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ORIVALDO PRATTIS

Editora Betel Rio de Janeiro 2015


© 2015 Editora Betel Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, sob quaisquer meios (eletrônico, fotográfico e outros) sem prévia autorização. O conteúdo original da obra é de total e exclusiva responsabilidade do autor.

Sobre o livro Editoração de texto, editoração eletrônica e capa: Alt3 Editorial Categoria: Escatologia ISBN: 978-85-8244-025-4

Editora Betel Rua Carvalho de Souza, 20 - Madureira 21350-180, Rio de Janeiro, RJ Telefone: +55 21 3575-8900 E-mail: comercial@editorabetel.com.br Site: www.editorabetel.com.br f EditoraBetel


SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO9 CAPÍTULO 1

AS QUESTÕES DA ESCATOLOGIA BÍBLICA A escatologia de hoje e seus extremos Como o estudante pode entender a Escatologia? Métodos de interpretação das Escrituras

11 11 13 14

CAPÍTULO 2

A MORTE E SEUS ENIGMAS O purgatório O sono da alma A ressurreição O inferno

17 19 19 21 22

CAPÍTULO 3

SINAIS DA VINDA DE JESUS CRISTO Sinais gerais da vinda de Jesus Sinais específicos da vinda de Jesus Um paralelo da trombeta de Deus no Antigo e no Novo Testamento

25 25 28 33

CAPÍTULO 4

A SEGUNDA VINDA DE JESUS Primeira fase: o arrebatamento da Igreja Segunda fase: a aparição de Jesus em Glória e poder A diferença entre as duas fases da segunda vinda de Jesus

37 37 41 42


CAPÍTULO 5

O TRIBUNAL DE CRISTO O caráter das obras Tudo será revelado no Tribunal de Cristo A provação das obras pelo fogo O galardão

45 46 46 47 48

CAPÍTULO 6

AS BODAS DO CORDEIRO Hora de grande júbilo Uma analogia das Bodas do Cordeiro

53 53 54

CAPÍTULO 7

A TRIBULAÇÃO Um tempo de fúria de Satanás A Grande Tribulação O que detém a aparição do Anticristo A salvação durante a Tribulação

57 57 58 59 60

CAPÍTULO 8

OS JUÍZOS DA TRIBULAÇÃO

61

O julgamento dos selos O julgamento das trombetas O julgamento das taças

61 65 70

CAPÍTULO 9

A QUEDA DOS PODERES DAS TREVAS A grande Babilônia A batalha do Armagedom A destruição do Anticristo e do falso profeta A prisão de Satanás

73 73 74 76 76

CAPÍTULO 10

O MILÊNIO Uma análise dos sistemas teológicos Mil anos de paz O propósito do Reino Milenar

77 77 79 80


CAPÍTULO 11

O JUÍZO FINAL, O NOVO CÉU E A NOVA TERRA A abertura dos livros O maior julgamento da história O novo Céu e a nova Terra

83 84 85 86

CAPÍTULO 12

OS ANJOS A organização dos anjos O serviço dos anjos Os anjos em outras religiões

89 90 91 92

CAPÍTULO 13

OS INIMIGOS DA IGREJA Satanás existe? As ações do reino das trevas Qual a conexão entre os cristãos e os demônios? Protegidos para a batalha espiritual

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Índice de ilustrações

95 96 97 97 99

101 102


APRESENTAÇÃO

A Escatologia é o estudo das doutrinas bíblicas acerca dos últimos dias e do destino da humanidade e do mundo. É a consumação da obra da Trindade na criação, na redenção e no ato de fazer “novas todas as coisas” (Ap 21.5). Ela oferece recursos para edificar e dar respaldo à fé bíblica aos cristãos. Comete ledo engano aquele que pensa que a Escatologia é simplesmente uma parte da doutrina cristã. Na verdade, toda pregação e mensagem cristã, quando produzida sob a orientação do Espírito Santo e livre de fanatismos e influências de religiosidades vãs, traz em seu bojo uma orientação escatológica, essencial tanto à existência cristã quanto à totalidade da Igreja. Assim, a Escatologia é o princípio e o fim da fé cristã; é a esperança das promessas de Deus na reconciliação e julgamento da humanidade. A esse respeito escreveu Jürgen Moltmann (2005, p.30): O cristianismo é total e visceralmente escatologia, e não só como apêndice; ele é perspectiva, e tendência para frente. E, por isso mesmo, renovação, e transformação do presente, pois o escatológico não é algo que se adiciona ao cristianismo, mas simplesmente o meio em que se move a fé cristã, aquilo que dá o tom a tudo que há nele, as cores da aurora de um novo dia esperado que tinjam tudo que existe.

