Issuu on Google+

Ser谩 o Benedito? E outras cr么nicas


Lili Cavalcanti

Será o Benedito? E outras crônicas

São Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Henrique de Souza

Priscila Loiola CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________

C366s

Cavalcanti, Lili Será o Benedito? E outras crônicas/ Lili Cavalcanti. - São Paulo: Baraúna, 2011. Inclui índice ISBN 978-85-7923-499-6 1. Crônica brasileira. I. Título. 11-8392.

CDD: 869.98 CDU: 821.134.3(81)-8

13.12.11 21.12.11

032118

________________________________________________________________

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


Sumário APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 PREFÁCIO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Acima de qualquer preconceito. . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 A hora e a vez dos quadrinhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Cada um no seu quadrinho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Enquanto isso, na Sala de Justiça . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Essa história está no gibi. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Sucesso made in Brazil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Abaixo o desperdício . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Albinismo não é doença. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Conspiração por um ano feliz. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Charretes x automóveis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Essa tal felicidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Ká, ká, ká, ká, ká, ká.... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 O calor do Meio-Norte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Alma Gêmea, o vigor inesgotável do gênero. . . . . . . . 61 Cordel encantado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Da sala de casa para o museu. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Dona Bruxa, uma festa cheia de ingredientes. . . . . . . 73 Festa e cultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 5


Mais cultura no cardápio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 O Big Brother Brasil e o Piauí . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 O elixir das oito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 “O Quebra-Nozes”: um presente de Natal . . . . . . . . . 87 Paixão pela dança. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Pobre ou rico vote em Odorico. . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Rio, samba e cia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 Sem medo de ousar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Será o Benedito?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 Sonhos a dois. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 À sua imagem e semelhança. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Feliz Natal, Bush . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Lula e seu calcanhar de Aquiles. . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Lula, a democracia e o plim-plim . . . . . . . . . . . . . . 117 Marina, a pedra no caminho . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Nunca vi, não conheço, só ouço falar. . . . . . . . . . . . 123 O bola cheia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 O favorito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 O Super-Obama. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Olha o chuchu, quem vai querer?. . . . . . . . . . . . . . . 135 Passione nacional. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 Um amor de carro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Um Rio de lágrimas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 As pequenas órfãs. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Crime hediondo no Pará . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 Querida Isabella. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Acessibilidade e educação inclusiva. . . . . . . . . . . . . . 155 Dançando com a inclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Diversidade e inclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Falsa ética. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165

6


Dalva, Herivelto e a música brasileira. . . . . . . . . . . . 169 Maysa é Maysa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171 No compasso da música. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 O que é que a baiana tem?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 Pai, afasta de mim esse cálice . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181 Abacaxis, Drummond e a Biblioteconomia. . . . . . . . 183 A educação no caminho de Flores. . . . . . . . . . . . . . . 187 A escola na mira da lei. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 As escolas e as bibliotecas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 A infância na berlinda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195 A realidade da ficção. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 Diversidade sexual e educação, uma questão de bom senso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 Do re mi fá sol lá si do... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 203 Kit anti-homofobia? Para quê?. . . . . . . . . . . . . . . . . 205 É com educação que se educa. . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 Que História era aquela? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211 Tempo de estudar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213 Utopia da qualidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 217

7


8


APRESENTAÇÃO Sempre tive um grande prazer em escrever, e, um dia, um amigo me pediu uma crítica para o jornal impresso sobre um espetáculo teatral que ele dirigia. Fiz o texto, mas confesso que não acreditei na publicação, pois até então tudo o que escrevia não saía da gaveta. No entanto, para minha surpresa, o artigo apareceu no caderno de cultura, no ano de 2002, e de lá para cá surgiram mais crônicas que o jornal continuou a publicar. Então, senti a necessidade de reunir esse material num livro, afinal são textos que retratam o cotidiano, abordando diversos temas: do entretenimento à educação, dos quadrinhos à política. São reflexões temperadas com alegria, humor, crítica, história, mas também com preocupação e às vezes dor. É um livro, portanto, que revela vários tons e nuances de nosso tempo. Descobri, assim, que minha praia sempre foi escrever (até porque, não posso tomar sol mesmo, caro leitor). Desse modo, as crônicas aqui reunidas foram publicadas no jornal Meio Norte, no jornal O Dia, ambos de Teresina, Piauí – algumas no site www.colegioglauciacosta.com.br e uma es9


pecialmente no Guia Mais Timon de Compras e Serviços. Graças àquele amigo, portanto, encontrei uma sintonia inesperada com os leitores, e as crônicas nunca mais ficaram na gaveta. Timon (MA), setembro de 2011. Lili Cavalcanti

