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“O surgimento do movimento de aconselhamento bíblico é um dos mais úteis e promissores desenvolvimentos na história recente da igreja cristã. Esse movimento recolocou o aconselhamento de volta ao seu lugar, na igreja e nas Escrituras. Nesse novo e imensamente importante livro, alguns dos principais líderes no movimento do aconselhamento bíblico apresentam uma riqueza de sabedoria. Há muito que necessitávamos de um livro como esse.” - Dr. R. Albert Mohler Jr., presidente do Southern Baptist Theological Seminary

“Como pastor, estou constantemente à procura de algum tipo de material que me ajude a lidar com os cuidados de minha congregação. Aconselhamento bíblico cristocêntrico é um maravilhoso compêndio de sabedoria divina e um recurso vital para um pastor ocupado. Eu o recomendo fortemente.” - Alistair Begg, pastor sênior, Parkside Church, Chagrin Falls, Ohio

“Todos entre nós que procuram ajudar pessoas carentes e machucadas a encontrarem esperança em Cristo têm um grande débito de gratidão àqueles que contribuíram com este rico recurso. Ele tornará nossos conselhos mais biblicamente firmados e nos inspirará a crer que Cristo realmente pode transformar vidas!” - Nancy Leigh DeMoss, autora, apresentadora da Revive Our Hearts Radio, Niles, Michigan


“Há um crescente interesse por parte dos cristãos em usar a Palavra de Deus para resolver os sérios problemas da alma. E é evidente que a Bíblia é a autoridade final para todos os cristãos. Mas será que ela contém a sofisticação teológica necessária para lidar com esses problemas profundos da alma de uma maneira definitiva? Aconselhamento bíblico cristocêntrico responde a essa pergunta de uma maneira afirmativa e poderosa. Os leitores não se decepcionarão com os insights dados pelos autores, os quais estão entre os líderes em aconselhamento bíblico. A ênfase dada ao trazer o aconselhamento de volta à igreja local é especialmente revigorante, uma vez que este não tem sido o modelo usado pelos atuais psicoterapeutas seculares. Aqueles que têm uma visão elevada da Palavra de Deus encontrarão neste livro uma leitura inestimável.” -Dr. John D. Street, presidente, National Association of Nouthetic Counselors, presidente, MABC Graduate Program, The Master’s College and Seminary

"Esta obra de múltipla autoria representa um novo consenso que vem emergindo no aconselhamento bíblico. Solidamente baseada nas Escrituras e escrita para ajudar pessoas a experimentarem vitória sobre o pecado, tanto Cristo quanto seu evangelho são convincentemente oferecidos como o principal meio para a cura da alma. Os autores abordam os debates sobre os papeis da biologia e de relacionamentos interpessoais na causa e na cura dos problemas espirituais com nuance e um tom conciliador.” -Eric L. Johnson, Professor of Pastor Care, Southern Baptist Theological Seminary, Louisville, Kentucky


“Se você ama a Jesus e quer ser usado por ele para ajudar as pessoas através do ministério pessoal da Palavra, Aconselhamento bíblico cristocêntrico é um recurso absolutamente maravilhoso.” - Mark Driscoll, fundador e pastor da Mars Hill Church, fundador do Ministério Resurgence, cofundador de Atos 29

“Aconselhamento bíblico cristocêntrico é mais do que um livro sobre um assunto específico. Representa novas amizades que são formadas ao redor de uma visão comum de discipulado e aconselhamento permeada pela graça do evangelho, pela sabedoria das Escrituras e pela centralidade da igreja local. Esse é um novo desenvolvimento de nossa época, mas suas raízes podem ser vistas por toda a história da igreja. Esse livro capta uma cosmovisão. Mapeia verdades profundas que moldam o cuidado cristão. É um começo significativo e um lembrete de que temos muito trabalho a fazer até que todo o corpo de Cristo esteja cativado por essa visão comum.” - Dr. Tim S. Lane, Fundação de Fundação de Aconselhamento & Educação Cristãos, presidente e docente Autor de Como as Pessoas Mudam

“Aconselhamento bíblico cristocêntrico é acolhedor, pessoal, gentil, sempre pronto a ouvir e conhecer a pessoa, confiante no operar do Espírito através da Palavra de Cristo… O aconselhamento bíblico está em boas mãos enquanto avança para a próxima geração.” - Dr. Ed Welch, docente da Fundação de Aconselhamento & Educação Cristãos, autor de de Shame Interrupted


ACONSELHAMENTO

BÍBLICO CRISTOCÊNTRICO

James MacDonald Bob Kellemen e Steve Viars


Todas as citações bíblicas, a menos que indicadas de outra forma, foram tiradas da Bíblia Sagrada, versão João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada. Usada com permissão. Todos os direitos reservados. Versículos marcados com NVI foram tirados da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional. Usada com permissão. Todos os direitos reservados. Em quase todos os casos, os nomes das pessoas, bem como os detalhes das situações, foram alterados a fim de proteger sua privacidade. Em bem poucas exceções, a editora recebeu permissão para que seus nomes e histórias reais fossem usados.

CHRIST-CENTERED BIBLICAL COUNSELING Copyright © 2013 by Biblical Counseling Coalition Published by Harvest House Publishers Eugene, Oregon 97402 www.harvesthousepublishers.com Aconselhamento bíblico cristocêntrico Copyright © 2016 Editora Batista Regular www.editorabatistaregular.com.br TÍTULO ORIGINAL: Christ Centered Biblical Counseling TRADUÇÃO: Semíramis de Menezes Herszon PREPARAÇÃO: Geber Monteiro Coelho e Michelli Devecchi Rolim DIAGRAMAÇÃO: Carol Medeiros de Oliveira Simão REVISÃO: Thiago André Monteiro REVISÃO FINAL: Gabriele Greggersen CAPA: Haas Comunicação COLABORADOR: Fran Eduardo Rodrigues de Oliveira EDITOR: Mark A. Swerberg Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Vagner Rodolfo CRB-8/9410 M135a MacDonald, James Aconselhamento bíblico cristocêntrico / James MacDonald, Bob Kellemen, Stephen Viars; Editor: Mark A. Swedberg ; tradução de Semíramis de Menezes Herszon. — São Paulo : Batista Regular do Brasil, 2016. 576p.: il. ; 16cm x 23cm. Tradução de: Christ-Centered Biblical Counseling Inclui bibliografia, índice e apêndice. ISBN: 978-85-7414-057-5 1. Aconselhamento. 2. Jesus Cristo. 3. Bíblia. 4. Deus. I. Kellemen, Bob. II. Viars, Stephen. III. Swedberg, Mark A. IV. Herszon, Semíramis de Menezes. V. Título. 2016-125

CDD 240

CDU 23/28

Índice para catálogo sistemático: 1. Religião : Prática cristã 240 2. Religião : Cristianismo 23/28


Sumário

Prefácio Introdução

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Parte 1 - Uma teologia prática do aconselhamento bíblico 1. A glória de Deus: O alvo do aconselhamento bíblico 2. O poder do Redentor 3. O ministério do Espírito Santo 4. A unidade da Trindade 5. A grande narrativa da Bíblia 6. A suficiência das Escrituras 7. A anatomia espiritual da alma 8. As influências sobre o coração humano 9. O problema do pecado 10. A centralidade do evangelho 11. O evangelho em equilíbrio 12. A busca da santidade 13. As armas da nossa milícia 14. A esperança da eternidade

29 43 57 73 87 103 123 141 157 175 191 205 221 237

Parte 2 - Uma metodologia prática do aconselhamento bíblico 15. O ministério de aconselhamento bíblico da igreja local 16. A saúde da igreja e o aconselhamento bíblico 17. O ministério pessoal, privado e público da Palavra 18. O laço transformacional entre o ministério de pequeno grupo e aconselhamento bíblico 19. O objetivo e foco da formação espiritual 20. A importância do multiculturalismo no aconselhamento bíblico 21. A natureza do relacionamento de aconselhamento bíblico 22. Os elementos centrais do processo do aconselhamento bíblico 23. O diagnóstico e tratamento dos ídolos do coração 24. O poder da confissão e do arrependimento 25. O poder do perdão 26. O ministério do cuidado da alma para pessoas que sofrem 27. A compreensão bíblica e o tratamento das emoções 28. A complexa conexão mente/corpo

255 271 291 307

Conclusão Apêndice A Apêndice B Apêndice C Bibliografia de fontes citadas Índice remissivo Índice das Escrituras Índice dos autores Notas Finais

485 491 493 507 517 529 535 539 541

323 337 351 369 387 403 419 433 451 469


Prefácio

David Powlison Que tipo de livro você está pegando para ler? Aconselhamento bíblico cristocêntrico é como a escala modelo de 1:12 do arquiteto. Uma escala modelo pretende comunicar o “conceito” de uma estrutura, não as miríades de detalhes da engenharia, do processo de construção, do financiamento e demais coisas. Pense nesse livro como uma escala modelo do aconselhamento bíblico, delineando importantes fundamentos teológicos e esboçando implicações metodológicas essenciais. Há detalhes suficientes para lhe dar uma sensação de como a casa terminada parecerá. Mas fazer dessa casa o seu lar demandará trabalho e oração, mais estudos e conversas, colocar muito em prática, e uma vida inteira de amadurecimento juntos. Aconselhamento bíblico cristocêntrico pinta os amplos rumos do aconselhamento. Para os iniciantes, esses amplos rumos revolucionam os significados que nossa cultura dá à palavra aconselhamento. Esses capítulos não intencionam cobrir todos os problemas ou tópicos de aconselhamento — ou investigar problemas e tópicos específicos em grandes detalhes. Contudo, a discussão e os estudos de caso lhe darão uma sólida sensação de como a Palavra de Deus fala às vidas de pessoas atribuladas que encaram uma enorme quantidade de tribulações. Esse livro afirma que um bom conselheiro é muitas coisas simultaneamente: manso e firme; receptivo, mas resoluto; sincero e delicado; paciente, mas urgente; atencioso e instrutivo; profundo, mas prático; devoto


