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mec창nica de motos Volume 1

Samuel Torres Brasil Ivanildo Lopes Farias Fortaleza 2012


©2011 by Edições Demócrito Rocha

Fundação Demócrito Rocha Presidente: Luciana Dummar Editora: Regina Ribeiro Coordenação Editorial: Eloísa Maia Vidal Coordenação Geral do Projeto: Francisco Fábio Castelo Branco Editor de Design: Deglaucy Jorge Teixeira Projeto Gráfico: Arlene Holanda Capa: Welton Travassos Revisão: Wilson P. Silva Editoração Eletrônica: Welton Travassos Catalogação na fonte: Ana Kelly Pereira Ilustrações: Eli Barbosa e Leonardo Filho Fotos: Banco de Dados O POVO/Fábio Castelo

Instituto Centro de Ensino Tecnológico - CENTEC Diretor Presidente: Geórgia Andréa Aguiar Almeida Diretor Asministrativo Financeiro: Antônio Cláudio Câmara Montenegro Convênio institucional entre Fundação Demócrito Rocha e Instituto CENTEC Secretaria da Ciência e Tecnologia e Educação Superior do Ceará - Secitece

Brasil, Samuel Torres. B823m Mecânica de motos / Samuel Torres Brasil, Ivanildo Lopes Farias. – Fortaleza: Edições Demócrito Rocha; Instituto Centro de Ensino Tecnológico, 2008. v. 2, 72 p. : il. color. ISBN 978-85-7529-402-4

1. Mecânica de motos. I. Farias, Ivanildo Lopes. II. Título. CDD 531

Todos os direitos desta edição reservados a:

Av. Aguanambi, 282-A - Joaquim Távora - Cep 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel.: (85) 3255.6270 - 3255.6148 - 3255.6256 - Fax (85) 3255.6160 edicoesdemocritorocha.com.br | edr@fdr.com.br | livrariaedr@fdr.com.br


Para aproveitar ao máximo o curso você precisa Durante as aulas • Prestar atenção ao que o instrutor explica e demonstra. • Pedir ao instrutor para explicar novamente, caso não tenha entendido alguma coisa. • Fazer todas as atividades para ver se você realmente aprendeu o que foi ensinado. • Prestar muita atenção às aulas práticas. São elas que preparam o profissional eficiente.

Em casa • Ler tudo com atenção. • Se achar uma palavra difícil, não se preocupar. Marcar a palavra e perguntar o

que significa ao instrutor ou pesquisar num dicionário. • Procurar associar o que está escrito com as figuras existentes no texto. • O instrutor está à sua disposição para tirar dúvidas, portanto, pergunte à vontade. Esforce-se e aprenda.

IMPORTANTE! Aprende-se a fazer, fazendo...


Sumário Introdução................................................................................... 07 Lição 1 Constituição da motocicleta........................................................ 08 Lição 2 Sistema de locomoção da roda dianteira................................... 10 Lição 3 Sistema de freio da roda dianteira.............................................. 22 Lição 4 Sistema de suspensão da roda dianteira................................... 37 Lição 5 Sistema de direção..................................................................... 48 Lição 6 Sistema de alimentação de combustível.................................... 59 Lição 7 Referências................................................................................ 70 Lição 8 5


Introdução A moto surgiu a partir da bicicleta que é um meio de transporte barato e foi inventada no fim do século XVIII. O alemão Gottlieb Daimler construiu o primeiro modelo de motocicleta, adaptando à bicicleta um motor térmico (do tipo combustão interna) cujo ciclo operativo é de quatro tempos. Com as guerras mundiais, as motocicletas sofreram duas modificações: motor perto e abaixo do eixo de armação, possibilitando um controle mais seguro e maior estabilidade de direção. No início dos anos 50, essas máquinas foram aperfeiçoadas com a inclusão dos garfos telescópicos dianteiros e balancins traseiros, ambos com amortecimento hidráuli- Moto construída por Daimler em 1885 co, e chegou-se à combinação do motor com caixa de engrenagens redutivas (câmbio) proporcionando maior variação de velocidade às mesmas. A popularidade das motocicletas só ocorreu a partir dos anos 1960, com mudanças circunstanciais no tocante à estética e aerodinâmica, e o surgimento de competições esportivas com uso destas. Com a recente crise mundial do petróleo, em meados dos anos 1970, a produção de motocicletas apresentou um notável crescimento, tendo hoje, o Japão, como seu maior produtor. O Brasil começa a produzir motocicletas, a partir de 1958, lançando um modelo de moto derivada das motocicletas italianas tipo “lambreta e vespa”, que tiveram seus dias de glória até meados de 1965. No final de 1976, o Brasil retomou a produção de motos, lançando um modelo, derivado da Moto Honda Japonesa, na categoria de 125 cilindradas. Este caderno tem como objetivo principal a manutenção básica de uma moto.

Fonte: http://www.seriouswheels.com

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Lição 1 Constituição da motocicleta

Qual a constituição do sistema de locomoção das motos?

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As motos, desde o primeiro modelo até os dias atuais, sofreram mudanças importantes com relação à estética e aerodinâmica, e à tecnologia, mais basicamente, as motocicletas em geral, são constituídas pelos seguintes sistemas: n Sistema de Locomoção – Parte da motocicleta encarregada de proporcionar a movimentação sendo composto pelas: rodas dianteira e traseira. n Sistema de Freios – Parte da moto encarregada de deter parcialmente ou totalmente o movimento é composto por: sistema de freio dianteiro e traseiro. n Sistema de Suspensões – É responsável pela absorção de solavancos produzidos pelas irregularidades do solo. É composto por: sistema de suspensão dianteira e traseira; n Sistema de Direção – Serve de guia à motocicleta para a direção desejada pelo condutor. n Sistema de Alimentação de Combustível – Parte da motocicleta responsável pela alimentação de combustível necessário ao processo de combustão. n Sistema de Alimentação de Ar (filtro) – Responsável pela coleta do ar atmosférico necessário à combustão. n Sistema de Mistura Ar/Combustível (carburador) – É encarregado pela mistura do ar atmosférico com o combustível na sua proporção ideal ao processo de combustão. n Sistema de Escapamento – Parte da motocicleta encarregada de direcionar os gases provenientes da combustão para o meio externo e reduzir os ruídos do processo de queima. n Sistema Elétrico – Assegura o bom funcionamento da ignição, da iluminação e demais acessórios. n Chassi – Peça principal na estrutura da moto onde estão montados todos os componentes dos diversos sistemas.


Bloco ou conjunto motor n Sistema

de Distribuição – Faz com que o funcionamento do motor seja sincronizado com o comando valvular e distribuidor. n Motor de Combustão Interna – É o produtor da força, necessário para movimentar a motocicleta. n Sistema de Transmissão – Tem, por finalidade, transmitir a força gerada pelo motor para as rodas. n Sistema de Embreagem – Encarrega-se de facilitar a troca de marchas, desligando o motor da caixa de mudanças. n Sistema de Lubrificação – É incumbido de manter lubrificadas as partes móveis do motor e a caixa de mudanças.

Rabeta

Qual a função do sistema de embreagem?

Tanque de combustível Assento

Pára-lama traseiro

Motor Pára-lama dianteiro

Sistema de escapamento

Tampa lateral direito Cavalete

Modelo de Moto

Resumo da lição • As motos sofreram evoluções em relação à estética, à aerodinâmica e à tecnologia. • As motos são constituídas pelo chassi e seus diversos sistemas que funcionam sincronizados.

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Lição 2 Sistema de locomoção da roda dianteira As rodas usadas na maioria das motocicletas são feitas de aço e montadas a partir do cubo por meio de raios. Na parte externa da roda é instalado um componente denominado pneu. O pneu é constituído de borracha e tecido onde internamente é inserida uma câmara-de-ar. As principais funções do pneu são: n Tornar menos agressivo o contato da motocicleta com o meio em que ela está trafegando, evitando assim, o desgaste da roda. n Aumentar a área de contato da motocicleta com o solo, evitando, assim, derrapagens. n Aumentar a força motriz e a frenagem, proporcionando um melhor rendimento da motocicleta nas tomadas de potência e segurança nos momentos de frenagem. É importante que o usuário esteja sempre atento com a calibragem dos pneus dianteiro e traseiro. Abaixo, temos uma tabela contendo as pressões recomendadas, assim como, as dimensões do pneu (pneus frios).

Quais as funções do pneu?

PRESSÃO RECOMENDADA PARA PNEUS DE MOTOS 125 Pressão do Pneu (kPa, kgf/cm2; psi)

Somente piloto Piloto e passageiro

Dimensão do Pneu

Dianteiro

Traseiro

175; 1,75; 25

200; 2,00; 28

175; 1,75; 25

225; 2,25; 33

2,75 – 18 42P

90/90 – 18 57P

O cubo da roda dianteira é uma peça cilíndrica com orifício central, onde são alojados os rolamentos, espaçadores e os vedadores (retentores). Na parte externa do cubo acham-se instalados os raios que recebem os esforços axiais da roda e estes se encarregam de transmitir esses esforços ao cubo. Os cubos são fabricados com ligas especiais de alumínio por ter alta resistência, peso reduzido e excelente dissipação de calor.

