Page 1

Zimbow

a saga de um perfume Um Inconsequente Inconteste


Arnaldo Raimundo

Zimbow

a saga de um perfume Um Inconsequente Inconteste

S達o Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa RJLajes Revisão Priscila Loiola Diagramação Monica Rodrigues

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ _________________________________________________________________

R13z

Raimundo, Arnaldo Zimbow: a saga de um perfume: um inconsequente inconteste/ Arnaldo Raimundo. - [2.ed.]. - São Paulo: Baraúna, 2012. ISBN 978-85-7923-547-4 1. Ficção brasileira. I. Título. 12-2156.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

05.04.12 12.04.012

034514

_________________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


Sumário Introdução.................................................... 7 Exótica luminosidade noturna......................................7 O vislumbre de enxergar.............................................12 Como a luz que nos ilumina.......................................15 Do crepúsculo à aurora...............................................17 Radiografia de uma noite agonizante..........................19 Estresse fotossintético.................................................20

Entrando no Capítulo I dessa estória.......... 23 Retrato falado.............................................................23 Fazendo cara de monstro sagrado...............................27 Viatura do espaço.......................................................29 Espelho, espelho meu.................................................37 Nas ondas do rádio.....................................................38


Levando uma bronca do ET.......................................41 Procurando a maior riqueza........................................43 Em busca da lista de mais Tesouros.............................45 Invasão de privacidade................................................47 ETs têm medo de fio terra..........................................49 Como fabricar planetas Terras....................................51 Zimbow confirma a palavra átomo.............................60 Átomos assumidamente humanos...............................64 Valeria a pena ser átomo-escravo da natureza?..............66 ETs também sonham..................................................91 Embarcando nesse sonho............................................94 Parando para pensar...................................................97 Zimbow, um ET de mil faces...................................106 Zimbow revela sua grande tese.................................112 Escambo de humanos cobaias...................................116

Entrando no capítulo II dessa estória........ 119 Humanos convictos demais......................................119 Entrando em outra dimensão...................................137 Zimbow trapalhão....................................................160


Introdução Exótica luminosidade noturna Fiquei muito ansioso com o recado que recebi. Por isso cheguei alguns minutos antes do horário combinado. Como estava com meu notebook de bolso na mão, abri-o em alguns e-mails pendentes. Isso me pôs a conjeturar como um dos avanços tecnológicos humanos sobre a Terra definitivamente estaria desaparecendo com mais um dos fenômenos naturais mais intrigantes da natureza: a noite natural nos continentes. Pois ao observar uma fotografia do globo terrestre, tirada por algum satélite em avançado horário pós-meridiano, e a mim enviada por email, logo notei algo instigante nela. A princípio, pensei se tratar de uma lua cheia vista do espaço. Mas, para minha surpresa, era o planeta Terra mesmo. Ao apreciar o desdobramento daquelas fotos, podíamos ver a superfície da Terra fotografada do espaço à noite editada em formato de mapa mundi, nos revelando um inusitado fenômeno: a formação de imensos bolsões fóticos com uma luminosidade avançando sobre os continentes. 7


Pude imaginar que esse fenômeno artificial poderia mesmo estar em contínuo crescimento. Deveria ter começado no passado recente, após a invenção da lâmpada elétrica, como um pontinho de luz ali e outro acolá, e em menos de um século estaria em proporções de encher os olhos. Embora encantado com a beleza dessa foto, logo percebi que essa luminosidade nas noites continentais era intensa demais em grandes regiões do globo, como nas Américas, principalmente na do norte, onde estariam as interligadas megalópoles americanas. Nem as bordas costeiras da América do Sul escapavam, assim como praticamente todas as regiões da Europa, do arquipélago Nipônico e adjacências. Nesses locais seria nítida que toda área já estivesse contaminada com níveis elevados de fotos dispersos no espaço para uma noite normal. Nós, humanos, não conseguimos perceber a olho nu que essa luminosidade excessiva já estaria contaminando com seus fótons dispersos imensas áreas do globo à noite. Estariam esses pacotes de fótons invisíveis ao olho humano poluindo a noite natural de maneira sutil e invisível para nós, assim como foi o CO2 sorrateiramente destruindo a camada de ozônio sem que o víssemos? Pensávamos que o gás carbônico atuaria somente nos grandes centros poluidores, mas o grande desastre ambiental ocorrera a milhares de quilômetros da origem do problema. Seria assim também esta luminosidade? Escapariam esses pacotes de fótons dos locais mais afetados contaminando áreas que achássemos que ainda estive escuro? Teríamos que desenvolver aparelhos com filtro infravermelho para monitorar áreas protegidas? Pois uma inspeção a olho nu

