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Revista Trimestral

Casado Médico IMPRESSO

Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA | ARARAQUARA

MEMÓRIA VIVA

Dr. Elias Zakaib: uma história de mais de 20 mil partos e cirurgias FORA DO CONSULTÓRIO

Dr. Fábio Biazotti: um cirurgião plástico apaixonado pela arte

A batalha delas e de todos nós

A cada ano, em Araraquara, 80 pacientes recebem diagnóstico de câncer de mama. Outubro foi o mês oficial de combate à doença. Mas a luta é contínua, e não pode parar


Dr. Luís Henrique Brandão Falcão Presidente Dr. Sérgio Delort Vice-presidente Dra. Ticiane Corina Ribas 1a Secretária Dra. Renata Ferlin Arbex 2a Secretária Dr. Sidney Antonio Mazzi 1º Tesoureiro Dr. Marcus V. Platzer do Amaral 2º Tesoureiro Dr. Fernando Linares Diretor de Defesa Profissional Dr. Eli Aparecido dos Santos Júnior Diretor Social Dra. Fabiane A. Alves Madureira Diretora Cultural e Científico

A revista Casa do Médico é uma publicação trimestral editada pela Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara. Produção Editora Casa da Árvore Reportagem Marcia Bessa Martins Impressão Gráfica Art Point Tiragem 1.000 exemplares Distribuição Gratuita. APM Araraquara | Casa do Médico Rua Voluntários da Pátria, 1478 Centro, Araraquara, SP

novos associados

DR. LUIZ ANTÔNIO DE CARVALHO ROSSINI OFTALMOLOGIA CRM: 113477

DR.GUILHERME R. VANTINE CIRURGIA PLÁSTICA CRM 152.359

DRA. TAMMARA P. MIRANDA GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA CRM: 191.404

LETÍCIA MARIA DO PRADO FARIA ACADÊMICA

GEOVANA ANDRESSA VIUDES ACADÊMICA

RENATA PAGLIARI DE OLIVEIRA ACADEMICA

MEDICINA E SOCIEDADE

Municípios não podem pagar novo piso de agentes de saúde, diz CNM A Confederação Nacional de Municípios (CNM) fez um alerta sobre o risco do enfraquecimento da Estratégia Saúde da Família após o Congresso Nacional retornar com o reajuste do piso salarial dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, que havia sido vetado pelo presidente Michel Temer. De acordo com a entidade, os municípios não têm recursos para bancar o aumento. No

dia 17 de outubro, o Congresso Nacional derrubou o veto ao reajuste, previsto no projeto de conversão oriundo da Medida Provisória 827/2018, aprovado em julho. O piso atual de R$ 1.014 passará a ser de R$ 1.250 em 2019 (reajuste de 23,27%); de R$ 1.400 em 2020 (+12%); e de R$ 1.550 em 2021 (+10,71%). O Índice IPCA, que mede a inflação, de junho 2014, data do último reajuste, até setembro de 2018, é de

25,46%. A partir de 2022, o reajuste será anual. “A grande maioria dos municípios está com limite de pessoal estourado, vários já atingiram 80% do orçamento com investimento em pessoal. Os gestores vão acabar diminuindo o número de pessoas na equipe [de Saúde da Família] e têm municípios que podem acabar com o programa”, argumentou o presidente do CNM, Glademir Aroldi. (Agência Brasil)

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Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018


HISTÓRIA DA MEDICINA

A Casa do Médico de Araraquara A Regional de Araraquara da Associação Paulista de Medicina (APM) foi fundada na data de 12 de outubro de 1946, em reunião realizada no Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara, no qual estiveram presentes [...] muitos médicos. [...] Sob a denominação original de “Sociedade Médica de Araraquara”, três dias após sua fundação foi aprovado seu estatuto, sendo escolhida a primeira diretoria, assim constituída: Presidente: Dr. José Campos de Almeida; 1° Secretário: Dr. Silvio de Menezes Berenguer; 2° Secretário: Dr. Antonio Braga Neto; Tesoureiro: Dr. Syrthes De Lorenzo; Bibliotecário: Dr. Murillo Ramalho. Na data de 27/8/1949, a denominação da Sociedade passou a ser Associação Paulista de Medicina - Secção Regional de Araraquara. [...]

para construção da sede própria no referido terreno, mediante um projeto gratuito do inesquecível arquiteto araraquarense Dr. Nelson Barbieri. Sob o endereço na Rua Voluntários da Pátria, n°1478, a obra foi concluída e inaugurada na data de 30/3/1968, durante o mandato do presidente Dr. Tuffy Jorge, e recebeu a denominação “Casa do Médico de Araraquara”. Meses depois, com verba adicional do referido Departamento de Previdência, foi adquirido o terreno ao lado do imóvel, na Rua Voluntários da Pátria, onde o ambiente rústico permitia a realização de churrascos de confraternização.

APM Araraquara foi fundada em 1946 durante uma reunião realizada no Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia

Sede da APM Durante muitos anos, sem dispor de sede própria, as reuniões da APM eram realizadas no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, na Rua São Bento, n° 909, onde hoje é a “Casa da Cultura”. Em pleno ano de 2001, o auditório do referido salão nobre [ainda era] o mesmo. Era propriedade da APM uma pequena casa velha e respectivo terreno na Rua São Bento, esquina com a Av. Brasil, a qual, na década de 1960, foi trocada por um terreno maior localizado na Rua Voluntários da Pátria, esquina com Av. Portugal. Durante o mandato do Dr. Moacyr Porto na presidência da Regional, o Departamento de Previdência da APM estadual concedeu a verba Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018

