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Rúhíyyieh Khánum PEÇA TEATRAL

As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual


As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos TERMO DE USO DO © COPYLEFT Ao adquirir este livro em versão eletrônica, você aceita a seguir os seguintes termos e condições dos nossos procedimentos privados. A Editora Bahá’í do Brasil pode revisar o Termo de Uso a qualquer tempo sem aviso prévio. Você tem permissão de fazer e usar livremente cópias deste livro eletrônico e de qualquer informação dos textos contidos neste documento/livro incluindo: imprimir, postar eletronicamente ou por correio, copiar, fazer download, transmitir e disponibilizar parte ou a totalidade de seu conteúdo seguindo as orientações abaixo: 1. A informação de nosso Copyright ou Copyleft deve estar anexa ao conteúdo; 2. O conteúdo não pode ser modificado ou alterado em qualquer forma, a não ser para mudar o tipo de fonte (letra) ou o lay-out (aparência); 3. O conteúdo somente pode ser utilizado para propósitos não-comerciais. Apesar deste anúncio permitir a reprodução do conteúdo livremente, sem qualquer permissão especial, a Editora Bahá’í do Brasil retêm completa proteção do direito autoral (Copyright) sobre esta obra, a qual é aplicada a lei internacional e nacional. Para obter permissão para publicar, transmitir, expor ou outra forma de uso deste conteúdo para qualquer fim comercial, por favor contatar: administrativo@editorabahaibrasil.com.br. © 2008 copyleft Todos os direitos em português reservados para: EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL Caixa Postal 1085 13800-973 – Mogi Mirim – SP www.editorabahaibrasil.com.br ISBN: 978-85-320-0175-7 Tradução: Comitê Nacional de Tradução e Revisão dos Bahá´is do Brasil 1a Edição: 2008 (versão eletrônica)

Caso for imprimir o livro utilizar papel A4: 210 x 297 mm.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos

PREFÁCIO A Editora Bahá’í do Brasil tem o prazer de mais uma vez tornar público mais um livro de peças teatrais em formato eletrônico, possibilitando, aos que empreendem fazer a maravilhosa jornada das artes cênicas, facilitar a impressão dos scripts dos dramas que desejarem encenar. Desta vez é de autoria de Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum [1910-2000]. Ela era única e, com o seu falecimento, um capítulo terminou e uma página da história foi virada. E quando poucos dias mais tarde, os restos mortais de Amatu’lBahá Rúhíyyih Khánum foram enterrados, a Casa Universal de Justiça sepultoua num local também único. Pois o seu túmulo não jaz na montanha entre os monumentos da Folha Mais Sagrada e outros membros da família de Bahá’u’lláh, nem se encontra no cemitério onde bahá’ís no Centro Mundial tem sido enterrados por tantas décadas a fio. Assim como a sua própria posição na história foi preparada por Shoghi Effendi, também nos parece que seu túmulo que fica num jardim próprio, tivesse sido preparado para ela. Flanqueado de cada lado por ligações com aqueles que dominaram sua vida – sua mãe May Maxwell e seu próprio Guardião – seu túmulo localiza-se no pequeno parque em frente à Casa do Mestre onde ela viveu por 63 anos e onde ela deixou sua marca singular. Embora seu lugar na história tenha sido determinado simbolicamente com a sua morte, será muito mais difícil captar e definir uma vida tão rica e variada como a de Mary Maxwell, a quem foi posteriormente dado o nome e título de Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum por seu amado marido e seu Guardião. Ainda estamos demasiado próximos dela para podermos compreender o verdadeiro valor de seus serviços para a comunidade mundial bahá’í e ainda muito limitados em nossa compreensão da nossa própria história para que consigamos avaliar as diferentes perspectivas proporcionadas por sua personalidade. Grande artista, em todos os sentidos, sua pena era extremamente dinâmica, escrevendo romances, dissertações, ensaios, poemas, poesias e esta peça de teatro, pois como ninguém sabia a posição das artes na sociedade humana – que sem ela não podemos viver – e é o melhor veículo de educação para as massas. Esperamos que esta peça possa ser apreciada em várias platéias por todos os povos de língua portuguesa, nos ensinando a beleza da consulta e o nascer de uma Instituição Bahá’í. Editorial

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos

DADOS DA PEÇA TEATRAL Autor: Título: Publicação: Descrição física: Assunto: Gênero: Resumo:

Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum [1910-2000] As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual [195?] 34 pp. Teatro sobre Lições práticas da Administração Bahá’í Drama O dia-a-dia de uma nova AEL; seu começo e seus tropeços e acertos. Personagens: 10 Informações sobre os personagens: 1. Narrador. 2. Os interlocutores do narrador: Sr. A e Sra. B. 3. Sra. Harriet Wisely: (Meia idade) dona de casa competente e amável. 4. Sr. e Sra. Jack e Jane Smith: (Casal comum nos seus trinta) Proprietário de oficina de conserto de rádio. 5. Srta. Martha Jones: (Cerca de trinta, negra) Calma, competente, tem uma lojinha de confecções de vestidos. 6. Srta. Elizabeth Brisk: (Jovem) Eficiente secretária de escritório. 7. Sr. Clarence Friend: (Meia idade) Agressivo representante de vendas de eletrodomésticos. 8. Sra. Adelaide Cosmos: (Idosa) Culta mas prolixa, uma professora pioneira em Fairview. 9. Sr. George Penhold: (Idoso) De natureza calma, profissão contador. 10. Srta. Mary Lou Fervor: (Vinte e um anos) Inexperiente veemente. Num. de cenas: 13 Ambiente: A cena se desenrola na cidade de Fairview; a ação acontece no apartamento da sra. Harriet Wisely. Fairview é uma cidade comum dos EUA de cerca de 50 mil habitantes.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Cena 01 (voz off) “A Ordem Administrativa Bahá’í quando se expandir e se consolidar virá a ser considerada, não apenas como o núcleo, mas o próprio paradigma da Nova Ordem Mundial, destinada a abarcar na plenitude do tempo a totalidade da humanidade. É a única estrutura da comunidade bahá’í do futuro que será simultaneamente o instrumento e a guardiã da Paz Maior, anunciada pelo Seu Autor.” Shoghi Effendi (O narrador e seus interlocutores aparecem numa pequena sala de visitas e o narrador se dirige a platéia) NARRADOR Amigos, vamos lhes mostrar, de maneira resumida, alguns dos trabalhos de uma Assembléia Espiritual Bahá’í; alguns dos erros e alguns dos problemas, como certos tipos de pessoas se ajustam melhor num cargo e outras noutro. Porque somos de todos os tipos e queiramos ou não, todos formamos diferente categorias. Esta é a cidade de Fairview. Atualmente há apenas nove bahá’ís aqui e eles estão se preparando para se reunir e eleger os oficiais da primeira Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís de Fairview. Este é o apartamento da sra. Harriet Wisely e aqui ela entra conversando com os primeiros dois a chegar, o sr. Jack Smith e sua esposa Jane. Eis aqui a srta. Martha Jones e estão com ela a srta. Elizabeth Brisk e o sr. Clarence Friend. Acompanhando-os estão o sr. Oscar J. Boom que está entretido com a sra. Elizabeth Cosmos. A sra. Cosmos é a professora pioneira de Fairview; aqui está o sr. George Penhold, um velho bahá’í de Chicago que veio para ajudar com os trabalhos. Todos os outros, à exceção dos srs. Cosmos e Penhold se tornaram bahá’ís nos últimos 18 meses. Eles estão se aprontando agora para votar para os oficiais da Assembléia. (Ele se retira e as nove pessoas sentadas estão juntas conversando)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 02 SRA. WISELY –– Sra. Cosmos, quer ter a gentileza de ler uma oração. (A sra. Cosmos lê uma prece) Amigos, acho que seria justo que a sra. COSMOS deve assumir a reunião até que os oficiais sejam eleitos. (Todos concordam) SRA. COSMOS –– Não acham que devemos dar nossos votos agora para os oficiais? SRA. WISELY –– Sim, vou pegar papel. (Dirige-se a uma estante e distribui papel e lápis para todos) SR. BOOM –– Suponho que devemos votar primeiro para coordenador? SR. FRIEND –– Está certo. (Todos são vistos a votar. A sra. Wisely recolhe as cédulas e as entrega à sra. Cosmos) SR. BOOM –– Devemos indicar escrutinadores. SRA. COSMOS –– Oh sim... Bem, sr. Boom, poderia ser um deles? E você sra. Brisk? (O sr. Boom se levanta, pega as cédulas e ele e a sra. Brisk se dirigem para um canto da sala para conta-las) SR. BOOM –– O resultado da votação é: a sra. Cosmos é eleita coordenadora. SRA. COSMOS –– Meus queridos amigos... realmente não creio que deveriam ter me elegido... sinto-me desmerecedora, tão embaraçada, quase não sei como expressar meus sentimentos... mal sei onde começar. Pensar que formamos a primeira Assembléia Espiritual Bahá’í em Fairview ... os primeiros a ter esse sagrado encargo... seremos agora os responsáveis pelo trabalho da nossa bemamada Causa aqui. Jamais poderia saber quando vim para cá quão glorioso seria o fim, realmente é irresistível. SR. BOOM –– Agora, acho que votaremos para vice-coordenador, não é? Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos SRA. COSMOS –– Claro... acho que devemos. (O sr. Boom distribui mais papel; votam, ele recolhe as cédulas e conta os votos com a srta. Brisk) SR. BOOM –– Gente, lamento por todos, sou o vice-coordenador. Bem, agora, secretário, é o próximo. (Distribui papel, votam) SR. BOOM –– O sr. Penhold é o secretário. Muito bem, o sr. Penhold assume desta vez, distribua as cédulas para tesoureiro! (O sr. Penhold assim o faz, todos votam) SR. PENHOLD –– O sr. Smith é eleito tesoureiro. SR. SMITH –– A pior de todas as funções! (Todos riem) SR. BOOM –– Bem, agora... suponho que o primeiro assunto da Assembléia é decidir onde serão realizadas nossas reuniões públicas. SRA. COSMOS –– Ah, sim... Onde se reunir... Mas acho que você está certo sr. Boom. Estou certa de que não havia pensado nisso. SR.BOOM –– Voto que aluguemos uma sala na rua principal da cidade e anunciemos no jornal de sábado as reuniões dominicais. SR. SMITH –– Como pagaremos a sala? JANE SMITH –– Podemos todos nos reunirmos em nossa casa, isto é, se gostarem. Lá serão todos bem vindos, isso economizaria alugar a sala. SR. BOOM –– Não, logo isto coloca a Causa no domínio de personalidades... Não sou a favor de modo algum. SRTA. BRISK –– Quanto custaria uma sala alugada? SR. BOOM –– Ah... de quarenta a cinqüenta dólares por mês. Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos JACK SMITH –– Jamais poderíamos juntos conseguir tanto. Falando por mim mesmo, com todas as minhas obrigações, não posso prometer mais do que cinco dólares por mês. SRTA. BRISK –– Acho que poderia dar essa quantia também. SR. FRIEND –– Acho que poderia conseguir três dólares por mês. Naturalmente, não estou certo se todo mês. JACK SMITH –– Isso é inútil – podem ver por si mesmos, que não podemos levantar dinheiro suficiente para pagar o aluguel. SRTA. JONES –– Vocês não acham... SR. BOOM –– (Interrompendo) Eu não vejo como podem esperar que o público tenha boa impressão da gente se não tivermos sequer um lugar para nos reunirmos! SR. PENHOLD –– Desculpem-me, mas devo estar tomando notas desta discussão? SR. BOOM –– É claro, deve! SR. PENHOLD –– Ah, Deus meu... onde pus meu lápis. (Procura enfadonhamente pelos bolsos, finalmente encontra o lápis... procura o papel) Desculpem. Parece que não tenho papel. SRTA. BRISK –– Olha... pode usar o meu bloco, sr. Penhold. (Passa-lhe o bloco) SR. PENHOLD –– Ah, obrigado, muito obrigado... Agora, o que anotarei? Alguém, por favor, refresque minha memória? (Olhar ao redor desamparadamente) JANE SMITH –– Estamos discutindo um local para reunião; os prós e os contras. SR. PENHOLD –– Sim, na verdade... Deixem-me ver agora. (Escrevendo) Assunto; um local de reunião; data 22 de abril de 1948 em Fairview; prós e contras. (Todos olham para ele)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos SRTA. JONES –– Como estava dizendo... SR. BOOM –– (Interrompendo) Agora, todo o problema é, o que iremos fazer? Ainda estou totalmente contra uma casa particular. JANE SMITH –– Não há outra maneira que possamos fazer... senão seguir a sua vontade. WISELY –– Por que não fazemos em rodízio... a cada semana uma pessoa. Podem se reunir aqui tantas vezes quanto desejarem. BRISK –– Ah, essa é uma boa idéia. Desejaria que nos reuníssemos uma vez por mês. JONES –– Não poderíamos... BOOM –– (Interrompendo) Não, não aprovo isso de modo algum. É subestimar a Fé aos olhos do público! PENHOLD –– (Escrevendo) Por favor... apenas um minuto... não posso acompanhar nesse ritmo. O sr. Boom acredita que tal rumo dá pouca importância à Fé aos olhos do público. SR. SMITH –– Está ficando tarde. Jane e eu temos de estar em pé às seis e meia. JANE –– Querido, mas não chegamos ainda a uma decisão. SRA. COSMOS –– Isto... devemos realmente chegar a uma decisão... Agora e se o sr. Boom apenas propusesse outra alternativa? (Ela olha suplicante para ele) NARRADOR (Falando de um lado do palco) Até este momento já são dez horas... uma discussão muito confusa continua; quando voltamos à cena já são onze horas e todos estão cansados. SR. SMITH –– Lamento gente, mas tenho que ir... Fico cansado se perder meu sono. WISELY –– Mas ainda não chegamos a qualquer decisão. Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos SRA. COSMOS –– Meu marido... talvez... BOOM –– (Interrompendo) Proponho que a reunião seja suspensa por duas semanas. Nesse ínterim poderíamos examinar o assunto e apresentá-lo de novo. SMITH –– Secundado. Bem, boa-noite a todos, podem se reunir na nossa casa a qualquer tempo. Serão todos bem-vindos. (Alguns outros se levantam, continua a discussão geral e os boa-noites) PENHOLD –– (Ainda escrevendo) Votado que a próxima reunião da Assembléia Espiritual será realizada em duas semanas... Onde? Hei, onde nos reuniremos na próxima vez? SMITH –– (Justo ao passar pela porta) A sra. Cosmos nos fará saber... até logo para todos. (Saem)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 03 (O narrador com o sr. A e a sra. B avaliam a reunião) NARRADOR –– Agora, o que vimos nesta assembléia experimental? Todo mundo é sincero e preocupado em servir à Causa, mas a reunião foi vazia de resultados. Analisemos seus erros. Sr. A –– Primeiro e acima de tudo, foi a falta de cortesia para com a sra. Jones... Toda vez que ela tentava falar era interrompida e ignorada. Devemos ser cuidadosos para lembrar que os membros de grupos minoritários estão constantemente sendo submetidos a desconsiderações e insultos nas suas vidas cotidianas. Às vezes devido à indiferença, às vezes por causa do violento preconceito racial. Como é triste uma irmã bahá’í não ter sido levada a sentir-se em casa e contente com os que formam sua real família espiritual. Martha Jones foi para casa sem manter ressentimento, mas sentindo-se deprimida e inconsciente ou talvez mesmo conscientemente esteja ofendida e magoada... Este é o mais grave percalço da reunião. Sra. B –– O segundo erro foi que não foi conseguida nenhuma decisão e nenhum trabalho realizado, embora a reunião durasse três horas. Por quê? NARRADOR –– A razão principal é que a sra. Cosmos falhou completamente na função de coordenadora. Os deveres do coordenador são: manter a reunião em ordem; ver que todos tenham uma oportunidade justa para expressarem os pontos de vistas deles ou delas; e manter os outros oito membros da Assembléia de forma gentil, mas firmemente, na sua função de executar o trabalho da agenda, tão uniforme, harmoniosa e capazmente quanto possível. Um coordenador bahá’í não tem quaisquer privilégios especiais. Dispõe de voto como os outros membros. É livre para expressar sua opinião, mas não deve abusar da sua posição, monopolizando a discussão. A sra. Cosmos nem manteve a reunião em ordem, nem orientou a discussão. Do começo ao fim foi posta em debandada pelos outros. O sr. Boom dominou tudo. Ele é uma personalidade forte e foi quem mais falou. Mas a fraca coordenadoria o deixou fazer estas coisas. Não obstante a sra. Cosmos possa ser uma devotada crente e, não obstante capaz ela seja como professora bahá’í, ela não está qualificada para atuar na função de coordenadora de uma Assembléia. Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Sra. B –– O terceiro erro cardeal foi que de nove pessoas, duas foram as que mais falaram – o sr. Boom e o sr. Smith. Isto não foi culpa deles porque a sra. Cosmos não observou a lei bahá’í da consulta: convidar todos, em rodízio, a expressarem uma opinião. Nem exigiu uma decisão de votar após o assunto ter sido discutido. O secretário é ainda uma fraqueza óbvia desta nova Assembléia. O sr. Penhold não pode acompanhar a discussão e fazer anotações ao mesmo tempo. Ele não tem experiência nem capacidade para ser um bom Secretário. Entretanto é um contador profissional. Não teria melhor ter sido Tesoureiro? NARRADOR Agora vamos redistribuir novamente os papéis da Assembléia. Acabam de terminar sua votação. (A cena mostra as mesmas nove pessoas de novo, votando calmamente, enquanto os votos são contados) Os resultados desta eleição são: sr. Boom, Coordenador; sra. Wisely, vicecoordenadora; srta. Brisk, Secretária; e sr. Penhold, Tesoureiro. (A voz do coordenador se extingue gradualmente e a cena mostra as mesmas nove pessoas)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 04 BOOM –– Creio que o primeiro assunto a enfrentarmos é um local de reunião adequado. É isto o que proponho agora: alugaremos uma sala de reuniões na Rua Principal e nos reuniremos todos os domingos a tarde, às quatro e trinta. Anunciaremos no jornal e conseguiremos bons oradores de fora. JANE SMITH –– Vocês acham que conseguiremos oradores de fora para toda reunião? Nenhum de nós realmente pode falar em público exceto a sra. Cosmos e não se pode esperar que ela fale todo domingo. BOOM –– Isto está fora de cogitação. A primeira coisa a fazer-se é resolver sobre um local para reunir-se; uma vez que consigamos isso poderemos continuar a explorar o outro assunto. PENHOLD –– Quando estava em Chicago, em 1929, descobrimos que as nossas maiores reuniões foram as que realizamos com conhecidos oradores não-bahá’ís na tribuna. Pois bem, uma vez, me lembro, tivemos duzentas pessoas presentes e ... BOOM –– Está fora da ordem, sr. Penhold – o assunto é um local de reunião. Agora, vamos ter uma exibição de mãos: todos os que estiverem a favor da sala na Rua Principal! (Cinco levantaram as mãos) É isso aí – aprovado por maioria de voto. Anotou, srta. BRISK? BRISK –– (Que esteve ocupada escrevendo) Ok. JONES –– Não acha, sr. Boom... BOOM –– Então, sra. Jones, a partir de agora, sou o sr. coordenador! Bem, amigos, acho que o próximo assunto para resolvermos é em qual jornal anunciar... o Faieview Times é lido pela maioria das pessoas ricas e sugiro que usemos suas colunas. SMITH –– O Post é lido por mais pessoas, por que não usamos esse? WISELY –– Por que não usamos ambos?

