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Paulo Borges

UNIDADE

Novas hist贸rias antigas

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◆◆

Observe a imagem e troque ideias com seus colegas sobre estas questões.

a) Você conhece as personagens que estão representadas na ilustração? Resposta pessoal. b) De que histórias elas participam? Branca de Neve e os sete anões, João e Maria, Os três porquinhos, Rapunzel. c) Como você imagina que a Branca de Neve seria se vivesse nos dias atuais? Resposta pessoal. d) Os contos de fadas sempre têm uma personagem que representa o mal. Você se lembra de algumas delas? Sugestão: Bruxa da Branca de Neve e o lobo mau da Chapeuzinho Vermelho e da história dos três porquinhos.

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Começo de conversa

A Bela e a Fera.

Everett Collection/Keystock

Everett Collection/Keystock

1. Há histórias escritas com muita imaginação, como os contos de fadas. Responda às questões a seguir com base no que você sabe sobre essas histórias.

Pinóquio.

a) Dê exemplos de três heróis ou heroínas dessas histórias. Eles são conhecidos como protagonistas. Sugestões: Bela Adormecida, Branca de Neve, Jorinda e Joringel, A Bela e a Fera, Cinderela etc.

b) Agora cite o nome de três vilões dessas histórias. Eles são conhecidos como antagonistas. Sugestões: Bruxa da Branca de Neve, madrasta da Cinderela, fada má da Bela Adormecida, lobo mau da Chapeuzinho Vermelho etc.

2. Converse com seus colegas e o professor sobre quais desses títulos poderiam ser de um conto de fadas. Meu diário

  

AUMENTO DA GASOLINA PREOCUPA O GOVERNO

A princesa dos mares   

Zazá, uma cachorrinha trapalhona

O castelo encantado

As aventuras de um extraterrestre no espaço    A princesa dos mares, O castelo encantado.

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3) O conto traduzido reproduz a história original de outro idioma para a nossa língua. O responsável por passar o texto para nossa língua é o tradutor. O conto recontado é aquele em que o autor conta a história com suas próprias palavras, podendo fazer uma versão simplificada ou com poucas mudanças. O conto modificado ocorre quando o autor escreve uma nova história, aproveitando a ideia principal ou as personagens do conto tradicional. Os contos de fadas podem ter versões diferentes, dependendo do lugar e da época. Essas diferenças dependem da forma como eles chegam até os leitores: traduzidos, recontados ou modificados.

3. Converse com seus colegas e o professor para descobrir as diferenças entre conto traduzido, conto recontado e conto modificado. 4. Leia este depoimento da escritora Ana Maria Machado e converse com seus colegas.

Como a maioria dos leitores, tive meu primeiro contato com contos de fada ainda antes de saber ler. Uma alegria imorredoura de minha meninice nasceu do fato de que contar histórias para as crianças era um ritual que fazia parte do quotidiano de minha família. [...] Chapeuzinho Vermelho, O isqueiro mágico (com seus tremendos cachorros de olhos do tamanho de rodas de moinho), Barba Azul e A Bela e a Fera faziam parte do repertório de minha mãe. João Mata-Sete, O Gato de Botas, O Pequeno Polegar ou João e o pé de feijão me vinham geralmente pela voz paterna. Contos de fadas: de Perrault, Grimm, Andersen & outros. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. p. 7.

a) Dos contos citados por Ana Maria Machado, há algum do qual você nunca ouviu falar? Resposta pessoal. b) Troque ideias com seus colegas: descubra se eles conhecem os mesmos contos que você e se já leram alguns deles. Resposta pessoal.

Nesta unidade, você vai descobrir como os contos clássicos podem ter versões bem diferentes e se transformar em novas histórias antigas. Você vai ler: Conto de fadas modificado

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Conhecendo o texto Hans Christian Andersen (1805-1875) foi um escritor dinamarquês a quem é atribuída a autoria de muitos contos de fadas, entre eles “O Soldadinho de Chumbo”, “A roupa nova do imperador” e “O Patinho Feio”, que você vai ler a seguir. Por ter tido uma infância pobre, Andersen conheceu os contrastes de sua sociedade e os conflitos entre os fortes e os fracos, o que influenciou os textos que viria a escrever. 1. Junte-se a um colega e relembrem um dos contos escritos por Hans Christian Andersen.

O Patinho Feio Era verão quando nasceu o Patinho Feio. Surgiu de dentro de um ovo tão grande que todos pensaram tratar-se de um ovo de peru que por acaso caíra num ninho de pata. — Que pato mais feio! — ouvia ele quando sua mãe o levava pelo quintal. As outras aves riam, caçoavam de seu tamanho e tentavam bicá-lo. O Patinho Feio sentia-se tão infeliz e malquisto que resolveu malquisto: fugir. Atravessou os campos e encontrou alguns patos selvagens. desprezado. — Como você é feio! — disseram-lhe também. Mas aceitaram sua companhia, contanto que ele jamais se casasse com uma pata selvagem. O Patinho Feio não queria se casar. Desejava apenas um lugar para ficar. Decidiu partir novamente, aceitando um convite dos gansos que o chamaram para voar. — Você é feio demais! — co­men­taram os gansos. — Você é tão feio que acabamos gostando do seu jeito. Mas, antes que o Patinho Feio alçasse voo, seus novos amigos foram mortos por caçadores e ele se viu só mais uma vez. No final do outono, o Patinho Feio foi parar na casa de uma camponesa. E de novo foi obrigado a partir. A camponesa desejava uma pata que botasse ovos e não um patinho desengonçado como ele. Durante o frio do inverno, o Patinho Feio, solitário e desamparado, quase morreu, mas foi salvo por um camponês e sua família. Só que aquele também não se tornaria o seu lar, porque os filhos do camponês nunca desamparado: paravam de atormentá-lo. abandonado.

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Quando chegou a primavera, cansado e triste, o Patinho Feio avistou as aves mais lindas que já encontrara na vida. Eram cisnes que nadavam num rio. Aproximou-se e, pela primeira vez, olhou para as águas e viu seu reflexo. Descobriu que era um cisne como eles. Por um instante lembrou-se do tempo em que era maltratado e perseguido. Depois, moveu as asas que brilhavam sob o sol e, também pela primeira vez, sentiu-se feliz. Hans Christian Andersen. In: Heloisa Prieto (Org.). Vice-versa ao contrário. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1993. p. 25.

2. Agora, troque ideias com alguns colegas sobre o título da história que vocês irão ler.

O Patinho Bonito a) Com base nesse título, como vocês acham que será a personagem principal da história? Espera-se que os alunos respondam que a personagem (o patinho) será bonita.

b) Vocês acham que essa personagem será rejeitada como aconteceu com a do conto tradicional? Por quê? Resposta pessoal.

c) Na opinião de vocês, qual será o conflito vivido por essa personagem?

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Resposta pessoal.

