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passear sente a natureza AÇORES MATA ENCANTADA

BARCO SOLAR

NAVEGAR

EM SILÊNCIO CAMINHADA

ONDE DORMIR

CASA DE RIBEIRA

CAMINHADA

BTT CAMINHO INGLÊS

LAGOA DE ÓBIDOS

Nº. 57 . Ano VI . Dezembro 2016 . PVP: 2 € (IVA incluído)

EM TERRAS DE LAPIÁS


Correspondência - P. O. Box 24 2656-909 Ericeira - Portugal Tel. +351 261 867 063 www.lobodomar.net

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Director Vasco Melo Gonçalves Editor Lobo do Mar Responsável editorial Vasco Melo Gonçalves Colaboradores António José Soares; Francisco Cordeiro; João Fernandes; Rui Ferreira, Luis Contente. Publicidade Lobo do Mar Contactos +351 261 867 063 + 351 965 510 041 e-mail geral@lobodomar.net Grafismo

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Silêncio que vamos navegar...

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Registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social sob o nº. 125 987 Direitos Reservados de reprodução fotográfica ou escrita para todos os países

As novas fontes de energia e tecnologias podem ser parceiros importantes para as atividades de ar livre em contacto com a Natureza. Tivemos a oportunidade de experimentar um barco solar/elétrico, um projeto concebido e desenvolvido em Portugal, vocacionado para as atividades Marítimo Turísticas. Um modelo muito interessante que permite uma abordagem à Natureza, em meio aquático, muito mais amiga do ambiente. A velocidade do barco e o silêncio dos motores elétricos permitem uma observação da Natureza mais tranquila. Ao nível do investimento financeiro parece-me que este conceito poderá ser uma alternativa aos modelos de barcos equipados com motores de combustão. A equipa da revista deseja a todos um bom ano de 2017 e com muitos passeios.

Capa Fotografia

Lagoa de Óbidos (pág.68)

Diretor vascogoncalves@lobodomar.net


3 Edição Nº.57

30

Sumário 06 Atualidades

Versão completa paga

gratuita

18

2016 em Revista

38

60

30 Reportagem:

Sunsailor 7.0 MT

38

Caminho Inglês

48 56

Em terras de Lapiás Apresentação de artigos

do Passear (versão paga)

58

ASSINATURA Passear

60

Os encantos da Mata

Jardim José do Canto

68

À descoberta da

Lagoa de Óbidos

78

dormidas : comidas: bebidas

68 Tenha acesso à versão compl eta da rev ista pa ssear por m enos d e 2€

48


Nº 73 October | Outubtro 2016

REVISTA BILINGUE EN/PT

FEIRAS

+ TENDÊNCIAS

GARDEN DESIGN MAGAZINE

GALABAU IBERFLORA

+ DECORAÇÃO + FERRAMENTAS + TECNOLOGIA

14 INSPIRATIONS

from MAISON ET OBJET

DBX RANCH

A NEW LIVABLE LANDSCAPE NOVA PAISAGEM HABITÁVEL

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atualidades

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BTL 2017 CONFIRMA GRANDE MOMENTO DO TURISMO NACIONAL A BTL 2017 irá consolidar o seu papel enquanto maior feira de Turismo realizada em Portugal e confirma o bom momento que o sector atravessa. Até à data, o balanço das inscrições é bastante positivo, tendo em conta que a Bolsa de Turismo de Lisboa irá contar com mais 400 expositores do que em 2016. “A fase de inscrições terminou no passado dia 18 de novembro e contamos já com 1.450 expositores confirmados, de diferentes segmentos, desde agências de viagens, hotelaria, animação turística, associações e municípios. A adjudicação dos espaços irá decorrer nos primeiros dias de Dezembro”, comenta Fátima Vila Maior, directora de área de feiras da FIL

responsável pela BTL. “O aumento mais significativo registou-se no sector da Distribuição, bem revelador da aposta crescente dos agentes de viagens e operadores turísticos em utilizarem a BTL como plataforma para dar a conhecer e comercializa os seus produtos junto do público final”, conclui a responsável. A BTL 2017, é o maior evento de Turismo realizado em Portugal, que se dirige aos profissionais e ao público final e realiza-se anualmente na FIL – Parque das Nações. A BTL 2017 irá decorrer de 15 a 19 de Março.


atualidades

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EXCELÊNCIA DE PORTUGAL EM INGLATERRA A NPimenta estará presente, de 13 a 19 de Dezembro, no London International Horse Show, em Olympia, um dos maiores e mais prestigiantes eventos desportivos equestres internacionais, a promover o Cavalo Puro Sangue Lusitano, marca de excelência de Portugal. A NPimenta é uma empresa de turismo, consultoria, atividades equestres e organização de eventos, sediada em Ponte de Lima, é a entidade responsável, em pareceria com a Sussex Lusitanos, pela apresentação de Portugal no Olympia e surge como sinónimo de alma portuguesa, fruto de uma grande paixão pelo Cavalo e por tudo que é nosso. Portugal terá uma posição de grande destaque no London International Horse Show. Ao longo de 7 dias serão realizados 14 espetáculos, onde o Cavalo Lusitano será o ex-libris, um conjunto de 16 Lusitanos será apresentado como “O Orgulho de Portugal”. O Cavalo Lusitano é património nacional, produto de excelência do mundo rural é considerado a raça mais polivalente de todas as

raças. Muito bom no lazer como cavalo de sela, no entanto desportivamente vai se posicionando em lugares cimeiros. O Cavalo Lusitano é bandeira, embaixador e promotor de Portugal pelo mundo, desperta paixões e une países e culturas em redor de Portugal. Trata-se de uma oportunidade única para promover Portugal no setor turístico e atividades económicas com ligação ao mesmo. Em poucos dias de venda, os bilhetes praticamente esgotaram, o que demonstra a importância internacional deste grande evento que contará com a presença de meio de comunicação de todo o mundo.


