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Ano 1 - nº 5 - Julho de 2009

Cinema e Literatura

Walter Carvalho fala do filme Budapeste

Ponto de vista A poesia e o mercado editorial

Making of Regina Porto e os diversos aspectos do livro “Grandes Sertões: Veredas”


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Propaganda Márcio

Editora Andaluzia Ltda. Diretora Executiva Carmen Mírio Diretor Administrativo Marcelo Syring Gerente Comercial Valda Pellissari Consultora de Negócios Mayara Muscat Assinatura e parcerias mayara@editoraandaluzia.com.br Fone: (11) 2208.1176 Revista Mundo Literário Editora e Jornalista Responsável Carmen Mírio Edição de arte, Produão gráfica e Diagramação Fernando de A. Almeida e Julia Muscat Reportagens Robinson Machado, Leandro Monteiro, Fabiana Cavalcanti e Lígia Sena Fotógrafos Jorge Syring e Robinson Machado Revisora Amanda Alexandrini PARTICIPARAM DESTA EDIÇÃO Augusto Massi, Rodrigo Capella, Walter de Carvalho,Regina Porto, Betty Faria, William, Heródoto Barbeiro, Negra Li, Dr.Newton Silveira , Vinícios Moisés Maria Amália Camargo Impressão Duograf Editora Andaluzia Ltda. Empresa filiada à Associação Nacional dos Editores de Publicações, Anatec. Avenida Zumkeller, 140 - sala 01 - cep 02420-000 São Paulo - Capital. Tel.: 11 2208-1176. www.revistamundoliterario.com.br Dúvidas ou sugestões: contato@revistamundoliterario.com.br

Os textos assinados são responsabilidade dos seus autores. Não estão autorizados a falar pela revista, bem como retirar produções, pessoas que não constem deste expediente e não possuam carta de referência.

Luis Henrique Beraldo

Editorial

A

RML entra numa nova fase. Buscamos inovações sempre, novos lugares, novos públicos. Passamos a circular, além das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em Belo Horizonte. A revista traz algumas mudanças, procurando sempre aperfeiçoar a maneira de levar aos leitores notícias do mundo literário, para que a leitura seja o mais agradável possível. Esta edição é contemplada na seção Ponto de Vista com o tema “A poesia e o mercado editorial” e traz Augusto Massi, Diretor Editorial da CosacNaify e Rodrigo Capella, autor do livro “Poesia não vende”. Na matéria de capa, a RML entrevistou Walter Carvalho, premiado diretor de fotografia que dirigiu o filme “Budapeste”, para falar sobre o tema “O Cinema e a Literatura.” Em “Perfil Literário”, falamos um pouco da vida e da obra do ilustre escritor Manuel Bandeira. Este mês, temos também o revisor Vinícius Moisés, contando sua experiência na profissão; além da seção “Sua Estante”, onde Negra Li, Heródoto Barbeiro, Betty Faria e o jogador de futebol William comentam sobre seus livros preferidos. A RML traz na seção “Making of” uma matéria sobre o interessante trabalho da musicista Regina Porto, baseado nas obras do genial Guimarães Rosa; na seção “Consultoria Jurídica”, o Dr. Newton Silveira esclarece “O que é propriedade intelectual?”; e, ainda, a “Coluna” nos encanta com o texto sobre Literatura Infantil, da escritora Maria Amália Camargo. Carmen Mírio carmen@editoraandaluzia.com.br


4 sumário

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Julho de 2009

Notas a respeito da Viagem literária, do Festival Poético e do Museu da Língua Portuguesa.

6 Notas & Notícias

20 Consumo litarário

Capa

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Quantos livros ganharam versão cinematográfica? Quantos personagens foram interpretados por atores e atrizes consagrados ou que se consagraram? A literatura sempre esteve nas telas do cinema. O cinema e a literatura andaram lado a lado, e para tratar, deste assunto, o repórter Robinson Machado, conversou com o diretor Walter Carvalho.

Ponto de vista

Perfil literário

Entrevista

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Qual o tipo de público que consome livros de poesia? Como o mercado editorial trata os novos poetas? Veja na seção Ponto de vista, um editor e um poeta respondem as questões e sugerem os caminhos para mudar esse panorama.

Manuel Bandeira, uma história de ganhos e perdas. Foi professor, cronista, tradutor, crítico e historiador literário. Sofria de tuberculose e sabia que morreria cedo desde os 18 anos. “Vou me embora para Passárgada, saiu sem esforço, como se estivesse pronta dentro de mim.”

O revisor ou preparador de textos, conta como é o trabalho de um profissional que faz de qualquer texto um primor gramatical da língua portuguesa. Com a função de organizar as ideias Do material que será organizado, excluindo os excessos, ajustando os parágrafos, harmonizando e padronizando o texto.

Making of

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Os bastidores do incrível trabalho de Regina Porto. Um projeto cultural que fala sobre diversos aspectos do eterno livro “Grandes sertões: veredas” que mobiliza quase uma centena de especialistas e entusiastas da obra de Guimarães Rosa. “Este livro é a música das músicas”, diz Regina.

O ranking dos 40 livros mais vendidos nas quatro categorias e os 10 áudio livros.

Acompanhe a indicação de leitura com a atriz Betty Faria, o jogador William, a cantora Negra Li e o jornalista e apresentador Heródoto Barbeiro.

22 Sua estante

24 Programas culturais

30 Acontece nas livrarias

A Casa da Palavra, oficina cultural Mário de Andrade é mostrada na seção do mês de julho.

Eventos, cursos e lançamentos de livros os fatos que agitam as livrarias no Brasil.

32 Consultoria jurídica

34 Coluna

O Dr. Newton Silveira nos esclarece sobre: “O que é propriedade intelectual?”.

A escritora Maria Amália Camargo fala sobre o tema da próxima edição: Literatura infantil.

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6 notas & notícias

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Festival Poético 2009

Viagem literária Foi lançado, no dia 10 de junho, pela Secretaria Estadual da Cultura de São Paulo, o programa Viagem Literária. Foram selecionadas 55 cidades para receberem escritores consagrados que conversarão com o público em bibliotecas espalhadas por todo o Estado de Junho a Novembro de 2009. A viagem literária busca democratizar e estimular a leitura através da interação entre escritores e o público, principalmente aqueles que vivem fora dos grandes centros urbanos, em atrações como oficinas de criação literária e contação de histórias. A programação é gratuita e beneficiará todas as faixas

etárias, em cidades que variam de 3 a 220 mil habitantes. O objetivo é fazer com que o público faça uma verdadeira viagem ao mundo da Literatura, incentivar a ida às bibliotecas públicas e

valorizar a sua importância no cotidiano de todas as cidades. Para saber mais acesse o site www.cultura.sp.gov.br.

A Economist afirma que para melhorar a Educação do nosso país é necessária uma reforma no sistema escolar, enfrentando o Sindicato dos Professores e investindo mais em Educação Básica A revista britânica The Economist, publicou um artigo no qual analisa a situação da Educação no Brasil e assegura que a má qualidade do ensino é o que paralisa o desenvolvimento do país. A publicação compara a situação brasileira à da Coréia do Sul, que apresenta bons resultados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Na década de 70, os dois países tinham a mesma prosperidade em relação à qualidade de ensino, mas a Coréia do Sul se desenvolveu de forma

significativa e, atualmente, possui renda per capta cerca de quatro vezes maior. Segundo a revista, para melhorar a Educação em nosso país, seria necessária a realização de uma re-

forma no sistema escolar, enfrentando o Sindicato dos Professores e investindo mais em Educação Básica. www.abrelivros.org.br

O Sesc Cornélio Procópio, no estado do Paraná, promoverá mais uma vez o Festival Poético, que comemora 25 anos de realização. Nesse festival, poetas de todo o Brasil terão a oportunidade de divulgar os seus trabalhos entre todos os segmentos envolvidos no evento. Poderão participar poetas de qualquer idade, apresentando a quantidade máxima de duas poesias de própria autoria. O tema é livre e as inscrições vão até o dia

31 de Julho. A premiação acontecerá no Anfiteatro da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), no dia 16 de Outubro, às

19h30min. Para obter maiores informações, basta telefonar para: (43) 3904-1600.

“O francês no Brasil em todos os sentidos”

O Museu da Língua Portuguesa, localizado na cidade de São Paulo, apresenta “O francês no Brasil em todos os sentidos”. Trata-se de uma exposição temporária, realizada pela Secretaria do Estado e co-patrocínio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, por meio do Consulado Geral da França em

São Paulo. Serão abordados na mostra Literatura, pontos de contato entre os idiomas francês e português, moda, dança, gastronomia e cultura popular, inclusive, foi criada para essa atividade uma interessante cidade cenográfica mesclando São Paulo e Paris.

