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TimothÉe de Fombelle

TIMOTHÉE DE FOMBELLE

ENTRE O CÉU E A TERRA volume 1


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TIMOTHÉE DE FOMBELLE

ENTRE O CÉU E A TERRA volume 1


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Editora Melhoramentos Fombelle, Timothée de Vango: Entre o céu e a terra / Timothée de Fombelle; [tradução Maria Alice Sampaio Dória]. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2015. Título original: Vango - Entre ciel et terre ISBN: 978-85-06-07748-1 1. Literatura juvenil. I. Dória, Maria Alice Sampaio. II. Título. 15/011

CDD 809.8

Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura juvenil 809.8 2. Literatura juvenil francesa 848

Obra conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa Tradução: Maria Alice Sampaio Dória Capa: Luiz Dominguez (projeto gráfico) Giovanni Munari (ilustração) Projeto gráfico de miolo e diagramação: APIS design integrado Direitos de publicação: © 2015 Editora Melhoramentos Ltda. 1.a edição, março de 2015 ISBN: 978-85-06-07748-1 Atendimento ao consumidor: Caixa Postal 11541 – CEP 05049-970 São Paulo – SP – Brasil Tel.: (11) 3874-0880 www.editoramelhoramentos.com.br sac@melhoramentos.com.br Impresso no Brasil


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primeira parte

1. O CAMINHO DOS ANJOS...................... 8 2. O JAVALI DEFUMADO........................ 18 3. PARANOIA.................................. 25 4. PRIMEIRA MANHÃ DO MUNDO............. 35 5. DO OUTRO LADO DO NEVOEIRO............. 45 6. A ILHA MISTERIOSA........................ 55 7. ZÉFIRO. . .................................... 63 8. A RESISTÊNCIA DO AR...................... 74 9. NO VENTRE DA BALEIA..................... 84 10. OS HOMENS DA GESTAPO................... 95 11. UM CLANDESTINO . . ....................... 107 12. OS VELHOS HERÓIS....................... 119

segunda parte

13. A MOÇA E O DELEGADO................... 135 14. DUAS GEMAS NUM OVO................... 144 15. UM PEQUENO CAVALO EM DISPARADA . . .. 152 16. MADEMOISELLE........................... 166 17. ENCONTRO................................ 178 18. OS TRÊS BANHISTAS...................... 186 19. O TRAIDOR DAS COLMEIAS................ 195 20. RUA DO PARAÍSO......................... 204 21. ROMEU E JULIETA......................... 216 22. A ARMADILHA............................ 228 23. O FIM DOS RATOS......................... 237

terceira parte

24. O SOBREVIVENTE......................... 251 25. UMA LUZ NAS ONDAS..................... 258 26. AS FOFOCAS DE BELZEBU................. 269 27. VINGANÇA................................ 279 28. O LADRÃO DE CAVALOS................... 287 29. MADAME VICTORIA....................... 299 30. A TRAJETÓRIA DOS FLOCOS DE NEVE..... 309 31. UM CAMINHO DE SANGUE................. 321 32. CAÇADA NA ESCÓCIA..................... 330 33. UM MUNDO ENGOLIDO.................... 342

A história dentro da História................. 351


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Estendi cordas de campanário a campanário; guirlandas de janela a janela; correntes de ouro de estrela a estrela, e danço. Arthur Rimbaud


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PRIMEIRA e t r a P

SEGUNDA


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O CAMINHO DOS ANJOS Paris, abril de 1934 Quarenta homens de branco estavam deitados no chão. Parecia que estávamos vendo um campo coberto de neve. As andorinhas passavam raspando nos corpos, zunindo. Milhares de pessoas assistiam ao espetáculo. A Catedral de Notre-Dame de Paris estendia sua sombra sobre a multidão reunida. De repente, ao redor, a cidade pareceu se recolher. Vango estava com a testa apoiada no chão. Ele ouvia sua própria respiração. Pensava na vida que o levara até ali. Pela primeira vez não estava com medo. Pensava no mar, no vento salgado, em algumas vozes, em alguns rostos, nas lágrimas quentes daquela que o havia criado. Agora a chuva caía no adro da catedral, mas Vango não via nada. Deitado no meio dos companheiros, não via os guarda-chuvas florescer, um a um.


