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Revista Trimestral

Casado Médico IMPRESSO

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA | ARARAQUARA

Medicina de família Reportagem aborda a importância e o desafio de atrair novos talentos para esse importante setor

Ano 18 | n.65 | Dezembro de 2016

Leia também

Fora do consultório

História da Medicina

Dia do Médico na APM Os números da AIDS


EDITORIAL

Medicina de família ARARAQUARA A revista Casa do Médico é uma publicação trimestral editada pela Associação Paulista de Medicina (APM) Secção Araraquara. Dr. Renato Chediek Presidente Dr. João Orávio de Freitas Jr. Vice-presidente Dra. Ticiane Corina Ribas 1a Secretária Dra. Fabiane A. Alves Madureira 2a Secretária Dr. Marcus Vinicius Platzer Amaral 1º Tesoureiro Dr. Fernando Linares 2º Tesoureiro Dr. Luis Henrique B. Falcão Diretor Def. Profissional Dr. Helio Paulo Primiano Junior Diretor Social Produção: Editora Casa da Árvore Reportagem: André Lourenço Foto da capa: National Cancer Institute Impressão: Gráfica Art Point Tiragem: 1.000 exemplares Distribuição Gratuita. Rua Voluntários da Pátria, 1478 Centro, Araraquara, SP

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Nesta edição, a revista Casa do Médico traz uma reportagem sobre as causas que, segundo alguns profissionais, tornam a medicina de família e comunidade uma área de atuação pouco atrativa para estudantes de medicina, embora considerada uma das seis especialidades básicas. Na seção “Fora do Consultório”, a história da paixão do ortopedista Dalmyr Semeghini Júnior pelos cavalos. Neste mês de dezembro, cujo dia primeiro é lembrando como o “Dia Internacional da luta contra a AIDS”, a médica infectologista Estela Maura Cirino Cattelani descreve, em entrevista, o cenário da doença em Araraquara. Na página “História da Medicina”, o historiador Rodolpho Terolli descreve fatos que marcaram o surgimento da Maternidade Gota de Leite. Confira também as fotos do almoço comemorativo pelo “Dia do Médico, na sede de campo da APM, e os dois encontros que fecharam a programação de 2016 do projeto “Cinema, Conversa e Psicanálise”. Você também pode colaborar enviando sugestões de pauta e textos de artigos de sua autoria para publicação na revista. Boa leitura! g

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HISTÓRIA DA MEDICINA

A maternidade Gota de Leite A Gota de Leite, como é afetiva- mero de pessoas importantes, entre mente chamada pelo povo de Ara- autoridades e homens de posição, raquara, é uma instituição já sep- proprietários de negócios na cidatuagenária em relação ao início de de. Plínio de Carvalho era o prefeito suas atividades e octogenária com municipal, cargo que ocuparia até respeito à sua gestação. Trata-se de 1930, estando em seu exercício desuma instituição filantrópica que tem de 1916. Dentro de uma urna, como era de prestado os mais relevantes serviços à mulher araraquarense, sem distin- hábito então, foram colocados vários ção de categoria social. Ela surgiu objetos junto à pedra fundamental: no momento em que a cidade expe- vistas de Araraquara, números de rimentava o seu período de maiores jornais do dia e uma receita (formutransformações nos melhoramentos lário) de todos os médicos que atuavam então na cidade, além da cópia urbanos e sociais. A ata de sua fundação é 6 de no- da ata contendo as assinaturas. Convembro de 1921. Na década anterior, ta o médico Eduardo Lauand, coa cidade vira pavimentar-se com pa- nhecido pela sua ação benemerente ralelepípedos de granito suas prin- e que está inextricavelmente ligado à Gota de Leicipais ruas centrais, vira iniciar-se uma A idéia inicial, por volta te desde 1983, que os antigos tradição que se torde 1916, era a instalação c o m e n t a v a m naria ponto referende uma casa sob o que a idéia inicial do município, a cial não era a sua exuberante arlema “doe uma gota construção de borização pública, de leite ao bebê cuja uma maternivira erguer-se mamãe não pode aleitar”. dade, mas a jestoso e imponente instalação de o seu teatro muniEssa idéia evolui para uma casa, que cipal, o seu luxuoso a construção de uma seria entre as hotel municipal, o maternidade. ruas 8 e 9 no Araraquara College. final da aveniUm pouco depois, da Duque de em 1923, começaria a funcionar a Faculdade de Farmá- Caxias, por volta de 1916, sob o lema cia e Odontologia. No dia 6 de no- “doe uma gota de leite ao bebê cuja vembro de 1921, às três horas da tar- mãe não pode aleitar”. Essa idéia de, reuniam-se no Teatro Polithema evolui para a construção de uma (atual Cine Veneza), os homens mais maternidade. A história da Maternidade Gota importantes da cidade para discutir projeto de estatutos. Por aclamação de Leite de Araraquara é toda perfoi escolhida a primeira diretoria, meada por frequentes períodos de comandada pelo capitão Antônio sérias dificuldades financeiras, sem Lourenço Corrêa, tendo por diretor os recursos mínimos para o funcioclínico o médico dr. Francisco Pedro namento no dia seguinte. Seus dirigentes resolviam parte das questões Monteiro da Silva. Apenas em 25 de setembro de empenhando sua palavra em dívi1922, novamente seria realizada das assumidas. (...) Tanto é assim, uma reunião para o lançamento da que em 1939, o ato 24, do prefeito pedra fundamental da Gota de Lei- Antenor Borba, autorizava o munite. Presentes estavam 600 crianças cípio a receber o passivo da Gota, do catecismo, acompanhadas de pa- com todos os bens. No decurso das duas últimas dédres redentoristas. E um grande núAno 18 | n.65 | Dezembro de 2016

