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BAHÁ’U’LLÁH EA

NOVA ERA


UMA INTRODUÇÃO À FÉ BAHÁ’Í

BAHÁ’U’LLÁH EA

NOVA ERA CONSTRUINDO UMA CIVILIZAÇÃO PACÍFICA E GLOBAL, UM DESAFIO À HUMANIDADE

J. E. Esslemont


Título original em inglês: Bahá’u’lláh and the New Era © 1984 EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL Caixa Postal 1085 13800-973 – Mogi Mirim – SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-320-0170-2 1ª edição: 1928 2ª edição: 1939 3ª edição: 1946 4ª edição: 1952 5ª edição: 1962 6ª edição: 1975 7ª edição: 1984 8ª edição: 1996 9ª edição: 2001 10ª edição: 2007 Tradução: Hyram Faria Ribeiro e Leonora S. Armstrong Revisão: Coordenação Nacional Bahá’í de Tradução e Revisão do Brasil Capa: Gustavo Pallone de Figueiredo Impressão: Prisma Printer Gráfica e Editora Ltda., Campinas – SP


SUMÁRIO Introdução

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1 AS BOAS NOVAS 1 O Maior Acontecimento da História – 1; O Mundo em Transformação – 3; O Sol da Retidão – 4; A Missão de Bahá’u’lláh – 5; Cumprimento das Profecias – 6; Provas de Autenticidade – 8; Dificuldades na Investigação – 10; O Propósito do Livro – 11. 2 O BÁB: O PRECURSOR 12 O Berço da Nova Revelação – 12; Infância e Juventude – 14; Declaração – 15; A Disseminação do Movimento Bábí – 15; Outras Declarações do Báb – 16; Aumentam as Perseguições – 17; Martírio do Báb – 18; Túmulo no Monte Carmelo – 19; Escritos do Báb – 20; Aquele que Deus Tornará Manifesto – 21; Ressurreição, Paraíso e Inferno – 22; Ensinamentos Sociais e Éticos – 22; Paixão e Triunfo – 23. 3 BAHÁ’U’LLÁH: A GLÓRIA DE DEUS 25 Nascimento e Infância – 25; Preso por Ser Bábí – 26; Exílio em Bagdá – 28; Dois Anos no Deserto – 29; Oposição dos Mullás – 30; Declaração em Ridván, Proximidades de Bagdá – 32; Constantinopla e Adrianópolis – 32; Cartas aos Reis – 33; Prisão em ‘Akká – 35; Restrições Abrandadas – 36; Abrem-se os Portões da Prisão – 37; Sua Vida em Bahjí – 40; Ascensão – 43; Bahá’u’lláh como Profeta – 43; Sua Missão – 49; Seus Escritos – 51; O Espírito Bahá’í – 52. 4

‘ABDU’L-BAHÁ: O SERVO DE BAHÁ 54 Nascimento e Infância – 54; Mocidade – 55; Casamento – 57;


Centro do Convênio – 58; Renova-se a Prisão Rigorosa – 59; Comissões Turcas de Investigação – 62; Viagens ao Ocidente – 63; Regresso à Terra Santa – 65; Haifa Durante a Guerra – 67; Sir ‘Abdu’l-Bahá ‘Abbás, K.B.E. – 68; Últimos Anos – 68; O Falecimento de ‘Abdu’l-Bahá – 69; Escritos e Discursos – 71; Posição de ‘Abdu’l-Bahá – 72; Exemplo de Vida Bahá’í – 74. 5 QUE É UM BAHÁ’Í? 76 A Vida Bahá’í – 76; Devoção a Deus – 77; Busca da Verdade – 78; Amar a Deus – 80; Desprendimento – 82; Obediência – 84; Serviço – 85; A Disseminação dos Ensinamentos – 86; Cortesia e Reverência – 87; Olhos que Não Vêem o Pecado – 89; Humildade – 90; Veracidade e Honestidade – 92; Auto-Realização – 93. 6 ORAÇÃO 95 Conversação com Deus – 95; A Atitude Devocional – 96; A Necessidade de um Mediador – 98; A Oração é Indispensável e Obrigatória – 99; A Oração Congregacional – 101; Oração, a Linguagem do Amor – 102; A Salvação das Calamidades – 103; A Oração e a Lei Natural – 105; Orações Bahá’ís – 106. 7 SAÚDE E CURA 109 O Corpo e a Alma – 109; A Unidade de Toda a Vida – 109; A Vida Simples – 110; Álcool e Narcóticos – 111; Divertimentos – 111; O Asseio – 112; Efeitos da Obediência aos Mandamentos Proféticos – 112; O Profeta como Médico – 114; A Cura por Meios Materiais – 114; A Cura por Meios Não-Materiais – 116; O Poder do Espírito Santo – 117; Atitude do Paciente – 118; Aquele que Cura – 120; Como Todos Podem Ajudar – 122; A Idade Áurea – 123; Como Usar a Saúde – 124. 8 A UNIDADE RELIGIOSA 125 O Sectarismo no Século Dezenove – 125; A Mensagem de Bahá’u’lláh – 127; Pode-se Transformar a Natureza Humana? – 127; Primeiros Passos para a Unidade – 129; O Problema da Autoridade


– 130; A Revelação Progressiva – 132; Infalibilidade dos Profetas – 134; O Manifestante Supremo – 135; Uma Nova Situação – 137; A Plenitude da Revelação Bahá’í – 138; O Convênio Bahá’í – 139; Nenhum Clero Profissional – 141. 9 A VERDADEIRA CIVILIZAÇÃO 143 Religião – A Base da Civilização – 143; Justiça – 144; Governo – 146; Liberdade Política – 149; Governantes e Súditos – 150; Nomeação e Promoção – 151; Os Problemas Econômicos – 152; Finanças Públicas – 153; Partilha Voluntária – 154; Trabalho para Todos – 154; A Ética da Riqueza – 155; Nenhuma Escravidão Industrial – 156; Legados e Heranças – 158; Igualdade entre Homens e Mulheres – 159; As Mulheres e a Nova Era – 161; A Rejeição dos Métodos Violentos – 162; Educação – 163; As Diferenças Inatas de Natureza – 164; Aperfeiçoamento do Caráter – 165; Artes, Ciências e Ofícios – 166; Tratamento aos Criminosos – 166; Influência da Imprensa – 168. 10 O CAMINHO DA PAZ 169 Conflito versus Concórdia – 169; A Paz Suprema – 170; Preconceito Religioso – 171; Preconceitos de Raça e de Pátria – 173; Ambições Territoriais – 175; Idioma Universal – 176; Liga Universal das Nações – 179; O Arbitramento Internacional – 181; Limitação de Armamentos – 183; A Não-Resistência – 183; A Guerra Justificável – 185; Unidade do Oriente e Ocidente – 187. 11 VÁRIAS LEIS E ENSINAMENTOS 189 A Vida Monacal – 189; Casamento – 190; Divórcio – 192; O Calendário Bahá’í – 192; Assembléias Espirituais – 194; As Festas Bahá’ís, Aniversários e Dias de Jejum – 196; Festas – 197; Jejum – 198; Reuniões – 199; A Festa de Dezenove Dias – 201; Mashriqu’l-Adhkár – 201; A Vida após a Morte – 203; Céu e Inferno – 205; A Unidade dos Dois Mundos – 207; A Inexistência do Mal – 210.


12 A RELIGIÃO E A CIÊNCIA 213 Conflito Devido ao Erro – 213; Perseguição aos Profetas – 214; A Aurora da Reconciliação – 216; Busca da Verdade – 217; O Verdadeiro Agnosticismo – 218; O Conhecimento de Deus – 219; As Manifestações Divinas – 220; A Criação – 221; A Evolução do Homem – 223; Corpo e Alma – 225; A Unidade do Gênero Humano – 226; A Era da Unidade – 227. 13 PROFECIAS CUMPRIDAS PELA FÉ BAHÁ’Í 229 Interpretação da Profecia – 229; A Vinda do Senhor – 230; Profecias Referentes a Cristo – 231; Profecias sobre o Báb e Bahá’u’lláh – 232; A Glória de Deus – 234; O Ramo – 235; O Dia de Deus – 237; O Dia do Juízo – 237; A Grande Ressurreição – 238; A Volta de Cristo – 241; O Tempo do Fim – 243; Sinais no Céu e na Terra – 245; A Maneira de Sua Vinda – 248. 14 PROFECIAS DE BAHÁ’U’LLÁH E ‘ABDU’L-BAHÁ 252 O Poder Criador da Palavra de Deus – 252; Napoleão III – 255; Alemanha – 256; Pérsia – 257; Turquia – 258; América – 260; A Grande Guerra – 262; Distúrbios Sociais do Pós-Guerra – 263; A Vinda do Reino de Deus – 267; ‘Akká e Haifa – 269. 15 RETROSPECTO E PERSPECTIVA 271 O Progresso da Causa – 271; O Báb e Bahá’u’lláh como Profetas – 273; Uma Perspectiva Gloriosa – 274; A Renovação da Religião – 275; Necessidade de uma Nova Revelação – 276; A Verdade é para Todos – 276; A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá – 277; O Guardião da Causa de Deus – 280; As Mãos da Causa de Deus – 282; A Ordem Administrativa – 283; A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh – 292. Epílogo

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Bibliografia

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INTRODUÇÃO Conheci os ensinamentos bahá’ís pela primeira vez em dezembro de 1914, conversando com amigos que haviam se encontrado com ‘Abdu’l-Bahá e que me emprestaram alguns folhetos. Logo fui atraído por seu alcance, beleza e poder. Tive a impressão de que preenchiam as grandes necessidades do mundo moderno mais plena e satisfatoriamente de que qualquer outro ensinamento religioso que eu já havia encontrado – impressão esta que estudos subseqüentes vieram a aprofundar e confirmar. Ao buscar conhecimentos mais completos sobre o Movimento, encontrei considerável dificuldade em obter a literatura que desejava, e cedo concebi a idéia de colocar num livro a essência daquilo que eu havia aprendido, a fim de facilitar seu acesso a outras pessoas. Quando a comunicação com a Palestina foi reaberta após a guerra, escrevi a ‘Abdu’l-Bahá e anexei uma cópia dos nove primeiros capítulos do livro, cujo esboço estava então quase terminado. Recebi uma resposta muito gentil e animadora, e um convite cordial para visitá-Lo em Haifa e comigo levar o manuscrito inteiro. O convite foi por mim aceito com prazer, e no inverno de 1919-1920 tive o grande privilégio de passar dois meses e meio como hóspede de ‘Abdu’l-Bahá. Em diversas ocasiões durante esta visita, ‘Abdu’l-Bahá conversou comigo sobre o livro, dando várias sugestões valiosas para aperfeiçoá-lo, e propôs que assim que eu tivesse revisado o manuscrito, este seria inteiramente traduzido para o persa a fim de que Ele pudesse ler na íntegra e alterar ou corrigir onde fosse necessário. A revisão e tradução foram feitas como sugerido, e ‘Abdu’lBahá encontrou tempo em meio a Seus inúmeros afazeres para corrigir cerca de três capítulos e meio (Capítulos 1, 2, 5, e parte do 3) antes


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de Seu falecimento. É motivo de grande pesar para mim que ‘Abdu’lBahá não pode completar a correção do manuscrito, pois assim o valor do livro seria aumentado extraordinariamente. O manuscrito inteiro foi, entretanto, cuidado-samente revisado por um comitê da Assembléia Nacional Bahá’í da Inglaterra, que também aprovou a sua publicação. Sou muito grato pelo valioso apoio prestado pela srta. E. J. Rosenberg, sra. Claudia S. Coles, Mírzá Lutfu’lláh S. Hakím, sr. Roy Wilhelm e sr. Mountfort Mills, e por muitos outros amáveis amigos, na preparação deste trabalho. Quanto à transliteração dos nomes e palavras árabes e persas, o sistema adotado neste livro é o recomendado por Shoghi Effendi para aplicação em todo o mundo bahá’í. J. E. Esslemont Fairford, Cults, by Aberdeen


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Capítulo 1

AS BOAS-NOVAS O Prometido de todos os povos do mundo já veio. Todas as nações e comunidades aguardavam uma Revelação, e Ele, Bahá’u’lláh, é o proeminente Instrutor e Educador de toda a humanidade. ‘Abdu’l-Bahá

O Maior Acontecimento da História Ao estudarmos o que registram as páginas da história acerca da “evolução do homem”, torna-se evidente que o fator principal nesse progresso é o advento, de tempos em tempos, de homens que ultrapassam as idéias aceitas em seu tempo, e tornam-se descobridores e reveladores de verdades até então desconhecidas entre o gênero humano. O inventor, o pioneiro, o gênio, o profeta – estes são os homens de quem depende primordialmente a transformação do mundo. Como diz Carlyle: A verdade clara, muito clara, pensamos, é que... um homem dotado de uma Sabedoria superior, de uma Verdade espiritual ainda não conhecida, é mais forte não apenas do que dez homens que não a possuem, nem do que dez mil, e sim, é mais forte do que todos os homens que não a têm; sobressaise entre eles com um poder realmente etéreo e angélico, como se possuísse uma espada do próprio arsenal do céu, a que nenhum escudo e nenhuma torre de bronze, afinal, resistirá. Signs of the Times


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Na história da ciência, da arte, da música, vemos abundantes exemplos desta verdade, mas em domínio algum salienta-se mais nitidamente a suma importância do grande homem e de sua mensagem que na história da religião. Através de todos os tempos, sempre que a vida espiritual do homem degenera e a corrupção moral predomina, aparece Aquele mais admirável e misterioso dos homens, o Profeta. Só, contra o mundo, sem pessoa alguma que O possa ensinar ou guiar, ou até compreender perfeitamente, ou participar de Sua responsabilidade, Ele surge entre os homens como um vidente entre cegos, proclamando Seu evangelho de verdade e retidão. Entre os Profetas, alguns se sobressaem com uma proeminência especial. De tempos em tempos, um grande Revelador Divino – um Krishna, um Zoroastro, um Moisés, um Jesus, um Muhammad – surge no Oriente como um Sol espiritual para iluminar as mentes obscurecidas dos homens e despertar suas almas adormecidas. Seja qual for nossa opinião sobre a grandeza relativa desses Fundadores de religião, devemos admitir serem Eles os fatores mais potentes da educação humana. Esses profetas são unânimes em declarar que as palavras por Eles proferidas não são Suas, mas que constituem, sim, uma Revelação por Seu intermédio, uma Mensagem Divina da qual são apenas os Portadores. Em Seus discursos encontram-se também inúmeras promessas e referências a um grande Educador Mundial destinado a aparecer na “plenitude dos tempos”, Aquele que há de continuar a levar à fruição a tarefa por Eles começada, estabelecendo um reino de paz e justiça na Terra e unindo em uma só família todas as raças, religiões, nações e tribos, “para que haja somente um rebanho e um Pastor”, e todos, “do menor ao maior”, possam conhecer e amar a Deus. A vinda desse “Educador da Humanidade”, no fim da era, deve certamente ser o maior acontecimento da história. E a Fé Bahá’í proclama ao mundo as boas-novas de que esse Educador, de fato, já veio, e que Sua Revelação foi transmitida e escrita, podendo assim ser estudada por qualquer pesquisador sincero, que o “Dia do


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Senhor” já alvoreceu e o “Sol da Justiça” tornou-se visível. Até agora apenas alguns, nos cumes das montanhas, avistaram o Orbe glorioso, mas seus raios já estão iluminando o céu e a terra e, em breve, Ele há de aparecer acima das montanhas, brilhando em todo seu esplendor sobre as planícies e os vales, dando vida e guiando a todos. O Mundo em Transformação É evidente a todos que o mundo, no século dezenove e na primeira parte do século vinte, passou pelos tormentos da morte de uma velha era e pelas dores do nascimento de uma nova. Os velhos princípios do materialismo e egoísmo, os velhos preconceitos e animosidades de seita e pátria estão perecendo, desacreditados, entre as ruínas por eles causadas, e em todos os cantos do globo vemos sinais de um novo espírito de fé, de fraternidade, de internacionalismo, que está rompendo os velhos grilhões e ultrapassando as fronteiras antigas. Transformações revolucionárias, sem precedentes em sua extensão, têm ocorrido em todos os setores da vida humana. A velha era não morreu ainda. Empenha-se num duelo de morte com a nova. Males há em quantidade, gigantescos e terríveis, mas estão sendo expostos, investigados, desafiados e combatidos com novo vigor e nova esperança. Nuvens há em abundância, grandes e ameaçadoras, mas já a luz as rompe, iluminando a estrada do progresso e revelando os obstáculos e armadilhas que obstruem o caminho à frente. No século dezoito era diferente. Quase nenhum raio de luz diminuía a treva espiritual e moral que amortalhava o mundo. Era como a hora mais escura que precede a alvorada, quando as escassas lâmpadas e velas ainda acesas pouco fazem além de tornar visível a escuridão. Carlyle, em sua obra Frederick the Great, assim fala do século dezoito: Um século que não tem história, e pouca ou nenhuma pode ter. Um século tão opulento em falsidades acumuladas... como


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA nenhum outro anterior! Tão falso se tornara que já não tinha consciência de o ser; tão saturado e impregnado de falsidade até os ossos que, de fato, atingira o ponto culminante e uma Revolução Francesa teve de lhe pôr termo.... Conclusão esta bem apropriada, penso eu com gratidão, para um século como esse. Pois havia, mais uma vez, necessidade de uma Revelação Divina aos inertes e frívolos seres humanos para que se não baixassem completamente à condição do símio. Frederick the Great, Livro 1, Capítulo I.

A época atual, em comparação com o século dezoito, é a aurora após a noite tenebrosa, ou a primavera que segue o inverno. O mundo sente o impulso de uma vida nova e vibra de novas esperanças e novas idéias. O que há poucos anos parecia um sonho irrealizável é agora um fato. O que parecia ser para um futuro muito distante já faz parte da “vida prática”. Voamos nos ares e fazemos viagens submarinas. Enviamos mensagens ao redor do mundo com a rapidez do relâmpago. Em poucas décadas temos visto milagres numerosos demais para serem mencionados. O Sol da Retidão Qual a causa desse súbito despertar no mundo inteiro? Os bahá’ís acreditam que seja em conseqüência de uma grande efusão do Espírito Santo por intermédio do Profeta Bahá’u’lláh, nascido na Pérsia em 1817 e falecido na Terra Santa em 1892. Bahá’u’lláh ensina que o Profeta, ou “Manifestante de Deus”, é o Portador de Luz ao mundo espiritual, assim como o Sol é o portador de luz ao mundo natural. Do mesmo modo que o Sol material brilha sobre a Terra, fazendo crescer e desenvolver os organismos materiais, também o Sol da Verdade, através do Manifestante Divino, brilha sobre o mundo da alma e do coração, educando os pensamentos, a moral e o caráter dos homens. E assim como os raios do Sol material têm uma influência que penetra nos


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mais escuros e sombrios recantos do mundo, dando calor e vida até a seres que nunca viram o próprio Sol, assim também a emanação do Espírito Santo, através do Manifestante de Deus, exerce uma influência sobre a vida de todos, inspirando as mentes receptivas até em lugares e entre povos que desconhecem em absoluto o nome do Profeta. O advento do Manifestante é como a vinda da primavera. É um dia de Ressurreição em que os espiritualmente mortos adquirem uma vida nova, a realidade das religiões divinas é renovada e restabelecida – dia em que aparecem “novos céus e uma nova terra”. No mundo da natureza, entretanto, a primavera causa não só o crescimento e o despertar de uma vida nova como também a destruição e remoção da velha e gasta; pois o mesmo Sol que faz brotarem as árvores e abrirem as flores causa também a decomposição das coisas mortas e inúteis, dissolve o gelo e a neve do inverno, e liberta as inundações e tempestades que limpam e purificam a Terra. O mesmo sucede no mundo espiritual. O brilho do sol espiritual causa idêntica agitação e mudança. Assim, pois, o Dia da Ressurreição é também o Dia do Juízo, dia em que as corrupções e imitações da verdade, as idéias antiquadas e os costumes obsoletos são descartados e destruídos, em que o gelo e a neve do preconceito e da superstição, que se acumularam durante o inverno, são dissolvidos e transformados, e energias há muito tempo congeladas e presas são libertas para inundar e ressuscitar o mundo. A Missão de Bahá’u’lláh Clara e repetidamente declarou Bahá’u’lláh ser Ele o Educador e Instrutor de todos os povos, há muito tempo esperado, o intermediário de uma emanação de Graça maravilhosa que haveria de transcender todas as emanações anteriores, na qual todas as antigas formas de religião se uniriam, semelhantes aos rios que se incorporam ao oceano. Lançou Ele um alicerce que forma uma base firme para a unidade no mundo inteiro e para a inauguração daquela era gloriosa


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de paz na terra e boa vontade entre os homens, predita pelos profetas e celebrada pelos poetas. Busca da verdade, unidade do gênero humano, unificação das religiões, raças e nações, união do Oriente e do Ocidente, reconciliação entre a religião e a ciência, eliminação dos preconceitos e das superstições, igualdade entre o homem e a mulher, estabelecimento da justiça e retidão, criação de um supremo tribunal internacional, unificação dos idiomas, educação compulsória – estes e muitos outros ensinamentos similares, a pena de Bahá’u’lláh revelou durante a última metade do século dezenove, em inúmeros livros e epístolas, das quais diversas foram dirigidas aos reis e governantes do mundo. Sua mensagem, de incomparável clareza e alcance, mostra uma harmonia extraordinária com os sinais dos nossos tempos e com nossas necessidades. Jamais foram os novos problemas com os quais o homem se defronta tão gigantescos e complexos como agora. E em nenhum tempo as soluções propostas foram tão numerosas e tão contraditórias. Nunca se sentiu tão extensa e urgentemente a necessidade de um grande Instrutor mundial. E nunca, talvez, esperou-se tão confiante e universalmente pela vinda deste Instrutor. Cumprimento das Profecias Escreve ‘Abdu’l-Bahá: Quando Cristo apareceu, há vinte séculos, embora tivessem os judeus esperado com ansiedade Sua vinda e rezado todos os dias com lágrimas nos olhos: “Ó Deus, apressa a Revelação do Messias”, ao alvorecer o Sol da Verdade, porém, eles O negaram, levantaram-se contra Ele com a maior inimizade, e afinal, crucificaram Aquele Espírito Divino, o Verbo de Deus, e O denominaram Belzebu, o malfeitor – assim como nos diz o Evangelho. O motivo disso, disseram, era que “A Revelação de Cristo, segundo o claro texto do Torá, será atestada por certos sinais e, enquanto estes não aparecerem,


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quem pretender ser o Messias será apenas um impostor. Entre esses sinais figura o seguinte: O Messias há de vir de um lugar desconhecido, mas todos nós conhecemos a casa deste homem em Nazaré, e pode alguma coisa boa vir de Nazaré? O segundo sinal é que Ele governará com bastão de ferro, isto é, deverá agir com a espada, mas este Messias nem sequer tem um báculo de madeira. Outra condição é que se sentará no trono de Davi e estabelecerá a soberania de Davi. Ora, longe de ser entronizado, este homem nem possui uma esteira sobre que se sentar. A promoção de todas as leis do Torá é outro sinal; entretanto, este homem anulou essas leis, nem guardou o sábado, embora diga claramente o texto do Torá que qualquer um que se diga Profeta, realize milagres mas não guarde o sábado, deve ser morto. Outro sinal é este: durante Seu reinado, a justiça será tão adiantada que a retidão e as boas ações atingirão até o reino animal – a serpente e o rato ocuparão o mesmo abrigo, a águia e a perdiz o mesmo ninho, o leão e a gazela habitarão o mesmo pasto, e o lobo e o carneiro beberão da mesma fonte. Agora, porém, a injustiça e a tirania chegaram a tal ponto que O crucificaram! Outra condição é que, nos dias do Messias, os judeus haverão de prosperar e triunfar sobre todos os povos do mundo, mas estão agora vivendo na maior humilhação, escravizados, no Império dos Romanos. Como pois, poderá este ser o Messias prometido no Torá? Assim fizeram objeção àquele Sol da Verdade, apesar do fato de ser esse Espírito de Deus realmente o Prometido do Torá. Por não haverem, entretanto, compreendido a significação desses sinais, crucificaram o Verbo de Deus. Agora os bahá’ís sustentam que todos esses sinais apareceram na Manifestação de Cristo, embora não no sentido em que os judeus os entenderam, sendo alegórica a descrição no Torá. Entre os sinais figura, por exemplo, o da soberania. Dizem os bahá’ís que a soberania de Cristo era celestial, divina, eterna, e não uma soberania como a de Napoleão, a qual se desvanece em pouco tempo. Há quase dois mil anos


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA estabeleceu-se essa soberania de Cristo, até agora ela permanece e, por toda a eternidade, esse Ser Divino será enaltecido sobre um Trono imperecível. De igual modo, manifestaram-se todos os outros sinais, mas os judeus não os compreenderam. Embora quase vinte séculos hajam passado desde o aparecimento de Cristo em esplendor divino, no entanto, os judeus ainda esperam a vinda do Messias, achando que têm razão e que Cristo era falso. Escrito por ‘Abdu’l-Bahá para este capítulo.

Tivessem os judeus se dirigido a Cristo, Ele lhes teria explicado o verdadeiro sentido das profecias a Seu respeito. Aproveitemos nós o seu exemplo e, antes de decidirmos que as profecias relativas à Manifestação do Instrutor dos Últimos Dias não tenham sido cumpridas, vejamos o que o próprio Bahá’u’lláh escreve sobre a interpretação delas, pois devemos admitir serem muitas das profecias expressões “lacradas”, e o Verdadeiro Educador é o Único que pode quebrar o selo e mostrar o verdadeiro sentido encerrado nas palavras. Muito escreveu Bahá’u’lláh explicando as profecias da Antigüidade, porém não as apresenta como prova de ser Ele Profeta. O sol é sua própria prova para todos aqueles dotados do poder da percepção. Quando nasce, não necessitamos de predições antigas para convencermo-nos de seu brilho. É assim quando aparece o Manifestante de Deus. Se todas as profecias antigas caíssem em esquecimento, continuaria Ele a ser Sua própria prova, plena e concludente, para todos aqueles cujos sentidos espirituais estivessem aguçados. Provas de Autenticidade A ninguém Bahá’u’lláh pediu para aceitar cegamente Suas asserções e sinais. Ao contrário, antes de tudo, nos Seus ensinamentos fez enfáticas advertências contra a cega sujeição à autoridade e exortou a todos que abrissem seus olhos e ouvidos e fizessem uso do próprio


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juízo, independente e destemidamente, a fim de certificarem-se da verdade. Aconselhou Ele a mais completa investigação, jamais Se ocultando, e apresentou, como provas supremas de Sua condição de Profeta, Suas palavras e ações, e os efeitos destas na transformação do caráter e da vida do homem. As mesmas provas foram estabelecidas pelos Seus grandes predecessores. Disse Moisés: Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou: com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele. Deuteronômio, 18:22.

Cristo estabeleceu Sua prova com igual clareza, usando-a em apoio a Sua própria pretensão. Disse Ele: Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.... Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus, 7:15-20.

Nos capítulos seguintes tentaremos mostrar, pela aplicação destas provas, se é justificável ou não a pretensão de Bahá’u’lláh de ser Profeta; se o que Ele disse de fato aconteceu, e se os Seus frutos foram bons ou maus; em outras palavras, se estão sendo cumpridas Suas profecias e estabelecidos Seus ensinamentos, e se o trabalho de Sua vida contribuiu para a educação e o adiantamento da humanidade e a elevação da moral, ou se aconteceu o contrário.


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Dificuldades na Investigação Há, naturalmente, dificuldades no caminho daquele que busca a verdade a respeito desta Fé. Como todas as grandes reformas morais e espirituais, a Fé Bahá’í tem sido muito mal interpretada. Sobre as terríveis perseguições e sofrimentos por que passaram Bahá’u’lláh e Seus discípulos, amigos e inimigos estão em perfeito acordo. Sobre o valor do Movimento, entretanto, e o caráter de seus Fundadores, as afirmações dos que crêem e dos que negam são inteiramente contraditórias. É justamente como no tempo de Cristo. Quanto à crucificação de Jesus e às perseguições e martírio de Seus adeptos, historiadores cristãos e judeus estão de acordo, mas enquanto aqueles que acreditam em Cristo dizem haver Ele cumprido e desenvolvido os ensinamentos de Moisés e dos outros profetas, os que negam declaram que Ele infringiu as leis e mandamentos, sendo por isto digno de morte. Na religião, como na ciência, a verdade revela os seus mistérios somente ao humilde e reverente pesquisador que estiver pronto a pôr de lado qualquer preconceito ou superstição – a vender tudo o que possui a fim de poder comprar “a pérola de grande preço”. Para que compreendamos a Fé Bahá’í em sua plena significação, devemos iniciar seu estudo em espírito de sinceridade e desinteressada devoção à verdade, perseverando no caminho da busca e dependendo da orientação divina. Nos Escritos de seus Fundadores poderemos encontrar a chave-mestra que nos abrirá os mistérios desse grande despertar de espírito, e o critério final de seu valor. Infelizmente, também aqui há dificuldades no caminho do pesquisador que não conheça o persa nem o árabe, pois são estes os idiomas em que se encontram os ensinamentos. Apenas uma pequena parte foi traduzida para o inglês, e grande parte dessas traduções muito deixa a desejar, não só em exatidão como em estilo. A despeito, porém, da imperfeição e da insuficiência das narrativas históricas e traduções, as grandes verdades essenciais que constituem as bases maciças e


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firmes desta Fé sobressaem-se como montanhas entre as névoas da incerteza*. O Propósito do Livro Nossa intenção, nos capítulos que seguem, será mostrarmos, tanto quanto possível, imparcialmente e sem preconceito, os fatos notáveis da história e, mais especialmente, dos ensinamentos da Fé Bahá’í, de maneira a tornar possível aos leitores a formação de um juízo inteligente quanto à sua importância e, talvez, induzi-los a investigar mais profundamente este assunto por si próprios. A busca da verdade, entretanto, por importante que seja, não é tudo a que se deva dedicar a vida. A verdade não é uma coisa morta que, quando encontrada, deva ser posta num museu – rotulada, classificada, aí exibida e deixada, seca e estéril. É algo vital, que deve criar raízes no coração do homem e dar frutos em sua vida, para que ele possa atingir a plena recompensa de sua busca. O verdadeiro objetivo, pois, de disseminar-se o conhecimento de uma Revelação profética, é que os que se tornam convictos da sua verdade venham a praticar seus princípios, a “viver a vida” e difundir as boas-novas, apressando desse modo o advento do dia abençoado em que a Vontade de Deus seja feita assim na terra como no Céu.

*Existem agora as incomparáveis traduções feitas por Shoghi Effendi dos Escritos de Bahá’u’lláh e de ‘Abdu’l-Bahá, do persa e do árabe. Estas, juntamente com seus consideráveis escritos próprios que tratam da história da Fé, das exposições e implicações de suas verdades fundamentais e do desenvolvimento de sua Ordem Administrativa, tornam a tarefa do pesquisador infinitamente mais fácil nos tempos atuais do que no tempo do dr. Esslemont.


Capítulo 2

O BÁB: O PRECURSOR O Opressor* sujeitou à morte o Bem-Amado dos mundos para extinguir a luz de Deus entre o povo e para privá-lo do manancial da vida eterna nos dias de teu Senhor, o Benévolo, o Mais Generoso. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, pp. 119-20.

O Berço da Nova Revelação A Pérsia†, berço da Revelação Bahá’í, já ocupou um lugar sem igual na história do mundo. Nos dias da sua primitiva grandeza era uma verdadeira rainha entre as nações, não rivalizada em civilização, em poder ou esplendor. Deu ao mundo grandes reis e estadistas, profetas e poetas, artistas e filósofos. Zoroastro, Ciro e Dario, Háfis e Firdawsí, Sa’dí e Omar Khayyám são apenas uma pequena parcela de seus inúmeros filhos ilustres. Era insuperável a habilidade dos seus artífices; seus tapetes eram inigualáveis, suas cutelarias inimitáveis, sua cerâmica de fama mundial. Em toda parte do Oriente Próximo e Médio deixou traços de sua grandeza antiga. Não obstante, nos séculos dezoito e dezenove achava-se num estado de deplorável degradação. Sua antiga glória parecia irremediavelmente perdida. Seu governo tornara-se corrupto e suas condições financeiras eram extremamente críticas; alguns de seus governantes eram incapazes, outros de uma crueldade monstruosa. Seu clero era intolerante e seu povo ignorante e supersticioso. A maioria pertencia a uma seita muçulmana, denominada xiita‡, mas existia também um número considerável de zoroastrianos, judeus e *Xá Muhammad. †Hoje: Irã. ‡Uma das duas grandes facções – xiita e sunita – nas quais o Islã foi subdividido pouco


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cristãos, de seitas diversas e antagônicas. Todos se diziam adeptos de sublimes instrutores que os exortavam a adorar a um Deus único e a viver em amor e união, mas, não obstante, evitavam-se uns aos outros mostrando ódio e escárnio, e cada seita julgando as demais como impuras, como cães ou pagãos. Havia amaldiçoamento e execração em grau assustador. Era perigoso um judeu ou um zoroastriano andar nas ruas num dia chuvoso, pois se a sua roupa molhada tocasse um muçulmano, este se considerava poluído e o outro talvez pagasse com a vida a ofensa cometida. Quando um muçulmano recebia pagamento de um judeu, zoroastriano ou cristão, antes de pôr o dinheiro no bolso tinha que lavá-lo. Se um judeu via um filho dar um copo d’água a um pobre mendigo muçulmano, arremessava-lhe o copo das mãos, pois a maldição e não a bondade era o quinhão do infiel! Os próprios muçulmanos estavam divididos em várias seitas entre as quais ocorriam freqüentemente lutas amargas e violentas. Os zoroastrianos participavam menos dessas recriminações mútuas, preferindo viver em comunidades separadas, sem nenhum contato com seus compatriotas de outros credos. As condições sociais, tanto quanto as religiosas, haviam chegado a um estado de desesperada decadência. A educação era negligenciada; as ciências e artes ocidentais eram consideradas contrárias à religião. A justiça era uma farsa. As estradas nenhuma segurança ofereciam aos viajantes; prevaleciam a pilhagem e o roubo. A falta de saneamento era lamentável. Apesar de tudo isso, porém, a luz da vida espiritual não estava extinta na Pérsia. Aqui e ali, em meio ao mundanismo e à superstição prevalecentes, ainda podiam-se encontrar algumas almas santas, e muitos corações nutriam o ardente desejo de conhecer a Deus, semelhantes aos corações de Ana e Simeão antes do aparecimento de Jesus. Muitos esperavam ansiosamente um prometido Mensageiro de Deus, confiantes de que o Seu advento estava próximo. Tal era o estado de coisas na Pérsia quando o Báb, Arauto de uma nova era, despertou a atenção de todo o país com a Sua Mensagem. depois da morte de Muhammad. Os xiitas sustentam que ‘Alí, o genro de Muhammad, foi o primeiro legítimo sucessor do Profeta, e que somente seus descendentes são os califas verdadeiros.


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Infância e Juventude Mírzá ‘Alí Muhammad, que depois assumiu o título de Báb (isto é, Porta) nasceu em Shíráz, no sul da Pérsia, em 20 de outubro de 1819 (primeiro dia de Muharram, 1235 d.h.). Era um Siyyid, isto é, um descendente do Profeta Muhammad. Seu pai, um conhecido negociante, morreu pouco depois de Seu nascimento, ficando Ele aos cuidados de um tio materno, comerciante em Shíráz, que O criou. O Báb aprendeu a ler na infância, recebendo a educação elementar usual.* Aos quinze anos entrou no comércio, primeiro com Seu tutor, depois com outro tio que morava em Búshihr, nas costas do Golfo Pérsico. Quando jovem, distinguia-Se pela grande formosura pessoal e o encanto de Suas maneiras, como também por Sua piedade excepcional e nobreza de caráter. Era infalível na observância das orações, jejum e outros ritos da religião muçulmana, e não somente obedecia ao pé da letra, como vivia o espírito dos ensinamentos do Profeta. Casou-Se com cerca de vinte e dois anos de idade. O filho nascido deste casamento morreu quando ainda criança, no primeiro ano do ministério do Báb. *Sobre este ponto observa um historiador: “A crença de muitas pessoas no Oriente, entre os adeptos do Báb (agora bahá’ís) especialmente, é que o Báb não recebeu instrução alguma, mas que os mullás, a fim de rebaixá-Lo aos olhos do povo, diziam que sabedoria tão profunda e tão grandes conhecimentos como os possuídos por Ele só poderiam ser atribuídos à instrução que recebera. Depois de profundas pesquisas sobre a veracidade deste assunto, encontramos evidências que demonstram que durante Sua infância Ele freqüentou por um curto período de tempo a casa do Shaykh Muhammad (também conhecido por ‘Ábid), onde aprendeu a ler e escrever o persa. Foi a isto que o Báb referiu-Se quando escreveu no livro de Bayán: Ó Muhammad! Ó Meu professor”!... “Mas o que é interessante notar é que este Shaykh, Seu professor, tornou-se um dedicado discípulo do próprio aluno, e o tio do Báb, Hájí Siyyid ‘Alí, também veio a ser adepto sincero, sendo martirizado por ser bábí”. A compreensão destes mistérios é dada àqueles que buscam a verdade, mas sabemos que a educação recebida pelo Báb foi apenas elementar e que qualquer sinal extraordinário de grandeza e conhecimento por Ele manifestado era inato e procedente de Deus”.


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Declaração Ao atingir Seu vigésimo quinto ano de idade, atendendo ao mandamento divino, Ele declarou que “Deus, o Excelso, O escolhera para a missão de ser o Báb”. No livro Narrativa de um Viajante, p. 4, lemos: Entretanto, o que pretendeu pelo termo Báb foi que Ele era o canal de graça de um grande Ser ainda atrás do véu da Glória – Aquele que era o possuidor de incontáveis e ilimitadas perfeições – através da vontade de Quem, Ele movia-Se, e pelo vínculo do amor de Quem, Ele apegava-Se.

A crença na iminente aparição de um Mensageiro Divino prevalecia naqueles dias, principalmente entre uma seita conhecida como os shaykhís, e foi a um distinto membro desta seita, chamado Mullá Husayn Bushrú’í, que o Báb primeiro declarou Sua missão. A data exata desta declaração, segundo o Bayán, uma das obras do Báb, foi a véspera do quinto dia do mês de Jamádíyu’l-Avval 1260 d.h.*, isto é, 23 de maio de 1844 d.C., duas horas e onze minutos depois do pôr do sol. ‘Abdu’l-Bahá nasceu durante a mesma noite, não se tendo verificado, porém, a hora exata. Após alguns dias de ansiosa investigação e estudo, Mullá Husayn tornou-se firmemente convencido de que o Mensageiro de há muito esperado pelos xiitas aparecera de fato. Seu ardente entusiasmo por esta descoberta cedo foi partilhado por vários de seus amigos. Dentro de pouco tempo a maioria dos shaykhís aceitou o Báb, tornando-se conhecidos por bábís; e logo a fama do jovem Profeta começou a alastrar-se rapidamente por todo o país. A Disseminação do Movimento Bábí Os dezoito primeiros discípulos do Báb foram denominados “Letras do Vivente”, sendo Ele próprio a décima nona. Estes *d.h. – depois da hégira (isto é, a fuga de Muhammad de Meca a Medina em 622 d.C.).


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discípulos Ele os enviou as diferentes partes da Pérsia e do Turquestão para anunciarem o Seu advento, enquanto Ele próprio empreendeu uma peregrinação à Meca, lá chegando em dezembro de 1844 e declarando abertamente a Sua missão. Ao regressar a Búshihr, causou grande agitação por haver-Se proclamado o Báb. O fogo de Sua eloqüência, o prodígio de Seus escritos rápidos e inspirados, Sua extraordinária sabedoria e conhecimento, Sua coragem e Seu zelo de reformador despertaram entre Seus discípulos o maior entusiasmo, excitando porém, um grau correspondente de alarme e inimizade entre os ortodoxos muçulmanos. Os doutores xiitas denunciaram-No com veemência e persuadiram o governador de Fárs, chamado Husayn Khán, um tirano fanático, a empreender a supressão da nova heresia. Começou então para o Báb uma longa série de encarceramentos, deportações, interrogatórios diante de tribunais, açoites e indignidades, que só terminaram com Seu martírio em 1850. Outras Declarações do Báb A hostilidade que Ele provocara com a declaração de ser o Báb, redobrou quando o jovem Reformador procedeu em seguida à proclamação de ser Ele próprio o Mihdí (Mahdi), cuja vinda Muhammad predissera. Os xiitas identificaram esse Mihdí como o décimo segundo imame*, que segundo suas crenças desaparecera misteriosamente de entre os homens havia cerca de mil anos. Acreditavam que ele ainda estivesse vivo e devesse reaparecer no mesmo corpo, e interpretaram em seu sentido material as profecias relativas ao seu domínio, à sua glória, às suas conquistas, e aos “sinais” de seu advento, justamente como fizeram os judeus no tempo de Cristo com referência às profecias similares sobre o Messias. Esperavam que ele aparecesse com uma soberania terrestre e um exército numeroso, e que declarasse sua revelação fazendo ressuscitar os mortos, etc. Por não haverem aparecido esses sinais, os xiitas rejeitaram o Báb com o mesmo escárnio feroz que os judeus *O imame dos xiitas é o divinamente ordenado sucessor do Profeta, a quem devemtodos os fiéis obedecer. Onze pessoas, sucessivamente, ocuparam o lugar de Imame, tendo o primeiro sido ‘Alí, o primo e genro do Profeta. A maioria dos xiitas afirma


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mostraram para com Jesus. Os bábís, por outro lado, interpretaram figurativamente muitas das profecias. Consideravam a soberania do Prometido como aquela do Galileu – “Homem das Tristezas” – uma soberania mística; como espiritual a Sua glória, e não terrena; Suas conquistas como sendo sobre as cidades dos corações dos homens; e encontraram provas abundantes da declaração do Báb em Sua vida e ensinamentos maravilhosos, em Sua fé inabalável, Sua convicção invencível, e em Seu poder de ressuscitar espiritualmente aqueles que estavam nas sepulturas do erro e da ignorância. O Báb, entretanto, não Se limitou ao título de Mihdí. Ele adotou o título sagrado de “Nuqtiyiúlá” ou “Ponto Primordial”. Este fora o título aplicado ao próprio Muhammad pelos Seus discípulos. Mesmo os imames eram de importância secundária em relação ao “Ponto”, de Quem recebiam sua inspiração e autoridade. Ao assumir este título, o Báb, semelhantemente a Muhammad, entrou na série dos grandes Fundadores de Religião e por isso foi considerado pelos xiitas um impostor, do mesmo modo que acontecera com Seus predecessores, Moisés e Jesus. Ele inaugurou até um novo calendário, restaurando o ano solar e indicando o ano de Sua própria Declaração como início da Nova Era. Aumentam as Perseguições Em conseqüência destas declarações do Báb e da alarmante rapidez com que pessoas de todas as classes, ricas e pobres, doutas e ignorantes, aceitavam entusiasticamente Seus ensinamentos, as tentativas de supressão tornavam-se cada vez mais impiedosas e resolutas. Lares eram pilhados e destruídos. Mulheres agarradas e levadas embora. Em Teerã, Fárs, Mázindarán e outros lugares executaram grande número de adeptos. Muitos eram decapitados, enforcados, arremessados das bocas de canhões, queimados ou retalhados. A despeito de todas estas tentativas de repressão, porém, o Movimento progredia, ou melhor, através desta mesma opressão, a firmeza dos adeptos aumentava, pois em tudo isto viram o que o décimo-segundo Imame, por eles denominado o Imame Mihdí, enquanto ainda criança, desapareceu numa passagem subterrânea em 329 d.h., e que no devido tempo aparecerá, vencerá os infiéis e inaugurará uma era de felicidade.


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cumprimento literal de muitas profecias a respeito da vinda do Mihdí. Assim, numa tradição mencionada por Jábir, tida pelos xiitas como autêntica, lemos: Ele encerrará a perfeição de Moisés, a preciosidade de Jesus, e a paciência de Jó; em seu tempo, seus santos serão humilhados e suas cabeças serão trocadas como presentes, como o foram as dos turcos e dos deylamitas; eles serão mortos e queimados; e haverá medo, temor e consternação; a terra será tinta pelo seu sangue e suas mulheres cairão em prantos; são estes, de fato, meus santos. New History of the Báb, traduzida pelo professor E. G. Browne, p. 132.

Martírio do Báb Em 9 de julho de 1850*, o próprio Báb, que contava então trinta e um anos de idade, caiu vítima da fúria fanática dos Seus perseguidores. Com um jovem e devotado discípulo, de nome Áqá Muhammad ‘Alí, que havia pedido insistentemente que lhe fosse permitido compartilhar do Seu martírio, foi o Báb conduzido ao cadafalso do velho largo do quartel de Tabríz. Aproximadamente às dez horas da manhã, foram amarrados por baixo dos braços e dependurados de tal modo que a cabeça de Muhammad ‘Alí repousava no peito do seu querido Mestre. Um regimento de soldados armênios foi formado e recebeu ordem de fogo. Os estampidos logo se fizeram ouvir, mas quando a fumaça se dissipou, constatou-se que o Báb e Seu companheiro estavam ainda vivos. As balas haviam apenas decepado as cordas pelas quais estavam suspensos, de modo que haviam caído ao chão, ilesos. O Báb seguiu para um cômodo próximo, onde foi encontrado conversando com um de Seus amigos. Ao meio-dia, mais ou menos, foram outra vez suspensos. Os armênios, que haviam considerado o resultado dos seus disparos um milagre, recusaram-se a atirar novamente, de modo que um outro regimento de soldados teve que ser trazido ao cenário. *Sexta-feira, 28 de Sha’bán, 1266 d.h.


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Desta vez os tiros surtiram efeito. Os corpos de ambas as vítimas foram crivados de balas e horrivelmente mutilados; seus rostos, porém, permaneceram quase intactos. Com este ato vil, o largo do quartel de Tabríz tornou-se um segundo Calvário. Os inimigos do Báb vibraram com o triunfo culposo, pensando que a odiada árvore da Fé Bábí estivesse agora cortada pela raiz, e que sua destruição completa seria fácil! Pouco durou, porém, seu triunfo! Não compreenderam que jamais a Árvore da verdade poderia ser derrubada por um machado material. Mal poderiam imaginar que o próprio crime por eles perpetrado foi o meio de dar maior vigor à Causa. O martírio do Báb realizou Seu desejo há muito nutrido e inspirou em Seus adeptos um zelo mais intenso. Tal era o ardor de seu entusiasmo espiritual, que os mais amargos ventos da perseguição outro efeito não surtiram senão o de lhe aumentar a intensidade. Quanto mais se esforçavam por extinguilas, mais alto subiam as chamas. Túmulo no Monte Carmelo Após o martírio do Báb, Seus restos mortais, com os de Seu devotado companheiro, foram atirados à beira do fosso fora dos muros da cidade. Na noite seguinte alguns bábís conseguiram removê-los, à meia-noite e, depois de guardados durante muitos anos em depósitos secretos na Pérsia, foram finalmente levados com grande perigo e dificuldade para a Terra Santa. Lá estão agora enterrados, num túmulo lindamente situado no declive do Monte Carmelo, não distante da Caverna de Elias e apenas a poucas milhas do lugar onde Bahá’u’lláh passou os últimos anos de vida e onde jazem agora Seus restos mortais. Entre os milhares de peregrinos que de todas as partes do mundo vêm prestar homenagem no Túmulo Sagrado de Bahá’u’lláh, nenhum deixa de oferecer uma prece também no Santuário de Seu devotado Precursor, o Báb.


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Escritos do Báb Volumosos foram os Escritos do Báb, e a rapidez com que, sem estudo ou premeditação, Ele fez esmerados comentários, exposições profundas ou preces eloqüentes, era tida como uma das provas da Sua inspiração divina. Pode-se resumir do seguinte modo o conteúdo de Seus vários Escritos: Alguns destes são comentários e interpretações dos versículos do Alcorão; outros são orações, sermões e alusões ao verdadeiro significado de certas passagens; enquanto outros são exortações, admonições, dissertações sobre os diversos ramos da doutrina da Unidade Divina, demonstrações da especial missão profética do Senhor das coisas existentes (Muhammad), e (conforme compreendemos) encorajamentos para o aperfeiçoamento do caráter, desprendimento dos estados mundanos e dependência das inspirações de Deus. Mas a essência e significado das Suas composições eram os elogios e descrição daquela Realidade que claramente foi Seu único objetivo e propósito, Seu Bem-Amado e Seu anelo*. Pois, Ele considerou Sua própria vinda como Aquele arauto das boas-novas, e considerou Sua verdadeira natureza como sendo meramente um meio para manifestar as maiores perfeições dAquele Ser. E realmente, Ele não cessava dia e noite de celebrá-Lo nem por um único instante, mas costumava dizer a todos os Seus seguidores que deveriam esperar Sua vinda. De tal maneira que Ele declara em Seus Escritos: Eu não sou senão uma letra desse poderosíssimo livro, uma gota de orvalho desse oceano ilimitado, e quando Ele aparecer, a Minha verdadeira natureza, os Meus mistérios e enigmas, se tornarão evidentes, e o embrião desta religião se desenvolverá através dos graus da sua existência e sua evolução, e atingirá a posição ‘da mais perfeita forma’†, e se adornará com o manto do ‘Louvado seja Deus, Criador por excelência...’‡ e tão inflamado estava o Báb com a chama de *Bahá’u’lláh. †Alcorão, 95:4. ‡Alcorão, 23:14.


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Bahá’u’lláh que a comemoração dEle era a vela luminosa de Suas noites escuras na fortaleza de Mákú, e a lembrança dEle era o melhor dos companheiros nas dificuldades da prisão de Chihríq. Por meio disso, o Báb obteve grande elevação espiritual. Com Seu vinho inebriava-Se e na lembrança dEle, o Báb regozijava-Se. ‘Abdu’l-Bahá. Narrativa de um Viajante, pp. 43-45.

Aquele que Deus Tornará Manifesto Compara-se às vezes o Báb a João Batista, mas a Sua Missão não foi meramente a de arauto ou precursor. O Báb foi em Si um Manifestante de Deus, o Fundador de uma religião independente, embora limitada em tempo a um curto período de anos. Os bahá’ís acreditam que o Báb e Bahá’u’lláh foram Co-Fundadores da sua Fé, sendo as seguintes palavras de Bahá’u’lláh testemunho desta verdade: “Que tão breve período tenha separado esta mais poderosa e admirável Revelação e Minha própria Manifestação anterior, é um segredo que nenhum homem pode desvendar e um mistério que mente alguma pode penetrar. Sua duração havia sido preordenada, e ninguém jamais descobrirá sua razão, a não ser que, e não antes de informar-se do conteúdo do Meu Livro Oculto.” Em Suas referências a Bahá’u’lláh, porém, o Báb mostrou uma humildade absoluta, declarando que, no dia de “Aquele que Deus tornará manifesto”: Ouvir e recitar um único versículo dEle é melhor do que recitar mil vezes o Bayán [isto é, a Revelação do Báb]. O Báb citado por E. G. Browne em: A Traveller’s Narrative, p. 349.

Ele julgava-Se feliz em suportar qualquer aflição, se assim procedendo, pudesse, ainda que no mínimo grau, aplainar a senda para “Aquele que Deus tornará manifesto”, Aquele que era, dizia Ele, a fonte única da Sua inspiração e o objeto único do Seu amor.


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Ressurreição, Paraíso e Inferno Constituem uma parte importante dos ensinamentos do Báb as Suas explicações dos termos ressurreição, juízo final, paraíso e inferno. Entende-se pelo termo ressurreição, diz Ele, o aparecimento de uma nova Manifestação do Sol da Verdade. A ressurreição dos mortos significa o despertar espiritual dos que dormem no túmulo da ignorância, negligência e luxúria. O Dia do Juízo Final é o Dia da nova Manifestação, quando as ovelhas pela aceitação ou rejeição à Sua Revelação, serão separadas das cabras, pois as ovelhas conhecem a voz do Bom Pastor e O seguem. Paraíso é a felicidade de conhecer e amar a Deus, como revelado por Seu Manifestante, atingindo assim a mais alta perfeição de que o homem é capaz, e após a morte obtendo entrada no Reino de Deus e na vida eterna. Inferno é simplesmente a privação desse conhecimento de Deus, com o conseqüente insucesso em atingir a perfeição divina, e a perda do Favor Eterno. Ele declara definitivamente que estes termos não têm nenhuma outra verdadeira significação a não ser esta, e que as idéias prevalecentes sobre a ressurreição do corpo físico, um céu e um inferno materiais, e outras coisas semelhantes são meros produtos da imaginação. Ensina que há vida após a morte, e que o progresso no caminho para a perfeição é ilimitado. Ensinamentos Sociais e Éticos O Báb, em Seus Escritos, exorta Seus discípulos a distinguirem-se pela cortesia e pelo amor fraternal. Os ofícios e as artes úteis devem ser cultivados. A educação elementar deve ser geral. Nesta nova e maravilhosa Dispensação, agora em seu início, a mulher há de ter mais completa liberdade. O tesouro público terá que prover ao pobre os meios de subsistência, porém sendo estritamente proibida a mendicância, bem como o uso de bebidas alcoólicas.


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O princípio orientador do verdadeiro bábí deve ser o amor puro, sem a esperança de recompensa ou o medo de punição. Assim diz Ele no Bayán: Adora a Deus de tal modo, que se a recompensa da tua adoração a Ele fosse o fogo, nenhuma alteração sofreria a tua adoração. Adorar a Deus por medo é indigno do limiar da Sua santidade.... Assim também, se a tua contemplação estiver no Paraíso, e se tua adoração na esperança de alcançá-lo, fizeste da criação de Deus Sua co-participante. Bábís of Persia II, por professor E. G. Browne, J.R.A.S., vol. XXI, p. 931.

Paixão e Triunfo Estas palavras que acabamos de citar revelam o espírito que animou a vida inteira do Báb. Conhecer e amar a Deus, espelhar Seus atributos e preparar o caminho para Sua próxima Manifestação – estas foram a meta e o objeto único do Seu ser. Para Ele a vida não tinha terrores, nem a morte aguilhão, pois o amor expulsara o medo, e o próprio martírio não era senão o enlevo de sacrificar Seu todo aos pés do Seu Bem-Amado. Como é extraordinário que esta pura e bela Alma, este inspirado expositor da Verdade Divina, este fervoroso amante de Deus e de Seus semelhantes fosse tão odiado e finalmente morto pelos ditos religiosos de Sua época! Seguramente, nada, a não ser um preconceito irrefletido ou proposital, poderia cegar os homens ao fato de aqui haver, em verdade, um Profeta, um Santo Mensageiro de Deus. Grandeza e glória mundanas, Ele não as possuía, mas qual a maneira de se dar provas de Poder e Domínio espirituais, a não ser pela capacidade de dispensar qualquer auxílio material e triunfar sobre toda a oposição terrena, ainda mesmo a mais potente e virulenta? Como pode o Amor Divino ser demonstrado a um mundo descrente, senão pelo seu poder de resistir até o fim aos golpes da calamidade e aos dardos da aflição, ao ódio dos inimigos e à perfídia


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dos falsos amigos, levantar-se sereno sobre todos eles e, sem consternação e ressentimento, ainda perdoar e abençoar? O Báb resistiu e o Báb triunfou. Milhares sacrificaram, em dedicação à Sua Causa, todas as possessões e a própria vida, como prova da sinceridade do seu amor por Ele. Bem poderiam os reis invejar Seu poder sobre o coração e a vida dos homens. E, além disso, “Aquele que Deus tornará manifesto” apareceu, confirmou as declarações de Seu Precursor e aceitou a Sua devoção, fazendo-O partícipe da Sua Glória.


Capítulo 3

BAHÁ’U’LLÁH: A GLÓRIA DE DEUS Ó tu que esperas, não mais te demores, pois Ele já veio. Vê o Seu Tabernáculo e a Sua Glória nele encerrada. É a Glória Antiga com uma nova Manifestação. Bahá’u’lláh

Nascimento e Infância Mírzá Husayn ‘Alí, que depois adotou o título de Bahá’u’lláh (isto é, Glória de Deus), era o filho mais velho de Mírzá ‘Abbás de Núr, um vizir ou ministro de Estado. Sua família era rica e distinta, tendo muitos de seus membros ocupado cargos importantes no governo e nos serviços civil e militar da Pérsia. Ele nasceu em Teerã, capital da Pérsia, entre a alvorada e o nascer do sol no dia 12 de novembro de 1817*. Nunca freqüentou colégio ou escola, sendoLhe dada em casa a pouca instrução que recebeu. Não obstante, mesmo quando criança mostrou grande sabedoria e conhecimentos admiráveis. Quando Bahá’u’lláh ainda era moço, Seu pai morreu, deixando-O responsável pelos irmãos mais jovens e pela direção das extensas propriedades da família. Sobre os primeiros anos da vida de Bahá’u’lláh, Seu filho mais velho, ‘Abdu’l-Bahá, contou uma vez ao autor deste livro o seguinte: Desde criança, era extremamente bondoso e generoso. Gostava muito da vida campestre e passava grande parte de Seu tempo *2 de Muharram, 1233 d.h.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA nos jardins ou nos campos. Ele tinha um extraordinário poder de atração, que por todos era percebido. Sempre havia muitos que se aglomeravam ao Seu redor. Ministros e pessoas da corte O rodeavam, e crianças tinham-Lhe grande afeição. Quando contava apenas treze ou quatorze anos de idade, tornou-Se célebre pelos Seus conhecimentos. Discorria sobre qualquer assunto e resolvia qualquer problema que Lhe era apresentado. Em grandes reuniões, Ele tratava de vários assuntos com os ulemás (os mullás mais eminentes) e explicava intrincadas questões religiosas. Todos O ouviam com o maior interesse. Quando contava vinte e dois anos de idade, Bahá’u’lláh perdeu o pai e, como era costume na Pérsia, o governo quis que ocupasse o cargo do Seu pai no Ministério. Bahá’u’lláh, entretanto, recusou. O Primeiro Ministro então disse: “DeixeO. Tal posição não Lhe é digna. Ele tem em vista algum ideal mais elevado. Não O posso entender, mas estou convencido de que está destinado a alguma carreira elevada. Seus pensamentos não são iguais aos nossos. Deixe-O.”

Preso por Ser Bábí Quando, em 1844, o Báb declarou Sua missão, Bahá’u’lláh, então em Seu vigésimo sétimo ano, abraçou intrepidamente a Causa da nova Fé, da qual cedo foi reconhecido como um dos mais poderosos e destemidos expositores. Já por duas vezes havia Ele sido preso por ser adepto da Causa e, em certa ocasião, sofrido a tortura da bastonada, quando, em agosto de 1852, houve um acontecimento de terríveis conseqüências para os bábís. Sádiq, um jovem adepto do Báb, ficara tão afetado pelo martírio do seu querido Mestre, de que fora testemunha ocular, que perdeu o uso da razão e, com intuito de vingar Sua morte, armou uma cilada para o xá e disparou uma pistola contra ele. Em vez de usar uma bala, porém, carregou a arma com pequenos grãos de chumbo, e embora tivessem alguns atingido o xá, nenhum


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ferimento grave houve. O jovem arrancou o xá do seu cavalo, mas foi imediatamente preso pelos guardas de Sua Majestade e assassinado no mesmo momento. Injustamente a responsabilidade desse ato foi atribuída ao inteiro grupo dos bábís e houve, em conseqüência, um horrível massacre. Oitenta foram mortos logo em Teerã com torturas as mais revoltantes, e muitos outros, inclusive Bahá’u’lláh, aprisionados. Tempos depois, Bahá’u’lláh escreveu: Pela retidão de Deus! Nós não estávamos de modo algum ligados àquele ato perverso e Nossa inocência foi inequivocamente estabelecida pelos tribunais. Ainda assim, eles Nos prenderam e de Níyávarán, que era então a resistência de Sua Majestade, conduziram-Nos a pé e acorrentados, com a cabeça nua e os pés descalços, ao calabouço de Teerã. Um homem brutal, acompanhando-Nos a cavalo, arrancou Nosso chapéu, enquanto éramos apressados por uma tropa de carrascos e oficiais. Fomos condenados a quatro meses em um lugar imundo além de qualquer comparação. Quanto ao calabouço no qual este Injustiçado e outros similarmente injustiçados foram confinados, uma escura e estreita cova seria preferível. Após Nossa chegada fomos primeiro conduzidos ao longo de um corredor negro como breu, do qual descemos três íngremes lances de escadas até o local de confinamento a Nós designado. O calabouço estava envolto em densas trevas e Nossos companheiros de prisão contavam cerca de cento e cinqüenta almas: ladrões, assassinos e salteadores. Embora apinhado, não havia outra abertura senão a passagem pela qual entramos. Pena alguma pode descrever aquele local, língua alguma descrever seu cheiro terrível. Aqueles homens, em sua maioria, não tinham roupas nem lençóis sobre os quais deitar-se. Somente Deus sabe o que Nos aconteceu naquele lugar sumamente fétido e lúgubre! Dia e noite, enquanto confinado naquele calabouço, Nós meditamos sobre os atos, a condição e a conduta dos bábís,


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA imaginando o que poderia Ter levado um povo de tão altos princípios, tão nobre e tal inteligência, a perpetrar ato tão audacioso e ultrajante contra a pessoa de Sua Majestade. Este Injustiçado, por isso, decidiu erguer-se após ser libertado da prisão e assumir, com o máximo vigor, a tarefa de regenerar este povo. Certa noite, em um sonho, estas excelsas palavras fizeramse ouvir: “Em verdade, Nós Te faremos vitorioso por Ti mesmo e por Tua pena. Não Te lamentes por aquilo que Te sucedeu, nem tenhas medo, pois estás em segurança. Em breve Deus erguerá os tesouros da terra – homens que Te ajudarão por Ti mesmo e por Teu Nome, meio pelo qual Deus revivificou o coração daqueles que O reconheceram.” Epístola ao Filho do Lobo, pp. 37-38.

Exílio em Bagdá Durante os quatro meses desse encarceramento terrível, Bahá’u’lláh e Seus companheiros continuaram dedicados, cheios de entusiasmo e no maior contentamento. Quase diariamente, um deles era torturado ou trucidado e os outros lembrados de que a próxima vez poderia ser a sua. Quando os carrascos vinham buscar um deles, aquele cujo nome era chamado dançava, literalmente, com júbilo, beijava as mãos de Bahá’u’lláh, abraçava seus demais companheiros de crença e então apressava-se, com ânimo e alegria, para o lugar do martírio. Foi provado concludentemente que Bahá’u’lláh nenhuma parte tomara na conspiração contra o xá, e o ministro russo atestou a pureza do Seu caráter. Ele estava, além disso, tão doente, que se receava a Sua morte. Em lugar, pois, de sentenciá-Lo à morte, o xá ordenou que fosse exilado a ‘Iráq-i-‘Arab, na Mesopotâmia, e para lá, quinze dias depois, Bahá’u’lláh seguiu acompanhado de Sua família e grande número de amigos. Sofreram penosamente com o frio e com outras durezas na longa jornada de inverno, e chegaram a Bagdá em um estado de quase completa destituição.


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Assim que Sua saúde permitiu, Bahá’u’lláh começou a ensinar àqueles que pediam esclarecimentos sobre a Fé e a animar e exortar os adeptos; e em pouco tempo a paz e a felicidade reinavam entre os bábís*. Tal estado de coisas, entretanto, pouco durou. Um irmão de Bahá’u’lláh por parte do pai, Mírzá Yahyá, conhecido também por Subh-i-Azal, chegou a Bagdá e logo depois começaram a surgir divergências secretamente instigadas por ele, assim como semelhantes divisões sucederam entre os discípulos de Cristo. Essas divergências (que mais tarde, em Adrianópolis, tornaram-se abertas e violentas) eram muito penosas para Bahá’u’lláh, cujo único ideal na vida era a promoção da unidade entre os povos do mundo. Dois Anos no Deserto Cerca de um ano após Sua vinda a Bagdá, Bahá’u’lláh partiu só, para o deserto de Sulaymáníyyih, levando nada mais que uma muda de roupa. Sobre este período, Ele escreve no Kitáb-i-Íqán o seguinte: Nos primeiros dias após a Nossa chegada nesta terra, percebendo os sinais dos iminentes acontecimentos, decidimos retirar-nos antes que se realizassem. Fomos ao deserto, onde, afastados e sós, tivemos por dois anos uma vida completamente solitária. Nossos olhos vertiam lágrimas angustiosas e do Nosso coração dilacerado surgia um oceano de agônicos pesares. Muitas noites não tivemos com o que Nos sustentar; muitos dias Nosso corpo não encontrou repouso. Por Aquele que tem o Meu ser entre Suas mãos! Não obstante essas chuvas de aflições e calamidades incessantes, Nossa alma estava envolta de êxtase e todo o Nosso ser mostrava uma alegria inefável. Pois em Nossa solidão não estávamos cientes do prejuízo ou benefício, saúde ou doença, de qualquer pessoa. Inteiramente sós, comungávamos com Nosso espírito, esquecidos do mundo e de tudo o que *Isto foi no começo do ano de 1853, ou nove anos depois da Declaração do Báb, cumprindo assim certas profecias do Báb concernentes ao “ano nove”.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA nele existe. Não sabíamos, porém, que o enredo do destino divino excede ao mais vasto dos conceitos mortais, e o dardo de Seu decreto transcende o mais audaz dos planos humanos. Ninguém pode escapar aos enredos que Ele arma – nenhuma alma pode libertar-se, a não ser pela submissão à Sua Vontade. Pela justiça de Deus! Nossa retirada não contemplava regresso; Nossa separação não esperava nenhuma reunião. O único propósito de Nossa retirada foi evitar que Nos tornássemos motivo de discórdia entre os fiéis, fonte de distúrbios entre Nossos companheiros, meio de prejuízo para qualquer pessoa, ou causa de tristeza para algum coração. Além dessas, nenhuma intenção acariciávamos; fora dessas, nenhum propósito tivemos em vista. E não obstante, cada um maquinava segundo seu próprio desejo e se entregava à sua vã fantasia, até a hora em que veio da Fonte mística a ordem de que voltássemos para o lugar donde havíamos vindo. Rendendo Nossa Vontade à Sua, submetemo-nos à Sua injunção. Qual a pena que possa descrever o que foi visto por Nós ao regressarmos? Passaram-se dois anos, durante os quais Nossos inimigos maquinaram assídua e incessantemente a fim de Nos exterminar, assim como todos atestam. O Kitáb-i-Íqán, pp. 152-153.

Oposição dos Mullás Após o regresso desse retiro, Sua fama tornou-se maior do que nunca, e de toda parte iam a Bagdá muitas pessoas desejosas de vê-Lo e ouvir Seus ensinamentos. Judeus, cristãos, zoroastrianos e muçulmanos interessavam-se pela nova mensagem. Os mullás (doutores muçulmanos), entretanto, assumiram uma atitude hostil e tramaram persistentemente a Sua queda. Certa ocasião um deles foi enviado para entrevistá-Lo e fazer-Lhe algumas perguntas. O emissário achou as respostas de Bahá’u’lláh tão convincentes e Sua sabedoria tão admirável, embora evidentemente não adquirida por


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meio de estudos, que se viu obrigado a confessar ser Ele, em entendimento e sabedoria, incomparável. Entretanto, a fim de que os mullás que o haviam enviado admitissem ser Bahá’u’lláh, de fato, um Profeta, pediu-Lhe que fizesse um milagre como prova. Bahá’u’lláh expressou Sua boa vontade em aceitar a sugestão, sob certas condições, declarando que forneceria a prova desejada, ou senão, permitiria ser declarado impostor, se os mullás concordassem a respeito do milagre a ser realizado e assinassem e selassem um documento pelo qual se comprometessem, caso fosse o milagre levado a efeito, a confessar a validez da Sua missão e a cessar sua oposição a Ele. Tivesse sido o objetivo dos mullás descobrir a verdade, esta era, sem dúvida, sua oportunidade; mas sua intenção era outra. Queriam de qualquer modo uma decisão a seu próprio favor. Tinham medo da verdade, e assim recusaram o desafio audaz. O embaraço que isso lhes causou, porém, apenas instigou-os a maquinar novas conspirações para a extinção da Fé oprimida. O cônsul-geral da Pérsia em Bagdá os apoiou e mandou repetidas mensagens ao xá, alegando estar Bahá’u’lláh, mais do que nunca, prejudicando a religião maometana, e ainda exercendo uma influência maligna na Pérsia, devendo Ele, pois, ser exilado para algum lugar mais distante. Nesta crise, quando os governos iranianos e turcos, instigados pelos mullás, reuniam os seus esforços para a extirpação do Movimento, Bahá’u’lláh manteve Sua calma e serenidade características, animando e inspirando os Seus discípulos, e escrevendo palavras imperecíveis de guia e consolo. ‘Abdu’l-Bahá conta como nesse tempo Bahá’u’lláh freqüentemente ia passear ao longo das margens do Tigre, donde voltava com uma expressão alegre, escrevendo em seguida algumas daquelas jóias líricas de sábios conselhos, As Palavras Ocultas, que têm trazido consolo e alívio a milhares de corações aflitos e magoados. Por alguns anos só existiam poucos exemplares manuscritos de As Palavras Ocultas, os quais tiveram de ser cuidadosamente escondidos para que não caíssem nas mãos dos numerosos inimigos, mas esse pequeno livro é agora, provavelmente, a mais conhecida de todas as obras de Bahá’u’lláh,


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sendo lido em todos os cantos do globo. O Kitáb-i-Íqán é outra obra de Bahá’u’lláh muito conhecida, escrita mais ou menos no mesmo período, por volta do fim de Sua estada em Bagdá (18621863). Declaração em Ridván*, Proximidades de Bagdá Após muitas negociações, a pedido do governo iraniano, foi assinada pelo governo da Turquia uma ordem chamando Bahá’u’lláh a Constantinopla. Essa notícia causou grande consternação entre Seus discípulos. Afluíram à casa de seu bem-amado Mestre, a tal ponto que a família, enquanto a caravana se preparava para a longa jornada, acampou por doze dias no jardim de Najíb Páshá, fora da cidade. Foi durante estes doze dias (21 de abril a 2 de maio de 1863, isto é, dezenove anos após a declaração do Báb) que Bahá’u’lláh deu a vários dos Seus adeptos as boas novas de ser Ele próprio o Predito pelo Báb, o Escolhido de Deus, o Prometido de todos os Profetas. O jardim onde foi feita essa memorável Declaração veio a ser desde então conhecido pelos bahá’ís por “Jardim de Ridván”, e os dias que Bahá’u’lláh ali passou são comemorados com a “Festa do Ridván”, anualmente celebrada no aniversário desses doze dias. Durante aqueles dias, em vez de tristeza ou desalento, Bahá’u’lláh mostrou o maior contentamento, dignidade e poder. Seus discípulos tornaram-se alegres e entusiasmados, e grandes multidões vieram prestar-Lhe seus respeitos. Todas as notabilidades de Bagdá, inclusive o próprio governador, vieram prestar suas homenagens ao Prisioneiro que iria partir. Constantinopla e Adrianópolis A viagem a Constantinopla durou de três a quatro meses, sendo o grupo composto por Bahá’u’lláh, membros de Sua família e vinte e seis discípulos. Ao chegarem em Constantinopla ficaram prisioneiros numa pequena casa que muito mal os comportava. Mais *Pronuncia-se Rezván.


