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São Paulo – 2015


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AF Capas

Capa

Diagramação Camila C. Morais Revisão

Raquel Sena

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ L979d Luiz, Fátima Ao despertar: os caminhos da evolução/Fátima Luiz. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2015. ISBN 978-85-437-0282-7 1. Espiritismo. 2. Religião. I. Título. 15-19523 CDD: 133.9 CDU: 133.9 ________________________________________________________________ 26/01/2015 27/01/2015

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Introdução

A pacata Cidade do Vale guardava segredos e mistérios em seus escombros e ruínas. As montanhas enormes guardavam os mais preciosos de todos eles, povos antigos que lá viveram tiveram experiências magníficas, processos que muitos não podem contar, outros não querem. Só sabemos que todos os segredos caminham com a humanidade, mas ficam invisíveis aos olhos daqueles que não têm sensibilidade. Sabe-se que a vida é muito mais complexa do que possamos imaginar, algumas pessoas não querem dizer suas experiências por que têm medo de serem chamadas de loucas.

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A Cidade do Vale

A pacata Cidade do Vale é rodeada de montanhas, cachoeiras e bosques, árvores gigantes, plantas exóticas e flores coloridas, muitas nascentes de água e uma exuberante biodiversidade, que encantava a todos que passavam naquele lugar. Era um espetáculo ver o sol nascer e os pássaros cantarem, havia duas tribos indígenas que conviviam pacificamente entre si e com o povo da cidade. O local oferecia hospitalidade de uma cidade do interior, com povo humilde e solidário. As pessoas que habilitavam aquela cidade recebiam a todos de braços abertos, o lugar era mágico e inesquecível para quem teve o prazer de ali passar. Até mesmo as pessoas que nunca a visitaram, ouviam falar da Cidade do Vale, lugar perfeito para Agnes e sua mãe viverem.

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O acidente de Agnes e Margarida

Agnes era uma menina muito inteligente. Sempre muito curiosa, gostava de saber tudo, sobre plantas, pássaros e perguntava cada coisa que às vezes não havia respostas para tanto. Caminhava sempre cantando e colhendo as flores. Com a separação de seus pais ela só tinha a mãe, que a amava muito. Quando saía para passear com seus amiguinhos sempre trazia historinhas diferentes para contar. Um dia ela falou de um pássaro gigante que a levaria para passear, em troca desse passeio ele ganharia duas sementes de girassol... Sua mãe ria muito com as historinhas que Agnes contava, mas eram apenas historinhas de criança, pensava sua mãe. Numa tarde, Agnes e sua mãe voltavam do bosque após mais um dia de trabalho. O dia estava nublado, mas, mesmo assim, Agnes nunca deixaria de colher as lindas 8


flores que encontrava pelo caminho. Avistando uma linda flor, saiu correndo com sua cestinha que já estava quase cheia, num instante vem um caminhão desgovernado em sua direção, sua mãe assustada, grita: — Agnes! E sai correndo para tentar salvar sua filha, mas, infelizmente, era tarde demais, naquele momento acaba de acontecer uma grande tragédia... as flores que Agnes tinha colhido ficaram espalhadas pelo chão parecendo um tapete florido. Sua mãe, muito ferida e com graves lesões, desmaiou... A partir desse momento de dor, a vida de mãe e filha mudaria para sempre. Logo depois do acidente chega uma equipe de resgate que as levou para o hospital mais próximo que ficava no bairro.

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O dia a dia de Agnes e Margarida

Agnes... uma menina de seis anos, muita ativa, com ar de graciosa, alegre e com uma vida repleta de coisas para fazer, seus dias eram muito atarefados, quando terminava de ajudar sua mãe, saía dizendo que precisava ajudar na Cidade da Cura, mas sua mãe ficava orgulhosa e sempre perguntava a ela o que fazia na Cidade da Cura. Ela simplesmente respondia que levava a cura para aqueles que nela acreditavam. Agnes acordava bem cedo, dava comida aos pássaros, ração para os gatinhos e molhava as flores de um lindo jardim que havia em sua residência. Os olhos dos gatos, ao verem Agnes, brilhavam e parecia que sabiam mais do que deviam. Gibi, seu mais querido amiguinho, passava às vezes na casa de Agnes para juntos fazerem os deveres da escola e sempre perguntava a Agnes: — Você vai hoje para a Cidade da Cura? 10