3. Leia a história a seguir para conferir suas hipóteses e divirta-se.

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Era uma vez um pato chamado Mílton. Sei que Mílton não é nome de pato. Mas esse se chamava assim, e você vai logo saber por quê. Quando ele nasceu, todos tiveram a maior surpresa. Aliás, não foi quando ele nasceu. Foi quando viram o ovo dele, quer dizer, o ovo que depois seria ele. Não era um ovo de pato comum. Era meio azulado e brilhante, quase como um ovo de Páscoa. Mas ovos de Páscoa são embrulhados. Esse ovo não era; a casca é que era meio azul. Os pais de Mílton, quando viram o ovo no ninho, foram logo perguntando: — Mas o que é que esse ovo está fazendo aí? — Isso não é ovo de pato. — Acho que é ovo de galinha. — Não seja bobo! Galinhas botam ovos brancos! — Brancos nada! Já vi que são meio amarelos, meio beges. Se ovos de galinha podem ser amarelos, por que é que não podem também ser azuis? — Bom, então pode ser que seja um ovo de pato. Vai ver que também existem ovos de pato que são azuis. E acharam melhor esperar para ver o que acontecia.

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O Patinho Bonito

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Um dia, a casca azulada do ovo começou a se quebrar e de lá saiu um lindo patinho. Era azul? Não, não era. Era um patinho normal. Só que muito mais bonito do que os outros, e os patos sabiam disso. Acharam o patinho tão bonito que resolveram logo uma coisa. Não era justo dar para ele um nome qualquer. Ele era diferente. Era mais bonito. Como é que poderia ter um nome comum, como “Quém-Quém”? — Esse nome é para patos comuns — disse a mãe dele. — Então, vamos chamá-lo de Quá-Quá — disse a madrinha dele. — Esse também é para patos comuns, sua boba! — respondeu a mãe. — Eu quero que ele se chame Mílton. Ela gostava do nome Mílton. Todos acharam meio estranho, mas acabaram concordando que um patinho tão bonito merecia um nome especial.

O tempo foi passando, e Mílton era o patinho mais bonito da escola. Todos olhavam para ele e diziam: “Como ele é bonito!”. Ele se olhava no espelho e dizia: “Como eu sou bonito!”. E ficava pensando: “Sou tão bonito que talvez eu nem seja um pato de verdade. Tenho até um nome diferente. Meu ovo era azul. Eu me chamo Mílton. Quem sabe eu sou gente?”.

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E Mílton começou a ficar meio besta. Diziam: “Mílton, vem nadar!”. Ele respondia: “Eu não. Pensam que sou pato como vocês?”. Todos os outros patos começaram a achar o Mílton meio chato. Ele foi ficando sozinho. E dizia: “Não faz mal. Sou mais bonito. Vou terminar na televisão. Vou ser o maior galã”. Uma noite Mílton resolveu fugir de casa. Foi até a cidade para tentar entrar na televisão. Quando chegou na porta da estação de TV, foi logo dizendo: “Eu me chamo Mílton. Além de bonito, acho que tenho muito talento artístico”. Ele falava difícil. Queria dizer que tinha jeito para ser ator de novela. Juntou gente em volta. — Ih, não enche — disse alguém. — Todo dia alguém arranja uma fantasia de bicho e vem aqui procurar lugar na televisão. — Mas você não vê que eu não estou fantasiado? — perguntou Mílton. — Se eu estivesse usando uma roupa de pato, se eu fosse uma pessoa com roupa de pato, eu seria da sua altura. Mas eu sou baixinho como um pato! Como um pato de verdade! — Então como é que você sabe falar? — Mas os patos falam! — disse Mílton, quase chorando. — Não vem com essa, ô malandro — disse um guarda que estava ali perto. — Para mim você é um pato mecânico. Deve ser uma espécie de robô com computador na cabeça!

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E o guarda foi logo agarrando o Mílton para arrancar a cabeça dele e ver o que tinha dentro. — Me larga! Me larga! — gritava Mílton — Eu sou um pato! Um pato de verdade! Sou um estremeção: estremecimento, PATO! Um PATOOO... tremor breve. De repente Mílton teve uma estremeção. Abriu os olhos e viu que estava em casa. Ele tinha sonhado. Olhou para seus pais, ainda meio assustado, e disse: — Eu sou um pato... eu sou um pato... E seus pais disseram. — Puxa, ainda bem que você se convenceu disso! — É verdade, já estava na hora de você achar que era um pato mesmo! — E todo mundo estava cheio dessa sua história de achar que não era um pato, que era diferente... Mílton ouviu tudo aquilo e ficou pensando: “Puxa, ainda bem que eu sou um pato, um patinho como todos os outros! Ainda bem!”. E daí em diante não havia pato mais contente, que tivesse mais vontade de nadar na lagoa do que o Mílton. De vez em quando ele ainda dizia: “Sou um pato! Um pato mesmo!”. E dava um suspiro de alívio. marcelo Coelho. In: Heloisa Prieto (Org.). Vice-versa ao contrário. São Paulo: Companhia das letrinhas, 1993. p. 21-24.

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1.

mílton nasceu de um ovo que não era igual aos outros. Descreva como era esse ovo. Não era um ovo comum de pato, era meio azulado e brilhante, quase como um ovo de Páscoa.

2. Qual foi a reação dos pais de mílton quando viram o ovo do qual ele iria sair? Eles acharam estranho e pensaram que não era um ovo de pato.

3. Como era o patinho que saiu de dentro do ovo? Ele era um patinho normal, só que muito mais bonito do que os outros.

“Sou tão bonito que talvez eu nem seja um pato de verdade. Tenho até um nome diferente. Meu ovo era azul. Eu me chamo Mílton. Quem sabe eu sou gente?”. E Mílton começou a ficar meio besta.

Paulo Borges

4. Releia este trecho.

a) Explique qual é o sentido da expressão meio besta. Significa convencido, exibido.

b) Encontre no texto e escreva duas atitudes do patinho que justificam a explicação que você deu no item anterior. Ele achava que era gente, não nadava com os outros patos, queria ser galã de televisão, achava que tinha talento artístico.

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5. O patinho resolve fugir de casa para tentar entrar na televisão. a) Por que as pessoas não o deixaram entrar na estação de TV? Porque elas acharam que ele era uma pessoa com fantasia de pato, um pato mecânico ou uma espécie de robô.

b) Como mílton tentou convencer as pessoas da televisão de que era realmente um pato? Ele disse que era baixinho como um pato de verdade.

6. Releia.

Paulo Borges

E o guarda foi logo agarrando o Mílton para arrancar a cabeça dele e ver o que tinha dentro. — Me larga! Me larga! — gritava Mílton — Eu sou um pato! Um pato de verdade! Sou um PATO! Um PATOOO... O que mílton estava sentindo nesse momento? Ele estava com medo, assustado.

7. O que o patinho sentiu quando percebeu que tudo não passou de um sonho? Sentiu alívio, alegria.

8. Qual é a lição que você, como leitor, pode tirar para a sua vida a partir desse conto? Resposta pessoal.

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9. Antes de ler o texto “O Patinho Bonito”, você relembrou uma versão de “O Patinho Feio”.

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a) Releia estes trechos do início e do final do conto de Andersen.

Paulo Borges

— Que pato mais feio! — ouvia ele quando sua mãe o levava pelo quintal. As outras aves riam, caçoavam de seu tamanho e tentavam bicá-lo.