Esta seção publica trechos selecionados da obra “A História da Medicina e dos Médicos de Araraquara”, de

Rodolpho Telarolli

cadas do século 20 é impossível falar na Maternidade Gota de Leite de Araraquara, sem que ocorra o nome do médico Eduardo Lauand, araraquarense, que atua na profissão desde 1957. Nascido em 1928, fez seus estudos secundários na cidade e ingressou na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Distrito Federal. Iniciou suas atividades médicas em Araraquara atuando ao lado do experiente dr. Genaro Granata, com consultório na Clínica Esperança, esquina da Carlos Gomes, com Duque de Caxias, em frente a Gota de Leite. Sua atuação deu-se nos campos da cirurgia de carreira, de obstetra e de ginecologia. Por 36 anos, foi médico do quadro de funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem, o DER, atendendo os rodoviários e suas famílias. Lá, naquela repartição, que teve grande importância no desenvolvimento da malha rodoviária estadual, criou vínculos de amizade e é constantemente referido pelos funcionários de todos os níveis da repartição, como o “bom Dudu”, tal a atenção paternal que dispensava especialmente quando visitava a casa de humilde servidor. (Trecho da página 243) g 3


REPORTAGEM DE CAPA

‘É preciso atrair talentos para medicina de família e atendimento comunitário’ A falta de melhor perspectiva profissional e financeira e o sucateamento de postos de saúde estão entre os fatores que contribuem para que médicos e estudantes de medicina não se sintam tão atraídos pela especialidade, de importância fundamental para a qualidade do atendimento e da saúde pública. Ter um olhar sobre o paciente além da doença - uma afirmação que à primeira vista traz uma conotação filosófica, mas que de certa forma sinteza o papel da Medicina de Familia e Comunidade (MFC). Principalmente a partir de 1978, quando em meio às discussões da Organização Mundial da Saúde (OMS) para tentar atingir a igualdade e a universalidade no âmbito dos sistemas de saúde, a especialidade passou a ser considerada estratégica para que se chegasse a esse objetivo. Mas passados quase 40 anos, a busca por uma padronização do sistema com foco na atenção primária à saúde e que priorizasse o atendimento preventivo a classes menos favorecidas não apenas persiste, mas traz consigo novos desafios para a especialidade médica familiar. A área é complexa e envolve a prevenção, o diagnóstico e o tratemento de enfermidades físicas e biológicas cujas causas estão relacionadas, em grande parte, a distúrbios psicosociais latentes e específicos da sociedade contemporânnea. Eles incluem o estupro, a violência doméstica e a homofobia. Atualmente, essa área de atuação convive também com a escassez de profissionais que possam, através de um atendimento voltado para a família e comunidade, lidar com essa realidade. Há no país cerca 4.022 médicos de família e comunidade, de acordo com a pesquisa “Demografia Médi4

