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A Casa

da Cristaleira


A Casa

da Cristaleira

J.R.Digenio

S達o Paulo 2013


Copyright © 2013 by Editora Baraúna SE Ltda CAPA Monica Rodriguês DIAGRAMAÇÃO Camila C. Morais REVISÃO Priscila Loiola

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ D569c Digenio, J.R. A casa da cristaleira/ J.R. Digenio. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2013. ISBN 978-85-7923-914-4 1. Sobrenatural - Ficção. 2. Ficção brasileira. I. Título. 13-06691

CDD: 869.93 CDU: 869.134.3(81)-3 ________________________________________________________________ 30/10/2013 01/11/2013 ________________________________________________________________

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br

Rua da Glória, 246 – 3º andar CEP 01510-000 – Liberdade – São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


Nota do Autor

Convido todos vocês, queridos leitores, à uma imersão nesta história de suspense, investigação e dúvidas, com requintes de paranormalidade e eventos de difícil explicação, mas que estão presentes em muitas casas, famílias e situações pelas quais passamos e que poderiam acontecer com qualquer um de nós. Aliás, a história da família Parker poderia ser a sua e é esse o grande ingrediente identificador, pois ao nos depararmos com as situações vivenciadas por eles, sentimos como se estivéssemos ali, passando por momentos comuns e até, por vezes, inusitados dessa aventura. Não quero aqui fazer apologia a nenhuma religião, pois o importante é sabermos que existe uma força maior que rege a nossa vida e os eventos em todo o universo e que em cada lugar do mundo é dado um nome; para mim, isso não importa, e sim a fé que temos em acreditar que não estamos aqui por acaso, mas para cumprir uma missão já pré-deter-


minada, fazendo o bem, nunca o mal. A essa força maior que cada povo dá um nome diferente e muitas vezes entra em guerra para impor sua “razão”, eu chamo de DEUS. Tenho certeza que ao mergulharmos fundo no universo vivido pelos personagens Will, Sarah, Jennifer, Linda, Michael, Fred e tantos outros, estaremos tão próximos deles que teremos a sensação de serem pessoas do nosso convívio e que os conhecemos há muito tempo. Desejo uma boa leitura e recomendo que o conteúdo deste livro seja devorado sem moderação, com total imersão nesta deliciosa história, muitas vezes com frio na espinha e aquela famosa interrogação: será que isso realmente aconteceu? Abraços, J.R. Digenio


Agradecimentos

Gostaria de agradecer primeiramente a Deus, protagonista da nossa vida, e dedicar este livro a meus pais, que me apoiaram desde o meu nascimento até agora, nessa minha fase já meio grisalha; aos editores Maurício e Arthur, pela nossa parceria em busca do sucesso; aos meus filhos Raphael e Gabriela e a tantos familiares e amigos que sempre estiveram presentes em diversos momentos de minha vida. Em especial, quero agradecer e dedicar esta primeira obra a alguém muito importante para mim, sem a qual nada disto existiria, minha amada esposa Caroline, incentivadora, inspiradora, revisora e primeira fã, que ficou sem minha maior atenção muitas horas por dia, meses a fio até a obra prima estar finalizada e nem por isso me criticou, apoiando sempre. Muitos beijos a ela, merecidamente. Claro que não poderia deixar de fora vocês, queridos e estimados leitores, para os quais tudo isso foi criado, pensado e planejado. Que Deus abençoe a todos.