A exposição que apresenta a influência cultural francesa presente em nosso país e é um dos eventos oficiais do Ano da França no Brasil e será exibida até o dia 11 de outubro de 2009. www.museulinguaportuguesa. org.br

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ponto de vista

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A POESIA E O MERCADO EDITORIAL “Poesia não vende”, “A tribo dos poetas”, “Loucos, pobres e suicidas”, são denominações atribuídas aos poetas que buscam divulgação na mídia impressa. Afinal, qual a razão do mercado editorial e da mídia não investirem na publicação e na divulgação da poesia? por Carmen Mírio

O mercado editorial precisa, urgentemente, de uma revolução poética. Rodrigo Capella

P

ara responder a esta e outras questões, convidamos Augusto Massi, editor, jornalista, professor e poeta para esclarecer e informar quais os caminhos e o que de fato acontece com o mercado editorial. Do outro lado, Rodrigo Capella, poeta, jornalista e escritor, contando como é o lado de quem busca a publicação do trabalho poético. Ambos têm em comum o fato de serem poetas, porém Augusto Massi, é também editor e nos relata o tratamento dado à poesia pelo mercado editorial: “As editoras de poesia se dividem geralmente em dois grupos: as grandes editoras comerciais e as pequenas editoras alternativas. As grandes não correm riscos e só publicam os poetas já consagrados: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, etc. As pequenas se dedicam a lançar os novos nomes. E correm todos os riscos. Na maioria, são editoras inteiramente voltadas ao público da poesia. De modo geral, acho que o tratamento dado pelas grandes editoras à poesia vem melhorando.” Para Rodrigo Capella, “O mercado editorial precisa, urgentemente, de uma revolução poética. Todo bom escritor tem uma ligação com a poesia e as editoras não podem menosprezar esse fato.” O debate continua e a questão do pouco espaço concedido pelo mercado editorial, à poesia, é colocada da seguinte forma: faltam grandes poetas ou há falta de interesse em publicá-las? O editor Augusto Massi entende que não ocorre nenhuma das duas coisas. “Em primeiro lugar, acho que falta conhecimento crítico. Temos poucos críticos aptos a mapear a produção contemporânea (Ah! Que falta faz um crítico como o José Paulo Paes...). Em segundo lugar, os jornais também tratam a poesia com uma pauta já

pré-estabelecida: nunca dão espaço, mas, quando resolvem dedicar algum, sempre é coletivo e do tipo “a tribo dos poetas”, “poesia não vende”, “loucos, pobres e suicidas”. Rodrigo vê a situação de outra maneira e diz que: “Há falta de interesse das editoras em publicar poesia. Atualmente existe um ciclo vicioso: as editoras publicam pouca poesia, os poucos livros que vão para as editoras ficam em estantes empoeiradas e o público não compra. Não compra porque não vê. O ciclo volta na editora e o editor diz: poesia não vende. Há muitos poetas que se escondem na gaveta e têm medo de mostrar o seu talento, de serem criticados. Talentos existem, há os blogs, twitter, skoob, The Library Thigs e tantas outras mídias sociais espalhadas. As editoras precisam e devem incentivar cada vez mais esses talentos.” A venda de livros de poesia é outra questão a ser analisada e Augusto nos revela que: “Vende de todas as formas. Vende muito: Lero lero, de Cacaso e Belvedere, de Chacal, ambos volumes com mais de 300 páginas, com preços em torno de 55 a 60 reais, já tiveram mais de duas edições, com tiragens de 3.000 exemplares cada. Sem adoção. Venda em livraria.” Rodrigo discorda em parte e entende que: “Poesia não vende como deveria, infelizmente. Esse gênero tem forte venda em lançamentos e ponto. Dificilmente se vende durante três meses seguidos. A principal culpa cabe às editoras, que menosprezam a poesia, por não entendê-la, por preferirem a prosa, por ser mais fácil de ler.” Quanto ao público leitor de poesia, Rodrigo diz que: “Todo mundo lê ou deveria ler poesia. A poesia está na alma, no dia a dia das pessoas, propiciando uma melhor sinergia, um melhor fluído. Ninguém vive sem poesia, por isso todos a consomem, mesmo sem saber, mesmo sem ter vontade.” Augusto entende que: “ Precisamos pensar no público e no mercado num sentido mais amplo. Por exemplo, na editora, investimos em livros de poesia voltados para público mais complexo, híbrido e amplo: Dia de folga, de Jacques Prévert ou Livro das perguntas, de Pablo Neruda. Eles podem atingir tanto o público infantil quanto o adulto. Podem encantar tanto o poeta quanto o designer. E são livros de alta voltagem poética. Em outras palavras: o público de poesia é o público em geral.” Sintetizando o debate e o ponto de vista a respeito da poesia e do mercado editorial, Augusto Massi complementa: “Tudo que envolve desconhecimento, falta de intimidade ou convivência provoca pânico nas pessoas. Os editores não escapam a esta lógica. Nisso, o quadro brasileiro não é muito diferente da situação mundial. Penso que esta falta de cultura poética tem conexões mais profundas com questões

A prosa ganha por pontos. O poeta por nocaute. Mas a arte de perder é uma divisa de todo poeta. Augusto Massi

ligadas à educação e à vida universitária. A cena contemporânea é mais hostil à poesia. Não vejo como um complô, mas é inegável que a poesia é consumida em outra forma de manifestação da cultura: nas letras de música, no cinema, na publicidade etc. Em outras palavras: a poesia não está só nos livros. Além disso, o próprio livro perdeu o lugar central que ocupava na cultura mundial. Isso é um processo histórico; A poesia precisa ser repensada. Nos anos de 1950, João Cabral escreveu um excelente ensaio importante sobre esta questão. De certa forma, ele viu com muita clareza todos estes problemas. E não foi à toa que buscou dar novos rumos à sua própriaforma de escrever poesia. Como a poesia está sempre na ponta, penso que também está tendo que enfrentar estas questões antes das outras áreas.” E quanto aos caminhos para mudar esse panorama editorial, Augusto finaliza e conclui: “Talvez, ela tenha que migrar para o celular, para a TV a cabo, para o DVD. Todos os momentos de crise da linguagem são propícios para a poesia. Ela acumulou muita sabedoria para travar este combate. A prosa ganha por pontos. O poeta por nocaute. Mas a arte de perder é uma divisa de todo poeta.”

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Livro,

Câmera e

Ação

Budapeste, livro consagrado de Chico Buarque, ganha versão para os cinemas e aquece a discussão sobre as inevitáveis comparações entre filmes e obras literárias. Por Robinson Machado

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uando a palavra chuva é inserida em um livro, ela pode ser interpretada pelo leitor de muitas maneiras: a imaginação é capaz de criar uma tempestade ou uma garoa, inserir trovões, variar a intensidade do vento e escolher a densidade das gotas. Esse é o exemplo dado, ultimamente, pelo cineasta Walter Carvalho quando lhe perguntam as diferenças entre literatura e cinema. Para ele, “em um filme, o espectador está condenado a ‘entender’ a chuva exatamente daquela maneira”. Carvalho, responsável pela fotografia cinematográfica de quase 70 longas-metragens, se firma como diretor e acaba de lançar nos cinemas Budapeste, uma adaptação do livro homônimo de Chico Buarque – obra que já vendeu mais de 280 mil cópias e foi lançado em mais de vinte países. Mais que um best-seller, o livro publicado em 2003 trouxe à tona o brilhantismo do autor no universo literário por conta do bom uso da metalinguagem – ou seja, o livro fala de livro – e da complexidade da trama, por meio de uma narrativa pouco convencional. “Decidi fazer o filme justamente por ser difícil – não gosto de ficar seguro no meu trabalho”, diz Carvalho, que foi convidado a dirigir o longa e afirma que tentou ser fiel à essência do livro, mesmo tendo inserido cenas que não existem na obra impressa. Seja como for, Chico Buarque participou de todo o projeto e ficou bastante satisfeito com o resultado. Os direitos de filmagem de Budapeste foram negociados pela produtora Rita Buzzar, que cuidou da adaptação do livro para o filme. Ela já havia feito o mesmo trabalho com o longa-metragem Olga, inspirado na obra de Fernando Moraes. Rita conheceu e conversou bastante com o autor no dia da assinatura do contrato de cessão de direitos. Ouviu dele sugestões sobre a adaptação em outras oportunidades também. Depois de escrever três tratamentos do roteiro, Rita ofereceu o texto para a leitura do “músico-poeta-

escritor”. Ao todo, foram sete versões, que foram recebendo outras situações específicas do roteiro. Isso mostra que um filme não é necessariamente uma reprodução audiovisual de uma obra literária. Há sempre especificidades em cada produto cultural. Walter Carvalho, de 62 anos, foi escolhido para dirigir o filme após alguns meses do processo inicial. Diretor de fotografia premiado, entre suas obra se destacam: Carandiru, Abril Despedaçado, Lavoura Arcaica, Central do Brasil, Madame Satã e Amarelo Manga. Dirigiu, também, o longa-metragem Cazuza – O Tempo Não Pára, ao lado de Sandra Werneck, além do documentário Janela da Alma, com João Jardim e Moacir Arte Bruta. O diretor acredita que foi chamado para fazer o filme por ser considerado um profissional bem relacionado com a questão da transposição dos significados das palavras em imagens. O desafio para Carvalho não é “ilustrar” a palavra, mas traduzi-la em cinema – e é justamente essa característica que dá autonomia a um trabalho cinematográfico em relação ao livro em que se inspira. É comum a comparação imediata pelo público de qualquer filme baseado em uma obra literária com o livro, assim como, a curiosidade de ver na tela um livro de sucesso. A crítica cinematográfica passa a contar com o livro como referência de avaliação, já que a obra transposta deixa de pertencer ao domínio literário. Para Angélica Bito, crítica do site “Cineclick”, é normal haver perguntas e comentários tentando contrapor livro e filme. “Acho até saudável ter uma base para se comparar, porque o leitor também se interessa nisso”, diz. Já com seu trabalho, ela explica que o livro é mais um dado para a elaboração da crítica. “Comparar o filme com o livro é mais um complemento à crítica, a fim de dialogar com o leitor que conhece a obra literária”. Angélica acredita ser natural o espectador que conhece o livro querer saber também o que

