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UNIDADE

SOTHEBY’S/AFP/Getty Images

Ouro no sertão

Moedas de ouro do século XVIII encontradas, no ano de 1993, em um navio naufragado no Uruguai.

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AP Photo/Greg Baker

Getty Images/DeAgostini

Medalha de ouro das Olimpíadas de Pequim, que aconteceram em 2008.

Coroa de folhas de carvalho feita de ouro, século IV a.C.

1. O que aparece nas imagens? Uma coroa, moedas e uma medalha olímpica. 2. O que elas têm em comum? Todas são feitas de ouro. 3. Por que o ouro é tão valorizado? Resposta pessoal.

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De São Vicente ao planalto

Biblioteca da Ajuda, Lisboa

Como você estudou, a vila de São Vicente foi a primeira do Brasil e nela se formaram os primeiros engenhos.

Mapa de São Vicente, elaborado por Luís Teixeira, em cerca de 1586. A vila de São Vicente fazia parte da capitania de São Vicente.

Apesar do sucesso inicial, a produção de açúcar em São Vicente entrou em declínio, mas isso não significa que essa produção tenha sido interrompida de uma vez. Aos poucos, com o passar do tempo e com o aumento das dificuldades para viver, as pessoas foram se deslocando para o sertão, nome que se dava na época ao interior do território. Desse modo, outros povoados e vilas foram surgindo na capitania de São Vicente, como São Paulo, Taubaté, Guaratinguetá, Mogi das Cruzes. Com o fracasso dos engenhos, os colonos voltaram-se para o cultivo de produtos como trigo, algodão, mandioca e milho.

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Quem eram os jesuítas Os jesuítas eram religiosos da Companhia de Jesus, que fazia parte da Igreja Católica e tinha por objetivo enviar seus membros a diversas partes do mundo para divulgar a religião católica para povos não cristãos. Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil em 1549. Eram muitos os desafios que eles teriam de enfrentar, como vencer o “paredão” da serra do Mar, atravessando a mata fechada.

As missões jesuíticas

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

Os jesuítas que vieram para a América criaram as missões ou reduções jesuíticas, que eram os locais onde reuniam os indígenas, a fim de convertê-los à religião católica. Esses locais também eram chamados de aldeamentos. Para converter os indígenas, os jesuítas tiveram de aprender a língua tupi, que era falada por grande parte das populações nativas que habitavam o litoral do Brasil. Nos aldeamentos, além da religião católica, os indígenas tinham de adotar costumes europeus e deixar de lado os costumes indígenas que eram considerados inadequados para os europeus, como andar nus. Também realizavam trabalhos, como construir igrejas e moradias e cultivar a terra.

Ruínas de construção jesuítica em São Miguel das Missões, no estado do Rio Grande do Sul. Fotografia de 2008. Esse local atualmente é um sítio arqueológico.

1. Qual era o objetivo dos jesuítas? Divulgar, em várias partes do mundo, a religião católica aos não cristãos.

2. O que eram as missões jesuíticas? Locais onde os indígenas eram reunidos pelos jesuítas para serem convertidos ao catolicismo.

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A fundação da vila de São Paulo de Piratininga Em 1554, alguns jesuítas, seguindo o seu objetivo de catequizar os indígenas, foram para o interior da capitania de São Vicente e, ao chegar no alto de uma colina próxima a alguns rios, resolveram ali se instalar. Por ser um lugar alto foi considerado propício para a defesa contra os constantes ataques indígenas. Teve origem, então, a vila de São Paulo de Piratininga, em 25 de janeiro de 1554, por meio da fundação de um colégio jesuíta.

Museu Paulista/USP

No período colonial os jesuítas foram os responsáveis pela educação no Brasil. Para isso, criavam os colégios jesuítas. Esses colégios eram destinados à educação dos cristãos europeus. Para lá iam apenas os meninos, filhos das famílias mais ricas, para aprender a ler, escrever e contar. As mulheres, os escravizados africanos e o restante da população livre não tinham acesso à educação.

A fundação da cidade de São Paulo, de Oscar Pereira da Silva. Óleo sobre tela, 1909. Foi assim que o pintor imaginou a cena em que foi rezada a missa de fundação do Colégio de São Paulo.

Troca de ideias ◆◆

Converse com os colegas e o professor procurando estabelecer comparações entre a educação no Brasil colonial e a atual. Quais são as permanências e mudanças? Resposta pessoal.

