Lis 15

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S達o Paulo 2015


Copyright © 2015 by Editora Baraúna SE Ltda

Capa

AF. Capas

Diagramação Felippe Scagion Revisão

Pricila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ P758L Pita, Emmanoella Lis / Emmanoella Pita. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2015. ISBN 978-85-437-0132-5 1. Romance brasileiro. I. Título. 15-20883

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

________________________________________________________________ 12/03/2015 16/03/2015 Impresso no Brasil Printed in Brazil

DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br

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Agradecimentos

Primeiramente a Deus e aos espíritos de luzes que acompanham-me, pois sem eles nada sou. Ao meu esposo Jader, por quem tenho um amor para muitas vidas e que instiga-me a ser uma pessoa cada vez melhor. Obrigada, Jader, por ter entrado e permanecido em minha vida. Às duas filhas que Deus me confiou e que sem elas a minha existência não teria nenhum sentido, pois é por amá-las incondicionalmente que me entrego dia a dia na luta em tentar ser um exemplo de dignidade. É por vocês, Jainy e Eduarda, que vivo. Aos meus pais Manoel e Simone, que são e sempre serão meu porto seguro. Às minhas irmãs e sobrinhos, que tanto alegram a minha trajetória de vida. À Virginia Xenofonte, que foi a maior incentivadora deste filho, obrigada por ter gestado comigo todas as minhas dificuldades e nunca ter me deixado desistir. À minha cunhada Elmana Lucena e à eterna amiga Roberta Rocha a quem tanto admiro e que facilitaram os caminhos burocráticos dessa publicação. Enfim, agradeço a todos que passaram, permaneceram e cruzaram a minha vida, pois todos contribuíram de maneira direta ou indireta para eu ser quem sou hoje. Manú.



Nota da Autora

Desejo a você, leitor, que enquanto estiver saboreando estas páginas, possa viver ou reviver o amor perfeito, amor esse que, infelizmente, já não se encontra com tanta facilidade nos dias de hoje, mas nem por isso deixamos de almejá-lo. Que Lis possa trazer a todos o que ela me deu durante algum tempo, que é a pureza do coração humano, o encanto e brilho de um olhar apaixonado, o amor sincero e a lição de que nunca devemos julgar as aparências. Com ela, senti que existem várias formas de amor e que podemos ser felizes em diversas situações da vida, mas jamais podemos esquecer quem fomos e o que vivemos, pois o nosso passado está gravado a ferro e fogo em nosso espírito, não importando onde estivermos ou quanto tempo tenha passado, ele estará sempre conosco. Resumindo em poucas palavras o que este livro significa para mim: “Uma realização pessoal”. E desejo de coração que, pelo menos enquanto estiver sendo lido, ele possa adoçar e encantar sua vida.



Início

Sentada na primeira classe de um avião, com um vestido belíssimo preto com ricos bordados em várias tonalidades de rosa, amarelo e verde, o qual foi desenhado por um grande estilista francês, e com um sobretudo bege de uma grife americana, estava Lis ao lado de seu marido, o senhor Rogério Magno, grande empresário do ramo de soja, rumo à Paris. O voo partiu de São Paulo e duraria mais ou menos de nove a dez horas de viagem. Lis sempre tentava não pensar no passado, pois isso a deixava triste e melancólica. Não estava entendendo o porquê, só sabia que nessa viagem estava sentindo-se diferente, como se previsse que algo fosse acontecer, tentou fugir o máximo possível dessa sensação, mas não conseguiu, pois os pensamentos eram fortes e marcantes e insistiam em aparecer. Resolveu, enfim, entregar-se totalmente a eles, encostou-se na poltrona, fechou os olhos, e deu um profundo mergulho no seu passado.



Sumário

Capítulo 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Capítulo 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Capítulo 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Capítulo 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Capítulo 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Capítulo 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Capítulo 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Capítulo 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Capítulo 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 Capítulo 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Capítulo 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Capítulo 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Capítulo 13. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Capítulo 14. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Capítulo 15. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Capítulo 16. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Capítulo 17. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Capítulo 18. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Capítulo 19. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 Capítulo 20. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179


Capítulo 21. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 22. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 23. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 24. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 25. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 26. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 27. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 28. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Capítulo 30. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo 1