Aproximou-se e, pela primeira vez, olhou para as águas e viu seu reflexo. Descobriu que era um cisne como eles. ◆

Identifique os sentimentos da personagem no início e no final do conto. Início

Tristeza e angústia.

Final

Alegria e alívio.

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b) Você vai refletir sobre as semelhanças e as diferenças entre os contos “O Patinho Feio” e “O Patinho Bonito”. Preencha os quadros abaixo com o que você observou. Semelhanças A personagem principal é um pato.

Personagens

Ocorre por causa da aparência do pato.

Conflito principal

No final da história, o pato acaba ficando feliz com sua

Final

aparência.

Diferenças No conto original, o pato nasce feio e depois se torna um

Personagens

lindo cisne. No conto modificado, o pato já nasce bonito.

No conto original, o pato é maltratado por ser considerado

Conflito principal

feio. No conto modificado, o pato é muito bonito e começa a ficar convencido, achando que não é um pato. No conto original, o pato descobre que é um cisne. No conto

Final

modificado, o pato descobre que é um pato de verdade, não um humano, como pensava.

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10. Observando os quadros da questão anterior, responda. a) Quais são os protagonistas nos dois contos? O Patinho Feio e o Patinho Bonito.

b) Que características do conto clássico foram aproveitadas no conto modificado? O fato de a personagem principal ter dificuldades de se reconhecer e se aceitar como realmente é.

c) Que características são diferentes? No conto “O Patinho Feio”, a personagem principal era considerada feia. Em “O Patinho Bonito”, a personagem principal era considerada muito bonita.

d) Relembre o conflito dos dois contos: são iguais ou diferentes? Por quê? São diferentes. Em “O Patinho Feio”, a personagem sofre preconceito por ser considerada feia. Em “O Patinho Bonito”, a personagem é considerada tão bonita que começa a pensar que não é um pato de verdade.

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11. Releia os títulos das histórias e escreva qual conto foi modificado.

a) O Gato de Chinelos. O Gato de Botas b) Chapeuzinho Verde. Chapeuzinho Vermelho c) A roupa velha do imperador. A roupa nova do imperador d) Os quatro porquinhos. Os três porquinhos e) Os médicos de Bremen. Os músicos de Bremen

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Entre linhas e ideias Você vai se preparar para recontar um conto de fadas sem modificá-lo. Primeiro, você precisará conhecer bem essa história. Para isso, siga estes passos. 1.

Escolha um conto de fadas. Pesquise livros em que ele aparece e traga-os para a classe.

2. leia várias vezes o texto escolhido ou conte-o para seus colegas. Desse modo, você vai prestar mais atenção na história e guardar todos os detalhes.

4. Faça uma autoavaliação do seu texto, verificando os itens indicados a seguir.

Ilustra Cartoon

3. Em uma folha à parte, escreva a história, recontando-a com suas próprias palavras, mas sem alterar nenhuma parte dela.

Autoavaliação

Sim

Não

Descrevi o cenário onde a história acontece? Descrevi as características mais importantes das personagens (protagonistas e antagonistas)? Recontei o conflito vivido pela personagem principal? Apresentei a solução para esse conflito? Escrevi todos os substantivos próprios usando letra inicial maiúscula? A pontuação foi usada corretamente? Coloquei o título do conto? 5. Dê a sua história para um colega ler e verifique se ele a entendeu, se você precisa acrescentar ou tornar mais clara alguma informação. 6. O professor vai ajudá-lo a corrigir as palavras escritas de forma incorreta, se houver. Passe seu texto a limpo, caprichando na letra. Guarde o seu texto, pois você irá consultá-lo para escrever o seu conto modificado na seção Entre linhas e ideias da página 149.

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Conhecendo outros textos

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Você conhece a história “Os três porquinhos”? Aquela que tem um lobo malvado? Recorde a história com o professor e seus colegas.

A história que você vai ler agora foi contada de um jeito bem diferente: são três lobinhos e um porco mau. Para se protegerem do porco mau, os três lobinhos construíram uma casa mais forte e mais segura, usando diferentes materiais. Mas não era por acaso que o porco era chamado de mau. Ele conseguia destruir todas as casas! ◆ Leia

um trecho da história e descubra como era a casa que os lobinhos construíram para poderem viver tranquilamente na floresta.

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Os três lobinhos e o porco mau Era uma vez três lobinhos de pelos macios e rabos peludos que viviam com sua mãe. O primeiro era preto, o segundo era cinza e o terceiro, branco. Um dia, a mãe chamou os três lobinhos a sua volta e disse: — Meus filhos, é hora de vocês saírem pelo mundo. Vão construir uma casa para vocês. Mas cuidado com o porco mau. — Não se preocupe, mamãe, nós ficaremos de olho nele — disseram os três lobinhos. E lá foram eles. Logo eles encontraram uma canguru que estava empurrando um carrinho de mão cheio de tijolos vermelhos e amarelos. — Por favor, você pode nos dar alguns desses tijolos? — perguntaram os três lobinhos. — Certamente — disse a canguru, dando-lhes um monte de tijolos vermelhos e amarelos. Então, os três lobinhos construíram uma casa de tijolos. No dia seguinte, o porco mau veio andando pela croqué: jogo praticado com estrada e viu a casa de tijolos que os três lobinhos bolas de madeira que, ao serem impulsionadas por tinham construído. tacos, devem passar sob Os três lobinhos estavam no jardim jogando croqué. arcos fincados no chão, Quando eles viram o porco mau chegando, correram seguindo um percurso para dentro da casa e trancaram a porta.

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predeterminado.

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O porco bateu na porta e grunhiu: — Lobinhos, lobinhos, deixem-me entrar! — Não, não e não! — disseram os três lobinhos. — Não o deixaremos entrar, nem por todo o chá da China! — Então eu vou soprar e vou bufar e vou derrubar a sua casa! — disse o porco. E ele soprou e bufou, bufou e soprou, mas a casa não caiu. Mas não era à toa que o porco era chamado de mau. Ele foi buscar sua marreta e destruiu a casa toda. Os três lobinhos mal conseguiram escapar antes que as paredes se desmanchassem; eles ficaram apavorados. […] — Há algo errado com nossos materiais de construção — eles disseram. — Temos que tentar alguma coisa diferente. Mas o quê? Nesse momento, eles viram um flamingo empurrando um carrinho de mão cheio de flores. — Por favor, você nos dá um pouco dessas flores? — perguntaram os lobinhos. — Com prazer — disse o flamingo, dando-lhes um monte de flores. E os três lobinhos construíram sua casa de flores. Uma parede era de cra­vos, uma de lírios, a outra era de rosas e a última era de flores de cerejeira. O teto era de girassóis e o chão, um tapete de mar­ garidas. Havia vitórias-régias na banheira e copos-de-leite na geladeira. Era uma casa meio frágil, que balançava com o vento, mas era muito linda. No dia seguinte, lá veio o porco mau pela estrada, espreitando, e viu a casa de flores que os lobinhos tinham construído.