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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

e trabalhador; consolador, mas desafiador; empático e objetivo; flexível, mas compromissado; fiel a Jesus Cristo e relevante a qualquer pessoa que esteja passando por qualquer problema… juntamente com muitas outras qualidades boas e desejáveis. Embora os ingredientes de uma hábil conversa sejam difíceis de serem expressos no papel, o tom e o conteúdo do que você lerá lhe darão a sensação de como a sabedoria divina conduz uma conversa compassiva e construtiva. Esse livro não desvendará as diferentes maneiras pelas quais, digamos, Deuteronômio ou Rute, um salmo ou provérbio, uma cena em Lucas, ou uma sentença em Efésios se materializam nas lutas e labores da vida real. Mas você ganhará uma noção da total relevância e adaptabilidade da diversificada autorrevelação de Deus. O Verbo feito carne põe mundos de cabeça para baixo. O Cristo que chama todas as nações, tribos, línguas e povos também fala a cada indivíduo em suas mais profundas necessidades. Como parte da sua estratégia de leitura, aborde esse livro como uma escala modelo que pretende comunicar o conceito do aconselhamento bíblico. Todos nós que aconselhamos ou almejamos fazê-lo serviremos melhor o bem-estar de outros ao captarmos essa visão e, então, poderemos exercitar os inúmeros detalhes e implicações. Não é por acaso que esse é o trabalho de muitos colaboradores — uma rede, uma coalisão, uma comunidade de visão e missão compartilhadas. Estamos unidos na convicção de que a fé cristã fala fundamentalmente às questões do aconselhamento. Não somos clones, é claro. Vivemos e trabalhamos dentro de diferentes culturas e denominações eclesiásticas. Servimos em diferentes organizações, buscando diferentes objetivos ministeriais. Temos dons diferentes, pontos fortes e fracos diferentes. Mas uma unidade fundamental predomina. Você notará o quão consistentemente a base comum da fé cristã controla o discurso. Atente ao compromisso comum que faz com que diferentes cristãos trabalhem juntos. Enquanto lê, você notará que essas páginas representam um desenvolvimento do trabalho duro de uma geração anterior. Você ouvirá nos compromissos centrais uma continuidade essencial com o passado. Por exemplo:


Prefácio

• A realidade está centrada em Deus e todos os seres humanos são adoradores, quer estejam ou não conscientes dessa realidade e de suas implicações. • Deus nosso Pai, Cristo nosso Salvador, e o Espírito Santo nosso doador da vida estão propositalmente em cena e operam ativamente na vida das pessoas. • As Escrituras são completamente relevantes às coisas que preocupam, incomodam e afligem a humanidade. • O aconselhamento é um aspecto integral do ministério e da vida da igreja. Aconselhamento bíblico cristocêntrico apoia esses compromissos e outros mais. Então, ouça. Aprenda. Pondere. Espere que palavras bíblicas familiares, verdades, metáforas e passagens encontrem o aconselhamento e a vida através de um ângulo novo, gerando novas implicações. Depois, faça perguntas que levarão seu aprendizado adiante: Como posso entender e lidar com esse problema da vida ou essa realidade teológica com maior fidelidade e sabedoria? Como posso melhor conceituar e praticar esse aspecto de aconselhamento? Como posso me tornar mais fiel à crença e expressar os propósitos de Cristo? Finalmente, o propósito de uma escala modelo é construir algo real. Portanto, leia como se você também fizesse parte da equipe de construção. Como alguém que deseja aconselhar biblicamente, ajudar a construir uma estrutura adequada para o ministério de aconselhamento fiel dentro do corpo vivo de Cristo. Dê a si mesmo o trabalho de ler cuidadosamente para que sua reação a esse livro contribua para o projeto em andamento que Deus chama de “meu povo." Crescemos à imagem de Jesus Cristo ao falarmos a verdade em amor, e esse é o coração do modelo de aconselhamento e metodologia que vale a pena construir. David Powlison é graduado pela Harvard College e trabalhou quatro anos em hospitais psiquiátricos antes de ir para o seminário. Ele fez seu Mestrado em Divindade pelo Seminário Teológico de Westminster e começou uma

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carreira em aconselhamento bíblico. Ao longo do caminho, recebeu seu PhD pela Universidade da Pensilvânia em história da ciência e da medicina, com foco na história da psiquiatria. David tem estado no front do pensamento e da literatura sobre aconselhamento bíblico por mais de 30 anos. Escreveu inúmeros artigos sobre aconselhamento e sobre a relação entre fé e psicologia. Seus livros incluem Falando a verdade em amor, Uma nova visão, e The Biblical Counseling Movement: History and Context (O movimento do aconselhamento bíblico: história e contexto). David é editor-chefe do Journal of Biblical Counseling. É membro docente da Fundação Educacional de Aconselhamento Cristão (CCEF) em Glenside, Pensilvânia, e também serve como professor visitante no Seminário Teológico de Westminster.


Introdução

Só em Cristo Bob Kellemen e Steve Viars O que motivaria quarenta líderes evangélicos a tirarem um tempo de seus ministérios para escreverem um livro juntos? Que missão poderia unir tão grande número de líderes cristãos? A lista de coautores do Aconselhamento bíblico cristocêntrico é longa e variada. Alguns são pastores sêniors, enquanto outros são líderes de aconselhamento bíblico, cuidados da alma e ministérios de discipulado nas igrejas. Há aqueles que são relativamente jovens, enquanto outros têm mais de quarenta anos de experiência trabalhando com pessoas machucadas em nossas igrejas e comunidades. Somos homens e mulheres de etnias e culturas bastante diversas. Muitos de nossos membros são renomados autores, oradores mundialmente conhecidos e professores notáveis. Então, o que une esse grupo tão difersificado de homens e mulheres? Está preparado para uma surpresa? Não tem nada a ver com dinheiro. Nenhum dos contribuidores desse livro receberá um centavo. Eles sabiam desde o começo que toda a arrecadação desse projeto seria convertida para o ministério da Coalisão de Aconselhamento Bíblico. Essa informação muda a pergunta, não? Por que quarenta líderes evangélicos tirariam tempo para escrever um livro juntos e doariam toda a arrecadação para uma nova coalisão de homens e mulheres comprometidos a construir relacionamentos mais fortes e desenvolver recursos de ponta para o movimento de aconselhamento bíblico?


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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

A alegria e o poder da unidade Eis a resposta: porque queremos promover um crescimento espiritual autêntico entre o povo de Deus que seja baseado na graça e centrado no evangelho, relacionalmente e teologicamente forte, fundamentado na igreja local, e relevante à vida e ministério cotidianos. Embora trabalhemos em diferentes cenários ministeriais, estamos todos profundamente interessados no processo da santificação progressiva — o crescimento diário em Cristo. Estamos menos interessados no número de discípulos e mais interessados na qualidade do discipulado. Alguns de nós servimos na linha de frente das igrejas locais tentando desesperadamente ajudar pessoas em nossas congregações a se aproximarem do Redentor ao mesmo tempo que encaramos os desafios da vida real juntos. Outros em nossa equipe são professores e autores buscando moldar e orientar a próxima geração de líderes cristãos. Todos nós queremos fazer parte do desenvolvimento de recursos de ponta que abençoam aqueles que são humildes o suficiente para reconhecer sua necessidade de aconselhamento e equipar os que são apaixonados o bastante para aconselhar outros em tempos de necessidade. Cremos que essa tarefa é tão grande e vital que será melhor realizada como um grupo unificado. É uma questão de criar uma sinergia maior entre pessoas comprometidas com o aconselhamento bíblico que creem que juntas podem realizar mais. Estamos convencidos de que há tanto alegria quanto poder na unidade.

Fundamentos importantes Como homens e mulheres apaixonados por Deus e sua Palavra, somos guiados pelas verdades profundas das Escrituras. Três passagens em especial têm direcionado nosso pensamento: • “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4.1–3).


Introdução: Só em Cristo

• “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Efésios 4.15–16). • “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2 Pedro 3.18). Há novos ventos soprando no mundo do aconselhamento bíblico, cuidado pastoral, cuidados da alma, ministério "um ao outro" e discipulado entre aqueles que anseiam por falar a verdade em amor, a fim de que cresçamos em Cristo. Sim, somos gratos a homens e mulheres de anos anteriores que abriram o caminho do aconselhamento e discipulado que manava da suficiente Palavra de Deus. Seu impacto em nossas vidas e ministérios ricos e fortes. Deus, em sua soberania, escolheu abençoar muitas pessoas que estiveram envolvidas em várias expressões do aconselhamento bíblico no passado — pastores e igrejas, professores e escolas, escritores e editoras, executivos e ministérios paraeclesiásticos. Contudo, em algum lugar ao longo do caminho não fomos cuidadosos e proativos quanto a trabalharmos juntos. Silos de ministérios individuais se tornaram maiores e — por necessidade administrativa — mais isolados. Nem sempre fomos os melhores mordomos dos recursos e oportunidades que Deus nos confiou. Frequentemente, ocupações e pequenas diferenças têm nos impedido de trabalharmos juntos de uma maneira colegiada. E temos pago um preço. Gastar muito tempo em um silo individual pode produzir orgulho, isolamento e um ministério estagnado. Nem sempre nos beneficiamos do poder da colaboração e dos lucros da revisão e interação colegiada. Tudo isso está mudando, poderosa e rapidamente. É realmente um novo dia. Estamos buscando demolir os silos. Queremos encontrar meios de desenvolver relacionamentos mais sólidos e divinos entre líderes comprometidos com o aconselhamento bíblico ao redor do mundo. Estamos dispostos a dedicar tempo e energia para que isso aconteça.

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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

Também acreditamos que o efeito dessa rede de amizades será a produção de recursos de ponta para ajudar pessoas nas igrejas de Cristo que estão tentando aconselhar outros em uma variedade de formatos e fóruns. Quer você chame isso de cuidados da alma, aconselhamento, discipulado intensivo ou crescimento espiritual, esperamos que, ao trabalharmos juntos, um material de recursos mais rico esteja disponível para o povo de Deus.

Falando a verdade em amor Através do livro que você tem em mãos, queremos moldar os princípios que adotamos ao trabalharmos juntos para criar uma descrição de Aconselhamento bíblico cristocêntrico. Ao nos unirmos para escrever esse livro, nosso propósito é equipar o povo de Deus para mudar vidas com a imutável verdade de Cristo. Queremos crescer juntos no aprendizado de como promover mudança pessoal centrada na pessoa de Cristo através do ministério pessoal da Palavra. Escrevemos em resposta ao mandamento de Deus para trabalharmos juntos a fim de preparar seu povo para o desempenho do seu serviço. Desejamos que o corpo de Cristo seja edificado ao falarmos a verdade do evangelho em amor uns aos outros. Buscamos ouvir cuidadosamente como Deus pode estar usando os pontos fortes e as ênfases de nossos irmãos para aguçar nosso pensamento e intensificar nossas crenças e práticas ministeriais. Convidamos você para se juntar à nossa jornada. Em cada capítulo nos concentramos na verdade aplicada à vida ao combinar sabedoria teológica e conhecimento prático. Na Parte 1 — capítulos de 1 a 14 — enfatizamos uma teologia prática do aconselhamento bíblico. Na Parte 2 — capítulos de 15 a 28 — destacamos uma metodologia prática de aconselhamento bíblico.