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A vida na vila de São Paulo de Piratininga Desde a segunda metade do século XVI, eram organizadas expedições para a captura de indígenas. Isso gerou muita resistência dessas populações, que, para se defender, passaram a atacar povoados e vilas dos portugueses no Brasil. Com a formação da vila de São Paulo, grande parte dos moradores da vila de São Vicente mudou-se para ela. A população de outra vila próxima, Santo André da Borda do Campo, também se transferiu para lá, por causa de ataques indígenas. Além disso, muitos dos colonos portugueses se mudaram para o interior em busca de riquezas, como ouro e pedras preciosas. Como você já estudou, desde o início da ocupação das terras americanas, os portugueses passaram a escravizar as populações indígenas. Na capitania de São Vicente, isso se deu de forma ainda mais intensa porque os escravizados africanos custavam muito e, como a produção de açúcar não teve o sucesso esperado, os colonos optaram por utilizar escravizados indígenas para o trabalho nos engenhos e também nas plantações de produtos, como mandioca, trigo e algodão. Na vila de São Paulo, em função de seu relativo isolamento do litoral e das demais capitanias e do intenso contato com os indígenas, os colonos foram adotando muitos costumes indígenas no lugar de costumes portugueses. Os paulistas ou sampaulistas, como eram chamados, por exemplo, só dormiam em redes, utilizavam objetos de barro, cozinhavam no moquém, cobriam as casas com palha, assim como as moradias indígenas etc. moquém: grelha que ficava do lado de fora das moradias e era utilizada para assar alimentos.

1. Preencha a cruzadinha com as palavras que completam as frases. a) Os jesuítas foram para o interior com o objetivo de catequizar os ❋ ❋ ❋. b) No alto de uma colina, se desenvolveu a vila que hoje é a cidade de ❋ ❋ ❋. c) A vila de São Paulo era relativamente isolada do ❋ ❋ ❋. d) Muitos colonos se mudaram para o interior à procura de ❋ ❋ ❋. J

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Expedições para o sertão

Museu Paulista/USP

Ao longo do período colonial houve diversas expedições para o sertão. Por meio delas o território brasileiro, na época pertencente ao reino de Portugal, foi sendo ampliado, incorporando inclusive áreas que inicialmente pertenciam à Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas. As entradas eram expedições organizadas pelas autoridades coloniais, principalmente com o objetivo de expandir o território conquistado pelos portugueses em direção ao interior. Elas foram realizadas desde o início da colonização portuguesa. A partir do início do século XVII, os paulistas, que já realizavam expedições de captura de indígenas e por isso conheciam as matas e as técnicas de guerra contra as populações nativas, passaram a fazer expedições também em busca de metais e pedras preciosos. Elas foram denominadas bandeiras e seus participantes, bandeirantes. As bandeiras eram organizadas pelos colonos portugueses e seus descendentes. Participavam delas, entre outras pessoas: o chefe; descendentes de europeus e indígenas, que muitas vezes serviam de guias; e indígenas escravizados, a quem cabia carregar pelas matas toda a bagagem, que incluía armas e alimentação. No século XVIII, surgiram as monções. Eram expedições que, assim como as bandeiras, partiam da capitania de São Vicente para o interior do Brasil. Porém, não eram feitas a pé, pelas trilhas; seguiam pelos rios, em canoas — geralmente construídas pelos indígenas escravizados. Nessas expedições, além de buscar indígenas para escravizar, metais e pedras preciosos, eram levados produtos para serem comercializados em outros povoados e vilas — de onde se traziam outras mercadorias.

Partida da monção, de Almeida Júnior. Óleo sobre tela, 1897. Foi assim que o artista representou a cena da partida de uma expedição do atual município de Porto Feliz, em São Paulo.

◆◆

Qual era a diferença entre as entradas e as bandeiras? As entradas eram organizadas pelas autoridades coloniais com o objetivo principal de conquistar o território. As bandeiras eram organizadas pelos próprios colonos, que procuravam principalmente descobrir metais e pedras preciosos.

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A escravização dos indígenas e a destruição das missões Durante o período em que os holandeses ocuparam parte do atual Nordeste brasileiro, de 1630 a 1654, também tomaram feitorias portuguesas na África, dificultando o tráfico de escravos. Além disso, muitos senhores de engenho passavam por dificuldades financeiras devido à concorrência do açúcar das Antilhas. Diante das dificuldades de comprar escravizados africanos, a mão de obra escrava indígena passou a ser mais procurada. A área onde hoje está o estado do Rio Grande do Sul pertencia à Espanha, conforme estabelecia o Tratado de Tordesilhas. Naquela região viviam povos indígenas, entre eles os guaranis. Isso atraiu os bandeirantes, que se dirigiam àquela região para escravizar indígenas para os colonos. Muitos indígenas, em busca da segurança, foram viver em missões que ali existiam, fundadas por jesuítas espanhóis. Porém, os bandeirantes passaram a atacar e destruir violentamente essas missões, obrigando jesuítas e indígenas a se deslocarem cada vez mais para o interior — o que aconteceu até o século XVIII. Muitas missões jesuítas foram completamente destruídas pelos bandeirantes e grupos indígenas inteiros foram exterminados. 1. Por que a mão de obra de indígenas escravizados passou a ser mais procurada em algumas regiões do Brasil no século XVII? Porque os holandeses tomaram feitorias portuguesas na África e os senhores de engenho passavam por dificuldades financeiras devido à concorrência do açúcar das Antilhas.

