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O Anel


O Anel

Miriam Monteiro Dias Coordenadora Editorial - Leonor Paes

S達o Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Jacqueline Lima Leonor Paes Coordenadora Editorial Leonor Paes

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ -------------------------------------------------------------------------------D533a Dias, Miriam Moteiro O anel / Miriam Moteiro Dias. - São Paulo : Baraúna, 2012. Índice ISBN 978-85-7923-529-0 1. Romance brasileiro. I. Título. 12-0950.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

16.02.12 27.02.12 033295 -------------------------------------------------------------------------------Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


Agradeรงo a minha querida amiga Leonor pelo incentivo e por meses de trabalho รกrduo, ajudando a transformar meu sonho em realidade.

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Dedico esta obra aos meus dois queridos filhos.

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“A História tem demonstrado que os mais notáveis vencedores normalmente encontraram obstáculos dolorosos antes de triunfarem (sic). Eles venceram, porque se recusaram a se tornarem (sic) desencorajados por suas derrotas.” (autor desconhecido)

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As Detentoras do Anel BREVE SÍNTESE CARMELLA (Não se sabe exatamente em que época viveu. Estima-se ter sido por volta do inicio do séc. XVII. Primeira detentora do anel, que foi um presente de noivado. Antes de morrer, passou-o à sua filha, criando assim a tradição que perdura até os dias de hoje.). Filha de Carmella (Viveu por volta de 1660. Não se tem maiores informações). Herdeira desconhecida (Estima-se que tenha vivido por volta de 1720)

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Herdeira Desconhecida (Estima-se que viveu por volta de 1780. Deixou o anel à sua filha recém-nascida, ao morrer precocemente no parto). MARTTINA (Deixou-o à sua filha em 1799. Quem o passou à filha, foi o próprio pai do bebê, pois a mãe morreu no parto). ANAMARIA (Filha de Marttina — nasceu e ganhou o anel em 1818) GIORDANA (filha de Anamaria — ganhou o anel em 1856, ao se casar. Levou-o para a França, onde foi morar com o marido.) MARCELLA (Sobrinha de Giordana — ganhou o anel em 1895 e o levou consigo para o Brasil.) ELIZENNA (Neta de Marcella. Ganhou o anel em 1918 no Brasil) MIRIAM (Neta de Elizenna. Ganhou o anel em 1987)

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Prólogo “Conte seu jardim pelas flores que nascem, nunca pelas folhas que caem” William Shakespeare Estou sozinha. Olho para a minha mão e vejo aquela pequena joia, tão singela. Um pequeno aro de ouro, de pouco valor. Nada muito precioso para ser considerado um objeto de cobiça por suas candidatas. Mas não é o valor monetário que se almeja. É tudo que o anel representa: uma linhagem de mulheres, simbolizadas por ele, que, geração após geração, têm sido eleitas por suas antepassadas para se autoafirmar como “guerreiras”, mostrando-se capazes de enfrentar com maestria seus próprios problemas, sem o apoio de outrem. Por causa do semblante de confiabilidade de cada uma das escolhidas, é comum que abracem os entraves dos entes queridos, considerando como se fossem seus e lutando para solucioná-los. 13


Foi assim desde que se tem lembranças... Todas com sobrenomes de seus maridos, mas que traziam em seus corações o orgulho de descenderem de certa Carmella Rinaldi. A iniciadora desse costume viveu por volta de 1600 na Itália. Desde lá, seu anel tem sido passado de mão em mão, por mais de quatro séculos. Há horas que o fardo representado por tantas obrigações torna-se pesado demais, mas o orgulho de ter sido uma das escolhidas, no meio de tantas mulheres, supera esse peso e até me leva a criar forças para agir de acordo com o que se espera de uma detentora do anel. Parece que a pioneira dessa tradição plantou com raízes profundas tudo o que representa a posse desse símbolo. Não se consegue fugir dessa obrigação imposta de maneira doce e graciosa, mas que encerra, além do lado poético, a responsabilidade de “cuidar” de nós mesmas e de pessoas ligadas à nossa vida, dando-lhes suporte e compreensão, de uma maneira, muitas vezes, surpreendente para as próprias detentoras do anel. Que profundidade de sentimentos engloba um símbolo, aparentemente tão simples! Como foi e quais desafios enfrentaram as Rinaldi depois que Carmella adotou esse costume? Imagina-se que o critério adotado para a escolha da herdeira era apenas o amor e a grande vontade de que a escolhida pudesse receber com o anel uma força que a tornasse capaz de vencer na vida. Marcella, pelo grande número de candidatas que possuía — suas quatro filhas, quatro noras e dez netas — resolveu manter em segredo a existência do anel, evitan-

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do, assim, que nascesse, entre as preteridas, sentimentos contrários à magia que envolve essa tradição, baseada no amor. Escolheu sua primeira neta, Elizenna, e só a ela revelou detalhes para que pudesse passá-lo adiante. Minha avó Elizenna, por sua vez, também manteve esse segredo, só revelando a mim, sua sucessora, para não melindrar as demais possíveis candidatas, uma vez que na nossa família também havia muitas outras mulheres. A escolha de minha avó certamente veio confirmar o critério adotado: o Amor, sentimento que surgiu nela quando eu nasci, e que foi se solidificando na minha infância e mocidade. O anel me seria entregue quando ela já se sentisse próxima da morte. Mas, não foi o que aconteceu. Em 1987, tive um problema sério de saúde que me deixou marcas até hoje. Assim que soube do meu abalo ante a dificuldade que tinha pela frente, minha avó materna tirou o anel de suas mãos e o deu a mim, para que a simbologia me chamasse à luta, em um momento em que a vida exigia que eu fosse mais forte e acreditasse nas minhas possibilidades. Lembrou-me, ainda, que eu tinha um dever moral para com as Rinaldi: mostrar muita garra e determinação para, que no futuro, eu pudesse ser lembrada com orgulho pelas outras que viriam. Desde criança eu me perguntava: Quantas histórias deve esta joia ter presenciado antes de me pertencer? Se pudesse falar, contaria as alegrias, as tristezas, os momentos de amor, de dor, de aflição, dos quais foi testemunha.

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