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12 capa

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foto divulgação

o filme traz de diferente, mas deixa claro que os critérios para avaliação não devem se prender somente à referência literária. No caso de Budapeste, a questão acerca da relação entre cinema e literatura está contemplada na história. A dualidade está fortemente presente no livro de Chico Buarque. Há um diálogo entre diversos elementos que perpassa toda a obra, funcionando como um “espelho invertido” – a ficção e a realidade, o português e o húngaro, o casamento e a traição, o escritor e o ghost-writer, uma família brasileira e outra húngara, entre muitos outros exemplos. Com a criação do filme, as duplicidades ganham outra característica marcante: a

O ator Leonardo Medeiros e a atriz Gabrielle Hámori, em cena do filme Budapeste - adaptação do livro de Chico Buarque.

foto divulgação

Leia e assista Veja alguns exemplos de filmes nacionais baseados em livros. Filme Livro

Decidi fazer o filme justamente por ser difícil – não gosto de ficar seguro no meu trabalho

Budapeste – sinopse ou resenha O acaso levou José Costa, um bem sucedido porém, anônimo escritor (ghost-writer), à cidade de Budapeste. Desde seus primeiros momentos na cidade, fica fascinado pelo idioma húngaro. De volta ao Rio, reencontra sua esposa, uma apresentadora de telejornal, e seu filho. Mas o casamento se deteriora e, cada dia mais infeliz, ele passa a murmurar o húngaro enquanto dorme. Escrevendo autobiografias, tenta, por meio da vida de outras pessoas, acalmar sua insatisfação e tédio. Frustrado pela falta de reconhecimento de sua profissão e distanciamento de sua mulher, Costa retorna para Budapeste. Lá conhece Kriska, uma professora de húngaro, que lhe ensina seu idioma. Com muito empenho e motivado pela paixão por Kriska, torna-se também ghost-writer e poeta, em húngaro. No livro ou no filme, a complexa trama – que lida o tempo todo com dualidades – não nos permite identificar se o autor escreve o que vive ou vive o que escreve: um dos inúmeros fatores que tornam a história uma obra-prima da literatura e agora um filme de garantido sucesso.

tensão entre as linguagens literária e cinematográfica – enquanto no livro a própria literatura é personagem, no filme o cinema é integrado à história. Somando este fator às cenas exclusivas do longa-metragem, aquelas que não existem no livro, há mais argumentos para a afirmação de que são produtos culturais distintos, ainda que haja um mesmo enredo, personagens e tudo que fez do livro uma premiada obra da literatura brasileira. Mas nem sempre o sucesso de um filme baseado em um best-seller é garantido. A crítica Angélica Bito relembra o fracasso do filme Pergunte ao Pó (2006, Paramount) como exemplo. O clássico livro homônimo, escrito em 1939, por John Fante, é ovacionado há décadas; algo inversamente proporcional ao longa-metragem baseado na obra, dirigido por Robert Towne. (Colaborou Marcelo Paradella)

Benjamin - 2003 Monique Gardenberg Dueto Filmes

Benjamim - 1995 Chico Buarque Companhia das Letras

Budapeste - 2009 Walter Carvalho Imagem Filmes

Budapeste - 2003 Chico Buarque Companhia das Letras

Lavoura Arcaica - 2001 Luiz Fernando Carvalho Europa

Lavoura Arcaica - 1975 Raduan Nassar Companhia das Letras

Veronika Decide Morrer - 2009 Emily Young Imagem Filmes

Veronika Decide Morrer - 1998 Paulo Coelho Planeta

Dom - 2003 Moacyr Góes Warner

Dom Casmurro - 1899 Machado de Assis Martins Fontes

Divã - 2009 José Alvarenga Jr. Downtown Filmes

Divã - 2002 Martha Medeiros Objetiva

Um Copo de Cólera - 1999 Aluisio Abranches Warner / Versátil

Um Copo de Cólera - 1978 Raduan Nassar Companhia das Letras

Ensaio Sobre a Cegueira - 2008 Fernando Meirelles Fox

Ensaio Sobre a Cegueira - 1995 José Saramago Companhia das Letras

Estorvo - 2000 Ruy Guerra Riofilmes

Estorvo - 1991 Chico Buarque Companhia das Letras

Onde andará Dulce Veiga? - 2008 Guilherme de Almeida Prado Star Filmes

Onde andará Dulce Veiga? - 1990 Caio Fernando Abreu Companhia das Letras

O Xangô de Baker Street - 2001 Miguel Faria Jr. Sony

O Xangô de Baker Street - 1995 Jô Soares Companhia das Letras

O Cheiro do Ralo - 2006 Heitor Dhalia Universal

O Cheiro do Ralo - 2002 Lourenço Mutarelli Devir

O Menino Maluquinho - 1994 Helvecio Ratton Europa

O Menino Maluquinho - 1980 Ziraldo Melhoramentos

Valsa para Bruno Stein - 2007 Paulo Nascimento Panda Filmes

Valsa para Bruno Stein - 2006 Charles Kiefer Record

S. Bernardo - 1971 Leon Hirszman Embrafilme

S. Bernardo - 1934 Graciliano Ramos Record

Vida de Menina - 2004 Helena Solberg Europa Filmes

Vida de Menina - 1999 Helena Morley Companhia das Letras

Olga - 2004 Jayme Monjardim Lumière / Europa

Olga - 1985 Fernando Morais Companhia das Letras

Meu nome não é Johnny - 2008 Mauro Lima Sony

Meu nome não é Johnny - 2007 Guilherme Fiuza Record

Macunaíma - 1969 Joaquim Pedro de Andrade Difilm

Macunaíma - 1928 Mario de Andrade Villa Rica

Carandiru - 2003 Hector Babenco Sony

Carandiru - 1999 Drauzio Varella Companhia das Letras

O Homem do Pau Brasil - 1982 Joaquim Pedro de Andrade Embrafilme

O Homem do Pau Brasil Baseado em vários escritos de Oswald de Andrade

Cidade de Deus - 2002 Fernando Meirelles e Kátia Lund Imagem Filmes

Cidade de Deus - 1997 Paulo Lins Companhia das Letras

O Invasor - 2002 Beto Brant Europa

O Invasor - 2002 Marçal Aquino Geração

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14 perfil literário

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Manoel Bandeira

Uma longa história entre ganhos e perdas

por Amanda Alexandrini

Vou me embora passarada, saiu sem esforço, como se estivesse pronta dentro de mim

N

asce, em Recife, no dia 19 de abril de 1886, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, conhecido simplesmente como Manuel Bandeira, poeta de grande destaque na Literatura brasileira e membro da terceira ocupação na 24ª cadeira da Academia Brasileira de Letras, não foi apenas poeta. Ao longo de sua vida também foi professor, cronista, tradutor, crítico e historiador literário. Doente dos pulmões, Manuel sofria de tuberculose e sabia que morreria cedo desde os 18 anos, quando recebeu o diagnóstico, no entanto, viveu até os 82. Esse “adiar de viver” é refletido em muitas de suas poesias que carregam em seu estilo certa angustia, como o poema Desencanto, e a melancolia de quem mais observa a vida do que a vive de fato; associadas ao humor também característico desse poeta, como é possível perceber em Andorinha, Carnaval ou Pneumotórax.

Com a perda dos pais, entre 1916 e 1920, o escritor se afastou dos amigos e da cadeira da Academia Brasileira de Letras, porém continuou a escrever e sem perder seu toque de humor singular. Bandeira nunca se casou e a solidão também foi uma temática recorrente em suas obras; Na Solidão das Noites Úmidas expressa muito bem essa ideia de isolamento. Esse escritor pernambucano tinha muita sensibilidade e era capaz de fazer poesia inspirado no que há de mais simples e comum, o cotidiano; um dos exemplos disso é Pensão familiar. Vale ressaltar, ainda, sua espontaneidade. Uma de suas poesias mais conhecidas, Vou-me embora para Pasárgada, foi composta naturalmente, em palavras do autor: “Saiu sem esforço, como se estivesse pronta dentro de mim”. Devido a essas e outras particularidades, estudar a biografia desse poeta é essencial para entender a sua obra.

As obras de Bandeira foram se desenvolvendo assim como o cenário literário brasileiro. Seu poema Os Sapos, lido na Semana de Arte Moderna, em 1922, por Ronald de Carvalho, no Teatro Municipal de São Paulo, carrega forte crítica aos poemas de temas conservadores e representou muito bem o movimento de renovação artística da época, o Modernismo. No entanto, Manuel Bandeira participou da Semana de Arte Moderna apenas “à distância”, pois acreditava que as críticas aos parnasianos e simbolistas eram muito agressivas. De todo modo, o escritor teve grande influência, afinal, Os Sapos causou grande impacto no público com toda a quebra e crítica que indicava. Em 22, com o movimento vanguardista, os poetas propunham, em suma, valorizar a libertação da poesia, trabalhando temas cotidianos (muito comuns na obra de Bandeira, por exemplo, Poema tirado de uma notícia de jornal), criando versos mais livres, sem a necessidade de rimas ricas ou de quaisquer outras formalidades da poesia. Esses ideais são muito bem sintetizados em Poética, de Manuel Bandeira.

