Uma Visita ao Passado do London ao Loyds Bank

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UMA VISITA AO PASSADO DO LONDON AO LLOYDS BANK



Umberto Boihagian

UMA VISITA AO PASSADO DO LONDON AO LLOYDS BANK

São Paulo – 2015


Copyright © 2015 by Editora Baraúna SE Ltda.

Arquiteto Claudio Moschella

Capa

Diagramação Camila C. Morais Revisão

Mariana M. Benicá

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ B668u Boihagian, Umberto Uma visita ao passado: do London ao Lloyds Bank / Umberto Boihagian. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2015. ISBN 978-85-437-0473-9 1. Boihagian, Umberto. 2. Homens - Brasil - Biografia. 3. Bank of London & South America Ltda. I. Título. 15-27006 CDD: 920.71 CDU: 929-055.1 ________________________________________________________________ 02/10/2015 02/10/2015

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua da Quitanda, 139 – 3º andar CEP 01012-010 – Centro – São Paulo – SP Tel.: 11 3167.4261 www.EditoraBarauna.com.br Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem a expressa autorização da Editora e do autor. Caso deseje utilizar esta obra para outros fins, entre em contato com a Editora.


DEDICO AO MEU ANJO, ALAIR Você participou, contribuiu, opinou e até censurou cada linha, cada página desta obra. Mas você partiu uma semana após o término e não viu o produto acabado. Aproveito, minha Alair, para aqui registrar meu agradecimento a Deus por ter me emprestado sua presença, seu amor, seu companheirismo por mais de cinquenta anos. Agradeço também pelos filhos que me deu. Até um dia... FILHOS, NORAS E NETOS Este livro é também dedicado aos meus filhos, Silmara, Umberto Júnior e Fábio, às noras Carol e Lilian e aos netos Luiza, João Pedro e Luiz Felipe, que me dão carinho permanentemente.



AGRADECIMENTOS Gostaria de deixar registrado meu agradecimento especial ao amigo arquiteto Claudio Moschella, autor da capa do livro, ao meu cunhado, o jornalista JosuĂŠ Machado, e ao jornalista Ricardo Setti, que opinaram e contribuĂ­ram para o resultado final.



PREFÁCIO Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho para ter uma vida completa, diz a sabedoria popular. Qualquer pessoa normal pode atender a essa regra? Aparentemente sim, mas nem sempre com a profundidade que a frase pretende atingir. Uma árvore pode ser plantada até por um passarinho, defecando. Filhos são gerados e jogados no mundo com tanta facilidade que chegará o tempo em que, como um ônibus lotado, não haverá mais espaço para todos. Livros são escritos sem brilho por pessoas sem brilho que levaram uma vida sem brilho, apoiados pela facilidade da informática e das novas tecnologias. É preciso, porém, entender a simbologia e o significado daquela frase e adaptá-la a si próprio. Para mim, a árvore significa o amor que plantei com a pessoa amada e os filhos são as sementes dessa união, felizmente criados com a dignidade que demonstram. O livro, por sua vez, procura retratar três décadas de atuação profissional dentro de uma empresa que, apesar de estrangeira, transformou-se em um microuniverso, compartilhado com pessoas incríveis, inesquecíveis, cuja maioria, felizmente,


continua conosco em contato permanente. Estou me referindo ao Lloyds Bank, que já foi embora do país e, após cerca de 350 anos de vida, não escapou da crise financeira mundial e teve de ser salvo pelo governo britânico, juntamente com outros grandes bancos ingleses. Em meu período, assisti e usufruí, como em qualquer outra comunidade, de momentos de desafios, vitórias profissionais, enormes dificuldades, perdas dramáticas de colegas, traições de pseudoamigos, bons e maus profissionais e assim por diante. Aqueles por mim considerados como pessoas “do bem” serão grifados em letras maiúsculas, sem precisar escondê-los. Os demais, “perniciosos” ou “perigosos”, estarão subentendidos, cada um “vestindo a carapuça” que assim enxergar. Felizmente, o que sobrará nessa peneira é a nata de pessoas com quem convivi, originárias de vários estados e países e que deixaram saudades daqueles tempos. Não há, de minha parte, arrogância, pretensão ou vaidade, mas apenas o desejo de, usando o Lloyds como motivação, registrar períodos curiosos, dramáticos, humorísticos, entre outros, naquela instituição, bem como momentos importantes da política e da economia de nosso país na mesma época. É difícil escrever um livro? Não! Difícil e heroica é a coragem de quem lê.


