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As Pedras de Ad達o:

Os Sonatas


As Pedras de Ad達o:

Os Sonatas

R.S.Boning

S達o Paulo 2013


Copyright © 2013 by Editora Baraúna SE Ltda Capa e Projeto Gráfico Aline Benitez Diagramação Thaís Santos Revisão Bianca Briones

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ -------------------------------------------------------------------------------B699p Boning, R. S. As pedras de Adão: os sonatas/ R. S. Boning. - São Paulo: Baraúna, 2013. ISBN 978-85-7923-644-0 1. Literatura fantástica brasileira. 2. Literatura infantojuvenil brasileira. I. Título. 13-0211.

CDD: 028.5 CDU: 087.5

10.01.13 14.01.13 042079 -------------------------------------------------------------------------------Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br Rua da Glória, 246 — 3º andar CEP 01510-000 Liberdade — São Paulo — SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Para todas as pessoas e amigos, que acreditaram nessa minha ideia maluca de escrever um livro. A todos vocĂŞs, meu muito obrigado.


Prólogo - Parte 1 -

A Pedra Filosofal.

Há muito tempo, nos anos de 1600, existiu uma mu-

lher muito poderosa, muito mais do que ela própria poderia imaginar. Ela se chamava Andreais Alquimista, e até aquele momento nem pensava na fantástica aventura que lhe aguardava. Andreais e toda sua família moravam em uma província chamada Bolívar. Província essa, que era reinada por Augustus VI, um homem correto e bondoso, que fazia de tudo para que Bolívar fosse um lugar perfeito para viverem. Andreais era uma jovem de vinte e dois anos, cabelos negros, pele branca e lisa como porcelana, muito bonita. Filha única de uma das famílias mais respeitadas da província: a família Alquimista. Que era dona de muitas terras, possuía muitos escravos e era líder no comércio de café. Essa era a família perfeita. Por pouco tempo. Algo fez os pilares dessa família tremer, chegando quase ao ponto de acabar e sujar o nome Alquimista de vez. Uma revelação. Aquela linda jovem começou a agir de modo estranho.

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Está possuída pelo demônio. Diziam alguns da província, mas Andreais dizia estar ótima, estar normal. Saía no meio da noite, dizendo ouvir vozes de amigos que só ela via, e que a vinham chamar na janela de seu quarto. Criaturas que ela descrevia e dizia virem da natureza. Dizia ainda que existia um lugar, um mundo diferente abaixo de nós. Túneis, cidades perdidas, cidades milenares de um povo que viveu e reinou a terra antes de nós. E que foi condenado à clausura nas profundezas. Tudo que descobria a jovem anotava em diários que ela possuía. Ela dizia que havia visitado a cidade abaixo de nós e que o povo de lá chamava a cidade de Armistice. Fez muitos amigos nesse lugar e eles a ensinaram a criar coisas. E o mais incrível era que tudo que criava liberava um poder inimaginável. Ela seria capaz de destruir o mundo inteiro com apenas um alfinete. Logo, se o mesmo tivesse sido criado com aquela finalidade. — Não possuímos o poder — eles diziam —, mas com os segredos de nossos antepassados, faz com que tudo que criamos com determinada finalidade, seja preenchido com um poder infinito. Andreais estava fascinada, nunca havia visto nada como aquilo. Pediu para que eles, os Pigmeus — criaturas muito inteligentes que habitavam Armistice e tinham cerca de 70 centímetros de altura —, lhe ensinassem esses segredos. E de bom grado eles a informaram de tudo que precisava fazer, para ter. Mas a preveniram de que às vezes o poder sobe tento a cabeça do ser, que ao invés de criadores, passariam a serem destruidores. E que ela jamais deveria brincar de Deus. Andreais não só falava como também mostrava a todos o que era capaz de fazer. Coisas que ninguém mais fazia. Certo dia lá estava ela, na praça da cidade, dizendo que assim como Jesus havia feito, ela também faria. “Transformarei água em vinho”. As pessoas ficavam admiradas, mas também