Obras Sua obra de estréia foi A Cinza das Horas, publicada no ano seguinte à morte de sua mãe (1917),

os duzentos exemplares do livro foram custeados pelo próprio autor. Logo, lançou “Carnaval” (1919), que ainda contava com resíduos do estilo parnasiano e simbolista, porém já indicando algumas mudanças de estilo, dando indícios da estética modernista, que acabou se tornando uma marca do autor, efetivada a partir de Ritmo Dissoluto (1924). O ócio, devido à doença, proporcionou ao poeta o tempo necessário para estudar e escrever; isso sem dúvidas foi um ganho para a Literatura nacional, pois além dos livros de poesias mencionados acima, há Libertinagem, 1930, Estrela da manhã, 1936, Lira dos cinquent’anos, 1940, Belo, belo, 1948, Mafuá do malungo, 1948 Opus 10, 1952, Estrela da tarde, 1960 e Estrela da vida inteira, 1966.

Morte Manuel Bandeira morre aos 82 anos no dia 13 de outubro de 1968, não de tuberculose, doença que teve que conviver por toda a vida, mas de parada cardíaca, no estado do Rio de Janeiro, sendo sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no cemitério São João Batista.

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16 entrevista

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O revisor, ou o preparador de textos, como ele prefere ser chamado, Vinicius Moisés, conta como é o trabalho de um profissional que faz de qualquer texto um primor gramatical da língua portuguesa. Por Leandro Monteiro

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Leitura angustiada: morte ou correção!

inicius Moisés começou a conviver nesse meio em 2005, quando entrou na faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP). Em 2006, já fazia alguns trabalhos de preparação e revisão de textos como freelancer quando foi contratado como editor assistente na Editora Terceiro Nome, trabalho que exerce até hoje, além das funções de assistente editorial, coordenando e executando projetos, e de assessor de comunicação. Como coordenador de projetos, trabalha na produção de mais de cinqüenta livros dos mais variados temas e formatos, entre os quais se destacam Donos do espetáculo, de André Ribeiro, O Súdito, de Jorge Okubaro, e o que exigiu maior envolvimento e no qual teve a oportunidade de aprender bastante sobre todos os processos da produção editorial: Mar sem fim, de João Lara Mesquita (livro de 624 páginas divididas em dois volumes e com mais de quatrocentas imagens). Como preparador, trabalhou nos livros da coleção Réporter Especial (24 títulos), além de Cangaceiros, Élon Brasil, Alice passou por aqui, Drosófila - a mosquinha famosa, Donos do espetáculo e, o ainda inédito, Nova história da Cosac Naify.

O preparador de textos é um dos vários profissionais do processo de produção de um livro. Sua função é organizar as idéias do material que será publicado, excluindo os excessos, ajustando os parágrafos, harmonizando e pradronizando o texto. É ele o

responsável por revisar o material com o intuito de conferir-lhe correção, clareza, concisão e harmonia agregando valor ao texto, tornando-o corrido e agradável aos olhos do leitor. Vinicius, como preparador de textos, é perfeccionista; acredita que todos os livros precisam de revisão para acender e que é preciso uma, duas, três, às vezes, até quatro revisões para alcançar um bom resultado. “Revisar um texto não é uma tarefa fácil, porque todo mundo gostaria de reescrever pelo menos um trecho do texto revisado e esse não é o seu trabalho o revisor não deve se empolgar, não pode ter ego de autor, mas sim trabalhar em parceria com ele. Mas, vontade dá.” diz o revisor. Hoje, existem vários instrumentos para auxiliar o preparador de texto no caso de dúvidas. A tecnologia se tornou uma preciosa aliada desse profissional que pode trabalhar com vários dicionários online, fazer pesquisas lingüísticas e de contexto histórico, mas, acima disso, Vinicius acredita que é preciso ter consciência de que o texto não pode ser melhorado (pois isso incute análises subjetivas), mas sim adequado para que tenha mais consistência, coerência e sentido. Para desenvolver um bom trabalho como preparador/revisor é preciso um sentido editorial aguçado e, naturalmente, um grande conhecimento cultural (prático) combinado a bastante conhecimento técnico. Sua formação, sobretudo, deve ser empírica, embora o conhecimento acadêmico ajude em certos casos. É necessária organização e padrão de trabalho. Mas, acima de tudo: um preparador/revisor deve ser um leitor voraz e sempre procurar se aprimorar. “Mas a “cancha” só se pega mesmo ao botar a mão na massa,” exclama.

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18 entrevista

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Mexer no texto dos outros e agradar autores e editores nunca é fácil. Não dá para interferir, há pessoas que reagem bem e outras que nem tanto e se recusam a ouvir críticas mesmo sendo construtivas. Lidar com esses egos e modificar um texto sem alterar seu estilo, encontrar palavras que não estão nos dicionários, mas são comuns, não no vocabulário popular, e sim no de uma determinada área de trabalho, entender os neologismos muito comuns nos romance e livros de ficção, como os de Fernando Pessoa e Guimarães Rosa, são os grandes desafios do trabalho de preparador, que ao mesmo tempo em que vai preparando vai aprendendo. De todos os profissionais envolvidos na etapa de criação, o preparador/ revisor é, com certeza, o que menos dispõe de um bom prazo para a entrega do seu trabalho. Muitas vezes tenho que entregar com menos de 24 horas após o recebimento, esse é o preço a ser pago para se ajustar à demanda de publicações e ao forte crescimento do mercado literário em todo o país, sem contar com a pressão dos autores ansiosos para terem suas obras publicadas.

O mundo está em constante transformação e a língua portuguesa, que é viva, acompanha essa mudança. Em um período em que a reforma ortográfica é tão recente, o profissional preparador de textos ganha mais importância ainda. Será mesmo? “Como, normalmente, é um trabalho freelancer, e de remuneração inconstante (varia com o tamanho do texto, com os preços e os tamanhos das laudas, com a dificuldade do trabalho, além de variar de editora para editora), acho que é muito difícil sobreviver só trabalhando com revisão/preparação”. Conclui.  Tido como um dos elos da cadeia que confecciona um livro, Vinicius tem uma visão otimista do mercado editorial e acredita sim que é possível ter seu valor reconhecido. O que ele faz, continua sendo uma prestação de serviços, mas há o devido crédito tanto nas páginas dos livros, quanto conceitualmente nas editoras. Agora, para o público leitor, o preparador passa realmente despercebido. “Até acho que sua discrição seja benéfica, já que seu trabalho é de bastidor. Enquanto houver gente escrevendo, haverá alguém para preparar ou revisar um texto. Com o boom da internet e dos blogs pessoais, houve a impressão de que todos podem escrever sobre qualquer coisa, mas editoras que lutam por um catálogo de qualidade, necessitam cada vez mais de preparadores; e preparadores bons, atualizados e dispostos. Para esses, sempre haverá trabalho.”

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20 consumo literário

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Os 50 livros mais vendidos Ficção e Literatura

1° A Cabana Autor: William Young Editora: Sextante Sinopse: A filha de Mackenzie Allen Philip foi rapitada, assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos depois, Mack segue volta ao cenário de seu pior pesadelo.

Não-ficção

1° Comer, rezar, amar Autora: Elizabeth Gilbert Editora: Objetiva Sinopse: Aos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade. Foi então que se demitiu do emprego, livrou-se dos bens materiais e partiu sozinha para uma viagem pelo mundo.

Auto-ajuda e Esotérico

1° O código da inteligência Autor: Augusto Cury Editora: Thomas Nelson Brasil Sinopse: O livro descreve a maneira como os códigos da inteligência são capazes de estimular tanto jovens quanto adultos a libertarem sua criatividade.

Infanto-juvenil

1° Formaturas infernais Autores: Meg Cabot, Kim Harrison, Stephenie Meyer, Michele Jaffe e Lauren Myracie Editora: Galera Record Sinopse: Contos de terror mostram que a formatura pode ser um evento muito mais aterrorizante do que se pensa.

Audiolivro

1° Comer, rezar, amar Autora: Elizabeth Gilbert Editora: Audiolivro Sinopse: Aos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade. Foi então que se demitiu do emprego, livrou-se dos bens materiais e partiu sozinha para uma viagem pelo mundo.