2. Observe o mapa com algumas bandeiras de preação e responda às questões. a) De onde partia a maioria das bandeiras?

Selma Caparroz

Algumas Bandeiras de preação (SécULO XVII)

Principalmente da vila de Equador

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b) Qual foi a bandeira que mais penetrou o sertão? A bandeira de Antônio

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Fernão Dias Pais – 1638

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preação: ato de aprisionar, conquistar.

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Domingos Jorge Velho – 1671-1674 Limites atuais

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Antônio Raposo Tavares, André Fernandes e Fernão Dias Pais – 1633-1637

Bartolomeu Bueno de Siqueira – 1670

Natal João Pessoa Olinda Recife

Raposo Tavares.

Manoel Preto e Antônio Raposo Tavares – 1628-1633

Antônio Raposo Tavares – 1642-1652

São Paulo.

Meridiano de Tordesilhas

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554 km

Fonte: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 24.

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Ler e compreender Leia um trecho do livro Iamê e Manuel Diogo nos campos de Piratininga na época dos bandeirantes, de Maria José Silveira, cuja história se passa por volta de 1610.

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

[…] A mãe de Iamê era uma índia guarani e havia sido apresada em uma das entradas de Dom Miguel pelo sertão. Era assim naquela época: os paulistas – que habitavam as colinas e os campos de São Paulo de Piratininga – passavam sua vida em viagens pelo sertão para procurar ouro, prata e aprisionar os índios. Iam a pé, em longas marchas pelas matas […]. Na maioria das vezes, não achavam nem ouro nem prata, mas encontravam muitos índios […]. Os [indígenas] que não morriam eram feitos prisioneiros e levados para trabalhar nas roças, ou eram vendidos como escravos para outros paulistas. […]

Florestas virgens do Brasil, nas margens do rio Paraíba, baseadas nos originais de Jean-Baptiste Debret, em litografias de Charles Motte, 1834. Nessa pintura foram representados bandeirantes e indígenas aprisionados.

Na verdade, o rei de Portugal havia proibido que se escravizassem os nativos. Mas os paulistas, vivendo em um lugar tão distante e de tão difícil acesso, não obedeciam muito a essas ordens, mesmo porque na vila pobre e isolada não havia ninguém para fazer com que fossem cumpridas. […] Em época de festa e de procissão, toda a família ia para a vila de São Paulo de Piratininga. Pequena e pobre, a vila parecia pouco habitada, porque boa parte de seus homens estava sempre em andanças pelo sertão ou pelos sítios e fazendas. Mesmo assim era uma vila, com coisas que só uma vila tinha […].

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As crianças [Iamê e Manuel Diogo] adoravam o passeio até lá. A família ficava instalada na casa de taipa que Dom Miguel possuía, uma casa pequena, perto da igreja do colégio, no alto da colina. Houve uma época em que mandavam Manuel Diogo aprender a ler com os padres jesuítas nesse colégio. Foi na época em que a família inteira passou longa temporada na cidade, e Manuel Diogo ia todas as manhãs para as aulas do padre. Iamê queria muito ir junto, mas Mãe Firmina disse que não, que mulher não precisava aprender a ler, nem a escrever, nem a contar, só os homens. Mas se alguém pensou que Iamê ia se conformar com isso, foi porque não conhecia a menina. De manhãzinha, quando Manuel Diogo saía, ela saía atrás. Ficava rondando o padre e os meninos que estavam assistindo às aulas: seu primo e dois outros meninos paulistas – um bem mais velho, quase rapaz, outro mais ou menos da mesma idade – e dois meninos índios. Sentavam-se nos bancos de madeira do pátio, onde eram dadas as aulas. O padre, ao vê-la, a escorraçava dali: — Xô, xô, Iamê, aqui não é lugar de menina. Fora! Vá para sua casa. Anda! Outras vezes, no entanto, achando graça da insistência dela, deixava que ficasse por perto. Mas avisava com braveza que ela não podia dar nenhum pio nem fazer nenhum barulho. […] Maria José Silveira. Iamê e Manuel Diogo nos campos de Piratininga na época dos bandeirantes. São Paulo: Formato, 2004. (Coleção Meninos e meninas do Brasil).

1. De acordo com o texto, como os paulistas “passavam sua vida”? Eles viviam viajando pelo sertão, em longas marchas a pé pelas matas, para procurar ouro e prata e aprisionar os indígenas.

2. Marque com um X as principais características da vila de São Paulo de Piratininga.

X

  Era pequena e pobre.   A população era formada somente por portugueses.

X

  A igreja ficava no alto da colina.

X

  Os jesuítas davam aula no colégio.

3. Por que Iamê não podia ir ao colégio? Ela ficou conformada com isso? Porque ela era menina, mas não se conformou e ia assim mesmo.

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O ouro, enfim! No final do século XVII, os bandeirantes descobriram as primeiras jazidas importantes de ouro na região das chamadas Minas Gerais. No início do século XVIII, eles encontraram ouro também em uma região que corresponde aos atuais estados de Mato Grosso e Goiás. Observe o mapa.

