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luciano

Luciano Cavalcante

terra bárbara

luciano C AVA L C A N T E

C AVA L C A N T E

Marcelo Cavalcante O Engenheiro Visionário Formado em Engenharia e com dois titulos de mestrado na área, em plena década de 1950, nas melhores universidades norte-americanas, Luciano Cavalcante teve sua trajetória de vida marcada pela ousadia, coragem e pioneirismo. Assim, escolheu o antigo e pouco habitado bairro salineiro do Cocó e, para ali, levou a energia elétrica, a pavimentação de ruas, o primeiro telefone e , enfim, o progresso. ISBN 978-85-7529-549-6

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Coleção

Adolfo Caminha Claudia Albuquerque Alberto Nepomuceno Floriano Martins Bárbara de Alencar Ariadne Araújo Beato José Lourenço Xico Sá Benjamim Abrahão Firmino Holanda Bezerra de Menezes Luciano Klein Filho Canoa Doida Aírton de Farias Capistrano de Abreu Firmino Holanda Cego Oliveira Eugênio Leandro Chico da Silva Roberto Galvão Clóvis Beviláqua César Asfor Rocha Delmiro Gouveia Aírton de Farias Demócrito Rocha Cleto Pontes Dom Aloísio Lorscheider Elsie Studart e Marcelo Gurgel Domingos Olimpio Leite Jr Dragão do Mar Luciana Cavalcante

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Edson Queiroz Eduardo Campos Farias Brito Antônio Carlos Klein Figueiras Lima Mª Isabel Figueiras Lima Ciasca Fran Martins Carlos Eduardo Bezerra Frei Tito Socorro Acioli Irmãos Aniceto Pablo Assumpção Jacques Klein Agamenon Bezerra Jáder de Carvalho Angela Barros Leal Joaquim Pimenta Edimilson Barbosa José Albano Ruy Vasconcellos José de Alencar Mona Gadelha Jovita Feitosa Kelma Matos Juarez Barroso Amélia Soares A. Landim Lauro Maia Nirez Lopes Filho Túlio Monteiro Martins Filho Paulo Elpídio de M. Neto

Mestre Noza Carolina Dumaresq Moreira Campos Caterina de Saboya Oliveira Natanael Cortez Robério Américo Souza Oliveira Paiva Tércia Montenegro Padre Cícero Régis Lopes Padre Ibiapina Benedito Silva Patativa do Assaré Gilmar de Carvalho Paulo Abel Elvis Matos Paulo Bonavides Antonio Carlos Klein Quintino Cunha Francisco José S. Souza Rachel de Queiroz Socorro Acioli Rodolfo Teófilo Benedito Silva Rogaciano Leite Filho Airton Monte Senador Alencar Aírton de Farias Sinhá D’Amora Túlio Monteiro Waldemar Alcântara Blanchard Girão

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Fortaleza - CE 2012

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©2012 by Edições Demócrito Rocha Fundação Demócrito Rocha Presidente Luciana Dummar Edições Demócrito Rocha (EDR) (Marca registrada da Fundação Demócrito Rocha.) Editora Regina Ribeiro Editor de Design Deglaucy Jorge Teixeira Projeto Gráfico Mirtis Rodrigues Editoração Eletrônica e Capa Karlson Gracie Catalogação na Fonte Ana Kelly Pereira

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Edições Demócrito Rocha Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora - Cep 60.055-402 - Fortaleza-Ceará Tel.: (85) 3255.6270 - 3255.6036 - 3255.6256 - Fax (85) 3255.6276 edicoesdemocritorocha.com.br | edr@fdr.com.br I livrariaedr@fdr.com.br

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Para Lucas e Marcos, na certeza de que a vida continua

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“Meu querido filho. Quando de mim já não existir em tua alma, senão a grata lembrança do que fui para ti, faze com que em todos os teus atos possas provar sempre ao mundo que soubestes respeitar as cinzas de quem te deu o ser, para que não desmereça nunca o bom nome que te transmito sem mácula.” Jacob Bensabat