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Alguns cubos de roda são fundidos com o tambor de freio, formando uma única peça. Com exceção dos tambores de freio, os cubos de roda das motocicletas, em condições normais de uso, não sofrem muito desgaste. Por isso, seu recondicionamento se resume na troca de rolamentos e vedadores (retentores de pó) que condicionará a mais um longo período de duração. Os rolamentos têm por finalidade reduzir o atrito entre o eixo da roda e o orifício central do cubo. Os retentores, por sua vez, têm a função de impedir que contaminações externas (tais como poeira/pó) penetrem no orifício central do cubo, aumentando assim, a vida útil de seus componentes. As figuras seguintes ilustram cubos de roda dianteira e seus respectivos componentes.

Por que são usadas ligas especiais de alumínio na fabricação dos cubos de roda das motos?

Espaçador do rolamento

Vedador

Rolamento de esfera Trava da porca Retentor

Porca do eixo

Eixo da roda Rolamento de esferas

Cubo de roda dianteiro com tambor de freio

Roda dianteira com freio a tambor

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Espaçamento lateral Rolamento direito da roda (6301)

Rolamento esquerdo da roda (6301) Retentor

Arruelas

Retentor de pó

Espaçador

Retentor de pó

Roda dianteira com freio a disco

Engrenagem do velocímetro Caixa da engrenagem

Operação 01- Retirar a roda dianteira

Cabo do velocímetro

Efetua-se este trabalho, todas as vezes que se executam reparos ou trocas de componentes do conjunto de freio, da roda (cubo – tambor – aro – raios – pneu), do sistema de suspensão dianteira e do sistema de direção. A desmontagem da roda dianteira apresenta duas versões distintas: n Desmontagem com freio a disco. n Desmontagem com freio a tambor.

Mecanismo da roda dianteira

Desmontagem com freio a disco PASSO 01 – Levante e apóie a motocicleta utilizando um cavalete de segurança ou suporte adequado. PASSO 02 – Remova o parafuso e o cabo do velocímetro da caixa de engrenagens do velocímetro. PASSO 03 – Solte a porca do eixo da roda. PASSO 04 – Remova o eixo da roda dianteira (direita para esquerda). Caso tenha alguma dificuldade na retirada do mesmo, utilize uma marreta de borracha.

Freio a disco: tipo de freio que usa um disco de metal e pastilhas.

Porca do eixo

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PASSO 05 – Remova a roda de maneira cuidadosa para não danificar as pastilhas do acionador de freio.

Com freio a tambor PASSO 01 – Levante e apóie a motocicleta utilizando um cavalete de segurança ou suporte adequado. PASSO 02 – Remova a porca de ajuste do freio e o Sistema de freio a disco cabo de freio do conjunto de freio. PASSO 03 – Remova o parafuso para retirada do cabo do Não acione a alavanca do freio após remover a roda velocímetro do conjunto de freio. dianteira. Caso contrário PASSO 04 – Solte a porca do eixo da roda. haverá dificuldade no PASSO 05 – Remova o eixo da roda (esquerda p/ direita). encaixe do disco de freio Caso tenha alguma dificuldade na retirada do mesmo, utilize entre as pastilhas. uma marreta de borracha. PASSO 06 – Remova a roda de maneira cuidadosa para não danificar os componentes tais como tambor e o conjunto de freio. Movimente a roda para facilitar a retirada.

Cabo do velocímetro Porca do eixo

Cabo do freio

Sistema de freio a tambor

Operação 2 - Instalar a roda dianteira É uma operação que consiste em montar seus componentes de uma forma ordenada. É executada após a substituição de componentes danificados ou reparação dos mesmos. A montagem da roda dianteira apresenta duas versões distintas. A montagem com freio a disco e com freio a tambor.

Descreva a desmontagem da roda dianteira da moto com freio a disco.

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Montagem com freio a disco PASSO 01 – Instale a roda entre os garfos de forma que o disco de freio fique posicionado entre as pastilhas. Tome cuidado para não danificar as pastilhas. PASSO 02 – Aplique uma leve camada de graxa no eixo da roda. PASSO 03 – Introduza o eixo da roda dianteira em seu alojamento (da esquerda para direita). Caso tenha dificuldade na colocação do mesmo, utilize uma marreta de borracha. Movimente a roda para facilitar o encaixe. PASSO 04 – Posicione o ressalto da caixa de engrenagens do velocímetro contra a parte posterior do batente do garfo. PASSO 05 – Instale e aperte a porca do eixo da roda conforme torque recomendado pelo fabricante (torque: 62 N.m / 6,2 Kg.m). Descreva a instalação da roda dianteira. Alinhe Eixo

Eixo da roda dianteira

PASSO 06 – Encaixe o cabo do velocímetro no seu alojamento. Gire a roda até que o entalhe do cabo coincida com a fenda do mecanismo de acionamento do velocímetro. Por fim, aperte o parafuso.

Parafuso de fixação do cabo do velocímetro

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Cabo do velocímetro


Montagem com freio a tambor PASSO 01 – Instale a roda dianteira entre os garfos e alinhe a ranhura do espelho com ressalto do garfo esquerdo. PASSO 02 – Aplique uma leve camada de graxa no eixo da roda; PASSO 03 – Introduza o eixo da roda dianteira em seu alojamento (da direita para esquerda). Caso tenha dificuldade na colocação do mesmo, utilize uma marreta de borracha. Movimente a roda para facilitar o encaixe. PASSO 04 – Instale e aperte a porca do eixo da roda conforme torque recomendado pelo fabricante (torque: 62 N.m/ 6,2 Kg.m).

Como deve ser encaixado o velocímetro?

Espelho de freio

Alinhe

Sistema de freio a tambor

PASSO 05 – Encaixe o cabo do velocímetro no seu alojamento. Gire a roda até que o entalhe do cabo coincida com a fenda do mecanismo de acionamento do velocímetro. Por fim, aperte o parafuso. PASSO 06 – Instale o cabo de freio do conjunto de freio no seu alojamento e introduza a porca de ajuste do freio em seu alojamento.

Alinhar

Cabo de freio

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PASSO 07 – Meça a folga livre na extremidade da alavanca do freio dianteiro (folga livre: 10 – 20 mm) e caso a folga esteja fora dos padrões ajuste-a girando a porca de ajuste.

10 - 20 mm

Folga na alavanca de freio

PASSO 08 – Verifique novamente a folga livre da alavanca.

Porca de ajuste

Certifique de que o recorte da porca de ajuste esteja assentado no pino do braço do freio.

Sistema de freio a tambor

Operação 03 - Desmontagem/inspeção/montagem do cubo da roda dianteira Esta operação consiste em desmontar os seus componentes a fim de que o mecânico possa avaliar e substituir as peças danificadas. Verifique se o rolamento está prendendo a roda dianteira. Tente mover a roda lateralmente.

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1ª Etapa do processo de desmontagem PASSO 01 – Retire a roda dianteira (operação 01).

Roda dianteira

PASS0 02 – Coloque o eixo da roda sobre blocos em V e meça o empenamento com o relógio comparador (limite de uso: 0,2 mm). O empenamento real é a ½ da leitura total do relógio comparador. Verifique a rosca do mesmo. Caso esteja danificado, substitua-o.

Eixo Blocos em V que mede o empenamento do eixo

Explique como é medido o empenamento.

PASSO 03 – Se a roda dianteira for composta por freio hidráulico (freio a disco), retire o espaçador lateral, a caixa de engrenagens do velocímetro, o retentor de pó do lado esquerdo, o retentor de engrenagem do velocímetro e o retentor de pó do lado direito.

Sistema da roda dianteira com freio a disco

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PASSO 04 – Se a roda dianteira for composta por freio a tambor, devemos concretizar primeiramente a retirada do conjunto de freio. Após essa etapa, devemos realizar a retirada de seus componentes externos pertencentes ao cubo (retentores de pó).

Retentor de pó

Cubo da roda dianteira

PASSO 05 – Gire a pista interna de cada rolamento com o dedo. O rolamento deverá girar suavemente e sem ruídos.

Remova e descarte os rolamentos caso suas pistas não girem suavemente e apresentem ruídos, ou se seu encaixe no cubo não for firme.

Rolamento da roda PASSO 06 – Verifique também se a pista externa de cada rolamento se encaixa firmemente no cubo.

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2ª Etapa Desmontagem dos componentes internos do cubo PASSO 07 – Coloque a roda dianteira sobre a bancada e calce um dos aros da roda, de modo que o cubo fique suspenso.

Cubo e sistema de freio

PASSO 08 – Extraia um dos rolamentos do cubo. PASSO 09 – Remova o espaçador e retire o outro rolamento. PASSO 10 – Examine o cubo da roda. Verifique se os alojamentos dos rolamentos estão em perfeito estado. Verifique se o cubo apresenta rachaduras. Montagem dos componentes internos do cubo PASSO 01 – Insira o espaçador no seu alojamento. PASSO 02 – Aplique graxa nas cavidades de todos os rolamentos. PASSO 03 – Instale o novo rolamento esquerdo com seu lado blindado virado para fora. Em seguida, instale o rolamento direito com seu lado blindado para fora.

Instalador

Substitua os rolamentos da roda em pares.

Examine o espaçador. Se o mesmo estiver danificado, substitua-o.

Substitua o cubo se houver anormalidades.

