraquara: Dr. Silvio Garcia Cardoso – Diretor Administrativo Financeiro, Dr. José Aluizio Guedes Paschoal – Diretor de Promoção e Assistência à Saúde, Dr. Luís Roberto de Moura Neves – Diretor Presidente, Dr. Antonio Carlos Durante – Diretor Hospitalar e Dr. Luiz Tsuha Junior – Diretor de Mercado Abaixo, fac-símile do Certificado conferido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que atestou a qualidade do atendimento e dos serviços do Hospital São Paulo - Unimed


I M P O R TA Ç Ã O

DE

MÉDICOS

Novamente, a ilusão de Cuba em nossos corações É possível que não venham espremiEsperem e verão para onde escorrerá dos como os oitenta e dois no Granma, o contingente atraído por uma força cennem que pretendam aboletar-se numa trípeta de melhores oportunidades, conSierra Maestra ao sul do Equador com dições de trabalho e qualidade de vida: vistas à libertação de uma ilha e depois se acotovelará no litoral e em nossas outra e mais outra. grandes cidades. Não há remédio, pois assim devem Assim foi e assim sempre será. ser as coisas nesse nosso país imenso e São cubanos, mas não são super-hodesigual, um arquipélago inteiro de po- mens. breza e descaso. Já é tempo de dizer: basta de meias As dimensões dos problemas, inclu- verdades e meias soluções. indo o maior e mais caro Também é certo que o a todos – a saúde -, denosso SUS, nossa Médicos de US$ 50 imensa catedral de vem parir soluções, longe de simplesmente embarcarão em uma papel, precisará de insulares, continentais. mestres, dos recursos nova utopia: a de que em homens e mulhePretende-se que elas venham de outro munres, para se por em pé, farão a diferença do. como é certo que noscomo produtos de Pretende-se que elas sas escolas onde se exportação venham das terras dos ensina saúde, com o médicos de 50 dólares, nosso modo de vida, daqueles que abandonossos conhecimennarão os escombros de uma utopia para tos, nossa percepção do que aflige o nosembarcar noutra, a de que, como produ- so povo já os educam em número suficitos de exportação para uma terra estra- ente. nha, farão a diferença. Já quem os investe de direitos e deveNem que venham imbuídos do espí- res, de prerrogativas e responsabilidades rito voluntarioso do Che, de Cienfuegos, é o trato, a combinação, a lei, que deveria de Fidel; nem que venham por nada valer para todos. Querem que não valha. disso, que apenas fujam da falência da Nessa questão das investiduras, matéria, do espírito, da liberdade, por nós – as entidades médicas e os médicos uns dólares a mais; nem que venham a do Brasil - somos tratados como guildas bordo de sua formação séria, embora corporativas, um grupo bisonho e míope longe de suficiente; é quase certo de que às voltas com o próprio umbigo. não farão. Porém, o que querem essas guildas – Esta não será   uma nova revolução e deixemos que nos chamem assim descubana em terras brasileiras. Ou melhor, de que sintam a força de nosso argumenserá. Será   uma revolução completa de to nessa disputa boa e justa – é o inves360 graus cujo ponto de partida coincidi- timento na saúde, é o médico investido rá com o de chegada e nada trará de de suas responsabilidades após uma bom à nossa civilização. avaliação despojada de ideologias, que É evidente que, para os que nada esteja motivado, seja eficiente e trate com têm, um médico é melhor do que ne- competência o nosso povo em todos os nhum e um médico cubano certamente é rincões do país. melhor do que nenhum. Mas a falácia, Por que tanto prurido em dizer: sim, como a mentira, tem perna curta. o problema é dinheiro? Ano 15 | n.55 | Julho 2013