APRESENTAÇÃO Útil, didático e divertido: um livro para ler de um fôlego Sempre me mantive algo distante de vizinhos — seja por timidez, seja por excesso de zelo pela privacidade — o fato é que assim foi ao longo de boa parte de minha vida. Mas como resistir àqueles vizinhos da casa em frente à nossa na tranquila, praiana e deliciosa Peruíbe do começo dos anos 1980? Gente sorridente e simpática — irmãos, cunhados, filhos e sobrinhos, depois namorados e namoradas dos filhos e sobrinhos —, que à noite, em férias e fins de semana, se reunia no quintal, espalhando-se pela calçada quando o contingente era mais numeroso, para contemplar as estrelas, conversar fiado, tomar uma cervejinha ou um vinho, rir muito, tocar violão e cantar? Como resistir quando a dona da casa, um amor de criatura, atravessava a rua para oferecer delícias saídas de sua cozinha?


Como resistir quando minha filha Adriana, lá pelos seus sete ou oito anos, se encantou com a amiga um pouco mais velha, já pré-adolescente, a linda moreninha Vanessa, que era da “turma da frente”? Minha mulher, Marcia, e eu não resistimos, tal como ocorrera com nossa filha. Nem o Daniel, o caçula da família. E nos tornamos amigos da turma da frente, capitaneada pelo autor deste livro, Umberto Boihagian — daqui por diante chamado, como então, de “Umbertão”. Um fator importante de aproximação acabaria sendo uma dessas coincidências incríveis da vida: um dos cunhados de Umbertão, jornalista como eu, trabalhara comigo em uma mesma redação e, mais que isso, era um amigo a quem prezava muito, Josué Machado. Inteligente, dono de texto impecável, culto e excelente companhia, era o pai de Vanessa e também de Selma, a Mima, e casado com Lenise, irmã do Umbertão. Quanto a Umbertão, alto executivo de um grande banco estrangeiro, submetido no trabalho a um brutal estresse, que em boa parte este livro revela, jamais o vi, uma única vez, de mau humor, em treze anos de convivência praiana. Pelo contrário: tal como a mulher, Alair, e os filhos Silmara, Umbertinho — que na verdade, contrariando o diminutivo, tornou-se, em adulto, um gigante de quase dois metros — e Fábio, o Binho, Umbertão curtia plenamente aqueles momentos preciosos. Sua conversa era interessante, agradável, repleta de boas histórias. Tal como este livro.


No seu prefácio, modesto e brincalhão, Umbertão pergunta e ao mesmo tempo responde: “É difícil escrever um livro? Não! Difícil e heroica é a coragem de quem lê.” Não apoiado! Coisíssima nenhuma, como você, leitor, terá ocasião de constatar. O livro não tem nada de difícil, não. Já de cara, ao contar sobre sua ascendência, aparecem dois avôs incríveis. O materno, filho de italianos, maestro, tocava com a orquestra formada pela família em cinemas na época dos filmes mudos e talvez tenha até dado um pitaco no tango El Dia que Me Quieras, do grande Alfredo Le Pera. O paterno, que escapou do genocídio contra o povo armênio praticado pelo Império Otomano durante a I Guerra Mundial refugiando-se na Síria antes de estabelecerse no Brasil, emigrou com dois amigos — um deles acabou tão rico que chegou a ser proprietário dos enormes terrenos onde hoje fica a sede do Corinthians, no Parque São Jorge. Casou-se aos 60 anos com uma moça de 20, teve seis filhos e, já idoso, mas dotado de fundo sentimento de honra, não teve dúvidas em despachar desta para a melhor um genro que batia em uma das duas filhas, chegando a fazê-lo em frente ao pai. Da mesma sinceridade com que narra o caso do avô indignado, Umbertão lança mão para falar do pai, seu Alex, que ele um dia descobriu manter duas famílias. Tratava-se, porém, de um comerciante tão genial que algumas de suas sacadas para aumentar vendas de 60 anos atrás são até hoje utilizadas em grandes lojas. Essas situações pululam ao longo de um livro que Umbertão escreveu para falar de seu banco do coração,


