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Memórias com Açúcar


Memórias com Açúcar Marcio Alexandre Pereira

São Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa Aline Benitez Diagramação Monica Santos Revisão Marlon Magno

Priscila Loiola CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ _______________________________________________________________

P493m

Pereira, Marcio Alexandre Memórias com açúcar/ Marcio Alexandre Pereira. - São Paulo: Baraúna, 2012. Inclui índice ISBN 978-85-7923-445-3 1. Pereira, Marcio Alexandre. 2. Diabéticos - Brasil - Biografia. 3. Diabetes. I. Título. 12-0611.

CDD: 920.9616462 CDU: 929:616.379-008.64

01.02.12 03.01.12

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_______________________________________________________________ Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua Januário Miraglia, 88 CEP 04507-020 Vila Nova Conceição - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br www.livrariabarauna.com.br


Dedicatória Dedico esta obra em agradecimento às pessoas e personagens citadas neste livro, pois fazem parte da minha vida e estão sempre comigo nesta batalha que é a vida de um diabético: Elisabete, Giovanna, Thiago, João, Leticia, Marcelo e Ana.


Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Os tipos de diabetes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Um começo nada saboroso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 A Vilinha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Louco por ti, Corinthians, mas eu?. . . . . . . . . . . . . . . 39 Cara baixinho e invocado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 Que Ave Maria me ajude e que Oxalá me defenda, pois o sangue de Jesus tem poder. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Sexo, drogas e rock and roll. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Hipoglicemia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 Hiperglicemia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Entre altos e baixos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Como chegamos até aqui. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 “Tchariôt, Sabunim Que Kiunhé” . . . . . . . . . . . . . 103 A hemoglobina glicada e meu joelho . . . . . . . . . . . . 109 A parte triste de uma viagem: a retinopatia . . . . . . . 117 Coração tricolor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 O maior dos medos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Efeito lua de mel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Meu Sol. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141


Tratamentos naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A cura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Depoimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ExperiĂŞncias de uma vida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Apresentação A diabetes é uma doença que atinge cerca de 6% da população mundial. Um dos fatores que mais colaboram para o aumento desse número é o estilo de vida que se pratica. O diabético carrega para o resto de sua vida uma preocupação constante com a alimentação, o estilo de vida e a privação. Mas, além disso, aqueles que convivem com essa enfermidade passam por dificuldades que vão desde problemas financeiros, para custear um tratamento cada vez mais oneroso, até problemas psicológicos, tanto para os pacientes como para os familiares. Baseado nestes fatos e na minha experiência com a doença que “ganhei” de presente aos 2 anos de idade, escrevo aqui um humilde depoimento, comentando temas relacionados com a diabetes e a minha vida. O início de tudo, os problemas e suas consequências, as dores e alegrias de uma pessoa que teve a vida marcada pelo doce e que luta como qualquer outra para que este problema difícil não interfira na doce aventura de se viver. Espero que este livro agrade, auxilie aos que procuram ajuda no dia a dia com diabetes, mas principalmente Memórias com açúcar

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ajude aqueles que por algum motivo acreditam que a vida nĂŁo ĂŠ doce. Marcio Alexandre Pereira

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Os tipos de diabetes Resumidamente, a diabetes nada é mais que uma disfunção do pâncreas. Entre algumas outras funções, o pâncreas é responsável pela produção de insulina para o corpo. A insulina, por sua vez, é o hormônio responsável pela quebra das moléculas de glicose para que tais moléculas possam ser “carregadas” até as células, a fim de realizar as suas funções. No caso do diabético este hormônio não é produzido ou, se produzido, não é o suficiente. Como as células não absorvem essa glicose ela acaba sobrando na corrente sanguínea da pessoa, causando diversos males, conhecidos como retinopatia, nefrologia, problemas cardíacos, amputação de membros, impotência masculina, entre outros. Existem vários tipos de diabetes. Entre esses tipos, temos dois, no entanto, que são mais conhecidos dos diabéticos e são classificados da seguinte maneira:

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Diabetes tipo I — Infantojuvenil — dependente insulínico É caracterizada principalmente por atingir crianças e jovens. A disfunção começa a acontecer quando o sistema imunológico não identifica as células produtoras de insulina como “células pertencentes ao organismo”. A consequência disso é que, acreditando que essas células produtoras de insulina são intrusas, o sistema imunológico, para se defender, dispara um aviso para que os anticorpos ataquem tais células. Assim, as células produtoras de insulina são aniquiladas pelos anticorpos, causando o desequilíbrio no organismo. A partir daí há o desencadeamento dos problemas já conhecidos, onde a única forma de controle da glicemia são as injeções de insulina. O sistema de proteção do corpo normalmente aceita essa insulina, pois o “jogo duro” é contra as células que a produzem. A identificação deste tipo de diabetes é rápida, já que a glicemia sobe imediatamente — como as células não absorvem mais a glicose, a corrente sanguínea fica carregada dela. Assim, o corpo começa a eliminar esse excesso de glicose pela urina. E, devido à grande quantidade de glicose, o indivíduo começa a urinar diversas e diversas vezes, demonstrando nitidamente que existe um problema. Desta eliminação de urina surgiu o nome “diabetes”, como os antigos gregos a batizaram, a fim de caracterizar a disfunção que já existia naquela época. Diabetes significa “sifão” em grego, pois era uma característica marcante do doente beber muita água e eliminá-la rapidamente, como se fosse um sifão.

