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L I G E T I

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A MÚSICA EM SEU TEMPO

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século XX foi palco de transformações radicais em diferentes áreas das realizações humanas, as quais resultaram em atritos entre arte, ciência e Estado. O campo da estética, que expandiu formidavelmente os horizontes criativos em todas as suas linguagens, teve seu território atacado por intervenções de regimes políticos que, em nome de novos modos de organização da sociedade, perpetraram violências de proporções assombrosas. O caso do compositor judeu-húngaro György Ligeti (1923-2006) é exemplar de um artista que experimentou os horrores dos regimes nazista e comunista, tendo sobrevivido à perda de familiares durante o Holocausto e sofrido com as sanções impostas pelos invasores soviéticos stalinistas, determinados a cercear qualquer criação que não fosse vinculada a um certo realismo otimista oficial, impedindo todo contato com as inovações musicais então em curso no Ocidente. Refugiado na cidade alemã de Colônia e estabelecido posteriormente em Viena e Hamburgo, Ligeti desenvolveu sua arte em busca da autonomia criativa irrestrita, pautada sempre pelos mais altos padrões intelectuais e pela relação franca com o ouvinte. Seu constante movimento de independência, mesmo em relação aos parceiros de geração como Stockhausen, Boulez ou Eimert, fez com que ele, refratário a qualquer ideologia e a quaisquer “ismos”, de certa feita dissesse: “Estou numa prisão. Uma parede é o passado, a outra é a vanguarda. Eu quero escapar”. A construção dessa rota de fuga o conduziu por variados modos de compor, influenciados sobretudo por desenvolvimentos teóricos feitos a partir de seu aprendizado musical, mas também pelo contato com outras formas de pensamento. Em sua música, a tensão entre o desenrolar histórico e a possível atemporalidade da arte se apresenta em desdobramentos complexos, irredutíveis a qualquer esquema simplista que seja fruto de audições apressadas. Esta é a primeira gravação de seu Concerto de Câmara por músicos brasileiros, em trabalho minucioso de Ricardo Bologna e do Percorso Ensemble. Ao dar continuidade à série + com esta homenagem a György Ligeti, o Sesc reafirma seu compromisso com a música de nosso tempo trazendo ainda Marcus Siqueira e Cláudio de Freitas, jovens e talentosos compositores de hoje, para comentarem artisticamente a obra desse mestre da arte sonora dos últimos 60 anos, que nos legou composições e procedimentos capazes de desafiar as contingências históricas com o valor inquestionável da liberdade de criação musical.

DANILO SANTOS DE MIRANDA Diretor Regional do Sesc São Paulo

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arece que finalmente sentimos novos ares dentro da história da música moderna no Brasil. Nos últimos 10 anos estamos apreciando e comemorando uma série de iniciativas que foram feitas para a divulgação da arte musical do nosso tempo. A criação de grupos que se dedicam a essa música como a Camerata Aberta, o Abstrai Ensemble e outros nos dão esperanças de que a luta vai continuar com certeza! Uma dessas iniciativas foi também a criação do Percorso Ensemble. Uma ideia que brotou há 10 anos e que insiste em existir e perseguir um só objetivo: a execução de obras do século XX, um dos períodos mais produtivos na história da música, e obras que estão sendo escritas no exato momento em que escrevo este pequeno texto; criações de compositores brasileiros, ou não, que precisam e devem ser tocadas, divulgadas e gravadas. Em 2007 o Percorso Ensemble lançou seu primeiro CD intitulado Berio +. A nossa ideia, minha e da flautista Cassia Carrascoza, foi fazer uma série “+”, que consiste em gravar um compositor contemporâneo consagrado unindo a afinidades sonoras de dois compositores brasileiros. Assim o Percorso Ensemble estaria de fato fomentando o repertório e tendo um papel pioneiro e definitivo na formação de ouvintes e público. Gravamos então as Folk Songs do compositor Luciano Berio, uma obra de referência do repertório do século XX, para inspirar a criação de duas obras brasileiras que dialogassem de maneira totalmente livre com a obra italiana. O convite foi feito a dois compositores: Eduardo Guimarães Álvares, mineiro radicado em São Paulo, compositor extremamente ligado às novas tendências da música experimental e contemporânea. Ele escreveu as Baladas para uma Cantora Fantasma do Rádio. Arrigo Barnabé, que nos apresentou Três Canções, foi o outro compositor. Paranaense também residente em São Paulo, que desenvolve uma linguagem musical pessoal na qual encontramos características marcantes da música popular brasileira. Dois compositores distintos confrontados a uma mesma fonte sonora.

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O CDLigeti+ guarda os mesmos objetivos, baseado no bem-sucedido CDBerio+.

Dessa vez a obra de referência que serviu de fonte de exploração foi a Kammerkonzert ou Concerto de Câmara do compositor György Ligeti, peça escrita entre 1969-1970, composta

para 13 instrumentistas. Obra pilar da música do século XX, Ligeti nos presenteia com uma gama de sonoridades única e inédita. Ouvir Ligeti é sem dúvida uma experiência sonora inesquecível.

Convidamos dois compositores brasileiros para se inspirar no grande mestre. Marcus Siqueira, mineiro, topou a empreitada e nos apresenta Kronos e Kairós, obra em que ele faz referência não só a Ligeti, mas também a um dos artistas que mais influenciou o compositor húngaro: Colon Nancarrow, americano/mexicano conhecido por suas peças escritas para pianola. Temos também outro mineiro participando. Claudio de Freitas compôs a Sinfonietta de Câmara, obra repleta de matizes sonoras à la Ligeti, mas com o toque personalíssimo típico desse jovem compositor brasileiro. Gostaria de agradecer ao senhor Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo, por acreditar sempre nas artes contemporâneas; à Ana Paula Malteze, diretora do Selo Sesc SP, que sempre nos apoiou; ao excelente produtor musical Uli Schneider, imprescindível para a realização deste projeto, à flautista Cássia Carrascoza; e ao pessoal do Teatro do Colégio Humboldt, por nos ceder tão gentilmente esse espaço maravilhoso para a gravação do Ligeti +. O ouvinte com certeza será surpreendido por essa experiência!

RICARDO BOLOGNA Diretor Musical e Regente 6 LIGETI.Encartefinal.indd 6

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CLAUDIO DE FREITAS Compositor

RICARDO BOLOGNA

Direção Musical e Regência

MARCUS SIQUEIRA Compositor

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MAGNÍFICA REALIZAÇÃO

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projeto Ligeti + do Percorso Ensemble e de seu regente Ricardo Bologna é muito ambicioso por várias razões: a figura do mestre hoje é incontestável, e promover aí um embate pode revelar-se algo arriscado, tanto para o intérprete quanto para o compositor. Por outro lado, a confrontação composicional não está menos exposta, pois a escrita de Ligeti não é apenas extremamente bem-sucedida, mas também referenciada como um dos picos da arte musical do século XX. Estabelecer uma perspectiva do Kammerkonzert com as obras de dois compositores brasileiros contemporâneos é uma ocasião para medir a influência do grande compositor húngaro sobre uma nova geração sul-americana e, ao mesmo tempo, funciona para ir ao encontro de outras formas de pensamento, certamente atuais, ainda fertilizadas pela extraordinária amplidão das intuições ligetianas que continuam a alimentar, passado quase um século, a reflexão sobre o fenômeno sonoro. Saudemos, pois, a magnífica realização do Percorso Ensemble para esta primeira gravação brasileira das obras constantes deste CD. Uma obra-prima Em György Ligeti (1923-2006), cada obra é a condensação de um “fluxo” de pensamento em que a matéria, em contínua transformação, tende a ir na direção da noção geral de metamorfose, um processo que garante e modifica a ligação orgânica entre todos os elementos do discurso, seja ao nível das polifonias, do ritmo e da agógica geral, seja ainda das texturas. Em Kammerkonzert (1969-1970), cada instrumentista é tratado equitativamente como virtuose. A denominação de Concerto é pois muito merecida, mesmo que não se 9 LIGETI.Encartefinal.indd 9