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos BOOM –– É muito caro, el, PENHOLD? Sem dinheiro! Bem, amigos, todos os a favor do Fairview Times levantem as suas mãos direita! (Quatro levantaram as mãos) Voto derrotado! Todos os a favor do Post? (Cinco levantaram as mãos) Voto mantido, anotou isso, srta. BRISK? Srta. BRISK –– Sim. BOOM –– Agora, aqui está um programa experimental que preparei para o primeiro mês. (A cena desaparece e o NARRADOR e Interlocutores aparecem)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 05 NARRADOR –– Bem, o que foi errado nessa reunião? Sra. B –– Você dirá que o trabalho avançou e que houve resultados... mas a que preço? E talvez em última análise, um preço muito pesado para a Comunidade pagar. Aqui vemos a total super-dominação do Coordenador. Ele é capaz e bemintensionado. Jamais lhe ocorrerá que não seja certo ou que está agindo para os amais elevados interesses da Causa. Sr. A –– Sim, e qual é o resultado? Quase não houve consulta de forma alguma... um grupo de oito pessoas reprimidas trabalhando sob o domínio dele, alguns dos quais, paulatinamente, criarão pronunciados sentimentos de melindre. Muito breve isto levará à desarmonia dentro da Assembléia e a se criarem partidos... e existirá um estado de coisas que, sem que alguém tenha desejado que acontecesse, impedirá o desenvolvimento da Causa nesta cidade. E Fairview será rotulada “uma Assembléia fraca e necessitada de ajuda”. NARRADOR –– O próprio sr. BOOM vira a ressentir-se com as críticas e ataques pessoais que os seus métodos irão provocar. E, cada vez mais, aqueles que ele reprime, seja inconscientemente ou por hábito, o melindrarão e se oporão aos seus planos. Tudo isso poderia ter sido evitado se os membros desta Assembléia, antes de terem votado, tivessem suficientemente meditado sobre os requisitos de um bom Coordenador. Nesse meio tempo, que espécie de Secretária está sendo a srta. BRISK? Muito eficiente Secretária, dirão. Sr. A –– Sim, muito metódica. Porém, nesta comunidade bahá’í a que pertencemos, deve haver algo mais mera eficiência metódica. No interesse de ilustrar este ponto, suponhamos que a comunidade de Fairview tenha crescido suficientemente para exigir um Comitê de Providências. Eis aqui, por exemplo esta carta que a srta. BRISK escreveu ao Coordenador deste Comitê em relação às condições da sala de reuniões:

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cara sra. Panzer A Assembléia Espiritual me encarregou de lhes chamar a atenção para a Sala de Reuniões bahá’ís que está mal-cuidada, as flores mal-arranjadas ou inteiramente em falta e na última Festa não havia ninguém presente às oito horas para abrir a porta para os amigos. Solicito providências do seu Comitê para que isto não aconteça no futuro. Atenciosamente Elizabeth BRISK, Secretária. NARRADOR –– Uma carta que é um balde de água fria no rosto do Comitê e do seu Coordenador. Foi escrita sem qualquer má intenção da parte da srta. BRISK que todos os dias escreve muitas cartas comerciais neste estilo. Sr. A –– Mais do que provável o Comitê se sentirá ofendido. Nem gostará muito menos de a srta. BRISK tê-la escrito. Sra. B –– Se tal estilo continuar a ser usado pela Assembléia para os membros da Comunidade que ela representa desenvolver-se-á seguramente uma suspeita entre os amigos que a Assembléia lhes domina e é ditatorial. A frieza surgirá entre os bahá’ís de Fairview. Então, como de hábito, onde houver qualquer desarmonia entre os crentes, quem sofre é a Causa de Deus. NARRADOR –– Eis aqui a espécie de carta que a srta. BRISK poderia ter escrito: Prezada sra. Panzer Seu Comitê tem uma das mais importantes responsabilidades e privilégios da comunidade bahá’í este ano. A aparência atrativa da nossa Sala de Reunião pode ser a primeira e favorável impressão que a nossa Fé poderá causar nos não-crentes que venham a aprender as sagradas Escrituras. Por esse motivo a Assembléia está profundamente interessada e deseja ser-lhe útil durante todo o ano.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Queira examinar detalhadamente com os outros membros estes itens responsáveis ao trabalho do Comitê de Providências: limpeza no mais escrupuloso ponto, uma ótima sensação de ordem e providências adequadas, atrativas seleção de flores e, naturalmente, um representante do Comitê a mão para abrir a Sala de Reuniões às oito horas e cumprimentar os amigos e recém-chegados. Com calorosas saudações bahá’ís, Assembléia Espiritual, Secretária. Sra. B –– Esta Segunda estrutura de Assembléia não parece ser muito melhor que a primeira. A primeira foi muito descoordenada e ineficiente, enquanto esta é um tanto aerodinâmica! Está avançado tão rápido que não tem tempo para consulta ou para afabilidade e consideração. Devemos sempre lembrar que nossa Administração bahá’í é baseada em leis maiores que as governam os assuntos comuns da sociedade. É baseada na consulta amorosa e confiança em Bahá’u’lláh. NARRADOR –– Agora, mais uma vez, vamos redistribuir funções da Assembléia para ver se podemos formar um organismo bahá’í de adequado funcionamento com as mesmas nove pessoas. (A voz do narrador continua enquanto os membros executam a ação de contar voto, etc.) NARRADOR –– Mantiveram como Tesoureiro o sr. PENHOLD; ele é muito bom. Desta vez a sra. WISELY se tornou Coordenadora e o sr. SR. FRIEND é i Vice-Coordenador. E, de algum modo, os membros parecem ter pensado sobre o fato de que a srta. JONES tiveram também experiência comercial e fizeram-na Secretária. Vamos ver como a Assembléia funciona, - melhor equilibrada nos seus oficiais porque os nove membros fizeram uma inteligente reflexão antes de depositarem seus votos e ponderaram sobre os requisitos necessários para o Coordenador, Secretário e Tesoureiro.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Não foram sentimentais na sua votação. Não tentaram conferir honras a ninguém, como prova de amor e estima, fazendo Coordenador a despeito de suas capacidades. Foram também suficientemente sábios em evitar colocar na função uma personalidade demasiado dominadora e opiniosa. Uma pessoa tal, compreenderam, poderia contribuir muito para o trabalho da Assembléia sem ocupar a função de Coordenador que automaticamente a colocaria numa posição mais ou menos imoderada. A Assembléia de Fairview enfrenta ainda o problema de onde realizar as suas reuniões. Vejamos como o novo Coordenador lida com a situação.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 06 (Cena retorno aos nove membros) WISELY –– Amigos, agora que tivemos a nossa prece introdutória, não acham que a primeira coisa a decidirmos é onde e como realizarmos nossas reuniões? Alguém tem idéias sobre isto? BOOM –– Acho que devemos alugar a nossa própria sala e realizarmos uma reunião pública todo Sábado a tarde e anunciarmos nos jornais dominicais. SMITH –– Não sei se teremos meios para tanto. Pessoalmente não posso contribuir com mais de cinco dólares por mês para nossas despesas. JANE SMITH –– Podemos nos reunirmos em nossa casa, se quiserem, serão todos bem-vindos, lhes asseguro. BOOM –– Não concordo com isso. Traz personalidades para dentro do nosso trabalho e nos deprecia aos olhos do público. Voto que aluguemos uma sala.