Introdução: Só em Cristo

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Uma abordagem forte e relacional do aconselhamento bíblico No espírito das palavras de Paulo e Pedro citadas nos versículos acima, eis aqui o tipo de abordagem ministerial que esperamos desenvolver ao longo de Aconselhamento bíblico cristocêntrico: • baseada na graça e centrada no evangelho (Parte 1) • relacionalmente e teologicamente forte (Parte 1) • fundamentada na igreja local (Parte 2) • relevante à vida cotidiana e ministério (Parte 2)

Aconselhamento bíblico é baseado na graça e centrado no evangelho É nossa oração que Aconselhamento bíblico cristocêntrico derrame graça e transborde a doçura de Jesus. Fomos todos profundamente impactados com a consciência de que Pedro terminou sua epístola com um penetrante e poderoso mandamento: cresçam em graça. O aconselhamento bíblico não oferece um sistema ou programa, antes compartilha uma pessoa — a pessoa — Jesus Cristo. Aconselhamento bíblico cristocêntrico anuncia um fundamento baseado na graça e centrado no evangelho para toda a vida, todo ministério e todo aconselhamento bíblico. O aconselhamento bíblico empenha-se, acima de tudo, em trazer glória a Deus. Aconselhamento não se trata, no final das contas, do conselheiro ou do aconselhado, mas do Divino Conselheiro. Para esse fim, John Piper e Jack Delk lideram o caminho ao proporem como manter aquilo que é primordial em meio ao sofrimento e pecados com que todo conselheiro deve lidar. Eles explicam poderosamente o propósito de nossos


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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

esforços e definem nosso objetivo e paixão como ministros do evangelho. Ernie Baker e Jonathan Holmes constroem sobre esse fundamento ao mostrar como depositamos nossa confiança não em algum sistema de mudança humano, mas no poder transformador do Redentor como a única esperança para mudar o coração das pessoas. Continuando esse tema trinitário de aconselhamento focado no Pai, Filho e Espírito Santo, Justin Holcomb e Mike Wilkerson demonstram que aconselhamento bíblico é dependente do Espírito e saturado de oração. O aconselhamento bíblico baseado na graça glorifica a Deus, é cristocêntrico, dependente do Espírito e centrado no próximo — por causa de suas raízes trinitárias. Kevin Carson e Jeff Forrey desenvolvem essa aplicação trinitária ao explorarem com o que um modelo de aconselhamento se parece, o qual é edificado sobre o modelo de relacionamento existente dentro da Trindade. A resposta a essa questão central elimina o estereótipo do aconselhamento bíblico — que é distante e focado na solução. Em vez disso, ele retrata um aconselhamento sábio que modela um envolvimento íntimo que tem o propósito de um viver centrado no próximo.

O aconselhamento bíblico é relacionalmente e teologicamente forte O que torna o aconselhamento bíblico verdadeiramente bíblico? Aconselhamento bíblico cristocêntrico busca oferecer uma resposta positiva e abrangente para essa questão ao comunicar uma abordagem bíblica forte e relacional. Nossa oração é que essa abordagem aumente sua confiança na suficiência e relevância da Palavra de Deus para lidar com os problemas da vida real. Lançamos o fundamento para essa forte abordagem nos capítulos 1 a 4 ao discursarmos sobre a primeira e mais importante questão da vida: Quem é Deus e como podemos conhecê-lo? Edificamos sobre esse fundamento nos capítulos 5 e 6 ao explorarmos a segunda e mais importante questão da vida: Onde encontramos respostas — qual é nossa fonte de verdade para a vida? Se vamos usar a Bíblia efetivamente, então devemos usá-la do modo como Deus a escreveu — na forma narrativa. Nossa equipe rejeita


Introdução: Só em Cristo

a noção de que a Bíblia seja simplesmente uma enciclopédia de versículos bíblicos desconexos. A Palavra de Deus se parece menos com um livro de receitas e mais com um romance. Desse modo, John Henderson retrata vividamente a grande narrativa das Escrituras e seu lugar no processo da santificação progressiva. Em seguida, Steve Viars e Rob Green abordam o assunto da suficiência das Escrituras. Nenhum assunto tem sido mais vital e mais apaixonadamente discutido no aconselhamento bíblico. Os pastores Viars e Green descrevem a essência teológica do conceito e as implicações práticas do aconselhamento a partir da suficiência das Escrituras. Os capítulos 7 e 8, logo em seguida, tratam sobre o terceiro grupo das questões mais cruciais: Quem somos nós? Como entendemos as pessoas — biblicamente? Bob Kellemen e Sam Williams preparam a base ao conduzirem um entendimento bíblico abrangente do desígnio original de Deus, de quem nós somos e como nos relacionamos. Eles oferecem um entendimento teocêntrico do imago Dei — a imagem de Deus na humanidade. Quem nós somos não é uma pergunta que podemos fazer sem também tentar entender o contexto em que vivemos. Jeff Forrey e Jim Newheiser compartilham uma compreensão bíblica das influências centrais que moldam as reações do coração humano enquanto abordam, através de uma perspectiva bíblica, o debate entre os que culpam a genética da pessoa e os que culpam a sociedade e o meio ambiente. Então, o céu teológico fica mais cinza à medida que focamos nossa atenção na natureza do problema. No capítulo 9, exploramos o quarto grupo de questões cruciais: O que deu errado? Por que o sofrimento e o pecado existem? Qual a condição da natureza humana caída? Em resposta a essas perguntas, Robert Jones e Brad Hambrick desenvolvem uma teologia funcional e viável do pecado que auxilia o conselheiro bíblico a diagnosticar os problemas biblicamente. Os capítulos 10 a 13 tratam do quinto grupo de perguntas cruciais: As pessoas podem mudar? Como as pessoas mudam? Que diferença o evangelho faz? O pastor Robert Cheong inicia essa seção com uma discussão sobre a centralidade do evangelho para a vida cristã e ministério bíblico. Uma vez lançado o fundamento da beleza da graça de Deus e da perfeição do Filho de Deus, Stuart Scott discursa sobre uma perspectiva sutil do “equilíbrio” entre o que se tornou conhecido como “os indicativos do

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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

evangelho e os imperativos do evangelho." Com esse fundamento teológico da salvação e santificação edificado, Lee Lewis e Michael Snetzer discutem o atual processo de crescimento à semelhança de Cristo. Agora, Bob Kellemen e Dwayne Bond nos ajudam a encarar os fatos — estamos envolvidos em uma batalha espiritual e devemos entender as armas de nossa guerra. Assim como a narrativa bíblica começa antes do princípio com a Trindade, a grande narrativa da Bíblia prossegue depois do fim com a eternidade. Nicolas Ellen e Jeremy Lelek respondem à sexta questão crucial da vida: Que diferença nosso destino futuro faz em nossa realidade presente? Toda abordagem de aconselhamento e mudança pessoal deve lutar com essas questões cruciais. Cremos que somente a Palavra de Deus fornece as mais verdadeiras e convincentes respostas para esses assuntos críticos do aconselhamento. Se você nos acompanhou até aqui, e se é um estudante de teologia sistemática, provavelmente você “captou” como nossos capítulos seguem as clássicas doutrinas estudadas na Teologia Sistemática:

• Capítulo 1: Teologia propriamente dita — Deus, o Pai. • Capítulo 2: Cristologia — Deus, o Filho. • Capítulo 3: Pneumatologia — Deus, o Espírito Santo. • Capítulo 4: Teologia da Trindade — Deus Pai, Filho e Espírito Santo. • Capítulos 5 e 6: Bibliologia — a Palavra de Deus. • Capítulos 7 e 8 Antropologia — Criação/Humanidade. • Capítulo 9: Hamartiologia — Queda/Pecado. • Capítulos 10 a 13: Soteriologia — Redenção/Salvação. • Capítulo 14: Escatologia — Consumação/Esperança da Eternidade.

Essa base teológica não é um mero acaso. Estamos convencidos de que a Palavra de Deus tem respostas relevantes para as questões da vida real — por esse motivo chamamos a Parte 1 de “Uma teologia prática do aconselhamento bíblico." Queremos abrir a Palavra de Deus para fornecer a você insights convincentes e penetrantes para a vida cristã.


Introdução: Só em Cristo

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O aconselhamento bíblico é fundamentado na igreja local Se você é versado em teologia sistemática, deve estar se perguntando: “E Eclesiologia — a doutrina da Igreja?” Na Parte 2 de Aconselhamento bíblico cristocêntrico, exploramos o lugar da igreja de Cristo no processo geral do aconselhamento e a relevância bíblica para a vida cotidiana. Edificando sobre o fundamento dos capítulos 1 a 14, os capítulos 15 a 28 se unem para tratar do sétimo grupo de perguntas cruciais: Como podemos ajudar? Como podemos cuidar do corpo de Cristo da mesma maneira que Cristo cuida? Ao afirmarmos que a base do aconselhamento bíblico é a igreja local, não estamos dizendo que ele é um processo isolado do mundo real. Estamos dizendo exatamente o oposto — o verdadeiro aconselhamento bíblico enfatiza uma visão para que toda a igreja impacte uns aos outros e a comunidade ao redor. Os capítulos 15 a 20 examinam o modo como ajudamos — congregacionalmente. Esses seis capítulos fornecem respostas em cores vivas para questões vitais da vida como: "Como se dá o aconselhamento bíblico nas igrejas cheias de confiança na suficiência e relevância da Palavra de Deus?" e "Qual o impacto da visão-em-ação no crescimento pessoal, na saúde da igreja, e no alcance da comunidade?" Os pastores Steve Viars e Rob Green introduzem as respostas a essas questões ao demonstrarem que Deus chama e equipa a igreja, não para ser um simples lugar com aconselhamento bíblico, mas um lugar de aconselhamento bíblico. Outra equipe pastoral de boas práticas, os pastores Mark Dever e Deepak Reju, descrevem o porquê da saúde da igreja fazer uma enorme diferença no ministério do aconselhamento bíblico. Enquanto nossa cultura diferencia pregação (o ministério público da Palavra), aconselhamento (o ministério particular da Palavra) e aplicação pessoal (o ministério pessoal da Palavra), a Bíblia considera os três holisticamente. Kevin Carson nos dá um retrato de como os ministérios público, privado e pessoal da Palavra devem se dar no ministério cotidiano. Quando embutimos o aconselhamento bíblico no seio da igreja, ele impacta e se integra a tudo na vida da igreja. Brad Bigney e Ken Long descrevem o modo contínuo como o aconselhamento bíblico e o ministério de grupos pequenos equipam o povo de Deus para falar a verdade em amor.


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Aconselhamento bíblico cristocêntrico

Um aconselhamento bíblico sólido resulta em formação espiritual contínua. Robert Cheong e Heath Lambert exploram as intersecções entre o aconselhamento bíblico e as disciplinas espirituais. No capítulo final dessa “seção congregacional”, Rod Mays e Charles Ware edificam sobre a verdade de que por toda a eternidade teremos comunhão e adoraremos juntos em uma diversidade multicultural. Portanto, conselheiros bíblicos precisam entender os princípios bíblicos do relacionamento e aconselhamento multiculturais.

