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HÓRUS CULTULITERARTE I S S N :

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• A REVISTA DIGITAL DA CULTURA, LITERATURA E ARTE • • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA • • A REVISTA DIGITAL DA CULTURA, LITERATURA E ARTE • • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA •

POESIA RESENHAS CONTOS NOVIDADES LANÇAMENTOS DIVULGAÇÃO


POR QUE LER CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE? DE LUCIANA BESSA SILVA A arte do encontro, vida, colocou em meu caminho a poética de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Almejava penetrar em seu mundo e desvendar seus mais significativos segredos. Atualmente, estudo sua obra na Universidade Federal do Ceará. Poeta, cronista, contista, redator, pintor, leitor, fotógrafo, Drummond, sobretudo, testemunha de várias gerações. Nascido em Itabira de Mato dentro (1902) e falecido em (1987) no Rio de Janeiro, a obra drummondiana registrou do cotidiano em Itabira (“Cidadezinha qualquer” OC, 23) a pedra no meio do caminho (“No meio do caminho”OC, 16); de seu nascimento gauche enquanto poeta (“POEMA DE SETE FACES” OC, p.5) a uma feia flor que “furou o asfalto, o tédio, o nojo e ódio” (“A Flor e a Náusea” OC,pp. 118-119), do difícil processo poético (“POESIA, OC, p. 21) a morte do leiteiro (“MORTE DO LEITEIRO”, OC, 168). Todas essas composições exalam uma extrema sensibilidade, inteligência, senso de humor e emoção contida. Formalmente, elas se caracterizam pelo verso livre, ironia, tom melancólico, aparente simplicidade e pelo uso da linguagem coloquial. Ler Carlos Drummond de Andrade é descobrir, pois, um universo de pedras, enigmas, sombras, personagens, amores, reflexões, lições e impurezas. Autor de uma obra imensa e densa foi na poesia que se expressou de forma mais íntima e intensa. Na obra O Observador do Escritório (1985), o escritor registra relevantes fatos políticos do país entre os anos de 1943 a 1977. O poeta tinha uma arma – a palavra. Através dela, denunciou e criticou a sociedade de seu tempo, convidou seus companheiros a caminharem de “mãos dadas”, descreveu a família mineira, retratou a solidão do homem nas grandes metrópoles, exaltou o Brasil, cantou amores, escondeu segredos, descobriu que seu coração era menor do que o mundo e que precisava de todos para sobreviver, por isso criou máscaras para se proteger de certos horrores. Sua obra literária é vária e diversa: de Alguma Poesia (1930) à Farewell (1996), os temas mais recorrentes foram: a existência humana, os amigos e a família, as mazelas sociais, o pessimismo, a morte, o amor a mulher e à sua terra natal, a visão sarcástica do mundo e das pessoas. Torturado pelo passado e assombrado pelo presente, Drummond foi testemunha lúcida de si e do meio no qual estava inserido, de um posto de vista individualista, melancólico e cético. Contudo, os versos de A Rosa do Povo (1945), nos mostra um poeta maduro que se encaminha em direção da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na guerra (travada não mais consigo mesmo) uma luta mais cruel e sangrenta e que, portanto, é preciso sair de si e estar com outro. Por que ler Carlos Drummond de Andrade? Porque se assemelhava a um bruxo, “que tinha perdido o bonde e a esperança e voltado pálido para casa (“Soneto da Perdida Esperança OC, p.45) ? ; porque ousou dizer “que não sabia que a sua história era mais bonita que a de Robinson Crusoé (“Infância” OC, p.6) ?; porque, como filho, registrou o infantil desejo de ser rei do mundo, para determinar que “mãe não morre nunca, / mãe ficará sempre junto,/ junto de seu filho”? (“Para sempre”, OC, p. 491); porque se chamasse Raimundo, ou atendesse por “José” (OC, p. 106-107) não seria uma solução para os seus infortúnios?; porque enfrentou obstáculos como o convencionalismo, a aparência, os desencontros amorosos e o “medo que esteriliza os abraços” (“Congresso internacional do medo” OC, p. 73), porque afirmou que não seria “o poeta de um mundo caduco” e não cantaria o mundo futuro, mas que se propôs (e assim o fez) a cantar o tempo presente, os homens presentes e a vida presente. (“Mãos Dadas” OC, p.80) ?; porque tinha um patrimônio invejável: “Duas riquezas: Minas e o vocábulo” (“Patrimônio OC, p. 1197). 3 www.edicoeshorus.com / Agosto 2018 Proof Copy: Not optimized for high quality printing or digital distribution


