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Edilberto Campos

Chloe e Charlie estavam escondidas atrás do bebedouro de perto da biblioteca. As garotas pararam, pois no momento em que passavam pelo corredor norte da escola Eastwood, perceberam que havia uma gritaria na sala dos professores, e quando dobraram na direção da saída, o vice-diretor Grimes estava voltando do local. – Eu não quero saber, seu incompetente! – Ele gritava com alguém enquanto saia da sala – Se a polícia descobrir, eu não vou me responsabilizar por nada. Trate de achá-los antes que algo pior aconteça! O homem carregava uma maleta de couro enquanto caminhava em direção à diretoria. Ele abriu a porta e entrou. Charlie pôde ouvir o barulho da maçaneta girando, provavelmente agora a porta estava trancada. Caso ele saísse, haveria tempo de elas se esconderem novamente. Chloe parou um instante para amarrar os cadarços. No mesmo momento, ela ouviu passos vindos em sua direção. A garota correu novamente para trás do bebedouro e apoiou suas costas em um dos armários. – O que houve? – perguntou Charlie. – Está vindo mais alguém. Charlie se levantou e olhou pelo canto do armário no momento em que Heric passava ao seu lado. – Ei! – Protestou o homem – Você estava bisbilhotando? – Não, professor! – Explicou Charlie – Eu só parei para beber água. Ele olhou desconfiado para a menina e continuou caminhando. – É melhor você voltar para a sua sala. – Tudo bem – respondeu. Charlie deu um suspiro de alívio. – Ele já se foi.


Edilberto Campos Chloe se levantou, puxou a mochila do chão e olhou para os lados para ver se alguém vinha. – É melhor a gente ir. Já perdemos muito tempo aqui. Estou morrendo de fome. Ao seguir Chloe, Charlie acabou chutando um objeto cilíndrico que se arrastou até um dos armários. Ela moveu-se até ele e o pegou em suas mãos. – O que foi agora? – Perguntou a garota, irritada – O que é isso? – Não sei. Eu chutei sem querer, deve ter caído de alguém. Chloe puxou o objeto das mãos da menina e o estudou por alguns segundos. – É um canivete.

A névoa que cobria quase toda a cidade de Helsinque, havia se dispersado depois algumas horas. As pessoas agora continuavam os seus afazeres diários, como de costume. Na rodovia, o fluxo de carros seguia normal, e já não era mais preciso a guarda de transito para orientar os motoristas. – Charlie, você já pode parar de olhar pra isso – comentou Chloe enquanto mastigava o suculento pedaço de frango em sua boca. – Queria saber o que significa H. Stalks... – Charlie deslizava seu dedo indicador sobre a superfície do canivete que tinha encontrado. No momento em que elas caminhavam até a lanchonete, Chloe havia percebido uma escritura sobre o ouro do qual o cabo do objeto era feito – nós temos que devolver, é de ouro. – Não tinha ninguém no corredor, apenas o diretor e o... – HERIC! – Interrompeu Charlie, gritando em alto e bom som. Algumas pessoas que estavam em mesas ao redor se espantaram com o grito da garota.


Edilberto Campos – Não reparem nela, pessoal. A pobrezinha sofre de um problema nos neurônios – indagou Chloe enquanto abaixava as mãos na direção das pessoas que olhavam pelo canto dos olhos para as garotas. Charlie abaixou a cabeça colocou o braço sobre a mesa. – Sério Chloe? – Sussurrou Charlie, envergonhada. A garota riu em resposta. – Por que será que ele estavam discutindo? Questionou Charlie Chloe puxou uma garrafa de molho apimentado e espirrou algumas gotas dentro do balde de frango frito. – Isso está tão bom... Tem certeza que não quer? Eu pago. – Não, obrigada... Eu sou alérgica... – Charlie abaixou a voz para um volume quase inaudível. – Você o que? – Perguntou Chloe – Não entendi. – Eu sou alérgica... – Charlie virou a cabeça na direção da janela. – Você pode escrever? Ainda não entendi. – EU SOU ALERGICA A FRANGO! – Gritou Charlie novamente. No mesmo instante a cena tornou a se repetir. Chloe puxou uma cédula e deixou em cima da mesa, irritada. Ela colocou uma das mãos cobrindo seu rosto envergonhado e puxou Charlie com a outra. As duas moveram-se em direção à porta de entrada e saíram para a rua. – Desculpa, Chloe, mas às vezes sai sem eu notar. A garota fez que não com a cabeça e olhou para o relógio. – Já passamos da hora! Vamos perder o ônibus! As garotas correram em direção à Eastwood, acelerando os passos à medida que chegavam ao local. – Que droga! – Chloe exclamou – Ele já partiu. – Meu Deus! A minha tia chega de Boston hoje e a mamãe queria que eu estivesse em casa antes para lhe dar as boas vindas. Charlie se sentou na escada que ficava na entrada da escola e virou a cabeça para trás.


Edilberto Campos – Eu não acredito, não acredito! – Podemos dar um jeito nisso. Se eu chegar tarde em casa ninguém vai reparar. Meu pai só se importa com aquela maldita empresa. – Mas e a sua mãe? – Minha mãe faleceu quando eu tinha oito anos – a garota olhou para seu lado esquerdo. – Me desculpe, Chloe, eu... Eu não sabia... – Não tem problema, agora vamos, é logo ali. – Logo ali o que? – Perguntou Charlie. – O lugar onde vamos conseguir a sua carona para casa.


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