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Vango não via a multidão de parisienses reunida, as famílias endomingadas, a devoção das senhoras mais velhas, as crianças que passavam por baixo das pernas, os pombos entorpecidos, a dança das andorinhas, os curiosos de pé nas carruagens, nem os olhos verdes, ali ao lado, que só olhavam para ele. Olhos verdes orlados de lágrimas, dissimulados sob um veuzinho que cobria metade do rosto. Vango mantinha os olhos fechados. Ainda não tinha 20 anos. Aquele era o grande dia de sua vida. Uma felicidade intensa subia de seu abdome. Dentro de instantes ele se tornaria padre. – Doce loucura! O sineiro de Notre-Dame, lá em cima, disse essas palavras entre dentes, dando uma olhada na praça. Ele esperava. Havia convidado a pequena Clara para comer um ovo quente na torre. Sabia que ela não viria, como em todas as outras vezes. E, enquanto a água fervia na panela sob o sino imenso, o homem olhava os jovens que iam ser ordenados sacerdotes. Eles ainda ficariam deitados no chão por mais alguns minutos, antes de se comprometerem para sempre. Naquele momento, empoleirado 50 metros acima da multidão, não era a altura que causava vertigem em Simon, o sineiro, mas, sim, aquelas vidas deitadas no chão, oferecidas a Deus, prestes a saltar para o desconhecido. – Loucura – repetiu. – Loucura! Ele fez o sinal da cruz, por via das dúvidas, e voltou aos ovos. Os olhos verdes não se desviavam de Vango. Eram de uma menina de 16 ou 17 anos, de sobretudo de veludo cinza. A mão dela revistou o bolso e saiu sem o lenço que procurava. Então, as costas dessa mão branca se aventuraram embaixo do veuzinho e enxugaram as lágrimas que escorriam pelo rosto. A chuva começava a atravessar o sobretudo. A menina estremeceu e percorreu com o olhar o outro lado do adro de Notre-Dame.

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Um homem desviou subitamente a cabeça. Ele a observava. A moça tinha certeza. Era a segunda vez que o notava naquela manhã, e ela sabia, em algum lugar no fundo da memória, que já o tinha visto antes. Rosto de cera, cabelos brancos, bigode fino e óculos pequenos com aros de metal. Onde havia cruzado com ele? O som do órgão a levou de volta a Vango. Havia chegado a hora solene. O velho cardeal se levantou e caminhou na direção dos homens de branco. Ele afastou o guarda-chuva que haviam estendido para protegê-lo e empurrou as mãos que queriam ajudá-lo a descer os degraus. – Deixem-me! Segurava a pesada cruz de arcebispo, e cada passo dado parecia um pequeno milagre. O cardeal estava velho e doente. Naquela manhã, Esquirol, seu médico, o proibira de celebrar aquela missa. O cardeal dera uma risada, mandando embora todos os que estavam a sua volta, e se levantou da cama para se vestir. Quando ficava sozinho, ele se dava o direito de gemer a cada gesto. Em público, era uma rocha. Agora, ele descia a escada debaixo da chuva. Duas horas antes, quando as nuvens negras começaram a engrossar, tinham lhe suplicado que mudasse a cerimônia para o interior da catedral. Mais uma vez, não havia cedido. Queria que fosse do lado de fora, diante do mundo no qual aqueles jovens iam mergulhar por toda a vida. – Se têm medo de ficar resfriados, que escolham outro trabalho. Eles passarão por outras tempestades. O cardeal parou no último degrau. Foi o primeiro a perceber uma agitação no local. Lá em cima, Simon não desconfiava de nada. Jogou os ovos na água e começou a contar. Quem poderia prever o que aconteceria no tempo exato de cozimento de um ovo? Três minutos para mudar completamente o destino. Enquanto a água fervia, uma grande agitação começou a percorrer a multidão desde as últimas fileiras. A menina estremeceu de novo.

