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EDIÇÃO 1 | ANO I | JULHO E AGOSTO DE 2012 R$ 7,90

VOCÊ VAI SE ENROLAR!

EDUCAÇÃO

SERVIÇO AJUDA A ESCLARECER DÚVIDAS GRAMATICAIS CARREIRA

COMO É TRABALHAR NA MELHOR EMPRESA DO BRASIL - O GOOGLE CULT GENTE

A PRODUÇÃO DE CACHAÇA ARTESANAL EM JOINVILLE

ZUMBIS NO ENSINO SUPERIOR

CONHEÇA SUAS DIFICULDADES E APRENDA A LIDAR COM ELAS


DIRETO DA NOSSA REDAÇÃO

EDITORIAL

E EXPEDIENTE PROJETO EXPERIMENTAL DE JORNALISMO [DIRETOR GERAL DO BOM JESUS/IELUSC] Silvio Iung [DIRETOR DE ENSINO SUPERIOR] Paulo Aires [COORDENADOR DO CURSO] Sílvio Melatti [PROFESSOR RESPONSÁVEL] Lucio Baggio [EDIÇÃO] Edinei Knop, Patrícia Schmauch e Lucio Baggio [RepORTAGENS] Edinei Knop e Patrícia Schmauch [FOTOGRAFIAS] Edinei Knop e Patricia Schmauch [PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO] Edinei Knop [CONTATO COM A Redação] edição@caracol.com.br [TELEFONE] (47) 3026-8000 - FAX (47): 3026-8090 [Contato] 0800 644 3258 / (47) 3877 2698 [TIRAGEM] 15 mil exemplares

NA INTERNET www.facebook.com/RevistaCaracol

ra madrugada de 26 de junho e a redação da Caracol ainda fechava a primeira edição da revista. Tudo para transmitir conhecimento e servir de inspiração para jovens que frequentam faculdades e universidades, que têm sede de um conteúdo inovador e de qualidade. E como não poderia deixar de ser, a reportagem principal fala sobre o comportamento do jovem acadêmico na reta final dos cursos superiores. A matéria ilustra as dificuldades de se fazer muitas coisas ao mesmo tempo em meio ao excesso de atividades, estresse e noites sem dormir. Mas não fique tenso! Também vamos levar você para conhecer os museus de cera espalhados pelo mundo e brincar um pouco com o seu cãozinho. A redação está com um orgulho que não acaba mais. Passo a passo olhamos nossas pautas e reportagens com reverência: aqui está uma tentativa de oferecer o melhor que já foi produzido no mercado editorial para os universitários. Destaque para as reportagens sobre doação de órgãos e produção artesanal de cachaça, que contam histórias de vida que assim como a Caracol, inspiram as pessoas. Existem poucas coisas tão bacanas quanto ver um projeto que tomou forma. A proposta da revista surgiu após inúmeras conversas e ideias, pesquisas de opinião e análises de publicações já existentes. Com um conteúdo inovador e preocupado com a questão da sustentabilidade, a revista interage com você, leitor, e oferece o melhor do jornalismo e design para a sua identificação com o conteúdo. Entre as pautas, estão matérias sobre propaganda política, carreira, energia e ICMS, trabalhadas de forma visual e bastante envolvente. Trabalhando em equipe, Edinei Knop e Patrícia Cristiane Schmauch produziram matérias malucas com

DÊ A SUA OPINIÃO ESCREVENDO PARA

opiniao@caracol.com.br

muita dedicação, e trazem uma entrevista exclusiva com o guitarrista Veco Marques, da banda gaúcha Nenhum de Nós, além de instigar seu estômago ao falar sobre pizza. Na primeira edição, você vai conhecer um serviço que te ajuda a falar e escrever melhor, saber sobre o escritório do Google do Brasil, além de ficar atualizado sobre o que está acontecendo no momento. Sempre aliando jornalismo, design e muita vontade de levar a você o melhor conteúdo para o seu dia a dia. Para isso, fique também ligado nos nossos QR codes, texturas e atualizações da fan page. Para garantir a proposta sustentável, trazemos para você o papel semente, que você pode molhar e nascer uma flor. Está curioso? Calma, logo você poderá ler as reportagens e mergulhar fundo na proposta sustentável da Caracol. Tudo isso só pode ser realizado porque a nossa cultura editorial é diferente a de outras revistas: além de entendermos um pouco de jornalismo, planejamento, design, sustentabilidade e internet, também desenvolvemos a publicação com paixão. No fim das contas, é o que faz toda a diferença: o nosso jeitinho de falar com você. Na espiral do caracol, cada novo pedaço tem a dimensão da soma dos dois antecessores. É uma sequência perfeita! Assim surgiu a ideia que deu nome à publicação. Assim como a concha do caramujo obedece à sequência de Fibonacci, a Caracol também vai, a cada nova reportagem, colaborar para o seu aperfeiçoamento, sendo uma inesgotável fonte de conhecimento e pesquisa. É esse o espírito de curiosidades e assuntos interessantes que se desenvolve a nossa revista. Seja bem-vindo a mais nova novidade do mercado editorial de Joinville! Agora, você já pode se enrolar no nosso conteúdo! Boa leitura!

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PATRICIA SCHMAUCH

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GUITARRISTA DA BANDA NENHUM DE NÓS FALA DA CARREIRA

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A VIDA DE ZUMBI DOS ESTUDANTES NO ENSINO SUPERIOR

SUMÁRIO

O tamanho das barras do sumário representa a quantidade de caracteres que cada matéria tem. 4 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

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PATRICIA SCHMAUCH

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30 36

SERVIÇO GRATUITO AJUDA A TECNOLOGIA ESCLARECER NA SALA DE DÚVIDAS AULA: BOM GRAMATICAIS OU RUIM?

A ENERGIA QUE MOVE A MAIOR CIDADE DE SANTA CATARINA


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40 44 JÁ PENSOU EM COMER RAÇÃO DE CACHORRO?

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PATRICIA SCHMAUCH

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EDINEI KNOP

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E NO FINAL, REDUÇÃO NA TUDO ACABA ALÍQUOTA DO ICMS A PRODUÇÃO EM PIZZA! QUE TAL PROVOCA TRABALHAR ARTESANAL DISCUSSÃO NO GOOGLE? DE CACHAÇA

EDINEI KNOP

SAÚDE 20 | Cresce o número de transplantes CULT GENTE 52 | Um vagão que tem até fogão à lenha 56 | Bia sugere várias dicas culturais 62 | A propaganda eleitoral vem aí 68 | Diversão garantida no museu de cera JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 5


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[SEÇÃO] MICROFONE

Guitarrista do Nenhum de Nós fala sobre a paixão pela música, a inspiração para as suas composições e pirataria

TAGS: MÚSICA, GUITARRISTA, VECO, NENHUM DE NÓS, ENTREVISTA

POR PATRÍCIA SCHMAUCH

Veco: Parar? Acabou de começar!

H

arvey Marques. Quase ninguém o conhece pelo nome. Mas é só falar em Veco que os fãs de todo o Brasil lembram do músico. Guitarrista da banda gaúcha Nenhum de Nós há 22 anos, Veco também toca violão, banjo e sitar, além de ser com-

POR DENTRO DA LÍNGUA

Símbolo da música na Índia, o sitar é um instrumento musical da família do alaúde. Destaca-se pelo som metálico e glissandos, passagens suaves de um tom a outro. Em geral, os sitares possuem 18 cordas, subdivididas em três categorias: as cordas de execução, as cordas de bordão ou pontuação e as cordas simpáticas ou simpatéticas.

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positor de grande parte das letras e melodias do grupo. A paixão pelos instrumentos de cordas e a dedicação ao violão e a guitarra vem desde a adolescência. Seu avô materno era médico e tocava violino; sua mãe, professora, era formada em piano clássico. Quando fez 14 anos, começou a estudar violão sozinho: após muitas pesquisas, já conhecia o braço do instrumento, as escalas, afinações e harmonias. As aulas de violão foram apenas complemento dos métodos já desenvolvidos. Entre suas lembranças musicais mais antigas estão os saraus da vizinhança e da sua própria casa, com acordeon, violão, pandeiro e cantoria de sobra. Veco era proibido de mexer

no rádio e toca-discos da família por ser desastrado. Para resolver o problema, ouvia os discos dos Beatles, sua maior influência, escondido, na casa dos tios. Logo no início da carreira, ganhou vários prêmios de melhor instrumentista em festivas regionais do Rio Grande do Sul. Hoje, com mais de 200 músicas gravadas e o jeito “Nenhum de Nós de fazer música”, está em turnê pelo Brasil com o álbum “Contos de Água e Fogo”, lançado em outubro de 2011. Junto a Carlos Stein (guitarra), João Vicente (teclado), Sady Homrich (bateria) e Thedy Corrêa (vocal/baixo), Veco respira música e é movido pelo palco. Confira a entrevista à revista Caracol, onde ele conta um pouco da carreira, inspiração e planos.


VECO APRENDEU a tocar guitarra sozinho. Hoje, é um dos mais respeitados guitarristas do país

É uma força desconhecida que exerce sobre mim até hoje que me faz ter vontade de aprender novas técnicas e estudar outros instrumentos de cordas.

Caracol - Como é o dia a dia de um guitarrista em uma banda? Como você concilia vida pessoal e profissional? VECO - É bem tranquilo ser guitarris-

ta de uma banda já estabelecida, com 25 anos de estrada. Aprendemos os atalhos para fazer a máquina andar direitinho. Isso significa ter uma equipe técnica de nível elevado, cada um cuidando da sua função para que os shows aconteçam da maneira mais profissional possível. Para praticar, fico sempre com uma guitarra no quarto do hotel. Já a vida pessoal não levo para o palco, cada coisa no seu lugar.

Caracol - Como foi sua educação musical? O que te levou a tocar guitarra, violão, banjo e sitar? Em quem se inspirou? E atualmente, quais as suas influências? VECO - Sou autodidata, aprendi sozinho

a tocar violão e guitarra. Desde pequeno, eu tinha paixão pelos instrumentos. É uma força desconhecida que exerce sobre mim até hoje que me faz ter vontade de aprender novas técnicas e estudar outros instrumentos de cordas. Fui influenciado basicamente por duas escolas distintas: o rock e a música folclórica da América do Sul. Misturei tudo e sigo depurando o estilo, mixando essas duas paixões.

Caracol – Você tem alguma mania antes de começar o show? Qual? VECO - Apenas praticar durante o dia e ter a certeza que meu equipamento vai funcionar sem nenhum tipo de problema. Para isso, conto com a ajuda da nossa equipe.

Palco é um energético natural para qualquer artista! cas para mim, de acordo com o meu gosto pessoal e dentro daquilo que eu acho que é bacana. E, depois, as músicas vão para o conhecimento da banda e do público.

Caracol - Você já compôs quantas músicas? Qual é a que mais gosta? Por quê? VECO - Já perdi a conta. A mais es-

pecial eu compus com o músico Renato Borghetti há 30 anos. Tenho muito orgulho dela, que se chama “Sétima do Pontal”. Essa melodia é o resumo das minhas influências como instrumentista.

Caracol - Na sua opinião, qual a música mais significativa na carreira do Nenhum de Nós? Por quê? VECO - Ixi, pergunta difícil! Talvez

seja Camila, afinal foi com ela que tudo começou. Havia algo de insano Naqueles olhos, olhos insanos Os olhos que passavam o dia A me vigiar, a me vigiar Camila Camila, Camila E eu que tinha apenas 17 anos Baixava a minha cabeça pra tudo Era assim que as coisas aconteciam Era assim que eu via tudo acontecer

Caracol - Como você compõe uma música? Qual a sua inspiração? VECO - A prática diária facilita a com- Caracol - A expectativa em relação às múposição. Para mim, ouvir músicas de sicas do Nenhum de Nós são sempre altas. qualidade abre os canais da inspi- Essa pressão chega até você? Como? ração, mas sempre com o violão ou VECO - Não considero pressão. Mesa guitarra por perto. É um trabalho muito importante de racionalizar e usar o emocional. Sempre faço músi-

mo assim, somos muito críticos com nossas músicas, elas só param no disco depois da aprovação de todos

os membros da banda. Nosso modo bastante peculiar de escrever músicas nos aproxima do público. Esse é o nosso norte.

Caracol - Hoje se vendem bem menos discos devido à internet e a pirataria. Isso faz diferença para você? De que maneira? VECO - O mercado ainda está sendo re-

modelado pela influência das novas mídias digitais. Mesmo assim, existem muitas pessoas, como eu, que ainda compram discos nas lojas. Muita gente gosta do formato físico do álbum, de pegar na mão, de ver a capa sempre que quiser. É inegável que a forma de se vender música mudou, mas acho que nós sobrevivemos às mudanças e nos adaptamos a essa realidade. Acredito que muita coisa ainda vai mudar. É só esperar para saber.

Caracol - Quem participar de um almoço ou jantar com você, provavelmente ouvirá que tipo de conversa? VECO - Futebol e música, com certeza! Caracol - Quais seus planos para o futuro, novidades na banda e na carreira profissional? VECO - Ainda estamos no meio da tour

do disco “Contos de Água e Fogo”, que foi muito bem recebido pela crítica e fãs. Já estamos com várias ideias legais para breve, mas como sempre fazemos, só vamos divulgar no momento certo (risos). Só o que posso dizer é que são projetos que nos deixam bastante empolgados.

Caracol - Quando pretende parar? VECO - Parar? Acabou de começar!

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ESTILO DE VIDA 16

ESPECIALISTAS ALERTAM: É PRECISO ORGANIZAÇÃO NA VIDA ACADÊMICA

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SAÚDE: NÚMERO DE TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS AUMENTAM


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ASPAS

É preciso reservar um tempo para namorar, praticar atividades físicas, dormir direito. Misturar atividades estressantes e relaxantes ajuda a amenizar o problema da sobrecarga” Mariangela Savoia, doutora em psicologia clínica

MORTO-VIVO

Conheça os perigos que o estresse da vida acadêmica traz para os jovens que estão na reta final dos cursos

ZUMBIS no ensino superior

O DESESPERO. É isso que os estudantes sentem no fim dos cursos, em meio ao acúmulo de atividades REPORTAGEM E FOTOGRAFIAS PATRÍCIA SCHMAUCH COLABORAÇÃO: JÉSSICA MICHELS E DIEGO PORCÍNCULA MAQUIAGEM: JAQUELINE DE SOUZA

s bons tempos de faculdade ninguém esquece. São as descobertas acadêmicas, festas, paqueras, sonhos e planos traçados em quatro ou cinco anos - um período também considerado por muitos como um dos mais turbulentos nas suas vidas. Universitários estão presentes em todos os lugares, geralmente sem muito dinheiro, sempre cheios de trabalhos para concluir e sem uma alimentação adequada. A situação piora quando chegam os últimos anos dos cursos. As marcas de cansaço e noites mal dormidas ficam mais evidentes, sem falar no aumento de estresse por causa do acú-

mulo de atividades. O sonho se torna um desejo ímpeto de que o período de estudos passe rápido. Já não se veem mais acadêmicos nos corredores das faculdades. O lugar agora é dos zumbis, estudantes afadigados e exaustos em busca do tão desejado diploma. E não são poucos! Dados do Censo de 2010 do IBGE mostram que em 2000 a cidade tinha 10,6 mil acadêmicos que cursavam o ensino superior, o que significava 8% de quem estudava. Em 2010, o número passou para 18,6% do total de estudantes, equivalente a 27,9 mil alunos distribuídos em 14 diferentes instituições de ensino. O dado acompanha o >

TAGS: ACADÊMICOS, SAÚDE, COMPORTAMENTO, ESTRESSE, ZUMBI

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RICARDO HOHMANN mora sozinho e usa

os finais de semana para os estudos, as atividades da casa e o namoro

E SEU CÉREBRO? Quando se tem muitas atividades para fazer ao mesmo tempo, o sistema nervoso central decodifica os sinais que o cérebro emite e passa a dar respostas automáticas. As batidas do coração aceleram e o organismo se prepara para enfrentar a situação de estresse. O corpo fica em alerta e o resultado disso é a tensão. Como consequência, não consegue mais dormir porque o sistema nervoso não para de decodificar as atividades a fazer. Segundo a psicóloga Mariangela Gentil Savoia, a situação é denominada “luta e fuga”, uma resposta natural do organismo desde o tempo das cavernas. O estudante pensa nas coisas que tem a fazer e ao mesmo tempo que não pode deixar de fazer as atividades: ‘não posso abandonar os estudos, brigar com o professor ou bater no meu chefe’. O sistema nervoso não consegue dar a vazão correta e o corpo humano absorve as emoções. Aí acontecem os distúrbios fisiológicos, como doenças cardíacas, gástricas e psiquiátricas, de acordo com a vulnerabilidade de cada pessoa.

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crescimento educacional do Brasil, que em sete anos, dobrou o número de concluintes na educação superior. A pesquisa mostra ainda que 67% dos estudantes joinvilenses, além de cursarem uma graduação, também trabalham ou fazem estágio – seja para pagar os estudos, ajudar na renda de casa ou arcar com os próprios gastos. O estudante Ricardo Hohmann é um dos exemplos. Com 22 anos, ele cursa Engenharia de Produção na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) no período noturno. As atividades do seu dia estão divididas entre os estudos, o estágio em uma empresa de compressores e coordenação da equipe de Relações Externas da Aisec, onde ele é diretor desde 2010. Além de todas as atividades, namora há dois meses. Ricardo se considera sistemático e organizado com as suas atividades e horários. Todos os dias, acorda às 6h30, e depois de um dia ocupado, vai dormir após a meia-noite. Sobram os finais de semana para os estudos, as provas, o trabalho, o namoro e as atividades de casa. Há quatro anos, mora longe da família, que é de Londrina, em uma república em Joinville. Para Ricardo, o fato de morar longe dos pais contribuiu com a melhora da sua organização por precisar incorporar as atividades da casa onde mora à sua rotina. “Morar sozinho me trouxe o

fazer o que se gosta é um dos segredos para ter um bom futuro profissional

amadurecimento mais cedo”, afirma. Vida de zumbi não é novidade para ele. Durante três anos e meio, cursou Engenharia Mecânica na Udesc, estudando em período integral. Depois de perceber que não era isso o que pretendia fazer, começou outro curso na mesma universidade. De acordo com o psicanalista Hudson Carpes, descobrir e fazer o que gosta é um dos segredos para ter um bom futuro profissional e fugir do estresse do acúmulo de atividades. “Se você acredita e se envolve com o que faz, consegue focar nas atividades de maneira mais fácil. Afinal, precisamos fazer as coisas com as quais nos comprometemos de maneira bem feita”, destaca o médico. Mesmo cansado na maior parte do tempo e com uma pilha de livros técnicos de engenharia para ler, Ricardo ainda reserva um tempo para as obras de literatura russa. Entre os seus autores preferidos, estão Dostoiévski e Tolstói. O futebol, o violão e a academia foram deixados de lado provisoriamente. “Já não faço mais nada, estou sedentário”, brinca ele. Para o próximo ano, Ricardo tem planos de desacelerar. “Tenho certeza que tudo o que eu estou fazendo hoje vai contribuir para o meu futuro. Estou investindo nisso este ano, mas está muito corrido, a rotina está cansativa. Ano que vem precisa ser dife! rente”, destaca.