atualidades

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CROWDFUNDING: FURA-BARDOS E FLORESTA LAURISSILVA EM RISCO Projeto que trabalha na recuperação da Floresta Laurissilva, habitat do fura-bardos recorre a campanha de crowdfunding internacional para angariar 55 mil euros As ameaças à floresta Laurissilva (ilha da Madeira), o habitat do enigmático fura-bardos, têm sido constantes e dramáticas e por isso o projeto Life Fura-bardos tem sido fundamental para recuperar este habitat único e saber mais sobre a espécie. Mas este projeto está em vias de terminar e ainda tem um longo caminho a percorrer, por isso a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves tem a decorrer uma campanha de crowdfunding com o objetivo de continuar o trabalho no terreno. A campanha conta com o apoio do produtora Oito, que produziu o vídeo da campanha e de David Lindo, uma das celebridades mais reconhecidas, sobretudo no Reino Unido, no mundo dos amantes da natureza e autor do blogue

ornitológico The Urban Birder, que dá voz à causa. O projeto Life Fura-bardos termina em 2017, mas os brutais e devastadores incêndios deste verão aumentaram ainda mais a premência e valor de todos os esforços de conservação desta espécie única da Madeira. A fauna e flora que apenas podemos encontrar na laurisilva ficou severamente afetada. Este projeto já nos permitiu recuperar 72 hectares de floresta Laurissilva, através da plantação de mais de 60.000 plantas, monitorizar cerca de uma centena de ninhos de fura-bardos e desenvolver atividades de educação ambiental a 3.000 crianças. Com esta campanha, a SPEA procura conseguir aproximadamente 55 mil Euros, através


atualidades

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de donativos, na plataforma Generosity da Indiegogo. Os donativos podem ser individuais, empresariais e/ou anónimos e estão garantidas recompensas a partir dos 4 euros. Com a verba angariada pretende-se fazer a manutenção de cerca de 50 hectares de floresta nativa, livres de plantas invasoras, a recuperação de 20 hectares de vegetação vulnerável após incêndios, a produção de 10.000 plantas nativas para reflorestar áreas do projeto e a monitorização dos 98 ninhos encontrados para a espécie. A continuidade do programa de educação ambiental, que tem permitido chegar às crianças das várias escolas da região, é também um dos principais objetivos da campanha, contribuindo para uma nova geração

de “embaixadores” da conservação da natureza do nosso arquipélago. Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira, refere que “este crowdfunding é essencial para que seja dada continuidade ao trabalho feito nos últimos anos ao abrigo do Life Fura-bardos. O valor que procuramos angariar através de doações é muito importante para assegurar tudo o que foi salvo até agora e manter este projeto vivo”, salienta. Acrescenta ainda “esperamos que esta mensagem vá além fronteiras e os emigrantes e amigos da Natureza nos ajudem e façam parte desta campanha tão importante para o floresta Laurissilva e furabardos”.


atualidades

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ELVAS, MOMENTOS FORTES, MONUMENTOS ÚNICOS

O Município de Elvas lançou um vídeo promocional da cidade Património Mundial com o objetivo de promover Elvas como destino turístico. Sob o slogan “Elvas, Momentos Fortes, Monumentos Únicos”, o vídeo promocional apresenta o património, a gastronomia e as tradições da cidade Património Mundial através da experiência de uma familía de 5 elementos que realiza um passeio pelos principais locais de interesse da cidade. A “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações”, conforme foi classificado em 2012 o conjunto histórico-cultural de Elvas como Património Mundial da UNESCO, é apresentada através de várias imagens dos seus principais pontos de interesse. Destacamse ainda as coleções que albergam os seus quatro museus, elementos culturais e tradicionais e vários outros ícones do conjunto patrimonial que corresponde a uma área de proteção de 690 hectares. Ver vídeo em https://www.facebook.com/pg/ MunicipioElvas/videos/

PARQUES DE SINTRA VENCE O WORLD TRAVEL AWARD PARA “MELHOR EMPRESA DO MUNDO EM CONSERVAÇÃO” A Parques de Sintra venceu, pelo quarto ano consecutivo, o World Travel Award de “Melhor Empresa do Mundo em Conservação”. Considerados internacionalmente os “óscares do turismo”, os World Travel Awards foram criados em 1993 com o objetivo de reconhecer, premiar e celebrar a excelência em todos os setores da indústria do turismo. Os prémios representam uma das distinções mais importantes que as empresas do setor turístico podem receber, sendo a marca reconhecida globalmente como selo de qualidade. A votação é realizada pelo público em geral e por profissionais do Turismo. O quarto World Travel Award para a Parques de Sintra junta-se a outros recebidos anteriormente pela empresa, que reconhecem a qualidade do trabalho conduzido na recuperação e restauro dos parques e monumentos sob sua gestão. A receber o prémio nas Maldivas esteve o administrador da Parques de Sintra, José Lino Ramos, que declarou que “vencer pela quarta vez consecutiva um prémio tão prestigiante é revalidar o reconhecimento internacional do trabalho de mérito que a Parques de Sintra tem vindo a desenvolver nos últimos anos, sobretudo ao nível da conservação e restauro dos parques e monumentos que gere”.