O aconselhamento bíblico é relevante para a vida cotidiana e para o ministério Com as bases de um corpo sadio crescendo juntas, a profunda relevância do aconselhamento bíblico para a vida cotidiana estará à mostra. Nos capítulos 21 a 28, investigamos como cuidar do mesmo modo que Cristo partindo da perspectiva do aconselhamento bíblico formal. Unidos corporativamente, sabemos como nos equiparmos ainda mais para ministrar individualmente. Jeremy Pierre e Mark Shaw começam esse processo ilustrando o lugar dos relacionamentos sólidos no aconselhamento bíblico. Tendo estabelecido a necessidade do contexto contínuo do amor à semelhança de Cristo, Randy Patten e Mark Dutton compatilham os princípios centrais do falar a verdade em amor — os elementos práticos do aconselhamento bíblico. É claro, mudança real e duradoura à imagem de Cristo não é um processo mecânico, como Howard Eyrich e Elyse Fitzpatrick explicam à medida que tratam sobre problemas do coração. James MacDonald e Garrett Higbee edificam sobre esse fundamento do coração ao dedicarem dois capítulos ao desenvolvimento das fortes questões da confissão, arrependimento e perdão. Os três capítulos finais enfatizam assuntos que, às vezes, têm sido de alguma forma negligenciados no aconselhamento bíblico e discipulado pessoal — sofrimento, emoções e o corpo físico. Bob Kellemen e Greg Cook descrevem como ajudar pessoas machucadas a encontrarem a esperança divina que traz a cura. Jeff Forrey traça uma potente teologia bíblica das emoções. E Laura Hendrickson investiga a complexa conexão mente-corpo que, para muitos, pode ser tanto majestosa quanto terrivelmente perturbadora.


Introdução: Só em Cristo

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A ele seja a glória Quando Pedro nos aconselha a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, ele o faz com um objetivo máximo: “A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno. Amém”. As últimas palavras – a última oração – da última frase da última carta inspirada de Pedro serve como a nossa oração para Aconselhamento bíblico cristocêntrico. Ele é o centro de tudo. Por mais importante que seja desenvolver relacionamentos colegiais que proporcionem recursos fortes, se o foco formos nós mesmos, esse foco está totalmente errado. Nossa oração é que Aconselhamento bíblico cristocêntrico prepare você para preparar outros a fim de que a glória seja dada a ele através do nosso crescimento individual e corporativo à semelhança de Cristo.


Parte 1 Uma teologia prĂĄtica do aconselhamento bĂ­blico


1 A glória de Deus: O alvo do aconselhamento bíblico John Piper e Jack Delk

John Piper Enquanto eu pregava uma série de sermões em nossa igreja sobre o tema da escatologia, ensinei a partir de 2 Tessalonicenses 4.13–18 sobre a segunda vinda de Jesus. Paulo começa e termina a passagem de uma forma que me permite dizer ao meu povo “Isto é o que você faz com escatologia." Paulo começa assim: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais que não têm esperança." Então encerra: “Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras." Ele começa e termina com uma nota pastoral. Escatologia tem a ver com como você sofre e com como você ajuda. Eu terminei de falar e separamos algum tempo para as discussões. As pessoas queriam saber apenas se o período era pré-milenista, pós-milenista ou amilenista. Eu respondi: “Vocês estão perdendo o foco. Você ouviu isso? Paulo não quer que eles sejam ignorantes a respeito do fato de que Jesus está vivo. Jesus vai voltar. Nós estaremos com ele para sempre. Por quê? Porque, de certa maneira, eles se entristecerão. Então, de certa maneira, eles se encorajarão (confortarão) uns aos outros. Você percebe a quê o conhecimento se refere? Refere-se ao entristecer-se. Trata de como aconselhar amigos que estejam tristes. Você fala de conhecimento à vida das pessoas e isto impacta o sofrimento delas. É para isto que sua boca serve: “O lábio


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dos sábios é fonte de sabedoria." O conhecimento é para que outros possam beber palavras de vida. A doutrina tem tudo a ver com deleite, tudo a ver com como você vive, tudo a ver com como você aconselha.

Definindo aconselhamento bíblico

Para começar a fundação, considere minha definição de aconselhamento bíblico: Aconselhamento bíblico é o uso da linguagem centrada em Deus, saturada na Bíblia e sintonizada com o emocional para ajudar as pessoas a se tornarem devotadas a Deus, exaltadoras de Cristo e que, alegremente abnegadas, amam outras pessoas. Eu gostaria de esmiuçar esta definição e perguntar: Qual é a relação entre deleite e doutrina? Qual é a relação entre o aconselhamento e a igreja? Qual é a relação entre a glória de Deus e o seu amor por nós?

Ensinando a verdade Aconselhamento bíblico é o uso da linguagem centrada em Deus, saturada na Bíblia e sintonizada com o emocional para ajudar as pessoas a se tornarem devotadas a Deus, exaltadoras de Cristo e que, alegremente abnegadas, amam outras pessoas. O que isso significa? Primeiro, isso significa ensinar a verdade. Que a passagem de 1 Tessalonicenses 4.14–18 irrompe com a verdade: “Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora ainda vos declaramos, por Palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”


A glória de Deus: O alvo do aconselhamento bíblico

Aconselhamento bíblico não é nada se não for centrado em Deus e saturado na Bíblia. R. C. Sproul me disse, pouco depois que James Boice faleceu, que em uma de suas últimas conversas com ele, Dr. Boice disse: “R. C., nós estamos rodeados de pastores fracos que dizem: ‘As pessoas não precisam de ensinamento, elas não precisam de conhecimento — Elas precisam ser abraçadas, precisam de silêncio, precisam de histórias, elas precisam de experiências compartilhadas’." James Boice está absolutamente certo sobre o encolhimento da ênfase do ensino. As pessoas precisam desesperadamente ser ensinadas sobre a natureza de Deus. Elas precisam desesperadamente de uma perspectiva bíblica e teocêntrica em tudo. Antes de uma calamidade como a de 11 de setembro, lançamos o alicerce para o nosso povo sobre a completa soberania e glória de Deus para que eles não digam: “Bobagem!” ou não se calem por não ter nada a dizer. É disso que aconselhamento bíblico trata — seja vindo do púlpito, do escritório ou por cima da cerca do jardim. Minha opinião sobre a natureza do aconselhamento é que tem a ver com conhecimento, tem a ver com nossa boca, tem a ver com doutrina, tem a ver com a natureza de Deus — transmitidas de maneira que mudam aqueles que ouvem. Eu entendo isso de 1 Tessalonicenses 4.13–18, e, é claro, encontra-se em toda a Bíblia. Considere Romanos 15.4: “Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança." Tudo o que está escrito é para dar esperança. Tudo vai a partir do conhecimento escrito para o coração temente. Salmo 19.7–8, “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos." O ensinamento dá vida. O testemunho dá sabedoria. Os preceitos produzem alegria. Se não for assim, algo está errado. Você está fazendo alguma coisa errada! Os preceitos produzem mudanças nas emoções. A pregação vai até as emoções com doutrina. João 15.11 diz: “Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo." Falar tem a ver com gozo. Pregar tem a ver com gozo. Aconselhar tem a ver com gozo. Você vai da cabeça para a boca, para a cabeça, para o coração e produz gozo, que transforma a vida de uma pessoa.

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Restaurando o aconselhamento na igreja Deixe-me mudar para o meu segundo interesse — levar o aconselhamento para dentro da igreja. Onde mais seria, oras!? Poderia ser em algum outro lugar e ainda assim ser verdadeiro? Existem obstáculos aqui. Deixe-me indicar e abordar apenas um. Muitas pessoas ao lerem isto poderiam responder: “Não funciona”, ou ainda “Eu nunca vi alguém que seja muito dado à doutrina que seja ligado ao emocional!” Este é um dos maiores obstáculos. Aqui está a minha recomendação. Quase tudo o que faço com minha vida tem a intenção de resolver este problema. Se for aconselhamento, como eu havia dito, deve ser restaurado à Igreja. Afeição deve ser restaurada para reflexão. Se o aconselhamento for ser restaurado à Igreja, o deleite em Deus deve ser restaurado às doutrinas sobre Deus. Desfrutar de Cristo deve ser restaurado a ver Cristo. A contrição branda deve ser restaurada à firme convicção. A comunhão com Deus deve ser restaurada a combater por Deus. Eu tiro esta última de John Owen. Ele disse: “Nós temos comunhão com Deus nas doutrinas pelas quais lutamos." Essa é a sua medida para saber se ele contende verdadeiramente. “Eu devo aprender a ter comunhão com Deus na doutrina." Essa não é uma frase interessante? Quem fala assim hoje em dia? Você tem que voltar 300 anos para encontrar coisas tão poderosas sobre o pecado e a comunhão com Deus. “Batalhando por e tendo comunhão com Deus em uma doutrina." Onde está a aula de Teologia Sistemática que ajuda estudantes a se darem conta de que quando se explana sobre a encarnação ou a natureza da Trindade ou as duas naturezas de Cristo ou a expiação substitutiva, você tem comunhão com Deus à medida que você defende e contende pela doutrina, ou então você não está fazendo isto certo? Não é de admirar que as pessoas geralmente não queiram estar perto de indivíduos que são impulsionados pela doutrina! Eles não estão fazendo a doutrina do modo certo. Não estão em sintonia emocional com as verdades que ensinam. Creio que temos um problema enorme com isto na comunidade reformada. Pessoas reformadas têm tanto medo de emoções que pensam que estou falando de subjetivismo. Pastores têm um trabalho grande aqui, um trabalho impossível. Mas nós que somos pastores temos que fazer isso. Temos de considerar o nosso mandato bíblico de modelarmos para o


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nosso povo aquilo que os está impedindo de serem conselheiros eficazes uns para os outros. Estou mais preocupado com o meu povo aconselhando uns aos outros do que comigo mesmo fazendo o aconselhamento. Eu aconselho principalmente do púlpito com o intuito de criar conselheiros, alguns milhares deles. Eis o que é dito a respeito de pastores e do povo de Deus em Hebreus 13.17: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam [líderes, presbíteros, pastores] isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros." Este é um mandato maravilhoso para pastores. Basicamente está dizendo que se os pastores querem amar seu povo e ser uma vantagem em vez de ser um empecilho para eles, precisam ser felizes. Isso é uma paráfrase ruim? Eu contenderia com qualquer intelectual sobre esta paráfrase! Ela diz: “Deixe que façam este trabalho pastoral — velar por suas almas — com alegria, não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros." Pastores, líderes cristãos e conselheiros bíblicos, se vocês quiserem amar e abençoar as pessoas, busquem sua alegria! Se vocês se tornaram indiferentes à busca de sua própria alegria, vocês se tornaram indiferentes para amar, e não podem equipar a igreja para aconselhar. Isso é pecado! Vocês não podem amar as pessoas se forem indiferentes à sua felicidade no Senhor. Agora, há exércitos de reformados e outros tipos que pecam quando pregam e falam sobre doutrina ao negar com toda a sua conduta a preciosidade do que estão falando. As pessoas não saem dizendo: “esta foi a coisa mais amável que eu já ouvi." O pastor ou conselheiro bíblico não parece pensar que é amável ou precioso. Ele não parece pensar que se trata de mudança de vida ou que isto o faria feliz. Na verdade, ele parece estar falando de uma maneira que indica que ele está com um pouco de medo de que aquilo o fará feliz. Por que alguém iria querer voltar para ouvir? Todos nós queremos ser felizes! Esta é exatamente a maneira que Deus nos fez. O desejo de ser feliz é o mesmo que o desejo de estar faminto. É uma coisa dada por Deus, gravada em nossos corações. Deus colocou-se a si mesmo como o centro de satisfação plena de toda a alegria. A razão pela qual você não é feliz, se você não é, é porque você não chegou ao centro ainda. Líderes

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alegres, que têm comunhão com as verdades pelas quais lutam, são cruciais para restaurar o aconselhamento à igreja.