Aos poucos, Susan encarna um zumbi

CUIDE DO BEM-ESTAR D Use uma agenda ou tabela semanal e agrupe as atividades. Coloque todas as ações que você precisa fazer nos respectivos dias. Agende seus compromissos sempre destacando horário de início e término. Inclua no seu planejamento tempo para lazer e descanso. Pratique atividade física ao menos duas vezes por semana. Nem que seja uma caminhada de meia hora com o seu cachorro. Organize seus horários de estudo de acordo com os prazos de entrega dos trabalhos. Não deixe tudo para cima da hora. Reserve, ao menos, uma hora para cuidar da sua saúde e alimentação. Carregue bolachas integrais, barras de cereais e frutas dentro da bolsa. Quando bater a fome, não hesite em devorá-las. Durma, ao menos, seis horas todos os dias. Desligue-se das atividades na hora do sono equilibrando dias de semana com os sábados, domingos e feriados, quando você pode acordar mais tarde.

epois que a aula termina na faculdade, o que resta é esperar o ônibus e descansar a cabeça por 45 minutos, no trajeto para casa. Esse é o tempo que Susan Laufer tem para descansar a mente de segunda a sexta-feira. Principalmente quando não há provas ou trabalhos para serem entregues no dia seguinte. Susan, 24 anos, estuda Física na Udesc há seis anos. Nem o sorriso doce disfarça a vida de zumbi que os olhos verdes profundos insistem em mostrar em mais um início de semana. É segunda-feira pela tarde e Susan já está cansada, esperando pelo fim de semana. Ela sente falta dos tempos do ensino médio. “Eu tinha tempo para fazer tudo, inclusive cuidar de mim”, relembra. No fim dos três anos de estudos, Susan decidiu fazer licenciatura de Física na Udesc. “Aprendi a me apaixonar pela Física depois que entrei na faculdade”, conta. No início da faculdade, ela se dedicava somente aos estudos. Mas logo no segundo semestre ela reprovou pela primeira vez em uma matéria de cálculo. Com o passar dos meses e anos, percebeu que era preciso desistir de algumas atividades que preenchiam o seu dia e focar nos estudos. Em 2009, Susan era coordenadora do Grupo de Jovens da Igreja Católica, fazia dança sacra, participa-

va do coral, tinha uma banda dentro do grupo e ainda atuava em ações de voluntários. “Era muito corrido. Além do tempo que eu precisava estar lá, eu tinha também que organizar as atividades, os roteiros, tudo o que eu ia falar, tocar e fazer”, explica. Dona de uma voz suave, Susan ainda canta nas missas e na faculdade. A banda da qual faz parte, Hot Dog Music, faz menos apresentações com menos ensaios. Ela também participa do grupo de oração universitária e, quando sobra tempo, atua em grupos de voluntariados com palestras, geralmente no período noturno. Desde março, Susan trabalha como estagiária no Laboratório de Física do Colégio Estadual Arnaldo Moreira Douat, em Joinville, três vezes durante a semana. Nos outros dias, ela se dedica à grade do curso, que está bagunçada por causa das dependências e reprovações. “Tenho algumas aulas pela manhã, outras pela tarde, outras à noite”, lamenta. Nos finais de semana, a vida de zumbi continua. Ela tenta e precisa se dedicar aos estudos, mas nem sempre consegue. Junto a colegas do curso, ela participa de grupos de estudos para melhorar o desempenho na universidade. “Já chegamos a estudar do meio-dia até a meia-noite. Só paramos

Converse com seus amigos e familiares e diga o que está sentindo. Liberar as emoções ajuda no autogerenciamento.

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SUSAN LAUFER [estudante]

Já chegamos a estudar do meio-dia até a meia-noite. Só paramos para pedir pizza para pedir pizza”, comenta. Entre um sábado e outro, ela tenta frequentar churrascos de amigos e barzinhos de rock, os seus preferidos: “Se eu ficar em casa, viro zumbi de vez”. Susan ainda não teve problemas em virtude da sua má alimentação. Em seu horário de almoço, come algo rápido, quase sempre lanches, sanduíches acompanhado de uma garrafa de Coca-Cola. Assim, aproveita o tempo para colocar em dia seus estudos ou ler livros para provas. Quando acorda, pela manhã, nem tempo para o café sobra. “Estou cansada de acordar cedo. Preciso dormir até às seis horas”, diz. Para o jantar, restam algumas bolachinhas, pãezinhos ou qualquer coisa que eu consiga comprar na padaria”. Para o especialista em nutrição clínica Luciana Ruviaro, é essencial que o

corpo dos estudantes esteja bem nutrido para enfrentar os desafios do dia a dia. Segundo ela, isso só é possível com o consumo de alimentos variados, em quantidade e qualidade adequada. “É importante nunca pular o café da manhã porque o corpo está muitas horas em jejum. Na primeira refeição do dia, é preciso fornecer nutrientes ao sistema nervoso, para que o aprendizado seja otimizado”, destaca. Para o almoço e jantar, ela recomenda o consumo de todos os grupos alimentares: carboidratos, proteínas e lipídios, além de vitaminas e minerais que se encontram principalmente em frutas e verduras. E ela dá mais uma dica: “As refeições devem ser feitas em ambientes calmos e mastigando bem os alimentos, porque além dos malefícios acadêmicos, as carências nutricionais ocasionam mal desempenho do organismo no futuro”. Além dos distúrbios gastrointestinais (úlcera, gastrite, diarreia e náuseas), a má alimentação aliada ao estresse dificulta a aprendizagem, gera lapsos de memória, dificuldade de concentração, envelhecimento, redução da resistência do organismo em

relação a infecções, desequilíbrio ou supressão do ciclo menstrual (mulheres), taquicardia e hipertensão. “As pessoas sob estresse costumam piorar o hábito alimentar com a ingestão excessiva de café, açúcar e sal. Isso é extremamente prejudicial à saúde, sobretudo com a alimentação inadequada”, ressalta Luciana. Nem depois da meia-noite, horário em que Susan vai dormir, ela consegue se desligar das atividades. “Fecho meus olhos, penso em tudo o que tenho para fazer e tento me organizar para o próximo dia. Durmo mal porque fico preocupada”, afirma. Além de ter um sono turbulento, a estudante costuma ter pesadelos durante a madrugada. “Uma vez, sonhei que eu tinha ido para a aula de pijama”, lembra. Mais um ano e a vida de zumbi termina. Susan pretende se formar na metade de 2013 e está ansiosa para começar a dar aulas. Mas parar de estudar, jamais. “Mais para frente, quero fazer Mestrado. Mas agora meu foco é terminar a faculdade, já estou bem envolvida com isso.” Até lá, mais algumas noites sem sono e renúncia.

ELE JÁ FOI ZUMBI

BRUNO ARINS considera que a

faculdade é o lugar onde as pessoas aprendem a se autogerenciar

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O publicitário Bruno Arins, de 22 anos, formou-se pelo Bom Jesus Ielusc no ano passado. O último ano da faculdade foi difícil: ele engordou dez quilos e dormia, em média, duas horas por noite, mas não se arrepende do resultado. “Estar no último ano é ruim porque se tem muitas coisas para fazer ao mesmo tempo e os prazos são estipulados. Mas também é bom porque é um desafio onde os estudantes aprendem sobre autogerenciamento”, diz. Bruno começou a faculdade aos 18 anos e já sabia que ia ser difícil. Mas a jornada estudantil foi um pouco pior do que imaginava. No começo, ele conta que dava prioridade a todas as demandas vindas da faculdade porque não sabia distinguir o que era mais ou menos importante para o futuro. No segundo semestre, Bruno começou a trabalhar e já considerava difícil lidar com tantas disciplinas distintas ao mesmo tem-

po. Começou a filtrar, dedicando-se a alguns trabalhos e deixando outros de lado. “Faltou gerenciamento desde o princípio”, conclui. No último ano, tudo parecia ser urgente e já estava tão difícil que não conseguia mais filtrar. Resolveu dar prioridade à faculdade. Mesmo fazendo estágio porque precisava se manter, Bruno chegava em casa e se debulhava sob os livros e artigos técnicos. Passava noites sem dormir e dias sem se alimentar direito. “Eu deixava tudo para fazer em cima da hora, porque já estava uma bola de neve. Atrasei o início da minha monografia e projeto experimental. Depois, sofri para correr atrás do prejuízo”, conta. Mesmo com desgaste e problemas de saúde, Bruno conseguiu concluir a graduação. “Tudo trouxe amadurecimento. E no final, superei minhas expectativas iniciais”. Hoje ele apenas se questiona se o retorno vale à pena.


VEJA COMO FOI FEITA A MAQUIAGEM EM facebook/RevistaCaracol

MARIÂNGELA GENTIL SAVOIA [psicóloga]

Para combater o estresse causado pelo excesso de atividades utilize os quatro pilares: relaxamento, atividades físicas, nutrição e lazer. E não esqueça de fazer o que você gosta. Faça coisas que são prazerosas. Se virar mais uma obrigação, fica ruim. Se não gosta de academia, faça dança, ioga ou meditação. Hoje, existe uma variedade de esportes acessíveis a todos.”

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Equilíbrio e foco são indispensáveis

DIEGO PORCÍNCULA não se alimenta adequadamente e tem problemas com insônia. Passa noites acordado se preccupando com o futuro

A família também precisa entender e colaborar com o desenvolvimento saudável dos universitários PARA HUDSON CARPES, ter objetivos bem estabelecidos é o segredo para a organização dos estudos

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De acordo com Mariangela Gentil Savoia, Doutora em Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o maior risco ligado às demandas estressantes pelas quais passam os jovens nos fins dos cursos é o desenvolvimento de problemas ligados ao estresse. “Aliado a isso, tem-se as preocupações típicas de fim de curso como ‘o que vou ser no futuro?’, ‘como vou fazer para conseguir dinheiro?’, ‘como vou me organizar agora?’”, explica. A situação não é recorrente apenas nas ciências exatas. Diego Porcíncula, 22 anos, cursa o último ano de Jornalismo no Bom Jesus Ielusc e está desesperado em meio a trabalhos, projetos finais e a tão temida monografia. Além de não se alimentar nem dormir direito, Diego sente dificuldade de concentração e preocupação com o futuro. Atualmente, ele trabalha como freelancer para uma agência, o que toma uma boa parte do tempo. A família mudou de cidade há algumas semanas. “Estou em isolamento total das pessoas”, conta ele. “Fui à última festa do ano em 9 de junho. A partir de agora, vou esquecer a vida em sociedade. Meu foco é a monografia”, acrescenta. Passar a madrugada pesquisando e escrevendo projetos já faz parte da rotina de Diego. “Costumo ver o dia

nascer”, lamenta. Mas os reflexos da vida de zumbi vão além da insônia. Ele também abdicou de suas leituras preferidas e dos treinos de basquete em busca do sonho de ser jornalista. Sua alimentação também é reflexo da correria do dia a dia: ela se resume a hambúrgueres e lanches rápidos. Outro problema que afeta Diego e os outros estudantes durante o período da faculdade é o transtorno de ansiedade. “Os acadêmicos costumam sofrer com antecipação”, afirma a psicóloga. Segundo Mariangela, o ideal é que divida as atividades da faculdade e da vida pessoal respeitando o tempo em que elas precisam acontecer. “As coisas vêm naturalmente. É preciso aprender a lidar com dois inimigos da saúde: o tempo e as preocupações.” A família também precisa entender e colaborar com o desenvolvimento saudável dos universitários. Não há como eliminar o excesso de atividades, mas há como intercalar os horários de estudo e descanso. “É preciso reservar um tempo para namorar, praticar atividades físicas, dormir. Misturar atividades estressantes e relaxantes ajuda a amenizar o problema da sobrecarga”, diz. O psicanalista Hudson Carpes concorda e afirma que é possível se focar em várias atividades simultaneamente. “O indispensável é gostar de tudo o que se faz”, ressalta. Para ele, ter foco fica mais fácil quando os aca-


dêmicos têm objetivos bem estabelecidos ao cursar o ensino superior. É o que Janaína Belli, 23 anos, tenta seguir no último ano do curso. No fim de 2012 ela se forma em Engenharia Química, na Sociesc. Durante o curso, aprendeu a enxugar as atividades em excesso e reduzir os impactos do estresse na sua vida pessoal. Ao acordar, ela toma um café da manhã reforçado, almoça bem, come bolachas pela tarde e volta a comer depois que termina a aula. Apesar de trabalhar o dia inteiro e estudar pela noite, ela sabe a importância de se alimentar bem. Para os esportes, também não sobra tempo. Quando consegue, ela sai aos finais de semana. “Priorizo a faculdade. Há vezes que eu consigo escapar e me organizar de outra forma”, conta. O professor e coordenador de Estágios da Udesc Joinville, Nilson Campos, afirma que o último período dos cursos não é estressante para todos os alunos. “O segredo é fazer o planejamento desde o início. No final dos cursos, a demanda aumenta: são as atividades complementares, o estágio obrigatório e o TCC, que muitos deixam para o final”, explica.

FACULDADE é a prioridade de Janaína

Belli. Para ela, o segredo é planejar os estudos com antecedência

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MARIANGELA GENTIL SAVOIA

recomenda um tempo para namorar, praticar esportes e descansar em meio à correria de fim de curso

Não há como eliminar o excesso de atividades, mas há como intercalar os horários de estudo e descanso

Alimentação E CONCENTRAÇÃO Muitas doenças surgem devido ao estresse e o desequilíbrio que ele provoca em todo o organismo. Dois dos mais frequentes problemas são a compulsão alimentar e a anorexia. De acordo com a nutricionista Luciana Ruviaro, o primeiro deles causa diabetes, hipertensão, elevação do colesterol e doença cardíaca; e o segundo, ocasiona descamação e pele seca, cabelos finos e quebradiços, unhas frágeis, desidratação, perda de massa muscular e gordura corporal, insônia, anemia e constipação. A nutricionista explica que quando o corpo deixa de receber alimentos por muito tempo, começa a trabalhar em ritmo lento, diminuindo a atividade em todas as funções com o objetivo de poupar energia. Ela ressalta que o sistema nervoso central necessita de glicose para realizar as atividades, e na falta dela ocasiona a hipoglicemia (diminuição do nível de glicose no sangue), prejudicando o desempenho do raciocínio e concentração, atrapalhando o rendimento nos estudos e também provocando

tontura, confusão mental e mau hálito. No sistema cardiovascular, a falta de nutrientes ocasiona alterações eletrolíticas no organismo, entre elas, a redução da pressão sanguínea e da frequência respiratória e arritmias cardíacas. “O ideal é fazer uma dieta balanceada, com refeições a cada três horas e prática regular de atividade física”, destaca Luciana. Ela também dá opções de lanches saudáveis, já prontos ou fáceis de preparar: barra de cereais, biscoitos (de preferência integrais), frutas em geral (banana com aveia e canela), salada de frutas, torrada integral com patê de atum, geleia, mel ou melado, sanduíches (com pão integral, queijo branco, alface, tomate, cenoura, peito de peru), iogurte com granola, bolos (de preferência sem cobertura), mix de castanhas, amêndoas e nozes, frutas desidratadas (damasco, uva passa, banana passa), água de coco, sucos de frutas (de preferência naturais ou industrializados livres de corantes artificiais). JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 17


SAÚDE | DOAÇÃO

Santa Catarina atingiu, no primeiro trimestre de 2012, meta estabelecida há cinco anos

TAGS: TRANSPLANTES, ÓRGÃOS, SAÚDE, DOAÇÃO

Cresce o número de transplantes de órgãos

POR EDINEI KNOP

O

dia 11 de novembro de 2011 ficou marcado na vida de Geison Chagas de Oliveira, 33 anos. Nessa data, o auxiliar administrativo do Pará foi submetido a um transplante renal em Joinville. O processo foi acompanhado pela Fundação Pró Rim e o procedimento realizado no Hospital São José. O rim transplantado é de sua esposa, Maria do Socorro. “A doação de órgãos no Brasil é uma questão de conscientização da população”, comenta Oliveira. Em 2005, o auxiliar descobriu que sofria de Nefropatia por IgA – uma doença nos rins de origem imunológica e que pode levar à insuficiência renal terminal. “Naquele ano, apenas 35% da minha função renal estava em funcionamento”, conta. Depois de passar por diversos tipos de terapias e

tratamentos, Geison descobriu a fundação joinvilense e a compatibilidade de doação do órgão com a esposa. “A maior dificuldade foi o abandono das atividades laborativas, que eu estava acostumado. Foi muito sacrificante, pois sempre fui muito ativo e jamais parava”, explica. Hoje, Geison aconselha os pacientes com insuficiência renal a realizar o transplante. “Oferece melhor qualidade de vida, convivência com os familiares e retorno ao mercado de trabalho”, pontua. O número de doadores de órgãos no Brasil cresce a cada dia e, com ele, o índice de transplantes realizados no país. Atualmente, o programa público nacional de transplantes de órgãos e tecidos é um dos maiores do mundo. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) – veícuDIVULGAÇÃO

lo oficial da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), no primeiro trimestre de 2012, houve um crescimento na taxa de doação e de transplantes atingindo uma meta estabelecida em 2007 para este ano, que era de 42 notificações de potenciais doadores por milhão de pessoas (pmp). Seis estados (São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Acre, Mato Grosso do Sul e Pernambuco) e o Distrito Federal já alcançaram o objetivo previsto para 2017, que é de 50 notificações por milhão de pessoas. Os números de doadores efetivos alcançaram 13,1 pmp e a taxa de doadores efetivos com órgãos transplantados foi de 12,5. O destaque foi para Santa Catarina, com registro de 26,2 por milhão de pessoas. Segundo o relatório da ABTO, no

Para ser um doador não é necessário deixar documento por escrito

SANTA CATARINA já atingiu uma meta

proposta para 2017 que é de 50 notificações de potenciais doadores por milhão de pessoas

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DIVULGAÇÃO PRÓ RIM

GEISON CHAGAS DE OLIVEIRA passou por diversos tratamentos. Viu no transplante renal a melhora na qualidade de vida mesmo período, houve um crescimento de 5,1% na taxa de transplantes renais, com uma projeção de 5.220 transplantes para todo o ano. Nesse caso, houve um aumento de 19% no número de transplantes com doador falecido e uma queda de 21,7% de doadores vivos. Já os transplantes hepáticos cresceram 9,9% com uma projeção de 1.640 casos para o ano. Também houve aumento no número de transplantes de pulmão (80%) e de coração (50%), que são casos reduzidos. No primeiro trimestre também foi constatada uma queda de 12% nos transplantes de pâncreas. Os de córneas cresceram 6,5% com projeção de mais de 15 mil casos em todo o ano.

O PROCEDIMENTO Para ser um doador não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação de morte encefálica – o que acontece quando o cérebro deixa de funcionar de modo irreversível. Nessa situação é possível manter o coração batendo até a retirada de determinados órgãos, como rins, fígado, pulmões, medula óssea, coração e pâncreas. Quando uma pessoa morre, primeiramente, os médicos precisam determinar se houve parada cardíaca. Se o coração já deixou de funcionar, os órgãos ficam comprometidos pela falta de oxigenação. Nesse caso, só é possível retirar tecidos como a pele, a córnea, vasos sanguíneos, alguns ossos e cartilagens. Há partes do corpo que também podem ser parcialmente doadas quan-

do a pessoa está viva. Alguém com boa saúde pode doar rins, uma parte do fígado, dos pulmões ou da medula óssea. É mais comum as mães doarem aos filhos porque o procedimento apresenta um risco menor de rejeição. O processo de retirada dos órgãos pode ser acompanhado por um médico de confiança da família. Segundo o Ministério da Saúde, quando um doador efetivo é reconhecido, as centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde são comunicadas. Apenas elas têm acesso aos cadastros técnicos de pessoas que estão na fila. Além da ordem da lista de espera, a escolha do receptor é definida pelos exames de compatibilidade com o doador. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a ser beneficiado. As centrais controlam todo o processo, tentando coibir o comércio ilegal de órgãos. A doação é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela que define que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas falecidas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização do cônjuge ou parente. Os órgãos doados são encaminhados para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em uma lista de espera única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Ministério Público.

EM JOINVILLE Na maior cidade de Santa Catarina são realizados transplantes de rim, fí-

EM JOINVILLE são realizados transplantes de rim, fígado e córneas gado e córneas. Os dois primeiros são procedidos no Hospital São José e o de córneas é feito pelo Banco de Olhos, instalado no mesmo prédio da unidade. No caso dos transplantes renais, todo o procedimento, do pré até o pós transplante, é feito pela Fundação Pró Rim. O hospital sede somente o espaço. Até hoje, foram realizados apenas cinco transplantes hepáticos (de fígado) no São José. Esse tipo de procedimento passou a ser feito no hospital em 2010. O mais comum é o transplante renal, que começou a ser realizado no hospital em 1971. Em 2011, foram 105 transplantes renais, sendo 32 deles de doadores familiares e 73 de falecidos. As causas mais comuns da realização dos transplantes são doenças, como a insuficiência renal, e casos, raros, devido a algum acidente, como uma pancada no rim, que venha a danificar o funcionamento do órgão. Segundo a direção do hospital, o número de doadores mortos aumenta a cada ano, o que mostra que as pessoas estão se conscientizando sobre a > importância da doação.