Qual a recomendação para a instalação do rolamento na montagem dos componentes internos do cubo?

PASSO 04 – Roda com freio a disco: Aplicar graxa no novo retentor de pó direito e instalá-lo no cubo, instalar o espaçador lateral, instalar o retentor de engrenagens do ve-

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locímetro, aplicar graxa no novo retentor de pó esquerdo e instalá-lo no cubo, instalar a caixa de engrenagens do velocímetro no cubo esquerdo, alinhando suas lingüetas.

Qual o objetivo de aplicação de graxa na montagem dos componentes internos do cubo?

Retentor de pó

Espaçador lateral

Caixa de engrenagens do cabo do velocímetro

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PASSO 05 – Roda com freio a tambor: aplicar graxa no novo retentor de pó direito e instalá-lo no cubo, instalar o espaçador lateral, aplicar graxa no novo retentor de pó esquerdo e instalá-lo no cubo. PASSO 06 – Instale a roda dianteira (ver operação 02). Cubo MANUTENÇÃO PREVENTIVA PERÍODO ITEM

OPERAÇÕES

Cubo da roda dianteira

Verificar, ajustar e lubrificar

1.000 km

3.000 km

6.000 km

A cada... km

x

x

3.000 km

Diagnose de defeitos Roda dianteira oscilando Aro torto Rolamentos da roda desgastados Raios empenados ou soltos Pneu defeituoso. Roda difícil de girar Rolamentos da roda defeituosos Engrenagem do velocímetro defeituosa Eixo dianteiro empenado Freio arrastando.

Resumo da lição • Rodas são de aço e montadas a partir do cubo por meio de raios. • O cubo da roda dianteira é uma peça cilíndrica com orifício central, onde são alojados os rolamentos, espaçadores e os retentores. • O método de desmontagem ou instalação da roda dianteira vai depender se ela for de freio a disco ou tambor.

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Lição 3 Sistema de freio da roda dianteira Mecanismo do freio da roda dianteira O mecanismo do freio da roda dianteira é o elemento que tem por finalidade parar a motocicleta, total ou parcialmente, através da roda dianteira. Seu funcionamento pode ser mecânico ou hidráulico. Sistema de freio mecânico a tambor — constituição O sistema de freio mecânico a tambor é constituído por: alavanca de acionamento de freio dianteiro (manete), dispositivo de regulagem da folga da alavanca de acionamento do freio dianteiro, cabo de freio, dispositivo de regulagem do braço do freio dianteiro conforme figura abaixo. Dispositivo de regulagem da folga da alavanca de acionamento do freio dianteiro Alavanca de acionamento do freio diantero

Cabo do freio

Braço do freio dianteiro

Dispositivo de regulagem do braço do freio dianteiro

Sistema de freio mecânico a tambor

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A alavanca de acionamento do freio dianteiro quando é pressionada pela mão direita do condutor, aciona todo o mecanismo do freio dianteiro. O dispositivo de regulagem da folga da alavanca de acionamento do freio dianteiro ajusta o curso da alavanca para o valor estipulado pelo fabricante. É também conhecido como “ajuste fino do freio dianteiro”. O cabo do freio é construído em aço e funciona dentro de uma capa protetora flexível de arame revestido de plástico. Pela facilidade do contorno e grande resistência, os cabos são utilizados tanto para o acionamento do freio dianteiro como para a embreagem, nas motocicletas. O dispositivo de regulagem do braço do freio dianteiro regula a distância entre as sapatas do freio e o tambor. É conhecido, também, como “ajuste grosso do freio dianteiro”.

Explique o que é ajuste fino do freio dianteiro.

Funcionamento Quando a motocicleta está em movimento e o freio está em “repouso” as molas das sapatas do freio mantêm sobrepostas sobre o excêntrico de acionamento do freio (figura abaixo).

Conjunto de freio dianteiro

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No momento em que o condutor deseja diminuir a velocidade ou parar a motocicleta, ele pressiona a alavanca de acionamento do freio. Neste instante, o cabo do freio aciona o braço do freio dianteiro e este, por sua vez, movimenta o excêntrico de acionamento do freio. Como as sapatas do freio estão sobrepostas sobre o excêntrico, elas se expandem, provocando o atrito das guarnições contra o tambor de freio (figura abaixo), até a parada total do veículo.

Expansão das sapatas (processo de frenagem)

Sistema de freio hidráulico a disco

Princípio de Pascal, deve-se ao físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662)

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O sistema de freio hidráulico consiste, essencialmente, de um cilindro mestre com seu reservatório de compressão de fluido, do cilindro de freio da roda, de tubulações e do fluido de freios. Seu funcionamento baseia-se no Princípio Pascal – “a pressão exercida sobre um líquido contido dentro de um recipiente fechado se propaga neste líquido em todas as direções, de modo uniforme”. Via de regra, o sistema de freio hidráulico, nas motocicletas, é do tipo freio a disco, pela presteza de frenagem e facilidade de manutenção que o sistema oferece.


Cilindro mestre É o mecanismo do sistema de freio que, auxiliado por um circuito hidráulico, impulsiona o líquido de freio, na pressão e quantidade necessárias, ao cilindro da roda. Funcionamento Seu funcionamento se dá através de um comando manual que, ao ser acionado, desloca o êmbolo, enviando o líquido de freio sob pressão através de um tubo ligado diretamente ao cilindro da roda.

Descrição

Em qual princípio se baseia o funcionamento do sistema de freio hidráulico?

O cilindro mestre da motocicleta é uma peça compacta, fixada no guidão, onde está montado o reservatório de óleo. Seu comando manual está ligado à haste de acionamento por meio de um pino de segurança. A figura seguinte ilustra um conjunto de freio hidráulico usado nas rodas dianteiras de algumas motocicletas com seus respectivos componentes.

CILINDRO MESTRE

Alavanca do Freio Reservatório

Cilindro principal Pino de segurança

Pistão Tubo Tudode defreio freio

CILINDRO DA RODA

Válvula de pulverização Calibrador Pistão auxiliar Disco

Sistema de freio hidráulico a disco

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Anote o número de voltas: antes de remover o parafuso de mistura, anote o número de voltas até que o parafuso fique ligeiramente assentado e, em seguida, remova o parafuso. O assento do parafuso de mistura poderá ser danificado caso o parafuso seja apertado excessivamente.

Quais características são necessárias ao óleo de freio?

Por ter um papel muito importante no processo de frenagem, o óleo de freio precisa apresentar algumas características de grande importância. São elas: n Propriedades anticorrosivas. n Ponto de evaporação superior à temperatura ambiente de trabalho dos freios. n Manter-se em estado líquido, mesmo sobre as mais baixas temperaturas. n Possuir propriedades lubrificantes. n Inexistência de sedimentação em barras que obstruam os trabalhos de freios. n Manter suas propriedades inalteradas ao longo do tempo.

Operação 04: Desmontagem/inspeção/montagem do

sistema de freio da roda dianteira Esta operação consiste em desmontar seus componentes a fim de que o mecânico possa avaliar ou substituir as peças danificadas. Existem dois tipos de sistema de freio dianteiro atualmente que são o hidráulico e o mecânico e suas desmontagens serão mostradas a seguir.

Desmontagem do sistema de freio hidráulico PASSO 01 – Retire a roda dianteira (operação 01). PASSO 02 – Inspecione as pastilhas de freio quanto a desgaste; 34 N.m (3,4 kg.m)

34 N.m (3,4 Kg.m)

26 N.m (2,6 kg.m)

Sistema de freios hidráulicos a disco

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PASSO 03 – Substitua-as, caso estejam desgastadas, além da ranhura-limite de desgaste. Processo de desmontagem das pastilhas PASSO 04 – Empurre completamente o pistão do cáliper, pressionando o corpo do cáliper para dentro, a fim de permitir a instalação das novas pastilhas. Pastilhas de freio contaminadas reduzem o desempenho de frenagem. Descarte as pastilhas contaminadas e limpe o disco de freio com um agente desengraxante de alta qualidade. Freio a disco

PASSO 05 – Remova os parafusos de fixação do cáliper do freio.

Substitua sempre as pastilhas de freio em pares para que a pressão do disco seja uniforme.

Por que é necessário substituir as pastilhas de freio aos pares? Cáliper do freio

PASSO 06 – Remova o cáliper do freio dianteiro.

Verifique o nível do fluido de freio no reservatório do cilindro mestre de freio, pois este procedimento pode fazer com que o nível suba. Parafusos de fixação do cáliper

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PASSO 07 – Remova os pinos das pastilhas.

Pinos

Pinos das pastilhas

PASSO 08 – Remova as pastilhas de freio. PASSO 09 – Posicione a mola das pastilhas no cáliper de modo que possa facilitar a instalação das pastilhas novas.