Drummond foi, em essência, um artista e um artesão da palavra. Ele mesclou gêneros literários, aproximou poesia da prosa, fez anedotas, alterou as formas clássicas, usou a linguagem coloquial, assim com a erudita. Como se vê, o poeta engendra seus poemas de uma maneira gauche, ou seja, esquisita, diferente, torta. A poesia de Drummond é o seu dossiê, sua autobiografia e suas memórias poetizadas. O seu maior segredo foi falar de si e dos seus, de maneira disfarçada, através da criação de personagens que compartilham de seus problemas, anseios, tristezas, frustrações. Assim, para conhecermos o homem Carlos Drummond de Andrade, bastaria ler sua poesia? Ele mesmo confidenciou “Minha poesia é autobiográfica”. A verdade é que, em Drummond, a arte de viver, confunde-se com a arte de escrever.

Nascida em Fortaleza em 27/04/1976, mas atualmente reside na cidade do Crato Ceará. Doutoranda em Letras pela Universidade Federal do Ceará e pesquisadora da poética de Carlos Drummond de Andrade. Integrante do Coletivo Camaradas, da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno e da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará. Faz parte do 5º volume do livro Mulheres do Brasil (2000) e Antologia II Conexões Atlânticas - (2018).

Referências ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro. Ed. Nova Aguilar, 2002.

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ISSN : 2183-9204

EDITORA EDIÇÕES HÓRUS EDITOR CHEFE

INÊS NABAIS

Alda Gonçalves Ana Sophya Linares Luciana Bessa Silva João Freitas José Carlos Boudoux Manuel Curado Marta Sousa

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FOTOS: PIXABAY, ESCRITAS.ORG

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EDITORIAL

esta que é já a 21ª Edição da Hórus Cultuliterarte queremos destacar os magníficos textos, poesias, resenhas e contos aqui publicados. Entretanto esta revista celebrou já 2 anos de existência em dezembro passado e as Edições Hórus já completaram 3 anos também no passado mês de junho. Decidimos juntar as edições de novembro a agosto na mesma, edição por causa das férias...e especialmente pela carga de trabalho que temos tido desde o início do ano. Mas já estamos de volta e com muito trabalho à nossa espera! As férias passaram num instante. O tempo voa. Temos recebido muitas obras para a publicação de livros a solo até ao final deste ano. Vejam as nossas promoções nesta edição e as candidaturas para as mais recentes antologias. Começámos bastante bem este ano e esperamos acabá-lo ainda melhor! O nosso agradecimento vai para todos os autores, amigos, seguidores, fornecedores, parceiros e família que nos dão todo o apoio e que nos incentivam a ser cada vez melhores naquilo que fazemos e no que mais amamos fazer: Livros! Mas o nosso agradecimento também vai para aqueles que acompanham a nossa evolução: a concorrência. Sem eles também não existíamos. E às pessoas que desdenham também. Continuaremos firmes e hirtos na nossa profissão ;) Esta nossa revista foi fundada a 2 de dezembro de 2016. Constatamos o quanto estamos a ter sucesso com esta nossa Revista que está ao alcance de todos que nela queiram participar e divulgar os seus trabalhos, bastando que o conteúdo seja enviado por correio eletrónico até ao dia 29 de cada mês para edicoes.horus@gmail.com. Quero dar as boas-vindas a todos os participantes desta edição e aproveitar para convidar novos participantes para as próximas edições com a divulgação de Livros, Publicidade e Novidades! As Edições Hórus dão primazia à divulgação de autores dos quatro cantos do mundo independentemente de serem nossos autores ou não. Temos que nos ajudar uns aos outros. Esperando que esta edição vos agrade, meus amigos! Até à próxima edição! Inês Nabais Gerente/Editora das Edições Hórus e Autora desde os doze anos. Participou em Antologias. Publicou dois Livros pela Corpos Editora “Pedaços de Mim” e “Eu sou tu e tu sou Eu”, pela Poesia Fã Clube "Sonhos Coloridos" e em Edição de autor "O Sonho e a Sombra de Eduardo". Fundou a Revista Hórus Cultuliterarte a 2 de dezembro de 2016.

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Biografia Miguel Curado, nascido há 42 anos em Setúbal, e jornalista de profissão. A escrita começou como um vírus, e continua a ser. Além de um instrumento de trabalho. Giro um blog, https://homemplastico.blogspot.com/, e não sou fiel a um estilo. Apesar de ultimamente me concentrar mais na poesia. Tenho um filho lindo de nove anos. Lancei, no final de junho, a minha primeira obra poética. Chama-se 'Abrir os olhos até ao branco', das edições Infinita. Além disso, participei na colectânea 'Conexôes Atlânticas II', e ainda na fanzine coletiva 'Alfarrábios', e ainda na edição de março de 2018 da Revista online 'Incomunidade'. Sou ainda colaborador dos blogues 'Páginas Partilhadas', e 'Acrescenta um ponto ao conto'..