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 21


INFOGRÁFICO

QUAIS ÓRGÃOS E TECIDOS PODEM SER DOADOS? Córneas - retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias

Cartilagem - retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca

Coração - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por até seis horas

Valvas Cardíacas Fígado - retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas

Pâncreas retirado antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas

Ossos - retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos

ILUSTRAÇÃO INFOGRÁFICO: DIVULGAÇÃO

Pulmão - retirados antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas

Medula óssea - se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue

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Pele - retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca

Rins - retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas


BANCO DE OLHOS SAIBA QUEM NÃO PODE DOAR NA FAN PAGE facebook/RevistaCaracol

O QUE É PRECISO PARA SER UM DOADOR? Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35 graus), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do sistema nervoso central; Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante; Submeter o paciente ao exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada

pela ausência de fluxo sanguíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral; Comprovar a morte encefálica. A situação é bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que dificuldade ou debilitadas; Identificação e registro hospitalar; Ter a causa do coma estabelecida e conhecida.

E DOADORES VIVOS? A doação de órgãos também pode ser feita em vida para algum membro da família ou amigo, após avaliação clínica da pessoa. Nesse caso, a compatibilidade sanguínea é primordial e não pode haver qualquer risco para o doador. Os órgãos e tecidos que podem ser retirados em vida são o rim, pâncreas, parte do fígado, parte do pulmão, medula óssea e pele. Para isso, é necessário: Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando;

Ser um cidadão juridicamente capaz (maior de 18 anos ou menor de idade antecipado, com condições de saúde que não comprometam a manifestação válida da sua vontade); Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial; Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação.

Em 34 anos de existência, o Banco de Olhos de Joinville já realizou mais de três mil transplantes de córneas. A instituição foi fundada em setembro de 1978, uma época em que era difícil para falar em doação de órgãos. “A partir de 2008, houve uma evolução nas doações e transplantes. As campanhas de comunicação e a profissionalização do Banco de Olhos contribuíram para isso”, comenta o gerente administrativo, Julio César. A causa mais comum para a realização do transplante é a ceratocone – doença degenerativa do olho. “Temos ainda casos de perfurações, queimaduras e úlcera de córnea”, destaca o profissional. Em Santa Catarina, aproximadamente 800 pessoas aguardam na fila por um transplante de córnea. Em Joinville, são cerca de 60 pacientes. A fila de espera é controlada pela Central Nacional de Transplantes. “Todo receptor, obrigatoriamente, é inscrito e fica na fila”, pontua Julio. É a central que faz o controle, cobrança das obrigações e a parte burocrática de uma doação. “É bom lembrar que um doador pode ajudar até quatro pessoas: duas com as córneas e mais duas com a esclera – uma membrana externa do olho”, enfatiza o gerente. Ele ainda coloca que, se uma pessoa precisa fazer o transplante de duas córneas, fará primeiro de um olho e vai retornar para o final da fila para fazer o segundo. “Nunca será feito o transplante das duas córneas de uma única vez, até porque seria injusto uma pessoa sair enxergando tudo enquanto outros ficariam ser ver absolutamente nada.” As estatísticas do banco apontam um crescimento nas doações e nos transplantes. Em 2006, foram registradas 85 doações de córneas e 48 transplantes. Até maio deste ano, já foram realizados 125 transplantes e contabilizadas 148 doações. Atualmente, a unidade conta com um gestor administrativo e financeiro, três técnicos em enfermagem e um técnico em Banco de Olhos. Toda a diretoria é formada por voluntários que também contribuem na divulgação e conscientização da ! doação de córneas.

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 23


EDUCAÇÃO 28

E SE, NA SALA DE AULA, CADA ALUNO TIVESSE UM COMPUTADOR PORTÁTIL?

VIDA DIGITAL

30

SERVIÇO GRATUITO PARA ESCLARECER DÚVIDAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

No lugar de caderno, lápis e borracha, celulares, notebooks e tablets ocupam as carteiras nas salas de aulas

TAGS: TECNOLOGIA, ESCOLA, SALA DE AULA, EDUCAÇÃO, ENSINO, DEBATE

Conexão ativada em sala de aula

POR EDINEI KNOP

DEIXE SUA OPINIÃO NA NOSSA FAN PAGE facebook/RevistaCaracol

DIVULGAÇÃO

V

ocê já deve ter presenciado esta cena: o professor, na sala de aula, explicando (ou tentando explicar) o conteúdo para os alunos. Enquanto isso, alguns deles estão ouvindo música, outros navegando na internet ou ainda mandando mensagens pelo celular. É uma situação típica das gerações atuais, permanentemente conectadas. Nessas circunstâncias, surgem as dúvidas: a tecnologia presente no ambiente escolar ajuda ou atrapalha alunos e professores? Essas ferramentas podem ser utilizadas a favor do aprendizado? Para o estudante de engenharia de produção e sistemas, Renan Schroeder Schlichmann, 19 anos, a tecnologia é

A CADA DIA, a tecnologia está mais presente no ambiente escolar

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PATRÍCIA SCHMAUCH

ASPAS

O professor não deve ‘endeusar’ as ferramentas tecnológicas, mas mostrar sua importância na aplicabilidade de um determinado conceito” Lívia Vieira, professora

fundamental no ambiente escolar. Ele comenta que com o avanço da globalização é impossível separar essas duas realidades. “Mas deve haver restrições ao uso para evitar dispersão da turma”, alerta. Renan também enfatiza que alguns professores sabem se apropriar destas ferramentas para um bom uso durante o processo de aprendizado, mas outros não. “Professores são pessoas e pessoas são diferentes. Difere muito de um para outro professor”, explica o estudante. “As novas ferramentas revolucionaram a forma de ensino, principalmente porque permitiram uma conexão não linear com os estudantes, característica comportamental desta geração.” Essa é a opinião do professor do curso de Publicidade e Propaganda, Vinícios Alves Neves. Ele afirma que qualquer uma das ferramentas que permitam essa “multiconexão” com dados e informações na contribuição para o aprendizado do aluno, devem ser levadas em consideração pelo educador. Vinícios também levanta um ponto negativo: a dependência de infraestrutura tecnológica nas instituições de ensino (como banda larga de internet, hardware, software entre outros).

CRIANÇAS E TECNOLOGIA Em 2010, o Instituto Claro lançou uma cartilha para educadores e professores pensarem num ensino com o apoio das tecnologias. O material foi elaborado pelo consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional e redes sociais, Carlos Seabra. A

cartilha foi distribuída gratuitamente para professores da rede pública de Porto Alegre (RS). O objetivo da publicação era ajudar os educadores a repensarem o formato tradicional de educação usando, nesse processo, as ferramentas digitais. O autor afirma que a produziu sem foco específico, para professores de todo o país. “O conteúdo da publicação não apresenta nenhum método, apenas aponta rumos e possibilidades de uso, deixando para os professores a tarefa principal, que é a de pensar no seu efetivo uso no cotidiano da sala de aula”, defende. E qual é a idade ideal para inicial um processo de aprendizagem apoiado nas tecnologias? Seabra afirma que essa é uma questão que varia muito conforme o tipo de utilização e a proposta pedagógica envolvida. Segundo ele, as crianças de dois anos de idade já interagem intuitivamente com tablets, da mesma forma que com livros infantis. “A mescla de atividades ‘analógicas’ junto com as digitais parece ser a abordagem mais adequada”, propõe o autor. Ele cita exemplos de usos dessa interação de atividades. “Desenhar num tablet e depois imprimir para colorir a mão ou então ouvir uma música e acompanhar a letra cantando num pequeno coral com outros alunos, são exemplos que permitem interação com guris bem pequenos.”

CAPACITAÇÃO DOS PROFESSORES Na cartilha, Seabra também afirma que a fase mais difícil da transição para

cada vez mais, a internet é um indicador de qualidade de viDA o digital é a capacitação dos professores. Também aponta os gestores de não fornecerem condições adequadas para o desempenho da função. O consultor comenta que a educação também não é questão de atribuição exclusiva dos professores e que se deve engajar a sociedade como um todo. Destaca ainda que os professores estão cada vez mais preocupados com a questão do digital e que se nota uma significativa escala de apropriação das tecnologias de informação e comunicação na sala de aula. Seabra também diz que internet e computador só fazem a diferença na educação quando há imaginação pedagógica na estratégia de ensino do professor. “Um lápis só é útil nas mãos de quem sabe o que escrever ou desenhar com ele.” As aulas do professor Vinícios são recheadas de ferramentas tecnológicas. “Desde que comecei a dar aula, há dez anos, uso projetores, notebook, som, vídeo, internet e até lousa digital”, comenta. Ele também concorda que, a cada dia, estamos ficando mais aprisionados a essas ferramentas. “Acho que é uma viagem sem volta. E a forma como era antes nem vale a > pena ser lembrada.”

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 25


DULCE SEABRA

CARLOS SEABRA defende que

as ferramentas digitais fazem a diferença no aprendizado quando há imaginação pedagógica

ESCREVENDO MAIS No material desenvolvido pelo Instituto Claro, aborda-se que, com a internet, as crianças estão escrevendo mais. “Não só as crianças. Hoje, o mundo todo escreve mais para se comunicar do que há poucas décadas”, salienta Seabra. O consultor também aponta sua opinião sobre os erros ortográficos na hora de escrever no meio virtual. Ele é a favor do professor acompanhar o que os alunos estão escrevendo. “A questão dos erros sempre ocorreu, só que antes os professores não tinham acesso a isso. É uma benção pedagógica que os professores possam ver como seus alunos escrevem e como pensam, que valores externam e como se comunicam, através da observação e análise de suas postagens na web.” Ele ainda explica que aprender a escrever melhor, com vocabulário mais rico, ortografia perfeita e pensamento crítico e imaginativo é algo que não ocorre espontaneamente e que pode ser muito auxiliado pelas tecnologias de comunicação na internet através de pesquisas, leituras e exercícios. Seabra concorda que os alunos que não possuem acesso à internet, na questão do aprendizado, estão mais prejudicados do que os que possuem. “Até porque esses mesmos sem acesso são os que também têm menos esgoto e água encanada, pior renda e educação de seus pais”, argumenta. O consultor afirma que, cada vez mais, a internet é um indicador de qualidade de vida, assim como a energia elétrica ! ou o saneamento básico.

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a tecnologia só prejudica o ensino quando é utilizada sem propósito Tecnologia que conecta alunos

A

s ferramentas digitais e a facilidade de comunicação também permitem a realização de cursos via internet. A professora de Ambientes Digitais, Lívia Vieira, aproveita esta possibilidade através de uma plataforma gratuita: o Moodle. Ela começou a utilizá-lo num curso online realizado pela Universidade de Guadalajara, no México. Cada aluno tem seu perfil e acesso ao conteúdo das aulas por meio de um login e uma senha. O professor disponibiliza os arquivos das aulas (vídeos, áudios, textos) e se comunica com a turma por meio de fóruns. “É como se fosse uma rede social fechada, voltada para o ensino”, comenta. É possível criar um perfil com informações pessoais e profissionais. A interface é

fácil e a utilidade é enorme, principalmente para cursos à distância. A professora ainda comenta que a tecnologia dentro da sala de aula pode contribuir muito para o ensino, principalmente de disciplinas mais práticas. Lívia afirma que há diversas ferramentas gratuitas, além da possibilidade de utilização de câmeras fotográficas portáteis, tablets e outros dispositivos móveis. “Operar essas ferramentas não é uma dificuldade para esta geração que já nasce conectada”, opina. Ela também salienta que a tecnologia só prejudica o ensino quando é utilizada sem propósito. “A tecnologia por si só é vazia. É preciso gerar significado e aprendizado.” Além disso, Lívia comenta que é preciso entender a tecnologia como


um meio que pode facilitar a transmissão da mensagem. “O professor não deve ‘endeusar’ as ferramentas tecnológicas, mas mostrar sua importância na aplicabilidade de um determinado conceito. Isso é o que faz a diferença no ensino atual”, conclui.

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) possui o Programa de Pós-Graduação em Engenharia e

O MOODLE A plataforma Moodle é um sistema para gerenciamento de cursos ou, também, um ambiente virtual de ensino e aprendizagem. Ele é totalmente baseado em ferramentas da web, requerendo do usuário um computador conectado à internet e a disponibilidade de um navegador. O Moodle procura cobrir três eixos básicos do processo de aprendizagem: o gerenciamento de conteúdos, a interação entre usuários (com ferramentas como fórum, bate-papo e mensagem instantânea) e acompanhamento e avaliação (definição, recepção e avaliação de tarefas, questionários e enquetes, atribuição de notas e cálculo de médias). O sistema é utilizado por várias universidades e faculdades do Brasil. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é um exemplo. Na instituição catarinense, o Moodle é utilizado há vários anos em programas de Educação à Distância (EaD). Desde o primeiro semestre de 2009, também está disponível como apoio aos cursos presenciais. O Moodle da universidade opera de forma conjunta com os sistemas acadêmicos da instituição. Ou seja, o cadastramento de disciplinas, turmas, professores e estudantes na plataforma são realizados automaticamente com base nos dados contidos nos sistemas acadêmicos. Ao final do semestre, as notas gerenciadas no Moodle UFSC podem ser automaticamente transportadas para os sistemas da universidade.

Gestão do Conhecimento (EGC). Ele tem como objetivo a pesquisa de novos modelos, métodos e técnicas de engenharia, de gestão e de mídias do conhecimento, para as organizações e para a sociedade em geral. Segundo o professor e subcoordenador do programa, José Leomar Todesco, o EGC tem uma linha de pesquisa chamada Mídia e Conhecimento na Educação, onde são desenvolvidas pesquisas referentes à tecnologia na sala de aula, principalmente na modalidade de Educação à Distância (EaD). Além disso, conta com o Laboratório de Educação à Distância (LED) que apoia toda a universidade nos cursos presenciais e à distância. Todesco concorda que falta interesse por parte do governo em avançar na utilização de ferramentas digitais no aprendizado. Ele afirma que, para se tornar um método viável, várias ações devem ocorrer como capacitação dos professores, infraestrutura, mudança do modelo ensino-aprendizagem entre outras. Todesco enfatiza que o aprendizado ocorre pelas experiências das relações entre os agentes. “O aprendizado não se dá mais apenas na relação professor-aluno, ocorre em todas as interações, ou seja, na interação aluno-aluno, aluno-tecnologia e aluno-professor”, explica. O professor apoia a Educação à Distância porque proporciona vários benefícios, como escala, flexibilidade no horário da aula e em outros aspectos. Também destaca a questão da qualidade. “Já participei de cursos à distância como professor nas modalidades de especialização e mestrado e posso confirmar que a qualidade é a mesma, não perde em nada para o presencial.” No entanto, Todesco salienta que há necessidade de adequações e deve ser um curso sério. “O que presenciamos também são cursos na modalidade EaD com baixíssima qualidade, sem conteúdo e sem suporte de tutoria”, comenta. Também lembra que as pesquisas envolvendo tecnologia na sala de aula avançam lentamente. Ele cita que, há vários anos, previa-se o uso da reali-

dade virtual para aulas de laboratório. Ou seja, o aluno realizaria experiências de química ou física usando capacetes de realidade virtual, podendo interagir nesse ambiente com seus colegas de aula. “Essa tecnologia permitiria que o aluno pudesse realizar a aula de casa. Na verdade, o aluno poderia participar de todas as aulas num ambiente virtual remoto”, complementa. O professor coloca que o advento dos tablets, lousas interativas, a velocidade da internet e dos processadores já tem permitido novas experiências. O coordenador do módulo de Mídia e Conhecimento, Francisco Antonio Pereira Fialho, afirma que toda educação é à distância. Segundo ele, o grande desafio do professor é romper essas barreiras. Fialho ainda comenta que, no Brasil, a educação à distância, como a presencial, são péssimas e a tecnologia pode ser um algo a mais para contribuir no aprendizado. “Professores magos com suas varinhas tecnológicas reencantando a educação”, ironiza.

o aprendizado ocorre pelas experiências das relações entre os agentes PATRÍCIA SCHMAUCH

LÍVIA VIEIRA aproveita a facilidade da tecnologia para realizar cursos online

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 27


E se, na sala de aula, cada aluno tivesse um computador?

M

otivado pela expansão tecnológica e cada vez mais presente no dia a dia, em 2010, o governo federal iniciou a implantação do programa Um Computador por Aluno (Prouca). A ideia, com o objetivo de ser um projeto educacional utilizando tecnologia e inclusão digital, foi instituída em aproximadamente 300 escolas públicas do país. Foram adquiridos cerca de 150 mil laptops educacionais para distribuição entre alunos e professores. Além disso, cada escola recebeu infraestrutura para acesso à internet e capacitação para gestores e professores no uso da tecnologia. De acordo com o consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional e redes sociais, Carlos Seabra, um ponto bastante positivo do projeto é deixar os computadores mais próximos dos alunos e professores. “Retirar os computadores da ‘caverna’, onde normalmente ficam isolados na escola, ambiente geralmente chamado de laboratório, levando-os para dentro da sala de aula”, salienta Seabra. A abrangência minúscula e pouco significativa do projeto é apontada como ponto negativo do Prouca. A Escola de Ensino Básico (EEB) Francisco Eberhardt, no distrito de Pirabeiraba, em Joinville, faz parte do Prouca. De acordo com o professor orientador do programa na instituição, Ibson Tadeu Florencio Barbosa,

a escola foi selecionada em 2010 porque atendia a alguns requisitos do programa, como número inferior de 500 alunos e estar numa zona rural. Após esta fase, o Ministério da Edu-

IBSON SALIENTA que o programa é um

instrumento e não veio substituir o professor, o conteúdo didático, o caderno ou o quadro-negro DÉBORA DE SOUZA BATISTA

28 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

cação, através do governo estadual, iniciou a verificação para a implantação da infraestrutura de rede para escola (um computador servidor, alguns roteadores wireless e o cabeamento ethernet). Ibson também comenta que os primeiros encontros para qualificação profissional ocorreram em julho daquele ano, logo após a chegada dos equipamentos. Foram destinados aos profissionais da área de educação, professores, pais e pessoas da localidade. “Eles receberam treinamento sobre utilização do equipamento e dos softwares instalados”, explica. A capacitação também se estendeu para alunos monitores – crianças que atuam como multiplicador do conhecimento. Dificuldades técnicas e a falta de pessoal responsável pelo andamento do projeto fizeram com que a iniciativa ficasse ociosa. O orientador também pontua que o uso acabou restrito a algumas atividades não prioritárias.


DIVULGAÇÃO

NA ESCOLA de Pirabeiraba,

os computadores dividem espaço com cadernos e lápis ACESSE A APOSTILA PRODUZIDA POR CALOS SEABRA COM O QR-CODE ACIMA PARA FAZER A LEITURA, ACESSE A FAN PAGE DA REVISTA CARACOL E BAIXE O APLICATIVO

os alunos são encorajados a produzir e preservar conhecimento “O uso escolar também ocorria, mas como não havia suporte técnico para as atividades, acabou frustrando os professores que tentavam utilizar o recurso.” Ibson ainda complementa que os problemas de hardware e software minaram a confianças dos professores. Ele salienta que o quadro foi alterado somente em março de 2012 com a contratação de um professor orientador. De acordo com ele, o salto de qualidade do programa na escola só foi possível com a presença de uma pessoa formada e familiarizada com o ambiente escolar e com as ferramentas tecnológicas existentes.

OS BENEFÍCIOS Dentre os benefícios do projeto, Ibson cita a inclusão digital e a utilização de um sistema operacional gratuito (UbuntUCA). “Além disso, o aluno começa a criar em sua rotina de trabalho o universo da automatização de tarefas, a organização de atividades,

a preocupação com aspectos estéticos das atividades, a preservação dos trabalhos e a pluralidade de formas de tratar e apresentar uma informação.” Segundo o professor, os alunos são encorajados a produzir e preservar conhecimento, trazendo o novo para suas atividades cotidianas, em sala de aula, na rua ou em casa, sem prejuízo no aprendizado, de forma eficiente e eficaz. “As crianças e jovens se tornaram responsáveis tanto pelo equipamento como pelas tarefas que precisam cumprir”, acrescenta. Também afirma que a utilização da ferramenta, ao longo do tempo, tornará jovens e adultos mais ágeis implicando positivamente na carreira profissional. Ele ainda cita que alguns professores utilizam intensamente o recurso e outros não. “O Prouca é um instrumento e não veio para substituir o professor, o conteúdo didático, o caderno ou quadro-negro. Tem limitações e vantagens”, enfatiza.