Selma Caparroz

Áreas de mineração na Colônia (séculos XVII-XVIII)

Equador OCEANO ATLÂNTICO

Jacobina Vila Bela

Cuiabá

Vila Boa N

Vila Rica Sabará Ribeirão do São João Carmo del Rei (Mariana)

OCEANO PACÍFICO

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L S

0

540 km

Mineração 55°O

Limites atuais

Fonte: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 28.

Uma luta pelo direito de explorar A notícia da descoberta das minas atraiu para a região milhares de pessoas vindas de Portugal e das outras capitanias. Os bandeirantes, por terem sido os descobridores do ouro, queriam ser os únicos a ter o direito de explorá-lo. Mas essa ideia não foi aceita pelas pessoas que chegaram posteriormente à região. Disso resultou o conflito entre os paulistas e os emboabas, nome dado pelos paulistas a essas pessoas. Por isso o conflito ficou conhecido como Guerra dos Emboabas (1707-1709). Nessa guerra, os paulistas saíram perdendo, e acabaram expulsos da região sem qualquer direito. Depois desse episódio, os bandeirantes paulistas dirigiram sua atenção para o oeste do continente, seguindo para a região dos atuais estados de Mato Grosso e Goiás. jazida: área de concentração mineral; mina.

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Organização e formas de exploração

Coleção particular

Com a descoberta do ouro, o governo português voltou suas atenções para a região mineradora, interessado nos impostos que poderia arrecadar. Assim, cada jazida descoberta tinha de ser imediatamente comunicada ao superintendente da capitania. Era ele quem mandava demarcar as datas, nome dado aos lotes que seriam distribuídos entre os mineradores (somente se tivessem escravos). O tamanho de uma data dependia do número de escravos que um minerador possuísse, ou seja, quanto maior o número de escravos, maior o tamanho da data. Explorou-se no Brasil principalmente o ouro de aluvião, que era encontrado nas margens e leitos dos rios. Sua exploração se dava, em geral, por meio do trabalho de africanos escravizados que, com as mãos ou bateias, separavam o ouro do cascalho dos rios. Esse processo era chamado de faiscação.

Detalhe de Vila Rica, de Johann Moritz Rugendas. Litografia colorida a mão, 1835. Nesse detalhe, os escravos estão faiscando ouro com as bateias. bateia: recipiente utilizado na mineração. O cascalho recolhido era colocado na bateia e, através de movimentos circulares, buscava-se separar o ouro ou as pedras preciosas do cascalho. superintendente: funcionário da Coroa portuguesa encarregado, com outros funcionários, de cobrar impostos, combater o contrabando, repartir as datas, resolver conflitos entre mineradores, entre outros.

1. O que aconteceu após a notícia da descoberta das Minas Gerais? Muitas pessoas se deslocaram para a região das Minas em busca de ouro.

2. Complete as frases: a) Os

paulistas

b) As

datas

perderam a Guerra dos Emboabas. eram lotes distribuídos entre os mineradores.

3. Observe a imagem de Vila Rica. Qual era a principal mão de obra utilizada na mineração do Brasil colonial? Mão de obra de africanos escravizados.

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Registros históricos O texto que você vai ler é um trecho de um livro publicado em 1711. O nome de seu autor consta como André João Antonil, um nome falso utilizado pelo jesuíta italiano João Antônio Andreoni, que, em 1681, chegou ao Brasil, onde viveu por 35 anos. A obra foi proibida pela Coroa portuguesa, que mandou recolher e destruir todos os exemplares. Ao que tudo indica, restaram apenas sete exemplares. Alguns historiadores defendem que Portugal mandou destruí-la por querer manter em segredo as riquezas de sua colônia na América. Outros historiadores, porém, acreditam que Portugal não queria que os próprios brasileiros conhecessem suas riquezas e passassem a lutar pela independência.

As primeiras minas de ouro descobertas Há poucos anos que se começaram a descobrir as Minas Gerais […]. E o primeiro descobridor dizem que foi um mulato que tinha estado nas minas de Paranaguá e Curitiba. Este, indo ao sertão com uns Paulistas a buscar índios e chegando ao serro Tripuí, desceu abaixo com uma gamela para tirar água do ribeiro que hoje chamam de Ouro Preto; e metendo a gamela na ribanceira para tomar água, e roçando-a pela margem do rio, viu depois que nela havia granitos da cor do aço, sem saber o que eram. Nem os companheiros aos quais mostrou os ditos granitos souberam conhecer e estimar o que se tinha achado tão facilmente, e só cuidaram que aí haveria algum metal […]. Chegando porém a Taubaté, não deixaram de perguntar que casta de metal seria aquele. E, sem mais exame, venderam […] alguns destes granitos por meia pataca a oitava, sem saberem o que vendiam, nem o comprador o que comprava, até que se resolveram a mandar alguns granitos ao governador do Rio de Janeiro […], e fazendo-se exame deles, se achou que era ouro finíssimo.

casta: qualidade. granito: grão pequeno. oitava: medida de peso antiga, equivalente a aproximadamente 3,8 gramas. pataca: unidade de valor do dinheiro, equivalente na época a 320 réis.