ca no Brasil”, publicada pela Univerpossa suprir as necessidades de residade de São Paulo (USP) em 2015. cursos humanos das 36 mil equipes Isso equivalente a 1,2 % do total de de saúde básica atuantes no país, semédicos especialistas atuantes no gundo dados do Ministério da SaúBrasil, número que, aliás, coloca a de. especialidade médica na 20ª posiNo interior do Estado de São ção do ranking de distribuição de Paulo, Araraquara apresenta uma médicos especialistas, entre as 53 condição um pouco mais confortáoficialmente recovel, principalmente nhecidas. Dentre as em relação à maioGestores de saúde seis especialidade ria das cidades de consideradas bá- ainda buscam colocar grande porte. As 28 sicas, a Medicina equipes de saúde em prática uma de Família e Coresponsáveis por política que reserva munidade aparece cobrir 42% dos 224 40% das vagas de à frente apenas da mil habitantes loMedicina Preventi- residência médica para cais contam com a va e Social. O ranatuação de 14 espea área de medicina de cialistas, enquanto king que traz em primeiro lugar a família e comunidade em Ribeirão Preto, Clínica Médica, sepor exemplo, há guida pela Pediatria, Cirurgia Geral um quadro com 16 profissioanais e Ginecologia e Obstetrícia. para uma população de aproximaEnquanto a especialidade em Clídamente 600 mil habitantes. nica Médica ganhou mais de 13 mil profissionais nos últimos três anos, Visão política saltando da quarta posição no ranSegundo o coordenador do Prograking, conforme estudo de 2013, para ma de Residência em Medicina de a primeira colocação, de acordo com Familia e Comunidade de Araraquaúltimo estudo a Medicina de Família ra, o médico Phelipe Calixto, a atene Comunidade que, em 2013 apreção primária à saúde de qualidade sentava 3253 médicos, atraiu apenas deve ser uma opção de governo. 760 novos especialistas desde então. “Esse cenário está muito bem desDiante desse cenário, ações gocrito em alguns países onde as vagas vernamentais e discussões entre para determinada especialização são autoridades e profissionais da área ofertadas de acordo com a necessitêm sido realizadas na tentativa de dade do país, como por exemplo aplicar ações que possam ampliar o no Canadá, Reino Unido ou França, quadro de especialistas para que se onde mais 40% dos médicos são esAno 18 | n.65 | Dezembro de 2016


Fotos: Arquivo Pessoal e André Lourenço

Os médicos Fábio Devito, que atua como médico de família e comunidade há 10 anos, Phelipe Calixto, coordenador do Programa de Residência em Medicina de Familia e Comunidade de Araraquara, e Cynthia Mauro Piratelli, coordenadora do curso de medicina da Universidade de Araraquara (UNIARA): desmotivação do futuro profissional da medicina pela especialidade começa no ensino.

pecialistas em família”, destaca. Ainda, de acordo com o coordenador, além da necessidade de se colocar em prática o que preconiza a Sociedade Brasileira de Medicina sobre a reserva de 40% das vagas da residência médica obrigatório e universal para a Medicina de Família e Comunidade, é importante tornar a especialização mais atraente, tanto no aspecto financeiro quanto na perspectiva profissional. “O médico tem que sentir que a medicina de família representa uma carreira e que há nos sistema de saúde um reconhecimento por parte do governo, condições de trabalho adequado, com a redução do número de famílias atendidas por médico, oferta de um ambiente de trabalho confortável e atraente ao profissional e ao paciente, uma maior discussão sobre a especialidade dentro da graduação, e a exposição da importância dessa especialidade médica por parte da mídia”, sintetiza Calixto. Para Cynthia Mauro Piratelli, coordenadora do curso de medicina da Universidade de Araraquara (Uniara), uma visão deturpada do estudante de medicina em relação à profissão tem contribuído para o desinteresse pela especialidade. “Embora o médico de família e comunidade seja aquele que carrega a profissão em sua essência, atuando como um importante elemento missionário e construtor na mudança de hábito de uma comunidade, a área Ano 18 | n.65 | Dezembro de 2016

médica tem se tornado mercantilimoveu a desvalorização, e consezada devido às várias subespecialiquentemente, a redução de médicos dades e superespecializações, o que generalistas que pudessem adminisacaba pulverizando o interesse do trar várias situações”. aluno para atuar na atenção básica”. O especialista destaca ainda a A coordenadora ressalta ainda que comparação com a forma de atendia desmotivação do futuro profissiomento médico oferecida pelo poder nal da medicina pela especialidade público em países da Europa como a tem sua origem também durante o Inglaterra, com um trabalho centraperíodo letivo, em que o aluno, ao se do no médico de família. Segundo deparar com um posto de saúde esele, esse modelo presenta indicadotruturalmente precário, não se sente res de saúde melhores do que os de atraído para atuar naquele cenário demuitos outros países também de pripois de formado. “Como incentivo, é meiro mundo e com investimentos importante transmisuperiores, mas nos tir ao aluno que a efiquais o atendimenOnde a medicina ciência das ações em to primário deixa a saúde depende prindesejar. comunitária é bem cipalmente da atenEntre os fatores desenvolvida, como ção primária, ou seja, que têm contribuíem alguns países da do para o baixo está presente no posto de saúde, no qual Europa, os indicadores interesse pela eso médico de família e pecialidade, Devito comunidade cumpre de saúde são melhores acrescenta a má imo papel de ser a porta do que em outros que pressão que o estude entrada dos grande medicina investem mais dinheiro dante des casos”, completa. tem sobre o amMédico de famíbiente de trabalho lia e comunidade há 10 anos, Fábio durante seu estágio, e o preconceito Fernandes de Almeida Dantas Deainda existente sobre o médico de favito acredita que o baixo número de mília e comunidade. “Grande parte especialistas atuantes no país nesse da sociedade e, principalmente, alsegmento da medicina é, em grande gumas escolas médicas, ainda enxerparte, resultado da implantação de gam o médico de família como um uma cópia do modelo norte-ameagente de postinho, ou seja, aquele ricano. “No início do século XX, as profissional de baixa qualidade técescolas médicas dos Estados Unidos nica, e que não teve oportunidade passaram a investir na formação de para se aprofundar em alguma espemédicos especialistas, ação que procialidade mais sólida”, conclui.g 5