O PROJETO É um programa pelo qual estados, municípios e o Distrito Federal podem adquirir computadores portáteis novos para uso na rede pública de educação básica. Para incentivar a compra, o governo federal disponibilizou uma linha de crédito para financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). DIVULGAÇÃO PROUCA

O laptop possui configuração exclusiva e requisitos funcionais únicos, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e peso de 1,5 quilos. É equipado para rede sem fio e conexão de internet. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 29


EDUCAÇÃO | LÍNGUA PORTUGUESA

Serviço esclarece dúvidas de português para todos os cantos do Brasil

TAGS: PORTUGUÊS, GRAMÁTICA, ESCRITA, GRAMMAR PHONE, TELEGRAMÁTICA, DÚVIDAS

POR PATRÍCIA SCHMAUCH INFOGRÁFICO: EDINEI KNOP

Telegramática ajuda você a falar e escrever corretamente

T

irar dúvidas sobre a crase, uso do hífen ou grafia e significado de palavras fica mais fácil quando se tem à disposição um serviço como o Telegramática, mantido pela Secretaria da Educação de Curitiba. Se você quer corrigir um texto inteiro e ainda ganhar sugestões como escrever uma carta para o seu chefe ou bilhetes para o seu na-

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clareceram cerca de oito mil dúvidas. Oito sabidos da língua portuguesa trabalham no serviço e atendem ligações sem parar durante o dia inteiro. Os consultantes vão desde estudantes e profissionais da comunicação até advogados, médicos e professores. Um deles, a assessora de imprensa Claudine Nunes, de Joinville, utiliza o serviço há quatro anos. A consulta à gramática e dicionários da língua portuguesa faz parte da rotina de Claudine. “Geralmente eu ligo quando PATRÍCIA SCHMAUCH

30 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012


PATRÍCIA SCHMAUCH

CLAUDINE NUNES trabalha com comunicação empresarial e utiliza o serviço com frequência. Para ela, o Telegramática esclarece as dúvidas da Língua Portuguesa de forma rápida, credível e eficaz

estou com pressa. Minhas principais dúvidas estão relacionadas ao uso do hífen e morfologia”, conta ela. Para ela, o Telegramática é um serviço eficiente e uma das formas mais seguras de conhecimento com credibilidade. “Deveriam existir serviços semelhantes em todo o país”, afirma. Quem esclarece as dúvidas são os consultores concursados pela Prefeitura, formados em Letras e admitidos mediante um concurso interno. Geralmente, possuem dois idiomas, que vão desde inglês e espanhol até latim, grego e árabe. O conhecimento em diferentes línguas é importante porque a biblioteca, com mais de mil livros que são utilizados para consulta, traz enciclopédias em diversos idiomas. Há 10 anos como coordenadora do Serviço de Telegramática, Beatriz de Castro Cruz conta que há pessoas que ligam para tirar dúvidas em outros idiomas e perguntar sobre geografia e história. E não tem jeito: os professores esclarecem as dúvidas e até aconselham quem acaba de fazer uma descoberta de uma doença, por exemplo. De acordo com Beatriz, as principais dúvidas gramaticais estão relacionadas à crase e o novo acordo ortográfico. “Desde 2007, o Telegramática atende a ligações que trazem dúvidas sobre as novas regras. No início de 2009, praticamente todas as ligações eram sobre perguntas sobre a nova ortografia”, conta Beatriz. A maior parte das ligações é de Curitiba, mas o serviço já teve ligações internacionais, sobretudo do Chile e Estados Unidos. Os consultores não esclarecem

somente dúvidas relacionadas à escrita, mas também à fala. Para Beatriz, a forma correta de se expressar verbalmente é fundamental, sobretudo, para o currículo profissional. “Se em uma entrevista de emprego, o candidato não apresentar um bom desempenho verbal, possivelmente vai perder a vaga para outro que fala melhor e possui menos experiência em termos técnicos”, afirma. Na fala, as principais dúvidas das pessoas que utilizam o serviço estão ligadas à pronúncia correta das palavras, colocação de pronomes e tempos verbais. No ano passado, foram 52.243 dúvidas respondidas formuladas por 26.899 pessoas. Beatriz destaca que a procura pelo serviço vem aumentando porque quem liga quer ser auxiliado por pessoas reais que expliquem o porquê das regras gramaticais e mudanças. “As pessoas não querem apenas escrever melhor, mas fazer uma reflexão sobre o que elas escrevem”, diz ela.

OS CONSULTORES NÃO ESCLARECEM SOMENTE DÚVIDAS RELACIONADAS À ESCRITA, MAS TAMBÉM À FALA As consultas do Telegramática não levam em consideração apenas a gramática tradicional. “Na língua portuguesa, existem várias gramáticas e linguísticas. Tanto a linguagem oral quanto a escrita têm regras próprias. A linguagem precisa estar adaptada ao gênero e fala de cada região. Principalmente quando há dúvidas relacionadas à pronúncia, é preciso levar em consideração o regionalismo e a forma como o falante vai utilizá- >

SABIA? PARA ESCLARECER AS DÚVIDAS, OS CONSULTORES TÊM À DISPOSIÇÃO MAIS DE MIL LIVROS EM OITO IDIOMAS

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 31


Na maior parte dos casos, as dúvidas são esclarecidas durante o atendimento, com o auxílio dos tradicionais e atualizados dicionários da língua portuguesa e mais os dicionários jurídico, médico, de filosofia, psiquiatria, psicologia, administração, marketing e finanças, além de manuais de redação jornalística e comercial. “Atendemos a todos os públicos, e por isso, temos até o dicionário de sexo”, conta Beatriz. !

DIVULGAÇÃO

la”, destaca Beatriz. Apesar de ainda não ter utilizado o serviço de Telegramática, a professora de Língua Portuguesa Jozi Elen dos Santos Fleck conhece a iniciativa e considera o serviço “de extrema utilidade pública”. Segundo ela, os estudantes têm o hábito de esclarecer dúvidas em sites e dicionários online, muitas vezes, não confiáveis. “A leitura da gramática tem sido rara entre eles”, lamenta.

A PROFESSORA JOSI ELEN

PARTE DA EQUIPE DE consultores

chama a atenção para a consulta a fontes não confiáveis

do Telegramática, que responde as dúvidas via telefone e internet DIVULGAÇÃO TELEGRAMÁTICA

CADA SITUAÇÃO! Veja algumas situações estranhas pelas quais os consultores da Telegramática já passaram: Concentração Para não perder o fio da meada, é preciso concentração, diz Beatriz de Castro Cruz, coordenadora do Telegramática. “Quando o telefone toca, a gente abre uma caixinha no cérebro, e quando ele desliga, é preciso fechar a caixinha, só que isso não é imediato. Já aconteceu de eu atender o telefone com um ‘telenovela’ ou ‘telegarrafa’, após ter citado garrafa ou novela em uma conversa.”

INSPIRAÇÃO NORTE-AMERICANA

32 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

ano de funcionamento, o serviço atendeu a quase 20 mil dúvidas. Beatriz de Castro Cruz conta que no início, a proposta do serviço era socorrer os profissionais que trabalham com a escrita, como professores, jornalistas, escritores, advogados e secretárias. “As pessoas usavam o serviço para consertar erros nos textos. Com o passar do tempo, o serviço passou a atender também pessoas preocupadas em falar bem”, conta Beatriz. A partir de 1995, o serviço passou a ser vinculado à Secretaria Municipal de Educação. O número de consultas aumentou 20% após a reforma ortográfica que aconteceu em 2009.

Política x português A consultora Ladanir Millack lembra de uma senhora que adorava escrever cartas para políticos que admirava – entre eles, Fernando Henrique Cardoso e Paulo Maluf. Após a consulente citar o texto da carta e receber sugestões, a conversa sempre caía no terreno da política. ”Aí eu acabava dando minha opinião, perguntava como ela conseguia gostar do Maluf e ela ficava brava.” Vergonha O Telegramática não soluciona apenas questões de português. Os consultores também estão preparados para tirar dúvidas a respeito de termos técnicos – no local há dicionários de Medicina, Direito, Aministração, gírias e também sexo. “Houve uma vez em que uma consultora supertímida teve de explicar um termo em meio ao silêncio da sala. Ela ficou vermelha, mas continuou a explicação, em tom sério”, diz Beatriz. Os trotes são raros. “Na maior parte das vezes a pessoa realmente não sabe o que aquilo significa e quando nós explicamos, ela quer desligar, por vergonha.”

FONTE DO BOX: Gazeta do Povo

A ideia de criar um serviço para tirar dúvidas pelo telefone foi inspirada no americano Grammar Phone, que esclarecia dúvidas de inglês no estado de Arkansas, na década de 70. Depois da sugestão de Beatriz Passiorini, o professor Luiz Gonzaga Paul leu uma reportagem sobre o assunto na revista Time, e sugeriu a criação de um serviço semelhante em Curitiba. Três anos após, em fevereiro de 1985, o serviço foi ao ar, com o patrocínio da Telepar, que cedeu quatro aparelhos de telefone – já que as linhas eram muito caras na época. Oito funcionários trabalhavam em dois turnos. No primeiro

Onde tem capeletti? Uma vez, a consultora Sirlei Cavalli atendeu a ligação de alguém que queria saber como se escrevia capeletti. “Eu pedi para a pessoa esperar e perguntei: ‘Onde eu acho capeletti?’. Eu me referia ao dicionário, mas a Beatriz respondeu: ‘No supermercado!’. Todo mundo caiu na risada.”


RORAIMA

INFOGRÁFICO AMAZONAS

ESTATÍSTICAS DO SERVIÇO

PIAUÍ

PERNAMBUCO

DISTRITO FEDERAL

O Telegramática é um serviço reconhecido em todo o país. Prova disso, são os diferentes locais de origem das ligações e consultas ao site. Veja abaixo o número de atendimentos e dúvidas e detalhes dos dados de 2011. E não deixe de entrar em contato se você precisar.

MINAS GERAIS

MATO GROSSO DO SUL

SÃO PAULO

LOCAIS DE ORIGEM DOS CONSULTANTES

RIO DE JANEIRO

PARANÁ SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL

52.243

151

26.899

ATENDIMENTOS VIA TELEFONE

CONSULTAS VIA INTERNET

CONSULTANTES ÚNICOS

47

22

1

0

0

1

0

Estilística

Etimologia

Outros

Extrapolente

5 Semântica

5 Morfologia

Redação

Pontuação

Ortografia

Sintaxe

6

Fonologia

12

CONSULTAS POR MÊS Jan

3.404

Fev

4.432

Mar

4.541

Abr

4.652

Mai

4.916

Jun

4.611

Jul

4.431

Ago

4.741

Set

4.341

Out

4.518

Nov

4.208

Dez

3.599

RELEMBRE OS CAMPOS DA GRAMÁTICA EM facebook/RevistaCaracol

SEGUNDO BEATRIZ, ALÉM DE ESCREVER MELHOR, AS PESSOAS QUEREM ENTENDER COMO ESCREVEM DIVULGAÇÃO TELEGRAMÁTICA

CONSULTAS POR ÁREA LINGUÍSTICA (%)

UTILIZE O SERVIÇO GRATUITO

41 3218-2425 www.aprendercuritiba.org.br 8º andar do prédio número 398, na Rua Doutor Faivre.

Se você precisa tirar dúvidas de português ou está preocupado em escrever melhor e de forma correta, ligue para o número ao lado. Os atendimentos também são feitos pela internet (aprendercuritiba.org.br/cidadedoconhecimento).

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 33


MUNDO C&T 38

AS EMPRESAS QUE MAIS CONSOMEM ENERGIA ELÉTRICA EM JOINVILLE

CONSUMO

40

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

AS DIFERENÇAS DA RAÇÃO DO SEU CACHORRO E DA RAÇÃO DE GENTE GRANDE

Município tem energia garantida até 2045 e consumo tende a se manter estável nos próximos anos

TAGS: ENERGIA ELÉTRICA, SUSTENTABILIDADE, MEIO AMBIENTE, CONSUMO

POR PATRÍCIA SCHMAUCH

A energia que move Joinville

DIVULGAÇÃO ITAIPU

36 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012


PATRÍCIA SCHMAUCH

ASPAS

Hidrelétricas são fontes limpas e o Brasil explora apenas 30% dos rios que têm capacidade para gerar energia Antônio Flávio, professor

E

la é renovável, não intoxica o planeta e não produz lixo, além de abastecer as residências de 99,3% da população de Joinville. Você chega em casa e acende a luz, abre o chuveiro e a água desce quente, e a energia produzida por usinas hidrelétricas é a responsável por isso. Todo ano, cresce a demanda mundial de energia com o aumento das populações e do consumo. Em Joinville, não é diferente: em 2010, foram mais de 2,5 bilhões de KW/h de energia consumidos, 15,98% a mais que no ano anterior e quase o dobro do crescimento do consumo de Santa Catarina, que foi de 7,6%. Devido ao crescimento progressivo do consumo de energia elétrica, é cada vez mais necessário buscar fontes alternativas de produção de energia que não degradem os recursos do planeta, nem comprometam a sobrevivência das espécies. Segundo o professor do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) Antonio Flávio, ainda há muito o que se descobrir sobre o uso eficiente das energias renováveis. “Elas estão mais próximas do que parecem da adoção em larga escala”, afirma. As pesquisas do Centro de Tecnologia Alternativa (CAT) da Universidade Federal de São Pau-

lo confirmam a opinião de Antonio, mas também mostram que já há soluções práticas, baratas e disponíveis, para pequenos e grandes consumidores do país. Exemplos são os sistemas eficientes de captação de energia solar e o ônibus elétrico chinês que será implantado em breve no sistema de transporte público da cidade de São Paulo. Para Antonio, em dois ou três anos, Joinville já terá carros elétricos. Apesar do crescimento do consumo de energia de Joinville, o professor afirma que a cidade e região não tendem a passar por problemas com a produção de energia elétrica. Há 29 anos como professor e com um vasto conhecimento no sistema de transmissão de energia elétrica do Brasil, ele diz que as cidades de todo o país tem energia garantida até 2045. “Hidrelétricas são fontes limpas, e o Brasil explora apenas 30% dos rios que têm capacidade para gerar energia. Entretanto, as usinas alagam áreas e possuem custo de instalação elevado”, afirma. “É preciso pensar em formas alternativas de energia pelos impactos ambientais que a construção de usinas hidrelétricas ocasionam, e não por necessidade ou preocupação com a falta de energia”, explica. A rede elétrica brasileira é interligada por meio do Sistema Integrado

Só a usina de Itaipu, no rio Paraná, a maior do mundo, produz 14 mil megawatts Nacional (SIN), e considerado por especialistas como um dos mais eficientes do planeta. Só a usina de Itaipu, no rio Paraná, a maior do mundo, produz 14 mil megawatts, 25% do consumo de energia de todo o Brasil. “A energia de uma determinada usina não é consumida apenas em um determinado local. Os consumidores contratam a energia junto aos geradores, que se comprometem a disponibilizar o contratado”, explica Eduardo Cesconetto, gerente regional da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Sob a responsabilidade da Celesc, há 12 pequenas centrais hidrelétricas: a Celso Ramos, em Faxinal dos Guedes; Rio do Peixe, em Videira; Ivo Silveira, em Campos Novos; Pery, em Curitibanos; Caveiras, em Lages; Garcia, em Angelina; Salto, em Blumenau; Piraí, em Joinville; Bracinho, em >

A USINA DE ITAIPU produz 25% da energia létrica consumida no país

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 37


PATRICIA SCHMAUCH

O PROFESSOR ANTONIO FLAVIO

acredita que uma das soluções para a destinação do lixo é a geração de energia a partir dos resíduos sólidos

AINDA HÁ DIVERGÊNCIAS NA CONSTRUÇÃO DE MAIS HIDRELÉTRICAS NO ESTADO

38 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

0,28%, os serviços públicos 1,1% e as residências, 17%. O consumo médio de uma família com quatro pessoas é 220KW/h ao mês, que gera uma conta de aproximadamente R$ 79. Além de Joinville, a agência regional da Celesc atende a outros municípios como Araquari, Garuva, São Francisco do Sul, Itapoá e Balneário Barra do Sul. Na cidade, apenas as áreas de proteção ambiental ou de invasão que estão impedidas por ações judiciais, como Vigorelli, Canela, Cubatão, parte do Morro do Meio e Jardim Edilene não possuem energia elétrica. Apesar da cobertura de energia da cidade, os alagamentos, a vegetação e a rede de distribuição aérea dificultam a transmissão da energia. Para resolver esses e outros problemas, estão previstos investimentos de 11,2 milhões de reais para os municípios que são atendidos ! pela agência regional.

MAIORES GASTOS Você conhece os dez principais consumidores de energia de Joinville? Só a Tupy, segunda colocada da lista, recebeu 63MW da Celesc em 2010. Veja quem são as outras consumidoras: 1. 30 2. Tupy 3. Tigre 4. Metalúrgica Duque 5. Whirpool 6. Shopping Mueller 7. Krona 8. Associação Beneficente Evangélica de Joinville 9. Ab Plast Manufaturados Plásticos Joinville 10. Granaço

FONTE DO BOX: CELESC

Schröeder; Cedros, em Rio dos Cedros; Palmeiras, em Rio dos Cedros; e São Lourenço, em Mafra. Juntas, essas hidrelétricas possuem uma potência de aproximadamente 82 MW, o que corresponde a 3% da demanda total de energia de Santa Catarina. No estado, a geração de energia é de 6,5 mil MW, mas a demanda dos catarinenses é muito maior: 20 mil gigawatts/hora. Segundo Antonio, há divergências na construção de mais usinas hidrelétricas no estado devido ao seu custo e aos impactos ambientais, mas ressalta aspectos da energia limpa, independente de combustíveis fósseis. Mesmo sem novas usinas, a produção e o consumo de energia deve se manter estável nos próximos anos, mesmo com o crescimento estimado de 5,8% do PIB do município. Hoje, as indústrias são responsáveis por 67% do consumo de energia, a área rural


Geração de energia por meio do lixo

ELA VEM D DO VENTO Quase 100 mil pessoas de Santa Catarina são abastecidas por energia eólica produzida no estado, um sistema limpo que aproveita a força dos ventos. Segundo Antonio, essa não é uma alternativa viável para Joinville porque a cidade possui construções altas e velocidade do vento não constante. Existe um aerogerador com potência de 600 KW em Bom Jardim da Serra, na serra catarinense, que abastece 63% da população do município. Em Água Doce, cidade do meio oeste, funcionam outras duas usinas eólicas, que juntas geram 13,8 MW. Os projetos e investimentos brasileiros em energias limpas não param de crescer. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o país possui 19 usinas eólicas em funcionamento, outras 20 em construção e 51 aprovadas, cujas obras ainda não começaram. De acordo com o professor Antonio, o Brasil vai se tornar uma potência na produção de energia eólica nos próximos anos, sobretudo com conclusão das usinas eólicas que estão em construção. PATRICIA SCHMAUCH

urante décadas, o uso da energia renovável produzida a partir do lixo era uma ótima ideia que parecia pertencer a um futuro muito distante. A boa notícia é que esse sonho já virou realidade no mundo todo e pode ser uma alternativa para Joinville. Em 2010, a cidade produzia 12 mil toneladas de lixo todo mês. Do total, apenas 2,5% são recolhidos pela coleta seletiva. Os catadores se encarregam de mais 1,5%. O total não chega nem a 5% na cidade. O resto tem destino certo: o aterro sanitário da cidade. Segundo o engenheiro ambiental Willian Marcel Gorniack, existem dois tipos de produção de energia por meio do biogás: ou por motores de combustão interna e turbinas a vapor (nos quais a água é aquecida e impulsiona a turbina para a geração de energia) ou por incineração do material em uma caldeira que gera vapor para acionar as turbinas, transformando o movimento em energia elétrica. “A geração de energia por meio dos resíduos em Joinville é possível, mas não posso afirmar que é viável economicamente: isso depende de um estudo de viabilidade mais aprofundado, sobretudo porque o investimento é alto”, diz ele. Um estudo realizado em Curitiba mostrou que o investimento necessário para a usina que geraria que geraria 1MW, suficiente para abastecer 10 mil casas, seria de aproximadamente 3,7 milhões de reais. Com uma vida útil de 12 anos, apenas a venda da energia elétrica não seria suficiente para quitar o investimento inicial. Segundo Antonio Flávio, uma das

soluções para a destinação do lixo nas cidades é a geração de energia a partir do tratamento térmico dos resíduos sólidos urbanos. Por meio do processo, com apenas um quilo de lixo domiciliar é possível obter energia suficiente para ligar um secador de cabelos por 24 minutos, uma televisão por cinco horas e 45 minutos ou para se tomar oito banhos de vinte minutos. De acordo com a reportagem “A energia que vem do lixo”, do site Planeta Sustentável, o processo de geração de energia por tratamento térmico do lixo compreende duas fases: na primeira, o lixo é separado, já que apenas matéria orgânica e resíduos não-recicláveis são encaminhados para incineração. Esses materiais são fragmentados e triturados, dando forma ao Combustível Derivado dos Resíduos (CDR). Na segunda etapa, o combutível é incinerado a uma temperatura de de 1000ºC e os gases quentes são aspirados para uma caldeira de recuperação, onde é produzido o vapor que aciona o turbogerador. Os gases extraídos da caldeira são neutralizados por um processo de filtragem, com rotores que giram a 900 rpm e lavagem com água alcalina. Por fim, os gases limpos são lançados na atmosfera, enquanto os resíduos inertes são arrastados para um decantador e podem ser aproveitados na produção de material de construção. Pouco explorada no Brasil, já que o mais comum por aqui é se extrair energia a partir do biogás (gerado em aterros sanitários), a tecnologia de tratamento térmico do lixo é uma alternativa já adotada em outros países.