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2016 em revista CAMINHADA DE INVERNO

A FOTOGRAFIA COMO OBJETIVO Texto e Fotografia: Vasco de Melo Gonรงalves


caminhada O percurso que hoje proponho possui uma grande beleza natural e desenvolve--se ao longo do pequeno rio Safarujo. Trata-se de um pequeno percurso, ao nível da extensão, com um grau de dificuldade baixo para que a nossa energia seja canalizada para a fotografia e observação de aves. Como é normal na região saloia, ao longo dos cursos de água desenvolve-se uma intensa atividade agrícola que proporciona imagens fotográficas equilibradas devido aos seus padrões geométricos. Por outro lado, esta atividade agrícola serve também de alimento a inúmeros pequenos mamíferos e invertebrados criando uma cadeia alimentar para as aves e, em especial, para as rapinas. Nesta minha saída optei por utilizar apenas uma máquina fotográfica, equipada com uma lente simples (Micro 60mm) e, um binóculo Steiner SkyHawk Pro 10x32. Ao longo dos últimos tempos tenho simplificado os processos e preocupo-me mais com a observação da paisagem e dos seus elementos e, menos com a tecnologia para

a captar ou observar. Assim, a mochila vai mais leve e o ato de fotografar fica mais fácil! A época de Outono é, para mim, uma das mais interessantes para fotografar devido às tonalidades das folhas das árvores, à floração de Outono, às árvores de folhas caducas, ao verde dos prados e à luz ténua e rasante. O percurso que escolhi possui dois “cenários” distintos. O início e o final do mesmo ocorre junto à foz do rio Safarujo onde, a massa de água alarga permitindo, desta forma, obter interessantes fotografias do reflexo da vegetação que se desenvolve ao longo das margens. Neste sector do percurso podemos observar aves aquáticas como o pato-real (Anas platyrhynchos). O segundo cenário é dominado por uma paisagem agrícola circundada por pinheiros, eucaliptos, choupo-branco e sobreiros. Ao nível das aves avistei gralhas (Corvus monedula), graças-brancas (Egretta garzetta), águia de asa-redonda (Buteo buteo) e um peneiro vulgar (Falco tinnunculus) .

edição nº 48


2016 em revista CAMINHADA ERICEIRA | ODRINHAS

PELOS VALES MÁGICOS! A PROPOSTA DE HOJE É UMA CAMINHADA LINEAR DE 19 KM, AO LONGO DO RIO LIZANDRO COM INÍCIO NA VILA DA ERICEIRA PASSANDO PELA IGREJA DA NOSSA SENHORA D’Ó, A ALDEIA ABANDONADA DE BROAS E COM TERMINUS EM ODRINHAS. Texto e Fotografia: Vasco de Melo Gonçalves


caminhada O percurso desenvolve-se, na sua fase inicial, junto ao rio Lizandro e pelas inú-meras hortas. Trata-se de um trajeto eminentemente paisagístico sem qualquer dificuldade física onde podemos observar algumas aves nomeadamente, a garça-real, águia de asa redonda, peneireiro comum, gralha-preta e guarda rios, entre outras. Ao quilómetro 7,6 temos que atravessar o rio Lizandro. Esta situação poderá ser uma dificuldade caso o caudal do rio seja elevado. Desde este atravessamento até ao quilómetro 11, a progressão é feita com alguma dificuldade devido ao forte canavial, à lama e ao alagamento de parte do percurso. Com a chegada à povoação do Carva-lhal o cenário altera-se por completo. Os horizontes alargam-se, surgem inúmeras estufas e o tipo de terreno é diferente. É junto a esta povoação que o perfil de altimetria também se altera com uma subida acentuada que nos leva a um conjunto de moinhos (quilómetro 13,9). Neste ponto, a vista é espetacular e de 360°. Retemperadas as forças, o nosso próximo destino é a aldeia

abandonada de Broas. Caminhamos, durante cerca de um quilómetro, à mesma cota com uma paisagem campestre vendose, ao longe, mais urbanização. Quando chego à Aldeia de Broas a sensação é estranha devido ao estado de conservação da povoação, onde é fácil de tentar imaginar como teria sido a vida naquele lugar isolado mas tão perto da civilização! A parte final do percurso tem como destino a povoação de Odrinhas e o seu interessante Museu Arqueológico. Este complexo museológico tem elementos de visitação que estão no exterior e que são de livre acesso e, no interior (pago), exposições permanentes e uma bela e completa biblioteca especializada em arqueologia. A visita a este espaço exige tempo e, como cheguei a Odrinhas pela hora do almoço, optei por ir reconfortar o estômago primeiro e depois voltei ao museu. O regresso à Ericeira foi feito com recurso ao transporte público (ao fim-de-semana temos duas camionetas da parte da tarde).

edição nº 49


2016 em revista

GERÊS, AS 6 PONTES

A SERRA DO GERÊS É DEFINIDA PELOS RIOS HOMEM E CÁVADO. FOI NESTA REGIÃO QUE FIZEMOS UM DOS MAIS BONITOS PERCURSOS DURANTE A ESTADA DE UMA SEMANA NO MINHO, AS 6 PONTES. Texto e Fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

