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Estamos s贸s?


Celso Scheffer

Estamos s贸s?

S茫o Paulo 2013


Copyright © 2013 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Ilustração de capa Tiago Cardoso Diagramação Thaís Santos Revisão Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ _______________________________________________________________ S337e Scheffer, Celso Estamos sós?/ Celso Scheffer. - São Paulo: Baraúna, 2012. ISBN 978-85-7923-593-1 1. Espiritualidade. I. Título. 12-5686.

CDD: 248 CDU: 2-584

10.08.12 17.08.12 038045 _______________________________________________________________

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua da Glória, 246 — 3º andar CEP 01510-000 Liberdade — São Paulo — SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Homenagem AtravĂŠs desta obra reverencio todos os ancestrais.


Agradecimento Homenageio especialmente a minha filha RoscÊly Andressa Scheffer Silva pelo empenho e dedicação a esta obra.


Prefácio O presente livro tem por objetivo levar à humanidade o conhecimento sobre aquilo que está oculto diante dos nossos olhos. A cultura embasada nas religiões que pregam a finitude da vida com a morte do corpo por interesse mercantilista, nos dogmas e em errôneas ideias sobre o ideal de felicidade e salvação, está levando o ser humano a vivenciar o caos interior, vivendo, na maioria das vezes, um destino que não é o seu, uma vida de fracassos e influências, não encontrando nunca a utopia conhecida como felicidade. Aliás, devemos repensar o ideal de cultura que está sendo transmitida, pois a cultura da qual falamos hoje não é o ideal de cultura transmitido pelos gregos, não passando apenas de um “produto deteriorado, derradeira metamorfose do conceito grego originário” (JAEGER, 2010, p. 08). O mistério oculto diante dos nossos olhos, que citei acima, é a razão pela qual escrevo. O homem encontra-se enredado em dinâmicas de fracassos e infelicidades, não conseguindo direcionar a sua vida e o seu destino para a direção que gostaria. Grande parcela da humaniEstamos sós?

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dade emana todas as suas energias e ânimo para a busca dos seus ideais, a busca de um amor, da constituição de uma família, da estabilidade financeira, de uma definição profissional. Mas a impressão que se tem é que quanto mais ele procura, mais dificuldades tem em encontrar. São respostas que não se obtém, angústias que não se sabe de onde vêm, desejos incontroláveis e insaciáveis que desvirtuam a essência e levam o homem ao próprio desdém, alguns desistindo de si mesmo. Mas, afinal, o que tem levado o homem a tamanha insatisfação e infelicidade? Ressalto que são vários os fatores, mas no presente livro trabalharei apenas um dos fatores ocultos. Antes de tudo, é importante tomarmos conhecimento de alguns termos usados no decorrer do livro, para uma maior compreensão do seu contexto. Para começarmos, explicarei a diferença entre alma e espírito. Alma vem do grego psyque, e é denominada de diversas formas, como, por exemplo, nas Escrituras Bíblicas: vida em Gênesis 9:4,5; 35:18; Salmos 31:13; ser vivente em Apocalipse 16:3; pessoa em Gênesis 14:21; Deuteronômio 10:22; Atos 27:37; coração, em Êxodo 23:9, entre outros. Espírito, por sua vez, vem do grego pneuma, e também é denominado de diversas maneiras pelas Escrituras, como, por exemplo, vento/respiração em Gn 8:1; sopro divino em II Tessalonicenses; consciência individual em I Coríntios 2:11, entre outros. No livro de Gênesis 2:7, temos uma passagem que enuncia bem a diferença entre alma e espírito. Veremos:

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“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” — grifos nosso. A partir de então, tem-se o entendimento de que o espírito é o fôlego da vida vindo de Deus, e a alma é o fruto da união do corpo com o espírito. Para não ficarem resquícios de dúvida, podemos exemplificar com a seguinte comparação: o lampião só ilumina quando está com o fogo aceso e pode ser comparado ao corpo; e o fogo, que dá vida à iluminação do lampião, pode ser comparado ao espírito; enquanto a alma seria a luz projetada pela união do lampião e o fogo. Não havendo fogo, não há luz (alma), então para nada serve o lampião. Assim é o homem, se não há o espírito — o sopro vivente —, ele é um corpo morto, não há vida. Quando o corpo morre, o pó volta à terra, e o espírito volta a Deus, conforme o livro de Eclesiastes 12:7. Ou seja, na hora da morte do corpo, o espírito, que é o sopro de vida, volta a Deus, e a alma segue então para os níveis vibratórios, conforme a sua evolução e conhecimento em vida. Para compreendermos um pouco melhor a questão, vamos analisar a narrativa bíblica encontrada no livro de Lucas 16:19-31 “19. Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. 20. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; 21. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. Estamos sós?