Ampliação da Casa do Médico Durante o mandato do presidente Dr. Guaracy Lourenço da Costa, a Regional obteve novas verbas do Departamento de Previdência e construiu uma ampliação do prédio original, na qual o Dr. Nelson Barbieri novamente se doou para planejar a continuação da edificação original. Essa parte nova foi inaugurada festivamente, ainda no mandato do Dr. Guaracy, passando a dispor de uma ampla secretaria e uma ampla sala de reuniões de Diretoria no pavimento superior e um confortável salão térreo. O prédio da Casa do Médico de Araraquara passou por reformas, tendo adquirido a feição atual durante o mandato do Presidente Dr. José Barbieri Júnior. Emblema da APM Araraquara A APM estadual e a Associação Médica de Brasileira (AMB) têm, desde seu início, emblemas que são estampados

Esta seção publica trechos selecionados da obra “A História da Medicina e dos Médicos de Araraquara”, de

Rodolpho Telarolli

nos impressos (envelopes, ofícios etc.) e nas publicações. Durante seu primeiro mandato como presidente da regional, o Dr. Guaracy Lourenço da Costa observou que algumas regionais haviam adotado seus próprios emblemas, que eram figurados sempre ao lado do emblema estadual. Ansioso para que a Regional de Araraquara também tivesse seu emblema, o Dr. Guaracy imaginou e desenhou, ele mesmo, um emblema composto por uma barra contendo escrito “Secção Regional de Araraquara”, sobre a qual ele alicerçou um sol estilizado partido em dois blocos, entre os quais se ergue uma coluna com o símbolo da Medicina e que sustenta as letras iniciais da associação médica: APM. Na data de 13/9/1974, o referido emblema foi oficializado pela APM estadual e ainda se mantém em pleno e obrigatório uso. g 3


CAPA DA REVISTA

A cada ano, 80 araraquarenses têm diagnóstico de câncer de mama Projeção tem como base estudos feitos no Instituto do Câncer e reforça importância de campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa

O risco de câncer de mama começa a chamar a atenção da maioria das mulheres a partir dos 40 anos, quando a mamografia passa a ser um exame anual de rotina, segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia. Mas é em outubro que essa luz de alerta tem cor: rosa. É o mês do movimento que busca conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. E motivos para isso não faltam: somente em Araraquara, estima-se que 80 mulheres sejam diagnosticadas com câncer de mama a cada ano, pelo menos até 2019. Se considerar os atendimentos de mulheres que residem na região e que são encaminhadas para tratamento no município, o número fica ainda mais alarmante. Essas estatísticas têm como base dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), na Estimativa 2018 de 4

No Brasil, 56 a cada 100 mil mulheres são diagnosticadas com a doença todos os anos, segundo o INCA Incidência de Câncer. No Brasil, ainda segundo o Instituto, há um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres por ano, até 2019. Na região Sudeste, esse número sobe para 69 novos casos de câncer de mama diagnosticados ao ano, para cada 100 mil mulheres. Diante desse cenário nada favorá-

vel, além da adoção de uma alimentação mais saudável e da prática de atividades físicas regulares, é fundamental a realização de exames preventivos, como o autoexame e a mamografia. É neste sentido que a campanha Outubro Rosa caminha e a cada ano se torna mais importante. Na opinião do oncologista Luís Henrique de Carvalho, coordenador do Serviço de Oncologia do Hospital São Paulo - Unimed Araraquara, responsável técnico pelo Departamento de Oncologia da Santa Casa de Araraquara, coordenador do Centro de Pesquisas da Clínica Spero e docente da Universidade de Araraquara (Uniara), a campanha é fundamental, porque chama a atenção para a doença e traz as mulheres para a discussão direta sobre a necessidade de acompanhamento médico e exames, assim como aumenta a chance de tratamento adequado. Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018


Como surgiu o Outubro Rosa A campanha Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos e, atualmente, ocorre no mundo todo. A primeira fundação voltada ao câncer de mama surgiu em 1982, fundada por Nancy Brinker, e se chama “Komen.org”. Sua irmã Susan G. Komen faleceu de câncer de mama em 1980, aos 36 anos, e Nancy prometeu a ela trabalhar em prol de uma cura. A Komen.org organizou a primeira Corrida pela Cura, em 1983, no mês de outubro. Em 1990, Nancy definiu o laço rosa como símbolo da campanha e distribuiu aos participantes da corrida, em Nova York. Depois, outras entidades começaram a fomentar ações de prevenção do câncer de mama e a chamá-las de Outubro Rosa. Além do laço, muitas cidades passaram a iluminar os seus monumentos públicos com luz rosa para dar maior destaque ao mês de luta contra a doença. No Brasil, o primeiro sinal de simpatia pelo movimento aconteceu em outubro de 2002, quando o monumento Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado de rosa.

“Além disso, é um espaço para abordarmos sobre o impacto da doença na vida das pessoas e sobre como devemos estimular a parceria e acolhimento, buscando amenizar os transtornos que podem ocorrer após o diagnóstico. É um momento de aproximação, entendimento e participação de todos”, avalia Dr. Carvalho, que analisa ainda a projeção de mulheres com câncer por ano em Araraquara. “Imaginando as estatísticas do Inca aplicadas em nossa cidade e propondo um número de 120 mil mulheres, falamos de aproximados 80 casos novos diagnosticados a cada ano. E, na prática, temos um número bem maior que esse em virtude do atendimento a toda região”, enfatiza ele. Otimismo - A boa notícia é que a prevenção e diagnóstico mostram avanços, na opinião do especialista. No caso da prevenção, ele afirma que é Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018

Os números do câncer de mama no Brasil A Estimativa 2018 de Incidência de Câncer no Brasil, documento divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), mostra que há um risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres brasileiras por ano, até 2019. Na região sudeste, esse número sobe para 69 novos casos de câncer de mama a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (73,07 por 100 mil), Sudeste (69,50 por 100 mil), Centro-Oeste (51,96 por 100 mil) e Nordeste (40,36 pot 100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19,21 por 100 mil).