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Paulo Borges

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Ele tocou a flor-de-sino e disse: — Lobinhos apavorados, de queixos trêmulos e rabinhos chamuscados, deixem-me entrar! — Não, não e não! — disseram os três lobinhos. — Não o deixaremos entrar, nem por todo o chá da China! — Então eu vou soprar e vou bufar e vou derrubar a sua casa! — disse o porco. Mas, ao respirar profundamente, preparando-se para soprar e bufar, ele sentiu o aroma suave das flores. Era fantástico. E porque o aroma deixou-o sem fôlego, o porco respirou novamente e mais uma vez ainda. Em vez de soprar e bufar, ele começou a aspirar. E aspirou cada vez mais profundamente, até ficar inebriado com o perfume das flores. Seu coração amoleceu e ele compreendeu como havia sido mau no passado. Em outras palavras, ele tornou-se um porco tarantela: dança típica de Nápoles, região sul da bom. E começou a cantar e a Itália, cujos movimentos são pequenos saltos. dançar uma tarantela.

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Ilustrações: Paulo Borges

A princípio, os três lobinhos ficaram um pouco preocupados, pensando que pudesse ser um truque. Mas logo perceberam que o porco tinha se transformado mesmo. Então correram para fora da casa. Eles se apresentaram ao porco e começaram a brincar com ele. Primeiro brincaram de esconde-esconde e depois de bobinho; quando se cansaram, convidaram o porco a entrar em sua casa. E lhe ofereceram chá chinês, morangos e framboesas, e convidaram-no a ficar com eles o tempo que quisesse. O porco aceitou e todos viveram felizes para sempre. Eugene e Helen Oxenbury. Os três lobinhos e o porco mau. Tradução de Gilda Aquino. São Paulo: Brinque-Book, 2003.

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1. Qual é o título do conto que inspirou essa história? Os três porquinhos.

2. Nesse conto modificado, as personagens aparecem com as características invertidas em relação à história original. ◆◆ Relembre o conto original e escreva quais são as características das personagens

em cada conto. No conto “Os três porquinhos”, os porquinhos são bons e perseguidos pelo lobo, que é o malvado e quer devorá-los. No conto modificado, os lobinhos são os bonzinhos e são perseguidos pelo porco, que é malvado, mas, no final, acaba se tornando bom também.

3. De que material foi feita a primeira casa? De que cor era essa casa? A casa foi feita com tijolos da cor vermelha e amarela.

Diomedia

4. Que flor os lobinhos plantaram na entrada da casa? Por que escolheram essa flor?

Flor-de-sino. Porque essa flor fazia as vezes de uma campainha, por ser parecida com um sininho.

5. Descreva a casa de flores. Como eram: a) as paredes? Uma parede era feita de cravos, uma de lírio, outra de rosas e

outra de flor de cerejeira.

b) o teto? O teto era de girassóis. c) o chão? O chão era um tapete de margaridas.

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6. Embora forte, a casa de tijolos foi destruída pelo porco mau com uma marreta. Por que o porco não destruiu a casa feita de flores, que era muito mais frágil? Porque ele aspirou o perfume das flores e mudou de comportamento, seu coração amoleceu e ele ficou amigo dos lobinhos.

7. Os contos de fadas clássicos geralmente se iniciam ou terminam da mesma forma. a) Quais expressões aparecem frequentemente no início e no final desses contos? “Era uma vez” e “Viveram felizes para sempre”.

b) Ao escrever uma história, você costuma iniciar e terminar o seu texto utilizando essas expressões? Resposta pessoal.

8. Escolha alguns livros de histórias para ler. Observe como são o início e o final de algumas delas. a) Escreva os diferentes inícios que você encontrou.

Era uma vez... Sugestões: Eu me lembro bem da infância. Numa noite de inverno... A gente tem fama de menino levado, mas nada disso é verdade.

b) Escreva como as histórias terminam.

Fim. Sugestões: E viveram felizes para sempre. Feliz da vida ele entrou no carro.

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Descobertas sobre a língua

E aspirou cada vez mais profundamente, até ficar inebriado com o perfume das flores. Seu coração amoleceu e ele comprendeu como havia sido mau no passado.

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1. Releia este trecho do texto “Os três lobinhos e o porco mau”.

a) Que expressão transmite o sentido oposto ao da expressão cada vez mais? A expressão cada vez menos.

b) Que palavra tem sentido oposto ao da palavra mais?

  bastante     

X   menos

2. Reescreva as frases, substituindo a palavra destacada pela palavra de sentido oposto. a) Hoje, o lobo comeu mais porquinhos no almoço. Hoje, o lobo comeu menos porquinhos no almoço.

b) Os porquinhos fizeram menos barulho na hora de dormir. Os porquinhos fizeram mais barulho na hora de dormir.

c) Na floresta há menos perigos que na cidade. Na floresta há mais perigos que na cidade.

d) Algumas histórias foram recontadas com mais modificações. Algumas histórias foram recontadas com menos modificações.

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A princípio, os três lobinhos ficaram um pouco preocupados, pensando que pudesse ser um truque. Mas logo perceberam que o porco tinha se transformado mesmo.

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3. Compare as diferentes atitudes dos lobinhos neste trecho.

a) No primeiro momento, o que os lobinhos pensaram a respeito do porco? Eles pensaram que o porco poderia estar usando um truque para enganá-los.

b) Depois, o que os lobinhos perceberam a respeito do porco? Eles perceberam que o porco tinha se transformado de verdade.

c) Assinale a mudança ocorrida na atitude dos lobinhos. de pouco desconfiados para muito desconfiados X

de desconfiados para confiantes de preocupados para desconfiados

d) Observe o uso da palavra mas no trecho que você releu. Ela ajuda a mostrar a mudança de atitude dos lobinhos? Sim, ajuda. e) Qual é o significado da palavra mas? A palavra mas significa oposição, dá ideia contrária. Equivale a porém, entretanto.

f) Qual é a diferença de sentido e de escrita entre as palavras mas e mais? A palavra mas indica oposição e mais transmite a ideia de adição, opondo-se normalmente a menos. Na palavra mais há a presença da letra i.

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4. Termine de escrever as frases, acrescentando uma ideia oposta. a) O porco aspirava o ar para derrubar a casa dos lobinhos, mas Sugestão: desistiu

quando sentiu o cheiro das flores.

b) Os lobinhos acharam que era um truque do porco, porém Sugestão: ele falava

a verdade.

c) O porco tentou maltratar os lobinhos, entretanto Sugestão: não conseguiu porque seu coração amoleceu.

Paulo Borges

5. Complete as frases usando mas ou mais. a) O menino lembrou-se da receita

mais

deliciosa de todas.

b) Bati à porta da casa de madeira,

mas

ninguém veio atender.

c) Eu soprei de novo, d) O lobo desmaiou

mas mais

a casa não caiu. uma vez.

6. Releia este trecho da história “Os três lobinhos e o porco mau”. Seu coração amoleceu e ele compreendeu como havia sido mau no passado. Em outras palavras, ele tornou-se um porco bom. ◆

Junte-se a alguns colegas e conversem sobre o sentido das palavras destacadas.

Sugestão: Mau é adjetivo. Significa: de má qualidade, ruim, de má índole. Opõe-se a bom e apresenta a forma feminina má.

Mau é o contrário de bom. Mal é o contrário de bem.

Mal pode ser advérbio, substantivo ou conjunção. Opõe–se a bem. Não há forma feminina. Apenas como substantivo há plural: males.