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Escrita ressarcida

... o homem disse que queria escrever um livro, mas ia ser diferente, não poderia ter frases, palavras, letras, pontuação, nem sequer lamechices de casalinhos a viverem felizes para sempre...

perguntaram-lhe como seria isso possível? disse que não sabia... talvez se confiasse em alguém de uma forma doentia, e depois fosse traído a ponto de querer morrer, pegasse numa pedra e rasgasse sulcos no tempo em número suficiente para fazer sentido...

Aos meus 18 anos

aos meus 18 anos queria escrever um livro, tinha de ter uma subida ao monte mais alto do mundo, com todos os aventureiros predispostos a lançarem-se no vazio em busca do som, e recordo-me que havia um menino mudo, e sem sonhos, que assistia a tudo cá de baixo como se a vida fosse a lagarta que lhe passava gentilmente no ombro... nunca escrevi esse livro, porque o mundo é essencialmente plano, e eu prefiro a poesia sem sentido

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Falar de mãos nos bolsos desculpa as mãos nos bolsos, ia a passar e vi este jardim de pessoas árvores e resolvi parar, pareceste-me, se calhar engano-me, a pessoa certa com quem falar agora que começou a chover, e eu me sinto sozinho de estar sozinho... uhmm, não queres falar? ok. falo eu, sabes que sou admirador da simplicidade da criação? é, adoro os dias que passam e só os notamos porque eles têm qualquer coisa de diferente do ontem, e é isso que nos faz esperar por um amanhã como este... pensei que não existiam pessoas árvores, mas existem, admiro tanto silêncio com raízes a esventrarem a terra como se a obrigassem a calar, e nos deixassem, a nós, a tarefa de pensar o futuro como uma folha branca e pronta a ser recortada em pedaços... bem, tenho de ir, prazer conhecer-te, e desculpa as mãos nos bolsos

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Circulavam espessas as vozes de cidade

circulavam espessas as vozes de cidade, ácidas no barítono do choro, era como um dia de verão que se escrevia com saudades de qualquer coisa à chuva de outono...

recomendavas o silêncio, subindo pela rua mostravas-me a mão do amor, foi com ela que escreveste no dia do adeus, o que te arrependeste quando nasceste de novo ao sol da beira rio...

desenhaste-me um abraço de poema sem que o verbo fosse desculpa incriminatória, despedimo-nos sabendo que o silêncio fazia-nos melhor que tudo que vem com as coisas menores

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Catarina e Carolina viviam numa vila bem a norte do Mundo. Era feita de pinheiros, casas de pedra e cheiro a bolinhos de noz. Às vezes era feita de neve. Catarina tinha braços fortes e uma personalidade de ferro. Carolina era uma maria-vai-com-as-outras, o que fazia dela, quase sempre, uma Carolina vai com Catarina. Não foi de admirar que quando Catarina decidiu escalar a montanha, Carolina foi também. Levavam mochilas de sonhos, sacos-cama e tendas de pano. Subiam as primeiras colinas, Catarina pela força das pernas, Carolina de asa-delta imaginária, planando na torrente de vento que mais tarde chamou de amizade. Catarina cingia-se à bússola cor de prata. Carolina ia atrás do cantar dos melros. Curiosamente, a direção quase sempre coincidia. Por isso nunca se perderam. A meio-montanha, perdido, errava por ali um lobo solitário. Lá ao longe mostrava os dentes, como quem ameaça. Catarina, apreensiva, recuou cerca de passo e meio. Já Carolina, serena, cantava serenatas em clave de lua. O lobo deitou-se tal esfinge, apontando as patas frontais para tão graciosa voz. As mãos de Carolina afagavam-lhe o pelo, e o lobo semicerrava os olhos de satisfação, ronronando como um gira-discos estragado. Que é como quem diz, ronronando como um gato. Coisa estranha essa, lobo fazer som de felino. As duas seguiram o seu caminho, olhando o bicho lá ao longe, já só era um pontinho. O lobo dormitava sob a cama de melodias preparada por Carolina. Era tarde, quase noite, por isso a tenda fora erguida. Lá dentro era mais quente que parecia. Como as rochas das montanhas não eram boas para dormir, Carolina montou a tenda em cima de um tapete voador. Movia-se pela luz das auroras, como um caminho-de-ferro. Catarina não dormia, uma luz forte encandeava. Como Catarina não dormia, Carolina também não. Céu ainda escuro, a luz forte era a Lua Cheia. A tenda pousara bem no pico da montanha. Carolina contemplava um malmequer, que pousava ali, em jeito inesperado; a plantinha mais a cume. Catarina não queria saber de flores. Olhava além do horizonte, buscava novos destinos. Viu ao longe outra montanha, que por ser tão alta, enamorava as constelações. Como se as montanhas fossem astros, e os astros as montanhas. Não foi de admirar que quando Catarina decidiu escalar as estrelas, Carolina foi também. Juntas viveram os seus anos, subindo montanhas, às vezes, maiores que a vida. Catarina procurava ir cada vez mais alto. Carolina simplesmente, ia junto de Catarina.