essencial o acompanhamento médico periódico, com os cuidados adequados às fases de alterações hormonais e a realização dos exames de mamografia, em tempo hábil, para prevenir ou localizar a doença em fase inicial, tornando o tratamento possivelmente curativo. E continua: “A sensibilidade dos exames de imagem e os detalhes da patologia tumoral nos ajudam com maior precisão e informações sobre a biologia específica de cada tipo de câncer de mama, gerando tratamentos cada vez mais direcionados. A grande questão seria quanto ao acesso a esses exames e avaliações em tempo adequado”, ressalta o oncologista. Em relação ao tratamento do câncer de mama, Dr. Carvalho também está otimista e diz que há muito o que comemorar. Segundo ele, a cada dia nota-se o desenvolvimento de novas drogas pautadas em expressões mo-

leculares ou alterações genéticas. “Os alvos dos medicamentos se tornam mais evidentes e responsivos, com tratamento menos tóxico”, enfatiza o especialista. Ele acrescenta, em relação à incidência da doença, que o futuro mostra um aspecto complexo, porque ela vem crescendo. “O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente na mulher, excluindo câncer de pele não melanoma. Chega a aproximadamente 30% dos casos novos a cada ano e sua incidência vem crescendo. Caracteristicamente, o maior número de casos está acima dos 50 anos de idade, porém, temos observado aumento extremamente relevante de casos em mulheres a partir dos 35 anos. Por isso, é fundamental chamar a atenção para a doença, a importância dos exames preventivos e do diagnóstico precoce”, conclui Dr. Luís Henrique de Carvalho. g 5


DIA DO MÉDICO

Vidas dedicadas a cuidar do próximo Conheça um pouco da trajetória do Dr. Leonardo Cunha e da Dra. Ana Rita dos Santos, duas gerações de profissionais que se dedicam a salvar vidas Aliviar a dor é obra divina. A citação do médico e filósofo grego Hipócrates, conhecido como o Pai da Medicina, talvez explique a vocação de cuidar dos outros, de tratar doenças e salvar vidas. Essa é a rotina do médico, o profissional homenageado no dia 18 de outubro no Brasil. A Medicina é, sem dúvida, uma das áreas do conhecimento que exigem maior comprometimento e responsabilidade por parte do profissional. Praticar a Medicina no dia a dia dos consultórios, hospitais e salas de cirurgia transcende qualquer meta pessoal, dom ou sonho de criança. É fundamental gostar de gente. E falando em dedicação ao próximo, ninguém melhor para ilustrar o assunto do que o ginecologista e obstetra Leonardo Alberto Cunha, 87 anos, que há 60 anos dedica seu tempo e sua sabedoria à profissão. Ele se formou em 1958, na Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, a famosa escola da Praia Vermelha, depois ficou 12 anos trabalhando em São Paulo, mais 4 em São Carlos e depois veio para Araraquara, cidade que escolheu para construir sua longa e bem sucedida trajetória profissional. Entre seus maiores orgulhos, ele aponta o Centro Oncológico da Região de Araraquara (Cora), que ele criou e ali ajudou a salvar muitas vidas. O gosto pela Medicina, Dr. Leonardo conta que herdou do pai, o também médico obstetra Dr. Leonardo. “Muito antes de me formar eu acompanhava meu pai nas visitas a pacientes. Com 4 anos eu passava pelos ambulatórios com ele e com 14, já frequentava centros cirúrgicos. Não existia nenhuma outra possibilidade de eu fazer outra coisa, além de Medicina”, pondera Dr. Leonardo. Porém, ele admite que a certeza da obstetrícia veio depois de testemunhar uma tragédia, no quarto

“Vi meu pai fazer parto na roça, com lam­pião, nas condições mais difíceis e sem nenhum problema. Por isso, o que eu queria era aprender muito para fazer igual meu pai”, diz Dr. Leonardo Cunha ano do curso: ele assistiu a um parto que terminou com a morte da mãe e do bebê. “Naquela época, no quarto ano, a gente precisava acompanhar os partos; não existia residência. E eu me lembro que era uma maternidade no Rio de Janeiro, muito grande e recém-inaugurada, com 350 leitos e 60 partos por dia. E no primeiro parto que assisti, houve um problema e morreu a mulher e a criança. Eu fiquei muito assustado. No outro dia, o diretor do hospital me perguntou qual era minha opinião sobre o ocorrido, talvez pensando que aquilo pudesse ter me desanimado, e eu me lembro de ter dito para ele que já tinha visto meu pai fazer parto na roça, com lampião, nas condições mais difíceis e sem nenhum problema. Por isso, o que eu queria era aprender muito ali para fazer igual meu pai”, relata. “E me dediquei bastante mesmo. Fui morar no hospital e fique ali por mais quatro anos, até terminar a faculdade. Foi assim que virei parteiro”, resume Dr. Leonardo, sorrindo. Sobre as mudanças que o tempo trouxe para a profissão, ele lamenta o fato de médico e paciente terem se distanciado. “Mudou muita coisa no relacionamento do médico com o pa-

ciente. E, infelizmente, mudou para pior. Antes era mais humano, o médico fazia parte da família, éramos amigos, conhecíamos a fundo a vida dos nossos pacientes. Eu frequentava a casa, ouvia, conversava. Era mais agradável trabalhar”, compara o médico. Mas o tempo não mudou a relação de amizade que ele busca manter com suas pacientes. “Eu conheço tudo da vida delas, converso bastante e acho importante essa relação. Gosto disso, é meu papel de médico, uma profissão que escolhi pra vida toda, desde sempre. E quero continuar em frente até quando tiver condições”, finaliza Dr. Leonardo Cunha, que soma mais de 30 mil partos e cirurgias. E ele continua na ativa. Inspirações - E essa vitalidade inspira médicos mais jovens, entre eles a sua amiga e também ginecologista e obstetra Ana Rita dos Santos, que é só elogios quando o assunto é o dr. Leonando Cunha. Ao contrário dele, Dra. Ana Rita conta que não teve uma inspiração em casa. Ela é a primeira formada na família em Medicina. Apesar disso, desde muito pequena ela dizia aos pais que queria ser médica. A profissão já estava escolhida, quando ela conheceu Dr. Eduardo Lauand, a quem chama de mestre e atribui a decisão de sua especialidade. “Minha madrinha diz que aos 2 anos eu já falava que ia ser médica. E só depois de muito tempo, já formada, em conversas com tios e tias, descobri que minha duas avós tinham sido parteiras”, revela Dra. Ana Rita. “E também bem pequena, talvez para me encaminhar de vez, conheci o Dr. Lauand. Eu e depois minhas irmãs mais novas viemos ao mundo pelas mãos dele. Então, eu ia às consultas com minha mãe e já admirava aquele homem espirituoso, inteligente. Minha mãe conta que uma dessas