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7. Reescreva as frases substituindo as palavras destacadas por mal ou mau. a) A vovozinha ouvia a conversa muito bem. A vovozinha ouvia a conversa muito mal.

b) O lobo não é uma personagem tão boa assim. O lobo não é uma personagem tão má assim.

c) O lobo estava de bom humor. O lobo estava de mau humor.

d) Para os porquinhos, o lobo era um bom vizinho. Para os porquinhos, o lobo era um mau vizinho.

Otto Stadler/Getty Images

Echo/Getty Images

8. Escreva frases relacionadas às imagens usando mal, mau, bom e bem. Sugestões: A partida de futebol terminou mal, porque o meu time perdeu. / O aluno fez mal em faltar na aula.

Por que a ferradura de cavalo dá sorte?

Por que o caracol entra na casca quando mexem nos seus chifres? Por que os olhos ardem quando cortamos cebola?

Paulo Borges

9. leia estas frases e observe a forma como estão escritas as palavras destacadas.

Gianni Rodari. O livro dos porquês. São Paulo: Ática, 1984. p. 5, 16 e 52.

◆◆

leia como Julio respondeu à primeira pergunta: Porque a ferradura tem o formato de lua crescente, que atrai prosperidade.

a) Se você fosse responder a essas perguntas, com que palavra iniciaria as suas respostas? Com a palavra porque. b) Converse com seus colegas e o professor sobre a forma como essas palavras são usadas nas perguntas e nas respostas. Registrem em uma folha à parte o que vocês concluíram. A expressão por que é usada em perguntas. A palavra porque é usada em respostas.

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Entre linhas e ideias 1.

Você vai modificar a história que escreveu na seção Entre linhas e ideias da página 137.

2. Releia o conto que você reescreveu. 3. Troque ideias com um colega sobre como você poderá recriar o conto, modificando as partes da história. 4. Para facilitar o trabalho, oriente-se pelos itens a seguir. a) Observe os protagonistas (heróis) e os antagonistas (vilões) principais do conto que você reescreveu. b) Relacione as características de cada um deles. c) Observe a descrição do cenário. d) Identifique o conflito principal e como ele é solucionado. e) Escolha entre os itens acima os que você irá modificar: características do protagonista, do antagonista, cenário, conflito, solução do conflito.

Ilustra Cartoon

f) Escreva um rascunho da sua história.

5. Troque de texto com um colega, e cada um verifica se consegue descobrir qual é o conto original e quais mudanças foram feitas. 6. Peça ajuda a seu professor para escrever as palavras que você não conhece muito bem. 7. Passe o seu texto a limpo em uma folha à parte.

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Hora da conversa Em grupo com alguns colegas, vocês vão recontar um conto para a classe. Para isso, sigam as orientações. 1. Formem grupos de quatro alunos. 2. Escolham a história que será recontada. 3. Estudem o conto, lendo-o várias vezes, para terem certeza de que entenderam e conhecem bem a sequência dos fatos. ◆◆ Durante esse estudo, escolham algumas palavras do texto para usar durante a

recontagem. Não é preciso decorar o texto, mas procurem contá-lo usando a mesma linguagem do autor. Por exemplo, se escolherem o conto “Branca de Neve e os sete anões”, não poderão deixar de usar a frase da rainha má: — Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu? 4. Dividam o conto em quatro partes para que cada aluno escolha uma. 5. Finalmente, procurem dar a entonação adequada às falas das personagens. ◆◆ Por exemplo, como vocês farão a voz da Branca de Neve? E a do Lobo Mau, caso

queiram recontar “Os três porquinhos”?

Ilustra Cartoon

Ilustra Cartoon

Paulo Borges

6. No dia combinado com o professor, apresentem-se para os demais colegas da classe.

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Diversão em palavras 1.

Reveja seus conhecimentos sobre contos de fadas resolvendo as charadas e escrevendo as respostas na cruzadinha. Horizontais 1) Pequena ■ — nome de uma personagem que vive no mar e ganha pernas para ir atrás de seu amado. 2) Nome do alimento que a mãe de Rapunzel teve vontade de comer antes de a menina nascer. 3) A fada madrinha de Cinderela transforma a abóbora em ■. 4) Branca de Neve tinha uma madrasta porque sua mãe havia ■. 5) local onde a feiticeira mantinha Rapunzel presa. 6) Nome do grão colocado embaixo dos colchões de uma princesa. Verticais 7) Expressão que geralmente aparece no início dos contos de fada. 8) Título de um conto: Cachinhos Dourados e os três ■. 9) Nome da personagem que perde o sapatinho de cristal. 10) Peça usada na cabeça pelos sete anões. 7 1 S

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2. Agora, copie as palavras ou express玫es da cruzadinha, organizando-as nas colunas correspondentes. Som de RR (forte)

Som de R (fraco)

carruagem

Sereia

morrido

ervilha

rabanete

Era uma vez

torre

ursos

gorro

Cinderela

3. Leve a menina ao zool贸gico pelo caminho que s贸 tem nomes de animais. Circule esses nomes e copie-os nas colunas correspondentes.

R depois da consoante

RR

R em final de s铆laba

avestruz

burro

lagarto

cobra

marreco

borboleta

zebra

cachorro

carneiro

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Conhecendo o texto O texto que você vai ler foi retirado do livro Que história é essa?, de Flávio de Souza. Você conhece esse autor? Além de escrever livros, ele também criou o programa de televisão “Castelo Rá-Tim-Bum”. Para conhecê-lo melhor, leia um trecho de uma entrevista dada por ele.

Flávio de Souza

Entrevista com o autor

Flávio – Não há dificuldade específica. Eles são tão exigentes quanto os adultos, só que mais sinceros. Se alguém começa a contar uma história para uma criança, e a história é mal contada, na terceira frase a criança já saiu de perto e já está brincando de outra coisa. É preciso ser responsável e, se não criticar, pelo menos não enaltecer coisas terríveis como o preconceito e a intolerância. Tomar cuidado para não usar palavras, expressões, fatos para os quais as crianças não têm referência.

Existe diferença entre escrever um programa de TV e uma obra literária? Flávio – Existem diferenças. A principal é que um roteiro de TV não é feito para ser lido, ele é um instrumento usado para mostrar histórias através principalmente de falas, gestos, olhares, ações de atores. Arquivo pessoal

Um dos trabalhos de grande sucesso foi a criação do programa “Castelo Rá-Tim-Bum.” Qual a dificuldade em abordar o público infantil?

Fragmento retirado do Catálogo de literatura infantil. São Paulo: 2010.

O texto que você vai ler tem o título a seguir.

Quo ini pó ou A baleia ◆

Com base na leitura do título, troque ideias com um colega para levantar hipóteses sobre o conteúdo do texto que será lido. Não esqueça de conferir se acertaram, após a leitura do texto. O conto modificado será Pinóquio.