Cá em baixo, o lobo uivava à Lua, apontando a garganta para a montanha de estrelas. Soava a serenatas em clave de Sol. A Lua miava de volta, como um gato. por João Freitas, em A Incrível Máquina de Gutenberg

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Sempre soube que morreria de coração. Não é figurativo, esqueçam o coração desenhado, de dia de São Valentim. Falo do verdadeiro, aquele que bombeia sangue das veias para as artérias, que bate mais de cem mil vezes ao dia, excepto o meu que talvez por bater a dobrar tenha cedido a meia-idade. Podia ter morrido de cabeça por pensar demasiado, mas sempre tive pulmão para tal e nas raras excepções que não, era o fígado que as aguentara. Litradas e litrosas, goela abaixo sem hesitação, mas não, do fígado não, esse estava para durar, a morrer tinha que ser de coração. O meu melhor amigo era um cardiologista chamado Roberto. Apaixonou-se pelo meu coração logo no primeiro electrocardiograma com prova de esforço. Cientificamente falando, claro. Era paixão médica e um coração feito de carne. E era o seu brilho nos olhos assim que me diagnosticou uma treta qualquer chamada Síndrome de Wolff-Parkinson-White. «Calma, não é esse Parkinson que estás a pensar», assegurou-me. Parei logo de tremer. Já a tensão estava o normal para mim, lá para os doze. Falo claro da diastólica, que a outra sei lá eu. Se eu ganhasse um euro cada vez que ouvisse «é um milagre não estares a ter um AVC», teria juntado o suficiente para…bem… um transplante de coração. Ao inicio o Doutor Roberto propôs-me uma espécie de rodízio de consultas de cardiologia. Pagava-lhe um valor mensal e tinha consultas ilimitadas. Lá mais para a frente já nem pagava. Depois com o tempo deixaram de ser consultas, eram conversas casuais acompanhadas de uma fresquinha e de uns jogos de bola da liga Sérvia, para não haver qualquer ligação emocional que me disparasse a tensão. No fim o meu coração já só batia pelo Estrela Vermelha. Idemo, Crvena Zvezda! O futebol é lixado. Foi então que cedeu, parou de bater. A autópsia revelou, com enorme rigor cientifico, que o coração morreu de desgaste. Ou de desgosto. Ninguém sabe muito bem porque letra de médico não se entende. Foram os primeiros beijos, e os últimos. E os primeiros que também foram os últimos que me deixaram a pensar se era o meu hálito ou os meus hábitos, ou se era o fado de um coração que se bate a dobrar não pode bater por um outro. Foram os amigos que traíram, os familiares que partiram, as refeições saltadas, as refeições salteadas, o sal em excesso, as batidas saltadas, taquicardia, depois já nem cabia aqui dentro do peito, depois explodiu, e por fim parou. O coração morreu de doença. Eu também, mas não morri de coração. Quem me matou foi a mente, que sem o seu coração, deixou-se levar pela morte. A mente, sem o seu coração, morreu. Sozinha, de solidão.