Fotos: Marcia Bessa Martins

O obstetra Dr. Leonardo Alberto Cunha, 87 anos, que há 60 anos dedica seu tempo e sua sabedoria à profissão, e Dra. Ana Rita dos Santos, que seguiu a mesma especialidade médica por influência do Dr. Eduardo Lauand: “Minha madrinha diz que aos 2 anos eu já falava que ia ser médica”, diz ela. “Depois descobri que minha duas avós tinham sido parteiras”.

Origem do Dia do Médico A escolha do dia 18 de outubro para homenagear os médicos no Brasil tem origem cristã. Nessa data, a Igreja Católica comemora o Dia de São Lucas. Lucas foi um dos quatro evangelistas do Novo Testamento, e seu evangelho é o terceiro em ordem cronológica. Lucas era médico, razão pela qual se decidiu homenagear os profissionais com o mesmo dia da festa deste santo. Dia 18 de outubro também o Dia do Médico em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia e Inglaterra.

vezes, com mais ou menos 6 anos, eu disse pra ele: ‘quando crescer vou ser igual a você’. Quando passei no vestibular da Faculdade de Medicina, eu liguei para contar e a partir dali ele passou a seu meu grande mestre, porque todas as minhas férias eu passava aprendendo no seu consultório e

nas salas de cirurgia. Quando cheguei aqui, já formada, o acompanhei várias vezes em cirurgias. Meu primeiro consultório foi com ele, enfim, foi decisivo na minha carreira”, resume ela. Sobre a Medicina, Dra. Ana Rita diz que a profissão a completa. “Minha única ressalva é que algumas

pessoas tratam o médico como uma instituição, um ser que não pode ficar doente, ter problemas pessoais. É preciso estar 365 dias por ano bem e à disposição. E isso não é realidade; somos humanos. Mas amo minha profissão e acredito que já estava predestinada à Medicina”, conclui ela. g


EVENTO ACADÊMICO

Casa do Médico sedia Simpósio de Doenças Hematológicas Autoimunes Evento é da Liga Acadêmica de Hematologia Clínica da Medicina da Uniara

Dra. Andreia Moura de Luca e a plateia composta por integrantes da Liga Acadêmica de Hematologia Clínica (Lahec) e demais convidados

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O auditório da Casa do Médico sediou o “Simpósio de Doenças Hematológicas Autoimunes”, promovido pela Liga Acadêmica de Hematologia Clínica (Lahec) do curso de Medicina da Universidade de Araraquara. O evento ocorreu no dia 14 de agosto e reuniu acadêmicos de Medicina e residentes, além de alunos de outros cursos da área de saúde da universidade. A programação do evento teve três palestras: “Púrpura Trombocitopênica Imunológica”, ministrada pela hematologista Dra. Andreia Moura de Luca; “Anemia Hemolítica Autoimune”, pela hematologista Dra. Cibele Repele Duch, e “Anemia no Lúpus”, ministrada pelo hematologista Dr. Reinaldo Bonfá. “As doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico do indivíduo reconhece os próprios componentes - células, proteínas - como invasores. Quando essa resposta ocorre com os componentes do sangue, da medula óssea e dos gânglios linfáticos, caracteriza-se um grupo de doenças hematológicas, chamadas autoimunes”, explicou a coordenadora geral da Lahec, Ana Júlia Salvador Rocchi. Para ela, que agradeceu a presença dos presentes, o evento foi bastante produtivo para os alunos participantes. g

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Confraternização do Dia do Médico no Clube de Campo da APM Um almoço organizado pela APM Araraquara, assinado pelo Buffet Karam, marcou o Dia do Médico, comemorado em 18 de outubro. Médicos, familiares e amigos se reuniram na tarde do dia 20 de outubro, na sede de campo da APM, para brindar a data. O som ficou por conta da banda Os Quarentões e as crianças aproveitaram bastante o verde e a piscina, com brincadeiras comandadas pelo grupo de recreação infantil Tio e Tio. Foi um dia de céu azul, reencontros e confraternização.


Outubro 2018 Fachada Hospital São Paulo. (Foto: arquivo)

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Hospital São Paulo – Unimed Araraquara passará por ampliação e Novo Layout Obras devem começar ainda este ano. Reforma irá promover mais conforto e acessibilidade aos clientes.

Nos próximos meses, o Hospital São Paulo – Unimed Araraquara terá uma nova fachada. O projeto já está aprovado e as obras devem ter início até o final de 2018. O objetivo da reforma é propiciar aos clientes e cooperados da Unimed Araraquara maior conforto, melhor atendimento e, principalmente, fácil acessibilidade.

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Com o início da reforma haverá alterações no acesso aos serviços de atendimento de internação e visitas, mas as mudanças serão amplamente divulgadas e, espera-se a compreensão de todos para possíveis transtornos, já que a proposta é melhorar ainda mais a qualidade da assistência à saúde Unimed Araraquara.

