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S達o Paulo 2011


Copyright © 2011 by Editora Baraúna SE Ltda Capa Danilo Gama Foto Geraldo Magela Alvim Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Henrique de Souza Priscila Loiola CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ __________________________________________________________________

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Alvim, Bebete “Os net-boys e o gênio do portal W3” / autora Bebete Alvim. - São Paulo: Baraúna, 2011. Inclui índice ISBN 978-85-7923-453-8 1. Literatura infantojuvenil brasileira. I. Título. 11-7273.

26.10.11 04.11.11

CDD: 028.5 CDU: 087.5

030952

__________________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


DEDICATÓRIA Dedico este livro aos honrados membros de minha adorável família que, aqui, vivem, emprestando seus nomes aos personagens em suas páginas, bem como aos meus notáveis grandes amigos, e aos rapazes: Gustavo, Tiago, Glauber e Otávio. Dedico-o, também, com entusiasmo esfuziante a Raphael Alvim, meu sobrinho, o grande inspirador desta história, e com afeto a Artur Alvim Alves Messano, meu sobrinho-neto, o mentor maior nesta aventura e em tantas outras de minha vida. Com gratidão, dedico-o à minha querida mãe, Scylla Alvernaz de Faria Alvim, e em memória de meu saudoso pai, José Alberto de Faria Alvim. Ela, pelo constante e dedicado apoio à minha carreira literária em todos esses anos; ele, pelo amor com que me ensinou as letras, incentivando-me ao prazer da leitura.


Sumário Teclando com o Desconhecido. . . . . . . . . . . . . 9 Uma Surpresa no Caminho . . . . . . . . . . . . . . 19 Os Net-Boys. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Z@n-Revla Existe. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 A Senha e a Primeira Tarefa. . . . . . . . . . . . . . 43 Irmãos, Irmãos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Revelando o Segredo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 A Conexão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 A Empolgação dos Rapazes. . . . . . . . . . . . . . 73 A Tarefa de Crash. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 Um Sábado Diferente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 O Domingo dos Net-Boys. . . . . . . . . . . . . . . .83 O Gênio Surpreende a Todos. . . . . . . . . . . . . 89 A Jogada dos Net-Boys. . . . . . . . . . . . . . . . . 97 A Semana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Uma Conexão mais que Perfeita. . . . . . . . . . 105 O Desejo de Cada Um. . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Algum Tempo Depois . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Por Onde Anda Z@n-Revla?. . . . . . . . . . . . . 125


Teclando com o Desconhecido Não fosse um trabalho da escola, uma pesquisa sobre a sétima arte, Raphael não viveria uma interessante e fascinante aventura, passada no ano de 1998, que lhe valeria, mais tarde, o título de herói do colégio onde cursava a 8ª série do ensino fundamental, e ainda os louros da fama junto aos habitantes de Nova Pátria, a cidade onde nasceu e reside, com muito orgulho! Acostumado a navegar na Internet, principalmente para pesquisas escolares, Rafa, como era carinhosamente chamado por sua família e amigos, aproveitava os momentos de estudo para entrar em outros sites envolventes e acabava gastando mais alguns minutos em outros, de bate-papo. Evidente que, aos 14 anos, gostava de conversar com garotas da mesma idade, ou mais velhas um pouco, nas salas de encontros virtuais, que geralmente viviam lotadas. E assunto era o que não faltava para aqueles jovens. Trocar informações preciosas, nem pensar. O negócio era mesmo a diversão, papos em que rolavam muita mentira e palhaçada, que acabavam dando em nada, porque ninguém era tolo o suficiente para deixar marcas 9


ou pistas de sua verdadeira identidade. O nickname que Rafa usava para entrar na rede era ((Érgon)). Durante a tarde daquele dia, Raphael já estava conectado havia uma hora quando, cansado de imprimir alguns textos sobre o estudo da origem e do processo do cinema, resolveu dar uma espiada no que acontecia em sua sala favorita de bate-papo. Quem sabe a tal da Naty, uma garota de 15 anos, com quem ele havia trocado algumas ideias ontem mesmo, não estaria por lá? Antes mesmo que acessasse o ICQ, sua mãe apareceu na porta de seu quarto, já colocando os cachorros pra fora: — Rafa! Olha a hora, menino! — Tô quase acabando a pesquisa, mãe! — Mas já faz um bom tempo que você está na Internet... — O trabalho é complicado. Tenho de imprimir muita coisa que achei sobre o cinema. — E o telefone? Como é que fica? As pessoas podem estar ligando... — Não falei pra você colocar linha especial? — Para você abusar muito mais, não é, queridinho? Vamos logo com isso. Desconecte-se, OK? — Mas, mãe... Ainda falta um pouco. — Só vou lhe dar mais um quarto de hora, está bem? — Ótimo, querida placa-mãe! Você não sabe o quanto o meu coração byte por você! Raphael era tão fanático por computador que, às vezes, usava em sua linguagem alguns termos da informática. Enquanto dona Ada desaparecia por trás da porta, já acostumada com aquele dialeto de internauta, o garoto