__________________________ por João Freitas, em A Incrível Máquina de Gutenberg

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Quando desces a rua A noite me atormenta, traz-me guerra, traz-me doce vingança lenta. Mergulho no mar da minha imaginação e imagino-te ferido de tantas formas. O sangue que corre de ti é a minha bênção. No entanto, retraio-me na tua presença. Será que algum dia foste feliz a meu lado? Gostaria de te ouvir essas palavras. Mas o silêncio impera entre nós. Que será da minha vida sem ti, agora que te fiz parte da minha felicidade? Aprender a ser feliz sem ti, é o que me resta. Encontro-te a caminho de casa, naquele percurso que já fizemos juntos. Não moramos assim tão longe, tu e eu. Seremos assim, tão diferentes? Talvez não… O meu sonho era encontrar-te, raptar-te por umas horas e fazer-te confessar o que sentiste algum dia por mim. Mas tu, agora, andas sempre bem acompanhado… O que foi de nós, o que nos separou? Foi o orgulho ou simplesmente a falta de amor? Eu caminho a caminho de casa, continuadamente. Espero chegar rápido, de forma a eliminar toda a raiva que trago em mim. Escreverei, para a eliminar. Não posso bater contra as paredes. Magoava-me mais que a parede, imóvel. Escreverei e rasgarei as folhas, em mil pedaços. Tal como já fiz milhares de vezes. Dá-me raiva, sabes. Raiva que consigas ser feliz, sem mim. Eu estou aqui, presa ao passado. Presa às nossas discussões. Presa aos desânimos, às tristezas. A felicidade passa-me ao lado, e eu não tenho a coragem de a agarrar. Mas um dia agarro-te… Um dia, faço-te sentir todo o desanimo que me fizeste ter. Que mais posso fazer? Passeio. Sozinha. Acompanhada seria uma tristeza. Não estou uma boa companhia para ninguém. Tudo o que sei dizer é sobre ti, como será terrível voltar a encontrar-te. Porque o é. Cada vez que te vejo a descer a rua com ela… Que raiva. Que silêncio impera quando queria gritar toda a porcaria que és. Ou, talvez, seja eu. Pois sou eu que não sou feliz. Ou serás tu que te enganas e a toda a gente? Ana Sophya Linares

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JÁ DISPONÍVEL 17 www.edicoeshorus.com / Agosto 2018 Proof Copy: Not optimized for high quality printing or digital distribution


José Carlos Boudoux Praia em Portugal Ao entardecer,o mar muda de cor. Torna o cinza - azulado, Em verde bicolor, Verde acinzentado

A água,mesmo gelada, Acaso não se parece, Com aquela do meu Nordeste?

Suas areias molhadas, Seu cheiro de maresia, Conchas e pedras,espalhadas, E aproveitando o dia, Mães e crianças,sentadas, Com o vento nos cabelos, E um sonho no coração.

E aquela paz sentida, Deixa sempre uma impressão, Um sentimento profundo... O mar é minha outra pátria, Em qualquer lugar do mundo. O mar é minha outra pátria... Meu lar,meu berço,meu chão.

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Breve Recensão Noir austral, de Christine Adamo está classificado como romance policial. Contudo, este livro convida a uma leitura plural: trata-se de uma história Austrália - e as marcas do colonialismo inglês, num jogo de poder e dominação sobre os mais vulneráveis? A autora efectua um entrelaçamento admirável de todas estas dimensões. No presente, cruzam-se dois personagens centrais – Liz e Ralph –, mas os seus destinos parecem determinados pelo passado. Espaço e tempo demonstram como o presente depende de acontecimentos marcantes do passado, numa narrativa que cruza de forma, por vezes vertiginosa, o real e o imaginário, operando uma espécie de reorganização do mundo à justa medida da ficção. Através de uma perspectiva histórica acedemos à visão do mundo protagonizada pelos Arborigenes australianos. Christine Adamo efectua uma verdadeira sensibilização e sedução pelos seus valores ecológicos, pela sua cultura e organização social que, em geral, são desvalorizados, segregados e discriminados, pois despertam medo do diferente e do desconhecido.

É notável a forma como este romance dá conta de cerca de 70.000 anos de História (antes da nossa era) revelando, através da trajectória de uma tribo (Jerr-inga) a evolução da éspecie humana, da fauna e do clima de um território, para sublinhar as atrocidades das políticas segregacionistas e de assimilação praticadas no decurso do processo de colonização da Austrália. E as suas consequências são ilustradas, de forma bem eficaz, pelas trajectórias biográficas de Liz e Ralph que se cruzam, no tempo presente. Liz vivencia uma insatisfação profissional e, por esta via, o romance ilustra uma questão bem atual, a política de acolhimento dos refugiados e suas consequências, nomeadamente pelas manifestações de prepotência de representantes do Estado, com as quais Liz não se identifica. Descendente de mãe francesa (que não conheceu), Liz deixa a Austrália rumo à França, em busca das suas raízes. Aí, vê-se enredada numa trama policial que serve para conferir dupla leitura ao romance e para nos seduzir. Deixamo-nos levar pelo mistério e pelo suspense, seguindo as perseguições feitas a Liz, ora pelo traficante de droga, ora por Ralph. Por sua vez, Ralph foi alvo de um rapto violento. O seu crescimento é feito primeiro num orfanato e depois numa família adoptiva inglesa (em nome da ideologia colonialista de assimilação). Confronta-se com a descoberta das suas origens arborigenes e resolve viajar para a Austrália em busca das suas raízes. Aí o seu caminho cruza-se com o de Li e persegue-a, assumindo a missão de vingar o seu povo. Liz parece simbolizar o “mal colonial”.