Como funciona uma usina hidrelétrica?

EDUARDO CESCONETTO explica que

a energia produzida numa usina não é consumida apenas num determinado local

Em todas as usinas hidrelétricas, o princípio básico é usar a força de uma queda d’água natural para gerar energia elétrica. Cada uma delas possui turbinas enormes que rodam impulsionadas pela força da água de um rio represado. Ao girar, as turbinas acionam geradores que

produzem energia. Quando há um período com grandes secas, os rios perdem volume e o nível do reservatório de água das usinas cai, reduzindo a força da queda d’água. Dessa forma, as usinas giram mais lentamente e produzem menos energia. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 39


MUNDO C&T | ALIMENTOS

Experimentar comida de cachorro parece gostoso. Mas cuidado: o alimento pode ser prejudicial à saúde

TAGS: CACHORRO, RAÇÃO, ALIMENTAÇÃO, SAÚDE, CUIDADOS

Ração de cão e de gente grande

S

e você tem um cachorro de estimação e o alimenta com ração, aposto que, alguma vez, já ficou com vontade de experimentar um pouco da comida do bichinho, não é? Parece ser uma vontade normal. Afinal, alguns tipos de ração canina têm um aroma encantador, além de parecerem crocantes e deliciosos. Mas as pessoas podem comer ração de cachorro? Na verdade, não. A ração possui ingredientes de origem animal, como farinha de carne, que podem prejudicar a saúde humana por falta de

ALGUNS TIPOS DE RAÇÃO canina

têm aparência e aroma cativantes, mas o consumo trás riscos à saúde

POR EDINEI KNOP

segurança alimentar. De acordo com a professora e médica veterinária, Simone Machado Pereira, esses ingredientes podem estar contaminados com uma série de microorganismos patogênicos ao ser humano, causando infecções gastrointestinais. “Os cães têm melhor capacidade digestiva”, explica. O principal ingrediente para a produção da ração é o farelo de origem vegetal e animal, fonte de energia, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. Existem várias tipos de ração, classificadas pela qualidade dos ingredientes: super premium, premium, standard e comerciais. Simone comenta que as mais indicadas são aquelas produzidas por empresas competentes e que utilizem ingre-

dientes adequados. Para que seu animalzinho de estimação possa crescer forte e saudável, além de uma alimentação adequada, é preciso ter outros cuidados. Alguns alimentos são tóxicos para cães, como chocolates, cebola, balas, chicletes entre outros. Além disso, ossos de aves, farpas de madeira e outros objetos que podem ser roídos pelos cães aumentam as possibilidades de problemas gástricos. “O melhor alimento para o cão é uma ração de boa qualidade”, enfatiza a professora. Petiscos produzidos especialmente para cachorros, como biscoitos e ossinhos de couro, também podem ser oferecidos esporadicamente. Ao lado do homem por milênios, o cão já se adaptou, mais ainda conserva seus próprio requerimentos FOTOS DIVULGAÇÃO

40 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

SABIA? A regulamentação das rações é responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


O MELHOR AMIGO do homem também se adaptou. Por isso, é fundamental garantir a saúde e o bem estar no seu animal de estimação

comportamentais e nutricionais. Conhecê-los e respeitá-los é fundamental para garantir o bem estar e a saúde do seu animalzinho.

A PRODUÇÃO Para a produção da ração, os ingredientes específicos de cada formulação são pesados, moídos, homogeneizados e misturados. Em seguida, os biscoitos são produzidos através de um processo de cozimento industrial chamado extrusão, onde a massa é submetida ao calor e à pressão. Após essa etapa, já no formato específico, os biscoitos passam por um processo de secagem e cobertura. Neste estágio é adicionada uma camada de gordura que dá mais sabor ao produto final. Depois de prontos, além de análises laboratoriais, algumas empresas testam os alimentos em canis próprios. As grandes empresas de ração não divulgam exatamente os ingredientes utilizados e o processo detalhado de fabricação. O motivo: questões estra> tégicas e de mercado.

A variedade de raças é imensa: peludos ou sem pelos, gigantes ou miniaturas, do branco ao preto. Existem cachorros para todos os gostos! Mas o que muita gente não sabe é que as diferenças não estão apenas na aparência. As características das raças caninas foram aprimoradas ao longo de muitos anos. Particularidades no funcionamento do organismo ou maior tendência a desenvolver determinados problemas de saúde são fatos cada vez mais conhecidos em relação a essa grande variedade de raças.

Essas situações, somadas à importância do papel da nutrição para uma boa saúde e o avanço tecnológico e científico na área de nutrição animal, permitiram o desenvolvimento de dietas altamente específicas. Elas têm o objetivo de promover o máximo desenvolvimento das características desejáveis de algumas raças, e ao mesmo tempo, prevenir seus principais problemas de saúde. Isso é possível por meio de um balanceamento especial dos nutrientes, de ingredientes diferenciados e de novas tecnologias de produção. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 41

FONTE BOX: REVISTA PETMAG

A ração possui ingredientes de origem animal que podem prejudicar a saúde humana

UMA RAÇÃO PARA CADA RAÇA DE CÃO


A verdadeira ração de gente

S a ração humana não deve ser usada para substituir refeições, mas para complementar a alimentação NUTRIÇÃO ANIMAL Preparar uma alimentação balanceada, através da produção de ração canina, envolve aproximadamente 50 nutrientes indispensáveis ao animal. O equilíbrio ideal é obtido quando os ingredientes são adicionados nas proporções adequadas e se complementam. A nutrição veterinária é uma ciência que se destaca por identificar, com base no consumo dos animais, os nutrientes essenciais e o papel que desempenham. Hoje as rações podem ser formuladas de acordo com as necessidades específicas do cão. Desenvolvimento e manutenção do organismo, fornecimento de energia, nutrição, prevenção e cuidado são alguns dos objetivos traçados pelas empresas de produção de ração através de pesquisas científicas e veterinárias. Os aminoácidos, minerais, vitaminas e ácidos graxos correspondem às necessidades básicas para a manutenção e o desenvolvimento do corpo do seu bichinho de estimação. Já os lipídios e carboidratos são as principais fontes de energia. Alguns nutrientes também são incorporados à ração (antioxidantes, fibras, ácidos graxos essenciais e outros) para evitar riscos, como doenças renais e problemas digestivos. Outros nutrientes são adicionados para ajudar os animais a se recuperarem de ! uma série de doenças.

42 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

e você não pode (ou não quer, mesmo) ingerir ração de cachorro, temos a solução: provavelmente você já ouviu falar em ração humana. É um composto com diferentes ingredientes à base de cereais integrais, farinhas e sementes. Essa mistura é rica em fibras, auxiliando na regulação intestinal e aliviando problemas como inchaço e prisão de ventre. Além disso, auxilia na diminuição do colesterol, aumenta a saciedade, ajudando na perda de peso, reduz os riscos de doenças cardiovasculares e os níveis de açúcar no sangue. Segundo a nutricionista Raquel Negrelli, a ração humana também possui carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas A, E e do complexo B, minerais como cálcio, magnésio, fósforo, ferro, potássio e zinco. A receita não é padronizada, pois existem diferentes composições. Raquel sugere um exemplo: 500 g de farelo de trigo 500 g de extrato de soja 500 g de farelo de aveia 100 g de linhaça triturada 100 g de quinoa 100 g de semente de gergelim 100 g de gérmen de trigo 100 g de colágeno hidrolisado 100 g de levedo de cerveja 100 d de guaraná em pó 100 g de cacau 100 g de açúcar mascavo Os ingredientes devem ser misturados e a ração, pronta, guardada em um pote escuro, fechado e,

preferencialmente, na geladeira. “A luminosidade pode provocar a oxidação dos óleos presentes na linhaça e no gérmen de trigo”, explica. Duas colheres de sopa por dia é a recomendação. A nutricionista também alerta que, como a receita tem muita fibra, é preciso ingerir no mínimo dois litros de água por dia. Raquel ainda enfatiza que a ração humana não deve ser usada para substituir refeições, mas para complementar a alimentação. “Antes de iniciar, é aconselhável consultar um profissional, pois a composição depende das necessidades de cada indivíduo”, comenta. Ela ainda lembra que a ração humana deve ser aliada a alimentação adequada nutricionalmente e à prática periódica de atividades físicas.

EFICÁCIA A nutricionista ressalta que ainda não existem estudos científicos que comprovem a eficácia da ração humana. Também destaca que numa análise das propriedades de cada ingrediente do composto, é possível citar algumas contraindicações. “Diabéticos não devem consumi-la, pois a ração contém açúcar mascavo. Os hipertensos e gestantes também devem evitá-la porque, na composição, o guaraná em pó tem ação estimulante aumentando os batimentos cardíacos, além de causar insônia e dor de cabeça”, cita. Raquel também ressalta que o uso abusivo da ração humana traz riscos à saúde.

O USO ABUSIVO DA RAÇÃO HUMANA TRAZ RISCOS À SAÚDE


CONEXÃO ECONÔMICA 47

AS CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS DA REDUÇÃO NA ALÍQUOTA DO ICMS

TRIBUTOS

48

CARREIRA: COMO CONQUISTAR UMA VAGA NO GOOGLE BRASIL

Cerca de 950 milhões de reais deixarão de ser arrecadados em um mês com a diminuição do imposto em Santa Catarina

TAGS: IMPOSTO, ICMS, PORTOS, ECONOMIA

POR PATRÍCIA SCHMAUCH

Redução do ICMS: bom ou ruim?

A

té 31 de dezembro, Santa Catarina continua oferecendo vantagens fiscais às importações que acontecem pelos portos do estado. Mas a unificação do ICMS em 4% em todos os cantos do país já não é mais novidade. A mudança começa a valer em janeiro de 2013, e acaba

44 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

com a guerra fiscal entre os portos do Brasil. O fato alerta Santa Catarina, que pode perder 950 milhões de reais em apenas um mês. A nova regra reduz de 12% para 4% os tributos de importação. Santa Catarina cobra hoje 3,4% dos importadores incluídos no Pró-Emprego, que cria

incentivos fiscais por meio da redução do ICMS. Estimativas do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade) apontam que, desde 2007, ano de criação do programa, houve a instalação de 300 empresas de comércio exterior no estado. Com a medida, o governo perde


PATRÍCIA SCHMAUCH

ASPAS

Santa Catarina vai perder dinheiro em um primeiro momento, mas depois as empresas acabam voltando Horst Schroeder, professor e economista DIVULGAÇÃO

O PORTO DE ITAPOÁ é

considerado o terminal mais ágil do país, com um calado natural de 16 metros de profundidade

a capacidade de oferecer incentivos fiscais para as tradings (empresas de comércio exterior) de todo o Brasil, considerando que muitas delas migraram para Santa Catarina devido ao diferencial tributário oferecido para a importação. Os estados do Espírito Santo e Goiás também possuem alíquotas atrativas e recorrem ao Supremo Tribunal Federal (STJ). Além do custo baixo do imposto, Santa Catarina possui uma estrutura portuária moderna e diversificada e vantagens fiscais na importação, sobretudo de matéria-prima. O problema da unificação afetaria, sobretudo, cidades portuárias como São Francisco do Sul, que tem 70% de sua atividade econômica ligada ao porto. Outro fator que preocupa é o risco potencial de desaparecimento de 18 mil empregos, considerando a migração de empresas para seus locais de origem. Eles foram criados desde 2004, quando o estado começou a oferecer o incentivo fiscal e atrair multinacionais. O especialista em gestão tributária Tiago Coelho, explica que a elaboração de projetos de incentivos fiscais é ilegal. “Mas em outras ocasiões a

União já incentivou outras regiões como o Norte e Nordeste. E isso permanece até hoje”, conta. “Existe preconceito com a região Sul porque todos acham que é desenvolvida e não precisa de incentivos”, afirma. A movimentação dos outros portos catarinenses dobrou de tamanho na última década. Mas as importações cresceram mais que as exportações neste período. Apenas o Complexo Portuário de Itajaí, que engloba as atividades na cidade e em Navegantes, viu ser multiplicada por cinco a entrada de mercadorias por seus terminais desde 2002. A multiplicação dos empregos quase acompanhou esse ritmo. Um estudo da diretoria comercial do Complexo Portuário de Itajaí de 2003, quando as importações representavam 25% das operações, apontou que a atividade portuária gerava cerca de quatro mil postos de trabalho. Em 2011, com

as importações representando mais de metade das operações, a geração de emprego era quase três vezes maior, com 11,8 mil trabalhadores ligados diretamente à atividade. Para o professor e economista Horst Schroeder, não há motivo para pânico. “O estado vai perder dinheiro em um primeiro momento, mas depois as empresas acabam voltando”, explica. Isso porque Santa Cata- >

Com a medida, o governo perde a capacidade de oferecer incentivos fiscais

ONDE ESTÃO OS PORTOS ITAPOÁ SÃO FRANCISCO DO SUL NAGEVANTES ITAJAÍ

IMBITUBA

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 45


Conheça as consequências da queda

S

egundo Tiago, o estado deixa de ser atrativo para a vinda de novas empresas. Se não houver novos incentivos, as empresas voltam para seus locais de origem, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sobretudo, onde o custo de transporte é menor. Isso significa um bilhão de reais a menos na receita da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina. “O que se pensa é reduzir esses 4% como incentivo”, afirma. Horst concorda, mas acredita que o estado vai aumentar mais ainda suas operações. “Em novembro, vamos ter informações mais consistentes”, diz. Segundo dados do Sinditrade, que reúne as companhias que atuam no comércio exterior, um importador de polímeros e uma de

grife de roupas já confirmaram que abandonarão o estado. E outros podem fazer parte da lista, se os esforços do governo não conseguirem manter os negócios. As estratégias que a administração pretende adotar para amenizar as perdas de arrecadação com a unificação da alíquota de ICMS para produtos importados são as melhorias nos portos e na infraestrutura de acesso para uma movimentação mais rápida e barata das cargas. Segundo a assessoria de imprensa do governo do Estado, as cinco cidades portuárias de Santa Catarina também se comprometeram em reduzir a taxa de outros impostos. Itajaí, por exemplo, já confirmou o corte do Imposto sobre qualquer serviço (ISS) a partir de 2013.

rina oferece muitos benefícios para as empresas: possui portos secos, oferece segurança aos empresários, rapidez na liberação das mercadorias e próprio mercado para os produtos importados. “Afinal, fábricas ou navios parados geram milhões de prejuízos todos os dias”, afirma ele. Mesmo assim, é possível amenizar a situação. Horst acredita que o benefício deveria ser mantido por mais dois anos e, então, ser unificado. “Os investimentos na estrutura portuária e fiscal, nos últimos anos, foram muito grandes. O estado construiu retroáreas, grandes pátios que armazenam as mercadorias, possui parcerias com empresas de transporte e logística, não tem os vícios de outros portos, e ainda sedia o Porto de Itapoá, considerado o ! terminal mais ágil do país. PATRÍCIA SCHMAUCH

o icms também contribui para o desenvolvimento dos municípios por ser partilhado

Benefício também para as cidades O imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) é estadual, responsável por 83,41% da receita de tributos de Santa Catarina em 2011. Ele também contribui para o desenvolvimento dos municípios porque é partilhado. O cálculo é feito conforme a importância que cada cidade tem na arrecadação do ICMS. Em Itajaí,

por exemplo, 40% da arrecadação tributária vem do ICMS. Para Tiago, o imposto gera renda e movimenta a economia. “Concordo com os incentivos às empresas. A legislação dá brechas para a guerra fiscal no país. Ela só vai acabar com a reforma tributária e a guerra de tributos entre os estados”, enfatiza.

HORST SCHROEDER é otimista. Ele acredita que a queda na arrecadação será superada e novas empresas se instalarão no estado

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[SEÇÃO] CARREIRA

Regras mais liberais, massagens, alimentação diferenciada e muitas mordomias no escritório

Quero trabalhar no Google

TAGS: TRABALHO, GOOGLE, EMPREGO, CURRÍCULO, CONTRATADO, EMPRESA

C

om 105 escritórios espalhados por 54 países do mundo, conquistar uma vaga na gigante Google é o sonho de muitas pessoas. O interesse é comum: trabalhar em uma grande empresa de tecnologia da informação e software, num ambiente despojado e descontraído, sem algumas daquelas regras tradicionais das grandes companhias. A empresa oferece a possibilidade de horário flexível, bolsa de estudos para ao menos metade dos funcionários, academia e práticas esportivas, aposentadoria privada e oportunidade de formação. Os “googlers”, como são chamados os funcionários, recebem uma verba de R$ 150 para personalizar sua baia do computador. Também são acariciados com 16 mil reais por ano para investir no seu desenvolvimento. Ainda é possível aplicar 30% desse último valor em cursos que estimulem a criatividade. Sonecas após o almoço, massagens,

O AMBIENTE DESCONTRAÍDO das baias é financiado pela própria empresa. Cada um decora a sua com uma verba de R$ 150

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jogos de vídeo game, pebolim e mesa de sinuca. Dá para fazer tudo isso no decorrer do expediente. Poltronas, redes e uma área de jogos com mesa de sinuca e fliperama. Conforto e lazer para os funcionários. Além disso, comida de graça em praças de alimentação, refrigerantes, cerveja, chocolates e muita “mordomia”. E não acabou! Um comitê de cultura, formado pelos próprios googlers, agenda ati-

POR EDINEI KNOP vidades fora da empresa, como andar de kart, e dentro do local de trabalho, como o dia da camiseta diferente e do pijama, entre outras atividades para integrar a equipe. O Google exige que seus funcionários dediquem 70% do tempo em sua principal função na empresa, 20% a um projeto correlacionado e 10% para coisas pessoais. Regras diferentes e mais liberais. Talvez seja uma nova FOTOS DIVULGAÇÃO


POR DOIS ANOS consecutivos, o

Google Brasil foi eleito a melhor empresa para se trabalhar. O estudo foi produzido pela empresa Great Place to Work

todo ano é feita uma pesquisa de avaliação da política de remuneração forma de conseguir eficiência e produtividade, uma maneira que mistura capacidade, criatividade e tecnologia. Você também pode mudar de emprego sem sair da empresa. Basta ter vontade e buscar uma vaga em qualquer filial do mundo que a mudança será incentiva pelos superiores. As funções são dividas pela empresa em três setores: de construir coisas, de vender coisas e de fazer coisas. São vagas nas áreas de engenharia, operações e suporte, gerenciamento de produtos, vendas e gestão de contas, produtos e suportes ao cliente, parcerias, operações de vendas, estratégias de negócios, administrativo, financiamento, marketing e comunicação, recursos humanos e imóveis e serviços no local de trabalho.

