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Edilberto Campos

Charlie passara a manhã pensando no que tinha acontecido na noite anterior. Ela havia acordado cedo para observar pela janela de seu quarto, a varanda da casa vizinha. – Charlie, vamos logo! – Gritou seu pai da sala de estar. – Já vou, só vim pegar uma coisa que eu tinha esquecido! – Vou te esperar no carro, não demore! – Ok! – Respondeu enquanto descia as escadas – Estou indo! Quando a garota chegou ao jardim, seu pai já estava com o carro fora da garagem, esperando-a. O ambiente lá fora estava mais frio do que de costume, o que fez com que ela colocasse o capuz do casaco sobre sua cabeça. O trânsito não estava tão ruim, mas a densa neblina que cobria toda a estrada, fez com que eles demorassem mais do que o esperado para chegar ao seu destino. Para evitar acidentes, a polícia orientou os motoristas a dirigirem devagar e prestar bastante atenção para não atropelarem algum animal durante o caminho. John estava atrasado para o trabalho. Ao seu lado, outros veículos estacionavam ao longo do acostamento. As pessoas que estavam dentro deles saiam e seguiam andando. – Charlie, precisamos ir andando – disse ele. – Não pai, nem pensar. – Eu já estou atrasado, não vamos chegar a tempo nesse ritmo. – Argh! – Resmungou – Odeio o clima nessa maldita cidade. – Para uma adolescente de 16 anos até que você se estressa bem rápido. Agora vamos. – Eu tenho 15, pai...


Edilberto Campos Ele deu de ombros. Virou o carro e estacionou ao lado do meio fio. Os dois desceram. Charlie apanhou a mochila enquanto John trancava o veículo. Na frente deles, em cima de uma caminhonete, um garoto e um homem barbudo e ruivo discutiam. – Pai, me escute, isso não vai dar certo! – falou o mais novo. – Mas é claro que vai! É só amarrar uma em cada, com uma corrente. Ou você tem uma ideia melhor? – Faça o que você quiser! Depois não diga que eu não avisei. John e sua filha passaram ao lado deles. Charlie observava a briga dos dois enquanto caminhava na direção oposta. – Ei, de óculos – Chamou o garoto. – Pai, eu acho que ele está falando com você – Charlie se aproximou da caminhonete. – Ahn? – John virou-se em sua direção – O que foi? – Vocês vão para o centro? – Perguntou o garoto. – Sim, vamos. – Charlie respondeu – Por quê? – Estávamos indo para lá também. Temos quatro bicicletas aqui, e não tem como levar todas. – Estamos ouvindo – disse a garota. – Bem... Então achei que podíamos ir todos juntos. É melhor do que ir andando, e vocês poderão chegar mais rápido. O que acham? John hesitou. – Nós não vamos incomodar? – Por mim tudo bem – disse o homem mais velho de cima da caminhonete. – Para que parte da cidade vocês vão? – Eu vou para o escritório da Rua 22, e Charlie vai seguir para a escola Eastwood. – Minha loja fica lá perto. Vocês podem deixar as bicicletas lá e depois seguirem para seus destinos.


Edilberto Campos Charlie se alegrou. O homem ruivo desceu do veículo. – Eu sou Thomas – disse ele enquanto apertava a mão de John – esse é meu filho Peter. – John. Prazer em conhecê-los. Essa é minha filha Charlotte. – Mas pode me chamar de Charlie – ela interrompeu. – Aqui estão as bicicletas. Nós esquecemos o capacete em casa, mas se vocês não caírem nada acontecerá – Brincou Peter. Charlie deu de ombros e se voltou na direção da floresta. – A ciclovia fica do outro lado. Melhor irmos para lá antes que o movimento aqui piore – aconselhou o garoto. Como o ambiente ainda estava fosco, Charlie ainda não havia visto seu rosto. No entanto, agora que ele estava perto, ela pode enxerga-lo com mais clareza. Os cabelos amarronzados cintilavam diante de sua pele branca e de seus olhos azuis escuros. Era um rapaz forte, provavelmente fazia bastante esforço físico. Ela o observou por alguns segundos, tentando desvendar seu olhar misterioso. Peter parecia desanimado, mas ao mesmo tempo normal. Talvez fosse seu jeito. Enquanto a névoa cruzava a floresta, Charlie se afastou do meio fio. Ela resolveu seguir Peter na direção da ciclovia, junto de seu pai e Thom. O clima estava ruim, e tendia a piorar mais a cada minuto que se passava.


Permutação