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Alguma coisa estava acontecendo no adro. O cardeal levantou a cabeça. Umas 20 pessoas abriam caminho no meio do público. O rumor aumentava. Ouviam-se gritos. – Abram caminho! Os 40 seminaristas não se mexeram. Só Vango virou a cabeça para o lado, apoiando a face e a orelha no chão, como um apache. Ele viu sombras circular atrás da primeira fila. As vozes ficaram mais claras. – O que está acontecendo? – Afastem-se! As pessoas estavam apreensivas. Dois meses antes, distúrbios haviam provocado algumas mortes e deixado centenas de feridos na Praça da Concórdia. – É a polícia! – gritou uma mulher para tranquilizar a multidão. Estavam procurando alguém. Os fiéis tentavam abafar o burburinho. – Psiu... Silêncio. Cinquenta e nove segundos. Embaixo do sino, Simon continuava contando. Pensava na pequena Clara, que havia prometido ir lá. Olhava para os lugares arrumados numa caixa que servia de mesa. Ouvia a água ferver na panela em cima do carvão. Um clérigo de túnica branca se aproximou do cardeal e lhe falou ao ouvido. Bem atrás deles, um homenzinho rechonchudo segurava o chapéu na mão. Era o delegado Boulard. Inconfundível com suas pálpebras caídas, parecendo um cachorro velho, o nariz e as bochechas cor-de-rosa e, principalmente, as pupilas brilhantes de vivacidade. Auguste Boulard. Imperturbável, sob a chuva de abril, ele estava atento ao menor movimento dos rapazes deitados no chão. Um minuto e vinte segundos. Foi então que um deles se levantou. Não era alto. A túnica estava pesada de água da chuva. O rosto pingava. Ele girou sem sair do lugar, no meio daqueles corpos que não haviam se mexido. De todos os lados, policiais à paisana saíram de seus postos e avançaram para ele.

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O rapaz juntou as mãos em prece e, em seguida, as deixou cair. Em seu olhar passavam todas as nuvens do céu. O delegado gritou: – Vango Romano? O menino baixou a cabeça. Em algum lugar na multidão, dois olhos verdes se agitavam em todas as direções, como borboletas numa rede. O que queriam com Vango? O jovem saiu do lugar onde estava. Pulou os companheiros e andou na direção do delegado. Os policiais se aproximaram devagar. Enquanto andava, Vango retirou a túnica branca e ficou de vestimentas pretas. Parou diante do cardeal e se ajoelhou. – Perdoe-me, padre. – O que você fez, Vango? – Não sei, monsenhor, imploro que acredite em mim. Não sei. Um minuto e cinquenta. O velho cardeal segurou o bastão com as duas mãos. Apoiou-se nele com todo o seu peso, os braços e os ombros envolvendo a madeira dourada, como uma trepadeira em uma árvore. Olhava em volta com tristeza. Conhecia cada um dos 40 rapazes pelo nome. – Acredito em você, menino, mas temo que eu seja o único aqui. – Significa muito, se acreditar em mim de verdade. – Mas não é suficiente – murmurou o cardeal. Ele tinha razão. Boulard e seus homens estavam apenas a alguns passos agora. – Perdoe-me – suplicou Vango novamente. – O que quer que eu perdoe se você não fez nada? No momento em que o delegado Boulard, bem atrás, pôs a mão no ombro do garoto, Vango respondeu ao cardeal: – Me perdoe por isso... E, com mão firme, Vango agarrou a mão do delegado, levantou e torceu-lhe o braço nas costas, jogando-o em cima de um de seus homens. Em poucos saltos, Vango escapou de dois agentes da polícia que haviam voado para cima dele. Um terceiro empunhou uma arma. – Não atire! – gritou Boulard, ainda no chão.

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A história dentro da história

URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Parte Europeia)

Lago Ness e Highlands

Escócia

Moscou

Inglaterra Londres

Alemanha Paris Lago da Constança e Friedrichshafen

França

Suíça

Sochi

Mar Negro

Itália

Ilhas Eólias Sicília

Mar Mediterrâneo

Mapa político da Europa em 1934.


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a

narrativa das aventuras de Vango tem início em 1918, ano do término da Primeira Guerra Mundial, e vai até 1939. Nesse período, conhecido como Entreguerras, o mundo vê romper uma das maiores catástrofes do século XX: a Segunda Grande Guerra. É a partir de 1918 que uma ordem mundial bipolar começa a se formar, tendo de um lado os Estados Unidos (EUA), principal potência do sistema econômico capitalista, e, do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), liderada pela Rússia, com o socialismo representando o que se supunha ser uma alternativa ao capitalismo. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, a economia norte-americana cresceu consideravelmente com a exportação de alimentos e produtos industrializados para os países europeus, que, arrasados pela guerra, não tinham alternativa a não ser a importação. Com o passar dos anos, a Europa restabeleceu sua economia, diminuindo, assim, a dependência de importação de produtos norte-americanos. No entanto, 10 anos depois, a falta de preparo dos EUA em lidar com a queda nas exportações levou a uma superprodução, para a qual não havia mercado consumidor. Esta foi a principal causa da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, gerando a primeira grande crise do capitalismo, a Crise de 1929. A União Soviética passou quase ilesa à crise, pois desenvolvia uma economia fechada e autossuficiente, restrita aos países que formavam o bloco socialista.