NO BRASIL O Google foi fundado em 1998 com o objetivo de organizar a informação mundial tornando-a universalmente acessível. Ela estima que precisará de 300 anos para atingir a meta. Instalou-se no Brasil em 2004. A sede está localizada em São Paulo e uma filial em Minas Gerais. Futuramente, a empresa vai mudar a atual sede paulista para outro local. Um comitê de funcionários prepara >

A melhor empresa em 2011

N

o ano passado, em estudo realizado pela Great Place to Work, pioneira no país na avaliação do índice de confiança dos funcionários com o ambiente de trabalho e das melhores práticas de gestão de pessoas, pelo segundo ano consecutivo, o Google foi eleito a melhor empresa no Brasil para se trabalhar. Foi a segunda na história do guia a conquistar o título por duas vezes consecutivas. O resultado com o perfil das companhias que integram a lista das mais bem avaliadas do ano foi divulgado na revista Época, em agosto do ano passado. No total, já foram publicadas 15 edições da pesquisa. O estudo também revelou outros dados interessantes. Em 2011, o Google Brasil empregava 248 trabalhadores, destes, 65% eram homens e 35% do sexo feminino. No total, havia 64 cargos de chefia. Dessas vagas, 77% eram ocupadas por homens e 23% por mulheres. A maior faixa etária dos empregados (66%) era entre 26 e 34 anos. Logo após, com 20%, estavam os googlers entre

35 e 44 anos. Apenas 12% tinham abaixo de 25 anos e 2% acima de 45. Todos os funcionários tinham o domínio de outra língua e ensino superior completo. Destes, 42% ainda eram pós-graduados. O Google também mantém 13 funcionários estrangeiros no Brasil e quatro brasileiros no exterior. De acordo com a pesquisa, na classificação dos itens mais valorizados entre os funcionários, em primeiro lugar está o desenvolvimento profissional, com 66% de indicações. Qualidade de vida e remuneração, cada, valorizados por 17% dos entrevistados. Na questão remuneração, mais uma boa notícia para quem sonha em se tornar um googler: todo ano é feita uma pesquisa de avaliação da política de remuneração da empresa. Os salários são revisados com base nos resultados dessa pesquisa. Os aumentos salariais são concedidos por mérito individual, critério que também é adotado para a distribuição das ações da empresa.

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O GOOGLE SÃO PAULO A ambientalista e política Marina Silva e os músicos Gilberto Gil e Marisa Monte foram algumas das celebridades nacionais que já visitaram o escritório paulista. Outras peculiaridades também distinguem o trabalho em São Paulo. Bandeiras de futebol nas salas, chefe de cozinha que dá aulas de culinária regularmente, jogos de handebol e degustação de vinhos são algumas das atividades. As salas de conferência do escritório, localizado na avenida Brigadeiro Faria Lima, em Itaim, têm nomes diferentes, como Ipanema, Forte Apache e Bambolê. As impressoras receberam nomes de jogadores de futebol, como Pelé e Ronaldo Fenômeno.

UMA NOVA SEDE O escritório do Google em São Paulo deve ter uma casa nova este ano, um dos prédios comerciais mais caros, luxuosos e modernos da cidade – o Pátio Bandeiras. As obras ainda não estão prontas e só depois serão iniciadas as obras de preparação do espaço para os funcionários da companhia. A nova sede ocupará três andares do prédio e será o maior da América Latina. O edifício terá 35 elevadores, seis subsolos e mais de 2,5 mil vagas de estacionamento. A transferência da equipe é consequência do crescimento do Google no país. Hoje, a empresa ocupa dois andares do edifício Birmann 31, a 550 metros do novo endereço.

ELE procura funcionários ágeis, que adoram desafios e aceitam grandes mudanças

projetos para decorar o espaço com a cara dos googlers.

QUER SER CONTRATADO? Se você anseia ouvir apenas um conjunto de 18 letras, ou três palavras, da frase mágica “você está contratado” fica a dica: não há uma fórmula pronta para o sucesso. Na hora de contratar novos funcionários, o Google procura por pessoas que tenham capacidades e habilidades em várias funções: verdadeiros novos talentos. O motivo parte da velocidade da internet e das rápidas transformações no cotidiano. Eles procuram funcionários ágeis, que adoram desafios e aceitam grandes mudanças para um trabalho em longo prazo. Ainda alertam que não buscam especialistas em apenas uma área específica. No processo de seleção, um longo caminho deve ser percorrido e uma verdadeira maratona de entrevistas, tanto com o recrutador, por telefone e nos escritórios da companhia. O processo envolve várias etapas e termina na sede do Google, nos Estados Unidos. Para o portal Comunique-se, o diretor de comunicação do Google, Felix Ximenes, dá alguns conselhos para quem tem vontade de atuar na empresa. “A pessoa precisa gostar de aprender coisas novas, ser curiosa, ter alto poder de produtividade, trabalhar bem em equipe, ter uma boa formação acadêmica e o inglês fluente, que é obrigatório”, comentou. O diretor ainda enfatiza que

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POLTRONAS E MUITO conforto para os funcionários. É o sonho da empresa ideal para milhões pessoas os googlers fazem seus próprios horários e o que conta é a produtividade. “Os horários são flexíveis e o funcionário decide se quer trabalhar no escritório ou home office”, explicou para o portal. Mesmo com a opção de trabalhar no conforto de casa, a maioria dos funcionários prefere desenvolver suas atividades no escritório da companhia. Segundo o portal Vitamina Publicitária, todos os anos, a gigante da internet recebe mais de um milhão de currículos. Apenas 0,04% deles se transformam em contratações. Os googlers também podem opinar na contratação de novos colegas. Eles são treinados para entrevistar os candidatos e avaliar se o perfil é adequado. Eles procuram quatro “virtudes” ou respostas nos entrevistados: liderança (como você utiliza o cérebro para mobilizar uma equipe em diferentes situações), conhecimento (pessoas que têm experiência e uma variedade de pontos fortes e paixões, não apenas conjuntos de habilidades isoladas), como você pensa (como lidaria com um problema sem precisar ficar preso a uma resposta exata) e como você se adapta às culturas (se é o lugar certo onde você vai prosperar). Durante o processo de seleção, comentários de vários googlers também são coletados. A intenção é colocar o candidato em situações com diversas equipes para analisar se você pode colaborar e se encaixar no perfil da empresa em geral. As pessoas podem

usar calças jeans durante as entrevistas, reafirmando o ambiente liberal da empresa, e, com certeza, terão que responder algumas questões analíticas. Para ter uma noção de que é um processo minucioso de contratação, existe um comitê independente de googlers que revisa e faz comentários sobre as seleções.

A companhia também busca diversas maneiras para tornar a sua vida mais fácil e mais feliz e ainda promove programas e comodidades para apoiar as famílias dos funcionários. Apoia e reembolsa a participação em programas de graduação que e o ajudam no trabalho e ainda dispõe de ! acompanhamento jurídico.

MUITOS BENEFÍCIOS Quando se trata de benefícios e vantagens, o Google tem tudo e um pouco mais do que você espera de uma grande empresa, como seguro de saúde e de viagem e aposentadoria particular, além de projetos para manter o funcionário saudável fisicamente, emocionalmente, financeiramente e socialmente. Enfermeiros, médicos e massagistas são algumas das vantagens.

PARA COMPLETAR O ACERVO Documentário: O jeito Google de trabalhar (2011) - Produzido pela National Geografic e filmado nos escritórios do Google da China, da Rússia e na sede do Vale do Silício (EUA), a produção revela atitudes e uma filosofia corporativa única. Também apresenta curiosidades da empresa, como surgiu, se expandiu, e as novas tecnologias desenvolvidas.

CONTATO DIFÍCIL Não sabe o que é? Procura no Google! Quer saber como funciona? Procura no Google! Não sabe onde tem? Procura no Google! Quando a necessidade surge, a ferramenta de buscas é certeira para a resolução de muitos problemas. Tudo aparece no Google. Mas quando o assunto é entrar em contato com o escritório físico da companhia, a dificuldade aumenta consideravelmente, por ser uma empresa bastante fechada, cuja

marca vale 100 bilhões de dólares. Não adianta ligar. O Google disponibiliza um contato telefônico (11 – 3797.1000) para esclarecimento de dúvidas. Do outro lado da linha, apenas uma gravação repetitiva sugerindo endereços de e-mail para o usuário. Não adianta entrar em contato com a assessoria de imprensa. O acesso à informação é bloqueado e praticamente nenhuma informação é atendida. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 51


CULT GENTE 57

ESTANTE DA BIA TEM DICA SUSTENTÁVEL, MÚSICA GRÁTIS E LIVRO DE DRAMA

HISTÓRIA DA FERROVIA

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A PRODUÇÃO DE CACHAÇA NO MUNDO DOS ALAMBIQUES ARTESANAIS

O vagão com nome de presidente tem quase cem anos de idade, tem cozinha, quartos, banheiros e uma sala de reuniões

TAGS: ESTAÇÃO, TREM, TRILHOS, RIO NEGRINHO, VAGÃO, PRESIDENCIAL

Majestade de madeira esquecida nos trilhos

V

agão Getúlio é um senhor conservado. De classe, imponente, todo majestoso. Não convive com qualquer um; gosta de um cantinho especial. Sempre de traje azul da cor do céu. De uma tradicional família de vagões, encanta crianças e adultos com uma reluzente história de luxo. No passado, morava em Curitiba (PR), mas já percorreu diversos trilhos brasileiros e, hoje, não arreda pé da Estação Ferroviária de Rio Negrinho, no Norte de Santa Catarina. É um vagão administrativo, mas o chamam de presidencial. Existem muitas controvérsias de quem utilizou o Vagão Getúlio. Enquanto alguns afirmam que o próprio presidente Getúlio Vargas viajou nele, o diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) em Santa Catarina e maquinista com 15 anos de função, Ralf Ilg, é enfático afirmando que o

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político não utilizou o carro. “Não há registros que comprovem. É um mito que as pessoas levam pelo nome”, explica. De acordo com Ilg, foi um apelido dado como em todos os outros vagões administrativos. Ele também comenta que esse era apenas um carro exclusivo para a chefia que administrava a rede ferroviária. No entanto, o diretor destaca que Fernando Henrique Cardoso, em julho de 1997, esteve abordo do vagão. “Apenas uns dois quilômetros de passeio pelos trilhos.” Foi durante a cerimônia de inauguração do contorno ferroviário da cidade de Curvelo, em Minas Gerais. O primeiro trecho a ser construído pela iniciativa privada no país, depois das privatizações. “Por causa deste evento, as pessoas acham que é realmente um vagão presidencial”, comenta o maquinista. Para a inauguração do contorno

ILUSTRAÇÃO, FOTOGRAFIA E REPORTAGEM POR EDINEI KNOP

VEJA MAIS FOTOS NA NOSSA FAN PAGE facebook/RevistaCaracol

ferroviário, a ABPF de Rio Negrinho emprestou o Vagão Getúlio, uma locomotiva a vapor, da antiga Estação Ferroviária Central do Brasil, e outros três carros de passageiros, em madeira, que formaram o Trem Presidencial daquela época. A operação e a manutenção dos carros foi de total responsabilidade da associação catarinense. O Vagão Getúlio é da década de 20. Ilg não tem certeza onde ele foi

A ÚLTIMA PARTE DO VAGÃO TAMBÉM IMPRESSIONA. É UMA COZINHA COMPLETA COM FOGÃO A LENHA


EDINEI KNOP

ASPAS

O trem é um transporte barato, mas inimigo das corporações que fabricam carros e que comercializam combustíveis. Valdete D. Niehues, professora

População: 39.846 habitantes

LUXO INTERIOR

FONTE: CENSO IBGE 2010

produzido, se nos Estados Unidos ou na Bélgica. “Todos são do exterior, mas acabaram sendo revitalizados no Brasil”. Esse foi reformado nas oficinas de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Está há mais de 15 anos em Rio Negrinho e, atualmente, não é aberto ao público. “É medo mesmo de roubarem algum objeto precioso”, confessa. O vagão faz parte de um museu ferroviário, inaugurado em 1991. A ideia da criação do museu era do Clube da Maria Fumaça quando a estação ainda era mantida pela extinta Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA). A primeira locomotiva chegou em Rio Negrinho em 1994. O Vagão Getúlio foi trazido para a cidade a mando da RFFSA, para ser preservado pela ABPF. Outras relíquias também foram adquiridas junto à própria rede ferroviária quando deixavam de ser utilizadas.

A ESTAÇÃO DE RIO NEGRINHO Inaugurada em 1913, a estação é ponto turístico, já foi cenário de novela global e marco de desenvolvimento do município. Com ela, a indústria moveleira do município foi impulsionada criando uma nova opção de escoamento dos produtos para a exportação. A vinda dos trilhos aumentou o comércio de madeiras serradas, toras, erva-mate, lenha, nó de pinho e dormentes. Arroz, feijão e outros mantimentos também eram transportados através da linha férrea daquela época. A estação, localizada na região central da cidade, também é conhecida por preservar a memória ferroviária com sete locomotivas e cerca de 30 vagões expostos num museu

dinâmico. Atualmente, o local é preservado pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). As peças estão sendo restauradas por cinco funcionários contratados pela associação. Uma oficina auxilia nos trabalhos de solda, restauração e manutenção das peças das locomotivas e dos carros de passageiros. Um pequeno museu com peças e fotos antigas também é mantido. Entre os itens, os visitantes podem observar o carimbador de bilhetes, um limpa-trilho de madeira, utilizado na parte frontal das locomotivas, único da região entre o Paraná e Santa Catarina, além de peças da própria estação, como armários utilizados na bilheteria.

Na entrada principal do vagão, a primeira surpresa: uma sala de reuniões totalmente mobiliada. A quantidade de detalhes impressiona. O contraste do carpete verde musgo com seis poltronas de couro de tom marrom é mágico. Um espelho de um metro de largura reflete a atenção para as paredes envernizadas. Dois ventiladores e 14 lâmpadas complementam a decoração épica. Nas poltronas, a marca da história ainda é preservada. Etiquetas ilustram a organização da última viagem presidencial do seu Getúlio, na inauguração de Curvelo, com as marcações >

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apontando posições das autoridades presentes naquele evento. No sentido horário, no lado esquerdo da porta, o primeiro lugar foi ocupado pelo então presidente da RFFSA, Isaac Popoutchi. Na segunda poltrona, acomodava-se o secretário de Comunicação Social, Sérgio Silva do Amaral. No móvel maior, com três lugares, as etiquetas indicam a presença dos ministros da Agricultura, Arlindo Porto, do Trabalho, Paulo de Tarso Almeida Paiva, e de Ciência e Tecnologia, José Israel Vargas, nessa ordem. O governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, ocupava a próxima. Em seguida, estava o então ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e, por fim, o Presidente da República, FHC.

UM CORREDOR ESTREITO conduz o

visitante da sala de reuniões até a cozinha do vagão, passando por todos os cômodos

Trilhos que impulsionaram a economia brasileira

N

o Brasil, a implantação das ferrovias iniciou com o governo Imperial e se expandiu no final do século XIX. O interesse de grandes fazendeiros – para a exportação de café – incentivou o governo brasileiro a construir ferrovias que ligavam as fazendas e os estados até os portos. “Por isso, as linhas férreas são tortuosas. Porque passavam pelas fazendas interessadas, cujos proprietários eram amigos dos governantes”, comenta a professora mestre em história, Valdete Daufemback Niehues. A tecnologia para a construção das ferrovias era inglesa e norte-americana. Os trens transportavam, principalmente, café e madeira aos portos, além de produtos alimentícios e industrializados. Uma das grandes ferrovias, a São Paulo-Rio Grande, incorporava São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio

VALDETE DAUFEMBACK NIEHUES [professora]

Mas como o capitalismo está sempre reinventando, foi preciso dar uma utilidade às velhas ferrovias. 54 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

Grande do Sul, com ligações aos portos de cada estado. Em linhas especiais, os trens também levavam passageiros. No final do século XIX e início do século XX, quando a economia do Brasil era baseada na exportação de bens primários e o setor cafeeiro entrou em decadência por causa da crise mundial de 1929, as ferrovias passaram a ter menos importância. Com o enfraquecimento da política do café com leite, em 1930, Getúlio Vargas entra no governo e incentiva a industrialização no país. Neste período, os Estados Unidos se interessam, mais do que nunca, pela economia brasileira. “Nessa relação comercial entre os dois países, os EUA começam a enviar máquinas antigas ao Brasil. Dentre elas, automóveis, o que acentua a depreciação das ferrovias”, explica. O golpe mortal para as ferrovias acontece após a Segunda Guerra, com a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek. Houve a substituição das importações e o Brasil passa a fabricar automóveis com tecnologia estrangeira. Com a economia pautada na industrialização dos carros e os costumes dos brasileiros sendo motivado

pelo exemplo de consumo norte-americano, o governo se dedica à abertura de estradas. A manutenção das ferrovias cai totalmente no esquecimento. Assim, as linhas férreas foram abandonas ou pouco utilizadas. “Mas como o capitalismo está sempre reinventando, foi preciso dar uma utilidade às velhas ferrovias”, lembra Valdete. A economia dedicada ao turismo, uma invenção do período militar, passou a utilizar os trens para o lazer. A serventia dos trilhos mudou de direção.

PARA COMPLETAR O ACERVO Música: Memorável Trem de Ferro (Raul Seixas) - A canção, faixa 8 do álbum Gita (1974), é inspirada na obra de Aleister Crowley. Foi o disco mais vendido de Raul Seixas, com 600 mil cópias vendidas. Música: Seguindo no Trem Azul (Roupa Nova) - É a décima canção do álbum Agora Sim, lançado em 1999. “Te dou o meu coração / Queria dar o mundo / Luar do meu sertão / Seguindo no trem azul”. Documentário: Memorável Trem de Ferro (2011) - Uma viagem que percorre cem anos abordo da locomotiva do Contestado pelos trilhos da ferrovia São Paulo - Rio Grande. Uma história de progresso, de lutas e confrontos populares.


Após a sala de reuniões do vagão, um corredor estreito conduz até o segundo cômodo: um quarto com cama de casal, criado-mudo, armário, guarda-roupa e acesso exclusivo para o banheiro – ao lado. O banheiro, ornamentado de branco, tem o chão decorado por ladrilhos tons de cinza, que dão uma ideia de perspectiva. Chuveiro, privada, espelho, duas prateleiras de vidro, um armário danificado e uma grande banheira ocupam o espaço. A pia ainda tem a marca de fabricação: Pia Luiz Voelcker & Cia, de Porto Alegre (RS). Com mais alguns passos pelo corredor, chega-se a uma espécie de sala de jantar com duas grandes poltronas

e uma mesa central. O local também pode ser transformado em dormitório já que outras duas camas formam uma espécie de beliche. A divisão seguinte é de outro quarto, com duas camas de solteiro, uma pia com espelho e um banheiro exclusivo. A última parte do vagão também impressiona. É uma cozinha completa com fogão a lenha. Pia e armário completam os móveis. No chão, um tapete dá o detalhe. Na parede, um saleiro de madeira mexe com a imaginação de qualquer um. Esse é seu Getúlio. Um vagão de lembranças concretas e bem trancadas. Um verdadeiro passeio pela história brasileira que incentiva até books de casamento.

Atualmente, a linha ferroviária em Rio Negrinho está privatizada e é operada pela América Latina Logística (ALL), empresa do exterior, que utiliza a estrada de ferro para o transporte de diversas cargas. Uma vez por mês, a ABPF também realiza um passeio turístico de Maria Fumaça até Rio Natal, localidade de São Bento do Sul. A professora mestre em história, Valdete Daufemback Niehues enfatiza que são os interesses econômicos que movem as políticas. “Nos países mais politizados os trens são valorizados, enquanto nos países em que esta condição não foi desenvolvida, o carro continua sendo um bem que distingue socialmente o poder de consumo.” !

COMO É O VAGÃO POR DENTRO? COZINHA

SEGUNDO QUARTO

BANHEIRO

SALA DE REUNIÕES

QUARTO PRINCIPAL

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[SEÇÃO] ESTANTE DA BIA

com Bianca Bittelbrunn, 21 anos

TAGS: DICAS, CULTURA, LIVRO, CD, MÚSICA, SITE, SUSTENTABILIDADE

P

descalço, descabelar, viajar, casa, rua, bebida, perdas, nuvens. Experimentar sofrer, experimentar amar, experimentar errar, aprender e claro, viver. Tá vendo? Um verbo conjuga o outro. Um sonho ousado? Despirme de preconceitos. E talvez o jornalismo seja uma das portas – ou janelas – para alcançar esse objetivo utópico. Não preciso muito pra ser feliz. Não mesmo. Um pôr-do-sol, família, amigos, natureza, um abraço ou um sorriso inesperado. Uma terapia? A fotografia, tímida. Uma dor? Saudade. Adoro? Sorrisos.