WISELY –– (Levanta a mão) Acho que antes de considerar votar, sr. BOOM, devemos ouvir a opinião de todos. Alguém mais tem sugestões a fazer? BRISK –– Bem, eu não sei o que é melhor, mas posso ofertar cinco dólares mensais para o aluguel, também, se isso ajudar. SMITH –– Uma sala nos custará pelo menos quarenta e cinco dólares mensais e não vejo se podemos pagá-lo. BOOM –– E não nos vejo reunindo em casas particulares. Isso diminui a Causa no respeito do público a partir de início. Sou absolutamente contra isso. NARRADOR –– Agora sra. WISELY vai fazer a coisa certa. Vai circular na sala em rodízio, convidando todos a das opinião. WISELY –– Sra. SMITH, o que acha?

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos JANE SMITH –– Vejo o ponto de vista do sr. BOOM, mas francamente não sei como tão poucos poderão pagar uma sala alugada para fazer reuniões nela. WISELY –– Sr. PENHOLD? PENHOLD –– No momento não tenho nenhuma idéia definida sobre o que devemos fazer. WISELY –– Sra. COSMOS? Sra. COSMOS –– Bem, parece-me que, por enquanto seria melhor aceitarmos a oferta do sr. e sra. SMITH para usarmos a casa deles para as reuniões. Lá é muito central e estão desejando prestar à Causa. WISELY –– Tem alguma sugestão, srta. BRISK? BRISK –– Por que nós todos não ensinamos isoladamente até termos bahá’ís suficiente para manter um centro adequado? BOOM –– Nessa marcha poderíamos também não termos nos preocupado em construir uma Assembléia! Pois bem, acho... WISELY –– (Interrompendo) Por favor, espere um momento sr. BOOM, iremos em rodízio, se não se incomodar, até que todos tenham expressado seus pontos de vista inteiramente. Isto é uma coisa que todos temos de considerar juntos. BOOM –– tem razão, desculpe. WISELY –– O que acha que devemos fazer, sr. SR. FRIEND? SR. FRIEND –– Bem, sugiro que tentemos alugar uma das salas nos prédios locais de Y.M.C.A. e Y.W.C.A. para nossas reuniões anunciadas. Seus preços, lembro, são moderados e entre nós, poderemos levantar a quantia necessária. WISELY –– Srta. JONES? Srta. JONES –– Concordo com a sugestão do sr. SR. FRIEND. WISELY –– Sr. SMITH, tem alguma coisa a acrescentar? Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos SMITH –– Acho que não... para mim, essa idéia vale a pena ser tentada. WISELY –– Então, sr. BOOM, gostaríamos de ouvir o que tem a dizer. BOOM –– Embora isso não seja o que desejava, para mim parece um compromisso razoável. Voto que indiquemos alguém para investigar o assunto de imediato. WISELY –– Bem, gostaria de secundar esse voto... há quaisquer outros comentários? (Silêncio) Todos a favor? (Todos levantam as mãos) Moção aprovada unanimemente. JONES –– Proponho que o sr. SR. FRIEND e o sr. BOOM sejam indicados para investigar isto tão logo que possível e nos informar de volta. SMITH –– Secundo essa moção. WISELY –– Comentários? Todos a favor? (Todos votam com as mãos levantadas. Quando a cena termina o NARRADOR fala)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 07 NARRADOR Aqui temos uma organização inteiramente diferente... o Coordenador é o eixo do funcionamento adequado da Assembléia. A sra. WISELY tem sido eficiente, firme, discreta e cortês. Tem conduzido a discussão de acordo com a Administração e também com procedimentos parlamentares. Afinal temos uma Assembléia capaz de dirigir os assuntos da Causa em Fairview, de maneira capaz e ordeira... Agora, vamos supor que a Causa tenha se desenvolvido e que a comunidade de Fairview tenha quarenta ou mais membros. Situações de natureza difícil podem realmente surgir. Como essa Assembléia enfrentará e superará estes problemas? O exemplo seguinte é tirado de um incidente que realmente ocorreu. Nesta cena, a Assembléia está se reunindo para a sua primeira sessão após a eleição e vai nomear seus Comitês anuais. Graças a Deus ela agora tem um Centro Bahá’í e não teremos de discuti-lo. Esta vez há um novo membro – srta. Mary Lou Fervor. Ela é filha de velhos bahá’ís educada na Causa e tem apenas vinte e um anos.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 08 (A cena mostra todos os membros anteriores, exceto a srta. BRISK, que é agora substituída pela srta. Fervor) WISELY –– Acho que sendo o Comitê de Ensino o nosso mais importante devemos nomeá-lo primeiro. Alguém tem nomes a propor? Mary Lou –– Mas, sem dúvida, os Comitês são eleitos pela Assembléia Espiritual. Mary Lou –– Oh, não! Isso não está certo! O princípio principal da Causa é o voto secreto. Toda pessoa, livre de influência, usa o seu próprio julgamento e dá seu voto. Devemos votar para seus membros. WISELY –– Não, Mary Lou, uma das funções da Assembléia é indicar os membros do Comitê. Alguém tem sugestões, agora? JANE SMITH –– Acho que a sra. COSMOS seria um excelente membro desse Comitê: ela é uma professora a tantos anos. JONES: Concordo com você, gostaria de propor, também, a sra. BRISK; ela nasceu para ser uma oradora muito boa e é uma trabalhadora capaz em tudo. WISELY: Sra. COSMOS. Quantos devem compor o Comitê? BOOM –– Eu diria que cinco está certo. Gostaria de propor que Jack SMITH fosse incluído. SMITH –– Não vamos indicar um Comitê com muitos membros, demos uma oportunidade aos outros. JONES –– Dois não é demais, devemos pensar imparcialmente dos obreiros melhor qualificados. Acho que você seria valioso nesse Comitê.

