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Marcas


T창nia Gonzales

Marcas

S찾o Paulo 2012


Copyright © 2012 by Editora Baraúna SE Ltda Capa A.F Capas Projeto Gráfico Aline Benitez Revisão Fabricia Carpinelli Diagramação Monica Rodrigues

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ -------------------------------------------------------------------------------G653m Gonzales, Tânia Marcas/ Tânia Gonzales. - São Paulo: Baraúna, 2012. ISBN 978-85-7923-616-7 1. Romance brasileiro. I. Título. 12-8189.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

07.11.12 13.11.12 040561 -------------------------------------------------------------------------------Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua da Glória, 246 - 3º andar CEP 01510-000 - Liberdade - São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261

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Minha gratidão...

“Como agradecer pelo Bem que tens feito a mim Que vem demonstrar Quanto amor Tu tens ó Deus por mim. As vozes de milhões de anjos Não poderiam expressar A gratidão do meu pequeno ser Que só pertence a Ti.” * Jonas, meu marido, você acreditou e me apoiou desde o princípio. Minhas duas princesas, Juliana e Caroline, a mamãe ama muito vocês. Minha família, agradeço pelos momentos compartilhados e também pelos não compartilhados (há “lugares” aonde só eu e meus personagens podemos ir).


Ao meu pastor, Jorge Fiorelli, por todas as vezes que disse: “nossa escritora”. Aos familiares, irmãos e amigos que torceram por mim. A Editora Baraúna, por facilitar a vida dos autores. A você, querido leitor, agradeço por cada comentário! Você não imagina o quanto significa para mim.

*Meu Tributo - hino tradicional


Dedicatória... Ela é chamada carinhosamente de tia Emília e muitos a chamam de irmã Emília. Eu a chamo de mãe. Minha mãe, a senhora me ensinou que Jesus é o caminho, a verdade e a vida... O seu exemplo de fé está deixando marcas que nunca se apagarão.

Ele era chamado carinhosamente de tio Dino e muitos o chamavam de pastor Alcidino (in memoriam). Eu o chamei de pai durante os anos que o nosso Deus permitiu (lágrimas caem). Meu pai, o senhor deixou marcas indeléveis em nossos corações.


Prólogo “A violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora”. Benedetto Croce

— “Que olhos lindos, Abel! Como é possível existir olhos tão azuis? Seus olhos são os mais lindos que eu já vi!” Foi assim que ela falou, “olhos azuis”? Ela nunca mais vai dizer isso. Ela não vai conseguir nem olhar para você. É hoje, olhos azuis! — disse Maurício. — Eu preciso voltar... — Está cedo. Os meus amigos acabaram de chegar. O primeiro soco foi no estômago. Abel nem soube dizer quem começou as agressões. Foram socos, pontapés, chutes... — Carreguem os “olhos azuis”. Tenho uma surpresa para ele. — Mais? Tem certeza? Vamos acabar matando o coitado.

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— Está amarelando, Rogério? — Não é isso, Mau. Eu só acho que ele já apanhou bastante. — Carlinhos, você ouviu isso? O Rogério está com o coração mole. — Ele não é mais o mesmo. — Que barulho é esse, hein, “olhos azuis”? Está gemendo? Carreguem o cara — ordenou. Após alguns minutos entraram em um galpão. — É aqui. Já está tudo preparado — informou Maurício. — Amarrem o Abelzinho. — Mau, tem certeza? Não quero complicação. Se meu pai fica sabendo... — Cala a boca, Rogério. Eu disse que tinha uma surpresa para os olhos azuis, não posso desapontá-lo. — O que é isso? — perguntou Rogério. — Você não sabe? — Cara, isso não! Vai doer muito... — É claro que vai doer, Rogério. Chega de papo. Temos pouco tempo. Levante a cabeça dele. “Olhos azuis”, escute bem o que eu vou dizer e nunca mais se esqueça: a partir de hoje, nenhuma garota vai conseguir olhar para você, mas se um dia você encontrar alguma corajosa... sabe o que ela vai sentir? Nojo e pena. Abel olhou horrorizado para as mãos de Maurício. — O que você vai fazer? Soltem-me... — Vai implorar? Implore, vai ser bem legal... vai ser divertido. Chore, quem sabe assim eu mude de ideia. Não, não vou mudar. Nem suas lágrimas seriam capazes 10