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trate aqui de alternância entre soli e tutti, distinção largamente ultrapassada no gênero desde Anton Webern e seu Konzert para nove instrumentos, de 1934, ou mesmo (e aqui podemos claramente ver uma homenagem de Ligeti) desde Alban Berg e seu Kammerkonzert para violino, piano e treze instrumentos de sopro, de 1925. Enfim, se o recorte em quatro movimentos (uma ideia que retoma Cláudio de Freitas em sua Sinfonieta) corresponde de certo modo ao esquema clássico, a própria substância musical induzida pelos diferentes tempi é de uma natureza totalmente outra, pois é em direção ao timbre que tende inteiramente essa magistral composição. O timbre ligetiano, tão particular, é obtido em grande parte pela superposição de linhas independentes, já que, ao contrário de seus ilustres predecessores, Ligeti articula as diferentes vozes simultaneamente, em uma técnica que contribui para fazer evoluir a noção de polifonia em direção à noção de textura. No entanto, cada movimento é contrastado. No primeiro, Corrente, Fliessend, para Maedi Wood, altamente polifônico, o trabalho concluído por Ligeti no ano anterior, em sua obra para grande orquestra Lontano, é retomado e adaptado para a maior diferenciação dos timbres de um conjunto de câmara. Essa polifonia, de algum modo saturada, antecipa os parâmetros “secundários” da cor, do ambitus ou ainda do registro, e essa estagnação movediça de um tempo que escorre continuamente quase sem noção de começo nem de fim autoriza essa definição bouleziana de temps lisse, não mensurável pelo ouvido em termos de proporção ± uma antinomia do tempo que pulsa, estriado, rítmico. O segundo movimento, Calmo sostenuto, para Traude Cerha, é, ao contrário, quase totalmente estático e homófono. O caráter orgânico do começo ilustra bem a noção de superfície sonora, cuja estética e estrutura rompem definitivamente com o serialismo. Ainda aqui, a proximidade de Lontano faz-se sentir, e o simples intervalo, puro, de trítono leva ao episódio central contrastante, de certa forma vivo. É um momento que já anuncia a escrita das figuras de Melodien, característica dessas volutas melódico-rítmicas que vão 10 LIGETI.Encartefinal.indd 10

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desacelerando até a absorção na sonoridade inicial, encontrada por meio de coda: essa forma Lied, que de algum modo Ligeti revivifica, mostra o uso que se pode fazer da tradução quando as ideias musicais ultrapassam a simples noção de esquema, inscrevendo-se numa lógica orgânica de desenvolvimento. O terceiro movimento, Movimento preciso e meccanico, para Friedrich Cerha, é anunciado por Ligeti como “mecânico” tal qual um relógio. Ele mesmo confessa, aliás, que desejava um movimento que tivesse como modelo seu próprio Poema Sinfônico para cem metrônomos. Com uma curta introdução em “soluços”, sucede um ostinato rítmico implacável, com superposições de diferentes velocidades. Na verdade, um movimento como esse escapa, em todos os aspectos, dos métodos tradicionais de investigação, pois, em Ligeti, a relação entre som e notação é atrapalhada e, consequentemente, dificulta aquilo que poderia acontecer entre notação e percepção. O quarto e último movimento (Presto, para Walter Schmieding) é de um virtuosismo tresloucado. A maneira indistinta de entrar no tema com uma velocidade vertiginosa e, depois, encontrar elementos rítmicos no interior dos estratos assim compostos não impede breves homenagens a Schönberg, e isso até o curto motivo das madeiras evocado, de modo quase sobrenatural, pela Sinfonia de Câmara. O gosto de Ligeti por tessituras extremas encontra-se aqui associado a verdadeiras guirlandas de notas tocadas simultaneamente no grave e no agudo, e numa curta cadência do contrabaixo, cuja velocidade de arco parece quase sobre-humana. Enfim, o intervalo de trítono, tão caro ao compositor, reaparece para depois amplificar-se num repentino estatismo antes de provocar a última queda do clarinete, irônico, quase sarcástico, sobre ecos compostos de celesta... A riqueza dos timbres, a articulação pontilhada da mais ínfima parte do conjunto, o fervilhar genial das ideias e o rigor com que são ordenadas, a ciência do equilíbrio e da beleza de certos cantos, tudo isso concorre para fazer de Kammerkonzert uma obra-prima absoluta, uma referência durável e uma obra de incomensurável dimensão. 11 LIGETI.Encartefinal.indd 11

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Duas obras novas Em sua outra peça, Kronos & Kairós ± Um Retrato de Nancarrow e Ligeti, o procedimento do compositor Marcus Siqueira está diretamente ligado com a obra desses dois compositores. Ela busca essencialmente, por meio de jogos sutis e complexos, tornar misteriosos certos motivos melódicos tirados dos Estudos (Vertigem, Cordas, Arco-íris, Branco sobre Branco) com fragmentos dos estudos pianísticos de Conlon Nancarrow. Esse compositor dedicou-se à exploração metódica de fenômenos rítmicos muito complexos, como a polirritmia, a politemporalidade ou ainda o cânone da proporção, princípios aplicados quase exclusivamente ao piano mecânico. Esse instrumento, hoje em desuso, era capaz, por sua extrema precisão, de tornar audíveis as multipolifonias e as multipolirritmias engendradas pelas superposições dos diferentes estratos temporais. Nancarrow exerce, ainda hoje, certa influência (para não dizer fascinação) nos jovens compositores, enquanto, em vida, era praticamente desconhecido. Ligeti foi um dos primeiros músicos europeus a se interessar por seu trabalho, já que compartilhava uma preocupação em relação a ritmo. Em Siqueira, a sobreposição de motivos pianísticos dos dois compositores, assim como a mixagem de uma matéria original relativamente reduzida de fraseados longos emprestados de outras obras, além das pianísticas (no caso de Ligeti, o primeiro tema do segundo movimento do Concerto para violino, estratos de Nonsense Madrigals ou ainda de Continuum para cravo), tudo isso tende a recompor os elementos de influência no imediatismo da audição sintética e a banir de algum modo a cronologia histórica que queria que um músico resultasse obrigatoriamente da assimilação de um outro. Numa certa dimensão divergente, a do tempo “aleatório” da escuta, a obra é composta como um tipo de colagem-montagem e se inscreve numa temporalidade não linear,