8


seria um equívoco, já que o olho humano não detecta fótons dispersos na natureza. Do início da era da revolução industrial e seus gases até o ser humano perceber os problemas duraram mais de cem anos. E agora, quanto tempo o assunto demoraria a entrar em pauta? Perguntei a esmo, pois não tinha ninguém perto de mim me ouvindo, e, numa bizarra analogia, disse conversando sozinho: — A camada de ozônio protegia os animais e plantas na superfície do planeta dos raios ultravioletas. E agora, com o desmatamento constante, o planeta já está mais pelado que há trinta anos, por isso conclui-se que o breu das matas virgens nem mais existam, deixando esses locais mais vulneráveis à penetração de luz e consequentemente sem noite propriamente dita. Aquela luminosidade sutil registrada naquela fotografia talvez fosse feita mais para causar orgulho nos olhos humanos de quem a visse. Poderia também nos estar revelando um assustador fenômeno incipiente. Não poderia aquela luminosidade no futuro interagir com lentes especializadas de córneas selvagens evoluídas ao longo de milhões de anos baseadas exatamente na escassez dessa luz? Levando em consideração a velocidade do avanço desse fenômeno, como poderiam estar esses locais daqui mais uns cem, cento e cinquenta ou quinhentos anos? Conjeturei. Não seria a claridade de uma lua cheia o parâmetro a ser respeitado numa noite natural? Pode ser que ainda não tenhamos nos atinado que a luz se dispersa como um gás, enquanto sua fonte geradora estiver ligada viajando quilômetros de distância além do foco de origem. Nós

9


humanos ainda acreditamos que tudo que estaria fora do foco de uma lâmpada acesa é escuridão. Ledo engano. Isso ocorre porque temos a vista desarmada para a visão noturna. Seria como se sofrêssemos de cegueira noturna fisiológica. Seria até possível que ao desligarmos o interruptor de uma lâmpada, ele se apagasse instantaneamente somente dentro do espectro de alcance dos humanos. Mas, na realidade, poderiam demorar horas para dissolver até o ultimo fóton que já não estaria ao nosso alcance, mas que seria plenamente ativo noutros receptores, sejam para olhos ou outros mecanismos consumidores de luzes. Para isso já existem aparelhos que conseguem medir a presença de fótons ativos em ambientes que supúnhamos escuros. Repeti, lembrando ter visto câmeras filmando no breu da noite como se fosse de dia. Humanos, por conhecimento de cunho científico, sabem que em mundos selvagens a hipotética escuridão noturna nem sequer existe. É possível que a noite natural seja tão clara como um dia para os animais aí adaptados. Fiquei até pensando que humanos não tinham o direito de impedir a marcha da evolução segundo o que ela própria idealizara, pois no seguimento desses olhos adaptados para viver e enxergar no escuro noturno poderia estar a gênese de algum ser que no futuro de milhões de anos viriam nos substituir depois que humanos se despedirem daqui. Fiquei imaginando se por ventura no passado alguma outra espécie tivesse interferido naquelas espécies que culminam conosco. Fatalmente aqui não teríamos chegado. E isso, com certeza, teria postergado o projeto dos átomos e suas leis da física que, depois de terem

