Trilogia da maldade

Page 1

Trilogia da

Maldade

Se o sol me der bom dia O segredo de Magdalen Cinzas



Carlos Marroco

Trilogia da

Maldade

Se o sol me der bom dia O segredo de Magdalen Cinzas

S達o Paulo 2010


Copyright © 2010 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez

Fotos da Capa e do autor Márcio Desideri Revisão Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ __________________________________________________________________________________

M325t

Marroco, Carlos Trilogia da maldade: Se o sol me der bom dia, O segredo de Magdalen, Cinzas / Carlos Marroco. - São Paulo : Baraúna, 2010. Conteúdo: Se o sol me der bom dia - O segredo de Magdalen Cinzas ISBN 978-85-7923-255-8 1. Teatro brasileiro (Literatura). I. Título. II. Título: Se o sol me der bom dia. III. Título: O segredo de Magdalen. IV. Título: Cinzas. 10-5945

CDD: 869.92 CDU: 821.134.3(81)-2

16.11.10 03.12.10

022981

__________________________________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil

DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua João Cachoeira, 632, cj.11 CEP 04535-002 Itaim Bibi São Paulo SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Observação: estas três peças teatrais de autoria de Carlos Marroco são registradas no escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional.

SE O SOL ME DER BOM DIA - Registro: 251920, em 18/02/2002 O SEGREDO DE MAGDALEN - Registro: 465865, em 21/07/2009 CINZAS - Registro: 490642, em 31/03/2010



Sumรกrio Sinopse. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Se o sol me der bom dia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

Sinopse. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 O Segredo de Magdalen. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71

Sinopse. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Cinzas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131



Peça Teatral:

SE O SOL ME DER BOM DIA Autor: Carlos Marroco

Jovem empresário herda uma fortuna incalculável após a trágica morte de seus pais. A depressão o domina, impedindo que administre as empresas e sua própria vida. Passa a viver enclausurado em sua mansão, sempre fechada, onde nem o sol ousa entrar. Seus empregados cuidam de sua vida e de seus negócios, seguindo antigas orientações. A triste rotina é quebrada quando chega de viagem um primo distante, que em seu discurso vem para ajudar, mas que só o encaminha para um poço mais fundo. Ele não quer desistir de viver, mas, no caminho em busca da sobrevivência, se depara com o bem e o mal, e é conduzido a um destino que jamais sonhou.


PERSONAGENS: EDWARD – Herdeiro. ALLAN – Primo de Edward. MAGDALEN – Governanta. ELISABETH – Empregada. MARTHA – Prostituta de luxo. SOMBRA DE UM PSIQUIATRA SOMBRA DE UM PADRE

10


CENA 01 (Edward está dormindo em seu quarto. Parece estar tendo pesadelos. Elisabeth entra carregando uma bandeja com o café da manhã.) ELISABETH – Querido, acorde! Já está tarde! EDWARD – Deixe-me dormir mais um pouco. ELISABETH – Venha tomar o seu café, eu o fiz com tanto carinho. EDWARD – Estou tão cansado... E que dor de cabeça... ELISABETH – Coma um pouquinho, por favor. EDWARD – Deixe-me sozinho. ELISABETH – Não vou deixar. Quero que você se alimente. EDWARD – Não! Só quero descansar um pouco. ELISABETH – Descansar? Há dias que você não sai desse quarto para nada. O dia está tão lindo lá fora! EDWARD – Se o sol vier me dar bom dia, diga que não estou. ELISABETH – Você nunca está para ninguém, inclusive para mim. EDWARD – Eu só peço um pouco de privacidade. ELISABETH – Eu te trato com tanto carinho. EDWARD – Deixe-me sozinho. Eu não preciso de ninguém. 11


ELISABETH – Você precisa de mim. EDWARD – Saia, por favor! Já tive muitos pesadelos durante a noite. ELISABETH – Está bem, mas o seu café vai ficar aqui, eu insisto que você se alimente. MAGDALEN – (Entrando.) Elisabeth, retire-se. Não ouviu o que o senhor Edward lhe disse? ELISABETH – Já estou saindo, mas porque o senhor Edward me pediu. MAGDALEN – (Pegando a bandeja.) E leve com você esta bandeja, pois já está tarde e Edward não terá tempo para tomar o café. (Elisabeth sai indignada.)

MAGDALEN - (Para Edward.) Edward, você tem que se levantar agora, pois está sendo esperado por seus advogados no escritório para resolver assuntos da empresa. EDWARD – Deixe-me você também. Hoje eu não estou me sentindo bem. MAGDALEN – (Rígida.) Você tem que se levantar agora, eu já disse. EDWARD – Diga que não estou. Eu não estou para ninguém. Eu não estou nem para mim mesmo. MAGDALEN – (Perdendo a paciência.) Chega! Não há mais tempo para tolices. Avisarei aos advogados que dentro de cinco minutos estará no escritório.

12


CENA 02 (Num outro dia, durante o jantar.) MAGDALEN – (Para Elisabeth.) Elisabeth! Traga o jantar, o senhor Edward está esperando. ELISABETH – Com licença. (Elisabeth volta com o jantar.)

MAGDALEN – Elisabeth, por que a demora? O senhor Edward não pode esperar. ELISABETH – (Posiciona-se atrás da mesa.) Eu já não lhe falei várias vezes que sei das minhas obrigações. MAGDALEN – Se sabe, sirva logo o senhor Edward e volte para a cozinha, aqui é lugar apenas de empregados instruídos. ELISABETH – Edward... MAGDALEN – (Cortando Elisabeth.) Senhor Edward! ELISABETH – Senhor, quero que se alimente. Esta comida foi feita com o mesmo carinho com que a lhe sirvo. EDWARD - Não tenho fome, não a quero. ELISABETH – Mas... 13


MAGDALEN – (Cortando Elisabeth.) Elisabeth, retire o jantar. ELISABETH – Mas ele precisa... MAGDALEN – (Cortando mais uma vez.) Ele é nosso patrão, não podemos forçá-lo a nada. Retire a mesa e saia daqui, o senhor Edward quer ficar só. Se precisar de algo avisarei.

14


CENA 03

(Dias depois. Edward está conferindo papéis, como se estivesse no escritório da casa. Num outro plano, Elisabeth e Magdalen.) ELISABETH – (Com o telefone na mão.) Senhora Magdalen, com licença, um telefonema para a senhora. É um homem e não quis se identificar. MAGDALEN – (Desconsertada.) Deve ser engano. Não é para algum ex-funcionário? ELISABETH – (Educadamente.) Não, disse claramente Magdalen, parecia um velho conhecido. MAGDALEN – Me dê o telefone, provavelmente algum trote. Resolverei isso logo. (Magdalen afasta-se. Elisabeth fica escutando.)

MAGDALEN - O que foi? (Tempo.) Enlouqueceu? Eu não disse para não ligar para cá? (Tempo.) Abaixa esse tom de voz. (Tempo.) Temos que dar tempo ao tempo, as coisas não são fáceis assim. Contamos com a sorte. (Tempo.) E, mais uma vez, não ligue para cá. Na hora certa eu te ligarei. (Magdalen volta ao plano anterior. Justifica-se para Elisabeth.) Gen15