A glória de Deus Em terceiro lugar, como isso se relaciona com a glória de Deus? Este deleite restaurador da doutrina, afeição à reflexão, saborear da visão, comunhão para contender — como isso se relaciona com a glória de Deus? O livro inteiro de Hebreus se dirige a problemas maiores como ater-se à sua confiança, ser firme no seu encorajamento, ser alegre na sua certeza, ser profundo no seu contentamento (Hebreus 3.6; 6.18; 10.34; 13.5). Estas palavras — confiança, encorajamento, certeza, contentamento — são todas carregadas de emoção. O livro de Hebreus tem tudo a ver com a sua alegria, perseverar nela e ser radicalmente pronto para entregar sua vida para levar o evangelho aonde ele não tenha chegado. Por quê? Porque tudo tem a ver com Cristo. Tudo nele é a respeito da superioridade do sacerdócio, sacrifício, aliança e obra mediadora de Cristo. Esse glorioso, sublime alicerce que exalta a Cristo em Hebreus almeja produzir confiança, alegria, certeza, contentamento e um estilo de vida radical que emana dele. Isso significa que se você prega, ensina e aconselha de uma maneira que as pessoas comecem a se deleitar neste Cristo, ele recebe toda a glória. O livro é estruturado de forma que a magnificência da superioridade de Cristo apoia confiança, encorajamento e contentamento. A presença impregnante de tão positivas e satisfatórias emoções em sua igreja aumenta o alicerce para ele, Jesus Cristo. Jonathan Edwards disse isto desta maneira: Então, Deus glorifica a si mesmo nas criaturas de duas maneiras: 1. Aparecendo para […] o entendimento deles. 2. Transmitindo a si mesmo a seus corações, e em seu regozijo e deleite, e apreciando as manifestações que ele fez sobre si mesmo […] Deus é glorificado, não apenas para sua glória ser vista [conhecida, refletida sobre], mas para nos regozijarmos nela... Deus criou o mundo para que pudesse comunicar — e a criatura receber — sua glória, e para que esta seja recebida tanto pela mente quanto pelo coração. Aquele que testifica seu entendimento da glória de Deus não glorifica a Deus tanto quanto aquele que também testifica sua aprovação dela e seu deleite nela.¹


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Você vê e entende a Cristo: doutrina. Você confia e ama a Cristo: alegria. De um lado, você tem alguns líderes reformados que testificam suas ideias sobre Deus cortando cada “t”, colocando o pingo em cada “i” e entendendo as doutrinas de forma correta, para os quais eu digo: “Claro que sim, amém! Eu concordo com vocês.” Por outro lado, temos alguns líderes carismáticos que são só emoção — Levante suas mãos e aplauda o Senhor! E bata esses pés! Sinta algo, pelo amor de Deus, ou Deus não está entre nós! — E eu também concordo com eles! Eu odeio o abismo que há entre esses dois. Farei tudo o que estiver ao meu alcance enquanto eu respirar para ajudar cada uma dessas pessoas a enxergarem que, de acordo com Edwards, elas estão dando a Deus apenas metade de sua glória. Conhecê-lo verdadeiramente e não senti-lo devidamente — ele recebe metade de sua glória. Senti-lo devidamente e não conhece-lo verdadeiramente — ele recebe metade de sua glória. Vamos dar-lhe toda sua glória, assim como Jonathan Edwards deu. Isto significa, dependendo de em qual desses “campos” estivermos, que devemos nos juntar a Paulo em seu alvo apostólico. “Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria…” (2 Coríntios 1.24). O alvo apostólico: cooperar com a igreja em prol de sua alegria! Você faz isso? É esse o seu mandato? Você se levanta pela manhã sonhando em como cooperar com a igreja em prol de sua alegria? Talvez você ache que esse tenha sido um deslize isolado da caneta de Paulo, e que sua intenção era escrever “fé". Isso é o que talvez pareça. “Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa fé." Mas ele disse “alegria” em vez de “fé." Em Filipenses 1, Paulo não tem certeza se ele vai viver ou morrer. Seu desejo é morrer para estar com Jesus, mas ainda assim ele sabia que deveria ficar. Por quê? “E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé.” (Filipenses 1.25). Isso não é maravilhoso? O grande escritor do doutrinariamente inigualável livro de Romanos diz que sua vida inteira no planeta Terra foi dedicada a alegria dos santos. Então, pastores, líderes cristãos e conselheiros bíblicos, é melhor não pensar que vocês têm uma missão mais nobre. Falamos sobre a natureza do aconselhamento e sobre como a Palavra e o conhecimento têm um impacto no coração e no sentimento.


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Em segundo lugar, falamos sobre restaurar o aconselhamento na igreja restaurando a afeição pela reflexão. Em terceiro lugar, relacionamos isso à glória de Deus, argumentando que Deus é muito mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele. Portanto, se você é um pastor, se você quer que Deus seja mais glorificado no meio do seu povo, você deve satisfazê-los com Deus. Essa noção muda a sua abordagem na pregação e no ensino de forma maravilhosa. Como você será fiel às Escrituras e entenderá Deus corretamente? A obra no coração pode ser feita apenas pelo Espírito Santo. Alegria é fruto dele. Este alvo faz de você um pastor (e conselheiro bíblico) desesperado, porque você não pode fazer com que as pessoas sejam felizes em Deus por você mesmo. Sim, você pode deixá-los na igreja contando histórias, fazendo-os rir, de maneira que eles fiquem contentes por terem vindo à sua igreja. Você pode até mesmo fazer uma igreja crescer sem Deus e sem o Espírito Santo. O que você não pode, no entanto, é fazer pessoas felizes em Deus sem Deus. A alma humana é programada para ser feliz em tudo o mais, exceto Deus, desde a queda do homem. Se o seu objetivo é trabalhar com e para a alegria deles em Deus, você é desesperadamente incapaz. Esta é a razão pela qual somos chamados para a Palavra e para oração. Ele age; peça a ele. Nós estamos desesperados por sua ajuda.

Amar e ser amado Em quarto lugar, quero falar a respeito do que é amar e ser amado. O que significa para Deus amar e para nós sermos amados por ele? O que significa para nós amar a Deus e amar outras pessoas? Isto está no coração do aconselhamento bíblico, não está? A sensação de ser amado, ajudando pessoas a se tornarem pessoas amáveis, e a compreensão de como Deus nos ama — pecadores que somos. Durante muitos anos tento entender como a busca de Deus por sua glória está relacionada a seu amor por você e por mim. Acredito que isso está mais claro a cada ano, e nos últimos meses tem estado ainda mais. Por exemplo, uma mulher procurou-me após o culto, com os olhos marejados sofrendo por alguns problemas em sua vida. Em um certo momento de nossa conversa eu lhe perguntei: “Se você estivesse em um lugar


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com sua família, saúde perfeita, todas as suas comidas e passatempos favoritos e não tivesse que se sentir culpada, ainda assim você ia querer estar ali se Jesus não estivesse lá?” Ela gritou: "Sim!" É assim que muitos que se dizem cristãos são. Eles gostam das dádivas de Cristo, não de Cristo. Perdão é bom, eliminar a culpa é bom, ficar fora do inferno é bom, ter um casamento que funciona é bom, ter filhos que se mantêm longe das drogas é bom, e ter um corpo saudável é bom. Francamente, Jesus pode tirar umas férias. Basta apenas me dar essas coisas. Entretanto, não acredito que haverá alguém no céu que não queira estar perto de Jesus mais do que queira qualquer outra coisa. Este é o motivo de eu falar tão sério sobre a alegria. Se você não tem alegria em Jesus, você não irá para o céu. Então, o que significa ser amado por Deus? O amor de Deus é quase impossível de ser compreendido pelos norte-americanos depois de cinquenta anos sendo saturados com amor interpretado como aumento de autoestima. Para a maioria dos norte-americanos, ser amado é se sentir o maioral. Essa é a própria definição de amor. Se você faz e diz coisas que me elevam, eu me sinto amado por você. Se você não faz, eu não me sinto. Isto significa que o amor de Deus é inconcebível e imperceptível para essas pessoas. Deus não está preocupado em nos fazer sentir os maiorais. A ponto de que, se deformamos a cruz em uma afirmação de meu valor como diamante bruto, perdemos o amor de Deus. A cruz tem tudo a ver com reivindicarmos a justiça e a glória de Deus, o qual se agrada em permitir pecadores não merecedores a se deleitarem nele. Por que ele nos trataria tão bondosamente quando somos pecadores, perdoando todos os nossos pecados para que possamos desfrutar da sua importância? Faço esta pergunta aonde quer que eu vá, para ver se as pessoas são norte-americanas ou cristãs. Eu pergunto: “Você se sente mais amado quando Deus lhe dá a devida importância ou você se sente mais amado quando Deus, às custas de seu filho, permite que você desfrute da importância dele para sempre?” Estas são duas diferentes e profundas fontes de satisfação. Uma é ser feito muito importante, a outra é ver e saborear Deus e dar-lhe a importância devida. Onde está a base da sua satisfação? Tudo em nossa cultura o ensina que a base de sua satisfação é se sentir o maioral, que é o que Satanás quer que você faça. Isto tem sido o caso para todos nós desde a queda. É inconcebível ao homem

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natural que nós possamos, em vez disso, ser tão profunda e interiormente transformados a ponto de existir uma nova origem para a nossa alegria! É por isto que a cruz é loucura, Deus é loucura e a igreja é loucura para o homem natural. O homem espiritual é fundamentalmente uma pessoa cuja raiz mais profunda de fonte de alegria foi alterada de si mesmo para Deus. Considere João 11: “Estava enfermo Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta. Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava enfermo, era a mesma que ungiu com bálsamo o Senhor e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas” (vv. 1–3). Não deixe de notar aquela palavra “amas." Jesus ama Lázaro. Lázaro está enfermo. O que isso significa? “Ao receber a notícia, disse Jesus: Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus” (v. 4). Há duas realidades bíblicas enormes aqui: o amor das pessoas e a glória de Deus. A pergunta que direciona minha vida nos últimos vinte anos tem sido: “Como elas se relacionam?” E a passagem segue: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado. Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro” (vv. 4–5). Isso não é algo sem amor que está acontecendo aqui. Isto é amor. Este é o retrato do amor, e o retrato de como Deus, o Filho, será glorificado. Então vem a absolutamente incompreensível conjunção do ponto de vista do mundo: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (v. 6).² O “pois” traz um megatom de Teologia! Jesus ama Lázaro. Lázaro está doente e ele vai morrer. Morrer é uma coisa difícil para alguém que se afoga em sua própria pneumonia, ou que tem seu fígado deteriorado, ou seus rins ou estômago sofrendo com uma dor horrível, e não existia morfina naqueles dias. Eu não sei como Lázaro morreu, mas ele estava morrendo e de forma lenta. Você vai deixá-lo morrer? Por que o Senhor não o ama? Mas Jesus diz: “Eu o amo. Eu a amo, Marta, e eu a amo, Maria. Eu não vou resolver este problema." Por quê? Para que o Filho de Deus seja glorificado. Como você definiria amor com base neste texto? Eis aqui minha definição:


A glória de Deus: O alvo do aconselhamento bíblico

Amor é fazer tudo o que você tiver de fazer, não importa o custo para si mesmo, para que você ajude outra pessoa a parar de ter prazer em se sentir a maioral — e ajudá-la a alcançar o prazer maduro, que exalta a Deus, que é devotado a Cristo, alegremente abnegado e altruísta em dar a Deus a suprema importância para o bem de outros.