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02 Sala de atendimento para autistas. (Foto: arquivo)

Unimed Araraquara Amplia Espaço do Programa Especial Autismo Com oito salas multidisciplinares onde a acústica adequada, poucos móveis e a proposta de decoração sugerem tranquilidade e equilíbrio, o Centro Unimed de Qualidade de Vida – Univida oferece um atendimento diferenciado aos beneficiários diagnosticados com Transtorno de Espectro do Autismo. O novo espaço do Programa Especial Autismo – PEA, em funcionamento há pouco mais de um mês, foi totalmente pensado para atender as especificidades dos clientes com essa deficiência. Além disso, foi dimensionada uma equipe de doze profissionais de saúde voltada ao atendimento desses beneficiários que, atualmente, somam setenta e seis pessoas. Segundo a Coordenadora do Univida, Daniela Sanchez Alcalde dos Santos, o PEA está totalmente integrado ao Univida e a equipe de profissionais é muito dedicada e bem formada, o que gera os ótimos resultados do programa.

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Um desses resultados alcançados pelo PEA é a aprovação do Programa de Promoção à Saúde junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. A coordenadora do Univida explica que essa aprovação significa que o protocolo assistencial do PEA, baseado em evidências científicas pode ser avaliado assim como modelo de atenção à pessoa com autismo sistematizado, promovendo assim resultados positivos no atendimento ao cliente do programa. Os resultados conquistados pelo PEA também podem ser referendados pelo Prêmio Excelência na Jornada do Cliente 2018 da Unimed Brasil, caso vença a indicação que está em análise. “Isso tudo é conquista do investimento incondicional da Unimed para manter a assistência à saúde de qualidade e, também da dedicação da equipe em vislumbrar a validação de um trabalho voltado às necessidades do cliente,” finaliza.

CUIDAR DE VOCÊ. ESSE É O PLANO.

Dr. Carlos Fernando Camargo Diretor Técnico Unimed CRM/SP 35058

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Aplicativos facilitam acesso aos serviços da Unimed Araraquara Novas tecnologias estão disponíveis para clientes e cooperados, basta baixar o aplicativo nos celulares.

Há dois meses, os clientes e cooperados da Unimed Araraquara contam com mais uma facilidade na busca por informações: o Aplicativo Unimed. Nele, o cliente tem acesso, por exemplo, a busca por médicos cooperados. Além desse serviço, o cliente também pode acompanhar o andamento da autorização de exames pelo celular. Segundo o Gestor Estratégico Unimed, Márcio Cocchieri Botelho, após a solicitação de autorização para procedimentos, que deve ser feita pessoalmente no setor de atendimento, o cliente poderá acompanhar todo o andamento de sua solicitação pelo aplicativo. “Esse serviço traz maior comodidade para o beneficiário em obter informações sobre as autorizações” Mas, o aplicativo é também para os profissionais cooperados. Uma das facilidades encontradas nesse apoio tecnológico é o acompanhamento da produção médica e de indicadores específicos com número de consultas e exames solicitados, por exemplo. Para ter acesso aos serviços disponíveis no aplicativo, basta baixá-lo gratuitamente através da loja virtual instalada no seu celular. Para os clientes, o aplicativo Cliente Unimed Araraquara. Para o médico cooperado é o Cooperado Unimed Araraquara.

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03 Mockup de Revista para Campanha App Unimed

Unimed Araraquara orienta os clientes para terem exames sempre à mão nas consultas médicas Para evitar desgastes físicos desnecessários, a Unimed Araraquara informa e orienta aos clientes que levem seus exames, independentemente da especialidade, nas consultas médicas. A Unimed Araraquara pede ainda que os médicos cooperados sempre alertem os clientes quanto a exames feitos recentemente. Para tanto, o cliente, ao agendar uma consulta médica em qualquer especialidade, deve lembrar-se de levar na data e hora marcadas, todos os resultados de exames realizados nos últimos meses e assim facilitar o diagnóstico médico e agilizar a indicação do melhor tratamento. Em breve, estes resultados também estarão disponíveis nos aplicativos dos clientes e cooperados para smartphones. Basta baixá-lo gratuitamente através da loja virtual instalada no seu celular. Para os clientes, o aplicativo é Cliente Unimed Araraquara. Para o médico cooperado é o Cooperado Unimed Araraquara.

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Expediente Diretoria Executiva Diretor Presidente Dr. José Paulo Luz Lima Diretor Administrativo-Financeiro Dr. Carlos Fernando Camargo Diretor de Mercado Dr. César Antônio Dias Diretor de Promoção e Assistência à Saúde Dr. Emerson Carlos Diretor Hospitalar Dr. Antonio Carlos Durante

Departamento Marketing e Comunicação Jornalista Responsável: Valda Rocha - MTB 23.223 Projeto Gráfico e Diagramação: Atmo Propaganda e Marketing

Unimed Araraquara realiza projeto de Medicina Preventiva na Usina Santa Fé

Associações de Matão e Araraquara fecham parceria com a Unimed Araraquara

Ações promovem avaliações e acompanhamentos dos funcionários por um educador físico e uma nutricionista do Centro Unimed de Qualidade de Vida – Univida.

Ações promovem avaliações e acompanhamentos dos funcionários por um educador físico e uma nutricionista do Centro UNIMED de Qualidade de Vida – UNIVIDA.