EDINEI KNOP

ode me chamar de Bia. É mais fácil, é mais rápido. Tenho 21 anos, curso o quinto semestre de Jornalismo e trabalho como estagiária na Assessoria de Comunicação da Companhia Águas de Joinville. Ainda não tenho planos para o meu futuro. Enquanto tem gente que se desespera, vivo confortavelmente bem com essa ideia. Claro, entre uma crise e outra de vez em quando. Talvez porque eu seja apaixonada pelo verbo “experimentar”. Exato. Verbo sedutor e encantador quando colocado em prática. Experimentar sensações, gente, música, medo, comida, ficar

[ÁLBUM] EU PRECISO DE UM LIQUIDIFICADOR Cavaquinho, percussão, flauta, guitarra e trompete. Combinação ousada, mas que rendeu frutos – ou canções - impressionantes para a banda mineira Graveola no álbum “Eu preciso de um liquidificador”. Os nove integrantes do grupo abusam da criatividade e flutuam entre a sonoridade macia e viciante. A banda disponibiliza seus álbuns para download gratuito. Já fucei e valeu a pena!

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[SITE] CIDADES SUSTENTÁVEIS Sustentabilidade está na moda. E é claro, você sabe disso. Desde debates sobre o aquecimento global à polêmica do Novo Código Florestal, o meio ambiente é assunto indispensável em casa, na faculdade, no trabalho e até nas mesas de bar. E é importante ficar de olho com as propagandas enganosas ou com apelações e uso de celebridades. Há o que se desconfiar. Conheça o Programa Cidades Sustentáveis. Um projeto que alia política e práticas sustentáveis e oferece aos candidatos maneiras de colaborar com o meio ambiente.

[LIVRO] A CIDADE DO SOL Emocionante. Uma história envolvente e sujeita a lágrimas do leitor. Miséria, rejeição e cultura afegã. Duas histórias, duas vidas diferentes cruzadas na guerra do Afeganistão. “A cidade do sol” (Nova Fronteira, 2007), de Khaled Hosseini (mesmo autor de O Caçador de Pipas) narra a vida antes e após o conflito que matou centenas de pessoas e mudou para sempre o rumo da história. Uma ficção viciante, que exige fôlego e permite uma intensa reflexão sobre o valor de uma vida.

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CULT GENTE | PRECIOSA E MALVADA

Cachaça lembra festa e alegria, mas também representa trabalho árduo e dedicação

TAGS: BEBIDA ARTESANAL, ALAMBIQUE, PINGA, PRODUÇÃO DE CACHAÇA

A santa branca já tá servida?

FOTOGRAFIA E REPORTAGEM POR PATRÍCIA SCHMAUCH

A

malvada tem tanta serventia quanto nomes para identificála, mais de quatro centenas. É tema de diversas músicas e desculpas esfarrapadas. Pode ser usada como remédio contra picada de cobra, gripe, vermes, assaduras e malária. A crendice popular assegura que no frio, a danada aquece, e no calor, refresca o corpo. Serve para afogar as mágoas das desilusões amorosas, abrir o apetite, enganar a fome, celebrar ocasiões especiais, animar os tímidos e encorajar os medrosos. Sem falar quando é motivo de piada para os engraçadinhos de plantão. Para a maioria das pessoas, é sinônimo de festa. Para outras, como Affonso

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Lütke, representa uma vida inteira de dedicação e trabalho duro. Durante um café da manhã, o senhor de 91 anos que mora na região de Pirabeiraba, em Joinville, relembra a trajetória de sua família e o jeito peculiar de fazer cachaça. Com a voz pausada, mas forte, de quem ainda tem muitos litros da bebida para produzir, Affonso lamenta o desinteresse dos filhos e netos pelo alambique. “Eles não conhecem o segredo de fazer cachaça. Como vão tocar o negócio para frente?”, lamenta. É essa também a realidade de outros alambiques de Joinville. Em 2010, existiam 15 alambiques na cidade, que produziam mensalmente cerca de dois

mil litros de cachaça cada um. Toda a produção era escoada nas propriedades, que contam com uma tradicional freguesia, que vai de consumidores joinvilenses até de outras cidades do Norte catarinense. Segundo Affonso, o governo apenas permitia a venda da cachaça em grandes pipas com mil ou 1.500 litros. “Tudo legalizado”, acrescenta ele. Mesmo assim, muitos dos tradicionais alambiqueiros da região já deixaram de produzir cachaça pela idade avançada, e também pela falta de interesse da família. Para a família de Lütke, a produção de cachaça é hábito há três gerações. Ele cresceu vendo seu irmão mais velho produzindo a bebida que


A COLORAÇÃO DA BEBIDA e o

gosto adocicado varia de acordo com o tempo de armazenamento e a madeira que é utilizada na fabricação dos tonéis

Affonso torce o nariz quando trataM pinga como sinônimo de cachaça tem a fama de ser uma das melhores do Sul do país. Com a perda do pai, Reinaldo Lütke, aos 16 anos de idade, Affonso aprendeu os segredos da produção da bebida com o irmão, seis anos mais velho. Desde lá, dedica-se à produção da cachaça em um alambique todo feito de madeira, além das plantações de cana, aipim, banana e milho, garantindo o sustento da família desde cedo. Cachaça é história e cultura. É tradição que veio da Europa junto a seus bisavós, no início do século 20, assim como a nomeação da bebida: branca, carvalho, butiá, semi-envelhecida, carvalho francesa e a “mais de 20 anos”. A coloração e o gosto adocicado varia de acordo com o tempo de armazenamento e a madeira que é utilizada na fabricação dos tonéis,

onde a bebida fica armazenada. Como todo bom alambiqueiro, Affonso torce o nariz quando alguém trata aguardente e pinga como sinônimo de cachaça. Segundo ele, aguardente é qualquer destilado, como a vodca, gin, uísque ou tequila, e pinga é só apelido. Após 75 anos produzindo a bebida, ele enfatiza e não há quem duvide: “o nome correto é cachaça e só é cachaça mesmo se for feita de cana-de-açúcar”.

SEGREDO É SEGREDO A tradicional cachaça produzida no alambique de sua propriedade ficava durante anos armazenada, e era vendida em centenas de litros, muito utilizada para a fabricação de remédios caseiros. Hoje, a procura diminuiu e a produção é guardada em garrafas >

VEJA FOTOS ANTIGAS DA PRODUÇÃO EM facebook/RevistaCaracol

OS TIPOS Branca: geralmente transparente, tem sabor mais seco e ardente. Quando termina a destilação, ou não fica em nenhum tonel para envelhecimento ou fica em tonéis feitos de madeiras neutras, que não soltam coloração, como a jequitibá e amendoim. Carvalho: de cor amarelada, esse de cachaçaformas envelhede todostipo os tamanhos, e tipos. ce dentro de tonéis feitos de Mesmo com idade avançada e carvalho, que reduz a acidez da não problemas de saúde, Affonso bebida, deixando-a com sabor abre mão de ir até o alambique ao e perfumes característicos que menos a cada dois ou três dias. Enlembram o aroma de baunilha.

quanto espera até agosto para a plantação de francesa: cana amadurecer, Carvalho também co- ele desce as escadas de madeira, abre a nhecida como cachaça ouro, tem porta para a iluminação natural do a característica de ser levemente solpicante. e verifica o estadoescuda bebiDe qual tons amarelos envelhece dentro da ros, queajábebida está nos tonéis de madeira. de tonéis de outra carvalho europeu. “Não aprendi coisa na vida”, afirma ele, com brilho nos olhos de geralmente quemSemi-envelhecida: tem paixão pelo que faz. com coloração amarelada, éa Mostrando a cachaça amarela cor bebida que fica de um a três de ouro, Affonso ensina que quanto anos nos barris. Durante o perímais velha e mais amarelada a bebiodo, perde álcool e enriquece da,com melhor o sabor. produtos das“Temos reações cachaça queentre estáa armazenada há 20 madeira, oxigênio e anos”, revela. O segredo da produção? É fermentação da bebida. de família.

Mais de 20 anos: a cor varia de amarelo até ouro velho. A cachaça que fica mais de 20 anos nos tonéis de madeira tem o gosto mais suave, perde um pouco do cheiro e acidez e fica mais adstringente.

Butiá: de coloração escura, a cachaça de butiá fica até um ano dentro dos tonéis feitos de madeira de butiá. Possui forte acidez e aroma forte e adocicado.

AOS 16 ANOS DE IDADE, Affonso Lütke

aprendeu os segredos da produção de cachaça JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 59


EMPREENDEDOR NÃO SÓ NA CACHAÇA Além de ser o mais famoso alambiqueiro da região, Affonso é também o mais idoso trabalhador rural de Joinville. Isso não o impede de sair todos os dias e visitar as suas plantações nem frequentar o alambique. Nem ao menos de passear com o primeiro trator da região de Pirabeiraba, ainda em boas condições.

AFFONSO LAMENTA O DESINTERESSE DOS FILHOS E NETOS PELO ALAMBIQUE

Movido a diesel e fabricado em 1954 na Inglaterra, o equipamento já o acompanhou em algumas aventuras. A maior parte delas tem ligação direta com a produção da cachaça, já que em época de colheita de cana-de-açúcar, ele utiliza o transporte para puxar a planta e carregar até a moenda do alambique. Mas pela quantidade de terras e serviço, um trator não é suficiente. Affonso possui outros dois, que utiliza para roçar e gradear a terra. Sua filha Dolores Lütke revela que o pai dedicou a vida inteira ao trabalho e a diferentes invenções. “Ele sempre sabia de tudo primeiro”, conta. Affonso foi responsável pelo primeiro fluxo de energia elétrica do distrito: ele implantou geradores de rodas d’água na época em que o

tradicional lampião era utilizado, em 1939. A família possui gerador próprio em funcionamento ainda hoje, além de ter sido a primeira a adquirir um ferro elétrico na cidade. Affonso cresceu vendo a evolução da região. “Só existiam estradas de barro. Lembro das carroças que vinham de Mafra para vender frutas por aqui”, recorda.

!

ALAMBIQUE DA FAMÍLIA Lütke produz cachaça artesanal há três gerações

PASSO A PASSO DA PRODUÇÃO 1 - A CANA Cinco espécies são as mais utilizadas por razões que incluem o teor de açúcar e a fermentação do caldo. Universidades e algumas instituições têm investido na pesquisa da cana de açúcar, obtendo resultados positivos em mais de dez variedades, com períodos de maturação diferentes, que permitem estender o tempo da safra. A cana usada na produção do destilado artesanal é colhida manualmente e não é queimada, prática que precipita sua deterioração.

60 | CARACOL | JULHO E AGOSTO 2012

2- Moagem Depois de cortada, a cana madura, fresca e limpa deve ser moída num prazo máximo de 36 horas. As moendas separam o caldo do bagaço, que será usado para aquecer as fornalhas do alambique. O caldo da cana é decantado e filtrado para, em seguida, ser preparado com a adição de nutrientes e levado às dornas de fermentação. Algumas moendas são movidas por motor elétrico, outras por rodas d’água, e têm a função de espremerem a cana, para dela extraírem o suco.

3- Fermentação Como cada tipo de cana apresenta teor de açúcar variado, é preciso padronizar o caldo para depois adicionar substâncias nutritivas que mantenham a vida do fermento. Como a cachaça artesanal não permite o uso de aditivos químicos, a água potável, o fubá de milho e o farelo de arroz são os ingredientes que se associam ao caldo da cana para transformá-lo em vinho com graduação alcoólica, através da ação das leveduras. A sala de fermentação precisa manter a temperatura ambiente em 25°.


RANCHO DE MADEIRA abriga toda a estrutura e garante um produto de boa qualidade

POR DENTRO DA LÍNGUA

Gradear significa preparar a terra para a plantação.

UM BRINDE À HISTÓRIA Cachaça é vício lascado e também um dos símbolos da brasilidade, ao lado do café, samba, Carnaval e futebol. Primeira bebida destilada da América Latina, surgiu na capitania de São Vicente, hoje em São Paulo, entre 1530 e 1550 como forma de manter os escravos acordados para o trabalho. Em Joinville, a atividade foi introduzida pelo português Januário de Oliveira Cercal, no final do século 18, antes da chegada dos imigrantes alemães. Os colonos alemães perceberam as boas perspectivas de negócios e, durante décadas, transformaram a produção de cachaça em

4- Destilação O vinho de cana produzido pela levedura durante a fermentação tem componentes nocivos à saúde e baixa concentração alcoólica. É preciso destilar o vinho para elevar o teor de álcool. Ferve-se o vinho dentro de um alambique de cobre, produzindo vapores que são condensados por resfriamento e apresentam assim grande quantidade de álcool etílico. Os primeiros e os últimos 10% de líquido que saem da bica do alambique devem ser eliminados por causa das toxinas.

um dos principais suportes econômicos do setor rural joinvilense. Affonso Lütke conta que no auge do ciclo da cachaça colonial, na década de 30, funcionavam mais de 150 engenhos em Joinville, que produziam um volume de cerca de 200 mil litros por mês. A maioria era escoado através do porto de São Francisco do Sul, para abastecer os mercados de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Durante os anos 40, durante o governo de Getúlio Vargas, foram instituídos caros impostos aos fabricantes de cachaça artesanal, medida que provocou a desativação de muitos alambiques da região.

5- Envelhecimento O envelhecimento aprimora a qualidade de sabor e aroma na cachaça artesanal. A estocagem é feita, preferencialmente, em barris de madeira. Existem madeiras neutras, como o jequitibá e o amendoim, que não alteram a cor da bebida. As que conferem um tom amarelado e mudam seu aroma são o carvalho, a umburana, o cedro, o bálsamo entre outras. Cada uma dá um toque especial, mais ou menos suave e adocicada, dependendo do tempo armazenada.

CONHEÇA A PERIGOSA A cachaça tem de 38 a 41% de álcool e só pode ser chamada de cachaça se for produzida no Brasil. Cachaça é o terceiro destilado mais consumido no mundo, ficando atrás apenas da vodca e do soju, destilado coreano feito do arroz e da batata doce. No Brasil, apenas a cerveja está na frente do consumo de cachaça. A produção nacional é de 1,3 bilhão de litros anuais (90% industrial e 10% artesanal), gerando receita de US$ 500 milhões e empregando cerca de 450 mil pessoas. O consumo per capita de destilados no mundo é de 2,2 litros e só o de cachaça no Brasil é de 11 litros. Os dicionários listam centenas de sinônimos, boa parte dos quais provavelmente inventados após a tontura e conversa com as garrafas: água-que-passarinhonão-bebe, arrebenta-peito, bagaceira, baronesa, danada, dengosa, dindinha, engasga-gato, januária, lindinha, mardita, marvada, matabicho, meu-consolo, morretiana, perigosa, purinha, quebra-goela. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 61


BANCADA | ELEIÇÕES 2012

Durante 93 dias, candidatos, partidos e coligações vão tentar de tudo para conquistar seu voto

TAGS: ELEIÇÕES, CAMPANHA, PROPAGANDA ELEITORAL, CANDIDATOS, TRE

POR EDINEI KNOP

A propaganda eleitoral vem aí

N

o dia 7 de outubro, mais de 140 milhões de eleitores brasileiros vão apertar nove teclas (se não errar nenhum número ou mudar de ideia) na urna eletrônica e decidir quem vai comandar prefeituras e câmaras de vereadores do país pelos próximos quatro anos. Para convencer cada eleitor, a partir do dia 6 de julho, candidatos, partidos e coligações colocam em prática dezenas de ações na propaganda eleitoral, uma oportunidade de apresentar propos-

APARTIR DO DIA 6 DE de julho, a aparência das cidades, ruas, calçadas e avenidas será modificada por cavaletes, bandeiras, faixas, adesivos, placas e milhares de rostos que imploram seu voto

tas e projetos para a sociedade. Mas nem todas as condutas são permitidas pela justiça eleitoral. A partir do início da propaganda é autorizada a utilização de altofalantes, amplificadores de som e aparelhagem de sonorização fixa, nas sedes ou em veículos. Também será permitida a propaganda eleitoral na internet, desde que não seja paga, e a realização de comícios. O horário eleitoral gratuito, no rádio e na televisão, tem início no dia 21 de agosto. Para definir a ordem de veiculação, a distribuição do tempo e o plano de mídia, o juiz eleitoral convocará uma reunião entre partidos e emissoras. De acordo com a Coordenadoria de Atividades Judiciárias e Correcionais

(Crejud) do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, as denúncias de irregularidade na campanha eleitoral podem ser feitas pelo próprio site do TRE (www.tre-sc.gov.br), no link “De-

as denúncias de irregularidade na campanha eleitoral podem ser feitas pelo site do TRE FOTOS DIVULGAÇÃO

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Saiba o que é autorizado e o que é vedado

nuncie Irregularidades”, ou apresentadas diretamente ao Ministério Público Eleitoral do município. Quando se trata de denúncias de propaganda eleitoral irregular, as reclamações também podem ser analisadas no Cartório Eleitoral da cidade para adoção das medidas necessárias à suspensão da irregularidade (poder de polícia). A competência para as ações eleitorais municipais é do juiz eleitoral de primeiro grau. As ações só subirão ao tribunal em grau de recurso. Conforme o Crejud, os casos mais comuns de irregularidades em campanhas dizem respeito à propaganda eleitoral, condutas vedadas e abuso de poder. No site do TRE, também está disponível um manual de propaganda eleitoral que sistematiza, de forma objetiva, as normas que disciplinam a veiculação da propaganda eleitoral para as eleições de 2012.

QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO Em algumas situações, a legislação eleitoral se torna uma linha tênue, depende de interpretação das partes e da justiça eleitoral. Nas eleições de 2010, vários casos sutis foram julgados. Em um deles, por exemplo, proposto pelo Ministério Público Eleitoral contra os candidatos a governador de Santa Catarina e deputado estadual, João Raimundo Colombo e Elizeu Mattos, respectivamente, alegava que durante uma cerimônia de desfile cívico, em Lages, os candidatos promoveram o vôo de um pequeno avião conduzindo uma faixa com seus nomes e números de candidatura. A questão se originou porque, por um simples exame visual, era possível concluir que a faixa ultrapassava o li-

PODE

NÃO PODE

Placas, faixas, cartazes, pinturas e inscrições em bens particulares. O tamanho não pode ultrapassar quatro metros quadrados e o candidato não poderá pagar pelo espaço, que deve ser espontâneo e gratuito;

Propagandas de qualquer natureza em bens públicos ou bens de uso comum. Mesmo que não lhe cause dano, são proibidas, por exemplo, em placas de sinalização, árvores, muros, postes, viadutos e em locais de livre acesso à população. Também não poderão ser colocados cartazes ou folhetos em comércios, escolas, universidades, postos de saúde e clínicas;

Cavaletes, bonecos, bandeiras e mesas de distribuição de material em vias públicas, mas não podem ser fixos nem atrapalhar o fluxo de pessoas e veículos. Eles devem ser colocados e retirados entre 6 e 22 horas;

Showmicios com a presença de cantores e a promoção de candidatos;

Folhetos, volantes e outros impressos. Deverá constar o nome do vice-prefeito e da coligação, os partidos que a compõem, CNPJ ou CPF dos responsáveis pela impressão e tiragem; Carros de som, alto-falantes e amplificadores, das 8 às 22 horas. Devem-se observar os locais permitidos e o limite de volume previstos em lei. Caminhadas, carreatas e passeatas também são permitidas; Comícios entre às 8 horas e à meia-noite, mas devem ser comunicados à polícia com 24 horas de antecedência solicitando reserva e horário do local e as providências de tráfego e segurança; Propaganda na internet em site de candidatos, partidos ou coligações comunicados ao cartório eleitoral e hospedados no país. Emails, blogs e redes sociais. Mas se o eleitor não quiser receber os e-mails, o candidato é obrigado a excluir seu nome da lista em até 48 horas;

Divulgação de ofensas ou inverdades na internet. Não pode estar em sites de empresas ou páginas oficiais. O candidato também não pode pagar para a inserir a propaganda nas páginas; Simulação em urna eletrônica. O candidato não pode ter nenhum equipamento que simule o aparelho de votação; Distribuição de qualquer tipo de brinde, cesta básica, material ou produto.

