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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] MENSAGENS À AMÉRICA

Volume III

Shoghi Effendi


• Outras Obras de Shoghi Effendi: o Advento da Justiça Divina, O o Chamado às Nações (comp. da CUJ) o Dia Prometido Chegou, O o Diretrizes do Guardião (comp. de Gertrude Garrida) o Dispensação de Bahá’u’lláh, A o Mensagens ao Mundo Bahá’í [1950-1957] o Presença de Deus, A o Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, A o Coleção MENSAGENS À AMÉRICA: o vol. I: Administração Bahá’í [1922-1932] o vol. II: Esta Hora Decisiva [1932-1946] o vol. III: Fortaleza de Fé [1947-1957] • Outras Obras com Escritos de Shoghi Effendi: o Coleção SELEÇÃO DE ESCRITOS BAHÁ’ÍS • Compilações preparadas (e traduzidas) por Shoghi Effendi: o Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh o Sinopse e Codificação das Leis e Determinações do Kitáb-i-Aqdas o Orações e Meditações de Bahá’u’lláh o Os Rompedores da Alvorada: A Narrativa de Nabíl • Traduções de Shoghi Effendi do persa / árabe para o inglês: o Bahá’u’lláh. Epístola ao Filho do Lobo o Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Íqán: O Livro da Certeza o Bahá’u’lláh. As Palavras Ocultas Pedidos: www.editorabahaibrasil.com.br


Shoghi Effendi FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] MENSAGENS

À

AMÉRICA

Volume III


Título original em inglês: Citadel of Faith – Messages to America [1947-1957] ©2007 em português: EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL Caixa Postal 1085 13800-973 – Mogi Mirim – SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-3200160-3 1a Edição: 2007 Tradução: Hamid Mohtadi Revisão: Tiago B. Dantas Capa: Gustavo Pallone de Figueiredo Impressão: Prisma Printer Gráfica e Editora Ltda., Campinas – SP


CONTEÚDO Prefácio

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CARTAS E MENSAGENS DE SHOGHI EFFENDI

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1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15.

20 DE JANEIRO DE 1947, Resposta Generosa dos Crentes ao Fundo do Templo 30 DE JANEIRO DE 1947, Chamada para uma Participação Plena 24 DE MARÇO DE 1947, Consolidação na Europa 28 DE ABRIL DE 1947, Participação no Segundo Plano de Sete Anos – Mensagem à Convenção de 1947 CERCA DE JUNHO DE 1947, A Assembléia Nacional Deve Controlar as Credenciais para Estrangeiros 5 DE JUNHO DE 1947, Os Requisitos Desafiadores do Momento Presente 13 DE JULHO DE 1947, Pioneiros Europeus e o Contrato do Templo 10 DE SETEMBRO DE 1947, Evidências de Notável Expansão 25 DE OUTUBRO DE 1947, Execução Efetiva de Tarefas Sagradas 15 DE DEZEMBRO DE 1947, Reconhecimento de Serviços Preeminentes 10 DE JANEIRO DE 1948, Etapa Crítica da Tarefa na Frente Doméstica 1O DE FEVEREIRO DE 1948, Nenhum Sacrifício é Grande Demais 13 DE FEVEREIRO DE 1948, Crise Prevalecente 6 DE ABRIL DE 1948, Campanha Emergencial de Ensino 16 DE ABRIL DE 1948, Aceleração Maravilhosa – Primeira Mensagem à Convenção de 1948

3 3 4 5 8 8 56 56 57 64 65 66 67 68 68


16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40.

26 DE ABRIL DE 1948, Realizações Brilhantes – Segunda Mensagem à Convenção de 1948 4 DE MAIO DE 1948, Apóiem o Fundo Nacional 14 de maio de 1948, Ornamentação Interior do Templo e Arcada do Sepulcro do Báb 18 DE MAIO DE 1948, Meu Apelo a Esta Comunidade Escolhida por Deus 23 DE JUNHO DE 1948, Urge Atenção Especial às Metas 9 DE AGOSTO DE 1948, Rezando por Fervor Adicional 14 DE SETEMBRO DE 1948, Tarefas Cumpridas Liberam Efusão de Graça 21 DE OUTUBRO DE 1948, Apelo à Comunidade Inteira a Perseverar 3 DE NOVEMBRO DE 1948, Escalar Alturas Mais Nobres de Heroísmo 8 DE NOVEMBRO DE 1948, A Fortaleza da Fé de Bahá’u’lláh 25 DE NOVEMBRO DE 1948, Orçamento Aprovado para 1949-1950 10 DE DEZEMBRO DE 1948, Contratos Preliminares do Templo 13 DE DEZEMBRO DE 1948, Arcada para o Santuário do Báb 22 DE DEZEMBRO DE 1948, Drástica Redução de Orçamento 13 DE JANEIRO DE 1949, Redução Adicional de Orçamento 19 DE JANEIRO DE 1949, Restrição de Algumas Atividades 26 DE FEVEREIRO DE 1949, Canalizar Contribuições ao Fundo do Templo 28 DE FEVEREIRO DE 1949, Suspender World Order Magazine 16 DE MARÇO DE 1949, Um Período de Testes Rememorando Provações dos Rompedores da Alvorada 21 DE MARÇO DE 1949, Arcada do Santuário do Báb Iniciada 11 DE ABRIL DE 1949, Um Objetivo Remanescente Ainda por Alcançar 25 DE ABRIL DE 1949, Processo de Expansão se Acelera – Mensagem à Convenção de 1949 29 DE JUNHO DE 1949, Vitória Inicial Bem-Vinda 20 DE JULHO DE 1949, Suplicando Bênçãos para Atividades Americanas 7 DE AGOSTO DE 1949, Extremidades da Arcada do Santuário em Construção

71 74 74 75 80 80 81 82 82 85 92 93 93 94 94 95 95 95 96 97 98 103 106 107 107


41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66.

18 DE AGOSTO DE 1949, Esta Hora, Repleta de Destino 6 DE NOVEMBRO DE 1949, Rezando Para Sucesso Crescente 13 DE NOVEMBRO DE 1949, Majestade do Desdobramento do Santuário do Báb 19 DE DEZEMBRO DE 1949, Infiel Irmão Hussein 25 DE FEVEREIRO DE 1950, Mantenham Esforço na Frente Tripla 21 DE MARÇO DE 1950, Parapeito do Santuário Concluído 29 DE MARÇO DE 1950, Sagrada Tarefa da Presente Hora 17 DE JUNHO DE 1950, Arcada do Santuário Aproximando-se do Término 4 DE JULHO DE 1950, Centenário do Martírio do Báb 5 DE JULHO DE 1950, Um Valioso Oferecimento Quíntuplo 15 DE JULHO DE 1950, Rúhí e Família Mostram Oposição Aberta 24 DE JULHO DE 1950, Presentes de Não-Bahá’ís 5 DE AGOSTO DE 1950, Ensino na África 12 DE SETEMBRO DE 1950, Confortado por Mensagens de Devoção 19 DE SETEMBRO DE 1950, Aliviado por Atividade Intensificada 3 DE NOVEMBRO DE 1950, Badí’u’lláh Pereceu Miseravelmente 8 DE NOVEMBRO DE 1950, Necessidades para Término do Templo 8 DE DEZEMBRO DE 1950, Escolas de Verão a Reabrir 17 DE JANEIRO DE 1951, Assistência para o Sensacional Empreendimento na África 17 DE JANEIRO DE 1951, Posição dos Bahá’ís em Relação ao Serviço Militar 29 DE MARÇO DE 1951, Conquista Espiritual do Planeta 19 DE OUTUBRO DE 1951, Primeiro Pioneiro Americano para a África 4 DE NOVEMBRO DE 1951, Mensagem às Convenções Estaduais de 1951 23 DE NOVEMBRO DE 1951, A Última e Irrecuperável Chance 3 DE MAIO DE 1952, Fundos para o Centro Internacional 29 DE ABRIL DE 1953, Quadragésima-Quinta Convenção Anual: Tarefas dos Estados Unidos na Cruzada Mundial

107 113 113 114 114 115 115 116 116 120 125 126 126 127 128 129 129 129 130 131 131 142 143 143 152 153


67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. 82.

13 DE MAIO DE 1953, Pioneiros Aspirantes Instados a se Espalharem 18 DE JULHO DE 1953, Um Ponto Decisivo na História Bahá’í Americana 5 DE SETEMBRO DE 1953, Salvaguardando a Primazia Americana CERCA DE MAIO DE 1954, Terreno para Templo Adquirido no Panamá 23 DE JULHO DE 1954, Assembléias Devem Ser Mantidas 28 DE JULHO DE 1954, Bahá’ís Americanos em Tempos de Perigo Mundial 22 DE OUTUBRO DE 1954, Estrela de Nove Pontas para Lápide 15 DE AGOSTO DE 1955, Enviem Apelos ao Presidente Eisenhower 20 DE AGOSTO DE 1955, Uma Misteriosa Dispensação de Providência 5 DE JANEIRO DE 1956, Revitalizar a Comunidade Inteira 2 DE FEVEREIRO DE 1956, Maior Consagração para Tarefas Urgentes 22 DE JUNHO DE 1956, Orando por Notáveis Vitórias na Frente Doméstica 19 DE JULHO DE 1956, Prêmios Inestimáveis ao Nosso Alcance 29 DE ABRIL DE 1957, Intensificação de Esforços 7 DE MAIO DE 1957, Responsabilidade Dupla, Inescapável e Suprema 21 DE SETEMBRO DE 1957, Alturas Nunca Antes Atingidas

158 158 175 175 176 176 190 190 191 204 204 204 205 215 215 216

EM MEMÓRIA 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

MARÇO DE 1956, Frank Ashton 30 DE AGOSTO DE 1953, Ella Bailey 13 DE JANEIRO DE 1954, Dorothy Baker 26 DE JANEIRO DE 1957, Mary Barton JULHO DE 1955, Victoria Bedikian 18 DE JULHO DE 1951, Ella Cooper 30 DE JANEIRO DE 1950, Julia Culver NOVEMBRO DE 1952, Dagmar Dole 26 DE JANEIRO DE 1956, Homer Dyer 8 DE SETEMBRO DE 1953, L. W. Eggleston

227 227 227 228 228 228 229 229 229 230


11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. Notas

14 DE JANEIRO DE 1954, Harry Ford 4 DE JANEIRO DE 1954, Nellie French 6 DE AGOSTO DE 1951, Louis C. Gregory 29 DE MAIO DE 1956, Louise M. Gregory 16 DE FEVEREIRO DE 1956, Bertha Herklotz 11 DE SETEMBRO DE 1953, Marie Hopper MAIO DE 1953, Maria Ioas 23 DE MARÇO DE 1956, Beatrice Irwin 29 DE MARÇO DE 1954, Marion Jack 27 DE JUNHO DE 1950, Florence Breed Khan 16 DE DEZEMBRO DE 1950, Edward B. Kinney 14 DE DEZEMBRO DE 1949, Fanny Knobloch 23 DE JUNHO DE 1948, George Latimer 20 DE JANEIRO DE 1952, Ruhaniyyih Latimer 27 DE ABRIL DE 1948, Fanny Lesch 27 DE DEZEMBRO DE 1956, Edwin W. Mattoon 26 DE MARÇO DE 1952, William Sutherland Maxwell 8 DE ABRIL DE 1953, Florence Morton 2 DE MAIO DE 1950, Ella Robarts MARÇO DE 1955, Annie Romer JULHO DE 1953, Fred Schopflocher 7 DE MAIO DE 1957, Anthony Y. Seto 27 DE SETEMBRO DE 1951, Philip G. Sprague 23 DE DEZEMBRO DE 1954, Gertrude Struven 6 DE DEZEMBRO DE 1956, Juliet Thompson 27 DE MARÇO DE 1957, George Townshend 24 DE DEZEMBRO DE 1951, Roy C. Wilhelm 11 DE MARÇO DE 1956, Albert Windust

230 230 231 231 231 232 232 232 233 234 234 235 235 235 236 236 236 237 238 238 238 239 239 240 240 240 241 241 243


PREFÁCIO

A

s comunicações de Shoghi Effendi, Guardião da Fé Bahá’í, endereçadas por ele diretamente aos bahá’ís da América do Norte entre 1932 e 1946 foram publicadas pela Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos em 1947 sob o título de Messages to America: Selected Letters and Cablegrams Addressed to the Bahá’ís of North America, 19321946.* Esta compilação cobriu um período durante o qual a estrutura da Ordem Administrativa de Bahá’u’lláh foi firmemente estabelecida sob a guia infalível do Guardião, e as fundações do papel preponderante que a comunidade bahá’í americana estava destinada a assumir, nos planos de ensino intercontinentais e globais lançados por Shoghi Effendi em 1946 e 1953, tinham sido alicerçadas. No período de 1950 a 1957, o amado Guardião endereçou uma série de mensagens majestosas para a totalidade do mundo bahá’í, delineando a sem precedente Cruzada Mundial de Dez Anos e reportando as vitórias inspiradoras alcançadas no cumprimento de seus objetivos. A resposta evocada por estas comunicações nos corações dos crentes em todos os lugares levou a uma expansão sem precedentes da Fé, culminando na celebração mundial do Maior Jubileu em 1963, o cumprimento do pronunciamento profético relativo àquela data, e tornou possível o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, aquele supremo e infalível corpo que agora guia os destinos da *Sob o título: Esta Hora Decisiva [1932-1946], Mensagens à América – volume II, publicada pela Editora Bahá’í do Brasil, 2007.

SHOGHI EFFENDI

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FORTALEZA DE FÉ [1947 – 1957] Comunidade Mundial Bahá’í. A Assembléia Espiritual Nacional do Bahá’ís dos Estados Unidos publicou estas mensagens em 1958, num volume intitulado Messages to the Bahá’í World, 1950-1957.* Na década de 1947 a 1957, Shoghi Effendi, numa série separada de mensagens, repetidamente dirigiu-se aos bahá’ís americanos, descrevendo em termos desafiadores sua missão mundial, lembrando-os de sua supremacia espiritual como os fideicomissários e executores do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá e reforçando aquela supremacia com o misterioso poder do cumprimento intrínseco em suas palavras de encorajamento e exortação. Neste momento, quando a comunidade bahá’í americana se defronta com uma sempre crescente medida de responsabilidade, ao passo em que avança para atingir as metas do Plano de Nove Anos, é particularmente pertinente que estas comunicações vindas do Guardião da Fé sejam coletadas e disponibilizadas numa fonte única. O presente volume inclui todas aquelas mensagens dirigidas por Shoghi Effendi, direta e exclusivamente, aos bahá’ís dos Estados Unidos nos anos críticos e históricos da última década de seu ministério, um período em que o fluxo de sua guia e inspiração atingiu seu zênite. É certo que um estudo cuidadoso destas comunicações conferirão ao leitor um profundo entendimento da característica única da missão conferida à comunidade bahá’í americana, não só em terras estrangeiras, mas sobre sua própria frente doméstica, e revelarão, a cada membro individual daquela favorecida comunidade, uma nova visão da natureza daquela supremacia espiritual que eles herdaram por direito inato. Paul Haney Centro Mundial Bahá’í Haifa, Israel, setembro de 1965 *Mensagens de Shoghi Effendi ao Mundo Bahá’í, 1950-1957, publicado pela Editora Bahá’í do Brasil, 2007.

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


FORTALEZA DE FÉ MENSAGENS DE SHOGHI EFFENDI AOS BAHÁ’ÍS NORTE-AMERICANOS [1947-1957]


CARTAS E MENSAGENS

1.

20 DE JANEIRO DE 1947

RESPOSTA GENEROSA DOS CRENTES AO FUNDO DO TEMPLO

Vibrando pela generosa resposta dos crentes ao Fundo do Templo. Profundamente emocionado. Aclamo as recentes extraordinárias evidências do espírito magnífico, solidariedade inabalável e firme determinação da comunidade bahá’í americana. Profunda e amorosa gratidão.

2.

30 DE JANEIRO DE 1947 CHAMADA PARA UMA PARTICIPAÇÃO PLENA

Aclamo com o coração agradecido as evidências do incessante movimento acelerado de pioneiros, multiplicação de conferências, consolidação das atividades de comitês nacionais, progresso na ornamentação interna preliminar do Templo e formulação das políticas de ensino nos estados do Sul. Dominado completamente por tributos prestados pelos meus próprios modestos esforços, pela corajosa companhia cuja defesa da Fé de Bahá’u’lláh, durante o último quarto de século, proveu enorme suporte e conforto, permitindo-me ombrear o peso dos cuidados e responsabilidades da Guardiania. Impelido a apelar novamente em ponderar responsabilidades envolvidas no campo de serviço além do Atlântico. O tempo voa. O primeiro ano do Segundo Plano de Sete Anos está chegando ao seu fim. A sombra da trágica conseqüência da guerra está se intensificando. O estágio inicial da colossal tarefa necessária no continente europeu está ainda pendente. Urge enfatizar à comunidade inteira a prontamente reforçar

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] com extrema urgência, a qualquer custo, mesmo sendo inadequados os instrumentos, o número de voluntários, tanto instrutores residentes como itinerantes, os quais a posteridade irá devidamente reconhecer como a vanguarda dos portadores de tochas da irresistível e redentora Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, aos milhões de desesperados das mais diversificadas raças, nacionalidades em conflito no mais tenebroso, mais severamente testado e espiritualmente exaurido continente do globo. Aguardando devotadamente por respostas de todos os níveis da comunidade ao supremo chamado para a plena participação no glorioso empreendimento.

3.

24 DE MARÇO DE 1947 CONSOLIDAÇÃO NA EUROPA

Cheio de júbilo, grato, orgulhoso da notável expansão de múltiplas atividades nos três continentes. A importância vital do preeminente objetivo no continente europeu não pode ser superestimada. Intensos e sustentados esforços de autosacrifício, almejando rápida consolidação do fatídico recéminiciado empreendimento transoceânico da comunidade americana, são urgentes, imperativos, altamente meritórios. Orando por tal demonstração de heroísmo que fará brilhar proezas que iluminarão páginas da história bahá’í americana em continentes do hemisfério ocidental.

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


CARTAS E MENSAGENS

4.

28 DE ABRIL DE 1947 PARTICIPAÇÃO NO SEGUNDO PLANO DE SETE ANOS MENSAGEM À CONVENÇÃO DE 1947

Meu coração está pleno de deleite, admiração, orgulho e gratidão ao contemplar proezas da comunidade mundial dos seguidores da Fé de Bahá’u’lláh, em tempos de paz, em ambos os hemisférios, triunfantemente emergindo da provação da guerra mundial e movendo-se irresistivelmente rumo à segunda época da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í. Os anos de abertura do segundo centenário da Era Bahá’í, sincronizando com o estágio final do memorável quarto de século transcorrido desde o término da Idade Heróica da Fé, têm sido distinguidos por uma demonstração compulsiva, por parte de todo o corpo de crentes, encabeçados pela valiosa comunidade bahá’í americana, de solidariedade, resolução e auto-sacrifício, bem como de um magnificente registro de realizações sistemáticas de âmbito mundial. Os três anos desde a celebração do Centenário têm sido caracterizados por um processo simultâneo de consolidação interna e de firme expansão da órbita de uma Ordem Administrativa em franca evolução. Estes anos testemunharam, primeiro, o ressurgimento espantoso de uma comunidade bahá’í da Europa Central devastada pela guerra, a reabilitação das comunidades do Sudeste Asiático, das ilhas do Pacífico e do Extremo Oriente; segundo, a inauguração de um novo Plano de Sete Anos pela comunidade bahá’í americana destinado a culminar com o Centenário do Nascimento da Missão Profética de Bahá’u’lláh, almejando a formação de três Assembléias Nacionais na América Latina e o Domínio do Canadá, o término da mais sagrada

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Casa de Adoração no mundo bahá’í e o emergir da estrutura da Ordem Administrativa em dez Estados soberanos do continente europeu; e terceiro, a formulação, pelas Assembléias Nacionais Britânica, da Índia e da Pérsia, dos Planos de Seis Anos, de Quatro Anos e Meio e de Quarenta e Cinco Meses, respectivamente, culminando com o Centenário do Martírio do Báb e empenhados em estabelecer dezenove Assembléias Espirituais nas Ilhas Britânicas, dobrar o número de Assembléias no subcontinente indiano, estabelecer noventa e cinco novos centros da Fé na Pérsia, converter os grupos em Bahrein, Meca e Cabul em Assembléias, e plantar o estandarte da Fé nos territórios árabes do Iêmen, Omã, Ahsa e Kuait. Além disso, o número de países abertos à arrebatadora Fé e o número de idiomas para os quais a sua literatura foi traduzida e impressa, foram agora ampliados respectivamente para oitenta e três e quarenta e sete. Quatro outros países estão em processo de registro. Traduções para quinze outros idiomas estão sendo empreendidas. Não menos de dezessete mil libras foram acumuladas para o socorro internacional às comunidades bahá’ís do Oriente e do Ocidente afligidas pela guerra. As dotações bahá’ís no continente norte-americano passaram agora a marca de dois milhões de dólares. O valor das dotações recebidas recentemente pelo Centro Mundial da Fé, dedicados aos Santuários, está estimado em trinta e cinco mil libras. A literatura bahá’í foi disseminada ao Norte, tão distante quanto Upernavik, na Groenlândia, acima do Círculo Ártico. A mensagem bahá’í tem sido difundida por rádio ao Sul, tão distante quanto Magalhães. A área de terra dedicada ao Mashriqu’l-Adhkár da Pérsia teve crescimento de quase um quarto de milhão de metros quadrados. O número de localidades nas Antípodas, onde residem bahá’ís, foi elevado para trinta e cinco, espalhados pela Austrália, Nova Zelândia e

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


CARTAS E MENSAGENS Tasmânia. Vinte e sete Assembléias estão funcionando na América Latina. Bahá’ís residem em mais de cem localidades, na América Central e do Sul, quase o dobro de localidades da abertura do Primeiro Plano de Sete Anos. Conferências latinoamericanas históricas foram realizadas em Buenos Aires e Panamá. Escolas de verão estão estabelecidas na Argentina e Chile. Terreno foi oferecido no Chile para a sede do primeiro Mashriqu’l-Adhkár da América Latina. Assembléias adicionais têm sido incorporadas no Paraguai e Colômbia. Sete outras estão em processo de incorporação. Um ímpeto notável foi dado a esta Mensagem curadora mundial, através das medidas conjuntas arquitetadas pela Assembléia Nacional americana, designadas a proclamar a Fé às massas através de conferências públicas, imprensa e rádio. Esta multiplicação extraordinária de instituições dinâmicas, este emocionante desenvolvimento de forças regeneradoras mundiais, Norte, Sul, Leste e Oeste, dotam a meta preeminente do Segundo Plano de Sete Anos na Europa de uma urgência extraordinária e significado peculiar. Eu estou impelido a apelar a todos os crentes americanos que possuem recursos próprios a se levantarem e suplementarem o curso do segundo ano do Segundo Plano de Sete Anos através de participação pessoal ou mediante apontamento de delegados, os soberbos esforços da vanguarda heróica das hostes destinadas, através de sucessivas décadas, a alcançar a conquista espiritual do continente inconquistado pelo Islã, corretamente considerado como sendo a mãe da Cristandade, o manancial da cultura americana, a mola-mestra da civilização ocidental e o recipiente da honra singular de duas visitas sucessivas às suas praias pelo Centro do Convênio de Bahá’u’lláh.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

5.

CERCA DE JUNHO DE 1947 A ASSEMBLÉIA NACIONAL DEVE CONTROLAR AS CREDENCIAIS PARA ESTRANGEIROS

Devido ao aparecimento de pessoas desleais que alegam ser bahá’ís, deverá ser exercido o estrito controle de credenciais pelas suas Assembléias, caso contrário, influências corruptíveis espalhar-se-ão e prejudicarão os magníficos serviços que são alcançados pela comunidade bahá’í americana.

6.

5 DE JUNHO DE 1947

OS REQUISITOS DESAFIADORES DO MOMENTO PRESENTE

Os anos iniciais do segundo centenário da Era Bahá’í coincidem com o término da primeira época da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í, uma Dispensação que a posteridade irá reconhecer como sendo a mais gloriosa e momentosa no mais importante ciclo dentro da história religiosa do mundo. Os primeiros setenta e sete anos do século precedente, constituindo a Idade Apostólica e Heróica da nossa Fé, englobam três distintos períodos, de nove, de trinta e nove e de vinte e nove anos, associados respectivamente com a Dispensação Bábí e os ministérios de Bahá’u’lláh e de ‘Abdu’lBahá. Esta Idade Primitiva da Era Bahá’í, inigualável em fecundidade espiritual por qualquer período associado com a missão do Fundador de qualquer Dispensação anterior, foi impregnada, desde o seu princípio até seu término, com as energias criativas geradas através do advento de duas

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


CARTAS E MENSAGENS Manifestações independentes e do estabelecimento de um Convênio singular dentro dos anais espirituais do gênero humano. Os últimos vinte e três anos daquele mesmo século coincidiram com a primeira época da segunda Idade, a de Ferro e Formativa, da Dispensação de Bahá’u’lláh – a primeira de uma série de épocas que devem preceder o início da última e Áurea Idade daquela Dispensação – uma Dispensação que, conforme o próprio Autor da Fé categoricamente assegurou, deve estender-se por um período não inferior a mil anos, e que constituirá o primeiro estágio dentro de uma série de Dispensações, a serem estabelecidas por futuros Manifestantes, todos derivando a sua inspiração a partir do Autor da Revelação Bahá’í, e destinadas a durar, no total, não menos de cinco mil séculos. Entramos agora na segunda época da segunda Idade da primeira destas Dispensações. A primeira época testemunhou o nascimento e os estágios iniciais no emergir da estrutura da Ordem Administrativa da Fé – o núcleo e os padrões da sua Ordem Mundial – de acordo com os preceitos declarados na Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, bem como o lançamento da fase inicial do Plano de abrangência mundial legado por Ele à comunidade bahá’í americana. Aquela época foi caracterizada por um processo duplo almejando a consolidação da estrutura administrativa da Fé e a ampliação do alcance de suas instituições. Testemunhou, por um lado, o emergir e o estabelecimento das bases daquela Ordem Mundial embrionária, cujo advento foi anunciado pelo Báb no Bayán, cujas leis foram reveladas por Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Aqdas e cujas características foram delineadas por ‘Abdu’l-Bahá em Sua Última Vontade e Testamento. Foi marcada, por outro lado, pelo lançamento, no hemisfério ocidental, do primeiro estágio

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] de um Plano cujo impulso original foi comunicado pelo Arauto de nossa Fé em Seu Qayyúmu’l-Asmá, a cujas implicações o Autor da Revelação Bahá’í fez alusão em Suas Epístolas e cuja Carta-Magna foi revelada pelo Centro de Seu Convênio no crepúsculo de Sua vida. A época na qual entramos agora está destinada a conferir um grande ímpeto a este histórico, este duplo processo. Deve testemunhar, por um lado, a consumação de uma Ordem Administrativa laboriosamente construída e, por outro, o desdobramento de estágios sucessivos no desenvolvimento do Plano de ‘Abdu’l-Bahá além dos limites do hemisfério ocidental e do continente europeu. CARACTERÍSTICA CULMINANTE DA ORDEM ADMINISTRATIVA: A CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA Durante esta Idade Formativa da Fé, e no decurso da época presente e das que a sucederão, o último e culminante estágio na edificação das bases da Ordem Administrativa da Fé de Bahá’u’lláh – a eleição da Casa Universal de Justiça – terá sido completado, O Kitáb-i-Aqdas, o Livro-Mater de Sua Revelação, terá sido codificado e suas leis promulgadas, a Paz Menor terá sido estabelecida, a unidade do gênero humano terá sido alcançada e sua maturidade, atingida, o Plano concebido por ‘Abdu’l-Bahá terá sido executado, a emancipação da Fé, libertada dos grilhões da ortodoxia religiosa, terá sido levada a efeito e sua condição de independência religiosa terá sido universalmente reconhecida, enquanto no decurso da Idade Áurea, destinada a consumar a Dispensação em si, a bandeira da Paz Maior, prometida pelo seu Autor, terá sido desfraldada e a Comunidade Mundial Bahá’í terá emergido na plenitude de sua força e esplendor, e o nascimento e florescimento de

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CARTAS E MENSAGENS uma civilização mundial, o fruto daquela Paz, terá conferido suas bênçãos inestimáveis a todo o gênero humano. OBJETIVO QUÁDRUPLO PARA OS REQUISITOS DO PRESENTE Não nos cabe, entretanto, desvendar as operações de um futuro distante, ou discorrer sobre as glórias prometidas de uma Revelação inimaginavelmente potente e divinamente impelida. Nossa é, no entanto, a tarefa de dirigir nosso olhar e concentrar nossas energias para satisfazer as exigências desafiadoras do momento presente. Trabalhos de caráter urgente e sagrado clamam insistentemente toda nossa atenção durante os anos de abertura desta nova época na qual adentramos. O Segundo Plano de Sete Anos, projetado para levar adiante mais uma etapa da missão concebida por ‘Abdu’l-Bahá para a comunidade bahá’í americana, está entrando agora em seu segundo ano e deverá, pelo fato de operar em três continentes, ser produtivo em resultados, ultrapassando em brilho quaisquer dos resultados até hoje atingidos desde que o Plano Divino em si foi posto em ação durante os anos finais do primeiro centenário bahá’í. Diferentemente dos planos que as comunidades bahá’ís na Europa e no continente asiático têm espontaneamente inaugurado desde os primórdios do presente século, o Plano com o qual a comunidade dos “Apóstolos de Bahá’u’lláh” mantém-se identificado é divino em sua origem, é guiado pelas instruções explícitas e repetidas que têm fluído da pena do próprio Centro do Convênio, é energizado pela vontade predominante de seu Autor, exige, como palco para sua operação, territórios espalhados pelos cinco continentes e pelas ilhas dos sete mares, e deve continuar a funcionar, até que seu propósito tenha sido alcançado, ao longo das sucessivas épocas no transcorrer da Idade Formativa da Dispensação

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Bahá’í. À medida que se auto-impulsiona, dirigido por forças que seus promotores jamais podem esperar avaliar devidamente, à medida que espalha suas ramificações aos mais recônditos cantos do hemisfério ocidental, e através dos oceanos para os continentes do Velho Mundo e além destes até as vastas ilhas dos mares, este Plano, o direito inato da comunidade bahá’í norte-americana, será crescentemente considerado como uma atividade designada não somente para a ampliação dos limites da Fé e a multiplicação de suas instituições sobre a face do planeta, mas para a aceleração da construção e término da estrutura administrativa da embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, acelerando assim o advento daquela Idade Áurea que deve testemunhar a proclamação da Paz Maior e o desdobramento daquela civilização mundial que é o desabrochar e propósito fundamental daquela Paz. O objetivo quádruplo que os promotores do Plano, no presente estágio inicial de seu desenvolvimento, estão agora buscando, e que é designado para estimular o duplo processo iniciado durante a fase de abertura da Idade Formativa da Fé, deve ser árdua e firmemente perseguido. O segundo ano do Segundo Plano de Sete Anos deve testemunhar, em todas as frentes, por parte dos jovens e igualmente dos mais velhos, ricos e pobres, os negros e brancos, novatos e veteranos, uma dedicação extra aos deveres assumidos e uma intensificação de esforços para seu fomento totalmente sem paralelo nos anais da história bahá’í americana. Em todo estado dos Estados Unidos, em cada província do Domínio do Canadá, em cada república das Américas Central e do Sul, em cada um dos dez Estados soberanos escolhidos do continente europeu, as sempre crescentes legiões do firme e em contínuo avanço exército de Bahá’u’lláh, obedecendo ao Comando de ‘Abdu’l-Bahá, lançado no segundo estágio de sua cruzada mundial, obtendo

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CARTAS E MENSAGENS coragem revigorante a partir das proezas que distinguiram a fase de abertura do presente estágio de sua iniciativa, devem distender cada nervo para atingir alturas mais sublimes de heroísmo e distribuir mais amplamente suas forças divinamente confirmadas, à medida que seu presente Plano se desdobra e se move em direção ao seu clímax. METAS NOS ESTADOS UNIDOS E ALASCA Nos Estados Unidos da América, a base a partir da qual as múltiplas operações desta expedição sagrada são conduzidas, a iniciativa associada com o término do primeiro Mashriqu’lAdhkár do Ocidente, designado a consumar a tempo este histórico empreendimento para a celebração de seu Jubileu no ano de 1953, deverá ser arduamente levada adiante. Os prodigiosos esforços exercidos para a construção deste nobre edifício – a mais sagrada Casa de Adoração, que nunca mais virá a ser erigida pelos seguidores de Bahá’u’lláh – sobre a qual não menos de um milhão e quatrocentos mil dólares foram gastos até o momento, e que necessitará do dispêndio de pelo menos mais meio milhão de dólares, antes de ser concluída, não deverão, nem por um momento, ser relaxados. As modificações necessárias do projeto escolhido para sua ornamentação interior devem ser adotadas, os planos e especificações, preparados, os contratos preliminares para sua execução, firmados e o trabalho efetivo de sua construção, iniciado, se possível, antes de expirar o presente ano. Os derradeiros esforços pelo Comitê Nacional de Ensino e seus auxiliares Comitês Regionais de Ensino, visando elevar o número de Assembléias Espirituais no continente norteamericano para não menos de cento e setenta e cinco, antes do expirar do ano em curso, devem ser postos em prática. As

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] oitenta cidades recentemente abertas para a Fé devem ser igualmente reforçadas. Os duzentos e dezoito grupos já constituídos devem ser continuamente encorajados a evoluírem até tornarem-se Assembléias, enquanto o vasto número de localidades, totalizando mais de novecentas, onde residem crentes isolados, deve, por mais extraordinários que sejam os esforços necessários, ser capacitado a lograr a condição de grupo e de ser, mais tarde, convertido em Assembléias funcionando adequadamente. Paralelamente a este processo de reforço das estruturas da Ordem Administrativa e de ampliação de suas bases, um esforço determinado deve ser feito pelos representantes nacionais eleitos da comunidade inteira, assistidos pelos seus órgãos de Relações Públicas, Unidade Racial, Reuniões Públicas, Educação Visual, Departamento de Oradores Universitários e pelos Comitês de Rádio, para reforçar as medidas já adotadas para a proclamação, através da imprensa e do rádio, das verdades da Fé às massas e para o estabelecimento de um contato mais próximo com os líderes do pensamento público, com as faculdades e universidades, e com os editores de jornais e revistas. Publicidade e propaganda de âmbito nacional devem ser mais intensamente desenvolvidas, o contato com os setecentos e cinqüenta jornais, revistas e jornais de comércio devem ser mantidos e os programas de relações públicas, ampliados. A associação, com os diversos órgãos, líderes e representantes das Nações Unidas e as organizações congêneres, por ser diferente de afiliação e isenta de qualquer participação em questões políticas, deve ser estimulada com o propósito de dar, por um lado, maior publicidade aos objetivos e propósitos da Fé e, por outro lado, abrir caminho à eventual conversão de um seleto número de almas capazes e receptivas que reforçarão as fileiras de seus francos e ativos apoiadores.

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CARTAS E MENSAGENS O processo de incorporação de Assembléias Espirituais funcionando adequadamente deve ser simultânea e vigorosamente executado. As quarenta e cinco Assembléias agora incorporadas são os primeiros frutos de uma empreitada de grande significado, que devem rapidamente se desenvolver, nos dias por vir, como uma introdução essencial para o estabelecimento e a ampliação do âmbito das dotações locais bahá’ís, tão logo as obrigações financeiras incorridas com o término do Templo tenham sido cumpridas. A instituição das três escolas de verão, em Green Acre, Davison e Geyserville, e a Escola Internacional em Temerity Ranch, bem como as atividades da juventude bahá’í, devem, sob a supervisão próxima de seus respectivos comitês nacionais, ser continuamente expandidas e crescentemente utilizadas como agências para o avanço dos objetivos vitais do Plano. As atividades benéficas e altamente responsáveis a que se comprometeram os Comitês de Publicação, de Revisão, de Biblioteca, de Serviço para os Cegos, de Educação Visual, de Literatura em Panfleto e de Auxílio para Estudos, criados para disseminar e assegurar a integridade da literatura bahá’í, devem, apesar de indiretamente ligados aos propósitos do Plano e dentro dos limites impostos sobre eles, através de suas operações, ser firmemente expandidos, consolidados e levados a promover, na forma que for possível, seus interesses supremos. O “amplo território do Alasca”, particularmente mencionado por ‘Abdu’l-Bahá em Suas Epístolas do Plano Divino e, no presente, o posto mais avançado da Fé ao Norte no hemisfério ocidental, não deve ser ignorado ou ter suas necessidades vitais negligenciadas. A manutenção e consolidação da primeira histórica Assembléia Espiritual em Anchorage, o mais setentrional centro administrativo da Fé de Bahá’u’lláh no mundo; a multiplicação de centros bahá’ís naquele

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] território; a propagação do ensino entre os esquimós, enfatizados pela pena de ‘Abdu’l-Bahá naquelas mesmas Epístolas; a tradução e publicação de páginas selecionadas da literatura bahá’í para sua língua nativa; a extensão dos limites da Fé além de Fairbanks e para mais perto do Círculo Ártico – estes constituem os deveres urgentes enfrentados pelos executores do presente Plano nos anos imediatamente por vir. São palavras do próprio ‘Abdu’l-Bahá registradas naquelas Epístolas: “O Alasca é um território vasto... Se Deus assim desejar, as luzes da Suprema Guia iluminarão aquela região e as brisas do roseiral do amor de Deus perfumarão as narinas dos habitantes do Alasca. Caso sejais confirmados a render tal serviço, assegurai-vos de que vossas cabeças serão coroadas com o diadema da eterna soberania.”1 O CANADÁ DEVE FORMAR UMA ASSEMBLÉIA NACIONAL SEPARADA Nos Domínios do Canadá, de cujo significado e futuro o Autor das Epístolas do Plano Divino repetidamente Se referiu, e em todas as nove províncias das quais, como resultado direto da operação do Primeiro Plano de Sete Anos, a Fé estabeleceu suas Assembléias Espirituais, os crentes canadenses, como um sinal de seu reconhecimento do significado da formação próxima de sua primeira Assembléia Espiritual Nacional, devem levantar-se e convenientemente levar avante a incumbência a eles outorgada em sua terra natal. Independentemente de seu reduzido número, não obstante a vastidão do território para o qual eles foram feitos responsáveis, e como um sinal de sua apreciação da grande bênção e posição independente a ser a eles conferida muito em breve, devem eles, harmoniosamente, exercer um esforço supremo para

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CARTAS E MENSAGENS ampliar os limites, multiplicar os centros administrativos, consolidar as instituições e disseminar as verdades e essências de sua amada Fé por toda a extensão e amplitude daquele imenso domínio. As treze Assembléias canadenses já formadas devem ser, a todo custo, mantidas e fortificadas. As cinqüenta e seis localidades onde residem bahá’ís devem receber atenção imediata e as mais promissoras entre estas devem ser escolhidas para o estabelecimento de futuras Assembléias, a fim de estenderem as bases e reforçarem as fundações do futuro pilar da Casa Universal de Justiça. Atenção especial deve, além disto, ser dada à necessidade do estabelecimento, sem demora, da primeira Escola Bahá’í Canadense de Verão, a qual, à medida que o escopo das atividades dos crentes canadenses se amplia, terá que ser gradualmente suplementada por outras instituições de caráter similar, como tem sido o caso no desenvolvimento de escolas de verão nos Estados Unidos da América. Passos preliminares devem igualmente ser tomados para a incorporação de todas as Assembléias Espirituais firmemente embasadas, como um prelúdio ao estabelecimento de fundos locais e nacionais. A instituição do Fundo Local, em cada centro onde a estrutura administrativa da Fé tenha sido edificada, deve ser assiduamente desenvolvida. A manutenção de conferências designadas a fomentar a unidade, a solidariedade e o desenvolvimento harmônico da comunidade bahá’í canadense deve ser permanentemente encorajada. Um esforço organizado deve ser feito para disseminar a Mensagem às massas e seus líderes através dos meios da imprensa e do rádio. Um empenho deliberado e sustentado deve ser exercido para ganhar novos adeptos à Fé, vindos das fileiras da considerável população de língua francesa daquele domínio. O máximo cuidado deve ser exercido para atrair a atenção e obter o suporte de outras

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] minorias naquela terra, tais como os índios, os esquimós, os dukhobors e os negros, reforçando através disto o caráter representativo de uma comunidade em franco desenvolvimento. Aquela comunidade, à medida que seus centros locais se multiplicam, a estrutura de suas instituições nacionais é edificada, sua maturidade é demonstrada e sua independência, vindicada, não deve perder de vista ou negligenciar as significativas providências daquelas Epístolas do Plano Divino, dirigidas especificamente aos seus membros por ‘Abdu’l-Bahá, onde Ele lhes confere a missão de levar a Mensagem de Seu Pai aos territórios e ilhas além das fronteiras daquele domínio, para Newfoundland e as Ilhas Franklin, a Yukon, Mackenzie, Keewatin, Ungava e Groenlândia. Os passos experimentais recentemente dados por um crente dinamarquês em disseminar a literatura bahá’í no território da Groenlândia, em alguns assentamentos e postos fronteiriços além do Círculo Ártico, e para despachar livros bahá’ís para Godthaab, sua capital, e ainda mais ao Norte, como Upernavik, na baía de Baffin, constituem um modesto, porém histórico começo que os crentes canadenses, à luz das Epístolas de ‘Abdu’l-Bahá a eles dirigidas, devem seguir nos anos por vir. Ele lhes assegura significativamente em uma das Epístolas do Plano Divino: “Caso o fogo do amor de Deus seja ateado na Groenlândia, todo o gelo daquele território derreter-se-á, e seu clima frígido se transformará em temperado – isto é, se os corações forem tocados com o calor do amor de Deus, aquele território tornar-se-á um roseiral divino e um paraíso celestial, e as almas, assim como árvores frutíferas, obterão o maior frescor e formosura. É necessário empenho, o máximo empenho.”2

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CARTAS E MENSAGENS Seus são o dever, o privilégio e a honra, uma vez que a sua instituição administrativa central esteja firmemente estabelecida, suas repartições subsidiárias estejam operando vigorosamente e suas necessidades imediatas sejam satisfeitas, de tomar medidas preliminares, por menores que estas sejam, antes que o Segundo Plano de Sete Anos esteja terminado, para o envio de um certo número de pioneiros a alguns destes territórios, como uma evidência da determinação e capacidade, de uma recém-estabelecida comunidade nacional independente em assumir as funções e desonerar-se das responsabilidades das quais foi investida naquelas Epístolas imortais pela pena do Centro do Convênio de Bahá’u’lláh. É o testemunho de ‘Abdu’l-Bahá em uma daquelas Epístolas: “...não há diferença entre países. Contudo, o futuro do Domínio do Canadá é muito grandioso e os eventos a ele relacionados são infinitamente gloriosos. Tornar-se-á o objeto de vislumbre da Providência e manifestará os favores do Todo-Glorioso.”3 Naquela mesma Epístola Ele afirma: “Novamente eu repito, que o futuro do Canadá, tanto do ponto de vista material quanto do espiritual, é muito grandioso... As nuvens do Reino regarão as sementes da guia que ali foram semeadas.”4 TAREFAS NA AMÉRICA LATINA Nos vastos campos latino-americanos, onde os primeiros frutos do Plano Divino, operando além das fronteiras do continente norte-americano, foram já colhidos em tamanha abundância, as comunidades bahá’ís latino-americanas, desde a fronteira do México até a extremidade do Chile, devem se

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] movimentar para as coletivas, históricas e gigantescas tarefas que os esperam, e que devem culminar, antes do expirar do presente Plano, na formação de duas Assembléias Espirituais Nacionais para as Américas Central e do Sul. O maravilhoso progresso alcançado como resultado da operação do Primeiro Plano de Sete Anos, tal qual evidenciado pelo estabelecimento de Assembléias Espirituais maduras nos territórios virgens de não menos de catorze repúblicas, e a formação de grupos ativos nas demais repúblicas, foi intensificado por uma expansão ainda mais surpreendente de atividades bahá’ís desde o término do primeiro estágio do Plano Divino. Como resultado desta expansão, Assembléias Espirituais foram estabelecidas nas demais repúblicas, o número de localidades onde residem bahá’ís foi elevado para mais de cem, quase o dobro do número de localidades onde a Fé foi introduzida após a conclusão do Primeiro Plano de Sete Anos, o número de Assembléias Espirituais cresceu para não menos de trinta e sete, três das quais foram devidamente incorporadas, um notável ímpeto foi dado às atividades dos centros de distribuição de literatura bahá’í na Argentina e no Panamá, conferências históricas foram realizadas nestas duas repúblicas, escolas de verão foram inauguradas na Argentina e Chile, e uma extensão de terra foi apresentada como local para o primeiro Mashriqu’l-Adhkár na América Latina. Nenhuma comunidade, desde os primórdios da centenária Fé de Bahá’u’lláh, nem mesmo a comunidade do Máximo Nome no continente norte-americano, pode vangloriar-se de uma evolução tão rápida, uma consolidação tão sonora, uma multiplicação de centros tão veloz, como aquelas que marcaram o nascimento e ascensão da comunidade de Seus seguidores na América Latina.

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CARTAS E MENSAGENS As colossais tarefas que agora convocam esta comunidade bahá’í latino-americana a um desafio não poderão de modo algum impedir, se fiel e prontamente cumpridas, as magníficas realizações que imortalizaram a primeira década de atividade organizada na história bahá’í latino-americana. O estágio de semeadura associado, em sua maior parte, com os trabalhos e viagens daquela alma pura, aquela serva estelar da Fé de Bahá’u’lláh, a incomparável Martha Root, vincula esta década de organizada atividade bahá’í na América Latina com os anos de encerramento da Idade Heróica de nossa Fé e os primeiros quinze anos da época inicial relativa à Era em que vivemos. DUAS ASSEMBLÉIAS NACIONAIS REGIONAIS, UM OBJETIVO VITAL O emergir de comunidades locais organizadas na maioria das repúblicas da América Latina será eternamente associado com o heroísmo que irradiou tamanho esplendor sobre o primeiro estágio do Plano Divino lançado durante os anos finais daquela primeira época da Idade Formativa de nossa Fé. A constituição de duas Assembléias Espirituais Nacionais independentes e devidamente eleitas para as regiões Norte e Sul da América Latina deve ser vista agora como um dos mais vitais objetivos do Segundo Plano de Sete Anos, cuja inauguração coincide com os anos de abertura do segundo século bahá’í e que será associada principalmente com a primeira fase da segunda época daquela Idade. O emergir destas duas Assembléias Nacionais, precursoras das instituições que devem participar da eleição e contribuir para o suporte da Casa Universal de Justiça – a última unidade a coroar o emergir da estrutura da Ordem Administrativa da Fé de Bahá’u’lláh – deve levar gradual e ininterruptamente, e ao longo de períodos sucessivos da Idade Formativa, à constituição, em cada uma

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] das repúblicas das Américas Central e do Sul, de uma Assembléia Nacional devidamente eleita, plenamente representativa, constituindo assim o último estágio na evolução administrativa daquela Fé por toda a América Latina. Para que estas futuras tarefas possam ser executadas com rapidez, eficiência, harmonia e em estrita concordância com os princípios administrativos e espirituais de nossa Fé, os executores latino-americanos do presente Plano de Sete Anos devem focar sua atenção nas exigências do presente momento, cerrar suas fileiras, reforçar os laços de unidade, de solidariedade e de cooperação que os unificam, consagrar a si mesmos individualmente ao sagrado, importantíssimo e vital dever do ensino, manifestar ardorosos esforços em aprofundar seus conhecimentos da história e fundamentos de sua Fé, imergirse no espírito e no amor de seus ensinamentos e adquirir treinamento especial para futuras atividades de pioneirismo por toda a extensão e amplitude do vasto território que se estende desde as fronteiras da grande república ao Norte até o Estreito de Magalhães, no Sul. O processo da constante multiplicação de Assembléias Espirituais, já em número de trinta e sete, de grupos cujos números se igualam aos das Assembléias e de quarenta localidades onde residem crentes isolados, deve vigorosa e ininterruptamente continuar. A incorporação de Assembléias Espirituais bem alicerçadas, seguindo o exemplo apresentado pelas Assembléias Espirituais de São José, na Costa Rica, de Bogotá, na Colômbia e de Assunção, no Paraguai, como preliminares à incorporação das futuras Assembléias Nacionais a serem estabelecidas na América Latina, deve ser vigorosa e eficientemente levada a efeito. Um começo, por mais que modesto, deve ser estabelecido no sentido de instituir Fundos locais, suportados por crentes nativos e destinados a

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CARTAS E MENSAGENS complementar a assistência financeira dada pela comunidademãe na América do Norte, para o apoio à atividade de pioneirismo, para a disseminação da literatura bahá’í, para a manutenção das sedes locais bahá’ís, para a iniciação gradual das dotações bahá’ís, tais como o terreno ofertado para um Templo Bahá’í no Chile, para o suporte de conferências e escolas de verão, para a criação de agências de publicidade e para a condução e expansão de atividades para jovens. Forte e sustentado suporte deve ser dado às atividades, vitalmente necessárias e meritórias, iniciadas pelos instrutores viajantes nativos latino-americanos, particularmente no campo de pioneirismo, os quais, à medida que avança a vigorosa tarefa, devem, de modo crescente, ostentar a força da responsabilidade na propagação da Fé em suas pátrias. Vantagem plena deve ser tirada dos recursos proporcionados pela utilização de cursos práticos intensivos no pioneirismo latino-americano, na Escola Internacional em Temerity Ranch. As duas escolas de verão em Azeiza e Santiago, bem como a planejada em Vera Cruz, devem ser utilizadas não somente como centros para aquisição da erudição bahá’í, mas como bases de treinamento para pioneirismo entre as populações de língua espanhola e portuguesa de todas as repúblicas da América Latina. As conferências regionais realizadas em Buenos Aires e Panamá devem ser seguidas de conferências de caráter similar, em que um número crescente de participantes dentre os grupos de crentes latino-americanos irá assumir uma sempre crescente quota de responsabilidade na iniciação e condução dos afazeres de uma comunidade continuamente em evolução. Um esforço deliberado deve ser feito para aumentar, através do ensino por correspondência e a sua expansão para todos os países de língua espanhola, o número de sustentadores ativos da Fé, tão desesperadamente necessários em virtude da imensidade do

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] campo, as enormes responsabilidades que têm sido incorridas, a pequenez do número de trabalhadores e a brevidade do tempo à sua disposição. Outras atividades, tais como publicidade e anúncios na imprensa, a multiplicação de roteiros para rádio, precisos e melhorados, a extensão dos projetos de ensino através dos comitês regionais de ensino, educação visual e a organização de reuniões públicas, devem ser totalmente utilizadas para atrair a atenção, ganhar a simpatia e assegurar o suporte ativo e sem reservas de uma proporção constantemente crescente da população das diversas repúblicas latino-americanas. As atividades de publicação de uma comunidade em constante crescimento devem ser igualmente estimuladas, a sua abrangência, continuamente ampliada, a qualidade das publicações bahá’ís em espanhol, português e francês, melhoradas, e sua disseminação numa área extensa, assegurada. Os dois boletins em espanhol, aquele já publicado em Santiago e o outro planejado em São José, devem ser igualmente desenvolvidos e amplamente circulados, como um suplemento às publicações bahá’ís. O contato estabelecido com as duzentas e quarenta e quatro lojas maçônicas deve ser reforçado através de contatos similares com escolas, bem como com empresas de negócios, estabelecidas nas diversas repúblicas, com o único propósito de dar mais publicidade à Fé e para ganhar, em última instância, novos recrutas à força de seus seguidores. A IMPORTÂNCIA DOS ÍNDIOS AMERICANOS Uma atenção especial, eu sinto, neste momento, deve ser dirigida às diversas tribos indígenas, os habitantes aborígines das repúblicas latinas, os quais o Autor das Epístolas do Plano Divino comparou aos “antigos habitantes da Península Árabe”.