Dr. Marco Antônio Caetano é médico nefrologista em Araraquara

Que se dê ao SUS o que sempre lhe tem sido negado. Que se dê ao SUS um financiamento digno – não precisa ser de uma linhagem britânica ou canadense. Basta algo menos vexatório. Seria bom algo como um per capita uruguaio ou chileno. Que se dê ao SUS uma regulamentação de emenda constitucional 29 que não seja essa pouca vergonha responsável pelas terríveis quimeras que repentinamente passaram a habitar as cabeças de muitos dos mais resolutos arquitetos e defensores da Reforma Sanitária. Ora, então direi que a carreira fixará o médico onde ele for mais necessário. Ora, então   direi que não precisaremos importar os seis mil médicos cubanos que, de todo modo, jamais cogitaram passar por um processo de revalidação de diplomas em nosso país. Ora, então direi que a ELAM e as demais escolas em Cuba poderão continuar a formar seus médicos com suficiência apenas aos horizontes de sua sociedade cujas demandas, inclusive às de saúde, são determinadas, não pelas necessidades do homem, mas pelo Estado. Se quiserem, poderão até exportá-los, desde que se permitam avaliados e revalidados. Que nos preparemos, pois isso não é tudo. Não é a hora para desmobilização. Perto do que virá, a questão da República do Acre será café pequeno. Aguardem, pois vêm aí os bolivianos.  9


EVENTO CIENTÍFICO

Jornada apresenta atualidades em ginecologia e obstetrícia Mais de 50 médicos de Araraquara e região participaram, no último dia 25 de maio, da terceira edição de uma jornada de atualização e disseminação científica organizada pela Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), por meio de sua secção regional de Ribeirão Preto, com palestras de especialistas da área.  

"Os critérios que definem cada categoria devem ser estudados com muito cuidado", sublinhou a médica em sua apresentação. "Essa padronização é muito importante e vem sendo usada por médicos do mundo todo para indicar regras de conduta mais adequadas para cada situação." 

A coordenação do evento na cidade foi feita pelo médico Antonio Carlos Durante, que, na ocasião, além de conduzir os trabalhos da jornada, também falou à revista Casa do Médico sobre um caso médico recente de ampla repercussão mundial: a decisão da atriz Angelina Jolie de realizar uma dupla mastectomia preventiva (leia texto na página ao lado).  

O médico José Eduardo Chúfalo, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, apresentou duas palestras, sobre "Marcadores ultrassonográficos de primeiro trimestre" e "Doppler em gestação de alto risco". Com uso de exemplos em imagens, ele detalhou técnicas de mensuração que podem tornar os exames mais precisos ou gerar incorreções nos resultados.

Um dos destaques da jornada foi a palestra proferida pela mastologista Selma Di Pace Bauad, que tratou do tema "BI-RADS e conduta", com a apresentação de uma palestra sob o título "Propedêutica em patologia mamária e investigação por imagem".  O termo BI-RADIS é um acrônimo para Breast Imaging-Reporting and Data System e refere-se a um modelo de classificação que estabelece seis categorias para avaliação médica de mamografias, quantificando níveis de probabilidade de malignidade para cada caso da doença.    

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Outros temas tratados durante a jornada foram "Lesão de alto e baixo risco de colo uterino: diagnóstico e conduta", apresentado por Patrícia dos Santos Melli, "Síndrome do ovário policístico: o que há de novo em tratamento e diagnóstico", por Rosana Maria dos Reis, e "Infecção Urinária", por Cassiana Galvão Giribela. O evento serviu também para a troca de experiências entre os médicos presentes e teve patrocínio de empresas do setor médico e farmacêutico. 

Câncer de mama O câncer de mama é considerado, na maioria dos países, o segundo tipo mais comum da doença e o que mais atinge as mulheres, correspondendo a quase 22% dos casos de câncer diagnosticados, seguido pelo câncer de colo de útero. Esses dois tipos de câncer têm altas chances de cura quando diagnosticados precocemente, chegando a 90% nos casos de mama e até 100% nos de colo do útero. Ainda assim, a cada ano, 458 mil mulheres morrem vítimas de câncer de mama, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o risco de desenvolvimento de câncer de mama atinge 49 a cada 100 mil mulheres, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde já existe uma concentração maior de diagnósticos da doença. Em 2010, no país, foram registrados 49 mil novos casos, com 11,8 mil mortes, segundo o INCA.

