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Nº. 30 . Ano III . 2013 . PVP: 2 € (IVA incluído)

passear sente a natureza

Sugestões de Natal

CAMINHADAS

Escritas na Água Viana do Alentejo Pelas terras de Arouca

Descobrir

Ponta dos Corvos


Correspondência - P. O. Box 24 2656-909 Ericeira - Portugal Tel. +351 261 867 063 www.lobodomar.net

Património um bem exclusivo www.passear.com

Director Vasco Melo Gonçalves Editor Lobo do Mar Responsável editorial Vasco Melo Gonçalves Colaboradores Catarina Gonçalves, Luisa Gonçalves.... Publicidade Lobo do Mar Contactos +351 261 867 063 + 351 965 510 041 e-mail geral@lobodomar.net

Grafismo

Contacto +351 965 510 041 emal: anagoncalves@lobodomar.net www.wix.com/lobodomardesign/comunicar

2 Registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social sob o nº. 125 987 Direitos Reservados de reprodução fotográfica ou escrita para todos os países

Capa Fotografia

Artigo Descobrir Ponta dos Corvos (pág. 70)

A recente Feira do Património, organizada pela Spira trouxe à discussão, entre outros temas, o papel do Património como fator de desenvolvimento do turismo cultural. Foi muito interessante observar as diferentes perspetivas de como o Património (material e imaterial) é encarado como fator de desenvolvimento económico de uma região/ país e, como essa mesma forma de encarar, reflete o estágio cultural do mesmo. Uma das ideias que retive foi transmitida por Rui Mateus na qual alertava que, uma pedra (entenda-se por património edificado) só por si não tem qualquer valor. O que lhe dá valor é a vivência/experiências que as pessoas têm ao visitá-la. Penso que a conjugação da visitação com as realidades imateriais da região, associadas ainda à gastronomia terão um impacto tão forte sobre o turista que lhe provocarão a sensação de uma vivência única e distinta. Este trabalho de proporcionar momentos únicos é árduo e teremos de o fazer em conjunto, de forma consistente mas, com uma definição rigorosa de quem pretendemos atrair/conquistar. Bons passeios Diretor vascogoncalves@lobodomar.net


Edição Nº.30

24 18 34 58 Sumário 04 ASSINATURA Especial Natal 06 Atualidades 14 Novo Código da Estrada 18 Sugestões de Natal 24 Destino: Concelho de Reguengos de Monsaraz 34 Destino: Concelho de Viana do Alentejo 42 Crónica: Uma semana ao ritmo da bicicleta 48 Crónica: Monte Perdido Extrem III 58 Caminhada Pequena Rota: Pelas terras de Arouca 70 Destino: Ponta dos Corvos 80 Falcoaria

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assinatura CAMPANHA especial de Natal

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passear nº 30


atualidades Formação para Guias Peregrinos 6

Esta formação vai ter lugar na Sede da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima no Porto da Luz (Alenquer). Começa na sexta-feira dia 15 de Novembro, pelas 19:00 e termina domingo 17 de Novembro pelas 18:00. Esta formação é essencialmente prática e aborda detalhadamente a organização das peregrinações pelos campos: Logística, GPS, navegação, organização da mochila, condução do grupo, gestão de esforço, motivação pessoal, organização das dormidas, respeito pela natureza, manutenção do caminho, primeiros socorros e suporte básico de vida, evacuações, alimentação, gestão de inscrições, preparação física antes da peregrinação, chegada aos Santuários, dimensão pessoal, dimensão comunitária e paroquial, dimensão religiosa. Cada participante deve trazer o kit completo de peregrino com mochila. http://www.caminho.com.pt/mochila.html O valor da formação é €70 e que serão utilizados para cobrir os custos de alimentação e o valor restante serve para angariar fundos para equipar o Albergue Porto da Luz Esta formação está limitada a vinte alunos (Guias) Podem fazer a inscrição: http://www.caminho.com.pt/guias.html


atualidades Lançamento da aplicação interativa Mediterranean Birds

Seminário TURISMO E PATRIMÓNIO CULTURAL: OPORTUNIDADES E DESAFIOS Na Casa Artes, Porto, de 14 a 15 Novembro numa iniciativa da Pportodosmuseus.pt, Fundação da Juventude e Direcção Regional de Cultura do Norte. Programa Painel I – Equipamentos Culturais: Museus, Monumentos e Sítios Painel II – Eventos com raiz no Património Painel III – Touring Cultural Painel IV – Tradições e Memória Inscrição: 10€ | Formulário de inscrição disponível online Contacto: turpatrimonio@gmail.com

O projeto Mediteraves, financiado pelo programa Leonardo da Vinci, e que tem como objetivo promover o turismo sustentável de birdwatching nas áreas da Rede Natura 2000, está prestes a dar um salto gigante. Uma nova aplicação para smartphones (androide) está agora disponível online, dirigida a turistas e interessados em observação de aves. Com esta aplicação, é possível planear viagens de observação de aves, usando mapas interativos, listas de espécies, e outras informações disponíveis para todas as Áreas Importantes para as Aves (IBA – Important Bird Areas) de Portugal, Espanha, Grécia e Chipre – países parceiros do projeto. Descarregar aplicação: https:// p l a y. g o o g l e . c o m / s t o r e / a p p s / details?id=com.rai.iberianbirdsuk Fonte: SPEA

