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O Debute de LetĂ­cia


Geraldo Marques

O Debute de LetĂ­cia SĂŁo Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ _______________________________________________________________ M317d Marques, Geraldo, 1949O debute de Letícia / Geraldo Marques. - Rio de Janeiro : Baraúna, 2012. ISBN 978-85-7923-608-2 1. Técnicas de auto-ajuda 2. Autoestima I. Título. 12-7343.

CDD: 158.1 CDU: 159.947

10.10.12 22.10.12 039822 _______________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição — São Paulo — SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Dedico este livro à minha sobrinha Letícia da Silva Santos, cujo evento da comemoração do seu aniversário de quinze anos, do qual eu tive um imenso prazer em estar presente, me inspirou para a concepção e realização desta obra literária.


CAPÍTULO 1 OS PAIS DE LETÍCIA Lá pelos idos anos de um mil novecentos e oitenta e um, vivia num bairro chamado Jardim Marieta, pertencente ao município de Osasco, localizado nas cercanias da cidade de São Paulo, um casal pertencente à classe média baixa. Ele, Jovenildo Siqueira Santos, ela, Zoraílde de Carvalho Santos. Ambos destemidos batalhadores da honrosa profissão de professor do Ensino Secundário. Casados recentemente, eles sonhavam planos para o futuro, dos quais o mais importante era ter uma filha a qual lhe dariam o nome de Letícia, simbolizando o contentamento que eles sentiam pela concretização daquela união. À noite, ao retornarem da lida diária, ambos, após terem tomado um refrescante banho, iam para a cozinha para preparar o jantar com sobra para o almoço do dia seguinte, que eles guardavam na geladeira, devido ao escasso tempo que eles tinham para o horário de almoço.

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E, tendo terminado de fazer o jantar e arrumado adequadamente a mesa para se servirem daquela deliciosa refeição preparada com muito carinho e muito gosto, comiam devagar e em silêncio para proporcionar uma boa degustação e uma excelente digestão. Eles adotavam como norma a prática de se viver a vida de acordo com o real sentido pela qual ela deve ser vivida, ou seja, viver uma vida pura e simplesmente. Obedecendo às leis da Natureza, que impõem o exercício de quatro fatores básicos: trabalho (atividade física), asseio, alimentação e descanso; para manter uma excelente estabilidade da vida de todos os seres vivos pertencentes ao gênero animal. E, mais especificamente, a nós, os da espécie humana, que, segundo dizem, por pura pretensão, somos mais inteligentes que os outros animais de outras espécies. E por isso, presumidamente, por sermos seres pensantes, afirmamos que somos animais racionais, sem ao menos termos noção do que é na realidade ser, um ser racional e, também, sem termos a mínima noção de que: será que os outros animais, também, pensam? Ou não? Todavia, nós, também, assim como todos os outros animais vertebrados, somos seres indivisíveis (uno — não dual), ou seja, um ser constituído de um corpo composto de quatro partes: cabeça, pescoço tronco e membros; unificadas e inseparáveis, agindo dependentes umas das outras, num perfeito equilíbrio entre o eu que pensa — nossa mente (alma ou espírito), centrada na nossa cabeça, como agente resultante da ação do nosso cérebro (órgão responsável pelo comando do nosso modo de ser e estar perante a vida), que tem por finalidade nos proporcionar

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a forma de nos portarmos no momento de agir para atingirmos os objetivos por nós idealizados. Ou reagir frente aos problemas que nos aflige e as dificuldades que nos impedem de seguirmos em frente, com tranquilidade, no percurso da jornada da nossa vida — e o “eu” que age (nossos membros: altamente articulados, que com eficiente destreza se locomovem e pegam coisas necessárias para o nosso uso). Portanto, se nós, seres humanos, somos de fato racionais, assim como nós imaginamos que somos, devemos racionalmente apagar de vez da nossa mente essa ideia antiquada de que somos um ser dual, ou seja, um ser composto de duas partes, corpo-espírito, separáveis, em que somente o corpo é mortal (perecível), enquanto que a mente (alma ou espírito) é imortal, com possibilidade de ela, a partir do instante da morte do nosso corpo, poder habitar em qualquer outro corpo que não seja este que nos dá a condição da nossa existência individual (o ser que realmente somos). Para que tenhamos plena consciência e sabedoria para obtermos um perfeito entendimento de que a nossa existência individual se limita neste brevíssimo espaço de tempo entre o início da nossa vida (nosso nascimento) e o fim dela (nossa morte); quando o ser que realmente nós somos deixa de existir definitivamente, com o completo aniquilamento do nosso corpo junto com a nossa mente (alma ou espírito), apagando de vez a nossa consciência, os nossos pensamentos, e a nossa memória; nada daquilo que nós somos permanecerá como lembrança (vide BÍBLIA SAGRADA, no LIVRO