FORA DO CONSULTÓRIO

A paixão de um ortopedista pela fazenda e pelos cavalos Entre os compromissos profissionais, o ortopedista Dalmyr Semeghini Júnior dedica não apenas um tempo para cuidar de uma herança familiar, mas também para desfrutar momentos com uma suas maiores paixões: os cavalos.

Fotos: Arquivo Pessoal

Uma paixão cultivada em solo faprodução bovina do país até 1973, miliar. Talvez essa seja a explicação ano em que foi novamente colocada para a atração que o médico ortoà venda. Dalmyr Osmar Semeghini, pedista Dalmyr Osmar Semeghini para concretizar os sonhos de seu pai, Júnior tem em relação aos cavalos – reconquistou o berço de sua família uma história que teve início há mais com enormes dificuldades, dando de 80 anos, na Fazenda Santa Maria, início a um trabalho com foco no propriedade adquirida por seu bisagado de corte e na criação de cavalos vô Theodosio Semeghini em 1928 e mangalarga, que seriam utilizados nomeada em homenagem à mãe do na lida com o gado. Essa criação se proprietário. estendeu até 1993, quando entra em Essas antigas terras cafeeiras cena o ortopedista Dalmyr Júnior, da guardam memórias de luta e supequarta geração Semeghini. “Demos ração. Como em 1929, quando, em início à criação de cavalos de raça meio à chamada “Crise do Café”, quarto de milha com foco nos espora fazenda foi preservada com o estes equestres, além de matrizes que, forço de Theodosio para honrar dí- Família já está na quinta em conjunto com alguns garanhões vidas da produção. Era um homem vindos dos EUA, tornaram possível geração que escreveu vigoroso, que faleceu ainda jovem, dar origem a animais de excelência. sua história há mais de Isso tornou nossa fazenda um forneem 1942. O evento resultou na partilha dos bens entre os dez filhos, cedor para todo o país”, diz. 80 anos nos campos da dentre eles Zeferino Semeghini, avô É uma conquista da qual o médico Fazenda Santa Maria, do médico que viria a se tornar um fala com orgulho e satisfação, e não aficcionado pelos cavalos. Embora apenas pelo contato com seus anionde médico cria gado agraciado com outras propriedades, mais preferidos, entre uma consulta e cavalos de raça Zeferino foi tomado por uma proe outra “Graças às lutas e aventuras funda tristeza por não ter herdado a que começaram com meu bisavô, enFazenda Santa Maria, que fora cenário de acontecimenfrentadas também por meu avô e pai, hoje posso catos marcantes ao longo de sua vida. valgar sobre terras que preservam as raízes de minha Em 1962, a fazenda sairia das mãos da família Sefamília. Afinal, já são cinco gerações que escrevem sua meghini para se tornar um dos maiores centros de rehistória nos campos de Santa Maria”, destaca Dalmyr. g

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Dia do Médico Aproximadamente 120 pessoas, entre profissionais, familiares e amigos, marcaram presença no almoço especial em comemoração pelo Dia do Médico, realizado na sede de campo da APM Araraquara, no dia 15 de outubro. Além da presença de uma equipe de recreação infantil que fez a festa das crianças presentes, o evento contou com os arranjos criativos da Banda Flor de Abóbora, contagiando o público adulto com clássicos da música popular brasileira.