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Médico comenta mastectomia de Angelina Jolie A atriz de cinema norte-americana Angelina Jolie atraiu a atenção mundial, no último mês de maio, ao revelar os motivos que a levaram a optar por uma dupla mastectomia preventiva, cirurgia para retirada de ambos os seios. A decisão foi tomada após a realização de um sofisticado exame genético que apontou serem de 87% as chances de a atriz vir a desenvolver um câncer de mama, e 50% de ter um câncer no ovário. Com a retirada das mamas, as chances no primeiro caso foram reduzidas para 5%. O teste que, no caso da atriz, detectou mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, custa mais de US$ 3 mil dólares nos Estados Unidos, ou cerca de R$ 6 mil. No Brasil, esse valor é ainda maior: cerca de R$ 15 mil.  Na entrevista a seguir, o médico ginecologista e obstetra de Araraquara Antonio Carlos Durante, que coordenou a jornada realizada pela Sogesp na cidade, comenta o caso de Angelina Jolie e questiona a relação custo/benefício do exame BRCA. Para ele, o método mais recomendado de diagnóstico para a maioria dos casos continua sendo o exame clínico feito por médico especialista. Revista Casa do Médico: Em sua opinião, como a ampla repercussão do caso da atriz Angelina Jolie pode influenciar o comportamento de mulheres que sofrem com o risco de desenvolverem câncer de mama?     Antonio Carlos Durante: O caso da atriz trouxe à tona uma situação que a sociedade médica já tem estudado muito bem. Mas todo tipo de informação que chame a atenção do público para o tema pode ajudar na prevenção do câncer. Não só para aquelas mulheres que se enquadram nos grupos de risco, mas para a população em geral.   Em que situações a retirada preventiva das mamas é recomendada?  Esse procedimento é recomendado para pacientes com alto risco genético. Por exemplo, para quem tem uma mãe ou uma irmã que tenham desenvolvido câncer de mama. Ou então para pessoas que tenham mamas de difícil diagnóstiAno 15 | n.55 | Julho 2013

A mastologista Selma Di Pace Bauad, palestrante na jornada da Sogesp em Araraquara, e o ginecologista Antonio Carlos Durante, coordenador do evento: “todo tipo de informação que chame a atenção do público para o tema pode ajudar na prevenção do câncer”

co, como mamas densas ou que tenham patologias benignas ou de identificação duvidosa. Nesses casos, se a paciente não desejar retirar a mama preventivamente, é necessário um acompanhamento muito rigoroso, que deve ser feito a cada seis meses.

mama. Esse exame tem um custo muito elevado no Brasil, em torno de 15 mil reais. Não há cobertura para isso na rede pública de saúde. A maioria de nós, médicos, julga que esse é um exame geralmente desnecessário. Se eu perguntar o histórico familiar da paciente em um exame clínico, irei saber que se trata de Como deve ser esse acompanhamento? uma candidata com risco elevado de Ele deve envolver desenvolver a doença. uma série de exames, Nem é preciso fazer o O método mais como mamografia, BRCA.     ultrassonografia, resrecomendado de sonância magnética e Por que algumas pacidetecção ainda é a tomossínteses, sempre entes procuram o exacom a avaliação e o me BRCA, então?  palpação, o exame acompanhamento de Geralmente, por medo clínico, a orientação ou insegurança. Não é um médico especialista. E esse procedimene exames de imagem algo a ser recomendato independe da idado sistematicamente. de da paciente: mesEsse exame está dismo as mulheres mais jovens devem ponível à sociedade médica mundial há fazer. Para cada faixa etária pode haver mais de 20 anos. Essa é uma polêmica um recurso ou exame mais indicado, e muito antiga. E deve ser considerado eles podem ser feitos isoladamente ou também que a retirada das mamas não combinados entre si.    elimina completamente o problema, pois ainda permanece, em média, 10% Como é feito o exame que detecta a do tecido mamário e a prótese pode possibilidade de mutação genética asprejudicar futuros diagnósticos. O mésociada ao câncer de mama?   todo mais recomendado de detecção É um exame de sangue chamado BRCA, ainda é a palpação, o exame clínico e a capaz de detectar mutações em genes orientação à paciente, assim como específicos associados ao câncer de exames de imagem. 