Na semana que estive no norte de Portugal a conhecer, com um pouco mais pormenor o Parque Peneda-Gerês, o meu guia e amigo Carlos Abreu aconselhou um percurso em particular, o das 6 Pontes. Realmente, o percurso das 6 Pontes possui características únicas no que diz respeito à qualidade da paisagem, ao rio Homem, à flora da Mata da Albergaria e aos vestígios da presença romana na região. São cerca de 10 quilómetros de percursos em que o

caminho de pé-posto alterna com estrada de terra batida, a altimetria tem um desenvolvimento suave e as zonas de sombra são abundantes. Se o tempo está mais quente a possibilidade de um banho nas águas cristalinas do rio Homem é uma realidade. O percurso das 6 Pontes teve, para mim, alguns pontos dignos de destaque. Sensivelmente ao quilómetro 1,7 temos uma torre de vigia que merece, devido à vista que proporciona, o esforço da subida e


caminhada os cuidados da descida. Ao quilómetro 6 deparei-me com um dos cenários mais bonitos que já vi, uma cascata de águas cristalinas do rio Homem (a imagem da capa foi tirada neste ponto). De seguida, a entrada na Mata da Albergaria transporta-nos para um cenário completamente diferente onde a riqueza da vegetação é deslumbrante. Já na parte final do percurso, +/ao quilómetro 8, temos o encontro do Rio Maceira com o Rio do Forno e a presença

romana na região através da Geira. Um percurso não muito longo mas de uma riqueza enorme! À MARGEM

edição nº 50

PORTELA DO HOMEM Portela do Homem (em galego: Portela do Home) é o nome de um passo de montanha sobre a fronteira Espanha-Portugal, na serra do Gerês. Do lado português fica o


2016 em revista

CASTELOS DO ALENTEJO | PORTEL

O CASTELO DE PORTEL, NO ALENTEJO, LOCALIZA-SE NA VILA, FREGUESIA E CONCELHO DE MESMO NOME, DISTRITO DE ÉVORA, EM PORTUGAL. NUM DOS CONTRAFORTES DA SERRA DE PORTEL, ERGUE-SE EM POSIÇÃO DOMINANTE SOBRE A VILA MEDIEVAL. Texto e Fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

Perdida a sua função defensiva, afastado da linha lindeira e das principais vias de acesso ao território alentejano, o castelo foi progressivamente abandonado até se converter em ruínas no século XIX. No início do século XX, o conjunto foi classificado como Monumento Nacional por De-

creto, publicado em 23 de Junho de 1910. A intervenção do poder público fez-se sentir pontualmente, em 1938, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Propriedade da Fundação Casa de Bragança, a degradação do conjunto continuou progredindo


caminhada até à derrocada de um torreão cilíndrico do paço e, mais recentemente, em Fevereiro de 1998, de um troço de muralha adjacente à torre de menagem, elemento que já havia sido objeto de intervenção na década de 1980. A nova intervenção teve lugar em 1999, a cargo da DGEMN, através da sua Direcção Regional Sul, com base em técnicas tradicionais de construção. O conjunto aguarda, entretanto, um plano abrangente de investigação e de musealização NOTA HISTÓRICO-ARTISTICA As origens do castelo gótico de Portel estão ligadas à figura de D. João Peres de Aboim, nobre letrado muito próximo de D. Afonso III, que chegou a desempenhar as funções de mordomo-mor do reino. Homem de confiança do monarca, na época imediatamente após à guerra civil que opôs Afonso III a seu irmão, Sancho II, foi agraciado com uma honra entre os termos de Évora

e Beja, coincidente com a Serra de Portel. Esta doação não se fez sem ferir susceptibilidades concelhias, pelo que, em 1257, o monarca dirigiu cartas aos homens bons de Évora para que aceitassem João Peres de Aboim como seu vizinho. Os anos seguintes foram passados em aparente disputa pela delimitação da honra, até que em 1261, depois de demarcada a área de jurisdição do nobre, D. Afonso III permitiu que este edificasse uma fortaleza onde melhor servisse os seus interesses. Um ano depois, a 1 de Dezembro de 1262, acompanhado pela mulher e pelo filho, D. João Peres de Aboim passou carta de foro aos povoadores do castelo de Portel. As obras de construção da fortaleza ter-seão iniciado imediatamente, mas arrastaram-se pelo reinado de D. Dinis, já depois de falecido o promotor, resolvida a contenda entre seus filhos pela posse da honra e

edição nº 51


caminhada

DAS AZENHAS DO MAR À DESCOBERTA DA ECOALDEIA DE JANAS Texto e Fotografia: Passear

edição nº 52


caminhada

2016 em revista


2016 em revista

IRKUTSK, A PARIS DA SIBÉRIA Texto: Luís Contente Fotografia: Valério Conceição


crónica

Igreja Ortodoxa

edição nº 53


passeio

IRKUTSK, A PARIS DA SIBÉRIA Texto: Luís Contente Fotografia: Valério Conceição

edição nº 54


Palรกcio de Cristal Texto e Fotografia: Revista Tudo Sobre Jardins

passeio

2016 em revista

Os encantos dos Jardins do


passeio

IRKUTSK, A PARIS DA SIBÉRIA Texto: Luís Contente Fotografia: Valério Conceição

Jardins de Giverny

A grande criação de Monet Texto: Luisa Mendes | Fotografia: Luisa Mendes e D.R.