Desde agosto, os funcionários da Usina Santa Fé, em Nova Europa, estão no Programa de Medicina Preventiva desenvolvido pelo Centro Unimed de Qualidade de Vida – Univida para atender clientes da Unimed Araraquara. No caso da Usina Santa Fé, o programa iniciou os trabalhos com avaliações físicas de dois grupos específicos, os trabalhadores do armazém e de cargas e motoristas. Segundo a Coordenadora do Programa de Medicina Preventiva do Univida, Renata Adriana Bortolossi, essa avaliação, inclusive de ergonomia, é a base para as devidas orientações sobre movimentos repetitivos assim como o tratamento e prevenção de problemas osteomusculares muito comuns nesse público alvo. “O educador físico, além das orientações com relação ao melhoramento de postura, elabora também momentos de ginástica laboral para esses dois grupos de risco que visa estimular a prática de exercícios físicos e o combate ao sedentarismo”, explica. Paralelamente às análises do educador físico, o programa de medicina preventiva também levou para a Usina Santa Fé, o acompanhamento de nutricionista, em vista de se ter identificado um público alvo com excesso de peso e outras comorfobidades. Nesse sentido, além de acompanhamentos regulares semanais pela nutricionista, as pessoas em breve terão a oportunidade de participar do Dia de Univida e Família na Empresa. A Coordenadora do Programa de Medicina Preventiva conta que a ideia é reunir familiares dos funcionários, entre eles esposas, para que a nutricionista dê orientações para a adoção de uma alimentação saudável. “É preciso orientar o que se põe nas marmitas, forma muito comum de alimentação entre motoristas”. O evento terá também muitas brincadeiras, sorteio de brindes e outras atrações. O próximo passo é iniciar o trabalho com fisioterapeuta para atender os funcionários que precisam de tratamento para problemas osteomusculares. “Essas ações têm a intenção de levar o Univida e as áreas de atuação que o centro oferece para dentro da empresa, facilitando o acesso ao beneficiário que não tem tempo ou possibilidade de participar desse programa que visa melhorar a qualidade de vida de todos que dele fazem parte”, finaliza Bortolossi.

ASPA. (Foto: arquivo)

A Unimed Araraquara iniciou em setembro a campanha de adesão ao Plano de Saúde para todos os associados da ASPA – Associação dos Serviços Públicos de Araraquara. Desde o início da campanha, duzentos novos clientes já fecharam contrato de adesão em condições especiais de preço. Segundo o gestor de mercado e intercâmbio, Rodrigo Marine, essa campanha é destinada aos servidores públicos das três esferas: municipal, estadual e federal. “Os descontos para novos contratos de adesão durante essa campanha começam a partir de 29%”. Já em Matão, a parceria fechada em outubro com a Associação dos Aposentados da cidade concede aos associados 20% de desconto em planos de saúde para pessoas físicas. No início do mês foi realizado pela Associação dos Aposentados um café da manhã em comemoração ao Dia Nacional do Idoso e a Unimed Araraquara marcou presença para divulgar aos associados todos os serviços de atendimento à saúde que estão disponíveis aos clientes da cooperativa e também aos novos. Marine informa que qualquer associação que tenha interesse em fechar parceria com a Unimed Araraquara, pode entrar em contato com a área comercial da cooperativa, que a equipe de vendas irá fazer um estudo de caso e encontrar a melhor opção para atender as demandas com a qualidade reconhecida da Unimed Araraquara. Para outras informações o telefone é (16) 3303-1550.

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FORA DO CONSULTÓRIO

A plástica, entre os bisturis e os pincéis Arquivo pessoal

O cirurgião plástico Fábio Biazotti encontrou na pintura uma segunda paixão, que o ajuda a expressar sua arte e aliviar o estresse de sua rotina de médico

O cirurgião plástico Fábio Biazotti, entre seus quadros que decoram a clínica Quem vai até a clínica do cirurgião plástico Fábio Biazotti pode, logo na entrada, apreciar um pouco da sua arte. São dele alguns dos quadros que decoram o ambiente; um hobby que começou há cerca de 4 anos e que hoje caminha junto com seu trabalho de esculpir corpos e rostos. O interesse pelas artes começou bem cedo, ainda criança, e foi incentivado pela família, que também apreciava cultura em geral. Dr. Fábio conta que eles frequentavam teatro, cinema, museus e foi aí que ele se viu fascinado por quadros. Cresceu fazendo seus desenhos descompromissados nos cadernos e nas apostilas e, um pouco depois, nas contracapas dos livros de Medicina. “Mas nunca pensei em fazer desse gosto uma profissão, porque sempre amei Medicina. Mas nunca deixei de brincar de desenhar”, relata ele. Foi depois de formado e de volta a Araraquara, já com sua rotina de atendimento e cirurgias na clínica que divide com o irmão Rafael Biazotti, também cirurgião plástico, que ele decidiu pintar. “Eu estava buscando uma atividade fora da minha rotina de médico, 14

como hobby, e decidi aprender a pintar. Encontrei meu professor, Marcelo Miúra, que é muito talentoso, além de uma pessoa maravilhosa, conheci seus trabalhos e foi paixão à primeira vista. Isso foi, mais ou menos, em 2014. Meu primeiro quadro foi uma Veneza vista do mar, com traços bem de principiante. Aos poucos, com o tempo, estou adquirindo mais habilidade e aprendendo alguns segredos da pintura”, conta dr. Fábio. Hoje, pinta de 3 a 4 horas por semana, em média, no ateliê do professor. Também montou seu próprio ateliê em casa, para praticar nos finais de semana e à noite, mas admite que, por conta da profissão corrida, acaba não conseguindo se dedicar tanto quanto gostaria a seus quadros. “É a minha forma de escapar da realidade e focar em alguma coisa que me relaxa. Eu gosto demais e funciona muito para mim. Interessante é que, por causa da minha especialidade, que é a cirurgia plástica, tenho uma noção muito grande do corpo humano, do físico, então foi natural eu começar a pintar. Gosto de pintar corpos, rostos e as proporções surgem naturalmente, por ter estu-

dado anatomia”, analisa. Ele diz ainda que acha difícil se desapegar dos quadros, por isso, divide sua produção artística entre sua casa, a clínica, a casa da mãe ou da avó. Já doou alguns também. Quanto ao seu estilo nas artes plásticas, Dr. Fábio diz que ainda não tem uma definição. Gosta de estilos variados e, por isso, quer aprender muito ainda, para passear por todos. “Eu pinto aquarela, tinta à óleo, gosto do impressionismo, gosto do classicismo, mas é difícil apontar um deles. Sem dúvida, me reconheço no realismo. Gosto muito de ver aquela pintura quase fotográfica, mas gosto muito também do movimento que o impressionismo traz”, comenta o médico. “Hoje estou pintando uma bailarina, porque me chama muito atenção os movimentos da bailarina e, aí, já entra o impressionismo. Mas tenho um quadro quase pronto, que eu preciso terminar, que é da escola do realismo. Enfim, eu não tenho uma classe definida, quero aprender tudo, porque gosto de todos os estilos”, resume Dr. Fábio Biazotti. g Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018