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EVENTO CIENTÍFICO

Enfisema pulmonar foi tema de reunião de pneumologistas na Casa do Médico A Associação Paulista de Medicina (APM) - Regional Araraquara e a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPTT) Regional Araraquara/ Bauru/Botucatu promoveram, no dia 28 de maio, na Casa do Médico, mais uma edição de sua Reunião Científica Mensal. Nessa edição, o palestrante convidado foi o médico pneumologista e clínico geral Antonio Delfino de Oliveira Junior, que falou sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), mais especificamente sobre o GOLD, consenso mundial que prevê a padronização de conduta dos profissionais. “A cada cinco anos é feita uma revisão do GOLD e anualmente ele é atualizado. Esse consenso dá diretrizes sobre quais pacientes devem ser pesquisados, quais os principais sintomas e os cuidados em relação ao tratamento, seja farmacológico ou por reabilitação pulmonar e atividades físicas”, explica Delfino, que faz parte da subsede da SPTT em São Carlos. De acordo com ele, um dos aspectos mais importantes do consenso é o diagnóstico da DPOC na fase precoce, já que geralmente a doença é descoberta em estágio avançado. “A DPOC, popularmente chamada de enfisema pulmonar ou bronquite crônica, é dire-

bra que a DPOC é hoje a quarta causa de morte no mundo e sua incidência vem crescendo ano a ano. “Em 2020 será a terceira causa de morte no mundo. Apesar de ser causada principalmente pelo tabagismo, hoje muitos não fumantes sofrem dessa doença devido a fatores como poluição do ar, baixo peso ao nascer e exposição à queima de biomassa, como em fogões a lenha”, avalia Arbex.

Os pneumologistas Antonio Delfino de Oliveira Junior e Marcos Abdo Arbex tamente relacionada ao tabagismo. Entre 15% e 20% dos fumantes terão a doença, quase sempre depois dos 50 anos, mas isso depende do tempo de exposição e do quanto se fuma. Os sintomas mais precoces são falta de ar, canseira para andar, tosse e produção de catarro. Todos que tiverem esses sintomas e estejam expostos aos fatores de risco devem ser investigados”, acrescenta. O médico pneumologista Marcos Abdo Arbex, presidente da SPTT Regional Araraquara/Bauru/Botucatu lem-

Ele explica que a Reunião Científica Mensal tem como objetivo manter os médicos atualizados sobre diferentes assuntos de pneumologia. Para isso, são trazidos até a Casa do Médico de Araraquara especialistas para revisar a literatura do tema, além de radiologistas, que irão expor os aspectos da avaliação radiológica ligados ao assunto do mês e um patologista, para completar as informações mais atuais disponíveis sobre cada doença. “Os encontros são muito importantes para manter os médicos atualizados, suas condutas padronizadas e até mesmo para discussão de casos não totalmente solucionados”, conclui. Entre os profissionais presentes no evento estavam o pneumologista Eduardo Henrique Bonini e o médico radiologista Renato Chediek, presidente da APM Regional Araraquara. 

Agenda regional Os eventos da Reunião Científica Mensal de Pneumologia e Tisiologia são realizados toda última terça-feira de cada mês desde março de 2012. Neste ano já foram duas palestras, em abril e maio. O tema da próxima reunião será provas funcionais respiratórias. A SPTT Regional Araraquara/ Bauru/Botucatu abrange as cidades de Araçoiaba da Serra, Araraquara, Araras, Avaré, Barueri, Bauru, Botucatu, Cafelândia, Cotia, Ipeúna, Itapetininga, Itápolis, Itatinga, Leme, Novo Horizonte, Ourinhos, Piracicaba, Pirassununga, Registro, Rincão, Rio Claro, São Carlos, São João da Boa Vista, Sorocaba, Tatuí e Votorantim.