10


construído o planeta Terra, marcharam de forma seletiva e elitista construindo de forma bizarra uma estrela como uma usina atômica com um só tipo de matéria — o Sol —, pareando-os por acaso (?) de forma tão espetacular que nos dariam todos os dias um amanhecer, um anoitecer, com direito a um pôr do sol, e a auroras boreais. E para descansar, nos dá a noite, um céu estrelado onde o Universo e seus átomos se mostram de corpo inteiro, e às vezes ainda nos agracie com uma lua cheia, sem falar que ficamos encantados com os riscos de fogo no horizonte marcando o nosso encontro com meteoritos que nos visitam de vez em quando. Desse encontro, esse Sol que se traduz em noite ou em dia conforme o planeta Terra nos posiciona a ele, instigando assim a água que infiltra os pântanos a criar a vida, ao longo dos milhões de anos nos teria presenteado em somatória evolutiva um cérebro supostamente inteligente, formando assim uma espécie muito especial (que neste caso parece ser a nossa), dotando-o no futuro a reconhecer-se na própria matéria que o forma, passo importante para que esse átomo que aí estaria ultraestruturalmente embutido um dia pudesse se ver através desse cérebro. Essa profecia já estaria sendo materializada em alguns cérebros humanos, embora no momento desconfio que fosse somente no meu. E assim, me sinto um humano iluminado com essa sabedoria cósmica de reconhecer-me como um naco de matéria diferenciada do próprio planeta que pisoteio, e deslizo sobre tapetes asfálticos nas rodas dos carros e motocicletas. Mesmo parecendo que sou um objeto animado que pode ir e

11


vir desse jeito, nunca me esqueço de que estou aderido magneticamente ao solo deste planeta, mas isso não me impede de me imaginar como sendo o planeta por inteiro, sentindo-o como se fosse o meu próprio corpo em extensão. E assim acredito piamente nos estudos e nos Atlas de astronomia, que garantem que a Terra que me constrói em matéria faz parte do sistema solar, e este estaria dentro de galáxias e suas vias lácteas mundo afora, e que tudo, desde um grão de areia até a última poeira de uma nebulosa distante, seria construído ainda desses átomos, quiçá meu próprio corpo. Então, peço licença cósmica ao próprio Universo e suas leis da física para me incorporar nesta matéria que me apoia e sentir a leveza de ser imenso, enquanto fico suspenso no espaço sideral de braços abertos, vibrando de bem-estar.

O vislumbre de enxergar Pelo fato de sermos comprovadamente uma espécie biológica que seguira a escala evolutiva dentro da trilha filogênica, muitos dotes evolutivos não nos chegaram naturalmente. Seriam os humanos muito dependentes de grandes quantidades de luz para enxergarem? Na natureza podem existir outras modalidades de olhos evoluídos exatamente para enxergar onde acharíamos que estivesse um breu. De certa forma, desconfiávamos que o escuro da noite estivesse camuflado dentro das nossas limitações visuais, então lançamos mão de tecnologia que nos dotassem também do privilégio de enxergar num ambiente

12


supostamente escuro desvendando um dos maiores mistérios da natureza. Isso também faria parte da estratégia que a natureza adotaria para forçarmos a pesquisar e descobrir o Universo muito além da nossa imaginação. Pois ninguém vê o Universo como ele realmente é, olhando para o céu! Afinal de contas, fora para isso que aqui aportamos como matéria do próprio planeta Terra, que ao parear-se por acaso com o astro Sol, instigou a matéria a se meter numa empreitada nunca imaginada em qualquer outro lugar do mundo — a criação da vida —, e daí culminar naquele naco de matéria diferenciada que consegue até enxergar e entrar em dimensões inusitadas somente para contemplá-lo. Caso não existissem o dia e a noite, talvez não existíssemos como seres inteligentes, pois como veríamos o Universo se não tivéssemos como ver um céu estrelado? Copérnico e Galileu talvez nem tivessem atinado da sua trama, e, alem do mais, é sabido que nosso cérebro dorme um terço de nossas vidas. Como iríamos descansá-lo? Sabemos também que fora a própria luz que conduzira os olhos a evoluírem. Antes, tudo não passava de um punhado de células nervosas espalhado pelo corpo de uma larva qualquer, que se contorcia ao estímulo da luz. Hoje, nós, já como humanos altamente neuronais, cujo coletivo chamamos de cérebro, podemos abrir fogo rumo às pesquisas científicas. Embora que pelo fato de sermos uma espécie que pesquisa dentro dos parâmetros de ciência comparada, e que temos uma visão essencialmente de foco e grande consumidora de fótons concentrados, tivemos que buscar em tecnologias avançadas essa luz direcionada em todos os seus espectros.