Pastilhas

PASSO 10 – Insira as pastilhas novas e instale os pinos das pastilhas, pressionando as pastilhas contra a mola para alinhar os orifícios dos pinos nas pastilhas e no cá-

Disco de freio

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liper. PASSO 11 – Aperte os pinos das pastilhas no torque especificado (torque: 17 N.m ou 1,7 Kg.m) e instale o cáliper do freio dianteiro com novos parafusos de fixação. PASSO 12 – Aperte os parafusos de fixação no torque

Parafusos de fixação do cáliper

especificado (torque: 26 N.m ou 2,6 Kg.m). PASSO 13 – Inspecione visualmente o disco de freio quanto a danos ou trincas. PASSO 14 – Meça a espessura do disco de freio em diversos pontos (limite de uso: 3,0 mm). Substitua o disco de freio caso a menor medição seja inferior ao limite

Medição do disco de freio com micrometro

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O tacômetro irá indicar precisamente as variações de 50 rpm (rotação por minuto).

de uso. PASSO 15 – Inspecione o disco de freio quanto a empenamento (limite de uso: 0,30 mm). Caso o empenamento exceda o limite de uso, inspecione os rolamentos da roda quanto à folga excessiva. Caso os rolamentos estejam nor-

Qual o limite de uso da espessura do disco de freio?

Disco de freio

mais, substitua o disco de freio.

Processo de desmontagem do disco de freio Para realizar a retirada do disco de freio (caso o mesmo

Espaçador lateral

esteja danificado), basta realizar a operação 01 “a disco”. PASSO 16 – Retire as porcas de fixação em ordem cruzada,

Porcas de fixação do disco de freio

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em 2 ou 3 etapas. PASSO 17 – Remova o disco de freio danificado e instale o novo disco de freio na sua posição de fixação, e aperte as novas porcas do disco de freio. O aperto deve ser realizado em ordem cruzada, em 2 ou 3 etapas. PASSO 18 – Verifique o nível do líquido de freio no reservatório do sistema. Caso necessite de complementação, utilize somente o fluido recomendado pelo fabricante. PASSO 19 – Remova os parafusos, a tampa do cilindro

Tampa

Não deixe que materiais estranhos penetrem no sistema ao abastecer o reservatório do cilindro mestre.

Placa de fixação

Diafragma Cilindro mestre

mestre, a placa de fixação e o diafragma. PASSO 20 – Abasteça o reservatório até a marca de nível superior com fluido recomendado pelo fabricante retirado de um recipiente fechado. Processo de troca do fluído de freio/sangria de ar PASSO 21 – Gire o guidão para a esquerda até que o reservatório esteja nivelado. PASSO 22 – Remova a tampa do cilindro mestre, a placa de fixação e o diafragma e conecte o tubo de sangria na válvula de sangria. PASSO 23 – Solte a válvula de sangria e acione a alavanca até que não haja mais fluxo de fluido através da válvula de sangria. PASSO 24 – Lave o sistema com álcool para retirar toda a

Evite derramar fluido em superfícies pintadas, plásticas ou em peças de borracha. Coloque um pano sobre essas peças sempre que forem efetuados reparos no sistema de freio.

Não misture tipos diferentes de fluidos, pois eles podem não ser compatíveis. Em caso de indisponibilidade do fluido recomendado pelo fabricante, recomenda-se a troca do fluido de freio.

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Por que não devemos misturar diferentes tipos de fluidos de freio?

Com o passar do tempo, o fluido de freio sofre contaminações com o uso, o que diminui suas qualidades básicas, motivo pelo qual é aconselhável limpar o sistema e trocar o líquido periodicamente.

presença do antigo fluido. PASSO 25 – Após a limpeza do sistema, feche a válvula de sangria e abasteça o reservatório com fluido de freio

Flanela para evitar derramamento de óleo

de sua escolha retirado de um recipiente fechado. PASSO 26 – Pressurize o sistema acionando a alavanca de freio até sentir uma resistência. PASSO 27 – Conecte uma mangueira de sangria na válvula de sangria e sangre o sistema, conforme os passos Inspecione constantemente o nível de fluido enquanto sangra o freio a fim de evitar a penetração do ar no sistema.

Qual a finalidade da sangria do sistema de freio?

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Válvula de sangria

que vêm a seguir. PASSO 28 – Abra a válvula de sangria ½ volta. A seguir, feche-a. PASSO 29– Solte a alavanca lentamente e espere alguns segundos após ela parar de se mover. PASSO 30 – Repita os passos 28 e 29 até que não haja mais bolhas de ar na válvula de sangria. PASSO 31 – Aperte a válvula de sangria no torque espe-


cificado (torque: 5 N.m ou 0,5 Kg.m) PASSO 32 – Reabasteça o reservatório, caso o nível esteja abaixo do especificado. PASSO 33 – Instale o diafragma, a placa de fixação e a tampa do reservatório. Aperte os parafusos no torque especificado (torque: 2N.m ou 0,2 Kg.m). Tampa

A drenagem do fluido de freio também é utilizada quando existirem vazamentos no sistema devido a sua deterioração ou trincas. Se as pastilhas não estiverem gastas e o nível for abaixo, Placa de inspecione o sistema fixação quanto a vazamentos.

Diafragma Cilindro mestre

PASSO 34 – Instale a roda dianteira (operação 02).

Desmontagem do sistema de freio a tambor PASSO 01 – Verifique se a seta na placa indicadora está alinhada com a marca no conjunto de freio (ou espelho de freio), quando a alavanca do freio é acionada. Caso estejam alinhaSeta Marca

Espelho do freio

das, devemos realizar a inspeção das sapatas e o tambor. PASSO 02 – Retire a roda dianteira (operação 01). PASSO 03 – Desencaixe o espelho do freio do tambor de

Espelho de freio mostrando as sapatas

33


Morsa: sistema de fixação

freio. PASSO 04 – Prenda o conjunto de freio em uma morsa e use mordentes de metal macio. Molas

Sapatas

Sapatas do conjunto de freio

Came: peça giratória de contorno adequado a permitir um movimento alternativo especial a outra peça, chamado seguindo. Sempre substitua as sapatas de freio em pares. Se as sapatas forem reutilizadas, marque-as de forma que possam ser montadas em suas posições originais.

PASSO 05 – Desmonte as sapatas do conjunto de freio dianteiro. PASSO 06 – Limpe todos os elementos do conjunto do freio com solvente especial. PASSO 07 – Inspecione o mecanismo de acionamento do freio dianteiro quanto a desgastes ou deformação. PASSO 08 – Inspecione o espelho de freio dianteiro quanto a rachaduras e desgastes no olhal do eixo excêntrico. Pas-

Braço do freio

Pino de alongagem

se graxa no pino de ancoragem e no came. PASSO 09 – Meça a espessura das guarnições das sapatas e compare-as com as especificações do fabricante (limite de uso: 2,0 mm). Sapatas contaminadas com óleo ou com outra Caso o tambor apresente cristalização na superfície, substância e com guarnições abaixo do limite de uso devem realize o processo de ser descartadas. lixamento utilizando lixa PASSO 10 – Meça o diâmetro interno do tambor do freio não muita agressiva. Após dianteiro (limite de uso: 131,0 mm) e substitua o tambor se o o lixamento, realize a valor encontrado estiver acima do valor especificado. Tamlimpeza com álcool. bor com rachaduras deve ser descartado. PASSO 11 – Verifique o cabo e alavanca do freio quanto a conexões frouxas, folgas excessivas ou outros danos. Subs-

34


titua ou repare, se necessário. PASSO 12 – Inspecione o cabo do freio quanto a dobras ou danos e lubrifique-o. MANUTENÇÃO PREVENTIVA PERÍODO ITEM

OPERAÇÕES

1.000 km

3.000 km

6.000 km

A cada...km

Fluido do Freio Dianteiro

Verificar o Nível

x

x

x

3.000 km

Fluido do Freio Dianteiro

Trocar o Óleo

Desgastes das Pastilhas do Freio

Verificar

Tambor de Freio Cabo do Freio Dianteiro Freio Dianteiro Sapatas do Freio

18.000 km (ou 2 anos de uso) x

Limpar

x

x

3.000 km

x

x

3.000 km

Verificar, Ajustar e Lubrificar.

x

x

x

3.000 km

Verificar e Ajustar

x

x

x

3.000 km

Verificar o Desgaste

x

x

x

3.000 km

PASSO 13 – Instale a roda dianteira (operação 01).

Diagnose de defeitos

Baixo desempenho do freio (a tambor): n Ajuste incorreto do freio n Lonas de freio desgastadas n Lonas de freio contaminadas n Tambor do freio desgastado n Came do freio desgastado n Cabo do freio rompido n Alavanca/pedal do freio empenado

Alavanca do freio muito macia ou esponjosa n Ar

no sistema hidráulico n Vazamento no sistema hidráulico n Pastilhas/disco de freio contaminados n Selo do pistão do cáliper desgastado n Pastilhas/disco desgastados n Cáliper contaminado n Retentores do pistão do cilindro-mestre desgastados n Baixo nível de fluido de freio

Caso as sapatas apresentem cristalização em sua superfície de frenagem, realize o processo de lixamento utilizando lixa não muita agressiva. Após o lixamento, realize a limpeza com um pano. Qual o limite de espessura para uso das guarnições das sapatas? Ao realizar o processo de lixamento tanto do tambor quanto das sapatas, devese utilizar máscara de proteção contra os resíduos do pó proveniente do lixamento, que é altamente prejudicial à saúde.

