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Por um novo

amanh達

A Retomada

do

Poder

pelo

Povo


Luís Soldier

Por um novo

amanhã

A Retomada

do

Poder

pelo

São Paulo 2014

Povo


Copyright © 2014 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Monica Rodriguês Revisão Ana Paula

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ S672p Soldier, Luís Por um novo amanhã: a retomada do poder pelo povo / Luís Soldier. 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2013. ISBN 978-85-7923-869-7 1. Romance brasileiro. I. Título. 13-07868 CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3 ________________________________________________________________ 10/12/2013 12/12/2013

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br

Rua da Glória, 246 – 3º andar CEP 01510-000 – Liberdade – São Paulo — SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Agradecimentos Aos amigos que leram os esboços, pela opinião e pelo apoio à escrita desta obra.


Sumário

Prólogo............................................................... 9 Capítulo 1 - Tocantins ................................ 11 Capítulo 2 - Pará............................................ 19 Capítulo 3 - Goiás......................................... 29 Capítulo 4 - Maranhão................................. 35 Capítulo 5 - Piauí .......................................... 59 Capítulo 6 - Pernambuco........................... 65 Capítulo 7 - Bahia ........................................ 71 Capítulo 8 - Rio de Janeiro........................ 77 Capítulo 9 - São Paulo............................... 85 Capítulo 10 - Mato Grosso do Sul........... 91 Capítulo 11 - Brasília.................................... 95 Capítulo 12 - Nova Capital........................107


Prólogo “Um povo que elege corruptos não é vítima é cúmplice!” (Autor Desconhecido) A todos que estiveram comigo em minha trajetória, um abraço. Dedico esta obra a vocês que chamamos de associados. Para os jovens, que, pela idade, não puderam acompanhar essa transformação e para todos que sempre tiveram curiosidade em saber como tudo começou, eis o livro. Nessa literatura, encontrará toda a história da revolução que começou com um erro e que se transformou na realização de um sonho de mudança. Hoje, vejo orgulho do nosso povo em viver neste país, após anos de desafios e articulações políticas. Uma vitória de todos nós.

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Capítulo 1 Tocantins O

grande segredo

A cidade de Palmas, capital do Tocantins, foi planejada em ruas largas centrais que separam grandes quadras. Essas quadras possuem apenas quatro saídas, dando a impressão de labirinto. Portanto, para manter o comércio próximo das residências, não raro, temos excelentes estabelecimentos comerciais escondidos nessas vielas sem saída. Num desses labirintos urbanos, estacionei meu Pálio azul perto de um restaurante para almoçar, modificando meu hábito de andar a pé circundando a Praça dos Girassóis. Tarefa cansativa, pois ela é considerada a segunda maior praça do mundo. Ao descer do veículo, senti a presença de uma pessoa me seguindo. Como esperava estar só, acelerei o passo. Depois, olhei para trás e consegui visualizar apenas o perfil de um moreno esguio. Embora a criminalidade em Palmas fosse irrisória 11


em comparação a outras capitais, não poderia ignorar a possibilidade de ser um assalto. Por isso, me esforcei para ver quem estava atrás de mim. Quando consegui focar o sujeito barbudo e maltrapilho, parei por um instante, imaginando ser um mendigo qualquer. Ele me acenou e apontou para o carro, demonstrando que queria apenas vigiar o automóvel enquanto eu comia. Quem me dera se eu tivesse escolha, mas pagar dez reais para um flanelinha “guardar o carro” pode ser mais em conta que os quinhentos reais da reforma da pintura, depois que o sujeito arranhasse a lataria, vingando-se por eu não ter aceitado o seu serviço. Além disso, por causa de outro flanelinha, eu perdera a placa dianteira do carro na noite anterior em frente a uma lanchonete. O extorsor a arrancara por eu não aceitar que ele fingisse cuidar do veículo. Contudo, irritado com o sorriso irônico do malfeitor, minha face havia avermelhado e enrugado. Sem saber suportar o súbito de ódio, gritei: — Se quer tomar conta da rua, fique com ela! — disse apontando o dedo para a cara dele em um gesto claro de agressividade e intimidação. Percebendo que o mentecapto não esboçou reação, entrei de volta no automóvel, pensando somente em ir embora. Afinal, queria evitar um confronto maior.