Sumário Capítulo I - São Paulo - Brasil .................................. 11 Capítulo II - O susto ................................................ 18 Capítulo III - Enfim, férias! ...................................... 24 Capítulo IV - Momentos de horror .......................... 33 Capítulo V - A negociação ........................................ 38 Capítulo VI - Mudança radical ................................. 49 Capítulo VII - Newark - EUA .................................. 56 Capítulo VIII - Os desaparecimentos........................ 64 Capítulo IX - Em busca do lar perfeito ..................... 69 Capítulo X - A casa da cristaleira .............................. 76 Capítulo XI - Englewood - EUA .............................. 89 Capítulo XII - O furacão Sandy ............................. 101 Capítulo XIII - Confusão à vista ............................ 111 Capítulo XIV - Festividades de fim de ano.............. 119 Capítulo XV - De volta à rotina.............................. 153 Capítulo XVI - Sabedoria milenar .......................... 172


Capítulo XVII - Lobo em pele de cordeiro ............. 194 Capítulo XVIII - As visões...................................... 222 Capítulo XIX - Festa de aniversário ........................ 239 Capítulo XX - O sumiço de Will ............................ 256 Capítulo XXI - A prisão ......................................... 281 Capítulo XXII - O julgamento ............................... 304 Capítulo XXIII - O sequestro de Jennifer ............... 323 Capítulo XXIV - Culpado ou inocente? .................. 342 Capítulo XXV - O cativeiro .................................... 363 Capítulo XXVI - Recomeçando .............................. 388


Capítulo I São Paulo - Brasil

Em uma manhã fria de segunda-feira, a garoa que caía, se não molhava muito, contribuía bastante para dar um ar londrino àquele princípio de semana no início do inverno. Por volta de 07:15h, o veículo da família Parker encostou próximo à área de desembarque da estação metroviária Vila Madalena, na zona oeste da cidade de São Paulo, e dentro dela, William Parker fez certo contorcionismo para pegar sua pasta executiva e beijar a pequena Jennifer, de apenas três anos de idade, na sua cadeirinha no banco de trás do carro, despedindo-se para mais uma longa jornada de trabalho. Sua esposa Sarah também quis mais um beijo, não se importando se outros veículos já demonstravam impaciência, buzinando. — Ótimo dia para você, querido, e não se esqueça de verificar a validade das apólices de seguro dos nossos

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veículos! — falou Sarah, dando um forte abraço e um beijo demorado em Will. — Não se preocupe, querida, aquele susto na sexta-feira foi o suficiente para me lembrar disso — retrucou William, referindo-se ao quase roubo de seu carro quando voltavam de um jantar na casa de uns amigos. Apressado, ele saiu do carro e, com um gesto, acenou para as suas preciosidades e também se desculpa com os outros motoristas pela demora no desembarque. Sarah arrancou rapidamente com o veículo e como faz todas as manhãs, deixa Jennifer na escolinha para então enfrentar sua dupla jornada como arquiteta meio período e dona de casa em tempo integral. Dentro da estação, enquanto se dirigia ao vagão, Will começou a divagar sobre sua vida e de como estava cansado daquela rotina profissional, de mais de cinco anos, trabalhando no mercado da bolsa de valores, um emprego muito bem pago, mais que cobrava um preço bastante salgado pelo nível de estresse a que era submetido, principalmente com as oscilações quase que constantes que o mercado já convivia há alguns trimestres. No trajeto de pouco mais de 25 minutos, ele se lembrou de episódios felizes com sua esposa e também agora com sua filhinha, fazendo-o suspirar de amores pelo seu tesouro de família. Imaginou o quão diferente poderia ser sua vida se não tivesse vindo com 13 anos dos Estados Unidos da América com seus pais; não que estivesse insatisfeito, tinha tudo que sempre sonhara, mas a vida aqui no Brasil ainda era muito instável e insegura. Seu pai, Michael, veio para cá transferido pela empre12