edição nº 55


passeio

2016 em revista


foto-reportagem

ANGRA DO HEROÍSMO

A BELEZA DAS JANELAS & VARANDAS Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

edição nº 56


foto-reportagem

2016 em revista


reportagem

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SUNSAILOR 7.0 MT

PARA QUEM GOSTA DO SILÊNCIO E DA NATUREZA! TIVE O PRIMEIRO CONTACTO COM O MODELO SUNSAILOR 7.0 MT NA FOZ DO ARELHO, NA LAGOA DE ÓBIDOS MAS, FOI EM LISBOA QUE EXPERIMENTEI ESTE MODELO CONCEBIDO PELA SUNCONCEPT. PENSO QUE ESTE MODELO DE BARCO É IDEAL PARA AQUELAS EMPRESAS DE ANIMAÇÃO TURÍSTICA QUE QUEREM PROPORCIONAR AOS SEUS CLIENTES UMA FORMA DIFERENTE DE USUFRUÍREM DOS PLANOS DE ÁGUA, EM SILÊNCIO E NUM GRANDE RESPEITO PELA NATUREZA. Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves


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reportagem

O SunSailor 7.0 MT na Foz do Arelho.

A MISSÃO DA SUNCONCEPT A SunConcept e a opção pelo desenvolvimento e produção de embarcações electro solares, nasce da consciência da necessidade de redução do consumo de combustíveis fósseis face ao impacto negativo na natureza e no aquecimento global e da oportunidade de utilização com eficiência de energias limpas e renováveis/sustentáveis. Acrescente-se também a redução muito significativa do ruído produzido pelas embarcações electro solares e o seu impacto nos ecossistemas. Um exemplo real e atual é a necessidade de preservação de ecossistemas frágeis como a Ria Formosa e outros sistemas lagunares, bem como barragens, lagos e zonas estuarinas, não só em Portugal como em todo o mundo. Neste enquadramento a SunConcept, investe neste mercado, acreditando que o futuro de grande parte do setor da construção naval passará pela adoção de embarcações electro solares, pela sua cada vez maior eficiência,

inexistência de gastos com consumos e, especialmente, urgência na redução do consumo de combustíveis fósseis com as vantagens que daí advêm. O SUNSAILOR 7.0 MT Para além de ser uma alternativa para utilização particular com necessidades de maior lotação, o SunSailor 7.0MT está também vocacionado para a atividade Marítimo Turística. Para além da redução para Zero dos gastos com os consumos energéticos, pensamos no impacto extremamente positivo para a imagem dos operadores da região e do próprio País, ao transmitir uma imagem de preocupação com a preservação ambiental condizente com os cenários naturais onde essas embarcações operam. E neste caso, o silêncio é de ouro, permitindo um conforto e mobilidade invejáveis e desejáveis neste tipo de utilização. Design patenteado do casco de deslocamento de 7m, está otimizado para uma velocidade de cruzeiro de 5 a 6 nós, obtida a partir de dois mo-


32

reportagem

VisĂŁo a partir da consola.

Cofre para as baterias.

Cofre para arrumos junto Ă proa.


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reportagem

Proa e respetivo cofre para a âncora.

tores elétricos de 6Hp e movido por baterias alimentadas a painéis solares. Este fit tecnológico é altamente eficiente e, conjugado com técnicas especializadas no uso de fibra de vidro, permite que as embarcações possam ser disponibilizadas a preços muito atrativos (25 a 45 mil€). O casco é construído em fibra-de-vidro monolítico, com gel coat isoftálico e laminação manual em moldes de contacto e resina isoftálica. O convés é construído em fibra-de-vidro monolítico em sandwich de poliuretano, com gel coat isoftálico. Sistema de laminação manual em moldes de contacto e resina isoftálica, com sistema de estrias para apoio e dissipação de calor de painel solar, aumentando desta forma o rendimento do mesmo. A lotação deste modelo é para 12 pessoas + 2 tripulantes. A NOSSA OPINIÃO Realmente é “estranho” efetuar a manobra de saída do pontão e da doca sem qualquer ruído.

Foi isso que me aconteceu da Doca de Alcântara, em Lisboa, quando fui experimentar o SunSailor 7.0 MT num dia de chuva! O modelo possui uma conceção de layout muito interessante e eficaz que permite instalar os passageiros de forma a manter o equilíbrio e estabilidade da embarcação. Os sofás são confortáveis e, o seu posicionamento permite que o passageiro consiga ter uma perceção da sua envolvente mas também estabelecer uma conversação com os restantes elementos do grupo. A posição da consola é central, o que permite um perfeito controlo de todo o perímetro da embarcação bem como, da perfeita integração do guia com os seus passageiros. A consola de pilotagem é equilibrada, ao nível do desenho e da dimensão e, possui espaço para a instalação de todos os equipamentos de ajuda à navegação. Na circulação a bordo deverá ter-se algum cuidado com a passagem de estibordo junto à consola pois, com um toque facilmente acionamos os comandos do motor.


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reportagem

Espaço reservado para os motores elétricos.

Motor elétrico Torqeedo 2.0 Cruiser.

Visão da proa.

A consola central.


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reportagem

A manobra é feita de forma simples e silenciosa.

Sofás laterais são confortáveis.