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impulsionada pelo Kairós, cuja característica é precisamente a noção de ruptura, contrária então à noção linear do Chronos, que é um tempo físico. Essa dialética favorece, no plano composicional, aquilo que poderia ser visto como a sucessão de pontos decisivos de queda brusca, com a noção de um antes e um depois, com os motivos emprestados criando a profundidade de campo e levando consequentemente a uma outra percepção do universo sonoro: uma percepção imaterial do tempo, não medida pelo agógico ou pela iteração, mas pelo ressentido. A Sinfonietta, de Cláudio de Freitas, tem natureza completamente diferente. De grande dimensão e construída quase classicamente em quatro movimentos, ela quer de uma só vez definir o campo sonoro total, com a ajuda de todos os recursos de um conjunto orquestral tratado muitas vezes de modo quase “sinfônico”, em que estão representados quase todos os timbres, à exceção da percussão em três movimentos. No Allegro molto moderato inicial, as ideias musicais estão divididas em sequências, reunidas depois em fermatas. Aqui, é a energia que domina, a noção de desenvolvimento dá lugar à alternância de episódios contrastantes, às vezes muito calmos, e o elemento comum pode ser o da cor, de matiz relativamente solene, atravessada de repente por estampidos. O fundamento do segundo movimento, Tutto è cinque!, é radicalmente simples: toda a matéria musical encontra-se, na verdade, encerrada numa medida única de 5/2, e a mínima vale, imutavelmente, uma segunda. Nessa medida de “cinco segundos” estão enunciados os dois pequenos motivos principais de cinco sons, cujo princípio constante de aceleração/variação será o principal elemento de desenvolvimento. A forte conotação diatônica ou cromática dos motivos tirados de obras do primeiro período do mestre remete evidentemente, e de modo implícito, ao estilo de Ligeti, enquanto alguns empréstimos tirados das Apparitions vêm colorir com efeitos irônicos a matéria tratada aqui em moto perpétuo. 13 LIGETI.Encartefinal.indd 13

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O terceiro movimento, de extrema brevidade, é um tipo de parêntese, de inserção estrategicamente disposta. Ele funciona de certo modo como uma anacruse ao movimento seguinte; pela recapitulação do princípio da superposição de elementos e pelo estatismo engajado pelo sistema provoca um efeito de desejo tão forte por uma recentragem rítmica, que ele pede a resolução de um enigma. O quarto movimento abre-se, então, logicamente sobre uma afirmação, um tipo de marcha lenta, Adagio molto, con rigore, levada por pesados e sonoros acordes implacáveis do piano no grave, realçados por pontuações metálicas das trompas e do trombone, numa textura de conjunto composta de figurações rápidas de todos os instrumentos de sopro e de cordas. Esse primeiro gesto, elementar, desemboca num episódio em fermata, suspensivo, colorido por figuras harmônicas nas cordas (emprestadas das Ramifications), até que a marcha é retomada e transformada em coral, mas de uma forma assimétrica ± uma homenagem declarada a Olivier Messiaen. Segue um potente ostinato marcado pela sonoridade do cravo, que desemboca num lamento confiado ao corne inglês de caráter primeiramente litúrgico, depois logo se desenvolvendo em figuras enérgicas que se metamorfoseiam e se fundem no episódio seguinte, uma espécie de fugato relativamente clássico que serve de transição para um final que associa uma retomada da marcha numa conclusão completamente épica ± eis aí uma maneira de fechar essa Sinfonietta com certa ênfase, o que, no entanto, contradiz in extremis o desatar abrupto dos últimos compassos. Percebe-se que a ideia genérica que subentende o procedimento composicional é, no fundo, relativamente semelhante nos dois compositores brasileiros reunidos nesta gravação. Trata-se de um postulado de base: propor uma espécie de retrato cruzado a partir de uma colagem de citações. Esse sistema, que permeia a obra como um princípio, induz a uma matéria musical não decorrente da própria escrita, mas proveniente das referências escolhidas livremente, ainda que de procedimentos imitativos, tomadas no seio de matérias emprestadas e preexistentes à escrita da nova obra. Essa técnica de montagem não 14 LIGETI.Encartefinal.indd 14

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mais permite, num dado momento, inscrever-se na lógica do Durchführung do modelo escolhido, mas, ao contrário, possibilita a sucessão rápida de episódios, de instantes dados, organizados sequencialmente ao modo de um videoclipe. Esse estilo de narrativa, privilegiado por inúmeros compositores jovens, é a marca indiscutível das novas tendências composicionais que não se alimentam mais exclusivamente dos modelos tomados como exemplos, mas do conjunto das matérias à disposição. Essa somatória de informações adquiridas em um vasto banco de dados, cujo acesso é atualmente ilimitado, autoriza proximidades semânticas inéditas, ainda ontem impensáveis.

WILLIAM BLANK

Compositor. Professor de Composição da “Haute École de Musique de Lausanne” Diretor Artístico do “Ensemble Namascae”

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GYÖRGY LIGETI CONCERTO DE CÂMARA PARA 13 INSTRUMENTISTAS

BARRY Editorial, Com., Ind., S.R.L. representante exclusivo SCHOTT MUSIC GmbH & Co. KG MAINZ

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Corrente Calmo, sostenuto Movimento preciso e meccanico Presto

CÁSSIA CARRASCOZA PETER APPS SERGIO BURGANI NIVALDO ORSI SAMUEL HAMZEM DARCIO GIANELLI HORÁCIO GOUVEIA LUCIA CERVINI SIMONA CAVUOTO ANA DE OLIVEIRA ELISA MONTEIRO DOUGLAS KIER CLÁUDIO TOREZAN

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Flauta, Flautim Oboé, Oboé D’amore, Corne Inglês Clarineta Clarineta 2 e Clarone Trompa Trombone Piano e Celesta Cravo e Órgão Hammond Violino 1 Violino 2 Viola Violoncelo Contrabaixo

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ês

MARCUS SIQUEIRA

CLÁUDIO DE FREITAS

KRONOS & KAIRÓS UM RETRATO PARA NANCARROW & LIGETI

SINFONIETTA PARA ORQUESTRA DE CÂMARA

CÁSSIA CARRASCOZA SERGIO BURGANI DÁRCIO GIANELLI HORÁCIO GOUVEIA LUCIA CERVINI SIMONA CAVUOTO ELISA MOTEIRO DOUGLAS KIER CLÁUDIO TOREZAN

Flauta Clarineta Trombone Piano Cravo, Órgão e Celesta Violino Viola Violoncelo Contrabaixo

Allegro molto moderato Tutto è cinque! 3/4: A+A, B+B, C+C, D+D, A+B Adagio molto con rigore – Rondo CÁSSIA CARRASCOZA PETER APPS SERGIO BURGANI NIVALDO ORSI SAMUEL HAMZEN DÁRCIO GIANELLI SERGIO COUTINHO HORÁCIO GOUVEIA LUCIA CERVINI SIMONA CAVUOTO ANA DE OLIVEIRA ELISA MONTEIRO DOUGLAS KIER CLÁUDIO TOREZAN

Flauta, Flautim, Flauta em Sol Oboé, Oboé D’amore Clarineta, Requinta Clarineta 2, Clarone Trompa Trombone Percussão Piano, Celesta Cravo, Órgão Violino 1 Violino 2 Viola Violoncelo Contrabaixo

REGÊNCIA

RICARDO BOLOGNA

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DÁRCIO GIANELLI

SÉR

CASSIA CARRASCOZA NIVALDO ORSI CLÁUDIO TOREZAN

SERGIO COUTINHO ANA DE OLIVEIRA SAMUEL HAMZEN

HOR

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SÉRGIO BURGANI

DOUGLAS KIER SIMONA CAVUOTO

ELISA MONTEIRO

O PETER APPS HORÁCIO GOUVEIA

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LUCIA CERVINI

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RICARDO BOLOGNA Fundador do Percorso Ensemble, Timpanista solista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Professor do Departamento de Música da ECA/USP e Regente principal convidado da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (Osusp) para a temporada de 2012/2013. Tem se destacado como percussionista em diversos concertos e festivais pelo mundo e também como um dos mais promissores regentes de sua geração. Foi vencedor do II Concurso Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2002). Regeu a Orquestra de Câmara da Osesp, as Sinfônicas do Conservatório de Genebra, Orquestra de Câmara de Curitiba, Banda Jovem do Estado de São Paulo, Orquestra de Câmara do Amazonas, Filarmônica de Minas, Camerata Aberta, entre outras. Atualmente recebe orientação em regência do Prof. Kenneth Kiesler (Universidade de Michigan ± EUA), um dos mais conceituados formadores de regentes no mundo. Seus principais professores foram Elizabeth del Grande, John Boudler, William Blank, Yves Brustaux e Robert Van Sice. MARCUS SIQUEIRA Nascido em Caratinga, MG, estudou composição com Willy Corrêa de Oliveira.