“Meu trabalho com estética, proporções e profundidade se casa perfeitamente com a prática da pintura”

Arquivo pessoal

Obras assinadas pelo médico Fábio Biazotti

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EVENTOS CIENTÍFICOS

Queimadas, sono e o pulmão do idoso são temas de palestras da SPPT Encontro de pneumologistas na Casa do Médico reuniu especialistas e estudantes “Queimadas a céu aberto”, ministrada pelo Dr. Marcos Abdo Arbex; “A neurofisiologia do sono”, pelo Dr. Rodrigo Todaro, e “O pulmão do idoso”, pela Dra. Maria Carolyna Fonseca Batista Arbex, foram os temas das palestras ministradas nos encontros mensais realizados pela Regional de Araraquara da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), em parceria com a Associação Paulista de Medicina (APM), no auditório da Casa do Médico. O objetivo desses encontros, de acordo com o pneumologista Dr. Marcos Abdo Arbex, presidente da Regional de Araraquara da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, é promover a troca de informações, através de palestras e debates sobre um determinado tema. Dr. Arbex, que é organizador da

Encontros são realizados pela regional da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia

Dr. Paulo Leonardi Filho

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Dr. Marcos Abdo Arbex (presidente regional da SPPT), Dr. Rodrigo Todaro e Dra. Maria Carolyna Fonseca Batista Arbex: objetivo da série de eventos é promover a troca de informações, através de palestras e debates reunião que ocorre sempre na última terça-feira de cada mês, exprlica que o grupo convida um pneumologista da Regional para fazer uma revisão de literatura de um determinado tema e apresentar em formato de palestra para os colegas. No dia 31 de julho, o palestrante foi o próprio Dr. Arbex. “Queimadas a céu aberto” foi o tema escolhido por ele. A questão da queima de biomassa e os efeitos sobre a saúde é uma questão que vem sendo trabalhada há muito anos pelo Dr. Arbex, com o objetivo de chamar a atenção de pneumologistas, da comunidade e das autoridades para os riscos à saúde da população exposta a essa fonte geradora de poluentes. Sua tese de Doutorado, defendida na Universidade de São Paulo, teve como tema a avaliação dos efeitos do material

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particulado proveniente da queima da plantação de cana-de-açúcar sobre a morbidade respiratória na população, e esse trabalho contribuiu para a Lei da Queima da Cana, de 2002. Na palestra do mês de agosto, o tema “A Neurofisiologia do Sono” foi ministrado pelo Dr. Rodrigo Todaro, no dia 28. Na sua palestra, que reuniu médicos e representantes da Liga Acadêmica de Pneumologia e Tisiologia – LAPT, do curso de Medicina da Uniara, Dr. Ricardo mencionou ronco, apneia e insônia como doenças relacionadas ao sono que precisam ser identificadas e tratadas. Alertou para problemas sérios decorrentes de sonos ruins. “Quem dorme mal tem mais risco de doenças cardiovasculares, como enfarto e AVC, além de alterações metabólicas e alto risco de acidentes de trabalho”, disse.

E no fim de setembro, no dia 25, a Dra. Maria Carolyna Fonseca Batista Arbex levou ao auditório da Casa do Médico o tema “Pulmão do Idoso”, com abordagem de cuidados paliativos de doenças pulmonares nesta faixa etária. Dra. Maria Carolyna é geriatra pela Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pós-graduada em Cuidados Paliativos pela Instituição Pallium Latino América. Na sua palestra, entre outras questões, a especialista afirmou que pacientes com problemas pulmonares podem sofrer com falta de ar e cansaço. Os cuidados paliativos têm o intuito de prevenir ou adiar esses sintomas. Dra Maria Carolyna integra a equipe de clínica médica da Santa Casa de Araraquara. g

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EVENTO CULTURAL

Julieta e Cinema Paradiso emocionam plateias do Conversa, Cinema e Psicanálise Filmes são exibidos na Casa do Médico Duas sessões da temporada de 2018 do projeto “Conversa, Cinema e Psicanálise” emocionaram as plateias no auditório da Casa do Médico, nos dias 17 de agosto e 14 de setembro. O projeto é uma parceria da Associação Paulista de Medicina – APM Araraquara com o Grupo de Estudos em Psicanálise de Araraquara (Grepa). Almodóvar - O primeiro foi Julieta, de Pedro Almodóvar, de 2016. Os comentários sobre o drama foram da psicóloga Ana Beatriz Rolfsen Petrilli Lupo, membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. “O filme fala de relações afetivas, de silêncio, culpa e dor. Tudo isso é vida. Vida que vivemos fora e dentro dos nossos consultórios”, afirmou a Dra. Ana Beatriz.

A psicóloga Ana Beatriz Rolfsen Petrilli Lupo

Tornatore - Uma das mais belas homenagens já feitas por um filme à magia do cinema, Cinema Paradiso, que em 2018 completa 30 anos, foi o destaque da sessão de setembro do Projeto “Cinema, Conversa e Psicanálise”. Os comentários ficaram a cargo do médico psiquiatra Dr. Marcelo Teixeira, psiquiatra da infância e adolescência, especialista em distúrbios de aprendizagem, psicoterapia de orientação psicanalítica e Mindfulnes. A obra do italiano Giuseppe Tornatore é embalada pela deslumbrante canção de Ennio Morriconne. Entre sua observações, dr. Teixeira destacou a trilha sonora do filme, que dá o ritmo e o sentido das emoções. Pluralidade de olhares - De sessão em sessão, o projeto vai atingindo seu objetivo, que é um espaço de pensamento e troca de reflexões. A psiquiatra Fabiane Aparecida Alves Madureira, integrante do Grepa e uma das profissionais que participou da implantação do projeto na APM de Araraquara, reforça que os eventos do projeto são direcionados a qualquer pessoa interessada, não apenas a profissionais ou alunos da Psicologia ou Psiquiatria. “Inclusive essa pluralidade de olhares sobre o comportamento confere um diferencial bastante rico nas discussões que acontecem a cada edição, após a exibição do filme”, avalia ela, lembrando que a próxima sessão do “Conversa, Cinema e Psicanálise” está marcada para o dia 19 de outubro, também a partir das 19h30. O filme será “Sete Minutos Depois da Meia Noite” e os comentários serão da psicóloga Grayce Elizabeth Vilas Boas Pinto. g 18