WISELY –– Posso sugerir por consideração o nome da sra. Newcome? Ela é muito entusiasta e apesar de ser nova na Fé acho que ela pode fazer muito.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Mary Lou –– Não! Não! Não podem fazê-lo desse modo. É dito na Administração Bahá’í que toda votação deve ser secreta e vocês estão justamente indo em frente e discutindo-a abertamente. WISELY –– Ora, Mary Lou, você não deve se excitar tanto, querida. Mary Lou –– Não posso evitá-lo. Vocês estão errados... é política... é justo contrário do que a Causa deve ser! PENHOLD –– Asseguro-lhe Mary Lou, que essa é a maneira pela qual os comitês são eleitos, pela discussão, a fim do que possamos encontrar os melhores qualificados. Mary Lou –– Não! É contra as Escrituras não posso tolerá-lo! (Ela irrompe em lágrimas e deixa a sala precipitadamente. Todos ficam consternados) SR. FRIEND (O Sr. SR. FRIEND se levanta) –– Vou atrás dela. (sai o Sr. SR. FRIEND)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 09 (A cena mostra Mary Lou chorando no lado de fora do salão. O Sr. SR. FRIEND lhe afaga batendo no seu ombro) SR. FRIEND –– Então Mary Lou, você não está agindo de maneira certa, você sabe. Mary Lou –– (Chorando) Não posso evitá-lo. Amo a Causa e eles estão infringindo as Leis de Deus! SR. FRIEND –– Está errada, minha querida... Mary Lou você se lembra como me retirei da Assembléia durante meses porque sentia que não podia aceitar uma certa decisão que tomaram? Bem, levei semanas para ver que eu era o único que estava errado e prejudicando a Causa com o meu ato. Abdu’l-Bahá ensina que mesmo se a Assembléia tomar uma decisão errada devemos apóia-la pelo amor a unidade da Causa. Essa unidade é realmente do que qualquer outra coisa. Devemos obedecer a vontade da maioria. Compreendi o meu erro. Mary Lou, então, você não comentou o mesmo erro, ouça-me e volte a servir à Causa como deve. (Mary Lou enxuga os olhos. Ele toma sua mão) Isso é o melhor. Mary Lou –– Obrigado, Sr. SR. FRIEND, acho que tem razão. Eu voltarei... mas ainda penso que é errado o que estão fazendo!