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Estes dois personagens nasceram, aparentemente, em lados opostos da História da Austrália, herdeiros dos acontecimentos passados, não são mais do que suas vítimas: os pais de Ralph e ele próprio (arborigenes) sofreram a violência do colonialismo. A avó e a mãe de Liz trabalharam no orfanato para onde Ralph foi levado. Mas, do ponto de vista dos arborigenes – e de Ralph –, elas pactuaram com a ideologia colonialista dominante. E os dois possuem identidades de dupla referência: Ralph identifica-se com a sua família adoptiva ocidental e não esquece a sua família de origem arborigene; Liz com a Austrália onde nasceu e com o local da sua família de origem, francesa. Na vila provençal na qual a sua mãe viveu, Liz encontra uma comunidade de acolhimento, simultaneamente atractiva e repulsiva. Marguerithe, Joseph e até o investigador da polícia, representam a atractividade e receptividade à nova habitante, favorecendo a sua noção de pertença à região. Martha, por seu lado, simboliza o elo de amizade com a avó e a mãe de Liz. Ela possui cartas reveladoras da trajectória da sua família de origem que são, ao mesmo tempo, de denúncia de dois temas contemporâneos: os processos de emigração (segregação, exploração, trabalhos forçados...) e o pesadelo da violência doméstica (sobre a avó). Por seu lado, a repulsão é ilustrada pelo tráfico de droga, que passa pela quinta onde Liz vive e que a coloca em risco de vida. E é ainda o passado colonial que determina a morte, só aparentemente acidental, da mãe de Liz e marca profundamente a relação desta com Ralph que, por sua vez, ao apaixonar-se acaba por impedir a sua morte às mãos do traficante de droga, decidindo depois afastar-se. Esta história de amor (interrompida) pode ler-se como uma janela de esperança no futuro, pois qualquer que seja a nossa origem são as relações de confiança e o amor que nos movem em direcção a um mundo melhor e mais igualitário. Um livro inteligente e corajoso! É pena não haver tradução portuguesa. Alda Gonçalves

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A ilusão da leitura Marisa Luciana Alves O sol aquece-me e leva o meu pensamento para longe. Aqui,sentada na areia da praia, observo o mar azul e as gaivotas que vême vão, voando à procura de alimento. Ouço o riso das crianças que fazem castelos na areia e se molham com a água salgada, embrincadeiras próprias da idade. Permaneço sozinha, acompanhada apenas da toalha de praia e de um livro que ultimamente levo para onde quer que vá. É apenas isso que consigo dele, a companhia. Não o leio, não posso... Parei de o ler num determinado ponto da narrativa que me bloqueou e não me deixa avançar. Parei sem conseguir perceber o porquê. Sei apenas que, de um momento para o outro, me desiludi e não consegui mais continuar a lê-lo. Terá sido algo no desenrolar da ação? Terei ficado desiludida com a construção das personagens? Será que o enredo não me seduziu da forma que a sinopse e a capa me tinham dado entender? Acho que me falta ver neste livro a face de um espelho que me dá a perceção de um outro universo. Quantas vezes acabamos por viver outra vida, nas páginas de um livro, esquecendo o que se passa na nossa vida e que tanto nos angustia? Quantas vezes esperamos encontrar nas palavras de um qualquer capítulo o que os olhares e as expressões de quem nos rodeia não nos dizem? É dessa vida expressa em palavras, desses olhares que sinto falta… A verdade é que aqui transporto comigo este livro, fechado e assinalado, com um marcador, naquela página inolvidavelmente estranha, na tentativa de conseguir, em qualquer momento, a qualquer hora, reabri-lo e lê-lo. Mas, pensando bem, não estou só… Como podia estar se tenho as personagens deste romance tão presentes em mim, tão entranhadas na mente, e sobre elas edifico os mais estranhos pensamentos? E, afinal, de que me serve carregar o livro comigo, como se fosse a minha pele ou quiçá uma extensão de mim mesma? Pudesse eu continuar a lê-lo…mas não posso, não ainda. Algo me para, algo me prende e não me deixa continuar a leitura dos capítulos. Bloqueei totalmente. De modo espantosamente absurdo, estagnei. Mas, para todo e qualquer lado que vá, transporto comigo este conjunto de folhas, assim como carrego a força das personagens e a grandeza das descrições de espaços e tempos que um qualquer autor concebeu. Cada vez mais acredito que há que saber respeitar o tempo, pois tudo resolve e organiza. Soberano como ele só, o tempo mostra até aos mais incautos que, qual batimento cardíaco ou movimento dos ponteiros do relógio, tudo tem a sua hora, o seu movimentar. Com a passagem do tempo, tudo se clarifica. Por isso, acredito também que este bloqueio na leitura um dia vai passar … Vou continuar no silêncio da leitura e na solidão ludibriada, esperando que um dia o tempo, como uma prisão redentora, me liberte dos temores e angústias que me afligem. Tempos houve em que, se pudesse, lia todos os livros sem supressões, e, com grande prontidão, esperava acabar de ler um para começar um novo… Porém, hoje isso não é possível… pois não sou mais a mesma. Algo em mim mudou e só agora me apercebi. Hoje já não sou quem era. Mas o livro? Não o leio. Não consigo. Apenas o levo comigo…