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Rogério Reis/Pulsar Imagens

Vista de Mariana, estado de Minas Gerais. Fotografia de 2009. Primeira cidade de Minas Gerais, Mariana foi fundada com o nome de Ribeirão do Carmo, lugar onde foi encontrada uma das primeiras jazidas de ouro descobertas pelos paulistas.

Em distância de meia légua do ribeiro do Ouro Preto, achou-se outra mina que se chama a do ribeiro de Antônio Dias e daí a outra meia légua, a do ribeiro do Padre João de Faria e justo desta, pouco mais de uma légua, a do ribeiro de Bueno e a de Bento Rodrigues. E daí três dias de caminho […], a do ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, descoberta por João Lopes de Lima, além de outro que chamam de ribeiro Ibupiranga. E todas estas tomaram o nome de seus descobridores, que todos foram Paulistas. […] André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: Edusp, 2007. p. 217-219.

1. Que tipo de fonte histórica é a obra de Antonil? Fonte escrita.

2. Qual a data da fonte? 1711.

3. Sobre o que trata o trecho? Sobre a descoberta de minas de ouro na região das Minas Gerais.

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O trabalho nas minas

Coleção particular

Observe atentamente a imagem e converse com os colegas e o professor sobre as questões a seguir.

Detalhe de Lavagem do minério do ouro: a montanha Itacolomi, pintura de Johann Moritz Rugendas. Litografia colorida a mão, 1835.

1. O que é retratado na imagem? Espera-se que o aluno faça referência à mineração do ouro.

2. Qual é o tipo de trabalhador que aparece? Africanos escravizados.

A necessidade de mão de obra na mineração fez com que aumentasse enormemente a entrada de africanos escravizados na colônia. De 1701 a 1760 chegaram ao porto do Rio de Janeiro mais de 900 mil, a maioria levada para o trabalho nas Minas Gerais. As condições de trabalho nas minas eram extremamente difíceis. Na faiscação, os escravizados ficavam muito tempo com parte do corpo mergulhada na fria água dos rios e dos córregos, o que fazia com que ficassem doentes com frequência. Trabalhavam curvados, de frente para o capataz, que os vigiava para que não ocultassem ouro ou diamante encontrados durante o peneiramento do cascalho. Além disso, ao término de cada tarefa eram revistados. Nos túneis, trabalhavam praticamente no escuro, cavando as paredes em busca das pepitas. Eram muitas horas seguidas respirando pó, o que lhes causava doenças respiratórias.

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O trabalho nas vilas e nas estradas Coleção particular

Durante o período da mineração, houve um crescimento populacional muito grande na região das minas, dando origem a vários núcleos urbanos. A maior parte vivia nas vilas e cidades — diferentemente do que acontecia no Nordeste, principal região de produção de açúcar e cuja população se concentrava no campo. Nesses núcleos urbanos, outras atividades passaram a ser realizadas pelos escravizados. Você já ouviu falar, por exemplo, de escravos de ganho?

Negra do tabuleiro carregando filho às costas, de Christiano Júnior. Fotografia de cerca de 1865. As negras do tabuleiro eram escravas de ganho que vendiam guloseimas, frutas e verduras. Muitas delas foram acusadas de esconder ouro e diamantes em seus doces e salgados para ajudar escravos a fugir.

Os escravos de ganho eram os trabalhadores escravizados (africanos e afrodescendentes) que circulavam pelas vilas e cidades realizando diversos trabalhos: vendedores de doces e comidas, sapateiros, carregadores, barbeiros, ferreiros etc. […] um escravo de ganho […] podia ter meios para vestir calças bem-postas, paletó de veludo, portar relógio de algibeira, anel com pedra, chapéu-coco e até fumar charuto em vez de cachimbo. Nem com tamancos, nem com sandálias. De pé no chão […]. Luiz Felipe de Alencastro. Vida privada e ordem privada no Império. In: História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 79.

A esses escravizados, apesar de muito difícil, era maior a possibilidade de conseguir sua liberdade, quando comparados aos dos engenhos. Eles podiam comprar suas cartas de alforria porque ganhavam uma parte do que vendiam. Além disso, como ficavam nas vilas e cidades, longe do rígido controle de seus proprietários, os escravizados podiam realizar trabalhos extras ou mesmo esconder parte dos ganhos. Os escravizados que trabalhavam nas minas eram muito controlados, mas às vezes conseguiam esconder ouro ou alguma pedra preciosa para comprar sua liberdade. Carta de alforria era o documento, assinado pelo proprietário de um escravizado, que o tornava uma pessoa livre.