O aprendizado correto da Escatologia vem através do conhecimento progressivo da verdade, das regras e das leis imutáveis, estabelecidas pelo próprio Senhor para o dia, hora, local, e geração por Ele determinados. É fundamental que o estudante da Escatologia bíblica entenda que seu estudo não pode ser motivado pela especulação, mas pela esperança e pela fé nas promessas de Deus para Seu povo.


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Orivaldo Prattis

As Escrituras Sagradas dão segurança e autoridade aos discípulos de Jesus que desejam obter conhecimento nessa matéria. Ninguém pode, a seu bel-prazer, exercitar raciocínios especulativos que levem à doutrinas criadas e interpretadas isoladamente para apoiar teorias infundadas. Toda Escatologia ensinada só terá relevância escriturística quando se harmonizar plenamente com o conteúdo das páginas sagradas. Se isso não ocorre, decorre a teologia especulativa, da qual muitos se valem para chegar a lugar nenhum. (ZIBORDI, 2008, p. 486)

Amado leitor, este livro que chega em suas mãos não tem a pretensão de esgotar o assunto da Escatologia, pois é sabido que muitas são as perguntas, mas poucas são as respostas acerca do apocalipse, das profecias e dos sinais bíblicos acerca do fim dos tempos. Vivemos hoje uma revelação progressiva e o Senhor tem para cada geração uma maneira peculiar de Se revelar. Espero, ao longo deste livro, esclarecer algumas dúvidas que intrigam e assustam muitos cristãos, de forma que você, amado leitor, possa ter ao final uma noção geral acerca desta, que é conhecida como a “Doutrina dos Últimos Tempos”. Orivaldo Prattis


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C APÍT U LO

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AS QUESTÕES DA ESCATOLOGIA BÍBLICA

A palavra Escatologia vem do grego ”escatos” (εσχατος, “último”) e “logos” (λόγος, “estudo”), e é a parte da teologia que trata dos últimos eventos na história, as últimas coisas. Ela se refere ao propósito de Deus para toda a criação. É o estudo sistemático daquilo que a Bíblia nos revela acerca do nosso futuro, do futuro do mundo, da Igreja e da humanidade em geral. Não é da vontade do Senhor que a esperança da humanidade se perca por terem se esquecido dEle (Jó 8.13), então, através da Escatologia, as alegrias e perigos do futuro são ensinados. Longe de querer promover uma cultura do medo, ela tem a finalidade de promover esperança, consolo e de revelar a soberania de Deus para a humanidade, promovendo benefícios para todos; além, é claro, de trazer conversão (Mt 10.31, 32; At 17.30), santificação (2Pe 3.14; Mt 24.43) e esclarecimento (Jo 13.19) para a humanidade.

A ESCATOLOGIA DE HOJE E SEUS EXTREMOS O interesse pela Escatologia aumentou consideravelmente no século passado, a partir de eventos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Com o grande interesse pela matéria, surgiram dois extremos que devem ser evitados no estudo da Escatologia, o que Millard Erickson, teólogo de linha pré-tribulacionista, chama de escatofobia e escatomania. Também não devemos confundir a Escatologia com a futurologia, que apenas tenta prever o que pode acontecer no futuro através de uma abordagem científica sobre um assunto específico.

Escatofobia A escatofobia é o medo excessivo da Escatologia. Existe, por parte de alguns, certo pânico sobre as coisas futuras, ocasionando uma recusa em discutir o assunto e causando uma verdadeira aversão a qualquer forma


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Orivaldo Prattis

de estudo sobre a Escatologia. Essas pessoas opinam inclusive que não se deve nem olhar para o livro do Apocalipse. Em outros casos, a escatofobia é um reflexo da perplexidade e da dificuldade de aceitar ou estudar certos assuntos da Escatologia.

Escatomania Escatomania é a preocupação excessiva com a Escatologia. Homens e mulheres que vivem à procura de informações, visando provar suas elucubrações, sofrem de escatomania. Qualquer mudança climática é sinal de fim do mundo; se um presidente novo ou um personagem influente surge no cenário mundial, já cogitam a possibilidade de ser o Anticristo; qualquer ato de terrorismo é sinal de que o Armagedom está próximo de acontecer. Há editoras que se especializaram no tema, de forma que qualquer texto da Bíblia é usado para interpretação escatológica. Conta-se até que um pastor pregou durante vinte anos sobre o Apocalipse em sua igreja. Os cristãos não podem se prender a extremos, a vida de equilíbrio espiritual sempre será o melhor caminho. Em Mateus 6.34, Jesus disse a seus seguidores: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”. Profecia bíblica ou futurologia? É fundamental aprender que Escatologia bíblica não é futurologia. A principal diferença entre um e outro é que a futurologia leva em conta a tendência do presente para interpretar o futuro, enquanto a Escatologia bíblica anuncia o que Deus diz que irá fazer. A profecia bíblica apoia-se na onisciência e onipotência de Deus, que não precisa alterar Seus planos quando prediz algum futuro, diferentemente dos futurólogos, que alteram seus planos pela falta de conhecimento para prever tudo e a falta de poder para realizar o que foi planejado. Futurologia é a ciência que estuda o futuro. Os cenários e eventos da futurologia são definidos como possíveis, prováveis ou desejáveis. O trabalho do futurólogo não é prever o que vai acontecer, mas apontar o que pode acontecer, ajudando na tomada de decisões e no planejamento estratégico. Por exemplo: os sociólogos preveem como a globalização afetará os povos, os gestores de marketing preveem as próximas tendências de consumo, os historiadores encontram fatores de repetição da história e os demógrafos nos indicam que o crescimento da população tende a se