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Quo ini pó ou A baleia

Paulo Borges

Era uma vez uma baleia que nasceu, cresceu, viveu e morreu no mar. Ela teve uma vida bem normal. Nadou bastante. Comeu muitos e muitos peixes. Namorou. Teve baleiazinhas. Deu de mamar. E nadou, nadou, nadou. Mas na vida de todo mundo tem dias em que acontecem coisas bem especiais. Um dia esta baleia estava nadando no mar, quando viu um barco. E dentro deste barco tinha um velhinho com cara de maluco, berrando como se chamasse alguém. A baleia pensou que este velhinho com cara de maluco podia ser um caçador de baleias. E antes que ele pudesse caçá-la, a baleia abriu sua enorme boca e engoliu bastante água, um monte de peixes, o barco e o velhinho. Passaram-se alguns dias. E a baleia achou que estava ficando louca, porque começou a ouvir uma voz dentro dela. Como se a barriga dela estivesse cantando. A baleia lembrou da história de uma amiga dela que tinha engolido uma lancha que estava com o rádio ligado. “Deve ser isso”, pensou a baleia. “Acho que engoli um rádio ligado também!” Mas aí a baleia se lembrou que não tinha engolido uma lancha, e sim um barco bem pobrezinho, que nem motor tinha. E descobriu: — O velhinho que estava no barco ainda está vivo! É ele que está cantando!

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Paulo Borges

A baleia parou de nadar para ver se conseguia ouvir direito a música que o velhinho estava cantando dentro dela. E ouviu. E começou a chorar. Porque a música era muito triste. E a voz do velhinho estava muito triste também. Como se ele estivesse com saudade. Passaram-se mais alguns dias. E o velhinho cantou. E a baleia chorou. Até que a baleia viu um menino com cara de maluco num barquinho, berrando, como se chamasse alguém. Chegando mais perto a baleia viu que o menino não era um menino, e sim um boneco de madeira. A baleia teve então uma ideia. Abriu sua enorme boca e engoliu bastante água, um monte de peixes, o barquinho e o boneco de madeira. A baleia sabia que o menino que não era menino não era também um caçador de baleias. Mas ela achou que o boneco de madeira falante podia fazer companhia para o velhinho, dentro da barriga dela. E acertou. Porque logo depois o velhinho parou de cantar a música triste.

Mas aí a baleia achou que tinha ficado louca mesmo. Porque ouviu o velhinho conversar com o boneco de madeira. E o velhinho chamou o boneco de madeira de “Meu filhinho”. E o boneco de madeira chamou o velhinho de “Papai! Papai!”.

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Paulo Borges

Esta baleia não era uma grande conhecedora dos humanos, mas ela sabia uma ou duas coisas sobre eles. E uma das coisas que ela sabia é que as crianças humanas não são feitas de madeira. “Será possível que os humanos nascem de madeira e conforme vão crescendo vão ficando de carne e osso?”, pensou a baleia. Aí a baleia começou a ficar nervosa, porque o velhinho e seu filhinho de madeira começaram a cochichar. E a baleia não conseguiu mais ouvir o que eles falavam. E então a baleia começou a sentir cócegas dentro dela. Como se estivessem esfregando a barriga dela com uma pena. Mas por dentro. E eram cócegas muito fortes, porque cócegas do lado de fora já dão aquela vontade de rir. Imagine cócegas do lado de dentro! A baleia riu, riu, riu. E então começou a sentir vontade de espirrar. E de repente... Atchim! Espirrou tão forte que tossiu para fora bastante água, montes de peixes, um barco, um barquinho, um velhinho e um boneco de madeira. A baleia ficou tão aliviada que deu meia-volta e nadou para bem longe. Bem depressa. Depois disso, a baleia fez o que todas as baleias fazem. Nadou bastante. Comeu muitos e muitos peixes. Namorou. Teve bastante baleiazinhas. Deu de mamar. E nadou, nadou, nadou... FIM. ➤ QUE HISTÓRIA É ESSA? Flávio de Souza. Que história é essa? São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1995. p. 29-31.

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1.

Você descobriu o conto que foi modificado pelo autor? Ele conta uma história bem conhecida a partir do ponto de vista de uma outra personagem. Qual é essa personagem? O conto modificado é Pinóquio. A personagem principal é a baleia e não mais o boneco

Everett Collection/Keystock

de madeira.

2. Junte-se a um colega e relembrem a história original do Pinóquio. ◆

Que modificações Flávio de Souza fez na história? O autor usa apenas um dos cenários do conto, o mar, quando o velhinho é engolido por uma baleia e o boneco de madeira (Pinóquio) vai salvá-lo. No conto original, o velho Gepeto faz uma fogueira dentro da baleia, e Flávio de Souza escreveu que os dois fizeram cócegas na baleia, que riu muito e expeliu os dois. O comportamento da baleia também foi alterado, pois no conto modificado ela é boazinha, no original, não.

3. Retome o início do texto de Flávio de Souza. a) O que acontece antes de a baleia encontrar um barco com um velhinho? A baleia tinha uma vida normal, nadava e comia muitos peixes. Teve filhotinhos,

Paulo Borges

amamentou e nadou muito.

b) O que a baleia pensou ao encontrar o barco com o velhinho? Pensou que o velhinho poderia ser um caçador de baleias.

c) Por que ela engoliu o barco e o velhinho? Para evitar que o velhinho a caçasse.

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4. Como a baleia descobriu que o velhinho estava vivo dentro dela? Como ela reagiu a essa descoberta? Ela ouviu o velhinho cantando. Ela começou a chorar, pois a música era triste.

5. Por que a baleia também engoliu o boneco de madeira que avistou num barquinho? Para que ele fizesse companhia para o velhinho.

6. Como você julga as atitudes da baleia? Resposta pessoal.

7. A baleia faz um questionamento sobre as crianças humanas. O que ela questiona? Se as crianças humanas nascem de madeira e depois vão ficando de carne e osso.

◆◆ A conclusão da baleia está correta? Justifique.

Não está correta. Ela pensa assim porque não conhece bem os humanos.

8. Como a história termina? O velhinho e o boneco de madeira são expelidos de dentro da barriga da baleia ao fazerem cócegas nela. A baleia volta à sua vida normal.

9. Que palavra o autor usa para indicar que o texto terminou? FIM. 10. Releia o último parágrafo. Que ideia o autor quis transmitir? Que a baleia retomou sua rotina, sem acontecimentos especiais como os que foram contados.

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Descobertas sobre a língua leia este diálogo de Chapeuzinho Vermelho com o lobo mau.

— Agora venha deitar-se ao meu lado para descansar — disse, quando Chapeuzinho Vermelho voltou ao quarto. A menina se aproximou da cama e notou quanto a avó estava mudada com a doença. — Ah, vovó, como seus olhos estão grandes — disse Chapeuzinho Vermelho. — Para poder enxergá-la melhor, querida — replicou o lobo. — Ah, vovó, como seus braços estão grandes — gritou Chapeuzinho. — Para poder agarrá-la melhor — disse o lobo, estendendo os braços para ela. Mas a menina recuou rapidamente e disse: — Ah, vovó, como seus dentes estão grandes! — Para poder comê-la melhor — gritou o lobo então, pulando da cama para devorá-la. Helen Cresswell. Contos de fadas clássicos. São Paulo: martins Fontes, 2002. p. 52.