Recebeu três bolsas de criação musical mais significativas do país (Funarte, Fundação Vitae e RioArte). No Brasil, as orquestras Osesp, sob a regência de Joana Carneiro, OSN e OSRTC, Lutero Rodrigues, OFMG, Marcos Arakaki, Osusp, Carlos Moreno e OSUFRJ, Ernani Aguiar, estrearam algumas de suas peças. Possui CDs gravados com obras solo, camerísticas e orquestrais (selo Paulus, Água-Forte, Sesc, entre outros), destacando o CD Marcus Siqueira por Gilson Antunes todo voltado ao violão solo (selo Água-Forte). Ao lado da violinista Simona Cavuoto, idealizou o CD O Violino na Metrópole de compositores brasileiros contemporâneos (Selo Água-Forte - Edital Proac 2010). CLÁUDIO DE FREITAS Nasceu em Belo Horizonte. Foi fagotista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e contrafagotista solista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) por 12 anos. Formou-se no Harid Conservatory, Boca Raton, Flórida, na classe do Prof. Arthur Weisberg. É Mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (USP). Considerado “um talento promissor para a composição” (Sun-Sentinel, South Florida), já teve suas obras executadas nos EUA, Argentina e pelas orquestras Petrobras Sinfônica, Filarmônia de Minas Gerais,

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Sinfônica de Sergipe, Filarmônia do Espírito Santo, Sinfônica da UPS, Sinfônica da Bahia, Camerata Antiqua de Curitiba e Osesp. Suas partituras foram publicadas pela Editora Criadores do Brasil para a qual também revisou e editou a Sinfonia nº 3 de Heitor Villa-Lobos, “A Guerra”, gravada para o selo BIS em fevereiro de 2011. CASSIA CARRASCOZA flautim, flauta e flauta contralto Nasceu em São Paulo. Primeira flauta do Teatro Municipal de São Paulo e da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo. Doutoranda em musicologia pela USP. Estudou com István Matuz na Academia Liszt Ferenc de Budapeste. Recebeu Prêmio APCA 2010 (Associação Paulista dos Críticos de Arte) com a Camerata Aberta. É integrante do Duo Graffiti, Percorso Ensemble e professora na Emesp ± Escola de Música do Estado de São Paulo. PETER APPS oboé, oboé d’amore e corne inglês Nasceu em Londres. Sua formação inclui o Trinity College London e a Universidade de Massachusetts, onde concluiu mestrado. No Brasil desde 1998, é da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e na Bachiana Filarmônica Sesi-SP. É professor do Instituto Baccarelli. Recebeu os prêmios Insight Music Award e o

Anna Innstone Memorial Award. Peter gravou com os selos Meridian Records (Reino Unido) e BIS (Suíça) e hoje possui um portfólio de mais de 30 gravações. SÉRGIO BURGANI clarineta, clarineta requinta Nasceu em São Bernardo (SP). Foi aluno de Rafael Gallardo Caro e José Máximo Ribeiro Sanches. É clarinetista da Osesp e professor na Unesp e da Faculdade Cantareira. É membro dos grupos Percorso Ensemble e Sujeito a Guincho. Com este último, recebeu duas vezes o Prêmio Eldorado e o Prêmio Sharp. Em parceria com o luthier Odivan de Santana, pesquisa madeiras brasileiras para clarinetes da marca Devon & Burgani. NIVALDO ORSI clarineta e clarone Iniciou seus estudos no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, com o professor José Teixeira Barbosa. Bacharel em música pela Universidade Estadual de Campinas. Foi professor na Faculdade Mozarteum de São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas. É membro do quinteto de clarinetas “Sujeito a Guincho”, ministra aulas de clarineta na USP-Ribeirão Preto e integra o quadro de músicos da Osesp.

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SAMUEL HAMZEM trompa Nasceu em Belo Horizonte. Foi 1ª trompa na Orquestra Filarmônica do Estado de Goiás, e nas orquestras Filarmônica de Brasília e da Universidade de Brasília, onde cursou Bacharelado. Integrou o quinteto de metais Brazilian Brass, indicado para o prêmio OK de Cultura. Atuou como trompista principal da Orquestra do Pacific Music Festival, no Japão. Integrante da Osesp e da Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP, e professor da Faculdade Cantareira em São Paulo. DÁRCIO GIANELLI trombone Iniciou seus estudos de trombone com seu pai. Bacharel em trombone pela Faculdade Mozarteum de São Paulo. Mestre pela Juilliard School. Venceu o concurso Tilden Prize, em Nova Iorque, Lewis Van Haney Philharmonic Prize, em Nashville. Foi da Orquestra Experimental de Repertório, Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e Orquestra Sinfônica da Galícia em La Coruña, Espanha. Integrante da Osesp. HORÁCIO GOUVEIA piano e celesta Pianista, doutor em musicologia pela USP. Foi bolsista do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), tendo estudado na Universidade Albert Ludwig em Freiburg. Professor da Faculdade de Artes Alcântara Machado e da

Escola de Música do Estado de São Paulo. Foi pianista da Camerata Aberta da Emesp (Prêmio APCA de 2010) e atuou como solista sob a regência de Guillaume Bourgogne. Integra o Trio Arqué e o Percorso Ensemble. LÚCIA CERVINI cravo, órgao hammond e celesta Doutora em Música pela Unicamp. Realizou Estágio de Doutorado com orientação de Mikhail Malt no Ircam (FR) e integrou o Atelier Piano Contemporain da pianista Martine Joste (FR) em Paris. Participou do V International Piano Duo Competition em Tóquio ( JP). É Professora Adjunta da Universidade Federal de Pelotas e co-fundadora do NuMC - Núcleo de Música Contemporânea da UFPel. SÉRGIO COUTINHO percussão Iniciou seus estudos de percussão na Escola Municipal de Música de São Paulo. Foi solista convidado da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e percussionista convidado das orquestras de Ribeirão Preto, Sinfônica da Universidade de São Paulo e Sinfônica Brasileira. Bacharel pela Unesp, foi membro do grupo PIAP. É o primeiro percussionista e assistente de tímpanos da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. SIMONA CAVUOTO violino Nascida em Rimini (Itália), formou-se pelo

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Conservatório de Música G. Martini de Bolonha. Premiada nos concursos Concorso Internazionale di Musica da Camera di Caltanissetta, Concurso F. Schubert, entre outros. Integra a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, o Trio Arqué e colabora com a Camerata Aberta. Lançou seu primeiro disco solo O Violino na Metrópole, com obras de autores brasileiros contemporâneos. DOUGLAS KIER violoncelo Nascido em Cleveland, EUA. Frequentou a Northwestern University, em Illinois, e fez mestrado em Cleveland Institute of Music. Foi professor do Allegheny College e do Westminster College, na Pensilvânia. Como intérprete e professor participou de diversos festivais, como os de Aspen, Keystone, o Strings in the Mountains, no Colorado, e o Bay View Music Festival, em Michigan. Foi professor na Unesp e integra a Osesp. CLÁUDIO TOREZAN contrabaixo Nasceu em Valparaíso. Estudou no Conservatório de Tatuí. Aperfeiçoou-se em contrabaixo na Universidade de Artes de Berlim sob orientação de Rainer Zepperitz. Foi contrabaixista da Jeunesses Musicales World Orchestra, da Junge Deutsche Philharmonie, da Osusp e da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Foi professor do Conservatório de Tatuí. Integra a