2º Leite derramado Autor: Chico Buarque Editora: Companhia das letras

2° Mentes perigosas Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva Editora: Fontanar

2° Gêmeas – Não se separa o que a vida juntou Autora: Mônica de Castro Editora: Vida e consciência

2° Querido diário otário, 2° A arte da guerra V.1 Autor: Sun Tzu Autor: Jim Benton Editora: Audiolivro Editora: Fundamento

3º Os homens que não amavam as mulheres Autor: Stieg Larsson Editora: Companhia das letras 4º Anjos e demônios Autor: Dan Brown Editora: Sextante

3° Uma breve história do século XX Autor: Geoffrey Blainey Editora: Fundamento

3° Cartas entre amigos – Sobre medos contemporâneos Autores: Fabio de Melo e Gabriel Chalita Editora: Ediouro 4° Como lidar com pessoas que te deixam louco Autor: Paul Hauck Editora: Fontanar

3° O mar dos monstros Autor: Rick Riordan Editora: Intrínseca

5° Crepúsculo Autora: Stephenie Meyer Editora: Intrínseca

5° Uma breve história do mundo Autor: Geoffrey Blainey Editora: Fundamento

5° Quem me roubou de mim 5° O ladrão de raios Autor: Fabio de Melo Autor: Rick Riordan Editora: Canção Nova Editora: Intrínseca

5° Como passar em provas e concursos Autor: William Douglas Editora: Plugme

6° Lua Nova Autora: Stephenie Meyer Editora: Intrínseca

6° O clube do filme Autor: David Gilmour Editora: Intrínseca

6° Nunca desista de seus sonhos Autor: Augusto Cury Editora: Sextante

6° Diário de um banana Autor: Jeff Kinney Editora: Vergara&Riba

6° História da música clássica Autor: Irineu Franco Perpétuo Editora: Livro falante

7° Eclipse Autora: Stephenie Meyer Editora: Intrínseca

7° Gomorra Autor: Roberto Saviano Editora: Bertrand Brasil

7° Salomão – O homem mais rico que já existiu Autor: Steven K. Scott Editora: Sextante

7° Querido diário otário, 7° O monge e o executivo, V.2 V.2 Autor: James C. Hunter Autor: Jim Benton Editora: Audiolivro Editora: Fundamento

8° O vendedor de sonhos Autor: Augusto Cury Editora: Academia de Intelige

8° Maioridade penal 8° Vencendo o passado Autores: Rogério Ceni e André Autora: Zibia Gasparetto Plihal Editora: Vida e consciência Editora: Panda Books

4° O Ciclo da Auto-Sabotagem Autores: Patrícia Hermes e Stanley Rosner Editora: Best Seller

3° Quando Nietzsche chorou Autor: Irvin D. Yalom Editora: Plugme

4° Proibido para maiores 4° A morte de Quincas Berro Autor: Paulo Tadeu d’água Editora: Matrix Autor: Jorge Amado Editora: Livro falante

8° O pequeno príncipe Autor: Antoine De SaintExupery Editora: Agir

8° Contos do agora Autor: Moacyr Godoy Moreira Editora: Livro falante

9° A caça de Harry Winston 9° O crime do restaurante Autora: Lauren Weisberger chinês Autor: Boris Fausto Editora: Record Editora: Companhia das letras

9° O Segredo (Ed. Comemorativa) Autora: Rhonda Byrne Editora: Ediouro

9° Até as princesas soltam 9° Investimentos inteligentes pum Autor: Gustavo Cerbasi Autor: Ilan Brenman Editora: Plugme Editora: Brinque Book

10° A cidade do sol Autor: Khaled Hosseini Editora: Nova Fronteira

10° Espíritos entre nós Autor: James Van Praagh Editora: Sextante

10° Como falar com meninas Autor: Alec Greven Editora: Galera Record

10° Marley e eu Autor: John Grogan Editora: Prestigio

Fontes: rede das livrariassiciliano,Saraiva, Nobel e Cultura;Fnac, Livraria da Vila, Livrarias Curitiba, Travessa, Argumento, Laselva, Livro Falante, Audiolivro, Plugme

10° O caçador de pipas Autor: Khaled Hosseini Editora: Audiolivro

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22 sua estante

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Indicações...

William Machado de Oliveira

Para os momentos de descontração, eles indicam o que mais gostam de ler. negra li

Primeiro livro

O livro conta a história triste e fascinante de um escravo chamado Kunta Kinte, relata o sofrimento dos negros no navio negreiro, essa passagem me fez chorar e mexeu com minha imaginação. Eu entrei naquela história e nunca mais me esqueci dela, coloquei o nome do meu Pit Bull de Kunta

Livro Marcante Negras raízes Autor: Alex Haley Editora: Círculo do Livro

Heródoto Barbeiro Livro que está lendo Primeiro livro Filosofia da vida Autor: Will Durant Editora: Companhia Editora Nacional Livro Marcante História econômica do Brasil. Autor: Caio Prado Júnior Editora: Brasiliense

O que está Lendo

“É difícil me lembrar o Anjos e Demônios A primeiro livro, já que primeira aventura de foi na época de escola, Robert Langdon mas lembro que era Autor: Dan Brow a história de um Editora: Sextante “Leão”...

Pela primeira vez tive ideia da verdadeira evolução do país e porque nós não éramos uma nação tão desenvolvida quanto os países da Europa

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Aprendendo a Viver Autor: Lucio Anneo Sêneca 2008 Editora: L & PM pocket

As cartas de Sêneca a Lucílio são consideradas a grande obra-prima do filósofo latino. Aprendendo a viver é uma seleção de 29 textos, desses 124 que Sêneca redigiu nos seus anos finais, entre 63 d.C. e 65 d.C., e apresenta uma síntese dos princípios de sabedoria, virtude e liberdade que o pensador perseguiu em vida.

Antes de decifrar O Código Da Vinci, Robert Langdon, o famoso professor de simbologia de Harvard, vive sua primeira aventura em Anjos e Demônios, quando tenta impedir que uma antiga sociedade secreta destrua a Cidade do Vaticano.

Tive um pouco de restrição no começo mas adorei o livro, tanto que sempre que vou presentear alguém o escolho. Já foram mais de 20 livros

O que está Lendo

Primeiro Livro Feliz ano velho Autor: Marcelo Rubens Paiva Editora: Objetiva Livro Marcante O Futuro da Humanidade Autor: Augusto Cury Editora: Sextante

Ramsés - O Filho da Luz  Vol.1 Autor: Christian Jacq Editora: Bertrand Brasil

Ao recriar a grandiosidade e o mistério dos tempos antigos, Christian Jacq retrata, o magnífico faraó Ramsés.

BETTY FARIA

Gosto muito de ler, é um hábito que herdei do meu pai, por isso é difícil citar apenas um, me recordo que li Capitães da Areia de Jorge Amado, me marcou bastante pois estava entrando na fase da adolescência

Primeiro Livro

O que está lendo

A coleção toda de Monteiro Lobato

Diálogos: Direitos Humanos no Século XX

Livro Marcante Capitães da Areia Autor: Jorge Amado Editora: Companhia das Letras

Autor: Daisaku Ikeda Editora: Record Lições deixadas pelos defensores dos direitos humanos que ilustram a história da Humanidade - Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela e Austregésilo de Athayde inclusive.


24 programas culturais

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pela importância na Literatura nacional de seu ilustre antigo morador. Pertencente à rede de Oficinas Culturais, da Secretária da Cultura do Estado de São Paulo, a casa já foi ponto de encontro de intelectuais modernistas e abrigou muitas reuniões de preparação da Semana de Arte Moderna de 1922. Hoje, segue sua inclinação tratando de diversos gêneros literários, produção crítica e texto, promovendo oficinas, ciclos de debates, cursos, palestras, leituras dramáticas, roteiro para cinema, poesia, jornalismo e dramaturgia. Na casa, citada por Mário de Andrade em vários de seus poemas, não é possível encontrar muitos pertences, somente algumas estantes e uma conversadeira fixada na parede. É possível ainda, ver um velho piano, no qual, dizem, Mário de Andrade teria dado auSala com quadro dos Modernistas - foto: Jorge Syring

Oficina da Palavra:

Casa Mário de Andrade Muita coisa mudou desde a época em que o escritor Mário de Andrade morou na casa que hoje abriga a Oficina da Palavra, mas a palavra escrita e a relação das palavras umas com as outras continuam sendo fonte fundamental de informação com significado cada vez mais rico. Por Leandro Monteiro

Porão com quadros do escritor Mario de Andrade - foto: Jorge Syring

A

Oficina da Palavra, localizada na antiga casa do escritor Mário de Andrade, na Rua Lopes Chaves 546, no bairro da Barra Funda, São Paulo, é o local ideal para quem quer se aprofundar na linguagem escrita e falada. A casa é tombada pelo patrimônio histórico, não pelo seu valor arquitetônico, mas sim pelo nome e

las. Tudo o mais está devidamente guardado e disponível para consulta pública no IEB (Instituto de Estudo Brasileiro) na Cidade Universitária da USP. A Oficina da Palavra teve um de seus projetos reconhecido e selecionado pelo Ministério da Educação como exemplo da sua contribuição para a co-

munidade paulistana: o projeto Contos Interativos. Coordenado pela artista multimídia Ana Luisa Anker, em 2004, o projeto obteve muito sucesso com o público infantil. O processo se deu através da escolha de um tema para ser desenvolvido; elaborado o roteiro, ganhou expressão gráfica através de desenhos,

colagens, fotos, produção de efeitos de áudio e trilha sonora, além dos softwares de animação. Qualquer pessoa pode se inscrever e participar dos projetos propostos, desde que atendam os prérequisitos exigidos. O critério de seleção não é por formação acadêmica, mas pelo nível de interesse do candidato à vaga; a escolha é realizada pelo professor da atividade. As inscrições devem ser feitas pessoalmente na Oficina, no horário de funcionamento da Administração, das 12 às 20 horas. As atividades são gratuitas, custeadas pelo governo do estado de São Paulo. Entre os nomes que já passaram pela Oficina da Palavra estão: Lygia Fagundes Telles, Marcos Rey, João Silvério Trevisan, Ivan Ângelo, Ruth Rocha, Ignácio de Loyola Brandão, João Cabral de Melo Neto, José Simão, Zé Rodrix e Marcelo Tas.