ATENDIMENTO

IAMSPE

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SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA (SND) COZINHA

NUTRIÇÃO

CLÍNICAS

Dr. Edson Luiz Rosalino Diretor Técnico HSP

CRM-SP 45677

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LACTÁRIO

PRODUÇÃO

Dr. Silvio Garcia Cardoso

Responsável Técnico Unimed

CRM-SP 22169

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ENTREVISTA

ESTELA MAURA CIRINO CATTELANI

Médica infectologista do Centro de Testagem e Aconselhamento de Araraquara (CTA) e do Serviço Especial de Saúde de Araraquara (SESA) A Organização Mundial de Saúde aponta um avanço da AIDS no Brasil, de 700 mil para 830 mil doentes entre 2010 e 2015. Qual o cenário em Araraquara? Os números podem ser considerados preocupantes? A AIDS em Araraquara segue a tendência mundial. Desde a descoberta do vírus não houve impacto sobre a sua transmissão. Campanhas sobre a forma de contaminação, distribuição de preservativos e campanhas educacionais não foram capazes de diminuir a propagação da doença no Brasil e no mundo. Nos últimos anos, a descoberta de que com a redução da carga viral para níveis indetectáveis acarretaria na redução da transmissão do vírus através de relações sexuais trouxe um novo alento quanto ao aumento do número de casos da doença. Em Araraquara, de 1988 a 2010, tivemos 1462 casos notificados, enquanto de 2011 a 2016, tivemos 2202 casos, o que não extrapola a tendência do país.

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Houve mudança de perfil do

Cidade teve 1.462 casos de 1988 a 2010 e, desde então, 2.202 novos casos, com prevalência de 3 homens infectados para cada 2 mulheres público infectado na cidade? A faixa etária mais prevalente ainda é a de 30 a 39 anos de idade. Apesar da tendência do crescimento no país de casos em jovens na faixa dos 14 aos 24 anos, ainda não vemos esta realidade evidente em nossa cidade. Com prevalência para o sexo masculino, temos em Araraquara, em termos comparativos, 3 homens para cada 2 mulheres. Como a AIDS tem sido tratada pelo Ministério da Saúde? O ministério da saúde pretende aumentar o número de diagnóstico de portadores do HIV. A estratégia é facilitar o acesso dos pacientes ao exame, e obter o resultado em poucos minutos através

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Infectologista comenta os números da AIDS na cidade

dos testes rápidos por meio da gota de sangue ou fluído oral (saliva), realizados em centros de testagem e rede básica de saúde, e em breve nas farmácias por meio da saliva. O diagnóstico precoce levaria ao tratamento antecipado que, além de melhorar e ampliar a expectativa de vida destes pacientes, diminuiria a transmissão do vírus a partir do momento em que a carga viral sanguínea estaria indetectável. Que tipo de ação é desenvolvida em Araraquara para prevenção e apoio às pessoas com a doença? A estrutura atende a realidade da cidade? Em Araraquara temos o centro de testagem que desenvolve ações de testagem in loco e extra muro, quando possível, além do treinamento de outros profissionais para realizarem testes em serviços de saúde distintos.

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Há alguma meta determinada pela OMS para os próximos anos quanto à doença? A OMS determinou uma meta mundial para 2020,

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denominada 90-90-90. Isso significa que até o ano de referência, 90% dos pacientes portadores do vírus estejam diagnosticados, destes 90% estejam em tratamento com antiretrovirais, e destes, 90% estejam com carga viral abaixo do nível de detecção no sangue. Com isso, espera-se um impacto na redução da transmissão do HIV, além de estratégias como a PEP (profilaxia pós exposição sexual), que pode ser feita após exposições sexuais de risco e a PREEP (profilaxia pre exposição sexual), que ainda não está disponível no Brasil.

Houve avanço em termos de pesquisas sobre a cura, tratamento ou prevenção da AIDS? Hoje estão em andamento várias pesquisas promissoras que visam a cura da AIDS, porém as mais avançadas, pendem para a cura funcional, ou seja, sem a eliminação total do vírus do organismo, mas com a eliminação da doença. Vacinas também estão em testes porém nada em fase de comercialização. g

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ESPECIALIZAÇÃO

Casa do Médico promove cursos de saúde O Instituto Nacional de Estudos em Saúde (INES), em parceria com a Universidade Cruzeiro do Sul, está com inscrições abertas para cursos de especialização em saúde. As aulas terão início a partir de fevereiro de 2017 e serão ministradas (1 ou 2 vezes por mês) no campi Araraquara, localizado na Casa do Médico, sede social da Associação Paulista de Medicina (APM). Dentre os curso ofertados estão: Módulo Básico, Enfermagem em Emergências e cuidades Intensivos, Enfermagem Obstétrica, Enfermagem Oncológica, Enfermagem em Nefrologia, Auditoria dos Serviços de Saúde, Gerontologia Social, Saúde Coletiva e Saúde da Família, Enfermagem do Trabalho, Vigilância Sanitária e Epidemiológica, MBA de Gestão Hospitalar e Serviços de Saúde, MBA de Gestão de Qualidade em Serviços de Saúde, Saúde Pública e Gestão de Serviços de Enfermagem, Gestão e Auditoria dos Serviços de Enfermagem, Pedagogia para Docência em Educação Profis-