Osesp. Desenvolve atividade pedagógica na Emesp. ANA DE OLIVEIRA violino Nasceu em São Paulo, graduou-se na Staatliche Hochschule für Musik em Freiburg. Como solista atuou na Osesp, Heidelberger Kammerorchester e Orquestra Filarmonica da Italia, entre outras. Foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira e também da Camerata Rio Strings, cujo CD Fantasia Brasileira (Biscoito Fino) foi indicado ao Grammy. Atua como camerista ao lado de Egberto Gismonti, entre outros. É integrante do Trio Puelli. ELISA MONTEIRO viola Iniciou os estudos musicais ao piano com sua mãe e violino no Sesc. Integrou a Orquestra Experimental de Repertório. Bolsista da Northern Illinois University, integrou a Orquestra Internacional do Instituto Attergau, na Áustria. Participa das turnês internacionais da Jeunesses Musicales World Orchestra e integra − como musicista convidada − o naipe de violas da Osesp. É do Quarteto Erfos e do duo de violas Corda Dupla.

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THE MUSIC IN ITS TIME The twentieth century has seen radical changes in different areas of human activity which resulted in clashes between the arts, sciences and the state. The area of Aesthetics, which formidably expanded its creative horizons in all its media, was assailed by interventions from political regimes, that, while aiming at new ways of organizing society, committed violent acts of staggering proportions. The case of György Ligeti (1923-2006), a Hungarian-Jewish composer, is a pertinent example of an artist who has experienced the horrors of both the Nazi and Communist regimes. Having survived the loss of family members during the Holocaust, Ligeti suffered from the sanctions imposed by the Stalinist Soviet invaders, who were determined to depreciate any creation that was not linked to an official and optimistic realism, preventing all contact with the musical innovations that were being undertaken in the West. As a refugee living in the city of Cologne, Germany, Ligeti later settled in Vienna and Hamburg, where he developed his art in search of unrestricted creative autonomy, always guided by the highest intellectual standards and by a frank relationship with his listeners. His constant movement towards independence, even from such colleagues of his generation as Stockhausen, Boulez or Eimert, led Ligeti ± re-

fractory to any ideology and to any “isms”± to say: “I am in prison. One wall is the past, and the other is the vanguard. I want to escape”. The construction of this escape route led him through various modes of composing, influenced mainly by theoretical developments from his musical apprenticeship, but also by contact with other ways of thinking. In his music, the tension between history and the potential timelessness of art presents itself in complex developments, irreducible to any simplistic scheme that results from hasty auditions. This is the first time that Ligeti’s Chamber Concerto will be recorded by Brazilian musicians, in a meticulous enterprise undertaken by Ricardo Bologna and the Percorso Ensemble. By continuing the series + with this tribute to György Ligeti, SESC reaffirms its commitment to the music of our time, inviting Marcus Siqueira and Cláudio de Freitas, two talented, young composers, to artistically comment on the work of this master of the sound art from the last sixty years, which produced compositions and procedures capable of challenging the historical contingencies with the unquestionable value of freedom in music creation.

Danilo Santos de Miranda Regional Director of Sesc São Paulo

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Ricardo Bologna It seems that we are finally injecting fresh air into the history of modern music in Brazil. Over the past ten years we have been celebrating and enjoying a number of initiatives that were created in order to promote the musical art of our time. The recent establishment of such groups as the Camerata Aberta, the Abstrai Ensemble and other groups dedicated to contemporary music gives us hope that the fight will continue! One of these initiatives was the founding of the Percorso Ensemble, an idea that began ten years ago and continues to pursue a single objective: the execution of works from the twentieth century, one of the most productive periods in the history of music, as well as works that are being written at the exact moment I write this small text, new creations by composers from Brazil and from other countries, works that need to be played, publicized and recorded. In 2007, the Percorso Ensemble released its first album, “Berio +”. Cassia Carrascoza and I had the idea to do a series of recordings called“+”, in which the work of a renowned international contemporary composer would be united with the sound affinities of two Brazilian composers. In this way, the Percorso Ensemble would stimulate a new repertoire, playing a pioneering and definite role in the education of listeners and audiences.

We recorded composer Luciano Berio’s “Folk Songs”, a landmark work from the twentieth century, in order to inspire the creation of two Brazilian works which could freely dialogue with the work of the Italian musician. Two composers were invited. Eduardo Guimarães Álvares, born in Minas Gerais and transplanted to São Paulo, is a composer who is in the forefront of recent directions in experimental and contemporary music. For this project, he composed the piece“Baladas para uma Cantora Fantasma do Rádio” [Ballads for a Ghost Radio Singer]. Arrigo Barnabé, the other composer, contributed the piece“Três Canções” [Three Songs] to the project. A native of Paraná, Barnabé also lives in São Paulo, and has developed a distinctive musical language in which remarkable features of Brazilian popular music are present. Two distinct composers, confronted by the same sound source. The album Ligeti + has the same goals as Berio +, and is inspired by its sucess. This time, the reference work that served as the inspiration for the project was the Kammerkonzert (Chamber Concerto) by György Ligeti, written between 1969 and 1970 for thirteen musicians. In this fundamental work of the twentieth-century, Ligeti presents us with a range of unique and previously unheard-of sonorities. Listening to Ligeti is without a doubt an unforgettable experience.

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We again invited two Brazilian composers to allow themselves to be inspired by a great master. Marcus Siqueira, from Minas Gerais, accepted the challenge and has contributed Kronos e Kairós, a work which refers not only to Ligeti, but also to one of the composers who most influenced the Hungarian composer: Colon Nancarrow, a Mexican-American composer best known for his works written for the pianola. Claudio de Freitas, another composer from Minas Gerais, wrote the Sinfonietta de Câmara [Chamber Symphoniette], a work full of Ligetian sound hues, but with a highly personal touch typical of this young Brazilian composer. I would like to thank Mr. Danilo Santos de Miranda, Regional Director of the SESC-SP, for always believing in the contemporary arts; Ana Paula Malteze, director of the SESC-SP Label, who always supported us; the excellent music producer Uli Schneider, who was essential for this project; flutist Cássia Carrascoza; and the staff from the Theatre of Humboldt College, who kindly granted us a wonderful space for recording “Ligeti +”. We hope that the listener will be surprised by this experience!