26 making of

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Grande Sertão: Veredas

Muito além das páginas

Por Robinson Machado

N

inguém sai ileso da leitura de Grande Sertão: Veredas, um dos mais importantes livros brasileiros. O romance de João Guimarães Rosa (1908 – 1967) é consagrado como eterno por permitir uma interpretação a cada leitura. A gama de possibilidades de entendimento das diversas temáticas presentes no texto rosiano parece não ter fim. Foi considerando essa amplitude, com uma dose de legítimo fascínio pelo clássico literário, que a musicista Regina Porto, 50, desenvolve o Além Sertão: O Livro Infinito de Guimarães Rosa, um dos mais criativos e amplos projetos artísticos já realizados para promover múltiplas reflexões sobre essa obra. O tamanho da concepção faz jus à importância do livro: integram a empreitada 24 programas radiofônicos, com uma hora de duração cada; um colóquio sobre Grande Sertão: Veredas, que reuniu no mês de maio, em São Paulo, 12 estudiosos da obra; e a gravação de dois CDs com a música vanguardista de Regina Porto, inspirada na intensidade poética e narrativa do escritor. Ao longo de décadas, muitos letrados buscam compreender cada trecho dessa genial obra; e é no conjunto dessas análises que podemos perceber a predominância da vastidão conceitual da obra e a impossibilidade de se definir facilmente toda a sua genialidade. Sem pretensões acadêmicas e com a sensibilidade comum de quem lida com música, Regina aposta em um sistema interpretativo que se rende à grandiosidade da obra de Guimarães Rosa. “Este livro é a música das músicas”, diz Regina, que leu a obra pela primeira vez há cerca de 15 anos,

foto: Robinson Machado

Projeto cultural que fala sobre os diversos aspectos do eterno livro ‘Grande Sertão: Veredas’ mobiliza quase uma centena de especialistas e entusiastas da obra de Guimarães Rosa.

Este livro é a música das músicas

Regina Porto, sobre o livro de Guimarães Rosa

durante uma viagem solitária pelo nordeste brasileiro. Mas foi em 2005 que partiu com Riobaldo e Diadorim rumo ao labirinto interior do romance rosiano. “Participei de uma oficina multidisciplinar que buscou investigar o ambiente utilizado por Guimarães Rosa”, conta. Percebeu que o livro pode ser lido muitas vezes e sempre surpreenderá: “novas palavras saltam a nossos olhos a cada leitura”. Ao todo, Regina leu o livro quatro vezes, além de uma bibliografia com mais de 20 livros sobre a obra. Naquela época, ela foi convidada para cuidar da produção de áudio de uma trilogia de espetáculos de dança inspirada em Grande Sertão: Veredas na cidade natal de Rosa, Cordisburgo, em Minas Gerais. Nesse contexto, criou um trabalho artístico inédito, baseado no que ela chama de paisagem sonora. A partir da captação de sons naturais, como o canto de pássaros ou o barulho de um rio, Regina buscou representar musicalmente as três fases do livro. O resultado desse design sonoro é um “tecido” musical baseado na junção de sonoridades puras, em composições que levam em conta timbres e tons, criando assim uma espécie de abstração musical. Para chegar nessa criação de vanguarda, cada vez menos comum em diversas linguagens artísticas, ela não partiu do nada. Regina Porto é produtora, jornalista e “sound designer”. Dirigiu a Cultura FM de São Paulo e foi editora de música da revista “Bravo!”. Formada em piano, fez jornalismo na Universidade de São Paulo e estudou análise e regência com H.J. Koellreutter. Um repertório tão acumulado garantiu a criação de um projeto sólido e integrador de dezenas de personalidades em uma verdadeira celebração da obra de Guimarães Rosa. O espetáculo de dança, sonorizado por Regina Porto, reuniu um público de três mil pessoas na região de Cordisburgo, ao ar livre, em frente à casa que fora de Guimarães Rosa. Ela assistiu a apresentação discretamente, junto a uma das enormes caixas de som que a fizeram ouvir sua própria obra com uma intensidade inédita e sempre atenta à reação da platéia. “Quando o público não tem necessariamente um compromisso com o produto cultural, ele é muito mais autêntico nas reações; é diferente do que a gente tem aqui em São Paulo, essa ‘cultura do aplauso’”, diz Regina, ela acrescentou ainda, que diversas pessoas emocionadas foram cumprimentá-la após a apresentação. Motivação não faltou para que Regina investisse esforços no projeto. Durante a produção das paisagens sonoras dos espetáculos, ela inscreveu a proposta dos programas de rádio na Secretaria de Estado da Cultura e foi premiada em 1º lugar de uma lista de

60 projetos voltados ao incentivo à leitura, garantindo o apoio necessário para a produção de 12 horas de programação, que já viraram 24, conforme o projeto vem ganhando corpo; além da gravação dos CDs e a realização do colóquio. A série começa a ser veiculada a partir de agosto deste ano em 40 emissoras públicas filiadas à Associação das Rádios Públicas Brasileiras. A especialista em rádio calcula que cada um dos programas alcance um público de 400 mil pessoas em todo o Brasil. Os programas contarão com a participação de 70 personalidades da área de cultura e autoridades acadêmicas, que vão analisar a obra Grande Sertão: Veredas sob suas múltiplas dimensões. O ineditismo e multiplicidade do material impressionam: participaram filósofos, antropólogos, cineastas, teólogos, biólogos, geógrafos e diversos outros profissionais. PARTICIPANTES

TEMA

Adélia Bezerra de Menezes

Profª de Literatura (USP)

Leitura psicanalítica

Ana Lúcia Magela

Antropóloga

Sanitarismo: os párias

Ana Luiza Martins Costa

Antropóloga e roteirista

Símiles homéricos

Anna Maria Kieffer

Cantora lírica

A donzela guerreira

António Vieira

Escritor (Portugal)

A guerra civil

Carlos Augusto Monteiro

Geógrafo (USP, Unicamp)

Paisagens imaginárias

Carlos Rennó

Letrista

Poesia e prosódia

Carlos Rodrigues Brandão

Antropólogo (Unicamp)

Veredas

Ceumar

Cantora popular

Natureza em versos

Cleusa Rios Pinheiro Passos

Profª de Literatura (USP)

A transgressão do feminino

Cristina Fonseca

Documentarista

apud Augusto de Campos

Davi Arrigucci

Profº de Literatura (USP)

O Mundo Misturado

Dora Guimarães

Contadora de história

[excertos do livro]

Eduardo Coutinho

Documentarista

Aforismos, provérbios

Frei Betto

Teólogo e escritor

O bem e o mal

Heloísa Starling

Cientista Política (UFMG)

História e ficção

João Adolfo Hansen

Profº de Literatura (USP)

Sintaxes

Jorge Vieira

Astrofísico e filósofo (PUC)

Teoria da complexidade

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28 making of

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“O tema do Arnaldo Antunes foi “Eu, Riobaldo, eu”. Arrasou. Topou de cara fazer, arranjou espaço no meio de uma turnê, cancelou compromisso só para gravar para gente. Em resumo: fez questão. E incondicionalmente. Praticamente, todo mundo topou participar de cara e sem qualquer condição a priori. Devoção a Guimarães Rosa, loucura por esse livro... As pessoas se exaltam à menção do Grande Sertão: Veredas. Tira todo mundo do sério, uma coisa”, diz Todo o projeto de Regina Porto contou com uma consistente bibliografia de apoio. Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa João Guimarães Rosa: viator, Ana Luiza Martins Costa Homero no Grande Sertão, Ana Luiza Martins Costa Diadorin Belo Feroz, Ana Luiza Martins Costa Grande Sertão: Veredas: no redemunho das cantigas, Cleusa Rios Pinheiro Passos Guimarães Rosa: ver, lembrar, reinventar, Cleusa Rios Pinheiro Passos

Eduardo Coutinho grava para a série radiofônica no Rio de Janeiro. - abril de 2008 - foto divulgação José Oscar Beozzo

Sociólogo e teólogo

Representações religiosas

Oscar Beozzo

Padre, sociólogo e teólogo

Representaçõres religiosas

Guimarães Rosa: do feminino e suas estórias, Cleusa Rios Pinheiro Passos

Leonardo Boff

Teólogo e escritor

Representações místicas

Paulo César Carneiro Lopes

Profº de Literatura

Síntese dialógica

A Poesia do Acaso - Na Transversal da Cidade, Cristina Fonseca

Letícia Malard

Profª de Literatura (PUC-MG)

Geografia literária

Rodolfo Nanni

Cineasta

O Sertão

Rubem Alves

Escritor

Memórias

Letícia Sabatella

Atriz

O Rio São Francisco

Sérgio Alcides

Poeta

Lira e liro-liros

Lúcia Santaella

Semioticista

Hipertexto

Walnice Galvão

Profª de Literatura (USP)