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tarde conseguiram alojamentos um pouco melhores, mas decorridos quatro meses foram transferidos novamente, desta vez para Adrianópolis. Embora durasse poucos dias, a viagem a Adrianópolis foi a mais terrível que realizaram. Durante quase todo o tempo a neve caía pesadamente e, como estavam desprovidos de roupas apropriadas e de alimentos, seus sofrimentos foram extremos. No primeiro inverno em Adrianópolis, Bahá’u’lláh e Sua família, composta de doze pessoas, foram acomodados numa pequena casa de três cômodos, sem conforto e infestada de ratos e insetos. Na primavera obtiveram alojamento mais confortável. Aqui passaram mais de quatro anos e meio, e Bahá’u’lláh recomeçou a ensinar, congregando ao Seu redor um grupo numeroso. Anunciou publicamente Sua missão e foi entusiasticamente aceito pela maioria dos bábís, que daí em diante tornaram-se conhecidos por bahá’ís. Uma minoria, entretanto, sob liderança do meio-irmão de Bahá’u’lláh, Mírzá Yahyá, fez-Lhe violenta oposição, e uniu-se aos antigos inimigos, os xiitas, com quem planejou Sua queda. Seguiram-se grandes distúrbios e, por fim, o governo turco baniu a ambos, bábís e bahá’ís, de Adrianópolis, exilando Bahá’u’lláh e Seus adeptos para ‘Akká, na Palestina, onde chegaram, segundo Nabíl*, em 31 de agosto de 1868, enquanto Mírzá Yahyá e o seu grupo foram mandados a Chipre. Cartas aos Reis Nesse período, Bahá’u’lláh escreveu Sua famosa série de cartas ao sultão da Turquia, a muitas das cabeças coroadas da Europa, ao papa e ao xá da Pérsia. Mais tarde, em Seu Kitáb-i-Aqdas†, dirigiuSe a outros soberanos, aos governantes e presidentes da América, aos dirigentes da religião em geral e a todo o gênero humano. Anunciou a todos Sua missão, exortando-os a dedicar suas energias ao estabelecimento da verdadeira religião, de um governo justo e da paz internacional. Em Sua carta ao xá, Ele pleiteou com veemência a causa dos oprimidos bábís e pediu para ser levado à presença *Narrador da história dos primeiros anos da Fé, contada em Os Rompedores da Alvorada. Nabíl foi participante de algumas das cenas que descreve e conheceu pessoalmente muitos dos primeiros crentes. †O Aqdas, Kitáb-i-Aqdas, O Livro de Aqdas e O Livro Mais Sagrado, todos referem-se ao mesmo livro.


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daqueles que haviam instigado sua perseguição. Desnecessário dizer que não se satisfez esse pedido. Badí‘, o jovem e devotado discípulo que entregou a carta de Bahá’u’lláh, foi preso e martirizado com terríveis torturas, sendo-lhe aplicados ao corpo tijolos de barro quente! Na mesma carta Bahá’u’lláh faz a mais comovente descrição de Seus próprios sofrimentos e anseios: Tenho visto, ó xá, no caminho de Deus, o que olhos jamais viram nem ouvidos ouviram. Meus conhecidos Me repudiaram e Meus caminhos se estreitaram. A fonte do bemestar secou-se e as folhas do caramanchão da tranqüilidade murcharam. Quão numerosas as tribulações que choveram, e que em breve choverão sobre Mim. Sigo adiante, com a face volvida para Aquele que é o Onipotente, o TodoGeneroso, enquanto atrás de Mim desliza a serpente. Meus olhos têm derramado lágrimas até ensopar Meu leito. Minha tristeza não é por Minha própria causa, entretanto. Por Deus! Nunca passei por uma árvore sem que Meu coração não lhe tivesse dirigido estas palavras: “Oxalá fosses cortada em Meu nome, e Meu corpo sobre ti crucificado, na vereda de Meu senhor!”, pois vejo o povo vagando desatento e inconsciente em seu estupor embriagado. Elevaram às alturas suas paixões e diminuíram seu Deus. Parece-Me que tomaram Sua Causa por zombaria e a consideram uma brincadeira e um passatempo, acreditando o tempo todo que agem bem, e que habitam com segurança na cidadela da proteção. Não obstante, o assunto não é como eles insensatamente imaginam: amanhã verão aquilo que hoje estão habituados a negar! Dentro em breve, os expoentes da riqueza e do poder Nos banirão da terra de Adrianópolis para a cidade de ‘Akká. De acordo com o que se diz, é a mais desoladora cidade de todo o mundo, a de mais feio aspecto, mais detestável por ser a metrópole das corujas, dentro de cujos arredores nada se pode *A fim de serem sepultados dois daqueles que morreram, Bahá’u’lláh deu Seu próprio tapete para que, com o produto da sua venda, se atendesse às despesas do sepultamento, mas, em lugar de usarem o dinheiro para esse fim os soldados lançaram mão dele e jogaram os cadáveres num buraco feito na terra. (‘Abu’l-Husayn Ávárih Tafti, historiador persa.)


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ouvir, salvo o eco de seu lamento. Lá resolveram aprisionar este Servo, para que se fechem, diante de Nossas Faces, as portas da tranqüilidade e do conforto, e para nos privarem de cada benefício deste mundo, ao longo do restante de nossos dias. Por Deus! Embora a fadiga Me abata e a fome Me consuma, a rocha dura seja Meu leito e as feras do deserto Minhas companheiras, não Me queixarei, mas, sim, sofrerei pacientemente, como sofreram aqueles dotados de constância e firmeza, através do poder de Deus, o Rei Eterno e Criador das nações, e agradecerei a Deus sob todas as condições. Pedimos que, por Sua bondade – exaltado seja Ele Pedimos que, por Sua bondade – exaltado seja Ele – através deste encarceramento, Ele livre das cadeias e correntes os pescoços dos homens e os leve a volverem-se, com face sincera, para a Face dAquele que é o Potente, o Generoso. Prontamente, Ele responde a quem O invoca, e próximo está de quem com Ele comunga. Imploramos, ademais, que Ele faça desta tribulação sombria uma proteção para o Templo de Sua Causa, e a proteja do ataque das espadas afiadas e das adagas pontiagudas. A adversidade tem sempre dado origem à exaltação de Sua Causa e à glorificação de Seu Nome. Tal tem sido o método de Deus levado a cabo nos séculos e eras passadas. ‘Abdu’l-Bahá. Narrativa de um Viajante, pp. 111-112.

Prisão em ‘Akká Naquele tempo ‘Akká (Acre) era uma cidade-prisão para onde eram mandados os piores criminosos de toda parte do Império Turco. Aí chegando, após uma penosíssima travessia marítima, Bahá’u’lláh e Seus adeptos – uns oitenta a oitenta e quatro, incluindo homens, mulheres e crianças – foram encarcerados no quartel do exército. Estava extremamente sujo e sombrio. Não havia camas nem conforto de espécie alguma. O alimento era tão ruim e insuficiente que, depois de algum tempo, os presos imploraram permissão para comprar sua própria comida. Durante os primeiros dias as crianças


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choravam continuamente e era quase impossível dormir. Malária, disenteria e outras doenças cedo se manifestaram, e todos, com exceção de dois, caíram vítimas. Três faleceram, e os sofrimentos dos sobreviventes eram indescritíveis*. Essa prisão rigorosa durou por mais de dois anos e, durante este período a nenhum dos bahá’ís era permitido transpor os umbrais da porta da prisão, a não ser no caso de quatro homens que saíam diariamente sob cuidadosa vigilância para comprar alimentos. Durante o encarceramento no quartel, visitas aos presos eram estritamente proibidas. Vários bahá’ís da Pérsia fizeram todo o caminho a pé, a fim de verem seu querido Líder, mas não lhes foi permitido adentrar as muralhas da cidade. Costumavam ir a uma planície além do terceiro fosso, donde podiam ver as janelas do compartimento de Bahá’u’lláh, que a eles Se mostrava numa das janelas. Depois de fitá-Lo à distância, voltavam em prantos para seus lares, mas inflamados com um novo entusiasmo pelo sacrifício e dedicação. Restrições Abrandadas A prisão foi por fim mitigada. Houve mobilização das tropas turcas e o quartel foi requisitado para os soldados. Bahá’u’lláh e Sua família foram transferidos para uma casa nas imediações e Seus adeptos foram acomodados numa estalagem na cidade. Bahá’u’lláh permaneceu por mais sete anos confinado nessa casa. Num pequeno quarto próximo àquele que Lhe foi designado, treze pessoas de Sua família, de ambos os sexos, tiveram que se acomodar como melhor puderam! No início de sua permanência nesta casa, sofreram excessivamente em conseqüência da insuficiente acomodação, alimentação inadequada e falta das comodidades usuais da vida. Depois de certo tempo, porém, alguns quartos adicionais foram postos à sua disposição, podendo eles assim viver com relativo conforto. Depois que Bahá’u’lláh e Seus companheiros deixaram o quartel, visitas eram-lhes permitidas, e gradativamente as severas


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restrições impostas pelas ordens imperiais foram sendo relaxadas mais e mais, embora de vez em quando novamente impostas por algum tempo. Abrem-se os Portões da Prisão Mesmo durante a pior época de encarceramento, os bahá’ís não desanimaram e sua serena confiança jamais foi abalada. Enquanto ainda no quartel de ‘Akká, Bahá’u’lláh escreveu a alguns amigos: “Não tenhais medo. Estas portas abrir-se-ão. Minha tenda será erguida no Monte Carmelo e o maior contentamento será alcançado.” Esta declaração foi uma grande fonte de consolo para Seus adeptos e, no devido tempo, foi literalmente cumprida. A história de como se abriram as portas da prisão é melhor contada nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, traduzidas pelo Seu neto, Shoghi Effendi: Bahá’u’lláh amava a beleza e o verdor dos campos. Um dia Ele fez a seguinte observação: “Há nove anos não vejo o verdor dos campos. O campo é o mundo da alma, a cidade é o mundo do corpo.” Ao saber indiretamente destas palavras, compreendi que Ele desejava ir ao campo e eu estava certo que seria bem sucedido em qualquer tentativa de satisfazer esse Seu desejo. Havia em ‘Akká, nesse tempo, um homem chamado Muhammad Páshá Safwat, que nos fazia muita oposição. Ele tinha um palácio chamado Mazra‘ih, a cerca de seis quilômetros e meio ao norte da cidade, um lugar muito aprazível, cercado por jardins e com água corrente. Fui fazer uma visita a esse páshá. Disse-lhe: “Pashá, deixastes vazio o vosso palácio e estais vivendo em ‘Akká.” Ele retrucou: “Sou inválido, não posso deixar a cidade. Se for para o campo ficarei só, privado da companhia de meus amigos.” “Enquanto não estiverdes morando lá e a casa estiver desocupada, alugai-a para nós”, disse-lhe eu. A princípio surpreendeu-se com a proposta, mas logo consentiu. Arrendei a propriedade por um preço muito baixo, cerca de cinco libras esterlinas anuais,


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA paguei-o por cinco anos e assinei um contrato. Enviei trabalhadores para fazer alguns reparos na casa, tratar do jardim e construir um banheiro. Também havia preparado uma carruagem para o uso da Abençoada Beleza*. Um dia, resolvi ir ver o lugar. Não obstante as reiteradas ordens contidas em sucessivos firmãs [ordem emanada de um soberano ou autoridade muçulmana] proibindo a nossa passagem além dos muros da cidade, saí pelo portão da cidade. Soldados estavam de guarda, mas não fizeram nenhuma objeção; então fui diretamente ao palácio. No dia seguinte saí novamente, acompanhado de alguns amigos e oficiais, sem sermos molestados ou barrados, embora os guardas e sentinelas estivessem a postos em ambos os lados dos portões da cidade. Em outra ocasião, convidei os oficiais e notabilidades de ‘Akká para um banquete, que eu havia preparado, à sombra dos pinheiros de Bahjí, e à noite todos regressamos à cidade juntos. Um dia, fui à Santa Presença da Abençoada Beleza e disse: “O palácio de Mazra‘ih está pronto para Vós, como também uma carruagem para Vos conduzir até lá.” Bahá’u’lláh recusou-Se a ir, dizendo-me: “Sou prisioneiro.” Mais tarde, pedi-Lhe outra vez, mas recebi a mesma resposta. Pela terceira vez voltei à Sua presença, mas Ele ainda disse “Não!”, e eu não ousei insistir mais. Havia, entretanto, em ‘Akká, um certo Muhammadan Shaykh, homem bem conhecido e de muita influência, que tinha uma grande afeição por Bahá’u’lláh e a quem Ele concedia muitos favores. Chamei esse shaykh e expus-lhe a situação. Eu disse: “Vós sois ousado. Ide hoje à noite à Sua Santa Presença, ajoelhai-vos diante dEle, seguraiLhe as mãos e não O deixeis enquanto não vos prometer sair da cidade”!... Ele era árabe... foi diretamente a Bahá’u’lláh e sentou-se perto de Seus joelhos. Tomando as mãos da Abençoada Beleza e beijando-as, perguntou: “Por que não deixais a cidade”? “Sou prisioneiro”, disse Bahá’u’lláh. “Deus nos livre!”, respondeu o shaykh, “Quem tem o poder de Vos

*Jamál-i-Mubárak (literalmente, Abençoada Beleza), título freqüentemente aplicado a Bahá’u’lláh pelos Seus adeptos e amigos.


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fazer prisioneiro? Vós Vos tendes conservado na prisão. Foi Vossa própria vontade ser encarcerado e agora Vos imploro a sair e ir ao palácio. Está bonito e verdejante. As árvores estão lindas, e as laranjas parecem bolas de fogo!” Assim que a Abençoada Beleza dizia, “Sou um prisioneiro, não pode ser”, o shaykh tomava Suas mãos e beijava-as. Por uma hora inteira esteve a implorar. Finalmente Bahá’u’lláh disse, “khaylí khub” (muito bem) e, assim, a paciência e a persistência do shaykh foram recompensadas*. Ele veio com grande alegria dar-me as boas novas do consentimento de Sua Santidade. A despeito do estrito firmã de ‘Abdu’l-‘Azíz que me proibia de encontrarme ou de ter qualquer relacionamento com a Abençoada Perfeição, tomei a carruagem no dia seguinte e O levei até o palácio. Ninguém fez qualquer objeção. Durante dois anos Bahá’u’lláh permaneceu nesse fascinante e encantador lugar. Foi então decidido que nos mudássemos para uma outra casa em Bahjí. Por causa de uma epidemia, irrompida em Bahjí, o dono da casa, com toda a família, havia-se retirado com pavor, disposto a cedêla gratuitamente a qualquer pretendente. Alugamos a casa por um preço muito baixo, e aí foram as portas da majestade e da verdadeira soberania completamente abertas. Embora nominalmente um prisioneiro (pois os severos firmãs do sultão ‘Abdu’l-‘Azíz nunca foram anulados), Bahá’u’lláh mostrava de fato tal nobreza e dignidade em Seu porte e Sua vida, que todos Lhe tinham grande reverência e os governantes da Palestina invejavam-Lhe a influência e o poder. Governadores e mutasarrifs, generais e altos funcionários do lugar solicitavam-Lhe humildemente a honra de serem admitidos à Sua presença – pedido a que raramente Ele acedia. Em uma ocasião, um governador da cidade implorou este favor porque havia recebido de autoridades superiores a ordem de ir, acompanhado de certo general, visitar a Abençoada Perfeição. Sendo satisfeito o pedido, foram; e o general, que era europeu e um homem muito corpulento, ficou tão *Khayli khúb é língua persa. Shaykh ‘Alíy-i-Mirí era o mutfí de ‘Akká.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA impressionado com a majestosa presença de Bahá’u’lláh que permaneceu ajoelhado próximo à porta. Tal foi o constrangimento de ambos os visitantes que somente depois de repetidos convites feitos por Bahá’u’lláh, foram induzidos a fumar o narguilé* oferecido. Mesmo assim, apenas o tocaram com os lábios e então, pondo-o de lado, cruzaram os braços e sentaram-se numa atitude de tal humildade e respeito que deixou pasmos todos aqueles que estavam presentes. A amorosa reverência dos amigos, a consideração e o respeito que Lhe eram mostrados por todos os oficiais e pessoas proeminentes, a onda de peregrinos e outros em busca da verdade, o espírito de devoção e serviço evidente por toda a parte, o semblante majestoso e augusto da Abençoada Perfeição, a eficácia de Seu mando, o número de Seus zelosos adeptos – tudo isto testemunhava o fato de que na realidade Bahá’u’lláh não era um prisioneiro e, sim, um Rei dos Reis. Dois soberanos déspotas Lhe faziam oposição, dois poderosos e autocráticos governantes, mas mesmo enquanto encarcerado em suas prisões, Bahá’u’lláh dirigiu-Se a eles em termos os mais austeros, como se fosse um rei dirigindo-se aos seus súditos. Mais tarde, a despeito dos severos firmãs, Ele continuou a viver em Bahjí como um príncipe. Muitas vezes dizia: ”Em verdade, em verdade, a prisão mais vil foi convertida num Paraíso de Éden.” Não se testemunhou tal coisa, certamente, desde a criação do mundo.

Sua Vida em Bahjí Tendo nos primeiros anos de durezas mostrado como se deve glorificar a Deus, embora num estado de pobreza e ignomínia, Bahá’u’lláh nos Seus últimos anos de vida em Bahjí, mostrou como se deve glorificar a Deus, sob uma condição de honra e afluência. As ofertas de centenas de milhares de devotados adeptos colocaram à Sua disposição vastos cabedais que Lhe coube administrar. Apesar *Cachimbo largamente usado pelos turcos, hindus e persas composto de um fornilho, um tubo, e vaso cheio de água perfumada que o fumo atravessa antes de chegar à boca.


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de ter-se descrito a Sua vida em Bahjí como realmente majestosa no mais elevado sentido da palavra, não se deve imaginar, porém, que fosse caracterizada por esplendor material ou extravagância. A Abençoada Perfeição e Sua família viviam com a maior simplicidade e modéstia; o gasto com luxo egoísta era coisa desconhecida naquele lar. Perto de Sua casa os adeptos prepararam um jardim que denominaram Ridván, no qual Ele passava muitos dias consecutivos ou mesmo semanas, dormindo à noite numa pequena cabana. De vez em quando Ele ia mais longe fazendo várias visitas a ‘Akká e Haifa e, mais de uma vez, armou Sua tenda no Monte Carmelo, como Ele predissera enquanto ainda encarcerado no quartel de ‘Akká. A maior parte do tempo de Bahá’u’lláh era dedicada à prece e meditação, à revelação dos Livros Sagrados e Epístolas e à educação espiritual dos amigos. A fim de Lhe dar toda a liberdade que essa grande obra reclamava, ‘Abdu’l Bahá encarregou-se dos demais afazeres, incumbindo-se até mesmo de receber os mullás, poetas e membros do governo. Todos estes ficavam encantados e contentes ao conhecerem ‘Abdu’l-Bahá, e inteiramente satisfeitos com Suas explicações e palestras. E, embora não houvessem encontrado o próprio Bahá’u’lláh, tornavam-se plenos de sentimento de amizade por Ele, através do relacionamento com Seu filho, pois a atitude de ‘Abdu’l-Bahá fazia-os compreenderem a posição de Seu pai. O eminente orientalista, o falecido professor Edward G. Browne, da Universidade de Cambridge, visitou Bahá’u’lláh em Bahjí, em 1890, e registrou suas impressões, como segue: ...O meu guia parou por um momento enquanto eu tirava os sapatos. Então, com um rápido movimento de mão, retirouse e, enquanto eu passava, repôs as cortinas; e encontrei-me numa ampla sala, em cujo fim achava-se um baixo divã, havendo do lado oposto à porta duas ou três cadeiras. Embora vagamente suspeitasse para onde ia e com quem haveria de estar (pois nenhuma informação clara me fora dada), passaram-se um ou dois segundos antes que eu, palpitante de admiração e reverência, tomasse finalmente consciência


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA de que a sala não estava deserta. No canto onde o divã tocava a parede, sentava-se uma maravilhosa e venerável figura, coroada de um taj de feltro, do tipo usado pelos dervixes (mas de altura e feitio não comuns), ao redor do qual estava enrolado um pequeno turbante branco. Jamais posso esquecerme da fisionomia daquele a quem olhava, embora não possa descrevê-la. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler-nos a própria alma; poder e autoridade residiam naquela testa larga, enquanto as linhas profundas na fronte e rosto indicavam uma idade que os cabelos pretos de azeviche e a barba que, em indistinguível magnificência, quase tocava a cintura, pareciam desmentir. Não me foi preciso perguntar em presença de quem eu estava, enquanto curvei-me diante daquele que é o objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores almejar em vão! Uma voz cheia de dignidade e brandura convidou-me a sentar e então prosseguiu: “Louvado seja Deus por haveres alcançado!... Vieste ver um prisioneiro e exilado... Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; não obstante, consideram-Nos instigador de discórdia e sedição, merecedor de cativeiro e banimento.... Que todas as nações tornem-se uma na Fé e todos os homens venham a ser como irmãos; que os laços de afeição e unidade entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas – que mal há nisto?... E assim há de ser: essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar e a ‘Paz Máxima’ há de chegar... Vós, na Europa, não precisais disso também? Não é o que Cristo predisse?... Vemos, entretanto, vossos reis e governantes gastarem seus tesouros mais livremente com meios de destruição da humanidade do que com aquilo que poderia conduzi-la à felicidade... Estas lutas, esta carnificina e discórdia devem cessar e todos os homens serem como uma família... Que o homem não se vanglorie pelo amor a sua pátria e, sim, pelo amor a sua espécie...”


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Se bem posso recordá-las, tais foram as palavras que, além de muitas outras, ouvi de Behá*. Que aqueles que as lêem, julguem por si mesmos se o propagador de tais doutrinas merece morte e encarceramento, e se é mais provável que o mundo ganhe ou perca com a sua difusão. A Traveller’s Narrative, p. 39.

Ascensão Assim passou Bahá’u’lláh, simples e serenamente, o outono da Sua vida na terra, até que, após um ataque de febre, expirou, em 29 de maio de 1892, com a idade de setenta e cinco anos. Entre as últimas Epístolas por Ele reveladas, figura Sua Vontade e Testamento, escrita de Seu próprio punho. Nove dias após Sua morte os selos foram rompidos pelo Seu filho mais velho na presença dos membros da família e de alguns amigos, e o seu conteúdo, curto mas notável, foi revelado. Por este Testamento, ‘Abdu’l-Bahá foi constituído o representante de Seu pai e o expositor de Seus ensinamentos, e a família e demais parentes de Bahá’u’lláh e todos os adeptos foram instruídos a dirigirem-se a Ele e obedecer-Lhe. Isso constituiu uma barreira contra o sectarismo e dissensão, e uma garantia à unidade da Causa. Bahá’u’lláh como Profeta É importante ter-se uma idéia clara de Bahá’u’lláh como Profeta. Seus discursos, como os dos outros Manifestantes Divinos, podem ser divididos em duas classes: uma, em que Ele escreve ou fala simplesmente como um homem a quem Deus encarregou de levar uma mensagem à humanidade, e outra, em que as palavras são proferidas como se viessem diretamente de Deus. No Kitáb-i-Íqán, Ele diz:

*Bahá’u’lláh.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Nas páginas precedentes já designamos dois graus para cada um desses Luminares oriundos das Auroras da santidade eterna. Um deles, o grau da unidade essencial, já explicamos. “Nenhuma distinção fazemos entre eles”. (Alcorão, 2:136) O outro é o grau da distinção e pertence ao mundo da criação e às suas limitações. Neste sentido, cada Manifestante de Deus tem uma individualidade distinta, sua Missão definitivamente prescrita, uma Revelação predestinada e limitações especialmente designadas. Cada um deles é conhecido por um nome diferente, é caracterizado por um atributo especial, cumpre uma certa Missão e lhe é confiada uma Revelação distinta. Assim mesmo como Ele diz: “A alguns dos Apóstolos Nós fizemos exceder aos outros. A alguns Deus falou e a alguns elevou e enalteceu. E a Jesus, Filho de Maria, demos sinais manifestos e Nós O fortalecemos com o Espírito Santo...” É por causa desta diferença em seu grau e sua missão, que as palavras que provêm desses Mananciais do conhecimento divino parecem divergir. Não fora isso, e todas as suas palavras – aos olhos daqueles iniciados nos mistérios da sabedoria divina – seriam, na realidade, apenas expressões de uma mesma Verdade. Como a maioria dos homens não soube apreciar esses graus aos quais nos referimos, sente-se, portanto, confusa e atônita diante das afirmações tão divergentes pronunciadas por Manifestantes que são, essencialmente, um e o mesmo. Assim, pois, quando aquelas Essências da existência são consideradas do ponto de vista de sua unidade e seu sublime desprendimento, os atributos de Deidade, Divindade, Suprema Unicidade e Mais Íntima Essência, lhes têm sido e são aplicáveis, já que todas permanecem no trono da Revelação divina, estabelecidas sobre o assento da Ocultação divina. Com seu aparecimento, a Revelação de Deus se manifesta, e através de seu semblante, a Beleza de Deus se revela. Assim é que se têm ouvido os acentos do próprio Deus pronunciados por esses Manifestantes do Ser Divino.


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Vistos à luz de seu segundo grau – o grau da distinção, da diferenciação, das limitações, características e normas temporais – eles manifestam servitude absoluta, extrema beleza e abnegação completa. Assim como Ele diz: “Sou o servo de Deus. Sou apenas um homem como vós”... Se qualquer um dos Manifestantes de Deus – Aqueles que a tudo abrangem – declarasse: “Sou Deus!”, Ele certamente diria a verdade, sem a menor dúvida. Pois já foi demonstrado, repetidas vezes, que, através de sua Revelação, seus atributos e nomes, se tornam manifestos no mundo a Revelação, o Nome e os atributos de Deus. Assim Ele revelou: “Aqueles dardos pertenciam a Deus; não foram Teus!” (Alcorão, 8:17) E diz também: “Em verdade, aqueles que hipotecaram fidelidade a Ti, hipotecaram, realmente, fidelidade a Deus.” (Alcorão, 48:10) E se qualquer deles proferisse estas palavras: “Sou o Mensageiro de Deus,” Ele também estaria dizendo a verdade, a verdade indubitável. Assim como Ele diz: “Muhammad não é pai de homem algum entre vós, mas Ele é o Mensageiro de Deus.” Vistos a essa luz, todos eles são apenas Mensageiros daquele Rei ideal, daquela Essência imutável. E se todos proclamassem: “Sou o Selo dos Profetas,” realmente só diriam a verdade, sem qualquer sombra de dúvida. Pois eles todos não são mais que uma só pessoa, uma só alma, um só espírito, um único ser, uma única revelação. Todos manifestam o “Princípio” e o “Fim”, o “Primeiro” e o “Último”, o “Visível” e o “Oculto” – tudo o que se refere Àquele Que é o mais íntimo Espírito dos Espíritos e a eterna Essência das Essências. E se dissessem: “Somos os servos de Deus,” (Alcorão, 33:40) isso também é um fato manifesto e indiscutível. Pois eles se manifestaram no máximo grau de servitude – como nunca homem algum atingirá. Assim, essas Essências da vida, em momentos em que estavam profundamente imersas nos oceanos da antiga e sempiterna santidade, ou quando se elevavam até os mais sublimes ápices dos mistérios divinos, declaravam ser sua voz a Voz da Divindade, o Chamado do próprio Deus. Se os olhos do


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA discernimento se abrissem, perceberiam que, até neste estado, eles se consideravam a si mesmos como inteiramente obliterados e inexistentes diante dAquele Que é o Onipresente, o Incorruptível. Parece-me que a si mesmos se julgaram um simples nada e acharam sua própria menção naquela Corte um ato de blasfêmia. Pois o menor sussurro do ego dentro daquela Corte, evidencia engrandecimento próprio e existência independente. Aos olhos dos que atingiram essa Corte, meramente sugerir isso é, em si, uma grave transgressão. Quanto mais grave seria, se qualquer outra coisa fosse mencionada naquela Presença, se o coração do homem, a língua, a mente, ou a alma, se ocupasse com alguém que não fosse o Bem-Amado, se os olhos contemplassem qualquer outro semblante e não Sua beleza, se o ouvido se inclinasse para alguma outra melodia em vez de Sua voz e os pés algum caminho trilhassem que não fosse o Seu. Neste dia sopra a brisa de Deus, e Seu Espírito atingiu todas as coisas. Tão grande é a efusão de Sua graça que a pena deixa de se mover e a língua emudece. Em virtude deste grau, reclamaram para si a Voz da Divindade e coisas semelhantes, enquanto declarando, em virtude de seu grau de Mensageiro, que eram os Mensageiros de Deus. Em cada caso, pronunciavam aquilo que conformava às exigências da ocasião e atribuíam a si próprios todas essas declarações – declarações que se estendem desde o reino da Revelação divina até o reino da criação, e desde o domínio da Divindade até mesmo o domínio da existência terrestre. Assim é que, seja qual for sua asserção – quer se refira ao reino da Divindade, ou ao de Senhor, ou Profeta, Mensageiro, Guardião, ou Apóstolo, ou ao da Servitude – indubitavelmente, tudo é verdade. Essas asserções, portanto, que citamos para sustentar Nosso argumento, devem ser consideradas atentamente, a fim de que as declarações divergentes feitas por esses Manifestantes do Invisível, essas Auroras da Santidade, deixem de agitar a alma e confundir a mente. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Íqán, pp. 109-112.


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Quando Bahá’u’lláh fala como um simples homem, o grau que Ele assevera para Si é o de absoluta humildade, da “extinção de Si próprio em Deus”. O que distingue o Manifestante em Sua personalidade humana dos outros homens é Sua completa abnegação, como também a perfeição das Suas faculdades. Em todas as circunstâncias pode Ele dizer, como disse Jesus no Jardim de Getsêmani: “Todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua.” (Lc, 22:42) Assim em Sua Epístola ao xá, Bahá’u’lláh diz: Ó rei! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito, mas eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento de tudo o que existe. Isso não provém de Mim, mas de Um que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. E Ele ordenou que Eu levantasse Minha voz entre a terra e o céu, e por isso Me sucedeu o que fez correrem as lágrimas de todo homem de compreensão. A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei em suas escolas. Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade de teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de todo louvor. Poderá aquietar-se quando soprarem os ventos tempestuosos? Não, por Aquele que é o Senhor de todos os Nomes e Atributos! Movem-na a seu bel-prazer. O efêmero afigura-se como nada perante Aquele que é o Sempiterno. Seu chamado predominante atingiu-Me e Me fez expressar Seu louvor entre todos os povos. Em verdade, estava eu como morto, quando Seu imperativo foi enunciado. A mão da Vontade de teu Senhor, o Compassivo, o Misericordioso, transformou-Me. Poderá alguém pronunciar espontaneamente o que faça todos os homens, grandes e humildes, contra ele protestarem? Não, por Aquele que ensinou à Pena os mistérios eternos, salvo quem fosse fortalecido pela graça do Onipotente, do Todo-Poderoso. O Chamado do Senhor das Hostes, pp. 80-81.


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Assim como Jesus lavava os pés de Seus discípulos, Bahá’u’lláh costumava às vezes preparar os alimentos ou prestar outros serviços humildes a Seus adeptos. Era o servo dos servos, e só Se gloriava em servir, contente em dormir no chão duro, se necessário fosse, em viver de pão e água, ou mesmo, certas vezes, daquilo que Ele chamava “o sustento divino, isto é, a fome!” Sua perfeita humildade era percebida em Sua profunda reverência à natureza, à natureza humana, e especialmente aos santos, profetas e mártires. Para Ele, todas as coisas falavam de Deus, da mais insignificante à mais elevada. Deus escolhera Sua personalidade humana para ser o PortaVoz e Pena Divinos. Não foi por Sua própria vontade que Ele assumiu tal posição de dificuldades e durezas sem paralelo. Assim como Jesus disse: “Meu Pai, se for possível, afaste de Mim esse cálice,” Bahá’u’lláh declarou: “Houvesse outro expositor ou porta-voz sido encontrado, não Nos teríamos feito objeto de censura, escárnio e calúnias por parte do povo” (Epístola de Ishráqát). Mas o chamado divino foi claro e imperativo, e Ele obedeceu. A vontade de Deus tornou-se a Sua vontade, e o agrado de Deus, Seu agrado; e com “aquiescência radiante” Ele declarou: Em verdade Eu digo: Tudo o que ocorre no caminho de Deus é o anseio da alma e o desejo do coração. Em Seu caminho, o veneno mortal é puro mel e cada tribulação um gole de água cristalina. Bahá’u’lláh. Epístola ao Filho do Lobo, p. 35.

Em outras ocasiões, como já mencionamos, Bahá’u’lláh fala “com a voz de Divindade”. Quando assim fala, Sua personalidade humana é tão completamente subordinada que é deixada inteiramente de lado. Por Seu intermédio, Deus dirige-Se às Suas criaturas, proclamando Seu amor por elas, ensinando-lhes Seus atributos, tornando conhecida Sua vontade, anunciando Suas leis para guiá-las, e pedindo-lhes seu amor, sua fidelidade e dedicação. Nos Escritos de Bahá’u’lláh, dá-se freqüentemente a mudança de uma para outra destas formas. Algumas vezes, é evidente ser o


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homem que fala; depois, sem interrupção, prossegue como se Deus estivesse falando na primeira pessoa. Mesmo quando falando como um homem, entretanto, Bahá’u’lláh fala como Mensageiro de Deus, como o exemplo vivo da completa devoção à vontade de Deus. Sua vida inteira é atuada pelo Espírito Santo. Não se pode, pois, traçar uma linha definitiva entre os elementos humanos e os divinos em Sua vida ou ensinamentos. Diz-Lhe Deus: Dize: Nada é visto em Meu templo, exceto o Templo de Deus e em Minha beleza, salvo a Sua Beleza e em Meu ser, salvo Seu Ser, em Mim próprio, salvo Ele próprio e em Meu movimento, salvo Seu Movimento e em Minha aquiescência, salvo Sua Aquiescência e em Minha pena, salvo Sua Pena, a Poderosa, a Toda-Louvada. Nada tem existido em Minha alma, salvo a Verdade, e em Mim nada pode ser visto, exceto Deus. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, p. 18.

Sua Missão A missão de Bahá’u’lláh no mundo é realizar a Unidade – Unidade de todo o gênero humano em Deus e através dEle. “Esta palavra sublime”, diz Ele: “é o fruto Todo-Glorioso da Árvore da Sabedoria: vós todos sois os frutos de uma só Árvore, e as folhas de um mesmo Ramo. Que o homem não se vanglorie pelo amor à sua pátria, e sim pelo amor à sua espécie.” Profetas anteriores prenunciaram uma era de paz na terra e boa vontade entre os homens, e deram Suas vidas para apressar seu advento, mas todos Eles declararam claramente que essa abençoada consumação só seria realizada após a “Vinda do Senhor” nos últimos dias, quando os maus seriam julgados e os justos recompensados. Zoroastro predisse três mil anos de conflito antes do advento do Sháh Bahrám, o salvador do mundo, que haveria de dominar Ahríman, o espírito do mal, e estabelecer um reinado de paz e retidão.


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Moisés predisse um longo período de exílio, perseguição e opressão para os filhos de Israel, antes que aparecesse o Senhor dos Exércitos e os reunisse de todas as nações para destruir os opressores e estabelecer Seu Reino na terra. Cristo disse: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas a espada” (Mateus 10:34); e Ele predisse um período de guerras e rumores de guerras, de tribulações e aflições, que continuariam até a vinda do Filho do Homem “na Glória do Pai”. Muhammad declarou que entre judeus e cristãos, por causa de suas más ações, ‘Alláh estabelecera inimizade e ódio que durariam até o Dia da Ressurreição, quando Ele apareceria para julgar a todos*. Bahá’u’lláh, por outro lado, anuncia ser Ele o Prometido de todos esses Profetas – o Manifestante Divino em cuja era o reinado de paz será realmente estabelecido. Esta afirmação é única e sem precedentes, mas está admiravelmente em harmonia com os sinais dos tempos e com as profecias de todos os grandes Profetas. Bahá’u’lláh revelou, de um modo completo e com clareza incomparável, os meios de realizar a paz e a unidade entre a humanidade. É verdade que, desde o advento de Bahá’u’lláh até agora, tem havido guerras e destruição em escala sem precedentes, mas é justamente o que havia de suceder, segundo todos os profetas, ao amanhecer o “grande e terrível Dia do Senhor”, confirmando a opinião, pois, de que a “Vinda do Senhor” não está apenas próxima, e sim já é um fato consumado. Segundo a parábola de Cristo, o Senhor da Vinha deve destruir completamente os maus lavradores, antes de dar a Vinha a outras pessoas que Lhe dêem os frutos em suas épocas. Não significa isso que, à vinda do Senhor, esteja reservada terrível destruição aos governos despóticos, padres avaros e intolerantes, mullás ou chefes tirânicos, que, como maus lavradores, vêm há séculos desgovernando a terra, e apropriando-se indevidamente de seus frutos? É possível que haja no mundo, por algum tempo ainda, acontecimentos terríveis e calamidades sem paralelo, mas Bahá’u’lláh *Vide citações do Alcorão no Capítulo 13, no subtítulo O Tempo do Fim.


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assegura-nos que dentro em breve “essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a Paz Máxima virá”. As guerras e lutas têm-se tornado tão intoleráveis em seu poder destruidor, que a humanidade deve livrar-se delas ou perecer. “A plenitude dos tempos” é chegada e, com ela, o Prometido Libertador! Seus Escritos De âmbito mais abrangente são os Escritos de Bahá’u’lláh, tratando de todas as fases da vida do homem, individual e social, das coisas materiais e das coisas espirituais, das interpretações das escrituras antigas como também das modernas, e das antecipações proféticas, tanto a respeito do futuro próximo quanto do remoto. É admirável a vastidão como também a exatidão de Seus conhecimentos. Ele podia citar e elucidar de maneira convincente e autoritária as Escrituras das várias religiões que Seus correspondentes ou inquiridores conheciam, embora nunca tivesse tido os meios usuais de acesso a muitos desses livros. Em A Epístola ao Filho do Lobo, Ele declara que nunca lera o Bayán, embora em Seus próprios Escritos Ele demonstre o mais perfeito conhecimento e compreensão da Revelação do Báb (O Báb, como vimos, declarou haver sido Sua Revelação, o Bayán, inspirada por “Aquele que Deus tornará manifesto”, e dEle emanado!) Com uma única exceção, a de uma visita que lhe fez em 1890 o professor Edward Granville Browne, a quem concedeu quatro entrevistas de vinte a trinta minutos cada uma, Bahá’u’lláh nenhuma oportunidade teve de estar em contato com os ilustres pensadores do Ocidente; não obstante, Seus Escritos mostram uma perfeita compreensão dos problemas sociais, políticos e religiosos do mundo ocidental, e até mesmo Seus inimigos tiveram que admitir serem incomparáveis Sua sabedoria e conhecimento. As bem conhecidas circunstâncias de Sua longa prisão tornam impossível duvidar-se de que a riqueza de conhecimento manifesta em Seus Escritos deve ter sido adquirida de alguma fonte espiritual,


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inteiramente independente dos meios usuais de estudo ou instrução, e do auxílio de livros ou professores*. Bahá’u’lláh algumas vezes escrevia em persa moderno, a língua comum de Seus compatriotas, a qual tem uma grande mescla de árabe. Outras vezes, por exemplo quando Se dirigia aos sábios zoroastrianos, Ele escrevia no mais puro persa clássico. Com igual fluência Ele também escrevia em árabe, ora em linguagem muito simples, ora em estilo clássico semelhante ao do Alcorão. Seu perfeito domínio desses diversos idiomas e estilos era notável em vista de Sua inteira falta de instrução literária. Em alguns de Seus Escritos o caminho da santidade é apontado em termos tão simples que “os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão” (Isaías, 35:8). Em outros há uma riqueza de metáfora poética, filosofia profunda e alusões às escrituras muçulmanas, zoroastrianas e outras, ou à literatura e lendas da Pérsia e da Arábia, como somente o poeta, o filósofo ou o erudito pode adequadamente apreciar. Ainda outros tratam dos estágios adiantados da vida espiritual, e são compreensíveis somente para aqueles que já tenham passado pelos estágios anteriores. Suas obras são como uma mesa abundantemente provida de alimentos e iguarias adequadas às necessidades e agradáveis ao paladar de todos os que sinceramente buscam a verdade. É por isso que Sua Causa surtiu efeito entre os letrados e cultos, poetas espirituais e escritores de renome. Mesmo alguns dos mais eminentes dos sufis e de outras seitas, e alguns ministros de Estado que eram escritores, foram atraídos pelas Suas palavras, pois excediam as de qualquer outro autor quanto à doçura e à profundidade de significado espiritual. O Espírito Bahá’í Do local de Sua prisão na longínqua ‘Akká, Bahá’u’lláh emocionou profundamente Sua terra natal, a Pérsia, e não somente a Pérsia, emocionou e continua emocionando o mundo. O espírito *Ao ser perguntado se Bahá’u’lláh fizera um estudo especial das literaturas ocidentais, fundando Seus ensinamentos de acordo com elas, ‘Abdu’l-Bahá disse que os livros de


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que O animou, bem como aos Seus discípulos, era infalivelmente gentil, cortês e paciente, porém de uma força de vitalidade admirável e poder transcendente. Realizou o que parecia impossível: transformou a natureza humana. Aqueles que se sujeitavam à sua influência tornavam-se novas criaturas. Estavam plenos de um amor, uma fé e um entusiasmo tão grandes que, comparados às alegrias e tristezas terrenas eram apenas como pó na balança. Eles estavam prontos a enfrentar o sofrimento por toda a vida ou uma morte violenta, com perfeita equanimidade, ainda mais, com alegria radiante, fortalecidos por sua inabalável confiança em Deus. E o mais admirável de tudo: seus corações transbordavam de contentamento por haverem atingido uma vida nova, a tal ponto que nenhum lugar neles restava para sentimentos de amargura ou desejos de vingança contra seus opressores. Desistiram por completo do uso da violência, mesmo em defesa própria, e em vez de lastimarem sua sorte, consideravam-se os mais afortunados dos homens por terem o privilégio de receber esta nova e gloriosa Revelação e de dedicar a vida ou derramar o sangue em testemunho à sua verdade. Bem podiam seus corações cantar de alegria, pois acreditavam que Deus, o Supremo, o Eterno, o Bem-Amado, lhes falara através de lábios humanos, convocando-os a serem Seus servos e amigos; que Ele viera para estabelecer Seu Reino na terra e trazer Sua dádiva inestimável da Paz para um mundo exausto de luta e desgastado pelas guerras. Tal foi a fé inspirada por Bahá’u’lláh. Ele anunciou Sua própria missão, assim como o Báb predissera, e graças aos dedicados esforços de Seu grandioso Precursor, houve milhares prontos para aclamar Seu advento – milhares que haviam rejeitado as superstições e os preconceitos e, com corações puros e mentes abertas, aguardavam a Manifestação da Prometida Glória de Deus. Pobreza e grilhões, circunstâncias sórdidas e ignomínia externa não lhes puderam ocultar a Glória Espiritual de seu Senhor – não, antes, essas sombrias condições terrestres serviram apenas para intensificar o brilho do Seu verdadeiro Esplendor. Bahá’u’lláh, escritos e impressos em tempos tão remotos como a década de 1870, continham os ideais agora tão familiares no Ocidente, embora naquele tempo estas idéias não houvessem sido impressas ou sequer concebidas no Ocidente.


Capítulo 4

‘ABDU’L-BAHÁ: O SERVO DE BAHÁ Quando o oceano de Minha presença tiver refluído, e o Livro de Minha Revelação se achar completo, volvei vossas faces Àquele eleito por Deus, Aquele que brotou desta Raiz Antiga. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas, K121, pp. 50-51.

Nascimento e Infância ‘Abbás Effendi, que mais tarde adotou o título de ‘Abdu’l Bahá (isto é, Servo de Bahá), foi o filho mais velho de Bahá’u’lláh. Nasceu em Teerã, antes da meia-noite, na véspera do dia 23 de maio de 1844*, na mesma noite em que o Báb declarou Sua missão. Contava Ele nove anos de idade quando Seu pai, a Quem já com esta idade tinha grande devoção, foi encarcerado na masmorra de Teerã. Uma multidão saqueou Sua casa, espoliando a família dos bens e deixando-a em desamparo completo. ‘Abdu’l Bahá relata que um dia obteve permissão para entrar no pátio da prisão, a fim de ver Seu amado pai quando Ele saía para Seu exercício diário. Bahá’u’lláh estava terrivelmente alterado, tão doente que mal podia andar; Seu cabelo e barba em desordem, Seu pescoço ferido e inchado devido à pressão do pesado aro de aço, Seu corpo curvado pelo peso das correntes, e a cena causou tal impressão na mente do sensível menino que jamais se apagou. Durante o primeiro ano em que residiram em Bagdá, dez anos antes de haver Bahá’u’lláh declarado abertamente Sua Missão, a percepção aguda de ‘Abdu’l-Bahá, que tinha então apenas nove *Quinta-feira, 5 de Jamádíyu’l-Avval, 1260 d.h.


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anos de idade, conduziu-O à momentosa descoberta de que Seu pai era de fato o Prometido, cuja Manifestação todos os bábís esperavam. Cerca de sessenta anos depois, Ele assim descreveu o momento em que esta convicção, de repente, apoderou-se de toda a Sua natureza: Sou o servo da Abençoada Perfeição. Ainda era criança, em Bagdá, quando Ele anunciou-me a Palavra e nEle acreditei. Logo que me proclamou a Palavra, lancei-me aos Seus abençoados pés, implorando-Lhe e suplicando-Lhe que aceitasse meu sangue como sacrifício em Seu Caminho. Sacrifício! Quão doce acho esta palavra! Não há maior dádiva para mim do que esta! Que maior glória posso eu conceber, do que a de ver este pescoço acorrentado por amor a Ele, estes pés agrilhoados por devoção a Ele, este corpo mutilado ou atirado às profundezas do mar pela Sua Causa! Se em realidade Lhe adoramos sinceramente, se em realidade sou Seu servo sincero, então devo sacrificar minha vida, tudo que possuo, em Seu Abençoado Limiar. Diário de Mírzá Ahmad Sohrab, 3 de janeiro de 1914.

Foi naquele tempo que Seus amigos começaram a Lhe chamar de “O Mistério de Deus”, título que Lhe dera Bahá’u’lláh, pelo qual foi geralmente conhecido durante o período de residência em Bagdá. Quando Seu pai partiu e passou dois anos em solidão, ‘Abbás ficou inconsolável. Sua principal distração consistia em copiar e decorar as Epístolas do Báb, e grande parte de Seu tempo era empregada em meditação solitária. Quando, finalmente, Seu pai regressou, o menino não coube em si de contentamento. Mocidade A partir desse tempo, Ele tornou-se o mais íntimo companheiro de Seu pai e, por assim dizer, Seu protetor. Embora muito jovem, Ele já mostrava admirável perspicácia e discernimento,


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incumbindo-Se de receber todos os inúmeros visitantes que vinham ver Seu pai. Só admitia à presença ‘Abdu’l-Bahá de Bahá’u’lláh aqueles que julgasse serem genuínos pesquisadores da verdade; do contrário, não permitia que incomodassem Bahá’u’lláh. Em muitas ocasiões ajudava Seu pai, respondendo às perguntas e solucionando as dificuldades desses visitantes. Quando, por exemplo, um dos líderes sufis, de nome ‘Alí Shawkat Páshá, pediu uma explicação da frase, “Eu era um Mistério Oculto”, que se encontra numa bem conhecida tradição muçulmana*, Bahá’u’lláh dirigiu-Se ao “Mistério de Deus”, ‘Abbás, e pediu-Lhe que desse a explicação por escrito. O rapaz, que contava então quinze ou dezesseis anos, escreveu imediatamente uma importante epístola, fazendo uma exposição tão elucidativa que o Páshá ficou pasmo. Esta epístola acha-se agora vastamente disseminada entre os bahá’ís, e é bem conhecida por muitas outras pessoas, fora da Fé Bahá’í. Nesse tempo, ‘Abbás visitava freqüentemente as mesquitas, onde discutia assuntos teológicos com os doutores e sábios. Nunca freqüentou qualquer escola ou universidade, sendo Seu pai, Seu único professor. Seu divertimento predileto era a equitação, pela qual tinha grande prazer. Após a Declaração de Bahá’u’lláh no Jardim dos arredores de Bagdá, a devoção de ‘Abdu’l-Bahá pelo Seu pai tornou-se maior do que nunca. Durante a longa jornada a Constantinopla, vigiava Bahá’u’lláh noite e dia, acompanhando a cavalo Sua carruagem e guardando Sua tenda. Ele auxiliava Seu pai tanto quanto possível nos cuidados e responsabilidades da casa, tornando-Se o esteio e o conforto de toda a família. Durante os anos passados em Adrianópolis, ‘Abdu’l-Bahá ganhou o afeto de todos. Ele ensinava muito, tornando-Se conhecido geralmente como o “Mestre”. Em ‘Akká, quando quase todos ficaram doentes, com tifo, malária e disenteria, Ele banhava os pacientes, cuidava deles, alimentava-os, vigiando-os sem descanso, até que, completamente exausto, Ele próprio foi acometido por uma disenteria e durante aproximadamente um mês permaneceu em *Esta tradição é citada numa Epístola de Bahá’u’lláh. Vide capítulo 5 deste livro.


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estado grave. Em ‘Akká, como em Adrianópolis, todos, do governador ao mais humilde mendigo, vieram a amá-Lo e respeitá-Lo. Casamento As seguintes particularidades sobre o casamento de ‘Abdu’l Bahá foram gentilmente fornecidas ao autor por um historiador persa da Fé Bahá’í: Durante a mocidade de ‘Abdu’l-Bahá, a questão de um casamento apropriado para Ele foi, naturalmente, de grande interesse para os adeptos, e muitas pessoas apresentaram-se desejosas de que tal coroa de honra coubesse à sua família. Durante muito tempo, porém, ‘Abdu’l-Bahá nenhuma inclinação demonstrou para o casamento, e ninguém compreendia a sabedoria disto. Soube-se depois que havia uma moça destinada a tornar-se esposa de ‘Abdu’l-Bahá, uma moça cujo nascimento se dera através da bênção concedida pelo Báb aos seus pais, em Isfahán. Ela pertencia a uma das grandes e nobres famílias de Isfahán, sendo seu pai, Mírzá Muhammad ‘Alí, tio do “Rei dos Mártires” e do “Bem-Amado dos Mártires”. Quando o Báb esteve em Isfahán, Mírzá Muhammad ‘Alí não tinha filhos, mas sua esposa tinha grande desejo de tê-los. Ao ouvir isto o Báb deu a ele uma porção de Seu alimento, dizendo-lhe que repartisse com sua esposa. Pouco depois de haverem tomado deste alimento, tornou-se evidente que suas esperanças de há tanto nutridas estavam prestes a serem realizadas, e no devido tempo nasceu-lhes uma filha, sendo-lhe dado o nome de Munírih Khánum*. Mais tarde, nasceu um filho, ao qual deram o nome de Siyyid Yahyá, e tiveram ainda outros filhos. Algum tempo depois, morreu ‘Abdu’l-Bahá o pai de Munírih, seus primos foram martirizados pelo Zillu’s-Sultán e pelos mullás, e a família encontrava-se em grandes dificuldades e severas perseguições por serem bahá’ís. Bahá’u’lláh permitiu então que Munírih *É interessante comparar esta história com a do nascimento de João Batista. Vide Evangelho de São Lucas, capítulo 1.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA e seu irmão Siyyid Yahyá viessem a ‘Akká por motivo de segurança. Bahá’u’lláh e Sua esposa, Navváb, genitora de ‘Abdu’l-Bahá, dispensavam tanta bondade e estima a Munírih que todos perceberam que eles queriam que ela se tornasse a esposa de ‘Abdu’l-Bahá. O desejo dos pais tornou-se o desejo de ‘Abdu’l-Bahá também. Ele tinha um terno sentimento de amor e afeição por Munírih, que era inteiramente correspondido, e dentro em breve uniram-se em casamento.

O casamento foi extremamente feliz e harmonioso. Dos filhos que tiveram, quatro filhas sobreviveram aos rigores de seu longo encarceramento e, através das suas belas vidas de serviço, elas tornaramse queridas de todos que tiveram o privilégio de conhecê-las. Centro do Convênio Bahá’u’lláh indicou de várias maneiras que, após a Sua própria ascensão, ‘Abdu’l-Bahá deveria assumir a direção da Causa. Muitos anos antes de Sua morte, fez esta declaração de maneira velada no Kitáb-i-Aqdas. Em várias ocasiões referiu-Se a ‘Abdu’l-Bahá como “O Centro de Meu Convênio”, “O Supremo Ramo”, “O Ramo da Raiz Antiga”. Costumava chamá-Lo “O Mestre” e exigia que toda a família O tratasse com especial deferência; e em Sua Vontade e Testamento deixou instruções explícitas para que todos a Ele se dirigissem e obedecessem. Após a morte da “Abençoada Beleza” (título pelo qual Bahá’u’lláh era geralmente chamado por Sua família e Seus adeptos), ‘Abdu’l Bahá assumiu a posição que Seu pai claramente Lhe indicara: dirigente da Causa e autorizado Intérprete dos ensinamentos, porém isto foi causa de muito ressentimento de alguns de Seus parentes e outras pessoas, os quais tornaram-se tão cruéis opositores a ‘Abdu’lBahá, quanto Subh-i-Azal havia sido a Bahá’u’lláh. Tentaram semear dissensões entre os adeptos e, sendo nisso mal sucedidos, fizeram várias acusações falsas contra ‘Abdu’l-Bahá ao governo turco.


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Seguindo as instruções recebidas de Seu pai, ‘Abdu’l Bahá estava erigindo um monumento no Monte Carmelo, no alto de Haifa, destinado a ser o permanente local de repouso dos restos mortais do Báb e ter também alguns salões para reuniões e conferências. As autoridades foram falsamente informadas de que ali se construía uma fortaleza, onde ‘Abdu’l-Bahá e os adeptos pretendiam entrincheirar-se, desafiar o governo e tentar apossar-se da vizinha região da Síria. Renova-se a Prisão Rigorosa Há mais de vinte anos, ‘Abdu’l-Bahá e Sua família tinham liberdade para andar pelo campo ao redor de ‘Akká, dentro de algumas milhas, mas agora, no ano de 1901, em conseqüência destas e de outras acusações igualmente sem fundamento, foram outra vez estritamente confinados dentro dos muros da cidade-prisão por mais de sete anos. Isso, porém, não O impediu de disseminar eficientemente a mensagem bahá’í na Ásia, Europa e América. Sobre este período, assim escreve Horace Holley: A ‘Abdu’l-Bahá, como instrutor e amigo, vinham homens e mulheres de todas as raças, religiões e nacionalidades, para sentar-se à Sua mesa como hóspedes privilegiados, pedindo Sua opinião sobre o programa social, espiritual ou moral, que mais tocasse o coração de cada um; e depois de uma permanência que variava entre algumas horas e muitos meses, voltavam para casa inspirados, renovados e esclarecidos. Certamente, o mundo jamais possuiu uma casa de hospitalidade igual a essa. Dentro de suas portas, as rígidas castas da Índia desvaneciam-se, e o preconceito de raça – fosse do judeu, cristão ou muçulmano – tornava-se menos que um vestígio; e desmoronava-se todo critério que não fosse a lei essencial de corações ardentes e aspirações elevadas, banido e proibido pela cordialidade unificadora do dono da casa. Era como um rei Artur e a Távola Redonda... mas um Artur que condecorava


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA mulheres tanto quanto homens, conduzindo-os não com a espada, mas com a Palavra. Horace Holley. The Modern Social Religion, p. 171.

Durante esses anos, ‘Abdu’l-Bahá manteve uma enorme correspondência com adeptos e pessoas desejosas de informações, de todas as partes do mundo. Foi grandemente auxiliado por Suas filhas nesse trabalho, além dos vários intérpretes e secretários. Grande parte de Seu tempo era despendida com as visitas aos doentes e aflitos, em suas próprias casas; e nos bairros mais pobres de ‘Akká nenhum visitante era mais bem-vindo que o “Mestre”. Assim escreve um peregrino que ali esteve nesse tempo: É hábito de ‘Abdu’l-Bahá distribuir esmolas aos pobres toda semana, na sexta-feira pela manhã. De seus poucos haveres, dá um pouco a cada necessitado que vem pedir ajuda. Esta manhã cerca de cem estavam em fila, sentados e agachados na rua defronte ao largo onde fica a casa de ‘Abdu’l-Bahá. E que indefinível conglomeração de seres humanos eram eles. Toda espécie de homens, mulheres e crianças – pobres, infelizes, de aspecto desesperador, seminus, muitos deles aleijados e cegos, mendigos na verdade, totalmente desprovidos – aguardando esperançosos – até que ‘Abdu’l Bahá surgisse à porta.... Indo rapidamente de um a outro, parando algumas vezes para dar uma palavra de solidariedade e incentivo, deixando cair pequenas moedas em cada mão ansiosamente estendida, tocando a face de uma criança, tomando a mão de uma mulher idosa que quase se segurava à orla de Suas vestes enquanto Ele passava, dizendo palavras iluminadoras a homens velhos e cegos, perguntando pelos que eram demasiado fracos e infortunados para virem receber seu quinhão de auxílio, e enviando-lhes sua porção com uma mensagem de amor e elevação espiritual. Glimpses of Abdul Baha, p. 13.


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Poucas eram as necessidades pessoais de ‘Abdu’l-Bahá. Ele começava Seu trabalho de madrugada e só o deixava tarde da noite. Duas refeições simples por dia Lhe eram suficientes. Seu vestuário consistia de umas poucas peças de tecidos modestos. Ele não podia admitir o luxo enquanto havia necessitados. Tinha um grande amor às crianças, às flores e às belezas da natureza. Cada manhã, às seis ou sete horas, a família costumava reunir-se para tomarem juntos o chá da manhã e, enquanto o Mestre servia o Seu chá, as crianças entoavam preces. O sr. Thornton Chase escreve sobre essas crianças: Nunca vi crianças como estas, tão corteses, desprendidas, atenciosas com os outros, jamais inoportunas, inteligentes e sempre prontas a privarem-se das pequenas coisas das quais as crianças gostam muito.... In Galilee, p. 51.

O “ministério das flores” era uma característica da vida de ‘Akká, da qual cada peregrino levava consigo fragrantes recordações. A sra. Lucas escreve: É impressionante ver o Mestre inalar o odor das flores. É como se o perfume dos jacintos Lhe estivesse segredando alguma coisa, enquanto mergulha o Seu rosto nas flores. É como o esforço do ouvido para ouvir uma bela harmonia – uma atenção concentrada! A Brief Account of My Visit to ‘Akká, pp. 25-26.

Ele adorava presentear Seus numerosos visitantes com belas flores de doces aromas. Thornton Chase dá sua impressão sobre a vida na prisão em ‘Akká, como segue: Cinco dias passamos dentro daquelas paredes, prisioneiros com Aquele que habita na “Maior Prisão”. É uma prisão de


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA paz, de amor e serviço. Nenhuma vontade, nenhum desejo há ali, senão o bem da humanidade, a paz do mundo, o reconhecimento da Paternidade de Deus e dos mútuos direitos dos homens como Suas criaturas, Seus filhos. De fato, a verdadeira prisão, a atmosfera sufocante, a separação de todos os verdadeiros desejos do coração, o vínculo às condições terrenas, estão fora dessas paredes de pedra, enquanto que por dentro delas encontram-se a liberdade e a pura aura do Espírito de Deus. Todos os problemas, tumultos, aflições ou ansiedades pelas coisas do mundo estão dela excluídos. In Galilee, p. 24.

As durezas da vida de prisão pareceriam calamidades lastimáveis para a maioria das pessoas, mas a ‘Abdu’l Bahá nenhum terror causaram. Enquanto na prisão, Ele escreveu: Não vos inquieteis por causa de meu aprisionamento e calamidade, pois esta prisão é meu belo jardim, meu paraíso e meu trono de domínio entre a humanidade. Meu flagelo em minha prisão é uma coroa para mim, a qual me glorifica entre os retos. Qualquer um pode ser feliz na condição de conforto, sossego, saúde, sucesso, prazer e contentamento; mas se alguém estiver feliz e contente em tempo de infortúnio, penúria e enfermidade prolongada, isso é uma prova de nobreza. Tablets of Abdul-Baha, vol. II, pp. 258 e 263.

Comissões Turcas de Investigação Em 1904 e 1907 o governo turco nomeou comissões para investigar as acusações contra ‘Abdu’l-Bahá e testemunhas mentirosas prestaram declarações falsas contra Ele. ‘Abdu’l-Bahá, enquanto as refutava, expressou Sua total prontidão em submeter-Se a qualquer sentença que o tribunal Lhe impusesse. Declarou que se O


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encarcerassem, arrastassem pelas ruas, amaldiçoassem, apedrejassem, submetessem a toda sorte de ignomínia, enforcassem ou fuzilassem, ainda assim estaria contente. Nos intervalos entre as sessões da Comissão de Investigação, Ele prosseguia Sua vida usual com a maior serenidade, plantando árvores frutíferas em um jardim ou presidindo uma festa matrimonial com a dignidade e a radiância da liberdade espiritual. O cônsul espanhol ofereceu-se para arranjar-Lhe passagem segura para qualquer porto estrangeiro que Ele quisesse, mas embora grato, Ele recusou firmemente essa oferta, dizendo que quaisquer que fossem as conseqüências, deveria seguir os passos do Báb e da Abençoada Perfeição, que nunca tentaram proteger-Se ou fugir de Seus inimigos. Ele encorajou a maioria dos bahá’ís, entretanto, a sair dos arredores de ‘Akká, que se havia tornado muito perigosa para eles, permanecendo sozinho, com apenas alguns dos fiéis, à espera de Seu destino. Os quatro oficiais corruptos que constituíam a última Comissão de Investigação, chegaram a ‘Akká no começo do inverno de 1907, onde permaneceram durante um mês e partiram para Constantinopla, depois de concluir a assim chamada ‘investigação’, resolvidos a declarar que as acusações contra ‘Abdu’l-Bahá foram comprovadas e a recomendar Seu exílio ou execução. Assim que regressaram à Turquia, entretanto, irrompeu a revolução e os quatro membros da Comissão, por serem do regime antigo, tiveram que fugir. Os Jovens Turcos estabeleceram sua supremacia, e todos os presos políticos e religiosos no Império Otomano foram postos em liberdade. Em setembro de 1908 ‘Abdu’l-Bahá foi libertado da prisão e, no ano seguinte, o próprio sultão ‘Abdu’l-Hamid foi feito prisioneiro. Viagens ao Ocidente Após ser posto em liberdade ‘Abdu’l Bahá continuou a mesma vida de santidade, de incessante atividade no ensino, na correspondência e no auxílio ao pobre e ao enfermo, apenas


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mudando-Se de ‘Akká para Haifa e de Haifa para Alexandria, até agosto de 1911, quando partiu para Sua primeira visita ao mundo ocidental. Nessas viagens ‘Abdu’l-Bahá esteve com pessoas das mais variadas opiniões, e cumpriu plenamente o mandamento de Bahá’u’lláh: “Associai-vos a todos os povos com alegria e contentamento.” Nos primeiros dias de setembro de 1911 Ele chegou a Londres, onde passou um mês, durante o qual além das palestras diárias com pesquisadores e de muitas outras atividades, falou à congregação do rev. R. J. Campbell no City Temple, e à do arquidiácono Wilberforce em St. John’s, Westminster e almoçou com o lord Mayor [prefeito de Londres]. Dirigiu-Se em seguida a Paris, onde Seu tempo foi ocupado em entrevistas e palestras diárias a ouvintes entusiastas de muitos tipos e nacionalidades. Em dezembro Ele voltou ao Egito e, na primavera seguinte, acedendo aos ardorosos pedidos dos amigos americanos, embarcou para os Estados Unidos, chegando em Nova Iorque em abril de 1912. Durante os nove meses seguintes Ele percorreu a América do Norte, de costa a costa, dirigindo-Se a pessoas de toda espécie e condição, estudantes universitários, socialistas, mórmons, judeus, cristãos, céticos, esperantistas, sociedades pró-paz, clubes de Novos Pensamentos, sociedades para sufrágio feminino, e falando em igrejas de quase todas as denominações, fazendo em cada caso discursos apropriados à audiência e à ocasião. Em 5 de dezembro embarcou para a Grã-Bretanha, onde passou seis semanas, visitando Liverpool, Londres, Bristol e Edimburgo. Em Edimburgo Ele fez um notável discurso na Sociedade de Esperanto, no qual declarou haver encorajado os bahá’ís do Oriente a estudarem o Esperanto, a fim de promoverem melhor entendimento entre o Oriente e o Ocidente. Após dois meses em Paris, passados, como antes, em entrevistas e conferências diárias, Ele partiu para Stuttgart, onde realizou uma série de conferências de grande sucesso entre os bahá’ís alemães.


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Dirigiu-Se depois a Budapeste e Viena, fundando novos grupos nestes lugares e regressando ao Egito em maio de 1913; e em 5 de dezembro do mesmo ano voltou para Haifa. Regresso à Terra Santa Contava Ele então setenta anos, e as longas e árduas atividades culminando nestas estafantes viagens pelo Ocidente, haviam esgotado Seu corpo físico. Depois de Seu regresso, ‘Abdu’l-Bahá fez o seguinte comovente comentário dirigido aos adeptos orientais: Amigos! Está chegando o tempo quando não mais estarei entre vós. Tenho feito tudo que podia ser feito. Tenho servido a Causa de Bahá’u’lláh até o máximo de minha capacidade. Tenho trabalhado dia e noite, todos os anos de minha vida. Ó! Como desejo ver os amados assumindo as responsabilidades da Causa! Agora é tempo de proclamar o Reino de Bahá! Agora é hora de amor e união! Este é o dia da harmonia espiritual dos amados de Deus! Tenho exaurido todos os recursos de minha força física, e o espírito da minha vida são as notícias bem-vindas da unidade do povo de Bahá. Estou dirigindo meus ouvidos na direção do leste e na direção do oeste, na direção do norte e na direção do sul, quiçá possa ouvir as canções de amor e companheirismo entoadas nas reuniões dos fiéis. Meus dias estão contados, e, não resta alegria alguma para mim senão esta. Ó! Como anseio ver os amigos unidos como um colar de pérolas cintilantes, como as brilhantes plêiades, como os raios do Sol, como as gazelas de um prado! O Rouxinol místico está gorjeando para eles todos. Não vão escutar? A Ave do Paraíso está cantando. Não lhe prestarão atenção? O Anjo de Abhá está chamando-os. Não O ouvirão? O Arauto do Convênio está suplicando. Não obedecerão? Ah, eu estou esperando, esperando ouvir as jubilosas notícias de que os crentes são a própria personificação de


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA sinceridade e veracidade, a encarnação de amor e amizade, os símbolos vivos de unidade e concórdia. Não irão alegrar meu coração? Não satisfarão meu anseio? Não manifestarão meu desejo? Não cumprirão o desejo do meu coração? Não darão ouvidos a meu chamado? Estou esperando, esperando pacientemente. Introdução de A Última Vontade e Testamento, pp. xlii-xliii.

Os inimigos da Causa Bahá’í, cujas esperanças atingiram o ápice quando o Báb caiu vítima de sua fúria, quando Bahá’u’lláh foi expulso de Sua terra natal e feito um prisioneiro perpétuo, e novamente com o passamento de Bahá’u’lláh – esses inimigos vibraram uma vez mais quando viram a fraqueza física e o cansaço de ‘Abdu’l-Bahá após Seu regresso do Ocidente. Mas novamente suas esperanças estavam fadadas ao desapontamento. Em pouco tempo ‘Abdu’l Bahá pôde escrever: Inquestionavelmente este corpo físico e energia humana não teriam sido capazes de resistir ao constante desgaste... mas o apoio e o auxílio do Desejado foi o Guardião e Protetor do fraco e humilde ‘Abdu’l-Bahá.... Têm alguns dito que ‘Abdu’lBahá está prestes a se despedir deste mundo, que as suas energias físicas estão depauperadas e esgotadas, e que dentro em breve essas complicações hão de pôr termo à sua vida. Isto está longe da verdade. Embora na opinião dos rompedores do Convênio e deficientes mentais, seu corpo seja fraco em conseqüência das vicissitudes no Caminho Abençoado, ainda, graças a Deus, através da providência da Abençoada Perfeição, as forças espirituais estão no maior rejuvenescimento e vigor. Graças a Deus, através do favor e bênção de Bahá’u’lláh, mesmo as energias físicas estão inteiramente restauradas, alegria divina é obtida, as supremas boas novas estão resplandecentes e a felicidade ideal transbordando. Star of the West, vol. V, no 14, p. 213.


