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OS DEZ ANOS DE

NELSON BOY, NELSON MENINO


Walter Marcelo de Lima

OS DEZ ANOS DE

NELSON BOY, NELSON MENINO

S達o Paulo 2013


Copyright © 2013 by Editora Baraúna SE Ltda Capa Monica Rodriguês Projeto gráfico e diagramação Thaís Santos Revisão Rosana Mello

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ L711d Lima, Walter Marcelo de Os dez anos de Nelson boy, Nelson menino/ Walter Marcelo de Lima. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2013. ISBN 978-85-7923-725-6 1. Literatura infantojuvenil brasileira. I. Título. 13-01149

CDD: 028.5 CDU: 087.5 ________________________________________________________________ 16/05/2013 17/05/2013 ________________________________________________________________

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br

Rua da Glória, 246 – 3º andar CEP 01510-000 – Liberdade – São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Dedicado As crianças: Artur, Breno, Flávia, Laura, Luísa, Miguel e Nicole. As meninas, meninos, jovens, adultos e idosos de todo o Brasil.


Sumário Capítulo I: Somos todos africanos?.............................. 9 Capítulo II: Eu sou o Nelson Boy.............................. 15 Capítulo III: O menino, as nações e a mentira.......... 22 Capítulo IV: O que seria de mim, sem a minha família?. . ............................................................. 27 Capítulo V: Nelson Boy, vovó Maria e o cachorrinho Ícaro........................................................................... 35 Capítulo VI: Por que são necessárias as normas e as leis na sociedade?............................................................. 48 Capítulo VII: Almoçando e aprendendo poder e liberdade.............................................................. 65 Capítulo VIII: Brasil e África: diferenças e semelhanças.. . ..........................................................79


Capítulo IX: A rebelde tia Helena, a favela e o afastamento da família........................................................ 88 Capítulo X: O que Nelson Boy, Nelson Mandela e Zumbi dos Palmares possuem em comum? ....................... 98 Capítulo XI: Honestidade, caráter e solidariedade se aprendem e se adquirem em casa, com a família....... 114 Capítulo XII: É muito bom conhecer e frequentar uma biblioteca!.................................................................124 Capítulo XIII: Tiradentes apresenta a liberdade que todos sonhamos........................................................... 132 Capítulo XIV: O reencontro.................................... 156 Capítulo XV.............................................................173


Capítulo I: Somos todos africanos? Olá, amiguinha! Olá, amiguinho! Você já notou que em sua escola, no seu bairro, no shopping e até mesmo em sua casa, existem pessoas muito diferentes de você? Repare que algumas podem ser altas, baixas, brancas, negras, magras, gordas, jovens ou idosas. Outras podem ser tudo isso e ainda paraplégicas, surdas-mudas, cegas e cadeirantes, ou seja, são pessoas que possuem algum tipo de deficiência física e por isso mesmo que são chamadas de especiais. Minha mãe e meu pai vivem dizendo que quase todo mundo tem dificuldade para aceitar as pessoas porque uma é diferente da outra. Para eles, é por isso que existem muitos casos envolvendo discriminações, preconceitos, racismos e desentendimentos entre os seres humanos e também entre as nações. Eles repetem

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o tempo todo que, como não existem duas pessoas ou dois países iguais na terra, um precisa respeitar as diferenças do outro. É por isso que quero conversar com você o que é ser diferente. Então, podemos começar? Muito obrigado pela atenção. Geralmente todo mundo começa a entender e respeitar uma pessoa, uma religião ou um país quando passa a conhecê-lo melhor. Muitas vezes sem perceber, a gente está discriminando alguém ou um povo, sem qualquer motivo. Só por ignorância mesmo. Sabe isso também já aconteceu comigo. Ainda me lembro de certo dia que comentei com minha mãe que não gostava do Ricardo, um colega da 5ª série. Então, minha mãe me perguntou: — Nelson Boy, esse menino já fez alguma coisa que lhe prejudicasse? — Não, senhora – respondi apressadamente a minha mãe. — Vocês já conversaram, discutiram ou brigaram? — Não, mamãe. — Você já o viu fazendo alguma travessura que um menino educado não faz? Insistiu minha mãe me olhando fixamente nos olhos, e eu já conhecia aquele olhar. — Nunca – afirmei balançando negativamente a cabeça. — Então, filho, me diga, o que você tem contra esse garoto? — Não sei mãe. Só sei que eu não vou com a cara dele. Ele me parece ser muito, muito metido.

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— Mas, meu filho, você não acha que está sendo injusto? Até um pouco maldoso? — Como é possível uma pessoa não gostar de outra ou considerá-la muito metida, como você diz, sem nunca sequer ter conversado com ela? Olhe aqui menino, você está tendo uma atitude feia e bastante preconceituosa com o seu colega, pois, antes mesmo de conhecê-lo você já o chama de metido. Diz que não gosta dele! Sei lá o que mais. E isto você não aprendeu comigo ou com o seu pai e muito menos com seus avós. Você está agindo muito mal com seu coleguinha. Será que você ficaria feliz se ele dissesse o mesmo de você? Pense Nelson Boy, mas pense mesmo porque sendo você uma pessoa boa, educada e justa, um dia, não sei exatamente quando, irá perceber o quanto estava errado e o mal que fez a esse garoto e a você mesmo. Logo deduzi que mamãe estava brava comigo, pois sempre que me chama de “menino” e daquele jeito, é para demonstrar desaprovação com alguma coisa que fiz de errado. Contudo, foi nesse dia que aprendi com ela que só devemos fazer comentários sobre uma pessoa, após conhecê-la e ainda assim, procurar destacar sempre as coisas boas, aquilo que ela tem de melhor, de positivo. Falar dos defeitos dos outros não é certo e nem tem graça porque ninguém é perfeito, além de ser falta de educação. Hoje, sei que não devemos julgar as pessoas ou nos deixarmos levar por suposições, fofocas ou simples aparências, como fiz com o Ricardo. Passei a aceitar as pessoas como elas são e não como gostaria que fossem. Só não me aproximo ou