o grande Lloyds, que sucumbiu à grande crise financeira de 2008, após 350 anos de existência, e não existe mais hoje tal como era. No Brasil, como ocorre com outras empresas, viu-se arrasado por “consultores”. O livro de Umbertão é um passeio agradável, às vezes dramático, mas sempre acessível pelas diversas etapas de crescimento do banco, pelos personagens que construíram sua grandeza, por alguns que atuaram em sentido contrário e também pelos percalços do mercado financeiro no Brasil — desde seus rudimentos, antes do regime militar e da criação de instituições cruciais como o Banco Central, até seu desenvolvimento e maturidade. O autor, no entanto, teve habilidade suficiente para temperar observações técnicas pertinentes e utilíssimas para quem é do ramo, fruto de uma carreira vitoriosa que começou como “lambedor de envelopes” no banco — ele trabalhava na Seção de Correspondência –-, com passagens expressivas de sua vida, várias delas envolvendo personagens conhecidas do público. Drama? Pois não falta. Umbertão sofreu a perda de um grande amigo, pioneiro do open market no país, por suicídio. Ele próprio sobreviveu a um desastre de avião no Recife, tão grave que até o copiloto morreu. Só seis passageiros, inclusive Umbertão, não saíram feridos. Episódios curiosos? Deles também o livro está repleto. Que tal revelar que o versátil Umbertão acabou se tornando, sem cobrar nada, consultor de restaurante, sendo responsável pela introdução da pizza de qualidade em Maceió, quiçá em todo o Nordeste? Ou lembrar que, na despedida da associação entre o grupo Multiplic e o Lloyds para determinados negócios,


em que o autor jogou um papel importante, houve um torneio de futebol society no Rio de Janeiro que, como a taça ao vencedor, levou seu nome — e, melhor ainda, com a partida final apitada por Arnaldo César Coelho apenas uma semana após o irmão do dono do Multiplic ter arbitrado a final da Copa do Mundo da Espanha, em 1982 (Itália 3 x Alemanha Ocidental 1)? Ou, ainda, contar que PC Farias — sim, Paulo César Cavalcanti de Farias, o futuro tesoureiro de Fernando Collor cujo nome batizou a CPI do Congresso que levaria ao impeachment do presidente — era um dos empresários de Maceió a esperar Umbertão no aeroporto quando o banco lhe designou o comando da filial na praça? O mesmo PC Farias que, anos depois, já coletando recursos para a futura campanha de Collor à Presidência, aplicaria de uma só vez 10 milhões de dólares no Lloyds? O leitor certamente se divertirá com outras passagens. Quer saber de uma? Então serve a do botão de segurança da filial de Recife, destinado a acionar a polícia em caso de assalto. Pois não é que um inspetor de Londres, que de vez em quando vinha checar esse sistema nas agências do Brasil, apareceu um dia para testá-lo, apertou a campainha... e apareceu um garçom com dois chopes? Esse tipo de história bem-humorada Umbertão conseguiu levar para a parte técnica, frequentemente intrincada para o leigo. Um bom exemplo é a explicação do que se chamou no mercado de “bicicleta”, com títulos da dívida externa brasileira, operação que se realizava nos anos 1980. Com permissão do Banco Central, entidades brasileiras podiam comprar no exterior esses títulos com gran-