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CARTAS E MENSAGENS É a Sua admoestação ao corpo integral de crentes nos Estados Unidos e no Domínio do Canadá: “Dai grande importância aos povos indígenas da América. Estas almas podem ser comparadas aos antigos habitantes da Península Árabe que antes da Missão de Muhammad eram como selvagens. Porém, quando a luz de Muhammad resplandeceu entre eles, tornaram-se tão radiantes que iluminaram o mundo. De forma semelhante, se esses indígenas forem educados e orientados, não pode haver dúvida de que eles tornar-se-ão tão iluminados a ponto de iluminarem o mundo todo.”5 O contato inicial já estabelecido, nos anos finais do primeiro centenário bahá’í, em obediência ao Mandato de ‘Abdu’l-Bahá, com os índios cherokee e oneida, na Carolina do Norte e Wisconsin, com os patagônios, os mexicanos, os incas e os maias, na Argentina, México, Peru e Yucatan, respectivamente, deve, conforme as comunidades bahá’ís latino-americanas ganham em desenvolvimento e força, ser consolidado e ampliado. Um esforço especial deve ser empregado para assegurar a incorporação incontestável de membros de algumas destas tribos à Fé, sua subseqüente eleição em seus conselhos e o suporte irrestrito aos empreendimentos organizados que deverão ser realizados no futuro pelas Assembléias Nacionais projetadas, para a conversão em larga escala de raças indígenas à Fé de Bahá’u’lláh. A posição peculiar da República do Panamá não deve ser negligenciada no presente estágio de desenvolvimento da Fé na América Latina. ‘Abdu’l-Bahá, referindo-Se, numa das Suas Epístolas do Plano Divino, às repúblicas da América Central, afirmou: “Todos os países acima mencionados são importantes, mas em especial a República do Panamá, onde os Oceanos

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Atlântico e Pacífico se encontram através do Canal do Panamá. É um ponto de partida e de passagem da América para outros continentes do mundo, e no futuro adquirirá grande importância.”6 Ele, além disto, escreveu: “Deveis semelhantemente dar atenção especial à República do Panamá, porquanto naquele ponto o Ocidente e o Oriente se encontram unidos pelo Canal do Panamá e também por se encontrar situado entre dois grandes oceanos. Aquele local será de grande importância no futuro. Os ensinamentos, uma vez lá estabelecidos, unirão o Leste e o Oeste, o Norte e o Sul.”7 As múltiplas atividades iniciadas desde o lançamento do Primeiro Plano de Sete Anos não devem ser, sob qualquer circunstância, negligenciadas ou permitidas a se estagnarem. A excelente publicidade atendeu a Fé e o contato estabelecido com diversos líderes naquela república deve ser levado avante, sistematicamente e com o máximo cuidado, pela comunidade em crescimento, dentro de suas fronteiras. O contato inicial com os índios deve ser desenvolvido com cuidado assíduo e paciência infalível. Além disso, o fortalecimento dos elos que são agora forjados entre as comunidades norte-americanas e suas comunidades irmãs na América Latina, devem constituir, devido à singular e central posição ocupada por aquela república, um dos objetivos supremos dos crentes panamenhos, o progresso de cujas atividades merece figurar como sendo um dos mais notáveis capítulos da recente história bahá’í latinoamericana. Os valiosos e meritórios trabalhos levados a efeito desde o início do Primeiro Plano de Sete Anos em Punta Arenas de Magalhães, aquele mais longínquo centro situado não somente na extremidade Sul do hemisfério ocidental, mas constituindo

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CARTAS E MENSAGENS o posto setentrional mais longínquo da Fé em todo o mundo, não devem ser por um só momento negligenciados ao longo do segundo estágio no desenvolvimento do Plano Divino. A Assembléia já constituída naquela cidade, a notável publicidade por rádio lá assegurada pelos crentes, a assistência por eles estendida aos trabalhos de ensino em outras partes do Chile, devem ser consideradas somente como um prelúdio ao trabalho de consolidação que deve ser infatigavelmente perseguido. Este trabalho, se devidamente levado a efeito, conjuntamente com as atividades associadas às Assembléias de Santiago, Valparaiso e Viña Del Mar, e dos grupos de Puerto Montt, Valdivia, Quilpue, Temuco, Sewell, Chorrillos, Mulchen e de outros menores, bem como de várias localidades isoladas naquela república, pode também acelerar o advento do dia em que os seguidores chilenos da Fé de Bahá’u’lláh terão estabelecido a primeira Assembléia Nacional independente a ser formada por uma nação individual da América Latina. OS CHAMADOS DE BAHÁ’U’LLÁH AO HEMISFÉRIO OCIDENTAL Quem quer que possa estar entre estas comunidades latinoamericanas que eventualmente levará à palma da vitória e que ganhe esta distinção imortal, deve, sem exceção e com o mesmo zelo, participar deste vasto e coletivo empreendimento em que se está, numa medida continuamente crescente, comprometendo sua atenção e desafiando seus recursos. Deixeos recordar que o Autor de sua Fé, em Seu Kitáb-i-Aqdas, o Livro-Mater de Sua Revelação, destacou a companhia dos presidentes de seus países, juntamente com aqueles do continente norte-americano, e a eles Se dirigiu em termos que categoricamente contrastam com as terríveis advertências e palavras condenatórias dirigidas direta e indiretamente ao rei

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] da Prússia, aos imperadores francês e austríaco e ao sultão da Turquia, os quais, juntamente com aqueles presidentes, são os únicos soberanos e governantes mencionados especificamente por Ele naquele Livro. É Seu chamado que soou naquela poderosa Carta Magna da futura civilização mundial: “Dai ouvidos, ó governantes da América e presidentes das suas Repúblicas ao que chilreia o Pombo no Ramo da Eternidade: ‘Não há outro Deus além de Mim, o Imutável, o Perdoador, o Todo-Generoso’. Adornai o templo da soberania com o ornamento da justiça e do temor a Deus, e sua cabeça com a coroa da lembrança de vosso Senhor, o Criador dos céus. Assim vos aconselha Aquele que é a Aurora dos Nomes, conforme ordenado por Ele, o Conhecedor de tudo, o Onissapiente. O Prometido surgiu nesta Condição excelsa, ante cuja visão regozijaram-se todos os seres, visíveis e invisíveis. Valei-vos do Dia de Deus! Verdadeiramente, conhecê-Lo vos é mais benéfico do que tudo o que se acha sob o brilho do sol, se o apenas pudésseis saber. Ó assembléia de governantes! Prestai ouvidos ao que emanou do Alvorecer da Grandeza: ‘Verdadeiramente, não há outro Deus senão Eu, o Senhor da Expressão, o Onisciente. Reuni vós os alquebrados com as mãos da justiça e esmagai o opressor que viceja, com o bastão dos mandamentos do vosso Senhor, o Ordenador, o Sapientíssimo.’”8 Deixe-os ponderar sobre a honra que o próprio Autor da Revelação escolheu para conferir a seus países, as obrigações que aquela honra traz automaticamente em seu despertar, as oportunidades que oferece, o poder que libera para a remoção de todos os obstáculos que possam ser encontrados em seu caminho, por mais terríveis que sejam, e a promessa de guia

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CARTAS E MENSAGENS que isto implica para a realização dos objetivos aludidos nestas memoráveis passagens. Aos ávidos, de coração bondoso, de mente espiritualizada e firmes membros destas comunidades bahá’ís latino-americanas que, entre os seguidores de Bahá’u’lláh, já constituem o mais considerável corpo de recrutas, oriundos das fileiras da mais profundamente fortificada e poderosa Igreja da Cristandade; cujas pátrias foram escolhidas como cenário das recentes vitórias alcançadas pelos promotores do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá; lançados em sua cruzada para a conquista espiritual do planeta todo; o estabelecimento de cujas Assembléias Espirituais Nacionais idealizadas deve constituir um marco notável na segunda época da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í; cujas Assembléias Espirituais principais estão agora estabelecendo contato direto com o Centro Mundial da Fé de Bahá’u’lláh na Terra Santa; as fotografias de cujos representantes eleitos, em seus centros principais, logo adornarão as paredes de Sua Mansão em Bahjí; de cujos membros uns poucos já se levantaram para restituir a tocha da divina guia, a eles incumbida, aos povos e raças de onde floresceram – a estes privilegiados, estes mais novos, estes dinâmicos e altamente promissores membros da orgânica Comunidade Mundial Bahá’í, eu me sinto impelido, antes de dar término a esta face do meu tema, a dirigir este apelo geral para que se levantem às alturas da gloriosa oportunidade cujo destino está se desdobrando perante seus membros. Sua é a oportunidade, pudessem eles apenas aproveitá-la, para adornarem as páginas de abertura dos anais do segundo centenário bahá’í com uma história de proezas aproximando-se em valor àquelas com que seus irmãos persas iluminaram os anos de abertura do primeiro centenário, e comparáveis com os heroísmos mais recentemente alcançados pelos seus correligionários norte-

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] americanos e que deram abrigo a tamanho brilho na década de encerramento daquele mesmo século. CRUZADA ESPIRITUAL A SER LANÇADA NA EUROPA À quarta, e de longe a mais significativa, a mais árdua, a mais desafiadora tarefa a ser levada adiante sob o Segundo Plano de Sete Anos – o lançamento sistemático de uma cruzada em um poderoso, tormentoso, espiritualmente faminto continente, um continente levado, nos anos recentes através de desenvolvimentos políticos, bem como melhorias em termos de transporte, tão próximo à grande república do Ocidente e constituindo um trampolim no caminho que leva à redenção do Velho Mundo – eu devo agora dirigir à atenção dos meus leitores. Esta cruzada, até agora incomparável e inacreditavelmente potente, iniciada na década de abertura do segundo centenário da Era Bahá’í, sinalizando o começo da segunda época da Idade Formativa da Dispensação de Bahá’u’lláh, e marcando o primeiro estágio na propulsão de um Plano divinamente concebido, através das fronteiras do hemisfério ocidental, deve, à medida que seus passos aumentem, revelar os primeiros sinais e indícios que, conforme antecipados pelo próprio Autor do Plano, deve escoltar a condução da Mensagem de Seu Pai através do oceano, nas mãos de seus “apóstolos”, desde as costas de sua terra natal para o continente europeu. É Sua poderosamente sustentadora, gloriosamente inspiradora promessa: “No momento em que os crentes americanos levarem avante, das plagas da América, esta Mensagem, propagandoa pelos continentes da Europa, da Ásia, da África e Austrália, e até as longínquas ilhas do Pacífico, essa comunidade se

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CARTAS E MENSAGENS verá seguramente estabelecida no trono de um domínio eterno. Então todos os povos do mundo testemunharão que essa comunidade é espiritualmente iluminada e divinamente guiada. Então toda a Terra ressoará com os louvores de sua majestade e grandeza.”9 O primeiro estágio neste campo de serviço transatlântico em que aqueles empenhados na cruzada pela Causa de Bahá’u’lláh no hemisfério ocidental estão agora adentrando é um passo repleto de possibilidades que mente alguma pode adequadamente imaginar. Seu desafio é irresistível e suas potencialidades, incomensuráveis. Seus riscos, rigores e armadilhas são numerosos, seu campo, imenso, o número de seus promotores é até agora absolutamente inadequado, os recursos requeridos para sua realização efetiva mal e mal deram sinal. As raças, nações e classes incluídas em sua órbita são numerosas e altamente diversificadas, e as recompensas a serem conquistadas pelas suas vitórias, incalculavelmente grandiosas. O ódio que inflama, os rivais que agitam, as controvérsias que confundem, as misérias que afligem estas raças, nações e classes são amargas e antigas. A influência e fanatismo, tanto eclesiástico como político, de organizações potencialmente hostis, firmemente fortificadas dentro do baluarte de seus ancestrais são descomunais. Os membros da comunidade bahá’í norte-americana, a cujo cuidado os destinos imediatos desta fatídica cruzada foram confiados, estão parados diante de novas encruzilhadas. Atrás deles está um registro imperecível, breve, porém ilustre, de façanhas realizadas em toda a extensão do hemisfério ocidental. Diante deles se estende um panorama fascinante em seu até agora nebuloso contorno, arrebatador em sua magnitude, alcançando os horizontes longínquos de territórios ainda não conquistados. Eles podem relembrar, desde quando aquela

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] cruzada foi lançada, uma década de início modesto, de trabalhos penosos, de recompensas ricamente meritórias. Eles agora olham adiante, para épocas sucessivas, chegando tão distante quanto as orlas daquela Idade Áurea que há de ser, incandescente à luz das promessas dadas por Deus, destinada a ser percorrida ao custo de incessante trabalho e heróico auto-sacrifício. Eles não podem voltar atrás, nem vacilar, nem mesmo se permitirem desperdiçar tempo. As areias estão escoando, o curto período de seis breves anos que se interpõem entre o presente momento e o término do segundo estágio do empreendimento em que embarcaram expirará em breve. As hostes no alto, tendo dado o sinal, estão impacientes em correr adiante e demonstrar mais uma vez a força irresistível do seu poder. A Europa, dentro dos espasmos do resultado de um conflito horrivelmente devastador, chama desesperadamente, em uma das mais sombrias horas de sua história, por aquele remédio soberano que somente o Plano, concebido por um Médico divinamente apontado, pode administrar. Comunidades irmãs, ao Norte e no coração daquele continente, animadas pelas necessidades, as oportunidades e a gloriosa missão da vanguarda dos expedicionários de Bahá’u’lláh, aportando agora na costa daquele agitado continente, estão ávidas tão somente para reforçar os estupendos esforços necessários para sua derradeira redenção. Não irão, ademais, outras comunidades irmãs, abster-se, por um momento, de estender a mão em ajuda, uma vez que o progresso deste gigantesco movimento agora em deslocamento esteja acelerado. Acima e além deles todos, incansável, eternamente solícito e infalível, está o Piloto de sua embarcação, o Comandante de seu curso, o Fundador de sua companhia espiritual, o Concessor daquela primazia que é o carimbo de seu destino.

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CARTAS E MENSAGENS DESENVOLVENDO FORTALEZAS EM DEZ PAÍSES INICIAIS Os dez países que constituem o primeiro campo de ação onde, nos anos imediatamente a seguir, a bravura destes cruzadores deve ser exibida e em cujas capitais os alicerces da embrionária Ordem da Fé de Bahá’u’lláh devem, preferencialmente, ser inexpugnavelmente assentados, deverão cada um evoluir formando fortalezas das quais as energias dinâmicas daquela Fé possam ser difundidas para territórios vizinhos no decorrer do desdobramento do Plano. Os núcleos que estão agora sendo formados e os grupos que estão começando a emergir devem ser veloz e sistematicamente reforçados, não somente através do envio e estabelecimento de pioneiros e das visitas feitas a estes por instrutores viajantes, mas também através do desenvolvimento progressivo do trabalho de ensino que os próprios pioneiros devem iniciar e cultivar junto à população nativa naqueles países. Qualquer Assembléia criada artificialmente, consistindo de colonizadores vindos do exterior, poderá, na melhor das hipóteses, ser considerada como temporária e insegura, e tão logo o segundo estágio do empreendimento europeu venha a ser iniciado sem demora no futuro, deverá ser suplantado por Assembléias plenamente embasadas, seguramente fundadas e eficientemente em funcionamento, compostas primordialmente pelo povo daqueles próprios países, que estejam firmes na fé, impecáveis em sua lealdade e sinceros em seu suporte à Ordem Administrativa da Fé. Os vinte e cinco pioneiros que já se dirigiram para a Escandinávia e os Países Baixos, para a Península Ibérica, para a Suíça e Itália, devem, no decurso deste ano corrente e enquanto o processo de ensino às populações nativas é inaugurado, ser reforçados por tantos pioneiros quanto possível, e particularmente por aqueles que, tendo recursos

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] próprios, possam eles mesmos ou através dos seus deputados apontados, elevar o número daqueles valentes trabalhadores já em labuta com a mesma devoção naqueles campos. A tradução, publicação e disseminação da literatura bahá’í, seja em forma de folhetos, panfletos ou livros, nas nove línguas selecionadas, devem, à medida do desenvolvimento do trabalho e o correspondente aumento da demanda, ser vigorosamente levadas a efeito, como forma preliminar à sua distribuição gratuita ao público em algumas ocasiões, e a sua apresentação a líderes do pensamento público e às numerosas e famosas bibliotecas estabelecidas naqueles países. Nenhum tempo deve ser perdido no estabelecimento, por menor que este seja, do contato inicial com a imprensa e com outras agências designadas a incitar maior atenção por parte das massas ao histórico trabalho sendo agora iniciado em seus respectivos países. Em vista da necessidade de se assegurar o desenvolvimento harmônico da Fé, nenhuma oportunidade que seus potenciais inimigos possam oferecer, sejam estes de origem eclesiástica ou de outra qualquer, deve ser ignorada, para levar adiante, numa linguagem discreta e respeitosa, seus propósitos e princípios, para defender seus interesses, para proclamar sua universalidade, para asseverar a característica sobrenatural, supranacional e apolítica de suas instituições, e sua aceitação da origem divina das Fés que a precederam. Nem devem ser perdidas quaisquer oportunidades em associar a Fé, e não afiliála, a todas instituições progressivas, apolíticas, não-eclesiásticas, sejam estas sociais, educacionais ou caritativas, cujos objetivos se harmonizam com alguns de seus princípios, e entre cujos membros e apoiadores individuais possam ser encontrados aqueles que eventualmente abracem sua verdade. Atenção particular deve também ser dada à participação em congressos

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CARTAS E MENSAGENS e conferências, e à quaisquer contatos que possam ser mantidos com faculdades e universidades que ofereçam um campo fértil para a dispersão das sementes da Fé e que proporcionem oportunidades para a difusão de sua mensagem, e a fim de ganhar novos recrutas para seu apoio. Não deve ainda qualquer ocasião ser negligenciada pelos pioneiros de participarem, se as suas circunstâncias pessoais assim o permitirem, nas escolas de verão, tanto britânicas como alemãs, bem como de forjar vínculos com estas instituições, pois, não somente os assistirão no desempenho de seus deveres, mas os habilitarão a iniciarem, quando o tempo for propício, uma instituição de caráter similar, sob a proteção do Comitê de Ensino Europeu – uma instituição que será a precursora das escolas de verão que deverão ser fundadas em separado pelas futuras Assembléias em seus respectivos países. Sobretudo, qualquer assistência que as duas Assembléias Espirituais Nacionais, já estabelecidas naquele continente, e seus comitês auxiliares, e particularmente suas agências de publicação, possam estender, deve ser gratamente bem-vinda e totalmente utilizada, até o momento em que as instituições destinadas a se desenvolverem nestes países possam assumir independentemente a condução de seus próprios afazeres. Um constante intercâmbio de notícias entre os centros, através dos canais de comunicação do Boletim de Genebra, cuja abrangência deve ser constantemente ampliada, assim como o estreito contato entre estes, através do escritório europeu do Comitê de Ensino Europeu, funcionando como um adjunto ao Departamento Internacional Bahá’í, deve, além disso, ser mantido e reforçado, toda vez que as circunstâncias estiverem favoráveis, mediante a convocação de conferências, que juntarão tantos pioneiros quanto possível, trabalhando nestes dez países, e crentes recém-convertidos, o tanto quanto

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] possível, permitindo-os considerar seus planos em conjunto, seus problemas e atividades, combinar medidas para o progresso da Fé naquele continente e pavimentar o caminho para a futura formação de Assembléias Nacionais regionais, que devem preceder a constituição de instituições nacionais separadas e independentes em cada um destes países. Tais escolas de verão e conferências, iniciadas e conduzidas por uma das mais importantes agências da mais alta instituição administrativa na comunidade bahá’í norte-americana, reunindo-se, como farão, representantes bahá’ís de diversas raças e nações no continente europeu, irão, devido à sua característica sem precedente na evolução da Fé, desde o seu princípio, constituir um marco histórico no desenvolvimento da comunidade orgânica mundial bahá’í e será o arauto daquelas conferências mundiais que marcam época, em que os representantes das nações e raças dentro do contexto bahá’í irão conveniar-se para o fortalecimento dos laços espirituais e administrativos que unem seus membros. INAUGURANDO SEDES NACIONAIS E ADAPTANDO MÉTODOS DE ENSINO Um começo, mesmo que limitado em abrangência, deve ser garantido, antes que o presente estágio do Plano Divino chegue a um fechamento, direcionado em estabelecer sedes administrativas condizentes para as comunidades que despontam e suas Assembléias projetadas nas cidades capitais de Estocolmo, Oslo, Copenhague, Haia, Bruxelas, Luxemburgo, Madri, Lisboa, Roma e Berna, através da locação de locais adequados que, no decurso do tempo, devem levar à construção ou aquisição, em cada uma destas capitais, de um

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CARTAS E MENSAGENS Hazíratu’l-Quds, como uma sede futura para Assembléias Espirituais nacionais independentes, eleitas. Um início experimental, porém, estritamente falando, excluído do escopo do presente Plano, deve, eu sinto, ser realizado, antes que os seis anos que restam tomem seu rumo, visando formar em cada um dos dez países designados um certo número de núcleos, mesmo que escassos e instáveis, que proclamarão a todo o mundo bahá’í a habilidade dos executores do Plano em exceder o dever a eles incumbido, da mesma forma que superaram, na América Latina, as metas que originalmente estabeleceram para si mesmos. Tal feito, caso cumprido, concederia ao meu sobrecarregado coração uma alegria que igualaria os muitos consolos que uma comunidade ternamente amada fez chover sobre mim, no passado, através de seus notáveis atos, tanto em sua terra natal como no estrangeiro, desde a ascensão de ‘Abdu’l-Bahá. Nem devem quaisquer dos pioneiros, neste estágio inicial na edificação das comunidades bahá’ís nacionais, negligenciar o pré-requisito fundamental para qualquer empreitada de ensino bem-sucedida, que é o de adaptar a apresentação dos princípios fundamentais de sua Fé às bases culturais e religiosas, as ideologias e o temperamento das diversas raças e nações às quais são chamados a iluminar e atrair. As susceptibilidades dessas raças e nações, tanto de climas setentrionais como meridionais, brotando da linhagem germânica ou latina, pertencendo a comunidades católicas ou protestantes, alguns democráticos, outros de ponto de vista totalitário, alguns socialistas, outros capitalistas em suas tendências, diferindo amplamente em seus costumes e padrões de vida, devem em todos os tempos ser cuidadosamente considerados, e sob nenhuma circunstância, negligenciados.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Estes pioneiros, nos seus contatos com membros dos diversos credos, raças e nações, cobrindo uma extensão que não oferece paralelo, seja nos continentes ao Norte como ao Sul, não devem nem antagonizar com estes nem comungar com seus princípios essenciais. Não devem ser nem provocativos nem indolentes, nem fanáticos nem excessivamente liberais em suas exposições das características distintivas e fundamentais de sua Fé. Devem ser tanto cautelosos como audaciosos, devem agir com rapidez ou dar o tempo devido, devem usar métodos diretos ou indiretos, devem ser desafiadores ou conciliadores, em concordância estrita com a receptividade da alma com a qual entram em contato, seja este um nobre ou um homem do povo, do norte ou do sul, um leigo ou um douto, um capitalista ou um socialista, um estadista ou um príncipe, um artesão ou um mendigo. Em sua apresentação da Mensagem de Bahá’u’lláh eles não devem hesitar nem vacilar. Não deverão ser nem desdenhosos com os pobres nem tímidos perante os grandiosos. Em suas exposições sobre as verdades desta, não devem nem superestimar nem talhar a verdade que advogam, pertença seu ouvinte à realeza, ou seja, ele um príncipe da igreja, um político, um mercador ou um homem da rua. A todos, do mesmo modo, alto ou baixo, rico ou pobre, devem eles oferecer, com as mãos abertas, com o coração radiante, com língua eloqüente, com paciência infinita, com lealdade inflexível, com grandiosa sabedoria, com coragem inabalável, o Cálice da Salvação numa hora tão crítica, aos confusos, famintos, a multidões distraídas e temerosas, ao norte, no oeste, no sul e no coração daquele continente extremamente provado.

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CARTAS E MENSAGENS A EUROPA SENTE OS SINAIS DA REVOLUÇÃO ESPIRITUAL O segundo século da Era Bahá’í alvoreceu. O segundo estágio do Plano Divino foi lançado. A segunda época da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í se abriu. A tragédia de um continente tão abençoado, tão rico em história, tão atormentado, está rumando em direção ao clímax. A vanguarda dos porta-tochas de uma civilização mundial libertadora está desembarcando em suas costas e estabelecendo-se em suas capitais. Uma época se iniciou, inaugurando a conquista sistemática do continente europeu pelo corpo organizado dos “apóstolos de Bahá’u’lláh”, destinados a desvendar as suas potencialidades, ao longo dos séculos a seguir, e prometendo eclipsar o esplendor daquelas eras passadas que testemunharam com sucesso a introdução da Fé Cristã nas regiões ao Norte do continente, o florescimento da cultura islâmica que irradiou tamanho esplendor na extensão das suas costas ao Sul e o nascer da Reforma em seu próprio coração. O palco está preparado. A hora é propícia. O sinal foi dado. Os batalhões espirituais de Bahá’u’lláh estão tomando posição. O choque inicial entre as forças da escuridão e o exército de luz, tão desapercebido quanto o desembarque, dois milênios atrás, dos apóstolos de Cristo nas costas ao Sul do continente europeu, é registrado pelos habitantes do Reino de Abhá. O Autor do Plano que colocou em movimento tão titânico empreendimento está, Ele próprio, cavalgando à frente destes batalhões e os lidera para capturar as cidades dos corações dos homens. Um continente duas vezes abençoado pelas sucessivas visitas de ‘Abdu’l-Bahá às suas costas e o cenário de Sua primeira aparição pública no Ocidente; que foi o berço de uma civilização a cujas algumas de suas características benéficas a pena de Bahá’u’lláh prestou tributo significativo; sobre cujas

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] terras tanto as civilizações grega e romana nasceram e floresceram; que contribuiu tão ricamente para o desenvolvimento da civilização americana; o manancial da cultura americana; a mãe da Cristandade e o cenário das mais notáveis façanhas dos seguidores de Jesus Cristo; em alguns de cujos afastados territórios conquistaram-se algumas das mais resplandecentes vitórias que anunciaram a Idade Áurea do Islã; que sustentou no âmago de seu coração o violento impacto da investida das hostes daquela Fé, na intenção de subjugar suas cidades, mas que recusaram em se curvar aos seus invasores e que no final teve sucesso em repelir seu assalto – tal continente está agora experimentando, nas mãos do pequeno, por ora um grupo de pioneiros desapercebidos enviados pela invejada, privilegiada, dinâmica comunidade bahá’í americana, os primeiros sinais daquela revolução espiritual que deverá culminar, na Idade Áurea que por enquanto ainda não nasceu, no estabelecimento permanente da Ordem de Bahá’u’lláh em todo aquele continente. PLANO DIVINO DESAFIA CRENTES NORTE-AMERICANOS Uma palavra em conclusão àquelas a quem as Epístolas de tão estupendo Plano foram dirigidas, a cujo cuidado os destinos de tão maravilhoso empreendimento foram entregues e de quem tão titânicos esforços são agora necessários. Eu não posso fazer nada melhor que evocar, nem posso eu suficientemente enfatizar, ou abster-me de citar novamente, aquelas inspiradoras e significativas passagens que iluminam as páginas das Epístolas de ‘Abdu’l-Bahá que marcaram época. Em uma destas Epístolas, dirigidas aos crentes nos estados do Nordeste, estas pesadas e altamente significativas palavras estão registradas:

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CARTAS E MENSAGENS “Todos os países, aos olhos do Deus uno e verdadeiro, são um só país, e todas as cidades e aldeias estão em iguais condições... Porém, através da fé e certeza, e a precedência de um sobre o outro, o habitante concede honra à morada, alguns países se distinguem e atingem uma posição proeminente. Por exemplo, a despeito do fato de alguns países da Europa e América distinguirem-se e superarem outros países quanto à salubridade do clima, a pureza da água, pelo encanto das montanhas, planícies e prados, contudo, mesmo assim a Palestina veio a se tornar a causa de glória de todas as nações, já que todos os santos e divinos Manifestantes, desde o tempo de Abraão até o aparecimento do Selo dos Profetas (Muhammad), lá viveram, para lá migraram ou por lá viajaram. De forma semelhante, Meca e Medina alcançaram glória ilimitada, uma vez que a luz da Manifestação brilhou daquele horizonte. Por essa razão, Palestina e Hijáz destacaram-se entre todos os outros países.”10 É Sua extraordinária manifestação: “Igualmente, o continente americano é, aos olhos do Deus uno e verdadeiro, a terra onde os esplendores de Sua luz hão de ser revelados, onde os mistérios de Sua Fé serão desvelados, onde os justos subsistirão e os livres se reunirão.”11 Àqueles de Seus seguidores, habitando naquele invejável e abençoado continente, Ele escolheu endereçar estas não menos inspiradoras palavras, conforme registradas em uma daquelas Epístolas reveladas em honra aos crentes dos Estados Unidos e Canadá: “Ó vós apóstolos de Bahá’u’lláh! Que minha vida seja um sacrifício a vós!... Contemplai os portais que Bahá’u’lláh abriu diante de vós! Considerai quão excelsa e sublime é a

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] condição a que fostes destinados atingir, quão incomparáveis são os favores com os quais fostes dotados... Meus pensamentos estão direcionados a vós e meu coração se agita dentro de mim mediante vossa menção. Se soubésseis como minha alma arde com vosso amor, tão grande felicidade inundaria vossos corações que vos tornaríeis enamorados uns pelos outros.”12 Ele, em outra Epístola, dirigiu à companhia inteira de Seus seguidores no continente norte-americano estas palavras proféticas: “A medida completa de vosso sucesso ainda permanece oculta e sua importância, desconhecida. Dentro em breve testemunhareis, com vossos próprios olhos, quão brilhantemente cada um de vós, tal como uma estrela esplendorosa, irradiará a luz da guia divina no firmamento de seu país e conferirá ao seu povo a glória da vida eterna... Espero fervorosamente que, num futuro próximo, a Terra inteira seja impulsionada e sacudida com o fruto de vossas realizações. Portanto, a esperança que ‘Abdu’l-Bahá nutre por vós é que o mesmo sucesso que vem acompanhando vossos esforços na América possa coroar vossos empenhos em outras partes do mundo, e que através de vós a celebridade da Causa de Deus possa ser difundida por todo o Oriente e o Ocidente, e o advento do Reino do Senhor das Hostes, proclamado por todos os cinco continentes do globo. No momento em que os crentes americanos levarem avante, das plagas da América, esta Mensagem Divina, propagando-a pelos continentes da Europa, da Ásia, da África e Austrália, e até as longínquas ilhas do Pacífico, essa comunidade se verá seguramente estabelecida no trono de um domínio eterno. Então todos os povos do mundo testemunharão que essa comunidade é espiritualmente

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CARTAS E MENSAGENS iluminada e divinamente guiada. Então toda a Terra ressoará com os louvores de sua majestade e grandeza... Sabei com certeza que qualquer reunião em que entrardes, as ondas do Espírito Santo sobre ela se encapelarão e a graça celestial da Abençoada Beleza a envolverá... Ó se eu pudesse viajar, ainda que a pé e na máxima pobreza, a essas regiões e, erguendo o chamado de ‘Yá Bahá’u’l-Abhá’ em cidades, aldeias, montanhas, desertos e oceanos, promover os ensinamentos divinos! Isso, infelizmente, eu não posso fazer. Quão intensamente eu lamento! Apraza a Deus que vós o possais fazer... Até agora tendes sido infatigáveis em vosso trabalho. Que doravante vosso esforço aumente mil vezes. Convocai os povos desses países, capitais, ilhas, grupos e igrejas a entrarem no Reino de Abhá. O âmbito de vosso esforço deve ser ampliado. Quanto mais ampla a sua abrangência, maior será a evidência da assistência divina.”13 DESAPEGO DO MUNDO FÍSICO ‘Abdu’l-Bahá observa, não menos significativamente, em outra dessas Epístolas: “É chegada a hora de vos despojardes das vestes do apego a este mundo que perece, desligar-vos totalmente deste mundo físico, tornar-vos anjos celestiais e viajar por todas estas regiões. Juro por Ele, além do Qual não há outro Deus, que cada um de vós se tornará um Isráfíl da Vida, insuflando o Sopro da Vida nas almas dos outros.”14 E finalmente, esta gloriosa promessa em outra daquelas Epístolas imortais: “Se o sucesso coroar vosso empreendimento, a América tornar-se-á seguramente um centro de onde emanarão as

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] ondas do poder espiritual e o trono do Reino de Deus será estabelecido com a plenitude de sua majestade e glória.”15 Em uma das primeiras Epístolas dirigidas por Ele aos crentes americanos, estas igualmente significativas palavras foram escritas: “Se vós fordes verdadeiramente unidos, se vós concordardes em promover aquilo que é o propósito essencial e mostrardes um amor todo-unificador, eu juro por Ele, Quem faz a semente partir-se e a brisa soprar, tão magnânima luz irá brilhar de vossas faces, a ponto de alcançar o mais alto céu, a fama de vossa glória irá ressoar amplamente, as evidências de vossa preeminência espalhar-se-ão por todas as regiões, seu poder irá penetrar a realidade de todas as coisas, seus objetivos e propósitos irão manifestar sua influência sobre as grandes e poderosas nações, seus espíritos envolverão todo o mundo da existência e vos descobrireis serem reis nos domínios do Reino, ornados com as gloriosas coroas do Reino invisível, tornar-vos-eis os marechais do exército da paz e príncipes das forças da luz, estrelas brilhando do horizonte da perfeição e lâmpadas brilhantes derramando seu esplendor sobre os homens.” CONTRIBUIÇÃO DO OCIDENTE PARA A ORDEM MUNDIAL À luz destes incandescentes tributos, estas esperanças ardentes, estas promessas comoventes, registradas pela pena do Centro do Convênio, é surpreendente descobrir que Ele próprio, o Autor do Convênio, antecipando a enorme contribuição que o Ocidente está destinado a fazer para o estabelecimento de Sua Ordem Mundial, tenha feito tamanha momentosa afirmação em Seus escritos:

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CARTAS E MENSAGENS “No Oriente irrompeu a luz de Sua Revelação; no Ocidente, os sinais de Seu domínio apareceram. Ponderai isto em vossos corações, ó povo, e não sejais daqueles que se fingiram de surdo às admoestações dAquele que é o Todo-Poderoso, o Todo-Louvado.”16 O próprio ‘Abdu’l-Bahá, confirmando Ele mesmo esta afirmação, escreveu: “Desde o princípio dos tempos até a presente data, a luz da Revelação Divina ergueu-se no Oriente e irradiou sua luz sobre o Ocidente. A luz assim irradiada, no entanto, adquiriu um esplendor extraordinário no Ocidente. Considerai a Fé proclamada por Jesus. Embora tenha aparecido primeiro no Oriente, a plena medida de suas potencialidades, porém, só se manifestou quando sua luz foi irradiada sobre o Ocidente.” “Aproxima-se o dia em que testemunhareis como, através do esplendor da Fé de Bahá’u’lláh, o Ocidente terá tomado o lugar do Oriente, irradiando a luz da guia divina.” “O Ocidente adquiriu iluminação do Oriente, mas em alguns aspectos o reflexo da luz foi maior no Ocidente.” “...O Oriente foi verdadeiramente iluminado com a luz do Reino. Dentro em breve esta mesma luz haverá de emitir uma iluminação ainda maior através da potência dos ensinamentos de Deus e suas almas serão iluminadas pelo fogo imorredouro de Seu amor.”17 Investida, entre suas comunidades irmãs no Oriente e Ocidente, com a primazia conferida sobre este pelo Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá; armada com as provisões mandatárias de Suas Epístolas momentosas; equipada com a ação de uma Ordem Administrativa de um quarto de século de vida, cuja estrutura foi por este edificada e consolidada; encorajada pelo maravilhoso sucesso alcançado pelas suas comunidades filhas

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] através das Américas, um sucesso que selou o triunfo do primeiro estágio daquele Plano; lançada numa campanha de dimensões maiores, de méritos superiores, de potencialidades de maior peso, que ninguém mais até agora iniciou, uma campanha destinada a multiplicar sua descendência espiritual em terras distantes e entre as diversas raças, a comunidade do Nome Supremo no continente norte-americano deve levantarse, como nunca antes em sua história, e demonstrar novamente sua capacidade de realizar tais proezas dignas de seu alto chamado. Seus membros, os executores do Plano de ‘Abdu’lBahá, os construtores-campeões da Ordem embrionária de Bahá’u’lláh, os portadores da tocha de uma civilização que envolve o mundo, devem, nos anos imediatamente a seguir, apressar-se e, tal como ordenado por ‘Abdu’l-Bahá, “aumentar” seus esforços “mil vezes”, revelar novos horizontes na “extensão” de suas “realizações futuras” e de sua “indizivelmente gloriosa” missão, e apressar o dia em que, tal qual por Ele profetizado, sua comunidade “se verá seguramente estabelecida no trono de um domínio eterno”, quando “toda a Terra” será agitada e estremecida pelos resultados de suas “realizações” e “ressoará com os louvores de majestade e grandeza”, quando a América “tornar-se-á um centro de onde emanarão as ondas do poder espiritual e o trono do Reino de Deus será firmemente estabelecido com a plenitude de sua majestade e glória”. Em cada estado dos Estados Unidos, em cada província do Domínio do Canadá, em cada república da América Latina, em cada um dos dez países europeus aos quais suas inescapáveis responsabilidades insistentemente chamam, esta comunidade, tão abençoada no passado, tão promissora no presente, tão deslumbrante no seu destino futuro, deve, se quiser proteger seu inestimável direito inato e realçar sua herança, avançar com igual zelo, com cautela inesgotável, com coragem indomável,

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CARTAS E MENSAGENS com energia sem descanso, até que o presente estágio de sua missão seja triunfantemente concluído. OS MECANISMOS DE DOIS PROCESSOS SIMULTÂNEOS Como poderia esta comunidade ser privada de um direito inato ou frustrar sua herança, quando o país donde brotou a maioria de seus membros, a grande república do Ocidente, governo e povo igualmente, está por si próprio, através de experimentação e tentativa, vagarosamente, penosamente, involuntária e irresistivelmente avançando em direção à meta a ele destinada por Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá? De fato, se lermos corretamente os sinais dos tempos e avaliarmos corretamente os significados dos eventos contemporâneos que estão impulsionando tanto a comunidade bahá’í americana como a nação da qual ela faz parte no caminho que as lidera ao seu derradeiro destino, não podemos fracassar em perceber os mecanismos de dois processos simultâneos, gerados num período tão distante quanto os anos concludentes da Idade Heróica de nossa Fé, cada um claramente definido, cada um distintamente separado, no entanto proximamente correlatos e destinados a culminar, na plenitude do tempo, em uma única e gloriosa realização. Um destes processos está associado com a missão da comunidade bahá’í americana, o outro, com o destino da nação americana. O primeiro serve diretamente aos interesses da Ordem Administrativa da Fé de Bahá’u’lláh, o outro promove indiretamente as instituições que serão associadas com o estabelecimento de Sua Ordem Mundial. O primeiro processo data à revelação daquelas Epístolas estupendas constituindo a Carta Magna do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá; foi mantido suspenso por quase vinte anos, enquanto a estrutura de uma

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Ordem Administrativa indispensável, designada como um organismo divinamente ordenado para a operação daquele Plano, era construída. Registrou seu sucesso inicial com a triunfante conclusão do primeiro estágio de sua operação nas repúblicas do hemisfério ocidental. Sinalizou a abertura da segunda fase do seu desenvolvimento através da inauguração da presente campanha de ensino no continente europeu. Deve passar para o terceiro estágio de sua evolução com o início do Terceiro Plano de Sete Anos, designado a culminar no estabelecimento da estrutura da Ordem Administrativa em todos os Estados soberanos e principais dependências remanescentes do globo. Deve atingir o término da primeira época de sua evolução com o cumprimento da profecia referida por Daniel no último capítulo de Seu Livro, relativo ao ano 1335, e associado por ‘Abdu’l-Bahá com o triunfo da Fé de Seu Pai. Será consumado através do emergir da Comunidade Mundial Bahá’í de Nações na Idade Áurea da Dispensação Bahá’í. O outro processo data do romper da primeira Guerra Mundial, que lançou a grande república do Ocidente no turbilhão do primeiro estágio de um levante mundial. Recebeu seu ímpeto inicial através da formulação dos Catorze Pontos do presidente Wilson, estreitamente associando pela primeira vez aquela república com os destinos do Velho Mundo. Sofreu seu primeiro revés através da dissociação daquela república da recém-nascida Liga de Nações que aquele mesmo presidente tinha trabalhado para criar. Adquiriu expressão adicional com o romper da segunda Guerra Mundial, impondo sofrimento sem precedente sobre aquela república, envolvendo-a ainda mais nos acontecimentos de todos os continentes do globo. Foi mais adiante reforçado mediante a declaração incorporada na Carta do Atlântico, proclamada por um dos seus principais

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CARTAS E MENSAGENS progenitores, Franklin D. Roosevelt. Assumiu um perfil definitivo com o nascimento das Nações Unidas na Conferência de São Francisco. Adquiriu significado adicional através da escolha da própria Cidade do Convênio como sede da recémnascida organização, através da recente declaração feita pelo presidente americano, relativa aos comprometimentos de seu país na Grécia e na Turquia, bem como através da submissão à Assembléia Geral das Nações Unidas, do espinhoso e desafiador problema da Terra Santa, o centro espiritual bem como administrativo da Fé Mundial de Bahá’u’lláh. Isso deve, apesar de ser longo e tortuoso o caminho, levar, através de uma série de vitórias e derrotas, à unificação política dos hemisférios oriental e ocidental, ao emergir de um governo mundial e ao estabelecimento da Paz Menor, conforme predito por Bahá’u’lláh e prenunciado pelo Profeta Isaías. Deve, no final, culminar com o desfraldar do estandarte da Paz Máxima, na Idade Áurea da Dispensação de Bahá’u’lláh. UM PARALELO ENTRE A COMUNIDADE BAHÁ’Í AMERICANA E A REPÚBLICA AMERICANA Não poderia ser ainda traçado um paralelo mais próximo entre a comunidade apontada para a execução deste Plano de âmbito mundial, em sua relação com suas comunidades irmãs, e a nação da qual faz parte, nas relações desta com as suas nações irmãs? De um lado está uma comunidade que desde o seu nascimento tem sido nutrida no colo de ‘Abdu’l-Bahá e amorosamente treinada por Ele através da revelação de inúmeras Epístolas, através do despacho de sucessivos e especiais mensageiros, e através de Sua própria prolongada visita ao continente norte-americano no ocaso de Sua vida. Foi para os membros desta comunidade, os descendentes espirituais dos

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] rompedores da alvorada da Idade Heróica de nossa Fé, que Ele, durante Sua curta permanência na Cidade do Convênio, escolheu revelar as implicações daquele Convênio. Foi nas vizinhanças dos primeiros centros estabelecidos dessa comunidade que Ele, com Suas próprias mãos, assentou a pedra fundamental do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do mundo ocidental. Foi para os membros desta comunidade que Ele subseqüentemente endereçou Suas Epístolas do Plano Divino, investindo-a com primazia espiritual e apontando-a para uma missão gloriosa entre suas comunidades irmãs. Foi esta comunidade que ganhou a honra imortal de ser a primeira a introduzir a Fé nas Ilhas Britânicas, na França e na Alemanha, e que mandou seus consagrados pioneiros e instrutores para a China, Japão e Índia, para a Austrália e Nova Zelândia, para a Península dos Bálcãs, para a África do Sul, para a América Latina, para os Estados Bálticos, para a Escandinávia e as ilhas do Pacífico, erguendo deste modo seu estandarte na grande maioria dos países conquistados à sua causa, tanto no Oriente como no Ocidente, antes da ascensão de ‘Abdu’l-Bahá. Foi esta comunidade, o berço e o baluarte da Ordem Administrativa da Fé de Bahá’u’lláh, que, na manhã do dia da ascensão de ‘Abdu’l-Bahá foi a primeira entre todas as outras comunidades bahá’ís no Oriente e Ocidente a levantar-se e defender a causa daquela Ordem, a fixar seus padrões, a edificar sua estrutura, a iniciar suas dotações, a estabelecer e consolidar suas instituições subsidiárias e a vindicar seus objetivos e propósitos. A ela pertence a distinção única de ter construído, no coração do continente norte-americano, o primeiro Mashriqu’l-Adhkár do Ocidente, o mais sagrado edifício já erigido pelas mãos dos seguidores de Bahá’u’lláh tanto no hemisfério oriental como no ocidental. Foi através dos perseverantes e incansáveis trabalhos realizados pelos mais

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CARTAS E MENSAGENS distintos e consagrados entre seus instrutores itinerantes que o devotamento da realeza à Causa de Bahá’u’lláh foi conquistada e de maneira inequívoca proclamada em sucessivos testemunhos, escritos pela própria realeza convertida. Aos seus membros, à vanguarda dos portadores da tocha da futura civilização mundial, devem, além disso, ser designadas as glórias imperecíveis de terem lançado e concluído com sucesso o primeiro estágio do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá, nos anos conclusivos do primeiro centenário bahá’í, estabelecendo assim a base estrutural da Ordem Administrativa da Fé em todas as repúblicas das Américas Central e do Sul. É esta mesma comunidade que está mais uma vez conquistando a palma da vitória através do lançamento, na primeira década do segundo centenário da Era Bahá’í, do segundo estágio daquele mesmo Plano, destinado a assentar as fundações da Ordem Administrativa Bahá’í em não menos de dez Estados soberanos no continente europeu, compreendendo os Estados da Escandinávia, os Países Baixos, os Estados da Península Ibérica, Suíça e Itália. E finalmente, aos seus empreendedores membros devem ser outorgados a exclusiva honra e privilégio de terem se levantado, em incontáveis ocasiões e por um período superior a um quarto de século, para vencer a causa dos oprimidos e perseguidos entre seus irmãos na Pérsia, no Egito, na Rússia, no Iraque e na Alemanha, para estender uma generosa mão no auxílio aos necessitados entre eles, para defender e salvaguardar os interesses de suas instituições e para advogar sua causa perante adversários políticos e eclesiásticos. Por outro lado é uma nação que atingiu ascendência incontestável na totalidade do hemisfério ocidental, a cujos governantes, singularmente honrados, dirigiu-Se o Autor da Revelação Bahá’í em Seu Kitáb-i-Aqdas; a qual foi aclamada por ‘Abdu’l-Bahá como o “lar dos justos e o lugar de reunião

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] dos livres”, onde os “esplendores de Sua luz serão revelados, os mistérios de Sua Fé, desvelados” e, pertencendo a um continente que, conforme registrado por aquela mesma pena, “dá sinais e evidências de grande progresso”, cujo “futuro é ainda mais promissor”, cuja “influência e iluminação são de ampla projeção” e que “espiritualmente liderará todas as nações”. Além disso, é a esta grande república do Ocidente que o Centro do Convênio de Bahá’u’lláh referiu-Se como a nação que “desenvolveu poderes e capacidades maiores e mais poderosas do que outras nações”, e que “está equipada e tem o poder de consumar aquilo que há de adornar as páginas da história, para se tornar a inveja do mundo e ser abençoada no Oriente e no Ocidente pelo triunfo de seu povo”. É devido a esta mesma democracia americana que Ele expressou Sua fervorosa esperança que pudesse ser “a primeira nação a estabelecer os fundamentos do entendimento internacional”, “a proclamar a unidade do gênero humano” e “a erguer o Estandarte da Suprema Paz”, que possa se tornar “o centro de difusão da iluminação espiritual, e o mundo inteiro receba esta bênção celestial” e que seus habitantes “se elevem acima desta atual realização material e atinjam tais alturas que a iluminação celestial possa se projetar deste centro para todos os povos do mundo”. Em relação a seu povo Ele afirmou que este “de fato merece ser o primeiro a construir o Tabernáculo da Paz Maior e proclamar a unidade do gênero humano”. OS ESTADOS UNIDOS SÃO EVIDENTEMENTE ABENÇOADOS Esta nação tão evidentemente abençoada, ocupando tão eminente e responsável posição num continente tão maravilhosamente dotado, foi a primeira entre as nações do Ocidente a ser aquecida e iluminada pelos raios da Revelação

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CARTAS E MENSAGENS de Bahá’u’lláh, logo após a proclamação de Seu Convênio no amanhecer de Sua ascensão. Esta nação, além disso, pode bem reivindicar, como resultado de sua efetiva participação tanto na primeira como na segunda guerra mundial, ter restabelecido o equilíbrio, salvado a humanidade dos horrores da devastação e derramamento de sangue envolvidos no prolongamento das hostilidades, e de ter contribuído decisivamente, no desdobramento do último conflito, na derrubada dos expoentes das ideologias fundamentalmente em divergência com os princípios universais de nossa Fé. Ao seu presidente, o imortal Woodrow Wilson, deve-se atribuir honra única, entre os estadistas de qualquer nação, tanto do Oriente como do Ocidente, por ter expressado sentimentos tão semelhantes aos princípios que animam a Causa de Bahá’u’lláh, e de ter, mais do que qualquer outro líder mundial, contribuído para a criação da Liga das Nações – façanhas que a pena do Centro do Convênio de Deus aclamou como a sinalização do alvorecer da Suprema Paz, cujo sol, de acordo com aquela mesma pena, deverá forçosamente se erguer como conseqüência direta da execução das leis da Dispensação de Bahá’u’lláh. À posição sem paralelo alcançada por um presidente tão proeminente da União Americana, num período anterior, numa conjuntura tão crítica em assuntos internacionais, deve ser acrescentada agora a esplêndida iniciativa tomada em anos recentes pelo governo americano, culminando no nascimento do sucessor daquela Liga em São Francisco, e o estabelecimento de sua sede permanente na cidade de Nova Iorque. Tampouco podem as preponderantes influências exercidas por esta nação nos conselhos do mundo, o extraordinário poder econômico e político que controla, o prestígio de que goza, a riqueza da qual dispõe, o idealismo que anima seu povo, sua magnificente

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] contribuição, como resultado de seu poder produtivo sem paralelo, para o alívio do sofrimento humano e a reabilitação de povos e nações, ser negligenciados numa avaliação quanto à posição que detém e que a distingue das suas nações irmãs, tanto no mundo novo como no velho. TRIBULAÇÕES SÃO INEVITÁVEIS Muitos e diversificados são os retrocessos e os reveses que esta nação, tão grandemente exaltada por ‘Abdu’l-Bahá, e ocupando no momento uma posição tão singular entre as nações contemporâneas, deve, infelizmente, sofrer. O caminho que a lidera a seu destino é longo, espinhoso e tortuoso. O impacto de diversas forças sobre a estrutura e o sistema de governo daquela nação será tremendo. Tribulações, numa escala sem precedentes em sua história e calculadas para purgar suas instituições, para purificar os corações de seu povo, para fundir seus elementos constituintes e para consolidá-la em uma única entidade juntamente com suas nações irmãs em ambos os hemisférios, são inevitáveis. Em uma das Epístolas mais notáveis reveladas por ‘Abdu’lBahá, passagens das quais já foram citadas em ocasiões anteriores, escritas no ocaso de Sua vida, logo após o término da Primeira Guerra Mundial, Ele antecipa, em frases sucintas e agourentas, as sucessivas ebulições que devem afligir a humanidade, e cuja plena força a nação americana deve, se seu destino tem de ser cumprido, inevitavelmente experimentar. Ele escreveu: “Estes males dos quais o mundo agora sofre multiplicarse-ão; o desalento que o envolve aumentará. Os Bálcãs permanecerão descontentes. Sua inquietação aumentará. Os poderes conquistados continuarão a perturbar. Valer-se-ão

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CARTAS E MENSAGENS de qualquer meio que possa reacender a chama da guerra. Movimentos recém-nascidos e de âmbito mundial envidarão o máximo esforço para a promoção de seus desígnios. Os Movimentos da Esquerda adquirirão grande importância. Sua influência se espalhará.”18 A agitação na Península dos Bálcãs; a atividade febril na qual a Alemanha e a Itália desempenharam papéis desastrosos, culminando com o romper da segunda Guerra Mundial; o surgimento dos movimentos fascista e nazista, que espalharam suas ramificações por distantes regiões do globo; a expansão do comunismo, que como resultado da vitória da Rússia Soviética naquela mesma guerra foi grandemente acelerada – todos esses acontecimentos, alguns de maneira inequívoca, outros em linguagem velada, foram prognosticados nesta Epístola, a plena força de cujas implicações está ainda oculta e que, nós bem podemos antecipar, a nação americana, por estar ainda insuficientemente escolada por adversidades, deve mais cedo ou mais tarde experimentar. A AMÉRICA DEVERÁ EVOLUIR ATÉ QUE A ÚLTIMA TAREFA SEJA EXECUTADA Seja lá o que for que a Mão de um Destino benéfico e inescrutável tenha reservado para esta jovem, esta vigorosa, esta idealista, esta espiritualmente abençoada e invejável nação, por mais severas as tempestades que possam golpeá-la nos dias por vir em um ou outro hemisfério, por mais arrebatadoras as mudanças que o impacto das forças cataclísmicas vindas de fora, e as inspirações de uma Ordem embrionária Divina vindas de dentro, venham a afetar sua estrutura e vida, nós podemos, confiantes nas palavras proferidas por ‘Abdu’l-Bahá, sentirmonos assegurados que a grande república – a concha que guarda

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] tão precioso membro da comunidade mundial dos seguidores de Seu Pai – continuará a evoluir, indivisível e invencível, até que a soma total de suas contribuições para com o nascimento, o progresso e a realização daquela civilização mundial, o infante da Suprema Paz e símbolo da Idade Áurea da Dispensação de Bahá’u’lláh, tenha sido realizada e a sua última tarefa tenha sido executada.