Paulo Borges

◆◆

a) Quais foram os sinais de pontuação usados nesse trecho? Travessão, vírgula, ponto de exclamação, ponto final e dois-pontos.

b) Que sinal de pontuação é usado para identificar as falas das personagens? O travessão.

c) Em alguns parágrafos, há dois travessões. Por quê? Para separar a fala da personagem e a do narrador.

d) Que sinal de pontuação na fala do narrador vem antes de uma fala de Chapeuzinho? Dois-pontos. ◆◆

Sublinhe essa fala do narrador no texto.

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Entre linhas e ideias Você conferiu como um conto pode ser modificado mudando-se o ponto de vista de quem conta a história. A baleia do conto de Flávio de Souza não conhecia Gepeto e achou que ele era um caçador de baleias. 1.

Você vai escolher um conto clássico do qual gosta muito para produzir o seu conto modificado.

2. Para facilitar o seu trabalho, organize primeiro suas ideias, preenchendo este roteiro.

Desenvolvimento (Nessa parte, você deve contar o principal conflito do texto.)

Ilustra Cartoon

Introdução (Não se esqueça de apresentar as personagens, o cenário e quando a história acontece.)

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Ilustra Cartoom

Conclusão (Conte como o conflito foi resolvido.)

3. Junte todas as suas ideias organizadas no roteiro, escrevendo seu conto modificado. 4. Releia seu texto e veja se é preciso corrigir a grafia de alguma palavra e se as suas ideias ficaram claras.

Ilustra Cartoom

5. Veja se você usou as letras maiúsculas e a pontuação de modo correto. Faça os ajustes necessários, passando seu texto a limpo em uma folha à parte. Capriche na letra! 6. Depois, junto com os colegas, reúnam todas as histórias que vocês escreveram e montem um livro. Criem um título para ele relacionado a essa mistura de personagens e histórias. Esse livro poderá ser lido pelos alunos de outras classes da escola.

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Descobertas sobre a língua 1.

Releia este trecho do texto “Quo ini pó ou A baleia” e complete-o. A baleia parou de nadar para ver se conseguia ouvir direito a música que o velhinho estava cantando dentro dela. E ouviu. E começou a chorar. Porque a música era muito

triste

.

a) Que palavra foi usada para descrever como era a música cantada pelo velhinho? Triste.

b) O que essa palavra informa? A palavra triste descreve e qualifica a música ouvida pela baleia.

A palavra que você usou para completar a frase é um adjetivo. Os adjetivos descrevem, qualificam e caracterizam os substantivos que acompanham.

2. Junto com um colega, procure outros adjetivos em textos de livros, jornais e revistas. a) Copiem ou recortem os adjetivos que encontraram e colem-nos em um cartaz, organizando uma coleção.

de gênero: feminino/masculino; ◆ de número: singular/plural; ◆ de grau: aumentativo/diminutivo. ◆

Paulo Borges

b) Observem os adjetivos que vocês encontraram e verifiquem se estão sempre na mesma forma ou se apresentam variações:

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3. Escreva características para os substantivos abaixo. Sugestão: curiosa

menina Sugestão: bonita

Sugestão: malvado

lobo Sugestão: peludo

Sugestão: bondosa

vovó Sugestão: simpática

bloco de

NOTAS Adjetivo Complete o texto com o que você aprendeu e dê exemplos: Os adjetivos descrevem os substantivos e com eles concordam. Por isso, os adjetivos também variam em: a) gênero (masculino e feminino). Sugestões: Criança esperta. / Menino esperto.

b) grau (aumentativo e diminutivo). Sugestões: Grandão. / Grandona. / Pequenina.

c) número (singular e plural). Sugestões: Baleia triste. / Baleias tristes.

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4. O autor Erico Verissimo também modificou “Os três porquinhos” e escreveu “Os três porquinhos pobres”. Leia o início do conto e escreva adjetivos que completem o texto. Preste atenção na concordância.

Os três porquinhos pobres Era uma vez uma casa. A casa tinha um quintal. O quintal tinha um chiqueiro. O chiqueiro tinha três porquinhos. Os porquinhos eram irmãos. O mais velho se chamava Sabugo e era

. O do meio se chamava Salsicha e era

. E o mais moço se chamava Linguicinha e era

magro

O quintal era muito um galo

Sugestões: gordo

afinado

O cachorro vivia

amplo

com ele. A galinha andava muito

.

bravo

,

. Tinha um cachorro

, uma galinha amuado

pequeno

ruiva

e um burro

velho

.

porque não encontrava gato para brigar faceira

porque era

magra

e a cozinheira não se lembrava de levá-la para a panela. O galo era um sujeito convencido

, cantava como tenor e sabia sempre as horas direitinho

— isto só porque tinha engolido um relógio O burro pensava que era muito

esperto

despertador

.

: contava histórias para

os outros bichos, assim como eu estou contando agora para vocês. (A diferença é que eu ainda não sei sacudir as orelhas nem zurrar; estou aprendendo.) [...]

Erico Verissimo é um dos mais importantes autores brasileiros. Além de romances para adultos, escreveu livros infantis como: As aventuras do avião vermelho, Rosa Maria no castelo encantado, As aventuras de Tibicuera e Os três porquinhos pobres.

Acervo Uh/Folhapress

Erico Verissimo. In: Contos de estimação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 17-18.

◆◆ Será que você usou os mesmos adjetivos que o autor? Confira o texto original na

página 168.

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Refletindo sobre a escrita 1. Recorte de jornais e revistas palavras com SS e com Ç e cole-as no quadro abaixo. ◆

Em cada palavra, circule a letra que vem antes e depois do SS e do Ç.

SS

Ç

2. Com um colega, observe as palavras que vocês recortaram e colaram. Troquem ideias para saber se as afirmações a seguir são falsas (F) ou verdadeiras (V). a) A letra Ç nunca aparece no início da palavra.  ( v ) b) Depois do Ç podem vir as letras a, o, u.  ( v ) Ilustra Cartoom

c) O SS sempre aparece no início da palavra.  ( F ) d) Depois do SS podem aparecer as letras a, e, i, o, u.  ( v ) e) O Ç e o SS representam o mesmo som.  ( v ) 3. Leia as palavras do quadro e separe-as em grupos. terraço   poupança   doçura   caçarola   açude   açúcar abraço   bagaço   caçador   caroço   caçula   criança

Diferença

Pescoço

Açúcar

poupança

terraço

doçura

caçarola

abraço

açude

caçador

bagaço

açúcar

criança

caroço

caçula

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Diversão em palavras Pensando nas descobertas que você fez sobre o uso do Ç, escreva corretamente as palavras do quadro abaixo e explique o erro ocorrido. çapo

çol

çaca-rolha

acúcar

cacada

cacador

conheçido

amanheçeu

voçê

Escrita correta

Paulo Borges

1.

Explicação

Palavras iniciadas com S sapo

Não há palavras que

sal

iniciam com ç.

saca-rolha

Palavras com Ç açúcar

Faltou a cedilha

caçada caçador

Palavras com C conhecido

Só se usa ç antes de

amanheceu

a, o, u.

você

2. Destaque as peças das páginas 7 e 9 do material Complementar e monte um dominó de palavras com SS e Ç. Brinque com seus colegas.

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Entre linhas e ideias leia este parágrafo. Paulo Borges

1.