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DE SALMOS, CAPÍTULO 146:4 e no LIVRO DE ECLESIASTES, CAPÍTULO 9:5). Podemos, sim, sermos lembrado pela posteridade sobre quem nós fomos e tudo o que fizemos de útil durante a nossa vida, desde que, enquanto tivermos existido, tenhamos agido com sabedoria e com integridade de caráter, dedicando a nossa vida em prol do progresso da humanidade. Nada do que tivermos feito, enquanto temos vida, será lembrado, com louvor, pelas futuras gerações, se não fizermos algo útil em benefício dos nossos familiares, dos nossos amigos mais chegados, da comunidade a qual pertencemos, da humanidade em geral, do meio ambiente no qual vivemos, e da Natureza de um modo geral.

Após se alimentarem e concluírem os afazeres doméstico (lavar a louça, guardar todos os utensílios domésticos no seu devido lugar, varrer e limpar todos os cômodos da casa), sentavam-se no sofá da sala, com a televisão desligada — após terem assistido aos telejornais das diversas emissoras com as notícias mais importantes do dia — para trocarem informações sobre os fatos marcantes, de cada um deles, acontecidos durante aquele dia. Assim, ficavam conversando descontraidamente, aprendendo um com o outro sobre a realidade da vida e sonhando com uma vida melhor para eles e para os futuros filhos que eles tanto almejavam. Até que eram tomados pelo cansaço e se dirigiam à alcova para, no leito, repousarem.

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Numa dessas noites, no início do mês de abril, em plena estação do outono, devido a uma frente fria que estacionou por uns dias na região da capital de São Paulo e adjacências, durante todo dia o sol esteve encoberto por nuvens e uma ligeira brisa trazia um friozinho, que pela sensação térmica parecia bem mais frio do que a média de dezoito graus registrada pelos termômetros. Era prevista para aquela noite, de acordo com os meteorologistas, uma queda de temperatura ainda mais acentuada, podendo chegar até os treze graus durante a noite, e entre seis e dez graus durante a madrugada. Eles, após terem chegado em casa, como de costume, prepararam e tomaram a refeição e em seguida efetuaram apressadamente as tarefas domésticas que a rotina diária exigia. E estando a casa devidamente limpa e arrumada, abstiveram do rotineiro aconchego do sofá e se dirigiram direto ao quarto, cujo leito era o local que lhes parecia mais confortável devido ao frio daquela noite. Devidamente aquecidos sob o cobertor e cogitando a condição de estarem prontos para realizarem os seus sonhos de poderem ter uma filha, tomaram-se de volúpia e uniram os seus corpos, ardentes de desejo, para transferência de fluido seminal. O clima, não o que se refere ao tempo, mas aquele que envolveu os dois nesse ato sexual, e a predisposição dos seus organismos para gerar uma nova vida foram os fatores preponderantes que levaram à concretização daquela concepção, gerando uma vida, quando um óvulo se deslocou pela trompa em direção ao útero e no caminho foi fecundado por um espermatozoide ligeiro, forte

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e esperto, dentre os milhares que haviam sido ejaculados por ele, naquele ato sexual, em que, em meio ao líquido no canal vaginal dela, nadaram velozmente em direção à trompa para o encontro com o óvulo. Os poucos minutos que durou aquele ato não foram suficientes para apagar aquele clima de felicidade que permaneceu entre os dois, mesmo depois de terem separados os seus corpos, terem se beijado e desejado “boa noite, meu amor”, um para o outro. E mesmo, ainda, não tendo certeza de que ela havia concebido, sentiam a sensação de que o sonho deles, de ter uma filha, tinha acabado de se realizar. Não disseram com palavras, um para o outro, nada do que estavam sentindo naquele instante, mesmo porque seria impossível traduzir em palavras aquele sentimento mútuo. E naquela noite, dormiram tranquilamente. Como se houvesse, no mínimo, que seja, uma possibilidade da existência de um “Anjo da Guarda”, ou de uma “Fada Madrinha”, a zelar por nós, e que pelo simples fato de ela direcionar sua varinha de condão em nossa direção e espargir sobre nós a possibilidade de realização dos nossos desejos, tal possibilidade aconteceu com eles naquela noite, no ato de sonhar. Os dois tiveram o mesmo sonho. Eles sonharam que ela estava na sala de parto prestes a dar à luz, assistida por um médico obstetra, quando este puxa de dentro dela um bebê. Segurando-o pelos pés, ficando ele de cabeça para baixo, dá-lhe uma palmada nas costas para despertá-lo para a vida. A reação daquela