Jesus ia fazer o que Lázaro, Maria e Marta precisavam para que pudessem glorificá-lo. Como podemos ajudar nosso povo a se libertar do caso de amor que têm de se fazerem os maiorais? Como nós todos podemos esquecer esta pequena coisa chamada ego, e sermos compelidos por aquilo para o qual fomos feitos — Deus? Ninguém faz uma viagem para ficar de pé à beira do Grand Canyon com o intuito de melhorar a própria autoestima. A razão pela qual as pessoas vão ao Grand Canyon é que um sussurro de graça comum restante em suas vidas lhes diz que eles foram feitos para algo grande, exterior a eles mesmos, que atrai a alma à experiência de prazer mais saudável, gloriosa e altruísta — chamada de adoração — que o mundo mal pode imaginar. O amor faz o que é preciso para ajudar outros a amar a glória de Deus em Cristo. Aconselhamento é uma das mais cruciais formas de amor. Aconselhamento faz o que é preciso pra ajudar outros a amar a glória de Deus em Cristo.³

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Satisfação em Jesus Cristo aumentada: o papel do conselheiro bíblico

Jack Delk Se aconselhamento bíblico diz respeito à glória de Deus, e se Deus é muito mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele, então o papel do conselheiro bíblico é ajudar a aumentar a satisfação em Jesus Cristo. Como nós, como conselheiros, podemos ajudar aqueles que aconselhamos a encontrar sua satisfação em tudo o que Deus é para nós em Jesus Cristo? É um processo; geralmente lento, por vezes meticuloso, mas é um processo. É um processo que requer muita paciência, amor e geralmente repetição. É um processo que até pode parecer três passos para frente e dois passos para trás, mas esta é a trajetória do conselheiro bíblico. Se nosso conselho for um conselho cristocêntrico que leva os aconselhados a aumentar a satisfação em Jesus, eu sugeriria três passos para alcançar esse resultado. Primeiro, Deus precisa ser parte da história. Depois de ouvir um aconselhado desenrolar sua história, geralmente há alguma coisa, ou melhor, alguém deixado de lado — chamado Deus. No meio de suas provações, dores ou sofrimento, Deus não é mencionado; ele é esquecido. Como conselheiro eu pergunto: “Onde está Deus? Onde ele está na sua luta? Ele sabe o que você está experimentando, pensando, sentindo, desejando?” Eu quero que eles vejam que Deus é parte da história deles e ele tem estado lá o tempo inteiro. Mas trazer Deus para a história é apenas o primeiro passo. A seguir busco ajudar o aconselhado a ver que Deus é soberano na história dele e a bondade de seus projetos soberanos. Quero que meus aconselhados vejam Deus assentado em seu trono como Senhor do universo. Para chegar neste ponto faço outra série de perguntas: “Se Deus está na história, se ele é parte da sua história, ele poderia tê-la mudado? Ele poderia mudar sua situação, sua circunstância agora mesmo?” Sim, ele poderia, mas não o fez. A luta permanece, a dor continua e a provação é difícil.


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Mais perguntas: “Você acredita que Deus é bom? Deus é bom quando ele exerce sua soberania? Ele quer o melhor para você?” Eu quero que o aconselhado veja que Deus é bom em sua soberania. Mesmo nos momentos mais difíceis da vida, Deus é bom e está fazendo o bem. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.28–29). Como conselheiros bíblicos podemos dizer com confiança que Deus usará suas circunstâncias, suas experiências, para adequá-los à imagem de Jesus — que é o bem que ele prometeu. Trazer Deus para a história e afirmar sua soberania nela coloca Deus no centro em que ele pertence. A perspectiva do aconselhado é reorientada do foco em si mesmo para o foco em Deus. O aconselhado vê que a sua história não é, em última análise, a respeito dele, mas a respeito de Deus; nosso conselho agora se torna teocêntrico. Em terceiro lugar, eu quero ajudar os aconselhados a verem que a história deles é parte de algo muito maior do que eles mesmos, é parte da grande narrativa da redenção de Deus. É a respeito da glória e fama de Deus. Embora a história deles possa parecer extremamente pequena e insignificante se comparada com tudo o que Deus está fazendo através dos tempos e da história, ela é importante para Deus. Deus está interessado e intimamente envolvido na história deles porque ela é parte da história de Deus, parte do que ele está fazendo. Uma vez que a história maior é primariamente sobre Deus e sua glória, o aconselhado pode estar certo de que Deus está cuidando de cada pequeno detalhe, pois Deus é zeloso com sua própria fama e reputação, com o que a história do aconselhado diz sobre ele. Como um conselheiro bíblico pretendo encorajar meu aconselhado mostrando que a Bíblia é relevante para a sua batalha. A Bíblia fala à sua experiência. A Bíblia lida com a vida, tanto o seu melhor quanto o seu pior. A Bíblia fala sobre traição. A Bíblia fala sobre o pecado e suas consequências. A Bíblia fala sobre conflito, sofrimento e famílias desestruturadas. A Bíblia fala sobre enfermidades e problemas físicos. A Bíblia está cheia de histórias, que glorificam a Deus, de redenção, restauração, cura e reconciliação que são maravilhosamente encorajadoras na vida de pessoas sofridas, pessoas como eles. Os nomes dos aconselhados podem não estar

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escritos nas páginas de suas Bíblias, mas se eles estão em Cristo, a história deles faz parte da grande narrativa de redenção de Deus. E o clímax desta narrativa é encontrado no evangelho de Jesus Cristo, onde toda alegria duradoura é encontrada. Todos somos pecadores fracos que precisam de um Salvador; Jesus Cristo é este Salvador. Além do mais, Jesus nos conhece. Ele experimentou nossas tentações e está familiarizado com o nosso sofrimento. Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hebreus 4.14–16)

Nós temos um Salvador que nos levará até Deus sem medo ou vergonha. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pedro 3.18). Há esperança no evangelho. Há cura no evangelho. Há poder no evangelho. “Fiel é a Palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (1 Timóteo 1.15). Há uma alegria indizível no evangelho. “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom!” (Salmo 34.8). Corações são atraídos para os céus em adoração. Juntos nós somos satisfeitos em tudo o que Deus é para nós em Jesus Cristo. Levamos nossos aconselhados a se tornarem totalmente devotados a Deus, exaltadores de Cristo, que amam as pessoas, amam a Deus e alegremente esquecem de si mesmos, não importando as lutas e as crises que estejam enfrentando ou que encontrem no futuro. Isto não significa que a dor, o sofrimento ou o pecado são insignificantes; eles são reais. A dor machuca, as lutas são difíceis, e o pecado fluindo de nós e vindo até nós é uma realidade da experiência humana. Mas ver Deus no centro, recebendo a verdade iluminada da sua Palavra, experimentando no passado a graça de Deus no evangelho dá esperança para o presente e para o futuro. A terra pode tremer, a poeira pode girar ao nosso redor, mas isso nós sabemos: quando o tremor parar e a poeira se assentar, Jesus ainda estará no seu trono, regendo, reinando e intercedendo pelos seus.


2 O poder do Redentor

Ernie Baker e Jonathan Holmes Desesperada, oprimida, cheia de culpa e amargura – este era o estado da alma angustiada de Kelli antes de aprender sobre as ricas fontes que o Senhor providenciou através da sua pessoa e da sua palavra. Aos doze anos de idade, Kelli sentia-se tão suja e culpada que dizia repetidamente a si mesma, “Jesus, eu sinto muito, Deus, perdoe-me; Jesus eu sinto muito, Deus, perdoe-me”. Aos dezesseis anos, estes sentimentos de estar suja se desenvolveram em uma sensação de que ela também estava fisicamente suja, levando assim uma profunda obsessão por estar limpa. Ela começou a implicar com qualquer impureza no seu corpo. Qualquer caso de acne se tornava um inimigo a ser extraído. Ela descreve isso como um “ritual doentio”, que praticava por horas.¹ Em seu desespero, Kelli anunciou para sua mãe que estava possuída por demônios. Algumas semanas depois ela se viu em um centro local para transtornos obsessivo-compulsivos esperando pela sua primeira consulta. Ao longo da terapia, encontrou alívio temporário no aconselhamento cognitivo-comportamental. Disseram-lhe que com a combinação correta de medicação e terapia cognitiva-comportamental ela poderia viver uma vida normal. Asseguraram-lhe que a única razão pela qual ela estava lutando, era porque eles não haviam achado a combinação certa ainda. Seu terapeuta lhe disse que essas dificuldades eram produto de um desequilíbrio químico que impedia o seu cérebro de funcionar normalmente e que ela nunca mudaria.²


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Kelli tomou os medicamentos prescritos fielmente e continuou a lutar contra o desespero que continuava a crescer dentro dela. A despeito de tudo isso, ela continuava a se sentir culpada e acuada em tudo – continuava se sentindo miserável, suja e culpada. Então ela se voltou para a única coisa que restava fazer: amaldiçoar a Deus. O ódio interno transformou-se em uma intensa aversão. No começo, isso a amedrontou, mas depois ela só se manteve afundando cada vez mais. Será que Senhor poderia ajudar alguém como Kelli? Existe poder na pessoa de Jesus Cristo para livrá-la da sua opressão? Pode o Senhor usar o entendimento dela e sua prática de princípios bíblicos para ajudá-la a se libertar? Isto é exatamente o que as Escrituras prometem em Isaías 61. Em Isaías 61.1–2a o Senhor diz sobre si mesmo³ “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor …” Estes versículos se encontram em um contexto de esperança futura para o povo de Deus e contra o pano de fundo da profecia de Isaías de cativeiro iminente. O ungido promete que ele seria enviado para pessoas destruídas, que podem ser curadas, libertas e aceitas pelo Senhor. O propósito desta mensagem maravilhosa foi dar grande esperança para aqueles que estão experimentando a dor do exílio e do cativeiro, mas como veremos, eles também serão cumpridos no ministério de nosso Senhor e ainda estão sendo realizados hoje. Quem é essa pessoa maravilhosa que dá esperança a pessoas como Kelli? Vai ser fácil ver, em Isaias 61, como esta pessoa incrível, com um padrão definitivo para seu ministério, tinha um propósito para a sua vinda.

