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Ler e compreender Leia um trecho do livro Iamê e Manuel Diogo nos campos de Piratininga na época dos bandeirantes, de Maria José Silveira, cuja história se passa por volta de 1610.

Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

[…] A mãe de Iamê era uma índia guarani e havia sido apresada em uma das entradas de Dom Miguel pelo sertão. Era assim naquela época: os paulistas – que habitavam as colinas e os campos de São Paulo de Piratininga – passavam sua vida em viagens pelo sertão para procurar ouro, prata e aprisionar os índios. Iam a pé, em longas marchas pelas matas […]. Na maioria das vezes, não achavam nem ouro nem prata, mas encontravam muitos índios […]. Os [indígenas] que não morriam eram feitos prisioneiros e levados para trabalhar nas roças, ou eram vendidos como escravos para outros paulistas. […]

Florestas virgens do Brasil, nas margens do rio Paraíba, baseadas nos originais de Jean-Baptiste Debret, em litografias de Charles Motte, 1834. Nessa pintura foram representados bandeirantes e indígenas aprisionados.

Na verdade, o rei de Portugal havia proibido que se escravizassem os nativos. Mas os paulistas, vivendo em um lugar tão distante e de tão difícil acesso, não obedeciam muito a essas ordens, mesmo porque na vila pobre e isolada não havia ninguém para fazer com que fossem cumpridas. […] Em época de festa e de procissão, toda a família ia para a vila de São Paulo de Piratininga. Pequena e pobre, a vila parecia pouco habitada, porque boa parte de seus homens estava sempre em andanças pelo sertão ou pelos sítios e fazendas. Mesmo assim era uma vila, com coisas que só uma vila tinha […].

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Coleção Plural História  

Amostra da obra de História da coleção Plural – 4º ano

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