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Yan Love


Luiz Guilherme de Moura Ferreira

Yan Love S達o Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Gabriel Miranda

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ F441y Ferreira, Luiz Guilherme de Moura Yan love / Luiz Guilherme de Moura Ferreira. - São Paulo : Baraúna, 2012. ISBN 978-85-7923-583-2 1. Romance brasileiro. I. Título. 12-4511.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

29.06.12 11.07.12 036892 ________________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


A Deus, papai, mamãe e família. Sem vocês, não sei o que sou


Capítulo 1

Às 06 horas Yan levanta para mais um dia de aula. Mesmo com a sonolência ainda em processo de dissipação em seu corpo, ele faz sua higienização, coloca a farda do colégio, toma o café matinal, e sai às 06h35min. Todo dia é sempre assim, e justo hoje não seria diferente. Afinal, por que seria diferente? Yan espera em média de cinco a dez minutos pelo ônibus, para chegar a seu destino. Geralmente quando ele pega o ônibus, fica na janela pensando em uma serie de coisas, ouvindo música em seu mp3, ou até mesmo pensando em nada. Outras vezes, ficava de pé, e passava pela roleta um pouco antes de chegar ao seu destino. Ele chega ao ponto de parada, desce do ônibus e segue a pé, numa caminhada curta até a escola. Lá, ele chega, tira a agenda da mochila para confirmação de sua presença e vai ao bebedouro tomar um pouco d’água, para em seguida subir as escadas até sua sala. Ele chega e senta-se em sua cadeira, nos fundos da sala. Fica na dele, quieto, sem conversar muito (apenas quando alguém fala com ele — até mesmo dando um

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“bom dia”). A professorar chega. Uma senhora que pelas marcas faciais, aparentava ser de uma idade avançada. Seu nome era Neide, uma das professoras mais duras da escola. Suas aulas costumavam ser difíceis e chatas para a maioria dos alunos. Mas para Yan, não era tão difícil assim (mesmo ela cismando com ele, de vez em quando). Às vezes, Julio, um de seus colegas de classe, comentava sobre as aulas da megera em cochichos discretos com Yan. “Engraçado, as aulas dela nunca mudam. Não sei como você suporta tudo isso. E pior, ela ainda cisma com você, cara.” — disse Julio “Acho que ela deve ser mal humorada de natureza, ou tem alguma frustração de vida, não sei” — indaga Yan. Ela sempre causaria medo entre os alunos da classe de Yan (e de outros alunos das salas mais avançadas). Com aquele jeito duro, quase ditatorial, ela sempre mantinha a sala de uma forma santa, quase muda. E se alguém a desobedecesse seria duramente punido por ela (alguns alunos já ousaram isso, mas se deram muito mal — não houve sequer um que escapasse disso). Mas eis que nesse dia surge uma boa notícia. “Na semana que vem, não estarei mais dando aulas nesta escola. Por tanto, quero a partir daqui, me despedir de vocês, e mesmo não sendo uma super professora para todos, eu agradeço pela oportunidade de ter vivido grandes momentos com vocês.” — disse a megera Neide, que, nem em despedida, amolecia seu coração. A turma ficou quieta, até a hora do intervalo. No pátio da escola, foi uma comemoração só. Alguns gritavam de felicidade dizendo “a megera Neide vai sair”,

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e outros até falavam, “graças a Deus, uma a menos nas nossas vidas”. No banco do pátio, Yan e Julio comentavam a novidade. “Você viu Yan? A megera vai cair fora. Fiquei muito surpreso com isso. Ela já estava pra ficar como uma múmia dando aula para nós.” — disse animado Julio “É. Já estava na hora!” — disse Yan de uma forma um pouco debochada, de quem não esta nem ai para a situação. Depois da aula, Yan foi para casa sozinho, como sempre. Chegava, tomava um bom banho, almoçava, descansava e iria estudar até por volta das 05 horas da tarde. Depois, tomavam outro banho e ia à casa de sua amiga, Melissa. Melissa e Yan se conheceram na época em que estudavam juntos na mesma escola. Melissa saiu por alguns problemas financeiros na família, mas isso não distanciou os dois. Sempre que podem, visitam um ao outro. Telefonam, trocam mensagens no celular, e ate mensagens instantâneas na internet. Já na casa de Melissa, Yan conta a novidade do dia para ela. “A megera saiu? Nossa que fantástico!” — disse Melissa, surpresa com a novidade. “Sim, mas como de costume, todos comemoraram no pátio pra não ter risco de serem punidos por ela.” — ironizou Yan. Melissa também conviveu essa fase negra da megera Neide. “Mas que coisa boa né, Yan? Agora é só espera a