13


— Tente ver uma célula no microscópio e verás o que digo — disse, ironizando. Na opinião de Zimbow, nós, humanos, costumamos considerar somente o que estaria ao alcance das vistas em macroescala e em três dimensões. Já para ele, o mundo seria como uma régua espectral cujo início seria o átomo com a menor escala ínfima que podemos imaginar, e se corrêssemos nessa escala em grandeza vindos a partir desse átomo, no final chegaríamos a ver um objeto, por maior que fosse, ficar do tamanho desse mesmo átomo inicial. Acompanhe o raciocínio: vamos pegar um objeto formado de um único átomo, ou seja, o próprio átomo, e a partir dele imaginarmos objetos cada vez maiores até chegar aqui no mundo real. Nesse ponto, tudo teria o tamanho segundo nossa concepção de grandeza, um milímetro tem um milímetro, um metro tem um metro, e tudo poderia ser visto na ótica dos 3D. Depois disso, lançamos nossas vistas em direção à Lua e ao Sol, e cada vez que aprofundássemos em distância cada vez mais esses objetos ficariam cada vez menores, até ficarem do tamanho relativo do átomo. Para entendermos isso, Zimbow sempre nos dá como exemplo a estória daquela estrela que caminha em direção ao planeta Terra. No início, ela nos parece do tamanho de uma bola de golfe, depois fica do tamanho de uma lua, que ao se aproximar cada vez mais da Terra cobre todo o horizonte, e assim ao passar por nós retoma em sentido reverso sua volta para o espaço, retomando seu tamanho de Lua, e desta passa novamente para o tamanho daquela bola de golfe, e se continuar ficaria tão pequena no horizonte que desaparecia assim como um átomo.

14


Como a luz que nos ilumina Seria a Lua um imenso abajur que liga e desliga automaticamente programada em ciclos? Com certeza, esse abajur decorado com estrelas brilhantes não seria um mero detalhe de decoração. Seria mesmo o nosso incansável satélite natural controlado ou não por nuvens, regulando, assim, presas e predadores na natureza? Nesse embate, em situação de fartura de luminosidade com a Lua cheia, as presas ficariam mais orientadas, dificultando a caça, enquanto o escuro da noite favoreceria ao predador, que teria dispositivos de enxergar no escuro. Talvez a natureza selvagem tivesse evoluído embasada nesses ciclos luminosos. Sendo o dia de temperaturas escaldantes, leões dormiriam, enquanto zebras e gnus pastariam e procriariam. Mas, ao chegar a noite, o tormento rondaria as manadas, e se a fome apertasse, dispararia o gatilho, fazendo leões e hienas entrarem em cena. Aí então entrariam as fases da Lua, apitando esse jogo, abrindo e fechando suas cortinas de nuvens, regulando o espetáculo noturno. Por que será que eu estaria pensando nisso? Será que instintivamente estariam gravadas em meu cérebro memórias do meu próprio passado como humanos que um dia perambularam aos bandos, passando por tudo isso na selva como presa e predador? Por que será que até hoje temos tanto medo do escuro? E o uivo dos lobos, o rugido dos leões, por que será que ainda nos fazem estremecer? Sabemos que nós, humanos, não nascemos com rifles automá-

15


Um Inconsequente inconteste  

Este é o primeiro livro da tríade que conta em estilo eco-cósmico-existencialista a estória da saga de um perfume emanado de duas flores do...

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you