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atualidades 8

16.ª Festa da vinha e do vinho Consciente da importância da vinha e do vinho na história, geografia e economia do concelho, e da região, o Município de Arruda dos Vinhos, em colaboração com diversas entidades do Concelho, organiza desde 1998 a Festa da Vinha e do Vinho. Em 2013 realiza-se a 16.ª Festa da Vinha e do Vinho, que decorrerá de 14 a 17 de novembro. Este é um certame que decorre no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos e que pretende promover os vinhos, a gastronomia, o artesanato e as tradições associadas à produção vitivinícola. No recinto, vários restaurantes e tasquinhas promovem uma mistura de odores e sabores característicos da gastronomia local e regional, aliada aos bons vinhos, um ex-libris do concelho. Um conjunto de espetáculos, que pretende atingir as várias gerações, anima o espaço e garante ao visitante momentos de prazer e diversão. O artesanato do concelho e da região assume um lugar de destaque. Pequenas “Bruxas d’Arruda” em pano e réplicas de alfaias agrícolas em madeira são alguns exemplos do que os artesãos têm para mostrar. Os produtores de vinho do Concelho assumem um lugar de destaque neste certame. Aqui o visitante poderá provar a grande e diversificada oferta existente. E para apreciar a paisagem onde as vinhas estão implementadas a organização convida toda a população a participar no Passeio Pedestre “Rota da Vinha e do Vinho” e no Passeio BTT “Rota das Tabernas” que decorrerá durante o certame.


Organização/Organization

Colaboração/Collaboration

Transportador Oficial/Official Transport


atualidades Portugal recebe reunião internacional de turismo e comunicação

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Portugal foi escolhido pela Organização Mundial de Turismo (OMT) para receber a próxima conferência internacional de turismo e meios de comunicação. Entre 2 e 3 de dezembro, 200 profissionais nacionais e estrangeiros ligados aos dois setores vão debater no Estoril de que forma os novos canais de comunicação estão a transformar as notícias no setor e, com isso, a sua perceção mundial. O objetivo da conferência, que decorre no Hotel Palácio do Estoril, é aumentar o reconhecimento editorial e a cobertura do setor turístico pelos média e posicionar o turismo ao mais alto nível na agenda global, dando a conhecer a sua importância enquanto motor económico e a nível social e ambiental. Durante um dia e meio, profissionais dos meios de comunicação e dos novos média, correspondentes, agências de comunicação e relações públicas, associações e representações de turismo, além de outras entidades ligadas à economia, vão debater formas de melhorar a interação entre os meios de comunicação e o setor turístico para valorizar e reforçar a notoriedade deste setor. A conferência é coorganizada pelo Turismo de Portugal e pela Organização Mundial do Turismo. A revista alemã de turismo FVW é o parceiro internacional de média, estando a cobertura do evento a cargo da cadeia de televisão CNN. As edições anteriores da Conferência foram realizadas no Egito (2012) e na Croácia (2011).


atualidades

III Festival da Bicicleta solidária Este ano o Festival da Bicicleta vai ser ainda mais animado! Mais música, passeio Cycle Chic, Atividades para crianças e muito mais! Não vai faltar, como habitualmente, o encontro e passeio de bicicletas antigas, passeio para todas as bicicletas, cicloficina e animação com Kumpania Algazarra. Marque já na sua agenda e não se esqueça de levar géneros alimentares para instituições de solidariedade. Dia 24 de Novembro, Domingo, concentração pelas 10 horas no Terreiro do Paço. Inscrições gratuitas mas obrigatórias, só têm de levar a sua contribuição em géneros alimentares. Inscreva-se já em: https://app.wevent.pt/detalheEvento.

1ª Feira do Património, um sucesso A 1ª Feira Patrimonio.pt Millennium Bcp decorreu nos passados dias 18, 19 e 20 de Outubro, no Museu de Arte Popular em Belém, contando com 41 12 instituições públicas e privadas na qualidade de expositores. O evento que incluiu Ateliês, Concertos, um Seminário Internacional, um Debate sobre Rotas de Turismo-cultural, e a presença tanto do Secretário de Estado da Cultura, como do Secretário de Estado do Turismo, saldou-se num balanço francamente positivo: 86% dos expositores participantes a afirmarem que voltariam a participar numa nova edição da Feira, sendo que a restante percentagem de expositores referiu “a avaliar”, não tendo por isso havido qualquer “não”. A Spira, entidade organizadora, efetuou um trabalho de grande qualidade ao reunir individualidades nacionais e estrangeiras, de diferentes áreas, no seminário

internacional “Património, Economia, Turismo: Um Caminho de Futuro” que ajudaram a pensar as questões do Património e Cultura inseridas numa sociedade em que a economia está cada vez mais presente. Durante os trabalhos foram apresentadas diversas experiências que retratavam uma nova forma de lidar com património e a cultura no sentido de proporcionar experiências gratificantes. Sem dúvida que esta troca de informação irá ajudar Portugal a encarar de uma forma diferente o seu Património. Esperamos ansiosamente pela 2ª. Edição!


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Novo C贸digo da Estrada

O que devemos saber para estar dentro da lei!