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13 DE JULHO DE 1947 PIONEIROS EUROPEUS E O CONTRATO DO TEMPLO

Regozijado com as evidências de uma atividade contínua e vigorosa. Renovo apelo a crentes que possuem recursos independentes a tornarem-se voluntários no campo de pioneirismo europeu, tanto os residentes como instrutores itinerantes. Ansiosamente à espera de respostas à mensagem da Convenção. Orando pela celebração do contrato do Templo antes do término do presente ano. Ardentemente suplicando por bênçãos sem precedentes para os diversos, meritórios e grandiosos serviços. O mais profundo amor.

8.

10 DE SETEMBRO DE 1947 EVIDÊNCIAS DE NOTÁVEL EXPANSÃO

Extremamente bem-vindas evidências de uma notável expansão de atividades e crescente intensificação de esforços para publicidade. Eu incito crentes e Assembléias Locais a redobrarem seus esforços de apoio ao vital Fundo Nacional. Orando ardentemente pela realização de vossas mais elevadas

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CARTAS E MENSAGENS esperanças. Grato pela ação para preservação do túmulo de Keith. Não vos aconselho enviar fundos adicionais à Pérsia para o túmulo. Eu apelo aos crentes norte-americanos a darem o máximo de si para assegurar a formação do número requerido de Assembléias até abril próximo. Sacrifícios adicionais demandados, rica recompensa assegurada. Possa o corpo integral de crentes americanos levantar-se para cumprir seu glorioso destino. Permanente gratidão, mais profundo amor.

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25 DE OUTUBRO DE 1947 EXECUÇÃO EFETIVA DE TAREFAS SAGRADAS

A crise continuamente agravada que o gênero humano está atravessando, no raiar da mais severa provação até agora sofrida, e as tribulações e comoções resultantes que uma era em labuta deve necessariamente experimentar, como prelúdio ao nascimento de uma nova Ordem Mundial, destinada a se erguer sobre as ruínas de uma civilização cambaleante, deve, à medida que se intensifica, influenciar crescentemente o curso e, em alguns casos, retardar o progresso, dos empreendimentos coletivos lançados sucessivamente nos anos de abertura do segundo centenário bahá’í, e em praticamente cada continente do globo, pela comunidade mundial dos organizados seguidores da Fé de Bahá’u’lláh. Na terra de seu nascimento, disputas políticas há muito tempo existentes, combinadas com um permanente declínio na autoridade e na influência exercida pelo governo central, estão contribuindo para o reaparecimento de forças reacionárias, representadas por um clero até então influente e fanático, para um recrudescimento da perseguição

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] e uma multiplicação das incapacidades às quais uma Fé ainda não emancipada tem sido tão cruelmente sujeitada por mais de um século. No coração do continente europeu, rivalidades políticas ainda mais violentas, bem como o choque de ideologias conflitantes, frustraram a unificação, retardaram indefinidamente a revivificação nacional, multiplicaram as vicissitudes e conferiram mais desespero à condição de uma nação abarcando dentro de suas fronteiras a maior comunidade dos integrantes da Fé naquele continente – uma comunidade destinada, conforme profetizado por ‘Abdu’l-Bahá, a desempenhar um papel maior no despertar espiritual e na conversão final dos povos e raças européias à Fé de Seu Pai. No subcontinente da Índia, recentes desencadeamentos políticos de caráter significativo mergulharam suas distintas castas, raças e denominações num grave tumulto, trouxeram à tona revoltas, carnificina, miséria e confusão, transformadas em animosidades religiosas inflamadas, e por pouco não quebraram sua vida econômica. No Vale do Nilo a deflagração de uma epidemia virulenta e difundida, seguindo de perto a inquietação política e a severa crise econômica já afetando seus habitantes, ameaça desorganizar a vida da nação e trazer por conseqüência aflições de características ainda mais graves. Na própria Terra Santa, o coração e centro nervoso da vasta e firmemente tecida comunidade de seguidores de Bahá’u’lláh, e o repositório de seus mais sagrados santuários, já gravemente perturbada pela crônica instabilidade de sua vida política, as dissensões religiosas de seus habitantes e a tensão e perigo do período de dez anos a que seu povo tem sido sujeitado e exposto, riscos recentes estão aparecendo em seu horizonte, ameaçando-a de um lado com a devastação de uma epidemia que já arrebatou tão pesadamente a vida das pessoas além das suas fronteiras ao Sul e, do outro lado, ameaçando-a com uma

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CARTAS E MENSAGENS guerra civil de severidade extrema e imprevisível em suas conseqüências. Sujeitas às mesmas causas fundamentais que perturbaram o equilíbrio da sociedade hodierna e corroeram sua vida, devem ser consideradas as privações, as restrições e crises que, em grau menor, estão oprimindo o povo da Europa Central e do Sudeste, das Ilhas Britânicas e de algumas repúblicas da América Central e do Sul. Em todos estes territórios, seja no hemisfério oriental ou no ocidental, as instituições nascentes de uma Fé que se esforça, embora sujeitas em grau variado ao estresse e tensão associados com o declínio e a dissolução de instituições consagradas pelo tempo, com disputa fratricida, sublevações econômicas, crises financeiras, deflagração de epidemias e revoluções políticas, têm sido, até este ponto, através das interposições de uma Providência misericordiosa, graciosamente habilitadas a seguir o seu curso projetado, inflexíveis pela corrente secundária e os ventos tempestuosos que devem necessária e crescentemente agitar a sociedade humana até que o momento de sua derradeira redenção se aproxime. Contrastando com estes países extremamente provados, nos continentes europeu, asiático e africano, distintamente de suas repúblicas irmãs tanto na América Central como na América do Sul, a grande república do Ocidente – a pátria daquela comunidade-mãe que, alentada através do tenro cuidado de um Mestre sempre solícito, já provou ser capaz de criar, por sua vez, tão esplêndida descendência entre as diversas comunidades da América Latina, que declara oportuno multiplicar suas comunidades filhas num continente de potencialidades imensas – tal república tem estado, numa condição peculiar e por um período longo e ininterrupto, relativamente livre das desordens crônicas, dos distúrbios políticos, das convulsões econômicas, das revoltas públicas,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] das epidemias, das perseguições religiosas, das privações e perdas de vidas que, durante sucessivas gerações, de uma ou outra maneira, afligiram tantos povos em quase todas as partes do globo. Escolhida pelo Todo-Poderoso por tão ímpar medida de favor, sofreu para evoluir, livre e impassível, dentro da concha da Ordem Administrativa cedida por Deus, diferenciada de suas comunidades irmãs através da revelação de um Plano emanando diretamente da mente e da pena de seu Fundador, já enriquecida por tantos troféus, cada eloqüente testemunho dado pelo seu missionário zelo e valor em campos distantes e entre povos diversos, a Comunidade do Nome Supremo no continente norte-americano deve, consciente da copiosa graça a ela concedida por Bahá’u’lláh, determinar, como nunca o fez antes, levar adiante, por mais que possa vir a ser golpeada por circunstâncias futuras e provações imprevisíveis que um mundo caótico e negligente pode ainda vir a experimentar, a missão seguramente confiada às suas mãos por um Mestre todo-sábio e amoroso. PROGRESSO ANIMADOR NO EMPREENDIMENTO EUROPEU Já na recém-aberta terra européia, onde o primeiro estágio do seu empreendimento missionário transatlântico está agora sendo desdobrado, o sucesso que a vanguarda de seu exército de pioneiros já alcançou em várias das principais capitais daquele continente é verdadeiramente animador e evoca intensa admiração. Os extensos esboços das instituições primárias anunciando a edificação da estrutura administrativa da Fé de Bahá’u’lláh em não menos de dez Estados soberanos da Europa já podem ser discernidos – um poderoso e marcante reforço aos esforços organizados e progressivos realizados pelas

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CARTAS E MENSAGENS comunidades britânica e alemã nos limites ao Noroeste daquele continente e em seu próprio coração. Na região latinoamericana, onde a base estrutural de uma Ordem Administrativa em ascensão já foi estabelecida, através da formação de Assembléias firmemente embasadas em cada uma das repúblicas das Américas Central e do Sul, a plataforma é estabelecida para a edificação daquelas instituições que deverão ser consideradas como sendo as precursoras das Casas de Justiça secundárias que, em cada uma destas repúblicas, devem agir como pilares, e assistir na sustentação do peso, da unidade final designada a consumar as instituições daquela ordem. Na porção setentrional daquele mesmo hemisfério a base já está assentada para o iminente aparecimento de uma instituição que, embora de base circunscrita, deve, de forma conclusiva, participar diretamente nas medidas preliminares à constituição da Casa Universal de Justiça. Uma comunidade agora em processo de guia e direção, em territórios tão vastos, em regiões tão distantes, entre tal diversidade de povos, num estágio tão precário do destino da raça humana, de forças de potência incalculável, para servir a propósitos tão meritórios e elevados, não pode permitir em hesitar por um minuto ou retroceder seus passos no caminho que está agora percorrendo. Seus comprometimentos, tão amplos, tão desafiadores, tão ricos em suas potencialidades, no continente norte-americano, devem, aconteça o que acontecer, ser levados adiante na sua totalidade e sem a menor reserva ou hesitação. O penhor em multiplicar as instituições administrativas locais, ao longo da extensão e amplitude deste continente, deve ser honrado, e a formalização do contrato para a ornamentação interna da mais sagrada Casa de Adoração, igual à qual jamais será erigida outra à glória de Bahá’u’lláh, finalizada. Acima de tudo, um esforço prodigioso, de âmbito

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] nacional, sustentado e totalmente sem precedente nos anais de uma comunidade ricamente dotada e espiritualmente abençoada, visando o imediato crescimento dos recursos financeiros necessários para a conclusão efetiva dos seus múltiplos e prementes deveres, é requerido. TRÍPLICE CAMPANHA DE IMPORTÂNCIA CRÍTICA A tríplice campanha, conduzida em dois hemisférios, abrangendo no âmbito de suas operações todo o território da república norte-americana, o Domínio do Canadá, vinte repúblicas da América Latina e não menos de dez Estados soberanos do continente europeu, é de fato de importância crítica. Cada fase desta tripla cruzada, empreendida no alvorecer do segundo centenário bahá’í pelos executores do Testamento de ‘Abdu’lBahá e zeladores de Seu Plano, deve ser acordada na medida certa de sua consideração e suas necessidades, vigorosa e simultaneamente satisfeitas. Os encantamentos da gloriosa aventura em terras latino-americanas, os brilhantes prêmios já conquistados e aqueles a serem alcançados, não devem em momento algum obscurecer questões ou retardar as incumbências enfrentadas pelos demandantes do Plano em sua pátria ou então permitir que os interesses de suas Assembléias, a maioria delas novas e agindo com esforço, sejam negligenciadas ou esquecidas. Nem tampouco deve o deslumbramento das ainda mais recentes e gloriosas aventuras iniciadas atravessando o Atlântico, num continente turbulento, politicamente convulsionado, economicamente desorganizado e espiritualmente exaurido, ofuscar a radiância, por menor que seja em intensidade, ou então diminuir a urgência, dos magníficos empreendimentos, cujos primeiros frutos na América Latina estão somente começando a amadurecer, como conseqüência direta

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CARTAS E MENSAGENS da operação inicial do Plano legado por ‘Abdu’l-Bahá aos crentes americanos. Aos requisitos vitais deste Plano, numa conjuntura tão crítica, tanto relativa ao destino do gênero humano de modo geral e ao Plano propriamente dito, ao qual, referências detalhadas foram feitas numa comunicação anterior, eu não preciso me referir novamente. Tudo que desejo enfatizar é o meu fervoroso pedido, dirigido tanto aos administradores que, como representantes eleitos da comunidade devem delinear os planos, coordenar as atividades e dirigir as ações de uma comunidade em contínua expansão, e àqueles cujo privilégio é o de laborar, em casa e no exterior, para assegurar a efetiva execução destas sagradas tarefas, de perceber o caráter propício do momento presente, reconhecer sua urgência, adequar-se ao seu desafio e avaliar com precisão suas potencialidades ímpares. À medida que a situação internacional piora, que as sinas da humanidade afundam a níveis ainda mais baixos, a força viva do Plano deve ser ainda mais acelerada e os esforços concentrados da comunidade responsável pela sua execução, atingir níveis ainda mais elevados de dedicação e de heroísmo. À medida que a estrutura da sociedade hodierna se desloca e racha sob a pressão e o estresse de pressagiosos eventos e calamidades, à medida que as fissuras, acentuando a desunião separando nação de nação, classe de classe, raça de raça e credo de credo, se multipliquem, os executores do Plano devem evidenciar uma coesão ainda maior em suas vidas espirituais e atividades administrativas, e demonstrar um padrão mais elevado de esforço concentrado, de assistência mútua e de desenvolvimento harmônico em seus empreendimentos coletivos. Então, e somente então, as reações às estupendas forças, liberadas através da operação de um Plano divinamente concebido, divinamente impelido, serão tornadas aparentes, e o

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] mais belo fruto do empreendimento espiritual mais significativo lançado nos autos da história registrada, sob a égide do Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, será então depositado.

10.

15 DE DEZEMBRO DE 1947 RECONHECIMENTO DE SERVIÇOS PREEMINENTES

Altamente gratificado pelas incessantes, arrebatadoras evidências de exaltado espírito de serviço bahá’í animando a comunidade bahá’í americana, conforme atestado pela diligência de seus representantes nacionais em executar o primeiro contrato do Templo, sua prontidão em estender assistência efetiva aos seus irmãos persas, seu cuidado em salvaguardar a integridade da Fé na Cidade do Convênio e seu vigor em dar continuidade à campanha de publicidade. Em reconhecimento aos preeminentes serviços enriquecendo continuamente o registro das realizações associadas com a preeminente comunidade do mundo bahá’í, estou providenciando a transferência de uma extensa e valiosa propriedade adquirida nos arredores dos Santuários no Monte Carmelo para o nome do Ramo Palestino da Assembléia americana. Feliz em anunciar a finalização dos planos e especificações para a edificação da superestrutura circundando o Sepulcro do Báb, constituindo o primeiro passo no processo destinado a culminar na construção do domo previsto por ‘Abdu’l-Bahá e marcando a consumação do empreendimento por Ele iniciado cinqüenta anos atrás de acordo com as instruções dadas a Ele por Bahá’u’lláh.

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CARTAS E MENSAGENS

11.

10 DE JANEIRO DE 1948

ETAPA CRÍTICA DA TAREFA NA FRENTE DOMÉSTICA

Estou profundamente preocupado com a etapa crítica da tarefa que afronta o Comitê de Ensino Norte-Americano, constituindo neste momento o objetivo supremo do presente Plano. Devido à urgente, prevalecente importância da responsabilidade do Comitê e da rápida aproximação do tempolimite fixado para a obtenção da meta de cento e setenta e cinco Assembléias, medidas emergenciais, cuidadosas e prontamente delineadas pelos representantes nacionais da comunidade e sinceramente apoiadas pelo corpo integral dos crentes do continente norte-americano, designadas para salvaguardar as Assembléias existentes e rapidamente multiplicar seu número, são imperativas. A celebração do posterior contrato para o Templo, o fortalecimento das bases da futura Assembléia Espiritual Nacional do Canadá, a consolidação suplementar das instituições da Fé na América Latina, a proclamação mais ampla da sua mensagem às massas e ainda a multiplicação de pioneiros em terras européias devem ser, sem hesitação, subordinadas às demandas do aspecto desconcertante único de um Plano que somente assim poderá ser conduzido com sucesso. Eu dirijo este derradeiro apelo individualmente a cada um dos membros da comunidade, os guerreiros campeões do exército de Bahá’u’lláh, que desde o lançamento do Plano formulado pelo Centro do Seu Convênio nunca sucumbiram em derrota nem foram contrariados em seu propósito, para se levantarem com resolução, servirem como voluntários instantaneamente para preencher a lacuna nas principais defesas da frente doméstica de ensino e registrar a vitória total antes

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] do término do segundo ano do Segundo Plano de Sete Anos. Orando fervorosamente por respostas decisivas e instantâneas.

12.

1O DE FEVEREIRO DE 1948 NENHUM SACRIFÍCIO É GRANDE DEMAIS

A gravidade da emergência confrontando os crentes norteamericanos é sem precedente desde a inauguração do Plano Divino e sem paralelo na história da comunidade bahá’í americana desde a ascensão de ‘Abdu’l-Bahá. Nenhum obstáculo é insuperável, nenhum sacrifício, grande demais para a consecução de um objetivo de importância suprema. Os olhos de suas comunidades irmãs em cada continente do globo e de suas comunidades filhas da América Latina, obstruídos por uma diversidade de circunstâncias adversas, estão conectados à comunidade dos seguidores de Bahá’u’lláh no continente norte-americano, que usufrui as bênçãos de uma paz interna, recursos adequados, experiência administrativa e habilidade organizacional para sua missão divinamente apontada, esperando que estes se levantem e impeçam o contratempo que arruinaria o esplendor de seus registros de administração sem igual. Sou movido a rogar, nesta undécima hora, que o corpo da comunidade, particularmente os membros residentes em fortificações líderes da Fé estabelecidas há tempo – Nova Iorque, Chicago, Los Angeles, São Francisco, Washington – saiam sem hesitação, determinadamente, sacrifiquem todo interesse, assumam posições na vanguarda do empenho e disputem no decurso da primeira década do segundo centenário bahá’í, os anos de abertura da segunda época da Idade Formativa da Fé, proezas de seus progenitores

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CARTAS E MENSAGENS espirituais, os rompedores da alvorada da Idade Heróica, que imortalizaram o crepúsculo do primeiro centenário bahá’í. Os destinos imediatos do Plano estão se mantendo precariamente. O intervalo de três meses está rapidamente se esvaindo. Meu coração sofre em contemplar a possibilidade de fracasso da corajosa comunidade em erguer-se até as alturas do momento. Eu me recuso a acreditar que seus membros, investidos com a singular missão apostólica de ‘Abdu’l-Bahá, irão retroceder em alcançar os requisitos mais desafiadores do momento presente.

13.

13 DE FEVEREIRO DE 1948 CRISE PREVALECENTE

A esperança está desejosa em meu ansioso e sobrecarregado coração de que a comunidade bahá’í norte-americana possa ainda emergir triunfante desta crise prevalecente, demonstrar sua capacidade em preservar seus arduamente conquistados prêmios e resgatar seu penhor mediante uma manifestação adicional das suas qualidades de fé insuperável, de solidariedade inabalável, de valor destemido e de heróica abnegação, e de vindicar seu direito à primazia na comunidade mundial dos seguidores de Bahá’u’lláh. A marca alta ainda não foi atingida, apesar da crescente maré de respostas entusiásticas manifestadas por uma comunidade estimulada. Uma passagem perigosa agora vadeada nesta campanha de última hora. Estou orando fervorosamente para que a intensificação adicional de esforços sustentados, coordenados, consagrados e manifestados unanimemente movimentem seus membros na crista da onda até a vitória completa. Eu me sinto seguro de que esforços cumulativos de participantes em campanhas de emergência

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] lançadas pela comunidade, como um todo, atrairão crescentemente a afluência das graças prometidas do santo Autor de seus destinos, demonstrem novamente o merecimento do cuidado paterno de seu divino Fundador, obtenham aprovação adicional de suas comunidades irmãs do hemisfério oriental, aprofundem a admiração e inspirem a disputa de suas comunidades filhas na América Latina e no continente europeu, e fortifiquem a dedicação e reforcem a afeição fraterna de seu Guardião.

14.

6 DE ABRIL DE 1948 CAMPANHA EMERGENCIAL DE ENSINO

Grandemente animado pelo esplêndido progresso do tremendo impulso iniciado em resposta ao meu apelo. A hora “H” está se aproximando inexoravelmente. Dezenove colonizadores adicionais podem e devem ser providenciados. Orando com fervor crescente para sucesso total, vitória completa.

15.

16 DE ABRIL DE 1948 ACELERAÇÃO MARAVILHOSA PRIMEIRA MENSAGEM À CONVENÇÃO DE 1948

Sou incitado a compartilhar com os delegados congregados da quadragésima Convenção Bahá’í Americana os seguintes fatos e números que testemunham a atual condição da Fé Mundial de Bahá’u’lláh e apresentam a maravilhosa aceleração no processo duplo da expansão de seu âmbito e da consolidação

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CARTAS E MENSAGENS das instituições de sua Ordem Administrativa nos hemisférios oriental e ocidental ao longo dos primeiros quatro anos do segundo século bahá’í. O número de países abertos à Fé totaliza noventa e um. A literatura bahá’í está traduzida e impressa em cinqüenta e um idiomas. Representantes de trinta e uma raças estão registradas na Comunidade Mundial Bahá’í. Oitenta e oito Assembléias, Nacionais e Locais, estão incorporadas. O número de localidades onde bahá’ís estabeleceram residência se elevou para mais de trinta na Australásia, para mais de quarenta na Alemanha e Áustria, para mais de sessenta no Domínio do Canadá, para mais de oitenta no subcontinente da Índia e Burma, para mais de cem na América Latina, para mais de setecentas na Pérsia e para mais de mil e duzentas nos Estados Unidos da América. O valor das dotações internacionais bahá’ís na Terra Santa e Vale do Jordão está estimado em mais de seiscentas mil libras. Dotações nacionais bahá’ís no continente norte-americano estão avaliadas em mais de dois milhões de dólares. O terreno dedicado ao Mashriqu’l-Adhkár na Pérsia é de aproximadamente duzentos e cinqüenta mil metros quadrados. Os valores dos Hazíratu’l-Quds nacionais nas capitais da Índia e Pérsia são respectivamente seiscentas mil rúpias e cinqüenta mil libras. A área de terra dedicada ao Mashriqu’l-Adhkár na América do Sul é de noventa mil metros quadrados. O número de unidades de literatura bahá’í vendidas e distribuídas no período de um ano na América do Norte é maior que oitenta mil. O recorde de visitantes ao Mashriqu’l-Adhkár na América durante um ano é de mais de dezessete mil e o número total de visitantes desde a sua edificação é maior que um quarto de milhão. O número de estados na União Americana formalmente reconhecendo as certidões de casamento bahá’í é agora de oito. O número de Assembléias Nacionais funcionando

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] no mundo bahá’í foi elevado para nove mediante a formação da primeira Assembléia Nacional do Canadá, a ser brevemente reforçado através da constituição de duas Assembléias adicionais nas Américas do Sul e Central e nas Índias Ocidentais. O segundo plano de sete anos, os planos de seis anos, de quatro anos e meio, de seis anos, de três anos, de cinco anos e o de quarenta e cinco meses, respectivamente lançados pelas Assembléias Espirituais Nacionais da América, da Grã-Bretanha, da Índia, da Australásia, do Iraque, do Canadá e da Pérsia, alguns culminando com o primeiro Centenário do nascimento da Missão de Bahá’u’lláh, outros com o Centésimo Aniversário do Martírio do Báb, estão visando o estabelecimento das três Assembléias Nacionais no Canadá e América Latina, a conclusão da ornamentação interior do Templo-Mãe do Ocidente, a formação de Assembléias Espirituais em dez Estados soberanos no continente europeu, a constituição de dezenove Assembléias nas Ilhas Britânicas, dobrando o número de Assembléias na Índia, Paquistão e Burma, a reconstituição das Assembléias dissolvidas e o estabelecimento de noventa e cinco novos centros na Pérsia, a conversão dos grupos de Bahrein, Hijaz e Afeganistão em Assembléias, a formação de núcleos administrativos nos territórios árabes do Iêmen, Omã, Hasa e Kuait; a formação de trinta e um grupos e sete Assembléias na Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia; a multiplicação de centros nas províncias do Iraque, incluindo o distrito de Shattu’l-Arab; a incorporação da Assembléia Nacional do Canadá, dobrando o número de Assembléias e elevando para cem o número de centros no Domínio do Canadá; a constituição de núcleos em Newfoundland e Groenlândia, e a participação de esquimós e de índios pele vermelha nas instituições locais da Ordem Administrativa.

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CARTAS E MENSAGENS Planos e especificações têm sido preparados e medidas preliminares, tomadas para estabelecer contratos para o arco do Sepulcro do Báb. Um histórico Congresso Internacional Bahá’í foi realizado nas Américas do Sul e Central, e uma Conferência de Ensino intereuropéia foi projetada para Genebra, preparando o caminho para o futuro Congresso Mundial Bahá’í. O reconhecimento estendido à Fé pelas Nações Unidas como corpo internacional não-governamental, possibilitando assim a nomeação de representantes credenciados para conferências das Nações Unidas, está anunciando o reconhecimento mundial para uma proclamação universal da Fé de Bahá’u’lláh.

16.

26 DE ABRIL DE 1948 REALIZAÇÕES BRILHANTES SEGUNDA MENSAGEM À CONVENÇÃO DE 1948

Jubilosamente aclamo realizações brilhantes transcendendo as mais afetuosas esperanças e fixando o selo de completa vitória nos trabalhos estupendos levados a efeito pela comunidade bahá’í americana no segundo ano do Segundo Plano de Sete Anos. A constituição da Assembléia Espiritual Nacional do Canadá, o feito heróico de elevar para quase duzentos o número de Assembléias Espirituais no continente norte-americano, a maravilhosa expansão das comunidades filhas na América Latina, a bem-sucedida conclusão da fase preliminar da ornamentação interior do Mashriqu’l-Adhkár e a proeza recompensadora da formação de nada menos de sete Assembléias no recém-aberto solo transcontinental, dotam com fama eterna o segundo período da Idade Formativa, enriquecem

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] imensuravelmente os anais da década de abertura do segundo centenário bahá’í e constituem um marco no desdobramento do segundo estágio da execução do Plano de ‘Abdu’l-Bahá. A primazia da comunidade bahá’í americana está reafirmada, integralmente mantida e totalmente salvaguardada. Vitórias sucessivas recentes proclamam a força indiminuta e o valor exemplar da posição e destaque do corpo da comunidade, sejam administradores, instrutores ou pioneiros, em três continentes considerados como os últimos vínculos na cadeia das conquistas ininterruptas realizadas pelos seus membros no conselho e no campo de ensino por mais de um quarto de século. Recordo, nesta ocasião de júbilo, com orgulho, emoção e gratidão, o registro resplandecente de serviço desta ternamente amada, ricamente dotada, inabalavelmente resoluta comunidade, cujos administradores assumiram a participação preponderante em aperfeiçoar o mecanismo da Ordem Administrativa, cujos representantes eleitos erigiram o edifício e completaram a ornamentação exterior do Templo-Mãe do Ocidente, cujos pioneiros abriram uma maioria esmagadora dos noventa e um países agora incluídos dentro do âmbito da Fé, cujos pioneiros estabeleceram comunidades florescentes em vinte repúblicas da América Latina, cujos benfeitores estenderam amplamente assistência, de várias maneiras, aos seus extremamente aflitos irmãos em solos remotos, cujos membros se espalharam para mil e trezentos centros em todos os estados da União Americana, cada província do Domínio do Canadá, cujo mais firme campeão teve êxito em conquistar a fidelidade da realeza à Mensagem de Bahá’u’lláh, cujos heróis e mártires deram suas vidas, em seus serviços, em terras tão distantes como Honolulu, Buenos Aires, Sidney e Isfahán, cuja vanguarda estendeu seus postos fronteiriços até as antípodas da margem mais longínqua do continente sul-americano, às

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CARTAS E MENSAGENS vizinhanças do Círculo Ártico, às margens ao norte, sul e oeste do continente europeu, cujos embaixadores estão agora convocando, nas terras de um dos mais recentemente conquistados territórios, sua histórica primeira conferência, designada a consolidar os recém-conquistados prêmios, cujos porta-vozes estão assegurando o reconhecimento das instituições da ascendente Ordem Mundial de Bahá’u’lláh nas Nações Unidas. Eu apelo aos membros desta comunidade tão privilegiada, tão amada, tão valorosa, dotada com estas potencialidades, a harmoniosamente imprimir adiante, por mais penosas que sejam as experiências que seus compatriotas possam ainda experimentar, por mais dolorosas que sejam as tribulações que a terra do desejo de seus corações possa ainda sofrer, por mais opressiva que seja a ansiedade que o rompimento temporário das comunicações externas com o Centro Mundial de sua Fé possa engendrar, por mais onerosas que sejam as tarefas ainda a serem cumpridas, até que cada uma das obrigações do presente Plano seja honrosamente cumprida, permitindo-lhes lançar, em seu designado tempo, a terceira cruzada destinada a trazer gloriosa consumação ao primeiro período na evolução de sua divinamente apontada missão mundial, cumprir a profecia revelada por Daniel há mais de vinte séculos, contribuir com a maior porção do triunfo mundial da Fé de Bahá’u’lláh considerado pelo Centro de Seu Convênio, e acelerar a abertura da Idade Áurea da Dispensação Bahá’í.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

17.

4 DE MAIO DE 1948 APÓIEM O FUNDO NACIONAL

Desenhos do Templo foram recebidos. Projeto aprovado. Urge que vós procedais sem demora a firmar os contratos do Templo. Eu apelo ao corpo integral de crentes a se levantarem e apoiarem generosamente o Fundo Nacional numa hora de suprema necessidade para assegurar progresso ininterrupto na ornamentação da Casa de Adoração que, conforme predito por ‘Abdu’l-Bahá, já está conferindo tamanho benefício à comunidade.

18.

14 DE MAIO DE 1948 ORNAMENTAÇÃO INTERIOR DO TEMPLO E ARCADA DO SEPULCRO DO BÁB

Deleitado pelo contrato para ornamentação, recepção idealizada (i.e., para os delegados das Nações Unidas em Genebra), nomeação de novos comitês para consolidação do trabalho de ensino e a nobre determinação em dar continuidade, incessantemente, às suas tarefas determinadas por Deus. Anunciem aos amigos que a assinatura dos contratos para a arcada do Sepulcro do Báb coincide com o primeiro contrato para a ornamentação interior do Templo-Mãe do Ocidente.

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CARTAS E MENSAGENS

19.

18 DE MAIO DE 1948

MEU APELO A ESTA COMUNIDADE ESCOLHIDA POR DEUS

A resposta da comunidade bahá’í americana à chamada urgente de levantar e remediar uma situação crítica tem sido tal que desperta minha mais alta admiração e excede as esperanças de todos aqueles que aguardaram com corações ansiosos para vencer este perigoso apuro num momento tão importante na continuação do Segundo Plano de Sete Anos. A rapidez com a qual o desafio foi enfrentado, os enérgicos esforços que têm sido sistematicamente manifestados, o zelo e devoção que têm sido tão abundantemente demonstrados, a resolução e auto-sacrifício que têm sido tão surpreendentemente mostrados pelos membros de uma comunidade sobrecarregada com responsabilidades tão grandiosas e atenta em manter sua liderança entre suas comunidades irmãs no Oriente e Ocidente conferem grande brilho a este último episódio na história da execução do Plano Divino. Sou impelido a oferecer a seus magnânimos e corajosos membros minhas sinceras congratulações por esta vitória tão proeminente, e na preservação de um registro de realizações sem mácula no serviço da Fé de Bahá’u’lláh. A formação da Assembléia Nacional do Canadá, a conclusão dos passos preliminares para a finalização da ornamentação interior do Mashriqu’l-Adhkár, a rápida multiplicação e consolidação das instituições da Fé por toda a América Latina, a firme expansão das atividades visando a proclamação da Fé às massas, o reconhecimento assegurado, em nome das instituições nacionais de uma comunidade mundial, dada pela Organização das Nações Unidas, e acima de tudo o fenomenal sucesso alcançado através da constituição de nada menos que

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] oito Assembléias Espirituais em sete dos países selecionados como metas para as operações transatlânticas do Plano, agora coroadas pela realização da conferência de ensino no continente europeu – todos estes serviram para imortalizar o segundo ano do Segundo Plano de Sete Anos e completar o grandioso feito concluído por todos os estados e províncias do continente norte-americano – a base a partir da qual a operação de um Plano divinamente impelido e em constante expansão está sendo conduzido. Encorajado pelos contínuos e momentosos sucessos conquistados em tantas frentes, em terras tão distantes, dentre tal diversidade de povos e à frente de obstáculos tão enormes, por uma comunidade agora lançada, em ambos os hemisférios, em sua missão de âmbito mundial, eu dirijo meu apelo à totalidade dos membros desta comunidade escolhida por Deus, a seus associados e comunidades filhas no Domínio do Canadá, nas Américas Central e do Sul, e no continente da Europa a proclamar, no decurso do ano corrente, às suas comunidades irmãs no Oriente e Ocidente, e por obras não menos resplandecentes do que aquelas do passado, sua inflexível resolução a incessantemente dar seguimento ao Plano confiado a seus cuidados e brasonar sobre seus escudos os emblemas de novas vitórias em seu serviço. O fechamento, com cuidado e destreza, de contratos sucessivos, destinados a assegurar o progresso ininterrupto da ornamentação interior do Templo, num momento em que a situação internacional está repleta de tantas complicações e riscos; a aceleração do duplo processo designado a preservar a posição das atuais Assembléias por todos os estados da União e multiplicar seus números; a constante solidificação das fundações sobre as quais as Assembléias Nacionais latinoamericanas designadas devem ser seguramente edificadas; a

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CARTAS E MENSAGENS firme expansão do trabalho iniciado para dar uma maior publicidade à Fé no continente norte-americano e em círculos associados às Nações Unidas; e por último, porém não menos importante, a constituição de Assembléias firmemente estabelecidas em cada um dos países-meta remanescentes na Europa e a iniciação simultânea, nos países já providos com tais Assembléias, de medidas que visem a formação de diversos núcleos projetados para reforçar a base estrutural de uma Ordem Administrativa infante – estes se destacam como deveres principais, e dos quais não se pode escapar, que os membros de sua Assembléia – a mola-mestra das numerosas atividades levadas a efeito em sua pátria, em terras latino-americanas e na frente européia – devem, neste terceiro ano do Segundo Plano de Sete Anos, convenientemente executar. Que o lançamento de uma destas atividades fundamentais a serem conduzidas pela vossa Assembléia durante o presente ano – o início da ornamentação interior do Templo-Mãe do Ocidente – tão proximamente sincronizado com a celebração dos primeiros dois contratos para a finalização do Sepulcro do Báb, tal como contemplado por ‘Abdu’l-Bahá, é de fato um fenômeno de significado singular. Esta conjunção de dois eventos de importância histórica, unindo numa condição peculiar a mais sagrada Casa de Adoração no continente americano com o mais sagrado Santuário nas encostas do Monte Carmelo, traz vivamente à memória a não menos extraordinária coincidência marcando a realização simultânea, num dia de Naw-Rúz,* da primeira convenção da comunidade bahá’í americana e o sepultamento, pelo Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, dos restos mortais do Báb no recém-construído sepulcro, de Seu Santuário.† A chegada simultânea daqueles *O ano novo do calendário bahá’í, comemorado no dia 21 de março. [n.r.] †Ver: A Presença de Deus, p. 379.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] restos mortais na cidade-fortaleza de ‘Akká e dos primeiros peregrinos do continente da América;* a subseqüente associação do fundador da comunidade bahá’í americana com ‘Abdu’lBahá no assentamento da pedra fundamental do Mausoléu do Báb no Monte Carmelo; a comemoração do Centenário de Sua Declaração sob o domo do recém-construído Mashriqu’l-Adhkár em Wilmette, em cuja ocasião solene Seu abençoado retrato foi desvelado aos olhos de Seus seguidores em solo ocidental; e a distinção ímpar agora conferida a um membro† da Comunidade Bahá’í Norte-Americana em projetar o domo, imaginado por ‘Abdu’l-Bahá, como sendo o último e essencial adorno do Sepulcro do Báb – todos estes serviram para associar o Arauto da nossa Fé e Seu túmulo com os destinos de uma comunidade que tem tão nobremente respondido a Seus chamados dirigidos aos “povos do Ocidente” em Seu Qayyúmu’l-Asmá. “Este Sublime Santuário ficou por construir...”, ‘Abdu’lBahá, olhando, das escadarias de Sua Casa, para o Santuário, num dia de agosto em 1915, observou a alguns de Seus companheiros, num tempo em que os restos mortais do Báb já haviam sido colocados por Ele no sepulcro de uma das seis câmaras que Ele havia construído para aquele propósito. “Se Deus quiser, ele será concluído. Nós levamos a efeito sua construção até este estágio.” A inauguração, nestes dias de extremo perigo na Terra Santa, de um empreendimento tão grandioso e sagrado, fundado pelo próprio Bahá’u’lláh enquanto ainda Prisioneiro em ‘Akká e iniciado por ‘Abdu’l-Bahá durante os dias mais obscuros e arriscados de Seu ministério, traz às nossas mentes, além disto, a construção da superestrutura do Templo em Wilmette *Ver: A Presença de Deus, pp. 354-56. †William Sutherland Maxwell, de Montreal.

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CARTAS E MENSAGENS durante uma das mais severas crises financeiras que afligiram os Estados Unidos da América, e a conclusão de sua ornamentação exterior durante os tenebrosos dias da última Guerra Mundial. De fato, a trágica e movimentada história da transferência do corpo mutilado do Báb de lugar para lugar desde Seu Martírio em Tabríz, seus cinqüenta anos de ocultação na Pérsia; sua perigosa e secreta jornada pelos caminhos de Teerã, Isfahán, Kirmánsháh, Bagdá, Damasco, Beirute e ‘Akká para a Montanha de Deus, seu derradeiro lugar de descanso; sua ocultação por um período adicional de dez anos na própria Terra Santa; as penosas e prolongadas negociações para a compra do lugar escolhido pelo próprio Bahá’u’lláh para seu sepultamento; as ameaças de ‘Abdu’l-Hamíd, o tirano turco, as acusações dirigidas contra seu Fideicomissário, as conspirações tramadas e as inspeções feitas pelos intrigantes membros da notória Comissão de Inquérito Turca; os perigos aos quais o sanguinário Jamál Páshá o expôs; as maquinações dos arqui-rompedores do Convênio de Bahá’u’lláh, Seu irmão e Seu filho, respectivamente, objetivando a frustração do projeto de ‘Abdu’l-Bahá, para impedir a venda do terreno existente dentro dos limites do Santuário propriamente dito, e a multiplicação das medidas tomadas para a preservação e a consolidação das propriedades adquiridas nas vizinhanças e a esta dedicadas – todos estes devem ser considerados como estágios sucessivos na história do processo de quase cem anos, destinado a culminar na consumação do propósito irresistível de Bahá’u’lláh em levantar um memorial eterno e condizente ao Seu Divino Arauto e Co-Fundador de Sua Fé. À medida que a missão confiada por ‘Abdu’l-Bahá aos seguidores de Sua Fé no continente norte-americano adquire força, revela suas potencialidades e alcança novas alturas de heroísmo e renome a seus valentes executores, eventos de ainda

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] maior significância irão, sem dúvida, acontecer, que servirão para realçar o valor do trabalho que os executores do Plano estão levando a efeito, para ampliar sua visão, reforçar seus empenhos, preservar seu espírito, enobrecer sua herança, tornar conhecida sua fama, facilitar sua assunção das funções singulares que distinguem seu serviço à Fé e de apressar o advento do dia que irá testemunhar, na Idade Áurea ainda por nascer, a sua “elevação ao trono de um domínio imperecível” o dia em que “a Terra toda” irá “ecoar com as preces” de sua “majestade e grandeza”.

20.

23 DE JUNHO DE 1948 URGE ATENÇÃO ESPECIAL ÀS METAS

Bem-vindas as decisões tomadas em recente reunião de Assembléia. Suplicando bênçãos para conferência vindoura com comitês. Orgulhoso pelo magnificente sucesso alcançado na Conferência Européia, desenvolvimento da afiliação às Nações Unidas... Urge-vos devotar atenção especial no ano em curso para assegurar progresso rápido na construção do Templo, manutenção da posição da Assembléia e a consolidação de Assembléias recém-formadas.

21.

9 DE AGOSTO DE 1948 REZANDO POR FERVOR ADICIONAL

Muito bem-vindos os planos iniciados para escolas, encantado pelo progresso de trabalhos do Templo, aceitação das resoluções pela Conferência da ONU, eleição de Ioas. Urge

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CARTAS E MENSAGENS cuidado permanente na manutenção da posição e consolidação de Assembléias na América do Norte, para assegurar a expansão constante de atividades múltiplas na América Latina e Europa. Rezando por fervor adicional, realização veloz dos elevados objetivos da missão dada por Deus para grandemente admirada comunidade bahá’í americana.

22.

14 DE SETEMBRO DE 1948

TAREFAS CUMPRIDAS LIBERAM EFUSÃO DE GRAÇA

Bem-vinda elevada resolução da Assembléia para assegurar construção ininterrupta do Templo. Profundamente comovido e agradecido pela contínua evidência da determinação inflexível com a qual o corpo da clarividente, de mente elevada, divinamente sustentada comunidade bahá’í americana, seus representantes, nacionais, locais e regionais, seus pioneiros nativos ou estrangeiros, cumprem em campos distantes, independentemente da pequenez de seu contingente e de seus limitados recursos, tarefas de tão vastas dimensões, tão diversificadas em caráter, de tão grande momento, num estágio tão significativo nos decadentes destinos de uma sociedade exposta ao perigo. Eu me sinto convencido de que a manutenção inabalável de um padrão tão exaltado de serviço no limiar de Bahá’u’lláh deve liberar, em medida ainda maior, a efusão de Sua graça tão essencial e condizente à consumação de um Plano Divino cuja autoridade provém da pena do Centro de Seu Convênio e impulsionado por atividades criadas através da influência geradora de Sua Vontade e Testamento.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

23.

21 DE OUTUBRO DE 1948 APELO À COMUNIDADE INTEIRA A PERSEVERAR

Aprecio mensagem da Assembléia. Orando pelo sucesso dos planos. Urge esforço especial para apressar trabalho do Templo, reforçar empenho pioneiro na Europa devido à situação internacional em deterioração. Apelo à comunidade inteira, de todo coração, a perseverar desconsiderando o assombroso panorama.

24.

3 DE NOVEMBRO DE 1948

ESCALAR ALTURAS MAIS NOBRES DE HEROÍSMO

A crise em aprofundamento, ominosamente ameaçando ainda perturbar o equilíbrio de uma sociedade politicamente convulsionada, economicamente partida, socialmente subvertida, moralmente decadente e espiritualmente moribunda, está testando a tenacidade, sobrecarregando os recursos e desafiando o espírito por todos os três continentes dos escolhidos fideicomissários e valentes executores do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá. Este presente momento, por mais crítico, repleto de incerteza, não pode nem deve retardar o desdobramento dos deveres múltiplos tão brilhantemente inaugurados, tão diligentemente executados, tão deslumbrantes em suas perspectivas. Os registros da comunidade bahá’í desde o princípio da Idade Formativa demonstram conclusivamente que o cumprimento dos atos marcantes acompanharam ou seguiram períodos de aguda aflição na história contemporânea européia

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


CARTAS E MENSAGENS e americana. O mecanismo da Ordem Administrativa foi estabelecido e o estágio preliminar da construção da Casa de Adoração foi empreendido, por uma comunidade agoniada nos aflitos anos que sucederam a repentina remoção de seu amado e vigilante Fundador. A superestrutura do Templo foi erguida entre a força e o estresse de uma depressão econômica de severidade sem precedentes tomando o continente norteamericano. O Primeiro Plano de Sete Anos, abrindo o estágio na execução da histórica missão confiada à comunidade bahá’í americana, foi lançado à vista de uma tempestade em formação culminando no conflito mais horrendo já experimentado pela humanidade. As Epístolas do Plano Divino foram reveladas em meio ao tumulto da primeira Guerra Mundial, acarretando grande perigo para a vida de seu Autor. Os restos mortais da mãe e do irmão de ‘Abdu’l-Bahá foram transferidos para o local de monumentos constituindo o foco das instituições do futuro Centro Administrativo Mundial e erigidos no raiar da deflagração das hostilidades enquanto a Terra Santa era crescentemente exposta aos perigos precipitados pelo segundo conflito. As comunidades filhas da América Latina foram chamadas à existência e a ornamentação exterior do Templo foi consumada enquanto a comunidade-mãe americana estava passando pelas dores de parto do último e mais atormentador estágio do devastador combate. As celebrações mundiais do Centenário, coroando estas iniciativas, foram empreendidas em tais circunstâncias de perigo e levadas a efeito apesar dos tremendos obstáculos engendrados pelo prolongamento das hostilidades. Sedes administrativas nacionais foram estabelecidas em Teerã, Cairo, Bagdá, Delhi e Sydney, dotações nacionais e internacionais foram intensificadas e Assembléias, incorporadas em países confrontados por crescente ameaça de invasão e de cerco.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] O Segundo Plano de Sete Anos, inaugurando a missão transatlântica abraçando a Escandinávia, os Países Baixos, Suíça, as Penínsulas Ibérica e Italiana, foi lançado no raiar da catastrófica revolta, apesar da exaustão, confusão, angústia e restrições afligindo um continente abalado pela guerra. Os primeiros frutos deste recém-lançado Plano foram reunidos mediante a convocação da primeira Conferência Européia de Ensino e a edificação do nono pilar da Casa Universal de Justiça no Domínio do Canadá, não obstante os premonitórios rumores de uma terceira provação ameaçando engolfar os hemisférios oriental e ocidental. A estrutura central do Sepulcro do Báb foi construída enquanto a preciosa vida de seu construtor estava perigosamente por um fio. Planos foram traçados, contratos estabelecidos e fundações assentadas para sua arcada enquanto os lugares sagrados eram destruídos pelas chamas da disputa civil ardendo violentamente na Terra Santa. Anos preciosos estão inexoravelmente passando. A perspectiva do mundo está constantemente escurecendo. A mais árdua façanha da comunidade americana ainda se encontra distante. Desastres surpreendendo a Europa e a América, mais angustiantes que quaisquer das tribulações sofridas até hoje em um e outro continente, podem acompanhar revelações ainda mais majestosas no desdobramento do estágio conclusivo do Segundo Plano de Sete Anos, destinado a testemunhar sucessivamente a edificação do décimo e décimo primeiro pilares da Casa Universal de Justiça e a celebração do Jubileu de Ouro do Templo-Mãe do Ocidente. Os construtores-campeões da nascente Ordem Mundial de Bahá’u’lláh devem escalar alturas mais nobres de heroísmo à medida que a humanidade mergulha nas profundezas do desespero, degradação, dissensão e aflição. Deixe-os avançar no futuro serenamente confiantes de que a hora de seus mais

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CARTAS E MENSAGENS poderosos esforços e a suprema oportunidade para suas maiores proezas devem coincidir com a sublevação apocalíptica demarcando o esgotamento das riquezas da humanidade em franco declínio.