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O abastecimento das minas

Coleção particular, São Paulo

Quando as primeiras minas foram descobertas, era muito difícil a sobrevivência na região mineradora, pois não havia ali nenhum tipo de cultivo (plantação) ou criação de animais. Isso porque os que para lá se dirigiram queriam encontrar ouro, prata e pedras preciosas, ou seja, se concentravam nas atividades mineradoras e não se preocupavam em plantar ou criar animais. A fome chegou a provocar o abandono de mineiros dos acampamentos e até mortes. Assim, surgiu uma figura muito importante: o tropeiro, que abastecia as minas com alimentos e outros produtos trazidos de longe. Os tropeiros eram os condutores de tropas de mulas. As mulas eram os animais mais adequados para transportar a pesada carga e se locomover nos longos e difíceis caminhos, que incluíam trechos com mata fechada e travessias de rios. As tropas, organizadas em filas, faziam o transporte de mercadorias (como tecidos, roupas etc.) e alimentos (como farinha, sal, feijão etc.). Levavam também animais (como bois, usados na alimentação, e mulas, usadas no transporte de pessoas, ouro e outros produtos) para a região das minas. Os tropeiros levavam ainda notícias e divulgavam ideias pelos lugares onde passavam. Eles percorriam enormes distâncias, desde o sul do Brasil, onde se concentravam as mulas e o gado bovino, passando por povoados e vilas, onde havia feiras para compra e venda de produtos, até chegar à região mineradora.

Cidade de Castro, de Jean-Baptiste Debret. Aquarela sobre papel, 1827. Castro, no Paraná, foi um povoado fundado em 1778, às margens do rio Iapó, local onde tropeiros costumavam acampar e que deu origem a um povoado do qual nasceu a atual cidade.

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Durante as longas viagens, os tropeiros tinham de parar para dormir, comer, descansar e se abastecer com os produtos para vender. Os locais onde paravam eram chamados de pouso. Dos pousos e caminhos utilizados pelos tropeiros surgiram povoados que deram origem a cidades que existem ainda hoje. O tropeirismo era uma atividade muito lucrativa. Devido à distância e às dificuldades, os produtos eram revendidos por um valor muito maior do que o pago pelos tropeiros. Além disso, a região mineradora concentrava algumas pessoas muito ricas, que exibiam sua riqueza comprando artigos de luxo, trazidos da Europa, e escravos.

Selma Caparroz

Rota das tropas SÃO PAULO Sorocaba

MATO GROSSO DO SUL

Itapetininga Itapeva Itararé PARANÁ Ponta Grossa Palmeira

Guarapuava

Lapa Rio Negro União da Mafra Vitória

PARAGUAI Palmas Xanxerê Chapecó

Carazinho

Santo Ângelo Cruz Alta

SANTA CATARINA

Lages 28º

Passo Fundo

RIO GRANDE DO SUL URUGUAI Missões jesuíticas Caminho da Vacaria dos Pinhais, rota clássica do Tropeirismo Caminho de Viamão Caminho das Missões Limites estaduais atuais Limites atuais do Brasil

Curitibanos

Vacaria

OCEANO

Viamão

ATLÂNTICO

Meridiano de Tordesilhas

ARGENTINA

Palmeira das Missões

Castro

N O

L S

0

104 km

Fonte: Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapeva. Disponível em: <www.ihggi.org.br/pag.php?pag=rotasdostropeiros>. Acesso em: dez. 2011.

◆◆

Numere as frases de acordo com a sequência de acontecimentos que fizeram parte da história do abastecimento na região das minas. 2

 Devido ao trabalho dos tropeiros, a região das minas passou a ser abastecida com diferentes mercadorias.

1

 No início da mineração, a vida na região da minas era difícil, pois não havia plantações ou criação de animais para garantir o sustento dos mineradores.

3

 Durante as viagens dos tropeiros em direção às minas, muitos locais de parada deram origem a novos povoados.

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A gente mineira A corrida pelo ouro fez surgir em pouco tempo diversas vilas na região mineradora, como Vila Rica (atual Ouro Preto), Ribeirão do Carmo (atual Mariana), São José (atual Tiradentes), São João del Rey, Sabará e muitas outras. Cada ano vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertão do Brasil vão brancos, pardos, pretos e muitos índios […]. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus. André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: Edusp, 2007. p. 227.

plebeu: aquele que não fazia parte da nobreza.

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

Entrou também na região uma imensa massa de africanos e afrodescendentes escravizados, os quais chegaram a constituir a maior parte da população. Como era grande a população urbana da região mineradora, as pessoas conviviam com mais frequência nas vilas e nas cidades. Além das atividades comerciais, que envolviam muitas pessoas, eram constantes as notícias vindas de outros lugares, até do exterior. Também eram frequentes as festas religiosas durante muitas das quais realizavam-se procissões. Algumas pessoas enriqueceram muito durante a mineração. Toda essa riqueza era demonstrada de várias maneiras. Observe a imagem.

Senhora sendo carregada em sua cadeirinha e seguida de suas escravas, de Carlos Julião. Aquarela colorida, cerca de 1776. Em geral, os escravizados não usavam calçados.