Os dois motores elétricos estão colocados nos respetivos cascos e as baterias na zona central da embarcação. O acesso ao interior da embarcação pode ser feito através de uma pequena porta existente à popa ou lateralmente. O pisar dos painéis solares não causa qualquer dano aos mesmos. O bimini é um equipamento extra mas é essencial para uma vida a bordo confortável. Nesta saída concreta protegeu bem da chuva! A navegação no SunSailor 7.0 MT é irrepreensível. A suavidade, o ritmo e o silêncio permitem que nos concentremos na paisagem ou na simples conversa (sem ser aos berros!). Uma sensação diferente que nunca tinha experimentado... numa embarcação com motores.

Saída da Doca de Alcântara. Um navio gémeo da nossa “Sagres”, o “Danmark”.


36 Mesmo sem sol incidente e com chuva, o SunSailor 7.0 MT navega.

EQUIPAMENTOS STANDARD Baterias (4 x): Rolls 12v/503a Motores (2 x): Torqeedo Cruise 2.0 rl Carregador de bateria: Victron Skylla i 24/80 Conversor de volt.: Victron Orion 2412-40 Sistema completo de ligação proteção elétrica Sistema de direção completo Conjunto luzes de navegação e cortesia Escada de inox de acesso Conjunto de ferragens completo EQUIPAMENTOS EXTRAS Bateria (2 X): 12V/503A Frigorífico Mesa Caixa De Arrumação Solário Bimini Cor do casco Pintura antifouling Atrelado homologado

FICHA TÉCNICA Modelo: SunSailor 7.0 MT | Origem: Portugal | Construtor: SunConcept | Comprimento: 6,98 m | Boca: 2,40 m | Calado: 0,40 m | Lotação: 12PAX | Potência motor: 2 motores elétricos Torqeedo 2 KW 24 V (6HP) | Autonomia sem sol: 6-9H (5 nós) | Preço base: Desde 37 700.00€ (s/ IVA). Mais Informação: http://www.sunconcept.pt/


SUNSAILER 7.0

THE SUNNY SIDE OF LIFE

2 MOTORES ELÉCTRICOS SILENCIOSOS

ZERO EUROS POR MILHA NAVEGADA

VELOCIDADE DE CRUZEIRO DE 5 NÓS AUTONOMIA DE 6 HORAS SEM SOL

| T: +351 912 258 413 | info@sunconcept.pt | facebook.com/sunconceptmarine | www.sunconcept.pt |


38 A caminho de Bruma.

CAMINHO INGLÊS

O CAMINHO DOS CRUZADOS PARA QUEM APENAS DISPÕE DE DOIS OU TRÊS DIAS DESTINADOS A PEREGRINAR A SANTIAGO, O CAMINHO INGLÊS PODE SER CONSIDERADO UMA BOA OPÇÃO, ATENDENDO AO SEU REDUZIDO NÚMERO DE QUILÓMETROS, 75 KM DESDE A CORUNHA OU 120 KM DESDE FERROL. PORTANTO BASTA UM FIM-DE-SEMANA DE PRIMAVERA OU VERÃO PARA O PERCORRER. Texto e fotografia: António José Soares


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BTT

Viagem Compostela - Corunha

Muito procurada na Idade Média, em alternativa ao Caminho Francês, a rota do “Caminho Inglês” foi uma via peregrinação que serviu sobretudo a peregrinos provenientes do Norte da Europa. Por via marítima, aos portos de Ferrol e Corunha, assim como a “Ribadeo e Viveiro”, afluíram, entre outros, escandinavos, flamengos, ingleses e escoceses. Em 1147 a esquadra de cruzados, com destino à Terra Santa, que tomaria parte na reconquista de Lisboa, em auxílio a D. Afonso Henriques, 1.º monarca português, tomaria este caminho com o propósito de visitar o túmulo do apóstolo. O primeiro itinerário marítimo conhecido, foi escrito entre 1154 e 1159 por um monge islandês, que relata a sua viagem desde a Islândia até “Bergen” na Noruega, passando pelo canal de Kiel, na fronteira entre a Dinamarca e Alemanha. Mas enquanto o monge seguiu a pé

para Roma, a caminho da Terra Santa alguns elementos efectuaram a sua rota por Roncesvalles, tendo no entanto a maioria ancorado ao Noroeste da Península Ibérica, de onde rumou para Santiago, precisamente pelo Caminho Inglês. Nos séculos XIV e XV, muitos conflitos na Europa, nomeadamente a “Guerra dos Cem Anos” entre ingleses e franceses, fez crescer os utilizadores deste itinerário, com muitos peregrinos a chegarem de barco aos locais atrás referidos, provenientes de Londres, Bristol, Southampton e Plymouth, aproveitando também para efectuar trocas comerciais com mercadorias da Galiza. Sobretudo a partir da ruptura assumida por Henrique VII, 1509-1549, com a Igreja Católica, o Caminho Inglês conheceu naturalmente um recrudescer na sua afluência, perdendo grande parte da relevância que até então tinha assumido.