O médico psiquiatra Dr. Marcelo Teixeira

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Modo de Preparo Utilize um liquidificador para bater o creme de leite junto com o doce de leite, até que fiquem homogêneos. Utilize alguns potes de vidro sobre uma assadeira e preencha-os com a mistura, cubra com papel filme e leve-os à geladeira por no mínimo 4hs, até que fiquem todos com uma textura consistente. Triture as bolachas com as mãos para ficarem grosseiramente moídas. Coloque-as sobre o creme, depois de gelado. Pegue a barra de chocolate e quebre-a em pequenos pedaços. Coloque-os em um recipiente no micro-ondas para derreter de 30 em 30 segundos, até que se transformem em uma pasta. Coloque essa pasta por cima das bolachas. Por fim, polvilhe o coco ralado sobre a sobremesa e está pronta para servir. Bom apetite! g

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MEMÓRIA VIVA

Dr. Elias Zakaib: mais de 40 anos dedicados a dar araraquarenses à luz Com pelo menos 20 mil partos e cirurgias, ele também foi responsável pela modernização do serviço de ginecologia e obstetrícia na Beneficência Portuguesa Nos 43 anos em que se dedicou à medicina, o médico ginecologista e obstetra Elias Zakaib colecionou centenas de amigos, entre pacientes, familiares e companheiros de trabalho. Ele nasceu em 2 de março de 1941, em Bariri. Se formou médico em 1966, pela Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e logo depois já estava em Araraquara. Aqui chegou recém-formado, no início de 1968, com 27 anos de idade, para construir sua trajetória profissional e familiar na cidade. Casou-se com Vilma Teresa Ambrozino Zakaib, com quem teve quatro filhos: o também médico ginecologista e obstetra Elias Junior, o jornalista Luís Augusto, o dentista Paulo e a arquiteta Denise. Rapidamente, se tornou um dos médicos mais queridos da cidade e da região. Participou ativamente da remodelação do serviço de obstetrícia, numa época em que muitas mães ainda davam à luz seus filhos com auxílio de parteiras, na Santa Casa e na Beneficência Portuguesa. Ao lado do médico Eduardo Lauand, também já falecido, foi um dos obstetras com mais partos e cirurgias realizados em Araraquara; pelo menos 20 mil, cada um deles. “Eu me emociono muito, até hoje, quando alguém me aborda para contar algum episódio que viveu com meu pai”, revela o filho Luís Augusto. “Me lembro que, pouco tempo depois do seu falecimento, um rapaz me abordou dizendo que queria me apresentar à filha, que tinha sido salva pelo meu pai, no nascimento. Mais recentemente, duas senhoras, ex-pacientes, me abordaram também e pediram pra me dar um abraço em agradecimento a ele. Simples assim. Acontece e eu me emociono sempre.” Os bastidores do seu ofício de sal20

Arquivo pessoal

O médico Elias Zakaib, em sua formatura, com a irmã Nely

Nascido em 1941, Dr. Elias se formou em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, em 1966, e chegou a Araraquara ainda recém formado para construir uma carreira de sucesso como ginecologista e obstetra. Seu nome foi eternizado pelo município na Unidade de Saúde da Família do Assentamento Bela Vista, em reconhecimento

var vidas e trazer ao mundo milhares de bebês foram destacados com muito bom humor na edição número 4 da revista O Caricato, em 2004, publicação idealizada pelo artista gráfico Lucas Lima e elaborada com a colaboração de uma equipe de jornalistas, chargistas, poetas e artistas, incluindo seu filho, o jornalista Luís Augusto. Na capa, Dr. Elias e de Dr. Lauand, rodeados de bebês, e o título “Um dos dois já viu sua bunda”, uma referência bem humorada ao fato de os dois serem recordistas de partos em Araraquara. Dr. Zakaib contou, naquela edição, que, antes de sua chegada, a Beneficência Portuguesa não fazia nem 12 partos por mês, número que subiu para 300 após iniciar seu trabalho na unidade. Em 1978, ele trouxe o primeiro exame de ultrassom e foi pioneiro também ao introduzir no município a mamografia e o parto sem dor, entre outras técnicas. No final de 2009, poucos meses antes de falecer, em entrevista concedida à reportagem da revista da Casa do Médico, ele disse que continuava se atualizando, mesmo após ter se aposentado devido a um câncer que o acometeu. Também agradeceu pacientes e os colega de trabalho pela parceria de décadas de profissão. O médico Elias Zakaib faleceu em 6 janeiro de 2010, aos 68 anos, deixando seu legado profissional ao filho Elias Zakaib Jr. e tantos outros jovens ginecologistas e obstetras que tiveram o privilégio de o observar em seu ofício. Aos filhos e netos deixou o exemplo de abnegação e respeito ao próximo. Em reconhecimento à sua dedicação, o município o homenageou com a denominação da Unidade de Saúde da Família (USF) do Assentamento Bela Vista de “Dr. Elias Zakaib”. g Ano 20 | n.72 | Outubro de 2018

Profile for Editora Casa da Árvore

Revista Casa do Médico (Outubro 2018)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

Revista Casa do Médico (Outubro 2018)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

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