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próxima professora.” “Espero ao menos que ela possa ser uma boa pessoa, ou no mínimo legal como o pessoal da turma.” “É esperar pra ver!”. “E os amores, como estão?” “Ah, Yan, nada. Eu estou quieta na minha, mas de vez em quando dou uns olhares carinhosos em um menino que conheço.” — disse Melissa meio tímida com aquela pergunta. “Que legal.” “E você Yan? Nada também?” “Não nada. Nunca fui ideal pra ninguém.” “Ah, Yan, não fica assim, você sim será ideal para alguma garota” — ela segura nas mãos de Yan enquanto fala — “Tenho certeza de que será muito feliz quando encontrar o amor de sua vida.” Eles se abraçam, e ficam conversando até pouco antes das 09 horas da noite. *

*

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No dia seguinte, Yan estava mais uma vez em sua sala ao lado de Julio, comentando a vida da tão esperada nova professora de literatura. “Como será ela? Será que ela vai gostar de mim?” — falou Julio todo convencido “Não sei. Espero apenas que ela seja uma pessoa boa.” E logo alguém gritou ‘é a nova professora!’. Todos sentaram rapidamente em seus lugares. Pouco tempo depois a nova professora chega. Ela

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põe suas coisas sobre uma pequena mesa de jacarandá, e inicia sua apresentação. “Bom dia classe. Meu nome é Sofia, e sou a nova professora de Literatura dessa turma.” Yan achou tudo tradicional, chato de inicio para jovens da idade dele. Depois a professora pediu para que os alunos se apresentassem, e na vez de Yan, ele gaguejou, mas teve jogo de cintura rápido para falar palavra por palavra em seu devido entendimento. “Meu Nome é Yan.” Disse ele seguro e firme de suas palavras. Durante a aula, Yan estava atento, e logo percebeu que as coisas poderiam fluir melhor na questão do aprendizado. Ela ensinava por tópicos escritos no quadro branco ou através do livro, e ele lá, prestando bem atenção, para não perder nada da aula. E isso se deu até o toque para o intervalo. Lá todos comentaram sobre a professora nova. Yan e Julio não perderam a oportunidade “Ela parece ser muito gostosa. Tem um corpo de parar o trânsito.” — disse Julio elogiando os atributos corporais da nova professora. “E ela ensina muito bem. Parece que ela vai vingar.” “ Pô Yan! Eu falando aqui das coisas boas que ela tem, e você como sempre, vai perceber o lado científico dela? Assim não dá amigão”. “Ah, você é muito secador Julio. Gostei dela pelo simples fato do jeito que ela ensina. Ela tem algo a mais que outras professoras não têm.” “Ih! Lá vem você com esse papo de mulherzinha.” Pouca coisa mudou no período seguinte de aula. O

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tempo custou um pouco a passar, até à hora do toque final. Durante a volta pra casa, Yan ficava pensando em coisas que poderia fazer no fim de semana, que estava por chegar, pois aquela semana não foi tão boa para ele. Não havia nada planejado para o fim de semana, mas se falasse com Melissa, provavelmente ela diria um bom lugar para sair no sábado à noite. Chegando a sua casa, tomou um bom banho, almoçou, assistiu um pouco de televisão, e foi cochilar. Ele estava tirando um cochilo bem gostoso, preguiçoso como se é de fato. Em um momento do cochilo, ele teve um sonho bem estranho, onde ele estava em um quarto todo vermelho. No sonho, ele ouvia uma voz feminina, bem familiar, que ecoava no quarto. Procurando pela voz, ele não achava a pessoa e resolveu ir a outros pontos da casa. Seguindo a voz, passando por quartos, banheiros, corredores, jardins, e outros ambientes esquisitos. Ele não conseguia encontrar a tal pessoa daquela voz tão familiar. De repente, ao voltar pelo mesmo corredor por onde havia passado, ele dá de cara com uma pessoa que estava de costas, com um vestido branco, logo se virando para ele, e dizendo, ‘Eu te amo. Beije-me’. Seu rosto não era visível e na hora do ato, seu telefone toca: era o despertador. Já eram quase cinco da tarde, e ele ainda teria que arrumar seu quarto para logo mais a noite poder estudar. Mas antes de levantar, ele ficou refletindo sobre o sonho, pois parecia que a voz desse sonho era muito estranha, pois o som não era uma velha conhecida. ‘São delírios da minha cabeça’, pensou ele, já deixando o assunto de lado. Ele levantou, lavou o rosto no banheiro, e foi fazer