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Não só durante a guerra européia como depois, ‘Abdu’l Bahá, em meio a inúmeras outras atividades pôde escrever uma série de extensas e inspiradas cartas que, depois de reabertas as comunicações, despertou nos crentes do mundo inteiro novo entusiasmo e zelo. Sob a inspiração dessas cartas a Causa cresceu rapidamente, e por toda parte a Fé mostrava sinais de nova vitalidade e vigor. Haifa Durante a Guerra Houve um exemplo notável da previsão que ‘Abdu’1 Bahá fez durante os meses que precederam imediatamente a guerra. Nos tempos de paz, havia usualmente um grande número de peregrinos em Haifa, vindos da Pérsia e de outras regiões do globo. Cerca de seis meses antes de irromper a guerra, um dos bahá’ís antigos que residia em Haifa apresentou um pedido de vários adeptos da Pérsia para que lhes fosse permitido visitar o Mestre. ‘Abdu’1-Bahá não concedeu a permissão e, daí em diante, foi gradualmente dispensando os peregrinos que se achavam em Haifa, de modo que no final de julho de 1914 já não restava nenhum. Quando, em princípios de agosto, o estouro repentino da grande guerra assombrou o mundo, a sabedoria da Sua precaução tornou-se evidente. Quando a guerra irrompeu, ‘Abdu’l-Bahá, que já havia passado cinqüenta e cinco anos de Sua vida em exílio e prisão, veio a ser mais uma vez virtualmente prisioneiro do governo turco. As comunicações com amigos e crentes fora da Síria foram quase inteiramente interrompidas, ficando Ele e o Seu pequeno grupo de seguidores novamente sujeitos a circunstâncias difíceis, à escassez de alimentos, e a grandes transtornos e perigos. Durante a guerra, ‘Abdu’l-Bahá esteve muito ocupado em atender às necessidades materiais e espirituais daqueles que O rodeavam. Organizou pessoalmente extensos serviços agrícolas perto de Tibérias, garantindo desse modo um grande suprimento de trigo, através do qual foi evitada a fome não somente entre os bahá’ís como também entre centenas de pobres de todas as religiões em


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Haifa e ‘Akká, cujas necessidades Ele liberalmente supriu. Ele cuidou de todos, mitigando seus sofrimentos tanto quanto possível. A centenas de pobres Ele dava diariamente uma pequena quantia. Além de dinheiro, distribuía pão. Quando não havia pão, Ele dava tâmaras ou outro alimento. Fazia freqüentes visitas a ‘Akká a fim de ali confortar e ajudar os bahá’ís e os pobres. Durante o tempo da guerra Ele tinha reuniões diárias com os adeptos, e através de Seu auxílio mantinham-se contentes e tranqüilos durante todos aqueles anos conturbados. Sir ‘Abdu’l-Bahá ‘Abbás, K. B. E. Grande foi a alegria em Haifa quando, às 15 horas de 23 de setembro de 1918, após umas vinte e quatro horas de combate, a cidade foi tomada pelas cavalarias britânica e indiana, assim fazendo cessar as horrorosas condições de guerra sob o regime turco. Desde o início da ocupação britânica, grande número de soldados e oficiais de todos os graus, até do mais alto, procurava entrevistas com ‘Abdu’l-Bahá, deleitando-se com a Sua palavra cheia de luz, Sua largueza de visão, profundeza de percepção, Sua cortesia, dignidade e genial hospitalidade. Tão profundamente impressionados ficaram os representantes do governo pelo Seu nobre caráter e pela Sua grandiosa obra em prol da conciliação para a paz e da verdadeira prosperidade do povo, que o título de cavaleiro do império britânico foi conferido a ‘Abdu’l-Bahá, tendo a cerimônia se realizado no jardim do governador militar de Haifa, aos 27 dias do mês de abril de 1920. Últimos Anos Durante o inverno de 1919-1920, o autor teve o grande privilégio de passar dois meses e meio como hóspede de ‘Abdu’l Bahá em Haifa, podendo assim observar intimamente Sua vida cotidiana. Nesse tempo, embora com quase setenta e seis anos de


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idade, Ele estava ainda muito vigoroso e realizava diariamente um trabalho quase incrível. Ainda que muitas vezes fatigado, Ele mostrava um admirável poder de recuperação, e Seus serviços estavam sempre ao dispor daqueles que mais os necessitavam. Sua infalível paciência, docilidade, bondade e tato fizeram da Sua presença uma bênção. Era Seu costume passar grande parte de cada noite em oração e meditação. Desde o amanhecer até a noite, com exceção de uma breve sesta depois do almoço, estava Ele sempre muito ocupado em ler e responder cartas de vários países, e em dirigir os múltiplos afazeres da família e da Causa. À tarde, Ele usualmente fazia um pequeno relaxamento, na forma de uma caminhada ou um passeio de carruagem, mas quase sempre acompanhado de um, dois ou mais peregrinos, com os quais conversaria sobre assuntos espirituais, ou encontraria no caminho alguma oportunidade de visitar e auxiliar alguns pobres. Ao regressar, convidava os amigos para a costumeira reunião noturna em Seu salão. Não só no almoço como no jantar, Ele costumava entreter um bom número de peregrinos e amigos, e encantava Seus hóspedes com histórias alegres e cheias de humor, como também com palestras preciosas sobre assuntos os mais variados. “Minha casa é a casa do riso e da alegria”, dizia Ele e, de fato, assim era. Sentia grande prazer em reunir pessoas de várias raças, cores, nações e religiões, em espírito de unidade e cordial amizade ao redor de Sua mesa hospitaleira. Era realmente um pai amoroso não só para a pequena comunidade de Haifa como também para a comunidade bahá’í inteira, no mundo todo. O Falecimento de ‘Abdu’l-Bahá As múltiplas atividades de ‘Abdu’l-Bahá continuaram com pequena diminuição a despeito da crescente fraqueza física e fadiga, até o último ou penúltimo dia de Sua vida. Na sexta-feira, 25 de novembro de 1921, Ele assistiu à prece do meio-dia na mesquita de Haifa, distribuindo, em seguida, esmolas entre os pobres com Suas próprias mãos, como era Seu costume. Após o almoço Ele ditou


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algumas cartas. Depois de um pequeno descanso, foi passear no jardim, onde conversou com o jardineiro. À noite deu Sua bênção e conselho a um estimado e fiel servo da casa que havia se casado nesse dia, assistindo, logo após, à reunião usual dos bahá’ís em Seu próprio salão. Menos de três dias depois, na segunda-feira, 28 de novembro, à l hora e 30 minutos da madrugada, Ele expirava, tão tranqüilamente que, às duas filhas que estavam ao Seu lado, pareceu que Ele estava dormindo. A triste notícia cedo espalhou-se pela cidade e foi difundida pelo telégrafo por toda parte do mundo. O funeral foi realizado na manhã seguinte, terça-feira, 29 de novembro: ...um funeral o qual nem Haifa, nem a Palestina nunca haviam visto. Tão profundo eram os sentimentos que uniu milhares de pessoas, representantes de várias religiões, raças e línguas. O alto comissário da Palestina, sir Herbert Samuel, o governador de Jerusalém, o governador da Fenícia, os altos funcionários do governo, os cônsules de vários países residentes em Haifa, os líderes de várias comunidades religiosas, as altas personalidades da Palestina, judeus, cristãos, muçulmanos, drusos, egípcios, gregos, turcos, curdos e uma hoste de Seus amigos americanos, europeus e nativos, homens, mulheres e crianças, tanto de classes altas como de classes baixas, ao todo, cerca de dez mil, chorando a perda de seu Amado... — Ó Deus, meu Deus – o povo pranteava num só coro – Nosso pai nos deixou, nosso pai nos deixou! Conforme subiam lentamente o Monte Carmelo, a Vinha de Deus, o ataúde parecia, à distância, estar sustentado por mãos invisíveis, de tão alto acima das cabeças do povo era ele carregado. Depois de duas horas de caminhada, chegaram ao jardim do Santuário do Báb... ...Enquanto o enorme grupo se amontoava ao redor do tabernáculo de Seu corpo que aguardava para ser depositado em Seu lugar de repouso, dentro da câmara contígua à do


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Báb, os representantes das várias denominações muçulmanas, cristãs e judias, todos com corações ardentes pelo fervoroso amor a ‘Abdu’l-Bahá, uns levados pelo impulso do momento, outros com preparo, ergueram suas vozes em elogio e lástima, prestando sua última homenagem de despedida ao seu Amado. Tão unidos estavam em aclamá-Lo como o educador e reconciliador sábio da raça humana nesta era perplexa e triste, que parecia restar nada para os bahá’ís dizerem. Introdução de A Última Vontade e Testamento, pp. xviii-xx.

Nove oradores, todos eles proeminentes representantes das comunidades muçulmana, cristã e judaica, prestaram eloqüentes e comoventes testemunhos de seu amor e admiração pela pura e nobre vida que acabava de findar-se. Então o ataúde foi suavemente colocado na simples e sagrada sepultura. Seguramente, esse foi um tributo à altura da memória dAquele que labutou durante toda a Sua vida pela unidade das religiões, raças e línguas – um tributo e também uma prova de que Sua vida de trabalho não fora em vão, de que os ideais de Bahá’u’lláh que eram Sua inspiração, ainda mais, Sua própria vida, já começavam a difundir-se pelo mundo e a destruir as barreiras constituídas pelas seitas e castas que, por séculos, vinham separando muçulmanos, cristãos, judeus e as diversas outras facções nas quais a família humana se havia dividido. Escritos e Discursos Os Escritos de ‘Abdu’l-Bahá são muito numerosos e estão, na maior parte, em forma de cartas aos bahá’ís e a inquiridores. Grande número de Seus discursos e palestras foi registrado e muitos foram publicados. Dos milhares de peregrinos que O visitaram em ‘Akká e Haifa, muitos descreveram suas impressões, e alguns destes registros acham-se impressos. Assim estão completamente preservados Seus ensinamentos, os quais abrangem uma grande variedade de assuntos. A respeito de


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vários problemas tanto do Oriente quanto do Ocidente, Ele tratou mais amplamente do que o fizera Seu pai, dando aplicações mais detalhadas dos princípios gerais determinados por Bahá’u’lláh. Muitos desses Seus Escritos não foram traduzidos ainda para nenhuma língua ocidental, mas já há o bastante para dar um conhecimento amplo e profundo dos princípios mais importantes dos Seus ensinamentos. Ele falava o persa, o árabe e o turco. Nas viagens ao Ocidente, as palestras eram sempre traduzidas, com o que certamente muito perdiam de sua beleza, eloqüência e força; não obstante, tal era o poder do Espírito que acompanhava Suas palavras que todos que O ouviam ficavam impressionados. Posição de ‘Abdu’l-Bahá A Abençoada Perfeição indica na seguinte passagem a incomparável posição que designara a ‘Abdu’l-Bahá: Quando o oceano de Minha presença tiver refluído, e o Livro de Minha Revelação se achar completo, volvei vossas faces Àquele eleito por Deus, Aquele que brotou desta Raiz Antiga. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas, K121, pp. 50-51.

E outra vez: ...para qualquer coisa no Livro que não compreendais, dirigivos Àquele que ramificou deste poderoso Tronco.

O próprio ‘Abdu’l-Bahá escreveu o seguinte: Segundo o texto explícito do Kitáb-i-Aqdas, Bahá’u’lláh designou o Centro do Convênio para ser o Intérprete da Sua Palavra – um Convênio tão firme e poderoso que, desde o princípio do tempo até o dia presente, nenhuma Dispensação religiosa produziu outro semelhante.


‘ABDU’L-BAHÁ: O SERVO DE BAHÁ

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Foi exatamente pela completa servitude com que ‘Abdu’l-Bahá promulgava a Fé de Bahá’u’lláh por todo o Oriente e o Ocidente que resultava algumas vezes em confusão na crença dos adeptos a respeito de Sua posição. Percebendo a pureza do espírito que animava Suas palavras e ações, cercados como estavam de influências religiosas que assinalavam o desmoronamento das doutrinas tradicionais, alguns bahá’ís imaginavam que honrariam ‘Abdu’l-Bahá comparando-O a um Manifestante ou saudando-O como a “volta de Cristo”. Nada Lhe causou tão intensa tristeza como essa falha em perceber que Sua capacidade de servir Bahá’u’lláh procedia da pureza do espelho voltado para o Sol da Verdade, e não do próprio Sol. Além disso, diferente das Revelações anteriores, a Fé trazida por Bahá’u’lláh continha a potência de uma sociedade humana universal. Durante a missão de ‘Abdu’l-Bahá, que abrangeu o período de 1892 a 1921, a Fé evoluiu através de etapas sucessivas de desenvolvimento na direção de uma verdadeira ordem mundial. Seu desenvolvimento necessitou de uma contínua orientação e de instruções específicas por parte de ‘Abdu’l-Bahá, único conhecedor da plenitude dessa nova e potente inspiração trazida à terra nesta época. Até o falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, quando se tornou conhecida Sua Última Vontade e Testamento, sendo sua significação exposta por Shoghi Effendi, o Guardião da Fé, os bahá’ís quase que inevitavelmente atribuíam à orientação de seu bem-amado Mestre um grau de autoridade espiritual que se igualava ao do Manifestante. Não mais se notam os efeitos de tão ingênuo entusiasmo dentro da comunidade bahá’í. Tendo os bahá’ís adquirido uma compreensão mais nítida do mistério daquelas incomparáveis devoção e servitude, tanto mais conscientemente podem hoje apreciar o caráter extraordinário da missão cumprida por ‘Abdu’l-Bahá. A Fé que parecia tão fraca e impotente em 1892, em vista do exílio e encarceramento de seu Exemplo e Intérprete, tem, desde aquele tempo, com poder irresistível, levantado comunidades em muitos países*, e desafia a fraqueza de uma civilização decadente com *Desde a publicação da primeira edição deste livro em 1928, a Fé a tal ponto se difundiu pelo mundo que existem agora bahá’ís residindo em mais de 220 países e territórios (em mais de 110.000 localidades). Para informações atualizadas acessar sites da web. (n.e.)


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ensinamentos que são únicos em revelar o futuro de uma humanidade desesperada. A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá expõe com perfeita clareza o mistério das posições do Báb e de Bahá’u’lláh, e Sua própria missão: É esse o fundamento da crença do povo de Bahá (seja minha vida sacrificada por Eles). Sua Santidade, o Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Antiga Beleza. Sua Santidade, a Beleza de Abhá, (seja minha vida um sacrifício por Seus amigos fiéis!) é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua Mais Divina Essência. Todos os demais são Seus servos e fazem o que Ele ordena. A Última Vontade e Testamento, p. 22.

Por esta e por muitas outras afirmações nas quais ‘Abdu’l Bahá acentuou a importância de fundamentar o conhecimento da Fé em Suas Epístolas gerais, ficou estabelecido um alicerce para a unidade de crença, que resultou no rápido desaparecimento das diferenças de compreensão causadas pela referência às Suas Epístolas ‘Abdu’lBahá endereçadas a indivíduos, nas quais o Mestre respondia a perguntas pessoais. Acima de tudo, o estabelecimento de uma bem definida ordem administrativa, dirigida pelo Guardião, transferiu às instituições toda a autoridade anteriormente exercida ‘Abdu’lBahá na forma de prestígio e influência dos bahá’ís individualmente, nos vários grupos locais. Exemplo de Vida Bahá’í Bahá’u’lláh foi o proeminente Revelador do Verbo. Seus quarenta anos de prisão deram-Lhe apenas limitadas oportunidades para contato com Seus semelhantes. A ‘Abdu’l-Bahá, portanto, coube a importante incumbência de expoente da Revelação, o Executor


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do Verbo, o Grande Exemplar da vida bahá’í em real contato com o mundo hodierno nas mais diversas fases de sua miríade de atividades. Ele mostrou ser ainda possível, em meio ao intenso torvelinho que é a vida moderna, em meio ao egoísmo e à luta pela prosperidade material que em toda parte prevalecem, ter-se uma vida de inteira devoção a Deus e serviço ao próximo, assim como Cristo e Bahá’u’lláh e todos os Profetas exigiram dos homens. Por um lado, rodeado de provações e vicissitudes, calúnias e perfídia, e por outro, de amor e louvor, devoção e veneração, Ele manteve-Se como um farol edificado numa rocha, no inverno, batido pelas tempestades em fúria, no verão, acariciado pelo oceano, Seu porte e serenidade permanecendo sempre firmes e inabaláveis. Ele viveu a vida de fé, e exorta Seus seguidores a vivê-la aqui, neste mundo, e agora. Ele ergueu em meio a um mundo belicoso a Bandeira da Unidade e da Paz, o Estandarte de uma Nova Era, e assegura àqueles que se levantem em seu apoio que serão inspirados pelo Espírito do Novo Dia. É o mesmo Espírito Santo que inspirou os Profetas e Santos da Antigüidade, mas é uma nova emanação desse Espírito, apropriada às necessidades do novo tempo.


Capítulo 5

QUE É UM BAHÁ’Í? O homem deve produzir frutos. Quem não dá fruto algum é – nas palavras do Espírito (Jesus) – semelhante a uma árvore infrutífera, a qual não é digna, senão do fogo. Bahá’u’lláh. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 70.

Disse uma vez Herbert Spencer, que por nenhuma alquimia política é possível extrair conduta áurea de instintos de chumbo, e é também verdade que por nenhuma alquimia política é possível extrair uma sociedade áurea de indivíduos de chumbo. Bahá’u’lláh, como todos os Profetas anteriores, proclamou esta verdade e ensinou que, a fim de estabelecer o Reino de Deus na terra, primeiro era preciso fazê-lo no coração dos homens. Ao examinarmos os ensinamentos bahá’ís, portanto, começaremos pelas instruções de Bahá’u’lláh sobre a conduta individual, e tentaremos formar um conceito claro do que significa ser um bahá’í. A Vida Bahá’í Tendo alguém Lhe perguntado, em certa ocasião: “Que é um bahá’í?”, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: “Ser bahá’í significa simplesmente amar a todos; amar à humanidade e esforçar-se por servi-la; trabalhar pela paz e fraternidade universais.” Noutra ocasião, definiu um bahá’í como sendo “uma pessoa dotada de todas as perfeições humanas em ação”. Num de Seus discursos em Londres, disse que uma pessoa pode ser um bahá’í mesmo que nunca tenha ‘Abdu’l-Bahá ouvido o nome de Bahá’u’lláh. Disse ainda:


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A pessoa que vive a vida de acordo com os ensinamentos de Bahá’u’lláh já é um bahá’í. Por outro lado, uma pessoa pode se chamar de bahá’í por cinqüenta anos e se não viver a vida (bahá’í) não é bahá’í. Uma pessoa feia pode se chamar bela, mas não engana a ninguém... Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Londres – 1911, pp. 95-96.

Quem não conhece os Mensageiros de Deus, entretanto, é como uma planta que cresce na sombra. Embora não conheça o sol, dele depende inteiramente. Os grandes Profetas são sóis espirituais e Bahá’u’lláh é o sol deste “Dia” em que nós vivemos. Os sóis dos dias passados aqueceram e vivificaram o mundo e, se não tivessem brilhado, a Terra estaria agora fria e morta, mas somente o sol de hoje pode amadurecer os frutos que os sóis dos dias anteriores trouxeram à vida. Devoção a Deus A fim de que seja atingida a vida bahá’í em toda a sua plenitude, uma cônscia e direta relação com Bahá’u’lláh é tão necessária como é o sol para o desabrochar do lírio ou da rosa. O bahá’í não adora a personalidade humana de Bahá’u’lláh, e sim a Glória de Deus manifesta através dessa personalidade. Ele venera a Cristo, a Muhammad e a todos os antigos Mensageiros de Deus à humanidade, mas reconhece Bahá’u’lláh como o portador da Mensagem de Deus para a nova era em que vivemos, como o Grande Educador Mundial que veio prosseguir e consumar a obra de Seus predecessores. A aceitação intelectual de um credo não faz de um homem um bahá’í, nem a aparente retidão de conduta. Bahá’u’lláh exige de Seus discípulos uma devoção sincera e completa. Somente Deus tem o direito de fazer tal exigência, mas Bahá’u’lláh fala como Manifestante de Deus e Revelador de Sua Vontade. Os Manifestantes anteriores foram igualmente claros quanto a esse


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ponto. Cristo disse: “Se alguém quiser Me seguir, que renuncie a si mesmo, e tome sobre si a sua cruz, e siga-Me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor a Mim, salvá-la-á.” Em palavras diferentes, todos os Manifestantes de Deus fizeram esta mesma exigência aos Seus discípulos, e a história da religião mostra claramente que enquanto esta exigência era francamente reconhecida e aceita, a religião florescia, a despeito de toda a oposição terrena, a despeito das aflições, das perseguições e do martírio dos seguidores. Por outro lado, todas as vezes que a consideração aos ditames da sociedade e a sua “respeitabilidade” vêm a substituir a dedicação incondicional, a religião decai. Tornouse moda, mas perdeu seu poder de salvar e transformar, seu poder de fazer milagres. A verdadeira religião jamais esteve em moda. Permita Deus que algum dia ela esteja; mas ainda é verdade, assim como nos dias de Cristo, que “estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que a encontrem”. A porta do nascimento espiritual, como a do natural, somente dá passagem aos homens um a um, e quando não há empecilhos. Se no futuro o número de pessoas que conseguir passar por esse caminho for maior do que no passado, não será porque a passagem tenha sido alargada, e sim, por causa de uma maior disposição por parte dos homens em atingir a “grande renúncia” que Deus exige; porque longa e amarga experiência fez com que vissem, finalmente, a loucura de escolher seu próprio caminho em lugar do caminho de Deus. Busca da Verdade Bahá’u’lláh prescreve a justiça a todos os Seus seguidores e assim a define: A essência de tudo o que temos revelado é a justiça; está em se livrar da vã fantasia e da imitação; com os olhos da unidade deve o homem discernir a Glória de Deus, e averiguar todas as coisas com visão perspicaz. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 175.


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É necessário que cada indivíduo veja e compreenda por si mesmo a Glória de Deus manifesta no templo humano de Bahá’u’lláh; de outro modo, a Fé Bahá’í não lhe seria mais do que um nome sem significação. O chamado dos Profetas à humanidade tem sempre sido para que abra seus olhos, não os feche, use sua razão, não a suprima. É a visão clara e o pensamento livre, não a credulidade servil, que a tornará capaz de penetrar as nuvens do preconceito, a livrar-se dos grilhões da imitação cega, e a atingir a compreensão da verdade de uma nova Revelação. Aquele que quiser ser um bahá’í precisa buscar destemidamente a verdade, sem contudo limitar sua busca ao plano material. Seus poderes de percepção espiritual devem ser tão despertos quanto os físicos. Ele deve usar todas as faculdades que Deus lhe deu para a aquisição da verdade, em nada acreditando sem motivo válido e suficiente. Se seu coração for puro e sua mente estiver livre de preconceitos, quem busca sinceramente não deixará de reconhecer a Glória Divina, seja qual for o templo em que possa manifestar-Se. Bahá’u’lláh declara também: O homem deve conhecer a si próprio e reconhecer o que leva à sublimidade ou à humilhação, à glória ou ao rebaixamento, à riqueza ou à pobreza. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 43.

A origem de toda a erudição é o conhecimento de Deus – exaltada seja Sua glória – e este só será atingido através do conhecimento de Seu Manifestante Divino. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 175.

O Manifestante é o Homem Perfeito, o grande Exemplar para a Humanidade, o Primeiro Fruto da árvore do gênero humano. Antes de O conhecermos, não conhecemos as possibilidades latentes que existem dentro de nós. Cristo nos diz que devemos contemplar os lírios, como crescem, e declara que Salomão, em toda a sua glória, não adornou-se como aqueles. O lírio cresce de uma raiz


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absolutamente sem atrativos. Se nunca tivéssemos visto o desabrochar do lírio, se jamais tivéssemos contemplado o incomparável encanto de sua folhagem e flor, como poderíamos conceber a realidade contida nessa raiz? Ainda que pudéssemos dissecá-la com o maior cuidado e a examinássemos minuciosamente, jamais descobriríamos a beleza adormecida que o jardineiro sabe como despertar. Assim, antes que tenhamos visto a Glória de Deus revelada no Manifestante, não podemos fazer uma idéia da beleza espiritual latente em nossa própria natureza e na dos nossos semelhantes. Conhecendo e amando ao Manifestante de Deus e seguindo os Seus ensinamentos, tornamonos capazes, pouco a pouco, de compreender as perfeições potenciais dentro de nós mesmos; então, e não antes, a significação e o propósito da vida e do universo tornam-se visíveis para nós. Amar a Deus Conhecer o Manifestante de Deus significa também amáLo. Uma coisa é impossível sem a outra. Segundo Bahá’u’lláh, o objetivo da criação do homem é que ele possa conhecer a Deus e adorá-Lo. Assim diz Ele numa de Suas Epístolas: O amor foi a causa da criação de todos os seres contingentes, como diz a conhecida tradição. “Eu era um Tesouro Oculto. Desejei tornar-Me conhecido, e assim Eu trouxe a criação à existência para que Me pudesse conhecer”. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas, n23, p. 145.

Também na obra As Palavras Ocultas, Bahá’u’lláh diz: Ó Filho do Ser! Ama-Me, a fim de que Eu te possa amar. Se não Me amas, de modo algum pode o Meu amor te atingir. Sabe isto, ó servo! Ó Filho da Visão Maravilhosa! Insuflei em ti um sopro de Meu próprio Espírito, a fim de que Me pudesses amar. Por


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que Me abandonaste e quiseste outro, que não Eu, como teu bem-amado?

Ter amor a Deus! Este é o objetivo único da vida para o bahá’í. Ter a Deus como seu maior companheiro e mais íntimo amigo, seu Incomparável Bem-Amado, em cuja Presença está a plenitude do contentamento! E amar a Deus significa amar a tudo e a todos, pois todos provêem de Deus. O verdadeiro bahá’í será a personificação perfeita do amor. A todos amará com um coração puro, fervorosamente. A ninguém odiará. A ninguém desprezará, pois terá aprendido a ver a face do Bem-Amado em toda face, e a ver Seus traços em toda parte. Seu amor não conhecerá limites de credo, nação, classe ou raça. Diz Bahá’u’lláh: Em tempos remotos se revelou: “O amor à pátria é elemento da Fé Divina.” No dia de Sua manifestação, porém, a Língua da Grandeza proclamou: “Não se vanglorie quem ama sua pátria, mas sim, quem ama o mundo.” Bahá’u’lláh. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 80.

E mais: Bem-aventurado quem prefere seu irmão antes de si próprio. Verdadeiramente, de acordo com a Vontade de Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria, tal homem figura entre o povo de Bahá, que habita na Arca Carmesim. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 83.

‘Abdu’l-Bahá nos diz que devemos ser “como uma só alma em muitos corpos, pois quanto mais amarmos uns aos outros, mais próximos estaremos de Deus”. A um auditório norte-americano Ele disse: De igual modo, as divinas religiões dos santos Manifestantes de Deus são, na realidade, a mesma, embora sejam designadas


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA por nomes diferentes. O homem deve amar a luz, não importa em que horizonte ela surja. Ele deve amar a rosa, não importa em que solo ela cresça. Ele deve ser um buscador da verdade, não importa de que fonte ela provenha. Apego à lâmpada não significa amor à luz. Apego à terra é indigno, o que é digno é desfrutar a rosa que surge do solo. Devoção à árvore é inútil, benéfico é participar dos frutos. Frutos deliciosos devem ser saboreados, não importa em que árvore cresçam ou onde sejam encontrados. A palavra da verdade deve ser apoiada, não importa que língua a pronuncie. Verdades absolutas devem ser aceitas, não importa em que livro estejam registradas. Se fomentarmos o preconceito, ele será causa de privação e ignorância. O conflito entre religiões, nações e raças surge da incompreensão. Se investigarmos as religiões para descobrirmos os princípios subjacentes aos seus fundamentos, veremos que elas estão de acordo; pois a realidade fundamental delas é uma e não múltipla. Através disso, os seguidores das religiões do mundo chegarão à sua unidade e reconciliação. A Promulgação da Paz Universal, p. 187.

Ele disse ainda: Cada um dos bem-amados deve amar aos outros e não lhes negar suas possessões e sua vida, e deve procurar por todos os meios fazê-los alegres e felizes. Mas estes outros devem também ser desinteressados e abnegados. Assim pode este Sol Nascente inundar os horizontes, esta Melodia alegrar e fazer felizes a todos os povos, este Remédio Divino tornar-se a panacéia para todas as doenças, este Espírito da Verdade converter-se em fonte de vida para cada alma. Tablets of Abdul-Baha, vol. I, p. 147.

Desprendimento Devoção a Deus implica também em desprendimento de tudo que não seja de Deus, isto é, desprendimento de todos os


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desejos egoísticos e mundanos, e mesmo dos que dizem respeito à vida do outro mundo. O Caminho de Deus pode passar pela riqueza ou pobreza, saúde ou doença, por um palácio ou uma masmorra, um jardim de rosas ou uma câmara de tortura. Qualquer que seja seu destino, o bahá’í aprenderá a aceitá-lo com “aquiescência radiante”. O desprendimento não quer dizer estulta indiferença ao que lhe rodeia, ou resignação passiva às más condições; nem significa desprezar as boas coisas criadas por Deus. O verdadeiro bahá’í não será insensível, apático, nem ascético. Encontrará abundante interesse, abundante trabalho e abundante alegria no Caminho de Deus, mas dele não se desviará nem sequer pela grossura de um fio de cabelo em busca de prazer, nem cobiçará o que Deus lhe haja negado. Quando um homem se torna um bahá’í, a Vontade de Deus vem a ser sua vontade, pois estar em desacordo com Deus é o que ele não pode tolerar. No Caminho de Deus, não há males que lhe possam amedrontar, nem aborrecimentos que lhe possam desanimar. A luz do amor ilumina seus dias mais escuros, muda os sofrimentos em alegria, e o próprio martírio, em êxtase. A vida é elevada ao plano heróico e a morte torna-se uma alegre aventura. Bahá’u’lláh diz: Pois quem nutre em seu coração o amor a qualquer um além de Mim, seja na extensão de uma semente de grão de mostarda, não poderá ser admitido em Meu Reino. O Chamado do Senhor das Hostes, pp. 43-44.

Ó Filho do Homem! Se Me amas não te prendas a ti mesmo; e se buscas Meu prazer, não consideres o teu próprio; para que tu morras em Mim e Eu possa viver eternamente em ti. Ó Meu Servo! Liberta-te dos grilhões desse mundo e desprende tua alma da prisão do ego. Aproveita tua oportunidade, pois não mais te virá. As Palavras Ocultas, no 7 do árabe e no 40 do persa


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Obediência Devoção a Deus envolve obediência implícita aos Seus Mandamentos revelados, mesmo quando a razão destes não é compreendida. O marinheiro obedece implicitamente às ordens de seu capitão, ainda que ignore a razão delas; a sua submissão à autoridade, porém, não é cega. Ele sabe muito bem que o capitão prestou serviços em cada posto e deu fartas provas de competência como navegador. Se assim não fosse, ele seria insensato, realmente, em submeter-se à sua autoridade. Assim, o bahá’í deve obedecer implicitamente ao Capitão de sua Salvação, mas seria insensato, em verdade, se primeiro não se certificasse ter esse Capitão dado provas sobejas de ser digno de confiança. Tendo recebido tais provas, porém, ele seria ainda mais insensato em recusar-se a obedecê-Lo, pois somente pela obediência inteligente e consciente ao mestre sábio é que podemos colher os benefícios de sua sabedoria e adquirir esta sabedoria para nós próprios. Por mais sábio que fosse o capitão, se a tripulação não lhe obedecesse, como poderia o navio alcançar o porto ou os marinheiros aprender a arte da navegação? Cristo mostrou claramente que a obediência é o caminho do saber. Ele disse: A minha doutrina não é minha, mas dAquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se Eu falo de mim mesmo. João, 7:16-17.

Outrossim, diz Bahá’u’lláh: A verdadeira crença em Deus e o reconhecimento dEle não podem estar completos, a não ser que seja aceito o que Ele revelou, e seja observada qualquer coisa que Ele tivesse decretado e que fosse assentada no Livro pela Pena de Glória. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 60.


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Obediência implícita não é uma virtude popular nestes dias democráticos e, de fato, inteira submissão à vontade de um simples homem seria desastrosa. A Unidade do Gênero Humano, porém, somente pode ser alcançada através da completa harmonia de todos com a Vontade Divina. A não ser que essa Vontade seja claramente revelada e os homens abandonem todos os outros dirigentes e obedeçam ao Mensageiro Divino, os conflitos e lutas prosseguirão e os homens continuarão opor-se uns aos outros, a dedicar uma grande parte de sua energia à frustração dos esforços de seus semelhantes, em vez de trabalhar harmoniosamente para a Glória de Deus e o bem-estar comum. Serviço Devoção a Deus implica em uma vida de serviço aos nossos semelhantes. De nenhum outro modo podemos servir a Deus. Se voltarmos as costas aos nossos semelhantes, estaremos também voltando as costas a Deus. Cristo disse: “Sempre que não o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim não o fizestes.” Disse também Bahá’u’lláh: Ó filho do homem! Se teus olhos estiverem volvidos para a misericórdia, abandona as coisas que te são proveitosas e apega-te ao que trará proveito à humanidade. E se teus olhos estiverem volvidos para a justiça, escolhe para o teu próximo aquilo que para ti próprio escolherias. Epístola ao Filho do Lobo, p. 45.

‘Abdu’l-Bahá diz: Na Causa Bahá’í, as artes, as ciências e todos os ofícios são (considerados como) adoração. O homem que faz uma folha de papel de escrever com o máximo de sua habilidade, conscienciosamente, concentrando toda a eficiência em


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA aperfeiçoá-la, está louvando a Deus. Em poucas palavras, todo esforço, toda função desempenhada pelo homem, de todo o coração, se for movida pelos mais nobres propósitos e pelo desejo de servir à humanidade, é adoração. Isto é adoração: servir à humanidade e suprir as necessidades do povo. Servir é orar. “Um médico, cuidando do doente benignamente, ternamente, livre de preconceito e crente na solidariedade da raça humana, está louvando a Deus”. Palestras de Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 175.

A Disseminação dos Ensinamentos O verdadeiro bahá’í não só acredita nos ensinamentos de Bahá’u’lláh como também encontra neles a guia e inspiração de sua vida inteira, e alegremente transmite aos outros o conhecimento que é a fonte do seu próprio ser. Somente assim receberá ele “o poder e a confirmação do Espírito” em sua plenitude. Nem todos podem ser oradores eloqüentes ou bons escritores, mas todos podem ensinar pelo “exemplo de vida”. Diz Bahá’u’lláh: Incumbe, ao povo de Bahá, através do poder de Suas palavras, fazer o Senhor triunfar e, por meio de suas belas ações e de seu bom caráter, admoestar o povo, desde que a influência exercida por ações é maior do que a de palavras. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 67.

O bahá’í, entretanto, em hipótese alguma imporá suas idéias àqueles que não querem ouvi-las. Atrairá as pessoas ao Reino de Deus, não tentará forçá-las a isso. Será como o bom pastor que conduz o seu rebanho e encanta suas ovelhas com sua música, ao contrário daquele que as empurra com cães e bastão. Diz Bahá’u’lláh em As Palavras Ocultas: Ó Filho do Pó! Sábios são aqueles que não falam salvo se tiverem quem ouça, assim como o portador da taça, que só a oferece quando encontra quem a procure, e o apaixonado,


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que não exclama das profundezas de seu coração antes de fitar a beleza de sua bem-amada. Lança, pois, as sementes da sabedoria e do conhecimento no solo puro do coração, e guarda-as ocultas, até que os jacintos da sabedoria divina brotem do coração, e não do lodo e do barro.

E ainda, na Epístola de Ishráqát, Ele diz: Ó povo de Bahá! Sois os mananciais do amor de Deus e as fontes de Sua benevolência. Não corrompais vossas línguas amaldiçoando e causando injúria a qualquer alma, e guardai vossos olhos de tudo que não seja condigno. Apresentai o que possuís. Se for recebido favoravelmente, tereis atingido vosso objetivo; se não, protestar é inútil. Deixai tal alma a sós e volvei-vos ao Senhor, o Protetor, o Subsistente por Si próprio. Não sejais causa de tristeza, muito menos de discórdia e contenda. Nutre-se a esperança de que possais obter a educação verdadeira à sombra da árvore de Sua terna misericórdia e agir de acordo com o que Deus deseja. Sois todos as folhas de uma só árvore e as gotas de um mesmo oceano. O Kitáb-i-Aqdas, p. 73.

Cortesia e Reverência Bahá’u’lláh diz: Ó povo de Deus! Eu vos admoesto que observeis cortesia, pois é aquilo que, acima de tudo mais sobressai como um príncipe entre as virtudes. Feliz aquele que está iluminado com a luz da cortesia e ataviado com a vestidura da retidão. Quem está imbuído de cortesia atingiu, em verdade, um grau sublime. Espera-se que este Ser Oprimido e todos os demais homens sejam capacitados a adquiri-la e a ela e segurar firmemente, a observá-la e nela fixar o olhar. É este um


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA mandamento inescapável que emanou da Pena do Nome Supremo. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 100.

E repetidas vezes Ele diz: É permitido que os povos e raças do mundo se associem uns com os outros jubilosa e radiantemente. Ó povo! Convivei com os seguidores de todas as religiões em espírito amistoso e fraternal. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 30.

‘Abdu’l-Bahá diz, numa carta aos bahá’ís da América: Acautelai-vos! Acautelai-vos! Para que não ofendais a nenhum coração! Acautelai-vos! Acautelai-vos! Para não ferir nenhuma alma! Acautelai-vos! Acautelai-vos! Para que a pessoa alguma trateis de um modo pouco bondoso! Acautelai-vos! Acautelai-vos! Para que não sejais causa de desespero para nenhuma criatura! Fosse alguém tornar-se causa de pesar a algum coração, ou de desânimo a qualquer alma, melhor seria que se escondesse nas ínfimas profundezas da terra do que sobre ela andasse.

Ele ensina que assim como a flor está escondida no botão, também um espírito de Deus habita no coração de todo homem, não importa sua aparência exterior, por dura e desagradável que seja. O verdadeiro bahá’í, pois, tratará a todas as pessoas do mesmo modo que o jardineiro cuida de uma bela e rara planta. Ele sabe que nenhuma intervenção impaciente de sua parte pode fazer o botão abrir-se em uma flor; somente Deus, por intermédio dos raios solares, pode fazer isso. Por conseguinte, Seu objetivo é levar estes raios vivificantes a todos os corações e lares obscurecidos. ‘Abdu’l-Bahá diz ainda:


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Entre os ensinamentos de Bahá’u’lláh há um que exige do homem, sob todas as condições e circunstâncias, que perdoe, que ame ao seu inimigo, e considere uma pessoa que lhe quer mal como uma pessoa que lhe quer bem. Isso não quer dizer que se considere a alguém como inimigo, e então o suporte... e tolere. Isto é hipocrisia e não verdadeiro amor. Não, pelo contrário, deveis ver os vossos inimigos como amigos, as pessoas que vos desejam mal como pessoas que vos desejam bem, e tratá-las de acordo. Vosso amor e bondade devem ser verdadeiros... não apenas por tolerância, porque a tolerância, se não vem do coração, é hipocrisia. Star of the West, vol. IV, p. 191.

Tal conselho parece ininteligível e contraditório até compreendermos que, embora o exterior físico do homem possa ser rancoroso e malévolo, há, dentro de cada um, a natureza interior, espiritual, que é o verdadeiro homem, do qual somente o amor e benevolência podem emanar. É para este homem verdadeiro, interior, dentro de cada um de nossos semelhantes, que devemos dirigir nosso pensamento e amor. Quando este desperta e entra em atividade o homem exterior é transformado e renovado. Olhos que Não Vêem o Pecado Em nenhum assunto são os ensinamentos bahá’ís mais imperativos e incondicionais do que na exigência da abstenção de fazer críticas. Cristo falou com muita veemência sobre o mesmo assunto, mas hoje tornou-se usual considerar-se o Sermão da Montanha uma composição de “Conselhos de Perfeição” que não se pode esperar sejam seguidos pelo cristão comum. Não só Bahá’u’lláh, como ‘Abdu’l-Bahá, empenharam-se em tornar claro que tudo o que Eles dizem sobre este assunto é o que Eles esperam que seja cumprido. Lemos em As Palavras Ocultas:


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Ó Filho do Homem! Nem sequer sussurres os pecados alheios enquanto tu próprio fores pecador. Fosses tu transgredir este mandamento, maldito serias, e disso dou testemunho. Ó Filho do Ser! Não atribuas a nenhuma alma o que não desejarias que a ti fosse atribuído, nem digas o que não cumpres. É este Meu mandamento a ti; observa-o.

‘Abdu’l-Bahá nos diz: Guardar silêncio sobre os defeitos dos outros, orar por eles e ajudá-los com bondade a corrigir seus defeitos. Olhar sempre para o bem e não para o mal. Se um homem tiver dez boas qualidades e uma só má, devemos olhar para as dez e esquecernos desta última; e se um homem tiver dez más qualidades e apenas uma boa, devemos olhar para esta e nos esquecermos das dez. Jamais nos consentir pronunciar uma única palavra que não seja bondosa sobre outra pessoa, ainda que seja nossa inimiga.

A um amigo americano, Ele escreve: A pior qualidade humana e o maior pecado é a calúnia, especialmente quando emana das línguas dos que crêem em Deus. Se fosse descoberto algum meio pelo qual as portas da calúnia pudessem ser eternamente fechadas, e cada um dos que crêem em Deus descerrasse os lábios em louvor aos outros, então os ensinamentos de Sua Santidade Bahá’u’lláh seriam disseminados, os corações iluminar-se-iam, os espíritos seriam glorificados, e o mundo humano atingiria a felicidade eterna. Star of the West, vol. IV, p. 192.

Humildade Enquanto somos ordenados a fechar os olhos ‘Abdu’l-Bahá para as faltas dos outros e a olhar para suas virtudes, somos ordenados,


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por outro lado, a descobrir nossas próprias faltas e a não levar em conta nossas virtudes. Bahá’u’lláh diz, em As Palavras Ocultas: Ó Filho do Ser! Como pudeste esquecer as tuas próprias faltas e ocupar-te com as alheias? Quem assim fizer, será por Mim abominado. Ó Emigrantes! A língua, Eu a designei para Me mencionar; não a corrompais com a difamação. Se a flama do ego vos sobrevier, lembrai-vos de vossas próprias faltas e não das faltas de Minhas criaturas, já que cada um de vós conhece a si mesmo melhor do que aos outros.

‘Abdu’l-Bahá diz: Seja a vossa vida uma emanação do Reino de Cristo. Ele não veio para ser servido, e sim, para servir.... Na religião de Bahá’u’lláh, todos são servos e servas, irmãos e irmãs. Assim que alguém se julgue um pouco melhor, um tanto superior aos outros, estará em posição perigosa e, a não ser que rejeite a semente de tal pensamento mau, ele não será um instrumento apto para o serviço do Reino. Descontentamento consigo mesmo é um sinal de progresso. Aquele que está satisfeito consigo é uma manifestação de Satã, e o que não está contente consigo mesmo é a manifestação do Misericordioso. Se uma pessoa tem mil qualidades boas, não deve olhar para elas; deve, ao contrário, esforçar-se em descobrir seus próprios defeitos e imperfeições.... Por mais que um homem possa progredir, está ainda imperfeito, porque há sempre um ponto à sua frente. E logo que olha para aquele ponto, ele torna-se descontente com sua própria condição e aspira atingir aquele estado. Elogio a si próprio é o sinal de egoísmo. Diário de Mírzá Ahmad Sohrab, 1914.


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Embora nos seja ordenado que reconheçamos nossas faltas e delas nos arrependamos com sinceridade, é definitivamente proibida a prática da confissão a padres ou a outras pessoas. Bahá’u’lláh nos diz em Bishárát (Boas Novas): O pecador, quando se encontra completamente desprendido e liberto de tudo, salvo de Deus, deve pedir dEle clemência e perdão. Não é permissível a confissão de pecados e transgressões perante seres humanos, pois isso jamais conduziu, nem haverá de conduzir ao perdão divino. Essa confissão diante de uma pessoa, além disso, resulta na humilhação e no rebaixamento, e Deus – exaltada seja Sua glória – não deseja a humilhação de Seus servos. Em verdade, Ele é o Compassivo, o Misericordioso. O pecador deve, entre ele e Deus, implorar misericórdia do Oceano da misericórdia, suplicar perdão do Céu da generosidade. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 32.

Veracidade e Honestidade Bahá’u’lláh diz na Epístola de Tarázát: Verdadeiramente, é a porta da segurança para todos os que habitam na terra e um sinal de glória da parte do TodoMisericordioso. Quem dela participa, tem participado, realmente, dos tesouros da riqueza e prosperidade. A fidedignidade é o maior portal que conduz à tranqüilidade e segurança dos povos. Dela a estabilidade de todo assunto tem, deveras, dependido e ainda depende. Todos os domínios de poder, de grandeza e de riquezas são iluminados por sua luz... Ó povo de Bahá! A fidedignidade é, verdadeiramente, a melhor das vestes para vossos templos e a mais gloriosa coroa para vossas cabeças. A ela segurai-vos firmemente, segundo o preceito de Quem ordena, dAquele que é de tudo informado. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 45-46.


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Ele diz ainda: A essência da fé está na escassez de palavras e na abundância de ações; se as palavras de um homem excedem as ações, saibam, verdadeiramente, que sua morte é melhor que sua vida. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 174.

‘Abdu’l-Bahá diz: A veracidade é a base de todas as virtudes do homem. Sem a veracidade, o progresso e sucesso da alma em todos os mundos são impossíveis. Quando este atributo sagrado for estabelecido no homem, todas as outras qualidades divinas também ‘Abdu’lBahá serão realizadas. Tablets of Abdul-Baha, vol. II, p. 459.

Que a luz da veracidade e honestidade resplandeça neles, de modo que todos aqueles que os contemplarem possam saber que sua palavra, no trabalho ou no lazer, será uma palavra para se confiar e depender.Esquecei o ego e trabalhai para toda a raça. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Londres – 1911, p. 114.

Auto-Realização Bahá’u’lláh constantemente exorta o homem a compreender e exprimir plenamente as perfeições latentes dentro dele – o verdadeiro ser interior como distinto do limitado ser exterior, o qual, quando muito, é apenas o templo e, demasiadas vezes, a prisão do verdadeiro homem. Diz Ele em As Palavras Ocultas: Ó Filho do Ser! Com as mãos do poder, Eu te fiz; com os dedos da potência, Eu te criei; e dentro de ti coloquei a essência de Minha luz. Que estejas contente com isso e nada mais busques, pois é perfeita Minha obra e inexorável Meu mandamento. Não questiones, nem alimentes dúvida sobre isto.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Ó Filho do Espírito! Eu te criei rico; porque te empobreces? Nobre te fiz; com o que te rebaixas? Da essência da sabedoria, Eu te concedi a existência; por que buscas iluminação de outro, senão de Mim? Da argila do amor, te moldei; como é que te ocupas com outro? Volta teus olhos a ti mesmo, a fim de que, dentro de ti, Me possas encontrar, forte, poderoso, O que subsiste por Si Próprio. Ó Meu Servo! És assim como uma espada de fina têmpera, oculta na escuridão de sua bainha, cujo valor se esconde do conhecimento do artífice. Que saias, pois, da bainha do ego e do desejo, para que teu mérito resplandeça e se manifeste ao mundo inteiro. Ó Meu Amigo! Tu és o sol dos céus de Minha santidade; não permitas que a corrupção do mundo eclipse teu esplendor. Rompe o véu da negligência, para que possas emergir, resplandecente, de trás das nuvens, e adornar todas as coisas com as vestes da vida.

A vida para a qual Bahá’u’lláh convoca Seus seguidores é certamente de tal nobreza que, em toda a vasta extensão das possibilidades humanas, nada há mais nobre ou mais belo a que o homem possa aspirar. A compreensão do ser espiritual dentro de nós mesmos significa a compreensão da verdade sublime de que nós viemos de Deus e a Ele haveremos de retornar. Esta volta a Deus é a meta gloriosa do bahá’í; mas, para atingi-la, o único caminho é o da obediência aos Seus Mensageiros escolhidos e, especialmente, ao Seu Mensageiro para a época em que vivemos, Bahá’u’lláh, o Profeta da Nova Era.


Capítulo 6

ORAÇÃO A oração é uma escada pela qual todos podem subir ao Céu. Muhammad

Conversação com Deus “A oração”, diz ‘Abdu’l-Bahá, “é a conversação com Deus”. A fim de tornar conhecida aos homens a Sua Mente e Vontade, Deus lhes deve falar numa linguagem que eles possam compreender, e isto Ele faz pela boca de Seus Santos Profetas. Enquanto fisicamente vivos, esses Profetas conversam com os homens face a face e transmitem-lhes a Mensagem de Deus, e depois de Sua morte, Sua mensagem continua a atingir as mentes humanas através de Seus dizeres registrados e de Seus escritos. Não é essa, porém, a única maneira pela qual Deus pode lhes falar. Há uma “linguagem do Espírito”, que é independente da fala ou da escrita, pela qual Deus pode comunicar-Se com aqueles cujos corações buscam a verdade e inspirar-lhes onde quer que estejam e seja qual for sua raça ou língua nativa. Nessa linguagem o Manifestante continua a manter a conversação com os fiéis depois de Sua partida deste mundo material. Após Sua crucificação, Cristo continuava a conversar com Seus discípulos e a inspirar-lhes. De fato, Ele os influenciou mais fortemente do que antes, e o mesmo tem sucedido com outros Profetas. ‘Abdu’l-Bahá fala muito sobre essa linguagem espiritual. Ele diz, por exemplo:


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Devemos falar na linguagem do céu, na linguagem do espírito, pois há uma linguagem do espírito e do coração. É tão diferente da nossa linguagem como a nossa o é da dos animais, que se exprimem apenas por gritos e sons. É a linguagem do espírito que fala a Deus. Quando, em oração, libertamo-nos de todas as coisas externas e voltamo-nos para Deus, é como se ouvíssemos no coração a voz de Deus. Sem palavras falamos, comunicamo-nos, conversamos com Deus e ouvimos a resposta... Todos nós, quando, atingimos uma verdadeira condição espiritual, podemos ouvir a voz de Deus. De uma palestra registrada pela srta. Ethel J. Rosenberg.

Bahá’u’lláh declara que as mais elevadas verdades espirituais só podem ser comunicadas por meio dessa linguagem espiritual. A palavra falada ou escrita é completamente inadequada. Num pequeno livro chamado Os Sete Vales, em que Ele descreve a jornada desde a morada terrestre até o Lar Divino, diz, tratando das etapas mais adiantadas da jornada: A língua falha ao tentar descrever estes três Vales, e as palavras são inadequadas. A pena não escreve nessa região; a tinta deixa apenas um borrifo.... Somente os corações, do êxtase dos sábios místicos podem falar; pois não há mensageiro ou missiva que consiga relatar*. Bahá’u’lláh. Os Sete Vales, pp. 29-30.

A Atitude Devocional A fim de que possamos atingir a condição espiritual em que se torne possível conversarmos com Deus, ‘Abdu’l-Bahá diz: Devemos nos esforçar para atingirmos essa condição, separando-nos de todas as coisas e do povo do mundo, e voltando-nos para Deus somente. Será preciso algum esforço por parte do homem para alcançar tal estado, mas ele deve *Este trecho é do poeta persa, Shamsu’d-Dín Muhhamad, de Shíráz.


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trabalhar para isso, lutar por isso. É pensando e cuidando menos das coisas materiais, e mais das coisas espirituais, que podemos atingi-lo. Quanto mais nos afastamos de uma, mais próximos estamos da outra. A escolha é nossa. Nossa percepção espiritual, nossa visão interior, deve ser aberta, de modo que possamos em tudo ver os sinais e traços do Espírito de Deus. Tudo nos pode refletir a luz do Espírito. De uma palestra registrada pela srta. Ethel J. Rosenberg.

Bahá’u’lláh escreveu: Aquele que busca deve... ao alvorecer de cada dia, comungar com Deus e perseverar de toda a alma na busca do BemAmado. Com a chama de Sua amorosa menção, deve ele consumir todo pensamento refratário... Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 198-199.

Da mesma maneira, ‘Abdu’l-Bahá declara: Quando o homem permite ao espírito, através da alma, iluminar seu entendimento, então ele contém toda a Criação... mas, por outro lado, quando o homem não abre a mente e o coração às bênçãos do espírito, e sim inclina a alma para o lado material, na direção da parte corporal de sua natureza, então ele desce de sua alta posição e torna-se inferior aos habitantes do mais baixo reino animal. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris –1911, pp. 91-92.

Bahá’u’lláh escreve também: Livrai vossas almas, ó povo, da escravidão do eu, e purificaias de todo apego a qualquer coisa além de Mim. A lembrança de Mim limpa de contaminação todas as coisas – pudésseis vós apenas o perceber... Entoa, ó Meu servo, os versículos de Deus por ti recebidos... a fim de que a doçura de tua melodia possa


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA acender tua própria alma e atrair os corações de todos os homens. Se alguém, recluso em seu aposento, recitar os versículos revelados por Deus, os anjos do Todo-Poderoso, dispersando-se, difundirão por toda parte a fragrância das palavras emanadas de seus lábios... Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 219.

A Necessidade de um Mediador De acordo com ‘Abdu’l-Bahá: É necessário um mediador entre o homem e o Criador – alguém que receba a plena luz do Esplendor Divino e a irradie sobre a humanidade, do mesmo modo que a atmosfera da Terra recebe e difunde o calor dos raios solares. Divine Philosophy, p. 8.

Se desejamos orar, devemos ter algum objeto em que nos concentrarmos. Se nos voltamos para Deus, devemos dirigir nossos corações a algum centro. Se o homem adora a Deus de outro modo a não ser através de Seu Manifestante, deve primeiro formar um conceito de Deus, e este conceito é criado por sua própria mente. Como o finito não pode compreender o Infinito, assim Deus não pode ser compreendido deste modo. Aquilo que o homem concebe com sua própria mente é-lhe compreensível. Aquilo que ele pode compreender não é Deus. Aquele conceito de Deus que um homem forma por si próprio é apenas um fantasma, uma imagem, uma ilusão. Nenhuma conexão há entre tal conceito e o Ser Supremo. Se uma pessoa deseja conhecer a Deus, deve encontrá-Lo no espelho perfeito, Cristo ou Bahá’u’lláh. Em qualquer desses espelhos ele verá refletido o Sol Divino. Do mesmo modo que conhecemos o sol físico pelo seu esplendor, pela sua luz e calor, assim também conhecemos a Deus, o Sol Espiritual, quando Ele brilha do templo do Manifestante, pelos Seus atributos de


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perfeição, pela beleza das Suas qualidades, e pelo esplendor da Sua luz. De uma palestra com o sr. Percy Woodcock em ‘Akká, 1909.

Diz Ele ainda: A menos que o Espírito Santo se torne o intermediário, não se pode receber diretamente as dádivas de Deus. Não deixes de considerar a verdade óbvia, pois é evidente per se, que uma criança não pode ser instruída sem um professor, e o saber é uma das graças de Deus. O solo não se cobre de relva e vegetação sem a chuva das nuvens; por conseguinte, a nuvem é a intermediária entre as graças divinas e o solo.... A luz tem um centro e se alguém deseja procurá-la de outro modo que não seja do seu centro, jamais a atingirá.... Volta a tua atenção para os dias de Cristo; algumas pessoas imaginavam que sem as emanações Messiânicas fosse possível atingir a verdade, mas foi precisamente essa idéia que se tornou a causa da sua privação. Tablets of Abdul-Baha, vol. III, pp. 591-592.

Um homem que tenta adorar a Deus sem dirigir-se a Seu Manifestante é como um homem numa masmorra, tentando através de sua imaginação deleitar-se com as glórias da luz do sol. A Oração é Indispensável e Obrigatória O uso da oração é recomendado aos bahá’ís em termos inequívocos. Bahá’u’lláh diz no Kitáb-i-Aqdas: Recitai os versículos de Deus a cada manhã e anoitecer. Quem não os recita não é fiel ao Convênio de Deus e a Seu Testamento, e quem neste Dia se afasta destes versículos sagrados é dos que por toda a eternidade se afastaram de Deus. Temei vós todos a Deus, ó Meus servos!


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Não vos ufaneis de muito lerdes os versículos, ou da profusão de atos pios realizados noite e dia. Pois ler um único versículo com júbilo e radiância é melhor do que a leitura enfastiada de todos os Livros Sagrados de Deus, o Amparo no perigo, O que existe por Si só. Recitai os versículos sagrados em tal medida que vos não sobrevenha a prostração e o desânimo. Não sujeiteis vossas almas ao que lhes traz fadiga e abatimento, mas sim alívio e ânimo, para que se ergam nas asas dos versículos divinos rumo ao Nascente de Seus sinais manifestos. Assim vos aproximareis de Deus, se o apenas compreendêsseis. O Kitáb-i-Aqdas, K149, p. 59.

Diz ‘Abdu’l-Bahá a um correspondente: Ó tu, amigo espiritual!... Saiba que a oração é indispensável e obrigatória, e sob nenhum pretexto está o homem isento desta obrigação, a menos que sofra de uma doença mental ou um obstáculo intransponível o impeça. Tablets of Abdul-Baha, vol. III, p. 683.

Ao ser perguntado por outro correspondente: “Por que orar? Que sabedoria há nisto, já que Deus estabeleceu tudo e executa todas as coisas na melhor ordem – qual a sabedoria, pois, em rogar, e suplicar, e em expor os desejos e pedir auxílio?” ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Sabe tu que, em verdade, convém ao fraco suplicar ao Forte, e incumbe a quem aspira às graças suplicar ao Glorioso e Generoso. Quando se roga a seu Senhor, voltando-se a Ele e buscando graças de Seu Oceano, esta súplica traz luz ao seu coração, iluminação à sua vista, vida à sua alma e enlevo ao seu ser. Durante tuas súplicas a Deus e tuas recitações: “Teu Nome é minha cura,” considera o quanto teu coração se alegra,


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tua alma se deleita pelo espírito do amor de Deus e tua mente é atraída para o Reino de Deus! Através desta atração as habilidades e capacidades crescem. Quando o recipiente é ampliado, mais água pode conter, e quando a sede aumenta, as graças da nuvem tornam-se agradáveis ao paladar do homem. Eis o mistério da súplica e a sabedoria que há em expor as carências. De uma Epístola a um bahá’í americano, traduzida por ‘Alí Kulí Khán, outubro de 1908.

Bahá’u’lláh revelou três orações diárias obrigatórias. O crente tem a liberdade de escolher qualquer uma destas três orações, mas tem a obrigação de recitar uma delas e da maneira indicada por Bahá’u’lláh. A Oração Congregacional As orações que Bahá’u’lláh ordenou como obrigação diária para os bahá’ís devem ser recitadas individualmente. Só no caso da Oração pelos Mortos ordenou Bahá’u’lláh a oração congregacional, e a única exigência é que ela seja lida em voz alta e que todos permaneçam em pé. Isto difere da prática islâmica da oração congregacional, segundo a qual os crentes formam fileiras em pé atrás de um Imame, que dirige a oração, o que é proibido na Fé Bahá’í. Esses preceitos, que estão de acordo com a abolição do clero profissional por Bahá’u’lláh, não querem dizer que Ele não desse nenhum valor às reuniões para adoração. Sobre a importância de reunir-se para orar, ‘Abdu’l-Bahá disse o seguinte: Um homem talvez diga: “Posso orar a Deus quando quiser, quando os sentimentos do meu coração forem atraídos a Deus; quando estiver no deserto, na cidade, ou onde quer que eu esteja. Por que devo ir aonde outros se acham reunidos, num dia especial, a uma hora determinada, unir as minhas preces com as suas, quando eu talvez não esteja com disposição para orar?”


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA É fútil pensar-se assim, pois onde muitos se reúnem a força é maior. Soldados combatendo isolados e individualmente não têm a força de um exército unido. Se todos os soldados reúnem-se nessa guerra espiritual, seus sentimentos espirituais unidos auxiliam-se reciprocamente e suas preces tornam-se aceitáveis. De notas tomadas pela srta. Ethel Rosenberg.

Oração, a Linguagem do Amor A alguém que perguntou se a oração era necessária, visto que Deus conhece, presumivelmente, os desejos de todos os corações, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Se uma pessoa sente amor por outra, terá vontade de lhe dizer. Embora saiba que o amigo percebe que ele o ama, ele ainda terá vontade de lhe dizer.... Deus conhece os desejos de todos os corações. Mas o impulso à oração é natural, provindo do amor do homem a Deus. ...Não é preciso que a prece seja em palavras, mas antes, em pensamento e atitude. Mas se esse amor e desejo estão faltando, é inútil tentar forçá-los. Palavras sem amor nada significam. Se alguém conversar convosco como um desagradável dever, sem amor ou prazer, desejareis conversar com ele? Artigo em Fortnightly Review, junho de 1911, pela srta. E. S. Stevens.

Em outra palestra, Ele disse: Na oração mais elevada, os homens suplicam só pelo amor de Deus, e não por terem medo dEle ou do inferno, nem pela esperança de atingir graças ou o céu...Quando uma pessoa se enamora por um ser humano, torna-se-lhe impossível deixar de mencionar o nome de seu amado. Quanto mais difícil ainda é deixar de mencionar o Nome de Deus quando se vem a amá-


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Lo.... O homem espiritual não encontra prazer em outra coisa que não seja a comemoração de Deus. De notas da srta. Alma Robertson e outros peregrinos, novembro e dezembro de 1900.

A Salvação das Calamidades Segundo o ensinamento dos Profetas, as doenças e todas as outras formas de calamidades são devidas à desobediência aos Mandamentos Divinos. Até mesmo os desastres motivados por enchentes, furacões e terremotos são atribuídos por ‘Abdu’l Bahá indiretamente a esta causa. O sofrimento que se segue ao o erro não é, contudo, vingativo, e sim, educativo e remediador. É a Voz de Deus proclamando ao homem que ele desviou-se do caminho reto. Se o sofrimento é terrível, é só porque o perigo das más ações é mais terrível ainda, pois “a paga do pecado é a morte”. Assim como a calamidade é devida à desobediência, também é só pela obediência que a salvação da calamidade pode ser obtida. Não existe casualidade ou incerteza acerca disso. Afastar-nos de Deus nos traz inevitáveis desastres, ao passo que também serão inevitáveis as bênçãos se nos volvermos para Deus. Visto ser a humanidade, em seu todo, um só organismo, entretanto, o bem-estar de cada indivíduo não só depende de seu próprio comportamento, mas também do de seus semelhantes. Se alguém comete uma ação má, todos sofrem em maior ou menor grau; outrossim, uma boa ação a todos traz proveito. Cada um tem que suportar até certo ponto os fardos do próximo, e os melhores dos homens são aqueles que carregam os maiores fardos. Os santos sempre sofreram abundantemente; os Profetas sofreram superlativamente. Bahá’u’lláh diz no Kitáb-i-Íqán: Deveis ter sido informados, sem dúvida, das tribulações, da pobreza, das adversidades e da degradação que sobrevieram a todo Profeta de Deus e Seus companheiros. Deveis ter sabido


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA como as cabeças de Seus discípulos foram enviadas de presente a várias cidades... O Kitáb-i-Iqán, pp. 47-48.

Isto não é porque os santos e Profetas tenham merecido punição mais do que os outros homens. Não, eles sofrem muitas vezes pelos pecados dos outros, e escolhem sofrer por causa dos outros. Seu interesse é pelo bem-estar do mundo, não pelo seu próprio. A prece do verdadeiro amigo da humanidade não consiste em que ele, individualmente, livre-se da pobreza, da doença ou do desastre, e sim, em que a humanidade seja salva da ignorância e do erro, e das adversidades que deles inevitavelmente fluem. Se ele deseja a saúde ou a riqueza para si é para que possa servir ao Reino, e se a riqueza e saúde física lhe são recusadas, ele aceita sua sorte com “aquiescência radiante”, bem ciente de que há uma sabedoria inquestionável em tudo o que lhe suceda no Caminho de Deus. ‘Abdu’l-Bahá, diz: Padecimentos e infortúnios não nos chegam por acaso; são enviados pela Providência Divina para nosso próprio aperfeiçoamento. Enquanto o homem é feliz, pode esquecerse de Deus; mas quando vem a aflição, e as mágoas o oprimem, então lembrar-se-á de seu Pai que está no Céu e pode livrá-lo de suas humilhações. Quanto mais o homem é castigado, maior é a colheita de virtudes espirituais por ele produzida. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 39.

À primeira vista pode parecer muito injusto que o inocente deva sofrer pelo culpado, mas ‘Abdu’l-Bahá assegura-nos ser apenas aparente a injustiça, e que, afinal, prevalece a perfeita justiça. Ele escreve: Quanto aos bebês e crianças, e aos inválidos que são afligidos pelas mãos dos opressores... para essas almas há uma recompensa em outro mundo... esse sofrimento é a maior mercê de Deus.


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Verdadeiramente, esta mercê do Senhor é muito melhor do que todo o conforto deste mundo e o crescimento e progresso pertencentes a este lugar da mortalidade. Tablets of Abdul-Baha, vol. II, p. 337.

A Oração e a Lei Natural Muitos encontram dificuldade em acreditar na eficácia da prece, pois pensam que as respostas à oração implicariam em interferência arbitrária com as leis da natureza. Uma analogia pode ajudar a remover esta dificuldade. Se um ímã for colocado sobre algumas limalhas de ferro, estas saltarão para cima e aderir-se-ão, mas isso não implica em interferência com a lei da gravidade. A força da gravidade continua a agir sobre as limalhas tal como antes. Apenas foi posta em ação uma força superior – uma outra força cujo efeito é tão uniforme e tão calculável como a da gravidade. Segundo o ponto de vista bahá’í, a prece faz entrar em ação forças superiores até agora relativamente pouco conhecidas; mas parece não haver razão para se acreditar que estas forças sejam mais arbitrárias em sua ação do que as físicas. A diferença é que ainda não foram estudadas a fundo e experimentalmente investigadas, e parece misteriosa e incalculável a sua ação, por causa da nossa ignorância. Outra dificuldade diante da qual alguns ficam perplexos é que a oração parece uma força muito fraca para produzir os grandes resultados que freqüentemente se lhe atribuem. Uma analogia pode servir para esclarecer esta dificuldade também. Uma pequena força, quando aplicada à comporta de um reservatório, pode liberar e regular uma enorme vazão de potência hidráulica ou, quando aplicada ao leme de um vapor transatlântico, pode controlar o curso do enorme navio. Segundo o ponto de vista bahá’í, o poder que atende à oração é o inexaurível Poder de Deus. A parte do suplicante consiste apenas em exercer a pequena força necessária para liberar o fluxo ou determinar o curso da Divina Mercê, que está sempre pronta a servir àqueles que tiverem aprendido a valer-se dela.


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Orações Bahá’ís Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá revelaram inúmeras preces para uso de Seus seguidores em ocasiões diversas e para vários fins. A grandeza de conceito e a profunda espiritualidade reveladas nestes pronunciamentos devem impressionar a toda pessoa que estuda atenciosamente, mas sua significação só pode ser plenamente apreciada, e seu poder benéfico compreendido, fazendo-se de seu uso uma parte regular e importante da sua vida diária. Infelizmente, considerações de espaço nos impedem de dar mais do que alguns breves exemplos dessas orações. Para mais exemplos, o leitor deve se referir às outras obras. Ó Meu Senhor! Deixa Tua beleza ser meu alimento, e dá-me de beber de Tua presença. Que o Teu agrado seja minha esperança, e o louvor a Ti, a expressão de meus atos. Que Tua lembrança me acompanhe e o poder de Tua soberania me ampare. Que Tua habitação seja meu lar, e, minha morada, o lugar que santificaste das limitações impostas àqueles que se excluem de Ti como por um véu. Tu és, em verdade, o Todo-Poderoso, o Todo-Glorioso, o Potentíssimo. Orações e Meditações de Bahá’u’lláh, pp. 209-210.

Dou testemunho, ó meu Deus, de que Tu me criaste para Te conhecer e adorar. Confesso, neste momento, minha incapacidade e Teu poder, minha pobreza e Tua riqueza. Não há outro Deus além de Ti, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si próprio. Bahá’u’lláh, citado em: Orações Bahá’ís, p. 5.

Ó meu Deus! Ó meu Deus! Une os corações de Teus servos e revela-lhes Teu grande plano. Que sigam Teus mandamentos e permaneçam firmes em Tua lei. Ajuda-os, ó Deus, em seus esforços, e concede-lhes o poder de Te servirem. Ó Deus, não os abandones a si mesmos, mas guia seus passos pela luz do


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Teu conhecimento e, com Teu amor, alegra seus corações. Em verdade, Tu és seu Amparo, e seu Senhor. Bahá’u’lláh, citado em: O Alimento da Alma, p. 108.