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de me convencer. Nem as lágrimas de uma certa garota que você não deveria ter colocado os olhos nela. — Cara, eu acho que você está indo longe demais. — Até você, Carlinhos? Que amigos covardes eu fui arrumar. Está acabando. Segurem o rosto dele com firmeza. Chegou a sua hora. Abra os olhos, estou mandando... Abra! Não vai abrir? Tudo bem. Abel sentiu o rosto arder... A dor era insuportável. Depois veio a escuridão.

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Capítulo

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“A paz e a harmonia constituem a maior riqueza da família.” Benjamin Franklin Sete anos depois... — Augusto, vou até a casa da Helena. Os produtos dela chegaram. Mas com certeza voltarei primeiro que vocês — disse Vera ao marido. — Dona Regina pediu que fôssemos hoje porque quer fazer uma surpresa para a filha. — A Helena me contou que a filha da Regina vem para casa uma ou duas vezes por mês. Estuda em Marília. Vai ser veterinária. — Dona Regina quer que o quarto fique pronto antes do Natal. 13


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— Então vocês terão que trabalhar muito. — Detesto deixá-la, minha querida, mas você ouviu a buzina? Nosso filho está com pressa, buzinou três vezes — brincou Augusto. Quinze minutos depois, Augusto tocou a campainha da casa da família Reis. — Augusto, tudo bem com você? — perguntou Paulo ao abrir o portão. — Oi, Paulo, tudo ótimo. — O seu filho não vai entrar? — Ele prefere esperar no carro. — Posso falar com ele? — É claro, Paulo. Paulo Reis bateu no vidro do carro. — Tudo bem, rapaz? — Oi, tudo — respondeu timidamente. — A minha esposa preparou a mesa para o café e fez bolo de cenoura. Entre, senão ela vai ficar chateada. Ela é muito sensível. — Eu... — E eu sei que é você quem faz os desenhos dos móveis, por isso seria importante que você também conversasse com a Regina. — E a sua esposa? — perguntou Regina após os cumprimentos. — Está bem atarefada, dona Regina. Os produtos que ela vende chegaram hoje, então já dá para imaginar, não é? 14


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— Eu sei. Depois preciso dar uma olhada nas revistas dela. Tenho que comprar algumas coisinhas. — Algumas coisinhas? Augusto, quando ela diz isso é um problema. — Eu entendo, Paulo. — Abel, estou sabendo que você faz desenhos lindos — disse Regina, tentando incluí-lo na conversa. — É... eu faço. — Vamos tomar um cafezinho primeiro, depois vocês vão conhecer o quarto da Paulinha. Minutos depois... — O bolo estava delicioso, dona Regina. — Augusto, posso pedir um favor? — Claro, dona Regina. — Eu acho que temos mais ou menos a mesma idade, certo? Então, pare de me chamar de dona, por favor! — Como você quiser, do... Regina. — Ótimo, agora podemos ir até o quarto da Paulinha. Chegando lá... — Que quarto amplo! — disse Augusto. — Vai dar para fazer muita coisa aqui. — Minha filha está precisando de mais espaço para as roupas, e ela sempre diz que gostaria de ter um lugar para os sapatos — explicou Regina. — Ah, ótimo. Pode deixar que faremos um lugar especial para os sapatos dela. Devem ser muitos, não é? — Muitos... Qualquer novidade que aparece na loja a Paulinha já diz logo que quer um! 15

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Abel conheceu “um Caim” que o marcou com a dor. Anos depois, conheceu “um irmão” que o marcou com a amizade. E alguém muito especial que o m...

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