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Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

Outra maneira de exibir riqueza era fazer doações para as irmandades religiosas.

Interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, construída em 1733, na atual cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Fotografia de 2006.

As irmandades religiosas eram associações de católicos que se reuniam para promover o culto a um santo. Em geral, faziam parte de uma irmandade pessoas com condição social semelhante: de homens livres e pobres; de escravizados; de pessoas mais ricas. As irmandades foram muito importantes na propagação da fé católica no Brasil colonial. Além de organizar as festas e procissões e construir igrejas, as irmandades ajudavam seus membros mais necessitados e cuidavam dos casamentos, dos doentes e dos enterros. Ao contrário do que se pode pensar, os homens mais ricos da região das minas não eram os mineradores, mas os comerciantes, que vendiam produtos como alimentos, instrumentos de trabalho, tecidos, móveis etc. Os mineradores, por sua vez, estavam sujeitos aos mais pesados impostos. Muitos deles ficavam devedores do governo por anos seguidos. Nas vilas mineiras da época da mineração também havia proprietários de terras, funcionários públicos, artesãos, sacerdotes, profissionais liberais (advogados, médicos etc.), trabalhadores livres, além da enorme quantidade de africanos e afrodescendentes escravizados. ◆◆

Pinte os quadrinhos que indicam alguns grupos de pessoas que moravam na área urbana da região mineradora. senhores de engenho

escravizados

comerciantes

sacerdotes

artesãos

tropeiros

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Ampliar horizontes

Acervo Museu da Inconfidência, Minas Gerais/Foto: Rômulo Fialdini

Você já ouviu a expressão “santo do pau oco”? O que ela quer dizer? Resposta pessoal. Observe esta imagem.

Nossa Senhora do Rosário. Escultura de madeira talhada, policromada, estofada e dourada, século XVIII.

1. O que está representado? A imagem de uma santa esculpida em madeira.

2. Que tipo de fonte histórica é essa? Fonte material.

3. Você reparou que há uma abertura nela? Para que ela poderia servir? Resposta pessoal.

A Coroa portuguesa controlava a exploração do ouro, enviando funcionários especialmente para essa função. Para tentar enganar a fiscalização, imagens de santos feitas de madeira eram ocas para esconder ouro e pedras preciosas.

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Vamos retomar 1. Leia este texto e depois responda às questões. Um grupo de homens descalços, sujos e famintos se aproxima de uma aldeia […], convencem os índios a permitir que acampem na vizinhança. Aos poucos, ganham a amizade dos anfitriões. Um belo dia, entretanto, mostram a que vieram. De surpresa, durante a madrugada, invadem a aldeia. […] Os sobreviventes do massacre, feridos e acorrentados, iniciam, sob chicote, uma marcha […] até a vila de São Paulo – como escravos. […] Mas, se não fossem eles, você talvez falasse espanhol hoje. Disponível em: <http://super.abril.com.br/superarquivo/2000/conteudo_124045.shtml>. Acesso em: dez. 2011.

a) Quem eram os “homens descalços, sujos e famintos”? Os bandeirantes.

b) O que eles estavam fazendo? Aprisionando indígenas para escravizá-los.

c) “Mas, se não fossem eles, você talvez falasse espanhol hoje.” Explique o que o autor quis dizer com essa frase. O autor se refere à incorporação de áreas pertencentes à Espanha ao território brasileiro devido à atuação dos bandeirantes.

2. Leia o trecho de uma carta que o padre José de Anchieta escreveu a seu superior, em 1554. Aqui fizemos uma casinha pequena de palha, e a porta estreita de cana. As camas são redes que os índios costuram; os cobertores, o fogo, para o qual, acabada a lição à tarde, vamos buscar lenha no mato e a trazemos às costas, para passarmos a noite. A roupa é pouca e pobre, sem meias ou sapato, de pano de algodão […]. A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, mas raramente, alguns peixinhos do rio e, mais raramente ainda, alguma caça do mato. José de Anchieta. Obras completas. São Paulo: Loyola, 1984.

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Sublinhe no texto o trecho que indica um costume indígena adotado pelo padre.

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Coleção particular

3. Observe a imagem e, depois, responda à questão.

Serra dos Órgãos, de Johann Moritz Rugendas. Litografia colorida a mão, 1835.

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Explique com suas palavras a importância da atividade retratada. O trabalho de transporte e comércio feito pelos tropeiros foi responsável por abastecer a região das Minas Gerais no tempo da mineração e pelo surgimento de inúmeros povoados e vilas.

A

B

Detalhe de Carregadores de leite vindo para a cidade, de Jean-Baptiste Debret. Aquarela sobre papel, 1834.

Limite da província de São Paulo com Curitiba, de Jean-Baptiste Debret. Aquarela sobre papel, 1827.