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FINALIDADES DO INES INICIATIVAS para a melhoria das condições de saúde no país e no exterior. CURSOS de diferentes níveis na área da saúde, na modalidade convencional ou de ensino a distância. CONGRESSOS, cursos, simpósios, seminários, encontros e reuniões. SERVIÇOS erviços técnico-científicos, de consultoria e assessoria, desenvolvimento de projetos e treinamento de recursos humanos. DIVULGAÇÃO de trabalhos técnico-científicos e culturais, por publicações especializadas.

sional na Saúde. O Investimento é de 18 parcela de R$ 470,00, com desconto de R$ 30,00 para pagamento com vencimento para o dia 15 de cada mês. Além da

isenção da taxa de inscrição e dispensa do módulo básico, ex-aluno terá 20% de desconto nas mensalidades pagas até o vencimento. Caso haja interesse no fechamento de um termo de convênio com o Hospital, será concedido um desconto especial para todos os alunos. As inscrições podem ser feitas na secretaria da APM - Secção Araraquara, localizada na Rua Voluntários da Pátria, 1478, no Centro. Mais informações pelo telefone (16) 3322-3698, ou pelo email: apmaqa@uol.com.br. Sobre o INES Fundado em junho de 2001, o Instituto Nacional de Estudos em Saúde – INES representou o anseio de um grupo de docentes, especialistas e pesquisadores unidos, há mais de 20 anos, para um objetivo comum: o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão com vistas ao desenvolvimento interdisciplinar e holístico na área da saúde. g

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CONHECIMENTO

Psiquiatria em marcha lenta Rafael Teubner da Silva Monteiro

No início da primeira década deste século, uma nova concepção passou a entender a Medicina como dividida em três grandes dimensões: Clínica, Cirurgia e Psiquiatria. Teria sido um ganho de status se os progressos dentro da Medicina da Alma houvessem acompanhado as demais. É penoso admitir que a Psiquiatria esteja andando a passos lentos. Em parte contribui para isso a não reedição da CID-10, aguardada para o ano 2000, somando, portanto, dezesseis anos de atraso. Isso, contudo, não impediu que muitas áreas, nas demais dimensões, prosperassem de modo vertiginoso. A assim chamada “Década do Cérebro” (1990-2000) pelo Pres. Bush perante o Congresso norteamericano, para justificar investimentos maciços em pesquisas na área, permitiu um incremento ímpar nas Neurociências, incluindo uma melhor compreensão do estrutural, do fisiológico e do patológico, além de métodos diagnósticos mais acurados, incluindo o estabelecimento de marcadores biológicos, e uma base mais racional para o advento de novas terapêuticas. Porém, tudo isso vem creditado às Neurociências e não à Psiquiatria diretamente, ainda que essa possa haver-se beneficiado daquele valioso aporte. A metodologia não é familiar aos investigadores, de nascença, da alma. Sempre merecedora de certo viés, a Psiquiatria nunca viu o seu nome dito com ênfase e ufania. Parece ter havido uma preferência de médicos e de leigos por “Saúde Mental”, para evitar confrontação com a “loucura”. Mas essa crise no seu pragmatismo não pertence ao último quarto de século. Anteriormente já houvera a falência da Psicanálise, método oneroso, para não dizer elitista, e moroso – os terapeutas dessa modalidade admitiram, há décadas, que a Psicanálise (e demais correntes psicodinâmicas) não cura, apenas propicia um melhor autoconhecimento. E isso nos parece pouco ante o sofrimento – não convence. Em contrapartida, notadamente os psicólogos desenvolveram a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) como uma ferramenta dita mais eficaz, posto que mais focada em um problema-alvo; críticos dessa crença 12

O autor é psiquiatra, com atuação em clínica particular e na rede pública por mais de 30 anos, e psicoterapeuta na abordagem Junguiana.