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8 DE NOVEMBRO DE 1948 A FORTALEZA DA FÉ DE BAHÁ’U’LLÁH

À medida que aumentam as ameaças de convulsões ainda mais violentas atacando uma era extenuante, e as asas de ainda outro conflito, destinado a contribuir com uma quota distinta e talvez decisiva para o nascimento de uma nova Ordem que deve sinalizar o advento da Paz Menor, obscurecer o horizonte internacional, os olhos das diversas comunidades, compreendendo o corpo dos seguidores organizados de Bahá’u’lláh por todo o hemisfério oriental, estão ficando cada vez mais voltados para o desdobramento progressivo das tarefas que os executores do Mandato de ‘Abdu’l-Bahá têm sido convocados a assumir no decurso do segundo estágio de sua missão de abrangência mundial. Experiências passadas, variando por um período de muitos anos, têm lhes ensinado que não importa quão tremendo os obstáculos externos que os defrontaram durante as décadas turbulentas e agitadas desde o passamento do Mestre, e não obstante a pressão e a tensão que as crises internas, precipitadas por inimigos desde dentro e por circunstâncias econômicas adversas afligindo seu país, impuseram, os valentes ocupantes da fortaleza da Fé de Bahá’u’lláh, com extraordinária firmeza, fidelidade invejável e coragem magnífica, não somente defenderam os interesses, preservaram a integridade e demonstraram o valor da Causa

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] que abraçaram, mas saíram, com energia dinâmica e irreprimível, para fincar sua bandeira e estabelecer seus postos fronteiriços em países e continentes bem além do cenário original de suas operações. LEALDADE DOS CRENTES AMERICANOS Nem a irreparável perda experimentada pelo término da vida terrena de um Mestre vigilante, nem a aguda angústia causada pelo colapso financeiro que repentinamente assolou seu país, nem a tragédia sem precedente de uma crise mundial que varreu suas terras e seu povo para dentro de seu turbilhão, tampouco os perigos e as incertezas, a exaustão e a desilusão associadas às conseqüências e nem mesmo aquelas provas que estremecem a alma, que por vezes os atacaram, através da deserção e dos ataques feitos por rompedores do Convênio, ocupando, em virtude de sua afinidade, ou então por sua longa associação ao Fundador de sua comunidade, exaltadas posições no Centro Mundial da Fé, ou na terra donde brotou, ou ainda em seu próprio país – nenhum destes tiveram sucesso em corromper a primavera oculta de sua vida espiritual, em desviálos do caminho por eles escolhido ou então em retardar o avanço e a realização de seus empreendimentos. No laborioso dever de estabelecer o padrão, de firmar os alicerces, de edificar o mecanismo e de colocar em operação a Ordem Administrativa de sua Fé, na execução dos estágios sucessivos na edificação e na ornamentação exterior de seu Templo, no lançamento do empreendimento inicial sob o Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá, que os capacitou a estabelecer a base estrutural da Ordem, estabelecida recentemente em sua pátria, em todas as repúblicas das Américas Central e do Sul; no esforço sustentado, sistemático e prodigioso exercido para a expansão

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CARTAS E MENSAGENS das fundações administrativas das instituições de sua Fé em cada estado e província dos Estados Unidos e no Domínio do Canadá; nos esforços paralelos almejando a ampla disseminação de sua literatura, e a proclamação de suas verdades e princípios às massas; no lançamento do Segundo Plano de Sete Anos, que estendeu as ramificações do Plano Divino através do Atlântico para dez Estados soberanos do continente europeu e que desde já lhes renderam uma suntuosa compensação pela formação da primeira Assembléia Nacional Bahá’í Canadense e a convocação da primeira Conferência Européia de Ensino; nas repetidas, convenientes, espontâneas e generosas contribuições que estes fizeram, em numerosas ocasiões, para a libertação dos perseguidos entre seus irmãos, para a defesa de suas instituições, para a reivindicação de seus direitos, para a consolidação de suas atividades e o progresso de seus empreendimentos – em todos estes, os campeões da Fé de Bahá’u’lláh têm, com ênfase sempre crescente, dado testemunho à sublimidade da fé que arde em seus peitos, à radiância da visão que brilha clara e firmemente ante seus olhos, a certeza e rapidez que distingue seus gigantescos passos e a vastidão e glória da missão ímpar confiada às suas mãos. Marcos de significado histórico têm sido sucessivamente alcançados e rapidamente ultrapassados. Um trecho de estrada ainda mais pedregoso se estende agora perante eles. Rumores de catástrofes ainda mais apavorantes agitam com freqüência crescente um mundo extremamente estressado e caótico, trazendo um desafio de atacar as intermináveis tarefas, um desafio mais momentoso e ainda mais urgente que qualquer outro experimentado até hoje.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] APRESSEM OS CONTRATOS DO TEMPLO Os contratos atuais e aqueles ainda pendentes, destinados a consumar o magnificente empreendimento iniciado quase cinqüenta anos atrás no coração do continente norte-americano e que concluem um edifício consagrado para toda a eternidade pelas amorosas mãos do Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, constituindo o maior símbolo da Fé e encarnando o espírito da comunidade bahá’í americana no hemisfério ocidental, devem, rápida e sistematicamente, ser levados a efeito, não importa quão onerosa possa se tornar a tarefa em conseqüência das oscilações inevitáveis a que a presente situação econômica está sujeita, na preparação para o jubileu que deve marcar a conclusão daquele sagrado edifício. A recente expansão da base administrativa da Fé numa terra que tem servido, e que permanecerá por muito tempo, como base das operações espirituais que agora estão sendo conduzidas em ambos os hemisférios, em resposta ao ressonante chamado de ‘Abdu’lBahá, anunciado três décadas atrás em Suas históricas Epístolas, devem, não importa quão árduas e insistentes as tarefas a serem cumpridas na América Latina e Europa, ser totalmente mantidas, e o processo, continuamente ampliado e firmemente consolidado. As diversas agências designadas a levar a Mensagem às massas e a mostrar adequadamente a estas os ensinamentos de seu Autor, devem, igualmente, ser vigilantemente preservadas, auxiliadas e encorajadas. As questões preliminares essenciais, calculadas para ampliar as bases das futuras Assembléias Nacionais Bahá’ís latino-americanas, para familiarizar os crentes latino-americanos com os deveres administrativos e funções que serão chamados a desempenhar, e para enriquecer e aprofundar seus conhecimentos nos princípios básicos de sua Fé, seus ideais, sua história, seus

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CARTAS E MENSAGENS requisitos e seus problemas, devem ser executadas, com energia sempre crescente, à medida que o momento em que estas comunidades latino-americanas obtêm existência independente se aproxima firme e inexoravelmente. A guia necessária, que pode por si só ser devidamente assegurada através da manutenção de uma expansão ininterrupta de assistência administrativa, mediante o estabelecimento de pioneiros e as visitas de instrutores itinerantes às comunidades filhas, não deve, sob nenhuma circunstância, ser totalmente removida depois que a sua independência tenha sido alcançada. Acima de tudo, o momentoso empreendimento iniciado no campo de serviço transatlântico, tão amplo em conceito, tão oportuno, tão árduo, tão profundo em suas potencialidades, tão infinitamente meritório, deve, face aos obstáculos, por mais intransponíveis que possam aparentar, ser continuamente revigorado através de suporte financeiro sem redução, através de uma provisão de literatura em franca expansão em cada um dos idiomas requeridos, através de freqüentes, e quando possível prolongadas, visitas de instrutores itinerantes, através do contínuo estabelecimento de pioneiros, através da consolidação das Assembléias já estabelecidas, através da constituição antecipada de Assembléias corretamente em funcionamento, nos poucos países-meta até agora privados desta inestimável bênção, e por último, porém não menos importante, através das manifestações de esforços sustentados e concentrados designados a suplementar estes focos de atividade administrativa nacional bahá’í com centros subsidiários cujas formações anunciarão a inauguração de empreendimentos de ensino através das províncias de cada um destes dez países. À medida que as forças dinâmicas aumentarem rapidamente para um crescendo, impulsionando adiante o Primeiro Plano de Sete Anos, nos últimos estágios de sua execução,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] culminando nas celebrações de abrangência nacional marcando o centenário da Fé de Bahá’u’lláh e sincronizadas, além disto, com um maior e ainda mais precipitado declínio nos destinos de uma sociedade sangrando dilacerada pela guerra, assim deve cada piora na condição de um mundo ainda atormentado pela desolação de um conflito devastador, e agora pairando na eminência de um conflito ainda mais crucial, ser acompanhada por uma manifestação ainda mais enobrecedora do espírito desta segunda cruzada, cuja consumação pode bem coincidir com um período de angústia ainda mais agudo que aquele pelo qual a humanidade está passando agora. ESSENCIAL INCESSANTE ESFORÇO Não nos cabe especular, ou discorrer a respeito dos trabalhos imediatos de uma inescrutável Providência presidindo igualmente sobre os decadentes destinos de uma ordem moribunda e a glória em ascensão de um Plano que traz dentro dele as sementes do renascimento espiritual do mundo e a derradeira redenção. Tampouco podemos tentar por ora, enquanto o segundo estágio na execução de tal Plano não tiver ainda rendido seu fruto destinado, visualizar a natureza das tarefas ou discernir o caráter das circunstâncias que marcarão o desdobramento progressivo de uma terceira cruzada sucessiva, cuja auspiciosa finalização deve sinalizar o encerramento da primeira idade histórica na evolução do Plano Divino. Tudo a respeito do que poderemos ter certeza e confiantemente afirmar é que, do resultado dos esforços assíduos agora sendo exercidos coletivamente, em três continentes, pelos crentes norteamericanos, latinos e europeus, agindo sob o Mandato de ‘Abdu’l-Bahá, associado com o único e singular Plano por Ele próprio concebido, auxiliados pelas agências que obtêm de

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CARTAS E MENSAGENS Sua Última Vontade e Testamento a sua inspiração, e assegurados do apoio prometido pela pena de Seu Pai em seu Livro Sacratíssimo, devem somente depender o tempo, bem como a natureza das tarefas que devem ser auspiciosamente levadas a efeito até o encerramento de uma era de tão transcendente brilho e glória na evolução do mais poderoso Plano gerado até hoje pelo poder criativo do Máximo Nome, tal qual manifestado pela Vontade do Centro de Seu Convênio e Intérprete de Seus Ensinamentos. Não pode haver dúvida alguma de que, a cada giro da roda, como resultado da operação do Plano de ‘Abdu’l-Bahá, e com cada avanço dentro do espectro de sua evolução, uma responsabilidade de ainda maior peso e de importância mais abrangente deverá ser ombreada pelos seus executores divinamente escolhidos, onde quer que suas ramificações possam ser estendidas e por mais opressivas que estejam as condições dos países e continentes onde estes possam ter que laborar. Eles devem lutar, incessantemente lutar, prontos para qualquer emergência, fortificados para deparar-se com qualquer nível de oposição, insatisfeitos com qualquer medida de progresso até então alcançado, preparados para fazer sacrifícios ultrapassando de longe qualquer outro que eles já tenham desejosamente experimentado, e confiantes de que tal luta, tal presteza, tal resolução, tal generosidade, tal sacrifício, tornálos-ão merecedores da palma de uma vitória ainda mais satisfatória para a alma e retumbante em sua magnificência do que qualquer outra até então obtida desde o início de sua missão. Possa Ele, Quem os chamou à existência e os criou, Quem os nutriu em sua infância, Quem lhes estendeu as bênçãos de Seu próprio apoio em seus anos de meninice, Quem lhes legou a distintiva herança de Seu Plano, cuja Última Vontade e

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Testamento os iniciou, durante o período de sua adolescência, nos processos de uma Ordem Administrativa divinamente apontada, Quem os capacitou a atingir a maturidade através da inauguração do primeiro estágio na execução de Seu Plano, Quem lhes conferiu o privilegio da maternidade espiritual no encerramento da fase inicial na operação daquele mesmo Plano, continuar, durante o desdobramento do segundo estágio em sua evolução, a guiar seus passos ao longo do caminho que os leva a assumir funções proclamando a realização da plena espiritualidade humana, e capacitá-los finalmente, através do longo e lento processo de evolução e em conformidade com os futuros requisitos de um Plano em contínua evolução, a manifestar ante os olhos dos integrantes de suas comunidades irmãs, seus compatriotas e para o mundo todo, e em toda sua plenitude, as potencialidades a estes inerentes, e que na plenitude do tempo devem refletir em sua forma aperfeiçoada as glórias da missão que lhes constitui direito inato.

26.

25 DE NOVEMBRO DE 1948 ORÇAMENTO APROVADO PARA 1949-1950

Aprovo comprometimentos comunidade às quantias propostas para 1949 e 1950 em sua carta de 11 de novembro. Urgência em reduzir, se necessário, despesas em Relações Públicas, Programações Nacionais e Rádio durante os próximos dois anos. Orando ardentemente para solução de problemas, remoção de dificuldades, realização de objetivos elevados.

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27.

10 DE DEZEMBRO DE 1948 CONTRATOS PRELIMINARES DO TEMPLO

Bem-vindos contratos preliminares para Templo e determinação para assegurar conclusão. Recomendo drástica redução em verbas para atividades exceto orçamentos para campanha América Latina e Europa, caso soma máxima para Templo seja excedida. Orando para remoção de dificuldades, guia divina contínua, condução sábia das múltiplas atividades para a Fé. Mais profundo amor.

28.

13 DE DEZEMBRO DE 1948 ARCADA PARA O SANTUÁRIO DO BÁB

Comunicar aos crentes a jubilosa notícia da segura entrega no Monte Carmelo de uma remessa de trinta e duas colunas monolíticas de granito, parte do embarque inicial do material encomendado para construção da arcada do Sepulcro do Báb, projetado para envolver e preservar a estrutura sagrada anterior edificada por ‘Abdu’l-Bahá. Processos de construção estão em breve sendo iniciados não obstante as dificuldades da situação presente. Eu estou suplicando pela guia e alentadora graça do Todo-Poderoso para os estágios sucessivos de um empreendimento imaginado sessenta anos atrás por Bahá’u’lláh, iniciado pelo Centro de Seu Convênio, designado a culminar conforme contemplado por Ele na edificação de uma superestrutura a ser coroada por um domo dourado marcando a consumação, no coração da Montanha de Deus, do momentoso empreendimento nascido através da influência

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] geradora da Vontade do Fundador da nossa amada Fé, tão preciosa para o coração do Seu santificado Filho, e dedicado à memória do Profeta-Mártir, o imortal Arauto da Dispensação Bahá’í.

29.

22 DE DEZEMBRO DE 1948 DRÁSTICA REDUÇÃO DE ORÇAMENTO

Drástica redução adicional no orçamento para os próximos dois anos incluindo suspensão temporária de Relações Públicas, Programação Nacional, atividades de rádio; publicações World Order, Bahá’í World são permissíveis se necessário.

30.

13 DE JANEIRO DE 1949 REDUÇÃO ADICIONAL DE ORÇAMENTO

Aconselho plano dois.* Urge, contudo, manter caminhos de entrada permanentes, vestíbulos e portas de metal. Também, piso permanente de borracha ou ladrilho. Considerando preços elevados, brevidade de tempo, questões de peso envolvidas, aprovo redução ainda mais drástica no orçamento, suspensão total por dois anos das verbas para atividades não ligadas com o projeto europeu, trabalho latino-americano e consolidação de Assembléias nos Estados Unidos.

*“plano dois” refere-se à relação de uma série de possíveis planejamentos de construção do Templo submetidas ao Guardião.

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31.

19 DE JANEIRO DE 1949 RESTRIÇÃO DE ALGUMAS ATIVIDADES

Os orçamentos para as atividades na Europa, América Latina e os trabalhos de consolidação nos Estados Unidos não devem ser reduzidos devido a sua relação vital com o Segundo Plano de Sete Anos. As demais atividades, quer ligadas à proclamação da Fé, publicações, Bahá’í Magazine, Bahá’í World ou escolas, também devem ser drasticamente reduzidas ou suspensas durante dois anos. Essenciais a realização da Convenção Anual e a manutenção do Bahá’í News.

32.

26 DE FEVEREIRO DE 1949

CANALIZAR CONTRIBUIÇÕES AO FUNDO DO TEMPLO

Aconselho-lhes canalizar contribuições do Fundo Internacional para o Fundo do Templo e suspender World Order Magazine.

33.

28 DE FEVEREIRO DE 1949 SUSPENDER WORLD ORDER MAGAZINE

Aconselho-lhes suspender revista nos próximos dois anos. Supliquem em meu nome a assinantes no Leste e Oeste a devotarem as suas taxas de assinatura para o Fundo do Templo. Devido à presente emergência tal ação seria altamente meritória.

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34.

16 DE MARÇO DE 1949 UM PERÍODO DE TESTES REMEMORANDO PROVAÇÕES DOS ROMPEDORES DA ALVORADA

A primeira metade da década de abertura do segundo centenário bahá’í está sendo encerrada. A generosa, valente, dinâmica comunidade bahá’í americana, carregada dos troféus acumulados ao longo dos seus cinqüenta anos de magnificente serviço à Fé de Bahá’u’lláh, está irresistivelmente participando de um período de dois anos e meio incomparável em suas fatídicas conseqüências com qualquer outro período atravessado na agitada história da comunidade. Seus membros, sem exceção, são rogados a fortificarem-se sem demora para encarar uma emergência inesperada, arrebatar uma oportunidade dada por Deus, enfrentar um desafio supremo e anunciar uma tenacidade de propósito, uma solidariedade em sacrifício, uma austeridade na vida diária, dignos do Profeta-Mártir de sua Fé bem como de seus heróicos ancestrais espirituais, o centenário de cujas tribulações agonizantes, incluindo cativeiro, cercos, traições, espoliação e martírio, está sendo comemorado durante este mesmo período. Nenhum tributo menor pode ser oferecido, pelos privilegiados construtores-campeões da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh durante o presente crítico estágio no desdobramento da Idade Formativa de Sua Dispensação, à memória do glorioso Báb, ao imortal Quddús, ao valente Mullá Husayn, ao erudito Vahíd, ao audacioso Hujjat, aos sete ilustres mártires de Teerã e uma multidão de incontáveis heróis cujo sangue vital verteu tão copiosamente no decurso da década de abertura do primeiro século bahá’í, do que uma efusão comparável à sua

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CARTAS E MENSAGENS substância pelos edificadores da mais sagrada Casa de Adoração, laborando na década correspondente do século seguinte. A comunidade bahá’í americana, exaltada, escolhida dentre comunidades irmãs do Leste e Oeste através da revelação das Epístolas do Plano Divino, está inevitavelmente aproximandose de um período de provação, crucial, prolongado, potente, purificador, claramente considerado por ‘Abdu’l-Bahá, diferente, porém, rememorando em sua severidade as provações que afligiram os rompedores da Alvorada da Idade anterior. As experiências previstas permitirão aos seus membros sondar profundidades maiores de consagração, elevar-se a alturas mais nobres de empenho coletivo e revelar plenamente a futura glória de seu destino. Não poderiam o esforço, a tensão, do período vigoroso sendo agora anunciado através de inescrutáveis dispensações de Providência, ser geradores de bênçãos e benefícios claros remanescentes das incalculáveis efusões de graça divina que seguiram de perto na sucessão das deploráveis provações que imortalizaram o inicial, o sangrento e mais dramático período na Idade Heróica da Dispensação Bahá’í?

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21 DE MARÇO DE 1949 ARCADA DO SANTUÁRIO DO BÁB INICIADA

Transmitam aos amigos a jubilosa histórica notícia do início da construção da arcada do Santuário do Báb coincidindo com o décimo-quarto aniversário da colocação de Seus restos mortais em sarcófago de mármore no sepulcro do mesmo santuário por ‘Abdu’l-Bahá.

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11 DE ABRIL DE 1949

UM OBJETIVO REMANESCENTE AINDA POR ALCANÇAR

A comunidade bahá’í americana, até agora invicta no desempenho de qualquer tarefa assumida coletivamente pelos seus membros, no trajeto de sua história repleta de eventos, está agora entrando num período emergencial grave que colocará à prova o fervor de cada um dos seus membros. Severo como será o desafio, por mais prolongado que possa ser o teste, não importa quão perturbadora a condição do mundo em relação a eles, as questões que reivindicam cada quinhão de sua energia e chamam pela sua sustentada, sincera e concentrada atenção são tão significativas que ninguém no momento pode avaliar a influência que estes exercerão no transcurso do destino futuro da comunidade. Não pode haver dúvida de que o Segundo Plano de Sete Anos, o elo vital ligando os estágios inicial e final da primeira era na evolução progressiva do Plano de longo prazo e em contínuo desdobramento de ‘Abdu’l-Bahá, alcançou sua fase crucial – uma fase da qual dependem os destinos não somente do Plano propriamente dito, mas da comunidade como um todo. O quarto objetivo do Plano, o projeto transatlântico no qual seus membros se envolveram, tem sido, quatro anos antes do previsto, em todos os seus propósitos e intenções, vitoriosamente alcançado. O terceiro objetivo foi parcialmente alcançado, enquanto seu total cumprimento, como uma conseqüência direta do maravilhoso sucesso que acompanhou os valorosos trabalhos dos pioneiros americanos e os recémdeclarados crentes nativos na América Latina, parece estar agora totalmente assegurado. A realização do primeiro objetivo, como resultado do notável impulso dado, durante os anos de

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CARTAS E MENSAGENS abertura do Plano, para a multiplicação das Assembléias Espirituais e a proclamação da Fé na América do Norte, foi grandemente facilitada e será, mediante esforços permanentes, sem envolver grande gasto de energia, assegurado no decurso da fase conclusiva do Plano. A conclusão do Templo-Mãe do Ocidente, a santidade do qual nem o primeiro Mashriqu’lAdhkár do mundo bahá’í nem qualquer outra Casa de Adoração a ser erigida pelos seguidores de Bahá’u’lláh, em qualquer país, qualquer data futura, pode rivalizar, em tempo para a celebração de seu Jubileu, é o único objetivo agora precariamente pendente. Devido à combinação de circunstâncias totalmente fora do controle de seus construtores, esta tarefa assumiu uma importância crucial, sendo de tamanha urgência vital que nenhum executor do Plano, ansioso por testemunhar a sua realização, pode sequer ensejar ignorá-lo nem por um só momento. O sacrifício exigido é tamanho a ponto de não possuir paralelo na história daquela comunidade. As múltiplas questões inextricavelmente entrelaçadas com a campanha audaciosamente lançada para a realização deste elevado objetivo são de caráter tão significativo a ponto de obscurecer todo empreendimento iniciado através dos esforços organizados de seus membros, tanto nos anos conclusivos da Idade Heróica da Fé ou do primeiro período da Idade que a antecedeu. Os dois anos durante os quais esta emergência será mais fortemente percebida coincidem, por um lado, com um período de crescente agitação ocasionada pelas incertezas, os perigos e os medos de uma situação internacional em franca piora e, por outro lado, com o centenário de um dos mais turbulentos, aflitivos e gloriosos estágios da história bahá’í – um estágio imortalizado por uma efusão de sangue, uma abnegação, um heroísmo incomparável não somente nos anais da Fé, mas na

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] história espiritual do mundo. Quão meritórios são, de fato, os atos de abnegação que este momento supremamente desafiador agora conclama, em meio às perplexidades e confusão que a sociedade hodierna está agora experimentando! E ainda, quão superficial em comparação com o auto-sacrifício dos mais distinguidos, os mais preciosos heróis e santos da Idade Primitiva de nossa gloriosa Fé! Uma efusão de tesouro, não menos copiosa que o sangue derramado tão prodigiosamente na Era Apostólica da Fé por aqueles que, no coração do continente asiático, proclamaram seu nascimento ao mundo, pode servir seus descendentes espirituais, quem, na presente Era Formativa da Dispensação Bahá’í, deu vitórias à Causa e que assumiram tão preponderante quota na edificação de sua Ordem Administrativa, e estão agora engajados no estágio final da construção da Casa que encarna a alma daquela Fé no continente americano. Nenhum sacrifício pode ser considerado por demais grande para assegurar a conclusão de tamanho edifício – a mais sagrada Casa de Adoração nunca antes associada com a Fé do Máximo Nome – um edifício cujo princípio irradiou tamanho brilho nos anos de encerramento da Idade Heróica da Dispensação Bahá’í que assumiu uma forma concreta no presente estágio Formativo na evolução de nossa amada Fé, cujas dependências devem surgir no decurso de sucessivas épocas desta mesma Era e cujos frutos mais formosos serão obtidos na Idade ainda por vir, a última, a Idade Áurea da Dispensação inicial e de maior brilho deste Ciclo Bahá’í de cinco mil séculos. São palavras do próprio ‘Abdu’l-Bahá,* predizendo a liberação de forças espirituais que devem acompanhar a conclusão desta mais consagrada Casa de Adoração: *Ver: A Presença de Deus, p. 471.

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CARTAS E MENSAGENS “...o mais admirável e empolgante impulso aparecerá no mundo da existência.”19 Ele, glorificando ainda mais aquela edificação, escreveu: “Desse ponto de luz o espírito do ensino... atingirá todas as partes do mundo.”20 E novamente: “Desse Mashriqu’l-Adhkár nascerão, sem dúvida, milhares de Mashriqu’l-Adhkárs. Assinala o início do Reino de Deus na Terra.”21 Mais uma vez eu repito – e não posso subestimar a vital, a importância ímpar da campanha lançada agora para assegurar o término de tal edificação – o destino imediato da comunidade bahá’í americana está íntima e inescapavelmente amarrado com o resultado desta recém-lançada campanha, severamente penosa, purificadora da alma e espiritualmente enaltecedora. A missão determinada por Deus, promulgando o direito inato e proclamando a primazia de uma comunidade cujos membros o Fundador daquela comunidade, o próprio Centro do Convênio, intitulou como “Apóstolos de Bahá’u’lláh”, só pode ser cumprida se eles obedecerem condizentemente a Ordem específica dada por ‘Abdu’l-Bahá em Suas Epístolas do Plano Divino. A execução desta Ordem é, por sua vez, dependente da conclusão triunfante do Segundo Plano de Sete Anos, o segundo estágio na série de planos específicos formulados para assegurar a finalização bemsucedida da fase inicial da execução daquela Ordem. De fato, os planos sucessivos, inaugurados desde o alvorecer do segundo século bahá’í, pelas Assembléias Nacionais inglesa, indiana, persa, australiana-neozelandesa, iraquiana, alemã e egípcia, com exceção ao plano assumido pela Assembléia Nacional do Canadá, que faz parte integral do Plano associado com as Epístolas de ‘Abdu’l-Bahá, são apenas suplementos ao vasto

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] empreendimento cujas características foram delineadas naquelas Epístolas e devem ser consideradas, devido a sua natureza específica, como sendo de abrangência regional, contrastando com a característica de abrangência mundial da missão confiada à comunidade dos construtores-campeões da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, e os portadores da tocha da civilização que aquela Ordem deve finalmente estabelecer. Com respeito ao Segundo Plano de Sete Anos propriamente dito, seu sucesso final deve depender da realização do seu segundo e mais vital objetivo. Este objetivo, por sua vez, não pode ser atingido sem que a campanha de dois anos, lançada agora pelos representantes eleitos desta comunidade, seja com sucesso levada a efeito. Tampouco pode esta campanha render seu mais rico fruto, a não ser que e até que a comunidade, em sua totalidade, participe neste esforço sacrificial de abrangência nacional. Nem pode este esforço coletivo ser abençoado, à plena extensão possível, a não ser que as contribuições feitas pelos seus membros envolvam atos de abnegação, não só por parte daqueles de posses modestas, mas também por aqueles dotados de recursos substanciais. Certamente, tampouco podem ser estes atos de abnegação, exercidos tanto por pobres como por ricos, geradores do mais pleno benefício possível, a não ser que este esforço sacrificial não seja nem momentâneo nem casuístico, mas sim sistemático e contínuo ao longo do presente período emergencial. Então e somente então esta sagrada edificação, símbolo e anunciador de uma civilização mundial ainda por nascer, e a incorporação do sacrifício de uma multidão dos apoiadores da Fé de Bahá’u’lláh, irá liberar a medida integral do poder regenerativo com o qual foi dotada, irradiar em toda a sua plenitude a glória do Sacratíssimo Espírito que nele habita e vindicar, sem sombra de dúvida, a verdade de cada uma das

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CARTAS E MENSAGENS promessas registradas pela pena de ‘Abdu’l-Bahá referentes ao seu destino. Não pode ser imaginado um destino mais condizente para este magnificente empreendimento de que a esta nobre edificação, cuja pedra fundamental foi assentada pelas próprias mãos de ‘Abdu’l-Bahá, a decisão preliminar de cuja construção foi sincronizada com o sepultamento formal dos restos mortais do Báb no Monte Carmelo, dentro de cujas paredes o primeiro Centenário do nascimento de Seu ministério foi celebrado, cuja ornamentação interior coincidiu com a construção da arcada de Seu Sepulcro, deva ser concedida a honra de ter o Jubileu de sua inauguração coincidindo com o, e celebrado na ocasião do, Centenário do alvorecer da Missão profética de Bahá’u’lláh no Síyáh-Chál de Teerã.

37.

25 DE ABRIL DE 1949 PROCESSO DE EXPANSÃO SE ACELERA MENSAGEM À CONVENÇÃO DE 1949

Desejo compartilhar com os participantes da Quadragésima Primeira Convenção Bahá’í sentimentos de jubilosa gratidão evocada pela consistente aceleração do duplo processo de expansão e consolidação da Comunidade Bahá’í Mundial bem como pelas evidências claras de proteção divina concedidas ao Centro Mundial da Fé ao longo do terceiro ano do Segundo Plano de Sete Anos. O número de países incluídos dentro do âmbito da Fé é de noventa e quatro. Os idiomas para os quais a literatura bahá’í está traduzida, e as Assembléias Locais e Nacionais incorporadas, totalizam agora cinqüenta e seis e cento e cinco, respectivamente. A literatura bahá’í está agora sendo

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] traduzida para catorze idiomas adicionais. O número de centros na América Latina é agora de cento e nove. O quarto objetivo do presente Plano foi alcançado quatro anos antes do planejado mediante a formação de uma Assembléia Espiritual em cada um dos dez países-meta do continente europeu. Os centros estabelecidos nestes países totalizam trinta e um, os membros nativos recém-declarados, cento e cinqüenta e quatro. Um impulso próximo de um milhão de dólares para completar o Templo-Mãe do Ocidente foi auspiciosamente lançado e a construção de seções interiores da ornamentação, iniciada. O número de assentamentos na Groenlândia munidos com escrituras bahá’ís elevou-se para quarenta e oito, incluindo Thule, além do Círculo Ártico, e Etah, próximo à latitude dezoito. O número de estados americanos, territórios e distritos federais reconhecendo o casamento bahá’í elevou-se para dezoito. A restauração do recém-adquirido Hazíratu’l-Quds em Frankfurt foi iniciada. A formulação de planos de cinco anos para as Assembléias Nacionais alemã e egípcia, culminando com o Centenário do Nascimento da Missão profética de Bahá’u’lláh, completa o número de Assembléias Nacionais comprometidas a alcançar, dentro do tempo acordado, as metas especificadas em cinco continentes. A Conferência de Ensino Européia realizada em Genebra, inaugurando uma série de eventos anuais designados para consolidar o tremendamente significativo projeto transatlântico. Observadores bahá’ís reconhecidos pelas Nações Unidas participaram na Conferência sobre Direitos Humanos, Genebra; Assembléia Geral das Nações Unidas, Paris. Representante bahá’í participou em Luxemburgo da conferência geral do movimento mundial para federação mundial. Primeira Assembléia totalmente de índios de pele vermelha consolidada em Macy, Nebraska. Operações da construção da arcada do

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CARTAS E MENSAGENS Sepulcro do Báb iniciadas quarenta anos após o sepultamento oficial de Seus restos mortais por ‘Abdu’l-Bahá. Hostilidades prolongadas assolando a Terra Santa terminaram de maneira providencial. Lugares sagrados bahá’ís, diferentemente daqueles pertencentes a outras religiões, foram miraculosamente salvaguardados. Riscos não menos graves do que aqueles que ameaçaram o Centro Mundial da Fé por ‘Abdu’l-Hamíd e Jamal Páshá, e das intenções de captura do Oriente Próximo por Hitler, foram afastados. Estados soberanos independentes dentro dos limites da Terra Santa foram estabelecidos e reconhecidos, marcando o fim da posição de província de vinte séculos. Garantia formal de proteção aos lugares sagrados bahá’ís e continuidade à peregrinação bahá’í dada pelo primeiro-ministro do recém-emergido Estado. Convite oficial estendido pelo seu governo por histórica ocasião da abertura do primeiro parlamento do Estado. Endossado o registro oficial do matrimônio bahá’í, fundos bahá’ís liberados pelas autoridades daquele mesmo Estado. Melhores votos para o futuro bem-estar da Fé de Bahá’u’lláh proferidos por escrito pelo recém-eleito chefe de Estado em resposta à mensagem de congratulações dirigida a ele pela posse de seu mandato. Apelo à comunidade toda, através dos delegados convocados, em reconhecido agradecimento às bênçãos múltiplas concedidas à Fé e em resposta ao alerta soado em virtude da presente emergência, a levantar-se e demonstrar, mais visivelmente do que nunca, através de austeridade maior em sua pátria e de audácia crescente em terras estrangeiras, tanto na América Latina como na Europa, sua rígida determinação de, a qualquer custo, não importando quão crucial a prova, quão longo o período, quão hercúlea a tarefa, levar avante a sua tarefa, de maneira incansável, até sua triunfante conclusão.

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38.

29 DE JUNHO DE 1949 VITÓRIA INICIAL BEM-VINDA

Muito bem-vinda, muito impressionado pela notável façanha da vitória inicial alcançada coletivamente pelos esforços de auto-sacrifício da invencível, previdente e ousada comunidade bahá’í americana. Vitória suprema agora em vista, começando bem a trazer o presente período emergencial à triunfante finalização, selar o destino do Segundo Plano de Sete Anos e abrir a perspectiva da gloriosa inauguração, ao tempo determinado, do Terceiro Plano coletivo designado a finalizar o capítulo inicial na história do misterioso desdobramento do Plano Divino. Regozijado particularmente pela formulação dos planos de ensino tão vitalmente atrelados com o destino imediato do empreendimento do Templo. Devido ao relaxamento de pressão ocasionado pela crítica situação, recomendo atenção especial direta para fortificar as atividades conduzidas na América Latina e no continente europeu. Necessidade de pioneiros voluntários autosustentados, totalmente dedicados, previstos para suplementar recém-lançado empreendimento em ambas áreas, está ainda pressionando e adquirindo maior urgência devido à aproximação emergente das Assembléias Nacionais latinoamericanas e à necessidade de consolidar rapidamente as recémformadas Assembléias Locais em dez países-meta europeus. Coração elevado em contemplar imenso alcance de realizações abraçando tão vasto território em ambos os hemisférios. Preces continuamente ascendendo ao trono de Abhá, tanto em agradecimento às maravilhosas recompensas já concedidas como em súplica para renovação de forças para realização de metas futuras.

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CARTAS E MENSAGENS

39.

20 DE JULHO DE 1949

SUPLICANDO BÊNÇÃOS PARA ATIVIDADES AMERICANAS

Deleitado pelo progresso dos trabalhos do Templo. Grandemente aprovo, profundamente aprecio sugestão para custear despesas de representante alemão para a Conferência de Bruxelas. Suplicando as bênçãos do Todo-Poderoso às múltiplas atividades exercidas, atenção incessante, determinação inflexível, auto-sacrifício exemplar nos três continentes pela divinamente sustentada comunidade bahá’í americana.

40.

7 DE AGOSTO DE 1949

EXTREMIDADES DA ARCADA DO SANTUÁRIO EM CONSTRUÇÃO

Informem aos amigos o início da construção em três extremidades da arcada do Santuário. Seis pilastras de granito já erigidas, doze colunas serão levantadas em breve. Encaminhando fotografias para motivos publicitários.

41.

18 DE AGOSTO DE 1949 ESTA HORA, REPLETA DE DESTINO

Os esforços aplicados e os resultados alcançados pelos membros da comunidade bahá’í americana durante os meses de abertura do período emergencial de dois anos são tais a ponto de merecer os mais elevados louvores e elogios. Estes irão, caso o esforço seja mantido, evocar a admiração de todo o mundo bahá’í, que está agora, com sentimentos de

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] curiosidade e expectativa, atento para o resultado do tremendo trabalho desta comunidade confrontada agora com uma das tarefas mais desafiadoras, árduas e de longo alcance jamais assumidas em sua história. O grandioso avanço que já foi experimentado, durante período tão curto, pressagia bem a vitória final, agora à vista – uma vitória que pavimentará o caminho para a execução bemsucedida de um empreendimento de sete anos, destinado por sua vez a permitir seus executores a lançar, no tempo determinado, o terceiro e mais glorioso estágio no desdobramento inicial do grandioso e singular projeto de ‘Abdu’l-Bahá para aquela privilegiada e conspicuamente abençoada comunidade. Não menos surpreendente foi a façanha dos representantes desta comunidade no vasto e mais recente campo de seus históricos e altamente meritórios esforços, realizada além dos limites de sua terra natal, onde, num território tão vasto, num continente tão agitado e entre um povo tão desiludido, tão diversificado em raça, língua e perspectiva, tão empobrecido espiritualmente, tão paralisado pelo medo, tão confuso em pensamentos, tão degradado em seus padrões morais, tão roto pelas divisões internas, vitórias tão ricas em promessas, tão surpreendentes pela sua rapidez, tão magnificentes pela sua abrangência, foram conquistadas e enobrecidas, num grau tão marcante, o registro imortal do serviço bahá’í americano à Fé de Bahá’u’lláh. Agora que tão prodigioso e bem-sucedido esforço foi exercido em nome do histórico e sagrado Templo, cuja finalização constitui um objetivo tão vital do Segundo Plano de Sete Anos, e um triunfo tão conspícuo conquistado na esfera transatlântica de suas operações, suas necessidades e demais objetivos vitais, tanto em sua pátria como em terras latino-

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CARTAS E MENSAGENS americanas, que devem receber, nos meses imediatamente a seguir, a atenção particular tanto dos eleitos representantes nacionais da comunidade que supervisionam os afazeres do Plano como da massa de crentes que participam de sua execução. Enquanto os requisitos financeiros do Templo-Mãe do Ocidente estão sendo alcançados com inabalável heroísmo por ricos e pobres, da mesma forma, nos meses críticos que estão por vir, e as medidas para assegurar o constante suporte e a consolidação ininterrupta do empreendimento europeu estão sendo assiduamente levadas a efeito, um esforço paralelo não menos corajoso e sustentado deve ser simultaneamente realizado no continente norte-americano e nas Américas Central e do Sul com o propósito de preservar os prêmios já conquistados em toda a extensão do hemisfério ocidental, onde o impulso inicial deste poderoso Plano Divino foi sentido e suas vitórias iniciais em terras estrangeiras, registradas. As Assembléias do continente norte-americano, constituindo a base para as gigantescas operações destinadas a aquecer e iluminar, sob o amparo bahá’í americano, os cinco continentes do globo, não devem, em momento algum e sob nenhuma circunstância, diminuir em número ou declinar em esforço e em influência. O movimento de pioneiros, sejam estes instrutores residentes ou itinerantes, que em terras tão distantes da base tem demonstrado tão maravilhosa vitalidade, não deve, dentro dos limites da terra natal propriamente dita, ser nem interrompido ou sofrer qualquer declínio. Os grupos e centros isolados tão penosamente formados e estabelecidos devem, conjuntamente com este dever altamente meritório e essencial, ser mantidos, adotados e se possível multiplicados. Não menos atenção, enquanto este período emergencial sobrecarrega, em grau sem precedente, os recursos conjuntos

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] dos invejados fideicomissários do Plano Divino de ‘Abdu’lBahá, deve ser dirigida à vasta rede de empreendimentos bahá’ís iniciados por toda a América Latina, onde o trabalho tão nobremente concebido, tão diligentemente levado a efeito e tão evidentemente abençoado está se aproximando do primeiro estágio de realização. O fluxo de pioneiros, tão vital em todos os aspectos e que tem alcançado tão inestimáveis benefícios nos estágios iniciais deste amplamente ramificado empreendimento, não deve, por mais urgentes que sejam as outras tarefas já ombreadas por uma comunidade tão sobrecarregada, porém infalivelmente protegida, ser preso nem diminuído. Os postos fronteiriços das recém-constituídas comunidades, estabelecidas no Estreito de Magalhães, ao Sul, devem ser mantidos com vigor e determinação irrestritos. A tarefa maior de assegurar a amplitude e solidez das fundações assentadas para o estabelecimento de duas Assembléias Nacionais bahá’ís, através da preservação das presentes Assembléias, grupos e centros isolados, e o restabelecimento de qualquer um destes centros vitais, agora dissolvidos, para sua posição anterior, deve ser meticulosamente observada e constantemente encorajada. O processo de disseminação da literatura bahá’í, das publicações e traduções bahá’ís, deve continuar sem restrição, apesar do grande sacrifício envolvido. As recém-habilitadas instituições de ensino e os comitês regionais, de escolas de verão e de congressos, devem ser continuamente encorajados e crescentemente apoiados por mestres, bem como por administradores, por pioneiros vindos de fora, assim como pelos próprios crentes nativos. A altamente salutar e espiritualmente benéfica experiência de encorajar uma participação mais ativa por estes recém-conquistados sustentáculos da Fé na América Latina, e uma aceitação maior de responsabilidade administrativa por parte deles, nas

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CARTAS E MENSAGENS atividades em contínua expansão a serem integralmente confiadas a seus cuidados nos anos por vir, devem ser particularmente desenvolvidas, sistematizadas e dispostas sobre bases seguras e inexpugnáveis. Acima de tudo, o supremo dever de aprofundamento da vida espiritual destes recém-habilitados, estes preciosos e altamente estimados colaboradores, e de iluminação de suas mentes com respeito às verdades essenciais entesouradas em sua Fé, suas instituições fundamentais, sua história e gênesis – os Convênios gêmeos de Bahá’u’lláh e de ‘Abdu’l-Bahá, a presente Ordem Administrativa, a futura Ordem Mundial, as Leis do Sacratíssimo Livro, as inseparáveis instituições da Guardiania e da Casa Universal de Justiça, os destacados eventos das Idades Heróica e Formativa da Fé e as suas relações com as Dispensações que a precederam, sua atitude em relação às organizações sociais e políticas que a circundam – devem continuar a constituir os aspectos mais vitais da grande Cruzada espiritual lançada pelos campeões da Fé entre os povos das suas repúblicas irmãs no Sul. A magnitude das tarefas que estes heróis e campeões da Fé são convocados, neste momento, abarrotado de destino, a desempenhar desde as margens da Groenlândia até a extremidade Sul do Chile, no hemisfério ocidental, e desde a Escandinávia, ao Norte, até a Península Ibérica no Sul do continente europeu é, certamente, empolgante em suas implicações e extenuante no esforço que impõe. Os sacrifícios que são chamados a fazer voluntariamente para a realização bem-sucedida de tão hercúleas, tão sagradas, tão notáveis tarefas, não são comparáveis a nenhum outro, a não ser aqueles que seus ancestrais espirituais aceitaram, por vontade própria, no momento do nascimento de sua Fé há mais de cem anos. Deles é o privilégio, não menos meritório e talvez tão notável, de presidir, em sua própria terra natal e nos continentes

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] vizinhos, e dirigir as forças geradas pelo nascimento de uma ordem que a posteridade irá aclamar como sendo o fruto daquela Fé e o precursor da Idade Áurea, na qual aquela mesma Fé deve, na plenitude dos tempos, encontrar sua mais copiosa expressão e mais gloriosa consumação. Como é grande a oportunidade que o presente momento, tão obscuro nos destinos da humanidade e ainda tão brilhante na história em crescente desenvolvimento de sua Fé, lhes oferece. Tão indescritivelmente preciosa a recompensa que aqueles que a servem irão colher! Tão lamentável e urgente a necessidade das multidões em espera nestes continentes, intimadas a absorver o impacto inicial da operação de um Plano divinamente impelido, que nenhuma força pode resistir e nenhuma potência pode rivalizar! Por aquilo que esta magnificamente guarnecida comunidade, este exército, avançando irresistivelmente, dos guerreiros escolhidos de Bahá’u’lláh, batalhando sob Sua bandeira, operando em conformidade com o Mandato explícito proferido pelo Seu amado Filho, já alcançou, em tão extenso campo, em tão curto tempo, com tamanho sacrifício, por tão preciosa Causa, e no decurso de tão turbulentos anos, nada posso eu sentir a não ser o mais profundo senso de gratidão cujo igual nenhum empreendimento, individual ou coletivo, apresentado em qualquer outra parte do globo, por qualquer comunidade associada com a Causa do Máximo Nome, despertou. Por aquilo que irá e deve alcançar no futuro eu nutro sentimentos de calorosas expectativas e de serena confiança. Para este, eu continuarei, do fundo de um coração amoroso e agradecido, a suplicar bênçãos imensuravelmente mais ricas que qualquer outra até hoje experimentada.

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42.

6 DE NOVEMBRO DE 1949 REZANDO PARA SUCESSO CRESCENTE

Deleitado pelo progresso dos trabalhos do Templo; urge ininterrupto reforço dos empreendimentos latino-americanos e europeus através do firme fluxo de pioneiros, continuada abnegação; orando pelo crescente sucesso do vosso mais alto empenho. Mais profunda amorosa estima.

43.

13 DE NOVEMBRO DE 1949

MAJESTADE DO DESDOBRAMENTO DO SANTUÁRIO DO BÁB

Anunciem aos amigos que seiscentas toneladas de rochas destinadas à arcada do Santuário do Báb, recebidos em embarques sucessivos à Terra Santa, foram transportadas com segurança aos seu destino, apesar dos repetidos acidentes – o afundamento de uma embarcação mais leve no porto e a deflagração de um incêndio no porão do navio. Um adicional de duzentas toneladas de material, incluindo mosaico de mármore esculpido, foi encomendado através de recente contrato para edificação do parapeito projetado a coroar as colunas e arcos da arcada. Faces norte e leste da estrutura com três cantos virtualmente concluídas. Construção da cornija e telhado, estágio final da edificação da arcada, será brevemente concluído. Majestade e beleza das colunas rodeando o sagrado edifício central construído pelas mãos de ‘Abdu’l-Bahá firmemente se desdobrando, pressagiando a revelação da plena glória do Sepulcro terminado, manifestando a plenitude do esplendor do domo construído.

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44.

19 DE DEZEMBRO DE 1949 INFIEL IRMÃO HUSSEIN

O infiel irmão Hussein, já degradado pela conduta desonrada ao longo dos anos, seguido pela associação com rompedores do Convênio na Terra Santa e esforços para minar a posição do Guardião, recentemente humilhou-se ainda mais mediante casamento sob circunstâncias obscuras, com humilde moça cristã na Europa. Esta vergonhosa aliança, sucedendo quatro casamentos sucessivos de irmãs e primas com três filhos de rompedor do Convênio denunciado repetidamente por ‘Abdu’l-Bahá como sendo Seu inimigo, e filha de notório agitador político, estigmatiza-os com infâmia maior que qualquer outro associado com casamentos contraídos por velhos rompedores do Convênio, pertencendo quer à família de Muhammad-‘Alí ou Badí’u’lláh.

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25 DE FEVEREIRO DE 1950 MANTENHAM ESFORÇO NA FRENTE TRIPLA

Deleitado pelo progresso em terras latino-americanas, construção do Templo e atividades publicitárias. Anuncio a chegada do primeiro carregamento de painéis do parapeito. Noticio a conclusão antecipada da fachada leste do Santuário incluindo painéis de mosaico. Urge a manutenção de esforço na frente tripla, empreendimentos nacionais, intercontinentais. Orando por bênçãos bondosas do Todo-Poderoso.

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CARTAS E MENSAGENS

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21 DE MARÇO DE 1950 PARAPEITO DO SANTUÁRIO CONCLUÍDO

Anunciem aos amigos a conclusão da construção, na noite de Naw-Rúz, do parapeito da fachada leste do Sagrado Santuário um ano após o assentamento das primeiras pedras sobre a fundação da arcada. A beleza e majestade dos painéis finamente entalhados transpondo os arrojados arcos estendendo-se sobre as colunas monolíticas rosadas, ornados com mosaico verde-esmeralda e escarlate simbolizando a linhagem e martírio do Báb, são surpreendentemente reveladas. A estrutura perolada original erigida pelas mãos do Centro do Convênio, entesourando os restos do Profeta-Mártir da Fé, adquirindo, através da construção da concha desenhada para seu embelezamento e preservação, uma elevação adicional equivalente a um terço, largura adicional equivalente a um quinto, realçando a solidez do edifício encerrado na Montanha de Deus, anunciando a edificação do grandioso domo dourado que irá finalmente brilhar no esplendor solitário de seu coração.

47.

29 DE MARÇO DE 1950 SAGRADA TAREFA DA PRESENTE HORA

Aprovada recomendação relativa ao tratamento das paredes. O presente déficit de orçamento deve ter precedência sobre a aquisição de terreno perto de Hazíra,* devido à situação crítica na América Latina e às necessidades vitais na Europa. Fluxo firme de pioneiros para ambos os continentes é a imperativa, urgente e sagrada tarefa do presente momento. *Hazíratu’l-Quds – Centros Administrativos Bahá’ís. [n.r.]