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22. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. 23. E no hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. 24. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. 26. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. 27. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai 28. Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. 29. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. 30. E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. 31. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.” Pela coerência bíblica dos ensinamentos de Jesus, o todo dessa parábola deve ser aceito como verdade absoluta, pois a coluna mestra da doutrina do reino de Deus ensinado por Jesus é a imortalidade da alma. Assim, se tudo acabasse com a morte do corpo, seus ensinamentos 12

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não teriam sentido. Ademais, se não fosse a continuidade da vida extracorpórea, que vantagem teríamos em sermos honestos? O que diferenciaria o mau do bom? Contudo, os ensinamentos de Jesus sempre foram baseados em parábolas, segundo confirma-se no livro de Marcos 4:33-34: “E com muitas parábolas o Mestre lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. E sem parábolas nunca lhes falava; porém tudo declarava em particular aos Seus discípulos.” Isso se dava pelo fato de, assim como ocorre ainda hoje, a verdade escandalizava os fanáticos. De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, parábola é uma narração alegórica, sendo que o sinônimo de parábola é alegoria, definida como sendo a expressão de uma ideia através de uma imagem a fim de dar visão real do que se pretende dizer. A tradução grega define parábola como “comparação autêntica, tipo, figura”. Assim, a parábola tem por objetivo transmitir uma verdade que a grande maioria dos seres humanos não possuem estrutura psíquica para compreenderem sua profundidade, visto que sua linguagem é codificada, e somente aqueles que estão aptos conseguem compreendê-la. Jesus falava em parábolas devido à cultura religiosa da finitude da alma e do espírito com a morte do corpo, pois essas ideias errôneas estavam demasiadamente impregnadas na mente dos religiosos materialistas. “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, Estamos sós?

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que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis. E vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido. E ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam os seus ouvidos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e Eu os cure.” — Mateus 13: 13-15. E ao expor a verdade que queria apresentar através destas ilustrações, Ele o fazia por um motivo especial, visto que entre as multidões que o rodeavam havia sacerdotes e rabinos, escribas e anciãos, herodianos e maiorais, fanáticos religiosos, beatos e ambiciosos, que desejavam, antes de tudo, achar alguma acusação contra Ele. Espiões seguiam-Lhes os passos dia a dia para apanhá-Lo com alguma palavra que pudessem usá-la para a sua condenação e fizesse silenciar para sempre aquele que parecia atrair para Si todo o mundo com os seus ensinamentos sobre a continuidade da vida após a morte (vida eterna). Infelizmente, nos dias de hoje há uma corrente de leitores da Bíblia que tentam negar com veemência a narrativa de Jesus sobre o Rico e Lázaro, sendo essas negações inescrupulosas sobre a imortalidade da alma apenas um artifício para sustentar seus alicerces dogmáticos ultrapassados prestes a ruir. Portanto, deixamos claro que a negação do óbvio é a razão do caos espiritual que se instalou na sociedade. O ensinamento da imortalidade da alma e do galardão após a morte sempre foi a bandeira de Jesus em sua vida. Particularmente, não acho existir engano mais sério 14

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e comprometedor do que esconder o verdadeiro sentido da vida, que é a vida após a morte. Frisamos que a imortalidade é um fato bíblico e também comprovado cientificamente sem margem para dúvidas, tanto é que as narrativas bíblicas afirmam categoricamente que as “almas” estavam conscientes através do diálogo que mantiveram. Na parábola do Rico e Lázaro, Jesus mostra que nesta vida os homens decidem seu destino eterno. Durante o tempo da vida corpórea, a Graça de Deus é oferecida para sua evolução. Mas se os homens desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, após a morte poderão tornar-se verdadeiros tormentos aos seus familiares. Assim sendo, a parábola do Rico e Lázaro foi apresentada por Jesus para esclarecer definitivamente que o destino da vida eterna do homem — rico ou pobre — é decidido aqui nesta vida, pelo uso-feito dos privilégios e oportunidades conferidos por Deus. Devido à falta de esclarecimento das diferenças entre alma e espírito, a confusão sobre o tema é grande. Muitas pessoas dizem espíritos para almas em ilusão, sendo que o espírito jamais fica vagando; ele volta a Deus. Assim, para deixar bem claro, espírito não é o mesmo que alma, e vice-versa. E o que pode ficar em ilusão após a morte do corpo é a alma, jamais o espírito. Aproveitando que já citei o termo alma em ilusão, vou falar algo sobre energias inteligentes e residuais, um termo bastante citado no decorrer destas páginas. É preciso compreender quais são e o que são as influências energéticas espirituais, como elas ocorrem e como reequilibrá-las. Existem dois tipos comuns de energias que

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