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• ORTODONTIA • TRATAMENTO COM TOXINA BOTULÍNICA (com finalidade terapêutica) Rua Padre Duarte, 1761. Centro Araraquara (SP) Fone: (16) 3397.0908 marciaianni@hotmail.com

Enfisema pulmonar Enfisema pulmonar é uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que se caracteriza pela dilatação dos alvéolos pulmonares e por diminuir a troca oxigênio/dióxido de carbono, que faz parte da respiração normal. É uma doença degenerativa que se desenvolve em razão da inalação de substâncias tóxicas do ar e, sobretudo, do tabaco. O enfisema leva à perda de elasticidade dos alvéolos pulmonares e destruição dos capilares que os nutrem. As lesões alveolares já estabelecidas são irreversíveis. O tratamento consiste em aliviar os sintomas e impedir a progressão da doença. Alguns medicamentos, como os corticoides ou os broncodilatadores, usados por via oral ou por via inalatória, podem produzir melhora parcial dos sintomas. Fonte: abc.med.br

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Paella Marinera Dr. Roberto Marino Colabore com a seção Receita Médica. Email: apmaqa@uol.com.br

Ingredientes (para 10 pessoas) •Lulas em rodelas e seus tentáculos (350g) •Camarões pequenos limpos (350g) •Filé de cação ou badejo ou robalo em cubos (500g) •Sal e pimenta quanto baste •Azeite extravirgem quanto baste •Vagem em pedaços de 1,5 cm •Pimentão vermelho em tiras (2 un.) •Alho picado (1 colher de chá) •Tomate maduro ralado (4 un.) •Açafrão em ramas e páprica doce (podem ser substituídos por 2 saches de tempero espanhol para paella) •Arroz parbolizado (1 kg) •Caldo de camarão 2 litros (pode ser subsstituido por caldo de legumes com 1 pacote de hondashi) •Camarões grandes cerca de (12 un.) •Marisco com casca frescos (12 un.) •Ervilhas frescas (200g) •Ramos de alecrim (4 un.) •Limões sicilianos á francesa (8 un.)

Modo de preparo Aqueça o azeite na paella e doure na sequência os pedaços de lula, camarão e por último os cubos de peixe que já foram temperados com sal e pimenta. Junte a vagem e termine de caramelizar todos os ingredientes sem queimar. Abra um espaço no centro da paella, aumente o fogo central e acrescente mais um pouco de azeite. Refogue o alho picado e, depois, o tomate ralado, a páprica e ao açafrão e misture tudo. Espalhe o arroz em cruz distribuindo por toda as direções uniformemente. Acrescente o caldo até cobrir o todo o arroz e corrija o sal e pimenta. Quando estiver quase no final do cozimento enfeite com as fitas de pimentão, ervilhas frescas cozidas, enterre os mariscos cozidos em meia concha e distribua os camarôes pistola. Desligue o fogo, cubra com papel alumínio e espere cinco minutos para que ela se estabilize. Retire o papel alumínio e leve à mesa decorada com quartos de limão siciliano e ramas de alecrim. 

A origem do prato De origem valenciana, seu nome é derivado do francês antigo Paele, que por sua vez veio de Pantella, que era o antigo escudo de metal dos soldados romanos usado para oferendas aos deuses da fertilidade e fecundação. Hoje Paella, além do prato, é o nome dado à panela característica onde deve ser cozida. De ferro batido, larga e circular com duas alças; ela deve ter paredes baixas (rasas) favorecendo uma evaporação rápida e uniforme do caldo. Diz-se "paelha" e não "paedja" e apresenta como ingrediente principal o arroz e o acafrão como tempero. Na sua origem, a paella era um prato comunitário típico de camponeses, que ao final do trabalho se reuniam para as refeições e cada um contribuia com aquilo que havia caçado ou colhido durante o dia. Era comum ser feita de coelho, frango ou porco nas regiões rurais onde a caça e as hortaliças eram abundantes, como a Valenciana típica e Cerdo e Hongos. Com a migração do prato para as regiões costeiras foram criadas as de frutos do mar, chamada Marinera, e a Negra, 14

feita com lulas e sua tinta. Existem ainda a Vegetariana e a Mista de "mar e tierra" que, apesar do que se pensa, não são muito apreciadas por seus criadores, pois fogem às  tradições, mas muito apreciadas entre nós.  Por seu um prato elaborado, trabalhoso e seus ingredientes serem um luxo para a maioria dos valencianos, a paella sempre está associada a um dia de grande festa, como casamento, batizado ou almoço de domingo. Por este motivo criou-se a tradição de que os homens é que deveriam ser os encarregados da elaboração do prato, saindo de suas atividades habituais e deixando de ser o "dono da casa" para se tornar uma "ama de casa" (dona de casa) cozinhando para sua mulher -  Pá ella. Deve ser feita ao ar livre, longe da cozinha, para assim não ferir sua masculinidade, e seu conhecimento deve ser passado apenas para os herdeiros masculinos. Como não existe uma receita única e unânime, ela acaba sofrendo variações nos seus ingredientes de acordo com a  região, tradições familiares e gosto pessoal. Ano 15 | n.55 | Julho 2013