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condenavam suas “mágicas”, como gostavam de chamar. Fica brincando que é Jesus, a bíblia não mentiu quando disse que haveria falsos profetas. Mas Andreais não tinha culpa de ter esse dom, apesar de alguns chamarem de maldição. A história se espalhou por toda província e várias pessoas, principalmente cristãos obcecados, julgaram-na. Chamando-a de bruxa, de feiticeira. Alguns mais ingênuos achavam que eram apenas truques de mágica. Mas a maioria era pragmática e diziam que a queimariam em uma fogueira em praça pública se fosse preciso. Mas assim como existiam as pessoas que a julgavam, existiam também as que a defendiam. E além de tudo, diziam ser iguais a ela, que criaturas os ensinaram a fazer o que sabiam. E diziam ainda que tinham vindo de terras distantes só para conhecê-la. Sempre aparecia mais um, mais outro, até que se juntaram em quarenta e sete. Resolveram criar uma sociedade, para que um ensinasse ao outro o que sabiam. Como Andreais havia sido a primeira a se revelar, tornou-se então a líder. A sociedade foi batizada com seu nome, ou melhor, com seu sobrenome. Logo, todos ficaram conhecidos como Os Alquimistas. Construíram uma sede. Um local de reuniões onde tudo era discutido, onde tudo era anotado, onde tudo era feito. Os quarenta e sete Alquimistas eram divididos dentro da sociedade em cinco níveis: Os Sábios, Os Conselheiros, Os Mestres, Os Afetares, e os Diretores. Os sábios eram os líderes, os que guiavam toda sociedade, eles criavam as metas a serem seguidas. Qual seria o próximo passo, pelo que se empenhariam a conseguir. Os conselheiros eram os que analisavam o próximo passo, e chegavam o mais próximo possível de colocá-los em prática. Listavam o que precisariam para obter o resultado final.

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Os mestres eram os que buscavam o que fosse preciso, faziam o possível para encontrar os ingredientes, por mais exóticos que fossem. Sempre pensando no resultado final. Os afetares eram os que botavam em prática o projeto, finalizavam a criação. Os diretores eram os que analisavam o resultado, os que testavam a criação.

••• Mas agora os Alquimistas queriam algo diferente, a fórmula mágica para a imortalidade. A fonte da juventude. O elixir da vida eterna. Ou como gostavam de chamar: A Pedra Filosofal. Numa sociedade sempre existe os prós e os contras, e nisso não foi diferente. Alguns acharam uma loucura sem cabimento — nunca seremos imortais — alguns indagavam. Uma votação foi feita e a maioria dos Alquimistas decidiu apoiar essa ideia, essa nova criação. Os conselheiros analisavam tentando achar e chegar ao destino final, que era a pedra filosofal. Eles estudaram e descobriram que a única forma de chegar à pedra filosofal, era unindo os três fundamentos do animal, os três fundamentos do vegetal e os três fundamentos do mineral. Em apenas um fundamento. — Fundamentos do animal — Osso; Carne; Sangue.

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— Fundamentos do vegetal — Raiz; Folha; Fruto. — Fundamentos do mineral — Água: Pedra; Metal. Os conselheiros disseram que a pedra só funcionaria se unissem todos esses elementos em um só. Como isso seria feito já não era problema para eles, e sim para os mestres. Os mestres encontraram o que era necessário do fundamento animal em uma única galinha. Tiraram dela, osso, carne e sangue. Também não precisaram andar longe para conseguir os fundamentos do vegetal. Só precisariam de qualquer árvore que produzisse fruto. Mas entre os mestres estava Simão Glaspker, um cristão conservador que havia sido um, dos que votou contra a criação da pedra filosofal. O homem exigiu que se fossem usar uma árvore, seria a macieira, a árvore do fruto proibido, a árvore do pecado. Pois considerava o que estava fazendo uma heresia contra Deus, um pecado. Então assim foi feito, da macieira tiraram sua raiz, algumas folhas e o fruto — a maça propriamente dita. Para o mineral também não foi grande o sacrifício, foram ao córrego mais próximo. De lá pegaram uma pedra meio arredondada e escura. Com a ajuda de uma vasilha, pegaram um pouco d’água do córrego. Como não iriam encontrar metal muito facilmente na natureza, resolveram apenas pegar uma faca na cozinha da sede dos Alquimistas. Os mestres haviam cumprido sua missão nessa história. E era agora a vez dos afetares colocarem a mão na massa. A