35


n Passagens

de fluido obstruídas n Disco de freio deformado/empenado n Pistão do cáliper engripado/desgastado n Pistão do cilindro mestre engripado/desgastado n Cilindro mestre contaminado n Alavanca do freio empenado

Alavanca do freio muito dura: n Pistão

do cáliper engripado/desgastado n O cáliper não desliza corretamente n Passagens de fluido obstruídas n Selo do pistão do cáliper desgastado n Pistão do cilindro mestre engripado/desgastado n Alavanca do freio empenado

Freio agarrando ou puxando para o lado: n Disco/pastilhas

de freio contaminados n Roda desalinhada n Conexão da mangueira de freio obstruída n Disco de freio empenado/deformado n O cáliper não desliza corretamente

Freio arrastando: n Pastilhas/disco

de freio contaminados n Disco de freio empenado/deformado n O cáliper não desliza corretamente

Resumo da lição • Detalhamento do mecanismo do freio da roda dianteira. • Constituição do sistema de freio mecânico com tambor. • O sistema de freio hidráulico constituído essencialmente pelo cilindro mestre. • Desmontagem, inspeção e montagem do sistema de freio da roda dianteira. • Processo de troca do fluido do freio e sangria do ar.

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Lição 4 Sistema de suspensão da roda dianteira n Roda

desalinhada A suspensão dianteira é encarregada de amortecer as trepidações ocasionadas pelas irregularidades do solo e propiciar maior estabilidade e conforto ao condutor da motocicleta. As primeiras motocicletas não tinham suspensão. As rodas eram montadas, rigidamente, no garfo do chassi, semelhante a uma bicicleta. A primeira mudança que se tem notícia foi o surgimento de uma suspensão dianteira dotada de uma mola helicoidal, que revestia o garfo, ver figura abaixo. Ângulo de inclinação R°

Garfo telescópico

Mola helicoidal

Suspensão com mola helicoidal

Suspensão com garfo telescópico

Basicamente, estas foram as suspensões dianteiras usadas nas motocicletas até o fim da 2ª Guerra Mundial. No início da década de 1950, surgiu na Inglaterra, um tipo de suspensão dianteira com garfos telescópicos, que constituiu um grande avanço tecnológico na evolução da motocicleta, principalmente, pela maneabilidade e leveza no manuseio. Esse sistema conquistou a preferência dos consumidores, o que levou, praticamente, todos os fabricantes de motocicletas a adotá-lo em seus modelos (ver figura acima).

Qual a função da suspensão dianteira?

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Constituição da suspensão dianteira por garfos telescópicos Esse tipo de suspensão é constituído por um amortecedor hidráulico desmontável e uma mola helicoidal, formando uma única peça para cada lado da roda. A figura seguinte ilustra uma vista desmontada de um dos lados do garfo, destacando todos seus elementos. Pistão de amortecedor Retentor de pó Cilindro interno

Anel do pistão

Anel limitador Parafuso superior do garfo Anel de vedação

Retentor de óleo

Cilindro externo Mola de amortecedor

Parafuso allen Vedador de óleo

Mola de retorno

Garfo dianteiro tipo telescópico – cerianni

A suspensão dianteira tipo “cerianni” é o tipo de suspensão atualmente utilizada pelos fabricantes de motocicleta. Sua principal vantagem é a colocação da mola helicoidal no interior do tubo. Nas suspensões tradicionais a mola helicoidal é montada na parte “externa” do tubo protegida por uma capa. A introdução da mola no interior do tubo tem como vantagem, a eliminação de ruídos inconvenientes provocados por contato da capa com a mola no sistema tradicional.

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Funcionamento Tanto no sistema tradicional como no sistema “cerianni”, o amortecimento das oscilações provocado pela ação da mola helicoidal, é feito obedecendo aos princípios do amortecimento hidráulico. Ao transpor uma irregularidade no solo, a tendência normal da mola helicoidal é comprimir-se em razão do choque entre a força de retração da roda e a inércia do peso ocasional da motocicleta. Como conseqüência da compressão da mola, fatalmente, haverá distensão da mesma no retorno à posição de origem, que poderá impulsionar violentamente à motocicleta para cima, desequilibrando o condutor. Para amenizar os efeitos da compressão e distensão da mola, utiliza-se um amortecimento hidráulico desmontável acoplado a cada uma das colunas do garfo da suspensão dianteira, formando uma única peça. Como mostra a figura abaixo.

Mola

Amortecedor

Explique o que é feito para amenizar os efeitos da compressão e distensão da mola helicoidal.

Suspensão

Princípio de funcionamento do garfo da suspensão

Operação 05: Desmontagem/inspeção/montagem da suspensão dianteira Esta operação consiste em desmontar seus componentes a fim de que o mecânico possa avaliar ou substituir as peças danificadas. Inspecione a ação dos garfos dianteiros acionando o freio dianteiro e comprimindo a suspensão diversas vezes. Verifique todo o conjunto quanto a sinais de vazamentos, danos ou fixadores frouxos. 39


Qual a finalidade da inspeção da suspensão dianteira?

PASSO 01 – Remova a roda dianteira (operação 01). PASSO 02 – Remova o cabo do velocímetro da guia. PASSO 03 – Remova o emblema dianteiro e o pára-lama dianteiro. PASSO 04 – Remova o cáliper de freio (CG 125 ES).

Roda, pára-lamas e suspensão dianteira

Parafusos

Emblema dianteiro

PASSO 05 – Afrouxe o parafuso superior dos garfos direito e esquerdo.

Parafuso superior do garfo

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PASSO 06 – Afrouxe os parafusos de fixação da mesa superior, e da mesa inferior e retire os garfos com cuidado.

Parafusos de fixação da mesa superior

Parafuso de fixação da mesa inferior

PASSO 07 – Remova o parafuso superior dos garfos. Retire com cuidado o parafuso, pois a mesma está pressionada por uma mola interna. PASSO 08 – Remova a mola do amortecedor e drene o fluido da suspensão.

Garfo e mola do amortecedor

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Por que se deve retirar com cuidado o parafuso superior dos garfos?

PASSO 09 – Meça o comprimento livre da mola do amortecedor (limite de uso: 457,2 mm).

Mola do amortecedor

PASSO 10 – Remova o retentor de pó.

Retentor de pó

PASSO 11 – Remova o parafuso Allen do garfo e a arruela de vedação. Para isso, utilize um fixador de pistão.

Parafuso de Allen

PASSO 12 – Remova o pistão e a mola de retorno do cilindro interno.

42


PASSO 13 – Remova o cilindro interno do cilindro externo, o anel limitador do retentor de óleo e o retentor de óleo (utilizando uma ferramenta especial).

Anel limitador

PASSO 14 – Inspecione o cilindro interno. Para isso, posicione-o sobre blocos em V e meça seu empenamento com o relógio comparador (limite de uso: 0,2 mm). O empenamento real é a ½ da leitura total do relógio comparador. Procure por riscos, escoriações ou desgaste anormal. PASSO 15 – Inspecione o cilindro externo e o pistão do amortecedor quanto a riscos, escoriações ou desgaste anormal.

Eixo Bloco em V para medição do empenamento

PASSO 16 – Verifique a mola de retorno quanto a danos.

43


PASSO 17 – Inspecione o anel do pistão quanto a desgaste ou danos e substitua qualquer componente que estiver desgastado ou danificado. Pistão

Cilindro externo

Cilindro Interno

Peças do amortecedor

Antes da montagem, lave todas as peças com solvente não inflamável. Em seguida, seque-as.

Processo de montagem PASSO 18 – Instale a mola de retorno e o pistão do amortecedor no cilindro interno. PASSO 19 – Instale o vedador de óleo na extremidade do pistão. PASSO 20 – Instale o cilindro interno no cilindro externo. Em seguida, instale uma nova arruela de vedação e o parafuso Allen. Para realizar este passo, utilize um fixador de pistão. PASSO 21 – Aplique fluido para suspensão nos lábios do novo retentor de óleo. Em seguida, instale-o no cilindro externo com sua marca virada para cima. Para realizar esse passo, utilize um instalador do retentor de óleo do garfo.

Cilindro interno

PASSO 22 – Instale o anel limitador do retentor de óleo na ranhura do cilindro externo.

44


PASSO 23 – Instale o retentor de pó. PASSO 24 – Aplique a quantidade especificada do fluido para suspensão recomendado no cilindro interno (tipo de fluido: o recomendado pelo fabricante / capacidade de fluido do garfo: 75,5 + ou – 2,5 cm3). PASSO 25 – Bombeie o cilindro interno várias vezes a fim de eliminar o ar preso na seção inferior do cilindro.

Retentor de pó

PASSO 26 – Comprima totalmente o garfo e meça o nível de fluido na parte superior do cilindro interno (nível de fluido: 166 mm). PASSO 27 – Puxe o cilindro interno para cima e instale a mola do amortecedor com sua extremidade cônica (espiras mais próximas) virada para baixo. PASSO 28 – Aplique fluido para suspensão no novo anel de vedação e instale-o no parafuso superior do garfo no cilindro, mas não realize o aperto definitivo. PASSO 29 – Instale o garfo através das mesas inferior e superior até que a superfície do parafuso superior do garfo fique nivelada com a mesa superior. PASSO 30 – Aperte os parafusos de fixação da mesa inferior no torque especificado (torque: 32 N.m ou 3,2 Kg.m). PASSO 31 – Aperte os parafusos superior do garfo no torque especificado (torque: 44 N.m ou 4,4 Kg.m). PASSO 32 – Aperte os parafusos de fixação da mesa su-

Utilize uma chave fixa ou um soquete de 24 mm para evitar que as bordas do bujão de tela fiquem arredondadas.