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Envie sugestões para esta seção, divulgando notícias, trabalhos, pesquisas, eventos e outros assuntos de interesse dos profissionais de medicina. Email: apmaqa@uol.com.br

SUS amplia controle sobre qualidade de sangue doado Na véspera do Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado em 14 de junho, o Ministério da Saúde incorporou o teste ácido nucleico (Nat) na triagem sorológica do doador do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi publicada no Diário Oficial da União e passa valer em 180 dias. O teste detecta agentes químicos capazes de desenvolver doenças, sobretudo dos vírus HIV e da hepatite C, em períodos menores do que testes convencionais. O sangue recebido dos doadores passa por testes. São exames relacionados a doenças infecciosas possíveis de serem transmitidas via transfusão. Esta etapa tem o objetivo

de garantir a segurança do paciente que vai receber o sangue. O objetivo do ministério é analisar até 3,5 milhões de bolsas de sangue anualmente, cobrindo integralmente a hemorrede pública brasileira. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Carmino Antonio Souza, o teste adotado na Europa Ocidental, América do Norte e Ásia encurta o prazo de detecção no sangue doado dos vírus HIV de 22 para sete dias e, da hepatite C, de 70 para 11 dias em média. "Um dos maiores desafios da hemoterapia em todo o mundo é encurtar cada vez mais a janela imunológica, período em que vírus permanece indetectável em um indivíduo", comentou ele. A associação comemorou a incorporação do teste ao SUS, mas cobra do Ministério da Saúde a obrigatoriedade do

excelência em oftalmologia Dr. Fábio Henrique Garitta Oftalmologista Fone: (16) 3357.8404 CRM 88635

Dr. Luiz Antonio Gorlla Marcomini Oftalmologista Fone: (16) 3336.8225 CRM 51852

Dr. Fuad Jacob Abi Rached Oftalmologista Fone: (16) 3332.1431 CRM 67634

Dr. Norival José Pazetto Oftalmologista Fone: (16) 3382.2545 CRM 61050

Dr. Hélio Primiano Jr. Oftalmologista Fone: (16) 3333.1589 CRM 98220

Dr. Paulo Leonardo Filho Oftalmologista Fone: (16) 3331.7150 CRM 91313

Dr. José Barbieri Jr. Oftalmologista Fone: (16) 3322.2558 CRM 32863

Dra. Renata Aparecida Costa Yano Oftalmologista Fone: (16) 3336.6757 CRM 67045

teste Nat em todo o país, inclusive na saúde complementar (planos e operadoras de saúde particulares). O gerente do Programa de Reativos para Diagnósticos de BioManguinhos, Antônio Gomes Pinto Ferreira, explicou que o Nat brasileiro, produzido desde 2010, está em permanente aperfeiçoamento. “Nosso Kit identificou mais de dez janelas imunológicas [bolsas de sangue contaminadas com o vírus da aids ou da hepatite C] de 2,5 milhões de bolsas de sangue triadas. É um dado muito robusto, que mostra que o Nat brasileiro cumpre com o papel a que se propõem de contribuir e ampliar a segurança transfusional no Brasil”, disse ele. O gerente da BioManguinhos informou que atualmente o Nat brasileiro detecta HIV e hepatite C. Os vírus da hepatite B e da dengue serão os novos alvos do teste. (Flávia Villela, Ag.Brasil) 

Dr. Norival José Pazetto

unilaser rua voluntários da pátria, 1853 Centro, araraquara fone: (16) 3336.0686


Profile for Editora Casa da Árvore

Revista Casa do Médico (Julho 2013)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

Revista Casa do Médico (Julho 2013)  

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