Naquela época eu vivia no Tocantins em busca de oportunidade de crescimento, pois era um estado novo, criado na promulgação da constituição de 5 de outubro

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de 1988. No estado adolescente, as cidades ainda tinham baixa densidade demográfica e eu morava, por exemplo, no sétimo mais populoso município com pouco mais de trinta mil habitantes. A cidade chamada Colinas do Tocantins que ficava ao norte do estado na microrregião do Bico do Papagaio, a região do extremo norte. Entretanto, a placa do carro tinha a inscrição da cidade de Ananás, situada ainda mais ao norte, onde eu comprara o veículo. Dessa forma, quando o sujeito me viu saindo de um carro de uma cidade que para ele era desconhecida, imaginou logo que eu fosse um turista, ainda mais com a aparência caucasiana e olhos verdes que tenho. Diante de minha manifestação repentina e destemperada, percebi seu espanto com o arregalar dos seus olhos. Ele olhou em volta, talvez estivesse envergonhado com a situação. Então, tentou argumentar, dizendo: — Aqui não é como Goiânia não, pode deixar o carro aí! Se não quiser me pagar, não paga! Porém, eu não estava no melhor dos meus dias. Dei a partida e, com um movimento automático, liguei o som que tocava Carry On da minha banda preferida Angra. Assim, depois de alguns suspiros e uma contagem mental tranquilizadora, estava pronto para sair dali sem criar caso. No entanto, o mendigo distraiu-se com a manobra de outro veículo, afastando-se para o meio da rua, bem na hora em que eu arrancava, provocando, assim, o seu atropelamento. O coitado nem desviou, mesmo com o cantar dos pneus segundos antes. Assustado, acompanhei pelo retrovisor a movimen-

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tação dos transeuntes que preferiram acudir o mendigo a me perseguir. Decidi então acelerar e fugir do local, parando somente no estacionamento do hotel que não era longe do restaurante, mas eu não teria condições físicas de fugir para outro local naquele momento. Subi para o quarto lentamente, pois a adrenalina drenara e o coração parecia ter cansado de tanto bater. Meus olhos estavam arregalados e um tique no canto da boca denunciou meu estresse ao porteiro. Felizmente, minha comunal falta de traquejo social impediu que aquele senhor me questionasse algo. No quarto do hotel, enchi meu estômago com muita água gelada e deitei na cama, cobrindo-me até a cabeça. As pernas tremiam; a sensação de tonteira ainda continuava e a visão turva. Sentia um medo grande, mas não conseguia raciocinar direito, nem pensar sobre o acontecido. Após um sossego de meia hora, o celular tocou. Naquele instante, passaram inúmeras possibilidades em mente. Em todas elas envolviam pessoas a minha procura por terem descoberto o acidente. Atendi após verificar que o nome da minha chefe aparecia no visor do celular. — A turma está à sua espera, Neto. Não podemos deixá-los insatisfeitos, esperando no auditório estadual sob os olhos do governador, Neto. — Não estou bem, chefe, estou com enxaqueca. Desculpe, vou pegar um atestado. Termine sem mim, por favor, não posso sair ao sol. – respondi sem muito detalhe ou emoção, pois sabia que a mulher me ignoraria. Ela insistiu, por várias vezes, dando alternativas, mas

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respondi negativamente a todas elas. Estava sem condições, embora meu estado físico e emocional não estivesse em questão. Eu sabia que me ligara, pelo motivo de estar pleiteando assumir uma secretaria no governo estadual. Aproveitei a interrupção do meu sono para ver o que tinha na geladeira. Comi todo doce e bebi todo álcool disponível; por isso, adormeci novamente.

Dormi por horas. Despertei com os olhos inchados e com dores nas costas e na minha cabeça. Apesar de não sentir arrependimento, pensei em assumir o meu erro, pois temia que meu desafeto tivesse deixado uma família desamparada. Até ensaiei voltar ao local do crime, chamaria a polícia e me entregaria. O que me impedia era o fato de eu não suportar o que viria. Embora, definitivamente, eu não fosse para prisão por causa das minhas condições financeiras. Em um julgamento como esse, fariam com que eu perdesse meu emprego no estado e o apreço da minha família. Por fim, o caso poderia aparecer na mídia e eu ficaria humilhantemente exposto. Além de ficar amarrado, pelo resto da vida, cumprindo os trâmites de um longuíssimo processo cheio de recursos. Sendo assim, depois do banho, com minha consciência lavada, continuei com minha rotina normal. Caminhei até o auditório estadual e continuei com as atividades programadas.

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Porumnovoamanha 15  

Um professor de História se envolve em um acidente de trânsito. Apavorado, foge do local do acidente e segue em fuga pelo Pará. Descobrindo...

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