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FOBIA


Luis Vendramel

FOBIA

S達o Paulo 2010


Copyright © 2010 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Alline Benitez Revisão Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________

V569f Vendramel, Luis, Fobia / Luis Vendramel. - Rio de Janeiro : Baraúna, 2010. ISBN 978-85-7923-122-3 1. Romance. I. Título. 10-1714.

CDD: 869.93 CDU: 821.134.3(81)-3

20.04.10 04.05.10

018740

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Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua João Cachoeira, 632, cj.11 CEP 04535-002 Itaim Bibi São Paulo SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Agradeço a Deus, a verdadeira fonte viva e eterna para a nossa sede, e nosso único caminho, pois a criatura algum dia deve encontrar o seu criador. E que o brilho de nosso sucesso, saibamos, hoje e sempre, não nos pertence, já que tudo provém D’ELE. Aos amigos invisíveis, obrigado. O Autor.


Sumรกrio

Prefรกcio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Lindaflor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Terapia I. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Bonifรกcio Trindade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Terapia II. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 Tatiana. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Terapia III . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Gideรฃo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Posfรกcio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171


Prefácio

Referindo-se ao Caos, a ausência do nada, bem antes que o mundo existisse e sobre os incríveis acontecimentos e do pouco que chegou até nós, como sendo apenas alguns poucos grãos de areias, tais como o aprisionamento dos gigantes, uma outra raça, e o domínio do mundo que conhecemos pelos deuses falhos e de características bem humanas. A grande batalha que se deu e como tantas outras tidas que resultaram em derrotados e em vencedores. Zeus, então, subiu radiante ao seu trono como o senhor absoluto. Tornou-se o deus dos deuses. Como todo rei que detém o poder, assim, usufruiu as diversas amantes e esposas e constitui uma numerosa prole. Dentre os seus vários filhos, destacamos o de nome de Ares (ou Marte), o deus da guerra, filho de Hera. Descia do Olimpo em seu carro flamejante a pactuar com as mais terríveis carnificinas humanas. Instigava e estaria sempre presente onde o ódio constituído resulta-se em violência múltipla. Os romanos idolatravam Marte e clamavam seu nome com o motivo de obter a força necessária para vencer os seus inimigos. Ares, um deus impetuoso e audaz e que não valorizava qualquer ideologia. A ideologia de obter a luta a qualquer preço, a qualquer custa, sem bandeira,

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sem paixão e sem pudor. O instinto a ditar a direção e o emocional a lhe proporcionar o prazer a cada golpe, a cada vitória e a cada conquista. Não há de se ter à justiça como parâmetro, mas tão somente o prazer do sangue, da violência e da luta. Guerrear como o prazer máximo. Cultuado na cidade de Esparta, mas já em Roma com uma distorção. Fora associado como sendo um deus agrícola vinculado a tempestades, porém não tardou a retornar ao seu lugar de direito e de valer-lhe como sendo tão somente um deus guerreiro. Ficou famoso na época da expansão romana e principalmente a cada festa de vitória em seu nome. A espelho de seu pai, Zeus, tornou-se um grande conquistador e muitas aventuras amorosas teve, assim como filhos. O enfoque aqui há de ser como amante de Afrodite (Vênus), a deusa do amor e beleza. Desta união nasceram os quatro filhos: Amor (Cupido), Harmonia, Deimos e Phobos. Justamente Deimos significa o pânico e o terror pela tradução do grego. Este filho que passou a acompanhar o próprio pai nas diversas e infinitas batalhas travadas pelos humanos. Phobos, por sua vez, é a palavra grega que significa “medo” e que serviu de raiz para a palavra fobia. A exemplo do irmão, precedia ao pai nos campos de batalha, a visitar a cada soldado e guerreiro, a minar nos corações inimigos a covardia e o desespero para justamente provocar-lhes a fuga. Não obstante, é entendível que em nosso sistema solar tenhamos batizados nosso planeta vizinho com o nome de Marte e duas de suas luas como Deimos e Phobos,

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esses dois asteróides que foram capturados pela órbita do pai, o deus Ares, o deus Marte para os romanos. E assim, temos, portanto, a astronomia a repetir ou a homenagear a mitologia. Talvez, e até fosse proposital, apesar de nossa evolução, como no sentido de alertar a humanidade, que Deimos e Phobos ainda continuam por aí, no espaço, por vezes visíveis e próximos da Terra. Deuses humanos, emocionais e vencíveis. Amores possíveis e impossíveis. Desafios insólitos. Tudo isso consta no imaginário humano e muito mais das coisas tidas como mitos e desde a origem do universo. Seria a busca de todos nós e a de cada indivíduo. A própria essência. Seria apenas uma pista, um cintilar de estrela, justamente daquilo que acreditamos como sendo a verdade. Entretanto, esta se apresenta como subjetiva, pois não há de se ter a verdade plena se já não existe a unanimidade. Constitui-se, portanto, apenas e meramente um indicativo de que continuamos no caminho certo. A de se distinguir o abstrato do concreto e da luz que é alcançável, mas ainda não entendida. E ao que não se vê, mas sabe-se que existe, resta a fé. Digo-lhes, pois vos lembrai do consciente coletivo e daquilo que ainda ecoa, tal como o paraíso perdido de Adão e Eva e o Dilúvio Universal. Justamente que nessas lembranças esquecidas teremos a origem do medo, pois uma e outra são iguais e por essência se fundem com o nosso nascimento e a nossa ignorância. Da ignorância nasce o medo e mais como um instrumento a nossa progressão e proteção. Ao atingirmos a luz, assim como as crianças que perdem o receio quando crescem, o medo há de se dissipar diante do conhecimento e já não

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mais será um ser presente em nossas vidas. A cada qual o seu esforço e o seu tempo para sair das trevas e a paciência e a esperança de que inevitavelmente esse dia chegará. Uma singela e humilde opinião de um aprendiz, o Autor.