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 10 (Eles entram novamente na sala) Mary Lou –– Desculpem-me, é porque sinto-o intensamente. WISELY –– Você está muito certa em sentir profundamente pela Causa mas asseguro-lhe, Mary Lou, os Comitês não são corpos elegíveis, são corpos designados e os poderes deles são derivados da Assembléia. Eles não são os que têm autoridade a eles investida pelos eleitores; são indicados em consulta a fim de que possamos encontrar as melhores pessoas para eles... Agora, continuemos com o nosso trabalho, todos juntos. (A Sra. SMITH pega a mão de Mary Lou e a abraça, a discussão continua, a cena desaparece e aparece o narrador)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 11 NARRADOR –– Talvez isso possa ter afetado, mas, realmente aconteceu. Porque, vejam vocês, nós Baha’ís sejamos intensamente sinceros e a Causa signifiquei muito para nós que, às vezes, surjam explosões emotivas. Entretanto, a solução adequada pode ser encontrada. Sra. B –– Se o Sr. SR. FRIEND tivesse pensado nas palavras de Abdu’l-Bahá quando ele, por si compreender, jamais teria se retirado da Assembléia por causa dos outros membros terem votado algo que sentiria errado. Sr. A –– Ademais, se Mary Lou tivesse realmente estudado a Administração Bahá’í, teria sabido que estava errada – errada quanto ao procedimento para indicar comitês e errada por quebrar a harmonia da reunião da Assembléia porque não concordou com os demais membros. Mesmo se ela estivesse absolutamente certa, a menos que pudesse prová-lo aos outros membros, ainda teria de acatar o voto majoritário. Sr. B –– As forças em ação sob o sistema Bahá’í não são para serem subestimadas. Nove pessoas, geralmente nove estranhos uns aos outros são jungidos junto para levar avante o trabalho da Fé na sua comunidade. Um deles pode ser prolixo por natureza, um agressivo, um tímido e o retraído, contudo cada um tem qualidades que são úteis ao todo. Essas personalidades devem se fundir uma às outras, esquecidas do ego, trabalhando para o bem da Causa e sempre cônscios das metas que foram-nos deixadas para cumprir por Bahá’u’lláh. Um bom coordenador deve fazer com que o prolixo não monopolize indevidamente a discussão; o agressivo não force suas opiniões sobre os demais, a alma simples não seja molestada e o tímido se extroverta e seja ajudado a dar o melhor de si para a consulta. B Então, de vez enquanto, forças selvagens são liberadas nas reuniões da Assembléia, porque o ego humano, como disse Abdu’l-Bahá...”tenta a todo momento e prega ciladas a todos a casa suspiro”. NARRADOR –– Por exemplo, vamos ver o que está acontecendo nessa reunião da Assembléia. (A cena continua com as mesmas nove pessoas) Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 12 SMITH –– Há um assunto que desejo trazer à Assembléia: na semana passada a sra. PENHOLD falou na Reunião de Jovens da Igreja Congregacional e, tanto quanto eu sabia, ela não se aconselhou com esta Assembléia, nem consultou com o Comitê de Ensino. Ela não tinha direito de fazer isso e considero tais atos sabotagem à Administração. PENHOLD –– Indigno-me profundamente com esse comentário. SMITH –– Bem, não posso evitar que você se ressente ou não, é verdade. É realmente deslealdade a Causa fazer coisas como essa, ignorando inteiramente os princípios da Causa. PENHOLD –– Não posso permitir que você fale dessa maneira de minha esposa. Não o tolerarei. WISELY –– Amigos, não tenhamos desarmonia por causa dessa questão, vamos discuti-las juntos desapaixonadamente. PENHOLD –– Quando alguém me insulta e a membros da minha família não esperem que eu tolere porque não tolerarei! Renuncio a Assembléia. COSMOS –– Oh, Sr. PENHOLD não pense em tal coisa! Estou certa de que o Sr. SMITH realmente não teve essa intenção ele quis dizer apenas que ela deveria ter nos consultado antes. SMITH –– Quis dizer o que justamente disse, tais atos abalam a Causa. WISELY –– Realmente, Sr. SMITH, sua linguagem é demasiadamente forte! Essa não é a maneira de tratar uma irmã Bahá’í... JANE SMITH –– Por que ela não age como Bahá’í? (O Sr. PENHOLD levanta-se para sair da sala). SR. FRIEND –– George, você não deve sair da sala. Por favor, amigos vamos fazer uma oração. Vamos pedir a Bahá’u’lláh para deitar o seu Espírito sobre nós. Esta não é a maneira que os Bahá’ís enfrentam seus problemas – com raiva. Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos (O Sr. PENHOLD exita) JONES –– Sente-se aqui ao meu lado Sr. PENHOLD e vamos nos voltar para Deus. Estou segura de que todos amamos esta Causa mais do que outra coisa. (Ela puxa para o seu lado; o Sr. SR. FRIEND recita uma prece, seguida pelo silêncio) WISELY –– Sr. SMITH, eu realmente sinto que o senhor deve uma desculpa ao Se. PENHOLD. Não importa quão forte possa se sentir. Sobre esse assunto, poderia se expressar de uma maneira que não ferisse os seus sentimentos. Nós todos amamos a Sr. PENHOLD. Ela está muito ávida para servir e estou certa de que jamais sonhou que estivesse fazendo algo errado ao aceitar o compromisso de falar sem previamente consultar-nos ou ao Comitê de Ensino. SMITH –– Bem, como disse... sinto estas coisas muito fortemente, jamais construiremos a Nova Ordem Mundial se não vivermos à altura da nossa própria Administração... mas, talvez fui violento na maneira que falei. Desculpe-me George. PENHOLD –– Se os Bahá’ís podem atacar uns aos outros tão amargamente sem sequer dar à outra pessoa a oportunidade para se explicar não vejo que sirvamos muito de exemplo para o mundo. É muito desenganador. COSMOS –– Bem, Sr. PENHOLD, a confusão é que, como sempre nos diz o Guardião, somos ainda muito imaturos – todos nós cada um de nós. Amamos a Causa e corremos na sua defesa, mas sempre sabíamos e nem sempre amorosamente. Acho que é muito mais grave que nós membros da Assembléia, o trabalho da Causa nesta nossa cidade será completamente rebentado. Espero que vocês dois esqueçam que já falaram ou ouviram tais palavras. Perdoemse pelo amor ao Guardião que é tão paciente e resignado com todos nós. (Silêncio, O sr. SMITH estende sua mão para o sr. PENHOLD, que a aperta) JANE SMITH –– A sra. COSMOS está certa, George, e quero que saiba que admiramos a devoção da sua esposa.

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos WISELY –– Agora, proponho que deleguemos ao sr. PENHOLD para dizer a sua esposa que ficamos muito satisfeitos por ela poder dar a mensagem à Reunião Jovem da Igreja Congregacional na sexta feira à noite mas que achamos que ela deveria ter primeiro consultado o Comitê de Ensino. JANE SMITH –– Secundo esta moção. WISELY –– Todos a favor? (Todos levantam as mãos direitas, exceto o Sr. PENHOLD) E, por favor, Sr. PENHOLD, não conta a sua esposa como este assunto foi trazido a baila. Está tudo acabado agora e vamos mantê-lo desse modo e não estraguemos sua felicidade por ter prestado esse serviço à Causa, ainda que ela o fizesse de modo não administrativo. (A cena se extingue e aparece o NARRADOR)