A pessoa O ungido fala e diz que ele foi ungido pelo “Espírito do Senhor”. Nós sabemos que este é o Messias, pois a palavra que se traduz com “ungido” é Mashach⁴, que é a palavra da qual Messias se origina. Este também


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é o equivalente do título no Novo Testamento: Cristo. Esta unção pelo Espírito Santo é para uma missão, uma vez que é o que este tipo de unção representa no Antigo Testamento. O Novo Testamento revela claramente quem é essa pessoa, quando Jesus, enquanto visitava a sinagoga em sua cidade natal, lê esta passagem de Isaías e declara: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (Lucas 4.21). A mensagem de Isaías é reforçada por Mateus, pois ele nos diz que Jesus tinha um coração sensível às necessidades das pessoas. Mateus 9.36 nos diz que ele “teve compaixão”. Esta palavra que se traduz com “compaixão” não é apenas uma palavra que mostra que ele amava as pessoas através de seus atos. É uma palavra que indica sensibilidade.⁵ Jesus sentia a necessidade dos outros profundamente. Então, se vamos ser conselheiros semelhantes a Cristo, também devemos ser movidos pelas necessidades das pessoas. Colossenses 3.12 nos diz que devemos ter este mesmo tipo de sensibilidade para com os outros.⁶ Pessoas desalentadas como Kelli, precisam deste ministério compassivo.

O padrão Isaías mostra que o padrão de ministério do Messias não é apenas um ministério de palavras. No seu padrão de ministério as pessoas pobres, desalentadas e cativas experimentavam liberdade e propósito.

O pobre Estes pobres são os aflitos, os humildes e os oprimidos.⁷ Para o povo no tempo de Isaías, seria confortante saber que o Messias se importava com suas necessidades ao longo do cativeiro. Enquanto o Senhor estava na terra, isso foi demonstrado através do seu ministério pessoal aos pobres, tais como tocar leprosos e cuidar dos que eram sobretaxados por Roma. Hoje, o aconselhamento bíblico deseja ser usado pelo Senhor com os aflitos. Nós desejamos ministrar esperança, conforto e cura ao oprimido, uma vez que este é o padrão do ministério do Senhor (Isaías 40.1).


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Os quebrantados de coração O Senhor está prometendo ministrar àqueles cujo coração tem sido estraçalhado. Este tipo de ministério é necessário, por causa do que o pecado tem feito ao mundo. Isaías 1.6 descreve o coração do povo de Judá como não tendo “nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas...” Kelli pode identificar-se com isso, e também aqueles que têm sido rejeitados pela família, sofrendo por um relacionamento desfeito ou vivendo as consequências da vida num planeta caído — em um corpo afetado pela queda. Nós verdadeiramente vivemos em um mundo de Gênesis 3 e estamos sofrendo as consequências de Gênesis 3.⁸

Liberdade aos cativos Nosso inimigo ama ver pessoas oprimidas e odeia ver pessoas libertas. Nós ministramos regularmente àqueles que estão escravizados às drogas, álcool e pecado sexual, mas nosso Senhor promete libertá-los, através do poder do evangelho.

Abrindo a cadeia aos presos A ilustração aqui parece ser daqueles presos em cadeias, que não viram “a luz do dia” por um longo tempo. As Escrituras usam repetidamente esta figura retórica para descrever o poder do Senhor, o que acontece na salvação, e o que ele faz na vida de uma pessoa depois disto.⁹ Colossenses 1.13–14 deixa muito claro que “ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. O Senhor deseja abrir olhos cegos. Ele ajuda pessoas a verem coisas que não haviam visto antes. Luzes se acendem, mentiras são reveladas, e a verdade é entendida. O alcoólatra se dá conta que a garrafa na verdade é idolatria e que o que ele acredita ser um refúgio adequado para lidar com as pressões da vida é uma mentira. A garota abusada sexualmente que acreditou não ter valor e está cheia de vergonha se dá conta de que


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sua verdadeira identidade está em Cristo e que ela tem um Salvador misericordioso que pode entender o que é ter sido abusado e envergonhado.

O propósito Está claro, em Isaías 61, que nosso Senhor estava em uma missão. Ele foi enviado com uma mensagem.¹⁰

Boas novas Uma das coisas mais animadoras é que nosso Senhor veio com “boas novas”¹¹ para as pessoas que estavam sendo flageladas pela vida. O evangelho trata de uma pessoa que transforma vidas agora, à medida em que alguém se torna seu seguidor. A promessa de mudar vidas é inerente à mensagem do evangelho. Falando evangelisticamente, o Senhor disse. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma” (Mateus 11.28-29). O evangelho não trata apenas uma mensagem para se crer; trata-se de uma pessoa para se seguir. Não é este o assunto da Grande Comissão (Mateus 28.18–20)? Somos enviados em uma missão para “fazer discípulos”, não apenas para proclamar a mensagem.¹²

Sarando as feridas Cristo veio para “confortar e sarar os feridos”¹³ e esse é o caráter de toda a Trindade, Salmo 147.2–3 diz: “O Senhor... sara os de coração quebrantado e cura-lhes as feridas”. É essa mensagem que dá tanta esperança aos nossos aconselhados, porque no fundo é firmada e baseada no caráter de nosso Deus. É claro, o Senhor fez isto fisicamente. Ele tocou leprosos e cegos, mas seu ministério foi também o de “sarar os de coração quebrantado”,


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no momento em que ele restaurou um filho morto à sua mãe ou ressuscitou um amigo querido dos mortos. Mas ele também fez isso pela questão afetiva. Não é isso que sugere “coração quebrantado”? Pense na mãe cujo filho foi ressuscitado e como isso ministrou cura à sua alma. Uma das maneiras de definir aconselhamento bíblico é “pessoas quebrantadas ajudando outras pessoas a achar cura através do poder do evangelho e no poder do Espírito, ao mesmo tempo em que eles aplicam princípios das Escrituras (Hebreus 4.12) às suas vidas”. Em última análise, isto é possível, porque um Messias quebrantado ministra a pessoas quebrantadas.

Liberdade e abertura da prisão Nosso Senhor veio para acabar com escravidões ao pecado e para ajudar pessoas a vir para a luz do dia e verdadeiramente lidar com o pecado (Efésios 5.11). É difícil imaginar uma descrição mais apropriada do que essa para o que acontece quando um alcóolatra se liberta da sua escravidão ou quando um viciado em pornografia tem seus olhos abertos, arrepende-se e começa a ver relacionamentos de uma maneira mais saudável.

Proclamar o ano aceitável do Senhor Aqueles que estiveram em cativeiro e experimentaram as consequências do pecado podem experimentar a graça em vez da desaprovação do Senhor. Que boas novas maravilhosas, se ousarmos crer nelas! Eles podem agora fazer o que agrada ao Senhor porque eles agora foram aceitos por ele. Na terminologia do Novo Testamento, nós agora estamos em “Cristo”. ¹⁴ Somos agora “aceitos no amado” (Efésios 1.6).

Cultivar “carvalhos de justiça” Isaías 61 descreve uma verdadeira história de pobreza que se torna em riqueza. Eis aqui pessoas que começaram com o coração quebrantado


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e em cativeiro, e terminaram como “carvalhos da justiça” (v.3). Tito 3. 3–7 apresenta o mesmo padrão: “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres… quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e seu amor para com todos… ele nos salvou… por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados pela graça, nos tornemos seus herdeiros”. O aconselhamento bíblico busca ajudar pessoas que se arrependeram e voltaram para Cristo a se darem conta de sua nova posição nele e de que foram salvos pela graça através da fé para crescer pela graça através da fé. Deus está planejando algo grande para suas vidas, na medida em que os ajuda a crescer para serem como seu Filho, ajudando-os a colocar o passado deles em seu lugar. O profeta Isaías proclama, em palavras e imagens enfáticas, um Messias que tem o poder de efetuar grandes mudanças naqueles que virão a ele. Ao virarmos as páginas das Escrituras, conseguimos vislumbrar este trabalho redentor acontecendo em tempo real. Especificamente em João 4, conseguimos ver o Cristo de Isaías exposto em uma visão completa. O registro dos evangelhos nos permite ver o conselheiro maravilhoso de Isaías em alta definição. Nós o vemos trazendo boas novas aos pobres, colocando ataduras naqueles que estão de coração quebrantado, proclamando liberdade aos cativos e abrindo a prisão dos que estão presos. Cumprindo as ricas profecias de Isaías 61, nós vemos Jesus em forma humana, trazendo estas promessas preciosas à realidade, quando ele encontra a infame mulher samaritana na fonte. É importante lembrar que, como conselheiros bíblicos, nunca é nosso alvo trazer nosso próprio conselho ambicioso, instruções de autoajuda convencionais, ou anedotas recauchutadas. Procuramos dar um conselho que seja vivo e ativo. O foco de nosso modelo de aconselhamento é diferente de qualquer outro: o próprio Jesus Cristo. Paul Tripp escreve: Confrontando pessoas com a verdade, nós os confrontamos com Cristo. Isto é bem radical, já que quer dizer que a verdade, na sua forma mais básica, não é um sistema, uma teologia, ou uma filosofia. É uma pessoa cujo nome é Jesus. Viver uma vida religiosa significa confiar nele, e viver com ele. O ministério pessoal tece os fios da graça e verdade através de cada parte da vida de uma pessoa. Nisto, é verdadeiramente incarnacional, porque graça e verdade sempre vão levar pessoas a Cristo.¹⁵


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Deus não apenas quer nos levar até ele, ele deseja nos fazer à imagem do seu filho.¹⁶ Que diferença dos sistemas terapêuticos, que buscam ajudar pessoas a se tornarem uma versão melhorada deles mesmos. Portanto, é em João 4 que nós o vemos como maravilhoso conselheiro, combinando perguntas sérias, acopladas com diretivas teológicas bem fortes. Seguindo o padrão exposto em Isaías 61, aqui nós vemos um estudo de caso real, em que o padrão, a pessoa e o propósito de Jesus, culminam com o testemunho que produz mudança de vida.

O padrão de Cristo Sempre que virmos Jesus em ação, deveríamos querer parar e pausar. Deveríamos querer aprender sobre o que ele está fazendo. Deveríamos querer ver como ele interage com as pessoas. Deveríamos querer assistir a uma sessão de aconselhamento às escondidas. Como ele faz as pessoas se abrirem? Que tipo de perguntas ele faz? Como ele sabe quando parar, pausar e amar? Como ele equilibra graça e verdade? Em João 4, nós vemos o padrão de Cristo sendo intencional, interativo, perspicaz e ilustrativo.

