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Copyright © Lia Zatz Ilustrações Inácio Zatz Capa, Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica Casa Rex Revisão Mariana Mininel de Almeida Coordenação Editorial Editora Biruta 3ª edição – 2010

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Zatz, Lia Dona Magnólia Roxa / texto e concepção Lia Zatz : ilustração Inácio Zatz. -- São Paulo : Biruta, 2004. ISBN : 978-85-88159-33-4 1. Literatura infanto-juvenil I. Zatz, Inácio. II. Título. 04-1218

CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura infantil 028.5 2. Literatura infanto-juvenil 028.5 Edição em conformidade com o acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todos os direitos desta edição reservados à Editora Biruta Ltda. Rua Coronel José Euzébio, 95, Vila Casa 100-5 Higienópolis – CEP: 01239-030 São Paulo – SP Brasil Tel (011) 3214-2428 Fax (011) 3258-0778 E-mail: biruta@editorabiruta.com.br Site: www.editorabiruta.com.br

A reprodução de qualquer parte desta obra é ilegal e configura uma apropriação indevida dos direitos intelectuais e patrimoniais do autor.


A mulher ficou parada um tempo, olhando, com um olhar, assim, de futuro, pro garoto que estava acordando. Ele abriu um olho só, ainda sonado, vermelho e meio inchado. Sorriu, sentou e sacudiu o cabelo desgrenhado. Ela perguntou: — Tudo bem? Ele balançou a cabeça confirmando e falou: — Tô com fome. A mulher estava toda bem vestida e arrumada, devia ter um compromisso importante, ou não. Dava para ver que ela estava apressada, que queria e não queria dar bola pro menino. Olhou o relógio, tirou um dinheiro da bolsa, deu pra ele, sorriu um sorriso meio sem jeito e, já se afastando, falou: — Vai, vai comer alguma coisa bem gostosa.


Puxa, como é duro o dia de uma criança! Gente grande pensa que é fácil, que é só brincar e brincar. E comer e dormir. Mas e inventar brincadeira nova toda hora? E ter que aguentar adulto estragando tudo o tempo todo? Ah, não é moleza, não. Cansa. E os dois cansaram. O jeito era comer pipoca na frente da televisão. Viram três desenhos e 423 comerciais, o fim de um filme de caubói e 625 comerciais, cinco sorteios e 997 comerciais, uma novela mexicana e mais 1.236 comerciais. O menino dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou que era goleiro da seleção. Acordou pulando e convidando o amigo.


— Quer jogar futebol? — Quero. Onde? — Lá no campo da pracinha. — Só nós dois? É sem-graça. — Sempre tem mais moleque lá. — Com aqueles moleques eu não quero jogar — Por que? — São diferentes, sei lá, olham a gente atravessado. — Mas jogam bem — A gente também joga. — Então? — Vam’bora!


— Quer jogar futebol? — Quero. Onde? — Lá no campo da pracinha. — Só nós dois? É sem-graça. — Sempre tem mais moleque lá. — Com aqueles moleques eu não quero jogar. — Por quê? — São diferentes, sei lá, olham a gente atravessado. — Mas jogam bem. — A gente também joga. — Então? — Vam’bora!


Puxa, como é duro o dia de uma criança! Gente grande pensa que é fácil, que é só brincar e brincar. E comer e dormir. Mas e inventar brincadeira nova toda hora? E ter que aguentar adulto estragando tudo o tempo todo? Ah, não é moleza, não. Cansa. E os dois cansaram. O jeito era comer pipoca na frente da televisão. Viram três desenhos e 423 comerciais, o fim de um filme de caubói e 625 comerciais, cinco sorteios e 997 comerciais, uma novela mexicana e mais 1.236 comerciais. O menino dormiu. Dormiu e sonhou. Sonhou que era goleiro da seleção. Acordou pulando e convidando o amigo.


Aos Jovens Leitores Vocês estão recebendo um livro que apresenta características diferentes de outros que já leram. No livro Tô com Fome há duas histórias diferentes. Isto mesmo. São histórias sobre um menino rico e um menino pobre. Bem, e daí, devem estar pensando, qual é a novidade? Para que entendam melhor, vamos falar dos textos e do enredo das histórias. São iguaizinhos! Imagino, leitores, que agora vocês estarão pensando: “puxa, que conversa maluca, se os textos são iguais como é que as histórias são duas e diferentes?... como a história de um menino pobre pode ser igual à de um menino rico?” Posso lhes dar uma “dica” para ver se decifram o mistério de escrever igual e ler diferente. As histórias dos dois meninos são diferentes, mas o que eles vivem é muito semelhante porque ambos são crianças. A semelhança está nos interesses, no gosto pelas brincadeiras, no desejo de fazer amigos e de ser amado. A diferença está no modo como vivem, na origem social da família e nos caminhos que podem percorrer. Agora, abram o livro com atenção e reparem bem nas ilustrações. Aí vocês vão perceber como um dia na vida de cada um deles pode ser tão semelhante e tão diferente. Espero que se emocionem com as descobertas e pensem no prazer em conhecer o que sentem e querem outras crianças e jovens diferentes de vocês.



Tô com fome