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Celebração da boa música

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á obras de artistas como Radamés Gnatalli, Ernesto Nazareth ou Egberto Gismonti que colocam em xeque as fronteiras mais tradicionais entre música popular instrumental e música erudita, fomentando diálogos estéticos e tornando diferentes vertentes musicais mais familiares para diferentes públicos. Se hoje os discursos em prol de rígidas jurisdições para cada manifestação artística nos soam anacrônicos, muito se deve ao fato de que justamente nessa zona fronteiriça, de mesclas e hibridismos espontâneos, a música brasileira é muito pródiga, com compositores, arranjadores e instrumentistas de grande talento e livres de qualquer determinismo conceitual que lhes cerceie a produção. Ao longo dos últimos 50 anos o Brasil teve o privilégio de contar com um grupo de câmara capaz de apresentar os frutos dessa liberdade criativa em formação gestada na tradição erudita e aberta a qualquer abordagem musical – o quinteto de sopros. O Quinteto Villa-Lobos conseguiu, em sua longa e rica trajetória, sustentar sua identidade independentemente das mudanças de integrantes, firmando-se como referência de qualidade e refinamento, com repertório que inclui

composições originais que lhe foram dedicadas, peças históricas e arranjos inéditos para obras de diferentes matrizes. Não à toa, na celebração de seu meio século de existência o grupo se alia a Guinga, um amigo próximo que, a seu modo, é um representante contemporâneo dessa música de natureza mestiça, trazendo em suas composições e em seu modo de tocar violão tanto o sotaque típico de nossa melhor música popular quanto o rigor e a sensibilidade minuciosa requeridos pela mais tradicional música de concerto. O resultado é um álbum revestido de suave lirismo, de uma elegância estética sem pompa ou hermetismos. É com alegria que o SESC apresenta este projeto - pela possibilidade de comemorar em grande estilo a longevidade do Quinteto Villa-Lobos e por trazer a público mais dessa arte sonora que não se importa muito com as classificações, à qual podemos chamar simplesmente de boa música brasileira. Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC


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ois artistas, um da bola, outro da música, que encantam os amantes do futebol e da viola. Pintou um pequeno conhecimento lá pelos anos 1990, no clube dos macacos, onde rola uma pelada deliciosa entre os amantes da redonda. Faz muitos anos desde que conheci o Guinga, vascaíno, canhoto habilidoso, criativo, resmungão estilo Gerson, rara habilidade para manejar o seu violão. E ainda tem dentro da cartola lindas composições. Moramos no mesmo bairro, o indecente Leblon, onde andamos a pé o tempo todo, sempre nos encontramos após nossas caminhadas pela praia e paramos no posto 11 para trocarmos ideias sobre o futebol brasileiro e música em geral. No ponto do ex-boleiro, ex-lateral do Vasco da Gama na década de 1980, seu time. E nessas andanças e papos virou um clã de artistas, como Fagner, o cantor, Armando, corretor de valores e eu, o abusado Miles Davis do futebol brasileiro, uma honra ter esse apelido, dado por Guinga. Paulo César Lima (Caju)

craque brasileiro


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rouxeram o coreto típico das praças brasileiras e o colocaram no Teatro Municipal. Dentro desta bagagem viajam de Villa-Lobos a Pixinguinha, de Piazzolla a Nazareth, de Anacleto a Gismonti, como se buscassem desesperadamente um acordo entre a forma e o conteúdo. Como tenho a honra de tentar sintetizá-los em poucas palavras, sinto-me mais honrado ainda de ser sintetizado por eles em umas poucas melodias. Nesses festejos dos 50 anos do Quinteto Villa-Lobos, sinto-me feliz com a acolhida, completamente independente da amizade que nos une. Ressurgem outros três mosqueteiros (agora são cinco), justiceiros e operários da música em que eles creem. Em nome de todos os integrantes que trabalharam pela sobrevivência desta instituição da música brasileira, eu o convido a viajar junto conosco para sempre. P.S. Haja seda para se rasgar... Guinga


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convite surgiu por acaso, ao esbarrar com o Guinga numa esquina de Ipanema: “Vou começar a gravar um disco com o Quinteto VillaLobos! Pinta lá no estúdio...” Dois dias depois, lá estou eu, testemunha ocular e auditiva do primeiro dia de gravação deste CD. Na verdade, o encontro de Guinga com o quinteto não é novidade. Eles já se apresentaram juntos em vários palcos e festivais, mas é a primeira vez que gravam um disco com repertório exclusivamente guingueano e com a participação do compositor no violão. E foi muito bom ver de perto como o erudito e o popular, ambos muito à vontade, se encontram da maneira mais natural. O próprio Villa-Lobos já fazia exatamente isso e não é por acaso que dá nome ao quinteto. Para explicar a química por trás dessa parceria, alguém poderia cometer uma metáfora de alto risco: Guinga seria um diamante bruto lapidado pelos mestres joalheiros Paulo Sérgio Santos, Antonio Carlos Carrasqueira, Luis Carlos Justi, Philip Doyle e Aloysio Fagerlande. Mas nas melodias de Guinga tudo é muito delicado, não tem nada ali que possa ser chamado de bruto – nem mesmo evocando a imagem do diamante. Voltando ao estúdio: depois de gravar a primeira música, os seis pares de