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PREFÁCIO Arquivo pessoal - Marcelo Cavalcante

Família do Engenheiro Luciano Cavalcante, maio/2008

Em maio de 2008, a Câmara de Vereadores de Fortaleza promoveu uma solenidade comemorativa aos 40 anos de constituição do bairro Engenheiro Luciano Cavalcante. Como filho do homenageado, estive presente à cerimônia juntamente com minha mãe, meus irmãos e demais membros da família. Em seu discurso de abertura, o vereador propositor do evento citou fatos marcantes da vida de meu pai. Pude perceber pela fala do digno edil que havia profunda admiração pela figura daquele que foi o desbrava-

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dor da região, embora as informações não estivessem bem organizadas no tempo e no espaço. Após o evento, motivei-me a escrever um artigo que foi publicado no jornal O POVO e que depois gerou uma série de convites para falar sobre a vida de meu pai em programas de televisão e reportagens sobre a história do bairro que leva o seu nome. Ao me deparar com a curiosidade das pessoas em conhecer mais daquele com quem eu mesmo convivi tão pouco, decidi escrever este livro. Maior prazer foi saber que a Fundação Demócrito Rocha tinha interesse em publicar sua biografia como parte integrante da Coleção Terra Bárbara. Para mim, era o reconhecimento de que a vida de meu pai era digna de estar ao lado de outros cearenses ilustres que construíram com seu trabalho a história de nossa terra. Meu sentimento ao pesquisar sobre a vida de meu pai foi como uma viagem para dentro de mim mesmo. Foi, antes de tudo, um processo de autoconhecimento, uma caminhada de crescimento e amadurecimento. Foi como montar um quebra-cabeça reconstituindo fatos de sua personalidade e de seu curto – porém intenso – percurso pela vida.

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Sumário Introdução Capítulo 1

Infância

Capítulo 2

Nova Iorque & Califórnia

Capítulo 3

Porto Alegre

Capítulo 4

Fortaleza

Capítulo 5

Rio de Janeiro

Capítulo 6

Banco do Nordeste

Capítulo 7

Fábrica Lumax

11 19 33 47 55 63 69 71

Epílogo

75

Cronologia

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Referências

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Leia mais

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O autor

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INTRODUÇÃO “Soy loco por ti América, soy loco por ti amor." Caetano Veloso Arquivo pessoal - Marcelo Cavalcante

Luciano Cavalcante e sua família, dezembro/1967

“Soy loco por ti América, soy loco por ti amor...” era a música que tocava na casa vizinha nos dias que antecederam a morte do engenheiro Luciano Cavalcante. Em 3 de maio de 1968, em sua residência na Rua João Cordeiro, n° 1095, falecia vítima de um infarto, aos 38

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anos, aquele que viria a ser lembrado mais pelo desenvolvimento urbano que promovera do que por suas conquistas acadêmicas na América do Norte. Sua trajetória de vida, embora curta, foi marcada por realizações importantes que seriam lembradas pelas gerações futuras e eternizadas no bairro da cidade que leva seu nome. O ano em que Luciano Cavalcante faleceu foi marcado por mudanças sociais, políticas e tecnológicas. Em Paris, os estudantes amotinados na Universidade de Sorbonne lutavam por liberdade de expressão. Nos Estados Unidos, a corrida espacial avançava a passos largos, prenunciando a chegada do homem à Lua. No Brasil, o Ato Institucional n° 5 restringia as liberdades individuais, e a ditadura militar consolidava seu domínio amplo, geral e irrestrito. Fortaleza seguia sob a gestão do prefeito José Walter Cavalcante, que realizava importantes melhorias urbanas. A vida do antigo bairro salineiro do Cocó nunca mais seria a mesma. A primeira novidade havia sido a luz elétrica. Aposentar os antigos lampiões a gás ou as lamparinas a querosene foi uma grande alegria para os moradores da região. Em uma Fortaleza que ainda vinha de uma realidade recente de constantes faltas de energia, poder usufruir da energia da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, trazida pelo governador Virgílio Távora, era um conforto e tanto.