COM A ENTRADA EM VIGOR DO NOVO CÓDIGO DA ESTRADA A 1 DE JANEIRO DE 2014 É NECESSÁRIO SABER O QUE ELE VAI ALTERAR NO QUE DIZ RESPEITO AOS CONDUTORES DE VELOCÍPEDES. DEPOIS DE UMA LEITURA DO DOCUMENTO, APRESENTAMOS ALGUMAS INFORMAÇÕES QUE ACHÁMOS RELEVANTES. Artigo 14.º-A Rotundas 2 – Os condutores de veículos de tração animal ou de animais, de velocípedes e de automóveis pesados, podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem nos termos da alínea c) do n.º 1. Artigo 17.º Bermas e passeios 1 – Os veículos só podem circular nas bermas ou nos passeios desde que o acesso aos prédios o exija, salvo as exceções previstas em regulamento local. 2 – Sem prejuízo do disposto no número anterior, os velocípedes conduzidos por crianças até 10 anos podem circular nos passeios, desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões. 3 – Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de € 60 a € 300. Artigo 32.º Cedência de passagem a certos veículos 3 – Os condutores devem ceder passagem aos velocípedes que atravessem as faixas de rodagem nas passagens assinaladas. 5 – Os condutores de velocípedes a que se refere o n.º 3 não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respetiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.

Artigo 38.º Realização da manobra 2 - O condutor deve, especialmente, certificar-se de que: e) Na ultrapassagem de velocípedes ou à passagem de peões que circulem ou se encontrem na berma, deve guardar-se a distância lateral mínima de 1,5 metros e abrandar a velocidade. Artigo 77.º Vias de trânsito reservadas 1 – Pode ser reservada a utilização de uma ou mais vias de trânsito ao trânsito de veículos de certas espécies ou a veículos afetos a determinados transportes, sendo proibida a sua utilização pelos condutores de quaisquer outros. 3 – Pode ser permitida em determinados casos a circulação nas vias referidas no n.º 1 por veículos de duas rodas, mediante deliberação da Câmara Municipal competente em razão do território. Artigo 78.º Pistas especiais 1 – Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas. Artigo 78º A Zonas de coexistência 1 – Numa zona de coexistência devem ser observadas as seguintes regras: a) Os utilizadores vulneráveis podem utilizar toda a largura da via pública; b) É permitida a realização de jogos na via pública; c) Os condutores não devem comprometer a segurança ou a comodidade dos demais utentes da via pública, devendo parar se necessário; d) Os utilizadores vulneráveis devem abster-se de atos que impeçam ou embaracem desne-

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cessariamente o trânsito de veículos; e) É proibido o estacionamento, salvo nos locais onde tal for autorizado por sinalização; f) O condutor que saia de uma zona residencial ou de coexistência deve ceder passagem aos restantes veículos. 2 – Na regulamentação das zonas de coexistência deverão observar-se as regras fundamentais de desenho urbano da via pública a aplicar nas zonas referidas no presente artigo, tendo por base os princípios do desenho inclusivo, considerando as necessidades dos utilizadores vulneráveis, inclusive com a definição de uma plataforma única, onde não existam separações físicas de nível entre os espaços destinados aos diferentes modos de deslocação. 3 – Quem infringir o disposto nas alíneas c), d) e e) do n.º 1 é sancionado com coima de €60 a € 300. 4 – Quem infringir o disposto na alínea f) do n.º 1 é sancionado com coima de € 90 a €450. Artigo 90.º Regras de condução 2 – Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou durante engarrafamentos, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito. 3 – Os condutores de velocípedes devem transitar pelo lado direito da via, conservando das bermas ou passeios uma distância suficiente que permita evitar acidentes. Artigo 91.º Transporte de passageiros 2 - Os velocípedes só podem transportar o respetivo condutor, salvo se: a) Forem dotados de mais de um par de pedais capaz de acionar o veículo em simultâneo, caso em que o número máximo de pessoas a transportar corresponde ao número de

pares de pedais e em que cada pessoa transportada deve ter a possibilidade de acionar em exclusivo um par de pedais; b) Forem concebidos, por construção, com assentos para passageiros, caso em que, além do condutor, podem transportar um ou dois passageiros, consoante o número daqueles assentos; c) Se tratar do transporte de crianças com idade inferior a 7 anos em dispositivos especialmente adaptados para o efeito. 3 - Nos velocípedes a que se refere a alínea b) do número anterior, deve ser garantida proteção eficaz das mãos, dos pés e das costas dos passageiros. 4 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 60 a €300. Artigo 96.º Remissão As coimas previstas no presente Código são reduzidas para metade nos seus limites mínimos e máximo quando aplicáveis aos condutores de velocípedes, salvo quando se trate de coimas especificamente fixadas para estes condutores. Artigo 103.º Cuidados a observar pelos condutores 1 - Ao aproximar-se de uma passagem de peões ou velocípedes assinalada, em que a circulação de veículos está regulada por sinalização luminosa, o condutor, mesmo que a sinalização lhe permita avançar, deve deixar passar os peões ou os velocípedes que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem. 2 - Ao aproximar-se de uma passagem para peões ou velocípedes, junto da qual a circulação de veículos não está regulada nem por sinalização luminosa nem por agente, o condutor deve reduzir a velocidade e, se necessário, parar para deixar passar os peões ou velocípedes que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem. 3 - Ao mudar de direção, o condutor, mes-


mo não existindo passagem assinalada para a travessia de peões ou velocípedes, deve reduzir a sua velocidade e, se necessário, parar a fim de deixar passar os peões ou velocípedes que estejam a atravessar a faixa de rodagem da via em que vai entrar. Artigo 112º Velocípedes 1 - Velocípede é o veículo com duas ou mais rodas acionado pelo esforço do próprio condutor por meio de pedais ou dispositivos análogos. 2 - Velocípede com motor é o velocípede equipado com motor auxiliar com potência máxima contínua de 0,25 kW, cuja alimentação é reduzida progressivamente com o aumento da velocidade e interrompida se atingir a velocidade de 25 km/h, ou antes, se o condutor deixar de pedalar. 3 - Para efeitos do presente Código, os velocípedes com motor, as trotinetas com motor, bem como os dispositivos de circulação com motor

elétrico, autoequilibrados e automotores ou outros meios de circulação análogos com motor são equiparados a velocípedes. Artigo 113.º Reboque de veículos de duas rodas e carro lateral 1 - Os motociclos, triciclos, quadriciclos, ciclomotores e velocípedes podem atrelar, à retaguarda, um reboque de um eixo destinado ao transporte de carga. 2- Os velocípedes podem atrelar, à retaguarda, um reboque de um eixo especialmente destinado ao transporte de passageiros e devidamente homologado. 3- Os velocípedes podem ainda ser equipados com uma cadeira especialmente concebida e homologada para o transporte de uma criança.