— Por quê? — Perguntou Agnes! — Acho que as coisas lá não estão muito boas — disse Gibi! Agnes respondeu: — Logo estarei lá e com certeza tudo estará resolvido. Dando gargalhadas, pediu que ele a ajudasse a chegar na entrada de sua residência e ao ver a sua mãe se aproximando, gritou: — Mãe, hoje eu preciso ficar bem bonita. — Por quê, Agnes? — Perguntou sua mãe. — Porque terei uma visita importantíssima — disse Agnes. — Visita importantíssima? — Perguntou a sua mãe. — É, mãe, são meus amigos beija-flores — disse Agnes. — Por acaso é você a flor? — riu Margarida. — Sim, mãe, todos os dias eu os observo da janela. — Hoje eu colocarei açúcar em meus lábios e esperarei por eles... Margarida, sua mãe, ficou pensando que talvez Agnes estivesse pensando em namorar. — Mãe, faça silêncio... A grande hora está chegando — disse Agnes. Margarida aterrorizada quase não acreditou no que via, o quarto de Agnes foi tomado por uma nuvem escura que cobria todo o seu corpo. Margarida vendo aquela cena, gritou: — Se afastem, deixem minha filha em paz... Para sua surpresa, Agnes riu bem alto e disse: — Mãe, não exagera, são apenas beija-flores. Margarida nunca tinha visto tantas criaturinhas inofensivas juntas e exclamou: 11


— Querida, diga para teus amiguinhos se organizarem... senão, eles te sufocarão... Agnes sorriu e disse: — Mãe, olhe para baixo e veja como minhas amigas são organizadas. Margarida deu um grito quando viu a quantidade de formiga que andava em fila única e pegava um pedacinho de biscoito que Agnes tinha quebrado e jogado no chão. — Por favor, mande que saiam - disse Margarida. Agnes indignada esbravejou dizendo: — A senhora vai ter uma crise por causa dos amigos que tenho? — Não me venha falar de coisas estranhas, Agnes. Ao chegar a noite, tia Lúcia veio e ficou sabendo o que tinha acontecido, sorrindo ela disse: — Ora, você não sabe nem da metade das coisas. — De que coisas você está falando? — Perguntou Margarida. — Você sabe que Agnes com essa carinha carrega seus mistérios... No dia seguinte, Margarida reparou que havia lodo nas botinhas de Agnes e foi logo perguntando: — Agnes, você emprestou suas botinhas para alguém? — Não — disse ela. — E por que elas estão cheias de lodo? Pelo que sei, o lodo fica do outro lado da cidade... E pelas suas condições você não poderia ir até lá. Agnes brincou, mas com tom irônico... — Eu sei, mãe, que eu não passo de uma aleijada que vive numa cadeira de rodas. 12


— Minha querida, você não é uma aleijada, como pode pensar assim? Olha quantas coisas você faz e ainda ajuda na Cidade da Cura, eu deixo você me ajudar porque acho importante e lamento todos os dias o fato daquele caminhão ter te atropelado e ter tirado sua liberdade. — Mamãe, não fique triste, prometo que um dia te conto sobre o lodo nas minhas botinhas. Passou algum tempo e chegou o inverno.

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Margarida vê pegadas das botas de Agnes

Lúcia chega e diz: — Margarida, vamos buscar uns gravetos para acendermos a lareira, já está muito frio e vai chover, e os gravetos estarão molhados. Margarida logo concorda e diz: — Então vamos. Seguiram as duas em direção ao pântano e avistaram alguns galhos de árvores pantaneiras que estavam caídas. Após apanhar alguns galhos, algo chama a atenção de Margarida, eram pegadas de botas semelhantes às de sua filha. — Então é por essas bandas que andam as botinhas de Agnes? — Margarida indagou admirada. Lúcia falou que quem usa as botas e faz essas pegadas é a Agnes. Margarida ficou estática, com os olhos arregalados.

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— Lúcia, sabe muito bem que a minha filha é paralítica e não poderia chegar até aqui. — Olha, minha irmã, eu te chamei aqui para lhe dizer algumas coisas que talvez você não saiba... Sabe aquelas duas árvores ali na frente... é a partir dali que Agnes começa a andar. — Como andar? O que está dizendo é um absurdo, você anda bebendo ou coisa assim? — Margarida perguntou assustada. — Claro que não — respondeu Lúcia. Margarida logo falou: — E como Agnes chega até aqui se ela usa a cadeira de rodas? Seria impossível com todos esses galhos pelo caminho.

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