Ao instalar o parafuso Allen juntamente com a nova arruela de vedação no pistão do amortecedor, é necessário que aplique trava química na rosca do parafuso.

Como deve ser utilizado o cilindro externo?

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perior no torque especificado (torque: 27 N.m ou 2,7 Kg.m). PASSO 33 – Instale o emblema dianteiro e aperte os parafusos. PASSO 34 – Instale o pára-lama dianteiro e aperte os quatro parafusos. PASSO 35 – Instale o cáliper de freio apertando seus parafusos com o torque especificado (torque: 26 N.m ou 2,6 Kg.m).

Parafuso superior do garfo

Qual a última etapa da montagem da suspensão dianteira? Garfo

PASSO 36 – Instale a roda dianteira (operação 02). MANUTENÇÃO PREVENTIVA ITEM Suspensão dianteira Fluido da suspensão dianteira

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OPERAÇÕES Verificar Trocar

PERÍODO 1.000 km

3.000 km

6.000 km

A cada...km

x

6.000 km 9.000 km


Diagnose de defeitos Suspensão muito macia n Mola da suspensão fraca n Quantidade insuficiente de fluido na suspensão n Pressão do pneu muito baixa Suspensão muito dura n Cilindros do garfo empenados n Passagens de fluido nos garfos obstruídas n Eixo dianteiro empenado n Cilindros interno e/ou externo do garfo danificados Ruídos na suspensão dianteira n Quantidade insuficiente de fluido na suspensão n Fixadores dos garfos soltos n Vazamento de graxa através da engrenagem do velocímetro

O que torna a suspensão dianteira muito dura?

Resumo da lição • Constituição e mecanismo de funcionamento da suspensão da roda dianteira. • Desmontagem, inspeção e montagem da suspensão da roda dianteira. • Manutenção preventiva, e principais defeitos que ocorrem na suspensão da roda dianteira.

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Lição 5 Sistema de direção Coluna de direção é o tubo da parte de cima do chassi da motocicleta, onde se prende o conjunto do garfo dianteiro da suspensão. Sua principal função é permitir ao condutor da motocicleta, girar o guidão para a esquerda ou para a direita, permitindo o controle direcional e facilitando seu equilíbrio quando a motocicleta estiver em movimento. A figura abaixo ilustra uma coluna de direção em corte, montada na motocicleta e respectivos componentes.

Guidão

Suporte de fixação do guidão

Mesa superior Pista das esferas deslizantes (superior)

Tubo da coluna

Esferas deslizantes Eixo da coluna

Capa do garfo dianteiro Pista das esferas deslizantes (inferior) Esferas deslizantes Coluna de direçãoMesa inferior

Constituição A coluna de direção das motocicletas é constituída pelos seguintes elementos. Suporte de Fixação do Guidão – São as braçadeiras estriadas que prendem o guidão na mesa superior, per-

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Arruela

Porca da coluna de direção

Porca de ajuste da coluna de direção Pista cônica superior Esferas de aço (18) Pista superior

Mesa superior

Pista inferior Esfera de aço (18) Coluna de direção

Pista cônica inferior Retentor de pó Arruela

Peças da coluna de direção

mitindo posicioná-lo de conformidade com as exigências do condutor. Guidão – É uma barra de ferro cromada de forma geométrica variada, que serve de apoio às mãos do condutor e direcionar a motocicleta. Em suas extremidades se encontram os punhos e comandos do freio dianteiro, acelerador, embreagem, sistema elétrico e espelhos retrovisores. Mesa Superior – Serve de apoio para o guidão e as colunas do garfo da suspensão dianteira. É fixada ao eixo da coluna, por uma porca situada em sua parte central. Suporte de Farol – É um tubo metálico que além de servir como suporte para o farol apóia, também, as sinaleiras e serve de capa protetora do garfo da suspensão dianteira. Mesa Inferior – Sua função é idêntica a da mesa superior, no entanto, é fundida junto com a árvore da coluna de direção.

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Conjunto de Rolamentos – É do tipo “pista deslizante”, composto por esferas metálicas, pistas deslizantes e arruelas de encosto. Sua função é facilitar o movimento da coluna quando direcionada pelo condutor. Porca Cilíndrica – Ajusta a pré-carga dos rolamentos de acordo com a recomendação de seus fabricantes.

Geometria de direção

O que é geometria de direção?

Denomina-se geometria de direção, a todos os ângulos que formam o “Equilíbrio de Movimento” dos veículos. Como a maioria das motocicletas são biciclos, ou seja: são dotadas de apenas duas rodas, a geometria de direção não exerce tanta influência no equilíbrio do condutor quanto exerce na estabilidade direcional dos veículos de quatro rodas. No entanto, destacamos o ângulo de “Caster” ou ângulo de inclinação existente na coluna de direção das motocicletas. O ângulo de inclinação (Caster) é descrito por uma linha imaginária, que passa pelo centro do ponto de contato do pneu com o solo, em relação a outra linha imaginária inclinada, que passa pelo centro do ponto de fixação do chassi na coluna de direção, conforme ilustra a figura abaixo. Ângulo de inclinação R°

Explique o ângulo de Caster.

Ângulo de inclinação

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Sua função é manter a roda dianteira da motocicleta sempre em linha reta para frente, contribuindo dessa forma, para o equilíbrio do condutor e facilitar a transposição de obstáculos. Podemos comparar os efeitos desse ângulo, com o que acontece com o carrinho usado nos supermercados ou outro móvel dotado de rodízios similares. Nota-se que: quando empurrados, os rodízios tendem sempre a se manterem em linha reta à direção do movimento, conforme mostra a figura abaixo.

Carrinho dotado de rodízio

Graças à existência desse ângulo, é que se possibilita a pilotagem da motocicleta com as mãos afastadas do guidão, embora isto não seja recomendável. Deve-se salientar que não é apenas o ângulo de inclinação que contribui para o equilíbrio e estabilidade direcional das motocicletas. Existem outros fatores como giroscópio, instinto natural de equilíbrio do condutor, tamanho das rodas, centro de gravidade, altura livre do solo, distância entre eixos, etc. Todos com importantes parcelas de contribuição para facilitar a pilotagem da motocicleta.

Giroscópio: instrumento constituído por um corpo simétrico capaz de girar com alta velocidade em torno do eixo de simetria.

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Quantos passos são necessários para desmontagem, inspeção e montagem da coluna de direção? Cuidado para não danificar as guias da tampa lateral. Trabalhe numa área bem ventilada e mantenha o motor desligado. Não fume e mantenha chamas ou faíscas afastadas da área de trabalho ou de onde a gasolina está armazenada.

Operação 06: Desmontagem / inspeção / montagem

da coluna de direção É uma operação executada pelo mecânico, sempre que se fizer necessário, efetuar reparos e/ou manutenção no mecanismo de direção das motocicletas. PASSO 01 – Remova a tampa lateral direita. Retire o parafuso de fixação – solte as guias da tampa do chassi e do tanque de combustível. PASSO 02 – Remova a tampa lateral direita inferior (insira a chave de ignição na trava, gire-a e retire a tampa). PASSO 03 – Remova a tampa lateral esquerda (destrave-a com a chave de ignição) e solte as guias da tampa do chassi e do tanque de combustível. PASSO 04 – Remova os parafusos de fixação do assento e deslize para trás e remova-o. PASSO 05 – Desacople o conector 2P da unidade de combustível.

Conector 2P da unidade de combustível

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PASSO 06 – Gire o registro de combustível para posição “OFF” e desconecte o tubo de combustível do registro. PASSO 07 – Remova o parafuso de fixação do tanque de combustível e o espaçador.

Registro de combustível

Limpe imediatamente a gasolina em caso de derramamento.

Tanque de combustível

PASSO 08 – Puxe o tanque para trás e remova-o PASSO 09 – Remova a roda dianteira (operação 01). PASSO 10 – Remova o cabo do velocímetro da guia. PASSO 11 – Remova o emblema e o pára-lama dianteiro. PASSO 12 – Remova o cáliper de freio (CG 125 ES). PASSO 13 – Afrouxe os parafusos de fixação da mesa superior e da mesa inferior e retire os garfos com cuidado. PASSO 14 – Remova a porca da coluna de direção e arruela. PASSO 15 – Remova a mesa superior, com seus componentes, de maneira cuidadosa, e deixe-os em lugar adequado no chassi da moto.

Por que é proibido fumar onde a gasolina está armazenada?

Porca da coluna de direção/arruela

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PASSO 16 – Remova a porca do ajuste da coluna de direção utilizando ferramenta especial (chave-soquete da coluna de direção). PASSO 17 – Remova a pista cônica superior, as esferas de aço superiores, coluna de direção e as esferas de aço inferiores. PASSO 18 – Inspecione todos os componentes da coluna de direção em busca de anormalidades. Caso haja, substitua-os. PASSO 19 – Caso seja necessário extrair as pistas (SUPINF) utilize uma ferramenta especial.

Retentor de Pista

Coluna de direção

O que deve ser feito caso ocorram anormalidades nos componentes da coluna de direção?

PASSO 20 – Caso seja necessário instalar novas pistas (SUP-INF), utilize uma ferramenta especial.