sa que trabalhava na época, mas não por obrigação, e sim para agradar sua esposa, que era brasileira e já estava no exterior há quase 20 anos. Aliás, a história de como os dois se conheceram e começaram o namoro foi muito pitoresca. No início dos anos 70, Michael tomava seu café da manhã na lanchonete em frente à empresa onde trabalhava como programador de computadores, uma profissão ainda muito nova e promissora. Nova York já era a Big Apple, onde os jovens de todas as partes do mundo sonhavam em “fazer a vida”. Quando Michael entrou no recinto, nem notou a nova funcionária que, em seu primeiro dia de trabalho, tentava passar a melhor impressão possível aos clientes e também ao seu patrão. — Bom dia, senhor! Quer o cardápio? — perguntou Vanessa, a garçonete muito sorridente, mas com seu inglês ainda inseguro. — Não, obrigado. Eu gostaria de panquecas com mel e café sem açúcar, por favor — pediu rapidamente à jovem sem sequer olhá-la. — Ok, trarei seu pedido o mais rápido possível. Vanessa estranhou um pouco a pressa dos americanos, mas como morou em São Paulo, não achou tão diferente assim. Michael não estava nervoso e nem irritado, só tentava se concentrar no seu dia de trabalho e nos desafios que o aguardavam. Após alguns minutos, Vanessa trouxe o pedido e perguntou se desejava algo mais. Michael gesticulou com a cabeça que não e agradeceu, ainda sem olhá-la. De repente, um grito rompeu a calmaria do local e chamou a atenção de todos. 13


— Ei, senhorita, eu pedi café sem açúcar! O que é isto aqui? — disse ele num tom alto e bravo. — Desculpe-me, senhor. Eu entendi errado, achei que era com açúcar — falou Vanessa com a voz meio embargada, um quase choro. — Consertarei meu erro rapidamente, senhor — falou de cabeça baixa. Foi então que Michael se deu conta de como tinha sido grosseiro e mal-educado e antes que o gerente chamasse a atenção da funcionária, ele a chamou e desculpou-se, dizendo que normalmente ele não era desse jeito. Ao perceber quão linda era a garçonete que havia destratado, seu rosto se iluminou, e reparando no seu sotaque, percebeu que ela não era americana e aproveitou para puxar um pouco de prosa e conhecer melhor aquele anjo que havia cruzado sua manhã. Depois desse episódio, Michael fazia questão de chegar todos os dias mais cedo, só para poder tomar café na lanchonete e conversar mais tempo com Vanessa; desde então, uma boa amizade nasceu, transformando-se em namoro após alguns meses. E desse namoro, surgiu um noivado e, depois, um casamento e filhos, ou melhor, filho, pois apesar de Vanessa ter ficado grávida de gêmeos idênticos, o irmão de William havia nascido morto, segundo informações das enfermeiras. Como o parto se prolongou muito, todos estavam exaustos e preocupados com o bem-estar da mãe e do recém-nascido e deixaram uma enfermeira se encarregar dos preparativos do funeral do natimorto, fato este não mais comentado na família. Hoje, seus pais não estavam mais juntos, mas ainda nutriam um pelo outro uma grande afeição. 14


Após uma sacudida mais forte do vagão, Will e prestou atenção em qual estação estava e, para sua surpresa, seu destino já estava ali. Levantou-se rapidamente e saiu apressado em direção às escadas, a fim de alcançar o calçadão central onde ficava o prédio da Bolsa de Valores. Sabia que apesar do leve descontentamento que sentira, tinha que estar o mais animado possível, pois as próximas nove ou dez horas do dia seriam maçantes e, por isso, precisava estar psicologicamente preparado. Enquanto isso, Sarah já havia deixado a pequena Jennifer na escola e estava no escritório de arquitetura, participando de mais uma reunião com seu chefe e um casal de clientes, onde estavam sendo feitos vários esboços iniciais, para que depois ela levasse a ideia principal para casa e pudesse começar realmente o projeto. Quase todos os dias, ela almoçava com seus colegas arquitetos e/ou com seu chefe e só então ia buscar a filha e levá-la para casa, onde mesclava serviços domésticos, projetos de trabalho e brincadeiras com a incansável Jennifer. Apesar de ter uma empregada em tempo integral durante a semana, Sarah adorava preparar deliciosos jantares para quando Will chegasse em casa, afinal, essa era a principal refeição que faziam em família, além do desjejum, claro. A casa da família Parker era muito bonita, um projeto ganhador de vários prêmios arquitetônicos e que havia sido citado em revistas especializadas, um lindo portfólio para Sarah, que sempre se esforçara para fazer o melhor. A residência era em estilo moderno, com muitas áreas envidraçadas, pé direito duplo e mezanino logo na entrada; da sala, integravam-se vários ambientes e de todos 15


