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A Ação Social do Futebol na Capital Paulista na Fase do Amadorismo (1916 - 1932)



Leandro Gatti

A Ação Social do Futebol na Capital Paulista na Fase do Amadorismo (1916 - 1932)

São Paulo 2014


Copyright © 2014 by Editora Baraúna SE Capa Jacilene Moraes Diagramação Felippe Scagion Revisão Raquel Sena CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________ G235a Gatti, Leandro A ação social do futebol na capital paulista na fase do amadorismo (1916 - 1932) / Leandro Gatti. - 1. ed. - São Paulo: Baraúna, 2014. ISBN 978-85-437-0115-8 1. Futebol - São Paulo (SP) - História. I. Título. 14-11659 CDD: 796.334098161 CDU: 796.332(816.1) ________________________________________________________________ 28/04/2014 05/05/2014

Impresso no Brasil Printed in Brazil DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA BARAÚNA www.EditoraBarauna.com.br

Rua da Glória, 246 – 3º andar CEP 01510-000 – Liberdade – São Paulo - SP Tel.: 11 3167.4261 www.editorabarauna.com.br


“[Ao futebol coube] a honra de despertar o nosso povo do marasmo de nervos em que vivia. Antes dele, só nas classes médias a luta política tinha o prestígio necessário para uma exaltaçãozinha periódica.” Monteiro Lobato em Contos Leves: Cidades Mortas, Negrinha e Macaco que se Fez Homem, citado em “O Futebol explica o Brasil”, de Marcos Guterman, p. 62.



Aos meus queridos pais, João Carlos Gatti e Sandra Maria Castro Gatti, pelo apoio constante em todos os momentos da vida e pela “injeção de ânimo” nos momentos mais críticos. À minha irmã, Lizandra Cristina Gatti, por ser uma amiga, “além de irmã”, acima de tudo. Ao Sr. Orlando Bruno, “O Companheiro”, como era chamado em seus tempos de futebol na várzea, com quem iniciei uma bela amizade através de histórias compartilhadas sobre o esporte bretão, que sempre me trouxeram grandes inspirações.


Ao Dr. Antônio Roque Citadini, aos jornalistas Celso Dario Unzelte e Marcos Galves Moreira, e ao historiador Henrique Campi Neto, que, há mais de uma década, fizeram-me dar os primeiros passos nas “histórias da bola”. À Família Nunes–Cardeal pela inesquecível colaboração nos tempos de pesquisa para a biografia do jogador Neco, que me abriram as portas para o universo acadêmico do futebol. Aos professores e colegas da Pós–graduação em História, Relações Sociais e Cultura da Universidade Nove de Julho, UNINOVE – SP, com um especial agradecimento à professora Fernanda Galve pelas sugestões e observações críticas em relação ao artigo original que me concedeu este título acadêmico, do qual provém este pequeno livro. Aos professores Renzo e Ana Taddei, Dr. Alberto Calastretti e Professora Lídice, pelo apoio junto ao Rotary Club Oeste de São Paulo, nos esforços para concretizar uma ação social do futebol na atualidade, através da campanha “O Futebol tá no meu Sangue!”. À jornalista Deise de Jesus Marques, pela oportunidade de escrever a coluna “Histórias da Bola” no periódico “O Jornal Madalena”. E um agradecimento especial a Márcia Serevincis pelo patrocínio dado a este livro. Resumo: Este livro tem como foco de análise a ação social do futebol, desenvolvida na fase do amadorismo, desde 1916 (ano em que se consolida a primeira reunificação do futebol, com a incorporação definitiva de times de camadas baixas) e 1932 (última temporada do futebol


amador), através de jogos beneficentes e/ou participação de atletas em processos contestatórios que envolveram luta armada, como a Revolução Constitucionalista de 1932. A abordagem para este tipo de evento recai sobre ocorrências na capital paulista, citando-se alguns casos extras (como jogos da Seleção Brasileira, ou de clubes, realizados em outras localidades), apenas como contextualização e/ou curiosidade. Desse modo, busca-se demonstrar como nos dias atuais não se promove, no futebol, uma ação social como no amadorismo. Palavras–chave: Futebol; ação social, jogos; beneficentes Abstract: This book has as analyses focus the social action of soccer developed in the amateur phase, since the year of 1916 (when the first reunification of soccer consolidates, with the definitive incorporation of the teams of the poor levels of society) and 1932 (the last season of amateur soccer), through beneficent games and/or participation of athletes in contestatory process that involved armed fight like the Constitutionalist Revolution of 1932. The boarding for this kind of event relapse into occurrences in paulista capital, mentioning some extra cases (like games of Brazilian Selection, or of clubs, realized in other localities) only as context and/or curiosity. This way, we pursuit to demonstrate that nowadays there is no promotion, in soccer, of a social action like in the amateur phase. Keywords: Soccer; social action; games; beneficent



Sumário Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 A ação social do futebol (1916 – 1932). . . . . . . . . 17 Considerações finais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67



Introdução

Jogos beneficentes são eventos raros no futebol atual, e geralmente partem da iniciativa isolada de atletas que estão no auge de sua situação financeira, e não necessariamente com o objetivo de auxiliar projetos sociais. Tais jogos, quando ocorrem, por vezes, destinam-se a auxiliar ex-atletas que passam por situação econômica precária, o que limita a ação social do futebol para o próprio futebol. Assim sendo, esta é a inquietação do tempo presente que orienta o enfoque do estudo aqui proposto para a fase do amadorismo, onde registram-se ações que vão para além do próprio benefício do meio futebolístico que, se retomadas, podem servir como revisão do papel social que este esporte desempenha na atualidade. O jornalista Rubens Ribeiro, em seu livro O Caminho da Bola, ao promover o resgate dos registros de todos os jogos do Campeonato Paulista, no período de 1902 a 1952, enfoca o caráter social que a realização de um jogo 13


representava nos primeiros tempos do futebol em terras brasileiras, já que “era esporte de elite, que servia como meio de congraçamento entre famílias” (2000, p.25), e reforça a “ação social” da modalidade para além dos gramados, ao comentar que “ (no) ano de 1903, o futebol marcou fortemente sua presença no campo social, quando atendeu campanha feita em favor da construção do Instituto Pasteur, velha aspiração paulistana que viria a ser uma realidade anos mais tarde. A Liga (Paulista de Football) e clubes ofereceram rendas de jogos em favor desta campanha (RIBEIRO, op.cit, p. 42)” .

Instituto Pasteur, na Avenida Paulista. Foto: Google.

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Detalhe da placa do Instituto Pasteur, da Avenida Paulista, com destaque para o ano de 1903. Foto: Google.

Soma-se a isto registros que apontam para o fato de que o atleta de futebol da fase do amadorismo possuía uma participação mais ativa com este tipo de ação com a popularização do esporte, que se registrou ao longo da década de 1910 até 1930, quando foi implantado o profissionalismo, inclusive com participação em processos em sintonia com os acontecimentos de seu respectivo contexto histórico, no caso, a República do Café com Leite e o início da Era Vargas, entre os anos de 1916 (ano em que se consolida a primeira reunificação do futebol, com a incorporação definitiva de times de camadas baixas) e 1932 (última temporada do futebol amador). 15


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