Pista de rolamento

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PASSO 21 – Remover pista cônica inferior danificada: instale provisoriamente a porca da coluna de direção. Evite danificar a rosca da coluna de direção – remova a pista cônica inferior, retentor de pó e a arruela de vedação – instale uma nova arruela de vedação e o retentor de pó – instale nova pista cônica inferior na coluna de direção utilizando a ferramenta especial.

Retentor de Pó/Arruela

Pista Cônica

Processo de montagem PASSO 22 – Aplique graxa na área de todos os rolamentos e instale as esferas de aço na pista cônica inferior e na pista superior. PASSO 23 – Instale a coluna de direção e a pista cônica superior. PASSO 24 – Instale a porca de ajuste da coluna de direção e aperte-a com “chave-soquete da coluna de direção” no tanque especificado (1 N.m ou 0,1 Kg.m). PASSO 25 – Gire a coluna de direção várias vezes para a esquerda e direita. PASSO 26 – Solte provisoriamente a porca de ajuste da coluna de direção e, em seguida, reaperte-a no torque especificado (1N.m ou 0,1 Kg.m).

Qual a finalidade de aplicar graxa em todos os rolamentos?

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Coluna de direção

PASSO 27 – Verifique se não há folga vertical e se a coluna de direção gira suavemente. PASSO 28 – Instale a mesa superior juntamente com a arruela e a porca da coluna de direção e os garfos e aperte temporariamente os parafusos de fixação da mesa superior. PASSO 29 – Aperte a porca da coluna de direção no torque especificado (74 N.m ou 7,4 Kg.m).

Porca da colução de direção

PASSO 30 – Aperte os parafusos de fixação dos garfos com os torques especificados (INF – 32 N.m/SUP – 27N.m).

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PASSO 31 – Instale a roda dianteira (operação 02). PASSO 32 – Instale o tanque na motocicleta e aperte o parafuso de fixação. Conecte a tubulação no carburador.

Parafuso de fixação do tanque

PASSO 33 – Instale o assento alinhado a lingüeta com o suporte do chassi. PASSO 34 – Instale e aperte firmemente os parafusos de fixação do assento juntamente com o espaçador.

Lingüeta

Assento

Explique a operação 02.

Parafusos

O que provoca a direção dura? Suporte

Porca da coluna de direção

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Diagnose de defeitos

Direção dura n Porca de ajuste da coluna de direção muito apertada n Rolamentos/pistas da coluna de direção danificados n Pressão do pneu insuficiente A motocicleta puxa para um lado ou não se desloca em linha reta n Garfo empenado n Eixo dianteiro empenado n Roda instalada incorretamente n Rolamentos da coluna de direção defeituosos n Chassi empenado n Rolamentos da roda desgastados n Componentes da articulação do braço oscilante desgastados

Resumo da lição • A função da coluna de direção é permitir o controle direcional e facilitar o equilíbrio quando a motocicleta estiver em movimento. • São componentes da coluna de direção: suporte de fixação do guidão, guidão, mesa superior, suporte de farol, mesa inferior, conjunto de rolamento e porca cilíndrica. • Vários procedimentos são usados para desmontagem, inspeção e montagem da coluna de direção.

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Lição 6 Sistema de alimentação de combustível Tanque de combustível É o responsável pelo armazenamento do combustível necessário para manter a motocicleta em funcionamento, por um período determinado. Geralmente os tanques de combustíveis são fabricados com aço de baixo teor de carbono, acrescidos de tratamentos especiais, para evitar ferrugem ou sulfatização. No entanto, existem tanques fabricados em alumínio ou fiberglass usados em alguns tipos de motocicletas. O tanque de combustível (foto ao lado) é fundamental no sistema de alimentação e para o perfeito funcionamento do motor, é necessário que esteja com o seu interior limpo e sua tubulação em boas condições de uso. No orifício de saída, existe na torneira de controle de fluxo de combustível para o carburador; esta torneira tem três posições de funcionamento: a primeira é o OFF ou fechada que não permite a passagem de combustível para o carburador e deve ser usada quando a motocicleta estiver com o motor desligado. Esse procedimento evitará o afogamento, e prolongará a vida útil da bóia do carburador. Tanque de combustível A segunda posição é de marcha (ON) da motocicleta. Nesta posição, o combustível desce, naturalmente, e alimenta o carburador na quantidade necessária para o funcionamento do motor até atingir o consumo total do tanque.

Sulfatização: é o acumulo de sulfato no tanque de combustível. Fiberglass: é um plástico reforçado com fibras de vidro.

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Descreva a constituição do tanque de combustível.

Fechada

A terceira é a reserva (RES), que permite ao motociclista trafegar com o combustível que resta no fundo do tanque, proporcionando uma margem de segurança de alguns quilômetros até um novo abastecimento. A figura ao lado ilustra uma torneira de tanque, e respectiReserva vas posições de montagem. RES O tanque fornece gasolina para o funcionamento do motor OFF através da força de gravidade, Direta ON isto é, o tanque fica num plano superior ao carburador e o combustível desce naturalmenTorneira do tanque te sem a necessidade de uma bomba de sucção, como no motor de automóveis.

Off: desligado On: ligado

Por que a torneira de controle de fluxo de combustível deve ficar fechada quando a motocicleta estiver com o motor desligado?

Tubulação do tanque para o carburador A tubulação é feita, geralmente, de plástico ou borracha, pois estes possuem características de maleabilidade, ajustando-se perfeitamente às curvas; além de não enferrujarem. As tubulações plásticas, com o tempo de uso, devem ser substituídas, pois se enrijecem tornado-se quebradiças, dificultando o trabalho do mecânico e causando vazamentos. Tampa do tanque A tampa do tanque é o elemento importante no funcionamento do fluxo de combustível para o carburador e, ao mesmo tempo, deverá vedar com perfeição quando estiver em seu lugar, para evitar a pressão do combustível no interior do tanque; ela deve ser ventilada através de alguns furos que não possibilitem a saída de líquido, mas, sim a do gás produzido pelo combustível para evitar vazamentos, ela deverá ter junta de borracha. Combustíveis líquidos São elementos químicos formados pela combinação de hidrocarbonetos e que lhes conferem uma alta inflamabi-

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lidade, e são utilizados, normalmente, em motores à explosão. Os combustíveis líquidos podem ser de origem mineral ou vegetal.

°C

°C

0 50

Gás de Combustão

100 150

Óleo para mancais

450 500

Querosene

Óleo para motores

550

300 350

Óleo Fino

350 400

Gasolina

200 250

300

600

Óleo Diesel

400

650

Óleo para engrenagens

700

Óleo combustível Depósito

Forno Tubular

Óleo Torre de Destilação (Pressão Normal)

Forno Tubular

Torre de Destilação (Depressão)

Betuminosos

Destilação fracionada

Os combustíveis, derivados do petróleo cru são obtidos, normalmente, através do processo de destilação fracionado. Combustíveis vegetais São obtidos a partir vegetais como a cana-de-açúcar, mamona e outros. Entre os produtos resultantes, destacamos o álcool hidratado e o biodiesel. Justifica-se a preferência pelo álcool hidratado, face ao alto custo do petróleo e à perspectiva de escassez dessa fonte de energia para um futuro próximo. O álcool hidratado, derivado da cana-de-açúcar, apresenta melhores condições alternativas de substituição do petróleo no território brasileiro. O álcool difere da gasolina em características físico-químicas. Entretanto, com a adequação dos atuais motores gasolina, obtém-se um excelente resultado para uso do mesmo.

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O álcool como combustível nos motores A aplicação do álcool nos motores tem três aspectos distintos: em mistura com a gasolina, em uso paralelo com a gasolina ou óleo diesel, e em uso exclusivo nos motores a gasolina convertidos para o uso do álcool.

No Brasil, o álcool é produzido a partir de qual matériaprima?

Em mistura com a gasolina O álcool etílico é miscível com qualquer tipo de gasolina e em qualquer proporção, resultando sempre em um combustível de boas características. Entretanto, é preciso que o álcool seja anidro, isto é, não contenha água. Uso paralelo com gasolina e óleo diesel É denominado uso paralelo, a introdução do motor, de etanol e de um outro combustível, separadamente. O uso paralelo gasolina – etanol requer dois sistemas de alimentação (dois tanques, dois carburadores, duas bombas, etc). Nesses sistemas o rendimento do motor é baixo para etanol porque não existe a conveniente adaptação do motor. O uso paralelo de diesel – etanol tornou-se conveniente por não exigir grandes modificações do motor. Para o funcionamento do motor, faz-se a injeção normal de certa quantidade de óleo diesel que funciona como chama-piloto sendo o etanol introduzido via carburação. Em alguns motores pode-se chegar a 80% de etanol e 20% de óleo diesel.

Os fabricantes de motos estão desenvolvendo motores biocombustíveis.

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Uso exclusivo em motores convertidos Os motores de gasolina podem ser adaptados para o uso do álcool desde que sejam modificados alguns de seus fatores técnicos tais como: taxa de compressão, aquecimento prévio do coletor de admissão, redimensionamento de carburação, curvas de avanço de ignição e mudanças no sistema de partida a frio. Entretanto, para uma conversão satisfatória, são necessários conhecimentos específicos dos valores técnicos dos sistemas modificados.