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48.

17 DE JUNHO DE 1950

ARCADA DO SANTUÁRIO APROXIMANDO-SE DO TÉRMINO

Anunciem aos amigos que o painel central da face norte, adornado com mosaico verde com o dourado Nome Supremo, a mais bela pedra preciosa fixada à coroa da arcada do Santuário, claramente visível desde a cidade durante o dia, iluminada durante a noite, está agora concluído. Erigidos três painéis de canto ostentando o símbolo do anel, pressagiando o término de ambos, parapeito e arcada, na ocasião da aproximação do Centenário do martírio do Abençoado Báb.

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4 DE JULHO DE 1950 CENTENÁRIO DO MARTÍRIO DO BÁB

Movido a compartilhar com os representantes reunidos da comunidade bahá’í americana congregados sob o domo da Sacratíssima Casa de Adoração no mundo bahá’í, sentimentos de emoção profunda evocados por esta histórica ocasião da comemoração mundial do Primeiro Centenário do Martírio do Abençoado Báb, Profeta e Arauto da Fé de Bahá’u’lláh, Fundador da Dispensação marcando o término do Ciclo Adâmico de seis mil anos, Inaugurador do Ciclo Bahá’í de cinco mil séculos. Dolorosamente trago à lembrança as circunstâncias ligadas ao último ato consumando o trágico ministério do HeróiMestre do mais sublime drama dos anais religiosos da humanidade, sinalizando o mais dramático evento do mais

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CARTAS E MENSAGENS turbulento período da Idade Heróica da Dispensação Bahá’í, destinado a ser reconhecido pela posteridade como o mais precioso e momentoso sacrifício da história espiritual do mundo. Relembrar os insuperáveis tributos rendidos à Sua memória pelo Fundador da Fé, aclamando-O Monarca dos Mensageiros de Deus, o Ponto Primaz ao redor de Quem as realidades de todos Profetas circulam em adoração. Profundamente incitado pela lembrança das agonias que Ele sofreu, as boas-novas que Ele anunciou, as advertências que Ele proferiu, as forças que Ele pôs em movimento, os adversários que Ele converteu, os discípulos que Ele levantou, as conflagrações que Ele precipitou, o legado que Ele deixou de fé e coragem, o amor que Ele inspirou. Reconheço com a cabeça prostrada, jubiloso e com o coração agradecido, a sucessiva e maravilhosa evidência de Seu triunfante poder ao longo dos cem anos decorridos desde o último ato coroando Seu meteórico ministério. As energias criativas liberadas na hora do nascimento de Sua Revelação, dotando a humanidade com as potencialidades para alcançar a maturidade, estão perturbando, ao longo desta era transitória, o equilíbrio do planeta todo, como o prelúdio inevitável à consumação da unificação do mundo na era por vir da raça humana. As prodigiosas, porém negligenciadas, advertências dirigidas aos reis, príncipes e eclesiásticos são responsáveis pelas sucessivas ruínas de catorze monarquias do Leste e Oeste, o colapso da instituição do Califado, a extinção virtual da soberania temporal do papa, o declínio progressivo no destino das hierarquias eclesiásticas das Fés Islâmica, Cristã, Judaica, Zoroastriana e Hindu. A Ordem louvada e anunciada em Suas escrituras, cujas leis Bahá’u’lláh revelou subseqüentemente no Sacratíssimo Livro, cujas características ‘Abdu’l-Bahá delineou em Seu

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Testamento, está agora passando por seu estágio embrionário através do surgimento das instituições iniciais da Ordem Administrativa do mundo nos cinco continentes do globo. O toque de clarim soado no Qayyúmu’l-Asmá, convocando os povos do Ocidente a renunciar seus lares e proclamar Sua mensagem, foi nobremente respondido pelas comunidades do hemisfério ocidental encabeçado pelos valorosos e corajosos crentes americanos, a vanguarda escolhida do todoconquistador e irresistivelmente marchante exército da Fé no mundo ocidental. A Fé embrionária, amadurecendo três anos após Seu martírio, atravessando o período da infância no transcorrer da Idade Heróica da Fé, está agora firmemente progredindo em direção à maturidade na presente Idade Formativa, destinada a atingir sua plenitude na Idade Áurea da Dispensação Bahá’í. Finalmente a Semente Sagrada de preciosidade infinita, contendo dentro de si potencialidades incalculáveis representando a culminação do processo secular da evolução da humanidade através das energias liberadas pelas séries de Revelações progressivas iniciadas com Adão e concluídas pela Revelação do Selo dos Profetas, marcada pelo aparecimento sucessivo de galhos, folhas, botões, flores e depenada, após seis breves anos, pela mão do destino, triturada no moinho de martírio e opressão, mas produzindo o óleo cuja primeira luz vibrante projetada sobre as sombrias, subterrâneas paredes do Síyáh-Chál de Teerã, cujo fogo ganhou brilho em Bagdá e luziu com plena resplandecência em seu globo de cristal em Adrianópolis, cujos raios aqueceram e iluminaram as orlas dos continentes americano, europeu e australiano através dos tenros servos do Centro do Convênio, cujo esplendor está agora se espalhando por toda a superfície do globo durante a presente

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CARTAS E MENSAGENS Idade Formativa, cujo pleno esplendor está destinado, no curso dos futuros milênios, a cobrir todo o planeta. O rebento desta semente imbuída de Deus sobre a bigorna da adversidade já acendeu as primeiras centelhas do Fogo Sagrado latente dentro de si através do surgimento da comunidade firmemente unida que engloba o mundo, constituindo nada menos que dois mil e quinhentos centros estabelecidos ao longo de cem países, representando mais de trinta raças e estendendo-se até ao Norte no Círculo Ártico e até ao Sul no Estreito de Magalhães, equipada com literatura traduzida em sessenta idiomas e possuindo dotações que se aproximam a dez milhões de dólares, enriquecida pela edificação de duas Casas de Adoração no coração dos continentes asiático e norte-americano, e um majestoso mausoléu assentado em seu Centro Mundial, consolidada pela incorporação de mais de cem de suas Assembléias Nacionais e Locais, e reforçada pela proclamação de sua independência no Oriente, seu reconhecimento no Ocidente, elogiada pela realeza, suportada por nove pilares sustentando a futura estrutura do seu supremo conselho administrativo, energizada pela execução simultânea de planos específicos conduzidos sob a égide de seus conselhos nacionais designados para ampliar os limites, estender as ramificações e consolidar as fundações de sua divinamente indicada Ordem Administrativa pela superfície do planeta inteiro. Eu apelo nesta solene ocasião, rendida de forma duplamente sagrada pela aproximação do centenário do mais devastador holocausto nos anais da Fé, nesta hora ansiosa nos destinos desta era de árduo trabalho, ao corpo integral dos crentes americanos, os privilegiados ocupantes e bravos defensores da mais notável fortaleza da Fé, a mais uma vez dedicar a si próprios e resolver, não importando quão grandes sejam os

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] perigos confrontando suas comunidades irmãs nos continentes europeu, asiático, africano e australiano, por mais sombria que seja a situação que tanto o berço da Fé como seu Centro Mundial enfrentam, por mais dolorosas as vicissitudes que eles próprios possam vir a sofrer, a levantar nas alturas, de maneira inabalável, a tocha da Fé impregnada com o sangue dos inúmeros mártires e transmiti-la, de maneira ímpar, de modo que possa agregar brilho às gerações futuras destinadas a trabalhar depois deles.

50.

5 DE JULHO DE 1950 UM VALIOSO OFERECIMENTO QUÍNTUPLO

A primeira metade do período de dois anos de austeridade, inaugurado num momento de tamanha ansiedade nos destinos do Segundo Plano de Sete Anos, foi atravessada com sucesso e merece ser considerada como um episódio memorável na história da Fé e no desdobramento do Plano no continente norte-americano. Um esforço prodigioso, de abrangência nacional, sustentado e rememorável pelo seu heroísmo e pela consagração das proezas imortais dos rompedores da alvorada da Idade Apostólica da Dispensação Bahá’í, foi manifestado pelos seus descendentes espirituais, em circunstâncias que, apesar de totalmente diferentes em caráter, são, contudo, não menos desafiadoras e por uma causa meritória – um empenho que certamente excedeu em brilho os elevados esforços que distinguiram durante tanto tempo os registros de serviço associados com a comunidade bahá’í americana. Todos os seus membros que tenham participado nesta incumbência coletiva devem ser profundamente felicitados, particularmente aqueles

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CARTAS E MENSAGENS que, pelos seus atos de abnegação, emularam o exemplo dos heróis da nossa Fé na alvorada de sua história. Todo o mundo bahá’í está vibrando ao contemplar a abrangência de tamanho esforço, a profundidade da consagração alcançada por aqueles que dele participaram, os resultados que atingiram, o nobre propósito a que serviram. Meu coração transborda de gratidão pelas repetidas evidências de mérito demonstradas por esta comunidade de coração generoso, valente e dedicada, que, não importando quão onerosa a tarefa, quão desafiador o quesito, quão confusas as circunstâncias externas que a circundam, nunca se esquivou de seus deveres ou hesitou por um momento. Entretanto, o alto nível da maré de tão gigantesco empenho ainda está por ser alcançado. O ano agora adentrado, profetizado e consagrado pelo Centenário da trágica execução do Profeta-Mártir da nossa Fé, e lotado com as pungentes memórias das perseguições em Zanján que mancharam sua história cem anos atrás e conduziram sua sorte a quase seu mais baixo ponto, e que foi um prelúdio ao mais horroroso holocausto já experimentado pelos seus seguidores, deve testemunhar, à medida que avança rumo ao seu fechamento, uma demonstração ainda mais impressionante da tenacidade dos membros desta comunidade, uma disposição ainda mais nobre de atos de auto-sacrifício, uma manifestação de solidariedade ainda mais inspiradora e evidências de uma determinação mais austera, de maior coragem e perseverança em resposta ao triplo chamado deste momento presente. As necessidades vitais da sacratíssima Casa de Adoração erigida no serviço e para a glória do Nome Supremo, embora virtualmente alcançadas, requerem ainda os últimos esforços para assegurar a sua conclusão à medida que o momento de seu Jubileu se aproxima. O empreendimento latino-americano iniciado treze anos atrás e que marcou o comprometimento

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] coletivo inicial lançado pela comunidade bahá’í americana além das fronteiras da grande república do Ocidente, e sob o comando do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá, ainda em estado de emergência e rapidamente avançando em direção a sua frutificação inicial, demanda cuidado exaustivo, chama por esforços ainda mais ardorosos e abnegação por parte daqueles que tão entusiasticamente nele se envolveram, que tão consciente e diligentemente o zelaram ao longo do seu designado curso e através dos estágios primitivos de seu desdobramento, e que estão agora, como resultado de seus incansáveis esforços, testemunhando o primeiro florescimento de seu enorme trabalho pioneiro. A construção da superestrutura do Sagrado Sepulcro do Abençoado Báb, agora, neste ansioso e urgente momento, se sobrepôs às responsabilidades múltiplas ombreadas pelos membros da comunidade bahá’í americana, propiciando-lhes a primeira histórica oportunidade de diretamente sustentar, através de suas contribuições, a mais santificada iniciativa já empreendida na história da Fé, a primeira e mais sagrada edificação entalhada em seu Centro Mundial e a instituição internacional inicial anunciando o estabelecimento do supremo corpo legislativo no Centro Administrativo Mundial; requer a imediata e sustentada atenção dos membros de uma comunidade cujo destino foi ligado, desde o seu princípio, com os diversos estágios marcando o avanço e a consolidação deste divinamente apontado e indecifrável empreendimento santificado. UMA HORA ONERADA COM DESTRUIÇÃO A hora é crítica, onerada com destruição. Responsabilidades numerosas e variadas, bem como urgentes e sagradas, estão se aglomerando, em sucessão rápida, sobre uma comunidade

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CARTAS E MENSAGENS jovem e valorosa em espírito, rica em experiência, triunfante no passado, sensível nas suas obrigações futuras, plenamente ciente da sublimidade de sua missão mundial, inflexivelmente resolvida a trilhar, com passos firmes, o caminho de seu destino. A situação mundial é perigosa e obscura. Rumores de longe e de perto prognosticam desgraça para o destino imediato de uma sociedade tristemente distraída. O Segundo Plano de Sete Anos está agora chegando ao seu término. O Centenário do Martírio do Báb, com todas as suas dolorosas memórias, depende de nós. Estamos adentrando um período repleto de centenários das mais horrendas calamidades – massacres, cercos, capturas, espoliações e torturas envolvendo milhares de heróis – homens, mulheres e crianças – que a maior Fé do mundo jamais experimentou. Um outro centenário comemorando um evento tão trágico quanto e infinitamente mais glorioso está se aproximando rapidamente. O tempo é curto. As oportunidades, apesar de multiplicarem-se a cada hora que passa, não voltarão a acontecer, algumas por mais um século, outras nunca mais. Por mais severo o desafio, embora múltiplas as tarefas, não obstante seja curto o tempo, mais sombria a perspectiva do mundo, por mais limitados os recursos materiais de uma sobrecarregada comunidade adolescente, as armazenadas fontes de força celestial de onde esta comunidade pode se alimentar são imensuráveis em sua potência e verterão, sem hesitação, suas influências energizantes, caso os esforços diários necessários sejam realizados e os sacrifícios requeridos, condescendentemente aceitos. Nem deve ser esquecido que, no momento de adversidade e bem em meio a confusão, perigos e incertezas, algumas das mais magníficas proezas, ressoando adiante a fama desta comunidade, foram alcançadas. A construção da superestrutura do Mashriqu’l-Adhkár durante uma das mais severas depressões

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] experimentadas pelo povo dos Estados Unidos neste século; a inauguração do Primeiro Plano de Sete Anos, na véspera e durante os anos inquietantes que precederam a segunda conflagração mundial; sua vigorosa continuidade durante seus dias mais tenebrosos e seu triunfo antes de seu término; o lançamento da campanha européia no alvorecer do mais devastador conflito que sacudiu o continente da Europa em suas fundações – estes se destacam como evidências brilhantes da proteção infalível, guia e poder sustentador concedidos a seus membros, tão prontamente e tão abundantemente, nos momentos de maior necessidade e perigo. Para consolidar as vitórias obtidas e reforçar as fundações das inúmeras instituições tão diligentemente estabelecidas no continente norte-americano; para suportar os pilares gêmeos da Casa Universal de Justiça na América Latina, com suas concomitantes agências administrativas funcionando em não menos do que vinte repúblicas das Américas Central e do Sul; para manter em sua potência atual o baluarte da Fé nos dez países-meta da Europa; para terminar a ornamentação interior do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do Ocidente e seu TemploMãe, na preparação de seu Jubileu; para assistir na construção da superestrutura de uma edificação ainda mais sagrada, idealizada pelo seu Fundador e estabelecida pelo Centro de Seu Convênio na montanha sagrada de Deus, bem no coração e centro da nossa amada Fé, certamente constituiriam, em virtude de sua abrangência, origem e caráter, circundando três continentes e incluindo dentro de seu âmbito o próprio Centro Mundial da Fé, um valioso e condizente oferecimento quíntuplo posto no altar da Fé de Bahá’u’lláh, por ocasião do Centenário do nascimento de Sua Missão, por uma comunidade que, mais do que qualquer comunidade irmã, tanto no Leste como no Oeste, contribuiu, desde o princípio

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CARTAS E MENSAGENS da Idade Formativa de Sua Fé, na expansão de seus limites, no surgimento e estabelecimento de sua Ordem Administrativa e na propagação de sua fama, glória e poder. Que esta comunidade possa, ao longo destes três próximos anos, executar sua quíntupla tarefa – assumindo agora, pela tensão das circunstâncias, proporções ainda mais imensas e se envolvendo com ventura e mérito ainda maiores do que originalmente imaginados – com um espírito irradiando luz como nunca mostrado até agora ao longo de seu meio século de serviço à Fé de Bahá’u’lláh, é meu mais fervoroso desejo e o objeto de minhas especiais e ardentes preces neste momento em que meu coração e minha mente estão ligados aos sofrimentos e paixão do Báb por ocasião do Centenário de Seu Martírio.

51.

15 DE JULHO DE 1950 RÚHÍ E FAMÍLIA MOSTRAM OPOSIÇÃO ABERTA

Informe aos amigos que Rúhí,* sua mãe, sua tia e Rúhá,† com suas famílias, não contentes com anos de desobediência e conduta desonrosa, estão agora mostrando oposição aberta. Confiante que a lealdade exemplar dos crentes americanos assistir-me-á para levar adiante a esmagadora obrigação de proteção que me angustia. *Primo de Shoghi Effendi e secretário pessoal durante os primeiros anos de seu ministério. Casou-se com sua prima Zahrá, neta de ‘Abdu’l-Bahá, filha de Rúhá. Seu consentimento para o casamento de sua irmã Thurayyá com um parente rompedor do Convênio fez com que a família inteira fosse expulsa da Fé por Shoghi Effendi em 1941. [n.r.] (Smith, P. A Concise Encyclopedia of the Bahá’í Faith. Boston: 2000, p. 299). †Filha de ‘Abdu’l-Bahá, casada com Mírzá Jalal Isfáhání, filho de Mírzá Muhammad Hasan, o Rei dos Mártires. Teve quatro filhos (sobrenome Shahíd): Maryam, Muníb, Zahrá e Hasan. [n.r.] (Smith, P. A Concise Encyclopedia of the Bahá’í Faith. Boston: 2000, p. 262).

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

52.

24 DE JULHO DE 1950 PRESENTES DE NÃO-BAHÁ’ÍS

Quaisquer presentes de não-bahá’ís devem ser utilizados somente para caridade.

53.

5 DE AGOSTO DE 1950 ENSINO NA ÁFRICA

Sinto-me movido a apelar para a galante, generosa comunidade bahá’í americana a se levantar na véspera do lançamento da extensa, histórica campanha da comunidade irmã das Ilhas Britânicas, a prestar valiosa assistência à meritória iniciativa empreendida em primeira instância para a iluminação das tribos do Leste e Oeste da África, consideradas nas Epístolas do Centro do Convênio reveladas no momento mais obscuro de Seu ministério. Eu apelo particularmente aos seus mais caros amados membros pertencentes à raça negra a participarem no projeto contemplado, determinando um marco histórico no desdobramento mundial da Fé, suplementando o trabalho iniciado cinqüenta anos atrás no continente norte-americano, forjando elos fortes ligando as comunidades americana, britânica e egípcia, e promovendo o prelúdio para as operações completas destinadas a serem lançadas num período posterior do desdobramento do Plano Divino objetivando a conversão das acanhadas, oprimidas massas daquele continente que velozmente desperta.

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CARTAS E MENSAGENS Apesar desta participação estar fora do âmbito do Segundo Plano de Sete Anos, eu vigorosamente sinto que a assunção desta responsabilidade adicional para esta distante e vital área neste crucial momento desafiador, quando os acontecimentos do mundo estão se movimentando firmemente em direção a um clímax e o Centenário do nascimento da Missão de Bahá’u’lláh está rapidamente se aproximando, enobrecerá ainda mais os registros das tarefas de âmbito mundial valentemente empreendidas pela comunidade bahá’í americana e constitui uma resposta valiosa aos insistentes chamados de ‘Abdu’l-Bahá evocados em nome da raça que Ele repetidamente abençoou e tão carinhosamente amou, e para cuja iluminação Ele ardentemente orou e para cujo futuro Ele nutriu as mais esplendorosas esperanças.

54.

12 DE SETEMBRO DE 1950 CONFORTADO POR MENSAGENS DE DEVOÇÃO

Meu angustiado coração é confortado pelas inúmeras mensagens provenientes de comunidades, Assembléias, grupos, comitês e crentes individuais americanos, repletas com expressões de devoção amorosa, votos de lealdade ao Convênio de ‘Abdu’l-Bahá, preces em meu favor e certezas de dedicação no serviço à preciosa Fé. O laço triplo que me liga à comunidade bahá’í americana, destacada pelo seu afetuoso e incansável apoio no transcurso de meus quase trinta anos de serviço à Fé de Bahá’u’lláh, está grandemente fortificado. Mas, para os múltiplos serviços e os registros de conquistas sem paralelo da América, minha carga

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] de preocupações, tanto passadas como presentes, seria insuportável. Longe de estar reclamando do peso adicional das aflições oprimindo-me neste momento, eu sinto que nada posso fazer a não ser dar as boas-vindas com sentimentos de gratidão e humildade a tais tribulações, permitindo-me saborear o cálice que o Profeta-Mártir de nossa amada Fé tão heroicamente esvaziou cem anos atrás. Por mais que eu deseje reconhecer em separado todas as mensagens, com pesar noto estar a tarefa fora das possibilidades dos limites de minha sobrecarregada força. Eu lhes peço, ternamente amados amigos, considerarem esta mensagem como se endereçada a cada um pessoalmente, levando a cada um e todos a certeza de minha invariável consciência de seu envolvente amor e incansável apoio, assim como de minha eterna gratidão e inabalável afeição e imenso orgulho da sua inigualável participação coletiva no apoio mundial da tão querida Causa, tão preciosa para todos nós.

55.

19 DE SETEMBRO DE 1950 ALIVIADO POR ATIVIDADE INTENSIFICADA

Meu coração está deveras aliviado pelas esplêndidas e bemvindas evidências da intensificada atividade na frente nacional, na Europa e América Latina. Suplicando bondosas bênçãos sobre os múltiplos empreendimentos enérgica e devotadamente conduzidos pela exemplar comunidade bahá’í americana.

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CARTAS E MENSAGENS

56.

3 DE NOVEMBRO DE 1950 BADÍ’U’LLÁH PERECEU MISERAVELMENTE

Badí’u’lláh, irmão e tenente-mor do arqui-rompedor do divino Convênio, pereceu miseravelmente após sessenta anos de incessantes e infrutíferos esforços para minar a Ordem divinamente apontada, tendo testemunhado dentro dos cinco últimos meses a morte de seus sobrinhos Shoa e Musa, notórios portadores do estandarte da rebelião associada com o nome de seu desleal pai.

57.

8 DE NOVEMBRO DE 1950 NECESSIDADES PARA TÉRMINO DO TEMPLO

Templo não considerado como terminado até que todos os acessórios sejam providenciados, incluindo a jardinagem paisagística. O anúncio público e o culto devem coincidir com o término do plano.

58.

8 DE DEZEMBRO DE 1950 [EXCERTO] ESCOLAS DE VERÃO A REABRIR

Devido às necessidades supremas do Santuário e Templo, avisem que vós postergareis a publicação da revista até 1953. Escolas de verão podem ser reabertas.

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59.

17 DE JANEIRO DE 1951 ASSISTÊNCIA PARA O SENSACIONAL EMPREENDIMENTO NA ÁFRICA

Assistência ao projeto da África através de contribuições financeiras, participação de pioneiros brancos e negros, e consulta e cooperação estreitas com a Assembléia britânica necessárias. Campanha independente não pretendida. Oro fervorosamente para que a participação das Assembléias Nacionais: britânica, americana, persa e egípcia no empreendimento ímpar, sensacional no continente africano, possa comprovar o prelúdio à convocação da primeira Conferência de Ensino Africana, conduzindo conseqüentemente à iniciação de empreendimentos envolvendo a colaboração entre todas as Assembléias Nacionais do mundo bahá’í, com isto pavimentando o caminho para a suprema união orgânica destas Assembléias através da formação da Casa Internacional de Justiça destinada a lançar empreendimentos envolvendo todo o mundo bahá’í. Proclamo a inauguração simultânea de cruzada conectando a máquina administrativa de quatro Assembléias do Oriente e do Ocidente dentro dos limites de quatro continentes e o nascimento do primeiro Conselho Internacional no Centro Mundial da Fé, evidências gêmeas do desdobramento irresistível da embrionária e divinamente apontada Ordem Mundial de Bahá’u’lláh.

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60.

17 DE JANEIRO DE 1951

POSIÇÃO DOS BAHÁ’ÍS EM RELAÇÃO AO SERVIÇO MILITAR

Não há qualquer mudança na posição dos bahá’ís em relação ao serviço militar ativo. Nenhuma concessão de princípios espirituais da Fé é possível, por mais tensa que seja a situação, por mais incitada a opinião pública.

61.

29 DE MARÇO DE 1951 CONQUISTA ESPIRITUAL DO PLANETA

A finalização virtual da ornamentação interior do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do Ocidente; a futura formação das Assembléias Nacionais gêmeas da América Latina, logo após o estabelecimento de uma instituição correspondente no Domínio do Canadá; a realização plena das metas prescritas no continente europeu em acordo com as provisões do Segundo Plano de Sete Anos e a consolidação já alcançada no continente norte-americano, não implicam, em nenhuma hipótese, que as imensas responsabilidades ombreadas por uma comunidade valente, alerta e resoluta, foram totalmente cumpridas, ou que seus membros podem, à medida que o plano se aproxima de seu término, permitir-se mergulhar no desvanecimento ou relaxar por um momento em seus elevados empenhos. A hora destinada a marcar o triunfante término do segundo estágio em sua missão histórica, divinamente conferida e de abrangência mundial, ainda não foi atingida. Rumores, altos e persistentes, pressagiando uma crise de extremo rigor nas questões mundiais os confrontam com um desafio que, a

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] despeito de tudo que eles já cumpriram, não podem nem devem ignorar ou subestimar. A edificação do Centro Administrativo Mundial de sua Fé, dentro dos limites e sob a sombra do seu Centro Espiritual Mundial, um processo que foi mantido em suspenso por quase trinta anos, enquanto a maquinaria das instituições nacionais e locais de uma Ordem nascente estava sendo edificada e aperfeiçoada, os presenteia com uma oportunidade que, como construtores-campeões daquela Ordem e os portadores da tocha de uma civilização ainda por nascer, devem eles agarrar com diligência, resolução e dedicação incondicional. A iniciação de projetos momentosos em outros continentes do globo, e particularmente na África, como resultado da crescente iniciativa e o espírito de empreendimento exibido pelos seus companheiros de trabalho no Oriente e no Ocidente, não pode deixar imóvel a vanguarda de um hospedeiro convocado por ‘Abdu’l-Bahá, seu Divino Comandante, e de acordo com as provisões de um Privilégio dado por Deus, desempenhar um papel tão preponderante na conquista espiritual de todo o planeta. Acima de tudo, a rápida execução de um empreendimento transcendendo qualquer comprometimento, seja nacional ou local, iniciado pelos seguidores da Fé de Bahá’u’lláh, destinado a alcançar sua consumação com a edificação do domo do santo Sepulcro do Báb, impõe uma obrigação adicional, devido a circunstâncias imprevistas, aos numerosos deveres já assumidos por uma comunidade totalmente absorvida nas diversas tarefas que ombreia. De fato, como o Centenário do nascimento da Missão profética de Bahá’u’lláh se aproxima, Seus seguidores americanos, à medida que se tornam os recebedores escolhidos e os privilegiados fideicomissários de um Plano divinamente concebido, não satisfeitos com a bem-sucedida conclusão, em sua totalidade, das tarefas a eles designadas, devem aspirar em

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CARTAS E MENSAGENS celebrar adequadamente esta histórica ocasião, enaltecendo com proezas ainda mais notáveis seu registro de serviço a uma Fé cujo Autor professou um chamado tão retumbante aos dirigentes do continente americano, e que o Centro de cujo Convênio confiou à comunidade bahá’í americana uma missão tão gloriosa. Realmente o estágio atual na construção da superestrutura de tão sagrado santuário demanda imperativamente uma concentração de atenção e de recursos proporcionais à elevada posição ocupada por essa comunidade, à liberdade que goza e aos meios materiais à sua disposição. A assinatura de dois contratos sucessivos, para a alvenaria do octógono, o cilindro e o domo do edifício, necessários devido a uma piora repentina da situação internacional, a qual pode cortar por tempo indefinido a provisão de pedras iguais às utilizadas na edificação da arcada e do parapeito do Sepulcro, e que somam não menos de cento e noventa mil dólares; os contratos subsidiários para a provisão de aço e cimento para a edificação dos balaústres de aço trabalhado e das molduras metálicas das janelas do octógono e do cilindro, envolvendo um dispêndio adicional de não menos que vinte mil dólares, ao qual deve ser acrescido o custo da escavação e do afundamento das oito pilastras projetadas para suportar o peso do domo e a imediata construção do octógono – estes conclamam para um esforço estupendo por parte de todas as comunidades bahá’ís e uma auto-renúncia sem precedente na história bahá’í. Uma drástica redução nos orçamentos nacionais e locais; a alocação de somas substanciais por todas as Assembléias Nacionais; a participação de indivíduos, através de comprometimentos sustentados e diretos ao primeiro e incomparável empreendimento sagrado internacional sincronizado com o nascimento do Conselho Internacional Bahá’í bem no coração e centro de uma Fé mundial abrangente,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] pode por si só assegurar o progresso ininterrupto de um empreendimento que, conjuntamente com o término do Templo-Mãe do Ocidente, não pode falhar em produzir repercussões tremendas na Terra Santa, no continente norteamericano e no mundo todo. Um período de austeridade cobrindo o intervalo de dois anos separando-nos das celebrações Centenárias do Ano Nove, prolongando tão inesperadamente o período de austeridade já atravessado pela comunidade bahá’í americana, e agora estendido para abraçar suas comunidades irmãs por todo o mundo bahá’í, é evidentemente não apenas essencial para a realização de tão transcendente meta, mas também supremamente condizente quando lembramos a natureza e as dimensões do holocausto que cem anos atrás tingiu de carmesim os anais de nossa Fé, que a posteridade irá reconhecer como o mais sangrento episódio do mais trágico período da Idade Heróica da Dispensação Bahá’í, que envolveu o martírio daquela incomparável heroína Táhirih, que foi imediatamente antecedido pelo aprisionamento de Bahá’u’lláh na masmorra subterrânea de Teerã e que selou o destino de milhares de homens, mulheres e crianças em circunstâncias de indescritível selvageria e em uma escala jamais alcançada ao longo de estágios subseqüentes da história bahá’í. NENHUM SACRIFÍCIO É POR DEMAIS GRANDE Nenhum sacrifício pode ser considerado por demais grande, nenhum dispêndio de recursos materiais, nenhum grau de renúncia a benefícios mundanos, conforto e prazer podem ser considerados excessivos quando relembramos o precioso sangue derramado, as muitas vidas que foram extintas, as riquezas de possessões materiais que foram saqueadas durante estes mais

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CARTAS E MENSAGENS tumultuosos e cataclísmicos anos da Idade Heróica da nossa Fé. Nem irão os sacrifícios desejosa e universalmente aceitos pelos seguidores da Fé no Ocidente e no Oriente pelo bem de uma Causa tão nobre, um empreendimento tão transcendente, falhar em contribuir com sua participação rumo à construção do Centro Administrativo Mundial daquela Fé, e o reforço dos vínculos já unindo este Centro com as reconhecidas autoridades de um Estado sob a jurisdição do qual se encontra funcionando agora, vínculos estes que o recém-formado Conselho Internacional Bahá’í está tão assiduamente se esforçando em consolidar. O término da construção da arcada deste majestoso Sepulcro e de seu parapeito ornamental já provocou a admiração, estimulou o interesse e recrutou o apoio de ambas as autoridades locais e do governo central, conforme evidenciado pela série de atos que, desde o surgimento daquele Estado, proclamou a boa vontade demonstrada e o reconhecimento estendido pelos diversos departamentos daquele Estado às multiplicadoras instituições internacionais, fundos, leis e regulamentos de uma Fé em firme ascensão. O reconhecimento da natureza sagrada dos santificados Santuários gêmeos, situados na planície de ‘Akká e nas encostas do Monte Carmelo; a isenção dos impostos estaduais e municipais, concedida à mansão de Bahjí adjacente ao Sacratíssimo Santuário, às casas gêmeas, aquela de Bahá’u’lláh em ‘Akká e de ‘Abdu’l-Bahá em Haifa, aos arquivos gêmeos, adjacentes ao Santuário do Báb e ao lugar de descanso eterno da Folha Mais Sagrada, e as casas gêmeas para peregrinos, construídas nas imediações daquele Santuário, e da residência de ‘Abdu’l-Bahá; a entrega da mansão de Mazra‘ih pelas autoridades daquele mesmo Estado à Comunidade Bahá’í e

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] sua ocupação depois de um lapso de mais de cinqüenta anos; a concessão, através da ação do governo, da dependência ocupada por Bahá’u’lláh no quartel de ‘Akká, como um local de peregrinação; o reconhecimento da certidão de casamento bahá’í pela Autoridade do Distrito de Haifa; o reconhecimento dos dias sagrados bahá’ís, em uma circular oficial publicada pelo Ministério de Educação e Cultura; a isenção de impostos acordada pelo Departamento da Alfândega para toda a mobília recebida para os lugares sagrados bahá’ís bem como para todo o material importado para a construção do Sepulcro do Báb, a isenção de impostos similarmente estendida para todos os donativos bahá’ís internacionais que circundam o túmulo sagrado sobre o Monte Carmelo, estendendo-se desde o cume da montanha até a colônia dos templários ao sopé, bem como para as propriedades nas imediações do lugar de descanso eterno da Folha Mais Sagrada e seus parentes – todos estes estabelecem, sem sombra de dúvida, a elevada posição desfrutada pelas instituições internacionais de uma Fé mundial, aos olhos deste recém-nascido Estado. A construção do mausoléu do Báb, sincronizando com o nascimento daquele Estado, e o progresso do qual tem sido acompanhado por estas sucessivas manifestações da boa vontade e apoio das autoridades civis locais irão, caso seguramente mantidas, reforçar sobremaneira e conferir um tremendo ímpeto a este processo de reconhecimento que constitui um marco histórico na evolução do Centro Mundial da Fé de Bahá’u’lláh – um processo que o recém-formado Conselho, agora estabelecido em seu próprio coração, é designado a nutrir, o qual ganhará força, com o emergir, no decorrer do tempo, de uma corte bahá’í devidamente reconhecida e funcionando de maneira independente, que atingirá sua consumação na instituição da Casa Universal de Justiça e no emergir dos

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CARTAS E MENSAGENS organismos administrativos auxiliares, agindo à volta deste corpo legislativo supremo e que revelará a plenitude de suas potencialidades com o navegar da Arca Divina, conforme prometido na Epístola do Carmelo. Eu não posso neste momento enfatizar demais a santidade daquele sagrado pó oculto no coração da Vinha de Deus, nem superestimar as inimagináveis potencialidades desta poderosa instituição fundada sessenta anos atrás, através da operação da Vontade de, e a seleção definitiva realizada pelo, Fundador de nossa Fé, por ocasião de Sua histórica visita àquela sagrada montanha, nem posso eu realçar demais o papel que esta instituição, à qual a construção da superestrutura deste edifício está obrigada a conferir um ímpeto sem precedente, está destinada a desempenhar no desdobramento do Centro Administrativo Mundial da Fé de Bahá’u’lláh e no desabrochar de suas mais elevadas instituições constituindo o embrião de sua futura Ordem Mundial. O CENTRO DE NOVE CÍRCULOS CONCÊNTRICOS Visto que, tal como no reino do espírito, a realidade do Báb foi aclamada pelo Autor da Revelação Bahá’í como “O Ponto ao redor de Quem giram as realidades dos Profetas e Mensageiros”, do mesmo modo, neste plano visível, Seus sagrados restos mortais constituem o coração e o centro do que pode ser considerado como nove círculos concêntricos, assemelhando-se portanto, e dando ênfase adicional, à posição central conferida pelo Fundador de nossa Fé Àquele “de Quem Deus fez proceder o conhecimento de tudo o que havia e que haverá”, “o Ponto Primaz do qual foram geradas todas as coisas criadas”.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] O círculo mais afastado neste vasto sistema, a contrapartida visível da posição central conferida ao Arauto da nossa Fé, não é outro senão o planeta todo. Dentro do coração deste planeta repousa a “Sacratíssima Terra”, aclamada por ‘Abdu’l-Bahá como sendo “o Ninho dos Profetas” e que deve ser considerada como o centro do mundo e o Qiblih das nações. Dentro desta Sacratíssima Terra ergue-se a Montanha de Deus de santidade imemorável, a Vinha do Senhor, o Refúgio de Elias, cujo retorno o próprio Báb simboliza. Repousando sobre o seio desta sagrada montanha estão as extensas propriedades permanentemente dedicadas e constituindo os sagrados arredores do santo Sepulcro do Báb. No centro destas propriedades, reconhecida como dote internacional da Fé, está situada uma sacratíssima corte, uma área compreendendo jardins e terraços que ao mesmo tempo adornam e concedem um charme peculiar a estes sagrados arredores. Envolto neste belo e verdejante ambiente está, com toda sua primorosa beleza, o mausoléu do Báb, a concha designada a preservar e adornar a estrutura original edificada por ‘Abdu’l-Bahá como sendo o túmulo do Mártir-Arauto da nossa Fé. Dentro desta concha está entesourada aquela Pérola de Grande Valia, o sagrado dos sagrados, aquelas câmaras que constituem o próprio túmulo e que foram construídas por ‘Abdu’l-Bahá. Dentro do coração deste sagrado dos sagrados está o tabernáculo, a cripta funerária dentro da qual repousa a mais sagrada esquife. Dentro desta cripta funerária repousa o sarcófago de alabastro dentro do qual está depositada a jóia inestimável, as cinzas sagradas do Báb. Tão preciosa é esta cinza que a própria terra que circunda o edifício entesourando este pó foi exaltada pelo Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, em uma de Suas Epístolas, na qual Ele nomeou as cinco portas pertencentes às seis câmaras que Ele originalmente erigiu em homenagem a cinco dos crentes

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CARTAS E MENSAGENS associados com a construção do Santuário, como sendo dotadas com tamanha potência a ponto de O terem inspirado a conferir-lhes esses nomes, enquanto o próprio túmulo que aloja este pó Ele aclamou como sendo o ponto ao redor do qual o Concurso nas alturas circula em adoração. Para participar na edificação da superestrutura de um edifício ao mesmo tempo tão precioso, tão sagrado; consagrado à memória de tão heróica Alma; cuja vista ninguém menos que o Fundador da Fé escolheu; cujas câmaras interiores foram erigidas pelo Centro do Seu Convênio com tão infinito cuidado e angústia; encerrado em tão sagrada montanha, sobre o solo de tão sagrada terra; ocupando tão singular posição; faceando de um lado a prateada cidade de ‘Akká, o Qiblih do mundo bahá’í; ladeado à direita pelas colinas da Galiléia, o lar de Jesus Cristo, e à sua esquerda pela Cova de Elias; e tendo às costas as planícies de Sharon e, atrás delas, Jerusalém e a mesquita de Aqsá, o terceiro mais sagrado santuário do Islã – participar na construção de tamanha edificação é um privilégio oferecido a esta geração, ao mesmo tempo único e inestimável, um privilégio que somente a posteridade será capaz de apreciar corretamente. OS FIDEICOMISSÁRIOS ESCOLHIDOS DE UM PLANO DIVINO Neste supremo, este sagrado e internacional empreendimento em que os seguidores de Bahá’u’lláh, em todos os continentes do globo, são intimados a mostrar o mais nobre espírito de abnegação, os membros da comunidade bahá’í americana devem, em virtude das habilidades que já demonstraram e da primazia a eles conferida como os fideicomissários escolhidos de um Plano Divino, desempenhar um papel preponderante e, junto com seus irmãos residindo

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] no berço de sua Fé, com os quais estão ligados por meio de amarras tão ímpares ao seu Arauto, estabelecer um exemplo de abnegação merecedor de ser imitado pelos seus companheiros de trabalho em todas as terras. Enquanto os membros desta privilegiada comunidade, laborando tão valentemente no hemisfério ocidental, estão ampliando a abrangência de suas múltiplas atividades, e com isto aumentando suas responsabilidades, tanto na Terra Santa como no continente africano, as tarefas originais, associadas com a execução do Segundo Plano de Sete Anos, devem, simultaneamente com este esforço adicional e meritório que está sendo demonstrado, em memória ao amado Báb e em prol da emancipação espiritual das raças oprimidas da África, ser levadas a uma triunfante conclusão. Embora o presente déficit em seu Fundo Nacional possa de certo modo mostrar uma deficiência de sua parte para alcançar suas prementes obrigações e possa levantar em seus corações sentimentos de auto-reprovação e ansiedade, eu posso confiantemente afirmar que os deveres suplementares que eles cumpriram e o suporte material que eles estenderam, e que estão estendendo agora, para a condução de atividades não enquadradas dentro da abrangência original de seu Plano, não só compensam integralmente uma aparente deficiência, mas constituem, em vez de uma mancha em seus registros de serviço, um ornamento ao registro já esculpido com tantas façanhas para a Causa de Bahá’u’lláh. Assegurado de que nenhuma mancha arruinou tão esplêndido registro de serviço; confiante de seu destino; seguro da infalível guia do Fundador de sua Fé, bem como de Seu poder sustentador, deixe-os se dirigirem, com vigilância sem trégua e vigor incessante, à tarefa de concluir satisfatoriamente

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CARTAS E MENSAGENS as diversas missões assumidas por eles na América Latina e nos continentes norte-americano e europeu. A concessão do suporte material necessário e da guia administrativa às Assembléias Nacionais por vir das Américas Central e do Sul que os capacitará a desenvolverem-se no prumo e sem retrocesso no decorrer de seu desdobramento; a firme consolidação das vitórias já obtidas nos dez países-meta da Europa; a manutenção, em sua condição presente e a qualquer custo, da posição das Assembléias e grupos tão laboriosamente construídos; a provisão do que for necessário para concluir integralmente o interior do Templo e embelezar os terrenos que o circundam, em preparação para sua inauguração formal e seu uso para adoração pública – estes devem ser considerados como os objetivos essenciais da comunidade bahá’í americana durante os dois anos de intervalo que nos separam das celebrações Centenárias da missão profética do Fundador da nossa Fé. O tempo está se esvaindo. O esforço necessário para satisfazer as múltiplas responsabilidades desafiando agora os membros de uma comunidade valente é verdadeiramente colossal. As questões em jogo, demandando cada milésimo de sua energia, são incomparavelmente gloriosas. Uma situação internacional ominosa acentua este desafio e reforça a urgência destas questões. Na Terra Santa, em meio às tribos de um continente sombrio, ao longo das extensões que se estendem do Panamá até a extremidade do Chile, no coração de sua própria terra natal, bem como no novo campo europeu, marcando a projeção de sua missão através dos oceanos, a comunidade bahá’í americana deve organizar suas forças, levantar ainda mais seus galhardetes e erguer ainda mais gloriosos monumentos ao heroísmo, à constância e à devoção de seus membros. ‘Abdu’l-Bahá, cujo Plano estão eles executando em

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] ambos os hemisférios e a cujos chamados estão agora respondendo no continente africano; o Báb, cujo Sepulcro eles estão ajudando a edificar; acima de tudo, Bahá’u’lláh, cuja Ordem Mundial embrionária eles estão construindo na Terra Santa e em outros continentes do globo, os olham desde Seus retiros de glória, aplaudindo seus atos, guiando seus passos, conferindo Suas bênçãos e armazenando, nos depósitos do reino de Abhá, tais tesouros que somente Eles podem conceder. Possam os membros desta comunidade provar a si mesmos, à medida que avancem e atinjam ainda outros marcos na imensa estrada de sua missão, serem merecedores de prêmios ainda maiores, e estarem preparados para lançar empreendimentos ainda mais grandiosos, pela glória do Nome que ostentam e pelo serviço à Fé que professam.

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19 DE OUTUBRO DE 1951

PRIMEIRO PIONEIRO AMERICANO PARA A ÁFRICA

Regozijem-se pela partida do primeiro pioneiro para a África; urge aceleração do processo histórico agora em movimento. O tempo é curto, deveres adiante múltiplos, prementes e momentosos. Orando ardentemente por respostas crescentes e execução condizente de grandiosa tarefa suplementar ombreada por valorosa comunidade.

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CARTAS E MENSAGENS

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4 DE NOVEMBRO DE 1951

MENSAGEM ÀS CONVENÇÕES ESTADUAIS DE 1951

Recomendem aos amigos congregados a focalizarem atenção às vitais, prementes e supremas necessidades do Fundo Nacional nesta conjuntura crítica. O momento é propício para lembrar inúmeras tribulações, sacrifícios heroicamente suportados pelos rompedores da alvorada, culminando com a penosa prisão de Bahá’u’lláh no Síyáh-Chál, centenário da qual está se aproximando agora. Urge profunda compreensão da santidade, importância preeminente dos propósitos gêmeos que a resolução individual cumpre. Apelo para imediata, unânime, sustentada e decisiva resposta salvaguardando desta forma a participação da comunidade americana em tributo à memória do Fundador da Fé por ocasião da aproximação do Jubileu do Nascimento da gloriosa Missão. Orando, pela condizente resposta ao sincero apelo.