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função deles era unir esses componentes tão distintos em um só. Claro que essa não seria a mais fácil das missões. Três dias se passaram e nenhum deles teve ideia alguma. Alguns pensaram em desistir, mas essa era a função deles na sociedade, pensar. Passaram-se mais dois dias, até que um jovem de dezenove anos chegou com a solução: — Bem, ontem eu fiquei observando minha mãe preparando o jantar, e pensei, ora, como ela faz para preparar a comida? E vi que a resposta estava bem ali, na minha frente. Um dos Alquimistas que ouvia a solução do jovem arriscou: — Então é só pedirmos para a sua mãe fazer comida? — Não — explodiu o jovem. — Fogo. O fogo faz tudo se fundir, é só levarmos tudo ao forno. — Ora, então vamos agora mesmo. — Não pode ser qualquer forno — explicou o jovem. — Tem de ser um forno que atinja altas temperaturas. — Se você quer um forno assim — arrisca outro, — então vamos a um ferreiro. Eles possuem os fornos mais possantes que eu já vi. São capazes de derreter ferro, e até ouro. Estava decidido, os afetares iriam levar tudo a um ferreiro. Sabiam que havia um no sul da província. Era bem velho, mas simpático, e cego de uma das vistas. E apesar de tudo, era o orgulho em pessoa, adorava se vangloriar e a cada minuto os lembrava dos seus quarenta e três anos dedicados à arte de construir espadas. Falava também das guerras que havia vencido, onde a última o havia cegado em um dos olhos. O velho ferreiro levou tudo ao enorme forno que possuía, colocou todos os ingredientes dentro de uma panela de estanho. Depois de vinte minutos o resultado não foi animador, ao menos esteticamente. No fundo da panela formou-se uma rocha negra com forma totalmente desigual, com partes planas, outras

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esburacadas e outras ainda pontiagudas. Mas o importante nunca era a estética e sim a capacidade da criação, o poder da pedra. Os diretores passaram a analisá-la. E perceberam que por mais insignificante que fosse, a pedra estava liberando uma espécie de líquido, pouco, no máximo sete ou oito gotas por dia. Passaram a recolher esse líquido, do qual batizaram como o elixir da vida eterna. Primeiramente, os diretores testaram o líquido em animais, peixes, ratos, crocodilos, e o resultado foi animador. Era impossível matá-los. Mas dessa vez os diretores precisavam de uma cobaia humana, alguém disposto a correr o risco. Não foi preciso insistir, o homem se auto ofereceu. Era um dos diretores. O homem que se chamava Alastor Morgentaw. — Eu estou disposto a arriscar-me — dizia ele. — Seja qual for o resultado, sacrifico-me pela sociedade. Morro honrando os Alquimistas. Até aquele momento a pedra foi capaz de encher duas taças com o elixir. Os sábios disseram que uma das taças seria mais do que suficiente para ele. Alastor pegou assim uma taça e a bebeu até a última gota. Logo após, desmaiou, deixando a taça se espatifar em vários pedaços no chão. — Será que ele morreu? — Perguntou um dos presentes no local. — Vejam se ele está respirando. Outro Alquimista se aproximou e pousou a mão com cuidado na frente da boca e do nariz de Alastor. — Ele só está desmaiado. Andreais pediu para que alguns dos Alquimistas levassem Alastor para a enfermaria da sede. E lá ele ficou por duas horas e meia, até que recobrou os sentidos. Havia vários Alquimistas ao redor dele, o observando. Entre eles estava Andreais, que parecia muito preocupada. Assim que Alastor abriu os olhos, Andreais o bombardeou com perguntas.

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