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Entre o Silêncio das Pedras

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Autor: Luis Ferreira “Quando Pedro Marques, um brilhante escritor, perde o amor da sua vida num trágico acidente de viação, utiliza a bebida como companhia e afasta-se de tudo e de todos, afundando-se por completo num mundo de trevas que tornam os seus dias sombrios. Entretanto, um velho livro chega-lhe às mãos e com ele decide iniciar o caminho de Santiago, uma viagem que irá mudar completamente a sua vida e que o levará à descoberta da sua própria natureza.” O preço de capa é 18,90 €

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DESTINO: CONCELHO DE REGUENGOS DE MONSARAZ

ESCRITA NA ÁGUA TEXTO E FOTOGRAFIA: VASCO DE MELO GONÇALVES


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EM PLENA HERDADE DO ESPORÃO FOMOS CONHECER UMA DAS REGIÕES MAIS DESENVOLVIDAS DO ENOTURISMO E TURISMO DE NATUREZA ATRAVÉS DO PERCURSO ESCRITA NA ÁGUA.


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A poucos quilómetros de Reguengos de Monsaraz, a Herdade do Esporão é um ex-libris do Enoturismo tendo, recentemente, apostado também no Turismo de Natureza com especial enfoque na observação de aves. A sua localização geográfica, junto à albufeira do Alqueva, rio Degebe e ribeira da Caridade, garante a observação de uma grande variedade de aves. A exposição fotográfica temática que pode ser vista no interior das instalações da herdade é uma mostra da potencialidade da região no que diz respeito ao birdwatching. A nossa caminhada circular teve início junto à famosa Torre do Esporão é o edifício mais importante e representativo de todo o conjunto que compõe a Herdade do Esporão. No rés-do-chão da Torre pode visitar-se um Museu Arqueológico, onde estão expostos diversos achados do Esporão e peças do Povoado dos Perdigões. A Torre do Esporão, uma das mais importantes torres construídas na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, terá sido edificada pelo Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, entre os anos 1457 e 1490. Mesmo junto à Torre temos a Ermida de

Nossa Senhora dos Remédios um imóvel de interesse público que foi edificada no início do século XVI.

O PERCURSO O percurso da Escrita na Água não é muito exigente do ponto de vista físico contudo, não deverá ser feito com muito calor. Apesar de caminharmos, durante alguns quilómetros, junto à água o calor poderá tornar insuportável a nossa progressão. Ao nível da paisagem, a sua diversidade (vinha, montado, eucaliptal, planos de água) torna o percurso muito agradável e pouco monótono. Quando realizámos o nosso trajeto tivemos a oportunidade de refrescarmo-nos nas águas da ribeira do Degebe. Como o percurso foi feito no período da manhã, a jornada terminou à mesa do restaurante da Herdade do Esporão onde degustámos os seus famosos azeites e vinhos numa refeição perfeita. O preço não é baixo mas, se queremos qualidade, temos que a pagar! Após a refeição ainda tivemos tempo para uma volta pelas instalações e observar a chegada das uvas!


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FICHA DO PASSEIO Tipo: Circular Extensão: 20,9 km Sinalizado: Não Duração: 4h 45m Velocidade média: 4,4 km/h Dificuldade: 3

Track de GPS: http://ridewithgps.com/routes/3420633 INFORMAÇÕES ÚTEIS ONDE FICAR

Monte do Laranjal Monsaraz 917 857 423 / http://www.montedolaranjal.com Enoturismo Herdade do Esporão Herdade do Esporão 7200-999 Reguengos de Monsaraz

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Destino: Concelho de Viana do Alentejo

Entre barragens e pedreiras A ALCÁÇOVAS OUTDOOR TRAILS É COMPOSTA POR GUIAS LOCAIS DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DE ALCÁÇOVAS E ORGANIZA CAMINHADAS NA ÁREA DO CONCELHO DE VIANA DO ALENTEJO E ARREDORES. AS PROPOSTAS DE PERCURSOS QUE APRESENTAMOS SÃO DE SUA AUTORIA. AO NÍVEL DO ALOJAMENTO SUGERIMOS A CASA SANTOS MURTEIRA, EM ALCÁÇOVAS, QUE FAZ PARTE DA REDE DE SOLARES DE PORTUGAL.

www.solaresdeportugal.pt

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DE ALCÁÇOVAS AO RIO XARRAMA (BTT) Percurso circular com 23,62 km de extensão em caminhos rurais, muito bonito na Primavera, ideal para BTT. Descarregar track de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2285965

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PASSEIO AO CONVENTO Percurso na planície começa e finda em Alcáçovas, com 10,83 km de extensão e com passagem em vários pontos de interesse, tais como a Capela do Senhor da Pedra, Convento e Calçadinha Romana. Descarregar track de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2320298

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BARRAGEM DO ALVITO (MONTE ABAIXO) Percurso muito pequeno nas margens da Barragem de Alvito, ideal para se fazer no Verão, quando a cota está mais baixa e se pode prolongar o passeio pelas margens. Embora já no Concelho de Portel, este percurso é muito próximo de Viana do Alentejo e é ideal para famílias que gostem também de pescar.

