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O Discurso Construtivista como Norteador da Qualidade do Processo de Ensino e Aprendizagem


Ana Maria dos Santos

O Discurso Construtivista como Norteador da Qualidade do Processo de Ensino e Aprendizagem

S達o Paulo 2010


Copyright © 2010 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Alline Benitez Revisão Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

________________________________________ S233d Santos, Ana Maria dos O discurso construtivista como norteador da qualidade do processo de ensino e aprendizagem / Ana Maria dos Santos. - São Paulo : Baraúna, 2010. ISBN 978-85-7923-140-7 1. Construtivismo (Educação). 2. Professores (Formação). 3. Análise do discurso. 4. Aprendizagem. 5. Ensino. 6. Avaliação educacional. I. Título. 10-0799.

CDD: 370.15 CDU: 37.015.3

24.02.10 03.03.10

017768

________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua João Cachoeira, 632, cj.11 CEP 04535-002 Itaim Bibi São Paulo SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


À minha mãe Ismênia que em sua infância sonhava com o magistério sendo impedida de frequentar a escola para poder catar as flores de algodão que tanto insistiam em desabrochar. Ao meu pai Adeildo, homem do sertão alagoano, que o discurso machista não conseguiu aprisionar, oportunizando às duas filhas o acesso, aparentemente distante, aos bancos da Universidade. Aos meus queridos alunos do Ensino Fundamental: crianças, jovens e adultos, por me possibilitarem continuar acreditando que é possível um mundo mais justo e mais humano.


A Deus, por me fazer crer que Nele tudo posso. À professora Maria do Socorro Aguiar pela orientação desse trabalho. À professora Ana Gama pelas sugestões na fase de qualificação. Ao professor Helson Flávio pela contribuição quando da fase final desse trabalho. Ao meu marido Marcos Ricardo pela leitura atenta e pelas valiosas sugestões. Ao meu filho Lucas Ricardo, amigo e companheiro que, como ninguém, enche de bom humor as horas mais difíceis de minha vida.


Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças. Entre eles considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. [...] Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os [homens presentes, A vida presente. Carlos Drummond de Andrade


Siglas utilizadas

BM – Banco Mundial DCN – Diretrizes Curriculares Nacionais ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio FMI – Fundo Monetário Internacional GESTAR – Programa de Gestão da Aprendizagem INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC – Ministério da Educação OCDE – Organização para Cooperação Econômica e o Desenvolvimento OEA – Organização dos Estados Americanos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola PDE – Plano de Desenvolvimento da Escola PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar PNATE – Programa Nacional de Atendimento ao Transporte do Escolar PNLD – Programa Nacional do Livro Didático PNTE – Programa Nacional de Transporte Escolar PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores


SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica SINAES – Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância USAID – Agência Americana para o Desenvolvimento


Sumário

Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Capítulo 1 Um Breve Histórico das Ideias Construtivistas no Brasil. . 29 Capítulo 2 O Sentido de Qualidade Proposto na Política Educacional do MEC. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Capítulo 3 (DES) Construindo o Discurso Construtivista. . . . . 113 Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159


Introdução

A partir dos anos de 1990 a questão da qualidade tomou uma grande amplitude no discurso educacional brasileiro. As reformas educacionais empreendidas nesse período tiveram como norte o discurso da qualidade. Pareceres, Resoluções e Documentos apresentaram-se como mediadores entre a ideologia dominante e os educadores. Encontramos, explicitamente, nesses documentos uma urgência da viabilidade prática de uma educação de qualidade. O governo Fernando Henrique Cardoso foi o representante no Brasil pela implementação de toda uma política mundial formulada nas agências internacionais, como: FMI, UNESCO, Banco Mundial, etc. Essa política estava voltada para a implantação do ideário neoliberal em todos os campos da sociedade brasileira. Contudo, não nos interessa aqui analisar a viabilidade das ideias neoliberais nas diferentes esferas sociais, mas especificamente a sua implantação no âmbito educacional, especialmente no que diz respeito a sua transposição para a prática cotidiana da sala de aula. Entendemos que o construtivismo tem se encarregado da tarefa de organizar a prática pedagógica com base nos postulados neoliberais, reproduzindo, no plano ideo-

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O Discurso Construtivista como Norteador