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uma pequena limpeza em seu quarto. Após isso ele tomou um bom banho, estudou durante uma hora e resolveu sair sozinho, sem um rumo certo. No caminho, ele ficava pensando em coisas bobas, sem muita lógica. Passou por vários lugares e pessoas. Num momento, ele resolveu parar em uma lanchonete. Sentou-se em uma das cadeiras do balcão, e pediu um sanduíche bem passado. Ele estava com o olhar no infinito, pensativo nas suas pequenas loucuras, quando alguém encosta a mão em seu ombro esquerdo. Ele se vira. Era a professora Sófia. “Olha quem esta aqui” — fala a Professora com um sorriso radiante. Yan fica surpreso com a presença dela. “Nossa! A senhora por aqui.” — diz Yan “Não me chame de senhora. Pode me chamar de você.” — ela sentou-se ao seu lado — “o que um moço tão bonito esta fazendo uma hora dessa fora de casa? Olha que isso é perigoso rapazinho.” — ela sorriu. “Ah, só estou passando o tempo por aqui. Não a nada demais pra se fazer em casa numa sexta feira à noite.” “Ah, muito bem.”-diz ela em tom irônico — “mas você estudou hoje, não é?” “Pra ser sincero, sim. Gosto muito de estudar.” “Que ótimo. Percebi seu esforço na minha aula. Gosto muito de alunos esforçados.” “Obrigado, eu apenas faço minha parte. Sei que é complicado, mas faço o possível pra manter meus estudos em dia.” “Ah, que ótimo. Entendo você nesse aspecto. Tam-

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bém sua idade. Dei-me muito bem com os estudos. Hoje, posso muito bem sair da minha profissão e ir para outra sem risco algum.” A conversa foi bem descontraída. Eles falaram muito de suas vidas e outras coisas do dia-a-dia. Aquela conversa estava muito boa para Yan. Ele passou a conhecer um alguém que só tinha visto uma única vez há algumas horas atrás. E assim, o lanche foi mais descontraído. Foi bem melhor do que ter ficado amargando sozinho. Mas já era tarde, e ele teria que ir. Na saída, ele falou: “Foi muito bom ter falado com você”. “Eu que sou grata por estar ao lado de um aluno meu. Poucas vezes tive esse privilégio de conversar com um aluno, e conhecê-lo um pouco mais.” Os dois se cumprimentaram de forma amigável, e saíram por seus devidos caminhos. Yan gostou muito daquela noite. Ele saiu com uma sensação muito boa daquilo, como há muito tempo não sentia de um encontro. Ele chega a casa. Sua mãe estava na sala, e pergunta onde ele estava até àquela hora. Ele resolveu mentir, dizendo que estava na casa de um amigo. Depois, foi tomar uma ducha, e em seguida, foi dormir, pois o dia já havia lhe bastado.

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Capítulo 2

O celular despertou com um som alto. Gradativamente, ele vai acordando, e percebendo que o dia já nasceu faz tempo. Eram 10h33min da manhã. Ele desliga o programador que desperta à hora de seu celular, e vai ao banheiro. Ele se olha no espelho, ainda com os olhos inchados do sono. ‘hoje é sábado!’, lembrou-se. Escova os dentes, senta no aparelho sanitário, para tentar pensar em algo e vai para o chuveiro. Banho tomado é hora de acordar de vez para o dia (mesmo ele não sendo um dia útil). Ele vai para a sala, liga a TV. Passa os canais, mas nada de bom está passando àquela hora do dia. Então, ele volta ao seu quarto, liga o computador e fica até á hora do almoço acessando a internet. O almoço foi uma delicia só. Arroz, feijão, carne cozida, e uma pitadinha de uma conversa agradável, entre Yan e sua mãe. Eles falaram sobre seus dias, e algumas situações que neles aconteceram. Tudo foi gostoso, e ao mesmo tempo acolhedor. Isso lhe dava um ar de satisfação, mesmo que, em alguns dias, ele sentisse infelicidade e solidão. Eles vivem sozinhos, pois seu pai é separado de

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