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos Cena 13 NARRADOR –– Bem, infelizmente coisas como essas realmente acontecem, mas, esperemos que sempre possam ser solucionadas dessa maneira – à maneira Bahá’í. Abdul’l-Bahá nos aconselha a sermos sábios como a serpente e dóceis como a pomba. Tentamos ser hábeis em administrar os assuntos da Causa, mas, a qualidade de gentileza, às vezes, tem uma tendência de estar ausente dos nossos comportamentos em relação aos outros. Sr. A –– A cortesia é uma das qualidades a nós imposta por Bahá’u’lláh – cortesia em relação a todos e mais do que tudo em relação uns aos outros. Sr. SMITH foi desumanamente descortês com o Sr. PENHOLD. Foi devido apenas à intervenção amorosa e verdadeiramente espiritual de outros membros da Assembléia de Fairview. NARRADOR –– Os sr. e sra. SMITH e o sr. PENHOLD foram todos receptivos a essa intervenção – infelizmente para a Causa! Pois devemos lembrar sempre que é esta a maior perdedora em tais coisas. Isto pode literalmente atrasar anos no seu desenvolvimento através da arraigada desarmonia entre os membros da Assembléia. Sra. B –– Desde a promulgação do Legado e testamento de Abdu’l-Bahá’í de todo mundo e mais, particularmente aqui na Assembléia, tem sido constantemente advertidos pelo Guardião para estabelecerem a Ordem Administrativa. Entretanto é duvidoso se muitos de nós ainda compreende completamente seu significado ou função de acordo com seus preceitos. Somos inclinados a ter nas nossas Assembléias uma consciência ‘nona’ em vez de una. Cada membro pensa em si como uma parte dessa Assembléia e todos sabem que as decisões e políticas devem ser formadas conjuntamente. Contudo, uma Assembléia Espiritual é muito mais do que isso. Não é só um corpo orgânico, mas é de fato, um corpo espiritual. NARRADOR –– Vamos ver isto na forma de uma analogia. (Se possível, deverá ser apresentado aqui um gráfico anatômico e o narrador mostra os órgãos, quando chamados. Ou o narrador pode continuar apenas com uma descrição verbal) Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos NARRADOR –– Justamente como no corpo humano, por exemplo, o homem tem um coração, um fígado, um estômago, um pâncreas um par de rins, etc... Como viveria e funcionaria este corpo se o fígado se enraivecesse e se recusasse a funcionar... o pâncreas se incharia e ficaria mal-humorado... e o coração tentaria não bater! Naturalmente isto é impossível... E quando um dos órgãos não procede de acordo e se recusa a executar sua parte adequada das tarefas corporais, dizemos que o homem está morto. Entretanto, isto raramente compreendem que quando não se comportam como verdadeiros Bahá’ís de acordo com as Leis e Ensinamentos de Bahá’u’lláh, que estão impedindo o fluxo do espírito. É o fluxo do espírito que pode ser comparado à circulação no corpo físico, que sustenta o corpo da Assembléia em boa saúde espiritual. Não se pode imaginar um rim quando o fígado está adoentado, recusando a cumprir sua função sob o pretexto de que não gosta da cor vermelha do fígado! ... E , contudo os membros da Assembléia frequentemente agem dessa fora! São antagônicos à algumas pessoas porque falham em serem bem-sucedidos conjuntamente ou desgostam da personalidade dele ou dela. Sra. B –– Quando um corpo humano é afetado pela doença o organismo todo se apressa para a defesa... Uma Assembléia deveria funcionar da mesma maneira... Quando o contratempo surge numa Assembléia, qualquer que seja a razão imediata , não importa quão justificável possa ser a causa, os nove membros devem ter apenas um pensamento fundamental em mente... se arregimentar a defesa... A defesa de quê? ... Da sua unidade. Sr. A –– Isso não significa que os crentes, às vezes, não firam os sentimentos uns dos outros ou, talvez sejam rudes e insultantes. Provavelmente nós bahá’ís faremos estas coisas até que sejamos muito mais perfeitos o que somos no momento. O que realmente significa é que, sob todas as circunstancias, os membros da Assembléia devem estar conscientes de que são um organismo... uma unidade... e não um composto. NARRADOR –– Para voltar à nossa analogia: Se, por exemplo, o pâncreas está fraco o corpo não tenta joga-lo fora, ou odiá-lo ou mesmo condena-lo. Reconhece Rúhíyyih Khánum

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As Dores de Crescimento de uma Assembléia Espiritual Drama em 13 atos o fato de que o pâncreas nasceu fraco, ou ficou fraco e é por isso um canal para enfermidades atacarem o corpo todo. Com um acordo o fígado, os rins, o coração e assim por diante, fazem um esforço maior para ajudar e tomar um bom cuidado do pâncreas. Uma Assembléia deveria fazer o mesmo. Se o Sr. SMITH, por exemplo, for o pâncreas fraco, um elemento de algum modo perturbador, todos os membros devem ajudá-lo a se encaixar. Paciente e amavelmente devem considerá-lo na realidade como uma parte fraca de si mesmo, não algo para se indispor, unir-se contra ou jogar fora. Há muitas maneiras práticas para isto. A maioria delas é voltar-se para Deus em oração porque Ele está esperando ser invocado para ajudar e Ele quer ajudar. Outra é a discussão franca do assunto, pois isto remove os ressentimentos ocultos, as apreensões e dispersa incerteza. Uma outra é a consulta rotativa completa e a ultima é acatar voluntariamente o voto majoritário. (O narrador gradualmente desaparece, a Assembléia é vista novamente e a sra. COSMOS à ela e à platéia se dirige) Sra. COSMOS –– Poucos de nós são santos, capazes de realmente amarmos nossos semelhantes pelo seu próprio bem. Bahá’u’lláh sabia isto e por isso Ele nos pediu para amarmos uns aos outros pelo Seu bem e pelo bem de Deus. Todos os Bahá’ís amam a Causa e ama e reverenciam a Manifestação de Deus. Está é a razão pela qual eles podem e devem amar uns aos outros... a fim de que possa se estabelecer essa grande de que Abdu’l-Bahá falou... Um espírito em muitos corpos... E esta unidade pela qual o mundo ânsia!

Fim

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Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum [1910-2000] foi uma grande artista, em todos os sentidos, com sua pena extremamente dinâmica, escrevendo romances, dissertações, ensaios, poemas, poesias e esta peça de teatro, pois como ninguém sabia a posição das artes na sociedade humana – que sem ela não podemos viver – e é o melhor veículo de educação para as massas. Esperamos que esta peça possa ser apreciada em várias platéias por todos os povos de língua portuguesa, nos ensinando a beleza da consulta e o nascer de uma Instituição Bahá’í.

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