Ó Tu senhor bondoso! Criaste toda a humanidade dos mesmos pais. Desejaste que todos pertencessem ao mesmo lar. Em Tua Santa Presença, todos são Teus servos e todo o gênero humano se abriga sob Teu Tabernáculo. Todos se têm reunido à Tua Mesa de Graças e brilham pela luz da Tua Providência. Ó Deus! És bondoso para com todos, provês a todos, amparas a todos, e a todos concedes vida. De Ti, todos os seres recebem faculdades e talentos. Todos estão submersos no oceano da Tua misericórdia. Ó Tu, Senhor bondoso! Une todos, faze as religiões concordarem e torna as nações uma só, para que consideremse todos como uma única família e tenham a terra como um só lar. Que se associem em união e acordo. Ó Deus! Ergue o estandarte da unidade do gênero humano. Ó Deus! Estabelece a Suprema Paz. Enlaça os corações, ó Deus. Ó Tu, Pai bondoso! Extasia os corações com a fragrância do Teu amor, ilumina os olhos com a Luz de Tua Guia. Alegra os ouvidos com as melodias da Tua Palavra e abriga-nos no recinto da Tua Providência. Tu és o Grande e o Poderoso! És o Clemente, Aquele que perdoa as faltas da humanidade. ‘Abdu’l-Bahá. A Promulgação da Paz Universal, pp. 121-122.

Ó Tu Todo-Poderoso! Eu sou um pecador, mas Tu és o Clemente! Estou cheio de faltas, mas Tu és o Compassivo! Encontro-me na escuridão do erro, mas Tu és a Luz do Perdão! Por isso, Ó Tu Deus Benévolo, perdoa meus pecados, concede Tuas Dádivas, não consideres minhas faltas, provême um abrigo, imerge-me na Fonte de Tua Paciência e curame de toda enfermidade e doença.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Purifica-me e santifica-me. Dá-me uma porção da efusão de santidade, a fim de que o desgosto e a tristeza se desvaneçam, venham a alegria e o contentamento, o desânimo e o desespero se transformem em ânimo e confiança, e a coragem substitua ao medo. Verdadeiramente, Tu és o Clemente, o Compassivo; és o Generoso, o Bem-Amado! ‘Abdu’l-Bahá, citado por Esslemont – de seus arquivos pessoais.

Ó Deus compassivo! Agradeço-Te por me haveres despertado e tornado consciente. Deste-me olhos que vêem e me favoreceste com ouvidos que ouvem. Tu me conduziste a Teu reino e me guiaste a Teu caminho. Fizeste-me ver o rumo certo e entrar na arca da salvação. Ó Deus! Concede-me firmeza e torna-me constante e vigoroso. Protege-me de provações violentas e abriga-me na fortaleza inexpugnável de Teu Convênio e Teu Testamento. És o Poderoso! És Quem vê! És Quem ouve! Ó Tu, o Deus Compassivo! Dota-me de um coração que, semelhante a um espelho, se ilumine com a luz do Teu amor e concede-me um pensamento que possa transformar este mundo num jardim de rosas, através da graça espiritual. Tu és o Compassivo, o Clemente. És o Deus de Grande Misericórdia. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: O Alimento da Alma, p. 43.

A prece para o bahá’í não é, entretanto, limitada ao uso de formas prescritas, apesar de serem estas muito importantes. Bahá’u’lláh ensina que a vida inteira deve ser uma prece, que o trabalho feito no espírito certo é adoração, que todo pensamento, palavra e ação devotados à Glória de Deus e ao bem-estar dos nossos semelhantes é oração, no mais verdadeiro sentido da palavra*.

*Sobre o assunto de Preces de Intercessão, vide Capítulo 11.


Capítulo 7

SAÚDE E CURA Volver a face a Deus traz cura ao corpo, à mente e à alma. ‘Abdu’l-Bahá

O Corpo e a Alma Segundo os ensinamentos bahá’ís o corpo humano serve a um fim temporário no desenvolvimento da alma e, depois de cumprir essa missão, é posto de lado; assim como a casca do ovo serve a um fim temporário no desenvolvimento do pinto e é quebrada e descartada quando cumprido esse propósito. O corpo físico, diz ‘Abdu’l-Bahá, é incapaz de atingir a imortalidade, pois é composto de átomos e moléculas e, semelhante às demais coisas compostas, há de se decompor no devido tempo. O corpo deve ser o servo da alma, nunca seu senhor; mas ele deve ser um servo solícito, obediente e eficiente, e deve ser tratado com a consideração que um bom servo merece. Se não for devidamente tratado, resultam doença e desastre, trazendo conseqüências prejudiciais tanto ao senhor como ao servo. A Unidade de Toda a Vida A unidade essencial de toda a miríade de formas e graus de vida é um dos ensinamentos fundamentais de Bahá’u’lláh. A nossa saúde física é tão ligada à nossa saúde mental, moral e espiritual, e também à saúde individual e social de nossos semelhantes – ainda


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mais, à vida dos animais e das plantas – que cada um destes é afetado pelos outros num grau muito maior do que geralmente se percebe. Não há, pois, nenhum mandamento do Profeta – seja qual for o setor da vida a que possa primordialmente referir-se, que não afete a saúde física. Alguns dos ensinamentos, entretanto, cuidam mais diretamente da saúde física do que outros, e são estes que agora vamos examinar. A Vida Simples Diz ‘Abdu’l-Bahá: A economia é a base da prosperidade humana. O esbanjador está sempre em apuros. A prodigalidade por parte de qualquer pessoa é um pecado imperdoável. Nunca devemos viver às custas de outros, como uma planta parasita. Cada pessoa deve ter uma profissão, quer seja literária, quer manual, e deve ter uma vida limpa, corajosa, honesta, um exemplo de pureza a ser imitado pelos outros. É mais nobre satisfazer-se com uma casca de pão velho do que desfrutar de um jantar suntuoso, composto de pratos variados, mas pago dos bolsos de outrem. A mente de um homem contente está sempre em paz e seu coração tranqüilo. Bahá’í Scriptures, p. 453.

O alimento animal não é proibido, mas ‘Abdu’l-Bahá diz: O alimento do futuro constará de frutos e cereais. Tempo virá em que o homem não mais comerá carne. A ciência médica está apenas na infância, porém já demonstrou que nosso alimento natural é aquele que vem da terra. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: Saúde, Higiene e Cura, p. 1.


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Álcool e Narcóticos O uso de narcóticos e tóxicos de qualquer espécie é estritamente proibido por Bahá’u’lláh, exceto como remédios em caso de doença. Divertimentos Os ensinamentos bahá’ís baseiam-se na moderação, não no asceticismo. Apreciar as boas e belas coisas da vida, tanto materiais como espirituais, não é somente encorajado, mas ordenado. Diz Bahá’u’lláh: “Não vos priveis daquilo que foi criado para vós.” Diz Ele também: “Incumbe-vos manifestar júbilo e contentamento em vossos rostos.” ‘Abdu’l-Bahá diz: Tudo o que foi criado é para o homem, o qual se acha no ápice da criação e deve ser grato pelas dádivas divinas. Todas as coisas materiais são para nós, de modo que, através de nossa gratidão, possamos aprender a considerar a vida uma graça divina. Se estivermos desgostosos com a vida, nós somos ingratos, pois tanto nossa existência material como espiritual são a evidência exterior da Mercê Divina. Devemos, portanto, estar contentes e ocupar nosso tempo em louvores, apreciando todas as coisas. Divine Philosophy.

Perguntado se a proibição que os ensinamentos bahá’ís fazem ao jogo se aplica aos jogos de toda espécie, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Não, alguns jogos são inocentes, e se tratados como passatempo, não causam mal. Mas há perigo de que se degenere em perda de tempo. A perda de tempo não é aceitável na Causa de Deus. Mas, a recreação que pode melhorar os poderes físicos, como o exercício, é desejável. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: O Avanço da Unidade Racial, pp. 5-6.


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O Asseio Diz Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Aqdas*: Sede a própria essência da limpeza entre os homens... Conservai o refinamento sob todas as circunstâncias... que não se veja nenhum vestígio de sujeira em vossas vestes... Imergi-vos em água limpa... Verdadeiramente, é isso que o vosso Senhor, o Incomparável, o Sapientíssimo, deseja para vós.

Mírzá ‘Abu’l-Fadl, em seu livro, The Bahá’í Proofs†, mostra a suma importância desses mandamentos, especialmente em algumas partes do Oriente, onde a água mais impura é muitas vezes usada para fins domésticos, para banho e até mesmo para beber, e condições horrivelmente anti-higiênicas proliferam-se, causando doenças e sofrimentos evitáveis. Supondo-se, freqüentemente, serem tais condições sancionadas pela religião prevalecente, elas somente podem ser alteradas, entre os orientais, através do mandamento de alguém que acreditassem possuir autoridade divina. Também em muitas partes do hemisfério ocidental, resultaria uma transformação admirável se a higiene fosse aceita não apenas como algo próximo à devoção, mas sim como uma parte essencial desta. Efeitos da Obediência aos Mandamentos Proféticos A influência que exercem sobre a saúde estes mandamentos relativos à vida simples, à higiene, à abstinência do álcool e do ópio, etc., é tão óbvia que dispensa muitos comentários, se bem que sua vital importância está sujeita a ser grandemente subestimada. Se fossem geralmente observados, a maior parte das doenças contagiosas e muitas outras, breve desapareceriam. É prodigioso o número de doenças causadas pela inobservância de simples precauções higiênicas e pelo uso do álcool e do ópio. Além disso, a obediência a estes mandamentos não somente afetaria a saúde como também teria um *K74 e K46. †Mírzá Abu’l-Fadl. The Bahá’í Proofs (Hujaja’l-Bahíyyih), traduzido por Ali-Kuli Khán, da edição de 1929 (Wilmette, Ill.: Bahá’í Publishing Trust, 1983), pp. 85-89.


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enorme efeito benéfico sobre o caráter e a conduta do homem. O álcool e o ópio afetam-lhe a consciência muito antes de lhe afetarem o porte ou causarem males físicos óbvios, de modo que o benefício moral e espiritual da abstinência seria ainda maior do que o físico. Com referência ao asseio, ‘Abdu’l-Bahá diz: O asseio do corpo, embora seja apenas uma coisa física, concorre muito para a espiritualidade... O fato de se ter um corpo puro e limpo exerce uma certa influência sobre o espírito do homem. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: Saúde, Higiene e Cura, p. 2.

Se fossem usualmente observados os mandamentos dos Profetas a respeito da castidade em relações sexuais, outra fértil causa de doença seria eliminada. As repugnantes moléstias venéreas que minam hoje a saúde de tantos milhares de pessoas, inocentes e culpadas, crianças e pais, muito cedo seriam uma coisa inteiramente do passado. Se fossem observados em geral os mandamentos dos Profetas sobre a justiça, o auxílio mútuo, o amor ao próximo, como poderiam o problema de superlotação habitacional, exploração do trabalho e pobreza sórdida, por um lado, e por outro a extravagância, a ociosidade, o luxo sórdido, continuar a causar ruína mental, moral e física? A simples obediência aos mandamentos sobre moral e higiene, deixados por Moisés, Buda, Cristo, Muhammad ou Bahá’u’lláh, contribuiria mais para prevenir as doenças do que todos os médicos e todos os regulamentos de saúde pública do mundo. Parece certo que, de fato, se tal obediência fosse geral, a boa saúde também se tornaria geral. Em vez de terem as vidas devastadas pela doença ou interrompidas na infância, na juventude ou no auge da vida, como é hoje tão freqüente, o homem viveria até uma idade avançada, como um fruto são, que amadurece completamente antes de se desprender do ramo.


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O Profeta como Médico Vivemos, porém, em um mundo em que, desde tempos imemoriais, a obediência aos mandamentos dos Profetas tem sido a exceção em vez de ser a regra, onde o homem tem feito do amor a si próprio motivo mais dominante do que o amor a Deus, onde os interesses limitados e partidários têm prevalecido sobre os interesses da humanidade em geral, e onde os bens materiais e prazeres sensuais têm sido preferidos ao bem-estar social e espiritual do gênero humano. Daí se originaram violenta rivalidade e conflito, opressão e tirania, os extremos de riqueza e pobreza – todas aquelas condições que geram doença, mental e física. Em conseqüência, toda a árvore da humanidade está doente, e cada folha dessa árvore partilha da doença geral. Até mesmo os mais puros e santos têm que sofrer pelas faltas dos outros. A cura é necessária – a cura da humanidade como um todo, das nações e dos indivíduos. Assim, pois, Bahá’u’lláh, a exemplo de Seus inspirados predecessores, não somente ensina como conservar a saúde, mas também como ela pode ser recuperada quando perdida. Ele vem como o Grande Médico, Aquele que cura as doenças físicas e mentais do mundo. A Cura por Meios Materiais Evidencia-se no mundo ocidental de hoje, um renascimento extraordinário de fé na eficácia da cura por meios mentais e espirituais. De fato, muita gente em sua revolta contra as idéias materialistas prevalecentes no século dezenove a respeito das doença e seus tratamentos, tem chegado ao extremo oposto – o de negar que remédios materiais ou medidas de higiene tenham qualquer valor. Bahá’u’lláh reconhece o valor de ambos – remédios espirituais e materiais. A ciência e arte de curar, ensina Ele, devem ser desenvolvidas, incentivadas e aperfeiçoadas, de modo que todos os meios de cura possam ser utilizados com o máximo benefício, cada um em sua esfera apropriada. Quando membros da própria família


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de Bahá’u’lláh adoeciam, um médico profissional era chamado, e isso é recomendado aos Seus adeptos. Ele diz: “Quando enfermos, recorrei a médicos competentes.” (O Kitáb-i-Aqdas, K113, p. 49) Isso está de pleno acordo com a atitude bahá’í para com a ciência e arte em geral. Todas as ciências e artes que forem de benefício à humanidade, mesmo de forma material, devem ser estimadas e promovidas. Pela ciência o homem torna-se o senhor das coisas materiais; por ignorância ele permanece seu escravo. Bahá’u’lláh escreve: Não negligencieis o tratamento médico, quando este for necessário, mas abandonai-o logo que a saúde estiver recuperada... Tratai a doença por meio de dieta, preferivelmente, abstendo-vos de usar drogas; e se encontrardes numa simples erva o que vos for preciso, não recorrais a um medicamento composto. Abstende-vos de drogas quando estiverdes com boa saúde, ministrando-as, porém, quando necessário. Lawh-i-Tibb (Epístola da Medicina) – tradução provisória do árabe.

Em uma de Suas Epístolas ‘Abdu’l-Bahá diz: Ó tu que buscas a verdade! Há dois meios de curar doença, o material e o espiritual. O primeiro é pelo uso de remédios materiais. O segundo consiste em suplicar a Deus e volver-se a Ele. Ambos os métodos devem ser usados e praticados... Além disso, eles não são incompatíveis, e vós deveis aceitar os remédios físicos como vindos da mercê e favor de Deus, que revelou e tornou manifesto o conhecimento médico, de modo que Seus servos pudessem tirar proveito também deste método de tratamento. Tablets of Abdul-Baha, vol. III, p. 587.

Se nossos gostos e instintos naturais, ensina Ele, não estivessem viciados por modos de viver imprudentes e não-naturais, tornar-se-


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iam guias confiáveis na escolha não apenas da dieta apropriada, de frutas e ervas medicinais, e de outros remédios, como é o caso dos animais selvagens. Numa interessante palestra sobre a cura, registrada em Respostas a Algumas Perguntas, ‘Abdu’1-Bahá diz, em conclusão: Evidentemente, pois, é possível efetuar curas por meio de alimentação – frutas e vegetais, mas como a ciência da medicina hoje está imperfeita, este fato não foi ainda plenamente compreendido. Quando a ciência médica tiver alcançado a perfeição, tratamento será por meio de alimentos – frutas fragrantes e vegetais, e por várias águas, quentes e frias de temperatura. Respostas a Algumas Perguntas, p. 210.

Mesmo quando os meios de tratamento são materiais, o poder curador é realmente divino, pois os atributos da erva ou do mineral provêm da Divina Mercê. “Tudo depende de Deus. A medicina é apenas uma forma ou meio exterior pelo qual obtemos a cura celestial.” A Cura por Meios Não-Materiais Há também muitos métodos de cura – ensina Ele – através de meios não-materiais. Existe um “contágio de saúde” como também um contágio de doença, embora seja o primeiro muito vagaroso e de pequeno efeito, enquanto que o último, muitas vezes, é de ação violenta e rápida. Efeitos muito mais poderosos resultam do próprio estado mental do paciente, e a “sugestão” pode exercer um importante papel em determinar esses estados. Tanto são o medo, a zanga, o aborrecimento, etc., muito prejudiciais à saúde, quanto são benéficos a esperança, o amor, a alegria, etc. Assim diz Bahá’u’lláh:


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Verdadeiramente, a coisa mais necessária é o contentamento sob todas as circunstâncias. Assim se é preservado de condições mórbidas e lassitude. Não vos entregueis à tristeza e ao pesar; estes causam a maior miséria. O ciúme consome o corpo e a raiva queima o fígado; evitai estes dois como evitaríeis um leão. Bahá’u’lláh, citado em: Saúde, Higiene e Cura, pp. 24-25.

E, nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá: A alegria dá-nos asas. Em momentos de alegria nossa força é mais vital, nosso intelecto mais perspicaz.... Quando, porém, a tristeza nos visita, nossa força nos abandona. Outra forma de cura mental, escreve ‘Abdu’l-Bahá, resulta: ...quando a mente de uma pessoa forte se concentra inteiramente numa pessoa enferma, e esta espera, com toda sua fé concentrada, que se efetuará uma cura através do poder espiritual da pessoa forte, ao ponto de se estabelecer entre as duas pessoas uma relação cordial. O maior esforço possível é feito para que a cura seja realizada, e o paciente deve ter certeza de ser curado. Essas impressões mentais produzem um excitamento dos nervos, e isto pode causar o restabelecimento do enfermo. ‘Abdu’l-Bahá. Respostas a Algumas Perguntas, p. 207.

Todos esses métodos de cura, entretanto, são de efeitos limitados, e podem falhar em casos de graves enfermidades. O Poder do Espírito Santo O mais potente meio de cura é o Poder do Espírito Santo: ...Não depende de contato, vista ou presença, nem de qualquer outra condição. Seja branda ou severa a enfermidade,


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA haja ou não contato de corpo, e ainda que se não estabeleça entre o doente e o curador uma relação pessoal, a cura realizase através do poder do Espírito Santo. ‘Abdu’l-Bahá. Respostas a Algumas Perguntas, p. 208.

Numa conversa com a srta. Ethel Rosenberg, em outubro de 1904, ‘Abdu’l-Bahá disse: A cura proveniente do Poder do Espírito Santo não precisa de concentração ou contato especial. É através do desejo da Pessoa santificada. O doente pode estar no oriente, e o Curador no ocidente. Podem nem se conhecer pessoalmente. Mas tão logo o Ser divino volver Seu coração a Deus e começar a orar, a cura ocorre. Esta é uma dádiva pertencente aos Santos Manifestantes e a pessoas que estão no mais alto grau. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: Saúde, Higiene e Cura, p. 9.

Desta natureza, aparentemente, foram as curas realizadas por Cristo e Seus apóstolos, e curas semelhantes têm sido atribuídas a pessoas santas em todos os tempos. Não só Bahá’u’lláh, como ‘Abdu’lBahá, eram dotados desse poder, e poderes similares são prometidos aos Seus fiéis adeptos. Atitude do Paciente Para a plena operação do poder de cura espiritual, certos requisitos são necessários por parte do paciente, daquele que cura, dos amigos do paciente e da comunidade em geral. Por parte do paciente o principal requisito é voltar-se de todo coração para Deus, com uma confiança implícita tanto em Seu Poder, como em Sua Vontade de realizar o que for melhor. A uma senhora americana, em agosto de 1912, ‘Abdu’l-Bahá disse: Todas essas doenças desaparecerão e recebereis perfeita saúde física e espiritual.... Que vosso coração esteja confiante e seguro


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de que através das graças de Bahá’u’lláh, através do favor de Bahá’u’lláh, tudo vos sairá bem.... Mas deveis voltar vossa face inteiramente para o Reino de Abhá (o Todo-Glorioso), prestando perfeita atenção – a mesma atenção que Maria Madalena proporcionou à Sua Santidade Cristo – e assegurovos que adquirireis saúde física e espiritual. Sois digna. Eu vos dou as boas novas de que sois digna, pois é puro vosso coração.... Tende confiança! Sede feliz! Regozijai-vos! Alegraivos! Tende esperanças!

Embora neste caso ‘Abdu’l-Bahá tenha garantido a realização de uma perfeita saúde física, não o faz em todos os casos, mesmo quando há grande fé por parte do indivíduo. Ele escreveu: As orações reveladas com o fito de suplicar cura aplicam-se à cura física como à espiritual... Se a cura for melhor para o paciente, indubitavelmente será concedida; para alguns enfermos, porém, a cura seria apenas a causa de outros males, e a sabedoria, por conseguinte, não consente uma resposta positiva à prece. Ó serva de Deus! O poder do Espírito Santo cura tanto moléstias físicas como espirituais. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, p. 146.

E ainda, a uma pessoa enferma, Ele escreveu: Verdadeiramente, a Vontade de Deus age algumas vezes de uma maneira cuja razão a humanidade é incapaz de descobrir. As causas e razões aparecerão. Tem fé em Deus e confia nEle, e resigna-te à Sua Vontade. Em verdade, teu Deus é Afetuoso, Compassivo e Misericordioso... e fará descer sobre ti Sua Mercê. Star of the West, vol. VIII, p. 232.

‘Abdu’l-Bahá ensina que a saúde espiritual conduz à saúde física, mas esta depende de muitos fatores, alguns dos quais fora do


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controle do indivíduo. Mesmo a atitude espiritual mais exemplar por parte do indivíduo, pois, pode não assegurar a saúde física em todos os casos. Os homens e mulheres mais santos, algumas vezes sofrem de doenças. Não obstante, a influência benéfica sobre a saúde física que resulta de uma atitude espiritual correta é muito mais poderosa do que geralmente se pensa, e é suficiente para banir a doença em grande número de casos. ‘Abdu’l-Bahá escreveu a uma senhora inglesa: Escrevestes sobre a vossa fraqueza física. Peço que, pelas graças de Bahá’u’lláh, vosso espírito se torne forte, e que através da força de vosso espírito vosso corpo também possa ser curado.

Diz Ele também: Deus concedeu-lhe poder tão admirável, a fim de que ele olhasse sempre para o alto e recebesse, entre outras dádivas, a cura de Sua divina Generosidade. Mas, ah! O homem não é grato por este supremo bem; dorme o sono da negligência, sendo indiferente à grande graça que Deus destinou-lhe, voltando-se contra a luz e prosseguindo no seu caminho de trevas. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 7.

Aquele que Cura O poder da cura espiritual, sem dúvida, é comum a toda a humanidade em maior ou menor grau, mas assim como alguns homens são dotados de talento excepcional para a matemática ou a música, outros parecem ser dotados de aptidão excepcional para curar. São estas as pessoas que deveriam dedicar a vida à arte de curar. Infelizmente, nos últimos séculos o mundo tornou-se tão materialista que tem até perdido de vista a possibilidade da cura por meios espirituais. Como todos os outros talentos, a dádiva de


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cura deve ser reconhecida, treinada e educada, a fim de que atinja seu mais alto desenvolvimento e poder, e é provável que haja no mundo milhares de pessoas ricamente dotadas da aptidão natural para curar, nas quais esta preciosa dádiva acha-se adormecida e inativa. Quando as potencialidades do tratamento mental e espiritual forem mais plenamente compreendidas, a arte de curar será transformada e enobrecida, aumentando-se assim incomensuravelmente sua eficácia. E quando estes novos conhecimento e poder de quem cura combinarem-se com fé e esperança vivificantes por parte do paciente, podem ser esperados resultados maravilhosos. Em Deus deve estar nossa confiança. Não há outro Deus senão Ele, o Curador, o Sábio, o Auxiliador.... Nada na terra ou no céu está fora do domínio de Deus. Ó doutor! Ao tratares o doente, primeiro menciona o nome de teu Deus, o Possuidor do Dia de Juízo, e então usa o que Deus designou para a cura de Suas criaturas. Por Minha Vida! A visita do médico que sorveu do Vinho do Meu Amor é cura, e seu sopro é mercê e esperança. Apega-te a ele para o bemestar da constituição física. Ele é confirmado por Deus em seu tratamento. Este conhecimento é a mais importante de todas as ciências, pois é o maior meio criado por Deus, o Vivificador do pó, para preservar a saúde de todos, e Ele o colocou à frente de todas as ciências e conhecimentos. Pois este é o dia em que deves te levantar para Minha Vitória. Teu nome é minha cura, ó meu Deus, e a lembrança de Ti, meu remédio. Aproximar-me de Ti, é minha esperança, e meu amor por Ti, meu companheiro. Tua misericórdia por mim é minha cura e meu socorro, neste mundo como no vindouro. Tu, em verdade, és o Todo-Generoso, o Onisciente, a Suprema Sabedoria! Bahá’u’lláh. Epístola da Medicina. (tradução provisória)


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‘Abdu’l-Bahá escreve: Quem estiver pleno do amor de Bahá e se esquecer de tudo mais, de seus lábios será ouvido o Espírito Santo, e o espírito da vida preencherá seu coração.... Palavras manarão de seus lábios como fios de pérolas, e toda a doença e moléstia será curada com um simples deitar das mãos. Star of the West, vol. VIII, p. 233.

Ó tu, médico espiritual! Volve-te para Deus com o coração vibrante de Seu amor, devotado a Seu louvor, fitando a Seu Reino, e buscando auxílio do Seu Espírito Santo, em um estado de êxtase, enlevo, amor, anelo, alegria e fragrância. Deus ajudar-te-á, através de um espírito de Sua Presença, a curar doenças e moléstias. Continua a curar corações e corpos, e procura curar pessoas doentes, volvendo-te ao Reino Supremo e dirigindo o coração à obtenção de cura através do poder do Máximo Nome e pelo espírito do Amor de Deus. Tablets of Abdul-Baha, vol. III, pp. 628-629.

Como Todos Podem Ajudar O trabalho de curar os doentes, entretanto, não depende apenas do paciente e do clínico, e sim, de todos. Todos devem ajudar através de solidariedade e cooperação, por meio de uma vida reta e de pensamentos retos, e especialmente através da prece, pois de todos os remédios a prece é o mais potente. “A súplica e a prece em benefício dos outros”, diz ‘Abdu’l-Bahá, “certamente serão eficazes”. Os amigos do paciente têm uma responsabilidade especial, pois a sua influência, tanto para o bem como para o mal, é extremamente direta e poderosa. Em quantos casos de doença o resultado depende principalmente do auxílio dos pais, amigos ou vizinhos do indefeso sofredor!


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Até os membros da comunidade em geral têm uma influência em todos os casos de doenças. Em casos individuais essa influência pode não parecer grande, contudo, em conjunto o efeito é poderoso. Cada um é afetado pela “atmosfera” social em que vive, pelo predomínio geral da fé ou do materialismo, da virtude ou do vício, da alegria ou do desânimo; e cada pessoa tem a sua parte em determinar o estado dessa “atmosfera” social. Pode não ser possível, no presente estado do mundo, atingir uma saúde perfeita, mas é possível a cada um tornar-se um “canal disposto” a receber o poder curador do Espírito Santo e exercer, desse modo, uma cura, uma influência benéfica não só sobre seu próprio corpo como também sobre todos com quem entre em contato. Poucos deveres são mais repetida e enfaticamente recomendados aos bahá’ís do que o de curar os enfermos, e muitas belas orações para cura foram reveladas por Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l Bahá. A Idade Áurea A Idade Áurea pode ser alcançada, assegura-nos Bahá’u’lláh, através da cooperação harmoniosa entre pacientes, aqueles que curam, e a comunidade em geral, e pelo uso apropriado dos vários meios de preservação da saúde – materia1, mental e espiritual – quando, pelo Poder de Deus, “toda tristeza converter-se-á em alegria, e toda doença em saúde”. ‘Abdu’1-Bahá diz que “quando for compreendida a Mensagem Divina, todos os infortúnios desvanecerse-ão”. E também Ele diz: Quando o mundo material e o mundo divino estiverem bem correlacionados, quando os corações tornarem-se celestiais e as aspirações puras, uma conexão perfeita realizar-se-á. Esse poder, então, produzirá uma perfeita manifestação. Então se atingirá a cura absoluta tanto para as doenças físicas como para as espirituais. Tablets of Abdul-Baha, vol. II, pp. 3-9.


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Como Usar a Saúde Ao concluirmos este capítulo, será bom recordarmos o ensinamento de ‘Abdu’1-Bahá sobre o uso certo da saúde física. Em uma de suas Epístolas aos bahá’ís de Washington, Ele diz: Se a saúde e o bem-estar do corpo forem despendidos no caminho do Reino, isso é em verdade aceitável e digno de louvor; se forem despendidos em benefício da humanidade em geral – mesmo sendo para seu benefício material – e se for um meio de fazer o bem, isso também é aceitável. Mas se a saúde e o bem-estar do homem forem dedicados aos desejos sensuais, a uma vida no plano animal, e às ocupações diabólicas, então a doença seria melhor do que tal saúde – antes, a própria morte seria preferível a tal vida. Se desejas saúde, deseja-a para servir ao Reino. Tenho esperança de que possas atingir uma perfeita compreensão, resolução inflexível, completa saúde, e força espiritual e física, a fim de que possas sorver da fonte da vida eterna e ser auxiliado pelo espírito da confirmação divina.


Capítulo 8

A UNIDADE RELIGIOSA Ó vós que habitais na terra! O distintivo que assinala o caráter proeminente desta Revelação Suprema consiste, por um lado, nisto, que temos apagado das páginas do santo Livro de Deus qualquer coisa que tenha sido causa de contenda, malícia e perversidade entre os filhos dos homens e, por outro lado, temos estabelecido os requisitos essenciais da concórdia, da compreensão, da unidade completa e durável. Bem-aventurados aqueles que observam Meus estatutos. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 106-107.

O Sectarismo no Século Dezenove Nunca, talvez, o mundo pareceu estar mais longe da unidade religiosa do que no século dezenove. Há muitos séculos as grandes comunidades religiosas – a zoroastriana, a judaica, a budista, a cristã, a maometana e outras – têm existido lado a lado mas, em lugar de fundirem-se num todo harmonioso, têm estado em constante inimizade e luta umas contra as outras. E não somente isto, mas também cada uma delas tem se rompido, divisão após divisão, em um crescente número de seitas, as quais não raro têm feito violenta oposição entre si. Cristo, entretanto, dissera: “É pelo amor que tendes uns aos outros que todos saberão se sois Meus discípulos,” e dissera Muhammad: “Esta, vossa religião, é a religião única.... A vós Deus prescreveu a fé que Ele ordenou a Noé, e que Nós te revelamos, e que Nós ordenamos a Abraão, a Moisés e a Jesus, dizendo: ‘Observai esta fé, e não sejais divididos em seitas!’” O Fundador de cada uma


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das grandes religiões convocara Seus discípulos ao amor e unidade, mas sempre o objetivo do Fundador era quase que completamente perdido no torvelinho de intolerância e fanatismo, formalismo e hipocrisia, corrupção e deturpação, divisão e contenda. O número total de seitas mais ou menos hostis no mundo era provavelmente maior no começo da Era Bahá’í do que em qualquer outro período anterior da história da humanidade. A humanidade, nesse tempo, parecia estar experimentando todas as espécies possíveis de crença religiosa, com toda a sorte possível de ritos e cerimônias, com toda a variedade possível de códigos de moral. Ao mesmo tempo, um crescente número de pessoas dedicava suas energias à destemida investigação e ao exame criterioso das leis da natureza e das bases da crença. Adquiriam-se rapidamente novos conhecimentos científicos, e novas soluções eram encontradas para muitos problemas da vida. O desenvolvimento de invenções, tais como o navio a vapor e a estrada de ferro, serviço postal e imprensa, auxiliou grandemente a difusão de idéias e o contato fertilizador dos mais diferentes tipos de pensamento e de vida. O assim chamado “conflito entre a religião e a ciência” tornavase uma batalha renhida. Entre os cristãos, a crítica à Bíblia combinava-se com a ciência física para disputar e, até certo ponto, refutar a autoridade da Bíblia, autoridade esta por muitos séculos geralmente aceita como base da crença. Uma parte cada vez maior da população tornava-se cética a respeito dos ensinamentos das igrejas. Grande número dos próprios sacerdotes mantinha, quer secreta ou abertamente, dúvidas ou reservas acerca dos credos ainda adotados pelas suas respectivas seitas. Esse fermento e fluxo de opinião que levaram os homens a um crescente reconhecimento da deficiência das velhas ortodoxias e dogmas, a tatear e a buscar mais ampla compreensão e conhecimento, não se confinaram aos países cristãos, mas foram manifestados, em maior ou menor grau e em diferentes formas, entre os povos de todos os países e de todas as religiões.


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A Mensagem de Bahá’u’lláh Foi quando tal estado de conflito e confusão atingiu seu apogeu, que Bahá’u’lláh fez soar, de Sua trombeta, o grande chamado à humanidade: Que todas as nações se tornem uma na Fé e todos os homens, venham a ser como irmãos; que os laços de afeição e unidade entre os filhos dos homens sejam fortalecidos; que cesse a diversidade de religião, e as diferenças de raça sejam anuladas... Estas lutas, esta carnificina e discórdia devem cessar e todos os homens serem como uma família... Bahá’u’lláh, citado em: A Traveller’s Narrative, p. 39.

É uma mensagem gloriosa, mas como levar a efeito seus propósitos? Há milhares de anos pregam os Profetas, cantam os poetas, e os santos suplicam por estas coisas, mas as diversidades de religião não cessaram, nem foram suprimidas a luta e a carnificina e a discórdia. O que há para mostrar que agora o milagre está para ser realizado? Há alguns novos fatores na situação? Não é a natureza humana a mesma de sempre, e não continuará a ser a mesma enquanto durar o mundo? Se duas pessoas ou duas nações desejam a mesma coisa, não lutarão por ela no futuro como o fizeram no passado? Se Moisés, Buda, Cristo e Muhammad não conseguiram realizar a unidade mundial, Bahá’u’lláh logrará êxito? Se todas as religiões anteriores foram corrompidas e dividiram-se em seitas, não será o mesmo destino compartilhado pela Fé Bahá’í? Vejamos que respostas dão os ensinamentos bahá’ís a estas e outras questões similares. Pode-se Transformar a Natureza Humana? A educação e a religião são igualmente fundamentadas na assunção de que é possível transformar a natureza humana. De fato,


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requer pouca investigação provar que a única coisa que podemos dizer com certeza sobre qualquer coisa viva é que ela não pode escapar à transformação. Sem mudança não pode haver vida. Mesmo o mineral não pode resistir à modificação e, quanto mais alto subirmos na escala da existência, mais variadas, complexas e maravilhosas as transformações se tornam. Além disso, em progresso e desenvolvimento entre as criaturas de todos os graus, encontramos duas espécies de modificações – uma lenta, gradativa e muitas vezes quase imperceptível; e a outra veloz, repentina e dramática. A última, ocorre, nos assim chamados “estágios críticos” de desenvolvimento. No caso dos minerais, observamos tais estágios críticos nos pontos de fusão e ebulição, por exemplo, quando subitamente o sólido torna-se líquido, ou o líquido transforma-se em gás. No caso das plantas, vemos esses estados críticos ao se iniciar a germinação da semente ou ao desabrochar do botão. No mundo animal, o mesmo fenômeno é observado constantemente, como por exemplo, quando a larva de súbito se transforma numa borboleta, ou o pinto sai da casca, ou o bebê nasce do ventre de sua mãe. Em plano mais elevado, na vida da alma, vemos freqüentemente uma transformação similar, quando o homem “nasce de novo” e todo o seu ser torna-se radicalmente transformado em seus objetivos, seu caráter e suas atividades. Tais estados críticos muitas vezes afetam uma espécie inteira ou uma multidão de espécies, simultaneamente, como por exemplo, quando toda a vegetação irrompe-se repentinamente em nova vida na primavera. Bahá’u’lláh declara que, assim como os seres inferiores têm épocas de repentina emergência para uma vida nova e mais ampla, também para a humanidade está próximo um “estágio crítico”, um tempo de “renascimento”. Então os modos de vida que vêm persistindo desde o alvorecer da história serão rápida e irrevogavelmente alterados, e a humanidade atingirá uma nova fase de vida, tão diferente da antiga como o é a borboleta da larva, ou o pássaro do ovo. A humanidade como um todo, à luz da nova Revelação, alcançará uma nova visão da verdade; assim como um


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país inteiro é iluminado ao nascer o sol, de modo que todos possam ver claramente onde, uma hora antes, tudo estava escuro e sombrio. “Este é um novo ciclo do poder humano”, diz ‘Abdu’l Bahá. “Todos os horizontes do mundo são luminosos, e o mundo se tornará de fato um jardim de rosas e um paraíso”. As analogias da natureza são todas favoráveis a esta visão; os Profetas da antigüidade foram acordes na predição do advento desse dia glorioso; os sinais dos tempos mostram claramente que transformações profundas e revolucionárias nas idéias e instituições humanas estão, agora mesmo, em progresso. Que poderia ser mais fútil e infundado, portanto, do que o argumento pessimista de que, embora todas as outras coisas sofram mudanças, não as possam sofrer a natureza humana? Primeiros Passos para a Unidade Como meio de promover a unidade religiosa, Bahá’u’lláh recomenda a maior caridade e tolerância, e convoca os adeptos a “associarem-se às pessoas de todas as religiões com alegria e júbilo”. Em Sua Última Vontade e Testamento*, Ele diz: Conflito e contenda são terminantemente proibidos em Seu Livro [Kitáb-i-Aqdas]. É este um decreto de Deus nesta Mais Grandiosa Revelação. É divinamente preservado de anulação e é por Ele investido do esplendor de Seu beneplácito. Ó vós que habitais na Terra! A religião de Deus é para amor e unidade; não a torneis causa de inimizade e dissensão.... Esperamos que o povo de Bahá seja guiado pelas benditas palavras: “Dize: todas as coisas são de Deus.” Esta excelsa afirmação é como água para extinguir o fogo do ódio e da inimizade latente dentro dos corações e peitos dos homens. Por esta afirmação, simplesmente, povos e raças em conflito atingirão a luz da verdadeira unidade. Ele, deveras, diz a verdade e mostra o caminho. Ele é o Todo-Poderoso, o Excelso, o Benévolo. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 242-244. *Kitáb-i-‘Ahd (Livro do Convênio), p. 243.


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‘Abdu’l-Bahá diz: Todos devem abandonar os preconceitos e devem mesmo freqüentar as igrejas e mesquitas uns dos outros, pois em todos esses lugares de adoração menciona-se o Nome de Deus. Já que todos se reúnem para adorar a Deus, qual a diferença? Nenhum deles adora a Satanás. Os muçulmanos devem ir às igrejas dos cristãos e às sinagogas dos judeus, e vice-versa, estes devem ir às mesquitas dos muçulmanos. Evitam-se mutuamente só por causa de preconceitos e dogmas sem fundamento. Na América estive em sinagogas judaicas que são similares às igrejas cristãs, e vi em todas adorarem a Deus. Em muitos desses lugares falei-lhes sobre os fundamentos originais das religiões divinas, expondo-lhes as provas da autenticidade dos profetas divinos e dos Santos Manifestantes. Encorajei-os a acabar com as cegas imitações. Todos os dirigentes devem, igualmente, ir às igrejas uns dos outros, e falar das bases e dos princípios fundamentais das religiões divinas. Na mais perfeita unidade e harmonia devem adorar a Deus nos lugares de adoração uns dos outros, e devem abandonar o fanatismo. Star of the West, vol. IX, n° 3, p. 37.

Fossem mesmo esses primeiros passos realizados e uma condição de amistosa tolerância mútua estabelecida entre as várias seitas religiosas, que transformação maravilhosa seria ocasionada no mundo! A fim de que a verdadeira unidade seja atingida, entretanto, algo além disso é necessário. A tolerância é um valioso paliativo para a doença do sectarismo, mas não é uma cura radical. Não remove a causa do problema. O Problema da Autoridade As várias comunidades religiosas não lograram unir-se no passado por haverem os membros de cada uma considerado o


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Fundador de sua própria comunidade como a autoridade única e suprema, e Sua lei, a lei divina. Qualquer Profeta, pois, que proclamasse uma mensagem diferente, era considerado um inimigo da verdade. As diversas seitas de cada comunidade separaram-se por motivos similares. Os adeptos de cada uma aceitaram alguma autoridade subordinada e consideraram alguma versão ou interpretação particular da Mensagem do Fundador como a Única Verdadeira Fé, e como errôneas todas as demais. É obvio que, enquanto persistir tal estado de coisas, nenhuma verdadeira unidade é possível. Bahá’u’lláh, por outro lado, ensina que todos os Profetas eram portadores de autênticas mensagens de Deus; que cada um revelou os ensinamentos mais elevados que o povo de Seu tempo era então capaz de receber, e educou os homens de modo a torná-los aptos a receber dos Seus sucessores ensinamentos mais adiantados. Ele convoca os adeptos de cada religião, não para que neguem a inspiração Divina de seus próprios Profetas, mas a reconhecerem a inspiração Divina de todos os outros Profetas, a verem que os ensinamentos de todos estão essencialmente em harmonia e são partes de um grande plano para a educação e unificação da humanidade. Ele convoca os membros de todas as seitas a demonstrarem sua reverência aos seus Profetas pela devoção de suas vidas à realização dessa unidade pela qual todos os Profetas labutaram e sofreram. Em Sua carta à Rainha Vitória, Bahá’u’lláh compara o mundo a um doente cuja enfermidade foi agravada por haver ele caído nas mãos de médicos incompetentes; e Ele nos expõe o modo pelo qual o remédio pode ser levado a efeito: O que o Senhor ordenou como o remédio soberano e o mais poderoso instrumento para a cura do mundo inteiro é a união de todos os seus povos em uma Causa Universal, em uma Fé comum. Isso de modo algum se há de realizar, salvo através do poder de um Médico hábil, onipotente e inspirado. Isto, deveras, é a verdade, e tudo mais não é senão erro. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 192.


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A Revelação Progressiva Um grande obstáculo para muitos, no caminho da unidade religiosa, é a diferença entre as Revelações transmitidas pelos vários Profetas. O que um recomenda, outro proíbe; como então podem ambos ter razão, ambos estarem proclamando a Vontade de Deus? Certamente a verdade é Una e não pode variar. Sim, a Verdade Absoluta é Una, e não pode mudar, mas a Verdade Absoluta está infinitamente além do presente alcance da compreensão humana, e nossas concepções dessa verdade devem modificar-se constantemente. As nossas primeiras, imperfeitas idéias, serão pela Graça de Deus substituídas, no decorrer do tempo, por concepções cada vez mais adequadas. Bahá’u’lláh diz a alguns bahá’ís da Pérsia: Ó povo! As palavras são reveladas segundo a capacidade, de modo que os principiantes possam fazer progresso. O leite deve ser dado segundo a medida, a fim de que a criancinha deste mundo, possa entrar no Reino da Grandeza e estabelecer-se na Corte da Unidade.

É o leite que fortifica o bebê de modo que ele possa, com o tempo, digerir alimentos mais sólidos. Dizer que um Profeta está correto ao revelar um certo ensinamento em uma certa época, e portanto um outro Profeta deve estar errado ao revelar um ensinamento diferente em uma diferente época, é como dizer que, por ser o leite o melhor alimento para o bebê recém-nascido, o leite e nada a não ser leite deveria ser, pois, o alimento do homem adulto, e que qualquer outra dieta seria errada! Diz ‘Abdu’l-Bahá: Cada Revelação divina divide-se em duas partes. A primeira parte é essencial e pertence ao mundo eterno. É a exposição de verdades Divinas e de princípios essenciais. É a expressão do Amor de Deus. É a mesma em todas as religiões – permanente e imutável. A segunda parte não é eterna; trata


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da vida prática, transações e negócios, e muda de acordo com a evolução do homem e os requisitos do tempo de cada Profeta. Durante o período mosaico, por exemplo, a mão de uma pessoa era cortada como punição por um pequeno roubo; havia uma lei de olho por olho e dente por dente, mas como tais leis não eram apropriadas no tempo de Cristo, foram anuladas. Do mesmo modo, o divórcio já se tornara tão comum que não restava nenhuma lei fixa de casamento; portanto Sua Santidade Cristo proibiu o divórcio. Segundo as exigências do tempo, Sua Santidade Moisés revelou dez leis de punição capital. Era impossível naquele tempo proteger a comunidade e preservar a segurança social sem essas medidas severas, pois os filhos de Israel viviam no deserto de Ta, onde não havia cortes de justiça estabelecidas e penitenciárias. Porém, esse código de conduta não era necessário no tempo de Cristo. A história da segunda parte da religião não tem importância, porque se relaciona apenas aos costumes desta vida; mas o fundamento da religião de Deus é um só, e Sua Santidade Bahá’u’lláh renovou esse fundamento. Divine Philosophy

A religião de Deus é a Religião Única, e todos os Profetas têm-na ensinado, mas é algo que vive e cresce, e não uma coisa sem vida e imutável. Nos ensinamentos de Moisés, vemos o Botão; nos de Cristo, a Flor; nos de Bahá’u’lláh, o Fruto. A flor não destrói o botão, nem o fruto destrói a flor. Não destrói, e sim completa. As sépalas do botão devem cair a fim de que a flor desabroche, e as pétalas devem cair para que o fruto cresça e amadureça. Foram as sépalas e pétalas, pois, descartadas por terem sido erradas ou inúteis? Não, ambas em seu tempo foram certas e necessárias; sem elas não poderia ter havido frutos. O mesmo se dá com os vários ensinamentos proféticos: seu exterior muda de tempos em tempos, mas cada Revelação é a consumação das anteriores; elas não são separadas nem incompatíveis, mas sim, diferentes etapas na história da vida


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da Religião Única, que vem sendo revelada como semente, botão e flor, sucessivamente, e que entra agora no período da frutificação. Infalibilidade dos Profetas Bahá’u’lláh ensina que cada um dotado da Posição de Profeta é munido de provas suficientes da Sua Missão, é autorizado a reivindicar a obediência de todos os homens, e tem autoridade para anular, alterar ou ampliar os ensinamentos de Seus predecessores. No Kitáb-i-Íqán, lemos: Quanto estaria longe da graça do Todo-Generoso e pouco em harmonia com Sua providência benévola e Sua terna compaixão, escolher dentre todos os homens uma alma para guiar Suas criaturas e, por um lado, negar-lhe o testemunho divino em sua plenitude e, por outro, infligir severo castigo a Seu povo por se haver afastado de Seu Escolhido! Não, em todos os tempos, as múltiplas graças do Senhor de todos os seres têm abrangido a terra e todos os que nela habitam, através dos Manifestantes de Sua Essência Divina. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Íqán, p. 13.

E não é o objetivo de cada Revelação, entretanto, efetuar uma transformação em todo o caráter da humanidade – uma transformação que se manifeste tanto exterior como interiormente, que afete sua vida íntima bem como suas condições externas? Pois se o caráter da humanidade não for mudado, será evidente a futilidade dos Manifestantes universais de Deus. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Íqán, pp. 146-147.

Deus é a Autoridade Única infalível, e os Profetas são infalíveis, porque Sua Mensagem é a Mensagem de Deus transmitida ao mundo através dEles. Essa Mensagem permanece válida até ser substituída por uma Mensagem posterior trazida pelo mesmo ou por outro Profeta.


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Deus é o Grande Médico, Único capaz de diagnosticar com exatidão a doença do mundo e prescrever o remédio apropriado. O remédio prescrito numa época não mais é aplicável em época subseqüente, quando o estado do paciente é diferente. Apegar-se ao antigo remédio quando o médico determinou um novo tratamento não é demonstrar fé no médico, mas sim, desconfiança. Pode ser um choque ao judeu ser informado que são agora antiquados e inaplicáveis alguns remédios que Moisés, há mais de três mil anos, determinou para a enfermidade do mundo; pode ser igualmente um choque ao cristão se lhe dissessem que Muhammad tinha algo necessário ou valioso para acrescentar ao que Jesus prescreveu; e assim também ao muçulmano, se lhe pedissem que admitisse a autoridade do Báb ou de Bahá’u’lláh para alterar os mandamentos de Muhammad; mas, de acordo com o ponto de vista bahá’í, a verdadeira devoção a Deus implica em reverência a todos os Seus Profetas e a obediência implícita a Seus mais recentes Mandamentos, revelados pelo Profeta para nossa própria era. Somente através de tal devoção é que pode ser atingida a verdadeira Unidade. O Manifestante Supremo Assim como todos os outros Profetas, Bahá’u’lláh também expõe Sua Missão nos mais inequívocos termos. Em Lawh-i-Aqdas, uma Epístola dirigida especialmente aos cristãos, Ele diz: Veio o Pai, e se cumpriu o que vos foi prometido no Reino! É esta a Palavra que o Filho ocultou, quando àqueles ao Seu redor Ele disse: “Não podeis suportá-la agora.” E quando se cumprira o tempo determinado e a Hora havia soado, a Palavra resplandeceu acima do horizonte da Vontade de Deus. Acautelai-vos, ó seguidores do Filho, para que não a rejeiteis. A ela vos deveis segurar tenazmente. Isto vos é melhor do que tudo o que possuis... Aquele que é o Espírito da Verdade veio, deveras, a fim de vos guiar à toda verdade. Não é


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA inspirado em Si Próprio que Ele fala e sim, como ordena Aquele que é o Onisciente, O de toda sabedoria... Abandonai as coisas correntes entre vós e adotai o que o Conselheiro fiel vos ordena. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 19-21; 82.

E em uma carta ao papa, escrita em Adrianópolis em 1867, Ele diz: Dize: Acautelai-vos para que vossas devoções não vos impeçam de reconhecer Aquele que é o Objeto de toda devoção, ou que vossa adoração vos prive dAquele que é o objeto de toda adoração. Rasgai os véus de vossas vãs fantasias! Este é o vosso Senhor, o Todo Poderoso, o Onisciente, que veio para vivificar o mundo e unir todos os que habitam a terra. Volvei-vos para o Alvorecer da Revelação, ó povos, e não tardeis, ainda que seja por menos de um piscar de olhos. Ledes o Evangelho e ainda vos recusais a aclamar o Senhor Todo-Glorioso? Isso, de fato, mal vos convém, ó assembléia de eruditos! Dize: Se negardes esta Revelação, por qual prova tendes acreditado em Deus? Produzi-a.... Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, p. 47.

Assim como Bahá’u’lláh anuncia nestas cartas aos cristãos o cumprimento das promessas do Evangelho, de modo semelhante proclama também aos muçulmanos, judeus, zoroastrianos, e aos povos de outros credos, o cumprimento das promessas de seus Livros Sagrados. Dirige-Se a todos os homens como sendo as ovelhas de Deus, que até agora têm estado divididas em vários rebanhos e abrigadas em diferentes apriscos. Sua Mensagem, diz Ele, é a Voz de Deus, o Bom Pastor, que veio na plenitude dos tempos a fim de reunir em único rebanho Suas ovelhas dispersas, removendo as barreiras entre elas de modo que possa haver “um só rebanho e um só Pastor”.


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Uma Nova Situação A posição de Bahá’u’lláh entre os Profetas é única e sem precedentes, porque a condição do mundo no tempo de Seu advento também era única e sem precedentes. Por um processo longo e tortuoso de desenvolvimento da religião, ciência, arte e civilização, havia o mundo amadurecido a ponto de poder receber um ensinamento de Unidade. As barreiras que nos séculos anteriores haviam tornado impossível a unidade mundial, estavam prontas a desmoronar quando Bahá’u’lláh apareceu, e desde Seu nascimento, em 1817, e mais especificamente, desde que iniciou a promulgação de Seus ensinamentos, estas barreiras vêm sucumbindo da maneira mais extraordinária. Seja qual for a explicação, acerca deste fato não pode haver nenhuma dúvida. Nos tempos dos Profetas anteriores bastavam as barreiras geográficas para impedir a unidade mundial. Agora esse obstáculo foi vencido. Pela primeira vez na história humana, pessoas de partes opostas do globo podem comunicar-se fácil e rapidamente. As coisas feitas ontem na Europa são hoje sabidas em cada continente do mundo, e um discurso realizado na América hoje, pode ser lido amanhã na Europa, Ásia e África. Outro grande obstáculo era a dificuldade de idioma. Graças ao estudo e ensino das línguas estrangeiras essa dificuldade já foi em grande parte superada; e tudo nos faz supor que dentro de alguns anos será adotado um idioma internacional auxiliar, a ser ensinado em todas as escolas do mundo. Então este empecilho será também completamente removido. O terceiro grande obstáculo era o preconceito e a intolerância religiosa. Isso também está desaparecendo. As mentes dos homens estão se tornando mais receptivas. A educação do povo está libertando-se pouco a pouco das mãos dos sacerdotes sectários; e não mais pode-se impedir que as idéias novas e mais liberais penetrem até mesmo nos círculos mais exclusivistas e conservadores.


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Bahá’u’lláh é, assim, o primeiro dos grandes Profetas cuja mensagem tem-se tornado conhecida em cada canto do globo dentro de um período de relativamente poucos anos. Dentro em breve os ensinamentos essenciais de Bahá’u’lláh, traduzidos de Seus próprios autênticos Escritos, serão diretamente acessíveis a cada homem, mulher e criança do mundo que saiba ler. A Plenitude da Revelação Bahá’í A Revelação Bahá’í é única e sem precedentes entre os credos do mundo em razão da amplitude e perfeição de seus escritos autênticos. As palavras registradas que podem, com certeza, ser atribuídas a Cristo, a Moisés, a Zoroastro, a Buda ou a Krishna, são pouquíssimas, e deixam sem respostas várias questões modernas de grande importância prática. Muitos dos ensinamentos comumente atribuídos a estes Fundadores das religiões são de autenticidade duvidosa, e alguns são evidentemente acréscimos posteriores. Os muçulmanos possuem no Alcorão, e num vasto número de tradições, um registro muito mais amplo sobre a vida e os ensinamentos do seu Profeta, mas o próprio Muhammad, embora inspirado, era iletrado, assim como a maioria de Seus primeiros adeptos. Os métodos empregados para registrar e disseminar Seus ensinamentos eram, em muitos aspectos, insatisfatórios, e a autenticidade de muitas das tradições é bastante duvidosa. Como resultado, diferenças de interpretação e opiniões conflitantes motivaram divisões e dissensões no Islã, como havia acontecido em todas as comunidades religiosas anteriores. Por outro lado, tanto o Báb como Bahá’u’lláh escreveram fartamente e com grande eloqüência e poder. Como ambos foram privados de falar em público, e por haverem passado em prisão a maior parte de Suas vidas (após a declaração de Suas missões), Eles devotaram grande proporção de Seu tempo a escrever, resultando que, em riqueza de escrituras autênticas, a Revelação Bahá’í é incomparável a qualquer de suas predecessoras. Contém exposições


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claras e completas de muitas verdades apenas vagamente prenunciadas nas Revelações anteriores, e os princípios eternos da verdade que todos os Profetas ensinaram foram aplicados aos problemas que hoje o mundo enfrenta – problemas da maior complexidade e dificuldade, muitos dos quais ainda não haviam surgido nos dias dos antigos Profetas. É evidente que este completo registro de revelação autêntica deve exercer um efeito poderoso em evitar futuros mal entendidos e em esclarecer aqueles mal entendidos do passado que têm mantido separadas as várias seitas. O Convênio Bahá’í A Revelação Bahá’í é única e sem precedentes em ainda outro aspecto. Antes da morte, Bahá’u’lláh reiteradamente deixou por escrito um Convênio, apontando Seu Filho mais velho, ‘Abdu’lBahá, a Quem Ele muitas vezes refere-Se como “O Ramo” ou “O Supremo Ramo”, o autorizado intérprete dos ensinamentos, e declarando que quaisquer explicações ou interpretações dadas por Ele devem ser aceitas como de igual validade que as palavras do próprio Bahá’u’lláh. Em Sua Vontade e Testamento, Ele diz: Considerai o que temos revelado em nosso Mais Sagrado Livro: Quando o oceano de Minha presença tiver refluído, e o Livro de Minha Revelação se achar completo, volvei vossas faces Àquele eleito por Deus, Aquele que brotou desta Raiz Antiga. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 244.

E na Epístola do Ramo, na qual Ele explica a posição de ‘Abdu’lBahá, diz: Rendei louvores a Deus, ó povo, por Seu aparecimento; pois Ele é, em verdade, o maior favor a vós, a mais perfeita dádiva para vós; e através dEle cada osso em decomposição se revivifica. Quem a Ele se dirigir, ter-se-á dirigido a Deus, e quem Lhe der as costas, terá dado as costas à Minha Beleza, repudiado Minha Prova, e contra Mim transgredido.


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Após a morte de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá teve inúmeras oportunidades, não só em Sua própria casa como durante Suas extensas viagens, de contato com pessoas de todas as partes do mundo e das mais variadas opiniões. Ouvia todas as suas perguntas, dificuldades e objeções, e dava explicações detalhadas que eram cuidadosamente registradas em escritos. Durante uma longa série de anos, ‘Abdu’l-Bahá continuou esse trabalho de elucidação dos ensinamentos, mostrando suas aplicações aos mais variados problemas da vida moderna. Divergências de opinião que surgiam entre os adeptos eram submetidas a Ele e autorizadamente resolvidas, reduzindo ainda mais, desse modo, os riscos de futuros desentendimentos. Bahá’u’lláh, ainda mais, providenciou que uma Casa Universal de Justiça, representativa de todos os bahá’ís do mundo inteiro, fosse eleita para incumbir-se dos assuntos da Causa, controlar e coordenar todas as suas atividades, prevenir divisões e cismas, elucidar pontos obscuros e preservar os ensinamentos contra a corrupção e a deturpação. O fato de que esse supremo corpo administrativo pode não só iniciar legislação sobre todas as questões não definidas nos Ensinamentos, mas também anular seus próprios decretos quando novas condições exigirem medidas diferentes, capacita a Fé a expandir e adaptar-se, como um organismo vivo, às necessidades e exigências de uma sociedade mutante. Além disso, Bahá’u’lláh proibiu expressamente a interpretação dos ensinamentos por qualquer pessoa a não ser o intérprete autorizado. Em Sua Vontade e Testamento, ‘Abdu’l Bahá designou Shoghi Effendi para ser, depois dEle, o Guardião da Fé, e ter o poder de interpretar os Escritos. Daqui a mil anos ou mais aparecerá outro Manifestante, à sombra de Bahá’u’lláh, com provas claras de Sua missão, mas até então as palavras de Bahá’u’lláh, de ‘Abdu’l-Bahá e do Guardião, e as decisões da Casa Universal de Justiça constituem as autoridades às quais todos os adeptos devem volver-se para guia. Nenhum bahá’í pode fundar uma escola ou seita baseada em qualquer interpretação


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particular dos ensinamentos ou em qualquer revelação supostamente divina. Qualquer um que aja de modo contrário a estas injunções é considerado um “rompedor do Convênio”*. ‘Abdu’l-Bahá diz: Um dos inimigos da Causa é aquele que tenta interpretar as palavras de Bahá’u’lláh, assim deturpando o sentido de acordo com sua capacidade, e que reúne em seu redor quem o siga, formando uma seita diferente, promovendo sua própria posição, e fazendo uma divisão na Causa. Star of the West, vol. III, p. 8.

Em outra Epístola, Ele escreve: Essas pessoas (promotores de cisma) são como a espuma que se ajunta na superfície do mar; surgirá uma onda do oceano do Convênio e, através do poder do Reino de Abhá, lançará tal espuma à praia.... Todos esses pensamentos corruptos que emanam das intenções más e pessoais desaparecerão, enquanto que o Convênio de Deus permanecerá firme e seguro. Star of the West, vol. X, p. 95.

Nada há que impeça os homens de abandonarem a religião, quando assim o desejam. ‘Abdu’l-Bahá diz: “O próprio Deus não compele a alma a tornar-se espiritual. O exercício da livre vontade humana é necessário”. O Convênio espiritual torna, entretanto, de forma inequívoca, inteiramente impossível o sectarismo dentro da comunidade bahá’í. Nenhum Clero Profissional Uma outra característica da organização bahá’í deve ser especialmente mencionada, e é a que diz respeito à ausência de um clero profissional. Contribuições voluntárias para as despesas de instrutores são permitidas, e muitas pessoas devotam ao trabalho pela Causa todo o seu tempo, mas de todos os bahá’ís espera-se que *Vide o Capítulo 15 para mais elucidações a respeito da Guardiania e da Casa Universal de Justiça.


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compartilhem do trabalho de ensino da Fé, etc., de acordo com suas oportunidades e habilidades, e não há nenhuma classe especial entre seus adeptos para o exercício exclusivo das funções e prerrogativas sacerdotais. Nos tempos antigos, o clero era necessário, porque o povo era iletrado e não educado, e dependia dos sacerdotes para sua instrução religiosa, para a conduta dos ritos e cerimônias religiosas, para a administração da justiça, etc. Agora, entretanto, os tempos mudaram. Rapidamente a educação está tornando-se universal e, se os mandamentos de Bahá’u’lláh forem observados, todos os meninos e meninas do mundo receberão uma educação sadia. Cada indivíduo será então capaz de estudar as Escrituras por si mesmo, de extrair a Água da Vida por si mesmo, diretamente da Fonte. Cerimônias e ritos elaborados, que necessitam dos serviços de uma profissão ou casta especial, não têm lugar no sistema bahá’í; e a administração da justiça é confiada às autoridades instituídas para esse fim. Para uma criança um instrutor é necessário, mas o intuito do verdadeiro instrutor é preparar seu aluno para que possa conduzirse por si só, sem um instrutor; para ver as coisas com seus próprios olhos, ouvir com seus próprios ouvidos e compreender com seu próprio intelecto. Da mesma maneira, na infância da criação o sacerdote é necessário, mas seu verdadeiro trabalho é tornar a humanidade capaz de conduzir-se sem ele: de ver as coisas divinas com seus próprios olhos, ouvi-las com seus próprios ouvidos e compreendê-las com suas próprias mentes. O trabalho do sacerdote está agora quase que terminado, e o objetivo dos ensinamentos bahá’ís é completar esse trabalho para tornar os homens independentes de tudo, salvo de Deus, de modo que se possam dirigir diretamente a Ele, isto é, ao Seu Manifestante. Quando todos se dirigirem ao mesmo Centro, não poderá então haver divergências de propósitos ou confusão, e quanto mais todos se aproximarem do Centro, mais aproximar-se-ão uns dos outros.


Capítulo 9

A VERDADEIRA CIVILIZAÇÃO Não vos ocupeis com vossos próprios interesses; concentrai os pensamentos naquilo que possa reabilitar as fortunas da humanidade e santificar os corações e almas dos homens. Bahá’u’lláh. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 79.

Religião – A Base da Civilização Segundo o ponto de vista bahá’í, os problemas da vida humana, tanto individual como social, são tão inconcebivelmente complexos que o intelecto do homem comum é incapaz, por si mesmo, de resolvê-los com acerto. Só o Onisciente tem pleno conhecimento do desígnio da criação e do modo que se pode atingilo. Através dos Profetas Ele mostra ao homem a verdadeira meta da vida humana e o caminho reto do progresso; e a construção de uma verdadeira civilização depende da obediência fiel à guia da Revelação profética. Bahá’u’lláh diz: A religião é, em verdade, o instrumento principal para o estabelecimento da ordem no mundo e da tranqüilidade entre seus povos. O enfraquecimento dos pilares da religião tem fortalecido os insensatos, tornando-os mais audazes e mais arrogantes. Verdadeiramente digo: Quanto maior o declínio da religião, mais penosa se torna a desobediência dos ímpios. Isso não pode levar, afinal, senão ao caos e confusão...


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Consideremos a civilização do Ocidente, quanto tem agitado e alarmado os povos do mundo. Inventou-se uma máquina infernal que se tem mostrado ser arma de destruição tão cruel como jamais se viu outra semelhante, nem se ouviu falar em outro igual. A fim de efetivarem sua purificação de corrupções tão profundamente arraigadas e sobrepujantes, os povos do mundo deverão unir-se em seus esforços para atingirem um objetivo comum e abraçarem uma fé universal... Ó povo de Bahá! Cada um dos preceitos por Nós revelados é uma poderosa cidadela para a preservação do mundo existente. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 74-81.

A atual situação da Europa e do mundo em geral confirma eloqüentemente a verdade destas palavras escritas há tantos anos. A negligência aos mandamentos proféticos e o predomínio da irreligião têm sido acompanhados por desordem e destruição na mais terrível escala e, sem a mudança de coração e de objetivo que é a característica essencial da verdadeira religião, a reforma da sociedade parece inteiramente impossível. Justiça No pequeno livro Palavras Ocultas, em que Bahá’u’lláh nos dá, em resumo, a essência dos ensinamentos proféticos, Seu primeiro conselho refere-se à vida individual: “Possui um coração puro, bondoso e radiante....” O segundo trata do princípio básico da verdadeira vida social: Ó Filho do Espírito! A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas, nem a descures, para que Eu em ti possa confiar. Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria


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compreensão e não pela compreensão de teu semelhante. Pondera isto em teu coração: como te incumbe ser. Em verdade, a justiça é Minha dádiva a ti e o sinal de Minha misericórdia. Guarda-a, pois, ante os teus olhos.

O primeiro requisito da vida social é que o indivíduo torne-se capaz de discernir o verdadeiro do falso, o certo do errado, e de ver as coisas em suas verdadeiras proporções. A maior causa da cegueira espiritual e social, e o maior inimigo do progresso social, é o egoísmo. Diz Bahá’u’lláh: Ó filhos do entendimento! Se a pálpebra, por mais delicada que seja, pode privar a visão externa do homem de contemplar o mundo e tudo o que nele existe, considere então o que pode ocorrer se o véu da cobiça cobrir sua visão interna. Dize: Ó povo! A escuridão da ganância e da inveja obscurece o resplendor da luz do Sol. O Tabernáculo da Unidade, p. 7.

A longa experiência está por fim convencendo o homem quanto à verdade dos ensinamentos proféticos de que as opiniões e ações egoístas conduzem inevitavelmente ao desastre social e, para que a humanidade não pereça ingloriamente, cada um deve ver o que é do próximo como sendo tão importante quanto o que é seu, e subordinar seus próprios interesses aos da inteira humanidade. Assim serão melhor servidos, definitivamente, os interesses de cada um e de todos. Bahá’u’lláh diz: Ó Filho do homem! Se teus olhos estiverem volvidos para a misericórdia, abandona tu as coisas que a ti são proveitosas e adere àquilo que trará proveito ao gênero humano. E se teus olhos estiverem volvidos para a justiça, escolhe tu para teu próximo o que para ti próprio escolhes. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 75.


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Governo Os ensinamentos de Bahá’u’lláh contêm dois diferentes tipos de referências à questão da verdadeira ordem social. Um é exemplificado nas epístolas reveladas aos reis, as quais tratam do problema de governo tal como existia no mundo durante a vida de Bahá’u’lláh na Terra; as outras referências são à nova ordem a ser desenvolvida dentro da própria comunidade bahá’í. Daí surge o vívido contraste entre tais passagens como: “Convém a todos os homens, neste Dia, segurarem-se ao Maior Nome e estabelecerem a unidade de todo o gênero humano. Não há lugar para onde fugir, nem asilo que qualquer um possa buscar, senão Ele.” e: “O Deus Uno e Verdadeiro – exaltada seja Sua glória – sempre considerou e continuará a considerar os corações dos homens como Sua própria e exclusiva possessão. Tudo mais, quer pertencente à terra ou ao mar, seja riqueza ou glória, Ele o legou aos reis e governantes da Terra.” Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 155; 157.

A aparente incompatibilidade entre estas duas asserções desaparece quando observamos a distinção que Bahá’u’lláh faz entre a “Paz Menor” e a “Paz Máxima”. Em Suas epístolas aos reis, Bahá’u’lláh exorta-os a reunirem-se e tomarem medidas para a manutenção da paz política, para a redução de armamentos, e para a remoção dos fardos e da insegurança do pobre. Suas palavras mostram com perfeita clareza, porém, que o fracasso deles em responder às necessidades do tempo resultaria em guerras e revoluções que conduziriam à derrubada da velha ordem. Assim, por um lado Ele disse: “O que a humanidade necessita, neste dia, é obediência àqueles que estão em autoridade.”


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E por outro: “Os homens que, tendo amontoado as vaidades e adornos da terra, se afastaram, de Deus com desdém – estes perderam tanto este mundo, como o vindouro. Dentro de pouco tempo, Deus, com a Mão do Poder, haverá de despojá-los de suas possessões e despir do manto de Sua bondade.” “Temos um tempo marcado para vós, ó povos. Se, na hora designada, deixardes de vos volver a Deus, Ele, verdadeiramente, porá as mãos em vós com violência e fará que penosas aflições vos acometam de todas as direções.” “Os sinais de caos e convulsões iminentes podem agora ser discernidos, desde que a ordem que predomina parece ser lamentavelmente defeituosa.” “Nós Nos comprometemos a segurar Teu triunfo na terra e a enaltecer Nossa Causa acima de todos os homens, ainda que não seja encontrado nenhum rei que queira para Ti volver sua face.” Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 158-159; 163; 165 e 187.

“O Grande Ser, desejando revelar os requisitos da paz e tranqüilidade do mundo e do progresso de seus povos, escreveu: Há de vir o tempo em que se compreenda universalmente a necessidade imperiosa de se convocar uma vasta assembléia de homens – assembléia essa, que a todos abranja. Os governantes e reis da Terra devem forçosamente assisti-la e, participando de suas deliberações, considerarem tais meios e modos que possam lançar entre os homens os alicerces da Grande Paz do mundo. Tal paz exige que as Grandes Potências resolvam, para a tranqüilidade dos povos da Terra, reconciliar-se plenamente entre si. Se algum rei empregar armas contra outro, todos unidos deverão levantarse e impedi-lo.” Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 187.

Por este conselho, Bahá’u’lláh revelou as condições sob as quais se deve exercer a responsabilidade pública neste Dia de Deus.