avistava-se o jardim e a linda piscina com cascata. A cozinha mais parecia um espaço gourmet, onde se reuniam uma dezena de amigos para pequenas festas culinárias, aliás, programa predileto deles, que revezavam com outras famílias e casas, deixando o roteiro gastronômico da cidade em segundo plano, mesmo estando em uma das mecas culinárias do mundo. — Queridas, cheguei!!! — gritou em alto e bom som William ao adentrar pela porta da frente, feliz pelo término da rotina profissional e mais ainda por estar em casa com as mulheres de sua vida. — Oi, amor, como foi seu dia? — disse Sarah, recebendo-o com um beijo quente e forte abraço. — Papai, papai, vamos brincar! Aprendi algo muito divertido hoje na escola. Vamos, vamos!!! — gritava Jennifer abraçando a perna do pai e atraindo toda a atenção para ela. — Já, já, meu amor. Papai vai trocar de roupa e logo desce para brincarmos, ok? — Está bem, vou te esperar aqui, mas não demora, tá?! — Sejam rápidos, em 40 minutos estaremos jantando e a cozinheira aqui fica muito brava quando seus clientes atrasam, ouviram? — observou Sarah em um misto de brincadeira e seriedade. — Ei, benzinho, sua mãe ligou hoje à tarde e reclamou que não consegue mais falar você no escritório e que você não retorna as ligações dela. Ouviu? — gritou Sarah para que ele conseguisse ouvi-la no piso de cima, em seu quarto. — Eu sei, é muita pressão e não quero desfocar. E você sabe, quando mamãe começa a falar, não existe nada neste universo que a faça parar, principalmente 16


agora que o Daniel viaja a negócios uma semana sim, outra não. Ela anda muito carente. — Precisamos visitá-la mais vezes, Will. Você sabe que ela anda muito medrosa, não quer mais sair do apartamento, nem para ver a neta. Ainda mais com esses programas sensacionalistas, que mostram em tempo real assaltos, sequestros e outras tragédias. Ela anda viciada nisso, tanto que hoje mesmo ela me disse várias vezes para a gente vender esta casa e ir para um condomínio fechado, antes que aconteça algo de ruim conosco. — É verdade, amor, ela só vem nos visitar quando meu padrasto está junto. Ainda bem que o Daniel adora ficar em casa quando não está trabalhando. — Papai! Vem logo, a brincadeira já começou! — Como assim? Começou sem mim? Eu sou parte principal dela! — É, mas tá demorando muito. Vem já pra cá! — Já vi tudo. Nesta casa eu sou o último a falar e o primeiro a levar bronca, né? — disse rindo e correndo para junto da esposa e da filha, que o recebeu dando gargalhadas.

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Capítulo II O susto

Chegou o fim de semana e, logo no sábado pela manhã, todos já estavam prontos para irem até Campos do Jordão, uma cidade linda nas montanhas, de ar europeu, inclusive com um clima que nessa época do ano chegava a registrar temperaturas abaixo de zero grau centígrado. O chalé, com aparência de cabana suíça, seria dividido com uma família de amigos que também tinham uma filha, Rita, apenas um ano mais velha que Jennifer, o que os aproximava muito; dessa maneira, todos tinham companhia compatível para as atividades. Pequenas escapadas nos fins de semana ajudavam Will a manter a mente mais arejada e aumentavam o rendimento no trabalho, sem contar que faziam Jennifer conhecer lugares diferentes e aproximar ainda mais seu relacionamento com Sarah. 18


A Casa da Cristaleira  

Depois de um grande susto e insatisfeitos com o rumo que suas vidas estavam tomando, a família Parker decidiu se mudar para os Estados Unido...

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