BTT

40 Panorâmica da ria de Betanzos

Ponte de Pontedeume


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Ferrol - “porto antigo”

Em época de projectar novos desafios para o novo ano que aí vem, após esta breve resenha histórica, acudiu-me à memória uma bela viagem de Coimbra a Santiago de Compostela, em Setembro de 2009, com o propósito de conhecer e percorrer de bicicleta o mesmo percurso dos Cruzados envolvidos no cerco à cidade de Lisboa. E foi precisamente a 4 de Setembro de 2009, quando o relógio marcava 9:33H que na companhia do Joaquim Tavares e do José Botelho estacionámos as viaturas numa nova e harmoniosa zona residencial de Santiago de Compostela. Após a preparação das bicicletas e alforges, dirigimo-nos apressadamente para a estação de caminhos-de-ferro para viajar no comboio para a Corunha. A viagem de desenrolou-se de forma muito rápida, um pouco contra minha vontade, uma vez que aprecio bastante andar de comboio. O trajecto curto, o conforto e a amena cavaqueira ajudaram a que assim fosse e, praticamente

sem dar conta, chegámos à estação da Corunha, daqui seguimos para Ferrol, no entanto foi imperativo efectuar uma paragem destinada a uma refeição ligeira, de preferência num local aprazível, como efectivamente veio a acontecer, uma vez escolhemos um local da Ria do Burgo. Os cerca de cinquenta quilómetros necessários para alcançar o nosso destino impediram o meu desejo de dar um salto até ao “casco antigo” da Corunha e à sua aprazível marginal. Assim, prosseguimos até deixar a ria corunhesa, na direcção de “Bergondo, Miño e Pontedeume”, onde a soberba panorâmica da ria de Betanzos obrigava a clicar na câmara para registar o momento.. Em “Pontedeume”, mesmo junto à ria, enquanto refrescávamos as gargantas, fomos observando a azáfama da malta do clube de caiaque, num vai e vem contínuo a pousar as embarcações na água. Nesse mesmo dia fomos pernoitar a Neda, pequena localidade encravada entre o estuário


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Inicio do Caminho em Ferrol

Neda – ponte sobre o rio Xubia

da ria de Ferrol e o rio “Xubia” também à atenção um agradável parque verde onde se encontra inserido o albergue de peregrinos. Depois de acomodados no albergue, onde apenas se encontrava um peregrino de nacionalidade alemã, saímos na procura de uma boa refeição para restabelecer energias para o dia seguinte. Antes, porém, degustar uns bons “pinchos”, nomeadamente uma saborosíssima tortilha, entre outros “tapas” igualmente apetecíveis, foi uma tarefa a que nos entregámos com agrado. Ainda tenho bem presente a manhã do já distante dia 5 de Setembro de 2009, porque assim que nos aprontámos seguimos de imediato na direcção de Ferrol, onde tomaríamos um

bom o pequeno-almoço. Porém, antes de dar o início formal ao Caminho, deambulámos pela cidade do caudilho, grande figura controversa e incontornável da história do pais vizinho, captando alguns instantâneos sobretudo na “Plaza Mayor”. No Porto Antigo fizemos então questão de assinalar solenemente o inicio do Caminho, precisamente junto ao marco que ostenta a sua inscrição. O Caminho Inglês tem uma primeira parte algo, incluindo passagens por zonas incaracterísticas com pequenas unidades industriais e outras mais próximas do estuário da ria entrámos em Neda, onde estivéramos na véspera, para alcançar a margem esquerda do “Xubia” através de uma elegante ponte pedonal, sem dúvida de ex-


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Caminho no concelho de Cabanas

A caminho da “playa de la Magdalena�


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Playa de la Magdalena

celente traça arquitectónica. Por Neda também se cruza um caminho de peregrinação muito venerado pelos galegos, que nos leva ao santuário de “Santo André de Teixido” também conhecido como “Santo André de Lonche” ou Santo André do Cabo do Mundo e que se situa a cerca de doze quilómetros de Cedeira, no meio da serra da Capelada, em redor da costa de “Ortegal”, escondido entre penhascos e bosques, numa zona de escarpada orografia, o lugar está protegido de temporais, com características de promontórios celtas, cuja tendência ia no sentido de procurar espaços mágicos que penetrassem no mar. Prosseguimos depois para Fene, passando perto dos estaleiros e a partir desta localidade fomos subindo, internando-nos por um frondoso bosque, seguindo por um troço que nos conduziu até à lindíssima “Playa de la Magdalena” em Cabanas, rodeada por densa vegetação. Entrámos na ria de “Betanzos” e na cidade de “Pontedeume” , onde o imenso espelho de água

parece pintar a cidade de azul, contrastando com o branco das janelas. Todo o visitante não pode ficar indiferente ao seu ex-libris, a edificação medieval conhecida como Torre dos Andrades. Depois de “Bañobre”, cruzámos a ponte medieval sobre o rio “Baxoi”, coincidindo com o Caminho Real e prosseguimos por um caminho de terra até chegar a “Miño”. Aqui um ponto alto do dia, a praia de Miño estava mesmo a convidar a uns bons mergulhos. Após um excelente momento de relaxe nas águas calmas da ria, frescos mas famintos, dirigimo-nos ao café-bar “La Ria”, confinante com a praia, dotado de uma extensa zona de mesas ao ar livre, sombreadas por parreiras, local bem pitoresco onde nos confortámos com uns “chipirones” excelentemente confeccionados. De Miño a Betanzos o Caminho faz-se por uma dura subida de forte inclinação, apenas suavizada pela sombra proveniente de frondosos bosques de carvalhos e castanheiros.