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Os efeitos da Crise de 1929 na União Soviética se deram no campo ideológico. A bipolaridade da ordem mundial se consolidava cada vez mais. O clima político foi marcado pelo descrédito das repúblicas democráticas na Europa capitalista. A possibilidade de uma revolução socialista era maior a cada dia. O medo de uma revolução foi responsável pelo crescimento do totalitarismo, culminando na ascensão do nazifascismo como ideologia e forma de governo em diversos países europeus. Para entender o ambiente político do romance Vango e o que estava em jogo na Segunda Guerra Mundial, precisamos compreender os regimes totalitários, que ameaçaram extinguir a democracia, celebrada hoje como uma das maiores conquistas da humanidade. Esses regimes formavam uma estrutura de poder que pretendia dominar totalmente a população de uma nação – daí seu nome, totalitarismo. Os governos totalitaristas não recuavam nem mesmo diante da ideia monstruosa de eliminar grupos étnicos, como foi o caso do genocídio de cerca de 6 milhões de judeus na Alemanha nazista. A crença de superioridade racial culminou com a criação de campos de concentração nos quais pessoas eram exterminadas. A ética, o conjunto de regras sociais de ordem valoritiva e moral, foi deixada de lado e deu lugar à violência praticada pelo governo. O terror passou a ser a forma pela qual o Estado se relacionava com seus cidadãos. O regime nazista, exemplo emblemático de regime totalitário da época, ganhou força na década de 1920 e levou Hitler ao poder na Alemanha em 1933, um ano antes do protagonista de nosso romance quase se tornar padre. A política da União Soviética não era muito diferente no que se refere à forma terrorista de governo: uma ditadura de partido único que teve como prática a execução dos opositores ao regime. O culto a Stalin na URSS pode ser equiparado ao culto a Hitler na Alemanha, ambos estabelecidos com intensa propaganda estatal e exacerbado nacionalismo em uma sociedade militarizada. A liberdade foi cerceada em diversos níveis, desde a expressão artística até a religiosa. A construção de inimigos internos serviu como justificativa para toda forma de repressão política, que perseguia desde indivíduos a categorias inteiras de pessoas, de acordo com sua etnia, classe social ou religião.

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Alguns personagens verídicos que aparecem em Vango – Entre o Céu e a Terra

Adolf Hitler (20/4/1889 – 30/4/1945) Militar e político, líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsch Arbeiterpartei – NSDAP), o Partido Nazi, ou Nazista. Foi preso em 1923, após a tentativa de um golpe de Estado, e, nesse período, escreveu o livro Minha Luta, no qual expôs seu programa ideológico e suas teses racistas. Perdeu as eleições presidenciais em 1932 para o marechal Hindenburg, mas no ano seguinte foi convidado a ocupar a cadeira de chanceler. Em seu governo, estabilizou a economia de seu país e expandiu o território alemão. Essa expansão culminou na invasão da Polônia, que deu início à Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939. A expansão nazista levou Hitler a governar praticamente toda a Europa. Em 1943, a Alemanha teve sua primeira grande derrota: a Batalha de Stalingrado. Após perder a guerra, Hitler se suicidou, em 30 de abril de 1945. Duke Ellington (29/4/1899 – 24/5/1974) Pianista americano, considerado o maior compositor de jazz de todos os tempos. Ernst August Lehmann (12/8/1886 – 7/5/1937) Formou-se engenheiro pela Universidade Técnica de Berlim em 1912 e, em 1913, passou a treinar pilotos de dirigíveis. Com o início da Primeira Guerra Mundial, Lehmann foi recrutado pelo exército alemão e comandou voos. Após a guerra, ele trabalhou para a Companhia Zeppelin e, sob o comando de Hugo Eckener, participou de voos importantes do Graf Zeppelin. Considerado simpatizante do regime nazista, foi nomeado diretor da companhia após a saída de Eckener, em 1935, e auxiliou o partido de Hitler na propaganda nazista. Faleceu em 1937, em decorrência do grave acidente que destruiu o Hindenburg.