A menina morava em uma casa na floresta e todos os dias saía para passear. Até que um dia encontrou um lobo que a devorou.

◆◆

Que recursos poderiam ser usados para deixar esse texto mais emocionante?

2. Escreva uma história com base nesse parágrafo, acrescentando recursos para deixá-la mais interessante. 3. Faça uma revisão do seu texto de acordo com esta tabela.

Autoavaliação

Sim

Não

Coloquei título? Na introdução aparecem descrições das personagens e do cenário? Criei um conflito no desenvolvimento da história para deixá-la mais emocionante? Desenvolvi o conflito descrevendo cenas? Criei uma solução para o conflito e um final interessante para a história? Organizei o texto em parágrafos? Usei pontos de exclamação e de interrogação quando necessário? Usei dois-pontos e travessão nos diálogos? minha letra está legível? Reli o texto para verificar se há erros na escrita das palavras? 4. Corrija o que for necessário. 5. Dê seu texto para o professor e para seus colegas lerem.

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Descobertas sobre a língua ◆◆

onfira os adjetivos usados por Erico Verissimo neste trecho de “Os três porquiC nhos pobres”.

Os três porquinhos pobres Era uma vez uma casa. A casa tinha um quintal. O quintal tinha um chiqueiro. O chiqueiro tinha três porquinhos. Os porquinhos eram irmãos. O mais velho se chamava Sabugo e era preto. O do meio se chamava Salsicha e era ruivo. E o mais moço se chamava Linguicinha e era malhado. O quintal era muito pobre. Tinha um cachorro magro, um galo gordo, uma galinha arrepiada e um burro orelhudo. O cachorro vivia triste porque não encontrava gato para brigar com ele. A galinha andava muito contente porque era magra e a cozinheira não se lembrava de levá-la para a panela. O galo era um sujeito vaidoso, cantava como tenor e sabia sempre as horas direitinho — isto só porque tinha engolido um relógio despertador. O burro pensava que era muito importante: contava histórias para os outros bichos, assim como eu estou contando agora para vocês. (A diferença é que eu ainda não sei sacudir as orelhas nem zurrar; estou aprendendo.) [...]

Paulo Borges

Erico Verissimo. In: Contos de estimação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002. p. 17-18.

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Sugestões Para ler ◆◆ O fantástico mistério de Feiurinha, de Pedro Bandeira. São Paulo, FTD, 2009. No livro de Pedro Bandeira as princesas e os príncipes são como nós, de carne e osso. Branca de Neve está grávida, Rapunzel não está presa na torre e o príncipe encantado ronca! ◆◆ Que história é essa?, de Flávio de Souza. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2010. Este livro é uma homenagem às personagens secundárias dos contos de fadas. O caçador conta a história da Chapeuzinho Vermelho; a Bela Adormecida tem sua história narrada por um dragão que ama salsicha. Tudo muda, mas a essência das histórias permanece a mesma. Editora Formato

◆◆ O príncipe desencantado, de José Américo de Lima. São Paulo,

Formato Editorial, 2011. Em busca de aventura, o príncipe Wladimir encontra um povoado com cavaleiros, princesas, fadas e dragões. ◆◆ A princesinha medrosa, de Odilon Moraes. São Paulo, Cosac Naify,

2009. A princesa desta história é intolerante, autoritária e mandona. Esse comportamento, no entanto, esconde todos os medos da princesa. Isso tudo acontece até que um garoto entra na história e pode trazer esperança para que este conto às avessas termine com um final feliz. ◆◆ A bela arremetida e outros contos de fadas com bichos, de Gregory Maguire. São Paulo,

Companhia das Letrinhas, 2007. Já imaginou o conto “A bela adormecida” entre animais? Pois neste livro a princesa que recebe a terrível maldição é uma rãzinha. E se Cinderela fosse uma elefantazinha que resolveu desobedecer à madrasta e ir ao baile do príncipe com assadeiras de vidro nos pés? Confira divertidas versões dos clássicos tradicionais, com personagens e histórias surpreendentes. ◆◆ Turma da Mônica em Contos de Andersen, Grimm e Perrault, de Mauricio de Sousa. Barueri,

Girassol, 2008. Mônica, Magali, Cascão, Cebolinha e Chico Bento saem dos quadrinhos para serem personagens principais de histórias como “A bela adormecida”, “Chapeuzinho vermelho”, ”João e Maria”.

Para assistir ◆◆ Shrek. Direção de Andrew Adamson, Vicky Jenson. EUA, DreamWorks SKG/Pacific Data Images,

2001. O interessante amor de um ogro por uma linda princesa é o tema central desse filme, que conta também com a participação de personagens dos clássicos contos de fadas.

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AFP

Vozes da experiência O Brasil registrou, em 2010, uma população de, aproximadamente, 14,5 milhões de pessoas idosas, ou seja, com 60 anos ou mais. Quem alcança essa faixa etária com saúde continua praticando suas atividades, inclusive as profissionais, com desenvoltura. Este é Oscar Niemeyer, arquiteto que projetou a maioria dos prédios oficiais de Brasília, capital do Brasil, a partir do plano piloto de Lúcio Costa. Conhecido no país e no exterior, aos 103 anos projetou e inaugurou, em 2010, um auditório em Ravello, na Itália.

A escritora paulista Lygia Fagundes Telles, imortal da Academia Brasileira de Letras desde 1987, participou ativamente da revisão de sua obra, aos 87 anos. Seus livros também foram lançados nos Estados Unidos, na Holanda, na Alemanha, na Itália, na Espanha e na República Tcheca.

Paulo Libert/AE

Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de dezembro de 1907.

Lygia nasceu em São Paulo, no dia 19 de abril de 1923.

1. Você conhece idosos que ainda trabalham? Converse com seus colegas e o professor. Resposta pessoal. 2. Na sua opinião, é importante conviver com idosos? Por quê? Resposta pessoal.

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Para atender às necessidades dos idosos, o Brasil passou a se preocupar com políticas que promovessem a sua saúde e que contribuíssem para a manutenção da autonomia dessa parcela da população, o que culminou com o Estatuto do Idoso. O Estatuto do Idoso (Lei no 10.741), que entrou em vigor no dia 1o de outubro de 2003, assegura às pessoas de 60 anos ou mais todos os direitos fundamentais comuns a qualquer pessoa. Leia um de seus artigos:

Waltraud Grubitzsch/dpa/Corbis/Latinstock

Karen Kasmauski/Science Faction/Corbis/LatinStock

Art. 20. O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.

Dra. Helga Berge, com 88 anos, na Universidade de Leipzig, Alemanha. Fotografia de 2010.

Casal de fazendeiros de Nanto, Japão. Ele com 83 anos e ela, 80. Fotografia de 2006.

3. Você acha que o Estatuto do Idoso ajuda as pessoas com 60 anos ou mais a ter seus direitos assegurados? Por quê? Resposta pessoal. 4. As fotografias acima mostram atividades realizadas por idosos. Com os colegas e o professor converse sobre outras atividades feitas por eles que você conhece. Resposta pessoal.

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Coleção Plural Língua Portuguesa  

Amostra da obra de Língua Portuguesa da coleção Plural – 4º ano

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