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Torre dos Andrades em Pontedeume

Assim, foi de “pança” cheia que prosseguimos na direcção da bonita cidade Betanzos, a antiga capital da Galiza, onde decidimos por bem passar a noite. As marquises são uma característica peculiar das moradias galegas, a que Betanzos não foge à regra. Nas ruas e praças predomina o granito mesclado com o branco de portadas e janelas, para além das cores do céu, a ria espelha também o reflexo do arvoredo e casario. Depois do esforço de um dia a pedalar com cadência diferenciada, ora em razão da dificuldade do trajecto, ora porque a beleza paisagística assim o justifica, recuperar do esforço é fundamental. Assim, passear descontraidamente pelas “calles” e “plazas” em momentos de descontracção e convívio é o melhor elixir para o dia seguinte. Após “Betanzos” o Caminho Inglês assume contornos diferentes, uma vez que abandona as rias e interna-se por terrenos com predominância de bosques mais densos, onde o denominador são as espécies autóctones como o carvalho e sobretudo o castanheiro.

De Betanzos o caminho segue para “Abegondo e Bruma” ganhando progressivamente uma inclinação mais forte, sobretudo entre Abegondo e Bruma, onde conflui com a outra variante do Caminho Inglês proveniente da Corunha. O verde dos bosques e vales domina a segunda parte do Caminho até Santiago, embora não deixe de estar presente na orla das rias por onde se estende nos primeiros quilómetros Quem procura o Caminho Inglês pode contar, sem dúvida, com um trajecto calmo, onde se pode apreciar a natureza bem como a pacatez do quotidiano rural galego. A sombra dos bosques, na maior parte do seu trajecto, ajuda a torná-lo bastante agradável de percorrer. A chegada a Santiago é sempre especial, o aproximar da Praça do Obradoiro a faz-nos sentir cada vez mais intenso o espírito do Caminho. Em contraste com a alegria de mais uma etapa cumprida, é indisfarçável uma certa nostalgia, ficando a ideia, quase o compromisso, de repetir no ano seguinte.


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46 A caminho de “miño”

Pequena ponte medieval, já descaracterizada

Em “o miño” uma série de revigorantes mergulhos na ria

Plaza de los Hermanos García Naveira, Betanzos

Betanzos - ria


47 Peregrinos a cavalo

Bonita imagem de San Ppelayo

Bruma, na intercepção do troço proveniente da Corunha, peregrinos a Santiago Alçado lateral da pequena igrejinha de San pelayo de buscas”

Plaza do Obradoiro


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EM TERRAS DE LAPIÁS MAIS UMA ACTIVIDADE NOVOS TRILHOS. O DESTINO, DESTA VEZ: OS CAMPOS “SALOIOS” ENTRE O SABUGO E ALMORNOS, A SUL, E NEGRAIS, A NORTE; O MOTE, PARA ALÉM DA PAISAGEM: O CAMPO DE LAPIÁS DA GRANJA DOS SERRÕES. Texto e Fotografia:José Carlos Callixto


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Lapiás são formações típicas de terrenos cársicos, produzidas pela dissolução superficial de rochas calcárias ou dolomíticas. Formam-se à superfície do calcário e são constituídas por fendas, canais, buracos, fragmentos, campos de rochas, etc. A caminhada iniciou-se na pequena aldeia de Olelas. Cruzada a linha do Oeste, rumámos a norte, por vezes sob autênticos túneis de vegetação, até às formações quase mágicas da Granja dos Serrões. O campo de lapiás da Granja dos Serrões, também conhecido por “Museu da Pedra”, constitui um monumento natural dependente do Parque Campos de Olelas

Natural de Sintra - Cascais. Apesar do regime especial de protecção, encontra-se contudo bastante abandonado. Do campo de lapiás rumámos a Alfouvar e ao Carrascal de Negrais, ponto de inflexão para sul, rumo ao geodésico da Feteira e a Almargem do Bispo. Sempre com a Serra de Sintra em pano de fundo, passámos junto ao Centro de Satélites da Marconi. Antes da uma e meia, estávamos em Priores e logo a seguir em Almargem do Bispo. Seguiu-se a serra de Olelas, passando próximo do geodésico do mesmo nome, a 317 metros de altitude. Algumas passagens foram contudo ... a salto...


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caminhada

A caminho da Granja dos SerrĂľes, por tĂşneis de verde.


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CAMPO DE LAPIÁS DA GRANJA DOS SERRÕES ... UM VERDADEIRO MUSEU DA PEDRA.


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Verdes e belos sĂŁo os campos...! A Serra de Sintra em pano de fundo.

Lagartas multicoloridas (prĂłximo de Negrais).

A caminho de Almargem do Bispo.

caminhada

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Algumas passagens a salto, na Serra de Olelas …

Rumo ao geodésico de Olelas (317m alt.).

Serra e gruta de Olelas, ou Cova da Raposa.

Quase de regresso a Olelas, a parte final da caminhada incluiu no entanto ainda a subida do pronunciado vale da respectiva encosta sul, onde se situa a gruta de Olelas, também conhecida por Cova da Raposa. Para além da gruta propriamente dita, a vegetação cerrada e, por entre ela, as panorâmicas para a serra, fizeram deste troço um dos momentos mais espectaculares de uma caminhada que foi toda ela fantástica. Poucos minutos antes das três e meia, estávamos no ponto de partida, com 22 km percorridos. Mais uma bela jornada bem à maneira dos Novos Trilhos ... e que, como também é habitual, terminou com bolo de aniversário do mais recente aniversariante do grupo ... regado com uma excelente água pé...


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caminhada

Serra e gruta de Olelas, ou Cova da Raposa.

FICHA DO PERCURSO Tipo: Circular Extensão: 20,73 km Sinalizado: Não Grau de dificuldade: Moderado Mapa e track de GPS: http://pt.wikiloc.com/ wikiloc/view.do?id=15474389


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