Após décadas de prestígio crescente, a psiquiatria enfrenta uma virada por pouco ter oferecido de novo. A Mente-Alma-Princesa retoma o seu sono em seu castelo. argumentam que a TCC é apenas mais estruturada em moldes de pesquisa, ou seja, se presta a ser quantificada, razão da maior demanda a ela, principalmente em trabalhos comparativos. Para ser sucinto, no último quarto de século os congressos de Psiquiatria ao largo do mundo todo têm sido pautado pela mesmice. Claro, os títulos do tema oficial, das conferências, das mesas-redondas, dos cursos, são pomposos, mas, infelizmente, à saída, a sensação é de “diga-me algo que eu ainda não saiba”. Olhemos três desafios atinentes, naturalmente cabíveis nesse tão longo período de vinte e seis anos: 1) Diagnóstico – nada que fosse revolucionário. Porém, foi possível fazer migrar o acontecer psiquiátrico dos moldes do categórico para os do dimensional (gama ou espectro – p.ex.: espectros bipolar e esquizofrênico). 2) Tratamento – muito pouca coisa.

Quando entrou 1990, os antidepressivos inibidores seletivos de recaptação das aminas biológicas envolvidas na depressão já haviam sido postos em utilização clínica comercial – uma subcategoria, os duais, ganhou prestígio, mas nunca uma presença incisiva. O maior ganho, no meu entender, se deu por conta do consenso de uso dos neuromoduladores, outrora ditos estabilizadores do humor (muitos deles da família dos anticonvulsivantes). Entre os antipsicóticos, os atípicos tiveram credibilidade e indicação crescentes, mas não caberia chamá-los de “novos” (p. ex., a clozapina foi disponibilizada comercialmente a partir de 1972). Por sua vez, os benzodiazepínicos seguiram reinando como drogas largamente preferidas como ansiolíticos, mas sem novidades – o último BZD lançado no Brasil, o cloxazolam, aqui chegou em 1990, embora haja trabalhos acerca dele datados de 1980. Tentativas como estimulação magnética do cérebro estão tardando em ser reconhecidas como patentes, o que leva à suspeita de pouca ou nenhuma eficiência da técnica. 3) Programas públicos de Saúde – o Brasil seguiu particularmente tendências italianas, no sentido de restringir internações (note-se a Lei da Reforma Psiquiátrica, de 2001, dita “Lei Paulo Delgado”), sem oferecer alternativas sustentáveis e eficazes. Se de um lado houve humanização, por outro houve embaraçamento em casos emergenciais ou de gravidade. Contudo, entre nós, o SUS conta em seu favor uma série de acertos na abrangência da assistência psiquiátrica, levada à rede básica, e com a implantação de equipes multidisciplinares. Enfim, após décadas de prestígio crescente, a Psiquiatria enfrenta uma virada, a partir de 1990, por pouco ter oferecido de novo e de revolucionário. A Mente-Alma-Princesa retoma o seu sono em seu castelo, no emaranhado da floresta. g Ano 18 | n.65 | Dezembro de 2016


PROFISSÃO

Romantismo da medicina Henrique Carrascossi

Ser médico, nos últimos anos, está cada vez em maior evidência. Estamos na mídia! Quem nunca ouviu alguma pessoa relatando um fato e culpando um médico por alguma falha que prejudicou um paciente? Muitas vezes, com razão da acusação. Mas elogios são raros. A jornada para se tornar médico se inicia ainda no colégio, quando por algum motivo começamos a pensar em um dia seguir essa profissão. Com certeza, essa decisão requer responsabilidade e maturidade de um adolescente de 15 anos. Dedicação e estudo é a fórmula para encarar o temido e concorrido vestibular para medicina. São horas e muitos dias de estudo que requerem abdicar de uma fase da vida repleta de descobertas, amizades e irresponsabilidades que nessa época são esperadas. Mas valeu a pena! Ser aprovado no vestibular com 18 anos de idade não tem preço, a falsa sensação de dever cumprido é inexplicável. Iniciamos e finalizamos o curso de medicina em 6 anos, com certeza os melhores anos da nossa vida. São formados em torno de 20 mil novos médicos todos os anos em aproximadamente 260 escolas médicas no país. Muito estudo, amigos para a vida toda, frustrações, alegrias, festas e o inesperado choque de realidade no final do curso! Aquela imagem romântica de ser médico começa a ser borrada. Decidir qual será sua especialidade, a concorrência cruel e um novo vestibular que achávamos que nunca mais iríamos enfrentar. Formatura? Ahhh, a formatura é inesquecível

Ano 18 | n.65 | Dezembro de 2016

O autor é médico especialista em doenças dos rins, hipertensão arterial, diálise peritoneal, hemodiálise e cólica renal.