Intencional Há uma intencionalidade sobre as interações de Jesus que é inequívoca. Toda conversa tem um propósito e toda questão está em busca de uma resposta. Antes mesmo da conversa com a samaritana começar, há o sentido de intenção e propósito na jornada de Jesus. Nos versículos de 1–6, João registra detalhes específicos para o leitor, como forma de preparar o caminho para esse encontro transformador de vida. Tudo na jornada de Jesus à Galileia, suas viagens através de Samaria, seu assentar-se ao poço no meio do dia, a "geografia santa"¹⁷ do local — tudo isso culminou em seu início de conversa com a mulher. Exemplos abundam nos evangelhos, em que Jesus toma decisões intencionais de ir a lugares específicos, falar com pessoas específicas, e não falar com outras. H. A. Ironside escreveu: "Há tantos registros diferentes


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daqueles, com quem o Senhor Jesus Cristo teve conversas, que nós obtemos um desdobramento extraordinário da sua sabedoria maravilhosa em expor a palavra de Deus para almas necessitadas”.¹⁸

Interativo A intencionalidade de Jesus obviamente leva à interação. Jesus faz perguntas, engaja, ouve e oferece conselhos sábios. O mesmo deveria ser dito do aconselhamento cristocêntrico. Páginas de comentários têm sido dedicadas a todas as barreiras de gênero, sociais, étnicas, e religiosas que Cristo derrubou para interagir com a mulher samaritana, que era de uma raça desprezada pelos compatriotas judeus de Jesus.¹⁹ Entretanto, isto não o deteve. Ele vê uma mulher em necessidade e começa a falar com ela. Deve ter parecido óbvio mas, nesta pequena troca, João usará a palavra "disse" e "respondeu" doze vezes. Jean-Marc Chappuis nota: "A comunicação mais usual pode expandir para se tornar repentinamente firme e substancial. Isso claramente é o que acontece no encontro entre Jesus e a mulher samaritana”.²⁰ Para tomar emprestado uma frase muito usada, Jesus recupera e santifica o comum aqui.²¹ Ele interage com a mulher no ponto inicial de uma conversa normal. Entretanto, o leitor está ciente de que alguma coisa inerentemente profunda está em jogo. Jesus está querendo pegar essa conversa e expandi-la em algo que proporcione vida.

Ilustrativo O ministério de Jesus com a mulher samaritana é intencional e interativo, e também rico em ilustrações. Jesus faz bom uso do que está ao redor dele enquanto evangeliza e aconselha a mulher samaritana. Usando um tópico usual, banal, tal como a água, ele abre as comportas do imaginário do Antigo Testamento.²² Discutir o assunto de água fornece uma porta para ele entrar numa conversa espiritual profunda sobre uma sede, que nunca pode ser saciada. Isto não deveria nos surpreender — afinal de contas, Jesus é o


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professor principal e conselheiro modelo das Escrituras (ele é o ponto culminante disto, conf. João 5.39; Lucas 24.27). Ele recorre a uma fonte de imagens do Antigo Testamento para ter uma conversa teológica com a mulher. Jesus começa a construir pontes com Isaías, que teve, ele mesmo, uma visão, para que as pessoas "tirassem água dos poços da salvação" nos últimos dias (Isaías12.3). A tradição judaica assegurava que a provisão de água era associada intimamente com a vinda do Messias, o maravilhoso conselheiro.²³ O próprio Isaías teve a visão de pessoas que, em época futura, não teriam nem fome nem sede (Isaías 44.3; 49.10; 55.1). Num dia quente e empoeirado, Jesus pega o que está disponível e usa uma simples necessidade para ir mais fundo no coração desta mulher.

Perspicaz Há perspicácia e discernimento da parte de Jesus que pressiona por mais do que apenas uma resolução terrena e temporal ao problema da mulher Samaritana. Ele sabe que há algo maior em jogo do que apenas a questão da água,²⁴ da localização do poço, e onde alguém adora. O alvo de Jesus é que a mulher samaritana se torne adoradora em espírito e em verdade. G. Campbell Morgan observou como Jesus usa esta porta para dentro do coração dela: "Com efeito ele disse, eu ouço o clamor de sua alma por essa água. Eu tenho essa água para dar, mas há algo em sua vida que tem que ser consertado".²⁵ Jesus, perspicaz e habilmente diz que a coisa que precisa ser consertada é a disposição do coração em procurar amor e aceitação em alguém ou algo que não seja nós mesmos. Esta mulher havia buscado por significado e significância em todo tipo de lugares errados, por tanto tempo. Os homens que ela conheceu e os antigos relacionamentos que eles representam são realmente como cisternas vazias as quais nunca podem realmente satisfazer o desejo de seu coração. Mas, aqui diante dela, está o homem, o próprio Jesus, água viva encarnada.


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A pessoa de Cristo Ao fim do dia, Jesus mesmo era a resposta que a mulher estava buscando. Alvos que não têm como finalidade a completa e total adoração de Deus pelos aconselhados, fornecem resultados não bíblicos. Jesus não está contente em deixar as pessoas como elas estão. O propósito de encontrar a Jesus é o da transformação. Como conselheiros, temos o grande privilégio de encarnar e refletir Deus, o Filho, dessa forma. É preciso notar aqui, que alguém pode ter uma conversa que é intencional, interativa, perspicaz e ilustrativa, mas ainda assim não oferecer aquilo que pode verdadeiramente realizar a mudança bíblica. Jesus é o poder para mudar. É por isso que ele veio à Terra para buscar e salvar um povo para si mesmo que o adoraria em espírito e verdade. Imagine a surpresa da mulher, quando ele revela em João 4.26, "Eu o sou, eu que falo contigo!” Ter sido confrontada pela primeira vez com o fato de que estava falando com o próprio Messias, deve ter sido uma experiência verdadeiramente marcante.

O propósito de Cristo

A trajetória desta narrativa serve a um propósito inconfundível. Esta não é uma mera conversa refrescante no meio da tarde. Jesus busca muito mais do que uma mera melhora de vida. Ao mesmo tempo em que não ignora as preocupações da mulher, ele se dá conta de que um alvo deve ter preeminência de propósito. Kevin Huggins escreve, "Jesus usou as preocupações que eram do maior interesse da mulher samaritana naquele momento (adoração) para ajudá-la a descobrir algo sobre o seu próprio coração que ela precisava desesperadamente mudar”.²⁶ Entre os versículos 20–24, a forma do verbo grego proskuneo (adorar) é usado em dez vezes distintas. Destilando as preocupações da mulher relativas à adoração e ao local onde tal ocorreria, Jesus diz: "Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o


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Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4.23–24). Embora certamente nem tudo da conversa tenha sido registrado para nós por João, os elementos essenciais estão lá. Jesus entra no mundo da mulher samaritana com um alvo inconfundível. Ele deseja que essa mulher se torne uma verdadeira adoradora de Deus para restaurá-la para o que ela foi realmente criada. Poderia ele ter oferecido conselho relativo a situação de vida atual da mulher? Absolutamente. Poderia ele tê-la aconselhado quanto a maneiras como ela pudesse lidar com a vergonha e a reprovação por parte de seus compatriotas? Certamente. Entretanto, Jesus sabia do que esta mulher precisava. Ele percebeu que algo de significado eterno estava em jogo. O desejo dela por outros homens, amores ilícitos, tudo apontava para uma mulher à procura de amor e aceitação em coisas, que, em última análise, irão desapontar. Como Agostinho nota, Deus nos fez para ele mesmo e para sua grande glória — Portanto, “nossos corações não acham paz até que descansem em ti”.²⁷ Pascal, ecoando o ponto de Agostinho, escreveu: O que mais este anelo e este desespero proclamam, a não ser que houve uma vez no homem, uma verdadeira alegria, da qual, tudo que agora resta é uma pegada e resquício vazios? Isto, que ele tenta em vão preencher com tudo ao redor dele, procurando em coisas que não estão lá para ajudar, ele não poderá achar naqueles que podem, mesmo porque ninguém possa ajudar, uma vez que esse abismo infinito pode ser preenchido apenas por alguém infinito e imutável; em outras palavras pelo próprio Deus. ²⁸

Jesus veio à mulher com um convite de algo que não iria apenas satisfazer seus maiores anseios e desejos, mas também transformá-la no seu íntimo. É uma oferta de vida nova e novo coração; é uma oferta de shalom (paz) e perdão. Ele a chama a abandonar aquelas coisas a que ela havia se apegado para dar sentido e significado e abraçar a vida nele. Esta chamada à mudança é algo que o conselheiro bíblico estende ao aconselhado — abandone as suas cisternas vazias e ídolos, e venha para aquele que oferece água viva. Como conselheiros bíblicos, se estamos à procura de algo que distingue o nosso conselho como único, então é isso: que todas as conversas inevitavelmente se encaminharão para Jesus Cristo. Nenhuma outra


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abordagem à vida oferece a pessoa de Jesus Cristo, revelada nas Escrituras. É a seu padrão, propósito e pessoa, que nós como conselheiros, buscamos demonstrar, defender e personificar. Essas três características são o que realmente distinguem aconselhamento cristocêntrico de outros modelos. O aconselhamento bíblico cristocêntrico tem como objetivo mais do que oferecer um ouvido empático ou soluções pragmáticas. Jesus oferece a si mesmo como água viva, o que responde a nossa maior necessidade de perdão e unidade. Jean-Marc Chappuis observa argutamente: Jesus teria sido um mal Rogeriano… as conversas do evangelho, de fato notavelmente aquelas registradas por João, e ainda mais especificamente aquelas com Nicodemos e a mulher samaritana, testificam que ele conclui apenas dois terços do programa de Roger. Ele pratica empatia. Ele compreende e respeita o quadro interno de referência daqueles com quem fala. Em contrapartida, ele não se submete ao terceiro preceito de Roger, que é a nãodiretividade. Pelo contrário, ele dirige a atenção dos seus interlocutores autoritativamente para um novo horizonte de suas existências, em direção a uma possibilidade oferecida a eles para viverem de forma diferente.²⁹

Uma transformação no poder de Cristo

Quando Kelli começou a ler através dos registros dos evangelhos, ela descobriu que Jesus podia curar qualquer mal ou doença, e que quando ele o fazia, ele curava na totalidade. Este mesmo Jesus era o Senhor, a quem ela estava clamando tão desesperadamente para curá-la ou “consertá-la”. Não era ele capaz de o fazer? Kelli estava começando a aprender a importância de viver as verdades que ela havia lido mas páginas da sua Bíblia. O que estaria faltando nas suas sessões de terapia de comportamento cognitivo? Porque ela saía insatisfeita e vazia? Kelli escreve: Eu não havia me voltado ao único que era capaz de curar e salvar verdadeiramente. Tentar remediar minha falta de esperança através da terapia comportamental era como tentar consertar um carro sem as ferramentas. Enquanto as técnicas


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praticadas na terapia tinham grande potencial para serem úteis, elas careciam da substância que era capaz de tornar o programa eficaz. Apenas Jesus, através do poder de sua palavra, era capaz de derrubar minhas paredes e me ajudar a lidar com as dificuldades e provações que eu pensei serem insuperáveis.

É por meio de aconselhamento bíblico cristocêntrico que jovens mulheres como Kelli são capazes de verdadeiramente serem transformadas em seu íntimo, libertas de sua escravidão interior e idolatria, e se tornarem verdadeiras adoradoras de Jesus. E como conselheiros, é com alegria que fazemos parte da jornada de transformação pessoal das pessoas na imagem de Jesus Cristo.


Aconselhamento Bíblico Cristocêntrico  

Ao ler este livro, você poderá entender claramente por que você deve abraçar e praticar o aconselhamento bíblico; Ser encorajado a confiar n...

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