Características dos combustíveis As características mais importantes dos combustíveis são: sua volatibilidade, sua velocidade de inflamação e sua resistência à detonação. Volatilidade – é a tendência que possui um líquido de passar deste estado ao gasoso, em qualquer temperatura. Esta característica é que permite dar partida no motor em tempo frio. Velocidade de infl amação– é o tempo em que o combustível leva para se inflamar completamente. Esse fenômeno incide diretamente nas curvas de avanço de ignição dos motores. Resistência à detonação – é a capacidade do combustível em resistir à auto-inflamação. Essa propriedade, nos combustíveis, é caracterizada pelo grau de octanas, ou seja, a quantidade de elementos antidetonantes (isoctano) em relação ao heptano normal, considerado altamente detonante. Fenômenos de detonação Quando o motor é submetido a cargas superiores à sua capacidade real, ocorre um fenômeno em seu interior que se manifesta através de um ruído semelhante a uma batida metálica, comumente conhecido como “batida de pino”. Isto ocorre devido ao aumento brusco de temperatura do motor, formando pontos quentes no interior da câmara de explosão que provocam a queima de gases em sentido contrário ao da chama criada pela centelha da vela de ignição em seu funcionamento normal. Esse fenômeno é também chamado de detonação e traz como conseqüência: perda de potência, aquecimento do motor, danos interiores. A seqüência do fenômeno da detonação no interior do cilindro é a seguinte: 1. Propagação normal das ondas de calor 2. Propagação das ondas de calor em detonação 3. Choque térmico entre as ondas de calor Para evitar que se produza o fenômeno da detonação nos motores, os fabricantes de combustíveis, principalmen-

Descreva as características dos combustíveis.

Como é determinado o grau de octanagem de um combustível?

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te a gasolina, por ter um baixo índice de octanas, colocam nesses combustíveis, elementos antidetonantes, sendo o mais comum o tetraetileno de chumbo. O grau de octanagem de um combustível é determinado por ensaios em laboratório, através de um motor de prova. Por ser combustível um elemento altamente inflamável recomenda alguns cuidados para sua utilização, tais como: • Deve ser mantida em depósitos fechados, em lugares bem ventilados e longe de elementos que possam produzir calor, chamas ou centelhas • Em caso de sua inflamação, devem ser usados extintores à base de espuma, pó químico ou anidrido carbônico. Em nenhum caso se deve empregar a água, já que isto ajuda a estender o fogo • O contato da gasolina com a pele produz ressecamento e dermatite (inflamação da pele) • A ingestão da gasolina produz envenenamento pela presença do tetraetileno de chumbo, que é altamente tóxico.

Operação 07: Desmontagem / inspeção / montagem

Qual o objetivo da desmontagem e inspeção do tanque de gasolina?

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do tanque de combustível É uma operação rotineira que o mecânico executa sempre que se fizer necessária uma revisão no tanque de combustível. Isto porque, o combustível colocado freqüentemente no tanque não é totalmente isento de impurezas. PASSO 01 – Gire o registro de combustível para posição “OFF” e desconecte o tubo de combustível do carburador. PASSO 02 – Drene o combustível para um recipiente adequado. Para isso, gire o registro para posição “ON”. PASSO 03 – Remova a tampa lateral direita e retire o parafuso de fixação – solte as guias da tampa do chassi e do tanque de combustível. PASSO 04 – Remova a tampa lateral direita inferior (insira a chave de ignição na trava, gire-a e retire a tampa). PASSO 05 – Remova a tampa lateral esquerda e solte as guias da tampa do chassi e do tanque de combustível.


Mantenha o combustível afastado do fogo ou fagulhas que possam provocar incêndio. Tampa lateral esquerda

PASSO 06 – Remova os parafusos de fixação do assento e deslize-o para trás e remova-o. PASSO 07 – Desacople o conector 2P da unidade de combustível.

Cuidado para não danificar as guias da tampa lateral.

Conector 2P da unidade de combustível

PASSO 08 – Gire o registro de combustível para posição “OFF” e desconecte o tubo de combustível do registro. PASSO 09 – Remova o parafuso de fixação do tanque de combustível e o espaçador e retire o tanque.

A gasolina é extremamente inflamável e explosiva sob certas condições.

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Registro de combustível com a contra-porca

Não fume e mantenha chamas ou faíscas afastadas da área de trabalho ou de onde a gasolina está armazenada.

PASSO 10 – Solte a contraporca do registro de combustível. PASSO 11 – Remova o filtro de tela e o conjunto de registro de combustível do tanque de combustível. PASSO 12 – Limpe o filtro de tela com ar comprimido. PASSO 13 – Vede o orifício de saída do combustível com borracha ou outro material vedante. PASSO 14 – Despeje um pouco de solvente antioxidante dentro do tanque e o agite em várias posições. PASSO 15 – Retire o líquido antioxidante do tanque. PASSO 16 – Lave o tanque com água. PASSO 17 – Seque o tanque com ar comprimido. PASSO 18 – Sopre o registro com ar comprimido.

Tanque de combustível

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Processo de montagem PASSO 19 – Instale um novo anel de vedação no filtro de tela e, em seguida, instale o filtro no tanque de combustível. PASSO 20 – Aperte a contraporca do registro no tanque de combustível. PASSO 21 – Instale o tanque na motocicleta e aperte o parafuso de fixação. Conecte a tubulação no carburador. Coloque o registro na posição “ON”.

Qual o passo que o tanque é lavado com água? E qual o objetivo?

Contraporca do registro de combustível

PASSO 22 – Instale o assento alinhado a lingüeta com o suporte do chassi e aperte firmemente os parafusos de fixação do assento juntamente com o espaçador. PASSO 23 – Instale as tampas laterais.

Tampas laterais

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MANUTENÇÃO PREVENTIVA PERÍODO ITEM Tanque Tubulações Registro Filtro de Combustível

OPERAÇÕES

1.000 km

3.000 km

Verificar

x

x

Limpar

x

x

6.000 km

A cada...km 6.000 km

x

6.000 km

Diagnose de defeitos Motor não dá partida • Excesso de combustível fluindo para o motor (filtro de ar obstruído – carburador afogado) • Entrada falsa de ar no coletor de admissão • Combustível contaminado/deteriorado • Não há fluxo de combustível para o carburador (filtro de tela de combustível obstruído – tubo de combustível obstruído – registro de combustível engripado – nível de bóia incorreto) Quais os motivos que levam o motor a não dá partida?

Mistura pobre • Giclês de combustível obstruídos • Válvula da bóia defeituosa • Nível da bóia muito baixo • Linha de combustível obstruída • Entrada falsa de ar no coletor de admissão • Pistão de aceleração defeituoso Mistura rica • Válvula do afogador na posição ON • Válvula da bóia defeituosa • Nível da bóia muito alto • Giclês de ar obstruídos • Carburador afogado O motor morre, dificuldade na partida, marcha lenta irregular • Linha de combustível obstruída • Mau funcionamento da ignição

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• Mistura de combustível muito rica/pobre (ajuste do parafuso de mistura) • Combustível contaminado/deteriorado • Entrada falsa de ar no coletor de admissão • Marcha lenta incorreta • Nível incorreto da bóia Combustão retardada quando o freio-motor é utilizado • Mistura muito pobre no circuito de marcha lenta Falha da ignição durante a aceleração • Mau funcionamento do sistema de ignição • Mistura de combustível muito pobre Baixo desempenho e consumo excessivo de combustível • Sistema de combustível obstruído • Mau funcionamento do sistema de ignição

Resumo da lição

O que leva à combustão retardada, quando o freio-motor é utilizado?

• Os tanques de combustível são fabricados com aço de baixo teor de carbono para evitar a ferrugem. • A tubulação do tanque até o carburador é feita com material de plástico ou borracha devido a sua maleabilidade. • Processo de detonação dos combustíveis e suas características. • Desmontagem, inspeção e montagem do tanque de combustível e suas tubulações.

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Referências Manual de Serviços HONDA, CG 125 TITAN KS. ES. KSE. CG 125 CARGO, produção 2002. Apostila Mecânico de Manutenção de Motocicletas, 2005, SENAI CFP WDS. SENAI, SMO Mecânico de motocicletas, Rio de Janeiro, Departamento Nacional, 1984. http://www.moto.com.br/acontece/conteudo/5905.html Acesso 01/06/2008 http://www2.uol.com.br/interpressmotor/noticias/item16907.shl Acesso 30/06/2008 http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Reportagens_Conteudo. vxlpub?hnid=37533 Acesso 18/07/2008 http://www.seuauto.com/?tag=moto-flex Acesso 30/06/2008 Wilson; Hugo. O Grande Livro das Motos, Editora, Livros e Livros 1997. Bambirra, Paulo; Livro - Manual Completo Da Moto, editora: Fittipaldi, 1987 São Paulo, SP Mosher, S. Lynn e George Lear; Manual completo da moto: mecânica e manutenção, editora: Hemus, 2004

Agradecimentos • • • • •

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Este livro foi composto na fonte Switzerland, corpo 11/13 O miolo foi impresso em papel pólen soft 80g/m2, e a capa em cartão supremo 250g/m2. Impresso pela gráfica Marcograf e editado pelas Edições Demócrito Rocha em Outubro de 2008.


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