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Voluntariado

Profissional Bruno Loturco - Portal Universia

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lém da importância natural que têm os esforços voltados ao trabalho e aos estudos em busca de desenvolvimento acadêmico e profissional, ganha cada vez mais relevância no currículo o campo dedicado aos trabalhos voluntários. Um dos motivos para que isso ocorra é a preocupação das próprias empresas com o conceito de sustentabilidade. Pela lógica das empresas, se elas querem ser bem vistas do ponto de vista sócioambiental, é essencial que seus funcionários deem o exemplo primeiro. É o que afirma Marcos Ferreira, professor de gestão de carreira da Universidade Anhembi Morumbi. “As empresas estimulam isso para que a imagem que querem construir não fique apenas na retórica. Assim, precisam de executivos que comprem a ideia e pratiquem. Eles são embaixadores da imagem da organização”, explica. Ferreira afirma, ainda, que em algumas organizações o voluntariado tem sido utilizado como critério de seleção, especialmente em grandes empresas. “O profissional passa a ver as pessoas com outros olhos, o que é muito bom em organizações maiores onde todas tendem a se voltar para si mesmas. Ao enxergar o outro, você desenvolve competências que exigem colocar em prática a consciência de reciprocidade”, acredita ele. De acordo com Ferreira, ao agir em prol de terceiros o voluntário desenvolve a consciência de que o retorno pelo trabalho não precisa ser, necessariamente financeiro. A argumentação decorre dos novos modelos de gestão que, informa Ferreira, têm sido implantados nas empresas que têm como base o bem-estar socioambiental. Mas não é apenas pela melhoria da forma como a empresa é vista perante a sociedade que faz do voluntariado algo valorizado. Para a professora Maria Ester Pires da Cruz, gerente do Núcleo de Desenvolvimento de Carreira do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), esse tipo de iniciativa leva o profissional a desenvolver valores como iniciativa e trabalho em grupo, o que é útil especialmente para pessoas em início de carreira cuja pouca experiência

pode limitar a disputa por vagas. Outra habilidade desenvolvida por profissionais engajados em causas voluntárias, na visão de Ferreira, é a de alcançar objetivos por meio da gestão de recursos escassos, característica inerente a grande parte dos projetos sociais. Assim, o voluntariado pode ser grande aliado para abrir portas no mercado de trabalho. “O voluntariado propicia formação profissional e facilita o desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais e a identificação de interesses profissionais”, diz Maria Ester. Ela acrescenta ainda que para profissionais mais velhos, ter atividades solidárias pode ser uma forma de compartilhar o repertório adquirido ao longo da vida profissional. Maria Ester que afirma ainda haver grandes ganhos de relacionamento e de visão de mundo. “É bom para o crescimento profissional, pessoal e para a comunidade. Dá sentido de cidadania e te posiciona no mundo, além de reforçar a necessidade do ser humano em colaborar e ser produtivo”, analisa ela. Área de atuação Para quem deseja começar a atuar como voluntário, pode ficar a dúvida sobre a contribuição de atividades que não tenham nada a ver com o campo de atuação profissional. No entanto, a professora Maria Ester afirma que qualquer tipo de trabalho solidário é válido, mesmo que fuja do foco profissional. “A resposta depende dos objetivos do profissional. Na minha opinião, todo tipo de trabalho é válido porque ajuda a desenvolver características que serão aproveitadas em qualquer área”, diz ela. A professora cita como exemplo de característica comum a grande parte dos segmentos e a habilidade de trabalhar em equipe. O essencial é que o profissional se sinta à vontade e que o trabalho com o qual escolher contribuir não tenha o peso de uma obrigação a mais. “O mais importante é fazer o que se sente mais habilitado, mais à vontade, em que se sinta útil à sociedade. A


a informação em currículo é a motivação do profissional ao falar sobre o tema. “Quando comentar sobre o tema, precisa falar com motivação pessoal, principalmente reconhecer os aspectos que desenvolveu e o quanto isso contribuiu para ele pessoal e profissionalmente”, explica o professor. Por isso, completa ele, que o trabalho voluntário tem que ser fruto de um compromisso pessoal e não apenas uma peça de marketing pessoal.

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importância para o currículo será a mesma”, assegura Maria Isabel Aude, pró-reitora substituta de ensino da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul). Segundo ela, o uso do trabalho voluntário como instrumento de promoção profissional deve ser feito por meio do currículo. É lá que estarão descritas, sob o item denominado “Trabalhos voluntários” todas as atividades desenvolvidas. Cada ficha deve informar as atividades que foram realizadas e por quanto tempo. Ferreira diz ainda que mais importante do que


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