Descarregar track de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2479548

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VIANA DO ALENTEJO, ENTRE A SERRA E O SANTUÁRIO Excelente percurso circular com 11,23 km de extensão em Viana do Alentejo, que os permite conhecer a vila, o seu Santuário, a Serra de S. Vicente e as suas Pedreiras de Mármore Verde, abandonadas há anos. Descarregar track de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=3933098

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crónica

UMA SEMANA AO RITMO DA BICICLETA. DE SETÚBAL A SAGRES, 320 KM DE PRAIAS E DE VIDA SAUDÁVEL. Parte III de V – De Vila Nova de Milfontes à Zambujeira do Mar TEXTO E FOTOGRAFIA PAULO GUERRA DOS SANTOS / www.ecoviasportugal.pt

Para ler a Parte I (página 26) clique aqui Para ler a Parte II (página 30) clique aqui

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Hoje ficámos por Vila Nova de Milfontes. Estamos de férias e queremos aproveitar para descansar. Não é que pedalar 50 km por dia seja esgotante mas acabámos de entrar no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e queremos usufruir da paz e da serenidade que se vivem por aqui. Mesmo sendo Julho, nesta zona do país estamos longe das multidões que por norma afluem às zonas estivais de outras longitudes, onde o turismo de praia está mais massificado. Aproveitamos assim para visitar durante

a manhã dois pontos de interesse turístico nas proximidades desta vila alentejana: os moinhos de maré e os antigos viveiros de peixe, agora descativados. Localizados a cerca de 3 quilómetros do centro da vila, na margem direita do Rio Mira, os moinhos que outrora transformavam sementes em farinha eram alimentados pela força da água, capturada em represas na maré alta e libertada na maré baixa. Desta forma, aproveitava-se o diferencial de cota de 2 ou 3 metros entre uma maré e outra,


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conseguindo-se assim a energia necessária para acionar as noras de madeira, ligadas à pedra de moer. Ainda se podem visitar estes moinhos, recentemente recuperados por um casal holandês que converteu (com muito bom gosto) as antigas casas e armazéns dos moleiros num empreendimento turístico onde se respira tranquilidade. Os viveiros de peixe, agora descativados, criam formas recortadas num dos braços do Mira. Podem ser apreciados de cima, enquanto descemos a encosta que nos leva até eles.

Aqui também pode observar-se de perto um pequeno porto de pesca, algo informal, mas com muitos barcos de pequeno porte aqui atracados. O trilho para lá chegar só pode ser percorrido a pé, pelo que deixamos as bicicletas por breves instantes para apreciar alguns pescadores que chegam da sua faina. Já a tarde é reservada para uma ida à praia, com direito a petiscos e jantarada ao final do dia num dos muitos restaurantes locais. Apesar da rica e variada gastronomia desta região, somos completamente conquistados pelas pizas de


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uma pequena tasca com esplanada no centro da vila. As massas são altamente energéticas e como tal não sentimos culpa absolutamente nenhuma enquanto degustamos fatias com variados recheios e molhos. Depois de um dia de descanso e de reforços energéticos variados, chega de novo um dia de pedaladas. Mas a etapa de hoje é curta, nem chega aos 40 quilómetros e apesar de termos que descer a algumas praias, a altitude acumulada em subida não ultrapassa os 300 metros. A saída de Milfontes faz-se obrigatoriamente pela única ponte existente em dezenas de quilómetros e que apesar de ser atravessada por uma estrada nacional não tem assim tanto tráfego automóvel e ainda foi dotada de uma generosa berma, sobrelargura mágica para quem gosta de viajar em bicicleta num conceito de turismo slow travel. Pedalamos

pouco mais de 2 quilómetros e desviamos logo por estradões de serventia rural. Com o macadame em bom estado para circulação de bicicletas é um prazer pedalar entre quintas, montes e zonas de pasto. Inclinações suaves, muitas vezes planas, tornam este passeio muito fácil do ponto de vista do esforço físico. E tecnicamente, até uma criança de 7 anos conseguia sem dificuldade fazer este percurso. Assim avançamos calmamente pelos estradões desta planície alentejana e mais uma vez avistamos cegonhas. São aos bandos e ficamos surpreendidos com a quantidade de indivíduos desta espécie agora protegida por lei. Dizem-nos alguns locais que, apesar de há alguns anos o seu avistamento ter chegado a ser algo de raro, recentemente o seu número aumentou ao ponto de agora estarem próximo de serem consideradas uma praga. Seja como


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for, é uma ave extraordinariamente bela tanto na serenidade do seu voo como nos seus suaves passos em terra enquanto procura alimento. Depois de visitarmos Almograve e contemplar a praia, lá mais em baixo, pedalamos até uma das zonas mais bonitas do passeio de hoje: o Cabo Sardão, que com o seu farol afasta os navios das escarpadas e geologicamente belas falésias oceânicas. Estar neste extremo de terra faz-nos sentir reflexivos enquanto observamos as diversas camadas de rocha, sobrepostas ao longo de milhões de anos e enrugadas pela exposição a diferentes pressões devidas aos movimentos tectónicos da superfície da terra. O mar também contribui para os estragos visíveis causados pela erosão da força das ondas. Este é também um excelente local para observação de aves, nomeadamente de gaivotas que nidificam em qualquer saliência das escarpas rochosas e

sobrevoam o mar junto ao topo da falésia, à mesma cota em que nós as observamos. É de uma elevada beleza observar tão de perto o voo destas aves que quase não necessitam de bater as asas pois aprenderam a fazer uso das correntes de ar, resultado do embate dos ventos oceânicos nestas encostas e consequente compressão num movimento ascendente que lhe aumenta a velocidade, proporcionando assim a estas aves a possibilidade de pararem em pleno voo. Ficamos aqui perto de meia hora, a contemplar também a ténue linha curva do horizonte formado pelos azuis do mar e do céu. Apesar de a ciência nos ensinar na atualidade muita coisa sobre o planeta Terra, o nosso imaginário leva-nos a questionar sobre o que existirá do outro lado daquela linha.

