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Antonio Nóbrega em

Direção Walter Carvalho

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Uma dança naturalmente nossa   A afinidade de música e movimento é um dado historicamente

comprovado. Na cultura europeia, os primeiros registros escritos referentes às formas tradicionais de dança indicam que sequências organizadas de passos eram vinculadas a músicas dotadas de certos padrões rítmicos e melódicos – com isso, gêneros musicais e coreográficos correlatos recebiam um mesmo nome. No caso africano essa ligação entre as linguagens é ainda mais orgânica, sendo dança e música praticamente indissociáveis em suas funções sociais, místicas e festivas. E a cultura brasileira — na qual a herança dessas duas se soma às manifestações rituais indígenas — apresenta uma enorme variedade de ritmos aliados a expressões corporais, que compõem um vasto repertório de bailados, folguedos e encenações cujas realizações invariavelmente evidenciam corpos com características motoras bastante próprias. Compreendê-los, estudá-los como alimentos e frutos dessas tradições são tarefas que têm ocupado pesquisadores de diversas disciplinas ligadas à cultura e ao corpo. A busca pela síntese artística desses saberes e pela sua experimentação no terreno da contemporaneidade tem sido ocupação de um músico-bailarino que tem uma relação já maturada com muitas instâncias da cultura nacional.   Não é de hoje que Antonio Nóbrega é uma referência no trabalho de transposição da cultura popular de seu ambiente original para os palcos. Sua carreira já conta décadas, sua arte já foi expressa de diversas formas e seu histórico de formação registra uma espécie bastante peculiar de fusão entre formação erudita e conhecimento legítimo das manifestações populares. Daí emerge uma urgência de reelaboração das matrizes tradicionais em realizações universais enraizadas em solo profundamente brasileiro. No campo da música, essas características já vêm sendo aprimoradas em sua obra desde o movimento armorial, com o qual se envolveu como instrumentista. Para a dança, sua iniciativa traz traços de novidade, gerando interesse pelo que está sendo feito e expectativa pelo que há de vir. Estamos em face da estruturação de uma modalidade de dança contemporânea genuinamente brasileira.   Eis uma pesquisa digna de atenção, que o SESC São Paulo, em sua missão eminentemente educativa, acolhe e traz a público em sua mais acabada realização até aqui — um espetáculo em que elaborações lúdicas e teóricas dialogam com uma naturalidade e leveza típicas das mais autênticas manifestações de nossa cultura. Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC São Paulo

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Há alguns anos, aqui e acolá, venho apresentando uma aula-espetáculo que versa sobre a dança. Um tipo de dança que comecei a afeiçoar-me ali por volta dos dezoito anos quando, em Recife, convidado por Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, tomei conhecimento dos artistas populares.   Durante os anos seguintes segui passistas de Frevo, frequentei treinos de Cabocolinhos, participei de rodas de coco e de sambadas de Maracatu, fiz aulas de Capoeira, acompanhei e registrei uma infinidade de folguedos populares. Terminou que o músico – eu – fosse pouco a pouco levando para dentro da arena dos seus espetáculos a dança e ainda, afoitamente, criando espetáculos dedicados integralmente a ela, como foi o caso do Reino do Meio Dia, Figural e Passo. Com o tempo, todavia, fui notando que essa dança que eu exercitava, a rigor, já não era mais dança popular, mas também não era dança clássica (nem europeia, nem de qualquer outro lugar), nem dança moderna, nem dança flamenca... Que dança era essa, então? Meti-me a estudar e a refletir sobre ela e várias questões foram chegando: será que o nosso tempo ainda permitiria uma dança de matrizes populares, à semelhança do que ocorreu com a nossa música? Será que o léxico corporal popular seria tão rico e tão cheio de potencial coreográfico quanto eu imaginava que fosse? Às respostas que eu ia tentando dar a essas questões, agreguei cantos e danças, criando as aulas-espetáculos.   Naturalmente representa para mim uma etapa de estudos e realizações artísticas. Quase quarenta anos depois daqueles primeiros encontros com os brincantes e dançarinos populares, faço uma espécie de espetáculo-síntese, dançando, tocando e falando sobre aquilo que criei no corpo da dança.   Ter o prazer de gravá-lo aqui no palco do SESC Pinheiros, ao lado de dançarinas, músicos, criadoras de arte e de luz com os quais há anos venho compartilhando realizações artísticas, me enche de contentamento e gratidão. A eles o meu renovado agradecimento, e até o passo seguinte, naturalmente... Antonio Nóbrega

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Roteiro coreográfico e musical 1. SUÍTE DE DANÇAS POPULARES BRASILEIRAS

Cabocolinhos (Edmilson Capelupi); Cavalo Marinho (temas populares recriados por Antonio Nóbrega e Edmilson Capelupi); Maracatu Rural (Edmilson Capelupi); Sorriso (autor desconhecido); Duas Épocas (Edson Rodrigues); Capenga (Eugênio Fabrício) coreografia: Antonio Nóbrega, Maria Eugênia Almeida e Marina Abib

2. TEMPO DE CABOCLINHO

Ernani Aguiar transcrição: Edmilson Capelupi coreografia: Maria Eugênia Almeida e Marina Abib

3. GUERREIRO

Antonio José Madureira coreografia: Antonio Nóbrega

4. CABEÇA DE PORCO

6. SELEÇÃO CINEMA

“Amarcord” (N. Rota) © C.A.M S.r.l. (p) 1973 C.A.M. S.r.l. Courtesy of C.A.M. S.r.l. Smile (Charles Chaplin) arranjos: Edmilson Capelupi coreografia: Maria Eugênia Almeida e Marina Abib