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23 DE NOVEMBRO DE 1951 A ÚLTIMA E IRRECUPERÁVEL CHANCE

O breve intervalo que separa a pressionada, que se esforça corajosamente, expandindo irresistivelmente, comunidade bahá’í americana, do término antecipado do segundo e oneroso empreendimento coletivo lançado tão auspiciosamente pelos seus representantes nacionais eleitos está rapidamente encaminhando-se a um desfecho. Os dezesseis meses que ainda estão à frente constituem, em vista das tarefas que ainda estão por realizar e dos sacrifícios ainda por serem feitos, um período

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] ao mesmo tempo crítico e desafiador. Este memorável período comemora, se fizermos uma pausa e trouxermos à memória os agitados eventos e sangrentos episódios ligando a Dispensação do Báb com a Missão original do Fundador da nossa Fé, o centenário do que pode ser verdadeiramente considerado como sendo o mais negro, o mais trágico, o mais heróico período nos anais de uma Revelação com cem anos de vida. Este período, além disto, ostenta a última e irrecuperável chance de uma comunidade em incessante labuta e repetidamente vitoriosa, de estabelecer o selo do triunfo através de um empreendimento momentoso, em cujos destinos ancora-se o lançamento de mais uma gloriosa Cruzada, a consumação da qual marcará a conclusão auspiciosa do período inicial no desdobramento do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá – uma evolução que deve continuar a florescer e frutificar no decurso dos sucessivos períodos das Idades Formativas da Fé e render seu mais formoso fruto na Idade Áurea que está ainda por vir. UM PERÍODO DE SIGNIFICADO HISTÓRICO O significado histórico deste período não pode de fato ser superestimado. Por ter sido há apenas cem anos que uma Fé, já oprimida por um peso estonteante de incalculáveis tribulações; que tinha suportado golpes abaladores em Mázindarán, Nayríz, Teerã e Zanján, e na verdade em todas as províncias na terra de seu surgimento; que tinha perdido seus maiores expoentes através do trágico martírio da maioria das Letras do Vivente, e particularmente do valente Mullá Husayn e o erudito Vahíd, e que foi afligida com a suprema calamidade de perder seu Divino Fundador; estava sendo sujeita a provações ainda mais dolorosas – provações que lhe roubaram ambos, o

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CARTAS E MENSAGENS heróico Hujjat e a célebre Táhirih; que lhe fizeram passar por um reino de terror e experimentar um banho de sangue de severidade sem precedente, e experimentar uma das maiores humilhações jamais sofridas, através da tentativa de assassinato do próprio soberano, e que provocou um verdadeiro dilúvio de atrocidades bárbaras em Teerã, Mázindarán, Nayríz e Shíráz, ante o qual ficaram ofuscados os horrores do cerco a Zanján, e que varreram não menos que a figura do próprio Bahá’u’lláh – o último pilar remanescente de uma Fé que tinha sido tão violentamente estremecida, tão implacavelmente despojada de seu suporte principal – para dentro do calabouço subterrâneo de Teerã, um aprisionamento que foi logo seguido pelo Seu cruel banimento, no vigor de um inverno excepcionalmente severo, desde a Sua terra natal para o Iraque. A estas tribulações Ele próprio Se referiu como “aflições” que “despencaram” sobre Ele, enquanto o sangue derramado pelos Seus companheiros e amados, Ele caracterizou como sendo o sangue que “impregnou” a Terra com a “maravilhosa revelação” do “poder” de Deus. Nem deve o caráter momentoso do evento ímpar, que pode ser considerado como o clímax e a consumação deste trágico período, ser negligenciado ou subestimado, visto que seu centenário sincroniza-se com o término do intervalo de dezesseis meses separando a comunidade bahá’í americana da conclusão de seu presente Plano. Este evento ímpar, cujo centenário está para ser condignamente celebrado, não somente no continente americano mas por todo o mundo bahá’í, e que está destinado a ser observado como a culminação do Segundo Plano de Sete Anos, não é outro a não ser o “Ano Nove”, antecipado dois mil anos atrás por São João, o Divino, como sendo “o terceiro Ai”, aludido por Shaykh Ahmad e Siyyid Kázim – os luminares gêmeos que anunciaram o advento da Fé do Báb –

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] especificamente mencionados e exaltados pelo Arauto da Dispensação Bahá’í em Seus escritos e louvados por ambos, o Fundador de nossa Fé e o Centro de Seu Convênio. Naquele ano, o ano “após Hín” (68), mencionado por Shaykh Ahmad, o ano que testemunhou o nascimento da Missão do prometido “Qayyúm”, especificamente a este referido por Siyyid Kázim, “o número exigido”, nas palavras de Bahá’u’lláh, “de almas puras que demonstraram santidade e consagração absoluta” havia sido “consumado imediata, mas secretamente”. Naquele ano, conforme testemunhado pela pena do Báb, “as realidades das coisas criadas” haviam se “tornado manifestas”, “uma nova criação foi dada à luz” e as sementes de Sua Fé revelaram a sua “perfeição completa”. Naquele ano, conforme testemunhado por ‘Abdu’l-Bahá, uma “Fé embrionária” até então, havia nascido. Naquele ano, enquanto a Abençoada Beleza ficara presa a correntes e grilhões, naquela escura e pestilenta fossa, “as brisas do Todo-Glorioso”, como Ele mesmo descreveu, “sopraram” sobre Ele. Ali, enquanto Seu pescoço estava curvado para baixo pelo Qara-Guhar, Seus pés, acorrentados, respirando o ar fétido do Síyáh-Chál, Ele sonhou Seu sonho e ouviu “em toda parte” “exaltadas palavras” e Sua “língua dizia” palavras que “nenhum homem poderia suportar”. Ali, tal como Ele próprio registrou, sob o impacto deste sonho, Ele experimentou a força investidora de Sua recémrevelada Missão, que “fluía” assim como “uma poderosa torrente” de Sua “cabeça” para Seu “peito”, ao que “cada membro” de Seu corpo “incendiava-se”. Ali, numa visão, o “Supremo Espírito”, como Ele próprio novamente testemunhou, apareceu para Ele, na forma de uma “Donzela” “a chamar” com “uma voz, a mais doce e maravilhosa” sobre Sua cabeça, enquanto “suspensa no ar” ante Ele e “apontando com seu dedo” para Sua cabeça, concedeu-lhe “as boas-novas

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CARTAS E MENSAGENS que alegraram” Sua “alma”. Ali apareceu, sobre o horizonte daquele calabouço na cidade de Teerã, a orla da Órbita de Sua Fé, cuja luz reveladora, nove anos antes, havia irrompido na cidade de Shíráz – uma Órbita que, após ter sofrido um eclipse de dez anos, foi destinada a eclodir, com seus raios resplandecentes, sobre a cidade de Bagdá, para elevar seu zênite em Adrianópolis e finalmente estabelecer-se na fortaleza-prisão de ‘Akká. Tal é o ano ao qual nós estamos firmemente nos aproximando. Tal é o ano com o qual os destinos do Segundo Plano de Sete Anos têm sido vinculados. Assim como as tribulações, humilhações e provações infligidas sobre a Causa de Deus na Pérsia, há cem anos, moveram-se inexoravelmente em direção a um clímax, igualmente deverá o presente período de austeridade, inaugurado um século depois no continente da América, para refletir as privações e sacrifícios sofridos tão imperturbavelmente pelos rompedores da alvorada da Idade Heróica da Fé, testemunhar, à medida que se aproxima sua culminação, uma abnegação por parte dos construtorescampeões da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, laborando nesta Idade Formativa de Sua Fé, o que, em sua melhor forma, pode ser considerado como um tênue reflexo do sacrifício tão gloriosamente revelado por seus ancestrais espirituais. OBJETIVOS DO SEGUNDO PLANO DE SETE ANOS AMPLAMENTE ALCANÇADOS Os objetivos do Segundo Plano de Sete Anos, cuja fase conclusiva sincronizou-se com este período de austeridade de abrangência nacional, têm sido, deve-se reconhecer, em sua maior parte alcançados. Os pilares necessários para somar suas forças a fim de sustentar a futura Casa de Justiça têm sido,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] conforme os planos traçados, sucessivamente erigidos no Domínio do Canadá e na América Latina. A Campanha Européia de Ensino – o segundo empreendimento de destaque lançado, além das fronteiras do continente norte-americano, em conseqüência do mandato emitido por ‘Abdu’l-Bahá aos valentes “Apóstolos” de Bahá’u’lláh – não só alcançou seus objetivos originais, mas excedeu todas as expectativas mediante a formação de uma Assembléia Espiritual Local na capital de cada um dos dez países-meta incluídos dentro de seu escopo. A ornamentação interior do Templo-Mãe do Ocidente foi, antes do tempo estabelecido, concluída. Outras tarefas não menos vitais ainda permanecem por serem realizadas, num espaço de tempo bastante curto, rumo a uma conclusão com sucesso. O ajardinamento da área que circunda uma estrutura cujas fundações e ornamentação exterior e interior demandaram, por tantos anos, tanto esforço e tão constante sacrifício, não pode, sob nenhuma circunstância e enquanto ainda houver tempo, ser negligenciado, para não permitir que falhas em alcançar esta tarefa final frustrem a beleza dos arredores de um santuário nacional que proporciona um cenário tão apropriado para uma edificação ao mesmo tempo tão sagrada e nobre. As responsabilidades solenemente assumidas para consolidar e multiplicar as instituições administrativas por todos os estados da União – uma tarefa que há muito tem sido deixada pendente, e que tem sido eclipsada pelo espetacular sucesso que assiste às brilhantes façanhas da comunidade americana em terras estrangeiras – devem ser rápida e seriamente reconsideradas, pois da constante ampliação e do firme reforço desta estrutura administrativa interna, que proporciona a base essencial das operações futuras em todos os continentes do globo, devem depender o vigor, a rapidez e a sonoridade das futuras cruzadas que precisarão ser lançadas

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CARTAS E MENSAGENS no serviço, e pela glória da Fé de Bahá’u’lláh, e em obediência às inspiradoras chamadas feitas pelo Centro do Seu Convênio em algumas de Suas mais importantes Epístolas. Acima de tudo, o déficit em acúmulo que de novo lançou sua lúgubre sombra sobre um registro de serviços outrora resplandecente deve, através de uma renovada mostra de abnegação, que embora não sendo proporcional ao sacrifício de tantas almas imoladas no altar da Fé de Bahá’u’lláh pode pelo menos levemente refletir seu intenso heroísmo, ser apagado, de uma vez por todas, dos registros de esplêndido serviço à Sua Fé. Não pode haver dúvidas – e eu sou o primeiro a orgulhosamente reconhecer isso – que, desde o momento do lançamento do Segundo Plano de Sete Anos, e em conseqüência de inesperados progressos tanto na Terra Santa como em outros lugares, a comunidade bahá’í americana, sempre pronta a suportar a força da responsabilidade, sob a pressão de circunstâncias imprevistas, ampliou consideravelmente a abrangência de seus empreendimentos originais e aumentou o peso ombreado por seus corajosos membros. No Centro Mundial da Fé, em resposta ao urgente chamado à ação, exigida pelas necessidades imperativas da edificação do Sepulcro do Báb, da formação do Conselho Internacional Bahá’í e do estabelecimento do Estado de Israel, bem como no continente da África, onde os ordenados, os fideicomissários chefes de um Plano divinamente concebido, de abrangência mundial, não podem ficar impassíveis em vista das primeiras tentativas sendo realizadas para sistematicamente inserir a Fé de Bahá’u’lláh e para fincar sua bandeira entre suas tribos e raças, a comunidade bahá’í americana assumiu responsabilidades bem além das tarefas originais com as quais ela se encarregou. Esta dupla oportunidade que providencialmente se lhes apresentou para contribuir com o surgimento e a consolidação do Centro

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Mundial de sua Fé, e para com o novo despertar espiritual de um continente por muito tempo descuidado, deve, contudo, ser aproveitada integralmente, caso o término antecipado da edificação mais sagrada, próxima ao Qiblih do mundo bahá’í, possa ser assegurado e caso os executores do Plano de ‘Abdu’lBahá preservem imaculada a primazia a eles conferida pelo seu Autor. Aquela primazia será demonstrada e enfatizada novamente à medida que os representantes desta privilegiada comunidade tomem seus postos e assumam suas funções em cada uma das quatro Conferências Intercontinentais Bahá’ís de Ensino que serão convocadas durante, e que devem sinalizar, as celebrações mundiais do Centenário do Ano Nove. Desempenhando um papel preponderante, como os zeladores de um Plano Divino, na cruzada global onde todas as Assembléias Espirituais Nacionais Bahá’ís, sem exceção, devem, em distintos graus e combinações, lançar no raiar do Centenário por vir, e durante o decurso total do intervalo de dez anos que os separa do Supremo Jubileu, devem eles, mediante a consumação do seu presente Plano, deliberar, em conjunto com sua aliada Assembléia Espiritual Nacional do Canadá, e seus associados, as recém-formadas Assembléias Espirituais Nacionais das Américas Central e do Sul, por ocasião da convocação da Conferência Pan-Americana de Ensino que se aproxima, sobre todas as possibilidades com que possam eles melhor contribuir para o estabelecimento da Fé, não somente pelas Américas e suas ilhas vizinhas, mas nos principais Estados soberanos e dependências dos demais continentes do globo.

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CARTAS E MENSAGENS ESCOPO DO TERCEIRO PLANO DE SETE ANOS AMPLIADO Diferentemente do Primeiro e Segundo Plano de Sete Anos, inaugurados pela comunidade bahá’í americana, o escopo do Terceiro Plano de Sete Anos, cuja finalização marcará a conclusão da primeira época na evolução do Plano Mestre delineado por ‘Abdu’l-Bahá, abarcará todos os continentes da Terra e trará o corpo central dirigindo estas amplamente ramificadas operações em contato direto com todas as Assembléias Espirituais Nacionais do mundo bahá’í, o qual, em diferentes graus, deverá contribuir com a sua parcela para o estabelecimento mundial da Causa de Bahá’u’lláh, conforme profetizado por ‘Abdu’l-Bahá e previsto por Daniel – uma consumação que, se Deus quiser, será condizentemente celebrado por ocasião do Supremo Jubileu comemorando o centenário da assunção formal por Bahá’u’lláh de Sua Missão Profética. A visão agora revelada aos olhos desta comunidade é deveras encantadora. As tarefas que, se esta visão for cumprida, devem ser valentemente ombreadas por seus membros estão cambaleando. O tempo durante o qual esta hercúlea tarefa deve ser realizada é alarmantemente curto. O período durante o qual tão gigantesca operação deve ser posta em ação, executada e consumada, coincide com o crítico, e provavelmente mais sombrio e trágico, estágio nos afazeres humanos. As oportunidades que se lhes apresentam estão agora próximas à mão. Os batalhões invisíveis da Assembléia nas Alturas estão reunidos, cerrados em fileiras, prontos para acelerar seus reforços em socorro à vanguarda dos cruzados de Bahá’u’lláh no momento de sua maior necessidade e em antecipação ao Supremo, aquele Fabuloso Jubileu na alegria do qual tanto o céu como a terra participarão. ‘Abdu’l-Bahá, o Fundador desta

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] comunidade e o Autor do Plano que constitui seu direito inato, a cujas últimas vontades seus membros tão maravilhosamente responderam; o Báb, o Centenário de cuja Revelação esta mesma comunidade tão magnificamente celebrou, e à construção de cujo Sepulcro deu tão fervoroso suporte; o próprio Bahá’u’lláh, à glória de cujo Nome foi erguida uma edificação tão majestosa, irá copiosamente abençoar e recompensar seus membros, caso eles apenas perseverem na longa estrada que tão firmemente trilharam, e persigam, com máxima visão, com determinação incansável e fé inabalável, sua marcha progressiva em direção à sua meta escolhida. Que esta comunidade, tão tenra em idade, porém tão rica em heroísmo, possa, nos meses imediatamente por vir, bem como nos anos que sucedem imediatamente o Jubileu que está logo adiante, manter imaculado e intacto seu registro de serviços à nossa amada Fé, para que este possa, mais adiante, adornar seus anais, mediante feitos ainda mais nobres, sendo este o mais precioso desejo do meu coração e o objeto de minhas constantes súplicas no Limiar Sagrado.

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3 DE MAIO DE 1952 FUNDOS PARA O CENTRO INTERNACIONAL

Profundamente comovido pela consagração e a prontidão em sacrificar-se. Orando pelo cumprimento de vossas esperanças. Aconselho alocar porção substancial do orçamento para satisfazer necessidades contínuas surgindo no Centro Internacional da Fé.

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29 DE ABRIL DE 1953

QUADRAGÉSIMA-QUINTA CONVENÇÃO ANUAL: TAREFAS DOS ESTADOS UNIDOS NA CRUZADA MUNDIAL

Minha alma está enaltecida em júbilo e gratidão em vista do término triunfante do Segundo Plano de Sete Anos imortalizado pelas brilhantes vitórias conquistadas simultaneamente pela vanguarda das hostes de Bahá’u’lláh na América Latina, na Europa e na África – vitórias condizentemente coroadas através da consumação de um empreendimento de cinqüenta anos, a conclusão do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do mundo ocidental. O sucesso evidente que assistiu o segundo empreendimento coletivo tomado por incumbência no curso da história bahá’í americana culmina numa expressão de serviço à Fé de Bahá’u’lláh, de quase sessenta anos de duração – um período que enriqueceu os anais da época conclusiva da Idade Heróica e irradiou brilho sobre os primeiros trinta anos da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í. Um período tão fecundo foi marcado por atividades de ensino insuperáveis em todo o mundo ocidental e distinguido por façanhas administrativas sem paralelo nos anais de qualquer comunidade nacional bahá’í, seja no Oriente como no Ocidente. Sou impelido, por ocasião do aniversário do Supremo Festival, coincidindo com uma celebração tripla – a consagração do Templo-Mãe do Ocidente, o lançamento de uma Cruzada Espiritual Mundial e a comemoração do Nascimento da Missão de Bahá’u’lláh – a prestar um caloroso tributo à preeminente quota que a comunidade bahá’í americana teve no transcurso de mais de meio século em proclamar Sua Revelação, em proteger Sua Causa, em defender Seu Convênio, em edificar a máquina administrativa de Sua

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] embrionária Ordem Mundial, em expor Seus ensinamentos, em traduzir e disseminar Sua Sagrada Palavra, em expedir os mensageiros de Suas Boas-Novas, em despertar a realeza ao Seu Chamado, em socorrer Seus seguidores oprimidos, em afugentar Seus inimigos, em sustentar Sua Lei, em asseverar a independência de Sua Fé, em multiplicar os recursos financeiros de suas instituições nascentes e, por último, mas não menos importante, em edificar sua maior Casa de Adoração – o primeiro Mashriqu’l-Adhkár do mundo ocidental. O momento é agora propício para esta enormemente presenteada, esplendidamente abençoada comunidade, levantarse e reafirmar, através do lançamento de ainda outro empreendimento, sua primazia, aprimorar a sua herança espiritual, sondar maiores profundezas de consagração e conquistar posições mais elevadas ao longo de seus corajosos e incessantes esforços para a exaltação da Causa de Deus. O Plano de Dez Anos, constituindo o terceiro e último estágio do período inicial na evolução do Plano-Mestre de ‘Abdu’l-Bahá, o qual, de acordo com a vontade de Deus, erguerá, a posições mais elevadas, a fama da corajosa comunidade bahá’í americana, e irá assentá-la sobre “o trono de um domínio eterno”, considerado pelo Autor das Epístolas deste mesmo Plano, envolve: Primeiro, a abertura dos seguintes territórios virgens, onze na África: Ilhas do Cabo Verde, Ilhas Canárias, Somália Francesa, Togo Francesa, Mauritânia, Protetorados dos Territórios Nórdicos, Guiné Portuguesa, Ilhas Reunidas, Guiné Espanhola, Ilhas de Santa Helena e São Tomás; oito na Ásia: Ilhas Carolinas, Nova Guiné Holandesa, Ilha Hainan, Cazaquistão, Ilha de Macau, Ilha Sakhalin, Ilha do Tibete e de Tonga; seis na Europa: Andorra, Açores, Ilhas Baleáricas, Ilhas

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CARTAS E MENSAGENS Lofoten, Spitsbergen e Ucrânia; e quatro na América: Ilhas Aleutas, Ilhas Falkland, Ilhas Key West e Kodiak. Segundo, a consolidação da Fé nos seguintes territórios, seis na Ásia: China, Formosa, Japão, Coréia, Manchúria, Filipinas; dois na África: Libéria e África do Sul; doze na Europa: os dez países-meta, Finlândia e França; três na América: as ilhas do Havaí, Alasca e Porto Rico. Terceiro, a extensão de assistência à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís das Américas Central e do Sul, bem como à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís da Itália e Suíça para formar vinte Assembléias Espirituais Nacionais nas repúblicas da América Latina e duas na Europa, a saber, na Itália e Suíça; a extensão de assistência para o estabelecimento de um Hazíratu’l-Quds nacional na capital de cada um dos países anteriormente mencionados bem como de fundos nacionais bahá’ís nestes mesmos países. Quarto, o estabelecimento de dez Assembléias Espirituais Nacionais nos seguintes países europeus: Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Espanha, Portugal, França e Finlândia. Quinto, o estabelecimento de uma Assembléia Espiritual Nacional no Japão e uma nas Ilhas do Pacífico Sul. Sexto, o estabelecimento da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Alasca. Sétimo, o estabelecimento da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís da África do Sul e Ocidental. Oitavo, a incorporação de cada uma, das catorze acima mencionadas Assembléias Espirituais Nacionais. Nono, o estabelecimento de fundos nacionais bahá’ís por estas mesmas Assembléias Espirituais Nacionais. Décimo, o estabelecimento de um Hazíratu’l-Quds nacional na capital de cada um dos onze países acima mencionados,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] bem como um em Anchorage, um em Suva e um em Johannesburgo. Décimo-primeiro, a edificação da primeira dependência do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do mundo ocidental. Décimo-segundo, a extensão de assistência para a aquisição de terrenos para quatro futuros Templos, dois na Europa: em Estocolmo e em Roma; um na América Central, na cidade do Panamá; e um na África, em Johannesburgo. Décimo-terceiro, o término do paisagismo dos terrenos do Mashriqu’l-Adhkár em Wilmette. Décimo-quarto, a elevação, para cem, do número de Assembléias Locais incorporadas dentro da União Americana. Décimo-quinto, a elevação, para trezentos, do número de Assembléias Espirituais Locais naquele mesmo país. Décimo-sexto, a incorporação de Assembléias Espirituais nas principais cidades da Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Espanha e Portugal, bem como das Assembléias Espirituais de Paris, de Helsingfors, de Tóquio, de Suva e de Johannesburgo. Décimo-sétimo, a quadruplicação do número de Assembléias Espirituais Locais e a triplicação do número de localidades nos países acima mencionados. Décimo-oitavo, a tradução da literatura bahá’í para dez idiomas na Europa (basco, estoniano, flamingo, lapão, maltês, piemontês, romeno, romanche, iídiche e ziriano; dez na América: aguaruna, arauá, algonquino, cherokee, iroquês, lengua, mataco, maia, espanhol e yahgan). Décimo-nono, a conversão para a Fé de membros das principais tribos indígenas. Vigésimo, a conversão para a Fé de representantes das raças basca e cigana.

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CARTAS E MENSAGENS Vigésimo-primeiro, a instituição de escolas de verão em cada um dos países escandinavos e de Benelux,* bem como aqueles da Península Ibérica. Vigésimo-segundo, a proclamação da Fé por intermédio da imprensa e do rádio por toda parte dos Estados Unidos da América. Vigésimo-terceiro, o estabelecimento de uma Editora Bahá’í em Wilmette, Illinois. Vigésimo-quarto, a formação de um comitê de ensino asiático designado a estimular e coordenar as atividades de ensino originadas pelo Plano. Possa essa comunidade – os descendentes espirituais dos Rompedores da Alvorada da Idade Heróica da Fé Bahá’í, o repositório principal das imortais Epístolas do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá, os notáveis executores do Mandato ordenado pelo Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, os construtorescampeões de uma Ordem Administrativa divinamente concebida, os porta-estandartes do predominante exército do Senhor das Hostes, os portas-tocha de uma futura civilização mundial divinamente inspirada – levantar-se, no decorrer desta momentosa década separando o Grande do Supremo Jubileu, para assegurar, como é de seu feitio, a maior parte na execução de uma cruzada global designada a difundir a luz da revelação de Deus sobre a superfície do planeta inteiro.

*União aduaneira entre Bélgica, Holanda e Luxemburgo (do inglês, Belgium, Netherlands e Luxemburg). [n.r.]

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13 DE MAIO DE 1953

PIONEIROS ASPIRANTES INSTADOS A SE ESPALHAREM

Instamos energicamente os pioneiros aspirantes a se espalharem tão extensamente quanto possível, a se estabelecerem em territórios e ilhas não designados especificamente aos Estados Unidos. A pronta abertura de territórios virgens é altamente meritória, extremamente urgente, pré-requisito vital para assegurar a finalização triunfante da fase de abertura da Cruzada Global, prerrogativa dos principais executores do Plano de ‘Abdu’l-Bahá. Possam os pioneiros alistados levantar e confirmar a primazia da comunidade bahá’í americana, desempenhando papel preponderante no estágio inicial da conquista espiritual de territórios e ilhas não abertos do planeta.

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18 DE JULHO DE 1953

UM PONTO DECISIVO NA HISTÓRIA BAHÁ’Í AMERICANA

Minha alma está vibrante e meu coração está repleto de gratidão à medida que contemplo – rememorando seis décadas atrás da agitada história bahá’í americana – a cadeia de realizações magníficas que, desde o alvorecer da Fé de Bahá’u’lláh no Ocidente até os dias de hoje, sinalizaram o nascimento, marcaram o levantar e distinguiram o desdobramento da gloriosa missão da comunidade bahá’í americana. De todas as comunidades bahá’ís dos hemisférios oriental e ocidental, com exceção única feita à sua venerável comunidade irmã na terra natal de Bahá’u’lláh, ela sozinha pode bem clamar ter liberado

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CARTAS E MENSAGENS forças e desencadeado eventos que permanecem sem paralelo nos anais da Fé; enquanto ao longo dos últimos cinqüenta anos, compreendendo os anos conclusivos da Heróica e os períodos de abertura da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í, pode ela confiantemente orgulhar-se de um registro de serviço que, pela sua abrangência, efetividade e esplendor, é insuperável pelo de qualquer outra comunidade na totalidade do mundo bahá’í. A primeira a despertar para o chamado do Novo Dia no mundo ocidental; a primeira a espontaneamente se levantar para edificar condizentemente o Templo-Mãe do Ocidente; a primeira a compreender as implicações, desenvolver o padrão e assentar as bases da estrutura da Ordem Administrativa Bahá’í em todo o mundo bahá’í; a primeira a proclamar aberta e sistematicamente os princípios fundamentais da Fé, a adotar medidas efetivas para a sua defesa, a atrair a atenção da realeza para seus ensinamentos, a delinear um mecanismo adequado para a tradução, a publicação e a disseminação de sua literatura, e em providenciar os meios para a criação de suas instituições subsidiárias; a primeira a advogar a causa dos oprimidos e a generosamente contribuir para aliviar o sofrimento dos necessitados e perseguidos entre os seguidores de Bahá’u’lláh; a primeira a inaugurar empreendimentos coletivos para a propagação de Sua Causa; a primeira a preparar uma base incontestável para a ereção de instituições auxiliares projetadas para multiplicar seus recursos financeiros; e mais recentemente, a primeira a concluir, como condiz à sua primazia, a tarefa inicial incidente sobre si em conseqüência da recém-lançada Cruzada Espiritual Mundial, esta comunidade tem merecido abundantemente, pela qualidade de seus feitos e pela magnitude de seus heroísmos, os distinguidos títulos de berço da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, de vanguarda de Suas hostes

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] conquistadoras do mundo, de porta-estandartes da unicidade do gênero humano, de principais fideicomissários do Plano legado pelo Centro do Convênio e de portas-tocha de uma civilização mundial ainda por nascer. SERVIÇOS RECENTES MERECEDORES DE MENÇÃO Os serviços conferidos por esta mesma comunidade em anos recentes, em sua capacidade como os principais executores do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá, no transcorrer do segundo estágio do período inicial em sua evolução, são de tamanha importância e significado a ponto de merecerem menção particular neste momento. Dentro do continente norteamericano, ao longo das repúblicas da América Latina, nos dez países-meta da Europa, nas costas e no coração do continente africano, os membros desta comunidade, em conformidade com as provisões do Segundo Plano de Sete Anos, realizaram feitos de tão nobre e duradouro heroísmo de modo a realçar imensamente seu prestígio, demonstrar inequivocamente o calibre de sua fé e de qualificá-los a assumirem uma participação preponderante na realização do Plano de Dez Anos, cujas operações deverão se expandir por toda a superfície do globo. Na multiplicação e consolidação de instituições administrativas bahá’ís e suas repartições auxiliares por toda a América Central, Antilhas e cada república da América do Sul – uma tarefa que suplementa o empreendimento inicial assumido, dando seqüência ao Primeiro Plano de Sete Anos, em conexão com a introdução da Fé nas repúblicas da América Latina; no desenvolvimento ainda mais veloz de instituições nascentes da Fé na Escandinávia, nos países do Benelux,* na *Vide nota da p. 157.

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CARTAS E MENSAGENS Suíça, nas penínsulas Italiana e Ibérica; no assentamento das bases administrativas da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh nas capitais e em algumas das principais cidades de cada um dos dez Estados soberanos europeus incluídos no escopo do Plano; na convocação de uma série de conferências de ensino históricas no Norte e no coração do continente europeu – prenunciando a convocação das sensacionais Conferências Intercontinentais de Ensino recentemente realizadas; na tradução, publicação e disseminação da literatura bahá’í em vários idiomas europeus; na ainda mais dramática evolução da Fé no continente africano, culminando na convocação da primeira Conferência Intercontinental de Ensino do Ano Santo no coração da África; nos tremendos sacrifícios espontânea e repetidamente realizados para ampliar e reforçar as fundações da Fé no continente norteamericano, para sustentar as campanhas assumidas na América Latina, Europa e África, e para satisfazer às inúmeras demandas do Templo Bahá’í, rapidamente se aproximando do término em Wilmette; no nascimento sucessivo de três Assembléias Espirituais Nacionais no hemisfério ocidental – uma contribuição de destaque para a evolução e consolidação da estrutura da Ordem Administrativa mundial da Fé; na conclusão da ornamentação interior do primeiro Mashriqu’lAdhkár do Ocidente, a provisão dos seus acessórios e a iniciação do ajardinamento de seus terrenos; no suporte dado ao desenvolvimento das instituições do Centro Mundial da Fé; no papel desempenhado pelos seus representantes, tanto como Mãos da Causa ou como membros do Conselho Bahá’í Internacional; na ajuda financeira firmemente dada para acelerar a construção e assegurar o término da superestrutura do Sepulcro do Báb no Monte Carmelo – acima de tudo, na participação que seus representantes nacionais eleitos assumiram em proporcionar os meios para a convocação da segunda

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Conferência Intercontinental de Ensino do Ano Santo; em comemorar dignamente a consagração ao culto público do Templo-Mãe do Ocidente, por ocasião do seu Jubileu; em inaugurar condignamente o lançamento da Cruzada Espiritual Mundial e em celebrar o clímax do Ano Santo marcando o centenário do nascimento da Missão de Bahá’u’lláh – em todas estas a comunidade bahá’í americana mereceu plenamente as preces e a gratidão da posteridade, tornou-se merecedora dos aplausos do Concurso nas Alturas e ganhou uma medida completa das bênçãos divinas e de sustentação celestial, das quais manter-se-á imensamente necessitada no curso da execução de um empreendimento ainda mais vigoroso e glorioso nos dias por vir. RESPONSABILIDADES ADICIONAIS NA PROPAGAÇÃO DO PLANO DIVINO O palco está agora armado e a hora, propícia para a organização de forças e para a revelação do espírito indomável que anima esta comunidade em escala e grau sem precedentes no inteiro curso da história bahá’í americana. As Antilhas e as dezessete repúblicas das Américas Central e do Sul – o cenário das primeiras façanhas de uma comunidade inaugurando a fase de abertura de sua missão que engloba o mundo todo – os dez Estados soberanos da Europa que, num estágio subseqüente no desdobramento daquela missão, os membros desta comunidade se levantaram entusiástica e determinadamente para abrir e conquistar; os territórios africanos que, somados ao dever a eles incumbido sob o Segundo Plano de Sete Anos, eles espontaneamente se empenharam em conquistar para a vitoriosa Causa de Bahá’u’lláh – estas numerosas ilhas e arquipélagos, margeando os continentes americano, europeu

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CARTAS E MENSAGENS e africano; vastas dependências, quase que inacessíveis, e remotas da base de suas operações por todo o continente asiático; finalmente, a região do Pacífico Sul, o lar da única raça remanescente ainda não adequadamente representada na comunidade mundial bahá’í, ocupando espiritualmente uma posição tão estratégica devido à sua proximidade às comunidades bahá’ís já firmemente fortificadas na América do Sul, no subcontinente indiano e na Australásia, ao mesmo tempo desafiando os recursos de nada menos que oito Assembléias Espirituais Nacionais, e o palco destinado a testemunhar as mais nobres e retumbantes vitórias para as quais os executores escolhidos do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá foram chamados a conquistar no serviço à Causa de Deus – todos estes foram agora, de acordo com os requisitos de um Plano em expansão irresistível, agregados, completando assim o inteiro círculo das obrigações em âmbito global, incumbidas a uma comunidade investida de primazia espiritual pelo Autor das Epístolas imortais que constituem a Carta Magna do Plano Mestre do designado Centro do Convênio de Bahá’u’lláh. “No momento em que essa Mensagem Divina”, Ele, Quem escreveu estas Epístolas e conferiu esta primazia, expressamente afirmou, “for propagada em toda parte dos continentes da Europa, da Ásia, da África e da Australásia, e até às ilhas do Pacífico, esta comunidade se verá seguramente estabelecida sobre o trono de um domínio sempiterno”. Então, e somente então, conforme Ele próprio tão singularmente profetizou, “toda a Terra” haverá de “ressoar com os elogios de sua majestade e grandeza”. Agora, de fato, é o momento, após o lapso de vinte anos; dando seqüência à triunfante finalização de dois Planos históricos sucessivos, marcando as fases de abertura da primeira época no desdobramento daquele mesmo Plano Mestre; no

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] alvorecer das brilhantes celebrações que culminam com as festividades mundiais de um memorável Ano Santo; e enquanto uma comunidade triunfante, no primeiro vigor de entusiasmo, acabou de colher os primeiros frutos de suas campanhas em quatro continentes do globo e está abastecida com seus recentemente conquistados troféus, para esta comunidade apressar-se e assumir a sua legítima parcela preponderante na condução de uma recém-lançada Cruzada Espiritual Mundial, para demonstrar, através de um esforço supremo e sustentado abraçando toda a superfície do planeta, sua habilidade de salvaguardar aquela primazia, para enriquecer imensuravelmente o registro de seu serviço e trazer à majestosa finalização à época de abertura na evolução de um Plano destinado a revelar a plena medida de suas potencialidades, não somente através das sucessivas épocas da Idade Formativa da Fé, mas ao longo das enormes conquistas do tempo se estendendo à Idade Áurea, a última Idade da Dispensação Bahá’í. UM PRESTÍGIO PERENE PARA A COMUNIDADE E A NAÇÃO AMERICANA Esta Cruzada Global de uma década deve marcar um verdadeiro ponto decisivo na história bahá’í americana. Deve provar a si própria ser, à medida que se desenvolve, uma força tão penetrante e revolucionária em seu caráter a ponto de deixar uma marca duradoura não só nos destinos da comunidade bahá’í americana, mas também nos destinos da nação americana. Deve, como um batismo de fogo, purgar do ego seus membros a ponto de permitir-lhes escalar alturas nunca antes atingidas. Deve, em seus estágios iniciais, testemunhar uma dispersão, combinada com uma consagração, que lembra

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CARTAS E MENSAGENS a aurora da Idade Heróica na terra natal de Bahá’u’lláh. Deve, à medida que ganha força, despertar os selecionados e congregar os espiritualmente famintos entre os povos do mundo, bem como criar uma consciência da Fé não só entre os líderes políticos da sociedade hodierna, mas também entre os pensadores e eruditos em outras esferas da atividade humana. Deve, à medida que se aproxima de seu clímax, portar a tocha da Fé para regiões tão remotas, tão atrasadas, tão inóspitas que nem a luz do cristianismo ou do Islã, após a revolução dos séculos, penetrou. Deve, à medida que se aproxima de seu término, pavimentar o caminho para o assentamento, sobre uma fundação inexpugnável, das bases estruturais de uma Ordem Administrativa cuja construção deve, no transcorrer das sucessivas cruzadas, ser laboriosamente erigida por todo o globo e que deve congregar, sob sua sombra protetora, povos de todas as raças, línguas, credos, cores e nações. Seguida pela vizinha Comunidade Bahá’í Canadense, plenamente prestes a voar, florescendo na fronteira ao Norte de sua pátria; apoiada pelas recém-emergidas comunidades latino-americanas estabelecidas nas Antilhas e em cada uma das repúblicas centrais e do Sul do hemisfério ocidental; habilmente auxiliada pela sua comunidade irmã funcionando vigorosamente no coração de um vasto império, e destinada a prestar sua inestimável assistência na conquista espiritual das numerosas e esparsamente espalhadas dependências da Coroa Britânica; reforçada pelas comunidades nacionais bahá’ís, a mais antiga e a mais nova, no continente europeu que deverão desempenhar papel proeminente nas regiões Leste e Sul, e além das fronteiras da Europa, ao longo das costas e nas ilhas do Mediterrâneo; assistida pela sua venerável comunidade irmã no berço da Fé e pela segunda mais antiga comunidade nacional no mundo bahá’í ativamente engajada na propagação da Fé

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] no continente asiático; confiante da ajuda de suas comunidades irmãs egípcia e indiana, cujos destinos estão intimamente vinculados com o continente africano e o Sudeste da Ásia, respectivamente, e, finalmente, assegurada da cooperação infalível de ainda outra comunidade nacional nas Antípodas que, devido a sua posição geográfica, está destinada a assumir uma parcela significativa na introdução da Fé nas ilhas do Oceano Pacífico Sul, a comunidade bahá’í americana deve, como condiz a sua posição de executora primaz do Plano Divino, desempenhar um papel decisivo e preponderante no direcionamento e controle das múltiplas operações envolvidas na execução das campanhas norte-americana, latino-americana, européia, africana, asiática e do Pacífico Sul desta Cruzada Mundial, e assegurar, por todos os meios à sua disposição e em conjunto com seus parceiros mais novos, seu completo e total sucesso. Dentro de sua competência, estendendo-se para cada um dos continentes do globo, abraçando nada menos que vinte e nove territórios virgens e ilhas, os membros desta valente e preeminente comunidade são chamados a, entre outras coisas e dentro do relativamente breve período de apenas uma década, criar núcleos, ao redor dos quais cristalizar-se-ão futuras Assembléias, em não menos do que onze territórios e ilhas da África, oito da Ásia, seis da Europa, quatro da América; a inaugurar o estabelecimento das futuras dependências do Templo-Mãe do Ocidente e a concluir o ajardinamento de seus terrenos; a consolidar e ampliar a base da Ordem Administrativa já assentada em vinte e três territórios e ilhas distribuídos em quatro continentes do globo e situados nos oceanos Atlântico e Pacífico; a assistir no erguimento de não menos que trinta e seis pilares, vinte na América Latina, doze na Europa, dois na Ásia, um no continente norte-americano e

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CARTAS E MENSAGENS um na África, projetados para ajudar a sustentar o peso da unidade culminante da Ordem Administrativa Bahá’í, e no estabelecimento de sedes administrativas nacionais bahá’ís, de fundos nacionais e incorporações nacionais em todos estes continentes; a oferecer sua ajuda na aquisição de terrenos em adiantamento para a construção de quatro Templos, dois na Europa, um na África e um na América Central; para dar ímpeto ao progresso da Fé em sua pátria através da elevação do número de Assembléias Espirituais Locais para trezentos e para cem o número de Assembléias incorporadas, bem como através da instituição de uma Editora Bahá’í e a proclamação da Fé através da imprensa e do rádio; a registrar nas fileiras dos seguidores de Bahá’u’lláh membros dos indígenas, das raças basca e cigana; a assumir a responsabilidade na tradução e publicação da literatura bahá’í em vinte idiomas, dez na América e dez na Europa; e a contribuir na consolidação da Fé em oito dos países-meta europeus mediante o estabelecimento de incorporações locais, bem como através da quadruplicação do número de Assembléias Locais e da triplicação do número de sedes bahá’ís locais em cada uma delas. Enquanto esta colossal tarefa, que em sua magnitude e potencialidades transcende qualquer outro empreendimento coletivo anteriormente lançado no transcurso da história bahá’í americana, está sendo energicamente levada a efeito, deve-se constantemente ter-se em mente – e isto se aplica a todas as comunidades, sem exceção, participando na Cruzada Mundial – que a dupla tarefa de expansão e de consolidação deve ser suplementada por esforços contínuos e vigorosos para aumentar rapidamente não só o número de irrestritos seguidores da Fé tanto em territórios virgens como naqueles já abertos e ilhas incluídas dentro do escopo do Plano de Dez Anos, mas também para ampliar as fileiras de seus ativos

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] apoiadores que irão consagrar seu tempo, recursos e energia na efetiva propagação de seus ensinamentos e na multiplicação e consolidação de suas instituições administrativas. O movimento de pioneiros, a abertura de territórios virgens, a iniciação de Casas de Adoração e de sedes administrativas, a incorporação de corpos eletivos locais e nacionais, a multiplicação de Assembléias, grupos e centros isolados, o incremento no número de raças representadas na confraternização mundial bahá’í, a tradução, publicação e disseminação da literatura bahá’í, a consolidação de agências administrativas e a criação de corpos auxiliares designados a apoiá-los, por mais valorosos, essenciais e meritórios que sejam, darão com o tempo pouco resultado e fracassarão em alcançar seu propósito supremo se não forem suplementados pelo mesmo esforço vital – um esforço que em primeira instância continuamente diz respeito e desafia cada crente individual, seja qual for a sua posição, capacidade ou origem – de ganhar para a Fé novos recrutas para incorporar o lento, porém contínuo, avanço do exército do Senhor das Hostes, cuja energia reforçadora é tão essencial para a salvaguarda das vitórias que o rebanho de heróicos conquistadores bahá’ís está obtendo ao longo de suas diversas campanhas em todos os continentes do globo. Tal firme fluxo de reforços é absolutamente vital e de extrema urgência, pois simplesmente o influxo vitalizador do sangue novo que irá reanimar a comunidade mundial bahá’í pode salvaguardar os prêmios que, com tamanho sacrifício envolvendo o dispêndio de tanto tempo, esforço e valor, estão sendo agora conquistados em territórios virgens pelos valentes Cavalheiros de Bahá’u’lláh, cujo privilégio é o de constituir a ponta de lança dos exércitos investidores que, em palcos distintos e em circunstâncias freqüentemente adversas e

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CARTAS E MENSAGENS extremamente desafiadoras, estão disputando entre si a conquista espiritual de territórios e ilhas que ainda não se renderam sobre a superfície do globo. Este fluxo, além disso, irá pressagiar e acelerar o advento do dia que, tal como profetizado por ‘Abdu’l-Bahá, testemunhará a entrada em tropas de povos de diversas nações e raças no mundo bahá’í – um dia que, visto sob perspectiva apropriada, será o prelúdio àquele tão esperado momento quando uma conversão em massa por parte dessas mesmas nações e raças, e como resultado direto de uma cadeia de eventos, momentosa e possivelmente catastrófica em sua natureza, e que sequer pode ser vislumbrada agora, irá, de súbito, revolucionar os destinos da Fé, perturbar o equilíbrio do mundo e reforçar em mil vezes a força numérica bem como o poder material e a autoridade espiritual da Fé de Bahá’u’lláh. O MAIS VITAL OBJETIVO NO ANO DE ABERTURA DA CRUZADA De todos os objetivos enumerados em minha mensagem aos representantes desta comunidade, congregados por ocasião da celebração do clímax do Ano Santo, da convocação da segunda Conferência Intercontinental de Ensino, da inauguração do Templo-Mãe do Ocidente e do lançamento da Cruzada Espiritual Mundial, o mais vital, urgente e meritório, neste ano de abertura da fase inicial deste empreendimento de proporções mundiais, é, sem dúvida, o estabelecimento de pioneiros em todos os territórios e ilhas virgens designados a esta comunidade em todos os continentes do globo, com exceção feita àqueles poucos que, devido aos atuais obstáculos políticos, não podem ser ainda abertos à Fé de Bahá’u’lláh. Este processo já tão auspiciosamente inaugurado, que ao longo dos primeiros oito meses do Ano

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Santo adquiriu tão esplêndida força e que leva nitidamente a pasmar, estimular e inspirar todo o mundo bahá’í, deve, durante os meses conclusivos deste mesmo ano e aquele que o sucede, ser tão acelerado a ponto de assegurar a realização deste supremo objetivo antes do lapso de dois anos do lançamento oficial desta Cruzada Mundial. Enquanto esta meta está sendo vigorosamente perseguida, atenção estreita deve ser dirigida às medidas preliminares para o estabelecimento da primeira dependência do Templo-Mãe do Ocidente, bem como ao término do ajardinamento de seus terrenos, uma dupla tarefa que irá, por um lado, demarcar a conclusão do processo de cinqüenta anos da construção da Casa de Adoração Bahá’í central, e proclamar, por outro, o início de outro designado a culminar no estabelecimento, em sua plenitude, da instituição do Mashriqu’l-Adhkár tal como concebido por Bahá’u’lláh e predito por ‘Abdu’l-Bahá. Além disso, consideração imediata deve ser dada a duas outras questões de importância primordial, a saber, a aquisição de um terreno, que por ora não necessita exceder um acre, em antecipação à construção do primeiro Mashriqu’l-Adhkár da África do Sul, e a imediata tradução de um folheto bahá’í adequado para os idiomas americanos e europeus designados à vossa Assembléia, e sua publicação e ampla disseminação entre os povos e tribos para os quais foi originalmente designado. Os seguidores do Nome Supremo, cidadãos da grande república do Ocidente; constituindo a maioria e os mais antigos seguidores de Sua Fé num continente em que, nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, “se haverão de revelar os esplendores de Sua (Bahá’u’lláh) luz” e “se desvelarão os mistérios de Sua Fé”, intitulados por Ele, em Suas Epístolas do Plano Divino, como os “Apóstolos” de Seu Pai; os recipientes da esmagadora maioria destas mesmas Epístolas constituindo a Carta Magna

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CARTAS E MENSAGENS daquele Plano; conquistadores da maioria dos territórios, sejam Estados soberanos ou dependências, já incluídos no âmbito da Fé; os construtores-campeões de um sistema administrativo mundial que a posteridade irá observar como sendo o arauto da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, devem, caso queiram manter sua primazia e enriquecer sua herança, assegurar que, antes da abertura da segunda fase desta Cruzada Mundial, os nomes dos primeiros conquistadores bahá’ís americanos a se estabelecerem em territórios e ilhas virgens irão, conforme condiz a sua primazia, ser inscritos na Lista de Honra, ora em processo de elaboração e designada a ser permanentemente depositada na porta de entrada do Santuário Interno do Mais Sagrado Sepulcro de Bahá’u’lláh; que a restrita área de terreno requerida para a construção de quatro futuros Templos Bahá’ís, em Roma, Estocolmo, Cidade do Panamá e Johannesburgo, será adquirida; que o ajardinamento dos terrenos do Templo de Wilmette será finalizado; e que a tradução e publicação do folheto acima mencionado, nos idiomas especificados, serão concluídas. Os dois próximos anos, dos quais três meses já expiraram, irão rápida e imperceptivelmente se esgotar. Tarefas ainda mais árduas, igualmente pesadas e requerendo em medida ainda maior o dispêndio de esforço e de substância, estão por vir, que não tolerarão protelação, que irão elevar a Fé a níveis ainda mais altos de realização e reputação, que ampliarão, mediante o forjar de novas ferramentas, a estrutura de uma Ordem Administrativa mundial em firme desenvoltura e que, finalmente, caso adequadamente cumprida, selará o triunfo da mais prodigiosa, a mais sublime, a mais sagrada empreitada coletiva lançada pelos partidários da Causa de Deus em ambos os hemisférios, desde os primórdios da Idade Heróica da Fé – um empreendimento que em sua amplitude, organização e

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] poder unificador não possui paralelo na história espiritual do mundo. UM APELO A TODOS QUE ESTÃO ENGAJADOS NA CRUZADA A eles, e na verdade ao inteiro corpo dos seguidores de Bahá’u’lláh, engajados nesta Cruzada global, eu dirijo meu apelo para que se levantem e, ao longo destes anos fugazes, em cada fase das campanhas que estão para ser disputadas em todos os continentes do globo, provem seus valores como bravos guerreiros lutando pela Causa de Bahá’u’lláh. De fato, desde este exato momento até a véspera do Supremo Jubileu, cada um e todos os que estiverem alistados no Exército de Luz não devem buscar descanso algum, não devem pensar em si próprio, devem sacrificar-se até a última gota, não devem permitir que nada, independente do que seja, os desvie de alcançar as urgentes, as múltiplas, as supremas necessidades desta preeminente Cruzada. “Luz como o espírito”, “puro como ar”, “ardente como fogo”, “irrestrito como o vento” – pois esta é a admoestação do próprio Bahá’u’lláh a Seus amados em Suas Epístolas, e dirigidas não a uns poucos eleitos, mas sim à inteira congregação de fiéis – deixe-os se espalharem para longe e em amplitude, proclamarem a glória da Revelação de Deus neste Dia, vivificar as almas dos homens e acender em seus corações o amor dAquele que é por Si só seu Redentor onipotente e divinamente apontado. Suportando o temido frio das regiões do Ártico e o debilitante calor da zona tórrida; incuto aos perigos, da solidão e austeridade dos desertos, das longínquas ilhas e montanhas onde eles serão chamados a habitar; destemidos pelo clamor que os expoentes da ortodoxia religiosa estão certos de levantar,

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CARTAS E MENSAGENS ou pelas medidas restritivas que líderes políticos possam impor; impávidos pela pequenez de seu contingente e pela multidão de seus potenciais adversários; munidos com as eficazes armas que suas próprias mãos vagarosa e laboriosamente forjaram, em antecipação a este glorioso e inevitável encontro com as forças organizadas da superstição, da corrupção e da incredulidade; depositando toda a sua confiança na potência incomparável dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, na força todaconquistadora do Seu poder e na infalibilidade de Suas gloriosas e repetidas promessas, deixe-os seguir adiante, cada um de acordo com sua força e recursos, em direção à vasta arena agora diante deles, e que, com a vontade de Deus, testemunharão, nos anos imediatamente por vir, tais provas de proeza e de heróica abnegação que bem podem trazer à memória os magníficos feitos alcançados por aquele rebanho imortal dos heróis intoxicados por Deus que tão imensuravelmente enriqueceram os anais das Dispensações Cristã, Islâmica e Bábí. Sobre os membros da comunidade bahá’í americana, os invejados zeladores do Plano Divino, os principais construtores e defensores de uma poderosa Ordem e os reconhecidos campeões de uma indescritível gloriosa e preciosa Fé, deve necessariamente recair uma responsabilidade inescapável e peculiar. Através de sua coragem, sua abnegação, sua fortaleza e sua perseverança; através do alcance e qualidade de seus feitos, a profundidade de sua consagração, sua iniciativa e desenvoltura, sua habilidade organizacional, sua presteza e capacidade de prestar assistência às comunidades irmãs menos privilegiadas em luta contra pesadas disputas; através de sua generosa e contínua resposta às enormes e sempre crescentes necessidades financeiras de um empreendimento de abrangência mundial, de uma década de duração e reconhecidamente ardorosa, eles

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] devem, sem sombra de dúvida, vindicar seus direitos à liderança desta Cruzada Mundial. Agora é o momento para que a esperança anunciada por ‘Abdu’l-Bahá, que da sua pátria “a iluminação celestial” pode “se projetar... para todos os povos do mundo”, se concretize. Agora é o momento para que a verdade de Sua notável afirmação de que essa mesma pátria está “equipada e tem o poder de consumar aquilo que há de adornar as páginas da história, para se tornar a inveja do mundo e ser abençoada tanto no Oriente como no Ocidente” seja surpreendente e inequivocamente demonstrada. “O sucesso coroará” seus “esforços”, Ele, mais adiante, lhes assegura, “o trono do Reino de Deus, na plenitude de sua majestade e glória, será firmemente estabelecido”. Permita Deus que esta comunidade, ostentando já tão magníficos registros de realizações, tanto em sua pátria como no além-mar, e elevada a alturas tão deslumbrantes pelas esperanças alimentadas e a certeza dada pelo Centro do Convênio de Bahá’u’lláh, possa provar ser capaz de executar feitos de tamanha distinção, durante a abertura, bem como nas fases sucessivas desta Cruzada Espiritual Mundial, tais como irão reluzir os dedicados atos que já deixaram a sua indelével marca na Idade Apostólica da Fé no Ocidente; irão sobrepujar as duradouras, as históricas conquistas associadas, num período posterior, com a memorável contribuição desta comunidade ao progresso e ao estabelecimento da Ordem Administrativa mundial de Bahá’u’lláh; irá ultrapassar as magníficas realizações que, subseqüentemente, como resultado da operação do Primeiro Plano de Sete Anos, iluminaram os anais da Fé tanto no continente norte-americano como por toda a América Latina, e irá eclipsar os feitos ainda mais dramáticos que, durante os anos de abertura do segundo período da Idade

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CARTAS E MENSAGENS Formativa da Fé, e ao longo da execução do Segundo Plano de Sete Anos, exerceram tão duradoura influência no destino da Fé de Bahá’u’lláh nas Antilhas, por todas as repúblicas da América Central, em cada uma das dez repúblicas da América do Sul, em não menos do que dez Estados soberanos no continente europeu, e em várias dependências das costas Leste e Oeste, bem como no coração do continente africano.

69.

5 DE SETEMBRO DE 1953 SALVAGUARDANDO A PRIMAZIA AMERICANA

Repleto de alegria pelas extraordinárias conquistas da comunidade bahá’í americana, salvaguardando a primazia, realçando prestígio, estabelecendo magnífico exemplo para comunidades irmãs Oriente e Ocidente. Assegurem aos três membros de Assembléia, também Lofoten pioneiro valente de permanente estima, ferventes e afetuosas preces.

70.

CERCA DE MAIO DE 1954

TERRENO PARA TEMPLO ADQUIRIDO NO PANAMÁ

Sinceras congratulações pela aquisição do terreno do Templo; notável conquista da Cruzada Mundial.

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71.

23 DE JULHO DE 1954 * ASSEMBLÉIAS DEVEM SER MANTIDAS

Informação incorreta. Manutenção de todas as Assembléias é vital.

72.

28 DE JULHO DE 1954

BAHÁ’ÍS AMERICANOS EM TEMPOS DE PERIGO MUNDIAL

A comunidade bahá’í americana, neste, o ano de abertura da segunda fase da Cruzada Espiritual Mundial na qual embarcou, encontra-se, a si própria, diante do limiar da sétima década de sua existência. Deixa para trás, à medida que entra na segunda década do segundo século bahá’í, sessenta anos abarrotados com eventos e marcados por feitos tão inspiradores e momentosos que permanecem insuperáveis nos anais de qualquer outra comunidade bahá’í nacional, com exceção única à sua venerável comunidade irmã na terra natal de Bahá’u’lláh. EXECUTORA-CHEFE DO PLANO DIVINO A primeira a responder ao chamado do Novo Dia no mundo ocidental; durante muitos anos, em sintonia com o pequeno grupo de crentes canadenses residindo na vizinhança ao lado, a campeã única do recém-proclamado Convênio de Bahá’u’lláh; a mais notável em sua decisiva contribuição à *Resposta à solicitação da Assembléia Espiritual Nacional referente à recomendação referente a uma afirmação que o Guardião havia supostamente feito no sentido de que todos os bahá’ís deveriam se espalhar. Muitos, nessa ocasião, sentiram que a posição da Assembléia não necessitava ser mantida.