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crónica

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Seguimos agora em direção à Zambujeira do Mar. Rolamos em asfalto até Porto das Barcas. Sem exagero, nesta estrada devem ter passado por nós 3 automóveis ao longo destes 10 km de asfalto. Que maravilha e que sossego. Assim podemos observar na plenitude as enormes quintas de cultivo e de criação de gado que nos cercam. De porto das Barcas até ao nosso destino final faltam 3 quilómetros e apesar de existir aqui um corredor em terra dedicado em exclusivo a veículos não motorizados seguimos pela estrada asfaltada uma vez que o volume de tráfego automóvel é muito reduzido. E assim estes 5 portugueses, um espanhol e um dinamarquês chegam com as suas bicicletas e os seus alforges à Zambujeira do Mar. E que chegada, pois paramos mesmo no miradouro junto à Capela da Senhora do Mar, um ponto

alto com uma vista fabulosa sobre as praias, o oceano e as falésias. Antes de irmos dar uns mergulhos, vamos guardar as bicis. Esta noite vamos pernoitar num novo hostel, daqueles onde se respira um ar descontraído, tem uma sala de estar e uma cozinha para uso comum. É económico e não podia ser mais central, muito próximo da praia. E tem um logradouro, ótimo para guardar em segurança este nosso divertido, saudável e ecológico meio de transporte. Já pode visualizar mais fotos bem como os trilhos do troço 1-19 da Ecovia do Atlântico em www.ecoviasportugal.pt Não perca na próxima edição da Revista Passear o relato e fotos desta viagem em bicicleta até Sagres, na etapa entre Zambujeira do Mar e Aljezur.


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1 – Rio Mira, Vila Nova de Milfontes 2 – Porto de Pesca, Rio Mira 3 – Estradão em macadame, Almograve 4 – Farol, Cabo Sardão 5 – Oceano Atlântico, Cabo Sardão 6 – Gaivotas, Cabo Sardão 7 – Falésias, Cabo Sardão 8 – Proximidades de Zambujeira do Mar 9 – Praia de Zambujeira do Mar


CRÓNICA:

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MONTE PERDIDO EXTREM III

... OU QUANDO ATRAVESSO A BRECHA DE ROLANDO! TEXTO E FOTOGRAFIA: JOSÉ CARLOS CALLIXTO / http://porfragasepragas.blogspot.pt

Etapa 3 (Domingo 7 de Julho): Sarradets - Brecha de Rolando - Góriz (8km) Duração: 5 horas Altitude mín.: 2190m (Refúgio de Góriz) / Desnível positivo: 457m Altitude máx.: 2810m (Brecha de Rolando) / Desnível negativo: 810m CONTA A LENDA QUE NO ANO DE 778, EM PLENA OCUPAÇÃO MUÇULMANA DA PENÍNSULA IBÉRICA, ROLANDO, SOBRINHO DE CARLOS MAGNO, DERROTADO EM RONCESVALLES E FUGINDO DOS SEUS PERSEGUIDORES, ENCONTROU UMA PAREDE ROCHOSA INTRANSPONÍVEL, ANTES DE CHEGAR À VERTENTE FRANCESA DOS PIRENÉUS. PARA EVITAR QUE A SUA ESPADA DURANDARTE CAÍSSE NAS MÃOS DO INIMIGO, E SENTINDO-SE ENCURRALADO, ROLANDO LANÇOU-A VIOLENTAMENTE CONTRA A ROCHA ... PROVOCANDO COM ESTE ACTO UMA BRECHA QUE SE ABRIU NA MONTANHA. GRAÇAS A ESTA BRAVEZA, ROLANDO LOGROU CONTEMPLAR TERRAS DE FRANÇA ANTES DE MORRER ... E A BRECHA FICOU CONHECIDA COMO LA BRÈCHE DE ROLAND.


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7.07.2013, 6:30h ... e a Brecha de Rolando acorda com as cores do nascer do Sol

Às seis e meia da manhã, a montanha acordava à volta do Refúgio de Sarradets, para um novo dia que despontava magnífico. As cores do nascer do Sol espelhavam-se nas paredes rochosas da Brecha de Rolando, no Circo de Gavarnie, em todo o esplendor da Natureza à nossa volta. Para nosso espanto, vários montanhistas dormiam ainda ... no terraço do refúgio, ao ar livre, seguramente em sacos cama bem térmicos, já que a temperatura matinal era bem baixa. Na sala de refeições do Refúgio, a lenda de Rolando e da sua mágica espada, levava-nos a viajar no tempo e nas