10


PREFÁCIO Aceitei escrever para esta autora que é, sobretudo, uma amiga de longa data, movido por uma profunda admiração que sempre tive por ela e que passei também a nutrir por suas palavras, escritas ou ditas. Quando li seus primeiros textos, um deles inclusive feito para um de meus trabalhos (o que me enche de orgulho!), reconheci ali um talento que ela teimava em deixar guardado só para si, revelando um sentimento de egoísmo, algo estranho à figura doce e companheira que sempre conheci. Encontrei Lili por intermédio de um amigo, assim como eu, ator e professor. Ela era e é uma figura carismática e... diria, aconchegante. Aquela pessoa que, apesar de tímida, despertava em mim um enorme desejo de com ela debater. Assim, formamos um grupo juntamente com outros amigos, que se encontrava para bater papo, se divertir, sorrir... E vieram as peixadas regadas a Rita Lee e

11


Roberto de Carvalho. E conversamos muito sobre tudo durante anos a fio. Lili é desse modo, uma observadora atenta, que consegue caminhar pelos mais variados assuntos com uma delicada versatilidade. Apaixonada pela arte, Lili esteve bastante próxima de diversos processos artísticos que tive o prazer de realizar em Teresina. Amante do Teatro e da Dança, ela sempre soube avaliar com precisão, definindo com incrível poder de síntese o trabalho que acabara de ver. Portanto, tê-la como minha espectadora cativa sempre foi um privilégio. E agora estou aqui, tentando retribuir um pouco desta generosidade. “Será o Benedito? E outras crônicas” não se limita a apenas um universo, vai percorrendo muitos. Apresenta, por vezes, uma leitura leve, breve, mas quando necessário também firme e precisa. Em alguns momentos usa a delicadeza para tratar do sério, em outros o humor para expor preocupações. É possível encontrar ainda crítica com leve toque de acidez. É, antes de tudo, um livro que apresenta boa leitura regada a boas ideias. Será bastante proveitoso ler este livro antes de uma reunião, ou quem sabe, depois de um dia de trabalho, ou na manhã seguinte antes de ir para ele. Se preferir, e caso o leitor seja um professor, poderá utilizá-lo na sala de aula para seus alunos, pois terá conteúdo para isso; mas, se desejar, simplesmente poderá divertir-se com os amigos na mesa de um bar, lendo alguns trechos mais engraçados. Agora, quando Teresina permitir, não percamos a oportunidade de lê-lo num domingo chuvoso, saboreando uma caneca de chocolate quente.

12


Eu, por mim, confesso que o manterei por um longo tempo como meu livro de cabeceira... Rio de Janeiro, outubro de 2011. Ruidglan Barros Ator, Core贸grafo, Professor, Autor, Mestre em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

13


14


Acima de qualquer preconceito O cenário é de faroeste, os personagens se dividem entre mocinhos e bandidos, eventualmente surgem índios e mulheres, o roteiro é de aventura do início ao fim, e o desejo por justiça marca a trajetória dessa turma de cowboys, sob a liderança do herói Tex Willer. A descrição é de uma história em quadrinhos, e seu principal personagem, Tex – uma criação da dupla Gian Luigi Bonelli (1908-2001) e Aurélio Galleppini (1917-1994) –, tem o público masculino como a maioria de seus leitores. No entanto, ao contrário do que se pensa, há, sim, leitoras fãs de suas aventuras. Segundo Gonçalo Júnior (2009), o personagem é sucesso na Itália desde quando surgiu, em 1948, e demonstra uma incrível longevidade, permanecendo como fenômeno no mercado editorial brasileiro desde a década de 1970, quando teve início sua publicação em revista própria no país. Entretanto, o mocinho surgiu no Brasil bem antes, através de Júnior, revista com quadrinhos e variedades lançada por Roberto Marinho (1904-2003) em 1950 – a partir daí, o herói conquistou uma legião de fãs 15


Será o Benedito? E outras crônicas