William Blank The Ligeti + Project, the creation of conductor Ricardo Bologna and the Percorso Ensemble, is an ambitious one. Because Ligeti’s importance is undeniable, it is perhaps risky to contrast his works with those written by others, for the performers as well as for the composers. A compositional comparison, or confrontation with the work of Ligeti, a towering figure of twentieth century musical art music, has the potential to leave one exposed. Placing Kammerkonzert in the context of the works of two contemporary Brazilian composers allows us to assess the influence of the great Hungarian composer on a new SouthAmerican generation, and at the same time, to establish a dialogue with the diverse contemporary viewpoints which reflect his influence. Almost half a century later, the extraordinary range of Ligeti’s insights continue to stimulate thinking regarding sound phenomena. It is for this reason that the magnificent achievement by the Percorso Ensemble in presenting the first Brazilian recording of these works, is particularly welcome. A masterpiece In the work of György Ligeti (19232006), each composition is a condensed river of thought, in that the material is in continuous transformation, embodying the general concept of metamorphosis, a process that ensures and develops the organic link between all elements

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of the discourse, in terms of polyphony, rhythm, agogic accent or texture. In Kammerkonzert (1969-1970), each musican is treated equally, as a virtuoso. The title Concerto is thus very apt, although it does not refer to the alternation between solo and tutti, a distinction which had been considerably displaced in the genre by Anton Webern ‘s Konzert for nine instruments from 1934, or by Alban Berg’s Kammerkonzert for violin, piano and thirteen wind instruments from 1925, to which Ligeti clearly pays tribute. Although the piece’s division into four movements (an idea that Claudio de Freitas includes in his Sinfonieta) corresponds in a certain way to the classical model, the musical substance itself, which is delineated by different tempi, has a completely different nature, for it is timbre which this masterful composition is emphasizing. The very distinctive Ligetian timbre is obtained largely by the superposition of independent lines, since, unlike his two renowned predecessors, Ligeti articulates different voices simultaneously, a technique that helps the concept of polyphony to evolve into that of texture. Each movement has a contrasting character. The first movement, Corrente, FliesSSend, for Maedi Wood, is highly polyphonic and uses the same techniques as Ligeti’s large orchestral work completed the previous year, Lontano, in order to create a greater differentiation of tim-

bres in the chamber ensemble. This polyphony, which is, in a way, saturated, highlights the secondary parameters of color, ambitus, register, and the mobile stagnation of time that continuously elapses, almost without perceivable beginning or end, embodies to the Boulezian concept of temps lisse, not measurable by the ear in terms of proportion, in opposition to striated, pulsating rhythmic time. The second movement, entitled Calmo sostenuto, for Traude Cerha, is on the contrary almost completely static and homophonic. The organic nature of the beginning of the movement illustrates the notion of sound surface, whose aesthetics and structure definitively break with serialism. Here too, one can feel the proximity with Lontano, and the simple and pure interval of a tritone characterizes the contrasting central episode. It is a moment that foreshadows the figures from Melodien, characteristic of these melodious and rhythmic arabesques which decelerate until they absorb the initial sound, found in the coda: this Lied form, which Ligeti revives, in a way, displays the way in which tradition can be utilized so that the musical ideas go beyond the simple notion of schema and become part of an organic developmental logic. The third movement, Movimento preciso e meccanico, for Friedrich Cerha, is described by Ligeti as “mechanical”, clock-like. Ligeti confessed that he used his Symphonic poem

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for one hundred metronomes as a model for the movement. A short “sobbing” introduction is followed by a relentless and rhythmic ostinato with various superimposed velocities. Indeed, a movement such as this one does not lend itself to traditional methods of analysis, for in the compositions of Ligeti, the relationship between sound and notation is blurred, and consequently it is difficult to analyze the dynamic of notation and perception. The fourth and final movement, entitled Presto, for Walter Schmieding, is characterized by a savage virtuosity. The indistinct manner with which the theme enters at a breakneck speed and in which rhythmic elements within the strata are presented does not impede a brief homage to Schoenberg, in the form of a brief motive in the winds which evokes almost supernaturally the Chamber Symphony. Ligeti’s taste for extreme tessitura is on display here, with garlands of notes simultaneously played in the upper and lower registers, and a short cadenza in the bass, with its almost superhuman bow speed. Finally, the tritone interval, so esteemed by the composer, returns and is then expanded upon in a sudden inactivity before provoking the last statement of the clarinet, ironic, almost sarcastic, dwindling over the echoes of the celesta... The wealth of timbres, the pointed articulation of the smallest part of the whole, the ingenius abundance of ideas, and the rigor with which they are organized, the skillful balance

and beauty of the melodies, all of these elements contribute to the establishment of the Kammerkonzert as an absolute masterpiece, a permanent landmark and a work of immeasurable significance. Two New Works In his Kronos & Kairos ± a portrait of Nancarrow and Ligeti, Marcus Siqueira’ compositional approach can be traced directly to that of the two composers. In essence, he seeks through complex and subtle games to create an element of mystery surrounding various melodic motifs drawn from Ligeti’s Piano Etudes (Vertige, Cordes à vide, Arc-en-ciel, White on white) with fragments from Conlon Nanacarrow’s Piano Studies. The composer devotes himself to the systematic exploration of very complex rhythmic phenomena such as polyrhythms, polytemporality or even the nature of proportion, principles applied almost exclusively to the mechanical piano. This instrument, now obsolete, was able, due to its extreme precision, to make audible complex polyphony and multi-polyrhythms generated by layering different time strata. Nancarrow exerts a certain influence (not to say fascination) on young composers today, but was virtually unknown during his lifetime. Ligeti was one of the first European musicians to become interested in his work due to their common rhythmic concerns.

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In Siqueira’s work, the superposition of piano motifs from Ligeti and Nancarrow’s pieces, combined with a relatively reduced original material comprised of long phrases borrowed from other additional pieces (from Ligeti, the first theme of the second movement of Violin Concerto, extracts from Nonsense Madrigals and the Continuum for harpsichord), serves to recompose the elements of influence in the immediacy of auditive synthesis, and to dispel the notion of historical chronology that implies that a composer’s work should necessarily be the product of the assimilation of another’s. In a diverging dimension, that of aleatoric perception of time, the work is composed of a sort of collage-assembly and is part of a nonlinear temporality, generated by Kairos, which is characterized precisely by the notion of rupture, as opposed to the linear notion of Chronos, a physical sense of time. This dialectic, in a compositional plan, favors what could be seen as a succession of abrubt breaking points, with implying a sense of before and after, in which the borrowed motifs create a depth of field and, consequently, lead to a different perception of the sound universe: an immaterial perception of time which is not measured by the agogic accent or repetition, but rather by sentiment. Claudio de Freitas’Sinfonietta is of a completely different nature. With its large dimensions and almost classical construction in four movements, the work aims to immediately

define the total sound field using all of the resources of the orchestral ensemble, which is almost“symphonically”, in that all of the timbres are represented, with the exception of the percussion in three of the movements. In the initial Allegro molto moderato, musical ideas are divided into sequences seperated by fermatas. Here, it is the energy that dominates, and the concept of development is replaced by the alternation of contrasting episodes which are at times very calm; the common element here is perhaps that of tone color, a quite solemn hue, suddenly broken up by crashes. The foundation of the second movement, Tutto è cinque!, is radically simple: all the musical material is embedded in a ratio of 5/2, and the half note is immutably worth one second. In the space of five seconds, two small main motifs of five sounds are declared, and the principle of constant acceleration-variation becomes the main means of development. The strong diatonic or chromatic connotation of the motifs, drawn from works from Ligeti’s early period of, clearly refers, in an implicit way, to Ligeti’s style, while some borrowings from Apparitions suffuse the subject matter, treated here in moto perpetuo, with ironic effects. The third movement, extremely brief, is a kind of parenthesis, a strategically placed insertion. It serves as an anacrusis to the next movement: the recapitulation of the principle of superposition of elements, and the inactivity