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Marisa Luciana Alves

“Faz-me falta escrever, como o ar que respiro. A escrita sempre esteve presente na minha vida, por isso não dispenso um bloco de notas e uma caneta. A prosa é a minha zona de conforto e a poesia continua a ser um caminho a percorrer, um desafio.”.

Nasceu em Vinhais, distrito de Bragança, em 1976. Professora desde 1999, vê a escrita como uma forma de libertação e reflexão. Gosta de estar rodeada de Natureza, fonte de inspiração na sua escrita. O amor é o tema mais utilizado nos seus contos e poemas, com os quais participou em várias coletâneas. Publicou o seu primeiro livro em 2011 e, em 2014, foi a vencedora do 3.º concurso literário, Receitas Secretas, da Papel D’Arroz Editora. De 2002 a 2004, escreveu na revista UNEARTA, sobre diversos temas como a cultura tradicional e a literatura popular. Bibliografia Autoria (Livros): (2015) A tua receita, meu amor! (novela), Papel d’Arroz Editora; (2014) O sono da Primavera e outros contos (contos infantis), Edições Vieira da Silva; (2013) De suplicar por mais…, edição de Santa Casa da Misericórdia de Bragança; (2011) Contando memórias…, edição de Universidade Sénior de Borba. Coautoria (Coletâneas): (2018) • “A Lua cheia e a quebra do fadário” (conto fantástico), in Contos Fantásticos II, Edições Hórus; (2017) • “Sou o que sou”, “Tudo dói” (poemas), Poesia com reticências, Pastelaria Studios, • “Nunca te vi”, “Nós” (poemas), Pérolas de Poesia, Letras da Lagoa de Óbidos; • “Filha ante tudo” (poema), Espuma, sol e pedras (Notebook), Pastelaria Studios; • “Resquícios de mim” (conto), Danados para escrever, Edições O Declamador; • “Carta a um amor infindável”, 5 sentidos, Edições O Declamador; • “A tartaruga que queria ser mocho” (conto infantil), Histórias para dormir e sonhar, Edições Hórus; (2016) • “O Papel de Embrulho de Natal” (conto infantil), Sonhos de Natal, Edições Hórus; • “Vinhais no meu coração”, Ó, minha terra onde eu nasci, Letras da Lagoa de Óbidos; • “Sua para a eternidade” (conto), Entrelinhas, Pastelaria Studios; • “Como da primeira vez”; “Amor comparado” (poemas), De Mim para Ti, (antologia), Letras da Lagoa de Óbidos; (2015) •«O reencontro» (conto), Quando o Amor é Cego, Papel d’Arroz Editora; • «Ao sabor da memória» (conto), Receitas Secretas, Papel d’Arroz Editora; (2014) • «Suave despedida» (conto), Vermelho Rosa (coletânea), Incógnita Projectos Editoriais; • «Uma memória persistente» (conto), 1001 Histórias de Infância, Incógnita Projectos Editoriais

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Alda Gonçalves Palavras As palavras rugosas Errantes singulares Majestosas. Ou então não. Percorrem apenas ruas tristes Sombrias. Ou então dias Ensolarados. Mergulham Nos dedos decididos. Chegam a vulgarizar emoções. Partem regressam sorriem. Ou então choram. Recordam: Memórias inexistentes Dores imprevisíveis. Testam: singularidades Temporais. Adormecem depois À superfície da pele. Errantes caminhantes Pelas rugosidades dos tempos Imemoriais. À noite Estrelas sorridentes vigiam As palavras no centro da página Imaginária. Ou então as mãos Da noite adormecem dolentemente As rugosas palavras No fio do tempo. O hoje O ontem o amanhã misturam-se À superfície da nossa pele… Na aparente quietude singular Das nossas turbulentas emoções. Então só o hoje parece existir…

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JÁ DISPONÍVEL 25 www.edicoeshorus.com / Agosto 2018 Proof Copy: Not optimized for high quality printing or digital distribution


José Carlos Boudoux Amor O amor pode ser breve, ou então,bem demorado, Às vezes, pluma leve, Em outras,peso pesado. Pode ser sonho sonhado, Ou pesadelo idealizado, Uma luta de armadura, Ou combate desarmado. Sem ele a vida é vazia, Ou até inexistente, Dura rotina de dia, À noite,um pesadelo, Que nos leva tão somente Ao profundo desmantelo.