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Apelando, por um lado, pela solidariedade internacional, Ele com igual clareza advertiu aos governantes que a continuação das lutas destruiria seu poder. E a história moderna agora confirma esta advertência, com o aparecimento daqueles movimentos coercivos que em todas as nações civilizadas adquiriram tamanho poder destrutivo, e com o desenvolvimento da ciência da guerra a tal ponto que a vitória não está mais ao alcance de qualquer das partes. “Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de que talvez possais melhorar em algum grau vossa própria condição e a daqueles que de vós dependem.” “O que o Senhor ordenou como o remédio soberano e o mais poderoso instrumento para a cura do mundo inteiro é a união de todos os seus povos em uma Causa Universal, em uma Fé comum. Isso de modo algum se há de realizar, salvo através do poder de um Médico hábil, onipotente e inspirado.” Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 191-192.

Entende-se por Paz Menor uma união política dos Estados, enquanto que a Paz Máxima é uma união que abrange fatores espirituais, bem como políticos e econômicos. Breve será a presente ordem posta de lado, e uma nova se estenderá em seu lugar. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, p. 20.

Em épocas passadas podia um governo ocupar-se com questões externas e assuntos materiais, mas hoje em dia a função de governo requer uma qualidade de liderança, de consagração e de conhecimentos espirituais, impossíveis, salvo para aqueles que se hajam volvido para Deus.


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Liberdade Política Embora Bahá’u’lláh recomende como a condição ideal uma forma representativa de governo, tanto local como nacional e internacional, ensina que isso é possível somente quando o homem tiver atingido um grau suficientemente elevado de desenvolvimento individual e social. Conceder subitamente plena autonomia a homens não educados, dominados por desejos egoístas e sem experiência em dirigir negócios públicos, seria desastroso. Nada existe mais perigoso do que conceder liberdade àqueles que não estejam preparados para usá-la sensatamente. Bahá’u’lláh escreve no Kitáb-i-Aqdas: Considerai a mesquinhez do juízo dos homens! Pedem o que lhes traz dano e desprezam o que lhes é proveitoso. São, em verdade, dos que longe se perderam. Vemos alguns desejando a liberdade e vangloriando-se disso. Tais homens estão nas profundezas da ignorância. Ao fim a liberdade conduzirá à sedição, cujas chamas ninguém pode extinguir. Assim Ele que é o Avaliador, o Onisciente, vos adverte. Sabei vós que a personificação e símbolo da liberdade é o animal. O que convém ao homem é a submissão àquelas restrições que o protejam de sua própria ignorância e guardem-no do dano causado pelos malévolos. A liberdade faz o homem transpor os limites do decoro e violar a dignidade da sua posição. Rebaixa-o à depravação e malícia extremas. Considerai os homens como um rebanho de ovelhas que necessitam de um pastor que as proteja. Isso realmente é a verdade, a verdade certa. Aprovamos a liberdade em certas circunstâncias e recusamo-Nos a sancioná-la em outras. Nós, em verdade, somos o Onissapiente. Dize: A verdadeira liberdade consiste na submissão do homem aos Meus mandamentos, conquanto não o percebais. Observassem os homens o que Nós lhes enviamos do Céu da Revelação, eles, com toda certeza, atingiriam a liberdade


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA perfeita. Feliz quem apreende o Desígnio de Deus em tudo o que Ele revelou do Céu de Sua Vontade, a qual permeia todas as coisas criadas. Dize: A liberdade que vos é proveitosa só se encontra em completa servitude a Deus, a Verdade Eterna. Quem experimentar a sua doçura recusará trocá-la por todo o domínio da terra e do céu. O Kitáb-i-Aqdas, K122-125, p. 51.

Os ensinamentos Divinos são o remédio soberano para melhorar a condição das raças e nações atrasadas. Quando o povo, bem como os estadistas, conhecerem e adotarem estes ensinamentos, as nações livrar-se-ão de todos os seus grilhões. Governantes e Súditos Bahá’u’lláh proíbe, nos mais enfáticos termos a tirania e a opressão. Escreve Ele em As Palavras Ocultas: Ó Opressores na terra! Retirai as vossas mãos da tirania, porque jurei não perdoar a injustiça de nenhum homem. Este é Meu pacto, o qual decretei irrevogavelmente na epístola preservada e selei com Meu selo de glória.

Os que são incumbidos de formular e administrar as leis e preceitos devem: Aí se devem segurar à corda da consulta, vindo assim a adotar e executar o que possa conduzir à segurança, prosperidade, riqueza e tranqüilidade do povo. Pois, fosse adotada qualquer outra medida, senão esta, só poderia resultar em caos e comoção. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 105.

Por outro lado, o povo deve cumprir a lei e ser leal ao governo justo. Deve confiar em métodos educacionais e na força do bom


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exemplo, e não em violência, para melhorar a situação do país. Diz Bahá’u’lláh: Em todo país em que qualquer uma destas pessoas residam, elas devem mostrar lealdade ao governo desse país e ser honestas e verazes. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 31.

Ó povo de Deus! Ataviai vossos templos com o adorno da fidedignidade e da piedade. Servi, então, a vosso Senhor, com as hostes de belas ações e de um caráter louvável. Nós vos temos proibido a dissensão e o conflito – em Meus Livros, Minhas Escrituras, Meus Pergaminhos e Minhas Epístolas, nada desejando com isso, senão vossa elevação e vosso progresso. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 133.

Nomeação e Promoção Ao se fazer nomeações, o único critério deve ser o da idoneidade para a posição. Diante desta consideração suprema, todas as outras devem ceder – quer seja tempo de serviço no cargo, posição social ou financeira, parentesco ou amizade pessoal. Bahá’u’lláh diz na Epístola de Ishráqát: Os governos devem informar-se plenamente das condições dos que eles governam e lhes conferir posições de acordo com seu valor e mérito. Cumpre a todo governante e soberano considerar esse assunto com o máximo cuidado, a fim de que o traidor não usurpe a posição do fiel, nem o espoliador governe em lugar do fidedigno. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 140.

Requer apenas pouca consideração para mostrar que, quando este princípio tornar-se geralmente aceito e aplicado, a transformação em nossa vida social será espantosa. Quando a cada indivíduo for


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dada a posição para a qual seus talentos e capacidades sejam especialmente adequados, ele poderá colocar seu coração em seu trabalho e tornar-se-á um artista em sua profissão, com incalculável benefício a si mesmo e ao resto do mundo. Os Problemas Econômicos Os ensinamentos bahá’ís, em termos os mais enfáticos, insistem na necessidade de uma reforma nas relações econômicas entre ricos e pobres. Diz ‘Abdu’l-Bahá: As condições do povo devem ser arranjadas de tal modo que a pobreza desapareça, que todas as pessoas, tanto quanto possível, de acordo com sua classe e posição, participem no conforto e bem-estar. Vemos entre nós homens excessivamente ricos, de um lado, e, de outro, desafortunados entregues aos rigores da fome; aqueles que possuem vários palácios majestosos e os que não têm onde reclinarem a cabeça... Este estado de coisas é injusto e deve ser remediado. Porém, o remédio deve ser cuidadosamente administrado. Não deve ser aplicado no sentido da absoluta igualdade entre os homens. A igualdade é uma quimera! É inteiramente impraticável! Mesmo que a igualdade pudesse ser atingida, não poderia continuar; e, se sua existência fosse possível, a ordem total do mundo seria destruída. A lei da ordem deve sempre prevalecer no mundo da humanidade. O Céu assim decretou na criação do homem... A humanidade, semelhante a um grande exército, requer um general, capitães, suboficiais e soldados, cada qual com seus deveres determinados. A hierarquia é absolutamente necessária para assegurar uma organização bem ordenada. Um exército não pode ser composto unicamente de generais ou de capitães apenas, nem tão somente de soldados, sem alguém de autoridade. Sendo alguns excessivamente ricos e outros lamentavelmente pobres, certamente é necessária uma


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organização para controlar e melhorar esse estado de coisas. É importante limitar a riqueza, como também é de importância limitar a pobreza. Nenhum extremo é bom... Deixar-se a pobreza chegar ao estado de inanição é sinal certo de que em algum lugar se encontra a tirania. Os homens devem agir nessa questão e não mais protelar a alteração das condições que trazem a desgraça da pobreza oprimente a vastíssimo número de pessoas. Os ricos devem dar parte de sua abundância, abrandar seus corações e cultivar uma inteligência compassiva, pensando naqueles seres tristes que sofrem por falta dos próprios meios de subsistência. Deve haver leis especiais que tratem desses extremos de riqueza e pobreza... Os governos dos países devem conformarse com a Lei Divina, que confere justiça igual a todos... Até que isso seja feito, a Lei de Deus não será obedecida. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 149-151.

Finanças Públicas ‘Abdu’l-Bahá sugere que cada cidade, vila ou distrito seja incumbido tanto quanto possível da administração das finanças públicas dentro de sua própria área, e contribua com sua devida proporção para as despesas do governo geral. Uma das principais fontes de receita seria um imposto graduado sobre rendas. Se a renda de uma pessoa não excede a sua despesa necessária, não lhe deve ser exigido pagar qualquer imposto, mas em todos os casos em que a renda exceder a despesa necessária, um imposto deve ser cobrado, sendo a percentagem crescente à proporção em que a renda exceder à despesa necessária. Se por outro lado, em conseqüência de doença, má colheita, ou outra causa pela qual não seja responsável, uma pessoa não puder ganhar o suficiente para cobrir as suas despesas necessárias para o ano, então o que lhe faltar para a sua manutenção e a da sua família deverá ser suprido pelo fundo público.


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Haverá também outras fontes de receita pública, por exemplo: bens de intestados [pessoas que não deixam testamento], minas, tesouros encontrados e contribuições voluntárias; enquanto, entre as despesas, haverá concessões para a manutenção dos enfermos, dos órfãos, das escolas, dos surdos e cegos, e para a conservação da saúde pública. Assim o bem-estar e conforto de todos serão providos*. Partilha Voluntária Numa carta à Central Organization for a Durable Peace [Organização Central para uma Paz Durável], escrita em 1919, ‘Abdu’l-Bahá diz: E entre os princípios de Bahá’u’lláh está a repartição voluntária dos bens com o semelhante. Essa partilha espontânea é superior à igualdade, e consiste em que o homem não se dê preferência a si mesmo sobre outrem, senão que sacrifique a vida e os haveres pelo próximo. Isso, entretanto, não deve ser introduzido pela coerção, de modo que se torne uma lei que o homem seja constrangido a obedecer. Não, antes, o ser humano deve, por sua própria vontade e opção, sacrificar as posses e a vida pelos outros e, de bom grado, dar aos pobres, assim como fazem os bahá’ís da Pérsia. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, p. 275.

Trabalho para Todos Uma das mais importantes instruções de Bahá’u’lláh acerca da questão econômica é que todos se devem ocupar em algum trabalho útil. Não deve haver zangões na colméia social, nenhum parasita fisicamente capaz na sociedade. Ele diz: É ordenado que cada um de vós se ocupe em alguma forma de trabalho – seja ofício, algum ramo de comércio, ou coisa semelhante. Benevolamente temos elevado vossa ocupação *Para maiores detalhes ver as palestras publicadas de ‘Abdu’l-Bahá, especialmente aquelas proferidas nos Estados Unidos.


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em tal trabalho ao grau de adoração a Deus, o Ser Verdadeiro. Ponderai em vossos corações as graças e bênçãos de Deus e rendei-Lhe agradecimentos, ao anoitecer e ao alvorecer. Não desperdiceis vosso tempo em indolência e ociosidade. Dedicai-vos àquilo que a vós mesmos e aos outros possa trazer proveito. Assim foi decretado nesta Epístola de cujo horizonte se irradia, resplandecente, o Sol da sabedoria e da proclamação. Os mais desprezados dos homens, aos olhos de Deus, são aqueles que se sentam indolentemente e mendigam. Seguraivos com firmeza à corda dos meios materiais, pondo vossa inteira confiança em Deus, o Provedor de todos os meios. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 34-35.

No mundo de negócios de hoje, quanta energia não é despendida simplesmente em cancelar e neutralizar os esforços dos outros em lutas e competições improfícuas! E quanta é gasta de modos ainda mais prejudiciais! Se todos trabalhassem, e se todo o trabalho, quer mental ou manual, fosse de um tipo proveitoso à humanidade, como Bahá’u’lláh ordena, então o suprimento de tudo necessário para uma vida sã, confortável e nobre satisfaria amplamente a todos. Não é necessário que existam favelas, fome, miséria, escravidão industrial, ou trabalho penoso e insalubre. A Ética da Riqueza De acordo com os ensinamentos bahá’ís, riquezas adquiridas com retidão e usadas com retidão são dignas de honra e louvor. Serviços prestados devem ser remunerados de um modo adequado. Bahá’u’lláh diz na Epístola de Tarázát: O povo de Bahá a nenhuma alma deve negar a recompensa que lhe é devida, deve tratar com deferência os artífices... Deve-se falar com eqüidade e apreciar essa graça. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 47.


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Com respeito a juros, Bahá’u’lláh diz na Epístola de Ishráqát: Muitas pessoas necessitam disso, pois, se não houvesse perspectiva de se ganhar juros, os interesses dos homens sofreriam colapso ou desequilíbrio. Raramente se pode encontrar uma pessoa que manifeste tal consideração para com seu semelhante, um patrício seu, ou seu próprio irmão, e lhe mostre tão terna solicitude, que esteja disposta a conceder-lhe um empréstimo em termos de benevolência*. Como sinal de favor aos homens, pois, temos prescrito que juros sobre dinheiro sejam considerados como outras transações de negócios correntes entre os homens. Assim... é legítimo e apropriado cobrar juros sobre dinheiro... É este um assunto, entretanto, no qual se deve exercer moderação e eqüidade. Nossa Pena de Glória, como sinal de sabedoria e para a conveniência de todos, desistiu de lhe estabelecer o limite. Exortamos os bem-amados de Deus, no entanto, a observarem justiça e eqüidade, e a fazerem o que possa incentivar os amigos de Deus a mostrarem terna misericórdia e compaixão uns para com os outros... Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 147-148.

A aplicação destes assuntos foi colocada a cargo dos homens da Casa de Justiça, a fim de que pudessem agir de acordo com as exigências do tempo e com sabedoria. Nenhuma Escravidão Industrial No Kitáb-i-Aqdas Bahá’u’lláh proíbe a escravidão, e ‘Abdu’l Bahá explica que não somente a escravidão propriamente dita como também a escravidão industrial são contrárias à lei de Deus. Quando nos Estados Unidos, em 1912, Ele disse ao povo americano: Entre 1860 e 1865 fizestes uma coisa admirável: abolistes a escravidão; mas hoje deveis fazer uma coisa muito mais admirável: deveis abolir a escravidão industrial... *Empréstimos sem juros e pagáveis quando o devedor deseje.


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Não serão resolvidas as questões econômicas pela disposição do capital contra o trabalho, e do trabalho contra o capital, em lutas e conflitos, e sim pela atitude de boa vontade de ambos os lados. Então uma justiça real e duradoura estará assegurada... Entre os bahá’ís não há extorsões, mercenarismo ou atos injustos, demandas rebeldes, nem levantes revolucionários contra os governos existentes... No futuro não será possível aos homens acumular grandes fortunas pelo labor dos outros. Os ricos repartirão os seus bens voluntariamente. Chegarão a isso gradualmente, naturalmente, por sua própria vontade. Isso jamais se conseguirá por meio da guerra e carnificina. Star of the West, vol. VII, no 15, p. 147.

É pela consulta amigável e cooperação, pelo justo compartilhamento e divisão dos lucros, que os interesses do capital e do trabalho serão melhor servidos. As armas violentas da greve e do impedimento de trabalho pelo patrão [lock-out] são prejudiciais, não só aos negócios imediatamente afetados, mas também à comunidade em geral. É incumbência, pois, dos governos, planejar os meios de prevenir que se recorra a tais métodos bárbaros de ajustar disputas. ‘Abdu’l Bahá disse em Dublin, New Hampshire, em 1912: Agora desejo falar-vos sobre a lei de Deus. De acordo com a lei divina, os empregados não devem ser pagos meramente por ordenados. Não, antes, devem ser parceiros em todos os empreendimentos. A questão da socialização é assaz difícil. Não será resolvida por greves salariais. Todos os governos do mundo devem unir-se e organizar uma assembléia, cujos membros serão eleitos entre os parlamentos e os homens conceituados das nações. Estes devem planejar com sabedoria e autoridade, de modo que nem os capitalistas sofram enormes perdas, nem os trabalhadores tornem-se necessitados. Devem legislar com a maior moderação e anunciar então, ao público,


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA que os direitos do trabalhador serão efetivamente preservados; também serão protegidos os direitos dos capitalistas. Quando por vontade de ambas as partes for adotada esta lei geral, se uma greve ocorrer, todos os governos do mundo devem resistir coletivamente. De outro modo, o trabalho conduzirá a muita destruição, especialmente na Europa. Coisas terríveis sucederão. Esta questão será uma das várias causas de uma guerra geral na Europa. Os donos de propriedades, minas e fábricas, devem repartir seus rendimentos com seus empregados, dando uma certa porcentagem justa de seus lucros a seus trabalhadores, de modo que recebam, além de seus salários, parte da receita geral da empresa, e possam esforçar-se de corpo e alma no trabalho. Star of the West, vol. VIII, no 1, p. 7.

Legados e Heranças Bahá’u’lláh diz que uma pessoa deve ser livre para dispor de suas possessões da maneira que lhe aprouver durante sua vida, e incumbe a cada um escrever um testamento especificando como devem ser dispostos os seus bens após sua morte. Quando uma pessoa morre sem deixar um testamento, o valor de seus bens deve ser avaliado e dividido em determinadas proporções entre sete classes de herdeiros, a saber: filhos, mulher ou marido, pai, mãe, irmãos, irmãs e professores, diminuindo gradativamente a parte de cada um, do primeiro ao último. Na ausência de uma ou mais destas classes, a parte que lhes caberia vai para a tesouraria pública, para ser gasta em benefício dos pobres, órfãos e viúvas, ou para outras obras de utilidade pública. Caso o morto não tenha herdeiros, todos os seus bens vão para o Tesouro Público. Nada há na lei de Bahá’u’lláh que impeça um homem de deixar todos seus bens a uma única pessoa, se assim o deseja, mas os bahá’ís, ao fazerem seus testamentos, serão naturalmente influenciados pelo modelo estabelecido por Bahá’u’lláh para os casos


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de bens de intestados, o qual assegura sua distribuição entre um número considerável de herdeiros. Igualdade entre Homens e Mulheres Um dos princípios sociais ao qual Bahá’u’lláh atribui grande importância é o de que as mulheres devem ser consideradas como iguais aos homens, e devem desfrutar de direitos e privilégios iguais, educação igual e oportunidades iguais. A educação universal é o grande meio em que Ele confia para realizar a emancipação das mulheres. As meninas devem receber uma educação tão boa quanto os meninos. De fato, a educação das meninas é até mais importante do que a dos meninos, pois no devido tempo estas meninas se tornarão mães e, como mães, serão as primeiras educadoras da próxima geração. As crianças são como ramos verdes e tenros; se o primeiro treinamento for correto, crescerão direitos, e se for errôneo, crescerão tortos; e até o fim de suas vidas elas serão afetadas pelo ensino de seus primeiros anos. Como é importante, pois, que as meninas sejam bem e sabiamente educadas! Durante Suas viagens ao Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá teve muitas ocasiões para explicar o ensinamento bahá’í sobre este assunto. Numa reunião da Women’s Freedom League [Liga para a Liberdade das Mulheres] em Londres, em janeiro de 1913, Ele disse: A humanidade assemelha-se a uma ave com suas duas asas – uma é o macho, a outra a fêmea. A ave, a menos que ambas as asas sejam fortes e impelidas por uma força comum, não pode voar rumo ao céu. De acordo com o espírito desta época, as mulheres devem progredir e cumprir sua missão em todos os setores da vida, tornando-se igual ao homem. Devem estar no mesmo nível que os homens e gozar de direitos iguais. Esta é minha mais ardente prece, e é um dos princípios fundamentais de Bahá’u’lláh. Alguns cientistas têm declarado que o cérebro do homem pesa mais do que o da mulher, e sustentam que isto seja uma


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA prova de superioridade do homem. Não obstante, quando olhamos ao nosso redor, vemos pessoas com cabeças pequenas, cujos cérebros devem pesar pouco, manifestarem a maior inteligência e grande poder de compreensão; e outras com cabeças grandes, cujos cérebros devem ser pesados, e contudo são desajuizadas. O peso do cérebro, pois, não é uma medida correta de inteligência ou superioridade. Quando os homens apresentam como uma segunda prova da sua superioridade a asserção de que as mulheres não alcançaram tantas realizações quanto os homens, usam argumentos pobres que não levam em consideração a história. Se eles se mantivessem melhor informados da história, saberiam que grandes mulheres viveram e realizaram grandes coisas no passado, e que há muitas vivendo e realizando grandes coisas hoje.

A seguir, ‘Abdu’l-Bahá descreveu as realizações de Zenóbia e outras grandes mulheres do passado, prestando em conclusão um eloqüente tributo à destemida Maria Madalena, cuja fé permaneceu firme enquanto a dos apóstolos era abalada. Prosseguiu Ele: Entre as mulheres de nosso tempo encontra-se Qurratu’l ‘Ayn, filha de um sacerdote muçulmano. No tempo do aparecimento do Báb, ela mostrou tão tremenda coragem e poder que todos os que a ouviam ficavam pasmos. Abandonou o uso do véu, a despeito do costume imemorial das mulheres da Pérsia, e embora fosse considerado indecoroso uma mulher se dirigir a um homem, essa heroína sustentava controvérsias com os mais eruditos, e vencia-os em cada debate. O governo da Pérsia fê-la prisioneira; ela foi apedrejada nas ruas, anatematizada, exilada de cidade a cidade sob ameaça de morte, porém jamais vacilou em sua determinação de trabalhar pela liberdade de suas irmãs. Suportou perseguição e sofrimento com o maior heroísmo; mesmo na prisão conseguiu adeptos. A um ministro da Pérsia, em cuja casa


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estava aprisionada, disse: “Podeis matar-me tão cedo quanto quiserdes, mas não podeis impedir a emancipação da mulher.” Finalmente chegou a termo sua vida trágica; conduziram-na a um jardim onde a estrangularam. Ela vestiu-se, não obstante, com suas melhores vestes, como se estivesse indo a uma festa de núpcias. Deu sua vida com tal magnanimidade e coragem que surpreendeu e emocionou a todos que a viram. Era de fato uma grande heroína. Hoje no Irã, entre os bahá’ís, há mulheres que também mostram coragem inabalável e que são dotadas de grande visão poética. São muito eloqüentes e falam diante de grandes auditórios. Para o aperfeiçoamento da humanidade as mulheres devem continuar a progredir, estendendo seus conhecimentos sobre ciência, literatura e história. Dentro em breve elas receberão seus direitos. Os homens olharão com toda seriedade para as mulheres, portando-se com dignidade, aprimorando a vida civil e política, opondo-se à guerra, reclamando o direito de sufrágio e oportunidades iguais. É minha expectativa ver-vos progredir em todas as fases da vida; então sereis coroadas com o diadema da glória eterna.

As Mulheres e a Nova Era Quando o ponto de vista da mulher receber a devida consideração e à sua vontade for permitida adequada expressão na solução das questões sociais, poderemos esperar grande progresso em assuntos que foram muitas vezes deploravelmente negligenciados sob o antigo regime do domínio masculino – tais como a saúde, a abstinência de tóxicos, a paz, e a consideração ao valor da vida individual. Progressos nestes assuntos terão efeitos benéficos de grande alcance. Diz ‘Abdu’l-Bahá: O mundo até agora tem sido governado pela força, e o homem tem dominado a mulher em virtude de sua maior força e de suas qualidades físicas e mentais mais agressivas. Mas a balança


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA já está mudando; a força está perdendo seu predomínio, e a vivacidade mental, a intuição, e as qualidades espirituais de amor e serviço, nas quais a mulher é forte, estão ganhando ascendência. Em conseqüência, a nova era será uma era menos masculina e mais permeada pelos ideais femininos, ou para falar mais exatamente, será uma era em que os elementos masculinos e femininos da civilização estarão melhor equilibrados. Star of the West, vol. VIII, no 3, p. 4.

A Rejeição dos Métodos Violentos Para levar a efeito a emancipação da mulher, como em outros assuntos, Bahá’u’lláh aconselha aos Seus adeptos que evitem métodos de violência. Uma excelente ilustração do método bahá’í para reforma social foi dada pelas mulheres bahá’ís na Pérsia, no Egito e na Síria. Nesses países é costume da mulher maometana, quando fora de casa, usar um véu cobrindo o rosto. O Báb indicou que na Nova Dispensação, as mulheres seriam aliviadas desta importuna restrição, mas Bahá’u’lláh aconselha Seus seguidores que, quando nenhuma importante questão de moralidade estiver envolvida, respeitem os costumes estabelecidos até que o público torne-se esclarecido, em vez de escandalizarem àqueles entre os quais vivem e despertarem antagonismos desnecessários. Assim as mulheres bahá’ís, embora bem cientes de que o costume antiquado de usar o véu é, para pessoas esclarecidas, desnecessário e inconveniente, não obstante, em vez de incitarem uma tempestade de ódio fanático e oposição rancorosa – por não cobrirem seus rostos em público, serenamente sujeitamse a essa inconveniência. De modo algum é por medo a conformidade a esse costume, mas sim, por uma segura confiança no poder da educação e no efeito de transformar e vivificar da verdadeira religião. Os bahá’ís nessas regiões estão devotando suas energias à educação dos seus filhos, especialmente das meninas, e à difusão e promoção dos ideais bahá’ís, certos de que, com o crescimento e a disseminação


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entre o povo, da nova vida espiritual, os costumes e preconceitos antiquados serão abandonados pouco a pouco, tão natural e inevitavelmente como os invólucros dos brotos são descartados na primavera, quando as folhas e flores desabrocham à luz do sol*. Educação A educação – instrução e guia do homem, e o desenvolvimento e treino de suas faculdades inatas – tem sido a meta suprema de todos os Santos Profetas desde o começo do mundo, e nos ensinamentos bahá’ís a importância fundamental e as possibilidades ilimitadas da educação são proclamadas nos mais explícitos termos. O educador é o fator mais potente na civilização, e seu trabalho é o mais nobre ao qual o homem possa aspirar. A educação tem início no ventre materno e é tão interminável como a vida da pessoa. É uma perene necessidade da vida reta, e a base do bem-estar individual e social. Quando a educação em linhas corretas tornar-se geral, a humanidade será transformada e o mundo tornar-se-á um paraíso. Na atualidade, o fenômeno mais raro é um homem realmente bem educado, pois quase todos têm preconceitos falsos, ideais iníquos e concepções errôneas, e maus hábitos, que lhes foram imbuídos desde a primeira infância. Quão poucos foram ensinados, desde seus primeiros anos, a amar a Deus de todo coração e a dedicar-Lhe a vida; a considerar o serviço à humanidade como o mais elevado ideal de vida; a desenvolver suas faculdades com vistas ao maior benefício e bem-estar geral de todos! Certamente, ainda, são estes os elementos essenciais à boa educação. Meramente abarrotar a memória com fatos sobre aritmética, gramática, geografia, línguas, etc., tem um efeito relativamente pequeno em produzir vidas nobres e úteis. Bahá’u’lláh diz que a educação deve ser universal: A todo o pai se ordenou a instrução do filho e da filha na arte de ler e escrever, e em tudo que se encontra registrado na *Isso foi claramente demonstrado pelo progresso social realizado sob o regime da república turca.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Santa Epístola. Quanto àquele que desconsidera o que lhe foi prescrito: se tiver posses, os Mandatários tomarão dele o necessário para a instrução das crianças, caso contrário, entregue-se o assunto à Casa de Justiça. Verdadeiramente, fizemos dela um abrigo para os pobres e necessitados. Quem cria o seu próprio filho, ou o filho de outrem, é como se criasse um filho Meu; sobre ele repousem Minha glória, Minha ternura e Minha mercê, que envolveram o mundo inteiro. O Kitáb-i-Aqdas, K48, p. 31.

Cada um, seja homem ou mulher, deve entregar a uma pessoa de confiança uma parte daquilo que ele ou ela ganha – por meio de algum ofício, ou mediante agricultura ou outra ocupação – para o ensino e a educação das crianças, sendo tal quantia gasta para esse fim com o conhecimento dos Membros da Casa de Justiça. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 102.

As Diferenças Inatas de Natureza Segundo o ponto de vista bahá’í a natureza da criança não se assemelha à cera, que pode ser moldada, indiferentemente, a qualquer forma, de acordo com a vontade do instrutor. Não, cada um tem desde o início seu caráter e individualidade próprios, dados por Deus, os quais somente de um modo especial podem atingir seu melhor desenvolvimento; e esse modo é único em cada caso. Não há duas pessoas que tenham exatamente as mesmas capacidades e talentos, e o verdadeiro instrutor jamais tentará forçar duas naturezas ao mesmo molde. De fato, ele jamais tentará forçar qualquer natureza a qualquer molde. Pelo contrário, ele reverentemente cuidará do desenvolvimento dos poderes dos jovens, encorajando-os e protegendo-os, suprindo-lhes a nutrição e assistência de que necessitam. Seu trabalho é como o do jardineiro que cuida de diferentes plantas. Uma gosta do sol, outra da sombra fresca; uma adora a beira da água, e outra, a colina ressequida; uma cresce melhor


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no solo arenoso, outra, na terra fértil. Cada uma deve ter suas necessidades convenientemente supridas, sem o que as suas perfeições jamais se revelarão em sua plenitude. ‘Abdu’l-Bahá diz: Os Profetas admitem que a educação exerce uma grande influência sobre a humanidade, mas Eles declaram, entretanto, que as mentes e compreensões são originariamente diferentes. Vemos que certas crianças da mesma idade, nacionalidade e raça, e até da mesma família, sob os cuidados do mesmo instrutor, diferem quanto aos seus intelectos e compreensões. Não importa quanto a concha seja educada (ou polida), nunca pode tornar-se uma pérola radiante. A pedra negra não se tornará a jóia que ornamenta o mundo. O cacto espinhoso não pode jamais, por meio do cultivo e desenvolvimento, tornar-se uma árvore benéfica. Isto é, a educação não muda a natureza essencial da jóia humana, mas produz um efeito maravilhoso. Por este poder eficaz, tudo o que está latente de virtudes e capacidades na realidade humana, será revelado. Tablets of Abdul-Baha, vol. III, p. 577.

Aperfeiçoamento do Caráter O que é de suma importância na educação é o aperfeiçoamento do caráter. Com respeito a isto, o exemplo é mais eficaz do que o preceito, e a vida e o caráter dos pais da criança, de seus professores e colegas habituais são fatores da maior relevância. Os Profetas de Deus são os grandes educadores da humanidade, e Seus conselhos e a história de Suas vidas devem ser instilados na mente da criança tão cedo lhe seja possível compreendêlos. São de especial importância as palavras do Supremo Instrutor, Bahá’u’lláh, Quem revelou os princípios básicos sobre os quais a futura civilização deve ser edificada. Ele diz: Ensinai aos vossos filhos o que foi revelado através da Pena de Glória. Educai-os naquilo que desceu do céu da grandeza e poder.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Que decorem as Epístolas do Misericordioso, e as entoem com as mais melodiosas vozes nas salas do Mashriqu’l-Adhkár. Star of the West, vol. IX, no 7, p. 81.

Artes, Ciências e Ofícios O aprendizado nas artes, ciências, ofícios e profissões úteis, é considerado importante e necessário. Diz Bahá’u’lláh: O conhecimento é como asas para a vida do homem; é como uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um adquiri-lo. O conhecimento deve ser adquirido, porém, de tais ciências que possam prestar benefícios aos povos da terra, e não daquelas que por meras palavras comecem e assim também terminem. Grande, verdadeiramente, é a prerrogativa dos cientistas e dos artífices entre os povos do mundo.... Na verdade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro para o homem; é para ele uma fonte de glória, de graça, de júbilo e exaltação, de alegria e contentamento. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 62.

Tratamento aos Criminosos Numa palestra sobre o método certo de tratar os criminosos, ‘Abdu’l-Bahá disse o seguinte: ...O mais importante, porém, é que o povo seja educado de modo a não cometer crime algum, pois é possível educar suficientemente as massas, a ponto de evitarem os delitos, de fugirem deles, de considerarem o próprio crime como o maior castigo, a mais severa condenação, o tormento máximo. Assim nenhum crime será cometido, tornando-se desnecessária qualquer punição. Se, por exemplo, alguém oprimir, injuriar ou maltratar a outro, e este revidar, isto será uma vingança e, portanto,


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censurável... Se Amru desonrar a Zaid, este não terá o direito de desonrar a Amru; se assim proceder, estará se vingando, o que é muito condenável. Em lugar de assim fazer, deve pagar o mal com o bem, e não só perdoar mas também, se lhe for possível, prestar algum serviço ao opressor. Esta é a conduta digna do homem. Que lucraria ele com a vingança? As duas ações são equivalentes: se uma é repreensível, a outra também o é. A única diferença está em ter sido, uma, cometida antes, e a outra, depois. Mas a comunidade tem o direito de defesa e proteção própria. Além disso, a comunidade não alimenta ódio, nem animosidade, contra o assassino; ela o prende ou pune simplesmente para proteger e garantir os outros... Assim, pois, quando Cristo disse: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda”, foi com o propósito de ensinar aos homens a não tomar vingança pessoal. Ele não pretendeu dizer que, quando um lobo quisesse destruir um rebanho, nós devêssemos animá-lo a assim o fazer. Não, se Cristo tivesse sabido que um lobo entrara no aprisco e estava prestes a destruir o rebanho, certamente teria tentado impedi-lo. ...a constituição das comunidades depende da justiça... Cristo não pretendeu dar a entender por clemência e perdão, que, ao vos atacarem as nações, queimando-vos os lares e roubando-vos o bem, assaltando as vossas esposas, os vossos filhos e parentes, e atacando-vos a honra, devêsseis permanecer submissos em presença desses inimigos tirânicos, e permitir que cometessem todos os seus atos de crueldade e opressão. Não, as palavras de Cristo referem-se à conduta de um indivíduo para com outro. Se uma pessoa assaltar outra, a injuriada deverá perdoar, mas as comunidades devem proteger os direitos do homem... Uma coisa ainda resta dizer: que as comunidades se ocupam dia e noite em fazer leis penais, em preparar instrumentos e organizar meios de punição. Constroem


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA prisões, fazem cadeias e algemas, arranjam exílios e desterros, e várias espécies de provações e torturas, pensando por tais meios corrigir os criminosos, ao passo que na realidade estão destruindo a moral e pervertendo os caracteres. A comunidade deve, em lugar disso, dedicar todos os seus esforços à educação completa do homem, fazê-lo progredir dia a dia, aumentar seus conhecimentos, torná-lo virtuoso, possuidor de uma sã moral, e combater-lhe os vícios, de modo a se acabarem os crimes. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 217-219.

Influência da Imprensa Bahá’u’lláh reconhece plenamente a importância do papel da imprensa como um meio de difusão de conhecimento e educação ao povo, e a sua influência como uma força civilizatória, quando corretamente dirigida. Ele escreve: Neste Dia, os segredos da terra são desvendados diante dos olhos dos homens. As páginas de jornais rapidamente aparecendo são, em verdade, o espelho do mundo. Refletem os feitos e as ocupações dos diversos povos e raças – refletem e também os tornam conhecidos. São um espelho dotado de audição, visão e expressão oral. É este um fenômeno extraordinário, potente. Cumpre a seus redatores, porém, se purificarem da influência dos maus desejos e paixões e se adornarem com as vestes da justiça e eqüidade. Devem investigar as situações, tanto quanto lhes seja possível, certificando-se dos fatos, e então registrá-los por escrito. Quanto a este Ser Injuriado, a maioria das coisas relatadas nos jornais carece de verdade. Palavras justas e verazes, em virtude de seu elevado grau e sua posição, assemelham-se a um sol que brilha do horizonte do conhecimento. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 48.


Capítulo 10

O CAMINHO DA PAZ Este jovem veio para vivificar o mundo e unir todos os seus povos. Aproxima-se o dia em que aquilo que Deus designou terá prevalecido, e tu verás a terra transformada no paraíso todo-glorioso. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, p. 120.

Conflito versus Concórdia Durante o século passado os cientistas dedicaram um tempo imenso ao estudo da luta pela existência nos reinos vegetal e animal e, em meio às perplexidades da vida social, muitos voltaram-se à guia dos princípios considerados válidos nos reinos inferiores da natureza. Desse modo vieram a considerar a rivalidade e o conflito como necessidades da vida, e o extermínio cruel dos membros mais fracos da sociedade como um meio legítimo, ou mesmo necessário, de aprimorar a raça. Por outro lado, se desejamos ascender na escala do progresso, diz-nos Bahá’u’lláh, ao invés de olharmos para trás, para o reino animal, devemos dirigir nosso olhar para frente e para cima, e tomar por nossos guias os Profetas, e não os animais. Os princípios de unidade, concórdia e compaixão ensinados pelos Profetas são a exata antítese daqueles predominantes na luta animal pela auto-preservação, e nós temos que escolher entre eles, uma vez que não podem ser reconciliados. ‘Abdu’l-Bahá diz: No mundo da natureza a nota predominante é a luta pela existência, cujo resultado é a sobrevivência do mais apto. A


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA lei da sobrevivência do mais apto é a origem de todas as dificuldades. É a causa de guerra e contenda, de ódio e animosidade entre os seres humanos. No mundo da natureza, há tirania, egoísmo, agressão, soberbia, usurpação dos direitos alheios, e outros atributos censuráveis que são defeitos do mundo animal. Por conseguinte, enquanto os requisitos do mundo natural exercerem o papel preeminente entre os filhos dos homens, o sucesso e a prosperidade serão impossíveis. A natureza é guerreira, a natureza é sanguinária, a natureza é tirânica, pois a natureza é inconsciente de Deus, o TodoPoderoso. Eis porque essas qualidades cruéis são naturais ao reino animal. Por isso, o Senhor da humanidade, tendo grande amor e misericórdia, causou o aparecimento dos Profetas e a revelação dos Livros Sagrados, a fim de que a humanidade, através da educação divina, pudesse ser libertada da corrupção da natureza e das trevas da ignorância, ser confirmada com as virtudes ideais e os atributos espirituais, e tornar-se o ponto do alvorecer de emoções misericordiosas.... Cem mil vezes, que lástima! Serem os preconceitos ignorantes, as diferenças desnaturais, e os princípios antagônicos ainda manifestados entre as nações do mundo, retardando assim o progresso geral. Esse retrocesso vem do fato de estarem abandonados completamente os princípios da civilização divina, e esquecidos os ensinamentos dos Profetas. Star of the West, vol. VIII, p. 15.

A Paz Suprema Em todos os tempos os Profetas de Deus têm previsto a vinda de uma era de “paz na terra e boa vontade entre os homens”. Como já vimos, Bahá’u’lláh, nos mais fervorosos e confiantes termos, confirma essas profecias e declara que sua realização está próxima. ‘Abdu’l-Bahá diz:


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Neste ciclo maravilhoso, a terra será transformada, e o mundo humano atingirá tranqüilidade e beleza. Disputas, contendas e assassínio serão substituídos por paz, verdade e concórdia; entre as nações e raças, veremos amizade e amor. A guerra, afinal, será inteiramente suprimida, vindo a se estabelecer cooperação e unidade... A paz universal erguerá sua tenda no centro da terra, e a Abençoada Árvore da Vida crescerá até abrigar à sua sombra Oriente e Ocidente. Fortes e fracos, ricos e pobres, seitas rivais e nações hostis – que se assemelham a lobo e cordeiro, a leopardo e cabrito, a leão e novilho – virão a tratar-se reciprocamente com o mais perfeito amor, amizade, justiça e equidade. O mundo encher-se-á de ciência, do conhecimento da realidade dos mistérios dos seres, e do conhecimento de Deus. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 69-70.

Preconceito Religioso A fim de vermos claramente como pode ser estabelecida a Paz Máxima, examinemos primeiro as causas principais da guerra no passado e notemos como Bahá’u’lláh propõe tratar cada uma delas. Uma das causas mais prolíficas da guerra tem sido o preconceito religioso. Quanto a isso, os ensinamentos bahá’ís mostram claramente que a animosidade e o conflito entre as pessoas de diferentes religiões e seitas jamais foram motivados pela verdadeira religião, e sim pela sua falta, por sua substituição pelos preconceitos falsos, pelas imitações e interpretações errôneas. Num de Seus discursos em Paris, ‘Abdu’l-Bahá disse: A religião deve unir todos os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião torna-se causa de aversão, ódio e divisão, melhor seria deixála, e tirar-se de tal religião constituiria ato verdadeiramente religioso. Pois é claro que o propósito de um remédio é curar;


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA mas se o remédio agrava a doença, é melhor deixá-lo de lado. Qualquer religião que não seja fonte do amor e da unidade, não é verdadeira religião. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 126-127.

Em outra ocasião, Ele disse: Desde o começo da história humana até a presente data, as várias religiões do mundo mutuamente se anatematizaram e se acusaram de falsidade.... Por isso elas rigorosamente têm evitado umas às outras, exercendo mútua animosidade e rancor. Considerai o registro das guerras religiosas.... Uma das maiores guerras religiosas, as Cruzadas, estenderam-se por um período de mais de duzentos anos.... Algumas vezes os cruzados conseguiam matar, pilhar e levar cativos os muçulmanos; outras vezes os muçulmanos eram vitoriosos, impondo carnificina, morte e ruína aos invasores. Assim eles continuaram por dois séculos, alternadamente lutando com ferocidade e descansando devido à fraqueza, até que os religiosos da Europa se retiraram do Oriente, deixando atrás de si de desolação e encontrando suas próprias nações em condições de turbulência e revolta.... Ainda assim, essa foi apenas uma das “guerras santas”. Foram muitas as guerras religiosas. Novecentos mil mártires para a causa protestante foi o registro do conflito e da divergência entre essa seita do Cristianismo e os católicos.... Quantos languesceram nas prisões! Quão impiedoso o tratamento dos cativos! Tudo em nome da religião! Por exemplo, os cristãos e muçulmanos consideravam os judeus como satânicos e inimigos de Deus. Por isso eles os amaldiçoavam e perseguiam. Grande número de judeus foi morto, suas casas queimadas e pilhadas, seus filhos levados cativos. Os judeus, por sua vez consideravam os cristãos como infiéis e os muçulmanos como inimigos e destruidores das lei de Moisés. Por isso clamam por vingança contra eles e os amaldiçoam até hoje.


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Quando a luz de Bahá’u’lláh alvoreceu no Oriente, Ele proclamou a promessa da unicidade da humanidade. Ele Se dirigiu a toda a humanidade, dizendo: “Todos vós sois os frutos de uma só árvore. Não existem duas árvores, uma da divina mercê, a outra de Satã....” Devemos ser amáveis a todos os povos do mundo. Não devemos considerar qualquer povo como o povo de Satã, mas devemos saber e reconhecer que todos são servos do Deus uno... Quando muito, ocorre o seguinte: alguns não sabem, devem ser orientados e treinados... Alguns são como crianças, ainda não desenvolvidas; devem ser ajudados a atingir a maturidade. Alguns, são enfermos, sua condição moral é doentia; devem ser tratados até que sua moralidade seja purificada... Mas o doente não deve ser odiado por causa de sua doença, a criança não deve ser evitada por ser criança, o insipiente não deve ser desprezado por sua falta de conhecimento. Eles todos devem ser tratados, educados, treinados e ajudados com amor. Tudo deve ser feito para que a humanidade possa viver à sombra de Deus na máxima segurança, desfrutando o mais elevado grau de felicidade. A Promulgação da Paz Universal, pp. 330-337.

Preconceitos de Raça e de Pátria A doutrina bahá’í a respeito da unidade da humanidade remove pela raiz uma outra causa de guerra: o preconceito racial. Certas raças consideram-se superiores às outras e supõem que, de acordo com o princípio da “sobrevivência dos mais aptos”, essa superioridade lhes dê o direito de explorar, para seu próprio proveito, ou até mesmo de exterminar as raças mais fracas. Muitas das páginas mais negras da história do mundo são exemplos da impiedosa aplicação deste princípio. Segundo o ponto de vista bahá’í, pessoas de todas as raças têm igual valor perante Deus. Todas possuem maravilhosas capacidades inatas, que requerem apenas educação apropriada para seu desenvolvimento, e cada um pode desempenhar


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um papel, o que em lugar de empobrecer virá a enriquecer e completar a vida de todos os outros membros do corpo da humanidade. Diz ‘Abdu’l-Bahá: O preconceito de raça é uma ilusão, uma superstição pura e simples! Pois Deus nos fez todos de uma só raça... No princípio também não houve limites e demarcações entre as diferentes terras; nenhuma parte da terra pertencia mais a um povo do que a outro. Aos olhos de Deus nenhuma diferença há entre as várias raças. Por que o homem inventaria tal preconceito? Como podemos apoiar a guerra provocada pela ilusão? Deus não criou os homens para que se destruíssem mutuamente. Todas as raças, tribos, seitas e classes participam igualmente na Generosidade do Pai Celestial. A única diferença repousa no grau de fidelidade, de obediência às leis de Deus. Existem alguns, semelhantes a tochas acesas, e outros que brilham como estrelas no firmamento da humanidade. Os que amam o gênero humano são homens superiores, sejam de qualquer nação, credo ou cor. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 146.

Igualmente pernicioso é o preconceito político ou patriótico. Chegou o tempo em que se deve incorporar o estreito patriotismo de nação ao patriotismo mais amplo, cujo país é o mundo. Diz Bahá’u’lláh: Em tempos antigos se revelou: “O amor à pátria é elemento da Fé de Deus.” A Língua da Grandeza no dia de Sua manifestação, entretanto, tem proclamado: “A quem ama sua pátria, não compete jactar-se, mas sim, a quem ama o mundo.” Com o poder liberado por essas palavras excelsas, prestou Ele um novo impulso e determinou uma direção nova para as aves dos corações humanos e, do Livro Sagrado de Deus obliterou todo traço de restrição e limitação. Epístolas de Bahá’u’lláh, pp. 99-100.


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Ambições Territoriais Muitas têm sido as guerras travadas por porções de território cuja posse duas ou mais nações rivais cobiçavam. A avidez pela possessão tem sido tão fecunda causa de conflito entre nações como entre indivíduos. Segundo o ponto de vista bahá’í, a terra realmente não pertence aos homens individualmente, nem às nações individualmente, e sim à humanidade como um todo; ou melhor, pertence a Deus somente, e todos os homens são apenas arrendatários. Por ocasião da Batalha de Bengazi*, ‘Abdu’l-Bahá disse: A notícia da batalha de Bengazi aflige meu coração. Surpreende-me a selvageria humana que ainda existe neste mundo! Como é possível que seres humanos lutem de manhã à noite, matando-se uns aos outros e derramando o sangue de seus semelhantes? E para que finalidade? Para se apossarem de uma parte da terra! Mesmo os animais, quando lutam, têm uma causa imediata e mais razoável para seus ataques. Como é terrível que os homens, criaturas superiores, possam descer à chacina e causar aflição aos semelhantes, pela posse de um trato de terra! A Terra não pertence a um só povo, mas sim a todos os povos. Não é o lar, e sim o túmulo do homem. É por seus túmulos que esses homens estão brigando. Nada há tão horrível neste mundo quanto o túmulo, a morada dos corpos decompostos dos homens. Por maior que seja o conquistador e inúmeros sejam os países que possa reduzir à escravidão, ele é incapaz de reter qualquer parte dessas terras devastadas, a não ser uma pequenina porção — sua sepultura! Se, para melhorar as condições do povo, para propagar a civilização (pela substituição de costumes brutais por leis justas), houver necessidade de mais terra, certamente será *Uma batalha da Guerra Ítalo-Turca, que irrompeu em 29 de setembro de 1911.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA possível conseguir-se pacificamente a extensão de território indispensável. Eu vos exorto, a cada um de vós, que concentreis o íntimo dos vossos pensamentos no amor e na união. Quando surgir um pensamento de guerra, fazei-lhe oposição com um pensamento mais forte de paz. Um pensamento de ódio deve ser destruído por um mais poderoso pensamento de amor. Pensamentos de guerra trazem destruição da harmonia, do bem-estar, da tranqüilidade e do contentamento. Pensamentos de amor constroem a fraternidade, a paz, a amizade e a felicidade. Quando os soldados do mundo sacam das espadas para a carnificina, os soldados de Deus apertam as mãos, uns aos outros. Que assim desapareça a selvageria dos homens, pela Graça de Deus atuando através dos puros de coração e dos sinceros de alma. Não julgueis que a paz do mundo seja ideal impossível de se realizar! Nada é impossível à Sublime Benevolência de Deus. Se, de todo o coração, desejais amizade com todas as raças da terra, vosso pensamento, espiritual e positivo, propagar-se-á; virá a ser o desejo dos outros, tornando-se cada vez mais forte, até atingir as mentes de todos os homens. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 15-17.

Idioma Universal Tendo passado os olhos pelas principais causas da guerra e os meios de evitá-las, podemos agora examinar certas propostas construtivas feitas por Bahá’u’lláh com o fim de alcançar a Paz Máxima. A primeira trata do estabelecimento de um idioma universal auxiliar. Bahá’u’lláh refere-Se a este assunto no Kitáb-i-Aqdas e em muitas de Suas Epístolas. Assim, na Epístola de Ishraqát, Ele diz: O sexto Ishráq é a união e a concórdia entre os filhos dos homens. Desde o princípio do tempo, a luz da unidade tem


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irradiado sobre o mundo seu esplendor divino, e o maior meio para a promoção dessa unidade é que os povos do mundo entendam o idioma – escrito e falado – um do outro. Em Epístolas anteriores temos ordenado aos membros da Casa de Justiça o que escolhessem uma língua dentre aquelas já existentes, ou que adotassem uma nova, e que, igualmente, escolhessem uma escrita comum, as quais seriam ensinadas em todas as escolas do mundo. Assim virá a terra a ser considerada um só país e apenas um lar. Epístolas de Bahá’u’lláh, p. 141.

Na época em que, pela primeira vez, tornou-se conhecida ao mundo esta proposta de Bahá’u’lláh, havia nascido na Polônia um menino de nome Ludovic Zamenhof, que estava destinado a representar um papel proeminente em sua realização. Desde sua infância, o ideal de um idioma universal tornou-se um motivo dominante na vida de Zamenhof, e o resultado de seus dedicados trabalhos foi a criação e ampla adoção da língua conhecida por Esperanto, ao qual tem resistido ao teste de muitos anos e provado ser um meio satisfatório de comunicação internacional. Tem a grande vantagem do poder ser dominado em cerca de uma vigésima parte do tempo necessário para dominar-se tais idiomas como o inglês, o francês, o alemão. Na ocasião de um banquete dos Esperantistas em Paris, em fevereiro de 1913, ‘Abdu’l-Bahá disse: Uma das causas principais das diferenças hoje na Europa é a diversidade de idiomas. Dizemos que este homem é um alemão, o outro é um italiano, e então encontramos um inglês e depois um francês. Embora pertençam à mesma raça, o idioma é a maior barreira entre eles. Houvesse uma língua auxiliar universal em uso, todos seriam considerados um só povo. Há mais de quarenta anos, Sua Santidade Bahá’u’lláh escreveu sobre esse idioma internacional. Ele diz que enquanto não for adotada uma língua internacional, não se realizará


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA uma união completa entre as várias partes do mundo, pois vemos que mal entendidos impedem os povos de associaremse mutuamente e estes mal-entendidos não serão dissipados exceto através de uma língua auxiliar internacional. Falando em geral, todos os povos do Oriente não estão inteiramente informados dos acontecimentos no Ocidente, nem podem os ocidentais colocar-se em contato amigável com os orientais; seus pensamentos estão encerrados num cofre – a língua internacional será a chave-mestra que o abrirá. Se possuíssemos um idioma universal, os livros ocidentais poderiam ser facilmente traduzidos para esse idioma, e assim o povo do Oriente seria informado de seu conteúdo. Do mesmo modo, os livros orientais poderiam ser traduzidos para aquele idioma, em benefício aos povos do Ocidente. O melhor meio de apressar a união de Oriente e Ocidente será um idioma comum. Este fará do mundo inteiro um lar e tornar-se-á o mais forte impulso ao progresso humano. Erguerá o estandarte da unidade do gênero humano. Transformará a terra em uma comunidade universal. Será a causa de amor entre os filhos dos homens. Produzirá uma amizade legítima entre as várias raças. Assim sendo, louvores a Deus por haver o dr. Zamenhof* criado o idioma esperanto. Essa língua tem todas as qualidades potenciais para tornar-se o meio de comunicação internacional. Todos nós devemos ser gratos e reconhecidos a ele por tão nobre esforço; pois desta forma ele bem serviu aos seus semelhantes. Com esforço incansável e auto-sacrifício por parte de seus adeptos, o esperanto tornar-se-á universal. Todos nós, pois devemos estudar essa língua e disseminá-la tanto quanto possível, de modo que dia a dia ela possa receber um reconhecimento mais amplo, ser adotada por todas as nações e governos do mundo, e tornar-se parte do currículo em todas as escolas públicas. Eu faço votos de que o esperanto seja adotado como a língua de todas as futuras conferências e congressos internacionais, de modo que todos os povos só precisem aprender dois idiomas – sua própria língua e o idioma

*É interessante saber que Lydia, a filha de Zamenhof, tornou-se uma bahá’í ativa.


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internacional. Então será estabelecida perfeita união entre todos os povos do mundo. Considerai o quanto é hoje difícil comunicar-se com as várias nações. Ainda que alguém estude cinqüenta idiomas, poderá viajar por um país cujo idioma desconhece. Espero pois, que façais o máximo esforço para que esse idioma, o esperanto, possa ser largamente difundido.

Embora sejam essas alusões ao Esperanto específicas e animadoras, ainda é verdade que, enquanto a Casa de Justiça não tiver tomado uma resolução de acordo com a instrução de Bahá’u’lláh, a Fé Bahá’í não estará comprometida nem ao Esperanto nem a qualquer outro idioma existente ou artificial. O próprio ‘Abdu’l-Bahá disse: O amor e o esforço empregados no Esperanto não serão perdidos, mas nenhuma pessoa sozinha pode construir uma língua universal. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Londres – 1911, p. 84.

Qual a língua a ser adotada, e se deve ser uma existente ou uma construída, é uma decisão que as nações do mundo terão que tomar. Liga Universal das Nações Outra proposta freqüente e poderosamente recomendada por Bahá’u’lláh foi a criação de uma Liga Universal das Nações para a manutenção da paz internacional. Em uma carta à rainha Vitória, escrita enquanto Ele era ainda prisioneiro no quartel de ‘Akká*, disse: Ó governantes da Terra! Sede reconciliados entre vós, para que não mais necessiteis de armamentos, salvo na medida precisa a fim de proteger vossos territórios e domínios. Uni-vos, ó reis da Terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará entre vós e vosso povo encontrará *De 1868 a 1870.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA sossego... Se alguém dentre vós lançar mão de armas contra outro, levantai todos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, pp. 76-77.

Em 1875, ‘Abdu’l-Bahá predisse o estabelecimento de uma Liga Universal das Nações, o que é especialmente interessante atualmente* em vista dos vigorosos esforços que agora se fazem para instituir tal liga. Ele escreveu: A verdadeira civilização desfraldará sua bandeira no íntimo do coração do mundo onde quer que um certo número de seus distinguidos e magnânimos soberanos – os brilhantes exemplares de devoção e determinação – erguerem-se, pelo bem-estar e a felicidade de toda humanidade, com resolução firme e visão clara, a fim de estabelecerem a Causa da Paz Universal. Eles devem fazer da Causa da Paz o objeto de consulta geral e buscar, por todos os meios em seu poder, estabelecer uma União das nações do mundo. Eles devem concluir um tratado obrigatório e estabelecer um convênio cujas provisões sejam sólidas, invioláveis e definidas. Eles devem proclamá-lo ao mundo inteiro e obter para ele a sanção de toda raça humana. Este supremo e nobre empreendimento – a verdadeira fonte da paz e bem-estar do mundo todo – deve ser considerado como sagrado por todos os que habitam a terra. Todas as forças da humanidade devem ser mobilizadas para assegurar a estabilidade e a permanência deste Maior Convênio. Neste Pacto todo-abrangente devem ser claramente determinados os limites e fronteiras de cada nação, definitivamente formulados os princípios que fundamentam as relações dos governos entre si e averiguados todos os acordos e obrigações internacionais. De igual modo, o volume dos armamentos de cada governo deve ser estritamente limitado, pois se os preparativos para guerra e as forças militares de *O autor escreveu este trecho em 1919-1920.


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qualquer nação fossem permitidos a aumentar, eles despertariam a suspeita das demais. O princípio fundamental que forma a base deste Pacto solene deve ser tão estável que, se qualquer governo violar posteriormente alguma de suas provisões, todos os governos da terra devem levantar-se para reduzi-lo à absoluta submissão, mais ainda, a raça humana como um todo deve decidir, com todo o poder à sua disposição, destruir aquele governo. Se este maior de todos os remédios for aplicado ao corpo enfermo do mundo, ele indubitavelmente se recuperará de suas doenças e permanecerá eternamente salvo e seguro. ‘Abdu’l-Bahá. O Segredo da Civilização Divina, pp. 76-78.

Os bahá’ís vêem graves deficiências na estrutura da Liga das Nações*, a qual fica muito aquém do tipo de instituição descrito por Bahá’u’lláh como essencial ao estabelecimento da paz mundial. Em 17 de dezembro de 1919, ‘Abdu’l-Bahá declarou: Presentemente, a paz universal é uma questão de grande importância, mas a unidade de consciência é essencial, de modo que se tornem seguros os alicerces desta questão, firme seu estabelecimento e robusto seu edifício.... conquanto já tenha sido instituída a Liga das Nações, esta é incapaz de estabelecer a paz universal. O supremo Tribunal que Bahá’u’lláh descreve, porém, levará a cabo essa tarefa sagrada com a máxima pujança e poder. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, pp. 271-279.

O Arbitramento Internacional Bahá’u’lláh também aconselhou o estabelecimento de uma corte internacional de arbitramento, a fim de que qualquer diferença que surja entre as nações possa ser ajustada de acordo com a justiça e a razão, em vez de recorrer-se ao flagelo do combate. Em uma carta ao Secretário da Conferência de Mohonk sobre o Arbitramento Internacional, em agosto de 1911, ‘Abdu’l-Bahá disse: *As mesmas considerações são aplicáveis à Organização das Nações Unidas.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Há cerca de cinqüenta anos, Bahá’u’lláh ordenou no Kitábi-Aqdas que se estabelecesse a paz universal, e convocou todas as nações ao banquete divino do arbitramento internacional, a fim de que as questões de fronteiras, de honra nacional e propriedade, e de interesses vitais entre as nações, pudessem ser resolvidas por uma corte arbitral de justiça, e que nenhuma nação ousasse desrespeitar as decisões assim alcançadas. Se surgir qualquer disputa entre duas nações, deve ser adjudicada por essa corte internacional, e arbitrada e decidida do mesmo modo que no julgamento apresentado pelo juiz em questões entre dois indivíduos. Se a qualquer tempo uma nação atrever-se a desrespeitar tal decisão, todas as demais nações devem levantar-se para reprimir tal rebelião.

E num de Seus discursos em Paris, em 1911, Ele disse: Um Supremo Tribunal será estabelecido pelos povos e governos de todas as nações, composto de membros eleitos de cada país e governo. Os componentes desse Grande Conselho reunir-se-ão em unidade. Todas as disputas de caráter internacional serão submetidas a essa Corte, cuja tarefa será conciliar por arbitragem tudo quanto, de algum modo, possa ser a causa de guerra. A missão desse tribunal será prevenir a guerra. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 153.

Durante o quarto de século antecedente ao estabelecimento da Liga das Nações, foi instituída em Haifa (1900) uma Corte de Arbitramento permanente, e muitos tratados de arbitramento foram assinados, os quais, porém, na sua maioria, estavam muito aquém das abrangentes propostas de Bahá’u’lláh. Não se ratificou entre duas grandes potências tratado algum que incluísse todas as questões em disputa. Foram especificamente omitidas as divergências que afetavam “interesses vitais”, “honra” e “independência”. Não somente isso, como também faltavam efetivas garantias de que as nações


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honrassem os termos dos tratados que haviam firmado. Segundo as propostas bahá’ís, por outro lado, as questões de fronteiras, de honra nacional e de interesses vitais são expressamente incluídas, e os acordos terão como retaguarda a suprema garantia da Liga Mundial das Nações. Somente quando essas propostas forem completamente executadas, o arbitramento internacional alcançará o pleno âmbito de suas benéficas possibilidades, e o flagelo da guerra será finalmente banido do mundo. Limitação de Armamentos Diz ‘Abdu’l-Bahá: Por um acordo geral todos os governos do mundo devem desarmar-se simultaneamente. De nada servirá que um só deponha suas armas se os outros recusarem-se a fazer o mesmo. As nações do mundo devem concordar entre si sobre este assunto de suprema importância, de modo que eles possam simultaneamente abandonar os armamentos mortíferos de carnificina humana. Enquanto uma nação aumentar seu orçamento militar e naval, as demais serão forçadas por seus supostos interesses naturais a entrar nessa competição insana. Diário de Mírzá Ahmad Sohrab, de 11 a 14 de maio de 1914.

A Não-Resistência De acordo com o expresso mandamento de Bahá’u’lláh, os bahá’ís, como organismo religioso, abandonaram inteiramente o uso da força armada em seu próprio interesse, até mesmo para fins estritamente defensivos. Na Pérsia, muitos e muitos milhares de bábís e bahá’ís sofreram mortes cruéis por causa da sua fé. Nos primeiros dias da Causa, os bábís em várias ocasiões defendiam a si mesmos e às suas famílias pela espada, com grande coragem e bravura. Bahá’u’lláh, entretanto, proibiu isso. ‘Abdu’l-Bahá escreve:


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Quando Bahá’u’lláh apareceu, Ele declarou que de modo algum seria permissível a promulgação da verdade por tais meios, nem mesmo em se tratando de defesa própria. Aboliu o domínio da espada e anulou o preceito da “Guerra Santa”. Disse: “Melhor é que sejais mortos do que mateis. É pela firmeza e convicção dos fiéis que a Causa do Senhor deve ser difundida. À medida que os fiéis, corajosos e destemidos, levantarem-se com desprendimento absoluto para exaltar o Verbo de Deus e, com os olhos fechados às coisas deste mundo, ocuparem-se em serviço por amor a Deus e através de Seu poder, assim conseguirão o triunfo do Verbo da Verdade. Pelo seu sangue vital, essas almas abençoadas dão testemunho da verdade da Causa e atestam-na pela sinceridade de sua fé, sua devoção e sua constância. O Senhor tem o poder de difundir Sua Causa e derrotar os obstinados. Não desejamos outro defensor a não ser Ele e, com as nossas vidas em nossas mãos, encaramos o inimigo e damos boas-vindas ao martírio.” Escrito por ‘Abdu’l-Bahá para este livro.

Bahá’u’lláh escreveu a um dos perseguidores de Sua Causa: Em nome de Deus! Este povo não precisa das armas da destruição, pois se cingiram com os meios para reconstruir o mundo. Suas hostes são as hostes dos bons atos, e suas armas as armas da conduta correta, e seu comandante o temor a Deus. Bem-aventurado o que julga com imparcialidade. Pela retidão de Deus! Tais têm sido a paciência, a calma, a resignação e o contentamento deste povo que eles se tornaram os expoentes da justiça, e tão grande tem sido sua tolerância que eles preferiram ser mortos a matar, e isso embora aqueles a quem o mundo injuriou tenham suportado tribulações nunca antes registradas pela história do mundo nem testemunhadas pelos olhos de qualquer nação. O que poderia tê-los induzido a reconciliar-se com essas sérias provações e recusar-se a avançar uma mão para repeli-las? O que poderia ter causado tal resignação e serenidade? A verdadeira causa


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deve ser encontrada na proibição que a Pena da Glória, dia e noite, escolheu impor, e em Nossa aceitação das rédeas da autoridade, através do poder e força dAquele que é o Senhor de toda a humanidade. Epístola ao Filho do Lobo, pp. 78-79.

Os resultados já provaram a validez do princípio da nãoresistência que Bahá’u’lláh promulgara. Para cada adepto martirizado na Pérsia, a Fé Bahá’í recebeu em seu seio cem novos seguidores, e a alegria e coragem com que esses mártires depuseram as coroas das suas vidas aos pés do seu Senhor, forneceram ao mundo a prova mais clara de que haviam encontrado uma nova vida para a qual a morte não tem terrores, uma vida de inefável plenitude e alegria, em comparação com a qual os prazeres terrenos são apenas como pó na balança, e as mais diabólicas torturas físicas insignificantemente leves como ar. A Guerra Justificável Assim como Cristo, Bahá’u’lláh orienta Seus adeptos que, tanto individual como coletivamente, adotem uma atitude de nãoresistência e perdão para com seus inimigos, mas ensina que é, no entanto, dever da comunidade impedir a injustiça e a opressão. Se indivíduos são perseguidos e injuriados é correto para eles perdoar e abster-se de retaliação, mas é injusto que uma comunidade permita que a pilhagem e o assassínio continuem sem repressão dentro de seus limites. O bom governo tem por dever impedir as más ações e punir os transgressores*. Assim também na comunidade das nações: se uma nação oprimir ou prejudicar outra, todas as demais devem unir-se para impedir tal opressão. ‘Abdu’l-Bahá escreve: Pode acontecer que, em determinado momento, tribos belicosas e selvagens ataquem a comunidade com a intenção de realizar indiscriminada matança de seus membros; sob tal circunstância a defesa é necessária. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 190. *Vide Tratamento aos Criminosos, no Capítulo 9.


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Até agora a prática usual entre a humanidade, no caso de um ataque contra qualquer nação, foi que as demais nações permaneceram neutras e não assumiram qualquer responsabilidade na questão, a não ser que seus próprios interesses fossem diretamente afetados ou ameaçados. Por mais fraca e indefesa que fosse a nação atacada, a ela era deixado todo o fardo da defesa. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh revertem essa posição e lançam a todas as nações, individual e coletivamente, a responsabilidade pela defesa, e não especialmente à nação atacada. Como toda a humanidade é uma só comunidade, um ataque a qualquer nação é um ataque à comunidade, e deve ser assim tratado pela comunidade. Fosse essa doutrina geralmente reconhecida e aplicada, qualquer nação que tencionasse uma agressão a outra, saberia antecipadamente que teria que considerar não só a oposição do país agredido como a de todo o resto do mundo. O simples conhecimento desse fato seria suficiente para deter até as mais audazes e belicosas das nações. Quando for estabelecida uma liga suficientemente forte de nações amantes da paz, a guerra tornar-se-á, por conseguinte, uma coisa do passado. Durante o período de transição do antigo estado de anarquia internacional ao novo estado de solidariedade internacional, será possível haver ainda guerras agressivas e, nessas circunstâncias, ações militares ou outra ação coercitiva a favor da justiça, unidade e paz internacionais podem ser um dever positivo. ‘Abdu’l-Bahá escreve que, nesse caso: Uma conquista pode ser algo louvável, e existem momentos em que a guerra torna-se a poderosa base da paz, e a ruína, o próprio meio de reconstrução. Se, por exemplo, um magnânimo soberano dispõe suas tropas para bloquear o ataque do insurgente e do agressor, ou ainda, se ele entra no campo de batalha e distingue-se em uma luta para unificar um estado e um povo divididos, se, em resumo, ele está travando guerra por um propósito justo, então esta aparente fúria é a própria mercê, e esta aparente tirania, a própria essência da justiça, e esta guerra, a pedra angular da paz.


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Hoje, a incumbência condizente aos grandes governantes é estabelecer a paz universal, pois nisto jaz a liberdade de todos os povos. O Segredo da Civilização Divina, p. 84.

Unidade do Oriente e Ocidente Outro fator que contribuirá para a realização da paz universal é a união entre o Oriente e o Ocidente. A Paz Máxima não é a mera cessação de hostilidades, e sim, uma união fecunda e cooperação cordial entre os povos da terra, até agora separados, o que produzirá muitos e preciosos frutos. Em um de Seus discursos em Paris, ‘Abdu’lBahá disse: No passado, como no presente, o Sol Espiritual da Verdade tem sempre resplandecido no horizonte oriental. Abraão apareceu no Oriente. No Oriente ergueu-se Moisés para instruir e guiar o povo. Do horizonte oriental surgiu o Senhor Cristo. Muhammad foi enviado a uma nação do Oriente. O Báb nasceu numa região oriental, a Pérsia. Bahá’u’lláh viveu e ensinou no Oriente. Todos os grandes Instrutores Espirituais nasceram no mundo oriental. Embora, entretanto, o Sol de Cristo tivesse despontado no Oriente, seu resplendor atingiu o Ocidente, onde a radiância de sua glória foi vista mais claramente. A divina luz do Seu Ensinamento brilhou com maior intensidade no mundo ocidental, onde fez mais progresso do que na terra de sua origem. Atualmente, o Oriente necessita de progresso material e o Ocidente precisa de um ideal espiritual. Seria bom que o Ocidente buscasse a iluminação do Oriente e desse, em troca, seu conhecimento científico. Deve haver esse intercâmbio de dádivas. O Oriente e o Ocidente devem unir-se para permutarem o que está faltando a ambos. Esta união ocasionará uma verdadeira civilização, em que o espiritual é expresso e


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA realizado no material. Recebendo, assim, um do outro, prevalecerá a maior harmonia, todos os povos serão unidos, um estado de grande perfeição será atingido, haverá uma sólida cimentação e este mundo tornar-se-á um espelho reluzente para refletir os atributos de Deus. Todos nós, as nações orientais e ocidentais, devemos lutar dia e noite, de corpo e alma, para conseguirmos este alto ideal, para concretizarmos a união entre todas as nações da terra. Todos os corações serão, então, reanimados, abrir-se-ão todos os olhos, manifestar-se-á o mais maravilhoso poder e a felicidade dos homens será assegurada... Isso será o paraíso que há de vir sobre a terra, quando toda a humanidade estiver reunida sob a tenda da unidade no Reino da Glória. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 8-9.