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criança em relação à ação do médico foi o choro e com isso recebeu o ar em seus pulmões, elemento necessário e indispensável para manter a vida. Isso feito, o médico passa a criança para a enfermeira, que faz uma ligeira limpeza, retirando os pedaços de placenta grudados em seu corpo, enrola-a num cobertor e a coloca nos braços da mãe, que esperava ansiosamente por aquele momento. O pai, que estava na sala de espera, junto com outros pais ansiosos, recebe o aviso de que sua esposa havia acabado de ter uma linda menina. E ele, não conseguindo conter-se devido ao excesso de felicidade, fica todo eufórico e já sai distribuindo, apressadamente, bombons para todos que estavam ali, ao mesmo tempo em que ia em direção ao quarto onde estava a sua querida esposa com aquela maravilhosa joia acolhida nos seus braços, junto ao seu peito, aguardando-o ansiosamente para partilhar com ele aquele momento de felicidade. Ele, ao entrar no quarto e vê-las felizes, beija cada uma delas, dizendo para a mãe: “Obrigado, meu amor, por esta joia preciosa formada dentro de ti. Prometo que a partir deste momento hei de estar ao seu lado a todo instante auxiliado-a para que nós possamos sempre, unidos, proporcionar para ela uma vida saudável para que cresça e se fortaleça com a nossa ajuda, tornando-se, no futuro, o que nós havíamos idealizado que ela seria.” Nesse instante, ouve-se a campainha do despertador e ambos acordam radiantes, abraçando-se, beijando-se e dizendo um para o outro “bom dia, meu amor”. Mas cada um deles guardava consigo aquele sonho em comum que os enlevaram naquela inesquecível noite.

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CAPÍTULO 2 VÉSPERA DO GRANDE DIA PARA LETÍCIA Quinze anos e nove meses se passaram desde aquela memorável noite na vida daquele casal. Toda expectativa daquela família estava voltada para essa grande data, quatorze de dezembro de um mil novecentos e noventa e seis, sábado, dia do aniversário de quinze anos de Letícia. Todos os detalhes da organização da festa já estavam devidamente arranjados. Porém, na cabeça de Jovenildo, foi formado um pensamento, de última hora, e que muito o inquietava. Para ele, era de suma importância que aquela ideia se realizasse para que ele se sentisse plenamente satisfeito em relação à sua contribuição para a realização da plena felicidade da sua amada filha, Letícia, no decorrer da comemoração dessa grande data para ela. 14


Como era rotina em todas as noites na vida daquela família, eles, após terem chegado em casa, depois de um longo dia de trabalho executaram todas as atividades domésticas. Enquanto um fazia o jantar, o outro arrumava a mesa, o outro fazia o suco de laranja e o outro varria e limpava a casa, colocando no seu devido lugar as coisas que porventura estivessem deslocadas pelos afazeres do dia. Tendo o jantar ficado pronto, todos sentaram-se à mesa para comer. E, enquanto comiam, evitavam discussões ou perguntas indiscretas, limitando-se a fazer observações elogiosas sobre o que estão comendo e enaltecendo quem o preparou. Após o jantar, todos ajudavam a lavar a louça e a deixar a cozinha limpa e em ordem, assim como todos os cômodos da casa, indo em seguida para a sala. Nesse estado de harmonia, estavam todos reunidos ali naquela mesma sala, sentados no sofá, sempre com a televisão desligada após terem assistido os telejornais das diversas emissoras com as notícias mais importantes do dia. E ainda que o sofá não fosse o mesmo de outrora, a harmonia que os mantinham unidos era a mesma, sempre conversando alegremente, trocando informações sobre os fatos marcantes acontecidos com cada um deles durante aquele dia, aprendendo um com o outro sobre os fatos da vida. E, também, passando ensinamentos para as suas filhas — pois agora já eram duas, sendo que a menor, chamada Rosa Maria, havia nascido cinco anos após o nascimento de Letícia. Conversavam sobre tudo o que eles haviam aprendido sobre a realidade da vida e como viver a vida de acordo com o real sentido pela qual

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Letícia, uma menina moça que está completando quinze anos de idade, herdou dos seus pais uma natureza sonhadora, longe de fantasias e ilusõe...

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