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JÁ DISPONÍVEL

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Escuridão Da escuridão, nasce a planta, a vida e a arte. Aquele sentimento obscuro explode limites e arrebata o ser. Agora, torna-se luz, no reflexo das lágrimas de alguém.

Aquele atormento, Faz sorrir quem passou pelo mesmo. Derrama a lágrima da sensação. Arrepia a pele cansada. Dá a compreensão nunca antes sentida. Revela a luz por atrás da obscuridade. É a essência da transmutação da vida. Marta Sousa https://martasilvasousa.bookmark.com/

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José Carlos Boudoux Praia de Boa Viagem Eu era menino, Bem pequenino, Adorava futebol, Praia e sol, Andar à-toa com os amigos, Correr perigos, Cada dia uma aventura, Pegar peixes num riacho Onde hoje é um shopping center Eram betas, e tricogastes, Que eu criava num tanque, No quintal de minha casa. Na praia de Boa Viagem, Com prédios à beira mar, Onde iamos de passagem, Correr,brincar ,e nadar. Como explicar o encanto, do cheiro daquele mar, do ozônio produzido, Pela ação do sol no ar, Que os mais velhos diziam, Só para nos assustar É cheiro de tubarão, Tá na hora de voltar. Hoje explico a natureza, Sei fazer casas,navios, Prédios,barcos,armazéns, Mas nunca encontrei a beleza, O encantamento de outrora, Que era descer de trens, Correr pela praia afora, Viver uma vida plena, Na liberdade a certeza, Que a vida vale a pena.

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Opinião sobre Cultuliterarte Em 2010, a Revista Escrita Criativa foi criada para divulgar autores lusófonos, porque senti falta de alguma forma de divulgar os autores em Portugal (não sei como é a realidade noutros países ). Não fui a única e tive um constante aumento de leitores e de participantes na revista pela mesma razão. Eu não sabia nem um terço que sei hoje, mas sabia que o design era péssimo. No entanto, era necessário e, por isso, seguiu em frente. Claro que era um projeto sem futuro sem nenhuma editora ou patrocinador. Por essa razão, acredito que esta nova revista da Edições Hórus é a melhor ideia que poderiam ter. Aproveitem para escrever e dar a divulgar a vossa obra e a essência da vossa arte. Eu vou fazê-lo porque também eu tornei-me escritora, ainda com muito para aprender e com muitas falhas, no entanto, a essência de ser escritor é superar as falhas. Superar os erros. Aprender com eles. Sempre que se sintam que foram recusados, que escolheram outro autor para o prémio que desejavam ou quando os vossos livros não foram publicados ou outras situações semelhantes, lembrem-se com orgulho que são autores. Os autores passam por cima dos “nãos” como os heróis superam os vilões e todos os sentimentos de raiva. Nós somos feitos de sonhos. Por muitos golpes que leve o sonho, ele é feito de nuvens, dispersa para se voltar a unir e a chover sobre nós com uma maior intensidade. Não desistam e deem a conhecer a vossa obra, o vosso nome e a vossa escrita. Não esperem por mais ninguém que o faça, mas se o fizerem reforcem com os vossos esforços e superação. Quero dar os parabéns à Edições Hórus por fazer este sonho tornar-se realidade. Marta Sousa https://martasilvasousa.bookmark.com/

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José Carlos Boudoux Um dia Normal .Ao terminar este dia, cansado de corpo e alma Retornas à moradia Teu refúgio,tua calma. Foi mais um dia normal, Sem emoções diferentes, Manhã,tarde,sempre igual, Um dia sem incidentes. Conheces tão pouco o mundo ! Nesta rotina feliz, Escapastes por um triz. Não sabes das ameaças, Dos perigos escondidos, Das mentiras,das trapaças. Agradece o pão na mesa, A tua cama macia, Esta falsa segurança Que entorpece o teu dia.

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Este espaço pode ser seu! "Pode participar sendo entrevistado por nós, criar uma matéria, resenha, crítica/ opinião, contos ou mesmo divulgar o seu Livro, artigos, textos, os seus escritos, os locais de venda do seu livro, divulgar Lançamentos de Livros, Eventos de todos os géneros, a sua editora, livraria, distribuidora de filmes, site, Anúncios, página, blog ou o seu trabalho."

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HÓRUS CULTULITERARTE Published onAug 2, 2018 Horus Cultuliterarte 12ª a 21ª edição - novembro de 2017 a agosto 2018

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