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CARTAS E MENSAGENS criação dos padrões, a construção das bases, a expansão dos limites e a consolidação das instituições da Ordem Mundial embrionária, o infante daquele mesmo Convênio e a precursora de uma civilização mundial ainda por nascer; escolhida pela pena do Centro daquele mesmo Convênio por uma única e imperecível bondade como sendo a guardiã-mor e a executora chefe do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá; duplamente honrada durante Sua extensa visita às costas de sua pátria pela distinção por Ele conferida aos dois principais centros da comunidade, um como sendo o lugar onde Ele assentou a pedra fundamental da mais sagrada Casa de Adoração no mundo bahá’í e o outro como cenário da proclamação do Convênio de Seu Pai; a executora triunfante de dois Planos históricos sucessivos, corajosamente iniciados pelos seus representantes nacionais eleitos para a propagação da Fé que desposaram na terra de seu berço, no Domínio do Canadá, nas Américas Central e do Sul, e no continente europeu, e pela construção de sua própria Casa de Adoração, o TemploMãe do Ocidente; enfrentando em seu papel como defensora da Fé, como sustentadora das suas oprimidas, longamente perseguidas comunidades irmãs em ambos os continentes asiático e africano, e como a formuladora da constituição nacional bahá’í, incorporando os regimentos que regulam os interesses internos dos membros das comunidades bahá’ís; incomparável em todo o mundo bahá’í como sendo a agente dinâmica responsável pela abertura da enorme maioria dos mais de duzentos Estados soberanos e principais dependências do globo para a Fé de Bahá’u’lláh; ultrapassando até mesmo sua comunidade irmã de mais de cem anos de vida, no berço daquela Fé, em número e variedade de centros isolados, grupos e Assembléias Locais que teve sucesso em estabelecer sobre a face da União que se estende da costa do Atlântico até o Pacífico

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] e do Alasca até o México; digna de nota pela rápida acumulação e sábia utilização dos recursos materiais, geralmente envolvendo uma abnegação que lembra os sacrifícios dos rompedores da alvorada na Idade Apostólica da Fé, pelo único propósito de propagar sistematicamente a Fé que se empenharam em servir, de realçar seu prestígio, de multiplicar e aperfeiçoar suas repartições administrativas, de enriquecer sua literatura, de erguer seus edifícios, de lançar seus múltiplos empreendimentos, de socorrer os necessitados entre os membros de suas comunidades irmãs, de repelir os perigos que os confrontam de tempos em tempos devido à malícia de seus inimigos – a comunidade bahá’í americana, ostentando tal registro de elevados serviços, pode bem se permitir contemplar o futuro imediato, com seu severo desafio, seus complexos problemas, seus perigos, testes e provas, com equanimidade e confiança. Pois não pode haver dúvida de que a comunidade toda, limitada como é em força numérica e restritos como são seus escassos recursos, em comparação à vastidão das terras que diante dela se estendem, os prodigiosos esforços que dela são demandados e a complexidade dos problemas que deve resolver, coloca-se diante da mais crítica conjuntura de sua história. A AMÉRICA PASSANDO POR CRISE Além disso, o país do qual faz parte está passando por uma crise que, em seu aspecto espiritual, moral, social e político, é de extrema seriedade – uma seriedade que para um observador superficial está sujeita a ser perigosamente subestimada. A deterioração invariável e alarmante nos padrões de moralidade, tal como exemplificado pelo espantoso

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CARTAS E MENSAGENS crescimento da criminalidade, pela corrupção política em esferas cada vez mais amplas e elevadas, pelo afrouxamento dos sagrados laços do matrimônio, pelo desordenado desejo de prazer e diversão, e pelo perceptível e progressivo relaxamento do controle por parte dos pais, é sem dúvida o aspecto mais impressionante e desolador da decadência que foi estabelecida, e que pode ser claramente percebida, no futuro da nação como um todo. Paralelamente a isto e permeando todos os aspectos da vida – um mal que a nação, e certamente todos aqueles que estão dentro do sistema capitalista, ainda que em escala menor, compartilham com aquele Estado e seus satélites considerados como sendo os inimigos declarados daquele sistema – é o materialismo crasso, que deposita ênfase excessiva e sempre crescente no bem-estar material, negligenciando as questões relativas ao espírito, sobre o qual por si só uma base estável e certa pode ser legada para a sociedade humana. É este mesmo materialismo cancerígeno, nascido originalmente na Europa, levado ao extremo no continente norte-americano, contaminando os povos e nações asiáticas, espalhando seus agourentos tentáculos até as costas da África, e agora invadindo seu coração, que Bahá’u’lláh, em linguagem inequívoca e enfática, denunciou em Suas Escrituras, comparando-o com uma chama devoradora e considerando-o como sendo o fator principal em precipitar as terríveis provações e momentosas crises que devem necessariamente envolver a queima de cidades e a disseminação de terror e consternação nos corações dos homens. Certamente, a antecipação da devastação que este fogo consumidor irá descarregar sobre o mundo, e com a qual irá assolar as cidades das nações que participam neste trágico contexto que subjuga o mundo, foi propiciada pela última Guerra Mundial, marcando o segundo estágio na destruição

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] global que a humanidade, esquecida de seu Deus e negligente das claras advertências proferidas pelo Seu Mensageiro apontado para este dia, infelizmente deve inevitavelmente experimentar. É este mesmo todo-penetrante, pernicioso materialismo contra o qual a voz do Centro do Convênio de Bahá’u’lláh foi erguido, com tocante persistência, de plataforma e de púlpito, em Seus discursos às multidões negligentes, que, no dia seguinte à Sua profética visita feita à Europa e América, encontraram-se inesperadamente impulsionadas para dentro do turbilhão de uma tempestade de alcance e severidade incomparáveis na história do mundo. Paralelamente com esta agourenta frouxidão na moral, e esta ênfase progressiva posta nas atividades e bem-estar materiais do homem, está o obscurecimento dos horizontes políticos, tal como testemunhado pelo alargamento do abismo separando os protagonistas de duas escolas antagônicas do pensamento que, apesar de divergentes em suas ideologias, estão igualmente condenadas pelos sustentáculos do padrão da Fé de Bahá’u’lláh, devido às suas filosofias materialistas e sua negligência daqueles valores espirituais e verdades eternas sobre os quais, por si só, uma estável e viçosa civilização pode ser enfim estabelecida. A multiplicação, a diversidade e o crescente poder destrutivo de armamentos aos quais ambos os lados, nesta disputa mundial, se prenderam num redemoinho de temor, suspeita e ódio, estão rapidamente contribuindo; o deflagrar de dois sucessivos conflitos sangrentos, emaranhando ainda mais a nação americana nas questões de um mundo distraído, acarretando em perda considerável de sangue e riqueza, inchando o orçamento da nação e depreciando progressivamente a moeda do Estado; a confusão, a vacilação, as suspeitas que afligem as nações européias e asiáticas em suas posturas para com a nação americana; o irresistível incremento de força ao inimigo mortal

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CARTAS E MENSAGENS do sistema advogado pela União Americana em conseqüência do realinhamento das forças no continente asiático e particularmente no Extremo Oriente – estes têm, além disso, contribuído com sua participação, em anos recentes, à deterioração de uma situação que, caso não remediada, está destinada a envolver a nação americana em uma catástrofe de dimensões jamais sonhadas e de conseqüências incalculáveis à estrutura social, aos padrões e às concepções do povo e do governo americano. Não menos sérios são o estresse e a tensão impostos à estrutura da sociedade americana por meio da persistente e fundamental negligência, tanto por governados como pelos governantes, da suprema, inescapável e urgente tarefa – tão repetida e graficamente representada e enfatizada por ‘Abdu’lBahá em Sua denúncia da debilidade básica na estrutura social da nação – em remediar, enquanto ainda há tempo, através de uma mudança revolucionária no conceito e atitude da maioria americana branca em relação aos seus companheiros cidadãos negros, uma situação que, se permitida à deriva, irá, nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, fazer com que as ruas de cidades americanas venham a ser banhadas de sangue, agravando assim o massacre que as temidas armas de destruição, chovendo pelo ar e acumuladas por um implacável, um vigilante, um poderoso e inveterado inimigo, irão descarregar sobre aquelas mesmas cidades. A nação americana, da qual a Comunidade do Nome Supremo representa por enquanto uma insignificante e infinitesimal parte, está, de fato, por qualquer ângulo que seja observado seu futuro imediato, em grave perigo. As desventuras e tribulações que a ameaçam são em parte evitáveis, mas em sua maior parte inevitáveis e enviadas por Deus, pois devido a estas um governo e povo apegados obstinadamente à obsoleta

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] doutrina de soberania absoluta e preservando um sistema político, manifestamente em divergência com as necessidades de um mundo já contraído dentro de uma vizinhança e clamando por unidade, encontrarão a si mesmos purgados de seus conceitos anacrônicos e preparados para desempenhar um papel preponderante, tal como predito por ‘Abdu’l-Bahá, no levantamento do estandarte da Paz Menor, na unificação da humanidade e no estabelecimento de um governo federativo mundial neste planeta. Estas mesmas ardentes tribulações não só unirão firmemente a nação americana às suas nações irmãs em ambos os hemisférios, mas irão, através de seu efeito purificador, purgá-la totalmente da escória acumulada que enraizou o preconceito racial, o materialismo desenfreado, espalhou a incredulidade e a lassidão moral que se combinaram, no decurso das sucessivas gerações, a produzir, e que a preveniram até o presente momento de assumir o papel de liderança espiritual mundial prognosticada pela pena infalível de ‘Abdu’l-Bahá – um papel no qual está fadada a cumprir através de árduo trabalho e sofrimento. BAHÁ’ÍS AMERICANOS ESTÃO NUMA ENCRUZILHADA A comunidade bahá’í americana, a levedura destinada a fermentar o todo, não pode ter esperança, nesta crítica conjuntura nas venturas de uma nação em conflito, em situação perigosa, espiritualmente moribunda, em escapar das provas com as quais esta nação é confrontada, nem clamar estar totalmente imune dos males que maculam seu caráter. Num período tão crítico, num momento tão desafiador, os membros de uma comunidade, investida por ‘Abdu’l-Bahá com uma primazia que, por negligência ou apatia, pode ser posta a perder seu poder vital e força propulsora, estão imersos

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CARTAS E MENSAGENS numa tarefa e diante de responsabilidades que a Cruzada Espiritual Mundial, a terceira e maior iniciativa coletiva na qual embarcaram na história bahá’í americana, outorgou-lhes ante os olhos admiradores e esperançosos de suas comunidades irmãs por todo o mundo. Eles agora estão numa encruzilhada, sem poder relaxar sequer por um momento ou hesitar na escolha do caminho a trilhar ou ainda permitir qualquer declínio no elevado padrão que, por nada menos do que seis décadas, constantemente preservaram. Não apenas isto, mas se esta primazia deve ser protegida e aprimorada, uma consagração, não somente da parte de alguns poucos escolhidos, para cada um dos objetivos do Plano de Dez Anos ao qual estão agora empenhados, e uma torrente material, não somente por aqueles de posses limitadas, mas pelos mais ricos e opulentos, num grau que envolve o mais verdadeiro sacrifício, com o propósito de assegurar a realização dos objetivos e propósitos do Plano em sua fase atual de desenvolvimento, são imperativos e não podem sofrer qualquer atraso. O poderoso e louvável esforço manifestado por um número considerável de pioneiros, ao longo da fase de abertura desta Cruzada de abrangência mundial, nos territórios virgens do globo deve, para que essa primazia permaneça intacta, ser incrementado, dobrado e ainda triplicado, e deve manifestarse não só nas terras estrangeiras onde as recompensas tão laboriosamente conquistadas durante os últimos doze meses devem, a qualquer preço, ser meticulosamente preservadas, mas por toda a extensão e amplitude da União Americana, e particularmente nas cidades-meta, onde até agora o trabalho foi estagnado, e que deve, no ano agora adentrado, tornar-se o cenário dos mais finos feitos que a frente doméstica jamais presenciou. Um verdadeiro êxodo das grandes cidades onde um número considerável de crentes, durante um período de

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] anos, congregaram-se, tanto nas costas do Atlântico como do Pacífico, bem como no coração do país, e onde, devido ao ritmo e às distrações da vida nas cidades, o progresso da Fé foi retardado, deve sinalizar a inauguração desta mais intensiva e desafiadora fase da Cruzada na frente doméstica. De forma precisa e enfática devem ser dadas as guias pelos dois centros focais da atividade bahá’í que se distinguem entre as mais antigas e ocupam as posições mais honradas entre as cidades por toda a União Americana, aquela tida como a cidade-mãe do continente norte-americano, a outra, nomeada por ‘Abdu’lBahá a Cidade do Convênio. De fato, tão graves são as exigências do presente momento e tão crítica a posição política do país que, fossem apenas quinze bahá’ís adultos a serem deixados em cada uma destas cidades, sobre as quais perigos inesperados pairam, isso ainda seria considerado adequado para a manutenção de suas Assembléias Espirituais Locais. TAREFAS DA CRUZADA MUNDIAL Enquanto este processo vital de multiplicação de centros isolados, grupos e Assembléias Locais Bahá’ís está sendo acelerado, através de uma rápida e sem precedente dispersão de crentes, e como resultado da iniciação de vigorosas atividades de ensino, através de indivíduos bem como das instituições administrativas, a incorporação de Assembléias Locais maduras – um processo que tem sido visivelmente relaxado em anos recentes – deve ser dada atenção imediata pelos representantes nacionais eleitos da comunidade, reforçando através disto as fundações de comunidades bahá’ís locais e pavimentando o caminho para o estabelecimento, num futuro não muito distante, de fundos bahá’ís locais.

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CARTAS E MENSAGENS A inauguração da primeira dependência do Mashriqu’lAdhkár, o primeiro elo a ser forjado destinado a vincular a Comunidade do Nome Supremo ao público em geral, esperançoso em testemunhar as primeiras evidências do serviço bahá’í direto para a humanidade como um complemento à adoração bahá’í, é ainda uma outra tarefa que deve ser conscientemente manejada e concluída no decorrer da segunda fase deste Plano de Dez Anos. A consumação deste projeto deve ser sincronizada com o término do ajardinamento das áreas que circundam o Templo – uma dupla conquista que marcará ainda outro estágio na materialização das esperanças freqüentemente expressas e nutridas por ‘Abdu’l-Bahá para esta mais sagrada Casa de Adoração no mundo bahá’í. Ainda outra tarefa, de extrema urgência e de grande significado espiritual, é a escolha e aquisição do terreno para o futuro Mashriqu’l-Adhkár na Suécia, bem como a apropriação de fundos suficientes durante os dois anos que estão por vir, para o estabelecimento, por mais modesto que possa ser, de Hazíratu’l-Quds nacionais em Anchorage, no Alasca, na Cidade do Panamá e na capital do Peru, em Suva, em Tóquio e em Johannesburgo, e a prestação de assistência financeira à Assembléia Nacional Ítalo-Suíça, a filha altiva da comunidade bahá’í americana, a fim de erguer um centro nacional similar nas capitais suíça e italiana. Não menos importante, implicando entretanto num desembolso menor de fundos, é a criação de fundos simbólicos nas cidades acima mencionadas, antecipando a formação de uma Assembléia Espiritual Nacional independente em cada uma delas, num estágio posterior da execução deste estupendo Plano. A tradução e publicação de literatura bahá’í em línguas européias e indígenas americanas, alocadas à sua Assembléia e seu Comitê de Ensino Europeu sob as provisões do Plano de

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Dez Anos é ainda outro objetivo desta segunda fase desta Cruzada Mundial, uma tarefa que deve ser perseguida com determinação e rapidamente realizada, para facilitar a intensa atividade de ensino que, num estágio posterior, deve ser conduzida com o objetivo de converter um número considerável de raças minoritárias, tanto na Europa como na América, para a Fé de Bahá’u’lláh. Os empreendimentos de ensino de suma importância na França e Finlândia, designados a ampliar as bases da infante Ordem Administrativa em ambos os países e a estender as ramificações da Fé aos seus principais povoados e cidades, são ainda outra responsabilidade que deve ser prontamente levada a efeito, como preliminar indispensável ao estabelecimento, em cada um destes dois países, de uma Assembléia Nacional independente. Finalmente, o estabelecimento de uma Editora Bahá’í, similar em seus fundamentos àquela instituição já em funcionamento nas Ilhas Britânicas, e que deve servir como um modelo para outras Assembléias Nacionais tanto no Oriente como no Ocidente, é uma questão à qual atenção pronta e honesta deve ser dirigida no decurso da segunda fase do Plano, e que irá requerer uma consulta plena e imediata com os representantes nacionais eleitos da comunidade bahá’í britânica. Uma campanha sistemática designada a proclamar a Fé às massas através da imprensa e rádio deve, além disso, ser lançada e mantida com atenção, persistência e vigor. A comunidade bahá’í americana – os construtores-campeões de uma Ordem que a posteridade irá aclamar como sendo a precursora de uma civilização a ser considerada como o fruto mais legítimo da Revelação proclamada por Bahá’u’lláh; os principais fideicomissários de um Plano que as gerações futuras irão aclamar como sendo um dos dois maiores legados deixados

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CARTAS E MENSAGENS pelo Centro do Seu Convênio; marchando à frente de uma Cruzada que a história reconhecerá como sendo o empreendimento espiritual mais momentoso lançado em tempos modernos; cercada pelas mesmas ansiedades e perigos através dos quais a nação da qual ela faz parte se encontra, em grau sem precedente, circunscrita e em aflição – tal comunidade está, neste momento, experimentando o impacto e o desafio único em seus sessenta anos de existência. DESAFIO PARA CADA INDIVÍDUO BAHÁ’Í Em sua meteórica carreira, suas venturas têm se elevado tão velozmente, suas proezas têm se multiplicado tão magnificamente, seu espírito em momentos de emergência tem se expandido e atingido alturas tão elevadas, tem conquistado nessas ocasiões o aplauso e a admiração excitada de suas comunidades irmãs por ambos os hemisférios em tal grau que não poderá, neste momento crítico em seu destino, deixar esta oportunidade de ouro escorregar de suas mãos, ou este privilégio inapreciável ser irremediavelmente perdido. Este desafio, tão severo e insistente, e ainda tão glorioso, enfrenta sem dúvida, em primeiro lugar, o crente individual de quem, em última instância, depende o destino da comunidade como um todo. É ele quem constitui a urdidura e a trama das quais irão depender a qualidade e o padrão de toda a estrutura. É ele que age como um dos incontáveis elos na poderosa corrente que agora envolve o globo. É ele que serve como um dos milhares de tijolos que suportam a estrutura e asseguram a estabilidade da edificação administrativa sendo agora erigida em toda parte do mundo. Sem seu suporte, com sinceridade total, de maneira contínua e generosa, cada medida adotada e todo plano formulado pelo corpo que atua

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] como o representante nacional da comunidade a qual pertence, é fadado ao fracasso. O próprio Centro Mundial da Fé é paralisado se tal suporte por parte de pessoas comuns da comunidade lhe é negado. O próprio Autor do Plano Divino é impedido em Seu propósito caso faltem os instrumentos apropriados para a execução de Seu plano. A força sustentadora do próprio Bahá’u’lláh, o Fundador da Fé, será ceifada de todo e qualquer indivíduo que com o tempo falhar em levantar-se e fazer a sua parte. As instituições administrativas de uma Ordem Administrativa divinamente concebida, finalmente erigida e relativamente aperfeiçoada, necessitam imensamente do crente individual para ir avante e utilizá-las com propósito invariável, confiança serena e dedicação exemplar. O coração do Guardião não pode a não ser saltar de alegria, e sua mente, receber inspiração renovada, em cada evidência que testifique a resposta de indivíduos às suas tarefas designadas. As legiões invisíveis, formando fileiras e fileiras, e ansiosos em emanar do Reino nas alturas a plena medida de sua força celestial sobre os participantes individuais desta incomparavelmente gloriosa Cruzada, estão desprovidas de poder, salvo e até que cada potencial expedicionário decida por si próprio, e persevere em sua determinação, a precipitar-se na arena de serviço pronto a sacrificar seu todo pela Causa que é chamado a defender. APELO POR DEDICAÇÃO É então imperativo ao crente individual americano, e particularmente aos opulentos, os independentes, os amadores de conforto e aqueles obcecados pelos bens materiais, a dar um passo avante e dedicar seus recursos, seu tempo, sua própria vida a uma Causa de tamanha transcendência que nenhum

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CARTAS E MENSAGENS olho humano pode sequer vislumbrar vagamente a sua glória. Deixe-os tomar resolução, de forma instantânea e sem hesitação, em colocar, cada um de acordo com as suas circunstâncias, a sua quota sobre o altar do sacrifício bahá’í, com receio de que, subitamente, calamidades imprevistas lhes roubem uma porção considerável das coisas mundanas que eles acumularam. Se existe um momento certo para trilhar o caminho que os rompedores da alvorada de uma idade antecedente tão magnificamente trilharam, o momento é este. Agora é o momento de colocar em espírito e em ação o fervente desejo tão emocionadamente proferido por ‘Abdu’l-Bahá, Quem ansiava fazê-lo, conforme atestado nas Epístolas do Plano Divino, a “viajar, ainda que a pé e na máxima pobreza” e erguer “em cidades, aldeias, montanhas, desertos e oceanos”, “o chamado de Yá Bahá’u’l-Abhá”. Então, e somente então, podem os membros desta comunidade acelerar o advento do dia em que, conforme profetizado pela Sua pena, “iluminação celestial” irá “se projetar” de seu país “para todos os povos do mundo”. Então, e somente então, eles irão encontrar a si mesmos “seguramente estabelecidos no trono de um domínio eterno”. Que os membros desta comunidade, de ambos os sexos e de todas as idades, de qualquer raça ou origem, por mais limitada que seja sua experiência, capacidade e conhecimento, possam levantar-se como um só homem e agarrar com as duas mãos as oportunidades dadas por Deus, agora postas a eles através da dispensação de uma Providência que é todoamorosa, eternamente vigilante e eternamente sustentadora, e assim dar um tremendo impulso às forças propulsoras que misteriosamente guiam as operações desta recém-lançada, indescritivelmente poderosa Cruzada que engloba o mundo, é um dos desejos mais queridos que um coração amante e

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] ardente mantém por eles neste grande momento de virada nas venturas da Fé de Bahá’u’lláh no continente americano.

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22 DE OUTUBRO DE 1954 ESTRELA DE NOVE PONTAS PARA LÁPIDE

Aprovo estrela para lápides.*

74.

15 DE AGOSTO DE 1955 ENVIEM APELOS AO PRESIDENTE EISENHOWER

Devido ao agravamento da situação, o talhamento em pedaços dos corpos de sete crentes nas vizinhanças de Yazd e a probabilidade de massacres ainda piores nos meses que se aproximam, recomendo a todos os grupos e Assembléias nos Estados Unidos a se dirigirem telegraficamente ao presidente Eisenhower, apelando pela sua intervenção para proteção de outros massacres aos nossos inofensivos correligionários, obedientes à lei, no Irã e pela salvaguarda de seus direitos humanos. Incluam breves referências às piores atrocidades. A Assembléia Nacional deve endereçar a ele mensagem similar, tanto por escrito como telegraficamente. Incluam lista de atrocidades em memorando anexo...

*O Guardião considerou o Nome Supremo sagrado como não sendo apropriada sua utilização sobre lápides.

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75.

20 DE AGOSTO DE 1955

UMA MISTERIOSA DISPENSAÇÃO DE PROVIDÊNCIA

PERSEGUIÇÃO AOS BAHÁ’ÍS DO IRÃ Uma crise nas venturas da Fé de Bahá’u’lláh, de severidade excepcional, ampla em suas ramificações, imprevisível em suas conseqüências imediatas, envolvendo diretamente a esmagadora maioria de Seus seguidores em Sua terra natal e confrontando com um desafio maior as comunidades bahá’ís em ambos os hemisférios, mergulhou o mundo bahá’í, enquanto empenhado na execução de uma cruzada espiritual de abrangência mundial, num pesar intenso e ansiedade profunda. Mais grave do que quaisquer das intermitentes crises que de forma mais ou menos intensa afligiram a Fé desde o começo, há mais de trinta anos, da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í, tal como o confisco das chaves do principal Santuário do mundo bahá’í pelos rompedores do convênio residindo na Terra Santa; a ocupação da Casa de Bahá’u’lláh pelos seus inimigos tradicionais em Bagdá; a expropriação do primeiro Mashriqu’l-Adhkár do mundo bahá’í no Turquistão e a virtual extinção da Comunidade Bahá’í de Ishqábád; as inabilidades sofridas pela Comunidade Bahá’í Egípcia como resultado do veredicto da corte eclesiástica egípcia e os históricos pronunciamentos dos mais altos dignitários do Islamismo Sunita no Egito; a deserção dos membros da família de ‘Abdu’lBahá e as maquinações e conseqüente afastamento de diversos reconhecidos, porém altamente ambiciosos líderes, mestres, bem como administradores na Pérsia, Egito, Alemanha e Estados Unidos – mais grave do que qualquer um destes, esta

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] última manifestação de implacável ódio e inexorável oposição daqueles até agora firmemente fortificados, politicamente influentes declarados adversários da infante Fé de Deus, ameaça tornar-se mais incontrolável a cada dia que passa. De fato em muitos de seus aspectos esta crise ostenta uma semelhança impressionante com a onda de perseguições que periodicamente varreram o berço da Fé no decurso do ministério de ‘Abdu’l-Bahá, e é uma dramática reminiscência das tribulações experimentadas pelos rompedores da alvorada da Idade Heróica da Fé no momento do seu nascimento naquela terra deveras cansada e por tanto tempo agitada. Com uma rapidez dramática, uma situação que estava se desenvolvendo de maneira lenta e secreta atinge seu ponto culminante, como resultado da incessante intriga dos eclesiásticos determinados e fanáticos, oponentes da Fé, sempre prontos para aproveitar a sua chance, em tempos de confusão, e de atingir sem piedade, num momento oportuno, exatamente a raiz daquela Fé e suas instituições administrativas em franco desenvolvimento e em firme consolidação. O lançamento da própria Cruzada, com as celebrações e cerimônias que a acompanharam; as repercussões das amplamente noticiadas seqüências de quatro sucessivas Conferências Intercontinentais de Ensino, que anunciaram a sua inauguração; a consagração pública do Templo-Mãe do Ocidente em Wilmette; a sistemática intensificação de atividades de ensino na Península Arábica, entesourando o Qiblih de todo o mundo islâmico; e, em particular, a abertura para a Fé das duas sagradas cidades de Meca e Medina – todos estes podem ser ditos como tendo precipitado esta crise e alarmado os ciumentos expoentes e guardiões de uma ortodoxia religiosa arcaica nas fortalezas do Islã sunita e xiita.

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CARTAS E MENSAGENS UMA CAMPANHA PREMEDITADA DE PERSEGUIÇÃO Esta campanha premeditada foi anunciada por violentas denúncias públicas da Fé pelo ar, do púlpito e através da imprensa, difamando seus sagrados Fundadores, distorcendo suas distinguidas características, ridicularizando seus objetivos e propósitos, e pervertendo sua história. Foi formalmente lançada pelo pronunciamento oficial do governo no majlis* declarando a Fé como ilegal e banindo as suas atividades por todo o território. Foi logo seguida pela demolição insensata e selvagem do imponente domo da sede do Escritório Administrativo Central Bahá’í na capital. Assumiu proporções sérias com o confisco e ocupação de todas as sedes administrativas bahá’ís nas províncias. Esta drástica medida tomada pelos representantes das autoridades centrais nas cidades, povoados e vilas foi o sinal do desencadeamento de uma torrente de abusos, seguidos por uma série de atrocidades simultânea e vergonhosamente perpetradas na maioria das províncias, trazendo por conseqüência desolação aos lares bahá’ís, falência econômica às famílias bahá’ís e manchando ainda mais os registros do Islã xiita naquela problemática terra. Em Shíráz, na província de Fárs, o berço da Fé, a Casa do Báb, determinada por Bahá’u’lláh em Seu Livro Sacratíssimo como sendo o principal lugar de peregrinação na terra de Sua origem, foi por duas vezes profanada, suas paredes, severamente danificadas, suas janelas, quebradas e sua mobília, parcialmente destruída e levada. A casa vizinha pertencente ao tio materno do Báb foi totalmente destruída. A casa ancestral de Bahá’u’lláh em Tákur, na província de Mázindarán, o cenário da primeira *Parlamento persa estabelecido em outubro de 1906 e dissolvido pelo xá, com o auxílio das tropas russas, em 1908.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] infância de ‘Abdu’l-Bahá, foi ocupada. Lojas e fazendas, constituindo, na maioria dos casos, a fonte única de renda às pacíficas famílias bahá’ís, foram saqueadas. Colheitas e criações, posses pacientemente adquiridas por agricultores em geral pobres, porém, sempre amantes da paz e obedientes à lei, foram cruelmente destruídas. Corpos em diversos cemitérios foram, num primeiro momento, desenterrados e em seguida maldosamente mutilados. Os lares de ricos e de pobres, igualmente, foram forçosamente invadidos e cruelmente pilhados. Tanto adultos como crianças foram publicamente vitimados, ultrajados, surrados e ridicularizados. Mulheres jovens foram raptadas e forçadas, contra a vontade de seus pais e suas próprias, a se casarem com muçulmanos. Meninos e meninas foram atacados nas escolas, zombados e expulsos. Um boicote foi em muitos casos imposto por padeiros e açougueiros, que se recusavam a vender aos adeptos da Fé as necessidades básicas de vida. Uma menina adolescente foi vergonhosamente violentada enquanto um bebê de onze meses era covardemente pisoteado. Os crentes foram pressionados a negar sua Fé e renunciar fidelidade à Causa que desposaram. E isso não foi tudo. Encorajados pelos aplausos gerais conferidos pelo populacho aos selvagens perpetradores destes crimes, uma multidão de centenas marchou para o vilarejo de Hurmuzak, ao rufar de tambores e soar de trombetas, e, armados com espadas e machados, caíram sobre uma família de sete pessoas, o mais velho com oitenta e o mais novo com dezenove, e numa orgia de fanatismo desenfreado, literalmente talharam-nos em pedaços. Dando seguimento a este crime horripilante, cuja semelhança não foi testemunhado desde o encerramento da Idade Heróica da Fé, uma ordem oficial foi emitida pelo escritório do primeiro-ministro em Teerã, interditando a contratação de

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CARTAS E MENSAGENS qualquer bahá’í em serviços governamentais e ordenando a demissão imediata de todos aqueles que insistissem em aderir à sua fé. APELOS ÀS AUTORIDADES DO IRÃ E ÀS NAÇÕES UNIDAS Estes trágicos eventos que rapidamente se sucederam afetaram as fundações do mundo bahá’í. Medidas defensivas foram imediatamente tomadas e mais de mil apelos foram dirigidos por Assembléias Nacionais e Locais bem como grupos em todos os continentes do globo às mais altas autoridades na Pérsia, incluindo o xá, na esperança de dar um basta à maré de perseguições ameaçando abarcar toda a comunidade bahá’í persa. Além disso, uma ampla campanha de publicidade foi iniciada na expectativa de que suas repercussões exercessem uma influência repressora sobre os perpetradores destes atos monstruosos. Um apelo foi ainda apresentado ao secretáriogeral das Nações Unidas e ao presidente do Conselho Econômico e Social, cópias do qual foram entregues aos representantes das nações-membro do Conselho, ao diretor da Divisão de Direitos Humanos, bem como às organizações não-governamentais com cargo consultivo. Mais recentemente, o presidente Eisenhower, quem, conforme noticiado na imprensa, foi o primeiro a fazer menção aos ataques lançados contra a Fé, foi apelado pela Assembléia Espiritual Nacional americana bem como por todos os grupos e Assembléias Locais por toda a extensão dos Estados Unidos, para intervir em prol das vítimas destas perseguições. UMA DEDICAÇÃO TOTAL, DETERMINAÇÃO INEXORÁVEL Afrontados por esses organizados e maldosos ataques aos seguidores, às verdades fundamentais, aos santuários e

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] instituições administrativas da Fé de Bahá’u’lláh na terra de Sua origem, a comunidade bahá’í americana não pode neste momento relaxar por um minuto na execução das múltiplas e sagradas responsabilidades às quais se comprometeu a cumprir dentro do Plano de Dez Anos e deve, de fato, ostentar um grau ainda mais elevado de consagração e um espírito ainda mais nobre de abnegação na busca das metas às quais se designou a alcançar. Uma dispersão maior por toda a extensão de sua pátria; um esforço mais vigoroso para consolidar as magníficas realizações nos recém-abertos territórios virgens em diversos continentes e ilhas do globo; um empenho ainda maior para acelerar a tradução e publicação da literatura bahá’í para idiomas europeus e de índios americanos a ela designadas dentro do Plano; um impulso mais determinado dirigido aos objetivos vitais de adquirir o terreno do futuro Templo-Mãe da Suécia e da compra dos Hazíratu’l-Quds nacionais remanescentes nos países-meta da Europa, bem como nas Américas Central e do Sul; um esforço combinado para estabelecer fundos bahá’ís nacionais nestes países europeus e latino-americanos; uma incessante concentração de atenção na incorporação de Assembléias Espirituais Locais firmemente estabelecidas através dos Estados Unidos e nos países-meta da Europa, e uma colaboração mais estreita com os órgãos administrativos funcionando na Europa, América Latina, África, Japão e Alasca em virtude da futura formação das Assembléias Espirituais Nacionais européias, latino-americanas, do Sudoeste africano, japonesa e alasquiana; uma campanha mais intensa a fim de conquistar para a Fé representantes de tribos indígenas americanas e das raças basca e cigana – acima de tudo, uma determinação inexorável, combinada, totalmente dedicada, para conquistar a dedicação de um número significativamente

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CARTAS E MENSAGENS maior de adeptos à Fé que desposaram e de assegurar uma multiplicação espetacular de grupos, centros isolados e de Assembléias Locais na enorme área designada sob seu cuidado – através destes, mais do que qualquer outra coisa, pode a comunidade bahá’í americana – a reconhecida campeã dos perseguidos e dos pisoteados, e a portadora exemplar da embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh – compensar, em posição de destaque, as severas perdas que a Fé suportou na terra de sua origem e trazer uma permanente e muito necessária consolação aos incontáveis corações que sangram, neste momento de provação e de julgamento, por toda a extensão daquela amargamente conturbada terra. FUNDO “SALVEM OS PERSEGUIDOS” Não só através de suas insuperáveis realizações nestas diversificadas e vitais esferas das atividades bahá’ís, mas também através do suporte dado pelos seus membros ao Fundo “Salvem os Perseguidos” recentemente estabelecido para o socorro aos órfãos, às viúvas e aos espoliados, e àqueles a quem a totalidade do mundo bahá’í tem sido convidada a contribuir, pode esta corajosa, vigilante e abnegada comunidade, que em ocasiões passadas similares a esta desempenhou tão nobremente suas funções, proclamar a um mundo descrente e cético, e particularmente aos seus temíveis e implacáveis adversários, o insuperável espírito que a anima, a inflexível determinação que a impele, no momento de prova, no serviço de uma Fé à qual ela está integralmente dedicada. A PRIMEIRA CASA DE ADORAÇÃO NA ÁFRICA Acima e além destas meritórias realizações, os membros desta comunidade são chamados a demonstrar a sua

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] solidariedade para com as suas comunidades irmãs no Oriente e no Ocidente, e declarar de fato sua divinamente conferida primazia, mediante a aceitação do papel de liderança na provisão para a edificação do primeiro Mashriqu’l-Adhkár a ser levantado no coração do continente africano – um continente que, em virtude das inumeráveis façanhas que, por toda a sua extensão e amplitude, tanto negros como brancos, sejam indivíduos ou Assembléias, alcançaram em anos recentes, e que, com exceção única feita à Australásia, é o único continente privado das bênçãos de semelhante instituição, merece integralmente possuir a sua própria Casa de Adoração independente – uma Casa que reunirá dentro de suas paredes membros de comunidades cuja destreza tem, nos anos de abertura da segunda fase da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í, eclipsado os feitos realizados tanto na região Sul do hemisfério ocidental como no continente europeu, e conferido tamanho brilho aos anais da nossa Fé. A África por tempos dormente e esquecida, e agora agitando em sua força espiritual potencial, está, neste exato momento, sob os olhos das clamorosas multidões de adversários da Fé exercendo pressão para extirpá-la na sua terra de origem, sendo chamada a reparar o equilíbrio tão oprimido pelos atos ferozes e ignóbeis de sangrentos opressores eclesiásticos. A construção de tamanha instituição, em tal momento, através de esforços combinados dos impávidos, indesviáveis e invictos sustentáculos da Fé de Bahá’u’lláh no Oriente e no Ocidente, será considerada na posteridade como sendo uma resposta meritória aos desafios lançados pelos seus mais amargos, mais poderosos e inveterados inimigos. Deixai-os atentar para as advertências e admoestações proferidas, num momento de perigo similar, pelo próprio Fundador da Fé, no alvorecer de

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CARTAS E MENSAGENS Seu terceiro desterro, e dirigidas em linguagem clara e inequívoca ao “ministro do xá” em Constantinopla: “Acreditas tu ter o poder de frustrar Sua vontade, impediLo de executar Seu julgamento ou a detê-Lo de exercer Sua soberania? Pretendes tu que qualquer coisa nos céus ou na terra possa resistir a Sua Fé? Não, por Aquele que é a Verdade eterna! Nada, em absoluto, na criação inteira, pode frustrar Seu desígnio. ... Sabe tu, além disso, que Ele é Quem, a Seu próprio mando, criou tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra. Como pode contra Ele prevalecer, pois, a coisa que a Seu mando foi criada?”22 UMA BÊNÇÃO DISFARÇADA Verdadeiramente esta recente provação que, em conseqüência das misteriosas dispensações de Providência, afligiu a Fé, neste momento inesperado, longe de desferir um golpe fatal às suas instituições ou existência, deve ser observada como uma bênção disfarçada, não uma “calamidade” mas uma “providência” de Deus, não uma torrente devastadora, mas uma “chuva bondosa” sobre uma “verde pastagem”, uma “candeia” e “óleo” para a “lâmpada” de Sua Fé, um “alimento” para Sua Causa, “água para aquilo que foi plantado nos corações dos homens”, uma “coroa posta na cabeça” de Seu Mensageiro para este Dia. Tudo quanto dela originou, esta repentina comoção que apanhou o mundo bahá’í, que despertou os ânimos e encorajou a multidão dos adversários da Fé na intenção de extinguir sua luz e de obliterá-la da face da Terra, serviu como um chamado de trombeta, a cujo toque a imprensa mundial, os brados de seus clamorosos inimigos, os protestos públicos que tanto os homens de boa vontade como aqueles que têm o poder na

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] mão compartilharam, proclamando a sua existência por toda parte, publicando sua história, defendendo suas verdades, revelando sua autenticidade, demonstrando o caráter de suas instituições e noticiando suas intenções e propósitos. PUBLICIDADE SEM PRECEDENTES Raramente, se é que em algum momento desde seu início, semelhante difusão de publicidade foi concedida à infante Fé de Deus, agora finalmente emergindo de uma obscuridade que por tanto tempo e tão dolorosamente a oprimiu. Nem mesmo a dramática execução de seu Arauto, nem o banho de sangue que, em circunstâncias de crueldade satânica, seguiu rapidamente em seu encalço na cidade de Teerã, nem tampouco as amplamente noticiadas viagens do Centro do Convênio de Bahá’u’lláh no Ocidente tiveram sucesso em dirigir a atenção do mundo e de atrair a observação daqueles que ocupam posições de destaque, como o têm estas últimas manifestações da inescrutável vontade de Deus, esta maravilhosa demonstração de Seu invencível poder, este recente movimento em Seu próprio Plano Principal, utilizando poder e modéstia como peões em Seu jogo de modelar o mundo, para o cumprimento de Seu propósito imediato e o conseqüente estabelecimento de Seu Reino sobre a Terra. Embora a recém-lançada Cruzada Espiritual Mundial, constituindo, na melhor das hipóteses, somente o Plano Secundário na execução do desígnio do Todo-Poderoso para a redenção da humanidade – tenha sofrido, como resultado desta desordem, paralisando temporariamente a grande maioria dos organizados seguidores de Bahá’u’lláh em Sua terra natal, severo retrocesso – contudo o envolvente Plano de Deus, caminhando misteriosamente e em contraste aos ordenados e amplamente

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CARTAS E MENSAGENS conhecidos processos de um Plano claramente determinado, recebeu um ímpeto cuja força somente a posteridade pode avaliar com clareza. Uma Fé que durante um quarto de século, em concordância estrita com as provisões da Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, esteve construindo sua Ordem Administrativa – a embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh – mediante a laboriosa edificação de suas instituições administrativas locais e nacionais; que seguiu, nos anos de abertura da segunda época desta Idade Formativa, através do lançamento de uma série de Planos nacionais, bem como uma Cruzada Mundial, a utilizar a maquinaria de suas instituições, criou paciente e modestamente no decurso do primeiro período daquela Era, para a propagação sistemática de seus ensinamentos em todos os continentes e principais ilhas do globo – tal Fé se encontra, enquanto está prestes a executar sua segunda e vital tarefa, impelida à evidência de uma publicidade sem precedentes – uma publicidade que seus seguidores jamais anteviram, que os envolverá em responsabilidades novas e inescapáveis, e que sem dúvida reforçará as tarefas que eles se comprometeram, em anos recentes, levar adiante. Para a intensificação de tal publicidade na qual agências nãobahá’ís e até mesmo os adversários confessos da Fé estão desempenhando um papel tão ativo, os membros da comunidade bahá’í americana, os destacados defensores da Fé, abençoados com uma liberdade tão cruelmente negada à vasta maioria de seus irmãos e equipados com os meios e instrumentos necessários para tornar efetiva tal publicidade, devem decisiva e integralmente contribuir. Os ecos do majestoso toque de trombeta, agora tão providencialmente soado, despertando uma multidão de ignorantes e céticos, nobres e humildes, à existência e significado da Mensagem de

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Bahá’u’lláh, não devem em hipótese alguma, e em momento tão propício, ser permitidos a cessar. Não, suas reverberações devem ser seguidas por chamadas adicionais designadas a proclamar, em tons ainda mais retumbantes, os propósitos e princípios desta gloriosa Causa, e a expor, enquanto evita qualquer ataque às autoridades em vigor, de modo ainda mais convincente que antes, a ferocidade bárbara dos atos que foram perpetrados, bem como o odioso fanatismo que inspirou tal conduta. Vigorosas e urgentes como o são a tarefa que recai à sina de uma comunidade já tão sobrecarregada com uma multiplicidade de obrigações inevitáveis, as possibilidades envolvidas na assunção desta responsabilidade suplementar são verdadeiramente tremendas, os benefícios que estão destinados a advir de sua própria execução são imensos, e as recompensas, inestimavelmente ricas. Deixe-os relembrar, à medida que perseguem diligentemente esta sagrada tarefa, que tal publicidade, seguindo de perto estas terríveis tribulações, afligindo um número tão grande de seus irmãos, numa terra tão sagrada, pode apenas provar ser um prelúdio, por mais lento que seja o processo envolvido, à emancipação destes mesmos valentes sofredores dos esfoladores grilhões de uma ortodoxia religiosa antiquada, que, notável como tem sido seu declínio no decurso de mais de um século, ainda impõe considerável poder e exerce uma influência expressiva em altas esferas bem como sobre as massas. Tal emancipação, que não pode ser confinada à terra natal de Bahá’u’lláh, irá, em dimensão variável, ter a sua repercussão em países islâmicos, ou pode ainda ser precedida por um fenômeno similar em territórios vizinhos, acelerando e adicionando novo ímpeto ao rompimento dos grilhões que impedem a liberdade dos seguidores da infante Fé de Deus.

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CARTAS E MENSAGENS RECONHECIMENTO MUNDIAL DA FÉ Tamanha consumação irá, em momento oportuno, pavimentar o caminho para o reconhecimento daquela Fé como uma religião independente estabelecida em uma base de absoluta igualdade em relação às suas religiões irmãs, gozando de completa proteção das autoridades civis para seus seguidores e instituições, e integralmente habilitada, em todas as questões relativas ao direito pessoal, para aplicar, sem reservas, as leis e as práticas ordenadas no Livro Sacratíssimo. Que os membros da comunidade bahá’í americana – os distinguidos protagonistas da Causa de Deus; os valentes defensores de sua integridade, suas reivindicações e seus direitos, os construtores-campeões de sua Ordem Administrativa; os porta-estandartes de suas hostes expedicionárias; os portadores da tocha de sua civilização embrionária; os principais auxiliadores dos tiranizados, dos necessitados e dos acorrentados entre seus seguidores – que os membros de tamanha comunidade possam, enquanto realizam, integral e incansavelmente, seus deveres específicos de acordo com as provisões do Plano de Dez Anos, aproveitar a presente oportunidade mandada por Deus, e acelerar, mediante uma realização apropriada desta tarefa suplementar, a consumação de tão ardentes esperanças por tão marcante vitória, é uma prece constantemente em meu coração e um desejo que eu estimo acima de todos os outros.

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5 DE JANEIRO DE 1956 REVITALIZAR A COMUNIDADE INTEIRA

Urge a intensificação de esforços para revitalizar a comunidade inteira e acelerar a realização de planos e objetivos, particularmente quando relativos à aquisição de Hazíras* e dotações na América e Europa; tradução para línguas remanescentes; incorporação de Assembléias; multiplicação de centros e Assembléias na frente doméstica; abertura da Islândia, Spitzbergen, Anticosti e ilhas remanescentes do Pacífico e do Atlântico. Suplicando fervorosamente pelas imediatas marcantes vitórias.

77.

2 DE FEVEREIRO DE 1956

MAIOR CONSAGRAÇÃO PARA TAREFAS URGENTES

Lamento situação na frente doméstica. Orando ardentemente pela dedicação da comunidade inteira para uma consagração maior às tarefas urgentes. Aprovo todas as sugestões em carta recente. Urge que vós redobreis esforços, suplico por bênçãos sem precedentes.

78.

22 DE JUNHO DE 1956

ORANDO POR NOTÁVEIS VITÓRIAS NA FRENTE DOMÉSTICA

Orando fervorosamente por notáveis vitórias na frente doméstica. Apelo para a comunidade inteira a se levantar, participar e assegurar a realização de metas. *Hazíratu’l-Quds – Centros Administrativos Bahá’ís. [n.r.]

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79.