^ A montanha acorda para um novo dia que desponta ^ Na plataforma do Refúgio, alguns ainda dormem…

brisas da imaginação, da história e das estórias. E às oito e meia iniciávamos a subida dos últimos 220 metros de desnível que nos separavam da Brecha, em lenta progressão na neve. Aproximarmo-nos da Brecha de Rolando, vermos aumentar gradualmente a altura daquele descomunal paredão rochoso, olharmos para trás e contemplarmos a panorâmica sublime que se nos abre sobre a plataforma de Sarradets, o circo de Gavarnie à direita, a cumeada de Boucharo ao Vignemale à esquerda ... tudo


nos faz parecer estar a viver um sonho ... um sonho que se tinha tornado realidade! Às nove e meia da manhã atravessámos a Brecha de Rolando, a 2810 metros de altitude. “Aujourd’hui encore, si on cherche bien, on peut trouver des petits morceaux de Durandal autour de la Brèche de Roland et on peut être sûre que Roland est passé par là!” Às 8:25h começámos a 3ª etapa, deixando para trás o Refúgio de Sarradets ...

50 Aproximando-nos da mítica Brecha de Rolando!


Estas terão sido as terras de França que Rolando viu ao abrir a Brecha ...

Estas as terras de Espanha que deixava para trás e que nós agora tínhamos pela frente! Ao fundo, o vale de Ordesa.

Atravessada a Brecha e regressados a terras aragonesas, a organização do Monte Perdido Extrem e os guardas do Refúgio de Sarradets aconselhavam-nos a descer ao Collado de Millars, em vez de seguir o trilho do Paso de los Sarrios e da Gruta de Casteret, dada a enorme acumulação de neve. Apesar de curta em extensão, esta etapa foi aliás praticamente toda em neve, com crampons. Um pouco acima ainda dos 2300 metros de altitude, começamos a ver o Refúgio de Góriz ... e o vale de Ordesa! É uma sensação estranha e ao mesmo tempo “mágica”, esta de começar agora a ver um local que se conhece, onde já se esteve várias vezes, mas a que agora se chega e que agora se vê ... vindos das alturas! Atravessamos um campo de lapiás sensivelmente aos 2300 metros; estávamos, finalmente, em rocha! E pela

uma e meia da tarde estávamos em Góriz, no Refúgio também chamado de Delgado Ubeda, presidente da Federação Espanhola de Montanha e impulsionador da sua construção, no início dos anos 60 do século passado. Para além da travessia da mítica Brecha de Rolando, o terceiro dia deste fabuloso Monte Perdido Extrem incluía a eventual ascensão ao cume do Monte Perdido, a 3355 metros de altitude, já que a distância e o desnível entre Sarradets e Góriz eram os menores das 4 etapas. Mas a subida ao cume seria sempre extra circuito, a partir do Refúgio de Góriz. A quantidade de neve, as dificuldades já passadas principalmente no primeiro dia e a falta de experiência em condições tão adversas ditaram contudo o cancelar daquele extra ... excepto para os dois “profissionais” da nossa equipa de quatro, que continuaram

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53 Rumo ao Collado de Millars, abaixo do Paso de los Sarrios e da Gruta gelada de Casteret.


Ao longo do Plan de Millars.

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Ao fundo, Ă  direita, o Canyon de Ordesa.


Finalmente rocha...! Lapiรกs a 2300m alt.

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Refúgio de Góriz.

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v Barranco de Góriz: as águas que correm para a grande cascata de Cola de Caballo.

v Vista “aérea” do vale de Ordesa ...

E o destino está à vista, à direita na imagem. Ao fundo, a cascata de Gavarnie


a programá-lo para a manhã do último dia. Esta terceira etapa foi assim a menos dura das quatro, com um resto de tarde de algum descanso no terraço de Góriz, mas também com uma pequena incursão até aos 2000 metros de altitude, praticamente por cima da grande cascata de Cola de Caballo, bem conhecida de anteriores “aventuras” no vale de Ordesa que tínhamos agora aos pés! Góriz foi o melhor dos três refúgios de montanha utilizados no circuito do Monte Perdido Extrem. Este ... até tinha o luxo de possuir duches ... de água fria, pois claro! Segundo um companheiro catalão, também ele integrante de um grupo a fazer o Monte Perdido Extrem, a torneira tinha duas posições: fria ... e muito fria...! Até os ossos se queixaram daquela “aventura” de tomar um duche... E, à hora dele, o Sol deitou-se lá ao fundo, sobre o vale de Ordesa, num ocidente de todas as cores. O dia seguinte seria o do regresso a Pineta, completando o “círculo mágico” à volta do maciço calcário do Monte Perdido.


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Caminhada: Pequena Rota

Pelas terras de Arouca Texto e Fotografia: António Freitas / Grupo Pénotrilho

O GRUPO PÉNOTRILHO DE BRAGA SUGERE PARA ESTE MÊS UMA CAMINHADA NA REGIÃO DE AVEIRO, MAIS PROPRIAMENTE EM AROUCA.