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Grace Marguerite Hay Drummond-Hay (1o/9/1895 – 12/2/1946) Jornalista inglesa, foi a primeira mulher a dar a volta ao mundo e a única mulher a bordo do Graf Zeppelin. Em sua carreira jornalística, colaborou com jornais ingleses, como o The Sphere, e com os jornais do grupo Hearst Press, de William Randolph Hearst, no final dos anos 1920. Durante a Segunda Guerra Mundial, Lady Hay Drummond-Hay e seu companheiro, Karl von Wiegand, foram aprisionados em um campo de concentração japonês em Manila, Filipinas. Em 1945, quando foram libertados, a jornalista estava muito doente. Ambos retornaram aos Estados Unidos, mas, durante sua estada em Nova York, ela veio a falecer. Heinrich Kubis (16/6/1888 – 1970) Mordomo e comissário de bordo, trabalhou em diversos hotéis e dirigíveis. Em 1912, tornou-se o primeiro comissário de bordo do mundo, no zepelim alemão DELAG. Serviu como mordomo de todos os dirigíveis alemães, incluindo o Graf Zeppelin e o Hindenburg. Kubis estava na sala de jantar do Hindenburg no trágico acidente de maio de 1937. Com os demais sobreviventes, retornou à Alemanha, onde viveu até meados de 1970. Herman Göring (12/1/1893 – 15/10/1946) Militar alemão, político, líder do Partido Nazista e fundador da Gestapo. Foi comandante-chefe da força aérea alemã até o fim da Segunda Guerra Mundial.

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Hugo Eckener (10/8/1868 – 14/8/1954) Iniciou sua carreira como publicitário na Companhia Zeppelin, empresa de dirigíveis alemã. Seu interesse por esse tipo de veículo fez com que, em 1911, tirasse licença de piloto. Em 1917, tornou-se diretor da companhia. Sob o comando de Eckener, a empresa construiu o famoso Graf Zeppelin, que, pilotado por ele, foi o primeiro dirigível a dar a volta ao mundo, em 1929. Eckener se negava a aceitar que o zepelim fosse utilizado como símbolo do poder nazista. Por ser abertamente contrário ao regime de Hitler, foi afastado definitivamente da companhia em 1935. Johanna Maass Esposa de Hugo Eckener e membro da família de publicitários Maass. Joseph Stalin (18/12/1879 – 5/3/1953) Esteve no comando da União Soviética a partir de 1922, logo após a Revolução Russa (1917), até sua morte, em 1953. Ioseb Besarionis Dze Djughashvili é seu nome de nascimento. Casou-se duas vezes e teve três filhos: Yakov Djughashvili, Vasily Djughashvili e uma menina, Svetlana Stalin. Passou a utilizar o nome Josef Stalin em 1913, quando foi deportado para a Sibéria por suas ideias socialistas durante a monarquia russa. Fez parte do governo que se estabeleceu depois da Revolução de 1917 e, após a morte de Lenin, envolveu-se na disputa pelo poder na Rússia socialista com outro líder da revolução, Trotsky. Uma de suas maiores conquistas foi o fato de elevar o conjunto de repúblicas socialistas a uma das principais potências mundiais no pós-guerra. Ditador, Stalin implantou um sistema de censura, perseguições e assassinatos de opositores. Faleceu aos 74 anos, após um derrame cerebral.

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The Print Collector

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A h i s t ó r i a d e n t r o da h i s t ó r i a

O dirigível LZ127 Graf Zeppelin atracado em Loewental, Alemanha, 1933.

Master os SempiLl (William Forbes-Sempill) (24/9/1893 – 30/12/1965) Piloto inglês de família nobre, foi acusado de passar informações secretas para os japoneses antes da Segunda Guerra Mundial. Rudolf Diels (16/12/1900 – 18/11/1957) Político alemão e membro do Partido Nazista. Um dos subordinados preferidos de Hermann Göring, Diels comandou a Gestapo em 1933 e 1934. Svetlana Stalin, ou Svetlana Iosifovna Alliluyeva (28/2/1926 – 22/11/2011) Era a filha mais nova de Stalin. Perdeu a mãe com apenas 6 anos. Algumas fontes biográficas relatam que Stalin mantinha um relacionamento violento com Svetlana. Casou-se duas vezes e teve um filho do primeiro casamento e uma filha do segundo. Após a morte de Stalin, adotou o sobrenome de sua mãe, Alliluyeva. Atuou como professora de literatura soviética e língua inglesa e como tradutora de obras russas para o inglês. Em 1967, em Nova York, durante uma coletiva de imprensa, denunciou o regime soviético, causando problemas diplomáticos para o país.

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volume 2

UM PrÍNCIPE SEM REINO

Esta obra, composta com as famílias tipográficas Chaparral Pro© e Decotura©, foi impressa em papel off white pamo 70 g/m2 (miolo) e cartão supremo 250 g/m2 (capa).

Vango - Entre o Céu e a Terra  

Trecho do livro Vango - Entre o Céu e a Terra.

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