Capítulo 11

VÁRIAS LEIS E ENSINAMENTOS Sabe tu que, em cada era e dispensação, todas as leis divinas são mudadas e transformadas segundo os requisitos do tempo, exceto a lei do amor, que, como uma fonte, sempre flui e jamais é atingida por uma transformação. Bahá’u’lláh. Epístola a Ra’ís.

A Vida Monacal Bahá’u’lláh, como Muhammad, proíbe aos Seus adeptos a vida de reclusão monacal. Na Epístola a Napoleão III, lemos: Ó assembléia de monges! Não vos enclausureis em igrejas e conventos. Saí com Minha permissão e ocupai-vos com aquilo que possa trazer proveito a vós e a outros. Entrai em matrimonio para que, depois de vós outro possa surgir em vosso lugar. Nós, verdadeiramente vos proibimos a lascívia, e não aquilo que conduz à fidelidade. Tendes vos apegado às sugestões de vossas próprias inclinações, jogando atrás de vós as normas de Deus? Temei a Deus e não sejais dos imprudentes. Se não fosse o homem, quem faria menção de Mim em Minha terra, e como se haveriam revelado Meus atributos e Meu Nome? Ponderai e não sejais dos que se acham velados, profundamente adormecidos. Aquele que não entrou em matrimônio não conseguia lugar para morar, nem para repousar a cabeça, por causa daquilo perpetrado pelas


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA mãos dos traiçoeiros. Sua santidade não consiste naquilo que credes ou imaginais, mas, antes, nas coisas que Nós possuímos. Perscrutai, para que possais compreender Sua condição, que foi elevada acima das vãs imaginações de todos os povos da terra. Bem-aventurados são aqueles que compreendem. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, pp. 57-58.

Não parece estranho que as seitas cristãs tenham instituído a vida monacal e o celibato para o clero, em vista do fato de haver Cristo escolhido homens casados para Seus discípulos, e não só Ele próprio como Seus apóstolos terem vivido vidas de ativa beneficência, em associação íntima e relacionamento familiar com o povo? No Alcorão muçulmano, lemos: A Jesus, Filho de Maria, Nós demos o Evangelho, e pusemos bondade e compaixão nos corações daqueles que O seguiam; mas quanto à vida monacal, eles próprios a inventaram. Foi somente o desejo de agradar a Deus que Nós lhes prescrevemos, e isso eles não observaram como deveria ter sido observado. Alcorão, 57:27.

Qualquer que possa ter sido a justificação para a vida monacal nos tempos antigos e em passadas circunstâncias, Bahá’u’lláh declara não mais existir tal justificação; e, de fato, parece óbvio que se um grande número dos mais devotados e tementes a Deus entre a população se afastar da associação com seus semelhantes, e dos deveres e responsabilidades paternos, isto deve resultar no empobrecimento espiritual da raça. Casamento Os ensinamentos bahá’ís prescrevem a monogamia, e Bahá’ u’lláh torna o casamento condicional ao consentimento de ambas as partes e de seus pais. No Kitáb-i-Aqdas, Ele diz:


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No Bayán estipulou-se que o matrimônio depende do consentimento de ambos os nubentes. Desejando estabelecer o amor, a unidade e a harmonia entre os Nossos servos, Nós o ainda condicionamos, conhecida a vontade dos pretendentes, à permissão dos respectivos pais e mães, para que nem inimizade nem rancor nasçam entre eles. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas, K65, p. 35.

Sobre este ponto, ‘Abdu’l-Bahá escreveu a um inquiridor: Quanto à pergunta sobre o casamento dentro da Lei de Deus: primeiro deves escolher alguém que te seja agradável, e então o assunto fica sujeito ao consentimento do pai e da mãe. Antes de fazeres a escolha, eles não têm o direito de interferir. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, p. 106.

‘Abdu’l-Bahá diz que, como resultado desta precaução de Bahá’u’lláh, o constrangimento entre as duas famílias, que se tornou proverbial nos países cristãos e muçulmanos, é quase desconhecido entre os bahá’ís, e o divórcio é também muito raro. Sobre o casamento, Ele escreve o seguinte: O casamento bahá’í é o compromisso recíproco das duas partes, e sua ligação mútua de coração e mente. Cada um deve, porém, exercer o máximo cuidado para familiarizar-se totalmente com o caráter do outro, para que o firme convênio entre eles seja um laço que dure para sempre. Seu propósito deve ser este: tornarem-se amorosos companheiros e camaradas, unidos um ao outro por todo o sempre.... O verdadeiro casamento de bahá’ís é este: que o marido e a mulher estejam unidos física e espiritualmente, que sempre melhorem a vida espiritual um do outro, e que desfrutem de unidade sempiterna em todos os mundos de Deus. É este o casamento bahá’í. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, p. 106.


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A cerimônia nupcial bahá’í é muito simples, exigindo-se apenas que o noivo e a noiva, na presença de pelo menos duas testemunhas, digam cada um: “Nós todos, verdadeiramente, anuiremos à vontade de Deus.” Divórcio Sobre o divórcio, como sobre o casamento, as instruções dos Profetas têm variado segundo as circunstâncias dos tempos. Assim expõe ‘Abdu’l-Bahá os ensinamentos bahá’ís a respeito do divórcio: Devem abster-se estritamente do divórcio, a não ser que surja algo que os obrigue a se separarem em virtude de sua aversão mútua; neste caso, com o conhecimento da Assembléia Espiritual, podem decidir se separar. Devem então ser pacientes e esperar um ano completo. Se durante este ano a harmonia não for restabelecida entre eles, então seu divórcio pode ser realizado... As bases do Reino de Deus estão alicerçadas na harmonia e amor, unicidade, afinidade e união, e não sobre divergências, especialmente entre o esposo e a esposa. Se um destes dois se torna a causa de divórcio, este, inquestionavelmente, cairá em grandes dificuldades, se tornará a vítima de formidáveis calamidades e sentirá grande remorso. ‘Abdu’l-Bahá, citado em: Preservando Casamentos Bahá’ís, pp. 4-5.

No divórcio, bem como em outros assuntos, os bahá’ís, naturalmente, terão que obedecer não somente ao ensinamento bahá’í, mas também às leis do país em que vivem. O Calendário Bahá’í Os meses no Calendário Bahá’í são como segue:


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Mês

Nome Árabe

Tradução

Primeiro Dia

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18

Bahá Jalál Jamál ‘Azamat Núr Rahmat Kalimát Kamál Asmá’ ‘Izzat Mashíyyat ‘Ilm Qudrat Qawl Masá’il Sharaf Sultán Mulk

Esplendor Glória Beleza Grandeza Luz Misericórdia Palavras Perfeição Nomes Força Vontade Conhecimento Poder Discurso Perguntas Honra Soberania Domínio

21 de março 9 de abril 28 de abril 17 de maio 5 de junho 24 de junho 13 de julho 1o de agosto 20 de agosto 8 de set. 27 de set. 16 de out. 4 de nov. 23 de nov. 12 de dez. 31 de dez. 19 de janeiro 7 de fevereiro

Dias Intercalares: 26 de fevereiro a 1o de março, inclusive. 19

‘Alá’

Sublimidade

2 de março

Entre os diversos povos e em várias épocas, diversos métodos têm sido adotados para medir o tempo e fixar as datas, e muitos calendários diferentes estão ainda em uso diário; por exemplo, o gregoriano na Europa Ocidental, o juliano em muitos países da Europa Oriental, o hebraico entre os judeus, e o muçulmano nas comunidades muçulmanas. O Báb assinalou a importância da Dispensação à qual Ele veio como Arauto, com a inauguração de um novo calendário. Neste, como no calendário gregoriano, o mês lunar é abandonado e é adotado o ano solar.


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O ano bahá’í consiste em dezenove meses de dezenove dias (isto é, 361 dias), com a adição de certos “Dias Intercalares” (quatro nos anos comuns e cinco nos bissextos) entre o décimo oitavo e o décimo nono mês, a fim de ajustar o calendário ao ano solar. O Báb deu aos meses os nomes dos atributos de Deus. O Ano Novo bahá’í, como o antigo Ano Novo persa, é astronomicamente fixado, iniciando no equinócio de março (usualmente 21 de março), e a Era Bahá’í começa no ano da declaração do Báb (1844 da Era Cristã, 1260 da Era Muçulmana). Num futuro não muito distante, será preciso que todos os povos do mundo concordem sobre um calendário comum. Parece apropriado, portanto, que a nova era da unidade deva ter um novo calendário, livre das objeções e associações que tornam cada um dos calendários antigos inaceitáveis para grande parte da população do mundo, e é difícil visualizar como qualquer outro sistema poderia exceder, em simplicidade e conveniência, àquele proposto pelo Báb. Assembléias Espirituais Antes de completar Sua missão na terra, ‘Abdu’l-Bahá lançara um alicerce para o desenvolvimento da ordem administrativa estabelecida nos Escritos de Bahá’u’lláh. A fim de mostrar a alta importância a ser atribuída à instituição da Assembléia Espiritual, ‘Abdu’l-Bahá, numa Epístola, declarou que uma certa tradução deveria ser aprovada pela Assembléia Espiritual do Cairo antes de ser publicada, apesar de haver Ele próprio revisto e corrigido o texto. Entende-se por Assembléia Espiritual o corpo administrativo de nove pessoas, eleito anualmente em cada comunidade bahá’í local, que é dotado de autoridade de decisão sobre todas as questões de ação mútua por parte da comunidade. Essa designação é provisória, pois no futuro as Assembléias Espirituais serão denominadas Casas de Justiça.


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Diferentes da organização das igrejas, esses organismos bahá’ís são instituições sociais e não eclesiásticas. Isto é, aplicam a lei da consulta a todas as questões e dificuldades que surgem entre bahá’ís, aos quais se pede não recorrer a uma corte civil, e visam promover a unidade, bem como a justiça, em toda a comunidade. A Assembléia Espiritual não equivale em absoluto ao sacerdote ou ao clero, mas é responsável por apoiar os ensinamentos, estimular o serviço ativo, realizar reuniões, manter a unidade, administrar a propriedade bahá’í para a comunidade e representá-la em suas relações com o público e com outras comunidades bahá’ís. A natureza da Assembléia Espiritual, local e nacional, é descrita mais minuciosamente na parte do capítulo final referente à Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, mas suas funções gerais foram definidas por Shoghi Effendi do seguinte modo: A questão do Ensino, de sua orientação, seus métodos e seus meios, sua expansão, sua consolidação, embora essenciais aos interesses da Causa, de modo algum constituem o único assunto que deve receber a total atenção dessas Assembléias. Um cuidadoso estudo das Epístolas de Bahá’u’lláh e ‘Abdu’lBahá revelará que outros deveres não menos vitais aos interesses da Causa cabem aos representantes eleitos entre os amigos em cada localidade. Cabe-lhes ser vigilantes e cautelosos, discretos e atenciosos, e proteger sempre o Templo da Causa contra o dardo do malfeitor e o ataque do inimigo. Devem esforçar-se em promover amizade e concórdia entre os amigos e apagar de todos os corações qualquer traço de desconfiança, frieza e alienação, substituindo isto por uma cooperação ativa e sincera no serviço à Causa. Devem sempre, o mais que possível, estender a mão em socorro ao pobre, ao doente, ao incapacitado, ao órfão, à viúva, independentemente de cor, casta ou credo. Devem promover por todos os meios ao seu alcance a orientação à juventude, material bem como espiritual, os


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA recursos para educação das crianças, estabelecer, sempre que possível, instituições educativas bahá’ís, organizar e supervisionar seu trabalho e prover os meios mais eficazes para seu progresso e desenvolvimento.... Devem incumbir-se da preparação de reuniões regulares dos amigos, as festas e os aniversários, como também das reuniões especiais destinadas a servir e promover os interesses sociais, intelectuais e espirituais de seus semelhantes. Nestes tempos em que a Causa está ainda em sua infância, devem supervisionar todas as publicações e traduções bahá’ís, e providenciar uma apresentação digna e acurada de toda a literatura bahá’í e sua distribuição ao público em geral.

As possibilidades inerentes às instituições bahá’ís só podem ser estimadas quando se percebe com que rapidez a civilização moderna está se desintegrando por falta daquele poder espiritual, único que pode suprir aos dirigentes a atitude necessária de responsabilidade e humildade, e aos membros individuais da sociedade a lealdade imprescindível. As Festas Bahá’ís, Aniversários e Dias de Jejum Festa de Naw-Rúz (Ano Novo Bahá’í) 21/03 Festa de Ridván (Declaração de Bahá’u’lláh) 21/04 a 02/05 Declaração do Báb* 23/05 Ascensão de Bahá’u’lláh 29/05 Martírio do Báb 09/07 Nascimento do Báb 20/10 Nascimento de Bahá’u’lláh 12/11 Dia do Convênio 26/11 Ascensão de ‘Abdu’l-Bahá 28/11 Período do Jejum, 19 dias 02/03 a 20/03

*Esta data coincide com a do nascimento de ‘Abdu’l-Bahá.


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Festas A alegria essencial da religião bahá’í exprime-se em numerosas festas e dias sagrados no decorrer do ano. Numa palestra sobre a Festa de Naw-Rúz, em Alexandria, Egito, em 1912, ‘Abdu’l-Bahá disse: De acordo com as sagradas leis de Deus, em cada ciclo e dispensação há festas sacras, dias santos e dias de descanso. Em tais dias toda espécie de ocupação – comércio, indústria, agricultura, etc. – deve ser suspensa. Juntos, todos devem regozijar-se, realizando reuniões gerais e tornando-se como uma só assembléia, de modo que a união, a unidade e harmonia nacionais possam ser demonstradas aos olhos de todos. Uma vez que se trata de um dia abençoado, não se deve negligenciá-lo, nem se privar de seus benefícios, dedicandoo ao mero prazer. Durante tais dias devem ser fundadas instituições que possam ser de benefício permanente e de utilidade ao povo.... Hoje não há resultado ou fruto maior do que o de guiar os povos. Os amigos de Deus devem, sem dúvida, nesses dias, deixar traços tangíveis, filantrópicos ou ideais que atinjam a toda a humanidade e não somente aos bahá’ís. Nessa maravilhosa Dispensação as ações filantrópicas devem ser para toda a humanidade, sem exceção, porque é a manifestação da misericórdia de Deus. É minha esperança, pois, que os amigos de Deus, cada um deles, torne-se uma manifestação de Sua Mercê para todo o gênero humano.

As Festas de Naw-Rúz (Ano Novo) e Ridván, o aniversário natalício do Báb e o de Bahá’u’lláh, e o aniversário da Declaração do Báb (que é também aniversário natalício de ‘Abdu’l-Bahá), são os dias de imensa alegria do ano para os bahá’ís. No Irã são comemorados com a realização de piqueniques ou reuniões festivas,


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em que há música, entoação de versículos e epístolas, e pequenos discursos apropriados à ocasião oferecidos por aqueles presentes. Os dias intercalares entre o décimo oitavo e o décimo nono mês (isto é, 26 de fevereiro a 1º de março) são especialmente dedicados à hospitalidade, à distribuição de presentes, auxílio aos pobres e doentes, etc. Os aniversários do martírio do Báb e da ascensão de Bahá’u’lláh e de ‘Abdu’l-Bahá são celebrados com solenidade, através de reuniões e discursos apropriados, e a entoação de preces e Epístolas. Jejum O décimo-nono mês, que segue imediatamente à hospitalidade dos dias intercalares, é o mês do jejum. Durante dezenove dias o jejum é observado através da abstinência de alimentos e bebidas, do nascer ao pôr-do-sol. Como o mês do jejum termina no equinócio de março, o jejum cai sempre na mesma estação, isto é, primavera no hemisfério setentrional, e outono no meridional; nunca no extremo calor do verão nem no frio intenso do inverno, quando provavelmente seria penoso. Nessa estação, além disso, o intervalo entre o nascer e o pôr do sol é aproximadamente o mesmo em toda a porção habitável do globo, isto é, de cerca de seis horas da manhã até seis da tarde. O jejum não é obrigatório às crianças, aos inválidos, aos viajantes, àqueles que são muito idosos ou muito fracos (inclusive mulheres grávidas ou que amamentam). Há muita evidência que indica ser um jejum periódico, como o adotado pelos ensinamentos bahá’ís, benéfico como medida de higiene física, mas justamente como a realidade da festa bahá’í não reside no consumo de alimentos físicos, e sim, na comemoração de Deus, a qual é o nosso alimento espiritual, da mesma maneira a realidade do jejum bahá’í não consiste na abstinência do alimento físico, embora isso possa concorrer para a purificação do corpo, e sim, na abstinência dos desejos e luxúrias carnais, e no desprendimento de tudo, salvo de Deus. Diz ‘Abdu’l-Bahá:


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O jejum é um símbolo. Jejuar significa abster-se da luxúria. O jejum físico é um símbolo dessa abstinência, e nos faz lembrar dela; isto é, do mesmo modo que uma pessoa abstém-se de satisfazer os apetites fésicos, deve abster-se dos apetites e desejos do ego. Mas a mera abstinência de alimentos não tem nenhum efeito sobre o espírito. É apenas um símbolo, um meio de nos lembrarmos. Do contrário é de nenhuma importância. Jejuar com esse intuito não significa inteira abstinência de alimentos. A regra de ouro a respeito de alimentos é não se alimentar em demasia nem muito pouco. A moderação é necessária. Há uma seita na Índia que pratica a abstinência ao extremo, reduzindo gradualmente a sua nutrição até passarem quase que sem alimentos. A sua inteligência, porém, sofre com isso. Um homem não pode servir a Deus com a mente ou o corpo se está fraco por falta de alimentos. Ele não pode ver com clareza. Citado pela srta. E. S. Stevens em Fortnightly Review, junho 1911.

Reuniões ‘Abdu’l-Bahá dá a maior importância a reuniões regulares dos bahá’ís para devoção em conjunto, para a exposição e o estudo dos ensinamentos, e para consulta sobre o progresso do Movimento. Em uma das Epístolas Ele diz: É propósito de Deus que no Ocidente a união e harmonia possam aumentar dia a dia entre os amigos de Deus e as servas do Misericordioso. Até que isso seja realizado não pode ser alcançado qualquer progresso. E o meio mais eficaz de promover união e harmonia entre todos os amigos são as reuniões espirituais. Esta questão é muito importante, e é como um ímã que atrairá as confirmações divinas. Tablets of Abdul-Baha, vol. I, pp. 124-125.

Nas reuniões espirituais dos bahá’ís, o argumento contencioso e a discussão de assuntos políticos ou mundanos devem ser evitados; o único objetivo dos bahá’ís deve ser ensinar e aprender a Verdade


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Divina, ter seus corações cheios de Amor Divino, atingir uma obediência mais perfeita à Vontade Divina, e promover a vinda do Reino de Deus. Num discurso em Nova Iorque em 1912, ‘Abdu’lBahá disse: É minha esperança que as reuniões da Assembléia Bahá’í em Nova Iorque se tornem como as reuniões da Assembléia Suprema. Ao vos reunirdes, deveis refletir as luzes do Reino celestial. Que vossos corações sejam como espelhos nos quais a luz do Sol da Realidade é visível. Cada alma deve ser uma estação telegráfica – tendo uma extremidade do fio ligada à alma e a outra, à Assembléia Suprema – para que a inspiração possa descer do Reino de Abhá e os assuntos da realidade sejam discutidos. Então as opiniões coincidirão com a verdade; dia após dia haverá progresso e as reuniões tornarse-ão mais radiantes e espirituais. Isto depende de unidade e harmonia. Quanto mais perfeitos forem o amor e a concórdia, mais as confirmações divinas e a assistência da Abençoada Perfeição descerão. A Promulgação da Paz Universal, p. 227.

Em uma de Suas Epístolas Ele diz: Nessas reuniões, não deve haver qualquer conversação alheia. O grupo deve, preferivelmente, restringir-se a ler e recitar as Palavras Sagradas, e tratar de questões relativas à Causa de Deus, expondo, por exemplo, provas e argumentos conclusivos, e os Escritos do Mais Amado da humanidade. Aqueles que participam destas reuniões devem ataviar-se em vestes imaculadas, voltar suas faces ao Reino de Abhá e então, com humildade e submissão, lá entrar. Durante as leituras eles devem manter completo silêncio. Caso alguém deseje falar, deverá fazê-lo com total humildade, exatidão e eloqüência.


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A Festa de Dezenove Dias Com o desenvolvimento da Ordem Administrativa bahá’í desde a ascensão de ‘Abdu’l-Bahá, a Festa de Dezenove Dias, observada no primeiro dia de cada mês bahá’í, adquiriu uma importância muito especial, pois provê oportunidade não somente para a oração e leitura dos Livros Sagrados em comunidade, mas também para consulta geral sobre todas as questões correntes entre os bahá’ís e para o convívio dos amigos. A Festa é a ocasião em que a Assembléia Espiritual faz os seus relatórios à comunidade e a convida a considerar planos e dar sugestões para novos e melhores métodos de serviço. Mashriqu’l-Adhkár Bahá’u’lláh deixou instruções para que templos fossem construídos em cada país e cidade. A esses templos Ele deu o nome de Mashriqu’l-Adhkár, que significa Lugar do Alvorecer do Louvor a Deus. O Mashriqu’l-Adhkár é um edifício de nove lados, encimado por uma cúpula e o mais belo possível em concepção e acabamento. Deve ser construído num grande jardim adornado com fontes, árvores e flores, circundado por vários edifícios suplementares destinados à educação, à caridade e aos fins sociais, de modo que a adoração a Deus no templo possa ser sempre intimamente associada ao reverente encanto pelas belezas da natureza e da arte, e ao trabalho prático para melhorar as condições sociais*. *A respeito do Mashriqu’l-Adhkár, é interessante lembrarmo-nos das seguintes linhas de Tennyson: Sonhei Que pedra por pedra ergui um sacrário, Um templo, nem Pagode, Mesquita ou Igreja, E sim, mais altivo, mais simples, sempre de portas abertas Para todo sopro do céu, e Verdade e Paz E Amor e Justiça vieram e nele habitaram. Sonho de Akbar, 1892.


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No Irã, até o tempo presente, os bahá’ís têm sido impedidos de construírem templos para adoração pública, e assim o primeiro grande Mashriqu’l-Adhkár foi construído em ‘Ishqábád*, na Rússia. ‘Abdu’l-Bahá, durante Sua visita à América em 1912, consagrou o local da segunda Casa Bahá’í de Adoração, a ser erigida à margem do Lago de Michigan, a poucas milhas ao norte de Chicago†. Em Epístolas referentes a esse “Templo-Mater” do Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá escreve o seguinte: Louvor a Deus, pois, neste momento, de todos os países do mundo, de acordo com as suas posses, contribuições são continuamente enviadas ao fundo do Mashriqu’l-Adhkár na América.... Desde o tempo de Adão, jamais testemunhou o homem tal coisa – que do mais longínquo país da Ásia foram enviadas contribuições à América. Isso é através do poder do Convênio de Deus. Em verdade, esta é uma causa de admiração às pessoas de percepção. Espera-se que os que crêem em Deus possam manifestar magnanimidade e levantem uma grande soma para a construção.... Desejo que cada um seja livre para agir como quiser. Se alguém quiser empregar dinheiro em outras coisas, que assim o faça. Não interfirais de modo algum, mas estai seguros de que a coisa mais importante hoje é a construção do Mashriqu’l-Adhkár. ...O mistério do edifício é grande, e não pode ser revelado ainda, mas sua construção é o mais importante empreendimento deste tempo. O Mashriqu’l-Adhkár tem importantes dependências acessórias, que são consideradas como parte integrante do mesmo.São estas: escola para órfãos, hospital e dispensário para os pobres, lar para os inválidos, escola para a educação científica superior, e hospedaria. Em cada cidade deve ser fundado um grande Mashriqu’l-Adhkár segundo esse modelo. No Mashriqu’l-Adhkár serão mantidas programações devocionais todas as manhãs. Não haverá órgão no Templo. Nos edifícios próximos realizar-se-ão festivais, programas devocionais, convenções, reuniões públicas e *O governo comunista da Rússia disse na época que esta primeira Casa de Adoração foi seriamente danificada num terremoto em 1948 e teve que ser demolida alguns anos depois. †Este Templo foi completado em 1953. Desde então outros templos bahá’ís foram


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reuniões espirituais, porém no Templo a entoação e o canto não serão acompanhados. Abri as portas do Templo a toda a humanidade. Quando estiverem construídas estas instituições – escola, hospital, hospedaria e estabelecimento para os doentes incuráveis, universidade para o estudo das ciências superiores, com cursos de pós-graduação, e outros edifícios filantrópicos – as portas serão abertas a todas as nações e religiões. Não haverá, em absoluto, nenhuma linha de demarcação. Suas caridades serão dispensadas independentemente de cor ou raça. Suas portas abrir-se-ão a todo o gênero humano; preconceito para com ninguém, amor a todos. O edifício central será dedicado à prece e à adoração. Deste modo... a religião tornar-se-á harmonizada com a ciência, e a ciência será a serva da religião, derramando ambas a toda a humanidade suas dádivas materiais e espirituais.

A Vida após a Morte Bahá’u’lláh diz-nos que a vida física é apenas a etapa embrionária de nossa existência, e que a libertação do corpo é como um novo nascimento através do qual o espírito humano entra numa vida mais ampla, mais livre. Ele escreve: Sabe tu que, em verdade, a alma após sua separação do corpo continuará a progredir até que atinja a Presença de Deus, em uma condição e um estado que nem a revolução dos séculos e eras, nem os acasos e as vicissitudes deste mundo, poderão alterar. Durará enquanto durar o Reino de Deus – Sua soberania, Seu domínio e Seu poder. Haverá de manifestar os sinais de Deus e Seus atributos e revelar Sua benevolência e generosidade. O movimento de Minha Pena aquieta-se quando tenta descrever, de um modo digno, a sublimidade e a glória de tão excelsa condição. Tamanha é a honra da qual a Mão da Misericórdia investirá a alma, que nenhuma língua construídos, em Kampala, Uganda; em Sidney, Austrália; em Frankfurt, Alemanha; na cidade de Panamá, Panamá; em Apia, Samoa Ocidental; e em Nova Delhi, Índia. Locais para mais 126 já foram adquiridos.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA pode revelá-la adequadamente, nem qualquer outro instrumento terreno descrevê-la. Bem-aventurada a alma que, na hora de sua separação do corpo, estiver santificada das vãs imaginações dos povos do mundo. Essa alma vive e atua segundo a Vontade de seu Criador e entra no Paraíso supremo. As Donzelas do Céu, habitantes das, mais elevadas mansões, circundá-la-ão e os Profetas de Deus e Seus eleitos procurarão sua companhia. Com eles essa alma conversará livremente, relatando-lhes o que teve de sofrer no caminho de Deus, o Senhor de todos os mundos. Se a alguém se disser o que e destinado a essa alma nos mundos de Deus, Senhor do trono nas alturas e do reino terrestre, todo o seu ser arderá instantaneamente em seu anseio por atingir essa condição excelsa, santificada e resplandecente... A natureza da alma após a morte não pode jamais ser descrita, nem é apropriado ou permissível revelar seu caráter plenamente aos olhos dos homens. Os Profetas e Mensageiros de Deus têm sido enviados com o fim único de guiar a humanidade ao Caminho Reto da Verdade. É o intuito fundamental de Sua Revelação educar todos os homens para que possam, na hora de sua morte, ascender ao trono do Altíssimo no grau máximo de pureza e santidade e com desprendimento absoluto. Da luz irradiada por essas almas, dependem o progresso do mundo e o adiantamento de seus povos. Elas são como fermento que leveda o mundo, existente; constituem a força animadora que faz manifestarem-se as artes e maravilhas do mundo. Por seu intermédio, as nuvens dispensam suas graças aos homens e a terra produz seus frutos. É mister que todas as coisas tenham uma causa, uma força motriz, um princípio animador. Essas almas, símbolos do desprendimento, têm provido e continuarão a prover o impulso supremo que move o mundo dos seres. O mundo do além é tão diferente deste mundo como este o é do mundo da criança ainda no ventre materno. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 122-123.


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De modo semelhante, escreve ‘Abdu’l-Bahá: Os mistérios despercebidos pelo homem no mundo terreno, ele os descobrirá no mundo celestial, e aí será ele informado dos segredos da verdade; mais ainda, ele reconhecerá ou descobrirá as pessoas às quais esteve associado. Indubitavelmente, as almas santas que atingem uma visão pura e são agraciadas com a compreensão, no reino da luz serão informadas de todos os mistérios e procurarão a graça de perceber a realidade de todas as grandes almas. Contemplarão ainda claramente a Beleza de Deus naquele mundo. Do mesmo modo, encontrarão presentes na assembléia celestial todos os amigos de Deus, os dos tempos recentes como os dos mais remotos. A diferença e distinção entre os homens tornar-se-ão naturalmente percebidas após sua partida deste mundo mortal. Essa distinção, porém, não se refere a lugares, e sim à alma e à consciência. Pois o Reino de Deus é santificado (ou livre) de tempo e lugar – é outro mundo e outro universo. E sabe tu com certeza que nos mundos divinos os bem-amados espirituais reconhecerão uns aos outros, e procurarão união uns com os outros, mas uma união espiritual. Do mesmo modo, um amor que se teve por alguém não será esquecido no mundo do Reino, nem tampouco lá esquecerás a vida que tiveste no mundo material. Tablets of Abdul-Baha, vol. I, p. 205.

Céu e Inferno Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá não consideram literais, e sim simbólicas, as descrições do céu e do inferno encontradas em algumas das mais antigas escrituras religiosas, como por exemplo, a história bíblica da criação. Eles ensinam que o céu é o estado da perfeição, e o inferno, o da imperfeição; céu é a harmonia com a vontade de Deus e com os nossos semelhantes, e inferno é a falta desta harmonia;


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céu é a condição da vida espiritual, e inferno, a da morte espiritual. Enquanto ainda no corpo físico, pode estar um homem no céu ou no inferno. As alegrias do céu são alegrias espirituais, e as penas do inferno consistem-se na privação destas alegrias. Diz ‘Abdu’l-Bahá: Quando, graças à luz da fé, elas se libertam da escuridão de tais vícios, sendo iluminadas pelo esplendor do Sol da Realidade e enobrecidas por todas as virtudes, nisso vêem sua maior recompensa – nisso reconhecem o verdadeiro paraíso. Da mesma maneira, elas consideram a punição espiritual, isto é, a tortura ou o castigo da existência, como equivalente a estar sujeito ao mundo da natureza, a ser privado de Deus, a ser brutal e ignorante, dominado pela luxúria, absorvido pela fraqueza animal, caracterizado por más tendências...tudo isso constitui a maior tortura, a mais severa punição... ...As recompensas do outro mundo são, pois, a paz, as graças espirituais, as várias dádivas espirituais no Reino de Deus, a realização dos desejos da alma e do coração, e o encontro com Deus no mundo da eternidade; justamente como, por outro lado, as punições ou torturas do outro mundo consistem em achar-se destituído das especiais bênçãos divinas e graças absolutas, e em degradar-se aos graus inferiores da existência. Quem se priva destes favores divinos, embora continue a existir após sua partida deste mundo, é, no entanto, considerado pelo povo da verdade como sendo um morto. A riqueza do outro mundo consiste na proximidade de Deus. Por conseguinte, é permitido aos que estão próximos da Corte Divina interceder pelos outros, sendo tal intercessão aprovada por Deus... É até possível modificar o estado dos que morreram em pecado, descrentes; isto é, o perdão ser-lhes-á concedido, graças à bondade de Deus, e não de acordo com Sua justiça, pois dar quando não há merecimento constitui pura bondade,


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enquanto a justiça exige que se dê o que é merecido. Assim como temos neste mundo o poder de orar por essas pessoas, tê-lo-emos no outro mundo, também, no Reino de Deus... Portanto, ali poderão também progredir. Como aqui recebem luz por meio da prece, igualmente poderão ali pedir perdão e receber luz mediante preces e súplicas. Não só antes de abandonar esta forma material, mas também depois de o fazer, há progresso, aperfeiçoamento, embora não seja em estado... Não existe criatura superior ao homem perfeito. Quando atinge esse estado, o homem pode ainda progredir no sentido de se aperfeiçoar, embora não em estado, pois não há estágio superior ao do homem perfeito para o qual possa ser transferido. Ele progride somente dentro do estado humano, sendo infinitas as perfeições humanas. Assim por mais sábio que seja um homem, ainda é possível imaginarmos um outro mais sábio. Logo, em virtude de serem infinitas as perfeições da humanidade, o homem pode continuar a afeiçoar-se após sua partida deste mundo. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 186-195.

A Unidade dos Dois Mundos A unidade do gênero humano ensinada por Bahá’u’lláh referese não somente aos homens ainda no plano físico, mas a todos os seres humanos, encarnados ou desencarnados. Não só todos homens que vivem agora neste mundo, mas todos no mundo espiritual também, são partes de um só organismo, e essas duas partes são intimamente dependentes uma da outra. A comunhão espiritual entre uma e outra, longe de ser impossível e fora do natural, é constante e inevitável. Aqueles cujas faculdades espirituais ainda não estão desenvolvidas, são inconscientes dessa conexão vital, mas à medida que as faculdades de alguém são desenvolvidas, a comunicação com aqueles além do véu gradualmente se torna mais consciente e definida. Essa comunhão espiritual é, para os Profetas


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e santos, tão familiar e real como são a visão e a conversação usuais para o resto da humanidade. ‘Abdu’l-Bahá diz: As visões dos Profetas não são sonhos, mas sim, verdadeiras revelações espirituais. Se eles dizem, por exemplo: “Vi uma pessoa de certa forma, a quem eu disse tal coisa, dando-me ela tal resposta,” esta visão pertence ao mundo da vigília e não ao do sono. É uma revelação espiritual... Entre os que cultivam a vida espiritual há um entendimento espiritual, revelações, uma comunhão que nada tem de ver com a imaginação e a fantasia, uma associação que escapa à ação do tempo e do espaço. Diz o Evangelho que no Monte Tabor Moisés e Elias vieram ter com Cristo: evidentemente, não se trata aqui de um encontro material, mas sim de um acontecimento espiritual... ...Estas são reais, e operam maravilhas nos pensamentos, na mente dos homens, atraindo-lhes os corações. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 205-206.

Embora admitindo a realidade das faculdades psíquicas “supernormais”, ‘Abdu’l-Bahá condena as tentativas de forçar o seu desenvolvimento prematuramente. Essas faculdades desenvolver-seão naturalmente, no devido tempo, se nós simplesmente seguirmos a senda do progresso espiritual que os Profetas traçaram para nós. Diz Ele: Envolver-se com forças psíquicas, enquanto neste mundo, interfere na condição da alma no próximo mundo. Essas forças são reais mas, normalmente, não são ativas neste plano. A criança no útero tem seus olhos, ouvidos, mãos, pés, etc., mas não estão em atividade. O inteiro propósito da vida no mundo material é a entrada no mundo da realidade, onde aquelas forças tornar-se-ão ativas. Elas pertencem àquele mundo. De notas da srta. Buckton, revisadas por ‘Abdu’l-Bahá.


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Comunicação com os espíritos dos mortos não deve ser procurada nem por si só, nem meramente com o fim de satisfazer a vã curiosidade. É, porém, um privilégio e dever daqueles que estão de um lado do véu, amar e auxiliar e orar por aqueles do outro. Os bahá’ís têm por dever orar pelos mortos. ‘Abdu’l-Bahá disse a srta. E. J. Rosenberg em 1904: A graça da intercessão efetiva é uma das perfeições das almas adiantadas, bem como dos Manifestantes de Deus. Enquanto na terra, Jesus Cristo teve o poder de interceder pelo perdão dos Seus inimigos, e certamente Ele tem este poder agora. ‘Abdu’l-Bahá nunca menciona o nome de uma pessoa morta sem dizer: “Possa Deus perdoá-lo!” ou palavras de efeito semelhante. Os discípulos dos Profetas também têm este poder de orar pelo perdão das almas. Por conseguinte, não devemos pensar que algumas almas estejam condenadas a uma condição estacionária de sofrimento ou privação, por causa de sua absoluta ignorância de Deus. O poder da efetiva intercessão por eles existe sempre.... O rico no outro mundo pode ajudar o pobre, como o rico pode ajudar o pobre aqui. Em cada mundo, todos são criaturas de Deus. São sempre dependentes dEle. Não são independentes e jamais o podem ser. Como têm necessidade de Deus, quanto mais suplicam, mais ricos se tornam. Quais são seus bens, suas riquezas? Em que consiste auxílio e assistência no outro mundo? Na intercessão. As almas pouco desenvolvidas devem progredir primeiro através das súplicas dos espiritualmente ricos; depois, podem progredir através das suas próprias súplicas.

Ele diz ainda: Aqueles que ascenderam possuem atributos diferentes daqueles que ainda permanecem sobre a terra, ainda assim não há verdadeira separação. Na oração há uma mescla de


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA estados, uma mistura de condições. Orai por eles assim como eles oram por vós. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Londres – 1911, p. 86.

Interrogado se era possível, através da fé e do amor, levar a nova Revelação ao conhecimento daqueles que partiram desta vida sem ouvirem falar dela, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Sim, seguramente! visto que a prece sincera tem sempre o seu efeito e exerce uma grande influência no outro mundo. Não somos jamais separados daqueles que lá estão. A influência real e genuína não é neste mundo e sim no outro. Notas de Mary Hanford Ford, Paris, 1911.

Por outro lado, Bahá’u’lláh escreve*: Por aquele que vive de acordo com o que lhe é ordenado, a Assembléia Celestial, o povo do Paraíso Supremo, e aqueles que habitam a Abóbada da Grandeza, rogarão, de acordo com um Mandamento de Deus, o Mais Amado, e o Digno de Louvor.

Quando se perguntou a ‘Abdu’l-Bahá como é que o coração freqüentemente dirige-se com apelo instintivo a algum amigo que já passou para a próxima vida, Ele respondeu: É uma lei da criação de Deus que o fraco deve se apoiar sobre o forte. Aqueles a que vos volveis podem ser mediadores do poder de Deus a vós, da mesma forma que quando sobre a terra. Mas é o Espírito Santo que fortalece todos os homens. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Londres – 1911, p. 87.

A Inexistência do Mal Segundo a filosofia bahá’í, a doutrina da unidade de Deus define que não pode existir coisa tal como o mal positivo. Pode *De uma Epístola traduzida do árabe para o inglês por ‘Ali Kulí Khán.


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existir apenas um Infinito. Se houvesse qualquer outro poder no universo além desse ou oposto a esse Único, então o Único não seria infinito. Assim como a escuridão é apenas a ausência ou insuficiência da luz, semelhantemente o mal é apenas a ausência ou insuficiência do bem, o estado não desenvolvido. Um homem mau é um homem com o lado mais elevado de sua natureza ainda não desenvolvido. Se é egoísta, o mal não está no seu amor a si mesmo – todo amor, mesmo o amor próprio, é bom, é divino. O mal é ter ele um amor a si próprio tão pobre, inadequado, desorientado, e tanta carência de amor aos outros e a Deus. Ele se considera apenas uma espécie superior de animal, e insensatamente satisfaz à sua natureza inferior da mesma maneira que satisfaria a um cachorro de estimação – com piores resultados em seu próprio caso do que naquele do cachorro. Em uma de Suas cartas, ‘Abdu’l-Bahá diz: Quanto à tua observação de haver ‘Abdu’l-Bahá dito a alguns dos amigos que o mal não existe, ou melhor, que é uma coisa inexistente, isso não é mais que a verdade, visto que o maior mal é o homem perder-se e ser velado da verdade. O erro é a falta de orientação; a escuridão é a ausência de luz; a ignorância é a falta do saber; a falsidade é a ausência da verdade; a cegueira é a falta da visão; e a surdez é a falta da audição. Por conseguinte, o erro, a cegueira, a surdez e a ignorância são coisas inexistentes.

Outra vez Ele diz: Na criação não existe o mal; tudo é bom. Certas qualidades inatas em algumas pessoas, embora pareçam ser censuráveis, não o são na realidade. Por exemplo, notamos numa criança desde o começo de sua vida, enquanto ainda amamentada, certos sinais de desejo, ira e impaciência, e disso talvez queiramos inferir que o bem e o mal sejam inatos no homem. Tal inferência, entretanto, seria contrária ao conceito da pura bondade da natureza, e de toda a criação. A explicação é a


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA seguinte: o desejo – a vontade de possuir algo – é uma qualidade louvável, contanto que seja usado de modo conveniente. Assim, um homem pode desejar adquirir ciência ou outros conhecimentos, ou talvez queira tornar-se compassivo, generoso e justo. Tudo isso é muito louvável. Se exercer sua indignação e ira contra os tiranos sanguinários, que são como animais ferozes, isso ainda será muito meritório. Se, porém, essas qualidades não forem usadas de maneira apropriada, serão também censuráveis... ...Igual caso se dá com todas as qualidades naturais do homem, que constituem o capital da vida: se forem usadas ou exteriorizadas de um modo condenável, tornar-se-ão censuráveis. É claro, pois, ser a criação puramente boa. ‘Abdu’l-Bahá. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 180-181.

O mal é sempre a falta de vida. Se o lado inferior da natureza humana for desproporcionalmente desenvolvido, o remédio não é menos vida para este lado, e sim, mais vida para o lado superior, a fim de que o equilíbrio possa ser restabelecido. Cristo disse: Eu vim para que possais ter vida, e para que possais tê-la mais abundantemente.

É disso que todos nós precisamos – vida, mais vida, a vida que é a verdadeira vida! A mensagem de Bahá’u’lláh é a mesma que a de Cristo. Diz Bahá’u’lláh: Este Jovem veio para vivificar o mundo.

E aos discípulos Ele diz: Segui a Mim, para que vos possamos fazer vivificadores da humanidade. O Chamado do Senhor das Hostes, p.120 e 54.


Capítulo 12

A RELIGIÃO E A CIÊNCIA ‘Alí, genro de Muhammad, disse: “O que está em conformidade com a ciência está também em conformidade com a religião.” Tudo quanto a inteligência do homem não possa compreender, a religião não deve aceitar. A religião e a ciência andam de mãos dadas e qualquer religião contrária à ciência não é verdadeira. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 127.

Conflito Devido ao Erro Um dos ensinamentos fundamentais de Bahá’u’lláh é que a verdadeira ciência e a verdadeira religião devem estar sempre em harmonia. A verdade é uma só e, sempre que surge o conflito, não é devido à verdade, mas ao erro. Entre a assim chamada ciência e a assim chamada religião tem havido violentos conflitos através de todas as eras, mas revendo esses conflitos à luz da mais ampla verdade, podemos identificar sempre sua origem na ignorância, preconceito, vaidade, cobiça, estreiteza de visão, intolerância, obstinação ou coisa semelhante – algo alheio ao verdadeiro espírito da ciência como ao da religião, pois o espírito de ambas é um só. Como nos diz Huxley: “Os grandes feitos dos filósofos têm sido menos o fruto do seu intelecto do que a guia desse intelecto por uma tendência mental eminentemente religiosa. A verdade tem-se deixado manifestar mais por sua paciência, seu amor, sua sinceridade e sua abnegação, do que por sua argúcia lógica.” Boole, o matemático, assegura-nos que:


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“a indução geométrica é essencialmente um processo de oração – um apelo da mente finita à Infinita por luz sobre questões finitas.” Os grandes profetas da religião e da ciência jamais se denunciaram uns aos outros. São os indignos adeptos desses grandes instrutores mundiais – adoradores da letra, mas não do espírito dos seus ensinamentos – que têm sido sempre os perseguidores dos profetas subseqüentes e os mais implacáveis oponentes do progresso. Estudaram a luz da revelação em particular por eles consagrada, e com o máximo cuidado e precisão definiram suas propriedades e peculiaridades de acordo com sua limitada visão. É para eles a única luz verdadeira. Se Deus, em Sua Mercê infinita, envia de outro ponto uma luz mais intensa, e a tocha da inspiração arde em novo tocheiro mais intensamente do que antes, eles, em vez de darem boas vindas à nova luz e de adorarem com gratidão renovada ao Pai de todas as luzes, iram-se e alarmam-se. Esta nova luz não corresponde às suas definições. Não tem a cor ortodoxa, não brilha do lugar ortodoxo e deve, pois, ser extinta a todo custo para que não desencaminhe a humanidade aos caminhos da heresia! Muitos inimigos dos Profetas são deste tipo – cegos condutores de cegos, que se opõem à verdade nova e mais ampla, no suposto interesse por aquilo que acreditam ser a única verdade. Outros, são de um tipo mais ignóbil e por interesses egoísticos são movidos a combater a verdade ou mesmo, por causa de entorpecimento espiritual e inércia, a obstruir o caminho do progresso. Perseguição aos Profetas Na ocasião de Seu aparecimento, os grandes Profetas da religião têm sido sempre desprezados e rejeitados pelo homem. Tanto Eles como também Seus primeiros adeptos resignaram-se aos seus opressores e sacrificaram seus bens e suas próprias vidas no caminho de Deus. Até em nosso tempo isso tem sido assim. Desde 1844, muitos milhares de bábís e bahá’ís no Irã têm sofrido mortes cruéis pela sua fé, e um número ainda maior tem suportado a prisão, o


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exílio, a pobreza e a degradação. A última das grandes religiões teve um “batismo de sangue” maior do que suas predecessoras, e os martírios continuam até hoje. O mesmo tem acontecido com os profetas da ciência. Giordano Bruno foi queimado como herege em 1600 por ensinar, entre outras coisas, que a Terra movia-se ao redor do Sol. Alguns anos mais tarde o filósofo veterano Galileu teve, de joelhos, que renunciar à mesma doutrina, a fim de escapar de um destino semelhante. Tempos depois, Darwin e os pioneiros da geologia moderna foram denunciados com veemência por ousarem refutar o ensinamento da Sagrada Escritura, de que o mundo foi feito em seis dias e há menos de seis mil anos passados! Entretanto, a oposição à nova verdade científica não veio somente da Igreja. Os ortodoxos da ciência têm sido tão hostis ao progresso como os ortodoxos da religião. Colombo foi ridicularizado com desdém pelos assim chamados cientistas do seu tempo, convictos de que, se os navios conseguissem descer até os Antípodas pelo lado do globo, seria absolutamente impossível subirem novamente! Galvani, pioneiro da ciência da eletricidade, foi escarnecido pelos seus sábios colegas, e chamado de “o mestre de dança das rãs”.Harvey, que descobriu a circulação do sangue, foi ridicularizado e perseguido pelos seus irmãos de profissão por causa de sua heresia, e expulso de sua cátedra. Quando Stephenson inventou a locomotiva, os matemáticos europeus da época, em lugar de abrirem seus olhos e estudarem os fatos, continuaram por muitos anos insistindo que uma locomotiva sobre trilhos lisos jamais poderia puxar uma carga porque as rodas simplesmente deslizariam e, assim, o trem não sairia do lugar. A exemplos como estes pode-se acrescentar inúmeros outros da história antiga e da moderna, e até de nossos próprios tempos. O doutor Zamenhof, inventor do Esperanto, teve que lutar pela sua maravilhosa língua internacional contra a mesma espécie de zombaria, desprezo e estúpida oposição com que acolheram Colombo, Galvani e Stephenson. Até o Esperanto, que foi dado ao mundo tão recentemente, em 1887, teve seus mártires!


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A Aurora da Reconciliação Nota-se no último meio século, porém, uma transformação no espírito dos tempos – surgiu uma Nova Luz da Verdade, que já tem feito as controvérsias do último século parecerem surpreendentemente antiquadas. Onde estão agora os materialistas arrogantes e os ateus dogmáticos que, há poucos anos apenas, ameaçavam expulsar do mundo a religião? E onde estão os pregadores que tão confiantemente condenavam ao fogo do inferno e às torturas da danação aqueles que não aceitavam seus dogmas? Podemos ainda ouvir os ecos do seu clamor, mas seu dia vai declinando-se rapidamente e suas doutrinas estão sendo desacreditadas. Podemos agora ver que as doutrinas em torno das quais se desenvolviam as mais amargas controvérsias não eram verdadeira ciência nem verdadeira religião. Qual o cientista que, à luz das modernas pesquisas psíquicas, ainda poderia afirmar que o “pensamento é secretado pelo cérebro do mesmo modo que a bílis é secretada pelo fígado”? Ou que a decomposição do corpo é acompanhada necessariamente pela decomposição da alma? Vemos agora que o pensamento, para ser realmente livre, há de elevar-se aos reinos dos fenômenos psíquicos e espirituais, e não ser confinado somente ao material. Percebemos que nosso conhecimento atual sobre a natureza é apenas uma gota num oceano em comparação com o que resta ser descoberto. Admitimos francamente, pois, a possibilidade de milagres, não como violações às leis da natureza, mas como manifestações da operação de forças sutis ainda desconhecidas para nós, assim como o foram a eletricidade e os raios-X aos nossos antepassados. Por outro lado, qual dos nossos principais teólogos declararia ser ainda necessário para a salvação acreditar-se que o mundo tenha sido feito em seis dias, ou que a descrição das pragas do Egito, como apresentada no Livro do Êxodo, seja literalmente verdade, ou que o Sol tenha permanecido parado no céu (isto é, que a Terra tenha interrompido sua rotação) a fim de deixar Josué perseguir seus inimigos, ou que, se uma pessoa não aceitasse o credo


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de Santo Atanásio “pereceria indubitavelmente para sempre”? Tais crenças podem ser ainda repetidas em forma, mas quem as aceita no seu sentido literal e sem reservas? Sua influência nos corações e nas mentes dos homens já passou ou está rapidamente passando. O mundo religioso tem uma dívida de gratidão para com os homens da ciência que ajudaram a despedaçar tais credos e dogmas antiquados, e permitiram que a verdade surgisse sem embaraço. Mas o mundo científico tem uma dívida ainda mais pesada com os verdadeiros santos e místicos que, em meio a críticas boas e más, preservaram as verdades vitais da experiência espiritual e demonstraram a um mundo incrédulo que a vida é mais do que carne, e o invisível de maior importância do que o visível. Esses cientistas e santos eram como os cumes das montanhas, os quais recebem os primeiros raios do sol nascente e os refletem ao mundo inferior, mas agora o sol elevou-se e seus raios estão iluminando o mundo todo. Nos ensinamentos de Bahá’u’lláh, temos uma gloriosa revelação da verdade que satisfaz não somente o coração, mas também a mente, e na qual a religião e a ciência estão unidas. Busca da Verdade A completa harmonia com a ciência está evidente nos ensinamentos bahá’ís a respeito do modo pelo qual devemos buscar a verdade. O homem deve libertar-se de todo preconceito, a fim de que possa, sem empecilho, buscar a verdade. Diz ‘Abdu’l-Bahá: A fim de encontrarmos a verdade, devemos abandonar nossos preconceitos, nossas próprias pequenas noções triviais; é essencial termos mente aberta e receptiva. Se nosso cálice é cheio do eu, não há lugar nele para a água da vida. O fato de nos imaginarmos com a razão e os outros errados é o maior de todos os obstáculos no caminho para a unidade; e a unidade é necessária se desejarmos alcançar a verdade, pois esta é una... Nenhuma verdade pode contestar outra verdade. A luz é boa, seja qual for a lâmpada em que brilhe! A rosa é bela,


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA qualquer que seja o jardim em que floresça! Uma estrela tem o mesmo resplendor, quer brilhe do Leste ou do Oeste. Libertai-vos do preconceito; assim amareis o Sol da Verdade, seja qual for o ponto do horizonte em que se levante! Compreendereis que, se a Luz Divina da Verdade brilhou em Jesus Cristo, também brilhou em Muhammad e em Buda. O pesquisador fervoroso chegará a esta verdade. Isto é o que significa a “Busca da Verdade”. Quer dizer também que devemos estar dispostos a livrarnos de tudo quanto aprendemos, tudo quanto possamos embaraçar nossos passos no caminho da verdade; não devemos esquivar-nos, se necessário, de recomeçar nossa educação já terminada. Não devemos permitir que nosso amor por qualquer religião ou personalidade nos deixe cegos os olhos a ponto de nos acorrentar à superstição! Quando estivermos livres de todos esses vínculos, pesquisando com mente aberta, poderemos atingir nosso objetivo. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 133-134.

O Verdadeiro Agnosticismo Os ensinamentos bahá’ís estão em perfeito acordo com a ciência e a filosofia quando declaram ser a natureza essencial de Deus inteiramente além da compreensão humana. Tão enfaticamente como Thomas Huxley e Herbert Spencer ensinam ser incognoscível a natureza da Grande Causa Primordial, Bahá’u’lláh ensina que “Deus compreende tudo; Ele não pode ser compreendido”. Para o conhecimento da Divina Essência “o caminho está obstruído e a estrada é intransitável”, pois como pode o finito compreender o Infinito; como pode uma gota conter o oceano, ou uma partícula de pó dançando nos raios do sol abraçar o universo? Não obstante, todo o universo exprime eloqüentemente a existência de Deus. Em cada gota de água ocultam-se oceanos de significações, e em cada molécula está encerrado um universo inteiro de sentidos muito além do conhecimento do mais douto cientista. O químico e


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o físico, ao empreenderem suas pesquisas sobre a natureza da matéria, passaram das massas às moléculas, das moléculas aos átomos, dos átomos aos elétrons e éter, mas a cada passo as dificuldades da sua investigação aumentam, até o ponto além do qual o mais profundo intelecto não pode penetrar, e pode apenas curvar-se em reverente silêncio ante o Infinito desconhecido que permanece sempre velado em mistério inescrutável. Flor na fenda do muro, Eu te colho da fenda E te acolho aqui, raiz e tudo, em minha mão, Pequena flor, mas se eu pudesse compreender O que tu és, raiz e tudo, e tudo em tudo, Eu saberia o que é Deus e o que é o homem. Tennyson Se a flor na fenda do muro, se mesmo um simples átomo de matéria, apresenta mistérios que o mais profundo intelecto não pode desvendar, como é possível ao homem compreender o universo? Como ousa ele pretender definir ou descrever a Causa Infinita de todas as coisas? Todas as especulações teológicas relativas à natureza da essência de Deus são assim postas de lado como insensatas e fúteis. O Conhecimento de Deus Mas embora a Essência seja incognoscível, as manifestações da sua mercê acham-se evidentes em toda parte. Ainda que se não possa conceber a Primeira Causa, seus efeitos atraem todas as nossas faculdades. Assim como o conhecimento dos quadros de um pintor dá ao connoisseur um verdadeiro conhecimento do artista, também o conhecimento do universo em qualquer dos seus aspectos – da natureza em geral ou da natureza humana, das coisas visíveis ou das coisas invisíveis – é o conhecimento da obra de Deus, e dá àquele


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que busca a Verdade Divina um verdadeiro conhecimento da Sua Glória. Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Salmos, 19:1-2.

As Manifestações Divinas Todas as coisas manifestam a generosidade de Deus com maior ou menor clareza, assim como todos os objetos materiais expostos ao sol refletem sua luz em maior ou menor grau. Um monte de fuligem reflete um pouco, uma pedra reflete mais, um pedaço de giz mais ainda, mas em nenhum desses reflexos podemos traçar a forma e a cor do orbe glorioso. Um espelho perfeito, entretanto, reflete o sol em sua verdadeira forma e cor, de modo que ao olharmos para ele é como se olhássemos para o próprio sol. Portanto, é deste modo que as coisas nos falam de Deus. A pedra pode dizer-nos algo a respeito dos atributos divinos, a flor pode dizer-nos mais, o animal, com seus maravilhosos sentidos, instintos e faculdade de locomoção, mais ainda. No menos favorecido dos nossos semelhantes, podemos perceber faculdades admiráveis que nos falam de um maravilhoso Criador. No poeta, no santo, no gênio, encontramos uma revelação mais elevada ainda, porém os grandes Profetas e Fundadores de religiões são os espelhos perfeitos através dos quais o amor e a sabedoria de Deus são refletidos para toda a humanidade. Os espelhos dos outros homens são ofuscados pelas máculas e o pó do egoísmo e preconceito, mas Aqueles são puros e imaculados, inteiramente devotados à Vontade de Deus. Assim Eles tornam-Se os maiores educadores da humanidade. Os ensinamentos divinos e o poder do Espírito Santo que dEles emana, têm sido e ainda são a causa do progresso da humanidade, pois Deus ajuda os homens através de outros homens. Cada um cujo


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grau é mais elevado na escala da vida é o meio de ajuda aos que estão mais abaixo, e aqueles que estão mais alto que todos são os auxiliadores de toda a humanidade. É como se todos os homens estivessem ligados entre si por cordas elásticas. Se um homem erguese um pouco acima do nível geral dos seus semelhantes, as cordas retesam-se. Seus antigos companheiros tendem a puxá-lo de volta, mas com força igual ele puxa-os para cima. Quanto mais alto sobe, mais sente o peso do mundo inteiro puxando-o para baixo, e mais dependente ele está do apoio divino, que o alcança através dos poucos que lhe estão mais acima. Mais alto que todos se encontram os grandes Profetas e Salvadores, os “Manifestantes” Divinos – aqueles homens perfeitos que foram, cada um em Seu tempo, únicos e incomparáveis, e que, ajudados somente por Deus, suportaram o fardo do mundo inteiro. “O fardo de nossos pecados estava sobre Ele” era a verdade de cada um dEles. Cada um foi “o Caminho, a Verdade e a Vida” para Seus discípulos. Cada um foi o canal da Mercê Divina para cada coração que quisesse recebê-la. Cada um teve Seu papel a desempenhar no grande plano divino para a elevação da humanidade. A Criação Bahá’u’lláh ensina que, em se tratando de tempo, o universo não tem começo. É uma perpétua emanação da Grande Causa Primordial. O Criador sempre teve e sempre terá Sua criação. Mundos e sistemas podem surgir e desaparecer, mas o universo permanece. Todas as coisas que estão sujeitas à composição, no devido tempo são submetidas à decomposição, mas os elementos componentes permanecem. A criação de um mundo, de uma margarida, ou de um corpo humano, não consiste em “fazer alguma coisa do nada”, e sim, em reunir elementos que antes estavam dispersos, em tornar visível algo que antes estava oculto. Tempos depois, os elementos serão novamente dispersos, a forma desaparecerá, porém nada é realmente perdido ou aniquilado; sempre


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surgem combinações e formas novas das ruínas das antigas. Bahá’u’lláh confirma os cientistas que atribuem para a história da criação da Terra, não seis mil, mas milhões ou bilhões de anos. A teoria da evolução não nega o poder criador. Ela apenas tenta descrever o método da sua manifestação; e a história maravilhosa do universo material que o astrônomo, o geólogo, o físico e o biólogo estão gradualmente desvendando aos nossos olhos é, quando devidamente apreciada, muito mais capaz de evocar a nossa mais profunda reverência e adoração do que a crua e tosca narrativa da criação apresentada nas Escrituras Hebraicas. A antiga narrativa no Livro de Gênesis teve, entretanto, a vantagem de indicar através de poucos toques audazes de simbolismo, a essencial significação espiritual da história, do mesmo modo que um exímio pintor, através de algumas pinceladas, transmite expressões que um apenas esforçado, com a mais laboriosa atenção aos detalhes, pode falhar completamente em retratar. Se os detalhes materiais ocultam-nos a significação espiritual, deveríamos estar melhor sem eles; mas se uma vez compreendemos firmemente a significação essencial do sistema inteiro, o conhecimento dos detalhes acrescentará admiráveis riqueza e esplendor ao nosso conceito, e o transformará em um magnífico quadro em vez de um mero esboço. ‘Abdu’l-Bahá diz: É uma verdade, embora das mais obscuras, que o mundo da existência – este universo infinito, não teve começo... ... um criador sem criatura é inconcebível, como também o é um provedor sem que exista alguém beneficiado. Todos os nomes e atributos divinos implicam a existência de seres. Se pudéssemos conceber um tempo em que não existissem seres, tal conceito encerraria a negação da divindade de Deus. Além disso, a inexistência absoluta não pode tornar-se existência. Se os seres houvessem sido absolutamente inexistentes, a existência não teria vindo a se realizar. Como, pois, a Essência da Unidade, isto é, a existência de Deus, é duradoura, eterna – não tendo começo nem fim – é certo


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também que não há para esse mundo existente, esse infinito universo, nem começo nem fim... Pode acontecer, é verdade, que uma das partes do universo, um dos astros, venha a existir ou a decompor-se, mas ainda existiram outros astros sem conta... Como todo astro teve seu começo, terá forçosamente seu fim, desde que toda a composição – seja coletiva, ou individual – há de se desfazer. A única diferença é que algumas se decompõem rapidamente, e outras com lentidão, mas é impossível que um ser composto não venha a decompor-se. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 155-156.

A Evolução do Homem Bahá’u’lláh confirma também o biólogo que encontra para o corpo do homem uma história que remonta a milhões de anos do desenvolvimento da espécie. Partindo de uma forma muito simples, aparentemente insignificante, o corpo humano é descrito como tendo se desenvolvido etapa por etapa no decorrer de gerações incontáveis, tornando-se cada vez mais complexo e melhor organizado, até chegar ao homem atual. Cada corpo humano desenvolve-se individualmente através de uma tal série de etapas, a partir de uma pequenina partícula esférica de substância gelatinosa até o homem completamente desenvolvido. Se isso é verdadeiro no caso do indivíduo, como ninguém nega, por que deveríamos considerar depreciativo à dignidade do homem admitir-se um desenvolvimento similar no caso da espécie? Isto é uma coisa muito diferente do que afirmar-se que o homem é descendente do macaco. O embrião humano pode em certa fase assemelhar-se a um peixe, com guelras e cauda, porém não é um peixe. É um embrião humano. Assim pode a espécie* humana, vista por olhos exteriores, ter-se assemelhado, nas diversas fases do seu longo desenvolvimento, a várias espécies de animais inferiores, mas era, não obstante, espécie humana, possuindo o misterioso poder latente de desenvolver-se no homem como hoje o conhecemos e, mais que isso, de desenvolverse no futuro, esperamos, em algo ainda muitíssimo mais elevado. *A palavra “espécie” é usada aqui para explicar a distinção que existe desde sempre entre o homem e o animal, a despeito de aparências exteriores. Não deve ser lida com seu corrente significado biológico especializado.


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‘Abdu’l-Bahá diz: Este globo terrestre – é claro – não apareceu logo de uma vez em sua forma atual, mas sim, gradativamente, esta existência universal veio atravessando fases diversas até atingir sua presente perfeição... ...o homem no começo de sua existência, nas entranhas da terra, semelhante ao embrião no ventre materno, cresceu e desenvolveu-se gradativamente, passando de uma a outra forma e condição, até atingir seu presente estado de perfeição, formosura, força e poder. É certo que não possuía desde o princípio esse encanto, essa graça e essa excelência, mas só aos poucos adquiriu sua forma atual tão bela e graciosa. Do mesmo modo, o homem na terra atravessou muitos graus em sua caminhada desde o princípio até seu estado atual, sua forma e suas condições presentes, e isso levou necessariamente muito tempo. O homem é, entretanto, desde o começo de sua existência, espécie distinta... E ainda que se admita existirem realmente vestígios de órgãos já desaparecidos, isso não constitui prova da inconstância da espécie; não prova que ela não seja original. Indica, quando muito, que a forma, a aparência e os órgãos do homem têm progredido. O homem foi sempre espécie distinta – homem, e não animal. Respostas a Algumas Perguntas, pp. 157-159.

Sobre a história de Adão e Eva, Ele diz: Esta história, tomada em seu sentido aparente, segundo a interpretação das massas, é de fato extraordinária. A inteligência não pode aceitá-la, afirmá-la ou imaginá-la, pois tais arranjos, detalhes, discursos e repreensões estão longe de ser de um homem inteligente, e muito menos da Divindade – daquela Divindade que organizou este infinito universo do modo mais perfeito, e seus inumeráveis habitantes como ordem, poder e perfeição absolutas.


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Devemos considerar, pois, esta história de Adão e Eva, que comeram da árvore e foram expulsos do Paraíso, como simplesmente simbólica, e perceber que encerra mistérios divinos e significados universais e permite explicações maravilhosas. Respostas a Algumas Perguntas, p. 112.

Corpo e Alma Com referência ao corpo e à alma, e à vida após a morte, os ensinamentos bahá’ís estão em completa harmonia com os resultados das pesquisas psíquicas. Como vimos, eles dizem que a morte é apenas um novo nascimento – a libertação da prisão do corpo para uma vida mais ampla, e que o progresso pós-vida é ilimitado. Uma grande quantidade de evidência científica tem sido gradativamente acumulada, a qual, na opinião de investigadores imparciais e altamente críticos, é amplamente suficiente para estabelecer, além de qualquer questão, o fato de uma vida após a morte – da continuação da vida e atividade da “alma” consciente após a decomposição do corpo material. Como diz F.W.H. Myers em sua obra Human Personality, que sumariza muitas das investigações da Psychical Research Society: A observação, a experiência, a dedução, têm levado muitos pesquisadores como eu a uma crença na intercomunicação direta ou telepática, não apenas entre as mentes de homens ainda na terra, mas também entre as mentes ou espíritos ainda na terra e os espíritos que partiram. Tal descoberta abre também a porta para a revelação.... Temos mostrado que, em meio a muita decepção e autodecepção, fraude e ilusão, vêm-nos de além-túmulo manifestações verdadeiras.... Por descoberta e por revelação, certas teses que temos conseguido encontrar, têm sido provisoriamente estabelecidas a respeito dessas almas que partiram. Acima de tudo, eu pelo


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA menos, percebo que seu estado é aquele de infinita evolução em sabedoria e amor. Seu amor às pessoas na terra persiste e, principalmente, aquele amor mais elevado, que se exprime em adoração e devoção.... O mal lhes parece menos uma coisa terrível do que escravizadora. Não é incorporado em nenhum poderoso potentado; antes, forma uma loucura alienadora, da qual os espíritos mais elevados esforçam-se para livrar a alma desviada. Não se necessita do castigo de fogo; autoconhecimento é a punição do homem e a sua recompensa; autoconhecimento e a proximidade ou o afastamento de almas amigas. Pois naquele mundo o amor é realmente autopreservação; a Comunhão dos Santos não somente adorna como constitui a Vida Eterna. Ainda mais, das leis da telepatia se deduz que essa comunhão nos é válida aqui e agora. Agora mesmo o amor das almas que partiram responde às nossas invocações. Agora mesmo nossa lembrança amorosa – o amor é em si próprio uma oração – apóia e fortalece aqueles espíritos libertados no seu caminho para o alto.

O grau de acordo entre essa opinião, baseada em cuidadosas pesquisas científicas, e os ensinamentos bahá’ís, é realmente notável. A Unidade do Gênero Humano “Vós todos sois os frutos de uma só árvore, as folhas de um mesmo ramo, as flores de um só jardim”. Essa é uma das asserções mais características de Bahá’u’lláh, e há outra semelhante: “A glória não pertence àquele que ama sua pátria, mas àquele que ama sua espécie.” Unidade – a unidade da humanidade e de todas as criaturas em Deus – é o tema principal do Seu ensinamento. Também aqui é evidente a harmonia entre a verdadeira religião e a ciência. Cada progresso da ciência tem tornado mais claramente evidente a unidade do universo e a interdependência de suas partes. O âmbito do astrônomo é inseparavelmente ligado ao do físico, e o do físico ao do químico, do químico ao do biólogo, do biólogo ao do psicólogo,


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e assim por diante. Toda nova descoberta num campo de pesquisa lança nova luz sobre outros campos. Assim como a ciência física demonstrou que cada partícula de matéria no universo, por mais minúscula ou remota que seja, atrai e influencia todas outras partículas, do mesmo modo a ciência psíquica está descobrindo que cada alma no universo afeta e influencia todas outras almas. O príncipe Kropotkin, no seu livro sobre Mutual Aid (Auxílio Mútuo), mostra muito claramente que, até entre os animais inferiores o auxílio mútuo é absolutamente necessário à continuação da vida, enquanto que, no caso do homem, o progresso da civilização depende da crescente substituição da inimizade mútua pelo auxílio mútuo. “Um por todos e todos por um” é o princípio único sobre o qual uma comunidade pode prosperar. A Era da Unidade Todos os sinais dos tempos indicam que nós estamos no alvorecer de uma nova era na história do gênero humano. Até agora a jovem águia da humanidade tem-se apegado ao ninho antigo, na sólida rocha do egoísmo e materialismo. Seus esforços em usar suas asas têm sido tímidos e tentativos. Ela tem sentido irrequietos anseios por algo ainda não alcançado. Cada vez mais irrita-se sob o confinamento dos antigos dogmas e ortodoxias. Mas agora a era do confinamento está no fim, e ela pode alçar vôo com as asas de fé e razão para os reinos mais elevados do amor e verdade espirituais. Não mais estará presa à terra como antes do desenvolvimento das suas asas, e sim elevará seu vôo à vontade pelas regiões de vasta perspectiva e gloriosa liberdade. Uma coisa, entretanto, é necessária, se é para que seu vôo seja certo e firme. Suas asas não só devem ser fortes, como também devem agir em perfeita harmonia e coordenação. Como diz ‘Abdu’l-Bahá: Não é possível voar com uma asa apenas! Se um homem tentasse voar unicamente com a asa da religião, cairia


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA imediatamente no pântano da superstição, enquanto, por outro lado, somente com a asa da ciência, também nenhum progresso faria, antes se afundaria no lodaçal desesperador do materialismo. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 141.

Perfeita harmonia entre a religião e a ciência é o sine qua non de uma vida mais elevada para a humanidade. Quando isso for atingido, e a toda criança for ensinado não somente as ciências e a arte, mas também o amor a toda a humanidade e a aquiescência radiante à Vontade de Deus, conforme revelada no progresso da evolução e nos ensinamentos dos Profetas, então, e não antes, virá o Reino de Deus e será feita Sua Vontade, assim na terra como no Céu; então, e não antes, a Suprema Paz derramará suas bênçãos sobre o mundo. Quando a religião, despojada de suas superstições, tradições e dogmas ininteligíveis, demonstrar sua conformidade com a ciência, então haverá no mundo grande força purificadora e unificadora que varrerá todas as guerras, desacordos, discórdias, porfias – e então a humanidade será unida no poder do Amor de Deus. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, p. 143.