ouvidos privilegiados param para ouvir o resultado. Para mim tudo soava perfeito, sem problemas, mas aí começam os comentários: – Guinga, vamos fazer esse ralentando no final um pouquinho mais lento? – Essa nota aqui poderia ser com menos intensidade... Por um momento, Guinga parece insatisfeito com seu violão: – O som desse violão não ficou legal, tá me incomodando muito... Deixa eu gravar mais uma, com o outro violão... É a busca insaciável do som perfeito, do tempo certo, da melhor dinâmica... Um andamento um pouco diferente pode mudar tudo... Eles percebem todos os detalhes. Até que alguém fala: – Peraí, assim também já é muito preciosismo. Mas, pensando bem, sem preciosismo não dá para fabricar uma joia preciosa. Reinaldo Figueiredo* *Reinaldo faz parte do grupo Casseta & Planeta e é contrabaixista da CEJ Companhia Estadual de Jazz.


Guinga – violão e voz


Luis Carlos Justi – oboé


Antonio Carlos Carrasqueira – flauta


Paulo SĂŠrgio Santos - clarinete


Philip Doyle - trompa


Aloysio Fagerlande - fagote


Porto da madama (Guinga) Um lundu, uma ladainha, um feitio de oração Na barriga de água benta leva a minha embarcação Paranoá como eu vou me chamar Maninha eu sei quem vai me batizar Na noite fria eu vou te consolar Serei vigia da agonia que o seresteiro cantar Dona mindinha, manduca piá Bela modinha vai me presentear Minha santinha agora eu sei cantar A senhorinha, o catavento Girassol vou lhe ofertar Pra você me perdoar


06 – Rasgando Seda

(Guinga/Simone Guimarães) Tapajós ”EMI” – Nowa

Arranjo – Paulo Sérgio Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão 07 – O coco do coco (Guinga/Aldir Blanc) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Vittor Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão 08 – Valsa de aniversário (Guinga) Direto

Arranjo – Paulo Aragão Quinteto Villa-Lobos 01 e 02 – Nem mais um pio/ Dá o pé, loro (Guinga/Sérgio Natureza) Tapajós ”EMI” – Direto (Guinga) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Paulo Sérgio Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão 03 – Ellingtoniana (Guinga) Direto

Arranjo – Vittor Santos Quinteto Villa-Lobos 04 – Nítido e obscuro (Guinga/Aldir Blanc) Tapajós ”EMI” – Miramar

Arranjo – Paulo Sérgio Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão 05 – Exasperada (Guinga/Aldir Blanc) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Paulo Aragão Quinteto Villa-Lobos

09 – Destino Bocaiúva

(Guinga/Aldir Blanc) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Vittor Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão e voz 10 – Vô Alfredo

(Guinga/Aldir Blanc) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Paulo Sérgio Santos Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão 11 – Passarinhadeira

(Guinga/Paulo César Pinheiro) Cordilheiras ”EMI” – Miramar

Arranjo – Paulo Aragão Quinteto Villa-Lobos 12 – Porto da Madama (Guinga) Tapajós ”EMI”

Arranjo – Paulo Aragão Quinteto Villa-Lobos Guinga – violão e voz


Guinga dedica esta obra ao radialista Mauricio Figueiredo (Rádio MEC). Ficha Técnica Produção Executiva Luis Carlos Pavan (Gargântua Produções) Coordenação Geral e Fotografia Careimi Ludwig Assmann (Gargântua Produções) Assistente de Estúdio/Produção Léo Justi Arte gráfica Eremin Ludwig Assmann Título bordado (capa) Tania Toro-Moreno Técnico de gravação e mixagem William Luna Jr. Assistente de gravação Daniel Alcoforado Masterizado no Reference Mastering Studio por Homero Lotito Gravado e mixado no estúdio II da Cia. dos Técnicos – Rio de Janeiro (RJ) em dezembro/2011. SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor Regional Danilo Santos de Miranda Superintendentes Comunicação Social Ivan Paulo Giannini Técnico-Social Joel Naimayer Padula Administração Luiz Deoclécio Massaro Galina Assessoria Técnica de Planejamento Sérgio José Battistelli SELO SESC Gerente de Audiovisual Silvana Morales Nunes Gerente Adjunta Ana Paula Malteze Coordenador Gilberto Paschoal Assistentes Bruno Carneiro João Zílio Ricardo Tifona Coordenação Administrativa Yumi Fujihira Sakamoto Apoio Administrativo Thays Heiderich Gerente de Artes Gráficas Hélcio Magalhães Gerente Adjunta Karina Musumeci Assistente Érica Dias



CD Rasgando Seda - Guinga e Quinteto Villa-Lobos