O Rapsodo da Língua

Luís Otávio Santos

Violinista e musicólogo

Figuras de retórica

Wander Miranda

Profº de Literatura (UFMG)

Romance de cavalaria

Luiz Carlos Prestes Filho

Economista

A Coluna Prestes

Willi Bolle

Profº de Literatura (USP)

Sertão e cidade

Luiz Claudio Vieira de Oliveira

Profº de Literatura (UFMG)

Leminiscata: metalinguagens

Yudith Rosenbaum

Profª de Literatura Estrutura narrativa (USP)

Luiz Fernando Carvalho

Cineasta

Os olhos de Diadorim

Luiz Roncari

Profº de Literatura (USP)

Platonismo e dionisismo

Márcia Marques de Morais

Profª de Literatura (PUC-MG)

Sujeito e desejo

Marcus Mazzari

Profº de Literatura

Romance de formação

Maria Elisa de Almeida

Contadora de história

[excertos do livro]

Maria Elisa Mader

Profª de História (PUC-Rio)

Sertão: vazio

Murilo Marcondes

Profº de Literatura (USP)

Canção de Siruiz

A

Juó Bananére, o Abuso em Blague, Cristina Fonseca

s entrevistas duraram em média 90 minutos. Personalidades do meio cultural receberam no momento da gravação um livreto, produzido por Regina, contendo frases aleatórias extraídas do livro, escolhidas de acordo com o perfil do entrevistado. A cada página virada, o convidado tecia um comentário emotivo ou fazia uma análise sobre aquele trecho, como quisesse. Para algumas pessoas do meio artístico, por exemplo, o livreto possuía trechos para leitura interpretativa. Divido por temas gerais da obra, como o feminino e a astrologia, ou temas específicos, como “os olhos de Diadorim”, os programas de rádio publicarão em território nacional as quase infinitas percepções selecionadas.

Lembranças do Brasil - Teoria, Política, História e Ficção, Heloísa Starling O sentido do moderno no Brasil de João Guimarães Rosa, Heloísa Starling Grande Sertão: Veredas e o ponto de vista avaliativo do autor, João Adolfo Hansen O Sertão de Rosa: Uma Ficção da Linguagem, João Adolfo Hansen Guimarães Rosa e a linguagem pré-babélica, João Adolfo Hansen Ideologia e Poder em Grande Sertão: Veredas, Luiz Claudio Vieira de Oliveira O sentido e a máscara em Grande Sertão: Veredas, Luiz Claudio Vieira de Oliveira Literatura Brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos, Luiz Roncari O Brasil de Rosa: o amor e o poder, Luiz Roncari A travessia dos fantasmas: literatura em psicanálise em Grande Sertão: Veredas, Márcia Marques de Morais A Síntese Dialógica de Rosa, Paulo César Carneiro Lopes Dialética da Iluminação, Paulo César Carneiro Lopes Utopia cristã no sertão mineiro, Paulo César Carneiro Lopes O narrador em Corpo de Baile, Paulo César Carneiro Lopes A pergunta de Miguilin e a resposta da mãe, Paulo César Carneiro Lopes

Regina Porto “Dormindo pouco”, Regina Porto e sua equipe estão em fase final de edição das gravações. O trabalho é puxado: cerca de oito horas são usadas para reproduzir em texto uma gravação de pouco mais de uma hora. No processo, um banco de dados é criado para que o conteúdo possa servir de base a um roteiro temático, que será montado posteriormente na forma de programa radiofônico. Esse fôlego todo foi também usado para a organização do colóquio multidisciplinar que reuniu 12 estudiosos do autor em painéis dedicados a investigar “Figurações, Topologias e Escritura no Grande Sertão: Veredas”. O evento aconteceu em maio, na capital paulista, com público de cerca de 200 pessoas. Registros da música de Regina Porto, produzida durante 4 anos de edição, pesquisa e captação da sonoridade do sertão mineiro em locais como Morro da Garça, também integram o projeto. Em um álbum duplo, todo o seu trabalho de design sonoro estará junto a composições recitativas, com trechos do livro na voz de convidados como Tetê e Alzira Espíndola, Ná Ozzetti, Ceumar e Marlui Miranda. Boa parte desse trabalho acontece no apartamento da musicista, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Com ela trabalham Cecília Miglorancia, produtora executiva e de captação de som das entrevistas e paisagens sonoras e Marta Fonterrada, produtora da rádio cultura FM, que dá apoio na edição dos programas. A convivência do time, que respira Guimarães Rosa, tem a companhia de dois gatos passeando o tempo todo entre as profissionais, além dos muitos livros e CDs, computadores e um estúdio para edição de áudio. Um mural organiza em listas os nomes e os próximos passos; anotações em blocos e folhas soltas ocupam não apenas as estações de trabalho: são vistas nos locais de suposto descanso, como prova de que não há pausa. Apesar disso, não há qualquer sinal de desânimo na produção desse impressionante projeto, que, pelas grandes proporções, nos deixa com uma vontade de que ele seja infinito, como o livro que exalta. Regina Porto pensa em produzir em breve um site para disponibilizar todo o conteúdo. As transcrições já formam maços de papel encadernados e separados por entrevistado, precendo pedir para se tornar um livro; no entanto, ainda não está inteiramente nos planos da mais nova e diferenciada referência em Grande Sertão: Veredas do país.

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30 acontece nas livrarias

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Cursos

XP Educação fará palestra na Fnac Paulista A XP Educação promoverá, na Fnac Paulista, uma palestra chamada Operando com o mercado em baixa. Nessa palestra, serão apresentadas as ferramentas necessárias para acabar com os mitos de que todos perdem com a baixa do mercado.

Quando: dia 16 de Agosto, às 19h. Onde: O Centro Cultural fica na Avenida Paulista, n° 901 – Térreo Mezanino e 1° subsolo – Bela Vista – São Paulo/SP. Telefone: (11) 3027-3729.

Eventos

História do cinema Como produzir um livro Curso da Escola do Escritor mostrará como funciona o mercado editorial, desde o processo de criação até a chegada ao público. Como identificar as oportunidades e os cuidados necessários em todas as etapas de produção para a publicação de uma obra. As inscrições devem ser feitas no site: www.escoladoescritor. com.br. Quando: dia 15 de Agosto, das 9h às 13h. Onde: Rua Mourato Coelho, n° 393 (Conj. 01) – Pinheiros – São Paulo/SP. Telefone: 3034-2981.

Workshop - Pequeno Príncipe - As Possibilidades do fazer artístico da história

História da Literatura

O Workshop tem como principal objetivo dar sugestões aos participantes do fazer artístico das crianças, trabalhando o seu processo de movimentação e aprendizagem através da obra O Pequeno Príncipe. Serão ouvidos vários momentos da história para a realização de atividades, e a palestra terá a presença de Tânia Freire e Juliana Naso. As inscrições devem ser feitas no site: www.vivaedeixeviver.org.br. Quando: nos dias 16, 23 e 30 de Julho, das 19h às 22h. Onde: Associação Viva e Deixe Viver. Avenida Rebouças, n° 1206 (Conj. 06) – Pinheiros – São Paulo/ SP. Telefone: (11) 3081-6343.

A Estação das Letras realizará quatro encontros com leituras diversas a respeito da evolução da história literária brasileira. Seus principais movimentos serão interpretados com textos para uma melhor compreensão de sua importância. O professor responsável será o poeta e romancista Carlos Nejar, que já publicou diversos títulos. As inscrições devem ser feitas no site: www.estaçãodasletras.com.br. Quando: de 03 a 24 de Agosto (toda segundafeira), das 19h30 às 21h30. Onde: Rua Marquês de Abrantes, 177 – Loja 107 – Flamengo – Rio de Janeiro/RJ. Telefone: (21) 32373947.

A Academia de Ideias irá mostrar o surgimento do cinema clássico com suas primeiras imagens, as rupturas das vanguardas européias e o surgimento da narrativa moderna. Todas as tendências e escolas que contribuíram com o desenvolvimento e a consolidação da sétima arte. As inscrições devem ser feitas no site: www.academiadeideias.com. Quando: dias 15, 20, 22 e 27 de Julho, das 19h30 às 21h45. Onde: Rua República Argentina, n° 755 – Belo Horizonte – MG. Telefone: (31) 3281-7750.

Leitura de texto infantil A Confraria Reinações reunirá escritores e leitores de literatura infantil e juvenil, para discutir a leitura de um texto específico. A escolhida para o mês de Julho será Meu pé de laranja lima, de José Mauro Vasconcelos. O debate da produção literária é voltado para crianças e adolescentes, destacando a importância da formação de um público leitor. Quando: dia 21 de Julho, às 19h30 Onde: Livraria Letras & Cia, na Rua Oswaldo Aranha, n° 444, Bom Fim – Porto Alegre – Rio Grande do Sul.

Oficina Contar e Recriar O ofício do contador de histórias exige um constante exercício de sua criatividade. Por isso, a oficina proporciona uma maior conexão com seus recursos internos e potencial inventivo, ferramentas que são essenciais na prática com jovens e crianças. Com Fabiana Prando, contadora de histórias na cidade de Santos. Maiores informações no telefone: (11) 30816343. Quando: dia 18 de Julho, das 9h às 12h. Onde: Associação Viva e Deixe Viver. Avenida Rebouças, n° 1206 (Conj. 06) – Pinheiros – São Paulo/ SP.