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created by the system causes such a strong desire for a rhythmic refocus that it demands the resolution of an enigma. The fourth movement logically opens with a statement, a kind of slow march, Adagio molto, con rigore, driven by the heavy, relentless bass chords in the piano, intensified by metallic punctuation from the horns and trombones, in an ensemble texture consisting of rapid figurations played by the winds and strings. This first elementary gesture leads to a suspended fermata episode, colored by harmonics figures in the strings (borrowed from Ramifications), until the march returns and is transformed into a choral, but asymmetrically Âą a clear tribute to Olivier Messiaen. Then follows a powerful ostinato marked by the sound of the harpsichord, which leads to a liturgical lament played by the English horn, which rapidly develops into energetic figures that metamorphose into the next episode, a relatively classical fugato that serves as a transition to the finale which resumest the march in with epic dimensions In this way the Sinfonietta concludes with a certain emphasis which however contradicts in extremis the unleashing of the last techniques. One percieves that the general idea underlying the compositional approach of the two Brazilian composers represented in this recording is relatively similar. The basic premise is to represent a sort of cross portrait through the use of a collage of quotations. This system, which

permeates the work, creates a musical material which is not derived from the composition itself, but from references freely chosen through imitative processes, borrowed from pre-existing materials. This collage technique, at a certain level, does not comply with the DurchfĂźhrung logic of the chosen model, but instead allows the rapid succession of events at given moments, sequentially organized in the manner of a video clip. This narrative style, adopted by many young composers today, is the undisputed evidence of new compositional trends that no longer stem exclusively from models used as examples, but rather from the totality of the available materials. This summation of information available in a comprehensive database with unlimited access allows for the possibility of previously unknown semantic connections, that in the past were unthinkable.

William Blank Composer. Professor of Composition, Haute École de Musique de Lausanne Artistic Director, Ensemble Namascae

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RICARDO BOLOGNA Ricardo Bologna is the founder of the Percorso Ensemble and solo timpanist of the São Paulo Symphony Orchestra (OSESP). He serves on the faculty of the Music Department of the Communication and Arts School of the University of São Paulo and was the Chief Guest Conductor of the University of São Paulo Symphony Orchestra for the 2012 season. Mr. Bologna has excelled not only as a percussionist in numerous concerts and festivals around the world, but also as one of the most promising conductors of his generation. Winner of the 2nd Eleazar de Carvalho Contest for Young Conductors (2002), Bologna has conducted the Chamber Orchestra of the OSESP, the Geneva Conservatory Symphony, Curitiba Chamber Orchestra, the São Paulo Youth Symphonic Band, the Amazonas Chamber Orchestra, the Minas Philharmonic Orchestra, and the Camerata Aberta contemporary ensemble, among others. Ricardo Bologna is currently studying with the world-renowned conducting coach Kenneth Kiesler. His principal teachers include Elizabeth del Grande, John Boudler, William Blank, Yves Brustaux and Robert Van Sice. MARCUS SIQUEIRA A native of Caratinga, Minas Gerais, Marcus Siqueira studied composition with Willy Corrêa de Oliveira. He was the recipient of the Funarte, Vitae Foundation and RioArte grants, the three most significant composition scholarships in Brazil. His orchestral works have been performed by such important Brazilian orchestras as the São Paulo Symphony, the National Symphony Orchestra of

Brazil, the Minais Gerais Philharmonic, the University of São Paulo Symphony, the Cultura Radio and TV Orchestra and the Federal University of Rio de Janeiro Symphony Orchestra, conducted by Joana Carneiro, Lutero Rodrigues, Marcos Arakaki, Carlos Moreno, Lutero Rodrigues and Ernani Aguiar, respectively. Siqueira’s solo, chamber and orchestral compositions have been recorded on the Paulus, ÁguaForte and SESC labels. Recent recordings include Marcus Siqueira by Gilson Antunes (Água-Forte), which focuses on the solo acoustic guitar. He recently produced the albumThe Metropolis Violin (Água-Forte/Edital Proac, 2010), featuring violinist Simona Cavuoto playing works by contemporary Brazilian composers. CLÁUDIO DE FREITAS A native of Belo Horizonte, Cláudio de Freitas served as bassoonist in the Minas Gerais Symphony Orchestra and solo contrabassoonist in the São Paulo Symphony for twelve years. He graduated from the Harid Conservatory, Boca Raton, Florida, where he studied with Arthur Weisberg, and holds a Masters degree in Arts from the University of São Paulo (USP). Considered “a promising talent for composition” (Sun-Sentinel, South Florida), his compositions have been performed in the United States and Argentina, by such orchestras, as the Petrobras Symphony, Minas Gerais Philharmonic, Sergipe Symphony, Espírito Santo Philharmonic, University of São Paulo Symphony, Bahia Symphony, the Camerata Antiqua of Curitiba and the São Paulo Symphony. His scores are published by Editora Criadores do Brasil, which has also published his revised edi-

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tion of by Heitor Villa-Lobos’ Symphony No. 3, recorded for the label BIS in February 2011. CASSIA CARRASCOZA piccolo, flute and alto flute A native of São Paulo, Cassia Carrascoza is the principal flutist of the Municipal Theatre Orchestra of São Paulo and of the São Paulo Jazz Symphony Orchestra. She is currently pursuing a Ph.D. in musicology at the University of São Paulo, having studied previously with István Matuz at the Liszt Ferenc Academy in Budapest. She is a member of the Camerata Aberta contemporary ensemble, which received an award in 2010 from the São Paulo Art Critics Association (APCA). Cassia Carrascoza is a member of the Duo Graffiti and of the Percorso Ensemble and is on the faculty of the School of Music of the State of São Paulo. PETER APPS oboe, oboe d’amore and English horn A native of London, Peter Apps studied at the Trinity College in London, and at the University of Massachusetts, where he received his master’s degree. Peter Apps is a member of the São Paulo Symphony Orchestra and the Bachiana Philharmonic. He teaches at the Baccarelli Institute, and has received several awards, including the Insight Music Award and the Anna Innstone Memorial Award. He has recorded more than 30 albums, on such labels as Meridian Records (United Kingdom) and BIS (Switzerland). Peter Apps has lived in Brazil since 1998.

SÉRGIO BURGANI clarinet, E-flat clarinet A native of São Bernardo, São Paulo, Sérgio Burgani was a student of Raphael Gallardo Caro and José Máximo Ribeiro Sanches. He is principal clarinetist of the São Paulo Symphony Orchestra and teaches at the São Paulo State University and the Cantareira College. He is a member of the Percorso Ensemble and the Sujeito a Guincho clarinet quintet, which was twice awarded the Eldorado and the Sharp Awards. Sérgio Burgani researches Brazilian woods for Devon & Burgani clarinets in partnership with the luthier Odivan Santana. NIVADO ORSI clarinet and bass clarinet Nilvado Orsi began his studies at the Conservatory of Drama and Music of Tatuí with professor José Teixeira Barbosa and earned his undergraduate degree in music at the State University of Campinas. He has been on the faculty of the Mozarteum College in São Paulo and of the Unicamp music department. A member of the São Paulo Symphony Orchestra, Nilvado Orsi performs as well with the clarinet quintet Sujeito a Guincho and teaches clarinet at the University of São Paulo in Ribeirão Preto. SAMUEL HAMZEM trumpet Born in Belo Horizonte, Samuel Hamzem was formerly principal trumpeter of the Goiás Philharmonic Orchestra, the Brasília Philharmonic, the Pacific Music Festival Orchestra in Japan, and of the University of Brasília Philharmonic. He earned his undergraduate degree at the University of Bra-

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sília. He is currently a member of the São Paulo Symphony Orchestra, the Bachiana Philharmonic, and the Brass Brazilian, which has been nominated for the Cultural Awards. Hamzen is on the faculty of the Cantareira College in São Paulo. DÁRCIO GIANELLI trombone Dárcio Gianelli first learned to play the trombone with his father and went on to earn his undergraduate degree in trombone at the Mozarteum College in São Paulo. He received his masters degree from the Juilliard School. Gianelli has been awarded the Tilden Prize in New York and the Lewis Van Haney Philharmonic Prize in Nashville. He has been a member of the Experimental Repertoire Orchestra, the São Paulo State Youth Symphonic Band, the São Paulo Municipal Theater Orchestra, and the Galícia Symphonic Orchestra in La Coruña, Spain. He is currently a member of the São Paulo Symphony Orchestra. HORÁCIO GOUVEIA piano and celesta Pianist Horácio Gouveia holds a Ph.D. in musicology from the University of São Paulo. Gouveia studied at the Albert Ludwig University in Freiburg. having received a scholarship from the German Academic Interchange Service (DAAD). He is on the faculty of the Alcântara Machado Arts College and the Music School of the State of São Paulo. He is a former member of the Camerata Aberta contemporary ensemble, which was awarded the APCA Prize in 2010 from São Paulo Art Critics Association, in which group he acted as soloist under the baton of Guillaume Bourgogne.