Capítulo 13

PROFECIAS CUMPRIDAS PELA FÉ BAHÁ’Í Quanto à Manifestação do Nome Supremo (Bahá’u’lláh): é Aquele que Deus prometeu em todos os Seus Livros e Escrituras, tais como a Bíblia, os Evangelhos e o Alcorão. ‘Abdu’l-Bahá

Interpretação da Profecia A interpretação da profecia é notoriamente difícil, e sobre nenhum outro assunto são mais divergentes as opiniões dos eruditos. Isso não é de se admirar, pois de acordo com as próprias escrituras reveladas, muitas das profecias eram feitas de tal maneira que não podiam ser inteiramente compreendidas antes da sua realização e, mesmo então, somente pelas pessoas que eram puras de coração e livres de preconceito. Assim, no final das visões de Daniel, foi dito ao profeta: E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo: muitos correrão de uma parte para outra, e o ciência se multiplicará.... Eu pois ouvi, mas não entendi; por isso eu disse: “Senhor meu, qual será o fim destas cousas?” E ele disse: “Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim.” Daniel, 12:4-9.

Se Deus lacrou as profecias até o tempo marcado e não revelou plenamente a interpretação nem mesmo aos profetas que as


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pronunciaram, podemos estar certos de que ninguém, a não ser o designado Mensageiro de Deus, será capaz de quebrar o selo e desvendar as significações ocultas no cofre das parábolas proféticas. A reflexão sobre a história das profecias e suas interpretações errôneas em eras e dispensações anteriores, juntamente com as solenes admoestações dos próprios profetas, deve nos tornar muito cautelosos em aceitar as especulações dos teólogos quanto à verdadeira significação destas declarações e à maneira de sua realização. Por outro lado, quando aparece alguém que afirma cumprir as profecias é importante que examinemos sua reivindicação com mentes abertas e livres de preconceitos. Caso seja um impostor, cedo se descobrirá a fraude e nenhum mal será causado, mas ai daqueles que negligentemente rejeitarem o Mensageiro de Deus pelo fato de Ele vir numa forma ou num tempo inesperado. A vida e as palavras de Bahá’u’lláh atestam que Ele é o Prometido de todos os Livros Sagrados, Aquele que tem o poder de quebrar os selos das profecias e despejar o “vinho seleto e lacrado” dos mistérios divinos. Apressemo-nos, pois, em ouvir Suas explicações e reexaminar, à luz destas, as palavras familiares, mas freqüentemente misteriosas proferidas pelos profetas da antiguidade. A Vinda do Senhor A “Vinda do Senhor” nos “últimos dias” é o “remoto acontecimento divino” que todos os Profetas aguardam, sobre o qual Seus mais gloriosos cantos foram entoados. Ora, que significa a “Vinda do Senhor”? Certamente que Deus está sempre com Suas criaturas, em tudo, através de tudo, e sobre tudo; “Ele está mais próximo que nossa respiração, mais próximo que nossas mãos e pés”. Sim, mas os homens não podem ver ou ouvir a Deus imanente e transcendente, não podem perceber a Sua Presença, enquanto Ele não Se revela através de uma forma visível e não lhes fala em linguagem humana. Para a revelação dos Seus atributos mais elevados, Deus sempre fez uso de um instrumento humano. Cada um dos Profetas


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foi um mediador através do qual Deus visitou e falou ao Seu povo. Jesus foi um desses mediadores, e os cristãos consideraram acertadamente Seu aparecimento como a vinda de Deus. Viam nEle a face de Deus, e através de Seus lábios ouviam a Voz de Deus. Bahá’u’lláh diz-nos que a “Vinda” do Senhor dos Exércitos, do Pai Eterno, Criador e Redentor do mundo, a qual, segundo todos os Profetas, é para ter lugar no “tempo do fim”, não quer dizer outra coisa senão Sua manifestação num templo humano, assim como Ele manifestou-Se através do templo de Jesus de Nazaré, mas desta vez com uma Revelação mais ampla e mais gloriosa, para a qual Jesus e todos os Profetas anteriores vieram preparar os corações e as mentes dos homens. Profecias Referentes a Cristo Por falharem em entender o significado das profecias sobre o domínio do Messias, os judeus rejeitaram Cristo. ‘Abdu’l-Bahá diz: Os judeus ainda esperam a vinda do Messias e oram a Deus, dia e noite, para apressar Seu advento. Quando Cristo veio, eles O denunciaram e mataram, dizendo: Este não é Aquele a quem nós esperamos. Observai! Quando o Messias vier, sinais e prodígios testificarão que em verdade, Ele é o Cristo. Conhecemos os sinais e as condições, e eles não apareceram. O Messias procederá de uma cidade desconhecida. Sentarse-á no trono de Davi, e vede, Ele virá com uma espada de aço, e com um cetro de ferro Ele reinará! Cumprirá a lei dos Profetas, conquistará o Leste e o Oeste e glorificará o Seu povo eleito, os judeus. Estabelecerá um reinado de paz, durante o qual até os animais deixarão de ser inimigos do homem. Vede! Pois o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte... e todas as criaturas de Deus repousarão... Assim os judeus pensavam e falavam, pois não entendiam as Escrituras nem as gloriosas verdades nelas contidas. A letra eles sabiam de cor, mas do espírito vivificante nada compreenderam.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Escutai, e eu vos explicarei o significado disso. Embora tivesse vindo de Nazaré, que era um lugar conhecido, Ele veio também do Céu. Seu corpo nasceu de Maria, mas Seu Espírito veio do Céu. A espada que ele carregava era a espada da Sua língua, com a qual separou o bom do mau, o verdadeiro do falso, o fiel do infiel e a luz da treva. Sua Palavra era realmente uma espada afiada! O trono no qual Cristo se sentou é o Trono Eterno de onde Ele reina para sempre, um trono celestial, não terreno, pois as coisas da terra passam, mas as coisas celestiais não passam. Ele reinterpretou e completou a Lei de Moisés e cumpriu a Lei dos Profetas. Sua palavra conquistou o Leste e o Oeste. Seu Reino é eterno. Ele exaltou aqueles judeus que O reconheceram. Eram homens e mulheres de nascimento humilde, mas o contato com Ele os fez grandes e deu-lhes dignidade perpétua. Os animais que haviam de viver reunidos significavam as diferentes seitas e raças que, outrora em estado de guerra, agora conviveriam em amor e caridade, bebendo conjuntamente a água da vida da Fonte Eterna – Cristo. Palestras de ‘Abdu’l-Bahá, Paris – 1911, pp. 43-44.

A maioria dos cristãos aceita estas interpretações das profecias messiânicas como aplicáveis a Cristo; mas a respeito das profecias semelhantes sobre o Messias dos últimos dias, muitos deles adotam a mesma atitude dos judeus, esperando uma demonstração milagrosa no plano material que cumpra literalmente as profecias. Profecias sobre o Báb e Bahá’u’lláh De acordo com as interpretações bahá’ís, as profecias que falam do “tempo do fim”, dos “últimos dias”, da vinda do “Senhor dos Exércitos”, do “Pai Eterno”, referem-se especialmente, não ao advento de Cristo, mas ao de Bahá’u’lláh. Tomemos, por exemplo, a bem conhecida profecia em Isaías:


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O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.... Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara que lhe feria os ombros, e o cetro do seu opressor como no dia dos midianitas. Porque toda a armadura daqueles que pelejavam com ruído, e os vestidos que rolavam no sangue serão queimados, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz. Do incremente deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. Isaías, 9:2-7.

Esta é uma das profecias consideradas muitas vezes como referentes a Cristo, e grande parte dela pode com razão ser assim aplicada, mas um pequeno exame mostrará quão mais apta e plenamente ela aplica-se a Bahá’u’lláh. Cristo, de fato, tem sido uma fonte de luz e um Salvador, mas por quase dois mil anos desde Seu advento, a grande maioria dos homens tem continuado a caminhar nas trevas, e os filhos de Israel e muitos outros filhos de Deus continuam a gemer sob a vara do opressor. Por outro lado, durante as primeiras poucas décadas da Era Bahá’í a luz da verdade tem iluminado Oriente e Ocidente, o evangelho da Paternidade de Deus e da fraternidade do homem foi levado a todos os países do mundo, as grandes autocracias militares foram derrubadas, e surgiu uma consciência de unidade mundial que traz esperança de um alívio final a todas as nacionalidades espezinhadas e oprimidas do mundo. A grande guerra que de 1914 a 1918 convulsionou o mundo com seu uso sem precedentes de armas de fogo, bombas incendiárias e combustível para motores, foi, de fato, com “incêndio e pasto de fogo”*. Em Seus Escritos, Bahá’u’lláh, tratando extensamente das *A Segunda Guerra Mundial demonstrou melhor ainda o cumprimento desta profecia, culminando no uso da bomba atômica.


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questões de governo e administração, e mostrando a melhor maneira de resolvê-las, tomou “o governo sobre os Seus ombros” de um modo que Cristo nunca o fez. A respeito dos títulos “Pai Eterno”, “Príncipe da Paz”, Bahá’u’lláh repetidas vezes refere-Se a Si próprio como a manifestação do Pai, de Quem Cristo e Isaías falaram, enquanto que Cristo sempre Se referia a Si próprio como o Filho; e Bahá’u’lláh declara que Sua missão é estabelecer paz na terra, ao passo que Cristo disse: “Não vim para trazer paz, mas a espada” e, em verdade, durante toda a Era Cristã abundaram guerras e lutas sectárias. A Glória de Deus O título “Bahá’u’lláh” é do árabe e significa “Glória de Deus”, e este mesmo título é freqüentemente aplicado pelos profetas hebreus ao Prometido que haveria de aparecer nos últimos dias. Assim, no quadragésimo capítulo de Isaías, lemos: Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua malícia é acabada, que a sua iniqüidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor: endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro serão abatidos: e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que isto disse. Isaías, 40:1-5.

Assim como a profecia anterior, esta também cumpriu-se parcialmente com o advento de Cristo e de Seu precursor, João Batista; mas só em parte, pois nos dias de Cristo ainda não estavam terminadas as guerras de Jerusalém; muitos séculos de amarga provação e humilhação estavam ainda reservadas para ela. Com o advento do Báb e de Bahá’u’lláh, entretanto, inicia-se seu mais pleno


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cumprimento, pois melhores dias já alvoreceram para Jerusalém, e suas expectativas de um futuro pacífico e glorioso parecem estar agora razoavelmente asseguradas. Outras profecias falam do Redentor de Israel, da Glória do Senhor, vindo para a Terra Santa, do Oriente, do nascer do sol. Bahá’u’lláh apareceu na Pérsia, que está a leste da Palestina, do lado do sol nascente, e Ele veio para a Terra Santa, onde passou os últimos vinte e quatro anos de Sua vida. Tivesse Ele vindo ali como um homem livre, o povo poderia ter dito que se tratava de truque de um impostor, para que houvesse conformidade com as profecias; Ele veio, porém, como um exilado e prisioneiro. Ele foi mandado para lá por ordem do xá da Pérsia e do sultão da Turquia, os quais dificilmente podem ser suspeitos de qualquer intento de fornecer argumentos em favor da afirmação de Bahá’u’lláh, de ser a “Glória de Deus”, cuja vinda os Profetas predisseram. O Ramo Nas profecias de Isaías, Jeremias, Ezequiel e Zacarias há várias referências a um homem chamado o Ramo. Estas, muitas vezes têm sido tomadas pelos cristãos como aplicáveis a Cristo, mas são consideradas pelos bahá’ís como referentes especificamente a Bahá’u’lláh. A mais longa profecia bíblica sobre o Ramo está no décimo primeiro capítulo de Isaías: Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e do temor ao Senhor.... E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a verdade o cinto de seus rins. E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o filho de leão e a nédia ovelha viverão juntos, e um menino pequeno os guiará.... Não se fará mal nem dano algum em


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar... Porque há de acontecer naquele dia que o Senhor tornará a estender a sua mão para adquirir outra vez os resíduos do seu povo, que restarem da Assíria, e do Egito, e de Patros, e da Etiópia, e de Elão, e de Sinar, e de Hamate, e das ilhas do mar. E levantará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra. Isaías, 11:1-12.

‘Abdu’l-Bahá assim comenta esta e outras profecias sobre o Ramo: Um dos grandes acontecimentos a se realizarem no dia da manifestação desse Ramo incomparável é a elevação do Estandarte de Deus entre todas as nações; isto é, todas as nações e raças entrarão na sombra dessa Bandeira Divina, que não é outra senão o próprio Ramo Senhoril, e haverão de se tornar um só povo. O antagonismo entre seitas e religiões, a hostilidade racial e as diferenças nacionais desaparecerão. Todos unir-se-ão em uma só fé, uma só raça e um mesmo povo, habitando na mesma terra natal, no globo terrestre. A paz e concórdia universais serão realizadas entre todas as nações, e esse Ramo Incomparável reunirá todo Israel; isto é, neste ciclo Israel regressará para a Terra Santa; o povo judaico espalhado por Leste e Oeste, Norte e Sul, se reunirá. Agora vejamos: isso não ocorreu no ciclo cristão, pois as nações não se reuniram sob um só Estandarte, o Ramo Divino. Neste ciclo do Senhor dos Exércitos, porém, todas as nações e raças entrarão na sombra desta Bandeira. Semelhantemente, Israel, espalhado pelo mundo inteiro, não se uniu na Terra Santa no ciclo cristão; mas no princípio do ciclo de Bahá’u’lláh, esta promessa divina, assim como se acha claramente exposta em todos os Livros dos Profetas, já começou a se manifestar.


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Podemos ver como judeus estão vindo de todas as partes do mundo para a Terra Santa; moram em vilas e adquirem terras, e dia a dia seu número aumentará até que toda a Palestina se torne seu lar. Respostas a Algumas Perguntas, p. 71.

O Dia de Deus A palavra “Dia”, em tais frases como “Dia de Deus” e “Último Dia”, é interpretada como significando “Dispensação”. Cada um dos grandes Fundadores de religião tem Seu “Dia”. Cada um é como um sol. Seus ensinamentos têm seu alvorecer, gradativamente sua verdade ilumina mais e mais as mentes e os corações dos homens, até atingir o zênite da sua influência. Então, pouco a pouco, tornamse obscurecidos, mal interpretados e corrompidos, e as trevas encobrem a terra, até erguer-se o sol de um novo dia. O dia do Supremo Manifestante de Deus é o Último Dia, por ser um dia que não terá fim, e não será seguido pela noite. Seu sol jamais declinará, e sim, iluminará as almas dos homens não só neste mundo, como também no vindouro. Na realidade nenhum dos sóis espirituais jamais se põe. Os sóis de Moisés, de Cristo, de Muhammad e de todos os outros Profetas estão ainda brilhando no céu sem diminuição de seu esplendor. Mas nuvens procedentes da terra esconderam dos homens sua radiância. O Supremo Sol de Bahá’u’lláh dispersará por fim essas nuvens escuras, de modo que os povos de todas as religiões regozijar-se-ão à luz de todos os Profetas e, em harmonia, adorarão o Deus único, cuja luz todos os Profetas têm refletido. O Dia do Juízo Cristo falou muito em parábolas sobre o grande Dia do Juízo, porque “o Filho do homem virá na glória de Seu Pai... e... dará a cada um segundo as suas obras”. (Mateus, 16:27) Ele compara este Dia ao tempo da colheita, quando o joio é queimado e o trigo é ajuntado em celeiros:


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA ...assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançálos-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Mateus, 13:40-43.

A frase “fim do mundo” usada na versão autorizada da Bíblia nesta passagem e em outras semelhantes, tem levado muitos a supor que, ao chegar o Dia do Juízo, a terra será repentinamente destruída, mas isto é um erro evidente. A verdadeira tradução da frase parece ser “a consumação ou fim da era”. Cristo ensina que o Reino do Pai será estabelecido na terra, bem como no céu. Ele nos ensina a orar: “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua Vontade, assim na terra como no céu.” Na parábola da Vinha, quando o Pai, o Senhor da Vinha, vem destruir os maus vinhateiros, Ele não destrói a vinha (o mundo) também, mas deixa-a para outros vinhateiros que Lhe entregarão os frutos na estação própria. A terra não será destruída, e sim, renovada e regenerada. Cristo fala desse dia, noutra ocasião, como “a regeneração, quando o Filho do homem sentar-se-á no trono de sua glória”. São Pedro fala dele como “o tempo da renovação”, “o tempo da restituição de todas as coisas, do qual Deus falou pela boca de todos os Seus Santos Profetas desde o começo do mundo”. O Dia do Juízo do qual Cristo fala é evidentemente o mesmo da vinda do Senhor dos Exércitos, o Pai, que foi profetizado por Isaías e pelos outros profetas do Velho Testamento; um tempo de terrível punição para os maus, mas um tempo em que a justiça será estabelecida e o direito reinará, assim na terra como no céu. Segundo a interpretação bahá’í, a vinda de cada Manifestante de Deus é um Dia de Juízo, mas a vinda do Manifestante Supremo, Bahá’u’lláh, é o grande Dia do Juízo para o ciclo mundial em que vivemos. O toque da trombeta de que falam Cristo, Muhammad, e muitos outros profetas, é o chamado do Manifestante, que ressoa


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para todos que estão no céu e na terra – encarnados e desencarnados. A reunião com Deus, através do Seu Manifestante, é, para aqueles que desejam encontrá-Lo, o portal do Paraíso do conhecimento e adoração a Ele, e do viver em amor a todas as Suas criaturas. Por outro lado, aqueles que preferem seu próprio caminho ao caminho de Deus, como revelado pelo Manifestante, condenam-se assim ao inferno do egoísmo, erro e inimizade. A Grande Ressurreição O Dia do Juízo é também o Dia da Ressurreição, do despertar da morte. São Paulo, em sua Primeira Epístola aos Coríntios, diz: Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade. I Coríntios, 15:51-53.

Quanto ao significado destas passagens relativas à ressurreição, Bahá’u’lláh escreve no Kitáb-i-Íqán: Pelos termos “vida” e “morte” mencionados nas Escrituras, entende-se a vida de fé e a morte que é a descrença. O povo em geral, não podendo compreender o sentido destas palavras, rejeitou e desprezou a pessoa do Manifestante, privando-se da luz de Sua orientação divina e recusando seguir o exemplo daquela Beleza imortal... ...Assim como disse Jesus: “Necessário vos é nascer de novo” [João 3:7] E ainda: Na verdade, na verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA do Espírito é espírito [João 3:5-6] O intuito destas palavras é que, em cada era, quem nasce do Espírito e se vivifica pelo alento do Manifestante da Santidade, é, em verdade, dos que atingiram a “vida” e a “ressurreição”, e entraram no “paraíso” do amor de Deus. E quem quer que não seja desses, é condenado à “morte” e “privação”, ao “fogo” da descrença e à “ira” de Deus... Em cada era e século, os Profetas de Deus e Seus eleitos não tiveram outro objetivo senão o de afirmar o sentido espiritual dos termos “vida”, “ressurreição” e “juízo”... Fosse tu atingir uma simples gota de orvalho das águas cristalinas do conhecimento divino, haverias de compreender, prontamente, que a vida verdadeira não é a vida da carne, mas sim, a do espírito. Pois a vida da carne é comum aos homens e animais, enquanto que a do espírito é possuída somente pelos puros de coração, por aqueles que sorveram do oceano da fé e participaram do fruto da certeza. Essa vida não conhece morte alguma; essa existência é coroada pela imortalidade. Assim mesmo como se disse: “Quem é um crente verdadeiro, vive em ambos os mundos, neste e no vindouro.” Se por “vida” se entende a vida terrena, evidentemente, a morte há de alcançá-la. O Kitáb-i-Íqán, pp. 73-77.

Segundo os ensinamentos bahá’ís, a ressurreição nada tem a ver com o grosseiro corpo físico. Este corpo, uma vez morto, está acabado. Ele decompõe-se e seus átomos jamais serão recompostos no mesmo corpo. A ressurreição é o nascimento do indivíduo para a vida espiritual através da dádiva do Espírito Santo concedida através do Manifestante de Deus. O túmulo do qual ele surge é o túmulo da ignorância e negligência a Deus. O sono de que acorda é a condição de dormência espiritual em que muitos esperam o alvorecer do Dia de Deus. Este alvorecer ilumina a todos que têm vivido sobre a face da terra, estejam eles em seus corpos ou fora deles, mas aqueles espiritualmente cegos não podem percebê-lo. O Dia da Ressurreição


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não é um dia de vinte e quatro horas, mas uma era que começou agora e perdurará enquanto durar o presente ciclo mundial. Persistirá ainda quando todos os traços da civilização atual tiverem sido apagados da superfície do globo. A Volta de Cristo Em muitas de Suas conversações, Cristo refere-Se ao futuro Manifestante de Deus na terceira pessoa, mas em outras é utilizada a primeira pessoa. Ele diz: “Vou preparar-vos lugar. E, se eu for, e vos preparar um lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo.” (João, 14:2-3) No primeiro capítulo de Atos, lemos que foi dito aos discípulos no momento da ascensão de Jesus: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” Por causa destes e outros dizeres semelhantes, muitos cristãos esperam que, quando o Filho do Homem vier “nas nuvens do céu e com grande glória”, verão na forma física o mesmo Jesus que andava nas ruas de Jerusalém há dois mil anos, e verteu sangue e padeceu na cruz. Esperam poder pôr seus dedos nos sinais dos pregos em Suas mãos e Seus pés, e tocar com suas mãos a ferida de lança em Suas costelas. Mas, certamente, uma pequena reflexão sobre as próprias palavras de Cristo dissiparia tal idéia. Os judeus do tempo de Cristo tinham as mesmas idéias sobre a volta de Elias, mas Jesus explicou seu erro, mostrando-lhes que a profecia de que “Elias deve vir primeiro” foi cumprida não pelo regresso da pessoa e do corpo do antigo Elias, e sim na pessoa de João Batista, que veio “no espírito e poder de Elias”. “E se vós quereis compreender”, disse Cristo, “este é o Elias que estava por vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça”. A “volta” de Elias, portanto, significou o aparecimento de outra pessoa, nascido de outros pais, mas inspirado por Deus com o mesmo espírito e poder. Estas palavras de Jesus podem certamente ser tomadas como significando que a volta de Cristo, de igual modo, será realizada pelo aparecimento de outra pessoa, nascida de outra mãe, mas que manifeste o Espírito e o Poder de Deus, como o fez


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Cristo. A “nova vinda” de Cristo, explica Bahá’u’lláh, foi cumprida no advento do Báb e em Sua própria vinda. Ele diz: Considerai o sol. Se dissesse agora, “Sou o sol de ontem”, diria a verdade. E se, levando em conta a seqüência do tempo, pretendesse ser outro sol, estaria ainda dizendo a verdade. De modo semelhante, se dissermos que todos os dias são o mesmo, isso será certo e verdadeiro; e se, referindo-nos a seus nomes e designações especiais, dissermos que diferem, isso também será verdade. Pois embora sejam iguais, se reconhece em cada um, no entanto, uma designação separada, um atributo específico, um caráter particular. Deves conceber, semelhantemente, a distinção, a diversidade e, ao mesmo tempo, a unidade, que caracterizam os vários Manifestantes da Santidade, para que possas compreender as alusões que o Criador de todos os nomes e atributos faz aos mistérios da distinção e da unidade, e descobrir a resposta à tua pergunta sobre a razão por que a Beleza Eterna, em várias épocas, tem sido chamada por nomes e títulos diferentes. O Kitáb-i-Íqán, pp. 17-18.

Diz ‘Abdu’l-Bahá: Sabe tu, que a volta de Cristo não significa o que o povo acredita, e sim refere-se ao Prometido a vir depois dEle. Ele virá com o Reino de Deus e o Seu Poder que circundou o mundo. Esse domínio está no mundo dos corações e espíritos, e não naquele da matéria; pois o mundo material não é comparável, à vista de Deus, nem a uma simples asa de uma mosca, fosses tu daqueles que sabem! Em verdade, Cristo veio com Seu Reino desde o começo que não tem começo, e virá com Seu Reino até a eternidade das eternidades, visto que “Cristo”, nesse sentido, é uma expressão da Realidade Divina, da simples Essência e Entidade celestial, que não tem começo nem fim. Tem aparecimento, ascensão, manifestação e declínio, em cada um dos ciclos. Tablets of Abdul-Baha, vol. I, p. 138.


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O Tempo do Fim Cristo e Seus apóstolos mencionaram muitos sinais que distinguiriam o tempo da “Volta” do Filho do Homem na glória do Pai. Cristo disse: Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.... Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.... Porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem. Lucas, 21:20-24.

Disse Ele também: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: “Eu sou o Cristo;” e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores. Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matarvos-ão; e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim, será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim. Mateus, 24:4-14.


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Nestas duas passagens Cristo predisse em termos claros, sem véu ou disfarce, as coisas que devem vir a realizar-se antes da vinda do Filho do Homem. Durante os séculos decorridos desde que Cristo falou, tem-se cumprido cada um desses sinais. Na última parte de cada passagem Ele menciona um acontecimento que marcará o tempo da vinda – numa, o término do exílio judeu e a restauração de Jerusalém, e na outra, a pregação do Evangelho em todo o mundo. É espantoso verificar que ambos estes sinais estão sendo literalmente cumpridos em nossos tempos. Se essas partes da profecia são tão verdadeiras como as demais, segue-se que devemos estar vivendo agora no “tempo do fim” de que falou Cristo. Muhammad também menciona certos sinais que persistirão até o Dia da Ressurreição. Lemos no Alcorão: Quando Alláh disse: “Ó Jesus! Verdadeiramente, Eu farei com que morras e te eleves a Mim, e livrar-te-ei das acusações dos que descrêem, e colocarei aqueles que te seguem [isto é, cristãos] acima daqueles que não crêem [judeus e outros], até o Dia da Ressurreição; então para Mim voltarás; assim Eu decidirei entre vós sobre aquilo em que divergistes.” Sura, 3:54.

“A Mão de Deus”, dizem os judeus, “está acorrentada”. As suas próprias mãos serão acorrentadas – e eles serão amaldiçoados por aquilo que disseram. Pelo contrário! Ambas as Suas Mãos estão estendidas! À Sua própria vontade concede Ele dádivas. O que te foi enviado pelo teu Senhor certamente aumentará a rebelião e a descrença de muitos deles; e Nós pusemos entre eles inimizade e ódio que durarão até o Dia da Ressurreição. Quantas vezes acenderem a tocha do fogo da guerra, tantas vezes Deus a apagará. Sura, 5:69.

E temos aceito o Convênio dos que dizem, “Nós somos cristãos”. Mas eles também se esqueceram de uma parte do


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que lhes foi ensinado; por essa razão Nós provocamos entre eles inimizade e ódio que durarão até o Dia da Ressurreição; e, no fim Deus lhes falará das suas ações. Sura, 5:17.

Estas palavras também foram literalmente cumpridas, na sujeição dos povos judeus aos povos cristãos (e muçulmanos), e no sectarismo e luta que têm criado divisões não só entre judeus, mas também entre cristãos, durante todos os séculos desde que Muhammad falou. Somente após o início da Era Bahá’í (o Dia da Ressurreição) foi que apareceram sinais da aproximação do fim dessas condições. Sinais no Céu e na Terra Nas Escrituras hebraicas, cristãs, muçulmanas, e muitas outras, há uma semelhança notável na descrição dos sinais que devem acompanhar a vinda do Prometido. No Livro de Joel, lemos: E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor... Porquanto, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém. Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Josafá; e ali com elas entrarei em juízo.... Multidões, multidões no vale da decisão! porque o dia do Senhor está perto, no vale da decisão. O sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o Senhor bramará de Sião, e dará a Sua voz de Jerusalém, e os céus e a terra tremerão; mas o Senhor será o refúgio do seu povo. Joel, 2:30-31; 3:1-2, 14-16.

Cristo diz:


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. Mateus, 24:29-30.

Lemos no Alcorão: Quando o sol estiver encoberto, E quando as estrelas caírem, E quando se arrasarem as montanhas... E quando as folhas do Livro forem desenroladas, E quando o céu estiver descoberto, E quando se fizer que o inferno arda. Sura, 81.

No Kitáb-i-Íqán, Bahá’u’lláh explica que essas profecias relativas ao sol, à lua e às estrelas, aos céus e à terra, são simbólicas e não devem ser meramente interpretadas no sentido literal. Os Profetas estavam interessados principalmente em coisas espirituais e não materiais; na luz espiritual, e não física. Quando Eles mencionam o sol em relação ao Dia do Juízo, referem-se ao Sol da Retidão. O sol é a fonte suprema da luz; assim, Moisés foi um Sol para os hebreus, Cristo para os cristãos, e Muhammad para os muçulmanos. Quando os Profetas falam do escurecimento do sol, querem dizer que os ensinamentos puros desses Sóis espirituais tornaram-se obscurecidos pelas interpretações errôneas, mal-entendidos e preconceitos, de modo que os homens acham-se mergulhados em trevas espirituais. A lua e as estrelas são as fontes menores de iluminação, os dirigentes e instrutores religiosos, os que deveriam guiar e inspirar o povo. Quando se diz que a lua não dará sua luz ou será transformada em sangue, e que as estrelas cairão do céu, indica-se que os dirigentes das igrejas tornar-se-ão rebaixados, ocupando-se em luta e contenda,


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e que os sacerdotes tornar-se-ão mundanos, ocupados das coisas terrenas em vez das celestiais. O significado destas profecias não é esgotado, porém, em uma só explicação, e há outros sentidos nos quais podem ser interpretados esses símbolos. Bahá’u’lláh diz que em outro sentido as palavras “sol”, “lua” e “estrelas” são aplicadas às leis e instruções estabelecidas em cada religião. Como em cada Manifestação subseqüente as cerimônias, formas, costumes e instruções dos Manifestantes anteriores são modificados de acordo com os requisitos dos tempos, assim, nesse sentido, o sol e a lua são transformados e as estrelas dispersas. Em muitos casos o cumprimento literal dessas profecias em seu sentido exterior seria absurda ou impossível; por exemplo, a transformação da lua em sangue ou a queda das estrelas sobre a Terra. A menor das estrelas visíveis é muitos milhares de vezes maior que a Terra, e fosse uma cair sobre ela não restaria mais Terra sobre a qual caísse outra! Em outros casos, porém, tanto há um cumprimento material como um espiritual. A Terra Santa, por exemplo, tornou-se literalmente deserta e desolada por muitos séculos, como predisseram os Profetas, mas agora, no Dia da Ressurreição, está começando a “regozijar-se e florescer como a rosa”, como predisse Isaías. Fundam-se colônias prósperas, a terra está sendo irrigada e cultivada, e vinhedos, alamedas de oliveiras e jardins florescem onde há meio século* havia apenas deserto arenoso. Sem dúvida, quando os homens forjarem das suas espadas, relhas de arados, e das suas lanças, foices de poda, os sertões e desertos em todas partes do mundo serão regenerados; ventos escaldantes e tempestades de areia que vêm desses desertos e tornam a vida em sua vizinhança quase intolerável, serão coisas do passado; o clima do mundo inteiro se tornará mais suave e uniforme; as cidades não mais poluirão o ar com fumaça e gases venenosos, e, até no sentido externo, material, haverá “novos céus e uma nova Terra”. *Começo do século XX.


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A Maneira de Sua Vinda Quanto à maneira de Sua vinda no fim da era, Cristo disse: Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta.... então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. Mateus, 24:30-31; 25:31-32.

Com respeito a estas e a outras passagens semelhantes, Bahá’u’lláh escreve no Kitáb-i-Íqán: O termo “céu” significa sublimidade e exaltação, desde que é a sede da revelação desses Manifestantes da Santidade, Auroras da Glória antiga. Embora nasçam do ventre materno, esses Seres antigos descem, na realidade, do céu da Vontade de Deus. Ainda que habitem nesta terra, suas verdadeiras moradas são, entretanto, as plagas gloriosas nos reinos do além. Enquanto andam entre os homens mortais, voam no céu da Presença Divina. Sem pés, trilham o caminho do espírito e, sem asas, se elevam às sublimes alturas da Unidade Divina. Com cada alento fugaz, atravessam a imensidade do espaço e a todo instante passam pelos domínios do visível e do invisível.... ...o termo “nuvens” significa aquelas coisas que são contrárias aos métodos e aos desejos dos homens. Assim mesmo como Ele revelou no versículo já citado: “Todas as vezes que vem um Apóstolo trazendo-nos o que vossas almas não desejam, vós vos inchais de orgulho, acusando alguns de impostores e a outros matando.” (Alcorão, 2:87) Essas “nuvens” significam, em um sentido, a anulação das leis, a


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revogação das Revelações anteriores e dos ritos e costumes correntes entre os homens, o enaltecimento dos iletrados fiéis acima dos eruditos que se opõem à Fé. Em outro sentido, referem-se ao aparecimento daquela Beleza Eterna na imagem do homem mortal, com tais limitações humanas como a necessidade de comer e beber, a pobreza e a riqueza, a glória e a humilhação, o dormir e o despertar e outras coisas semelhantes que criam dúvida na mente dos homens e causam seu afastamento. Todos esses véus são chamados, simbolicamente, “nuvens”. Essas são as “nuvens” que fazem com que se rompam os céus do conhecimento e da compreensão de todos os que habitam a terra. Assim como Ele revelou: “Naquele dia o céu será rompido pelas nuvens.” (Alcorão, 25:25) Do mesmo modo que as nuvens impedem os olhos dos homens de ver o sol, também essas coisas impedem suas almas de reconhecer a luz do Luminar Divino. A isso testifica o que procedeu da boca dos descrentes, segundo revela o Livro Sagrado: “E disseram: Que espécie de apóstolo é esse? Toma alimentos e anda nas ruas. A não ser que um anjo seja enviado e apóie Suas advertências, nós não acreditaremos.” (Alcorão, 25:7) Outros Profetas, igualmente, têm estado sujeitos à pobreza e às aflições, à fome e aos males e vicissitudes deste mundo. Porque essas Pessoas santas estavam sujeitas a tais necessidades, o povo, em conseqüência disso, perdia-se nas solidões de desconfianças e dúvidas, aflito pela confusão e perplexidade. Como seria possível – queriam eles saber – uma pessoa ser enviada por Deus, declarar Sua ascendência sobre todos os povos e todas as raças da terra e se proclamar o objetivo de toda a criação – assim mesmo como Ele disse: “Se não fosses tu, Eu não teria criado todos os que estão no céu e na terra,” – e, apesar de tudo isso, ainda ficar sujeita a coisas tão triviais? Deveis ter sido informados, sem dúvida, das tribulações, da pobreza, das adversidades e da degradação que sobrevieram a todo Profeta de Deus e Seus companheiros. Deveis ter sabido


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA como as cabeças de Seus discípulos foram enviadas de presente a várias cidades e como se os impediu, lastimavelmente, daquilo que lhes fora ordenado. Cada um deles caiu vítima nas mãos dos inimigos de Sua Causa, tendo que sofrer tudo o que estes decretassem. O Todo-Glorioso decretou estas coisas contrárias aos desejos dos homens perversos, exatamente para serem a pedra de toque, o padrão pelo qual Ele prova Seus servos, de modo que o justo se distinga do ímpio, e o fiel do infiel... E agora, com referência às Suas palavras: “E Ele enviará Seus anjos...” Por “anjos” se quer dizer aqueles que, reforçados pelo poder do espírito, consumiram todas as qualidades e limitações humanas com o fogo do amor de Deus, e se adornaram com os atributos dos Seres mais excelsos e dos Querubins... Como os seguidores de Jesus jamais compreenderam o sentido oculto dessas palavras, e como os sinais esperados por eles e pelos dirigentes de sua Fé não apareceram, eles, por isso, se recusaram a admitir – e ainda hoje se recusam – a verdade dos Manifestantes da Santidade que têm vindo desde os dias de Jesus. Assim se privaram das emanações da santa graça de Deus e das maravilhas de Suas palavras divinas. Tal é seu baixo grau neste Dia, o Dia da Ressurreição! Nem mesmo perceberam que, se os sinais do Manifestante de Deus em cada era aparecessem no reino visível de acordo com o texto das tradições estabelecidas, seria impossível que pessoa alguma o negasse ou dEle se afastasse, e assim o bem-aventurado não se distinguiria do desventurado, o transgressor do piedoso. Julgai imparcialmente: se as profecias registradas no Evangelho fossem cumpridas literalmente: se Jesus, Filho de Maria, acompanhado de anjos, descesse do céu visível sobre as nuvens, quem se atreveria a descrer, quem ousaria rejeitar a verdade e se tornar desdenhoso? Não, tamanha consternação logo se apoderaria de todos os que habitam a terra, que nenhuma alma se sentiria capaz de pronunciar uma palavra e, muito menos, de rejeitar ou aceitar a verdade. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Íqán, pp. 44-52.


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Segundo esta explicação, a vinda do Filho do Homem sob a humilde forma humana, nascido de uma mulher, pobre, não educado, oprimido e desprezado pelos grandes da terra – esta maneira de vir é a verdadeira pedra de toque através da qual Ele julga os povos da terra e separa-os uns dos outros, como um pastor separa suas ovelhas dos bodes. Aqueles cujos olhos espirituais estão abertos podem ver por essas nuvens e rejubilar-se no “poder e grande glória” – a verdadeira glória de Deus – que Ele veio a revelar; os outros, cujos olhos estão ainda impedidos pelo preconceito e erro, podem ver apenas as nuvens negras, e continuam a tatear na escuridão, privados da abençoada luz do sol. Eis que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim: e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto, a quem vós desejais.... Mas quem suportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá, quando ele aparecer? porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavadeiros.... Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno: todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como palha... Mas para vós, que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, e salvação trará debaixo das suas asas. Malaquias, 3:1-2; 4:1-2.

Nota: O assunto do cumprimento das profecias é tão extenso que a sua adequada exposição exigiria muitos volumes. Tudo o que pode ser feito dentro dos limites de um simples capítulo é indicar os principais delineamentos das interpretações bahá’ís. Não foram mencionados os detalhados Apocalipses revelados por Daniel e São João. Os leitores encontrarão alguns destes capítulos interpretados em Respostas a Algumas Perguntas. No Kitáb-i-Íqán, por Bahá’u’lláh, em Bahá’í Proofs, por Mírzá Abu’l-Fadl, e em muitas das Epístolas de Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l Bahá podem ser encontradas outras explicações sobre as profecias.


Capítulo 14

E, se disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra que o Senhor não falou? Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou: com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele. Deuteronômio, 18:21-22.

O Poder Criador da Palavra de Deus Deus, e somente Deus, tem o poder de fazer o que Ele deseje, e a maior prova de um Manifestante de Deus é o poder criador da Sua palavra – sua eficácia em mudar e transformar todos os afazeres humanos, e triunfar sobre toda a oposição humana. Através da palavra dos Profetas, Deus anuncia Sua vontade, e o cumprimento imediato ou subseqüente dessa palavra é a prova mais clara da pretensão do Profeta e da autenticidade de Sua inspiração. Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não torna, mas rega a terra, e a faz produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da Minha boca: ela não voltará para Mim vazia, antes fará o que Me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei. Isaías, 55:10-11.

Quando os discípulos de João Batista perguntaram a Jesus: “És Tu Aquele que havia de vir, ou esperamos por outro?”, a resposta


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de Jesus foi simplesmente apontar os efeitos produzidos por Suas palavras: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que se não escandalizar em Mim. Mateus, 11:4-6.

Vejamos agora que evidência existe para demonstrar que as palavras de Bahá’u’lláh possuem este poder criador distintivo da Palavra de Deus. Bahá’u’lláh ordenou aos governantes do mundo que estabelecessem a paz universal, e seu prolongamento da política de guerra desde 1869-1870 tem derrubado muitas dinastias antigas, enquanto as sucessivas guerras têm produzido cada vez menos dos frutos da vitória, até que a Guerra Européia de 1914-1918 revelou o fato historicamente assustador de que a guerra tornou-se igualmente desastrosa para vencedor e vencido*. Bahá’u’lláh, de igual maneira, ordenou aos governantes que agissem como fideicomissários dos interesses de seus súditos, fazendo da autoridade política um meio de promover o verdadeiro bemestar geral. O progresso no sentido da legislação social tem sido sem precedentes. Ele ordenou a limitação dos extremos de riqueza e pobreza, e desde então tem sido uma constante preocupação a legislação para o estabelecimento de níveis mínimos de subsistência e para tributação gradativa sobre a riqueza, através de impostos sobre renda e herança. Ordenou a abolição tanto da escravidão propriamente dita, bem como da econômica, e desde então o progresso no sentido da emancipação tem sido um fermento em todas as partes do mundo. Bahá’u’lláh declarou a igualdade de homens e mulheres – expressa através de responsabilidades iguais, e direitos e privilégios *Ainda maior evidência disto foi dada pela Segunda Guerra Mundial.


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iguais. Desde essa declaração, cada vez mais se rompem os grilhões seculares que prendiam a mulher, e rapidamente ela está obtendo seu devido lugar como igual e parceira do homem. Ele declarou a unidade fundamental das religiões, e o intervalo que se seguiu tem testemunhado os mais determinados esforços de almas sinceras em todas as partes do mundo por atingir um novo grau de tolerância, de entendimento mútuo e de cooperação para fins universais. A atitude sectária tem sido solapada em toda parte, e sua posição histórica tem-se tornado cada vez mais insustentável. A base do exclusivismo na religião tem sido destruída pelas mesmas forças que tornam o nacionalismo do tipo auto-suficiente incapaz de sobreviver. Ele ordenou a educação universal e fez da independente investigação da verdade uma prova de vitalidade espiritual. A civilização moderna tem sido profundamente afetada por este novo fermento. A educação compulsória para crianças e a extensão de facilidades educativas para adultos têm-se tornado uma política primordial de governo. Nações que deliberadamente procuram restringir a independência de mente e de espírito entre seus cidadãos têm, por tal política, incitado revolução dentro de suas fronteiras, e suspeita e medo fora delas. Bahá’u’lláh ordenou a adoção de uma língua auxiliar universal, e o doutor Zamenhof e outros obedeceram a Seu chamado, dedicando suas vidas e talentos a essa grande tarefa e oportunidade. Acima de tudo, Bahá’u’lláh imbuiu a humanidade com um novo espírito, despertando novos anseios nas mentes e corações, e novos ideais para a sociedade. Em toda a história nada é tão dramático e impressionante como o curso dos acontecimentos desde o alvorecer da Era Bahá’í, em 1844. Ano após ano tem enfraquecido o poder de um passado morto, prolongado por idéias, hábitos, atitudes e instituições antiquadas, até que, presentemente, todos os homens e mulheres inteligentes sobre a terra percebem que a humanidade está atravessando sua mais terrível crise. Vemos, por um lado, a nova criação surgindo à medida que a luz dos ensinamentos de


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Bahá’u’lláh tem revelado o verdadeiro caminho da evolução. Por outro lado, nada vemos senão desastre e frustração em todos os domínios onde essa luz seja repelida ou ignorada. Para o bahá’í fiel, no entanto, estas e inúmeras outras evidências, por mais impressionantes que sejam, falham em fornecer a real extensão da majestade espiritual de Bahá’u’lláh. Sua vida na terra e a força irresistível das Suas palavras inspiradas permanecem como o único verdadeiro critério da vontade de Deus. Um estudo das profecias mais detalhadas de Bahá’u’lláh e de seu cumprimento revelará poderosa evidência confirmadora. Destas profecias daremos agora alguns exemplos, sobre cuja autenticidade não pode haver nenhuma discussão. Elas foram largamente publicadas e conhecidas antes de virem a cumprir-se. As cartas que Ele enviou às cabeças coroadas do mundo, em que se encontram muitas dessas profecias, foram compiladas em um livro (Súrriy-iHaykal)* que foi primeiro publicado em Bombaim, em fins do século XIX. Desde então, várias edições têm sido publicadas. Daremos também alguns exemplos de notáveis profecias de ‘Abdu’l-Bahá. Napoleão III No ano de 1869, Bahá’u’lláh escreveu a Napoleão III censurando-o por sua ânsia pela guerra e pelo desprezo com que havia acolhido uma carta anterior. A Epístola contém a seguinte admoestação severa: Por causa daquilo que fizeste, prevalecerá confusão em teu reino, e teu império será tirado de tuas mãos, em punição pelos teus feitos† . Então saberás claramente que erraste. Comoções apoderar-se-ão de todo o povo nesse país, a menos que te levantes para auxiliar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus neste Caminho Reto. Foi a tua pompa que te tornou orgulhoso? Por Minha vida! Não durará; não, muito breve há de passar, a menos que te segures firmemente a esta *Esta Epístola encontra-se no livro O Chamado do Senhor das Hostes. †Nesse ano Napoleão III foi derrotado na Batalha de Sedan (1870) e exilado.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Corda forte. Vemos humilhação se aproximar de ti rapidamente, enquanto tu és dos desatentos. Bahá’u’lláh. O Chamado do Senhor das Hostes, p. 59.

É desnecessário dizer-se que Napoleão, então no zênite de seu poder, nenhuma atenção prestou a esta advertência. No ano seguinte, entrou em guerra com a Prússia, firmemente convencido de que as suas tropas tomariam Berlim facilmente; mas a tragédia predita por Bahá’u’lláh o esmagou. Ele foi derrotado em Saarbruck, em Weissenburg, em Metz e, finalmente, na esmagadora catástrofe em Sedan. Foi levado então prisioneiro para a Prússia, e veio a ter um fim miserável na Inglaterra dois anos depois. Alemanha Bahá’u’lláh fez, mais tarde, aos conquistadores de Napoleão, uma advertência igualmente solene que também encontrou ouvidos surdos, mas cumpriu-se de uma maneira terrível. No Kitáb-i-Aqdas – obra que Bahá’u’lláh começara em Adrianópolis e terminou nos primeiros anos de Sua prisão em ‘Akká – Ele assim Se dirige ao Imperador da Alemanha: Ó Rei de Berlim!... Recordai aquele cujo poder transcendia o vosso poder e cuja posição era superior à vossa. Onde está Ele? Onde foi parar tudo o que possuía? Sede advertido, e não dos que estão profundamente adormecidos. Foi ele quem desprezou a Epístola de Deus quando Nós o informamos do que as hostes da tirania Nos fizeram sofrer. Por isso a desgraça atacou-o de todos os lados e ele baixou ao pó em grande ruína. Ponderai bem, ó Rei, sobre o que sucedeu a ele e aos que, como vós, conquistaram cidades e dominaram homens. O Todo-Misericordioso fê-los descer de seus palácios às suas sepulturas. Sede advertido, sede dos que refletem... Ó margens do Reno! Nós vos vimos cobertas de sangue, pois as espadas da represália desembainharam-se contra vós; e


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haverá ainda outra vez. E ouvimos os lamentos de Berlim, embora hoje esteja em glória conspícua. Bahá’u’lláh. O Kitáb-i-Aqdas, pp. 42-43.

Durante o período das vitórias alemãs na Grande Guerra de 1914-1918 e especialmente durante a última grande ofensiva alemã na primavera de 1918, essa bem conhecida profecia foi extensamente citada pelos inimigos da Fé Bahá’í na Pérsia com o fim de lançar descrédito sobre Bahá’u’lláh; mas quando o avanço dos vitoriosos alemães foi subitamente transformado em desastre esmagador e irresistível, os esforços desses inimigos da Causa Bahá’í reverteram sobre eles mesmos, e a notoriedade que haviam dado à profecia tornou-se um poderoso meio de elevar a reputação de Bahá’u’lláh. Pérsia No Kitáb-i-Aqdas, escrito quando o tirânico xá Násiri’d-Dín estava no apogeu de seu poder, Bahá’u’lláh abençoa a cidade de Teerã, capital da Pérsia e Seu próprio berço, dizendo: Que nada te entristeça, ó Terra de Tá (Teerã), pois Deus te escolheu como a fonte de júbilo para toda a humanidade. Ele, caso for Sua Vontade, haverá de abençoar teu trono com alguém que te governará com justiça, que retinirá o rebanho de Deus que os lobos dispersaram. Tal governante, com júbilo e contentamento, se volverá ao povo de Bahá e lhe concederá seus favores. Ele, em verdade, é estimado, aos olhos de Deus, como uma jóia entre os homens. Que sobre ele repouse para sempre a glória de Deus e a glória de todos os que habitam no reino de Sua revelação. Regozija-te com grande júbilo, pois Deus te fez “a Aurora de Sua Luz”, desde que dentro de ti nasceu o Manifestante de Sua Glória. Alegra-te por este nome que te foi conferido nome através do qual o Sol da graça difundiu Seu esplendor, através do qual, tanto a terra como o céu, foram iluminados.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA Em breve o estado de coisas dentro de ti será mudado e as rédeas do poder cairão nas mãos do povo. Verdadeiramente, teu Senhor é o Onisciente. Sua autoridade abrange todas as coisas. Assegura-te nos generosos favores de teu Senhor. O olhar de Sua benevolência há de ser a ti dirigido para sempre. Aproxima-se o dia em que a tua agitação terá sido transmudada em paz e serena tranqüilidade. Assim foi decretado no Livro maravilhoso. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, pp. 90-91.

Até agora a Pérsia [atual Irã] apenas começou a emergir do período de desordem predito por Bahá’u’lláh, mas já se inaugurou um governo constitucional e não faltam sinais de estar próxima uma era mais luminosa. Turquia Ao sultão da Turquia e ao seu primeiro-ministro, ‘Álí Páshá, Bahá’u’lláh, então (em 1868) confinado em uma prisão turca, dirigiu algumas de Suas mais solenes, severas admoestações. Ao sultão escreveu do quartel de ‘Akká: Ó tu que te consideras o maior de todos os homens... dentro em breve teu nome será esquecido e te encontrarás em grande perda. Segundo tua opinião, este Vivificador do mundo e seu Pacificador é culpável e sedicioso. Que crime cometeram as mulheres, crianças, e os sofridos bebês para merecerem tua ira, tua opressão e teu ódio? Tens perseguido numerosas almas que nenhuma oposição demonstraram em teu país e que nenhuma revolução instigaram contra o governo; não, ao contrário, ocupavam-se pacificamente, dia e noite, na menção de Deus. Pilhaste suas propriedades e, através dos teus atos tirânicos, tudo que eles tinham foi-lhes tomado.... Perante Deus uma mão cheia de pó é maior do que teu reino, tua glória, tua soberania e teu domínio, e


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desejasse Ele, dispersar-te-ia como a areia do deserto. Dentro em breve Sua ira cairá sobre ti, revoluções surgirão em teu meio e teus países serão divididos! Então chorarás e lamentarás, e em parte alguma encontrarás auxílio e proteção.... Sê atento, pois a ira de Deus está preparada, e breve verás o que está escrito pela Pena do Mandamento. Star of the West, vol. II, p. 3.

E a ‘Álí Páshá Ele escreveu: Ó Ra’ís (chefe), cometeste aquilo que fez Muhammad, o Apóstolo de Deus, gemer no Mais Excelso Paraíso. O mundo tornou-te orgulhoso a tal ponto que te afastaste da Face através de cujo esplendor a Assembléia no alto foi iluminada. Cedo te encontrarás em ruína evidente. Tu te uniste ao Governante da Pérsia para Me causar dano, não obstante Eu ter vindo a ti do Lugar do Alvorecer do Todo-Poderoso, do Grande, com uma Causa que refrescou os olhos dos favorecidos de Deus.... Pensaste que pudesses extinguir o fogo que Deus ateou no Universo? Não! Eu declaro pela Sua Alma Verdadeira – fosses tu dos que compreendem. Mais do que isso, pelo que fizeste, têm sido aumentados seu calor e sua chama. Cedo envolverá o mundo e seus habitantes.... Aproxima-se o dia em que se transformarão a Terra do Mistério (Adrianópolis) e aquilo que está a seu lado, e sairão das mãos do Rei, e aparecerão distúrbios, e a voz da lamentação será erguida, e as evidências da maldade serão reveladas em todos os lados, e confusão espalhar-se-á por causa daquilo que sucedeu a estes cativos (Bahá’u’lláh e Seus companheiros) pelas mãos das hostes da opressão. O curso das coisas será mudado, e tão aflitivas tornar-se-ão as condições que as próprias areias nas colinas desoladas gemerão, e as árvores nas montanhas chorarão, e sangue jorrará de todas as coisas. Então verás o povo em penosa aflição.... Assim foi o assunto decretado por parte do Arquiteto, do Sábio, a cujo mandamento as hostes do céu e da terra não poderiam resistir, nem todos os reis e governantes poderiam


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA impedi-Lo daquilo que Ele deseja. Calamidades são o óleo desta Lâmpada, e através delas sua Luz aumenta – fosses dos que compreendem! Todas oposições exibidas pelos opressores são, de fato, como arautos para esta Fé, e através delas o aparecimento de Deus e Sua Causa têm-se tornado vastamente disseminados entre os povos do mundo.

E ainda no Kitáb-i-Aqdas Ele escreveu: Ó Lugar sito na orla dos dois mares! Em verdade, o trono da tirania em ti se estabeleceu, e a chama do ódio ateou-se em teu seio, de tal sorte que a Assembléia no alto e aqueles que se movem ao redor do Trono Excelso gemeram e prantearam. Em ti vemos os néscios governando os sábios e as trevas escarnecendo da luz. Estás, de fato, cheio de evidente orgulho. Fez-te arrogante o teu aparente esplendor? Por Aquele que é o Senhor da humanidade! ele cedo há de findar, e tuas filhas e tuas viúvas e todas as famílias em ti residentes lamentarão. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo. O Kitáb-i-Aqdas, p. 43.

As sucessivas calamidades que têm assolado esse outrora grande império desde a publicação destas advertências, têm fornecido um comentário eloqüente sobre seu significado profético. América No Kitáb-i-Aqdas, revelado em ‘Akká no ano de 1873, Bahá’u’lláh fez o seguinte apelo à América: Dai ouvidos, ó Governantes da América e Presidentes das suas Repúblicas, ao que chilreia o Pombo no Ramo da Eternidade: “Não há outro Deus além de Mim, o Imutável, o Perdoador, o Todo-Generoso.” Adornai o templo da soberania com o ornamento da justiça e do temor a Deus, e


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sua cabeça com a coroa da lembrança de vosso Senhor, o Criador dos céus. Assim vos aconselha Aquele que é a Aurora dos Nomes, conforme ordenado por Ele, o Conhecedor de tudo, o Onissapiente. O Kitáb-i-Aqdas, K88, p. 42.

‘Abdu’l-Bahá, em Seus discursos na América e em outras partes, freqüentemente expressava a esperança, a oração e a confiança de que a bandeira da paz internacional seria primeiro levantada na América. Em Cincinnati, Ohio, em 5 de novembro de 1912, disse: A América é uma nação nobre, o porta-estandarte da paz no mundo todo, irradiando luz a todas as regiões. As outras nações não estão desimpedidas e livres de intrigas e complicações como os Estados Unidos; por isso, não são capazes de realizar a harmonia universal. Mas, a América – louvado seja Deus! – está em paz com o mundo todo e é digna de erguer a bandeira da fraternidade e da harmonia internacional. Quando isto acontecer, o resto do mundo há de concordar. Todas as nações se unirão para adotar os ensinamentos de Bahá’u’lláh, revelados há mais de cinqüenta anos. Em Suas Epístolas, Ele pediu aos parlamentos do mundo para enviarem seus melhores e mais sábios homens a uma conferência internacional que deveria decidir todas as disputas entre os povos e estabelecer a paz... Este seria o mais alto tribunal de apelação, e o parlamento humano, há tanto tempo sonhado por poetas e idealistas, tornar-se-ia realidade. A Promulgação da Paz Universal, p. 488.

Os apelos de Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá já têm sido atendidos em grande escala pelos Estados Unidos da América, e em nenhum país do mundo os ensinamentos bahá’ís têm encontrado mais pronta aceitação. O papel destinado à América, entretanto, de convocar as nações para a paz internacional, até agora tem sido apenas parcialmente desempenhado, e os bahá’ís aguardam com interesse os acontecimentos que o futuro reserva*. *É interessante notar-se que a reunião de fundação da Organização das Nações Unidas realizou-se em São Francisco.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA

A Grande Guerra Não só Bahá’u’lláh como ‘Abdu’l-Bahá, em muitas ocasiões predisseram com surpreendente exatidão a vinda da Grande Guerra de 1914 a 1918. Em Sacramento, Califórnia, em 26 de outubro de 1912, ‘Abdu’l-Bahá disse: O continente europeu é como um arsenal, um paiol de explosivos pronto para explosão, e uma só faísca incendiará a Europa inteira, particularmente nesta época em que a questão balcânica se apresenta ao mundo. A Promulgação da Paz Universal, p. 472.

Em muitos de Seus discursos na América e na Europa, ‘Abdu’l-Bahá fez advertências semelhantes. Em outro discurso na Califórnia, em outubro de 1912, Ele disse: Estamos na véspera da Batalha de Armagedon, a que se refere o décimo sexto capítulo do Apocalipse. O tempo é daqui a dois anos, quando apenas uma fagulha incendiará a Europa inteira. A inquietação social em todos os países, o crescente ceticismo religioso antecedente ao milênio, já presente, incendiarão toda a Europa, segundo profetizado no Livro de Daniel e no Livro (Apocalipse) de São João. Até 1917, reinos cairão e cataclismos sacudirão a Terra. Relatado pela sra. Corinne True em The North Shore Review, 26 de setembro de 1914, Chicago, E.U.A.

Na véspera do grande conflito Ele declarou: Uma luta geral das nações civilizadas está à vista. Um conflito tremendo está próximo. O mundo está no limiar do mais trágico combate.... Vastos exércitos – milhões de homens – estão sendo mobilizados e posicionados às suas fronteiras. Estão sendo preparados para a batalha temível. A mínima


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fricção levá-los-á a um terrível impacto, e haverá uma conflagração como nunca registrada em toda a história da humanidade (em Haifa, 3 de agosto de 1914). Star of the West, vol. V, p. 163.

Distúrbios Sociais do Pós-Guerra Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá predisseram também um período de grande convulsão social, conflito e calamidade, como resultado inevitável da irreligião e dos preconceitos, da ignorância e da superstição, prevalecentes em todo o mundo. O grande conflito militar internacional foi apenas uma fase dessa convulsão. Numa Epístola, em janeiro de 1920, ‘Abdu’l-Bahá escreveu: Ó vós amantes da verdade! Ó vós, servos da humanidade! Ao insuflar-se sobre mim a suave fragrância de vossos pensamentos e elevadas intenções, sinto que minha alma é impelida irresistivelmente a comunicar-se convosco. Ponderai em vossos corações quão penoso é o tumulto em que o mundo acha-se submerso; o quanto as nações da terra estão manchadas pelo sangue humano, não somente isto mas até seu próprio solo converteu-se em sangue coagulado. A chama da guerra tem causado uma conflagração tão violenta que o mundo, quer em seus dias primitivos, quer na idade média, ou nos tempos modernos, nunca presenciou igual. Os moinhos da guerra esmagaram e trituraram inúmeras cabeças humanas, e ainda mais severa tem sido a sorte destas vítimas! Países prósperos têm-se tornado desolados, cidades têm sido arrasadas e alegres aldeias transformadas em ruínas. Pais perderam seus filhos, e filhos tornaram-se órfãos. Mães derramaram lágrimas de sangue em lamento pelos seus jovens filhos, criancinhas ficaram órfãs e mulheres deixadas errantes e sem lares. Numa palavra, a humanidade em todas as suas fases foi degradada. Alto é o clamor e o choro dos órfãos, e amargos os lamentos das mães, que ecoam pelos céus.


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA A causa principal de todos esses acontecimentos são os preconceitos de raça, de nação, de religião e de política, e a raiz de todos esses preconceitos está nas tradições antiquadas e profundamente arraigadas, sejam religiosas, raciais, nacionais ou políticas. Enquanto persistirem estas tradições o alicerce do edifício humano estará inseguro e a própria humanidade exposta a perigo contínuo. Agora, nesta era radiante em que se tornou manifesta a essência de todos os seres e foi revelado o segredo oculto de todas as coisas criadas, quando se rompeu a luz matinal da verdade e transformou-se em luz a escuridão do mundo, é digno e decente que tão horrenda carnificina, que causa ruína irreparável ao mundo, torne-se possível? Por Deus! Isso não pode ser. Cristo chamou todos os povos do mundo à reconciliação e à paz. Mandou que Pedro guardasse na bainha a sua espada. Tal foi Seu desejo e conselho e, no entanto, aqueles que levam Seu nome desembainharam a espada! Como é grande a diferença entre seus atos e o explícito texto do Evangelho! Há sessenta anos Bahá’u’lláh, como o sol radiante, brilhou no firmamento da Pérsia e proclamou que o mundo está envolto em escuridão, e esta escuridão é repleta de conseqüências desastrosas, e conduzirá a temível conflito. Da cidade-prisão em ‘Akká, Ele, em termos inequívocos, apostrofou o Imperador da Alemanha, declarando que haveria uma guerra terrível e Berlim cairia em lamentação e pranto. De igual maneira, enquanto injustiçado prisioneiro do sultão da Turquia na fortaleza de ‘Akká, Ele escreveu-lhe clara e enfaticamente que Constantinopla cairia vítima de grave desordem, de tal forma que mulheres e crianças ergueriam seu grito de lamento. Enfim, Ele dirigiu Epístolas a todos os principais governantes e soberanos do mundo e tudo o que Ele predisse tem-se cumprido. De Sua pena de glória emanaram ensinamentos sobre a prevenção da guerra, e estes têm sido extensamente disseminados.


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Seu primeiro ensinamento é a busca da verdade. A cega imitação, declarou Ele, mata o espírito do homem, enquanto que a investigação da verdade liberta o mundo das trevas do preconceito. Seu segundo ensinamento é a unidade do gênero humano. Todos os homens são um só rebanho, e Deus é o amoroso Pastor. Ele concede-lhes Sua maior misericórdia e consideraos a todos como um só. “Não encontrarás diferença entre as criaturas de Deus”. Todos são Seus servos e todos buscam Sua graça. Seu terceiro ensinamento é que a religião é a mais poderosa fortaleza. Deveria ser conducente à unidade, ao invés de ser a causa de inimizade e ódio. Fosse ela conduzir à inimizade e ódio, melhor seria não tê-la. Pois a religião é como um remédio que, se agravasse a enfermidade, seria preferível seu abandono. Os preconceitos de religião, raça, nação e política são igualmente subversivos à base da sociedade humana; todos levam-na à carnificina, todos contribuem para sua ruína. Enquanto estes persistirem, o horror de guerra continuará. O único remédio é a paz universal. E esta é alcançada apenas através do estabelecimento de um Tribunal supremo, representativo de todos os governos e povos. Todos os problemas nacionais e internacionais deveriam ser submetidos a este tribunal, e qualquer que fosse sua decisão, deveria ser aplicada. Fosse um governo ou povo discordar, o mundo como um todo levantar-se-ia contra ele. E entre os Seus ensinamentos encontra-se a igualdade de direitos de homens e mulheres, e assim por diante, com muitos outros ensinamentos similares que foram revelados pela Sua pena. Atualmente tem-se tornado evidente e manifesto que estes princípios são a própria vida do mundo e a incorporação de seu verdadeiro espírito. E agora, vós que sois os servos da humanidade, deveis esforçar-vos, de coração e alma, por


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA libertar o mundo das trevas do materialismo e do preconceito humano, a fim de que possa ser iluminado pela luz da Cidade de Deus. Vós, louvado seja Ele, conheceis as várias escolas, instituições e princípios do mundo; hoje, nada a não ser estes ensinamentos divinos pode assegurar a paz e a tranqüilidade do gênero humano. Se não for por estes ensinamentos, essa escuridão jamais se desvanecerá, jamais serão curadas essas doenças crônicas; ao contrário, tornar-se-ão mais violentas dia a dia. Os Bálcãs continuarão irrequietos, e agravar-se-á sua situação. Os vencidos não permanecerão quietos, mas agarrarse-ão a todos os meios para acender novamente a chama da guerra. Movimentos universais modernos farão o máximo para realizar seus propósitos e intenções. O Movimento da Esquerda adquirirá grande importância e sua influência difundir-se-á. Esforçai-vos, pois, para que, com um coração iluminado, com um espírito celestial e um poder divino, e auxiliados pela Sua graça, possais conceder ao mundo a dádiva generosa de Deus... a dádiva do conforto e tranqüilidade para todo o gênero humano.

Numa outra palestra em novembro de 1919, Ele disse: Bahá’u’lláh pressagiava freqüentemente que haveria um período em que a irreligião e conseqüente anarquia prevaleceriam. O caos será causado pela demasiada liberdade entre os povos, que ainda não estão preparados para ela, e em conseqüência haverá necessariamente uma temporária reversão a um governo coercivo, nos interesses dos próprios povos e a fim de evitar a desordem e o caos. É claro que cada nação deseja agora a completa autodeterminação e liberdade de ação, mas algumas delas não estão preparadas para isso. O estado prevalecente do mundo é o de irreligião, o que é destinado a resultar em anarquia e confusão. Tenho dito sempre que as propostas de paz após a grande guerra eram apenas um vislumbre da aurora, e não o nascer do sol.


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A Vinda do Reino de Deus Em meio a esses tempos de inquietação, entretanto, a Causa de Deus prosperará. As calamidades causadas pela egoística luta pela existência individual ou pelo proveito de partido, seita ou nação, induzirão os povos a recorrerem em desespero ao remédio oferecido pela Palavra de Deus. Quanto mais calamidades houver, mais os povos recorrerão ao único remédio verdadeiro. Diz Bahá’u’lláh em Sua Epístola ao xá: Deus fez as tribulações como uma chuva matinal para este prado verdejante e como um pavio para Sua Lâmpada, por meio do qual a terra e o céu são iluminados.... Através da aflição Sua Luz brilhou e Seu Louvor tem estado sempre resplandecente; este tem sido Seu método, desde eras passadas e tempos idos.

Não só Bahá’u’lláh, mas também ‘Abdu’l-Bahá, predizem em termos mais confiantes, o rápido triunfo da espiritualidade sobre o materialismo e o conseqüente estabelecimento da Paz Máxima. ‘Abdu’l-Bahá escreveu em 1904: Sabei que, dia a dia, provações e infortúnios aumentarão e desse modo os povos serão afligidos. As portas da alegria e da felicidade serão fechadas por todos os lados e guerras terríveis ocorrerão. Frustração e desespero circundarão os povos até serem obrigados a volverem-se para Deus Uno e Verdadeiro. Então a luz da mais jubilosa mensagem iluminará os horizontes de tal modo que o brado de Yá Bahá’u’l Abhá [uma invocação: Ó Tu, Glória do Mais Glorioso] será erguido de todas as direções. Isto virá a acontecer. Epístola a Isabella D. Brittingham, citada em Star of the West, vol. XII, no 8, 01/08/1921.


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Quando interrogado, em fevereiro de 1914, se algumas das grandes potências tornar-se-iam crentes, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Todos os povos do mundo tornar-se-ão crentes. Se comparásseis o início da Causa à sua posição hoje, observaríeis que a rápida influência da Palavra de Deus, e agora a Causa de Deus, tem envolvido o mundo.... Inquestionavelmente, todos se abrigarão à sombra da Causa de Deus. Star of the West, vol. IX, p. 31.

Ele declarou que o estabelecimento da unidade mundial acontecerá durante o século atual. Em uma de Suas Epístolas Ele escreveu: De modo igual, todos os membros da família humana, quer povos, quer governos, cidades ou aldeias, têm-se tornado cada vez mais interdependentes. A auto-suficiência não mais é possível a nenhum deles, pois que todos os povos e nações estão unidos por laços políticos e cada dia mais se fortalecem as relações de comércio e indústria, de agricultura e educação. Portanto, a unidade de todo o gênero humano pode ser conseguida na época atual. Em verdade, isso não é senão uma das maravilhas desta admirável era, deste século glorioso. Disso, as eras passadas foram privadas, pois este século – o século da luz – foi dotado de glória, poder e iluminação incomparáveis. Daí a miraculosa revelação de nova maravilha a cada dia. Há de vir o dia em que se verá quão intensamente ardem suas velas na Assembléia da humanidade. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, pp. 28-29.

Nos dois últimos versículos do Livro de Daniel encontramse as palavras enigmáticas: Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias. Tu, porém, vai até ao fim: porque repousarás, e estarás na tua sorte, no fim dos dias. Daniel, 12:12-13.


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Muitas têm sido as tentativas de sábios estudiosos para resolver o problema da significação destas palavras. Numa palestra à mesa, à qual estava presente o autor, ‘Abdu’l-Bahá calculou o cumprimento da profecia de Daniel desde a data do começo da Era Muçulmana. As Epístolas de ‘Abdu’l-Bahá tornam claro que esta profecia refere-se ao centésimo aniversário da Declaração de Bahá’u’lláh em Bagdá, ou seja, o ano de 1963: Agora, a respeito do versículo no Livro de Daniel, do qual pediste a interpretação, a saber, “Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias”. Estes dias devem ser calculados como anos solares e não lunares. Pois de acordo com este cálculo um século terá transcorrido desde o alvorecer do Sol da Verdade; então os ensinamentos de Deus estarão firmemente estabelecidos sobre a terra e a Luz Divina inundará o mundo de Oriente a Ocidente. Então, neste dia, os fiéis regozijar-se-ão!