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Lindaflor

O homem foi rude e humilhou-a na frente de tantos outros. Zombaram dela e ela se afastou. Logo em seguida, pediram para que ela voltasse. Era só uma brincadeira. Não quis. Bonifácio Trindade, o dono do estabelecimento, interveio e a arrastou pelo braço. Enquanto pode, aplicou-lhe um costumeiro sermão e que fazia frequentemente com todas, sobre o profissionalismo que a profissão exigia. Kerina não se atentou há nenhuma daquelas palavras e chorou comedida por motivos distantes. Eles, os clientes, não se importaram, pois, afinal, estavam todos bêbados. Ficou sentada no sofá, sendo objeto de prazer para os olhos e as mãos daquela gente nefasta. Haveria de estar acostumada, mas naquela noite algo lhe aconteceu e por isso estava estranha. Era o incômodo dos cantos escuros e as sombras das luzes cintilantes, que provocavam os fantasmas imaginários nas paredes daquela casa de luxúria. Ficou a observar um desses. De início tudo era normal, mas aos poucos, e pela insistência do olhar, a figura abstrata se transfigurava e se tornava em hedionda carranca, rosto distorcido ou de um ser assustador. O ente criado se multiplicava em muitos outros e a ameaçavam com olhares inquisitores. Desviava rapida-

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mente a visão. A angústia crescia, subindo-lhe desde o estômago até quase por sair pela garganta e pela boca, e o medo profundo surgia, avisando-a sobre que a sua morte poderia se dar a qualquer momento. Kerina quase entrava em pânico e procurava qualquer distração ou conversa para dissimular tal pensamento. Dali a pouco se acalmava um pouco. Porém, o pensamento maléfico de morte iminente já havia feito morada em sua mente e uma vez alojado dificilmente iria embora. Kerina levantava-se do sofá e circulava pelo salão e em minutos voltava ao mesmo lugar. E sem uma explicação lógica ou por uma atração irresistível, concentrava-se novamente nas sombras das paredes e o ciclo se iniciava. Decidiu, no dia seguinte, sem mais sem menos, abandonar a vida que levava, mas isso não lhe deu o alívio imediato e esperado. Ao contrário, o que se passou foi uma semana de intensas aflições. Onde quer que fosse, o medo a acompanhava. Seu único refúgio era a sua amada filha, a pequena Tatiana, de quatro aninhos. Uma cópia escrita da mãe em formato de criança. Porém, esse oásis não durava. Era somente um remédio paliativo, um anestésico, uma única pílula e que tinha as suas horas contadas de duração. Kerina haveria de experimentar outros métodos, e assim fez e de tudo tentou um pouco do que conhecia para conseguir sair dessa aflição: rezou, foi à missa, implorou aos anjos, fez promessa, automedicação de remédios fortíssimos, foi em benzedeira e em igreja evangélica. Por fim, teve alguns dias de calmaria. Foi quando recebeu a inesperada visita: – Bonifácio, você por aqui?

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– Qual a surpresa? Eu prezo pelas minhas meninas. – Não sou uma de suas meninas. – Lógico que é. O que andou pegando? – Nada. Só não quero mais levar essa vida. – Bobagem. Posso entrar? Bonifácio Trindade não esperou a resposta e entrou forçando a porta. Como por natureza era curioso, reparou assiduamente nos detalhes e na menina que brincava no tapete. E falou em tom provocativo: – Bonito apartamento. Está bem instalada. Pudera, tem ganhado bem. E olhe quem está aí: a minha menina predileta. Oi! Como vai? Não se lembra de mim? Kerina atravessou a frente do homem e rapidamente acolheu Tatiana, dando-lhe a proteção de mãe. – O que quer? – A sua volta. – Não dá. Não vê, tenho uma filha para cuidar. – E para criar também. Como acha que vai sustentá-la? – Eu me viro. – Pode ser em uma ou duas semanas no máximo, mas e em três, quatro, cinco...? – Dou um jeito. – Qual é o problema? Não te pago o devido? Arrumou outro que paga mais? – Não é nada disso. – Então, o que é? – Preciso ficar com minha filha. – Ok, garota! Dou para você mais dois dias de folga. Você só trabalha três. Os caras se amarram em você e vão continuar te procurando. Passo você para vip e daí fica ex-

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Fobia  

Referindo-se ao Caos, a ausência do nada, bem antes que o mundo existisse e sobre os incríveis acontecimentos e do pouco que chegou até nós,...

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