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“Morte às Vassouras” além de proporcionar uma singular sensação de prazer e curiosidade, é muitas vezes conflitante devido à emoção da autora em narrar, na primeira pessoa, suas experiências vividas em terras lusitanas. A obra é convidativa na medida exata, pois é através daí que temos a oportunidade de testemunhar experiências raramente descortinadas, porém comumente vividas por mulheres latino-americanas ou africanas que, atraídas pelo desejo de melhores condições de vida, buscam na Europa um Porto – se não Seguro – mais interessante, instrutivo, cultural ou economicamente mais desenvolvido para viver... Cláudia Canto presenteia àqueles que ousarem transitar nesta literatura, doses sedutoras de poesias como quem abre portas e janelas para que o sol ou a lua com frescor remova conceitos e preconceitos das mentes não habituadas com esta literatura das ruas... Tão pouco vasculhada...

Morte às Vassouras, é uma narrativa emocionante de uma jornalista, que trabalhou como empregada doméstica de uma abastada família da elite lusa, em regime interno, quase como um cárcere domiciliar. Uma realidade vivida por muitos emigrantes, mas registrada por poucos. Um relato histórico e polêmico como nenhum outro...“Cheguei de mansinho, oportunamente convidada para dar um apoio físico aos móveis, pratas, cafés da manhã, almoços, jantares e principalmente aos anciãos. Usando uma máscara de timidez, fui aos poucos com o meu: muito obrigada, por gentileza, com licença, além de palavras eruditas escapadas previa e propositadamente. Ao qual sentia olhos atentos sendo depositados em mim, curiosos e ao mesmo tempo alheios, frios. Nos momentos de regozijo, alguns comentários enaltecedores, tipo como ela é educada, meiga, é assim porque lê muito, não é? Eu me sentia perdida por entre panelas, mesas pré colocadas, ritual, ritual. “A vida é um ritual, amorzinho…” Agachada ao chão catando pequenas migalhas de pão que caíam enquanto almoçavam ou jantavam com a minha presença, à espera de que eles se acabassem, como se fosse uma estátua apodrecida, sem vida, no meio da sala”

Nascer na Cidade Tiradentes, bairro da periferia de São Paulo, não foi empecilho, para Claudia buscar seu espaço. Tornou-se uma profissional multifacetária: escritora, relações públicas, jornalista, palestrante e técnica de enfermagem. Variadas viagens internacionais propiciaram grandes experiências em locais como São Paulo, Alemanha, Lisboa, Espanha. Hoje, com quatro livros publicados, Claudia Canto se destaca pela sua comunicação singular. Enquanto jornalista, vem produzindo matérias de cunho social, sempre embasada no jornalismo literário.

Edson Arruda Pedagogo, Mestre em Educação, Pesquisador Acadêmico

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