‘Akká e Haifa Mírzá Ahmad Sohrab registrou no seu diário a seguinte profecia sobre ‘Akká e Haifa, proferida por ‘Abdu’l-Bahá enquanto sentado próxima à janela de uma das Casas de Peregrinos bahá’ís em Haifa, no dia l4 de fevereiro de 1914: A vista que se descortina da Casa dos Peregrinos é muito atraente, especialmente por estar voltada para o Abençoado Sepulcro de Bahá’u’lláh. No futuro, por toda a distância que separa ‘Akká e Haifa, haverá construções, vindo assim as duas cidades a unir-se e apertar-se as mãos, tornando-se as seções terminais de uma única poderosa metrópole. Quando olho agora para este cenário, vejo tão claramente que ele tornarse-á um dos primeiros empórios do mundo. Esta grande baía semicircular será transformada no mais belo porto, no qual os navios de todas as nações procurarão abrigo e refúgio. As


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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA grandes embarcações de todos os povos virão a este porto, trazendo em seus conveses milhares e milhares de homens e mulheres de toda parte do globo. Os mais modernos prédios e palácios pontilharão a montanha e a planície. Indústrias serão estabelecidas e várias instituições filantrópicas fundadas. As flores da civilização e cultura de todas as nações serão trazidas aqui para unir suas fragrâncias e mostrar o caminho para a fraternidade do homem. Maravilhosos jardins, pomares, bosques e parques estender-se-ão por todos os lados. À noite a grande cidade será iluminada por eletricidade. O porto inteiro, de ‘Akká a Haifa, será uma vereda de luz. Poderosos holofotes serão colocados de ambos os lados do Monte Carmelo para guiar os navios. O próprio Monte Carmelo, do cume à base, será submerso num mar de luzes. Uma pessoa no cimo do Monte Carmelo, e os passageiros dos navios vindo em sua direção, verão o mais sublime e majestoso espetáculo de todo o mundo. De toda parte da montanha a sinfonia de “Yá Bahá’u’lAbhá!” erguer-se-á e, antes do alvorecer, música que extasia a alma, acompanhada por vozes melodiosas, será elevada ao trono do Todo-Poderoso. Em verdade, os métodos de Deus são misteriosos e inescrutáveis. Que conexão externa existe entre Shíráz e Teerã, Bagdá e Constantinopla, Adrianópolis e ‘Akká e Haifa? Deus trabalhou pacientemente, passo a passo, através destas várias cidades, segundo Seu próprio plano, claro e eterno, de modo que as profecias e predições dos Profetas pudessem ser cumpridas. Esse fio dourado da promessa concernente ao Milênio Messiânico percorre a Bíblia, e foi assim destinado que Deus o fizesse aparecer no tempo que Ele próprio achasse oportuno. Nem sequer uma só palavra permanecerá sem significado e deixará de ser cumprida.


Capítulo 15

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Dou testemunho, ó amigos, de que o favor está completo, o argumento se cumpriu, a prova se manifestou e a evidência acha-se estabelecida! Que seja visto agora o que os vossos esforços no caminho do desprendimento revelarão. Desse modo, o favor divino foi plenamente concedido a vós e àqueles que estão no céu e na terra. Todo louvor a Deus, o Senhor de todos os Mundos. Bahá’u’lláh. As Palavras Ocultas, pp. 171-172.

O Progresso da Causa Infelizmente, é impossível no espaço de que dispomos, descrever em detalhe o progresso da Fé Bahá’í pelo mundo. Muitos capítulos poderiam ser dedicados a este fascinante assunto, e muitas histórias emocionantes relatadas a respeito dos pioneiros e mártires da Causa, mas temos que nos contentar com apenas um breve resumo. Na Pérsia os primeiros adeptos desta Revelação encontraram a maior oposição, perseguição e crueldade nas mãos de seus compatriotas, mas enfrentaram todas as calamidades e provações com sublime heroísmo, firmeza e paciência. Seu batismo foi em seu próprio sangue, pois muitos milhares deles pereceram como mártires, enquanto outros milhares foram açoitados, aprisionados, destituídos de seus bens, expulsos de seus lares ou maltratados de outras formas. Durante sessenta anos ou mais, qualquer pessoa na


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Pérsia que ousasse confessar sua fé no Báb ou em Bahá’u’lláh, faziao sob o risco de perder seus bens, sua liberdade, ou até mesmo sua vida. Essa oposição determinada e feroz, entretanto, não poderia deter o progresso da Fé mais do que uma nuvem de pó poderia impedir o nascer do Sol. Encontram-se hoje bahá’ís de uma a outra extremidade do Irã*, em quase todas cidades e aldeias, e mesmo entre tribos nômades. Em alguns povoados a população inteira é bahá’í, e em outros lugares uma grande proporção dos habitantes. Recrutados de muitas e diversas seitas que eram implacavelmente hostis umas às outras, formam agora uma grande sociedade de amigos que reconhecem a fraternidade, não só entre eles, mas também entre todos os homens por toda parte, que trabalham pela unificação e elevação da humanidade, pela eliminação de todos os preconceitos e conflitos, e pelo estabelecimento do Reino de Deus no mundo. Que milagre poderia ser maior do que este? Somente um: a realização, em todo o mundo, da tarefa à qual esses homens têm-se dedicado. E não faltam indícios de que este milagre maior, também, esteja em progresso. A Fé está mostrando uma vitalidade surpreendente e está espalhando-se como fermento pela massa da humanidade, transformando indivíduos e sociedade à medida em que se espalha†. Em comparação com os adeptos das religiões antigas, o número relativamente pequeno de bahá’ís pode ainda parecer *Lord Curzon, em seu livro Persia and the Persian Question, publicado em 1892, ano da morte de Bahá’u’lláh, escreve: “O cálculo mais desfavorável estima em meio milhão o presente número de bábís na Pérsia. Estou inclinado a acreditar, entretanto, que de acordo com as conversações com pessoas bem informadas, o total é de quase um milhão. Eles são encontrados em todos os níveis sociais, desde os ministros e nobres da Corte até os varredores de rua ou os criados, constituindo o próprio clero muçulmano uma arena não menos considerável de sua atividade....” “Se o bábísmo continuar a crescer com sua presente taxa de progressão, é concebível que virá um tempo em que substituirá a religião muçulmana na Pérsia. Isto, penso, seria improvável se aparecesse no campo sob a bandeira de uma fé hostil. Mas desde que os seus recrutas sejam conquistados dentre os melhores soldados da guarnição que está atacando, há razão suficiente para acreditar-se que há de predominar afinal.” (Vol. I, pp. 499-502) †O número de bahá’ís aumenta a cada ano, e a população mundial bahá’í é superior a seis milhões de pessoas, no começo do século XXI.


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insignificante, mas eles são confiantes de que um Poder divino os abençoou com o alto privilégio de servir a uma nova ordem, à qual afluirão as multidões do Oriente e do Ocidente em um dia não muito distante. Embora, pois, seja verdade que corações puros, em todos os países, tenham refletido o Espírito Santo, ainda que inconscientes da Fonte, e que o progresso da Fé possa ser atestado pelos numerosos esforços externos à comunidade bahá’í em promover um ou outro dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, não obstante, a falta de qualquer base duradoura na velha ordem é prova convincente de que os ideais do Reino somente podem tornar-se frutíferos dentro da estrutura da comunidade bahá’í. O Báb e Bahá’u’lláh como Profetas Quanto mais estudamos as vidas e os ensinamentos do Báb e de Bahá’u’lláh, mais impossível se nos afigura encontrarmos qualquer explicação de Sua grandeza, a não ser a Inspiração Divina. Eles foram educados numa atmosfera de fanatismo e intolerância. Eles receberam apenas a educação mais elementar. Eles não tiveram nenhum contato com a cultura ocidental. Eles não tiveram nenhum poder político ou financeiro como retaguarda. Nada pediram Eles dos homens, e pouco receberam a não ser injustiça e opressão. Os grandes da terra Os desprezavam ou faziam-Lhes oposição. Foram açoitados e torturados, aprisionados e expostos às mais terríveis calamidades no cumprimento de Sua missão. Estavam sós contra o mundo, sem nenhum auxílio salvo o de Deus, mas já Seu triunfo está manifesto e magnificente. A grandeza e a sublimidade de Seus ideais, a nobreza e a abnegação de Suas vidas, Suas destemidas coragem e convicção, Seus admiráveis conhecimentos e sabedoria, Sua compreensão das necessidades dos povos do Leste e do Oeste, a amplitude e a propriedade de Seus ensinamentos, Seu poder de inspirar em Seus adeptos a devoção e o entusiasmo sinceros, a penetração e o poder


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de Sua influência, o progresso da Fé que fundaram – tudo isto, certamente, constitui provas de serem Eles Profetas, provas tão convincentes como qualquer outra que a história da religião possa apresentar. Uma Perspectiva Gloriosa As boas novas bahá’ís revelam uma visão da Mercê de Deus e do futuro progresso da humanidade, que certamente é a maior e mais gloriosa Revelação jamais dada ao homem, o desenvolvimento e consumação de todas as Revelações anteriores. O seu intuito não é outro senão a regeneração da humanidade e a criação de “novos céus e uma nova Terra”. É a mesma tarefa à qual Cristo e todos os Profetas têm devotado Suas vidas, e entre estes grandes Instrutores não há nenhuma rivalidade. Não é por este ou aquele Manifestante, e sim por todos juntos, que a tarefa será cumprida. Como diz ‘Abdu’l-Bahá: Não é necessário rebaixar Abraão a fim de enaltecer Jesus. Não é necessário rebaixar Jesus para proclamar Bahá’u’lláh. Devemos acolher com alegria a Verdade de Deus, onde quer que a vejamos. A essência da questão é que todos esses grandes Mensageiros vieram para erguer o Divino Estandarte das Perfeições. Todos Eles brilham como orbes no mesmo céu da Vontade Divina. Todos Eles provêem luz ao mundo. Star of the West, vol. III, no 8, p. 8.

A tarefa é de Deus, e Deus chama não só aos Profetas mas a toda humanidade, para ser Seus cooperadores nesse processo criativo. Se recusarmos o Seu convite, não impediremos o avanço do trabalho, pois o que for a vontade de Deus virá certamente a realizar-se. Se falharmos em desempenhar nosso papel, Ele pode criar outros instrumentos a fim de realizar Seu objetivo; mas nós não atingiremos o verdadeiro propósito e objetivo de nossas vidas. Em harmonia


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com Deus – tornando-nos Seus adoradores, Seus servos, os canais e intermediários da vontade do Seu Poder Criador, a ponto de não estarmos conscientes de nenhuma vida em nós a não ser a Sua Vida Divina e Abundante – isto, segundo os ensinamentos bahá’ís, é a consumação inefável e gloriosa da existência humana. A humanidade, entretanto, está sã de coração, pois é feita “à imagem e semelhança de Deus”, e quando vier, finalmente, a perceber a verdade, não persistirá nos caminhos da insensatez. Bahá’u’lláh assegura-nos que em breve o chamado de Deus será atendido por todos, e a humanidade como um todo volver-se-á à retidão e à obediência. “Toda tristeza será então transformada em alegria, e toda doença em saúde”, “os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Apocalipse, 11:15). Não somente os que vivem na terra, mas todos nos céus e na terra tornar-se-ão unidos em Deus, e nEle regozijar-se-ão eternamente. A Renovação da Religião O estado do mundo de hoje fornece, seguramente, ampla evidência de que, com raras exceções, pessoas de todas as religiões precisam ser despertadas novamente para a verdadeira significação de sua religião; e tal despertar constitui uma parte importante do trabalho de Bahá’u’lláh. Ele veio a fim de fazer dos cristãos melhores cristãos, dos muçulmanos verdadeiros muçulmanos, para tornar todos os homens fiéis ao espírito que inspirou seus Profetas. Ele também cumpre a promessa, feita por todos esses Profetas, de um Manifestante mais glorioso destinado a aparecer na “plenitude dos tempos”, para coroar e consumar Seus trabalhos. Ele dá uma exposição mais ampla das verdades espirituais do que Seus predecessores, e revela a Vontade de Deus a respeito de todos os problemas da vida individual e social que nos confrontam no mundo hodierno. Ele dá-nos um ensinamento universal que proporciona uma base sólida sobre a qual pode ser edificada uma civilização nova e melhor – um


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ensinamento adaptado às necessidades do mundo na nova era que agora se inicia. Necessidade de uma Nova Revelação A unificação do mundo da humanidade, a união das diferentes religiões mundiais, a reconciliação entre a religião e a ciência, o estabelecimento da Paz Universal, do Arbitramento Internacional, de uma Casa Internacional de Justiça, de uma língua internacional, a emancipação das mulheres, a educação universal, a abolição da escravidão industrial bem como da escravidão propriamente dita, a organização da humanidade como um todo, com a devida consideração dos direitos e liberdades de cada indivíduo – estes são problemas de magnitude gigantesca e de dificuldade estupenda a respeito dos quais cristãos, muçulmanos e adeptos de outras religiões sustentaram e ainda sustentam opiniões as mais diversas e muitas vezes violentamente opostas, mas Bahá’u’lláh revelou princípios claramente definidos cuja adoção geral, obviamente, faria do mundo um paraíso. A Verdade é para Todos Muitos estão inteiramente prontos a admitir que os ensinamentos bahá’ís seriam algo esplêndido para a Pérsia e todo o Oriente, mas imaginam que para as nações do Ocidente sejam desnecessários ou inadaptáveis. A alguém que manifestou semelhante opinião, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: Quanto à significação da Causa de Bahá’u’lláh, tudo o que contribua para o bem-estar universal é divino, e tudo o que seja divino é para o bem-estar universal. Se for verdade, é para todos; se não for, não é para ninguém; por conseguinte, uma causa divina de bem-estar universal não pode ser limitada ao Oriente nem ao Ocidente, pois o esplendor do Sol da Verdade


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ilumina tanto o Oriente como o Ocidente, e faz sentir o seu calor no sul e no norte – nenhuma diferença há entre um pólo e outro. No tempo da Manifestação de Cristo, os romanos e gregos pensavam que Sua Causa fosse especialmente para os judeus. Eles supunham que tivessem uma civilização perfeita e nada a aprender dos ensinamentos de Cristo e, por esta falsa suposição, muitos foram privados da Sua Graça. Outrossim, sabei que os princípios do cristianismo e os Mandamentos de Bahá’u’lláh são idênticos, e seus caminhos são os mesmos. Todo dia há progresso; houve um tempo em que esta instituição divina (da revelação progressiva) esteve embrionária, depois recém-nascida, mais tarde um jovem intelectual; mas hoje ela é resplandecente em beleza e brilha com o maior esplendor. Feliz é aquele que penetra o mistério e toma seu lugar no mundo dos iluminados.

A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá Com o falecimento de seu bem-amado dirigente, ‘Abdu’l Bahá, a Fé Bahá’í entrou numa nova fase da sua história. Esta nova fase representa um estado mais elevado na existência do mesmo organismo espiritual, uma expressão mais madura e, conseqüentemente, mais responsável da fé sentida pelos seus membros. ‘Abdu’l-Bahá havia dedicado Sua energia sobre-humana e capacidade incomparável à tarefa de disseminar Seu amor a Bahá’u’lláh por todo Oriente e Ocidente. Ele acendera em inúmeras almas a vela da fé, treinandoas e guiando-as nos atributos da vida espiritual pessoal. Em vista da momentosa importância da Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’lBahá, da gravidade das questões que apresenta e da sabedoria profunda que fundamenta suas cláusulas, damos aqui alguns extratos que revelam vividamente o espírito e os princípios norteadores que animaram e guiaram ‘Abdu’l-Bahá e que são transmitidos como rica herança a Seus fiéis seguidores:


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“Ó vós amados do Senhor! Nesta sagrada Dispensação, o conflito e a contenda de modo algum são permitidos. Todo agressor priva-se das graças de Deus. Incumbe a cada um demonstrar o máximo grau de amor, retidão de conduta, sinceridade e verdadeira benevolência para com todos os povos e raças da Terra, quer amigos, quer estranhos. Tão intenso deve ser o espírito de amor e bondade, que o estranho sinta-se um amigo e o inimigo, um verdadeiro irmão, não existindo entre eles qualquer diferença. Pois a universalidade é Divina e toda limitação, terrena... Deveis, pois, ó meus amorosos amigos, associar-vos a todos os povos, a todas as raças e religiões do mundo, com a maior sinceridade, retidão, fidelidade, benevolência, boa vontade e amizade, para que todo o mundo existente receba, copiosamente o santo êxtase das graças de Bahá, e assim, desvaneçam do mundo a ignorância, a inimizade, o ódio e o rancor, e a escuridão da desconfiança entre as nações e raças ceda lugar à Luz da Unidade. Se membros de outros povos e nações vos forem infiéis, mostrai-lhes vossa fidelidade; se vos forem injustos, tratai-os com justiça; se afastarem-se de vós, procurai atraí-los; se vos mostrarem inimizade, sede amigos para com eles; se envenenarem vossas vidas, adoçai suas almas; se vos ferirem, sede um bálsamo para suas feridas. Tais são os atributos dos sinceros! Tais são os atributos daqueles que dizem a verdade.” (pp. 15-16) “Ó vós, amados do Senhor! Incumbe-vos ser submissos a todos os monarcas que sejam justos e mostrar fidelidade a todo rei virtuoso. Servi aos soberanos do mundo com a máxima sinceridade e lealdade. Prestai-lhe obediência e desejai o seu bem. Sem sua licença e permissão, não vos intrometais em assuntos políticos, porque a deslealdade ao soberano justo é deslealdade ao próprio Deus. É esse meu conselho e é o que Deus vos ordena. Bem-aventurados aqueles que assim agem!” (p. 18) “Senhor! Tu vês todas as coisas lamentarem-se por mim, enquanto parentes meus rejubilam-se com minhas tribulações. Por Tua Glória, ó meu Deus! Até mesmo entre meus inimigos houve quem lamentasse as minhas provações e angústias e, entre os invejosos, alguns


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verteram lágrimas por causa da minha angústia, do meu exílio e das minhas aflições. E isso fizeram por nada haverem encontrado em mim senão afeto e dedicação, nada testemunhado senão bondade e misericórdia. Quando viram-me levado pela correnteza das tribulações e adversidades, e exposto como alvo às setas do destino, seus corações foram tocados pela compaixão, seus olhos encheram-se de lágrimas e eles deram testemunho, declarando: “O Senhor é nossa testemunha; nada vimos nele a não ser fidelidade, generosidade e compaixão extrema.” Os rompedores do Convênio, contudo, pressagiadores do mal, cresceram mais ferozmente em seu rancor, regozijaram-se quando caí vítima das mais penosas provações, tramaram contra mim e se divertiram com os dolorosos acontecimentos que me envolveram. Ó Senhor meu Deus! Invoco-Te com minha língua e de todo coração, não os castigueis por sua crueldade e más ações, por suas malícias e perversidades, pois eles são insensatos e ignóbeis, e não sabem o que fazem. Não discernem o bem do mal, nem distinguem o certo do errado, nem a justiça da injustiça. Seguem seus próprios desejos e andam nas pegadas dos mais imperfeitos e insensatos em seu meio. Ó meu Senhor! Tem piedade deles, protege-os de qualquer aflição, nesses tempos de dificuldades, e permite que todas as provações e dificuldades sejam destinadas a este Teu servo, caído nesta cova tenebrosa. Torna-me alvo de todas as penas, e faze de mim um sacrifício por todos os Teus amados! Ó Senhor, Altíssimo! Seja minh’alma, minha vida, meu ser, meu espírito – tudo, oferecido em holocausto por eles! Ó Deus, meu Deus! Humilde, suplicante e prostrado diante de Ti, imploro-Te, com todo o ardor de minha invocação, que perdoes a quem quer que me tenha injuriado, que absolva aquele que conspirou contra mim e me ofendeu, e apagues as más ações daqueles que foram injustos para comigo. Concede-lhes Tuas boas dádivas, torna-os alegres, alivia-os de sua dor, concede-lhes paz e prosperidade, dá-lhes Tua bênção e derrama sobre eles Tua generosidade! Tu és o Poderoso, o Benévolo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si próprio!” (pp. 21-22) “Os discípulos de Cristo esqueceram-se de si mesmos e de todas as coisas terrenas, abandonaram toda preocupação e tudo o que lhes pertencia, purificaram-se do egoísmo e da paixão e, com


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desprendimento absoluto, espalharam-se por toda parte, ocupandose em chamar os povos do mundo para a Guia Divina, até que, finalmente, conseguiram transformar o mundo em outro mundo, iluminando a face da Terra. Até sua última hora, deram provas de sua abnegação no caminho dAquele Amado de Deus e, por fim, em diversas terras, sofreram martírio glorioso. Que os homens de ação sigam suas pegadas!” (p. 12) “Ó Deus, meu Deus! Invoco a Ti, Teus Profetas e Teus Mensageiros, Teus Santos e a todos os Teus Santificados para que dêem testemunho de haver eu declarado Tuas provas concludentemente aos Teus amados e lhes exposto com clareza todas as coisas, a fim de que vigiassem pela Tua Fé, guardassem Teu Caminho reto e protegessem Tua Lei resplandecente. Tu és, em verdade, Onisciente, o Sapientíssimo!” (pp. 25-26)

Com o passamento de ‘Abdu’l-Bahá chegara o tempo de se estabelecer a Ordem Administrativa que tem sido considerada o padrão e o núcleo da Ordem Mundial cujo estabelecimento é a missão especial da religião de Bahá’u’lláh. A Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá marca, pois, um momento decisivo na história bahá’í, a divisão entre a era da imaturidade e irresponsabilidade e a era em que os próprios bahá’ís são destinados a alcançar sua espiritualidade, alargando seu escopo do campo da experiência pessoal para aquele da cooperação e unidade sociais. Os três principais elementos deste plano administrativo deixado por ‘Abdu’lBahá são: 1. “O Guardião da Causa de Deus”, 2. “As Mãos da Causa de Deus”, e 3. “As Casas de Justiça, Locais, Nacionais e Internacional”*. O Guardião da Causa de Deus ‘Abdu’l-Bahá apontou Seu neto mais velho, Shoghi Effendi, para a posição de responsabilidade de “Guardião da Causa” (Valíyy*As Casas de Justiça Locais e Nacionais são designadas, presentemente, Assembléias Espirituais Locais e Nacionais, e a Casa de Justiça a nível internacional é denominada Casa Universal de Justiça.


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i-Amru’lláh). Shoghi Effendi é o filho mais velho de Díyá’íyyih Khánum, filha mais velha de ‘Abdu’l-Bahá. O seu pai, Mírzá Hádí, é parente do Báb (embora não um descendente direto, pois o único filho do Báb morreu quando criança). Shoghi Effendi tinha vinte e cinco anos de idade e estava estudando no Balliol College, Oxford, por ocasião do falecimento de seu avô. A notícia da sua nomeação foi dada na Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l Bahá nas seguintes palavras: “Ó meus amados amigos! Após o passamento deste injustiçado, deverão os Aghsán [Ramos], os Afnán [Brotos] do Sagrado Loto, as Mãos [pilares] da Causa de Deus e os amados da Beleza de Abhá voltar-se para Shoghi Effendi – o jovem ramo que brotou dos Dois Lotos sagrados e santificados, o fruto da união dos Dois rebentos da Árvore da Santidade – pois ele é o sinal de Deus, o ramo escolhido, o Guardião da Causa de Deus, aquele para quem devem se voltar todos os Aghsán, Afnán, Mãos da Causa de Deus e Seus amados. É o expositor das palavras de Deus e a ele sucederão os primogênitos de seus descendentes diretos. O sagrado e jovem ramo, o Guardião da Causa de Deus, assim como a Casa Universal de Justiça a ser eleita e estabelecida universalmente, estão ambos sob o amparo e a proteção da Beleza de Abhá [Bahá’u’lláh], sendo abrigados e guiados infalivelmente pelo Excelso [O Báb] (seja minha vida sacrificada por ambos!). O que quer que decidam, provém de Deus... Ó vós, amados do Senhor! Cumpre ao Guardião da Causa de Deus designar durante sua vida quem deve ser seu sucessor, para que não surjam divergências após seu passamento. O designado deve manifestar em seu caráter desprendimento de todas as coisas deste mundo, deve ser a essência da pureza e dar provas de possuir temor a Deus, conhecimento, sabedoria e erudição. Se, portanto, o primogênito do Guardião da Causa de Deus não manifestar em sua pessoa a verdade das palavras: “A criança é da essência secreta do pai”, isto é, se não herdar a espiritualidade inerente (ao Guardião da Causa de Deus), não corresponder à sua gloriosa linhagem com um caráter


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digno, então ele (o Guardião da Causa de Deus) deverá escolher outro ramo para ser seu sucessor. As Mãos da Causa de Deus devem eleger nove pessoas de seu próprio seio, as quais se ocuparão continuamente com os importantes serviços a cargo do Guardião da Causa de Deus. A eleição destas nove pessoas deve ser feita unanimente ou por maioria, dentre as Mãos da Causa de Deus, e estas, quer seja por unanimidade quer por maioria, devem aprovar a escolha daquele a quem o Guardião da Causa de Deus tenha escolhido para ser seu sucessor. Essa aprovação deve ser dada de tal modo que os votos prós e contra não se distingam (isto é, por voto secreto).” (pp. 12-14)

As Mãos da Causa de Deus Durante Sua própria vida Bahá’u’lláh nomeou alguns amigos experientes e de confiança para auxiliá-Lo na direção e promoção do trabalho da Fé, e conferiu-lhes o título de Ayádíyi-Amru’lláh (literalmente “Mãos da Causa de Deus”). ‘Abdu’l Bahá, em Sua Última Vontade e Testamento, determina o estabelecimento de um corpo permanente de pessoas para servir à Causa e auxiliar o Guardião da Causa. Ele escreve: “Ó amigos! As Mãos da Causa de Deus devem ser nomeadas e apontadas pelo Guardião da Causa de Deus... As obrigações das Mãos da Causa de Deus consistem em difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens e ser, em todos os tempos e sob quaisquer condições, santificadas e desprendidas das coisas terrenas. Pela sua conduta, pelas suas maneiras, suas palavras e suas ações, devem elas manifestar temor a Deus. Esse corpo das Mãos da Causa de Deus está sob a direção do Guardião da Causa de Deus. Ele deve continuamente exortá-las a se esforçarem o máximo que lhes for possível para difundir as doces fragrâncias Divinas e guiar todos os povos do mundo, pois é a luz da Guia Divina que faz com que todo o universo seja iluminado*.” (pp. 14-15) *Das Mãos da Causa designadas por Shoghi Effendi durante seu ministério de 36 anos, 27 eram vivas quando de seu passamento. Ele também instituiu, em 1954, os Corpos Auxiliares, a serem nomeados pelas Mãos e para agirem como seus representantes, assistentes e conselheiros.


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A Ordem Administrativa* Tem sido a característica geral das religiões que a sua organização assinala a interrupção da verdadeira influência espiritual e impede o impulso original de ser levado para o mundo. A organização tem invariavelmente se tornado um substituto para a religião em vez de um método ou instrumento para tornar a religião eficaz. A separação dos povos em diferentes tradições, sem um intercâmbio pacífico ou construtivo, tornou isto inevitável. Até o presente, de fato, nenhum Fundador de uma religião revelada determinou explicitamente os princípios que deveriam guiar o mecanismo administrativo da Fé que Ele estabeleceu. Na Causa Bahá’í, os princípios da administração mundial foram expressos por Bahá’u’lláh e desenvolvidos nos Escritos de ‘Abdu’lBahá, mais especificamente em Sua Última Vontade e Testamento. O propósito dessa organização é tornar possível uma união verdadeira e permanente entre pessoas de diferentes raças, classes, interesses, caracteres e credos herdados. Um estudo cuidadoso e compreensivo deste aspecto da Causa Bahá’í mostrará que o propósito e o método da administração bahá’í estão adaptados tão perfeitamente ao espírito fundamental da Revelação, quanto a relação que o corpo tem com a alma. Os princípios da administração bahá’í representam, em caráter, a ciência da cooperação; em aplicação, provêem um novo e mais elevado tipo de moralidade, universal em âmbito.... Uma comunidade bahá’í difere de outros grupos voluntários por ser a sua base tão profundamente estabelecida e amplamente estendida que pode incluir em seu seio qualquer pessoa sincera. Enquanto outras associações são exclusivistas – em efeito se não em intenção, e por método se não por ideal – a associação bahá’í é abrangente, não fechando as portas da fraternidade para nenhuma alma sincera. Em outros agrupamentos existe alguma base de seleção, latente ou desenvolvida. Na religião esta base é um credo limitado pela natureza histórica da sua origem; na política, é um partido ou *Esta parte da Ordem Administrativa foi tirada do artigo The Present-Day Administration of the Bahá’í Faith, de autoria de Horace Holley, publicado em 1933 no The Bahá’í World, volume V, p. 191 e seguintes.


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plataforma; na economia, é uma desventura mútua ou um poder mútuo; nas artes e ciências esta base consiste no treino ou atividade ou interesse especial. Em todos estes campos, quanto mais exclusivista a base de seleção, mais forte o movimento – condição esta diametralmente oposta àquela existente na Causa Bahá’í. Conseqüentemente, apesar de todo o seu espírito de crescimento e progresso, a Causa desenvolve-se lentamente quanto ao número de seus adeptos ativos. Pois estamos acostumados a exclusivismo e divisão em todas as atividades. As importantes sanções têm sido sempre garantias e justificativas de divisão. Entrar na Causa Bahá’í quer dizer deixar para trás estas sanções – uma experiência que a princípio nos expõe invariavelmente a provações e sofrimentos novos, enquanto o ego humano se revolta contra a suprema sanção do amor universal. O cientista deve associar-se ao simples e inculto, o rico ao pobre, o branco ao negro, o místico ao literato, o cristão ao judeu, o muçulmano ao zoroastriano; e em condições que removam a vantagem de presunções e privilégios há muito estabelecidos. Mas para esta experiência difícil há gloriosas compensações. Lembremo-nos de que a arte torna-se estéril ao afastar-se da humanidade comum, que a filosofia igualmente perde sua visão quando é desenvolvida em isolamento, e que a política e a religião nunca prosperam alienadas das necessidades gerais da humanidade. A natureza humana não é conhecida ainda porque todos nós temos vivido num estado de defesa mental, moral, emocional ou social, e a psicologia da defesa é a psicologia da inibição. Mas o amor de Deus remove o medo; a eliminação do medo estabelece os poderes latentes, e a associação com outros em amor espiritual traz estes poderes à expressão vital, positiva. Uma comunidade bahá’í é um grupo em que este processo pode ter lugar nesta era, primeiro lentamente, enquanto o novo ímpeto reúne força, e mais rapidamente à medida que os membros tornam-se conscientes dos poderes que fazem desabrochar entre os homens a flor da unidade.... A responsabilidade e a supervisão das atividades bahá’ís de um local cabem a uma entidade chamada Assembléia Espiritual.


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Esta entidade (composta de nove membros) é eleita anualmente no dia 21de abril, o primeiro dia de Ridván (a Festa comemorativa da Declaração de Bahá’u’lláh) pelos crentes adultos declarados da comunidade, sendo a lista de eleitores compilada pela Assembléia Espiritual cujo período de serviço estiver terminando. A respeito do caráter e das funções desta entidade, ‘Abdu’l-Bahá escreveu o seguinte: “Incumbe a cada um [cada bahá’í] não dar qualquer passo [na atividade bahá’í] sem consultar a Assembléia Espiritual, à qual deve asseguradamente obedecer de coração e alma e ser submisso, a fim de que as coisas sejam devidamente ordenadas e bem organizadas. De modo contrário, cada pessoa agirá independentemente e de acordo com seu próprio juízo, seguirá sua própria vontade e causará dano à Causa. Os primeiros requisitos para aqueles que se reúnem para consulta são: pureza de motivos, espírito radiante, desprendimento de tudo a não ser Deus, atração às Suas Divinas Fragrâncias, humildade e modéstia entre Seus amados, paciência e resignação em dificuldades, e servitude ao Seu glorificado Limiar. Se forem graciosamente auxiliados a adquirir estes atributos a vitória lhes será concedida do Reino invisível de Bahá. Nesta era, assembléias consultivas são da máxima importância e de uma necessidade vital. Obediência a elas é essencial e obrigatória. Seus membros devem consultar conjuntamente de tal modo que nenhuma ocasião para malentendidos ou discórdia possa surgir. Isto pode ser atingido quando cada membro expressa com absoluta liberdade sua própria opinião e expõe seu argumento. Se alguém se opuser, ele não deve de forma alguma sentir-se ofendido, pois o caminho certo não pode ser revelado antes que as questões sejam plenamente consideradas. A brilhante fagulha da verdade só aparece com o choque das opiniões divergentes. Se, após a consideração do assunto, chegar-se a uma decisão unânime, será muito bom; mas se, Deus o proíba, surgirem diferenças de opinião, a maioria das vozes deverá predominar.... A primeira condição é absoluto amor e harmonia entre os membros da Assembléia. Eles devem estar completamente livres da


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alienação e manifestar em si mesmos a Unidade de Deus, pois são as ondas do mesmo mar, as gotas do mesmo rio, as estrelas de um único céu, os raios do mesmo sol, as árvores de um só pomar, as flores do mesmo jardim. Caso não existam harmonia de pensamento e absoluta unidade, esse grupo será disperso e essa Assembléia será levada à inexistência. A segunda condição: eles devem, ao reunir-se, dirigir suas faces ao Reino no Alto e pedir auxílio do Reino da Glória.... As questões tratadas devem limitar-se a assuntos espirituais, pertinentes ao treinamento das almas, à educação das crianças, ao alívio dos pobres, ao auxílio dos fracos entre todas as classes do mundo, à bondade para com todos os povos, à difusão das fragrâncias de Deus e ao enaltecimento de Sua Santa Palavra. Se eles esforçarem-se por cumprir estas condições, a Graça do Espírito Santo ser-lhes-á concedida e essa Assembléia tornar-se-á o centro das bênçãos Divinas, as hostes da confirmação Divina virão em seu auxílio, e dia a dia receberá uma nova efusão do Espírito.”

Expondo este assunto, Shoghi Effendi escreve: “...nada, absolutamente, deve ser dado ao público por qualquer indivíduo entre os amigos antes de ser cuidadosamente considerado e aprovado pela Assembléia Espiritual da sua localidade; se este é um assunto (como, sem dúvida, é o caso) que diz respeito aos interesses gerais da Causa nesse país, então incumbe à Assembléia submetê-lo à consideração e aprovação do corpo nacional, que representa todas as várias Assembléias Locais. Não somente a questão da publicação, mas todos os assuntos, sem qualquer exceção, relativos aos interesses da Causa naquela localidade, individual ou coletivamente, devem ser submetidos exclusivamente à Assembléia Espiritual daquele lugar, a qual decidirá sobre eles, a não ser que seja um assunto de interesse nacional, e neste caso deve ser submetido ao corpo (bahá’í) nacional. A este também caberá decidir se uma dada questão é de interesse local ou nacional. (Por questões nacionais não se quer dizer assuntos que sejam de caráter político, pois é expressamente proibido aos amigos de Deus no mundo inteiro,


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envolverem-se de qualquer forma com assuntos políticos, mas sim assuntos que afetam as atividades espirituais do conjunto dos amigos naquele país.) São de máxima importância, entretanto, a completa harmonia e a cooperação entre as várias Assembléias Locais como também entre os seus membros individuais, e especialmente entre cada Assembléia e o corpo nacional, pois disso dependem a unidade da Causa de Deus, a solidariedade dos amigos, a execução plena, rápida e eficiente das atividades espirituais de Seus amados.... As várias Assembléias, locais e nacionais, constituem hoje o alicerce sobre cuja solidez a Casa Universal [de Justiça] será no futuro firmemente erigida e estabelecida. Só quando estas funcionarem vigorosa e harmoniosamente pode ser realizada a esperança de findarse este período de transição.... ...lembrem-se de que a nota predominante da Causa de Deus não é a autoridade ditatorial, e sim o companheirismo humilde; não o poder arbitrário, e sim o espírito de consulta franca e afetuosa. Nada menos que o espírito de um verdadeiro bahá’í pode esperar reconciliar os princípios de misericórdia com os de justiça; de liberdade com os de submissão; de consagração do direito do indivíduo com os de sujeição, de vigilância, discrição e prudência por um lado e, por outro, os de fraternidade, franqueza e coragem.”

As Assembléias Espirituais Locais de um país são ligadas e coordenadas por um outro corpo eleito de nove membros, a Assembléia Espiritual Nacional. Este corpo é formado por meio de uma eleição anual realizada pelos delegados eleitos nas comunidades bahá’ís locais que representam.... A Convenção Nacional em que os delegados reúnem-se, é composta de um corpo eletivo baseado no princípio da representação proporcional.... Essas Convenções Nacionais realizam-se preferivelmente no período de Ridván, os doze dias iniciados a 21 de abril que comemoram a Declaração feita por Bahá’u’lláh no Jardim de Ridván, perto de Bagdá. O reconhecimento dos delegados cabe à Assembléia Espiritual Nacional do ano administrativo que se encerra.


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Uma Convenção Nacional é uma ocasião para aprofundar-se na compreensão das atividades bahá’ís e de compartilhar relatórios sobre as atividades nacionais e locais durante o ano findo.... A função de um delegado bahá’í limita-se à duração da Convenção Nacional e participação na eleição da nova Assembléia Espiritual Nacional. Enquanto reunidos, os delegados são um corpo de consulta e conselho cujas recomendações devem ser cuidadosamente consideradas pelos membros da Assembléia Espiritual Nacional eleita.... A relação da Assembléia Espiritual Nacional com as Assembléias Espirituais Locais e com o corpo dos bahá’ís do país, é assim definida nas cartas do Guardião da Causa: “Referente ao estabelecimento de ‘Assembléias Nacionais’, é de vital importância que em todo país, onde as condições são favoráveis e o número de amigos tenha crescido e atingido um tamanho considerável... que uma ‘Assembléia Espiritual Nacional’ seja imediatamente estabelecida, representativa dos amigos daquele país. Seu propósito imediato é estimular, unificar e coordenar através de freqüentes consultas pessoais, as múltiplas atividades dos amigos, bem como, das Assembléias Locais; e, mantendo íntimo e constante contato com a Terra Santa, iniciar medidas e dirigir, de um modo geral, os assuntos da Causa naquele país. Serve também ainda para outro propósito, não menos essencial que o primeiro, de que no decorrer do tempo evoluirá em Casa Nacional de Justiça (referência feita no Testamento de ‘Abdu’l-Bahá como ‘Casa de Justiça Secundária’), a qual, de acordo com o texto explícito do Testamento, terá que, juntamente com outras Assembléias Nacionais através do mundo bahá’í, eleger diretamente os membros da Casa Internacional de Justiça, aquele Conselho Supremo que guiará, organizará e unificará os assuntos do Movimento em todo o mundo. Esta Assembléia Espiritual Nacional, da qual, depende o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, terá que ser reeleita uma vez a cada ano, obviamente assume sérias responsabilidades, pois deve exercer completa autoridade sobre todas as Assembléias


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Locais em seu país, e terá que conduzir as atividades dos amigos, proteger vigilantemente a Causa de Deus, e controlar e supervisionar os assuntos do Movimento em geral. Assuntos vitais, que afetam os interesses da Causa naquele país tais como a questão da tradução e publicação, o Mashriqu’l-Adhkár, o trabalho do Ensino e outras questões similares que se distinguem dos assuntos estritamente locais, devem ficar sob a integral jurisdição da Assembléia Nacional. Deve delegar cada uma dessas questões, mesmo as das Assembléias Locais, a um Comitê especial, a ser nomeado pelos membros da Assembléia Espiritual Nacional, dentre todos os amigos naquele país, os quais terão idêntica relação àquela dos comitês com suas respectivas Assembléias Locais. Com ela, também, repousa a decisão de que até que ponto um determinado problema é estritamente local em sua natureza, e deve ser reservado para a consideração e decisão da Assembléia local, ou se deve recair sobre sua própria província e ser visto como uma questão que deve receber sua especial atenção...” “...no interesse da Causa que todos nós amamos e servimos, dos membros da recém formada Assembléia Nacional, uma vez eleitos pelos delegados durante a Convenção, de procurar e ter a máxima consideração, individual bem como coletivamente, pelo conselho, pela estimada opinião e os verdadeiros sentimentos dos delegados congregados. Banindo quaisquer vestígios de segredo, de indevida reticência, de afastamento ditatorial, do meio deles, eles devem radiante e abundantemente desdobrar aos olhos dos delegados, por quem eles são eleitos, seus planos, suas esperanças e suas preocupações. Devem familiarizar os delegados com os diversos assuntos que deverão ser considerados no ano corrente, e tranqüila e conscienciosamente estudar e pesar as opiniões e julgamentos dos delegados. A recém-eleita Assembléia Nacional, durante os poucos dias em que a Convenção está em sessão e após a dispersão dos delegados, devem buscar caminhos e meios para cultivar o entendimento, facilitar e manter o intercâmbio de visões, aprofundar


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a confiança e reivindicar através de cada evidência tangível seu desejo único de servir e fomentar o bem-estar comum.... A Assembléia Espiritual Nacional, contudo, em vista de inevitáveis limitações impostas sobre a convocação das freqüentes e demoradas sessões da Convenção, terá que reter em suas mãos a decisão final sobre todas as questões que afetam os interesses da Causa na América, tais como o direito de decidir se uma Assembléia local está funcionando de acordo com os princípios estabelecidos para a condução e o avanço da Causa.” Shoghi Effendi. Administração Bahá’í, pp. 51-3 e pp. 104-5.

Quanto à questão da elaboração da lista de eleitores a ser usada nas eleições anuais bahá’ís de qualquer localidade, a responsabilidade disto cabe a cada Assembléia Espiritual Local e, para sua orientação, o Guardião escreveu o seguinte: “Apenas arriscaria declarar, muito brevemente e tão adequadamente quanto as atuais circunstâncias permitem, os principais fatores que devem ser levados em consideração antes de decidir se a pessoa pode ser vista como um verdadeiro crente ou não. Completo reconhecimento do grau do Precursor, do Autor e do Verdadeiro Exemplar da Causa bahá’í, assim como está determinado no Testamento de ‘Abdu’l-Bahá; aceitação irrestrita de, e submissão a, o que quer que tenha sido revelado por Suas Penas; leal e firme adesão à cada cláusula da sagrada Última Vontade do nosso Amado; e, íntima associação com o espírito, bem como, com a forma da atual administração no mundo – estas, concebo como sendo as fundamentais e primordiais considerações que devem justa, discreta e refletidamente ser examinadas antes de se chegar a esta vital decisão.” Shoghi Effendi. Administração Bahá’í, pp. 119-120.

As instruções de ‘Abdu’l-Bahá provêem ainda maior desenvolvimento da organização bahá’í: “E agora, com referência à Casa da Justiça que Deus ordenou como a fonte de todo o bem e isenta de todo o erro, esta deve ser eleita


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por sufrágio universal, isto é, pelos crentes. Seus membros devem ser manifestações do temor a Deus e auroras do conhecimento e da compreensão; devem ser constantes na Fé Divina e benévolos para com toda a humanidade. Entende-se por esta Casa, a Casa Universal de Justiça, isto é, em todos os países deve ser instituída uma Casa de Justiça secundária, e estas Casas de Justiça secundárias devem eleger os membros da Casa Universal*. A esta devem-se submeter todas as questões. Esta Casa fará todas as leis e todos os regulamentos que não foram previstos explicitamente no Texto Sagrado. Resolverá todos os problemas difíceis, e o Guardião da Causa de Deus será seu sagrado dirigente e distinto membro perpétuo. Caso não esteja pessoalmente em todas as deliberações, ele deve nomear alguém para representá-lo... A esta devem-se submeter todas as questões. Esta Casa fará todas as leis e todos os regulamentos que não foram previstos explicitamente no Texto Sagrado. Resolverá todos os problemas difíceis, e o Guardião da Causa de Deus será seu sagrado dirigente e distinto membro perpétuo. Caso não esteja pessoalmente em todas as deliberações, ele deve nomear alguém para representálo. Se qualquer membro cometer um erro prejudicial ao bem comum, ficará a critério do Guardião da Causa de Deus a expulsão desse membro, para cujo lugar, neste caso, as pessoas deverão eleger outro. Esta Casa de Justiça decreta as leis, e o governo tem a seu cargo fazer cumpri-las. O corpo legislativo deve reforçar o executivo, e o executivo, por sua vez, deve apoiar e auxiliar o legislativo, de modo que, pela estreita união e harmonia dessas duas forças, as bases da retidão e justiça tornem-se fortes e firmes, e assim todas as regiões do mundo se transformem no próprio Paraíso... Ao Sacratíssimo Livro, todos devem se voltar, e qualquer coisa que nele não esteja expressamente tratada, deve ser referida à Casa Universal de Justiça. O que essa Casa resolver, seja por unanimidade ou por maioria, será realmente a Verdade e a expressão da própria Vontade Divina. Qualquer um que divirja dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, demonstra malícia e se afasta do Senhor do Convênio.” ‘Abdu’l-Bahá. A Última Vontade e Testamento, pp. 16-17; 22-23. *A Casa Universal de Justiça foi eleita pela primeira vez em abril de 1963 pelos membros de cinqüenta e seis Assembléias Espirituais Nacionais.


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Mesmo agora, os bahá’ís em todas as partes do mundo mantêm uma associação íntima e cordial por meio de correspondência regular e visitas individuais. Tal contato entre os membros das diferentes raças, nacionalidades e tradições religiosas é uma prova concreta de que o obstáculo do preconceito e os fatores históricos de divisão podem ser inteiramente superados através do espírito de unidade estabelecido por Bahá’u’lláh. A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh As maiores implicações desta Ordem são explicadas por Shoghi Effendi em sucessivas comunicações dirigidas à comunidade bahá’í desde fevereiro de 1929: “Não posso me abster de apelar aos que se identificam com a Fé a desconsiderarem as idéias predominantes e as formas transitórias da época, e a darem-se conta, como jamais antes, que as teorias desacreditadas e as instituições cambaleantes da civilização da atualidade devem necessariamente aparecer em contraste penetrante com aquelas instituições divinamente ordenadas que estão destinadas a se erguer sobre suas ruínas... Pois Bahá’u’lláh, devemos prontamente reconhecer, não somente imbuiu a humanidade de um Espírito novo e regenerador. Ele não apenas enunciou certos princípios universais e propôs uma bem definida filosofia, não importa quão potentes, sãos e universais eles sejam. Além disso, Ele, como também ‘Abdu’l-Bahá depois dEle, diferentemente das eras religiosas do passado, estabeleceram clara e especificamente um código de Leis e instituições bem definidas, e proveram os princípios essenciais de uma Economia Divina. Esses princípios estão destinados a servir de modelo para a sociedade futura, constituem um instrumento supremo para a inauguração da Paz Máxima e são o único meio de unificar o mundo e proclamar o reino de retidão e justiça na terra... Ao contrário da Dispensação de Cristo, ao contrário da Dispensação de Muhammad, ao contrário de todas as Dispensações


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do passado, os apóstolos de Bahá’u’lláh em todas as partes, onde quer que trabalhem e labutem, têm perante si em linguagem clara, inequívoca e enfática, todas as leis, regulamentos, princípios, instituições e orientação que necessitam para o prosseguimento e realização de sua tarefa... Nisso reside a característica distintiva da Revelação Bahá’í. Nisso reside a força da unidade da Fé, da validade da Revelação que reivindica não destruir ou diminuir Revelações anteriores, mas sim ligar, unificar e consumá-las...” Shoghi Effendi. A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, pp. 19, 23-26.

“Por mais frágil que se possa afigurar nossa Fé atualmente aos olhos dos homens, os quais a denunciam como um ramo do Islã ou ignoram-na desdenhosamente, como se fosse mais uma daquelas obscuras seitas que proliferam no Ocidente, não obstante, a jóia inestimável desta Revelação Divina, ainda em estado embrionário, evoluirá dentro do arcabouço de Sua lei e avançará rapidamente, sem divisão e incólume, até abranger toda a humanidade. Somente aqueles que já reconheceram a posição suprema de Bahá’u’lláh, somente aqueles cujos corações foram tocados pelo Seu amor e que perceberam a potência do Seu espírito, podem apreciar adequadamente o valor desta Economia Divina – Sua inestimável dádiva ao gênero humano.” 21 de março de 1930.

“É para essa meta – a meta de uma Nova Ordem Mundial, divina em origem, de âmbito irrestrito, eqüitativa em seus princípios, e de características desafiadoras – que a humanidade atribulada deve dirigir seus esforços.” Shoghi Effendi. A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, p. 43.

“Dignos de lástima são, de fato, os esforços daqueles líderes das instituições humanas que, não levando em consideração o espírito da época, lutam para aplicar processos nacionais, próprios dos tempos antigos em que cada nação era auto-suficiente, a uma época que tem de atingir a unidade do mundo, conforme prenunciada por Bahá’u’lláh, ou perecer. Numa hora tão crítica na história da


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civilização, cumpre aos líderes de todas as nações do mundo, tanto pequenas como grandes, orientais como ocidentais, quer vencedoras ou vencidas, atenderem ao chamado de clarim que Bahá’u’lláh fez soar e, inteiramente imbuídos de um senso de solidariedade mundial, o “sine qua non” de lealdade à Sua Causa, levantarem-se corajosamente para pôr em prática integralmente o remédio único que Ele, o Médico Divino, prescreveu para uma humanidade enferma. Que afastem de si, definitivamente, toda idéia preconcebida, todo preconceito nacional, e atendam ao conselho sublime de ‘Abdu’l-Bahá, o autorizado Expositor de Seus ensinamentos. A um alto oficial no serviço do governo federal dos Estados Unidos da América, que Lhe havia interrogado a respeito da melhor maneira de promover os interesses de seu governo e do povo, ‘Abdu’l-Bahá respondeu: ‘Podeis melhor servir a vosso país* se, em vossa capacidade de cidadão do mundo, envidardes esforços para facilitar a aplicação final do princípio do federalismo, no qual se baseia o governo de vosso próprio país, às relações que atualmente existem entre os povos e nações do mundo.’” (ibid pp. 45-46.) “Alguma forma de super-Estado mundial há de ser desenvolvida, em cujo favor todas as nações do mundo de boa vontade cederão todo e qualquer direito de fazer guerra, certos direitos de cobrar impostos e todos os direitos de ter armamentos além do necessário para a manutenção da ordem interna em seus respectivos domínios. Tal estado terá que incluir dentro de seu campo de ação um Executivo Internacional capaz de exercer autoridade suprema e inquestionável sobre qualquer membro recalcitrante da comunidade mundial; um Parlamento Mundial, cujos membros serão eleitos pelos povos de seus respectivos países, e cuja eleição será confirmada pelos respectivos governos; e um Supremo Tribunal cuja decisão terá autoridade mesmo nos casos em que os envolvidos não consintam voluntariamente em submeter seu caso à sua consideração. Uma comunidade mundial em que todas as barreiras econômicas tenham sido permanentemente demolidas, em que se haja reconhecido definitivamente a interdependência entre Capital *No ano de 1912.


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e Trabalho; em que o clamor do fanatismo e da contenda religiosa tenha cessado para sempre; em que a chama da animosidade de raça esteja finalmente apagada; em que um só código de lei internacional – o resultado do juízo ponderado dos representantes federados do mundo – tenha como sua sanção a intervenção instantânea e coerciva das forças combinadas das unidades federadas; e finalmente, uma comunidade mundial em que a fúria de um nacionalismo caprichoso e militante tenha sido transmutada em uma consciência duradoura de cidadania mundial – isto de fato parece ser, em seu esboço mais abrangente, a Ordem prenunciada por Bahá’u’lláh, uma Ordem que virá a ser considerada como o fruto mais belo de uma era em lento amadurecimento. Que não haja dúvida quanto ao propósito animador da Lei Universal de Bahá’u’lláh. Longe de mirar à subversão dos alicerces existentes da sociedade, ela visa lhe alargar a base, remodelar as instituições de maneira consoante com as necessidades de um mundo sempre em transformação. Não pode estar em conflito com nenhuma fidelidade legítima, nem pode minar lealdades essenciais. Sua finalidade não é abafar a chama de um patriotismo são e inteligente no coração do homem, nem abolir o sistema de autonomia nacional tão indispensável para evitar os males da centralização excessiva. Não deixa de levar em consideração, nem tenta suprimir, a diversidade de origem étnica, de clima, de história, de idioma e tradição, de pensamento e hábito, que diferencia os povos e as nações do mundo. Clama por uma lealdade mais ampla, uma aspiração maior que qualquer outra que já tenha animado a raça humana... ...O chamado de Bahá’u’lláh é dirigido primariamente contra todas as formas de provincialismo, toda estreiteza mental e preconceitos... Pois o fim único das normas legais, das teorias políticas e econômicas, é a proteção dos interesses da humanidade inteira e não que a humanidade deva ser crucificada a fim de se preservar a integridade de qualquer lei ou doutrina... Este princípio representa a consumação da evolução humana... Torna-se, infelizmente, cada vez mais claro, que só as forças de uma catástrofe mundial podem precipitar essa nova fase do pensamento humano...


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Nada a não ser uma provação flamejante, da qual a humanidade emergirá, purificada e preparada, conseguirá implantar aquele senso de responsabilidade que os líderes de uma era recém-nascida deverão erguer sobre seus ombros... Não afirmou o próprio ‘Abdu’l-Bahá em linguagem inequívoca que “outra guerra, mais feroz que a última, seguramente irromperá”?”(ibid, pp. 52-60.) “Assim que suas partes componentes, suas instituições orgânicas, entrem em funcionamento com eficiência e vigor, essa Ordem reivindicará sua pretensão e demonstrará sua capacidade de ser considerada não somente o núcleo, mas o verdadeiro padrão da Nova Ordem Mundial destinada a abranger, na plenitude dos tempos, a humanidade inteira.” (ibid, p. 187.) “Dentre todas as Revelações, até a época atual, somente esta Fé... conseguiu erigir uma estrutura da qual os adeptos de credos falidos e quebrados bem poderiam se aproximar em sua perplexidade, a fim de examiná-la com atenção e procurar, antes que seja tarde demais, a segurança invulnerável de seu refúgio mundial.” (ibid, p. 189.) “A que mais, senão ao poder e majestade que esta Ordem Administrativa – base da futura Comunidade Bahá’í universal – é destinada a manifestar, podem aludir estas palavras de Bahá’u’lláh: ‘O equilíbrio do mundo foi alterado pela vibrante influência desta nova e mais grandiosa Ordem Mundial. A vida ordenada do gênero humano foi revolucionada pela ação deste Sistema maravilhoso, incomparável, cujo igual jamais foi visto por olhos mortais.’” (ibid, p. 210.) “A comunidade bahá’í do futuro, alicerçada unicamente sobre esta vasta Ordem Administrativa, não só desafia qualquer comparação em toda a história das instituições políticas, mas também não encontra paralelo nos anais de qualquer um dos reconhecidos sistemas religiosos do mundo, quer seja em teoria quer na prática. Forma alguma de governo democrático; sistema algum de autocracia ou de ditadura, quer monárquico, quer republicano; nenhum


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esquema de ordem puramente aristocrático; nem mesmo qualquer dos reconhecidos tipos de teocracia – seja da comunidade hebraica, ou das várias organizações eclesiásticas cristãs, ou da dos imames ou do califado no islã – nenhum destes pode ser considerado idêntico ou conforme a Ordem Administrativa moldada pela mão mestra de seu Arquiteto perfeito.” (ibid, p. 199.) “Que ninguém – enquanto este Sistema estiver ainda na infância – forme um conceito errôneo de seu caráter, lhe diminua a significação ou lhe atribua um objetivo falso. A rocha que alicerça esta Ordem Administrativa é o Propósito imutável de Deus para a humanidade de hoje. A Fonte de que deriva sua inspiração não é outra senão o próprio Bahá’u’lláh... O intuito central que a baseia e anima é o estabelecimento da Nova Ordem Mundial, segundo esboçada por Bahá’u’lláh. Os métodos que emprega, o padrão que ela inculca, não inclinam nem para Oriente nem Ocidente, judeu ou gentio, nem para rico ou pobre, branco ou preto. Sua divisa é a unificação da espécie humana; seu estandarte, a ‘Maior Paz’...” (ibid, p. 205.) “O contraste das evidências cada vez maiores entre a sólida consolidação que acompanha o crescimento da Ordem Administrativa da Fé de Deus e as forças de desintegração que estão demolindo as estruturas de uma sociedade angustiada, é muito claro e impressionante. Tanto dentro como fora do mundo bahá’í, os sinais e as evidências que, de uma forma misteriosa, estão anunciando o nascimento daquela Ordem Mundial cujo estabelecimento sinaliza a Idade Áurea da Causa de Deus...” (ibid, p. 209.) “As próprias palavras de Bahá’u’lláh proclamam: ‘Breve será a presente ordem posta de lado, e uma nova se estenderá em seu lugar.’” (ibid, p. 210.) “A Revelação de Bahá’u’lláh... deve ser considerada, se formos fiéis às suas implicações, como sinalizando, com seu advento, a idade de maturidade da inteira raça humana. Ela deve ser vista não apenas como mais uma renovação espiritual nos destinos sempre em


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transformação da humanidade, nem apenas como um estágio superior em uma corrente de Revelações progressivas, nem mesmo como a culminação de uma série de renovados ciclos proféticos, mas como a certeza do último e mais elevado estágio na estupenda evolução da vida coletiva do ser humano neste planeta. A emergência de uma comunidade mundial, a consciência da cidadania mundial, a fundação de uma civilização e de uma cultura mundiais... devendo, em virtude de sua natureza, ser considerada, no que concerne a esta vida planetária, como as fronteiras mais avançadas na organização da sociedade humana, embora o homem, como indivíduo, continue, e até mesmo como resultado desta consumação...” (ibid, p. 213.) “A unidade do gênero humano, assim como Bahá’u’lláh a concebeu, compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, crenças e classes estejam estreita e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos estados que a compõem, e a liberdade e iniciativa pessoal dos seus membros individuais, sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Tal comunidade mundial deve abranger, segundo nosso conceito, uma legislatura mundial, cujos membros, os representantes de todo o gênero humano, virão a controlar todos os recursos das respectivas nações componentes e criar as leis que forem necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e ajustar as relações de todas as raças e povos entre si. Um executivo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas, e protegerá a unidade orgânica da inteira comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá adjudicar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal, sendo irrevogável a sua decisão. Um sistema de intercomunicação mundial será adotado que abranja todo o planeta, e, livre de qualquer embaraço ou restrição nacional, funcionará com admirável rapidez e perfeita regularidade. Uma metrópole mundial será o centro de uma civilização mundial, o foco para onde convergirão as forças unificadoras da vida e da qual hão de irradiar as suas influências vigorantes. Um idioma mundial será criado ou escolhido dentre as línguas existentes e será ensinado


em todas as escolas de todas as nações federadas como auxiliar à língua nativa. Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema uniforme de moeda, de pesos e medidas simplificarão e facilitarão o intercâmbio e entendimento entre as nações e raças da humanidade. Em tal sociedade mundial, a ciência e a religião, as duas forças mais potentes da vida humana, serão reconciliadas, assim cooperando e desenvolvendo-se harmoniosamente. Não mais será a imprensa, sob tal sistema, perniciosamente dominada por interesses, quer particulares, quer públicos, embora dê plena expressão às várias opiniões e convicções do gênero humano; e será livrada da influência de governos e povos querelantes. Os recursos econômicos do mundo serão organizados, suas fontes de matérias-primas serão exploradas e completamente utilizadas, seus mercados serão coordenados e desenvolvidos e a distribuição de seus produtos será regulada de um modo eqüitativo. As rivalidades entre as nações, os ódios e as intrigas cessarão, e os preconceitos e animosidades de raça serão substituídos por amizade, entendimento mútuo e cooperação. Não mais existirão os motivos de contenda religiosa; abolir-se-ão as barreiras e restrições econômicas e a desmedida distinção entre as classes será eliminada. Desaparecerá a pobreza extrema, por um lado e, por outro, a excessiva acumulação de bens. A quantidade enorme de energia que se desperdiça com a guerra, quer econômica ou política, será dedicada a fins como estes: a extensão do alcance das invenções humanas e do desenvolvimento técnico, o aumento da capacidade produtiva da humanidade, o extermínio das moléstias, a ampliação das pesquisas científicas, a adoção de mais altos padrões de saúde física, a refinação do cérebro humano, a exploração dos recursos do planeta que ainda não foram utilizados ou descobertos, o prolongamento da vida do homem, a promoção de qualquer outro meio de estimular a vida intelectual, moral e espiritual da humanidade inteira. A meta para qual a força unificadora da vida impele a humanidade é um sistema federal mundial que regerá a Terra, exercendo uma autoridade inquestionável sobre seus recursos inimaginavelmente vastos, harmonizando e incorporando os ideais de Leste e Oeste, liberto do flagelo da guerra e suas tristes conseqüências, esforçando-


se por aproveitar todas as fontes de energia existentes na superfície do planeta – um sistema em que a Força se subordina à Justiça, e cuja vida é sustentada por seu reconhecimento universal de um só Deus e sua lealdade a uma Revelação comum.” (ibid, pp. 273-275.) “A humanidade inteira está se lamentando, desejando ardentemente ser levada À unidade e terminar seu martírio e longa data. E apesar disso teimosamente recusa abraçar a luz e reconhecer a autoridade soberana do único Poder que poderá tirá-la de seus embaraços e evitar a terrível calamidade que ameaça engolfá-la.” (ibid, pp. 270-271.) “A unificação da humanidade inteira é o distintivo da etapa da qual a sociedade humana atualmente se aproxima. A unidade de família, a de tribo, a de cidade-estado e a de nação, foram sucessivamente tentadas e completamente estabelecidas. A unidade do mundo é agora a meta à qual a humanidade, em sua aflição, dirige seus esforços. O processo de formar nações já chegou ao fim. A anarquia inerente à soberania estatal aproxima-se de um clímax. Um mundo marchando para a maturidade deve abandonar esse ídolo, reconhecer a unicidade e a integridade das relações humanas e estabelecer, de uma vez por todas, os instrumentos que melhor possam concretizar este princípio fundamental de sua vida.” (ibid, p. 272.)


EPÍLOGO Sob a inspirada orientação de Shoghi Effendi, a Causa Bahá’í crescia constantemente em tamanho e no estabelecimento de sua Ordem Administrativa, de modo que em 1951 havia onze Assembléias Espirituais Nacionais em funcionamento. A essa altura, o Guardião voltou-se para o desenvolvimento das instituições da Fé em seu nível internacional, nomeando o Conselho Bahá’í Internacional, precursor da Casa Universal de Justiça, e, pouco depois, o primeiro contingente de Mãos da Causa de Deus. Até então Shoghi Effendi havia elevado certos bahá’ís eminentes ao grau de Mãos da Causa postumamente, sendo um deles o Dr. John E. Esslemont [autor desta obra], mas foi só em 1951 que ele julgou haver chegado o tempo para começar o pleno desenvolvimento desta importante instituição. Em rápida sucessão, entre 1951 e 1957, nomeou trinta e duas Mãos da Causa e estendeu o âmbito de suas atividades, instituindo em cada continente Corpos Auxiliares compostos por crentes que as Mãos nomearam para serem seus deputados, ajudantes e conselheiros. Vinte e sete destas Mãos estavam vivas na ocasião de seu falecimento. Através de uma série de cartas, algumas dirigidas aos bahá’ís em toda parte do mundo e outras àqueles em países específicos, o Guardião aprofundou-lhes a compreensão dos ensinamentos, edificou as instituições administrativas da Fé, treinando os crentes em seu uso correto e efetivo, e em 1937 conduziu a Comunidade Bahá’í Americana à implementação do Plano Divino para a difusão da Mensagem de Bahá’u’lláh. Este Plano Divino fora revelado por


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‘Abdu’l-Bahá em várias Epístolas escritas durante os anos da Primeira Guerra Mundial e constitui a carta magna para a propagação da Fé. Dentro da estrutura desta carta diversos planos de ensino foram levados a cabo, primeiro no Hemisfério Ocidental, então também na Europa, na Ásia, na Australásia e na África, até que em 1953 o Guardião solicitou uma “cruzada espiritual de uma década em duração e de âmbito mundial”, para levar a Fé a todos os restantes estados independentes e principais dependências do mundo. Em 1957, quando a cruzada aproximava-se do meio caminho, o Guardião, exausto por trinta e seis anos de incessante labuta, faleceu enquanto numa visita a Londres. Como Shoghi Effendi não tinha herdeiro, o trabalho da Fé depois de novembro de 1957 foi coordenado e dirigido pelas vinte e sete Mãos da Causa até a vitoriosa consumação da cruzada em abril de 1963, quando a primeira Casa Universal de Justiça foi eleita pelos membros de cinqüenta e seis Assembléias Espirituais Nacionais convocados ao Centro Mundial Bahá’í em Haifa pelas Mãos da Causa. Imediatamente após esta histórica eleição, bahá’ís de todas as partes do globo reuniram-se em Londres, no primeiro Congresso Mundial da Fé, para celebrar o Centenário da Declaração de Bahá’u’lláh e rejubilar-se com a difusão de Sua Fé pelo mundo todo. A suprema instituição da Fé hoje é a Casa Universal de Justiça, criada por Bahá’u’lláh em Seu Mais Sagrado Livro, investida de autoridade para legislar sobre todos os assuntos não tratados nos Escritos Bahá’ís, sendo-lhe assegurada, no próprio Texto Sagrado, a guia divina. ‘Abdu’l-Bahá, em Sua Vontade e Testamento, estabelece o método de eleição da Casa Universal de Justiça, define-lhe mais claramente sua posição e deveres, e afirma que está sob guia direta do Báb e de Bahá’u’lláh e é a entidade à qual todos se devem dirigir. A característica singular e distintiva da Fé Bahá’í é o Convênio de Bahá’u’lláh, a base sólida sobre a qual a Fé ergue todas as suas estruturas e alicerça seu desenvolvimento. Sua singularidade está no fato de que, pela primeira vez na história religiosa, o Manifestante de Deus, em linguagem clara e inequívoca, provê a interpretação

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EPÍLOGO

autorizada de Sua Palavra e assegura a continuidade da autoridade divinamente designada que emana da Fonte da Fé. A interpretação da Escritura tem sido sempre, nas religiões anteriores, uma fonte muito fértil de divisão. Bahá’u’lláh, no Livro de Seu Convênio, investiu Seu filho mais velho, ‘Abdu’l Bahá, de plenos poderes para a interpretação de Suas Escrituras e para a direção de Sua Causa. ‘Abdu’l-Bahá, em Sua Vontade e Testamento, designou Seu neto mais velho, Shoghi Effendi, Guardião da Fé e único intérprete das Escrituras. Não há clero na Fé e nenhum indivíduo pode arrogar a si uma posição ou guia especial; autoridade é concedida às instituições criadas dentro das Escrituras Bahá’ís. Em virtude destas incomparáveis provisões, a Fé de Bahá’u’lláh tem sido preservada de divisão, das depredações da liderança não autorizada e acima de tudo, da infiltração das doutrinas e teorias oriundas do homem, as quais destruíram a unidade das religiões no passado. Pura e inviolada, a Palavra revelada de Bahá’u’lláh, com sua interpretação autorizada, permanece por toda a Dispensação a incorrupta e incorruptível fonte de vida espiritual para os homens. Em 1968 a Casa Universal de Justiça tomou providências para a futura execução das funções específicas de proteção e propagação das quais as Mãos da Causa são incumbidas, através do estabelecimento de Corpos Continentais de Conselheiros. Cada Corpo consiste de vários Conselheiros nomeados pela Casa Universal de Justiça, e eles trabalham em estreita colaboração com as Mãos da Causa de Deus. A nomeação e direção de Corpos Auxiliares é agora o dever dos Corpos de Conselheiros, e as atividades das Mãos, das quais três estão ainda vivas, foram estendidas, tornando-se mundiais. Em junho de 1973 a Casa Universal de Justiça estabeleceu na Terra Santa um Centro Internacional de Ensino e atribuiu-lhe os deveres principais de coordenar, estimular e dirigir as atividades do Corpo Continental de Conselheiros e agir como ligação entre eles e a Casa Universal de Justiça.

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O Guardião havia escrito sobre futuros planos globais de ensino a serem realizados sob a direção da Casa Universal de Justiça, e o primeiro destes, um Plano de Nove Anos, foi lançado em 1964. Os detalhes das realizações dos Planos estão delineados em Bahá’í Statistical Report. No começo do século XXI, em 2001, foi anunciado o Plano de Vinte Anos, dividido em quatro fases de cinco anos cada um. Neste novo século que se iniciou, a Fé Bahá’í se acha estabelecida em mais de 200 estados independentes e territórios dependentes ou departamentos além-mar. Bahá’ís residem em mais de 120.000 localidades em todo o mundo; a literatura bahá’í foi traduzida para mais de 800 idiomas; o oitavo templo bahá’í será no Chile; terrenos para mais 130 templos foram adquiridos; há 183 Assembléias Espirituais Nacionais, mais de 9.631 Assembléias Espirituais Locais e aproximadamente mais de 6 milhões de bahá’ís no mundo. Os bahá’ís estão sempre dedicando-se energicamente aos Plano de Ensino da Casa Universal de Justiça com o propósito de expandir mais e consolidar o crescimento da Fé em todo o mundo. O mais animador de tudo tem sido o despertar das massas em tais lugares como a África, a Índia, o Sudeste da Ásia e a América Latina, onde grandes números começaram a entrar para a Causa, levando assim a efeito uma nova etapa no desenvolvimento das atividades administrativas e sociais da comunidade bahá’í mundial*.

*Em seu livro anuário de 2003, a Encyclopedia Britannica – esta pródiga fonte de documentação mundial – incluiu em seu tópico sobre religião um informe sobre a estatística das religiões do mundo. Neste, a Fé Bahá’í está catalogada como a segunda religião mais difundida geograficamente do planeta.

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BAHÁ’U’LLÁH E A NOVA ERA

z

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Bahá'u'lláh e a Nova Era  

É a obra bahá’í mais divulgada de todos os tempos, tendo vários de seus capítulos lidos e aprovados por ‘Abdu’l-Bahá. Trata de temas básicos...

Bahá'u'lláh e a Nova Era  

É a obra bahá’í mais divulgada de todos os tempos, tendo vários de seus capítulos lidos e aprovados por ‘Abdu’l-Bahá. Trata de temas básicos...

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