Nome do percurso: Rota do Xisto Tipo de percurso: Caminhos rurais, tradicionais e de montanha. Local: Canelas

(Arouca)

Distância: 16 km Dificuldade: Moderada Sinalizado: Sim

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Aldeia de Canelas

A “ Rota do Xisto” é um percurso em circuito de pequena rota, homologado, marcado nos dois sentidos. Ao longo de 16 km que compõem a denominada Rota do Xisto, acompanhamos por diversas vezes os “SSS” do Rio Paiva. O Rio Paiva é um rio português que nasce na Serra de Leomil, mais especificamente na freguesia de Pêra Velha pertencente ao concelho de Moimenta da Beira e desagua no Douro em Castelo de Paiva. O percurso tem vários pontos de especial interesse como, por exemplo, a aldeia de

Canelas, o miradouro com vista para dos locais mais selvagens e inacessíveis do Rio Paiva de onde se pode ver a imponente queda de água das Aguieiras ou a praia do Vau, onde também existe uma cascata, passando também por minas e moinhos abandonados, assim como de uma vasta zona florestal onde domina os eucaliptais. O PERCURSO Iniciamos o trilho junto à Igreja Matriz de Canelas, o percurso segue por ruelas até chegar a Aldeia de Cima onde se inicia a subida


Canelas

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até ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC). O CIGC-Arouca é um Museu de Sítio, conhecido internacionalmente pela recolha, inventariação e exposição das maiores Trilobites do Mundo. Constituindo-se como um exemplo ímpar de cooperação entre a indústria extrativa, a ciência e a educação, presta um Serviço Educativo e um Turismo Científico de elevada qualidade. Atenção que a visita ao CIGC é só por marcação. Link: http://www.cigc-arouca.com/ A subida realiza-se por caminhos de terra, alcatrão e pé posto não apresentando dificuldades de maior. Junto ao CIGC o percurso atravessa a EN3261 e segue por caminhos de terra. Cerca de 1km à frente encontra-se o ponto mais

elevado do percurso, aproximadamente 581m. Deste ponto é possível ter uma perspetiva sobre Canelas e o vale por onde corre o Rio Paiva nomeadamente o seu trecho final com a Serra de Montemuro como pano de fundo. Até chegar às minas o caminho não apresenta qualquer dificuldade. Pelo meio passa-se pela Aldeia de Vilarinho, muito engraçada. A vista sobre a Cascata das Aguieiras merece uma paragem obrigatória para contemplar a paisagem e retemperar forças. Do miradouro ao rio são quase 300m de desnível quase na vertical. Este olhar sobre a cascata e o rio correndo selvagem, com a vila de Alvarenga no topo e a Serra de Montemuro ao fundo, ganha ainda mais espetacularidade quanto maior o caudal de água. Continuando o caminho passa-se pela entrada de duas minas onde no início do séc. XX se


Canelas

61 Canelas


CIGC

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explorava o minério de Volfrâmio. Caminhando por entre eucaliptais, segue-se encosta abaixo até à praia fluvial do Vau por carreiros e quelhos antigos embrenhando-se num bosque de folhosas onde predominam os carvalhos. Este carreiro requer alguma destreza de movimentos quando o piso se encontra com alguma humidade, não vá o pé escorregar e estatelar-se no chão, bom… não seria a primeira vez. Chegando ao Vau à que contemplar a paisagem, o rio e a cascata do Ribeiro da Estreitinha que aí se entrega ao Paiva, este local transmite uma paz enorme, vale a pena uma paragem para escutar o murmurar do rio assim como o chilrear da passarada. Seguindo o percurso temos duas opções, ou subimos pela calçada ou prosseguimos paralelo ao rio até aos moinhos, cerca de 1km, por um

carreiro que se torna muito perigoso se o mesmo estiver muito húmido, o nosso grupo na altura optou por subir a calçada. Mais á frente entramos num caminho que contorna campos de cultivo, passa-se por uma ETAR, um lavadouro público, mais a frente a escadaria da Barroca que nos conduz a uma viela com pouco mais de 50cm de largura e por fim a Igreja Matriz de Canelas. NOTA FINAL É um trajeto onde tivemos a oportunidade de desfrutar das belezas paisagísticas e rurais de Arouca. Este trajeto assim como tantos outros está sinalizado, á partida não haverá grande problema em termos de orientação nas marcações, no entanto aconselhamos


CIGC

63 CIGC Trilobites

CIGC Trilobites

Caminho ( Eucaliptal )


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Aldeia de Vilarinho

Cascata das Aguieiras


sempre o uso de gps para evitar enganos. O percurso tem alguns grandes declives, mas nada que não se faça, aliás quem está habituado a estas andanças já sabe para o que vai. Quanto á visita ao CIGC, acho que não devem perder a oportunidade para visitar, vale mesmo a pena, por isso marquem a visita com antecedência. FICHA TÉCNICA Nome do percurso: Rota do Xisto Tipo de percurso: Caminhos rurais, tradicionais e de montanha. Local: Canelas (Arouca) Distância percorrida: 16 km Sinalizado: Sim Grau de dificuldade: Moderado Ponto de partida: Igreja matriz de Canelas (Arouca) Duração do percurso: 5 horas Cota máxima atingida: 600 mts

Track de GPS: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=4342029

65 GRUPO PÉNOTRILHO: O Pénotrilho é um pequeno grupo de trekking, composto por antigos escuteiros do Agrupamento n º 1 da Freguesia da Sé da cidade de Braga (Corpo Nacional de Escutas) e mais alguns bons amigos, que partilham a paixão e o respeito pela natureza. A paisagem, a fauna, a flora, a grande camaradagem e amizade entre nós, é o que nos move nestas andanças de caminheiros da aventura. O nosso site, http://sites.google.com/site/ grupopedestrianismopenotrilho/, para além da sensibilização para a conservação do meio ambiente e da biodiversidade, pretende dar a conhecer alguns dos bons momentos vividos por nós. Aqui podem testemunhar as nossas aventuras e a boa disposição que nos acompanha nestes trilhos através das fotos e dos textos que as acompanham.


Entrada da Mina

Mina de Volfr창mio

Morcego no interior da mina

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Praia fluvial da Vau


Cascata do Ribeiro

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Caminho


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Campos


Amendoeira em flor

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Aldeia de Canelas


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