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me afasto imediatamente da companhia de algum colega da escola ou da rua onde moro, quando descubro que o mesmo tem comportamento e atitudes feias e reprovadas por todos. Ou ainda quando meus pais me alertam que fulano ou beltrano não é amizade para quem não deseja se envolver em confusão. E, finalmente, sempre coloco em prática as seguidas recomendações que papai vive recitando para o Sílvio e para mim, sempre que saímos de casa: “Escolha bem suas companhias e amizades. Diga-me com quem andas que te direi quem és”. Será que preciso contar que hoje o Ricardo é um dos meus melhores amigos? Sabe isso também acontece em relação aos povos que não conhecemos muito bem. Por isso quero conversar com você sobre os negros, um dos povos mais discriminados da terra, primeiro, devido a sua cor e em segundo lugar ao grande desconhecimento que a maioria das pessoas de quase todo o mundo tem de sua história e cultura. Muitos também ignoram a presença e a importância dos negros na história, na cultura, na política, na sociedade, na economia, enfim, na formação de vários países, inclusive do Brasil. — Topa ou não topa esse papo? — Ah! Que bom que você topou. Então, obrigado e de cara quero lhe fazer a seguinte pergunta: — Você conhece a origem dos negros? — Não? Pois bem! — Os negros são originários do segundo maior continente do mundo: a África. — Sabe por que a África é muito importante para todos os habitantes da terra?

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— É simples. Ao que tudo indica e a ciência explica, foi lá que surgiram os primeiros humanos. Assim, como se vê, de certo modo, americanos, europeus e asiáticos, são todos um pouco africanos, respeitando-se, é claro, os vários momentos da linha evolutiva da espécie humana moderna. Eu tenho uma avó que logo, logo, você irá conhecer melhor. É só ter paciência e esperar um pouquinho. Essa minha avó, tem um pensamento bastante interessante sobre o assunto. Para ela, como o ser humano possui uma origem em comum (a África), africanos, asiáticos, europeus e americanos, enfim, todos, formam uma grande família que se distribui nesse gigantesco território, que é o planeta Terra. Vovó mais uma vez está certa em suas reflexões se aceitarmos os vários estudos científicos que afirmam que até mesmo os remotos australopitecus surgiram em terras do continente africano. Foi lá também, diz vovó, que se desenvolveram as primeiras espécies do gênero Homo, cujo processo evolutivo produziu o Homo sapiens, chegando a atual subespécie do homem moderno conhecida por Homo sapiens sapiens, que somos nós. Por isso, vovó não entende, não vê sentido, homens e mulheres de diversos países e em vários momentos da história da humanidade fazerem guerras, se ferirem e se matarem por objetivos sempre menos valiosos que a família e a vida. Todas às vezes que vovó assiste na televisão notícias relatando conflitos que levam a atos extremamente cruéis de violência, terrorismos e guerras, por exemplo, ela não se cansa de dizer: “... como é possível uma família tentar destruir outra, Os

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que ligando os pontos genéticos e históricos da espécie humana, é a sua própria família? Como é possível, meu Deus, um homem sentir-se vitorioso por matar outro e destroçar impiedosamente suas construções e realizações, se todos os seres humanos possuem uma origem ou um ancestral comum? E pensar que tudo isso ocorre pela conquista de poder político ou econômico, pela submissão de povos e de nações, pela interpretação equivocada da palavra poder...”. São perguntas, comentários e verdadeiras lamentações da vovó sobre os diversos tipos de violências que acontecem entre os seres humanos e entre as nações. Mas apesar de tudo, vovó que é bastante otimista, está sempre nos lembrando de que um dia não haverá mais fronteiras ou limites entre as nações e, nessa ocasião, o ser humano já terá conquistado o que buscou desde seu aparecimento: a felicidade. Existirá um único país, uma única língua, um único poder e um único povo: O povo da terra. Será possível?

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Capítulo II: Eu sou o Nelson Boy Olá, amiguinha! Olá, amiguinho! Apesar de já termos conversado, você ainda nem sabe o meu nome. Acho que chegou a hora de apresentar-me: Meu nome é Nelson Boy. Numa das nossas próximas conversas prometo contar porque sou o Nelson Boy. Ah, ia me esquecendo de dizer que desde que nasci, moro numa casa localizada num pedacinho do bairro de Santo Amaro, aqui na cidade de São Paulo. Tenho 10 anos e estou na 4ª série. Como não tenho aqui nenhuma fotografia minha para mostrar, vou tentar lhe descrever como sou: alto, magro, negro, lábios grossos, olhos pretos e cabelos também pretos e bem crespos. As meninas dizem que sou bonito. Isto fica por conta delas. Mas que gosto de mim do jeito que sou, ah, disso eu não tenho dúvida. Outra coisa que eu gosto, é de estar sempre na com-

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