Escatologia: Uma visão panorâmica das profecias bíblicas

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estabilizar1. Não se pode, portanto, criar extremos desnecessários.

COMO O ESTUDANTE PODE ENTENDER A ESCATOLOGIA? O apóstolo Pedro disse, acertadamente, que a Palavra de Deus não é de particular interpretação (2Pe 1.20). Para interpretar com coerência e maior precisão, o estudante da Bíblia deve seguir corretamente os princípios básicos de interpretação. É preciso ter a Bíblia como a maior intérprete; manuseá-la com eficiência (2Tm 2.15); ter nascido de novo através da mensagem do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 3.16-20); e entender que Jesus é centro das Escrituras. É preciso depender do Espírito Santo acima de qualquer coisa, só assim será possível começar a assimilar as profecias bíblicas (Jo 14.26); Deus as revelou porque quer que sejamos edificados por elas, ainda que muitos tentem enganar e confundir o povo de Deus.

A Bíblia como m aior intérprete A Palavra de Deus deve ser a autoridade maior. Muitos erram por não aceitar a Bíblia Sagrada como a primeira e a última palavra sobre profecia (Ap 22.13). A Bíblia interpreta a si mesma, ela explica melhor os seus próprios textos e um escritor sempre cita outro (Mt 2.5, 6, 15, 17, 18, 23; 24.15; Lc 4.17-19; At 2.16-21; Rm 9.27, 29; 2Pe 3.15, 16); eles foram homens inspirados por Deus para escrever Seus decretos e Suas Palavras. Nascer de novo O estudante das Escrituras precisa saber que o cristianismo não é uma teoria, mas uma experiência de vida com Cristo (Jo 4.13, 14; 8.32, 36). Somente aqueles que experimentarem o novo nascimento (Jo 3.4-7) poderão entender as Escrituras de forma correta, pois a prioridade da Bíblia é mudança de vida, não o aumento de conhecimento (1Pe 2.23). O homem natural não interpretará as Escrituras corretamente por lhe faltar o essencial, o Espírito Santo, e os mistérios de Deus poderão ser encarados como 1   FUTUROLOGIA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Futurologia> Acesso em: 12 out 2013.


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loucura para ele (1Co 2.10-14).

Cristo, o principal assunto das profecias Quando João teve a primeira visão do céu ele viu um Cordeiro no meio do trono (Ap 5.6). Aliás, o Cordeiro é mencionado 29 vezes no Apocalipse2, mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. Por quê? Para mostrar que a vitória final sobre o mal está baseada na cruz, onde o Cordeiro de Deus venceu Seus inimigos e concedeu poder para que Sua Igreja também vença (Ap 5.12; 12.11; 17.14). Jesus também é mencionado como o espírito da profecia (Ap 19.10); é Ele quem está revelando os mistérios apocalípticos (Ap 1.1); e é considerado o Cristo eterno (Ap 22.13).

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS Além do auxílio incomparável do Espírito Santo, também é preciso conhecer um pouco sobre os métodos de interpretação utilizados para estudar as Escrituras. Ao longo da história da Igreja de Cristo, surgiram diversos métodos distintos de interpretação das Escrituras, como o método preterista, o histórico e o futurista. Vejamos:

Método preterista Segundo o método preterista, o livro do Apocalipse é apenas uma narrativa das perseguições sofridas pela Igreja Primitiva. Para eles, o Império Romano era a besta do capítulo treze e a classe sacerdotal asiática, que incentivava o culto a Roma, era o falso profeta. Os intérpretes desse método acreditam que naquele tempo a Igreja estava ameaçada de extinção e que João escreveu o livro do Apocalipse para encorajar e fortalecer a fé dos crentes, pois mesmo com a perseguição acirrada, o Senhor interviria, Jesus voltaria, Roma seria destruída e o reino de Deus seria completo. Portanto, para esse grupo de intérpretes, o livro do Apocalipse não possui profecias. Porém, obviamente, o Senhor ainda não voltou, Roma não foi derrubada (representada pelo poder da Igreja Católica) e o Reino de Deus não foi implantado. 2   Bíblia Sagrada versão Almeida Revista e Atualizada (ARA).


Escatologia: Uma visão panorâmica das profecias bíblicas  

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