Dedicação e estudo é a fórmula para encarar o concorrido vestibular para medicina. São 20 mil novos médicos todos os anos, formados em 260 escolas médicas no país. Mas ser médico é muito mais que uma profissão: é doação, é inspiração, é superação, é amor à vida.

– momento único na vida de qualquer pessoa. Apenas 40% dos médicos vão pra residência médica, período de enfrentamento da realidade da saúde pública no Brasil – muito trabalho e aprendizado com remuneração praticamente fictícia. Contamos os minutos para começar e acabar esse período. Acabada a especialização, ou não, fazemos o que 45% dos médicos brasileiros fazem, que são os plantões de 12, 24, 36, 48, ou mais horas seguidas de trabalho. Plantões muitas vezes em locais sem qualquer estrutura mínima e digna de trabalho. Trabalhar no serviço público de saúde exclusivamente, com estabilidade e dignidade, é apenas para 20% dos médicos. Não temos um plano de carreira e uma remuneração digna que nos dê a chance de ter apenas um vínculo empregatício. Aliás, 50% dos médicos têm mais de 3 vínculos de trabalho, 75% trabalham mais de 40 horas semanais, e 45% ganham menos de 12 salários mínimos por mês. Triste realidade. Mas porque ninguém me avisou isso quando eu tinha 15 anos! Com certeza, se eu soubesse de tudo isso, não mudaria em nada, pois ser médico é muito mais que uma profissão: é doação, é inspiração, é superação, é amor pela vida. g

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EVENTO CULTURAL

‘Cinema, conversa e psicanálise’ encerra temporada 2016 O auditório da Casa do Médico, sede social da APM, foi palco, mais uma vez, do projeto “Cinema, Conversa e Psicanálise”, realizado em parceria com o Grupo de Estudos e Psicanálise de Araraquara (GREPA). Com comentários do psiquiatra e psicoterapeuta Rafael Teubner da Silva (no centro da foto abaixo, à esquerda), o filme “Beleza Americana” foi a atração do mês de outubro. Em novembro foi a vez da obra “Ciúme - o inferno do amor possessivo”, com a análise da convidada Ana Rita Nuti Pontes (no centro da foto abaixo, à direita), analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), membro do Comitê de Extensão para a Comunidade (IPA) e coordenadora da COmissão de Convidados Estrangeiros da SBPRP.

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RECEITA MÉDICA

Trufas, uma iguaria de aroma e sabor CHICO OLIVI, chef de cozinha e sommelier

Nesta edição da Receita Médica vamos falar a respeito de uma iguaria de aromas e sabores intensos e muito diferenciados: as trufas, como são chamadas popularmente no Brasil. Trata-se de uma espécie de fungo, da família dos Tuber. Proveniente de esporos encontrados na natureza que nascem em torno de algumas espécies de árvores das florestas europeias, elas brotam nas pontas de suas raízes a cerca de 20 a 40 cm abaixo da terra. Há indícios que mostram que são caçadas e consumidas pelos homens a cerca de três mil anos, provavelmente pelos etruscos, no Norte da Itália e Sul da França e também durante o Império Romano, onde eram consumidas como um alimento afrodisíaco, além de outras qualidades. Mas existem relatos na história em que faraós as ofereciam em seus banquetes reais, assim como os beduínos, as tribos do Kalahari e os aborígenes australianos. Durante muito tempo os homens contaram com a ajuda de porcos para

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encontrar as trufas, devido seu olfato aguçado. Mas encontravam problemas em não deixar os animais se alimentarem delas, porque para eles era um petisco irrecusável. Hoje, cães são treinados e tomam o lugar dos porcos, eliminando este risco.

Diz a história que, ao notarem que algumas espécies de roedores utilizavam as trufas como alimento, nós, humanos, a descobrimos e criamos interesse neste alimento para o uso em nossa culinária. As espécies de trufas podem variar, assim como suas cores. Algumas delas, devido sua raridade, podem chegar a custar mais que três mil euros o quilo, como as trufas brancas, por exemplo. Feiras e leilões são realizados do início de outubro até o final de novembro, para comemorar a temporada das trufas em cidades como Turim, Milão, Bolonha e Alba na Itália, como também em Périgord na França, entre outras. Há vários pratos típicos feitos para apreciar as trufas e aproveitar melhor os aromas e sabores particulares desta iguaria tão peculiar, como a polenta mole, a massa fresca e o ovo caipira, o meu preferido. g

Saiba mais sobre trufas pela internet. http://tuber.it/ http://goo.gl/tGwyOG

Dr. José Barbieri Jr.

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Revista Casa do Médico (Dezembro 2016)  

Publicação trimestral da Associação Paulista de Medicina (APM) - Secção Araraquara

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