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O berรงo do

leviatรฃ


O berço do

leviatã Aloísio Araújo 2ª Edição

São Paulo – 2015


Copyright © 2015 by Editora Baraúna SE Ltda.

Criação de Capa Monica Rodriguês Projeto Gráfico

Jacilene Moraes

Revisão Textual

Natália Silveira

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ A687b 2.ed. Araújo, Aloísio O berço do leviatã / Aloísio Araújo. - 2. ed. - São Paulo: Baraúna, 2015. ISBN 978-85-437-0465-4 1. Poesia brasileira. I. Título. 15-24924 CDD: 869.91 CDU: 821.134.3(81)-1 ________________________________________________________________ 21/07/2015 21/07/2015

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua da Quitanda, 139 – 3º andar CEP 01012-010 – Centro – São Paulo – SP Tel.: 11 3167.4261 www.EditoraBarauna.com.br Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem a expressa autorização da Editora e do autor. Caso deseje utilizar esta obra para outros fins, entre em contato com a Editora.


Sumário O banquete..................................................................9 Assim.........................................................................10 Letras afiadas..............................................................11 O barqueiro................................................................12 Hecatombe.................................................................13 Ilusão.........................................................................14 Metamorfose..............................................................15 O estrangeiro..............................................................16 Prazer.........................................................................18 Proibição....................................................................20 Corpo e mente...........................................................21 Liberdade...................................................................22 Sedução......................................................................23 Prisão.........................................................................24 Desânimo...................................................................25 Harmonia...................................................................26 Vozes..........................................................................27 A feia e a bela.............................................................28 Oração.......................................................................29 A colheita...................................................................30 Paraíso........................................................................31 Prece..........................................................................32 Segredos do olhar.......................................................33


O lavador...................................................................34 Palavreado..................................................................35 Eclipse........................................................................36 O deus da morte........................................................37 Delírio........................................................................38 O chamado da rainha.................................................39 Escuridão...................................................................40 Punição......................................................................41 Perseguição.................................................................42 Viagem.......................................................................43 Fixação.......................................................................44 Sonho confuso...........................................................45 Último filho...............................................................46 Soneto defeituoso.......................................................47 Mistura......................................................................48 Último desejo.............................................................49 As palavras em silêncio...............................................50 Pelos em mente..........................................................51 Novelo cerebral..........................................................52 Vaticínio.....................................................................53 De joelhos..................................................................54 Crendice.....................................................................55 Ladainha....................................................................56 Insanidade..................................................................57 O pensamento no verso..............................................58 Fuga...........................................................................59


O desejo dos pés.........................................................60 Jó...............................................................................61 Esconderijo................................................................62 Alucinação.................................................................63 Rotina........................................................................64 Celebração.................................................................65 O medo que tenho de ti.............................................66 O monstrengo............................................................67 Homo infestus............................................................68 Ode ao destino...........................................................69 O esconderijo da solidão............................................70 Nadas acumulados......................................................71 Sentido.......................................................................72 O mar do poeta..........................................................73 Liquidação.................................................................74 Existencial..................................................................75 Encanto......................................................................76 O choro e o riso.........................................................77 Vinda.........................................................................78 Rotina........................................................................79 Descontinuidade........................................................81 A lua, a rua e a porta..................................................82 Ressentimento............................................................83 Encruzilhada..............................................................84 A vingança dos pássaros..............................................85 Turistas.......................................................................86


Construção.................................................................87 Best-seller...................................................................88 Soberba......................................................................89 Fato fútil....................................................................90 Kafka em mim...........................................................91 É bola.........................................................................92 Encrenca poética........................................................94 A escada breve do tempo............................................95 Monossílabos úteis.....................................................96 Declaração de guerra..................................................97 A solidão do poeta......................................................98 Falta de sensibilidade..................................................99 Brincadeirinha de criança.........................................100 A passagem dos desejos.............................................101 Um rato no forro......................................................102 Bula.........................................................................103 O umbigo dela.........................................................104 Gemidos...................................................................105 Anjos incendiários....................................................106 O sangue no verso....................................................107


O banquete A poesia desregula a lĂ­ngua, tortura o pensamento e vaga voluptuosa... IncrĂŠdula e zombeteira, come o dia, bebe a noite, mutila versos, rasga palavras, engole sonetos, mastiga rimas e ruge, com dentes de cachorra velha. Faminta a poesia segue, e quanto mais come, quanto mais rasga, quanto mais mutila, mais envolve e enlouquece o poeta, bela, serena, cruel e soberana...

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Assim Assim, como a quentura que seca a fonte, o Sol mergulha por trรกs do monte e morre... Assim, como a semente que enfim germina, a vida sangra e nunca termina, escorre...

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Letras afiadas São poemas, pedras, ferros retorcidos, desconfortam os olhos e os ouvidos. São poemas, pregos, facões enferrujados, satirizam os bobos e os letrados. São poemas, prantos, demônios esquecidos, ressuscitam as feras e os desvalidos. São poemas, preces, galhos de arvoredo, chicoteiam a vida e causam medo.

Primeiro lugar no Concurso Pérolas da Literatura, Guarujá, SP, em 2012. Segundo lugar no VIII Concurso Literário de Suzano, SP, Edição Cora Coralina, em 2012.

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O barqueiro Sono profundo, passagem lenta para outro mundo. Estacas, grelhas, espeto quente, caldeir천es, fogo, solid찾o eterna e gente, muita gente...

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Hecatombe Que amanheça, e o Sol, como uma bola de sangue, despenque sobre nossa cabeça... Que anoiteça, e a Lua, como um demônio errante, destrua  a terra, sorria e desapareça...

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Ilusรฃo Na tumba fria do campo santo repouso sรณ. Descanso eterno da vida longa que se fez pรณ. Prazeres, fama, dinheiro, amigos, nada restou. Nada, sรณ pรณ.

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Metamorfose Cansado de lutar contra a razão, Plantei nos cemitérios muitas flores, Gritei nas catedrais imensas dores, Nas noites de profunda solidão. Berrando como a boca de um vulcão, O inferno ressoava seus louvores; O céu divino urrava de pavores, No instante em que meu corpo virou chão. Malditas, com seus olhos enrugados, Errantes, como barcos desgraçados, A recordar tormentos infinitos, As flores ressentidas, de repente, Nos lamaçais profundos, calmamente, Deitaram-me na vala dos aflitos.

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O berço do leviatã  

Sono profundo, passagem lenta para outro mundo. Estacas, grelhas, espeto quente, caldeirões, fogo , solidão eterna e gente, muita gente...

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