B

tropeiros

A

Coleção particular

Museus Castro Maya, Rio de Janeiro

4. Observe as imagens e faça a associação corretamente com as palavras dos quadros.

escravos de ganho

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Sugestões

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Editora Formato

Para ler Ana Preciosa e Manuelim e o roubo das moedas de ouro na época do ciclo do ouro, de Maria José Silveira. São Paulo: Editora Formato, 2005. Ana Preciosa é filha de comerciantes portugueses, enquanto seu amigo Manuelim é filho de um escravo africano e de uma escrava indígena. O livro revela a história de Vila Rica através das aventuras e peripécias das duas crianças. ◆◆

O cotidiano brasileiro no século XVI, de Hernâni Donato. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2000. O livro aborda o dia a dia dos fortins e vilarejos construídos à beira-mar no século XVI, incluindo as negociações de escambo, os casamentos, a alimentação e as crenças dos nativos e portugueses.

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O filho do bandeirante, de Odette de Barros Mott. São Paulo: Editora Atual, 1987. As aventuras de Bentinho, filho de 10 anos de um bandeirante, que se perde na mata e é acolhido pelos indígenas. O menino aprendera com o pai que indígenas não eram gente, mas a convivência com eles o faz ver de maneira diferente e a condenar a escravização desse povo.

Jovens brasileiros – uma aventura literária em 10 momentos da nossa história, de Ivan Jaf, Maria Odette Simão Bracatelli e Vera Lucia Vilhena de Toledo. São Paulo: Editora Ática, 2002.

Editora Ática

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A história de Macário, que vê seu amigo Antônio, um ano mais velho que ele, partir para uma grande bandeira no sertão. ◆◆

A Guerra dos Emboabas, de Eduardo José Afonso. São Paulo: Editora Ática, 1998. Entre 1707 e 1709, paulistas e forasteiros enfrentaram-se na região das minas de ouro. Os paulistas, descobridores das minas, queriam garantir o direito exclusivo de explorar essa riqueza, cobiçada por aventureiros de toda a colônia e até do Reino.

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Aleijadinho, de Regina Rennó. São Paulo: Editora do Brasil, 2003. Numa viagem no tempo, João Teimoso chega a Minas Gerais em pleno século XVIII, na chamada “Época do Ouro”. Lá encontra Aleijadinho, o grande mestre do barroco brasileiro. João acompanha de perto o esforço desse gênio da escultura para superar suas dificuldades físicas e realizar as principais e mais belas obras de nossa arte barroca.

Para ouvir ◆◆

Chico Rei, composição de Geraldo Babão, Djalma Sabiá e Binha, gravado por Martinho da Vila. CD Voz e Coração, Sony Music, 2002.

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Brilho valioso

Teh Eng Koon/AFP/Getty Images

O ouro foi muito importante em um período da história brasileira. É um dos metais mais antigos conhecidos pelos seres humanos e muito valorizado. Além de sua importância econômica, o ouro tem valor cultural, pois diversas populações fazem usos diferentes dele.

Homem observa objetos de ouro na Feira Internacional de Ouro, Joias e Pedras Preciosas, na China. Fotografia de 2007. A China ultrapassou a África do Sul e se tornou o maior produtor mundial de ouro. Impulsionados pelo crescimento dessa produção, os chineses organizam essa feira desde 2003. O evento promove negócios entre comerciantes do mundo todo e expõe os mais diversos objetos feitos de ouro.

1. O que as imagens destas páginas têm em comum? Presença do ouro.

2. O ouro é usado da mesma maneira? Justifique sua resposta. Sugestão: Não, o ouro pode ser usado de diferentes formas, como o bordado da roupa da mulher indiana, os adereços usados pelo rapper e a fabricação de objetos expostos em uma feira, entre outros.

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Kathleen Watmough/aliki image library/Alamy/Other Images

Jason LaVeris/FilmMagic/Getty Images

Rapper exibindo suas joias de ouro nos Estados Unidos. Fotografia de 2009. Os rappers norte-americanos usam muitas joias e correntes de ouro, para exibir sua riqueza. O exagero, tanto no número quanto no tamanho dos enfeites, é uma característica desse estilo que tem até nome: bling-bling (referência ao som de uma joia batendo na outra).

Noiva usando sári bordado com fios de ouro na Índia. Fotografia de 2008. Traje típico usado pelas mulheres indianas, os sáris bordados com fios de ouro costumam ser reservados para as festas. Em um casamento, a noiva geralmente usa um sári vermelho (que representa a fertilidade) bordado a ouro (que simboliza a riqueza).

3. De acordo com uma história tradicional grega, muito antiga, existiu um rei chamado Midas, que transformava em ouro tudo o que tocava. Em grupos, inventem uma história com ele e leiam-na para seus colegas. a) Ouça o mito do rei Midas contado pelo professor. b) A história que seu grupo inventou foi parecida? E a dos outros grupos? c) Você gostaria de ter o poder de Midas? Por quê? Respostas pessoais.

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Coleção Plural História  

Amostra da obra de História da coleção Plural – 4º ano

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