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Outro fator visível neste tipo de diabetes é que as pessoas com este problema começam a emagrecer rapidamente, pois como as células não são alimentadas por glicose o organismo é forçado a buscar outra fonte de energia, utilizando assim a gordura existente no corpo para gerar o necessário. Depois de identificada a diabetes, o médico irá receitar a medicação; e para este tipo de diabetes não existe outra forma que não seja a aplicação diária da gloriosa e salvadora insulina. Essas aplicações podem variar entre duas a cinco vezes em um dia até, em seu extremo, seis ou sete vezes — tudo depende do tipo de insulina e das condições da pessoa. Nesse momento é que acontece o primeiro ponto de atenção para se evitar as consequências da diabetes. Com essa quantidade de aplicações de insulina, caso não se tenha o devido cuidado, pode acontecer com a pele a chamada lipodistrofia, ou seja, o acúmulo de aplicações de insulina no mesmo local, ocasionando o aparecimento de calombos. Além de tornar o local dolorido, a aplicação com frequência na área já debilitada faz com que a insulina tenha um efeito menor do que o previsto. Os locais de aplicação da insulina são as partes externas das pernas, braços, nádegas e barriga. Assim, para se evitar esse problema é necessária a utilização do chamado rodízio, isto é, a aplicação deve ocorrer apenas uma vez em cada local. Caso ocorra a lipodistrofia, deve-se evitar durante certo tempo o local para que os calombos comecem a desaparecer. Quanto às insulinas, hoje existem diversos tipos e as que têm sido classificadas como excelentes para o tra-

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tamento são de reação lenta, durando aproximadamente 24 horas no organismo, evitando baixas perigosas das glicemias de uma hora para outra. Essas insulinas são chamadas de insulinas basais, porém somente elas não são suficientes para controlar as altas de glicemias. Torna-se então necessária a utilização de uma insulina complementar, as chamadas insulinas ultrarrápidas, que agem quase que de imediato após a aplicação, feita antes das refeições, evitando picos de aumento de glicose na corrente sanguínea. Também existem as insulinas com duração inferior a 24 horas e que podem ser administradas várias vezes ao dia, chamadas de NPH, e que têm efeito um pouco mais rápido que as lentas, porém não tanto quanto as ultrarrápidas. Podem causar a baixa de glicemia de repente, o que é um dos maiores perigos para o diabético. Seu efeito não é tão duradouro, então a melhor alternativa é utilizá-la várias vezes ao dia. Essa insulina foi muito usada durante os anos 1970-1990, pois era praticamente o único tipo existente. Existem também as insulinas mistas que nada mais são do que a mistura das duas, a NPH e a rápida. Explicarei mais sobre essas insulinas um pouco mais à frente. O que importa é que o diabético tipo I tem algumas boas opções de medicamentos para auxiliar no controle de suas glicemias. Tudo depende do tratamento que seu endocrinologista, médico especialista em diabetes, irá indicar e o valor que o diabético poderá gastar com o tratamento.

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Diabetes tipo II — Adulto — não dependente insulínico Este tipo de diabetes é caracterizado por atingir com maior frequência os adultos. Ao contrário do tipo I, este tipo de diabetes é ocasionado pelo desgaste do pâncreas na fabricação de insulina. Ocorre muitas vezes por se ter uma vida sedentária e comer em excesso produtos gordurosos e carregados de açúcar, fazendo com que o pâncreas trabalhe em demasia e acabe “se cansando”. Após a identificação da doença o paciente passa a tomar comprimidos para “incentivar” o pâncreas a fabricar a insulina, cuja produção é limitada. Diferente da diabetes tipo I, não ocorre um ataque dos anticorpos; a origem se caracteriza mais pelo estilo de vida que o paciente leva. Existem casos em que o remédio via oral já não tem mais o mesmo efeito e o paciente é obrigado a utilizar a insulina, em menor escala que o diabético tipo I. A identificação deste tipo de diabetes é mais lenta e mais difícil pelo paciente, já que o desgaste do pâncreas ocorre aos poucos. O grande problema da diabetes, independente do tipo, é o desgaste ocasionado em vários órgãos do corpo pelo excesso de glicose. Os pequenos vasos dos olhos e rins podem, com o tempo, se deteriorar devido a esse excesso, ocasionando em último caso a cegueira e a nefrologia. Muitos casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) são atribuídos à diabetes. O coração é outro órgão afetado, e também os membros inferiores, como, por exemplo, os pés, que podem sofrer devido à falta de circulação, prejudicada pelo excesso de glicose.

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