7. SIMPLICIDADE Jacob do Bandolim arranjo: Edson Alves

8. ABERTURA DA SUÍTE EM RÉ MAIOR

Johann Sebastian Bach transcrição: Edmilson Capelupi coreografia: Antonio Nóbrega

9. GNOSSIENNE N°1 Erik Satie transcrição: Edson Alves coreografia: Marina Abib

Anacleto de Medeiros arranjo: Edmilson Capelupi coreografia: Maria Eugênia Almeida e Marina Abib

10. SANTA MORENA

5. GAIATA

11. NATURALMENTE

Tema da suíte Quebra Nozes (Tchaikovsky) transcrição: Edson Alves coreografia: Antonio Nóbrega

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Jacob do Bandolim arranjo: Edmilson Capelupi coreografia: Maria Eugênia Almeida

Dominguinhos

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ficha técnica Direção Walter Carvalho

Produção Rodrigo Castellar Pablo Torrecillas

Coreografias e atuação Antonio Nóbrega Maria Eugênia Almeida Marina Abib

Músicos Cleber Almeida Daniel Allain Edmilson Capelupi Edson Alves Will Léo Rodrigues Olívio Filho Zé Pitoco

Direção musical Edmilson Capelupi

Figurinos Eveline Borges

Fotografia Walter Carvalho Pedro Von Krüger

Máscaras e figurinos — Espetáculo Figural Romero de Andrade Lima

Montagem Arthur Frazão

Criação de luz Marisa Bentivegna

Concepção e direção do espetáculo Antonio Nóbrega

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Participação especial — conversas Helena Katz Julio Medaglia Produção do espetáculo Silas Redondo Gravado no Teatro Paulo Autran — SESC Pinheiros, nos dias 18 e 19 de junho de 2010 Assistente de direção Pedro Von Krüger Coordenador de câmera André Sigwalt Operadores de câmera Henrique Rodriguez Marcos Felippe Albert Diego Karman Arci Reis

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Logger / Assistente de câmera Marcelo Oliveira

Supervisão técnica Eng. Egidio Conde

Assistente de figurino Rita Mistroni

Engenheiro de gravação Eduardo Garcia

Costureira Nilda Dantas

Técnico de gravação Fernando Ferrari

Camareira Valdi Batista

1o Assistente de produção Marcelo Castellar

Transporte / montagem Um Valter Pinha

Maquiadora Nane Lopes

2o Assistente de produção Serginho

Finalização Comdomínio

Secretária executiva Tc Fimes Juliana Farias

Coordenador de finalização Pedro Von Krüger

Ajudantes de produção Lucas Baiano Álvaro Adsb

Assistente de finalização Daniel Canela

Maquinista Julinho Guimarães Assistente de maquinária Ademir

Alimentação Mari Arneiro – Gula&Cia Assistente de alimentação Jeferson Motoristas Carlinhos David Lucas Manoel Walter Áudio Digital gravado ao vivo por Audiomobile – Unidade Móvel

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Produção executiva Joana Marchetti Assistência de produção Marília Trevisani Imagens Giros Produções

Assistente de produção Comdomínio Larissa Centurione

Agradecimentos Belisário Franca Marcia Watzl Paulo Mazzeu Rosane Almeida Tiago Mazzeu Walnice Nogueira Galvão

Equipe Brincante

Realização do espetáculo

Color correction Bernardo Brick

Operação de som André Andrade Tuca Pradella Operação de luz Marisa Bentivegna

Produção

Técnico de palco Marco Maluf

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SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor Regional Danilo Santos de Miranda Superintendente de Comunicação Social Ivan Giannini Superintendente Técnico-Social Joel Naimayer Padula Gerente de Ação Cultural: Rosana Paulo da Cunha Gerente Adjunto: Flávia Andréa Carvalho Assistentes: Marina Guzzo e Simone Avancini

Selo SESC Gerente de Audiovisual: Silvana Morales Nunes Gerente Adjunto: Ana Paula Malteze Coordenador: Gilberto Paschoal Coordenação de Produção: Danilo Concilio Produtor Audiovisual: Bruno Carneiro Assistente de Produção: Ricardo Tifona Coordenação Administrativa: Yumi Fujihira Sakamoto Apoio Administrativo: Thays Heiderich SESC Pinheiros Gerente: Cristina Riscalla Madi Gerente Adjunto: Denise Lacroix Rosenkjar REALIZAÇÃO

Selo SESC Av. Álvaro Ramos, 991 | CEP: 03331-000 | São Paulo - SP | Tel: (11) 2607-8271 selosesc@sescsp.org.br | www.sescsp.org.br/loja

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fotos: PiuDip | identidade visual: Equipe do SESC Pinheiros | projeto gráfico/DVD: Érico Peretta

Gerente de Artes Gráficas: Hélcio Magalhães

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fotos: PiuDip | identidade visual: Equipe do SESC Pinheiros | projeto grรกfico/DVD: ร‰rico Peretta


www.sescsp.org.br

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www.antonionobrega.com.br

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DVD Naturalmente - Antonio Nóbrega  

Encarte do registro em DVD do espetáculo Naturalmente, que trabalha com uma proposta de dança contemporânea brasileira construída a partir d...