Propaganda em jornais. Mas há um limite. Cada candidato pode vincular até dez anúncios em cada veículo. O valor pago pelo anúncio deve estar visível. A versão na internet, deve ser apenas no site do veículo e idêntica à impressa; Debates no rádio e na televisão. Ao final da eleição, todas as propagandas eleitorais devem ser retiradas no prazo de 30 dias. Toda propaganda irregular será removida pela Justiça Eleitoral. Além do recolhimento, o candidato estará sujeito à multa e processos que podem cassar a candidatura.

mite permitido pela legislação eleitoral, que é de quatro metros quadrados. Em defesa, os candidatos argumentaram que, mesmo com tamanho superior ao previsto na legislação, a faixa não atinge a potencialidade para caracterizar uma irregularidade. O juiz auxiliar que julgou a representação, Francis-

co José Rodrigues Oliveira Neto, considerou-a improcedente porque aos olhos da população, naquela altura, a faixa afigura-se apenas uma mensagem no céu. “É de se convir que eventual faixa de quatro metros quadrados em altura compatível com o vôo seria algo imperceptí! vel”, explicou o juiz.

JULHO AGOSTO 2012 | CARACOL | 63


[SEÇÃO] PISTACHE

Oito mil pizzas são produzidas por semana em Joinville para alimentar o vício da população VÍDEO: COMO É FEITA A PIZZA NA FAN PAGE facebook/RevistaCaracol

TAGS: PIZZAS, PRODUÇÃO, JOINVILLE, SABORES, PIZZAIOLO

E tudo acaba em pizza!

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O PIZZAIOLO HELITOM Miranda leva de um a dois minutos para montar cada pizza

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para conhecer como são feitas as pizzas. A produção inicia pela tarde, quando 10 quilos de trigo são utilizados para a massa. O trabalho de acertar o ponto é do pizzaiolo Helitom Antônio Miranda, de 22 anos, que é responsável pela produção das pizzas da casa. Já a parte manual fica por conta da amassadeira. Ape-

sar de ser pizzaiolo há cinco anos, Helitom não é fã da massa. “Como uma vez por semana aqui mesmo, de preferência pizza de atum. Nada de muito queijo”, ressalta. Ou seja, nada de muita mussarela, parmesão, gorgonzola, catupiry, credar, bree ou queijo de búfalo. Para ele, o segredo de fazer > FOTOS EDINEI KNOP

hega o fim de semana e nada melhor do que reunir os amigos para um bate-papo. Quando bate a fome no almoço, início da noite ou madrugada, não há dúvidas do pedido: pizza. Preferência da grande maioria da população, as pizzarias espalhadas pela cidade apostam nas mais inusitadas coberturas e combinações. Só em Joinville são 68 estabelecimentos afiliados à Associação dos Bares, Restaurantes e Similares do município, que produzem em média, oito mil pizzas por semana. Uma pesquisa realizada pela reportagem, por telefone, em 10 estabelecimentos aleatórios da cidade, identificou os sabores mais pedidos pelo público: disparam os tradicionais calabresa, portuguesa, quatro queijos e frango com catupiry. Orégano, sal e azeitona é questão de gosto – uns preferem mais, outros menos. O bairro que mais possui pizzarias é o Iririú, com um total de 10 estabelecimentos. Em seguida, vem o Centro, com sete e o América e o Costa Silva empatados na terceira posição, com cinco pizzarias cada um. Nos três bairros, a média do custo para entregar a pizza em casa é quatro reais. O bairro Bucarein possui quatro estabelecimentos, e lá a reportagem da revista Caracol visitou um deles

POR PATRÍCIA SCHMAUCH


PORTUGUESA - 40 gramas de cada ingrediente (ovo, cebola, azeitona e bacon)

800 GRAMAS - é o peso médio de uma pizza 330 GRAMAS aproximadamente de massa e o resto de recheio

CALABRESA 150 gramas de calabresa

FRANGO COM CATUPIRY - 150 gramas de frango e 150 gramas de queijo

QUATRO QUEIJOS - 150 gramas de cada queijo

ConheÇA a história da pizza Há contradições sobre a origem da pizza. Alguns acreditam que ela foi inventada há seis mil anos, com os egípcios, que misturavam farinha com água. Outros dizem que foram os gregos os responsáveis pela sua invenção, com a produção de uma massa à base de trigo, arroz e grão-de-bico que era assada em tijolos esquentados pelo sol. De um jeito ou outro, várias gerações produziam pizzas, cada uma à sua maneira, até que a novidade foi parar no sul da Itália, onde era alimento para que tinha o objetivo

de matar a fome dos pobres com ingredientes baratos. Em Nápoles, o molho de tomate e orégano foi acrescentado ao alimento, que era dobrado ao meio como se fosse um sanduíche. A pizza logo se tornou popular na cidade, e também os ricos começaram a consumi-la. Com bastante queijo, pedaços de linguiça e ovos, era o prato ideal para o café da manhã e lanche da tarde. No Brasil, a pizza chegou no fim do século 19, com a imigração italiana sobretudo ao sul e sudeste do país. Até

a década de 50, as pizzarias estavam restritas aos bairros italianos e era um alimento saboreado, sobretudo, pelos descendentes. Aos poucos, os brasileiros acrescentaram novos ingredientes às pizzas, como carnes, embutidos e frutas tropicais. E o negócio deu certo: segundo levantamento da Associação Nacional de Restaurantes e Associação Pizzarias Unidas, hoje existem cerca de 50 mil pizzarias no país. Metade delas fica em São Paulo, seguida por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia.

SABIA? PODE COMEMORAR: 10 de julho É FESTEJADO O DIA DA PIZZA. A origem é DE um concurso estadual DE 1985.

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FOTOS INFOGRÁFICO DE PIZZA: DIVULGAÇÃO

AS QUATRO MAIS PEDIDAS


pizza mais que uma vez por semana, Aline não consegue se acostumar com o sabor frango com catupiry, um dos preferidos dos joinvilenses. “Pizza precisa ter mussarela”, opina ela.

O FORNO

SABIA? No forno à lenha, a madeira em combustão exala vapores aromáticos que se impregnam na pizza. Em outras palavras, a pizza fica levemente defumada. Se comparada aos fornos caseiros a gás, a lenha tem uma vantagem adicional: a temperatura. Enquanto fornos comuns aquecem pouco mais de 300 graus, no forno à lenha a temperatura constante é de 550 graus. Assim a massa assa mais rapidamente, e fica crocante por fora e macia por dentro.

pizzas é a paixão. Mesmo em um ou dois minutos, tempo médio da produção de cada uma. Com a experiência na função, Helitom gosta de inventar sabores exóticos, mas no dia a dia precisa seguir o cardápio da pizzaria, e prestar atenção às peculiaridades de cada cliente – com ou sem cebola, pouca ou muita azeitona, ovo e pimentão. É dos sabores de quatro queijos e margherita que Aline Rosa, 24 anos de vício em pizza, gosta mais. E não dá para esquecer das doces. “Não abro mão do sabor chocolate”, conta ela. Os amigos já conhecem tão bem a paixão de Aline por pizzas que não é raro aparecerem com uma tamanho gigante em frente à sua casa. Mesmo comendo

Enquanto a massa da pizza descansa de duas a três horas, o forno à lenha e cerragem prensada aquece a uma temperatura mínima de 350 graus. Para conseguir finalizar o processo, Helitom conta com o apoio de outras cinco pessoas da cozinha. Ao trabalho dele, são só elogios. Mesmo assim, ele conta que a maior dificuldade na profissão é decorar os ingredientes do cardápio e “abrir a massa e deixá-la bem redonda”. Com uma pá de madeira, a pizza é empurrada para dentro do forno, onde fica por cinco minutos. Depois, é só alegria. A pizza sai do forno com peso médio de 800 gramas, 330 gramas de massa e o resto de puro recheio. E assim Helitom repete o processo cerca de 3.500 vezes ao mês. !

O bairro que mais possui pizzarias é o Iririú, com um total de 10 estabelecimentos

COM BASTANTE EXPERIÊNCIA na função, Helitom gosta de inventar sabores exóticos

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F5

por que, às vezes, é preciso atualizar! VEJA MAIS NOVIDADES NA NOSSA FAN PAGE facebook/RevistaCaracol

RIO 2016 TEM VAGAS DE EMPREGO A organização das Olimpíadas do Rio de Janeiro, que acontecerão em 2016, já está contratando profissionais para o evento. As vagas são para diversas áreas. Para se candidatar, basta fazer a inscrição no site www.rio2016.com.

ARTE FORA DO MUSEU

43% DOS INTERNAUTAS DO PAÍS NAVEGAM NA INTERNET E ASSISTEM TV AO MESMO TEMPO

FILME VAI CONTAR BIOGRAFIA DA CANTORA ELIS REGINA A atriz Andréia Horta vai interpretar Elis Regina nos cinemas. O jornalista e produtor Nelson Motta, que também escreveu a biografia de Tim Maia, está produzindo o roteiro do filme. A biografia ainda terá a produção de Paula Barreto e direção de Hugo Prata.

A expansão da internet no Brasil tem criado novos hábitos. De acordo com a pesquisa Social TV, do Ibope Nielsen Online, 43% dos internautas entrevistados ficam ligados na TV e na web ao mesmo tempo. Entre as pessoas desse grupo, 59% ficam conectadas às duas telas todos os dias. O fenômeno é conhecido como Second Screen e não é algo novo. Em alguns países como os EUA, a prática é comum.

TINTA DE LIVRO DESAPARECE APÓS DOIS MESES Uma editora argentina publicou um livro com prazo de validade. Isso mesmo! Trata-se de uma antologia de novos autores latinos impressa com uma tinta especial que desaparece após dois meses de o livro ser aberto. Ou seja, depois que você começar a ler a obra – “O Livro Que Não Pode Esperar” (“The Book That Can’t Wait”) – tem aproximadamente 60 dias antes que o contato com a luz e o ar apague as letras. A invenção é uma iniciativa para motivar os compradores de livros a realmente lerem e não deixarem as publicações esquecidas na estante. Resta saber o que pode ser feito com o livro depois do conteúdo desaparecer!

O projeto pretende mapear na cidade de São Paulo as obras de arte que estão nas ruas, ao alcance de qualquer cidadão. Paredes, prédios e até canais de esgoto escondem trabalhos sofisticados e pouco reconhecidos no dia a dia. O projeto foi selecionado pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para internet em 2010 e pode ser acessado através do endereço www.arteforadomuseu.com.br.

FACEBOOK FAZ ALTERAÇÃO AUTOMÁTICA DE E-MAIL Além de anunciar, no dia 25 de junho, a americana Sheryl Sandberg, de 42 anos, como a primeira mulher a integrar o conselho administrativo do Facebook, a rede social voltou a provocar polêmica entre os usuários. Desta vez, o motivo está numa alteração automática no endereço de e-mail das pessoas que utilizam a rede. Agora, o e-mail passa a ser exibido com o domínio @facebook.com. Segundo a empresa, a mudança é uma medida de segurança. Os usuários que desejarem manter seu e-mail pessoal público podem alterar o endereço padrão nas informações de contato.

CERVEJA PARA SEU CACHORRO Segundo uma notícia divulgada pelo site ABC News, foi lançada nos Estados Unidos a Browser Beer, uma cerveja desenvolvida especialmente para agradar o seu cãozinho. A bebida, sem álcool, lúpulo ou gás, é feita com uma mistura de caldo de carne, cevada e glucosamina, utilizada para reforçar as articulações do animal. Está disponível nos sabores carne e frango. Um engradado com seis unidades custa aproximadamente R$ 40.

COCA-COLA BRASIL TEM MAIOR ÍNDICE DE SUBSTÂNCIA CANCERÍGENA FOTOS: DIVULGAÇÃO

Um estudo norte-americano feito pelo Centro de Ciência de Interesse Público apontou que as latas de Coca-Cola vendidas no Brasil têm os índices mais altos de 4-metil-imidazol, substância que, em excesso, pode resultar no desenvolvimento de câncer. Apesar de o número ser o mais alto, o valor está abaixo do limite máximo permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 67


[SEÇÃO] PISTACHE

Bonecos de cera que parecem reais impressionam pessoas do mundo inteiro

TAGS: MUSEU DE CERA, LONDRES, DIVERSÃO, CULTURA

Cera, brincadeira e muita diversão

J

á imaginou ficar cara a cara com seus artistas de cinema ou esportistas prediletos? O joinvilense Evandro Hernandez, 37 anos, já passou pela experiência. Em 2008, ele conheceu o Museu de Cera Madame Tussauds, em Londres, e ficou impressionado com os bonecos.

POR PATRÍCIA SCHMAUCH

Evandro mora em Londres há oito anos e a entrada do museu sempre chamou sua atenção. Entrou e não se arrependeu. “É impressionante a semelhança entre os personagens e os artistas que se veem na televisão”, conta. Não é à toa que o Madame Tussauds é o mais famoso museu de cera

VÍDEO DA PRODUÇÃO DOS BONECOS EM facebook/RevistaCaracol

do mundo. Com técnicas utilizadas há mais de 200 anos, a sua matriz em Londres e filiais espalhados pelos continentes atraem milhões de pessoas todos os anos. No total, são 16 unidades, presentes na América, Europa, Ásia e Oceania. As réplicas dos bonecos são con-

Bem-vindo ao museu de Madame Tussauds!

N

o tapete vermelho, você tem a opção de visitar diversas seções de artistas, que se dividem em esportistas, líderes políticos mundiais, personagens infantis, artistas de cinema e personagens de filmes. Nem a nobreza escapou da brincadeira. Em Londres, há uma seção exclusiva com a presença da família real britânica. Em cada ambiente, há televisões que contam a história das personalidades, ao invés das tradicionais placas que indicam quem são os bonecos. “A música, as luzes e os cenários dão um ar divertido e moderno ao museu”, opina Evandro. No fim das galerias, um frio na barriga. Você se depara com a Câmara dos Horrores, um labirinto onde se encontra atores fantasiados com o objetivo de assustar os convidados. Imaginação e história também se encontram no museu. No local também se encontra a guilhotina que matou Maria Antonieta, ícone da monarquia francesa. Última e mais polêmica rainha francesa, Maria Antonieta é uma das figuras mais polêmicas da histó-

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ria. Executada na guilhotina durante a Revolução Francesa, ela é retratada por muitos como o símbolo do que há de pior na monarquia francesa: rainha fútil, despreparada para reinar, pivô de escândalos, promotora de festas e orgias, e manipuladora de um rei fraco, seu marido Luis 16. Para outros, Maria Antonieta é uma mártir, quase santa, sacrificada por loucos que tinham se voltado contra a ordem sagrada dos costumes. No museu de Londres, a última atração do tapete vermelho é o Spi-

rit of London – um daqueles trens fantasmas que na verdade é um táxi londrino e percorre um percurso que conta a história da cidade, começando na dinastia Tudor, passando por Shakespeare, O Grande Incêndio, Revolução Industrial e chegando aos badalados anos 60, com uma explosão de luzes e ritmos. Para Evandro, a organização dos setores do museu chama a atenção dos visitantes. “Nos próximos meses, vou visitá-lo novamente e saber quais as novidades”, afirma. DIVULGAÇÃO


PATRÍCIA SCHMAUCH

AMY WINEHOUSE É uma das celebridades imortalizadas por estátuas de cera

feccionadas por uma cera especial que não derrete facilmente e é bastante maleável, proporcionando uma impressionante fidelidade com os personagens. Principalmente em relação ao tamanho, porte físico, tipo de cabelo e figurino. Mas os segredos da arte quase ninguém conhece: o processo que dá forma inicial aos bonecos está localizado em laboratórios secretos nos Estados Unidos e Europa, imorta- >

O PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS BONECOS ESTÁ EM LABORATÓRIOS SECRETOS

COMO SÃO FEITOS OS BONECOS? Para fazer um boneco de cera parecer real são necessários meses de dedicação exclusiva dos artistas do império Tussauds. Depois da escolha do artista que se quer imortalizar, a celebridade é convidada para uma reunião onde são feitas fotos e medições detalhadas da pessoa. Após a reunião, inicia a produção. A primeira fase é a escultura, onde a cabeça e o rosto são feitos com argila. Só o processo inicial do molde,

feito normalmente por dois escultores, leva duas semanas. O próximo passo é a produção de um esqueleto de metal que também é coberto com argila para dar forma ao corpo. Para dar consistência à estátua, é colocado gesso em volta da escultura. Por último, a cera líquida, em uma temperatura de 40ºC. Em seguida, vem a inserção dos olhos, a maquiagem, o cabelo e a pintura. Uma equipe de maquia-

dores e designers é responsável por fazer o boneco parecer real, incluindo unhas coloridas, tatuagens, piercings e outros efeitos no corpo. Para finalizar, o look ideal: figurinistas e designers de moda escolhem o look das celebridades, com base em roupas que elas já usaram. Geralmente, as peças são dos próprios artistas. Quando se trata de personagem de filme, o estúdio doa as roupas. JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 69


EVANDRO CONHECEU o museu de cera, em Londres, há quatro anos, mas ainda guarda lembranças do encontro com seus artistas preferidos, como Angelina Joile lizando as celebridades em forma de cera. Em um passeio de cinco minutos pelo tapete vermelho, já se encontra Justin Bieber, Madonna, Lady Gaga, Michael Jackson e Elvis Presley. Pode também conhecer O Máscara, ET – o Extraterreste, personagens da série Star Wars e o elfo Dobby, dos filmes de Harry Potter. Para as crianças, Patrick Estrela, amigo do Bob Esponja, Bart Simpson, dois Smurfs e o Chapolin, além do ogro Shrek. Se você quer tirar fotos com os bonecos, prepare-se para enfrentar filas gigantes. Mesmo parecendo reais, aproveite o momento para brincar com eles: pode abraçar, tocar e aproveitar a boa companhia. Só não tente desligar o condicionador de ar para a cera não derreter: para conservar as estátuas, o ambiente precisa estar !

para conservar as estátuas, o ambiente precisa estar com a temperatura inferior a 30 GRAUS

DIVULGAÇÃO

Uma história de cera e sorte

S

em data de inauguração definida oficialmente, o Museu de Cera se estabeleceu em Londres a partir de 1835. Antes disso, Maria Grosholtz, conhecida como Madame Tussauds, percorria as ilhas britânicas expondo suas esculturas de cera para o público. Nascida em 1761 e filha de um soldado que faleceu dois meses antes do nascimento da filha e de uma governanta. Durante os cinco primeiros anos de vida, Marie viveu em Berna, na Suíça, junto a sua mãe que era empregada do médico Philipe Curtius, que também tinha a habilidade de esculpir em cera partes anatômicas do corpo humano. Philipe mudou-se para Paris e levou consigo Marie e sua mãe, ensinando a pequena as técnicas de modelagem em cera. A exposição do médico era famosa e financiada pela Família Real Francesa. A capital era o centro caótico da sangrenta Revolução Francesa. Marie e sua mãe foram presas e compartilharam a mesma cela de Josephine de Beauhamais, que mais tarde viria a desposar Napoleão Bonaparte. Entretanto, Marie foi encarregada de preparar máscaras de cera utilizando como molde as cabeças dos prisioneiros que haviam sido guilhotinados. Entre estes figuravam Maria Antonieta, Luis XVI e Jean Paul Marat (o filósofo revolucionário morto por Charlotte Corday).

Em 1794, o médico faleceu e deixou para Marie toda sua coleção de cera. Marie continuou seu trabalho até sua morte, aos 89 anos. Nos últimos anos de vida, dedicou-se a produzir a sua própria escultura em cera. Até hoje, a arte de cera é secreta, seus laboratórios não podem ser visitados por ninguém. Depois disso, casou-se com o engenheiro francês Monsieur Tussaud. Mesmo assim, viajava para todos os lados com a sua obra. A cada parada, acrescentava uma nova figura ao acervo. Depois de ter dois filhos e conquistas importantes, resolveu se instalar em Londres, em um lugar bem próximo onde hoje está localizado o Museu de Cera. A França passava naquela época pelos percalços da Revolução e, para continuar suas exposições, Marie decidiu ir para o Reino Unido, junto de seu filho mais velho. Em 1822, o naufrágio de um navio a fez perder muitas de suas peças. O museu sofreu outra baixa em 1925, em um incêndio que destruiu relíquias da era napoleônica. Em 1940, durante um bombardeio da Segunda Guerra Mundial, mais de 300 figuras foram destruídas. E dez anos depois, Madame Tussauds faleceu. Suas criações, no entanto, permanecem em exposição, ao lado de diversos bonecos novos, constituídos desde aquela época. E hoje, a ideia sobrevive a séculos, guerras e oscilações econômicas.

JULHO E AGOSTO 2012 | CARACOL | 71


Revista Caracol  

Primeira edição da Revista Caracol, um projeto acadêmico produzido pelos alunos Edinei Schimieguel Knop e Patrícia Cristiane Schmauch.

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