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A segunda novidade tinha sido andar em ruas pavimentadas, evitando os atoleiros de areia que na quadra invernosa ficavam intransitáveis. Sim, a fábrica havia trazido o progresso para o bairro. De casa em casa se ouvia falar que fora o Dr. Luciano Cavalcante, genro do Dr. Gadelha, o engenheiro que construíra a fábrica de canos plásticos, que trouxera o progresso para aquela área da cidade que até então se resumia a uma série de salinas ao longo do Rio Cocó. Luciano Cavalcante não foi um proprietário de terras, não foi um rico herdeiro, não foi um político famoso. Foi, antes de tudo, um homem que sempre acreditou que o trabalho honesto, as boas ideias e as iniciativas empreendedoras têm o poder de mudar uma realidade, de promover o progresso, de gerar riqueza e renda, diminuindo assim as desigualdades sociais. O bairro Engenheiro Luciano Cavalcante foi uma justa homenagem da cidade de Fortaleza a um filho seu que poderia ter optado em exercer sua profissão em qualquer lugar do mundo, mas escolheu o antigo bairro salineiro do Cocó para ali realizar seu ideal de vida. O processo de desenvolvimento urbano foi apenas uma atividade dentro do projeto maior de instalação de sua indústria. Sem a real pretensão, promoveu um dos maiores vetores de desenvolvimento urbano que Fortaleza já conheceu em todos os tempos, levando para aquela região da cidade, após sua morte, importantes equipamentos públicos e privados, tais

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como a Câmara Municipal de Vereadores, o Centro Administrativo do Governo do Estado, o Fórum da Justiça Estadual, a Universidade de Fortaleza, o Centro de Convenções, o Centro de Feiras e Eventos etc. Desde a sua juventude, Luciano tinha fama de visionário. Quando falava para seus amigos que o homem iria chegar à Lua, todos riam dele. A questão era que ele estava cursando mestrado em Engenharia Aeronáutica no California Institute of Technology e estava a par dos avanços americanos na disputa espacial com os russos. Fortaleza, na década de 1950, era ainda um pouco provinciana, e as notícias não fluíam com a rapidez dos tempos atuais. Para os amigos de Luciano, os assuntos giravam em torno da política local ou, quando muito, dos fatos que ocorriam no Rio de Janeiro, então capital da República e principal cidade do País. A população da cidade em 1950 era de 270.000 habitantes, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passando para meio milhão dez anos depois. Seus primos e amigos mais chegados estavam mais preocupados em namorar garotas bonitas do que saber se o homem iria chegar à Lua, enquanto Luciano estava realizando seu sonho de infância nos Estados Unidos da América: aprendendo a fazer aviões no maior centro de estudos internacionais em aeronáu-

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tica. A Califórnia se destacava por ser o estado mais progressista do país mais rico do mundo. A indústria cinematográfica de Hollywood divulgava para o mundo a pujança do grande vencedor da II Grande Guerra ocorrida na década anterior. Isso o ajudava a estar além de seu tempo em se tratando do desenvolvimento da cidade de Fortaleza e do Brasil.

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Marcelo Cavalcante O Engenheiro Visionário Formado em Engenharia e com dois titulos de mestrado na área, em plena década de 1950, nas melhores universidades norte-americanas, Luciano Cavalcante teve sua trajetória de vida marcada pela ousadia, coragem e pioneirismo. Assim, escolheu o antigo e pouco habitado bairro salineiro do Cocó e, para ali, levou a energia elétrica, a pavimentação de ruas, o primeiro telefone e , enfim, o progresso. ISBN 978-85-7529-549-6

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