Lis foi uma criança branquinha, com olhos de jabuticaba e cabelos preto, gordinha e muito simpática. Todos os adultos adoravam brincar e cuidar dela, pois sempre encontrava-se alegre. Seu pai foi um homem alcoólatra que morreu quando ela tinha dois anos de idade. Sua mãe chamava-se Maroli e foi uma mulher forte, guerreira e muito determinada, que a criou sozinha com muito sacrifício. Trabalhava como secretária de uma firma de exportação de soja durante todo o dia, e à noite ainda conseguia tempo para cozinhar bolos e tortas para vender às mulheres dos empresários de onde trabalhava. Maroli tinha, mãos de fada, todas as receitas que inventava davam certo, e, com isso, sempre conseguia um dinheirinho extra. Com o dinheiro que ganhava, pôde sustentar Lis, dando-lhe uma vida digna, vestindo, alimentando e educando. Não foi fácil, tudo teve de ser sempre muito regrado, todas as suas despesas eram colocadas na ponta do lápis. Muitas vezes quando Lis dizia: — Mãe, me dá aquela boneca?... Mãe, eu queria tanto aquela roupa! — Minha filha, não podemos nos dar ao luxo de ter tudo que queremos. Mas graças a Deus posso pagar os seus estudos e com ele conseguirá realizar os seus sonhos. Lis - 13


Maroli dedicou-se tanto à filha única, que nunca pensou em casar-se novamente, sempre que alguém dizia para que reconstruísse sua vida, arranjasse um marido, ela dizia: — Não! Já sofri o bastante no meu primeiro casamento, agora que Lis só tem a mim, vou cuidar dela para sempre, só dela! Não vou dividir a atenção que a dou com homem nenhum. Desde que Lis lembra, morou em uma casa modesta, sem muito luxo, mas que tinha espaço suficiente para duas pessoas. Ficava em um bairro simples de Gramado, no Rio Grande do Sul. Esse bairro era maravilhoso, pois era muito familiar, todos os vizinhos cuidavam de todos, e as crianças podiam brincar sem medo nas calçadas, porque mal havia movimento de carros. Maroli apesar de ter trabalhado muito, sempre foi uma mãe presente. Pela manhã acordava bem cedo, fazia o desjejum das duas e subia para acordar Lis, entrava no quarto já abrindo a janela para que o sol pudesse entrar. — Bom dia!Vamos lá, minha filha, acorde, está na hora da escola. — dizia ela. Lis não foi uma criança preguiçosa e sempre levantou-se sem dar trabalho, quando às vezes tinha dormido um pouco mais tarde, dizia pela manhã: — Não, mamãe, me deixa dormir só mais um pouquinho. Mas Maroli era implacável em ralação à escola, não dava moleza, não queria nem saber, chegava junto de sua cama e ia logo tirando as cobertas de cima dela e a levava para o banho. — Vamos, Lis, nada como um bom banho para passar todo o sono. Depois do banho ela já saía sem preguiça, pronta para tomar café da manhã no qual sua mãe a enchia de comida. — Coma, minha filha, porque saco vazio não para em pé, se não se alimentar bem não vai aprender nada na escola! Depois de tomar o café Maroli lavava bem rápido a louça, pegava suas coisas, Lis as dela e saíam bem ligeiro, sempre fez questão de deixá-la na escola. Quando chegavam, a mãe despedia-se com um beijo na testa da filha. 14 - Emmanoella Pita


— Fique com Deus, meu anjo. — dizia. E saía para pegar dois ônibus, demorava uma hora para chegar a seu trabalho. Maroli, trabalhava das oito horas da manhã até as dezessete, depois pegava os ônibus de volta para casa. Chegava por volta das dezoito horas. Lis voltava da escola com uma vizinha que tinha uma filha, que também estudava no mesmo colégio. Passava a tarde na casa dela e quando Maroli voltava do trabalho ia pegá-la. Maroli era muito grata a essa vizinha e sempre fazia o que podia para recompensar, pelo menos um pouco, tudo o que fazia por elas, então, mandava tortas doces e salgadas. Quando chegavam em casa ensinava ou corrigia as tarefas da filha, depois jantavam e conversavam. Lis tinha uns joguinhos que toda noite jogavam juntas, e quando ficava tarde, Maroli dava um bom banho morno em Lis; ela dizia que era para relaxar. Quando deitavam, sempre rezavam e depois Maroli contava historinhas para que ela pudesse dormir. A garota sempre adormecia nos braços de sua mãe, bem agarradinha. Assim foi sua infância, entre mimos de sua mãe, amigos e vizinhos. Nas férias, Maroli sempre a levou para passar na fazenda de seus avós, onde ela teve o privilégio de crescer com o contato direto com a natureza. Era uma fazenda grande, com muitas árvores verdinhas, principalmente nesse período das férias, que era primavera, elas estavam sempre floridas e, as fruteiras bem carregadas, fazendo com que as crianças passassem boa parte do tempo subindo nas árvores para tirá-las. Tinha também vacas, bezerros, galinhas, porcos e outros bichos, que não passavam despercebidos, pois a criançada brincava com todos. A fazenda chamava-se São João, a casa era simples e rústica, ficava no lado alto das terras, virada para os campos, onde havia pastos para os bois, o sítio com as fruteiras, e um grande açude que irrigava essa e as outras fazendas vizinhas. A casa tinha seis quartos com camas de alvenaria, eles eram divididos por paredes internas de mais ou menos dois metros de altura, o Lis - 15