He is a member of the Arqué Trio and of the Percorso Ensemble. LÚCIA CERVINI harpsichord, Hammond organ and celesta Lúcia Cervini holds a Ph.D. in music from the State University of Campinas (Unicamp). She was a doctorate trainee under the guidance of Mikhail Malt at the Institute of Acoustic and Musical Research and Coordination (IRCAM, France) and attended the Contemporary Piano Atelier under Martine Joste in France. She has also participated in the V International Piano Duo Competition in Tokyo, Japan. Lúcia Cervini is Adjunct Professor at the Federal University of Pelotas, where she co-founded the Center for Contemporary Music (NuMC). SÉRGIO COUTINHO percussion Sérgio Coutinho began studying percussion at the São Paulo Municipal Music School. He performed as soloist in the Youth Symphonic Band of the State of São Paulo and as percussionist in the Ribeirão Preto Orchestra, the University of São Paulo Symphony and the Brazilian Symphonic Orchestra. A graduate of the São Paulo State University (UNESP), Sérgio Coutinho was a member of the PIAP group. He is the principal percussionist and assistant timpanist of the São Paulo Municipal Symphonic Orchestra. SIMONA CAVUOTO violin Born in Rimini, Italy, violinist Simona Cavuoto graduated from the G. Martini Music Conservato-

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ry in Bologna. Her prizes include the Concorso Internazionale di Musica da Camera di Caltanissetta and the F. Schubert Awards, among others. She is a member of the São Paulo Symphony Orchestra and of the Arqué Trio and collaborates regularly with the Camerata Aberta ensemble. She recently released her first solo album, “O Violino na Metrópole” [The Violin in the Metropolis], which features works by contemporary Brazilian composers. DOUGLAS KIER violoncello A native of Cleveland, Ohio, Douglas Kier attended Northwestern University in Illinois, and received his masters degree from the Cleveland Institute of Music. He has served as professor at the Allegheny College and at the Westminster College in Pennsylvania. Kier has participated as interpreter and professor in several music festivals, including the Aspen, Keystone, and Strings in the Mountains festivals in Colorado, and the Bay View Music Festival in Michigan. He has taught at the São Paulo State University (Unesp) and is a member of the São Paulo Symphony. CLAUDIO TOREZAN contrabass Bassist Claudio Torezan, a native of Valparaíso, studied at the Tatuí Conservatory. He specialized in contrabass at the Berlin Arts University under the tutelage of Rainer Zepperitz. Torezan has played with the Jeunesses Musicales World Orchestra, the Junge Deutsche Philharmonie, the University of São Paulo Symphony and with the Symphonic Band of the State of São Paulo. A former teacher of the Tatuí Conservatory, Claudio

Torezan is currently a member of the São Paulo Symphonic Orchestra and is on the faculty of the School of Music of the State of São Paulo. ANA DE OLIVEIRA violin A native of São Paulo, violinist Ana de Oliveira graduated from the Staatliche Hochschule für Musik in Freiburg, Germany. As a soloist, she has played with the São Paulo Symphony Orchestra, with the Heidelberger Kammerorchester as well as the Italian Philharmonic Orchestra, among others. She served as concertmaster of the Brazilian Symphonic Orchestra and also of the Camerata Rio Strings, whose album Fantasia Brasileira (Biscoito Fino) was nominated for a Grammy. She performs regularly with Egberto Gismonti and is a member of the Puelli Trio. ELISA MONTEIRO viola Elisa Monteiro began studying the piano with her mother, and violin in the SESC. She was formerly a member of the Experimental Repertoire Orchestra and has performed with the International Orchestra of the Attergau Institute, Austria as a scholarship student of Northern Illinois University. She participates in international tours with the Jeunesses Musicales World Orchestra and plays as a guest with the São Paulo Symphony. Elisa Monteiro is a member of the Erfos Quartet and with the viola duo Corda Dupla.

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SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO/ SOCIAL SERVICE OF COMMERCE Administração Regional no Estado de São Paulo Regional Administration in the State of São Paulo Presidente do Conselho Regional Regional Council President: Abram Szajman Diretor Regional Regional Director: Danilo Santos de Miranda Superintendentes Assistant Director Comunicação Social/Social Communication: Ivan Paulo Giannini/Técnico-Social/Technical Social: Joel Naimayer Padula Administração/Administration: Luiz Deoclécio Massaro Galina/Assessoria Técnica e de Planejamento/Technical Consulting for Planning: Sérgio José Battistelli Selo Sesc/Sesc Record Label Gerente do Centro de Produção Audiovisual/Audiovisual Production Center Manager: Silvana Morales Nunes/Gerente Adjunta/Assistant Manager: Ana Paula Malteze/Coordenador/Coordinator: Gilberto Paschoal/Assistentes/Assistants: João Zílio, Ricardo Tifona, Thays Heiderich Gerente de Artes Gráficas Graphic Design Manager: Hélcio Magalhães/Gerente Adjunta/Assistant Manager: Karina Musumeci/ Assistente/Assistant: Érica Dias Idealização/Concept: Cássia Carrascoza e Ricardo Bologna. Direção Musical e Regência/Musical Direction and Conducting Musical: Ricardo Bologna. Produção Musical, Gravação, Edição, Mixagem e Masterização/Production, Recording, Editing, Mixing and Mastering: Ulrich Schneider. Assistentes de Gravação/Recording Assistants: André Salmeron, Wellington Batista Ferreira. Coordenação de Produção/Production Coordinator: Jeanne de Castro. Produção Executiva/Executive Producer: Marcelo Sollero. Design Gráfico/Graphic Design: Trasso Design. Fotografia/Photography: Ed Figueiredo, Pedro Abud e Alexandre Nunis. Revisão de Tradução/Translation Revision: Sarah Hornsby Produção/Producer: ATO Cultural/ Agradecimentos: Fundação OSESP, Departamento de Música da ECA/USP e Colégio Humboldt. Gravação realizada de 26 a 30 de janeirode 2012 no Teatro do Colégio Humboldt São Paulo, Brasil. Recorded January 26-30, 2012 at the Theater of the Colégio Humboldt, São Paulo, Brazil.

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Profile for Edições Sesc São Paulo

CD LIGETI +  

Livreto que acompanha o CD Ligeti +, com o grupo Percoso Ensemble. Direção artística e regência de RICARDO BOLOGNA. Selo Sesc SP, 2013.

CD LIGETI +  

Livreto que acompanha o CD Ligeti +, com o grupo Percoso Ensemble. Direção artística e regência de RICARDO BOLOGNA. Selo Sesc SP, 2013.

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