19 DE JULHO DE 1956 PRÊMIOS INESTIMÁVEIS AO NOSSO ALCANCE

A meu ver, após o lapso de pouco mais de três anos, o vasto alcance de históricas e inesquecíveis realizações com que os valentes, magnânimos e inteiramente consagrados seguidores da Fé de Bahá’u’lláh, no decorrer das operações da Cruzada Espiritual Mundial, enriqueceram, em cada continente do globo e em tantas ilhas dos sete mares, os anais da Idade Formativa de Sua Dispensação, eu posso apenas reconhecer, com sentimentos de orgulho, de alegria e de gratidão, a quota preponderante que a comunidade bahá’í americana, fiel às suas tradições e mantendo seus altos padrões de serviço à Causa de Deus, tem aportado na condução deste empreendimento de abrangência mundial e na realização de suas múltiplas, prementes e sagradas responsabilidades. Com uma ou duas exceções, a serem extensamente lamentadas, esta valente comunidade, desde o início desta Cruzada Espiritual e em todas as esferas de atividades bahá’ís em que seus participantes se engajaram assiduamente tanto individual como coletivamente, estabeleceu um exemplo de dedicação sincera, perseverança obstinada, irrestrita abnegação e firme lealdade, digna de emulação pelas suas comunidades irmãs, bem como pelas suas comunidades filhas, sobre toda a face da Terra. O número, o caráter e a rapidez das conquistas espirituais alcançadas pelos seus imperturbáveis e intrépidos membros, em tantos Estados soberanos do globo, suas principais dependências e ilhas amplamente espalhadas, no período de um ano, constituindo a fase de abertura de um Plano memorável, serão sem dúvida universalmente aclamados como um ponto de virada de conseqüências inimagináveis na história

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] bahá’í. Tais feitos, em tantos territórios, em tempo tão curto, irão sobressair aos olhos da posteridade como façanhas soberbas e destacadas, imortalizando a fama dos seguidores americanos da Fé de Bahá’u’lláh, e como eventos sensacionais sem precedentes desde o encerramento da Idade Heróica da Dispensação Bahá’í. AUXÍLIO CONCEDIDO AOS SEUS IRMÃOS OPRIMIDOS NA PÉRSIA A reação tão rápida e tão enérgica dos membros desta mesma comunidade, agora meritoriamente reconhecida como a inexpugnável fortaleza da Fé de Deus e o berço das instituições em formação em sua Ordem Mundial, ao repentino e violento ataque realizado às instituições, às vidas e ao sustento de seus oprimidos irmãos, membros da numericamente líder e mais venerável comunidade nacional bahá’í, pelos tradicionais adversários de uma Fé há muito perseguida, tem sido tamanha a ponto de aprofundar, em muito, os sentimentos de genuína admiração e estima, tão fortemente sentidos por todo o mundo bahá’í, pelos duradouros e magníficos serviços rendidos ao longo de mais de seis décadas pelos crentes americanos à Fé de Bahá’u’lláh e sua embrionária Ordem Mundial. A espontaneidade com que os soldados desta comunidade bem como os corpos de seus representantes eleitos contribuíram ao Fundo “Salvem os Perseguidos” estabelecido para o socorro das vítimas destas selvagens e periodicamente recorrentes barbaridades; o volume de publicidade por eles realizado na imprensa americana, bem como através do rádio; as adequadas e eficientes intervenções de pessoas proeminentes, de diferentes posições, em favor dos oprimidos e dos tiranizados; os repetidos e diretos apelos por eles dirigidos às mais altas autoridades na Pérsia, bem como aos seus representantes nos

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CARTAS E MENSAGENS Estados Unidos; o imenso número de apelos por escrito e telegrafados realizados pelos representantes eleitos locais bem como nacionais da comunidade ao supremo magistrado da Pérsia, seus ministros e parlamento; as numerosas mensagens dirigidas pelos mesmos representantes ao supremo executivo dos Estados Unidos, urgindo sua intervenção pessoal, a súplica da causa de uma comunidade atormentada, extremamente sofrida, no decurso de repetidas representações realizadas ao Departamento Estadual em Washington; o papel desempenhado na apresentação do caso bahá’í aos oficiais das Nações Unidas tanto em Genebra como em Nova Iorque; a alocação de um montante considerável com o objetivo de assegurar a assistência de um agente publicitário perito, para reforçar a publicidade já sendo recebida na imprensa pública – estas, bem como outras medidas que, pela sua especial natureza, devem necessariamente ser mantidas confidenciais – proclamam, em termos resolutos, a dinâmica e decisiva natureza do auxílio dado, num momento de provação e emergência, pelos campeões da Fé de Bahá’u’lláh, crescidos na grande república do Ocidente, num momento tão crucial na evolução de Seu Plano, tanto para Sua Fé como para o mundo todo, ao vasto corpo dos descendentes dos rompedores da alvorada da Idade Apostólica daquela mesma Fé na terra de seu nascimento. UM NOBRE REGISTRO DE SERVIÇOS Não menos notável foi a quota desta comunidade, responsável principal, no amanhecer da ascensão de ‘Abdu’lBahá, pelo estabelecimento dos padrões, pela elaboração da constituição nacional e a construção das instituições básicas de uma Ordem Administrativa divinamente concebida, na aquisição e estabelecimento, no decorrer de dois breves anos,

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] constituindo a segunda fase do Plano de Dez Anos, de praticamente todas as futuras sedes administrativas nacionais – num número superior a trinta – de Assembléias Nacionais Bahá’ís em quatro continentes do globo, envolvendo o dispêndio de mais de cem mil dólares do Fundo Nacional. Um esforço, com certeza não menos meritório e igualmente eficaz e surpreendente, foi realizado pelos membros desta vigilante, visionária e incessantemente diligente comunidade, ao longo do mesmo período de dois anos, para o estabelecimento de fundos nacionais bahá’ís em mais de vinte países de ambos os hemisférios ocidental e oriental, acarretando em gastos de mais de vinte mil dólares. Em outras esferas da atividade bahá’í, relacionadas com a execução do Plano de Dez Anos, todas de vital importância aos trabalhos de ensino iniciados sob o mesmo Plano, e para a ampliação e a consolidação da estrutura administrativa das instituições a serem construídas no futuro, as realizações dos membros desta comunidade, durante os primeiros dois estágios desta Cruzada mundial, não foram menos significativas. O estabelecimento da Editora Bahá’í; a tradução de literatura bahá’í para mais de quinze idiomas, tanto dentro do escopo do Plano de Dez Anos como fora dele, falados na Europa, Ásia, América Latina e no continente norte-americano; a aquisição do terreno da primeira dependência do Templo-Mãe do Ocidente; a finalização prática do trabalho de paisagismo de seus jardins; a provisão de uma parte considerável dos recursos materiais requeridos para a aquisição dos terrenos de futuros Templos Bahá’ís em ambos os hemisférios ocidental e oriental, bem como para a construção dos dois Mashriqu’lAdhkárs nos continentes europeu e africano; a guia dada e o auxílio estendido às recém-eleitas Assembléias Nacionais, para a condução eficiente das atividades administrativas bahá’ís e a

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CARTAS E MENSAGENS continuação dos planos nacionais bahá’ís; as visitas iniciais feitas por instrutores bahá’ís a países dentro da esfera de ação soviética, pressagiando o lançamento de empreendimentos de ensino sistemáticos na Europa e na Ásia; a assistência dada, através de ajuda financeira bem como através do envio de pioneiros bahá’ís, a várias comunidades bahá’ís para a extensão dos limites da Fé e a consolidação de suas instituições; e por último, mas não menos importante, a aquisição do sagrado terreno do SíyáhChál de Teerã, o cenário do nascimento da Missão Profética de Bahá’u’lláh, por um membro de descendência persa daquela comunidade – estas sobressaem como evidências adicionais da enorme quota que teve a firmemente alicerçada, altamente organizada, velozmente investidora e integralmente dedicada comunidade bahá’í americana na execução e progresso triunfante do Plano de Dez Anos com três anos de existência, e bem pressagiam uma contribuição de não menor esplendor a ser feita, nos anos imediatamente adiante, para a realização de seus objetivos ainda restantes. ESFORÇOS FRUTÍFEROS DAS MÃOS DA CAUSA Suplementando este nobre registro de serviço têm sido os constantes e frutíferos esforços realizados pelas Mãos da Causa, nomeados dentre os membros daquela comunidade, tanto nos Estados Unidos como na Terra Santa, esforços estes que prestaram um considerável ímpeto à expansão e consolidação dos empreendimentos de longo alcance iniciados no Centro Mundial da Fé, e que têm estimulado, particularmente através do auxílio do recém-nomeado Corpo Auxiliar Americano, a olhos vistos, o progresso do trabalho de ensino e o avanço do próprio Plano.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] TRABALHO ESTUPENDO ALCANÇADO POR MEMBROS DO CONSELHO INTERNACIONAL BAHÁ’Í Um tributo especial, eu sinto, deve, nesta oportunidade, ser prestado aos estupendos trabalhos alcançados, desde o lançamento da Cruzada Mundial, pelos representantes desta altamente privilegiada comunidade, em sua capacidade como membros do Conselho Internacional Bahá’í, em relação à execução de uma diversidade de empreendimentos iniciados em anos recentes, objetivando a expansão e a consolidação das instituições internacionais da Fé, a intensificação do seu prestígio, o embelezamento dos arredores dos seus Santuários, a condução eficiente de seus afazeres internos e o forjamento de elos recentes, ligando-a ainda mais às autoridades civis na Terra Santa. A construção dos Arquivos Internacionais na vizinhança próxima ao sagrado Sepulcro do Báb; a ampliação de dotações internacionais bahá’ís nas encostas do Monte Carmelo; a formação de vários Braços Israelitas de Assembléias Espirituais Nacionais Bahá’ís; o embelezamento dos arredores dos túmulos do Báb e Bahá’u’lláh; a aquisição do terreno do primeiro Mashriqu’l-Adhkár da Terra Santa; a preparação dos projetos para os Arquivos Internacionais Bahá’ís no Monte Carmelo; e dos Templos-Mãe da Pérsia e da África; a inauguração dos passos preliminares para a conseqüente construção do sagrado Sepulcro de Bahá’u’lláh; as medidas adotadas, com a assistência de diversos oficiais do Estado de Israel, para a expulsão dos rompedores do Convênio das cercanias do Santuário de Bahá’u’lláh e a eliminação de qualquer influência que estes ainda exerçam, depois de passados sessenta anos, nas imediações daquele Lugar Sacratíssimo – nestas, bem como em outras várias atividades subsidiárias, constantemente em desenvolvimento, tanto em número como

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CARTAS E MENSAGENS também em diversidade, no centro espiritual e administrativo do mundo bahá’í, têm os membros do pequeno rebanho, assiduamente laborando sob a sombra dos Sagrados Santuários e representando condizentemente a comunidade bahá’í americana, participado notadamente, e através de seus dedicados serviços, agregando brilho novo aos anais da comunidade a que pertencem. REVITALIZAÇÃO DA FRENTE DOMÉSTICA Tão esplêndido registro de serviços, rendidos dentro do breve intervalo de pouco mais de três anos, expandindo-se numa área tão imensa do globo, tão grandemente diversificada, tão fecunda de promessas, defrontando-se com obstáculos tão grandes e com um número tão limitado de participantes, tem, dentro do meu mais profundo sentimento de tristeza, sido frustrado por uma desvitalização na frente doméstica, constituindo aspecto tão momentoso do Plano de Dez Anos e do qual a sua sucessiva e efetiva continuidade pela comunidade bahá’í americana, ao longo da presente e terceira fase da Cruzada Espiritual Mundial, tão amplamente depende. Constituindo a base das múltiplas operações sendo agora conduzidas para assegurar o sucesso das campanhas norteamericana, latino-americana, africana, européia e asiática de uma cruzada global, nenhum sacrifício pode ser considerado grande demais para a sua revitalização e para a ampliação e a consolidação de suas fundações. A energia de trabalho da comunidade, tão essencial para a preparação adicional de sua força, deve, rapidamente e a qualquer custo ser incrementada. Os recursos materiais, agora à sua disposição, que estão sendo tão bondosamente despejados e tão generosamente distribuídos pelos quatro cantos do globo, devem ser correspondentemente

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] aumentados para satisfazer as urgentes demandas em constante expansão de uma Cruzada em constante e irresistível avanço. Uma proporção muito maior dos reconhecidos apoiadores da Fé deve se levantar, antes que a Cruzada sofra qualquer retrocesso, para o quádruplo propósito de conquistar um número infinitamente maior de recrutas para o exército de Bahá’u’lláh lutando na frente doméstica, de expandir a um grau sem precedente os centros isolados agora espalhados em seus confins, de converter um número crescente destes em grupos fortemente fundados e de acelerar a formação de Assembléias Locais, enquanto se salvaguardam aquelas já existentes. O INDIVÍDUO BAHÁ’Í DEVE SE LEVANTAR Não pode haver qualquer dúvida de que alcançar este quádruplo propósito é a mais vigorosa, a menos espetacular e a mais desafiadora das tarefas agora confrontando a comunidade bahá’í americana. É em primeiro lugar uma tarefa que diz respeito ao crente individual, onde quer que este possa estar e sejam quais forem: sua profissão, seus recursos, sua raça ou sua idade. Nem os representantes locais ou nacionais da comunidade, não importando quão elaborados seus planos, ou persistentes seus apelos, ou sagazes seus conselhos, nem mesmo o próprio Guardião, por mais que possa ele aspirar por essa consumação, pode decidir onde repousa o dever do indivíduo, ou suplantá-lo na realização daquela tarefa. O indivíduo por si só deve avaliar a posição, consultar sua consciência, devotadamente considerar todos os aspectos, corajosamente lutar contra a inércia natural que pesa sobre o seu esforço de levantar, desprender, heróica e irrevogavelmente, as amarras triviais e supérfluas que o mantêm preso, esvaziar a

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CARTAS E MENSAGENS si próprio de quaisquer pensamentos que possam tender a obstruir seu caminho, unir-se, em obediência aos conselhos do Autor de Sua Fé, e em imitação Àquele que é seu verdadeiro Exemplo, a homens e mulheres, em todas as situações da vida, buscar tocar seus corações, através da distinção que caracteriza seus pensamentos, suas palavras e seus atos, e conquistá-los delicadamente, amorosamente, devotadamente e persistentemente à Fé que ele próprio desposou. O grave materialismo que engole a nação inteira no momento atual; o apego às coisas mundanas que envolvem as almas dos homens; os medos e ansiedades que distraem suas mentes; os prazeres e desregramentos que preenchem suas horas, os preconceitos e animosidades que obscurecem seu panorama, a apatia e letargia que paralisam suas faculdades espirituais – estes são, entre os formidáveis obstáculos que se antepõem no caminho de qualquer suposto guerreiro no serviço a Bahá’u’lláh, obstáculos que ele deve lutar contra e sobrepujar em sua cruzada para a redenção de seus próprios compatriotas. Dependendo do grau em que o próprio guerreiro na frente doméstica estiver livre destas impurezas, libertado destas preocupações mesquinhas e ansiedades corrosivas, livre destes preconceitos e antagonismos, esvaziado de si próprio e preenchido pelo poder curador e sustentador de Deus, estará ele habilitado a combater as forças formadas contra ele, magnetizar as almas daqueles que busca converter e conquistar a sua lealdade irrestrita, sua entusiástica e duradoura obediência à Fé de Bahá’u’lláh. Por mais delicada e vigorosa que possa ser a tarefa, por mais árduos e prolongados os esforços requeridos, sejam quais forem a natureza dos perigos e armadilhas que perturbam o caminho de quem quer que se levante para renovar os destinos de uma

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] Fé que luta contra as forças em ascensão do materialismo, nacionalismo, secularismo, racismo, eclesiasticismo, a potência toda-conquistadora da graça de Deus, concedida através da Revelação de Bahá’u’lláh, irá, indubitavelmente, misteriosa e surpreendentemente, habilitar quem quer que se levante para defender Sua Causa a conquistar total e completa vitória. A história de uma Fé de um século de vida eloqüentemente testemunha inumeráveis sucessos similares conquistados, tanto nas idades Apostólica como Formativa da Dispensação Bahá’í, em circunstâncias ainda mais desafiadoras que aquelas em que a comunidade bahá’í americana se encontra agora. Tão magnífica vitória, conquistada coletivamente, em tão importante momento, num país que de maneira tão vital afeta os destinos imediatos da humanidade, escolhido para desempenhar tão preponderante papel na unificação e espiritualização da totalidade da raça humana, por uma comunidade que em qualquer outro campo pode ostentar um registro radiante e contínuo de vitórias, irá, sem dúvida, exercer não somente uma profunda influência nos destinos derradeiros de uma nação por inteiro e de seu povo, mas irá galvanizar, através de suas repercussões, todo o mundo bahá’í. “UMA PRECE QUE EU NUNCA PARO DE PROFERIR” As vitórias dentro do alcance desta comunidade são verdadeiramente inestimáveis. Muito irá depender da reação do contingente de crentes ao apelo agora dirigido a eles com todo o fervor de minha alma. Agir e agir pronta e decisivamente, é a necessidade do presente momento e a sua inescapável tarefa. Que a comunidade bahá’í americana possa, neste campo ainda remanescente, onde há tanta coisa em jogo e onde as necessidades da Fé são tão

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CARTAS E MENSAGENS críticas, cobrir a si própria com uma glória que irá ofuscar o esplendor de suas façanhas do passado nos extensos territórios do globo, é uma prece que eu nunca paro de proferir em minhas contínuas súplicas a Bahá’u’lláh.

80.

29 DE ABRIL DE 1957 INTENSIFICAÇÃO DE ESFORÇOS

Bem-vindos compromissos assumidos pelos delegados. Suplicando fervorosamente as graças sustentadoras de Bahá’u’lláh. Urge intensificação de esforços, consagração e realização de metas do Plano para poder desempenhar condizentemente as sagradas, múltiplas, inescapáveis e urgentes responsabilidades confrontando a inteira comunidade bahá’í americana. Apelo por um aumento sem precedente de pioneiros na frente doméstica e em todos os continentes do globo, sobre o qual a prosperidade, segurança e destino dos crentes americanos deverão enfim repousar.

81.

7 DE MAIO DE 1957

RESPONSABILIDADE DUPLA, INESCAPÁVEL E SUPREMA

A responsabilidade dupla, inescapável e suprema da Assembléia para o ano corrente é o de assegurar a expansão e a consolidação da frente doméstica e a rápida multiplicação de pioneiros no exterior para reforçar as campanhas latinoamericana, africana, européia, do Pacífico e da Cruzada Mundial. Fervorosamente suplicando por notável sucesso na realização das mais preciosas esperanças.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

82.

21 DE SETEMBRO DE 1957 ALTURAS NUNCA ANTES ATINGIDAS

A comunidade bahá’í americana, desde o lançamento da Cruzada Espiritual global, na qual lhe tem sido atribuída a maior parte em vista da primazia a ela conferida por ‘Abdu’lBahá, tem manifestado, em numerosas e amplamente espalhadas regiões do mundo, com perseverança louvável, um elevado senso de invariável lealdade e de consagração exemplar. A inexorável marcha de eventos, acelerando seus membros rumo ao caminho de seu destino, está levando-os firmemente ao estágio em que o momentoso Plano, ao qual eles dedicaram seus recursos, alcançará seu ponto mediano. REALIZAÇÕES DURADOURAS Um prodigioso dispêndio de esforços, um estupendo fluxo de recursos materiais, uma dispersão de pioneiros sem precedente, abraçando tão vasta área do globo e trazendo em seu rastro o surgimento, a multiplicação e a consolidação de tantas instituições, tão diversificadas em caráter, tão potentes e cheias de promessa, já se encontram a seu favor e bem pressagiam uma consumação condizente de uma tarefa de uma década de duração para os anos imediatamente à frente. A abertura de uma grande porcentagem de territórios virgens, espalhados por toda a extensão do planeta e atribuídos, sob as provisões do Plano de Dez Anos, a esta comunidade, suas comunidades irmãs e filhas em todos os continentes do globo; a alocação de vultuosas somas, para a fundação de Hazíratu’l-Quds nacionais, para o estabelecimento de fundos nacionais bahá’ís; e para a aquisição dos terrenos dos futuros

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CARTAS E MENSAGENS Templos Bahá’ís; o auxílio financeiro estendido e o suporte moral acordado para uma comunidade irmã ainda perseguida, lutando heroicamente por sua emancipação, no berço da Fé; o firme progresso no processo vital de incorporar Assembléias Espirituais Locais firmemente estabelecidas em vários estados da união; a tradução de literatura bahá’í para os idiomas listados no Plano de Dez Anos, bem como para um determinado número de idiomas suplementares, espontaneamente assumidos por pioneiros bahá’ís americanos em territórios bem além das fronteiras de sua terra natal; a conclusão do paisagismo das áreas que circundam as imediações do Templo-Mãe do Ocidente, em conformidade com os expressos e por muitas vezes repetidos anseios de ‘Abdu’l-Bahá, contribuindo tão nobremente para a beleza de uma edificação cuja influência espiritual Ele repetida e inequivocamente enfatizou; a aquisição do terreno da primeira dependência daquele mesmo edifício, designado a pavimentar o caminho para o estabelecimento antecipado do primeiro de várias instituições que, conforme por Ele concebido, serão agrupados em volta de cada Casa de Adoração Bahá’í, complementando, através da sua associação com o serviço direto à humanidade, nos campos educacional, humanitário e social, a sua função espiritual como sendo o lugar ordenado para comunhão com o Criador e o Espírito de Seu Mensageiro apontado neste dia; o estabelecimento da Editora Bahá’í; o generoso suporte financeiro concedido, a guia administrativa outorgada e o encorajamento infalível dado, pelos representantes eleitos desta mesma comunidade às Assembléias prestes a decolar, emergindo à existência independente tanto no hemisfério oriental como no ocidental; a participação substancial que um de seus membros teve na aquisição de um dos locais sagrados na cidade capital da terra natal de Bahá’u’lláh; o papel preponderante desempenhado

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] por diversas agências, agindo sob a direção de seus representantes nacionais eleitos, na concessão de publicidade para a Fé, através da proclamação das verdades fundamentais que sustentam a Revelação Bahá’í, no debate das múltiplas injustiças que pesam tão severamente sobre a grande maioria dos seus correligionários e os apelos dirigidos em seu favor aos homens de eminência em diversas posições, assim como aos diversos departamentos das Nações Unidas, tanto em Nova Iorque como em Genebra; e finalmente, avaliada como igualmente meritória a tudo que até agora foi obtido pelos membros desta privilegiada comunidade, a magnificente e imperecível contribuição feita por eles, individual e coletivamente, para a edificação e estabelecimento das instituições de sua amada Fé em seu Centro Mundial; através da assistência dada pelos seus distinguidos representantes servindo na Terra Santa, na aceleração da construção dos Arquivos Internacionais Bahá’ís, através da aquisição do terreno do Templo-Mãe da Terra Santa, a ampliação do alcance dos fundos internacionais bahá’ís para as encostas do Monte Carmelo e as Planícies de ‘Akká, o embelezamento dos arredores dos dois Santuários mais sagrados do mundo bahá’í; a formação dos Braços Israelitas de quatro Assembléias Espirituais Nacionais, a preparação e conclusão dos projetos dos primeiros Mashriqu’l-Adhkárs a serem levantados nos continentes asiático, africano e australiano, e a iniciação, através do auxílio dos vários departamentos do governo israelense, de um prolongado processo, culminando na expropriação pelo Estado de toda a propriedade, possuída e controlada pelo restante dos rompedores do Convênio de Bahá’u’lláh, circunvizinhas ao Seu túmulo e à Mansão de Bahjí, a evacuação dessa propriedade por esse bando de ignóbeis, e a derradeira e definitiva purificação, após um lapso não inferior a seis décadas, do

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CARTAS E MENSAGENS Santuário Externo do Sacratíssimo Santuário do mundo bahá’í, da profanação, que causou tanto pesar e ansiedade ao coração de ‘Abdu’l-Bahá – estes estão, entre as duradouras conquistas que quatro breves anos de incansável devoção aos interesses do Plano de Dez Anos trouxeram à luz, e que contribuirão eternamente para a glória dos construtores-campeões da embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, mantendo tão valentemente nas alturas a bandeira de Sua Fé na grande república do Ocidente. A FRENTE DOMÉSTICA BASES PARA A EXPANSÃO DE OPERAÇÕES FUTURAS Ainda que muito se tenha alcançado no espaço de menos de cinco anos, mesmo que os objetivos do Plano de Dez Anos, na maioria de seus aspectos essenciais, possam ser considerados como tendo sido triunfantemente alcançados muito antes do prazo determinado para seu término, através de uma surpreendente exposição e de uma extraordinária combinação da iniciativa bahá’í americana, desenvoltura, generosidade, fidelidade e perseverança, o Plano, executado até o momento de maneira tão vigorosa pelos soldados desta comunidade, pode ser considerado como sofrendo ainda de certas deficiências em alguns de seus aspectos vitais que, caso não remediadas rápida e fundamentalmente, irão não somente mutilar o Plano propriamente dito, mas colocar em risco as vitórias conquistadas tão laboriosamente desde a sua inauguração. Tal como adverti aos enérgicos executores da Cruzada global no continente norte-americano, a frente doméstica, de onde desde o início da Idade Formativa da Fé brotaram as forças dinâmicas que colocaram em ação e dirigiram a operação de tantos processos, tanto nas esferas de ensino como nas de

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] atividades administrativas bahá’ís, e que devem continuar a atuar como uma base para a firme expansão de operações futuras em cada um dos continentes do globo, e a extensão de suas ramificações aos cantos mais afastados da Terra, e que devem ser crescentemente considerados, à medida que os poderes de ruptura interna, o estresse e o perigo de agressividade externos ganham força, como o único refúgio de uma Fé que não pode ter a esperança de escapar ilesa do turbilhão que a circunda – tal frente doméstica deve, a qualquer custo e no menor tempo possível, ser espiritualmente revigorada, administrativamente expandida e materialmente reabastecida. A chama de devoção acesa e o entusiasmo gerado, durante as comemorações que celebraram o centenário do nascimento da Missão do Divino Autor de nossa Fé, e que, ao longo dos anos que imediatamente o sucederam, conduziram os membros da comunidade bahá’í americana, tão altamente distinta, no caminho que os lidera ao seu derradeiro destino, devem, seja da maneira que for possível, ser abanados e continuamente alimentados por toda a extensão da União, em cada estado desde as costas do Atlântico às do Pacífico, em cada localidade onde residem bahá’ís, em cada coração pulsando com o amor de Bahá’u’lláh. O espírito que levou adiante, não faz muito tempo, em tão rápida sucessão, tantos pioneiros a lugares tão distantes do globo, deve, a todo custo, e acima de qualquer outra coisa, ser recapturado, pois o duplo propósito de elevar o número e de assegurar o fluxo contínuo de pioneiros, tão essenciais para a salvaguarda das recompensas conquistadas ao longo das diversas campanhas de uma Cruzada mundial circunvolvente, de combate às forças do mal que um materialismo implacável e todo-penetrante, o crescimento canceroso do racismo militante, corrupção política, capitalismo desenfreado, a amplamente espalhada ilegalidade e a

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CARTAS E MENSAGENS imoralidade indecente, estão, tristemente, alastrando com velocidade agourenta entre as diversas classes da sociedade da qual os membros desta comunidade pertencem. Os refúgios administrativos de uma Fé destinada a ser, de um lado, sujeita a severos desafios espirituais vindos de dentro, através do inevitável impacto destas devastadoras influências em sua força infante e, do outro, ao violento ataque de líderes eclesiásticos, os tradicionais defensores da ortodoxia religiosa vindos de fora, devem ser multiplicados e reforçados para o propósito de repelir os inevitáveis ataques dos assaltantes, defender os ideais e princípios que animam seus defensores e assegurar a vitória final e a ascendência da Fé propriamente dita, acima dos abomináveis elementos que desejam miná-la desde dentro, e seus poderosos difamadores que almejam a sua extinção, desde fora. Nem devem os recursos materiais, tão vitalmente requeridos para satisfazer o desafio de uma Fé em contínua expansão ser, por um momento sequer, ignorados, negligenciados ou subestimados – recursos que a frente doméstica, material e adequadamente reabastecida por um influxo constante e determinado de ativos e sinceros apoiadores de todas as camadas da sociedade, pode, com o tempo, proporcionar. À medida que se multiplicam as necessidades imperativas de uma Fé, agora avançando irresistivelmente em toda direção, um incremento correspondente nos meios financeiros à disposição dos seus administradores nacionais dirigindo e controlando suas operações, dentro e além das fronteiras de sua pátria, para satisfazer estes urgentes e essenciais requisitos, deve ser assegurado, caso não se queira que a sua marcha seja estancada ou reduzida.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] PODEROSOS E HISTÓRICOS EMPREENDIMENTOS É do crente individual, constituindo a unidade fundamental na estrutura da frente doméstica, que a revitalização, a expansão e o enriquecimento da frente doméstica devem enfim depender. Quanto mais árduo o esforço exercido, diária e metodicamente, pelo indivíduo laborando na frente doméstica para atingir alturas mais elevadas de consagração, de abnegação, para contribuir, através do pioneirismo em sua terra, à multiplicação de centros isolados bahá’ís, grupos e Assembléias, e para aumentar, através de esforços diligentes, meticulosos e contínuos na conversão de almas receptivas à Fé que desposou, os múltiplos empreendimentos, lançados além dos limites da sua pátria, e agora tão desesperadamente chamando por um maior suprimento de homens e de meios, serem providos com o suporte necessário que irá assegurar seu ininterrupto desenvolvimento e acelerar a sua realização final, mais leves serão também os encargos da iminente disputa que deve ser promovida, mais cedo ou mais tarde, dentro das fronteiras da própria União, entre as instituições nascentes da embrionária Ordem divinamente designada por Bahá’u’lláh, e os expoentes de doutrinas antiquadas assim como os defensores, tanto seculares como religiosos, de uma sociedade corrupta e em franca decadência. A quarta fase do Plano de Dez Anos, na qual os executores de uma Cruzada que abrange o mundo estão prestes a adentrar, deve testemunhar, por um lado, em cada frente doméstica, e particularmente dentro dos limites da pátria americana, este mesmo revigoramento espiritual, expansão administrativa e reabastecimento material, constituindo as três facetas de uma tarefa que não pode suportar maior demora, e, por outro lado, uma aceleração, particularmente vinculada à construção dos

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CARTAS E MENSAGENS Templos-Mãe da Austrália e Alemanha (as necessidades do Templo-Mãe da África tendo sido, em todos os aspectos e propósitos, contempladas), nas contribuições a serem realizadas, por crentes individuais bem como por Assembléias Espirituais Nacionais, para assegurar o progresso ininterrupto e o término antecipado destes poderosos e históricos empreendimentos. Visto o fato dos membros da valente comunidade bahá’í americana terem, num intervalo de mais de quatro anos, iluminado o caminho e sustentado sua primazia, através da participação que eles tiveram em abrir os principais territórios virgens remanescentes do globo, em contribuir para o fomento dos interesses das instituições da Fé em seu Centro Mundial e em acelerar a aquisição dos Hazíratu’l-Quds nacionais, no estabelecimento de fundos bahá’ís nacionais e na aquisição de terrenos para futuros Templos Bahá’ís, assim devem eles, caso queiram salvaguardar aquela primazia e preservar intacto e imaculado o nobre exemplo que já estabeleceram no mundo bahá’í, manter sua invejável posição, como a vanguarda do exército dos cruzadores de Bahá’u’lláh, em resgatar, enquanto ainda há tempo, sua frente doméstica da precária posição em que se encontra neste momento e em manifestar-se com o propósito de assegurar a construção dos Templos-Mãe de três continentes – tarefas que se elevam muito além a quaisquer empreendimentos nacionais até hoje assumidos – sejam estes Hazíratu’l-Quds, dotações ou terrenos de Templos – com a mesma generosidade e abnegação que distinguiram seu serviço à Causa de Bahá’u’lláh no passado. O ano, cuja abertura marcará o ponto mediano desta Cruzada Espiritual Mundial, deve ser distinguido de todos os anos anteriores, pela disposição especial de uma soma substancial do orçamento nacional que irá adequadamente

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] satisfazer as necessidades urgentes destas Casas de Adoração, e particularmente daquelas a serem erigidas nos continentes europeu e australiano. UMA OPORTUNIDADE DE OURO, UM GLORIOSO DESAFIO A convocação futura de nada menos do que cinco conferências intercontinentais, marcando o transcurso da metade do tempo destinado para a execução da Cruzada Mundial, e a serem realizadas, em cinco continentes do globo, com o propósito de render homenagem ao Autor da Revelação Bahá’í, para Sua proteção, guia e bênçãos, em focar a atenção na realização dos requisitos do passado imediato e aqueles prementes do futuro próximo, irá, é esta a minha ardente esperança e prece, proporcionar um novo estímulo para a efusão adequada destas duas responsabilidades antes mencionadas, que constituem as características diferenciadas da quarta fase de um Plano em franca evolução. Em quatro destas cinco conferências, em cujos processos os membros da comunidade bahá’í americana – os principais executores do Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá e os guardas e defensores do baluarte da Ordem Administrativa Bahá’í – irão participar, por intermédio de seus representantes oficiais, a voz dos construtores-campeões da embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, que bem podem clamar terem tido uma parcela decisiva no enorme avanço realizado por esta Cruzada, deve erguer-se em espírito e conduta tais que estimularão estas conferências, pondo-as em movimento e produzindo resultados que irão reverberar ao redor do mundo. Uma oportunidade de ouro, um desafio glorioso, um dever inescapável, uma responsabilidade inacreditável os confronta, neste viçoso ponto de virada nas fortunas de uma Cruzada,

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CARTAS E MENSAGENS para a qual eles têm tão incessantemente laborado, cuja Causa eles têm tão notavelmente desenvolvido, em cujo desdobramento adicional eles devem continuar a desempenhar um papel de liderança e em cujos estágios de encerramento eles irão, sinto-me confiante, galgar até alturas nunca antes alcançadas ao longo de seis décadas de história bahá’í americana. Mais uma vez – e desta vez mais fervorosamente do que antes – eu dirijo meu apelo a cada membro individual desta comunidade corajosamente laboriosa, visionária, valente, espiritualmente dotada, cada homem e cada mulher, de cujos esforços individuais, resolução, abnegação e perseverança os destinos imediatos da Fé de Deus, agora atravessando por um estágio tão crucial em sua ascensão e estabelecimento, dependem primariamente, a não permitirem, por apatia, timidez ou complacência, que esta oportunidade restante seja irremediavelmente perdida. Eu antes preferiria rogar a cada um deles a imortalizarem este decisivo momento que se aproxima na evolução de uma Cruzada Espiritual Mundial, através de uma viçosa consagração a sua missão dada por Deus, unida a um plano de ação imediato, ao mesmo tempo tão dinâmico e decisivo, de modo a varrer, por um lado, de uma só vez, as deficiências que têm, em escala não insignificante, privado as operações da Cruzada na frente doméstica e, do outro, acelerar tremendamente o progresso da tripla tarefa lançada em três continentes e que constituem um dos seus objetivos preeminentes. SEU PODER VIGILANTE E INFALÍVEL GRAÇA Possa Ele, Quem através da irresistível operação da vontade de Seu Todo-Poderoso Pai chamou esta comunidade à existência, nutriu-a em sua infância através dos inestimáveis

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] benefícios conferidos por um Convênio divinamente apontado, inspirou, através de Seu contato pessoal com seus membros e a proclamação de Sua própria Posição, um novo espírito em suas almas; conferiu, subseqüentemente, através da revelação de Suas Epístolas, a primazia espiritual designada a capacitá-los a assumirem um papel preponderante na propagação da Fé de Seu Pai; auxiliou-os graciosamente, em seguida à Sua ascensão, a inaugurar a sua missão dada por Deus, mediante a fixação dos padrões, criando as instituições e vindicando o propósito de uma Ordem Administrativa divinamente ordenada, e pelo subseqüente lançamento das incumbências preliminares em sua pátria, assim como em todas as repúblicas da América Latina, em antecipação à inauguração formal de uma Cruzada Mundial sistemática para o fomento da Causa de Seu Pai; e mais recentemente os assistiu a embarcarem, em conjunto com seus irmãos em outros continentes do globo, no primeiro estágio da missão que abrange o mundo, a eles outorgada, e em conquistar uma série de vitórias sem precedentes nos anais da Fé em sua pátria – possa Ele, através de Seu vigilante cuidado e infalível graça, continuar a apoiá-los, individual e coletivamente, no decorrer dos estágios restantes do Plano e capacitá-los a conduzirem a um final triunfante a época inicial no desdobramento do Plano Divino que Ele primariamente a eles confiou, e na execução auspiciosa da qual o seu completo destino espiritual deve depender.

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EM MEMÓRIA

1.

MARÇO DE 1956 FRANK ASHTON

Orando pelo progresso de sua alma no Reino. Seus serviços meritórios.

2.

30 DE AGOSTO DE 1953 ELLA BAILEY

Pesar pelo passamento de corajosa e exemplar pioneira. Recompensas no Reino abundantes.

3.

13 DE JANEIRO DE 1954 DOROTHY BAKER

Corações pesarosos pelo lamentável, prematuro passamento de Dorothy Baker, distinguida Mão da Causa, eloqüente expoente de Seus ensinamentos, infatigável arrimo de Suas instituições, valente defensora de Seus preceitos. Seu extenso registro de destacado serviço enriqueceu os anais dos anos conclusivos da época Heróica e de abertura da Idade Formativa

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] da Dispensação Bahá’í. Orando fervorosamente para o progresso de sua alma no Reino de Abhá. Assegurem parentes da profunda amorosa condolência. Seu nobre espírito está colhendo copiosa recompensa. Recomendo reunião em memória no Templo condizente sua posição e serviços imperecíveis...

4.

26 DE JANEIRO DE 1957 MARY BARTON

Pesar pelo passamento de sua querida mãe. Seus serviços altamente meritórios. Asseguro-lhe fervorosas orações para progresso de sua alma no Reino.

5.

JULHO DE 1955 VICTORIA BEDIKIAN

Orando pelo progresso da alma da incansável e inteiramente consagrada promotora da Fé. Seus serviços são inesquecíveis...

6.

18 DE JULHO DE 1951 ELLA COOPER

Profundamente pesaroso pelo súbito passamento de um arauto do Convênio, Ella Cooper, ternamente amada serva de ‘Abdu’l-Bahá, grandemente por Ele confiada. Seus devotados serviços durante anos concludentes de Idade Heróica e também

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EM MEMÓRIA Idade Formativa da Fé inesquecíveis. Assegurem parentes, amigos, profunda condolência pela perda. Orando pelo progresso de sua alma no Reino de Abhá.

7.

30 DE JANEIRO DE 1950 JULIA CULVER

Pesar pelo passamento de devotada pioneira da Fé, Julia Culver. Seu espírito exemplar, inabalável lealdade, generosas contribuições são inesquecíveis. Orando fervorosamente pelo progresso de sua alma no Reino de Abhá.

8.

NOVEMBRO DE 1952 DAGMAR DOLE

Pesar pelo passamento de distinguida, consagrada pioneira Dagmar Dole, cujo destacado registro é inesquecível, recompensa copiosa. Orando pelo progresso de sua alma no Reino.

9.

26 DE JANEIRO DE 1956 HOMER DYER

Orando pelo progresso da alma de devotado e zeloso servo da Fé.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

10.

8 DE SETEMBRO DE 1953 L. W. EGGLESTON

Pesar pelo passamento de valoroso promotor da Fé. Sua histórica doação de escola altamente meritória, recompensa copiosa no Reino. Profunda condolência; orando pelo progresso de sua alma.

11.

14 DE JANEIRO DE 1954 HARRY FORD

Pesar pelo passamento do devotado pioneiro Harry Ford, cuja morte irá enriquecer o desenvolvimento espiritual do mais recôndito centro da África do Sul. Orando pelo progresso da alma no Reino.

12.

4 DE JANEIRO DE 1954 NELLIE FRENCH

Profundamente lamento o passamento de valente pioneira. Extenso registro de seus serviços é altamente meritório. Orando pelo progresso da alma no Reino.

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EM MEMÓRIA

13.

6 DE AGOSTO DE 1951 LOUIS C. GREGORY

Profundamente lamento pesarosa perda do ternamente amado, de mente nobre e coração de ouro Louis Gregory, orgulho e exemplo para os integrantes negros da Fé. Ardentemente sinto perda de alguém tão amado, admirado e confiado por ‘Abdu’l-Bahá. Merece posição de primeira Mão da Causa de sua raça. A geração nascente de bahá’ís no continente africano irá jactar-se em sua memória e seguir seu exemplo. Recomendo reunião em memória no Templo em sinal de reconhecimento da sua posição ímpar, destacados serviços.

14.

29 DE MAIO DE 1956 LOUISE M. GREGORY

Pesar pela notícia de passamento da crente, consagrada serva de ‘Abdu’l-Bahá. Confiante de ricas recompensas no Reino. Seus serviços de pioneira altamente meritórios.

15.

16 DE FEVEREIRO DE 1956 BERTHA HERKLOTZ

Pesar pelo passamento da fiel, firme serva da Fé. Orando pelo progresso de sua alma no Reino.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

16.

11 DE SETEMBRO DE 1953 MARIE HOPPER

Orando pelo progresso da alma de leal, devotada primeira crente, Marie Hopper.

17.

MAIO DE 1953 MARIA IOAS

Compartilho de seus pesares com passamento de estimada veterana da Fé, Maria Ioas. Alma regozijando-se no Reino de Abhá com os serviços prestados pelo seu querido filho no Centro Mundial da Fé na tripla função de Mão da Causa, secretário-geral do Conselho e supervisor da construção do domo do Sepulcro do Báb.

18.

23 DE MARÇO DE 1956 BEATRICE IRWIN

Pesar pelo passamento da dedicada, devotada, incansável promotora da Fé. Sua recompensa assegurada no Reino. Orando pelo progresso de sua alma.

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


EM MEMÓRIA

19.

29 DE MARÇO DE 1954 MARION JACK

Lamento perda da imortal heroína, Marion Jack, muito amada e profundamente admirada por ‘Abdu’l-Bahá, um exemplo reluzente para pioneiros da presente e das futuras gerações do Oriente e Ocidente, jamais superada em constância, dedicação, abnegação e destemor, a não ser pela incomparável Martha Root. Suas incessantes, altamente meritórias atividades no decorrer de quase meio século, tanto na América do Norte como no Sudeste da Europa, atingindo seu clímax na mais escura, mais perigosa fase da Segunda Guerra Mundial, irradiou brilho imperecível sobre a história bahá’í contemporânea. Esta alma triunfante está agora congregada ao distinguido rebanho de seus colaboradores no Reino de Abhá; Martha Root, Lua Getsinger, May Maxwell, Hyde Dunn, Susan Moody, Keith Ransom-Kehler, Ella Bailey e Dorothy Baker, cujos restos mortais, descansando em lugares tão amplamente dispersos do globo como Honolulu, Cairo, Buenos Aires, Sydney, Teerã, Isfáhán, Tripoli e as profundezas do Mar Mediterrâneo, atestam a magnificência dos serviços de pioneirismo rendidos pela comunidade bahá’í norte-americana nas Idades Apostólica e Formativa da Dispensação Bahá’í. Recomendo organizar em associação com a Assembléia Nacional do Canadá e o Comitê de Ensino Europeu uma condigna reunião em sua memória no Mashriqu’l-Adhkár. Movido a compartilhar com as Assembléias Nacionais dos Estados Unidos e do Canadá as despesas da construção, tão logo as circunstâncias o permitam, de um digno monumento em seu túmulo, destinado a conferir bênção eterna a um país

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] já honrado pela sua proximidade à sagrada cidade associada com a proclamação da Fé de Bahá’u’lláh. Compartilhem mensagem com todas as Assembléias Nacionais.

20.

27 DE JUNHO DE 1950 FLORENCE BREED KHAN

Profundamente pesaroso pelo passamento de querida, notável, leal e generosa serva do amado Mestre. Orando fervorosamente pelo progresso de sua alma no Reino. Sua recompensa assegurada. Afetuosa condolência.

21.

16 DE DEZEMBRO DE 1950 EDWARD B. KINNEY

Pesar pelo passamento do ternamente amado, altamente admirado, muito confiável, incansável, abnegado instrutor, pilar da Fé, Saffa Kinney. Seu espírito leonino, firmeza exemplar, notável registro de serviços enriqueceram os anais do período encerramento da Idade Heróica e fase de abertura da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í. Bela recompensa assegurada no Reino de Abhá sob a sombra do Mestre que ele tão ternamente amava, tão nobremente serviu, tão heroicamente defendeu até o último suspiro.

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MENSAGENS À AMÉRICA – VOLUME III


EM MEMÓRIA

22.

14 DE DEZEMBRO DE 1949 FANNY KNOBLOCH

Pesar pelo passamento da querida, notável, pioneira exemplar da Fé, Fanny Knobloch. Memória de seus notáveis serviços imperecível, sua recompensa copiosa no Reino de Abhá, assegurada, eterna.

23.

23 DE JUNHO DE 1948 GEORGE LATIMER

Lamento sobremaneira passamento do notável discípulo de ‘Abdu’l-Bahá, firme pilar da comunidade bahá’í americana, George Latimer. Seus notáveis serviços durante os anos de encerramento da Idade Heróica e o primeiro período da Idade Formativa da Fé são imperecíveis. Assegurem desolada, ternamente amada, muito admirada mãe, da minha profunda condolência e de fervorosas preces para o progresso de sua alma.

24.

20 DE JANEIRO DE 1952 RUHANIYYIH LATIMER

Entristecido pela perda da devotada, leal promotora da Fé, Ruhaniyyih Latimer; seus serviços são inesquecíveis. Orando pelo progresso de sua alma no Reino.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

25.

27 DE ABRIL DE 1948 FANNY LESCH

Compartilho profundamente a perda da leal, notável serva de Bahá’u’lláh, Fanny Lesch. Presente convosco em espírito na cerimônia memorial. Orando ardentemente pelo progresso de sua alma no Reino de Abhá.

26.

27 DE DEZEMBRO DE 1956 EDWIN W. MATTOON

Pesar pela notícia da morte do vosso querido pai. Seu pioneirismo, ensino e serviços administrativos são inesquecíveis e altamente meritórios. Asseguro-vos fervorosas preces para o progresso de sua alma no Reino de Abhá.

27.

26 DE MARÇO DE 1952 WILLIAM SUTHERLAND MAXWELL

Com coração partido anuncio através Assembléias Nacionais que a Mão da Causa de Bahá’u’lláh, altamente estimado, ternamente amado Sutherland Maxwell foi acolhido na glória do Reino de Abhá. Sua vida devotada, ultrapassando quase quatro anos, adornados durante o período do Ministério de ‘Abdu’l-Bahá por serviços no Domínio do Canadá, enobrecidos durante a Idade Formativa da Fé por décadas de serviços na Terra Santa, durante o período mais negro de minha vida, duplamente honrada através da associação com a coroa do

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EM MEMÓRIA martírio conquistada por May Maxwell e incomparável honra conferida a sua filha, obteve consumação pela sua indicação como arquiteto da arcada e da superestrutura do Sepulcro do Báb, assim como a sua promoção para a posição de destaque das Mãos da Causa de Deus. Recomendo a todas as Assembléias Nacionais a realizarem congraçamentos condizentes em memória, particularmente no Mashriqu’l-Adhkár em Wilmette e no Hazíratu’l-Quds em Teerã. Tenho instruído as Mãos da Causa nos Estados Unidos e Canadá, Horace Holley e Fred Schopflocher, a participarem como meus representantes ao funeral em Montreal. Incitado designar a porta sul do Túmulo do Báb com seu nome, como tributo a seus serviços ao segundo mais sagrado Santuário do mundo bahá’í. O manto de Mão da Causa recai agora sobre os ombros de sua notável filha, ‘Amatu’l-Bahá Rúhíyyih, quem já rendeu e ainda rende múltiplos e não menos meritórios abnegados serviços no Centro Mundial da Fé de Bahá’u’lláh.

28.

8 DE ABRIL DE 1953 FLORENCE MORTON

Pesar pelo passamento de fervorosa promotora da Fé. Orando pelo progresso de sua alma.

SHOGHI EFFENDI

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

29.

2 DE MAIO DE 1950 ELLA ROBARTS

Orando fervorosamente pelo progresso da alma no Reino de Abhá da devotada antiga crente. Asseguro-lhe amorosa condolência.

30.

MARÇO DE 1955 ANNIE ROMER

Pesar pelo passamento de Annie Romer, devotada, hábil promotora e pioneira da Fé. Seus serviços têm sido altamente meritórios. Orando pelo progresso de sua alma no Reino.

31.

JULHO DE 1953 FRED SCHOPFLOCHER

Profundamente pesaroso pelo passamento do ternamente amado, eternamente leal Mão da Causa Fred Schopflocher. Seus numerosos, magnificentes serviços se estendendo por mais de trinta anos em esferas administrativas e de ensino para os Estados Unidos, Canadá, Instituições no Centro Mundial Bahá’í enriqueceram sobremaneira os anais da Idade Formativa da Fé. Recompensas abundantes asseguradas no Reino de Abhá. Recomendo à Assembléia Nacional Americana a realizar congraçamento condizente em memória no Templo que generosamente ajudou a construir. Recomendo realizar reunião em memória na residência dos Maxwell para comemorar a

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EM MEMÓRIA sua eminente participação no florescimento da Ordem Administrativa da Fé no Canadá. Urge assegurar o enterro em local próximo do túmulo da distinguida Mão da Causa Sutherland Maxwell.

32.

7 DE MAIO DE 1957 ANTHONY Y. SETO

Pesar pela perda repentina de seu querido esposo, valoroso, consagrado, generoso promotor da Fé. O registro de seus profundamente valorizados serviços tanto na América como na Ásia é inesquecível. Sua recompensa é grandiosa no Reino de Abhá. Asseguro-a de amorosas e fervorosas preces pelo progresso de sua alma.

33.

27 DE SETEMBRO DE 1951 PHILIP G. SPRAGUE

Coração cheio de pesar pelo prematuro passamento do leal, exemplar, grandemente admirado e ternamente amado Sprague. Memória de seus notáveis serviços como instrutor e administrador nas Américas do Norte e Latina imperecíveis, recompensa no Reino de Abhá copiosa. Orando ardentemente pelo progresso de sua alma.

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957]

34.

23 DE DEZEMBRO DE 1954 GERTRUDE STRUVEN

Pesar pela notícia. Orando pelo progresso de sua alma no Reino.

35.

6 DE DEZEMBRO DE 1956 JULIET THOMPSON

Lastimo perda da demasiadamente amada, grandemente admirada Juliet Thompson, proeminente, exemplar serva de ‘Abdu’l-Bahá. Por mais de meio século registro de múltiplos, meritórios serviços, abraçando os anos finais da Idade Heróica e as décadas de abertura da Idade Formativa da Dispensação Bahá’í, conquistou sua invejável posição na gloriosa companhia de triunfantes discípulos do amado Mestre no Reino de Abhá. Recomendo realizarem congraçamento em memória no Mashriqu’l-Adhkár para pagar tributo digno à imperecível memória de alguém tão plenamente dedicada à Fé de Bahá’u’lláh, e incendiada com tão ardente devoção ao Centro de Seu Convênio.

36.

27 DE MARÇO DE 1957 GEORGE TOWNSHEND

Informo às Mãos e Assembléias Nacionais do mundo bahá’í o passamento para o Reino de Abhá da Mão da Causa George

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EM MEMÓRIA Townshend, incansável, altamente talentoso, destemido defensor da Fé de Bahá’u’lláh. Agnes Alexander, distinguida pioneira da Fé, elevada à posição de Mão da Causa. Confiante sua nomeação irá espiritualmente reforçar a campanha de ensino conduzida simultaneamente no Norte, Sul e coração do Oceano Pacífico.

37.

24 DE DEZEMBRO DE 1951 ROY C. WILHELM

Coração repleto de pesar pela perda do imensamente prezado, muito amado, altamente admirado arauto do Convênio de Bahá’u’lláh, Roy Wilhelm. Distinguida carreira enriqueceu os anais dos anos finais da Idade Heróica e dos anos de abertura da Idade Formativa da Fé. Qualidades genuínas o tornaram admirado pelo seu amado Mestre, ‘Abdu’lBahá. Sua santidade, indomável Fé, notáveis serviços locais, nacionais e internacionais, sua exemplar devoção, qualificamno a galgar a posição de Mão da Causa, asseguram-no recompensas sempiternas no Reino de Abhá. Recomendo realizar congraçamento em memória no Templo condigno seus inesquecíveis serviços e elevada posição.

38.

11 DE MARÇO DE 1956 ALBERT WINDUST

Profundamente pesaroso pelo passamento do muito amado, grandemente admirado, leal, ardente promotor da Fé, Albert Windust, arauto do Convênio, cujos notáveis serviços

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FORTALEZA DE FÉ [1947-1957] na Idade Heróica e Formativa da Fé são inesquecíveis. Asseguro amigos e parentes fervorosamente suplicando pelo progresso de sua alma no Reino.

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NOTAS 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22.

‘Abdu’l-Bahá. Epístolas do Plano Divino. 1a ed. Mogi Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2001, pp. 29-30. Ibid., p. 26. Ibid., p. 95. Ibid., p. 97. Ibid., p. 31. Ibid. Ibid., p. 107. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas – O Livro Sacratíssimo. 1a ed. Mogi Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 1995, parágrafo 88, pp. 42-43. ‘Abdu’l-Bahá. Epístolas do Plano Divino, p. 38. Ibid., pp. 63-64. Ibid., p. 64. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh. 1a ed. Mogi Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2003, p. 99. ‘Abdu’l-Bahá. Epístolas do Plano Divino, pp. 37-42. Ibid., p. 32. Ibid., p. 81. Bahá’u’lláh. Epístolas de Bahá’u’lláh. 1a ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1983, p. 22. Shoghi Effendi. A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, p. 96 e p.103. Ibid., p. 37. Shoghi Effendi. A Presença de Deus. 2a ed. Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1981, p. 472. Ibid. Ibid. Bahá’u’lláh. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh. 2a ed. Mogi Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2001, seção CXIII, p. 141.

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Mensagens à América Volume III: Fortaleza de Fé, 1947-1957