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tratava de clicar no site de sua procura para entrar logo, logo no chat, onde – uma chance em milhões – poderia encontrar Naty, a garota de seus sonhos da noite passada. — Vamos logo! Preciso encontrá-la. Anda... E Rafa se esqueceu de imprimir o último capítulo de sua pesquisa, preocupado em apenas conversar com Naty, caso a encontrasse na sala de bate-papo on-line. E nem ao menos se lembrou de que teria só mais 15 minutos na Internet. De repente, aquela página, cuja configuração ele sabia toda de cor, mudou. Letra por letra foi sendo apagada dela. E na tela apareceu um novo e esquisito leiaute, sem título, texto ou ilustrações, apenas o nome Z@N-REVLA, escrito em negrito, na fonte Arial e tamanho 20. — Mas quê diabo é isso? Raphael, imediatamente, apertou a tecla ESC, mas nada aconteceu. Voltou a apertar mais uma, duas, 15 vezes. — Caramba! Vou ter de desligar o meu amigo Galileu da maneira errada. Que saco! Enquanto ele pensou em desligar o Galileu, nome que deu ao seu computador, apertando o botão da CPU, algo lhe chamou a atenção na tela, diante de seus olhos. Havia uma frase: “NEM PENSE NISSO!” — O quê? Gali, você está brincando comigo. Como é que pode isso? Eu não... Antes mesmo de terminar a frase, apareceu na tela: “ALERTA, ÉRGON!!!!!!!” Raphael ficou apreensivo. Jamais havia acontecido algo tão louco assim nos dois anos em que operava seu computador, um Pentium de baixa velocidade diante dos que surgiam no mercado.

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— Brincou de novo! Só pode estar me fazendo de palhaço. Vamos logo! Só tenho mais alguns minutos. Agora sim, ele havia se lembrado de que tinha um prazo para terminar sua pesquisa pela Internet. — Mas que “merdinha”, viu? Galileu não responde aos meus comandos... E ele continuava a apertar novamente a tecla ESC, e em seguida apertava o botão da CPU, e nada de o computador desligar. E mais uma frase apareceu na tela: “VC ESTÁ NERVOSO! PQ?” Rafa entendeu que deveria, então, entrar na brincadeira. Não imaginando o que de fato acontecia, pensou que seria alguma trama de um de seus amigos, que poderia ter encontrado um jeito de acessar, daquela maneira, o seu Galileu. — Muito bem! Se for guerra o que você quer... Então vai ter! Rafa começou a teclar seu pensamento e viu quando suas palavras apareciam, também, na tela. E muitas delas, com a força do hábito, eram digitadas conforme a nomenclatura dos internautas. — Sou eu quem faz as perguntas agora, meu chapa! Quem é vc, afinal? Está querendo guerra, ou o q? — Meu nome é Z@n-Revla. E estou em missão de paz, caro amigo Érgon. — Ah, é? Se está em missaum de paz, saiba q está é atrapalhando o meu trabalho! — Seu trabalho? Você deixou sua pesquisa de lado e estava dando uma voltinha nos sites, isso sim! — Ora! Como é q vc sabe disso, hein? Por acaso vc é algum detetive? Ou será q é apenas um bisbilhoteiro q