Lançamento de livro A Sá Editora acaba de lançar sua nova obra: Baby Ji. O livro conta a história de uma adolescente indiana e suas descobertas sobre o amor, sexo e a vida. O Romance iniciático é a estréia no Brasil da Romancista indiana Abha Dawesar, escritora saudada pela crítica internacional, com obras publicadas em mais de dez países.

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32 consultoria jurídica

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Propriedade intelectual

O QUE É

PROPRIEDADE INTELECTUAL? Por Newton Silveira

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propriedade intelectual abarca, além da propriedade industrial, os direitos autorais e outras matérias. Foi no bojo da revolução industrial que eclodiu, em 1789, na França, a revolução burguesa (social e política), sob o lema da Liberté, Égalité et Fraternité. Nesse período, os dois campos básicos dos direitos do inventor e do autor artista tomam forma e espaço próprio através, respectivamente, das leis francesas de 1791 e 1793. Reflexo dessa nova ordem foi o Alvará de 28 de abril de 1809, de D. João VI, considerado a primeira lei de proteção aos inventores no Brasil e a quarta no mundo, ao lado da Inglaterra, França e Estados Unidos da América. A Lei de 11 de agosto de 1827, que criou os cursos jurídicos no Brasil, foi também uma das primeiras leis de direitos de autor. As marcas de indústria e comércio se inserem no campo da propriedade industrial e são protegidas no Brasil desde 1875, ano em que foi editada nossa primeira lei a respeito. Essa nova ordem se internacionaliza através da Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial de 1883 e da Convenção de Berna para a Proteção das Obras Literárias, Científicas e Artísticas de 1886, ambas subscritas pelo Brasil. Aos direitos de autor foram acrescidos os dos artistas intérpretes e executantes, sob a rubrica de direitos autorais. A essa altura, a propriedade industrial compreendia os direitos dos inventores e dos sinais distintivos em-

pregados no comércio e os direitos autorais abrangiam os de autor, propriamente ditos, os dos intérpretes e executantes. Mas o conteúdo da propriedade intelectual seguiu se alongando. Em 1807 na França, Napoleão Bonaparte editou uma lei específica de proteção aos desenhistas industriais. Hoje, os desenhos industriais constituem capítulo da propriedade industrial, embora tenha natureza estética. Nos anos 80, do século XX, foi desenvolvida a proteção aos programas de computador que, mesmo sendo de natureza técnica, se alojou sob o manto do direito autoral. Nesse, também, foi incluída a proteção às empresas produtoras de fonogramas e de radiodifusão, emissoras de rádio e televisão (mais de natureza industrial que artística)- são os chamados direitos conexos – que incluem também artistas (intérpretes e executantes). Mais recentemente, passou-se a tutelar, também, as denominadas cultivares (variedades vegetais) e a biotecnologia, seja através do sistema de patentes, seja através de sistema sui generis. Finalmente, por lei própria, o Brasil passou a tutelar os circuitos integrados. Assim, temos, atualmente, a lei de propriedade industrial, que cuida das patentes de invenção, dos modelos de utilidade, dos desenhos industriais, das marcas e da concorrência desleal. Além de, por leis próprias, as cultivares e os circuitos integrados.

Todas essas leis foram editadas após 1995, ano que entrou em vigor no Brasil o chamado Acordo TRIPs, que regula em âmbito internacional a propriedade intelectual nos países integrantes da OMC – Organização Mundial do Comércio. Quanto à concorrência desleal, há que discriminar as normas de direito privado (concorrência desleal ou ilícita) e de direito público (abuso de poder econômico). As normas de concorrência de direito privado tutelam diretamente o aviamento e têm aplicação subsidiária nas infrações aos demais direitos de propriedade industrial e de autor. As de abuso do poder econômico tutelam a liberdade de concorrência dentro da ordem econômica e social. Segundo Ascarelli, o denominado direito patrimonial do autor tem como fato constitutivo a criação da obra e como ponto de referência a própria obra, considerada como externa ao sujeito, o qual conta com um direito absoluto sobre sua utilização. Por esse motivo, Ascarelli utiliza o esquema da propriedade, considerando o direito absoluto do autor como um direito de propriedade sobre sua obra, bem imaterial. O objeto do direito de autor é, em conseqüência, uma obra, entendida como produto da elabora-

ção do intelecto, enquanto, o invento consiste em uma idéia no campo da técnica industrial. As demais criações de forma, como os modelos e desenhos, bem como os sinais distintivos, constituem também bens imateriais, mas a exclusividade conferida pela lei se refere a uma determinada atividade correlacionada a esses bens imateriais. Enquanto os chamados bens imateriais tutelados diretamente por normas específicas (como as patentes, marcas e direitos de autor) gozam de exclusividade absoluta, podendo se incluir entre os direitos reais, outros bens imateriais nem chegaram a merecer do legislador essa tutela específica. Assim, os sinais distintivos não registrados, os segredos de fábrica e de comércio, a cópia servil de produtos não patenteados recebem do legislador um tratamento genérico, através das normas de repressão à concorrência desleal, ficando entre os direitos de crédito, de exclusividade relativa. A incidência da norma vai depender de uma situação de concorrência entre os agentes.

Newton Silveira - Advogado, Mestre em Direito Civil e Doutor em Direito Comercial pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP. Membro do Conselho Diretor do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados – CESA e diretor geral do Instituto Brasileiro de Propriedade Intelectual – IBPI. Membro do Conselho Consultivo e ex-presidente da ASPI e 3º vice-presidente da ABPI.


34 coluna Maria Amália Camargo

De nariz torcido

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Maria Amália Camargo é formada em italiano e em português pela Faculdade de Letras e Ciências Humanas da USP. Lançou, em 2006, Laranja-pêra, couve manteiga (Seleção Especial da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o catálogo de Bolonha 2007) e Acra de Eon. Participou, em 2007, como autora convidada da Flipinha e lançou seu terceiro livro, Romeu suspira, Julieta espirra. No ano seguinte, lançou Muito pano pra manga (texto finalista do Concurso de Literatura João de Barro e Seleção Especial da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o catálogo de Bolonha 2009) e participou do projeto Viagem Literária, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2009, publicou seu primeiro texto longo, Companhia Três Marias, com ilustrações da autora.    Todos os seus livros são editados pela Girafinha.    Para conhecer mais sobre o seu trabalho, visite: www.nacontramaodocontrario. blogspot.com

erta vez, uma jornalista me perguntou o que diferenciava a Literatura Adulta da Infanto-Juvenil. Na hora, achei a pergunta meio óbvia e respondi que além do texto curto, da linguagem simplificada e das ilustrações, a literatura infantil funcionava como uma preparação para situações que as crianças um dia viriam a experimentar. Depois de um tempo, comecei a perceber que minha resposta era óbvia e a pergunta, até complexa. O fundamental distanciamento entre as duas Literaturas é o desmerecimento da infantil em relação à adulta, isso sim. A excessiva preocupação com a didática acabou, ao longo dos anos, desqualificando as obras desse gênero. Os aumentativos, os diminutivos, a falta de conteúdo, o politicamente correto demais e a ousadia de menos, são de deixar de nariz torcido quem entende de Literatura Adulta muito bem e conheceu a Infantil apenas pelos livros dos filhos ou por aqueles que, às vezes, esbarram nas livrarias. Dou razão a essas pessoas. Não é difícil encontrarmos livros recheados de narrativas que vão do nada a lugar nenhum; cheias de lugares-comuns e geralmente pobres, muito pobres, em vocabulário. E o pior de tudo, a Literatura Infantil é um território infestado de aventureiros: qualquer um, hoje em dia, acha que pode escrever para crianças. Pois se até a Madonna – que escandalizava pais e avós na minha infância e adolescência - tem livros infantis na praça.

Por outro lado, o mercado também dispõe de publicações infanto-juvenis de altíssima qualidade - talvez não na mesma proporção das fraquinhas, infelizmente. Autores e ilustradores nacionais e estrangeiros preocupados não apenas em publicar livros em grande quantidade e ganhar fama, mas em fazer Literatura, pelo prazer de escrever – ou dar forma e cor, no caso dos ilustradores - a uma boa história. Oras, mas então o que é qualidade literária em livros infantis? Essa é uma discussão que vai longe... Basicamente, haverá qualidade se a história tiver começo, meio e fim, se acrescentar algo de diferente no repertório das crianças - sobretudo o de palavras, se despertar a curiosidade em explorar novas áreas de conhecimento, se fizer pensar e, principalmente, se fugir dos estereótipos: afinal, meninas nem sempre gostam de cor-de-rosa e há aquelas que odeiam brincar de boneca e alguns meninos não vem graça em futebol e o azul pode não ser uma das suas cores preferidas. Não é na ficção em que tudo acontece? Então por que subestimar a inteligência das crianças oferecendo historinhas bobas, rasas? É possível incentivá-las a irem muito além: descobrir as entrelinhas é transformar a leitura num passatempo e mais ainda, numa ferramenta de informação. Literatura infantil verdadeira é aquela que faz bem aos ouvidos, aos olhos e à imaginação. E arriscaria dizer que se sobrepõe à adulta porque agrada gente de todas as idades: do zero aos cem anos.



Revista Mundo Literário - Edição 05