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anda solto por aí, sem ter + o q fazer, a naum ser encher o meu saco com essa sua conversa mole? Sai logo daí, cara. Preciso continuar, tranks, a minha pesquisa! — Sobre a história do cinema... Raphael engoliu em seco. Como aquela pessoa poderia saber o que ele estava fazendo navegando na Internet? Pensando assim, descobriu que não poderia ser nenhum de seus amigos, também internautas. Ficou alguns segundos sem responder. Como se estivesse paralisado, suas mãos estavam no ar, sobre o teclado, sem movimento algum, talvez à espera de um comando seu. Não era possível estar acontecendo toda aquela brincadeira, não dessa maneira. As coisas estavam indo longe demais. Quem fosse que estivesse do outro lado não estava brincando. Depois de pensar melhor, Raphael resolveu dar comando às suas mãos. — Muito bem, seu espertinho! Saiba q se vc naum é alguém q eu conheça, então vc só pode ser um hacker, e aposto q este tal nome q vc usa só pode ser o nome de um vírus... Como é mesmo o nome? Z@n o q? — Revla. — Este mesmo! É um nome bem típico p/ um vírus. Pois saiba, tbm, senhor hacker, q vc naum tem acesso autorizado aki, entendeu bem? Quer dizer, vc já teve mesmo o acesso, mas agora prefiro q vá caçar outro rumo! Falow? Raphael não entendia toda aquela sua coragem, ao teclar todos os seus pensamentos. Ele nem mesmo sabia com o que ou quem estava lidando. Mas sabia que deveria pôr um fim naquela brincadeira, que já estava sendo séria demais.

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— Você é mesmo corajoso, caro Érgon! Se eu fosse mesmo um hacker, você e o seu computador, que, sei, chama-se Galileu, estariam fritos. Eu já teria feito a minha invasão, para provocar um grande desastre, destruindo seus arquivos de Word, Excel e de outros programas, até mesmo de seus e-mails. Bastaria apenas você ter teclado logo no início. Não concorda comigo, espertinho? — Mas pode ser uma armadilha sua... — Bobagem! Relaxe, Rafinha! Posso afirmar que não sou um hacker... De maneira alguma. Rafa ficou admirado, ainda mais porque estava teclando, afinal, com um desconhecido, e ele sabia até o seu nickname. Começou a perceber que não havia meios para algum amigo seu estar conectado daquele jeito. Hacker também não poderia ser, pois já estava mesmo acreditando no tal Z@n. Parecia-lhe que suas palavras eram mesmo sinceras. Então, que diabo era aquilo? Quem seria este tal de Z@n? E, além do mais, seus minutos na Internet, com certeza, já estavam esgotados. Sabia que a qualquer momento sua mãe apareceria junto à porta de seu quarto. Começou a coçar a cabeça, de tanto nervosismo, mas decidiu que ainda teria tempo para mais uma pergunta. — Me diga, Z@n! Quem é vc, afinal? — Sou um gênio. — Um gênio? Como assim? — Um gênio do “Portal W3”. Agora, as coisas começavam a se complicar ainda mais. Raphael ficou boquiaberto. Entre esperar que sua mãe chegasse, louca da vida, para berrar aos quatro cantos que ele deveria sair da Internet, e continuar a teclar

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com o tal gênio, ele preferiu arriscar e continuar a teclar com o tal gênio. Mas, enquanto pensou, sentiu que o tempo havia parado. Será que seus 15 minutos já estavam esgotados? Percebeu que a casa estava em completo silêncio. Onde estaria sua mãe? Rafa deixou o computador e correu pela casa afora. Encontrou a mãe dormindo diante da televisão. Ela roncava e roncava. Então ele achou melhor diminuir o volume da TV, já que era para dona Ada uma espécie de sonífero. Era só ela assistir a algum programa e já começava a dormir, às vezes profundamente. De volta ao seu quarto, olhou para o computador que continuava como que à sua espera. Pensou que, se sua mãe dormisse mais um pouco, ele poderia continuar conversando, virtualmente, com o tal Z@n. — Então vc é mesmo um gênio, Z@? — Z@n-Revla! Não esqueça meu nome, rapazinho. — Sim! Naum esquecerei. Mas me diga, Z@n-Revla, vc é mesmo um gênio? — Claro! E estou à sua disposição, contanto que você realize algumas tarefas, ou não poderei realizar seus desejos, que, sei, você irá me pedir alguns. — Espera aí! Nunca ouvi dizer q os gênios aparecem p/ pedir q as pessoas realizem tarefas. Eles sempre já nos pedem os nossos desejos e os realizam. Naum esta coisa de tarefas... — Mas no meu caso sim! Por eu ser um gênio virtual, a coisa é mais complicada... — Mas pq vc apareceu justamente no meu Galileu? Por acaso, eu fui escolhido?

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OS NET- BOYS E O GÊNIO DO PORTAL W3  

Esta história se passa no ano de 1998, na cidade de Nova Pátria (MG). Muitos brasileiros ainda não possuíam Internet, muito menos banda larg...

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